A Danone deu mais um passo para fortalecer seu portfólio de produtos ricos em proteína e ampliar sua presença na Ásia ao adquirir a Made Group, fabricante australiana de bebidas e laticínios, da gestora de private equity TPG Capital.
O negócio pela Made, que comercializa produtos populares de saúde como a água de coco Cocobella e os shakes proteicos Rokeby, foi avaliado em cerca de 2 bilhões de dólares australianos (US$ 1,4 bilhão), segundo reportagem publicada no domingo pelo jornal australiano Financial Review. A Danone não divulgou os detalhes financeiros da operação em comunicado divulgado nesta segunda-feira.
A empresa francesa também anunciou a compra dos 49% restantes de sua joint venture com a Saputo Dairy Australia. Ambas as transações devem ser concluídas no segundo semestre deste ano.
A Danone está entre as poucas grandes companhias do setor alimentício que vêm se beneficiando do forte crescimento da demanda por alimentos mais saudáveis. Fabricante das marcas Activia e Actimel, a empresa vem ampliando rapidamente sua linha de produtos, especialmente os iogurtes ricos em proteína, que registram vendas tão fortes que a companhia tem enfrentado dificuldades para atender à demanda.
Juergen Esser, diretor-geral adjunto da Danone, descreveu a Made como uma “mini Danone”, em referência à combinação de iogurtes ricos em proteína, produtos à base de plantas e bebidas funcionais da companhia australiana.
Segundo Esser, a aquisição dará à Danone uma posição mais forte no Sudeste Asiático, onde atualmente, em muitos países, a empresa comercializa apenas fórmulas infantis e produtos de nutrição médica. Ele destacou o “enorme potencial” da região.
A Danone também pretende acelerar a expansão dos produtos da Made na Austrália e na Nova Zelândia por meio de inovação baseada em pesquisa científica, afirmou Esser. A CEO da Made, Amanda Butler, permanecerá no cargo.
Esser acrescentou que a Danone ainda tem espaço para realizar novas aquisições sem comprometer a solidez de seu balanço financeiro.
No início deste ano, a empresa anunciou um acordo para adquirir a marca britânica de substitutos de refeições Huel, apoiada por celebridades. A transação ainda aguarda aprovação regulatória.
“Sempre permaneceremos muito próximos da nossa missão e propósito, que são saúde, proteínas, saúde intestinal, nutrição e nutrição médica”, disse Esser.
A Made foi criada no início dos anos 2000 por um grupo de amigos que queria oferecer alternativas às bebidas açucaradas. Sua primeira marca, NutrientWater, foi a primeira água enriquecida com vitaminas lançada no país.
A empresa expandiu seus negócios em 2010 com a marca de água de coco Cocobella. Depois vieram a Rokeby Farms, com iogurtes probióticos e smoothies, e mais tarde os sucos prensados a frio da marca Impressed.
A Coca-Cola adquiriu uma participação minoritária na empresa em 2018, mas posteriormente abriu mão da fatia após a TPG Capital comprar 60% da companhia em 2021.
As ações da Danone registravam pouca variação nas negociações em Paris nesta segunda-feira. Os papéis acumulam queda superior a 15% neste ano, acompanhando a desvalorização mais ampla das ações de empresas de bens de consumo.
Willy Wonka ficaria impressionado com uma das máquinas de uma fábrica aqui — um equipamento que injeta sabores em cápsulas de café por meio de tubos giratórios rotulados como “avelã”, “caramelo” e “cheesecake de mirtilo”.
Esta não é uma das fábricas fictícias de chocolate de Roald Dahl, embora a dona do KitKat e do Nesquik, a Nestlé, tenha muitas delas. A estação de aromas fica em uma planta da Nespresso localizada a cerca de 30 minutos de carro da sede da empresa em Vevey, onde máquinas de envase de alta velocidade produzem mais de 1.000 cápsulas de café instantâneo por minuto. Até o saguão e os elevadores têm cheiro de café torrado, embora os funcionários digam que deixam de perceber após um tempo.
A maioria dos funcionários da Nestlé, independentemente da área, visita uma das 335 fábricas da empresa como parte da integração. A manufatura está no centro da estratégia da maior companhia de alimentos do mundo, que tenta recuperar suas ações após um período difícil. As ações listadas na Suíça caíram 41% desde o início de 2022, pressionadas por vendas fracas, aquisições mal avaliadas e alta rotatividade na liderança. O ponto mais baixo veio em setembro de 2025, quando o conglomerado de 160 anos contratou seu terceiro CEO em apenas 13 meses.
A Nestlé tenta sair dessa fase focando em recuperar participação de mercado e enxugar seu portfólio amplo demais. O desafio do CEO Philipp Navratil é reativar o crescimento, reduzir áreas fora do core e trazer estabilidade após anos de turbulência. Os primeiros sinais sugerem que o plano começa a funcionar, com foco renovado em cápsulas de café, ração para pets e barras de chocolate produzidas em fábricas como esta.
“Vender mais porções, mais xícaras, mais unidades todos os dias… vai resolver a maioria dos nossos problemas do passado”, disse Navratil ao Barron’s.
O “roubo” do KitKat
Em março, a Nestlé mostrou capacidade de transformar azar em oportunidade. Quando ladrões roubaram 12 toneladas métricas de KitKat durante transporte da Itália para a Polônia, a empresa aproveitou o episódio como publicidade gratuita para uma de suas marcas mais famosas.
Em vez de um comunicado formal, cinco funcionários criaram uma resposta bem-humorada dizendo que os criminosos haviam levado o slogan “have a break” (faça uma pausa) literalmente demais. A Nestlé ainda lançou um rastreador online dos KitKats roubados, transformando o caso em campanha viral que gerou cerca de US$ 231 milhões em mídia espontânea em 10 dias, para um produto avaliado em cerca de US$ 420 mil.
“Foi sobre aprender a correr riscos, ser rápido e se conectar com os consumidores”, disse Navratil. “Velocidade acima da perfeição, coragem acima do conforto… é um exemplo da nova Nestlé que estamos tentando construir.”
Ainda assim, mais do que marketing criativo será necessário para reverter o desempenho. As ações caíram 43% entre dezembro de 2021 e janeiro de 2025, eliminando cerca de US$ 177 bilhões em valor de mercado.
A crise começou com a guerra na Ucrânia, que elevou custos de matérias-primas como combustível e trigo. A empresa respondeu com aumentos de preços de 8,2% em 2022 e 7,5% em 2023. Mas ao proteger margens, perdeu participação para concorrentes como Mondelez (dona da Oreo e Cadbury) e Keurig Dr Pepper.
Com consumidores pressionados pela inflação, houve queda na demanda por itens básicos como café, chocolate e sorvete. O volume vendido ficou estagnado em 2022 e caiu em 2023.
