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Família Pinheiro, controladora da Hapvida, amplia participação antes de eleição do conselho

24 de Abril de 2026, 09:08

A família Pinheiro, controladora da Hapvida, voltou a aumentar sua participação na companhia de planos de saúde. Segundo comunicado divulgado na manhã desta sexta-feira (24), o grupo passou a deter 55,4% do capital social – ou 58,6% ao desconsiderar as ações em tesouraria. 

O movimento envolve não só ações compradas diretamente mas também posições via empréstimo de ações, derivativos e direitos sobre papéis.

No próximo dia 30, a empresa realiza assembleia de acionistas para eleger a composição do conselho de administração – e a gestora Squadra, com perto de 7% do capital, tenta emplacar três nomes.

O avanço consolida a posição da família em um momento de pressão sobre a companhia, com resultados mais fracos e crescente desconfiança do mercado.

A família tem ampliado recorrentemente sua fatia na empresa nas últimas semanas. No início de abril, os controladores já haviam elevado sua fatia para cerca de 50% do capital. Até o fim de março, esse percentual girava em torno de 40%. 

Considerando apenas as ações com direito a voto, a participação atual é menor, de 47,3%, já que parte da exposição está em instrumentos financeiros que não dão poder de voto.

Família Pinheiro

Entre os acionistas que comunicaram o aumento de participação estão Jorge Pinheiro Koren de Lima, atual CEO da Hapvida, além de outros membros da família e holdings ligadas ao grupo controlador. 

Jorge Pinheiro está em processo de transição no comando da Hapvida: após 27 anos como CEO, ele deixará o cargo em 30 de abril e assumirá a presidência do conselho.

As mudanças acontecem em meio à tentativa de reverter a forte queda de valor da companhia nos últimos anos.

Após a fusão com a NotreDame Intermédica, em 2021, a companhia cresceu, mas não conseguiu recuperar margens e lucratividade no ritmo esperado. No 4º trimestre de 2025, o lucro líquido ajustado caiu 64,9%, para R$ 180,6 milhões.

Desde 2021, no auge, as ações da companhia cederam mais de 95%. 

No início de março, a gestora Squadra, uma acionista relevante da companhia, com cerca de 7% do capital votante, enviou uma carta cobrando mudanças no conselho e na condução da empresa. 

A gestora critica problemas de governança, alocação de capital e execução. E defende que a Hapvida avalie vender operações no Sul e Sudeste, em boa parte ativos herdados da NotreDame Intermédica.

Como mostrou o InvestNews, a crise financeira e de governança já afeta as operações da companhia. Médicos em São Paulo relatam que passaram a reduzir a carga horária por medo de calote – no último mês, já houve atrasos nos pagamentos.

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ANS manda Hapvida rever R$ 866 milhões em dados regulatórios; empresa diz que balanço não será afetado

5 de Dezembro de 2025, 12:35

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) negou nesta sexta-feira (5) um recurso da Hapvida e determinou que a operadora revise o balanço regulatório enviado ao órgão, com um ajuste de quase R$ 1 bilhão relacionado ao Programa Desenrola. A decisão envolve a reversão do crédito fiscal reconhecido pela empresa no ano passado após o perdão de uma dívida de R$ 866 milhões com o SUS.

A Hapvida afirmou ao InvestNews que cumprirá integralmente a determinação, mas destacou que o ajuste não afeta as demonstrações financeiras consolidadas elaboradas segundo o IFRS 17, padrão usado para reportes ao mercado.

Segundo a companhia, as alterações exigidas pela ANS dizem respeito exclusivamente ao demonstrativo regulatório ANS-GAP de 2024, que segue metodologia própria e distinta daquela exigida pela CVM.

“Não existe qualquer hipótese de republicação de balanço no âmbito das demonstrações IFRS divulgadas ao mercado”, disse a empresa, reiterando que os efeitos contábeis relevantes “já estão integralmente refletidos” no padrão internacional.

O caso tem origem no acordo firmado no âmbito do Programa Desenrola, que perdoou dívida de R$ 866 milhões da Hapvida com o SUS. Antes da conclusão formal da análise pelo governo, a companhia registrou os efeitos desse benefício no balanço regulatório — movimento que agora levou a ANS a exigir a revisão das demonstrações enviadas à agência.

As ações da Hapvida fecharam com queda de 6,30%, cotadas a R$ 14,57, após terem figurado entre as maiores quedas do Ibovespa no início do pregão. A queda do papel se intensificou na sessão diante da derrocada da Bolsa brasileira na sessão desta sexta.

