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Migração, protestos e mais: ONGs apontam preocupações com direitos humanos na Copa

14 de Junho de 2026, 07:00

Muito além de um campeonato de futebol, a Copa do Mundo FIFA 2026, assim como os Jogos Olímpicos, é também conhecida por ser um momento de união e integração entre as nações. Nestes cenários, espera-se que apenas o esporte ocupe o foco, trazendo assim uma atmosfera de paz.

No entanto, em meio a protestos no México e incontáveis polêmicas envolvendo as políticas e o governo dos Estados Unidos, esta vem sendo considerada por muitos como a Copa mais politizada da história. Assim, com o início do torneio, organizações de defesa dos direitos humanos chamam atenção para abusos e violações nos países-sede.

LEIA MAIS: Calendário da Copa: saiba como acompanhar os 72 jogos da 1ª fase sem se perder

A Anistia Internacional, por exemplo, lançou o relatório “Humanity Must Win” (Humanidade Precisa Vencer, em tradução livre). “A Copa do Mundo da FIFA de 2026 está acontecendo em meio a uma grave crise de direitos humanos, com riscos e impactos significativos para torcedores, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais”, argumenta a entidade.

A Sports and Rights Alliance (Aliança Esporte e Direitos, em tradução livre), que também reúne uma série de organizações da sociedade civil, publicou uma carta aberta direcionada ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. No documento, a aliança pede respeito aos direitos humanos durante o torneio, sob o mote “Mantenha o mundo na Copa do Mundo”.

Da mesma forma, nos Estados Unidos, uma coalizão de mais de 120 organizações da sociedade civil criou um guia de viagem para apoiar pessoas que vão ao país durante a Copa do Mundo, para assistir ou trabalhar, com orientações a respeito de direitos que devem ser assegurados.

Em resposta ao guia, a Fifa afirmou ao site The Athletic que “conforme o artigo 3º do Estatuto da Fifa, a Fifa está comprometida com o respeito a todos os direitos humanos reconhecidos internacionalmente e se empenhará em promover a proteção desses direitos.”

Ao mesmo veículo, Andrew Giuliani, diretor-executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo rechaçou qualquer ameaça à segurança do torneio e afirmou que “sob a liderança do presidente Trump, a Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo trabalhou incansavelmente para garantir que a Copa do Mundo de 2026 seja o evento esportivo mais incrível da história dos EUA”.

Políticas migratórias em foco nos Estados Unidos

3 de junho de 2026 – Protesto contra a política migratória do governo Trump em Chicago. Foto: REUTERS/Jim Vondruska

Os Estados Unidos são o principal foco de preocupações no campo dos direitos humanos. O ponto mais em evidência é a política migratória repressiva, que nos últimos meses incluiu abordagens violentas, detenção de crianças e deportação de milhares de pessoas.

“Talvez a ameaça mais grave tanto para os participantes visitantes quanto para os locais na Copa do Mundo venha da máquina de aplicação abusiva, discriminatória e mortal das leis de imigração e detenção em massa nos EUA”, avalia a Anistia Internacional.

A American Civil Liberties Union (ACLU), aponta que muitas das cidades-sede abrigam grandes comunidades de migrantes e ressalta que elas “vivem hoje com medo constante de discriminação racial, detenção desumana, separação de seus entes queridos e deportação sumária devido à política agressiva de imigração do presidente Trump.”

A Human Rights Watch pediu por uma “trégua do ICE” durante os jogos e instou os patrocinadores do evento a fazer o mesmo: “Os patrocinadores corporativos da FIFA pagam bilhões de dólares porque querem se associar ao ‘jogo bonito’, e não à cruel repressão à imigração promovida pelo governo dos EUA”, disse Minky Worden, diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch. “Os patrocinadores e parceiros da Copa do Mundo devem pedir uma trégua ao ICE como a melhor maneira de garantir que o torneio não seja prejudicado pelas políticas abusivas de imigração do governo Trump.”

Apesar dos alertas e apelos, os efeitos desta política já foram sentidos no Mundial. O caso que ganhou mais repercussão foi o do árbitro somali Omar Artan que foi impedido de entrar nos EUA ao desembarcar em Miami e não poderá mais apitar na competição.

Ele, porém, não foi o único. O fotógrafo oficial da seleção iraquiana, Talal Salah, também teve sua entrada negada e 15 membros da equipe técnica do Irã tiveram vistos negados, entre outros casos.