Além disso, algumas aquisições fora do core se mostraram problemáticas, como a participação na Blue Bottle Coffee, a biotech Aimmune Therapeutics e o serviço de delivery Freshly, que acabou encerrado.
Mudança de liderança e novo foco
A empresa passou por troca de CEOs até chegar a Navratil, que assumiu após a demissão de seu antecessor em meio a investigações internas e escândalos corporativos.
Agora, a estratégia é focar em crescimento interno real (RIG), que mede aumento de volume em vez de preço. Esse indicador subiu 1,2% recentemente, com alta em quase todos os negócios, e as ações reagiram positivamente.
A nova direção inclui simplificação do portfólio em quatro áreas principais: café, snacks, nutrição e pet food. A Nestlé também avalia vender ativos como San Pellegrino e parte da participação na Häagen-Dazs.
Além disso, anunciou cortes de 16 mil empregos, cerca de 6% da força de trabalho, com expectativa de economizar 3 bilhões de francos suíços até 2027.
IA, mudanças de consumo e desafios futuros
A empresa também está investindo em inteligência artificial para digitalizar operações industriais e melhorar eficiência.
Apesar da melhora inicial, o mercado ainda observa três grandes riscos: o impacto de medicamentos para perda de peso como os GLP-1 na demanda por alimentos, incertezas geopolíticas que podem pressionar custos, e dúvidas sobre o futuro da participação da Nestlé na L’Oréal.
Mesmo assim, as ações ainda são vistas como baratas em relação ao histórico da empresa, negociadas a cerca de 18 vezes lucro futuro, abaixo da média dos últimos cinco anos.
Para o CEO, o foco continua simples:
“Precisamos voltar a entregar crescimento consistente”, disse Navratil. “Tudo isso já começou, mas ainda estamos longe de terminar.”
Envie um e-mail para George Glover em george.glover@dowjones.com
A Yum! Brands, dona das redes KFC, Taco Bell e Pizza Hut, anunciou nesta terça-feira (16) a venda da operação global da Pizza Hut por US$ 2,7 bilhões, encerrando uma revisão estratégica iniciada no ano passado para encontrar alternativas para a rede de pizzarias, que vem perdendo espaço no mercado.
Pelos termos do acordo, a gestora de private equity LongRange Capital comprará as operações da Pizza Hut fora da China continental por US$ 1,5 bilhão, enquanto a Yum China Holdings adquirirá os negócios da marca no mercado chinês por cerca de US$ 1,2 bilhão. A expectativa é que as transações sejam concluídas no terceiro trimestre.
As ações da Yum chegaram a subir cerca de 1% nas negociações de pré-mercado nos Estados Unidos. Até o fechamento de segunda-feira, os papéis acumulavam alta de 2,2% em 2026, desempenho inferior ao avanço de aproximadamente 10% do índice S&P 500 no mesmo período.
A Yum controla a Pizza Hut desde 1997, quando foi desmembrada da PepsiCo. A PepsiCo havia adquirido a rede de pizzarias em 1977 e comprou a Taco Bell no ano seguinte.
No Brasil, a Pizza Hut também faz parte da operação global da Yum, mas é administrada por franqueados locais por meio da IMC (International Meal Company). A mudança não deva afetar o funcionamento das lojas ou o relacionamento com os franqueados no curto prazo.
Concorrência crescente
A venda ocorre após anos de tentativas de revitalizar o desempenho da Pizza Hut, conhecida por suas pizzas de massa grossa e bordas amanteigadas.
A rede enfrentou dificuldades para acompanhar as mudanças no setor de alimentação e a crescente concorrência, tanto dentro do mercado de pizzas quanto no segmento de restaurantes como um todo.
Segundo Neil Saunders, diretor da GlobalData, a Domino’s Pizza conquistou vantagens importantes em áreas como inovação de cardápio, marketing, tecnologia de pedidos e infraestrutura de entrega.
Além disso, a Pizza Hut perdeu atratividade entre consumidores que preferem comer nos restaurantes, em busca de ambientes mais modernos e opções de menu mais amplas.
Os números refletem essa perda de relevância. A participação da Pizza Hut na receita da Yum! caiu todos os anos desde 2019, passando de mais de 18% para cerca de 12% em 2025, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Enquanto as vendas da Pizza Hut permaneceram pouco acima de US$ 1 bilhão ao longo dos últimos anos, a receita total da Yum! cresceu cerca de 47% no período, alcançando US$ 8,2 bilhões em 2025.
Recompra de ações
A companhia informou que espera levantar cerca de US$ 2,3 bilhões líquidos com a operação. Parte desses recursos deverá ser destinada aos acionistas: o conselho de administração aprovou uma autorização adicional de US$ 4 bilhões para recompra de ações.
A venda marca o fim de quase cinco décadas da Pizza Hut sob o guarda-chuva corporativo iniciado pela PepsiCo e representa uma das maiores mudanças estratégicas da Yum desde sua separação da gigante de bebidas e alimentos.
A JBS vai fechar uma unidade de processamento de carne bovina na Pensilvânia, no mais recente sinal das dificuldades enfrentadas pelos frigoríficos diante da severa escassez de gado nos Estados Unidos.
Além da planta de carne bovina em Souderton, na Pensilvânia, a maior fornecedora de carne do mundo também informou que encerrará as atividades de uma unidade em Memphis, no Tennessee, dedicada ao processamento e embalagem de proteínas com maior valor agregado. Os fechamentos ocorrem após a companhia informar, no mês passado, que enfrentou perdas crescentes em sua divisão de carne bovina nos EUA.
O rebanho bovino americano está no menor nível em 75 anos, já que pecuaristas afetados por secas e custos elevados de produção precisaram reduzir seus plantéis. A estiagem, que voltou a se intensificar, deve atrasar ainda mais o processo de recomposição dos rebanhos, afirmou Wesley Batista Filho, CEO da JBS USA, durante uma teleconferência realizada em maio.
O retorno da larva parasita conhecida como mosca-da-bicheira do Novo Mundo (New World screwworm) no Texas também aumenta as incertezas para os pecuaristas e pode afetar as perspectivas de recuperação da oferta de gado nos EUA. Analistas do Barclays afirmaram nesta semana que a recuperação dos lucros da carne bovina, inicialmente esperada para o segundo semestre de 2027, agora deve ocorrer apenas no ano fiscal de 2028.
O fechamento anunciado pela JBS é mais um movimento do setor para aumentar a eficiência e reduzir a capacidade de processamento diante da menor oferta de animais. No fim do ano passado, a empresa já havia informado que encerraria uma unidade na Califórnia. Concorrentes como a Tyson Foods e a Cargill também fecharam plantas em Nebraska e Milwaukee, respectivamente. Enquanto isso, uma medida das margens de processamento de carne bovina calculada pela HedgersEdge permanece majoritariamente negativa há cerca de um ano e meio, mesmo com os preços recordes da carne ao consumidor atraindo o escrutínio das autoridades antitruste do governo de Donald Trump.
