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JBS (JBSS32): Lucro cai 55,8% no 1T26 com desafios nos EUA apesar de avanço em bovinos no Brasil

12 de Maio de 2026, 18:31

A JBS (JBSS32), maior produtora global de carnes, relatou nesta terça-feira (12) uma queda de 55,8% no lucro líquido para US$ 221 milhões, com a força das operações brasileiras não sendo suficientes para compensar margens negativas da unidade norte-americana de proteína bovina, a maior do grupo.

Os destaques positivos ficaram por conta da JBS Brasil, apoiada pela forte demanda global por carne bovina, e da unidade brasileira Seara, de processados e carnes suína e de aves, que teve desempenho consistente nos mercados locais e internacionais, disse a empresa.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou US$1,13 bilhão, queda de 26% ante o mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida avançou 11% na mesma comparação, para US$21,61 bilhões.

A unidade de carne bovina da América do Norte, que respondeu por cerca de um terço da receita da companhia no período, registrou Ebitda ajustado negativo em US$267 milhões, uma piora em relação ao mesmo período do ano passado (US$100 milhões negativos), enquanto as margens foram negativas em 3,7%.

Ainda na América do Norte, uma parada programada de cerca de duas semanas em três fábricas da Pilgrim’s Pride, para obras de ampliação e mudança de “mix” de produtos de frango, afetou o resultado da unidade, segundo a companhia.

JBS (JBSS32) reporta lucro líquido de US$ 415 milhões no 4T25 e anuncia dividendos

25 de Março de 2026, 18:29

A JBS (JBSS32) reportou um lucro líquido de US$ 415 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), um aumento de US$ 2 milhões (0,48%) na comparação com o mesmo trimestre de 2024.

A receita líquida cresceu 15,47% no mesmo comparativo, saindo de US$ 19,974 bilhões para US$ 23,063 bilhões. No ano de 2025, a receita líquida totalizou US$ 86 bilhões no resultado de 2025, alta de 12% comparado com 2024 e um recorde histórico para companhia.

A companhia também comunicou que aprovou nesta quarta (25) o pagamento de US$ 1 por ação em dividendos, a serem pagos em 17 de junho de 2026. Terão direito aos proventos os acionistas com posição na companhia em 18 de maio de 2026.

A JBS no 4T25

Os principais motores desses resultados anuais foram as operações da Pilgrim’s Pride, JBS Austrália e Seara, que atuaram com forte expansão e geração de valor.

A solidez dos resultados ao longo de 2025 também se refletiu na evolução do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que foi de 25% nos últimos 12 meses. Comparado com o resultado consolidado de 2024, o indicador avançou 3,2 pontos percentuais.

O desempenho foi impulsionado pela expansão dos resultados operacionais, maior disciplina na alocação de recursos e foco em geração de valor para os acionistas. O lucro por ação (EPS, earning per share) registrou salto de 15% comparado com 2024 e fechou 2025 em US$ 1,89.

A alavancagem em dólar encerrou o ano em 2,39 vezes (contra 1,9x de 2024), em linha com a meta de longo prazo da companhia e estável em relação ao 3T25.

Em comunicado, JBS destacou que possui um confortável cronograma de amortizações, sem vencimentos relevantes de dívida previstos até 2031 e com um custo de dívida altamente competitivo, com cupons até 2032 posicionados abaixo das taxas dos Treasuries dos Estados Unidos.

“Encerrar 2025 com um crescimento de 15% na receita comprava a força e a resiliência da nossa plataforma diversificada, tanto em proteínas quanto em geografias. Ao mesmo tempo, o avanço de 15% no lucro reforça a consistência da nossa execução, sustentando margens robustas e a nossa capacidade de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas”, afirmou Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS

China ou retenção? BTG vê incerteza na alta do boi, mas já projeta margens menores para frigoríficos

5 de Março de 2026, 11:40

Desde o começo de 2026, os preços do boi subiram 10% em reais e 14% em dólares. Para o BTG Pactual, é difícil dizer se a recente alta nos preços do gado reflete sinais iniciais de retenção de vacas para abate, uma corrida para antecipar embarques para a China diante de uma cota mais apertada em comparação com os volumes exportados no ano passado, ou uma combinação desses dois fatores.