Liberdades de expressão e de imprensa em xeque

Duas ONGs que trabalham com a proteção das liberdades de expressão e de imprensa divulgaram alertas a jornalistas que cobrem o Mundial poucos dias antes do início do torneio. O Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) instou os profissionais a tomar precauções. “Jornalistas já enfrentaram assédio, detenções, ameaças e violência enquanto cobrem grandes eventos esportivos”, explicou a organização.

Nos EUA, os alertas se voltam principalmente para a intensificação das operações de imigração e fiscalização alfandegária. “No México, a violência contra jornalistas locais é a mais preocupante. No Canadá, houve casos de jornalistas detidos na fronteira e, muito raramente, prisões de repórteres que cobriam protestos.”

Da mesma forma, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) “alerta os profissionais da imprensa para se prepararem para um ambiente de cobertura mais complexo, marcado por vigilância reforçada, fiscalização rigorosa nas fronteiras e crescentes preocupações com a liberdade de imprensa no México e nos Estados Unidos.”

Os Estados Unidos estão hoje na posição 64 – de um total de 180 – do ranking de liberdade de imprensa da RSF, a pior posição já registrada para o país. Além disso, no fim de 2025, a Relatoria Especial para Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou preocupação com o que chamou de um “crescente clima de violência” no país.

No México a questão da liberdade de expressão e de imprensa também preocupa especialistas. O México é considerado o país mais perigoso do Ocidente para jornalistas porque sete profissionais foram mortos em 2025 em decorrência do exercício da profissão, de acordo com o CPJ.

11 de junho de 2026 – Membros de grupos de busca de pessoas desaparecidas cujos parentes são vítimas de carteis de drogas mexicanos protestam perto do Estádio Azteca, na Cidade do México, no dia da abertura da Copa do Mundo. Foto: REUTERS/Rolando Ramos

Além disso, grandes manifestações vêm tomando as ruas do país, com cidadãos protestando por questões como acesso à terra, água, moradia, reajuste salarial de professores e reivindicando respostas pelas mais de 133.500 pessoas que estão desaparecidas no país. A reação das autoridades aos atos inspira preocupação.

Em Guadalajara, uma das cidades que receberá jogos da Copa, a Anistia Internacional reporta que autoridades ameaçaram remover cartazes em busca de pessoas desaparecidas da “Rotatória dos Desaparecidos”, enquanto em Monterrey a polícia tentou prender mulheres que participavam das buscas e exibiam faixas em uma ponte.

Os riscos à liberdade de expressão atingem até mesmo o Canadá. Recentemente, relembra a Anistia Internacional, o país presenciou uma onda de protestos contra o genocídio de palestinos na Faixa de Gaza, o que incorreu em ações da polícia durante a dispersão que foram consideradasindevidas pela entidade. Outro ponto destacado é que a cidade de Toronto, uma das sedes do Mundial, introduziu “zonas de exclusão de protestos”, proibindo manifestações em determinados pontos da cidade.

Pessoas em situação de rua no Canadá

No Canadá, pessoas em situação de rua estão arriscadas a perder acesso a serviços essenciais, ter seus pertences confiscados e serem expulsas de locais públicos. A experiência prévia dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010 em Vancouver e uma crescente crise habitacional no país fazem crescer os temores de que estas pessoas sejam desalojadas, aponta a Anistia Internacional.

O receio ganhou força quando, em Toronto, um abrigo que acolhe pessoas em situação de rua no inverno foi fechado um mês antes do previsto. O motivo foi o fato de que o local já estava reservado para uso pela FIFA como parte do acordo de organização da Copa do Mundo.

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BYD avalia fábrica no Canadá para replicar ‘modelo Brasil’ de expansão

13 de Março de 2026, 10:28

A BYD, maior fabricante de automóveis da China, está considerando seriamente a construção de uma fábrica no Canadá, ao mesmo tempo que mantém em aberto a opção de comprar uma montadora global mais consolidada.

A montadora sediada em Shenzhen está estudando o mercado canadense para uma possível instalação de produção, embora nenhuma decisão tenha sido tomada, disse a vice-presidente executiva Stella Li em entrevista, acrescentando que a BYD gostaria de possuir e operar uma fábrica desse tipo.

“Não acho que uma joint venture vá funcionar”, disse ela, durante uma visita a São Paulo.