A JBS afirmou que as medidas anunciadas nesta sexta-feira fazem parte de uma estratégia mais ampla de modernização das operações. Segundo a empresa, os investimentos realizados em unidades de outros estados estão voltados para ampliar a produção de alimentos preparados e produtos de maior valor agregado, além de modernizar processos e melhorar o atendimento aos clientes.
A companhia informou que a produção das unidades afetadas será transferida para outras plantas. A fábrica de Souderton emprega mais de 1.700 pessoas e tem capacidade para abater cerca de 2 mil cabeças de gado por dia, sendo uma das maiores instalações do tipo na Costa Leste dos Estados Unidos.
As ações da JBS chegaram a subir 1,9% nesta sexta-feira, atingindo o maior nível em duas semanas.
Em um quiosque de cinco metros quadrados na Rodoviária Novo Rio, uma unidade da Domino’s Pizza opera com margem de lucro de 25%.
O espaço é pequeno o suficiente para caber em uma área de passagem e grande o suficiente para resumir a nova lógica de negócios da rede americana no Brasil: crescer adaptando o modelo ao ambiente econômico, levando em conta que ele pode ser mais complexo.
Segundo levantamento da NielsenIQ divulgado em maio, 36% dos lares com dívidas no Brasil já cortaram gastos com alimentação fora de casa. O canal de bares e restaurantes registrou queda de volume de 6,8% em 2025.
Lares com renda entre R$ 3.500 e R$ 7.800, faixa que concentra boa parte do público de redes de pizza, são os que mais reduzem as saídas para comer fora.
Quiosque da Domino’s na rodoviário do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)
Em paralelo, o custo de capital segue elevado, com a Selic a 14,50% ao ano, tornando qualquer investimento em franquia uma decisão financeira de alto escrutínio.
É nesse cenário que a Domino’s, controlada no Brasil pela gestora Vinci Compass (dona também da rede Outback desde o fim de 2024), planeja abrir 150 novas lojas até 2029, saindo das atuais 220 unidades para 370. Para viabilizar essa expansão, a operação precisou se reinventar: lojas menores, produção descentralizada, fornecedores nacionais e canal digital próprio.
Durante anos, a estratégia da operação brasileira priorizou lojas próprias e unidades de maior porte, com investimento mínimo de R$ 1 milhão por unidade. Com a Selic se firmando em patamares elevados de forma mais permanente – desde 2022 -, a equação deixou de fechar.
“Com a Selic no patamar atual, é difícil vender uma franquia nesse valor. Era necessário mudar esse movimento e reduzir o custo, justamente para poder crescer”, diz Orestes Miraglia, CEO da Domino’s no Brasil, ao InvestNews.
A solução foi redesenhar o portfólio de formatos de lojas. Hoje, a rede trabalha com três modelos: quiosques de até 4,9 metros quadrados, unidades intermediárias, chamadas internamente de “brotinho”, entre 20 e 50 metros quadrados, e restaurantes maiores, acima de 150 metros quadrados.
O investimento mínimo para abrir uma franquia caiu para R$ 300 mil, menos de um terço do custo anterior. Nos formatos menores, o payback (recuperação do investimento) esperado fica entre 12 e 36 meses.
Das 150 novas lojas previstas, cerca de 60% serão no modelo intermediário, adequadas para postos de combustível e outros pontos de alto fluxo de pessoas. Outros 30% serão restaurantes maiores, e ao menos 10%, quiosques. O capex (investimento) total previsto é de R$ 70 milhões, com custo médio de R$ 450 mil por loja.
Receituário próprio na Domino’s Brasil
Viabilizar o quiosque exigiu resolver um problema prático: o forno. O equipamento importado dos Estados Unidos custava R$ 400 mil, mais do que o investimento total previsto para uma miniloja.
A saída foi desenvolver um fornecedor nacional. Hoje, dois fornos menores custam R$ 50 mil e entregam o mesmo resultado. Nas lojas convencionais, a troca reduziu o custo do equipamento em pelo menos R$ 200 mil por unidade.
A inovação chamou a atenção da matriz americana, que estuda replicar o modelo em operações em outros países, assim como já fez com o formato quiosque.
A Domino’s Brasil também eliminou a fábrica centralizada de massas em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Cada loja passou a produzir a sua própria massa, com fermentação de dois dias, o que melhorou a qualidade e aumentou a rentabilidade do franqueado em cerca de 5 pontos percentuais, graças à eliminação de frete, impostos e perdas.
No campo digital, a operação brasileira também foi além do que a matriz exigia. O aplicativo próprio, desenvolvido no Brasil, responde por cerca de 25% das vendas da rede no país e é hoje um dos benchmarks da operação global.
No fim de 2025, a plataforma foi relançada com melhorias de velocidade e navegação. O sistema de CRM permite ofertas personalizadas com base no histórico de compras de cada cliente. Um consumidor que pede regularmente determinado sabor, por exemplo, recebe promoções direcionadas a esse perfil, o que aumenta frequência de compra e engajamento.
Para os franqueados, o novo sistema eliminou taxas de gerenciamento de pedidos, melhorando diretamente a margem de cada unidade. “Somos, antes de tudo, uma empresa de tecnologia que vende pizza”, diz Gabriel Ferrari, CMO da Domino’s no Brasil.
A figura de Miraglia é central nessa transformação.
Ex-franqueado por quase 20 anos em Belo Horizonte, ele vendeu suas lojas para a master franqueadora e foi convidado, em 2023, para ser diretor de operações e franquias. Tornou-se co-CEO em setembro de 2024 e assumiu o comando definitivo em janeiro de 2026.
Ao colocar alguém que conhece as dores do franqueado no topo da empresa, a Vinci sinalizou que a expansão futura da rede passa por atrair e reter bons parceiros, não por alocar capital próprio em lojas. “Prefiro que o franqueado invista menos e ganhe mais”, diz o executivo.
Os resultados aparecem nos números.
O faturamento chegou a R$ 650 milhões em 2025, com meta de ultrapassar R$ 750 milhões em 2026, um crescimento de 15%. A rede acumula 11 trimestres consecutivos de crescimento em vendas no conceito de mesmas lojas, acima da média global, que registra dez trimestres positivos.
No primeiro trimestre de 2026, as vendas internacionais da Domino’s cresceram 4% ante o mesmo período do ano anterior, acima do avanço de 2,8% nos Estados Unidos.
Domino’s e Pizza Hut em caminhos opostos
O plano geográfico segue a mesma lógica. A rede já está presente em todas as capitais brasileiras. São Paulo e Rio de Janeiro concentram quase metade das 220 lojas, 47 e 49 unidades, respectivamente. Abrir mais nessas praças significaria canibalizar franqueados existentes.