Segundo Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, se a retenção ganhar força a partir de agora, apostar em uma reversão significativa de preços parece uma decisão difícil.

“Isso deve resultar em um ambiente de margens mais pressionado para frigoríficos, e por isso projetamos queda nas margens em 2026 em relação a 2025”, explicam.

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o abate de bovinos atingiu 42,7 milhões de cabeças em 2025, alta de 7,6% ano contra ano, com crescimento de 13% apenas no 4º trimestre.

Ao mesmo tempo, os preços de bezerros subiram de forma agressiva, fortalecendo o incentivo para os pecuaristas iniciarem a retenção de vacas.

O que é o ciclo do boi?

Embora pareça complexo, o ciclo pecuário é essencialmente determinado pela oferta de gado. Os preços tendem a se mover de forma inversa à proporção de vacas abatidas — ou seja, quanto menor o abate de fêmeas, maior tende a ser o preço do boi.

Quando menos fêmeas são enviadas aos frigoríficos, a oferta de animais para abate diminui, pressionando os preços para cima. Quando ocorre o contrário, com maior envio de vacas para o abate, a oferta aumenta e os preços geralmente recuam.

Nos últimos anos, a oferta atingiu níveis historicamente elevados, o que pressionou os preços do gado para baixo até meados de 2024. Desde então, porém, os preços voltaram a subir — um movimento que chama atenção porque o ritmo de abate continua forte.

Além disso, um ambiente favorável para exportações, puxado pelos Estados Unidos e pela China, provavelmente ajudou a sustentar a disposição dos frigoríficos em pagar mais pelo gado, mesmo com a recente valorização dos preços.

China encerra embargo após seis meses e retoma importações de frango do Brasil

8 de Novembro de 2025, 09:59

A China suspendeu o embargo que mantinha há meses sobre as importações de carne de frango do Brasil. A medida deve reaquecer as vendas externas do maior exportador mundial do produto.

O bloqueio havia sido imposto em maio, após a detecção de casos de gripe aviária em território brasileiro. Segundo comunicado divulgado na conta oficial do departamento de alfândega chinês na plataforma Weibo, a decisão de liberar as compras foi tomada com base em uma análise de risco concluída no fim de outubro.

Tradicionalmente, a China é um dos principais compradores de carne de frango brasileira. A retomada das importações segue o mesmo caminho de países como Arábia Saudita, África do Sul e Filipinas, que também reverteram restrições após o Brasil declarar-se livre da doença em junho.

“A reabertura do mercado chinês pode ajudar a conter a desaceleração do setor de aves, que deve enfrentar maior oferta em 2026”, avaliou o analista Henrique Brustolin, do Bradesco BBI, em relatório.
“Isso tende a sustentar as margens de curto prazo da MBRF e da Seara, mas não muda nossa visão de que o ciclo deve enfraquecer no próximo ano.”

Brasil livre da doença, mas alerta global continua

Segundo o Ministério da Agricultura, o Canadá é atualmente o único país que mantém a suspensão total das importações de frango brasileiro.

Embora o Brasil tenha sido declarado livre da gripe aviária em junho, surtos recentes vêm sendo registrados em diversas regiões do mundo, especialmente na Europa, onde alguns governos chegaram a determinar que aves fossem mantidas em ambientes fechados para conter a disseminação do vírus.

O impacto da doença ainda é sentido no setor: os preços dos ovos dispararam no início de 2025 em várias partes do mundo, reflexo direto da escassez provocada pelos novos casos de gripe aviária.

Em maio, no mês que a China pausou as importações, as exportações brasileiras de carne de frango, incluindo produtos in natura e processados, caíram 12,9% em relação ao mesmo período do ano passado, por conta dos embargos decorrentes de um foco de gripe aviária em granja comercial. 