(Atualização às 15h10: Este texto foi atualizado após esclarecimentos enviados pela Hapvida)

Hapvida sob pressão

O debate desta sexta soma-se a uma derrocada mais longa: nos últimos seis meses, a ação acumula queda de quase 63%, levando o valor de mercado a R$ 7,64 bilhões — menos da metade dos R$ 16 bilhões na época da listagem na Bolsa.

É um retrato da perda de confiança na capacidade da empresa de estabilizar resultados e recuperar previsibilidade. JP Morgan, Itaú BBA, BTG Pactual, Bradesco e Banco do Brasil rebaixaram recentemente a recomendação para o papel.

Em relatório divulgado no fim de novembro, após o balanço do terceiro trimestre, o Itaú BBA descreveu uma companhia enfrentando um curto prazo mais duro, pressionada por rentabilidade menor e visibilidade reduzida para uma virada rápida.

Uma das leituras centrais do banco é que a Hapvida vive uma desconexão entre receita por beneficiário e custo por beneficiário, num contexto de maior utilização e necessidade de investimento para manter qualidade e retenção.

O relatório também destaca que a expansão recente de infraestrutura adicionou custos relevantes. Desde o início do ano, a companhia abriu sete hospitais e 25 unidades ambulatoriais, com cerca de 500 novos leitos — um aumento de capacidade que ainda precisa ganhar tração para diluir os custos fixos.

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Hapvida perto de mínimas históricas com onda de rebaixamentos

19 de Novembro de 2025, 12:59

As ações da Hapvida estão próximas das mínimas históricas após um resultado abaixo do esperado na semana passada ter desencadeado uma onda de rebaixamentos para a operadora de saúde.

O UBS BB foi o banco mais recente a rebaixar a recomendação da ação esta semana, reduzindo-a de compra para neutra e cortando o preço-alvo de R$ 55 para R$ 21. O resultado abaixo do esperado desencadeou um mergulho de 42% nas ações. Os papéis da empresa registraram a pior sessão da história em 13 de novembro, com a empresa perdendo mais de R$ 7,7 bilhões em valor de mercado desde então.

Analistas de bancos como JPMorgan, Citi, Banco Safra e Banco do Brasil rebaixaram a Hapvida na última semana, após os resultados trimestrais ficarem amplamente abaixo das estimativas, com custos médicos mais altos, maior concorrência e dinâmica de preços pressionando ainda mais as margens. A empresa agora tem sete recomendações de compra e sete de manutenção, com o número de analistas otimistas no nível mais baixo desde que a empresa abriu capital há sete anos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. E a perspectiva continua desafiadora.

“A Hapvida apresentou um conjunto muito fraco de resultados no 3T25, ficando bem abaixo do consenso e desencadeando uma forte venda das ações”, afirmou o analista Ricardo Boiati, do Banco Safra, em nota: “A ausência de metas de margem, seja de curto ou longo prazo, deixa o mercado praticamente no escuro quanto ao caminho da recuperação e ao equilíbrio de longo prazo.”

O analista do UBS BB André Salles afirmou que as margens da Hapvida devem permanecer sob pressão nos próximos dois anos devido ao crescimento da base de beneficiários abaixo do esperado e aos modestos aumentos de preços.

O Citi também revisou as estimativas para os próximos dois anos, reduzindo as previsões de lucros em 46% e 40% para 2026 e 2027, respectivamente, ao mesmo tempo em que cortou drasticamente o preço-alvo das ação de R$ 57 para R$ 23.

“A combinação de uma piora na receita líquida no curto prazo e a contínua recuperação de custos e despesas aumentou o risco para nossa tese de margem, que deve levar muito mais tempo para se materializar”, afirmou o analista Leandro Bastos, do Citi, em uma nota aos clientes. O banco rebaixou a recomendação da ação para neutra. “A visibilidade dos resultados permanece próxima de zero neste momento.”

Família Pinheiro redesenha rumos da Hapvida após megafusão com a NotreDame Intermédica

5 de Outubro de 2025, 10:22

Ao longo dos últimos meses a Hapvida vem executando o maior investimento de sua história: R$ 2 bilhões até 2026 para erguer dez hospitais em sete capitais, além de clínicas, laboratórios e unidades de pronto atendimento próprias. A aposta é clara: reforçar o modelo verticalizado para conter custos e tentar recuperar fôlego em um setor pressionado por dívidas, regulação e margens em queda.