O foco está nas cidades do interior com até 150 mil habitantes, onde a rede ainda não tem presença e o custo de instalação, com capex máximo de R$ 400 mil, é compatível com o novo modelo. Pelo menos um terço das 150 novas lojas deve ser aberto nessas cidades. Lajeado (RS) e Pouso Alegre (MG) receberam unidades recentemente.
O movimento da Domino’s contrasta com o da Pizza Hut, sua principal concorrente direta. Operada pela International Meal Company (IMC), a Pizza Hut reportou crescimento de 6,7% na receita no primeiro trimestre de 2026 e avanço de 8% nas vendas mesmas lojas, impulsionado pelo canal digital, que cresceu 16%.
Mas o número de lojas encolheu: de 267 para 260 unidades no sistema entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. A empresa adotou uma estratégia de expansão seletiva, priorizando rentabilidade por unidade em detrimento do crescimento de rede.
São apostas opostas para o mesmo mercado pressionado. A Domino’s acredita que é possível crescer em escala mantendo rentabilidade, desde que o modelo seja enxuto e o franqueado esteja no centro. A Pizza Hut aposta que menos lojas, bem geridas e digitalmente integradas, geram mais valor.
A NielsenIQ aponta que, apesar da pressão generalizada sobre o consumo, acompra pelo prazer ou como recompensa segue presente mesmo com o orçamento familiar comprimido. É nessa brecha que a Domino’s aposta.
“Pizza é aquela indulgência que é compartilhada”, diz Miraglia, sobre uma categoria que, na visão do executivo, resiste às pressões econômicas porque seu valor não está apenas na comida em si mas no momento que ela representa.
O argumento encontra respaldo até nos Estados Unidos, onde o mercado de medicamentos análogos ao GLP-1, como o Ozempic, é mais maduro e abrangente. Segundo Miraglia, o tema sequer aparece nas conversas com a matriz americana como fator de risco para a demanda.
Com 7 milhões de pizzas vendidas por ano no Brasil – 20 mil por dia ou 800 por hora -, a Domino’s tem confiança de que a paixão do brasileiro pela pizza sustenta um plano ambicioso de expansão, mesmo quando o ambiente econômico pede cautela.
A nova regra do setor de produção de alimentos é clara: todos os produtos da indústria de chocolates comercializados no Brasil deverão apresentar claramente na embalagem o percentual mínimo de cacau em sua composição.
A medida abrange todos os produtos que contêm cacau, independentemente de serem nacionais ou importados.
A Lei nº 15.404/2026 estabeleceu o prazo de um ano para a indústria se adaptar às novas exigências. Como a medida acaba de ser publicada no Diário Oficial da União, ela passará a vigorar plenamente a partir de maio de 2027.
A legislação também obriga que o informe da porcentagem da fruta deve seguir um formato específico. A informação deverá aparecer na parte da frente da embalagem, ocupando no mínimo 15% da área, com destaque suficiente para facilitar a leitura.
Pela nova lei, a figura do chocolate “meio amargo” deixa de existir. Apesar de ser vendido como um produto diferente do chocolate ao leite, ambos costumam ter a mesma proporção de cacau em sua composição.
Na prática, o objetivo da norma é evitar que o consumidor compre gato por lebre — ou “alimento sabor chocolate” no lugar de chocolate.
Isso porque, no decorrer dos últimos anos, diversas marcas passaram a anunciar que seus produtos eram feitos de cacau, mas, na realidade, eram majoritariamente compostos por outros ingredientes. A rotulagem como “sabor” chocolate também é outra estratégia considerada ludibriante.
O novo formato
A porcentagem do cacau deverá ser apresentada no formato “Contém X% de cacau”, de acordo com os seguintes percentuais:
Cacau em pó: mínimo de 10% de manteiga de cacau;
Chocolate em pó: mínimo de 32% de sólidos totais de cacau;
Chocolate ao leite: no mínimo 25% de sólidos totais de cacau e 14% de sólidos totais de leite ou derivados;
Chocolate branco: no mínimo 20% de manteiga de cacau e 14% de sólidos totais de leite.
Achocolatado ou cobertura: mínimo de 15% de sólidos de cacau ou 15% de manteiga de cacau.
Todas as composições diferentes dessas explicitadas na lei não poderão ser consideradas chocolate.
A lei também proíbe artimanhas que possam induzir o consumidor ao erro, como utilizar imagens, cores ou expressões — o famoso “sabor chocolate” — em produtos que não seguem aos critérios para serem considerados chocolates.
O que é chocolate?
Para entender o sentido dessa nova regulamentação, é preciso saber mais sobre a lógica por trás da composição dos chocolates e como o cacau é produzido.
Após a colheita do cacau, a fruta passa por um processo industrial de separação entre a massa e a manteiga. É nesse momento também que o cacau em pó é produzido.
Com isso esclarecido, para um produto ser de fato chocolate, a lei obriga que ele deve conter no mínimo 35% de cacau (massa e manteiga). Dessa porcentagem, no mínimo 18% devem ser da manteiga de cacau e no máximo 5% de outras gorduras vegetais.
Antes na norma, além de que não possuía regras específicas para cada tipo de produto, era preciso o mínimo de 25% de cacau para ser considerado chocolate.
Ela também cria a nomenclatura de chocolate doce, abrangendo chocolates ao leite, branco e achocolatado. O critério é possuir 25% de cacau, sendo pelo menos 18% de manteiga.
Marcas que tiverem produtos com percentual de cacau menor do que os exigidos terão que mudar as comunicações para chamá-los de achocolatados, chocolates fantasia, chocolates compostos, coberturas sabor chocolate ou coberturas sabor chocolate branco.
Ainda assim, há a exigência de pelo menos 15% de cacau nesses produtos, seja com massa ou manteiga.
O pacote de medidas anunciado pelo governo para conter os preços dos combustíveis e gás de cozinha em função do custo do petróleo no mercado internacional – em alta de 59% no ano, embora em leve desaceleração pelo cessar-fogo provisório acordado entre EUA e Irã – não blinda o estado de ânimo do consumidor. Positivo, mas […]
A McCormick & Co. é conhecida como a “rainha dos temperos”, mas com sua mais recente ofensiva de aquisições, busca ampliar esse título para incluir também condimentos.
A empresa, com sede em Hunt Valley, Maryland, está em negociações para comprar a divisão de alimentos da Unilever, o que lhe daria marcas globais como a maionese Hellmann’s, que se juntariam à mostarda French’s e ao molho Frank’s RedHot.
O acordo envolve riscos. O negócio de alimentos da Unilever gerou cerca de US$ 15 bilhões em vendas no último ano fiscal, o dobro do tamanho da McCormick. A transação pode avaliar a unidade em mais de US$ 30 bilhões, superando em muito a maior aquisição já realizada pela McCormick.