Trump manda investigar frigoríficos e culpa empresas estrangeiras por alta da carne

8 de Novembro de 2025, 09:48

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o Departamento de Justiça (DoJ) abra uma investigação federal sobre a indústria de processamento de carne. O mandatário acusa os grandes frigoríficos — em sua maioria de capital estrangeiro e incluem as brasileiras JBS e a Marfrig — de manipular preços e praticar cartel.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que as empresas do setor estão “criminalmente lucrando às custas do povo americano” e pediu que o governo aja com rapidez.

“Estou pedindo ao Departamento de Justiça que aja de forma imediata. É preciso proteger os consumidores, combater monopólios ilegais e garantir que essas corporações não estejam se aproveitando do povo americano”, escreveu.

As declarações provocaram forte reação no mercado. As ações da JBS, maior empresa de carne do mundo e de origem brasileira, chegaram a cair 6,2% nas negociações pós-fechamento em Nova York na sexta-feira (7).

Preço da carne em alta e pressão política

Os preços da carne bovina no atacado nos EUA subiram 16% em 2025, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A disparada ocorre em meio à redução do rebanho americano, hoje no menor nível em sete décadas, resultado de secas prolongadas e custos crescentes de produção.

De acordo com Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, associação que representa os frigoríficos, as empresas estão operando com prejuízo, tendência que deve continuar em 2026.

“Os processadores de carne dos Estados Unidos estão abertos a um debate baseado em fatos sobre o preço da carne e como atender melhor os consumidores americanos, que são nossos principais interessados”, declarou.

A escalada do custo de vida tem sido o tema dominante nas recentes eleições americanas e contribuiu para vitórias democratas sobre os republicanos de Trump em disputas locais. Pesquisas apontam que os eleitores avaliam mal o desempenho do presidente na economia, levando seus assessores a prometer foco maior na redução de preços.

Setor de carnes vira novo alvo da guerra contra a inflação

O setor de carnes é o novo foco da ofensiva de Trump contra a inflação dos alimentos, que já elevou o preço da carne moída a níveis recordes nos supermercados. Apesar disso, especialistas afirmam que a recomposição do rebanho americano pode levar anos, o que indica que os preços devem continuar altos no médio prazo.

Trump direcionou as críticas às empresas estrangeiras, o que derrubou ainda mais as ações da JBS. A subsidiária de frango da companhia, a Pilgrim’s Pride, chegou a doar US$ 5 milhões à cerimônia de posse de Trump em 2017.

Outros frigoríficos, como a Smithfield Foods (controlada pelo grupo chinês WH Group) e a Tyson Foods, também registraram queda nas ações após o anúncio. Nenhuma das empresas comentou o caso.

Histórico de investigações e disputa comercial

Não é a primeira vez que Trump mira o setor. No fim de seu primeiro mandato, o Departamento de Justiça já havia aberto uma investigação antitruste sobre os frigoríficos, posteriormente mantida por Joe Biden, mas sem resultar em processo judicial.

Em 2022, Biden lançou um programa para permitir que produtores denunciassem práticas comerciais desleais da indústria.

Os frigoríficos vêm sendo criticados há anos pela alta concentração de mercado e já pagaram centenas de milhões de dólares em acordos por acusações de manipulação de preços.

Gail Slater, chefe da divisão antitruste do DoJ, respondeu ao anúncio de Trump com ironia:

“Encerrando a semana com uma nova missão. Obrigada por sua atenção a este assunto, senhor”, escreveu nas redes sociais.

Pressão dos estados rurais e impacto no mercado

A decisão também gerou reação entre aliados de Trump em estados agrícolas, que alertam que seu plano de permitir mais importações de carne argentina sem tarifa pode prejudicar os pecuaristas americanos.

Trump, no entanto, insiste que há algo de errado:

“Enquanto o preço do gado caiu, o da carne embalada subiu. Então, há algo ‘suspeito’ acontecendo”, afirmou.

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