Hoje, a empresa controlada pela família Pinheiro atende quase 15 milhões de beneficiários de planos de saúde, o que lhe confere o título de maior operadora de saúde e segunda maior de odontologia do país. Com faturamento anual superior a R$ 29 bilhões e lucro líquido de R$ 1,8 bilhão em 2024, a Hapvida ainda se destaca pelo modelo verticalizado: além de vender planos, é dona de boa parte da rede que presta os serviços, dos hospitais às clínicas, passando por laboratórios e centros de diagnóstico.

“Esse modelo foi sendo aprimorado ao longo do tempo, e a Hapvida compreende que a estrutura integrada conecta toda a experiência do paciente, desde procedimentos de menor complexidade até exames e hospitalizações, por meio de um sistema único e integrado. Essa abordagem permite maior eficiência operacional, reforço dos programas de prevenção e padronização de procedimentos e práticas médicas”, afirma o CEO da companhia Jorge Pinheiro, que respondeu a algumas das perguntas enviadas pelo InvestNews por e-mail.

Dos R$ 2 bilhões em investimentos anunciados mais recentemente, metade será voltada para a cidade de São Paulo e região metropolitana. O objetivo do grupo é ganhar mercado em planos de tíquetes maiores na cidade. Mais do que isso, a empresa também busca mostrar que pode crescer sua rede sem precisar de novas grandes fusões e aquisições.

O marco da fusão

Um grande divisor de águas para a Hapvida veio em 2022, com a fusão com a NotreDame Intermédica. A operação criou uma companhia responsável por cerca de 20% de todos os beneficiários de planos de saúde do país. Para a família Pinheiro, foi a chance de expandir a presença nacional e ganhar acesso ao maior mercado do setor, o Sudeste.

Mas o crescimento trouxe dores. A integração entre as duas empresas foi mais lenta e cara do que o previsto. As sinergias financeiras demoraram a aparecer, enquanto os custos administrativos aumentaram. A isso se somaram problemas estruturais do próprio setor: alta sinistralidade, custos hospitalares em elevação, juros elevados e um mercado de planos de saúde que já não cresce como no passado.

Da elite ao mercado de massa

A trajetória da família Pinheiro ajuda a entender esse modelo de expansão. Depois de fundar o Hospital Antônio Prudente em Fortaleza, em 1979, o oncologista Candido Pinheiro Koren de Lima percebeu nos anos 1990 que a sobrevivência do negócio dependia de ter seu próprio plano de saúde. Assim nasceu a Hapvida Assistência Médica, inicialmente voltada a pacientes do hospital.

Na virada dos anos 2000, sob o comando do filho Jorge Pinheiro, a companhia deu uma guinada ao mirar nas classes C e D — um público que até então não era o foco das grandes operadoras. A estratégia de preços mais acessíveis impulsionou a expansão, especialmente no Norte e Nordeste, e abriu caminho para a abertura de capital em 2018, quando a empresa captou R$ 3,4 bilhões.

Crises recentes e pressão judicial

Apesar do crescimento, a Hapvida enfrentou anos turbulentos após a fusão. Em 2023, precisou vender imóveis para a própria família Pinheiro e realizar uma oferta de ações que levantou mais de R$ 1 bilhão para reduzir dívidas. Mesmo assim, seu valor de mercado despencou: de mais de R$ 100 bilhões (somando Hapvida e NotreDame Intermédica) na época do anúncio da fusão para cerca de R$ 16 bilhões em 2025.

Outro desafio veio do aumento de processos judiciais. Mudanças no rol de procedimentos obrigatórios pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 2022 ampliaram as contestações de beneficiários. Em 2024, a Hapvida foi alvo de inquérito do Ministério Público de São Paulo, acusada de descumprir decisões judiciais sobre tratamentos e fornecimento de medicamentos — acusações que a empresa negou. Neste ano, conseguiu um acordo para reduzir multas devidas à ANS e ao SUS, diminuindo parte de seus passivos.

O futuro sob o controle da família

Com o setor cada vez mais consolidado e competitivo, a Hapvida aposta em reforçar a verticalização e na proximidade da família fundadora com as decisões estratégicas. A presença do fundador Candido Pinheiro, de seu filho Jorge — atual presidente — e de seu outro filho Cândido Júnior no conselho mantém a gestão sob forte influência familiar, num modelo que mistura tradição e centralização.

A questão que se coloca agora é se a mesma fórmula que garantiu expansão acelerada será suficiente para atravessar um cenário de maior judicialização e limites de crescimento.

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