As ações da McCormick chegaram a cair até 2,6% na sexta-feira. O papel já recuou cerca de 20% neste ano, após quedas anuais em três dos últimos quatro anos, pressionado pela inflação elevada e pela concorrência de marcas próprias de supermercados.
A McCormick se recusou a comentar além de confirmar que está em negociações com a Unilever.
Com o negócio, a companhia poderá ampliar sua exposição ao mercado de molhos e condimentos, que hoje representa apenas 4% de suas vendas. Esse segmento é especialmente popular entre consumidores mais jovens, com americanos dessa faixa etária gastando mais com molhos picantes do que com ketchup, segundo a empresa.
A aquisição da Hellmann’s daria à McCormick a maior marca de maionese do mundo, reforçando um negócio no qual a empresa já atua com marcas menores. Recentemente, a companhia aumentou sua participação em uma joint venture no México que produz a Maionese McCormick, líder no mercado local.
A maior investida da McCormick em condimentos ocorreu há cerca de uma década, quando comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, sua maior aquisição até então, que lhe trouxe marcas como French’s e Frank’s RedHot.
Investidores tendem a ver com bons olhos a aquisição da Unilever, devido à escala e às eficiências que a nova empresa poderia alcançar, segundo Robert Moskow, analista da TD Cowen.
“A combinação do negócio de condimentos da McCormick com os ativos de alimentos da Unilever faz sentido para a maioria dos investidores há muito tempo”, escreveu o analista.
Embora a execução represente um risco, o Barclays destacou que a McCormick tem um “histórico sólido e experiência com grandes aquisições financiadas por capital”.
A empresa estaria adquirindo ativos com desempenho misto, já que consumidores, pressionados pela inflação, migraram para opções mais baratas de marcas próprias. No ano passado, as vendas orgânicas cresceram apenas 1,9%, o segundo ritmo mais lento desde 2020.
Para a McCormick, o acordo também ampliaria sua presença fora dos Estados Unidos, onde enfrenta dificuldades para ganhar escala. Atualmente, cerca de 60% das vendas da empresa vêm do mercado americano. A China é o segundo maior mercado, com pouco menos de 5%.
A integração dos ativos seria liderada por Brendan Foley, CEO da McCormick desde 2023, após cerca de 15 anos na Heinz (hoje Kraft Heinz).
A Kraft Heinz recentemente encerrou negociações para vender ativos sob o comando do novo CEO, Steve Cahillane, o que pode aumentar a concorrência entre a fabricante de ketchup e uma McCormick ampliada.
Origem da empresa
A McCormick, fundada em 1889 vendendo root beer antes de entrar no mercado de temperos, tem usado aquisições como parte de sua estratégia de crescimento há anos. Segundo analistas, a empresa já avaliava compras menores dentro do portfólio da Unilever, mas este acordo “vai muito além disso” e pode gerar “oportunidades significativas”.
Estimativas indicam que a empresa combinada pode gerar mais de US$ 500 milhões em sinergias ao longo do tempo, com maior poder de negociação junto a varejistas.
Nos últimos cinco anos, empresas de alimentos embalados foram avaliadas, em média, a 8,7 vezes o Ebitda em operações de aquisição, segundo dados da Bloomberg.
O negócio de alimentos da Unilever pode ter um valor de mercado de até US$ 33 bilhões, de acordo com a Bloomberg Intelligence.
A McCormick & Co. é conhecida como a “rainha dos temperos”, mas com sua mais recente ofensiva de aquisições, busca ampliar esse título para incluir também condimentos.
A empresa, com sede em Hunt Valley, Maryland, está em negociações para comprar a divisão de alimentos da Unilever, o que lhe daria marcas globais como a maionese Hellmann’s, que se juntariam à mostarda French’s e ao molho Frank’s RedHot.
O acordo envolve riscos. O negócio de alimentos da Unilever gerou cerca de US$ 15 bilhões em vendas no último ano fiscal, o dobro do tamanho da McCormick. A transação pode avaliar a unidade em mais de US$ 30 bilhões, superando em muito a maior aquisição já realizada pela McCormick.
As ações da McCormick chegaram a cair até 2,6% na sexta-feira. O papel já recuou cerca de 20% neste ano, após quedas anuais em três dos últimos quatro anos, pressionado pela inflação elevada e pela concorrência de marcas próprias de supermercados.
A McCormick se recusou a comentar além de confirmar que está em negociações com a Unilever.
Com o negócio, a companhia poderá ampliar sua exposição ao mercado de molhos e condimentos, que hoje representa apenas 4% de suas vendas. Esse segmento é especialmente popular entre consumidores mais jovens, com americanos dessa faixa etária gastando mais com molhos picantes do que com ketchup, segundo a empresa.
A aquisição da Hellmann’s daria à McCormick a maior marca de maionese do mundo, reforçando um negócio no qual a empresa já atua com marcas menores. Recentemente, a companhia aumentou sua participação em uma joint venture no México que produz a Maionese McCormick, líder no mercado local.
A maior investida da McCormick em condimentos ocorreu há cerca de uma década, quando comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, sua maior aquisição até então, que lhe trouxe marcas como French’s e Frank’s RedHot.
Investidores tendem a ver com bons olhos a aquisição da Unilever, devido à escala e às eficiências que a nova empresa poderia alcançar, segundo Robert Moskow, analista da TD Cowen.
“A combinação do negócio de condimentos da McCormick com os ativos de alimentos da Unilever faz sentido para a maioria dos investidores há muito tempo”, escreveu o analista.
Embora a execução represente um risco, o Barclays destacou que a McCormick tem um “histórico sólido e experiência com grandes aquisições financiadas por capital”.
A empresa estaria adquirindo ativos com desempenho misto, já que consumidores, pressionados pela inflação, migraram para opções mais baratas de marcas próprias. No ano passado, as vendas orgânicas cresceram apenas 1,9%, o segundo ritmo mais lento desde 2020.
Para a McCormick, o acordo também ampliaria sua presença fora dos Estados Unidos, onde enfrenta dificuldades para ganhar escala. Atualmente, cerca de 60% das vendas da empresa vêm do mercado americano. A China é o segundo maior mercado, com pouco menos de 5%.
A integração dos ativos seria liderada por Brendan Foley, CEO da McCormick desde 2023, após cerca de 15 anos na Heinz (hoje Kraft Heinz).
A Kraft Heinz recentemente encerrou negociações para vender ativos sob o comando do novo CEO, Steve Cahillane, o que pode aumentar a concorrência entre a fabricante de ketchup e uma McCormick ampliada.