Embora o Canadá esteja cortejando investimentos de montadoras chinesas, o governo canadense está incentivando parcerias com uma ou mais empresas do Canadá. Em janeiro, o Canadá decidiu isentar até 49.000 veículos elétricos fabricados na China anualmente de uma tarifa de 100% imposta em 2024, parte de uma mudança em relação à política anterior de manter distantes os carros chineses fora do país.

Stella Li também sinalizou que a BYD pode estar interessada em assumir o controle de uma montadora tradicional em um momento em que algumas concorrentes americanas, europeias e japonesas estão lutando para se manter competitivas nos mercados globais — pressionadas pelos investimentos em suas operações com veículos a combustão e elétricos. A BYD ganhou destaque produzindo veículos totalmente elétricos e híbridos.

“Estamos abertos a todas as oportunidades que surgirem”, disse ela, observando que, embora nenhum acordo esteja próximo de ser fechado, sua empresa está avaliando potenciais ativos. “Veremos o que nos beneficia.”Play Video

Stella Li não mencionou nenhum alvo potencial de aquisição, mas tal movimento não seria inédito — o grupo chinês Zhejiang Geely Holding Group comprou a Volvo Cars há mais de uma década. Mais recentemente, algumas montadoras ocidentais intensificaram os esforços para obter assistência tecnológica e capacidade de produção das montadoras chinesas.

A Stellantis está considerando aproveitando a tecnologia de veículos elétricos de sua parceira chinesa Leapmotor e está explorando acordos com montadoras chinesas para investimentos na Europa. A Ford Motor manteve discussões com a Geely sobre capacidade compartilhada na Europa.

A BYD já teve joint ventures, mas sua atual filosofia de “seguir sozinha” reflete um compromisso com suas próprias medidas de eficiência, como um estratégia de integração vertical para manter grande parte de sua cadeia de suprimentos internamente.

Modelo Brasil

Por enquanto, a maior fabricante mundial de veículos elétricos está evitando quaisquer ambições de entrar nos EUA, que Stella Li classificou como um “ambiente complicado”. As montadoras chinesas enfrentam tarifas elevadas e a proibição da tecnologia de carros conectados nos EUA, o que efetivamente impediu a entrada da maioria dos modelos de mercado de massa fabricados na China.

Em vez disso, a BYD está focada em mercados onde pode aplicar seu “modelo Brasil”, utilizando o sucesso de marketing e vendas obtido na América do Sul em outras regiões, como a Europa.

Ela afirmou que a empresa está em meio ao processo de aumento de produção, do inglês ramp-up, em sua primeira planta europeia de veículos de passageiros na Hungria, e avaliando um segundo projeto na Turquia. Isso faz parte de uma expansão mais ampla no exterior.

As vendas totais da BYD nos dois primeiros meses do ano caíram 36%, para 400.241 unidades., embora as exportações tenham ganhado impulso e a empresa agora pretende vender 1,3 milhão de carros no exterior em 2026.

Stella Li disse que os dois lançamentos recentes da BYD no início deste mês — a nova geração de sua bateria blade e a tecnologia Flash de carregamento rápido — ajudarão a reverter essa queda nas vendas.

Em “menos de uma semana, vimos muitos clientes que nunca haviam comprado veículos elétricos nos procurarem”, disse ela.

No Brasil, a BYD planeja instalar 1.000 carregadores a tecnologia Flash até o final de 2027, a um custo superior a R$ 500 milhões (US$ 97 milhões), disse Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, à Bloomberg.

Stella Li confirmou uma reportagem da Bloomberg News no início desta semana, segundo a qual a BYD está analisando opções para entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e corridas de resistência. Embora tenha ressaltado que nenhuma decisão final foi tomada, ela sugeriu que uma incursão nas categorias de corrida mais prestigiadas do mundo estaria alinhada com a identidade da BYD, que prioriza a tecnologia.

“Não se surpreendam”, insinuou ela. “Ainda estamos trabalhando nisso.”

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BYD avalia fábrica no Canadá para replicar ‘modelo Brasil’ de expansão

13 de Março de 2026, 10:28

A BYD, maior fabricante de automóveis da China, está considerando seriamente a construção de uma fábrica no Canadá, ao mesmo tempo que mantém em aberto a opção de comprar uma montadora global mais consolidada.