Origem da empresa
A McCormick, fundada em 1889 vendendo root beer antes de entrar no mercado de temperos, tem usado aquisições como parte de sua estratégia de crescimento há anos. Segundo analistas, a empresa já avaliava compras menores dentro do portfólio da Unilever, mas este acordo “vai muito além disso” e pode gerar “oportunidades significativas”.
Estimativas indicam que a empresa combinada pode gerar mais de US$ 500 milhões em sinergias ao longo do tempo, com maior poder de negociação junto a varejistas.
Nos últimos cinco anos, empresas de alimentos embalados foram avaliadas, em média, a 8,7 vezes o Ebitda em operações de aquisição, segundo dados da Bloomberg.
O negócio de alimentos da Unilever pode ter um valor de mercado de até US$ 33 bilhões, de acordo com a Bloomberg Intelligence.
A Unilever está em negociações para vender sua divisão de alimentos para a McCormick & Company, em um movimento que pode representar a maior reestruturação da fabricante da maionese Hellmann’s desde sua fundação, há quase um século.
A multinacional anglo-holandesa afirmou nesta sexta-feira (20) que recebeu uma proposta da empresa de temperos sediada em Maryland, mas ressaltou que não há garantia de que o acordo será fechado. A unidade de alimentos tem valor potencial de até € 29 bilhões (US$ 33 bilhões), segundo a Bloomberg Intelligence.
Se concretizada, a operação será a maior da história da McCormick & Company, cuja capitalização de mercado, de US$ 14,5 bilhões, é apenas uma fração dos cerca de £ 101 bilhões (US$ 135 bilhões) da Unilever. Ainda não há detalhes sobre o financiamento, mas a transação pode ser estruturada como um “Reverse Morris Trust”, modelo de fusão com vantagens fiscais.
A venda marcaria a saída da Unilever da competição direta com gigantes de alimentos como Kraft Heinz, Nestlé e PepsiCo. Ao mesmo tempo, transformaria a empresa em um grupo focado em produtos de higiene, beleza e cuidados pessoais, em linha com concorrentes como L’Oréal, Beiersdorf e Estée Lauder.
A Bloomberg já havia informado nesta semana que a companhia avalia separar total ou parcialmente sua divisão de alimentos. As negociações avançam com a meta de um possível acordo até o fim do mês, segundo fontes.
As ações da Unilever chegaram a subir até 1,9%, antes de reduzir os ganhos. No acumulado dos últimos 12 meses até quinta-feira, os papéis ainda registram queda de cerca de 6%.
O CEO Fernando Fernandez, há cerca de um ano no cargo, já deixou claro que alimentos não são mais o foco principal. Segundo ele, beleza, cuidados pessoais e bem-estar serão os motores de crescimento da companhia.
O setor de alimentos enfrenta uma transformação prolongada, com consumidores — especialmente nos EUA — reduzindo gastos diante da inflação e incertezas geopolíticas. Supermercados também vêm ganhando espaço com marcas próprias mais competitivas, enquanto tendências como dietas mais saudáveis e o uso de medicamentos para perda de peso reduzem o consumo de produtos processados.
Essas mudanças tornam o segmento menos atrativo para multinacionais como a Unilever, em comparação com categorias como beleza e cuidados pessoais, onde os consumidores estão mais dispostos a gastar.
Fernandez já indicou que pretende elevar para dois terços a participação de marcas como Dove, Liquid IV e Dermalogica na receita total, ante cerca de metade atualmente.
Analistas do Bernstein avaliam que a estratégia de diversificação, comum nos anos 1990 e 2000, perdeu força. “Os benefícios de escala entre categorias já não compensam a complexidade”, escreveram.
Nos últimos anos, a Unilever vem simplificando seu portfólio. A empresa vendeu sua divisão global de chás, a área de spreads (incluindo a marca I Can’t Believe It’s Not Butter!), além de negócios como a Graze e a The Vegetarian Butcher.
Em 2025, a companhia também separou sua divisão de sorvetes na Magnum Ice Cream Co., mantendo cerca de 20% de participação, e planeja vender entre €1 bilhão e €1,5 bilhão adicionais em marcas menores de alimentos.
Apesar disso, a empresa não deve vender sua divisão de alimentos “altamente atrativa” por um preço baixo. O portfólio inclui marcas fortes como a Hellmann’s — líder nos EUA e no Brasil — e os cubos de caldo Knorr, segunda marca mais vendida da companhia, atrás apenas da Dove.
Para a McCormick & Company, a operação também representaria um grande teste. Fundada em 1889, a empresa começou vendendo root beer e se tornou uma das maiores fabricantes de temperos do mundo, conhecida por produtos como Old Bay.
Nos últimos anos, a companhia expandiu sua atuação para além de especiarias, com aquisições em mercados como Reino Unido e Polônia, além de produtos como molhos e maioneses saborizadas, populares entre consumidores mais jovens.
O maior movimento nesse segmento ocorreu em 2017, quando a McCormick & Company comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, incorporando marcas como French’s e Frank’s RedHot.
Ainda assim, analistas alertam que a integração de um negócio do porte da Unilever não será simples, dada a diferença de escala e o nível atual de endividamento da compradora.
Especialistas também apontam que, embora a venda possa destravar valor para os acionistas no longo prazo, o processo pode gerar distrações para a gestão no curto prazo, especialmente diante de outros desafios enfrentados pela empresa.
A aguardada nova camisa da seleção brasileira chegou e causou muito burburinho. Com uma marca mais associada ao basquete e preço lá no em cima, abriu inclusive brecha para a concorrência, que agora corre atrás de uma alternativa para vestir a torcida. futebol seleção #nike
A Unilever está em negociações para vender sua divisão de alimentos para a McCormick & Company, em um movimento que pode representar a maior reestruturação da fabricante da maionese Hellmann’s desde sua fundação, há quase um século.
A multinacional anglo-holandesa afirmou nesta sexta-feira (20) que recebeu uma proposta da empresa de temperos sediada em Maryland, mas ressaltou que não há garantia de que o acordo será fechado. A unidade de alimentos tem valor potencial de até € 29 bilhões (US$ 33 bilhões), segundo a Bloomberg Intelligence.
Se concretizada, a operação será a maior da história da McCormick & Company, cuja capitalização de mercado, de US$ 14,5 bilhões, é apenas uma fração dos cerca de £ 101 bilhões (US$ 135 bilhões) da Unilever. Ainda não há detalhes sobre o financiamento, mas a transação pode ser estruturada como um “Reverse Morris Trust”, modelo de fusão com vantagens fiscais.
A venda marcaria a saída da Unilever da competição direta com gigantes de alimentos como Kraft Heinz, Nestlé e PepsiCo. Ao mesmo tempo, transformaria a empresa em um grupo focado em produtos de higiene, beleza e cuidados pessoais, em linha com concorrentes como L’Oréal, Beiersdorf e Estée Lauder.
A Bloomberg já havia informado nesta semana que a companhia avalia separar total ou parcialmente sua divisão de alimentos. As negociações avançam com a meta de um possível acordo até o fim do mês, segundo fontes.
As ações da Unilever chegaram a subir até 1,9%, antes de reduzir os ganhos. No acumulado dos últimos 12 meses até quinta-feira, os papéis ainda registram queda de cerca de 6%.
O CEO Fernando Fernandez, há cerca de um ano no cargo, já deixou claro que alimentos não são mais o foco principal. Segundo ele, beleza, cuidados pessoais e bem-estar serão os motores de crescimento da companhia.
O setor de alimentos enfrenta uma transformação prolongada, com consumidores — especialmente nos EUA — reduzindo gastos diante da inflação e incertezas geopolíticas. Supermercados também vêm ganhando espaço com marcas próprias mais competitivas, enquanto tendências como dietas mais saudáveis e o uso de medicamentos para perda de peso reduzem o consumo de produtos processados.
Essas mudanças tornam o segmento menos atrativo para multinacionais como a Unilever, em comparação com categorias como beleza e cuidados pessoais, onde os consumidores estão mais dispostos a gastar.
Fernandez já indicou que pretende elevar para dois terços a participação de marcas como Dove, Liquid IV e Dermalogica na receita total, ante cerca de metade atualmente.
Analistas do Bernstein avaliam que a estratégia de diversificação, comum nos anos 1990 e 2000, perdeu força. “Os benefícios de escala entre categorias já não compensam a complexidade”, escreveram.
Nos últimos anos, a Unilever vem simplificando seu portfólio. A empresa vendeu sua divisão global de chás, a área de spreads (incluindo a marca I Can’t Believe It’s Not Butter!), além de negócios como a Graze e a The Vegetarian Butcher.
Em 2025, a companhia também separou sua divisão de sorvetes na Magnum Ice Cream Co., mantendo cerca de 20% de participação, e planeja vender entre €1 bilhão e €1,5 bilhão adicionais em marcas menores de alimentos.
Apesar disso, a empresa não deve vender sua divisão de alimentos “altamente atrativa” por um preço baixo. O portfólio inclui marcas fortes como a Hellmann’s — líder nos EUA e no Brasil — e os cubos de caldo Knorr, segunda marca mais vendida da companhia, atrás apenas da Dove.
Para a McCormick & Company, a operação também representaria um grande teste. Fundada em 1889, a empresa começou vendendo root beer e se tornou uma das maiores fabricantes de temperos do mundo, conhecida por produtos como Old Bay.
Nos últimos anos, a companhia expandiu sua atuação para além de especiarias, com aquisições em mercados como Reino Unido e Polônia, além de produtos como molhos e maioneses saborizadas, populares entre consumidores mais jovens.
O maior movimento nesse segmento ocorreu em 2017, quando a McCormick & Company comprou a divisão de alimentos da Reckitt Benckiser por US$ 4,2 bilhões, incorporando marcas como French’s e Frank’s RedHot.
Ainda assim, analistas alertam que a integração de um negócio do porte da Unilever não será simples, dada a diferença de escala e o nível atual de endividamento da compradora.
Especialistas também apontam que, embora a venda possa destravar valor para os acionistas no longo prazo, o processo pode gerar distrações para a gestão no curto prazo, especialmente diante de outros desafios enfrentados pela empresa.
A aguardada nova camisa da seleção brasileira chegou e causou muito burburinho. Com uma marca mais associada ao basquete e preço lá no em cima, abriu inclusive brecha para a concorrência, que agora corre atrás de uma alternativa para vestir a torcida. futebol seleção #nike
Possivelmente, o maior luxo da década é a saúde. Conseguir se manter saudável em um mundo acelerado não é fácil. Pensando em impressionar garotas na faculdade, um jovem nos Estados Unidos desenvolveu um aplicativo que utilizainteligência artificial para contar as calorias de um prato com uma foto — e assim, se tornou um milionário com apenas 19 anos.
O “Cal AI” foi criado por Zach Yadegari com a ajuda de um colega de escola, Henry Langmack. Pouco depois, um outro aplicativo de nutrição e saúde, o MyFitnessPal, comprou a empresa de Yadegari, que tem uma equipe de 30 pessoas e gerou US$ 40 milhões em receita anual em 2025.
O valor da transação não foi divulgado, mas estima-se que o faturamento da startup deve alcançar a marca de US$ 50 milhões neste ano.
O Jimmy Neutron milionário da Gen Z?
O estudante começou a ler e escrever aos 7 anos de idade, quase quando também começou a programar. No mesmo ano, a mãe de Yadegari enviou o menino para um acampamento de férias voltado ao ensino de programação.
O garoto gostou da experiência e passou a dedicar seu tempo para aprender mais com vídeos de tutorias de código no YouTube.
O Cal AI não foi sua primeira criação. Antes, ele desenvolveu um site chamado “Totally Science”, que permitia estudantes acessarem jogos online enquanto utilizam as redes de internet da escola, que bloqueavam esse tipo de conteúdo.
Em 2024, o site foi vendido em 2024 por US$ 100 mil, segundo a CNBC.
O que o aplicativo faz e como baixar
O Cal AI está disponível tanto na Google Play Store, para usuários de Android, quanto na Apple Store, para quem tem iPhone. Depois de instalado no aparelho, basta preencher alguns dados, como altura, peso e idade.
Com as informações, o próprio sistema estima a quantidade de carboidratos, gordura e proteína diária que a pessoa deve consumir para alcançar o objetivo escolhido.
Por fim, é só tirar foto da refeição e o aplicativo contabiliza os números sozinho. Segundo os fundadores, a precisão dos dados é de 90%.
Para utilizar as funções, é preciso pagar. No Brasil, a anuidade sai por R$ 189,99. Mas quem quiser testar a tecnologia pode usufruir de um período gratuito de teste.
A PepsiCo planeja revisar sua cadeia de suprimentos na América do Norte, enquanto a fabricante de refrigerantes e salgadinhos busca concluir as negociações com a gestora de investimentos Elliott Investment Management, do ativista Paul Singer, disseram pessoas familiarizadas com o tema. A empresa também alertou os funcionários sobre “mudanças estruturais” iminentes e pediu a muitos que trabalhassem de casa.
Um anúncio sobre medidas estratégicas poderá ser feito nos próximos dias, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas porque os detalhes ainda não foram finalizados.
Em comunicado, a PepsiCo instruiu os funcionários de diversos escritórios na América do Norte, incluindo sua sede, em Purchase, Nova York, bem como em Chicago e Plano, no Texas, a trabalharem remotamente esta semana. Nos últimos anos, as empresas têm solicitado frequentemente que seus funcionários trabalhem de casa antes de demissões.