A montadora sediada em Shenzhen está estudando o mercado canadense para uma possível instalação de produção, embora nenhuma decisão tenha sido tomada, disse a vice-presidente executiva Stella Li em entrevista, acrescentando que a BYD gostaria de possuir e operar uma fábrica desse tipo.

“Não acho que uma joint venture vá funcionar”, disse ela, durante uma visita a São Paulo.

Embora o Canadá esteja cortejando investimentos de montadoras chinesas, o governo canadense está incentivando parcerias com uma ou mais empresas do Canadá. Em janeiro, o Canadá decidiu isentar até 49.000 veículos elétricos fabricados na China anualmente de uma tarifa de 100% imposta em 2024, parte de uma mudança em relação à política anterior de manter distantes os carros chineses fora do país.

Stella Li também sinalizou que a BYD pode estar interessada em assumir o controle de uma montadora tradicional em um momento em que algumas concorrentes americanas, europeias e japonesas estão lutando para se manter competitivas nos mercados globais — pressionadas pelos investimentos em suas operações com veículos a combustão e elétricos. A BYD ganhou destaque produzindo veículos totalmente elétricos e híbridos.

“Estamos abertos a todas as oportunidades que surgirem”, disse ela, observando que, embora nenhum acordo esteja próximo de ser fechado, sua empresa está avaliando potenciais ativos. “Veremos o que nos beneficia.”Play Video

Stella Li não mencionou nenhum alvo potencial de aquisição, mas tal movimento não seria inédito — o grupo chinês Zhejiang Geely Holding Group comprou a Volvo Cars há mais de uma década. Mais recentemente, algumas montadoras ocidentais intensificaram os esforços para obter assistência tecnológica e capacidade de produção das montadoras chinesas.

A Stellantis está considerando aproveitando a tecnologia de veículos elétricos de sua parceira chinesa Leapmotor e está explorando acordos com montadoras chinesas para investimentos na Europa. A Ford Motor manteve discussões com a Geely sobre capacidade compartilhada na Europa.

A BYD já teve joint ventures, mas sua atual filosofia de “seguir sozinha” reflete um compromisso com suas próprias medidas de eficiência, como um estratégia de integração vertical para manter grande parte de sua cadeia de suprimentos internamente.

Modelo Brasil

Por enquanto, a maior fabricante mundial de veículos elétricos está evitando quaisquer ambições de entrar nos EUA, que Stella Li classificou como um “ambiente complicado”. As montadoras chinesas enfrentam tarifas elevadas e a proibição da tecnologia de carros conectados nos EUA, o que efetivamente impediu a entrada da maioria dos modelos de mercado de massa fabricados na China.

Em vez disso, a BYD está focada em mercados onde pode aplicar seu “modelo Brasil”, utilizando o sucesso de marketing e vendas obtido na América do Sul em outras regiões, como a Europa.

Ela afirmou que a empresa está em meio ao processo de aumento de produção, do inglês ramp-up, em sua primeira planta europeia de veículos de passageiros na Hungria, e avaliando um segundo projeto na Turquia. Isso faz parte de uma expansão mais ampla no exterior.

As vendas totais da BYD nos dois primeiros meses do ano caíram 36%, para 400.241 unidades., embora as exportações tenham ganhado impulso e a empresa agora pretende vender 1,3 milhão de carros no exterior em 2026.

Stella Li disse que os dois lançamentos recentes da BYD no início deste mês — a nova geração de sua bateria blade e a tecnologia Flash de carregamento rápido — ajudarão a reverter essa queda nas vendas.

Em “menos de uma semana, vimos muitos clientes que nunca haviam comprado veículos elétricos nos procurarem”, disse ela.

No Brasil, a BYD planeja instalar 1.000 carregadores a tecnologia Flash até o final de 2027, a um custo superior a R$ 500 milhões (US$ 97 milhões), disse Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, à Bloomberg.

Stella Li confirmou uma reportagem da Bloomberg News no início desta semana, segundo a qual a BYD está analisando opções para entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e corridas de resistência. Embora tenha ressaltado que nenhuma decisão final foi tomada, ela sugeriu que uma incursão nas categorias de corrida mais prestigiadas do mundo estaria alinhada com a identidade da BYD, que prioriza a tecnologia.

“Não se surpreendam”, insinuou ela. “Ainda estamos trabalhando nisso.”

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