“Faremos mudanças estruturais em nossos negócios que afetarão algumas funções na empresa”, disse a diretora de Recursos Humanos, Jennifer Wells, em uma mensagem aos funcionários no domingo, que foi obtida pela Bloomberg News.
A Elliott, que anunciou uma participação de aproximadamente US$ 4 bilhões na PepsiCo em setembro, pressionou a empresa de alimentos e bebidas por mudanças, citando um portfólio de marcas excessivamente complexo e uma participação decrescente no mercado de bebidas. A investidora ativista apoia a reestruturação organizacional planejada pela PepsiCo, disseram as fontes.
Segundo fontes, a PepsiCo deverá priorizar o desenvolvimento de novos produtos e estratégias de precificação e embalagem, além de mudanças na alocação de capital. Não há previsão de alterações no conselho administrativo da PepsiCo.
Um representante da PepsiCo se recusou a comentar. Não foi possível contatar imediatamente um porta-voz da Elliott para comentar.
O CEO da PepsiCo, Ramon Laguarta, afirmou que a empresa está tomando medidas para reduzir custos, melhorar a produtividade e modernizar seu sistema de produção, de forma a investir em outras áreas do negócio. Executivos da PepsiCo já haviam mencionado a “adequação do quadro de funcionários” — um eufemismo corporativo comum para demissões — antes da contratação da Elliott.
Em novembro, a PepsiCo fechou duas fábricas da Frito-Lay, divisão de salgadinhos da empresa, em Orlando, na Flórida, demitindo mais de 450 pessoas. Na época, a empresa afirmou que as demissões foram “motivadas por necessidades comerciais.”
As ações da PepsiCo caíram aproximadamente 5% este ano até o fechamento da semana passada, elevando o valor de mercado da empresa para perto de US$ 200 bilhões.
A Elliott pressionou a PepsiCo para simplificar seu portfólio de bebidas, vendendo algumas marcas, potencialmente incluindo a fabricante de água com gás SodaStream e a Starry, um refrigerante de limão.
A PepsiCo utiliza uma rede de engarrafadoras independentes, mas também opera muitas empresas de engarrafamento próprias, das quais alguns investidores gostariam de se desfazer.
A Elliott também recomendou à PepsiCo que simplificasse seu portfólio de snacks e se concentrasse em seus salgadinhos mais vendidos. Elliott mencionou alguns cereais, incluindo Life e Cap’n Crunch, bem como Quaker Oats e Rice-A-Roni, como marcas que a PepsiCo poderia querer desinvestir.
Nos meses que se seguiram ao anúncio da participação da Elliott, Laguarta afirmou que a empresa estava agindo rapidamente para atualizar seu portfólio e reduzir custos. A empresa reformulou a linha de batatas fritas Lay’s, incluindo a reformulação dos sabores de churrasco para substituir corantes artificiais por naturais. A Laguarta também lançou uma nova linha de Doritos e Cheetos sem corantes sintéticos e anunciou que expandiria suas opções com mais proteína e fibras.
A Kraft Heinz reduziu sua previsão de vendas, após seu diretor-executivo afirmar que a confiança dos consumidores americanos caiu para um nível historicamente baixo. “Estamos vivenciando um dos piores índices de confiança do consumidor em décadas”, disse o CEO global da companhia, Carlos Abrams-Rivera, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira (29).
A empresa agora prevê que as vendas líquidas orgânicas para o ano cairão de 3% a 3,5%. Anteriormente, a projeção era de uma queda menor, entre 1,5% e 3,5%. A Kraft Heinz citou o crescimento mais lento nos mercados emergentes e a “pressão” no varejo dos EUA como motivos para a redução de sua previsão de lucro.
As ações da Kraft Heinz caíram cerca de 4,3% na quarta-feira. Os papéis acumulam queda de 17% neste ano até o fechamento do mercado nesta terça-feira (28), em comparação com uma alta de 17% do índice S&P 500.
Abrams-Rivera afirmou que os preços mais altos devido à inflação e as dificuldades esperadas com a redução do financiamento do programa de assistência alimentar criaram um “ambiente difícil” para os consumidores americanos. “Prevemos que essas pressões persistirão além do quarto trimestre, levando a uma recuperação mais lenta por parte do consumidor.”
Outras grandes empresas de alimentos industrializados também apontaram para a pressão sobre os consumidores americanos, principalmente em famílias de baixa renda. A Mondelez, por exemplo, afirmou que os consumidores, pressionados pelo orçamento, estão priorizando a compra de itens essenciais em vez de lanches.
Analistas de mercado, contudo, têm uma visão oposta: eles disseram que essas empresas produzem justamente os tipos de alimentos processados dos quais os americanos estão se afastando, optando por alternativas mais saudáveis. “Continuamos acreditando que o principal fator que impulsiona a fraqueza no mercado de snacks nos EUA é a mudança nas preferências do consumidor”, escreveu Max Gumport, analista do BNP Paribas, em um relatório no mês passado.
Outros setores, incluindo companhias aéreas e varejo, não registraram preocupações significativas em relação ao sentimento do consumidor. O CEO da United Airlines, Scott Kirby, afirmou que prevê uma melhora na demanda por viagens no outono. Já a Procter & Gamble (P&G) divulgou na semana passada vendas melhores do que o esperado, e seu diretor financeiro classificou o ambiente de compras como “estável”.
A indústria alimentícia enfrenta alguns desafios específicos, incluindo o aumento dos custos dos ingredientes, o impacto dos medicamentos para perda de peso e o esperado corte no auxílio alimentar para 42 milhões de americanos no sábado, caso a paralisação do governo continue.
“A paralisação do governo não vai contribuir para a confiança do consumidor”, disse o CEO da Mondelez, Dirk Van De Put, em uma teleconferência sobre resultados financeiros nesta quarta-feira (29).
A divisão na Kraft Heinz
A Kraft Heinz, fabricante do macarrão com queijo Kraft e do ketchup Heinz, também está se preparando para dividir seus negócios, o que está previsto para acontecer no segundo semestre do próximo ano.
A empresa tem enfrentado dificuldades para convencer os investidores sobre seus planos de dividir suas marcas em duas empresas, em um momento em que os consumidores estão, em geral, se afastando dos alimentos processados. Uma delas abrigará suas marcas de crescimento mais rápido, incluindo condimentos como o ketchup Heinz e refeições prontas, enquanto a outra reunirá seus produtos básicos de mercearia de crescimento mais lento, como os frios Oscar Mayer e os Lunchables.
No terceiro trimestre, a Kraft Heinz reportou uma queda de 2,5% na receita orgânica, que exclui efeitos cambiais e outros itens, um resultado mais acentuado do que a média das projeções dos analistas. As vendas de café, frios, salgadinhos congelados e alguns condimentos diminuíram.