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Prefeito de Nova York Zohran Mamdani boicota Parada de Israel em Manhattan

31 de Maio de 2026, 19:47
Zohran Mamdani, prefeito de Nova York

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, tomou uma decisão histórica ao não participar da tradicional Israel Day Parade, interrompendo uma tradição de longa data em que líderes da cidade comparecem ao evento.

Mamdani explicou que sua ausência se deve a seu posicionamento sobre o governo israelense e à defesa contínua dos direitos do povo palestino, enfatizando a importância de apoiar a justiça internacional e a proteção de populações vulneráveis.

Apesar de não estar presente, Mamdani garantiu que o desfile ocorreria de maneira segura e organizada, com forte presença policial e protocolos de segurança reforçados. A comissária de polícia Jessica Tisch participou do evento pessoalmente, assegurando que a celebração transcorresse sem incidentes, enquanto o prefeito mantinha seu compromisso com seus princípios políticos.

A decisão de Mamdani provocou reações diversas. Líderes da comunidade judaica e adversários políticos o criticaram, acusando-o de adotar uma postura divisiva e desrespeitosa. O rabino Marc Schneier considerou a ausência do prefeito como um gesto que não honra a tradição da cidade.

Além disso, a exibição de um vídeo produzido pela prefeitura sobre a Nakba, que narra a expulsão de palestinos durante a guerra árabe-israelense de 1948, gerou polêmica ao não mencionar a expulsão de judeus de países árabes ou o impacto do Holocausto na criação de Israel.

Mesmo diante das críticas, Mamdani manteve sua posição firme. Como primeiro prefeito muçulmano de Nova York, ele continua a apoiar os direitos dos palestinos, ao mesmo tempo em que garante a proteção dos residentes judeus. O prefeito destacou o trabalho do Escritório de Combate ao Antissemitismo, reforçando medidas de segurança e programas educativos para prevenir hostilidades.

Ministros israelenses que defenderam a limpeza étnica de palestinos e o uso de armas nucleares contra Gaza participaram do desfile, enquanto Israel enfrenta crescente isolamento internacional devido ao genocídio em Gaza e seus conflitos no Oriente Médio.

Entre os participantes estavam o ministro das Finanças da extrema-direita, Bezalel Smotrich, o ministro do Patrimônio, Amichai Eliyahu, e 13 membros do Knesset. Smotrich defendeu a expulsão da população palestina de Gaza e a destruição do enclave sitiado.

O Procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI) apresentou pedido secreto de mandado de prisão contra Smotrich por supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos contra palestinos na Cisjordânia ocupada. As acusações incluem deslocamento forçado como crime contra a humanidade e crime de guerra, transferência da própria população israelense como crime de guerra, perseguição e apartheid.

Durante o evento, Smotrich afirmou que o desfile o lembrava de uma procissão ultra-nacionalista pela Cidade Antiga de Jerusalém e pelo Quarteirão Muçulmano, chamada “Marcha da Bandeira de Israel”, em que manifestantes costumam gritar “Morte aos árabes” e atacar moradores palestinos e cristãos.

Amichai Eliyahu, outro membro da delegação, já defendeu o uso de armas nucleares contra a população de Gaza, antes do genocídio, e propôs privar de comida os palestinos, afirmando que “não há problema em bombardear suas reservas de alimentos e combustível. Eles devem passar fome”.

Israel supporters bring carboard cutout of Zohran Mamdani to walk in the Israel Day Parade after he refused to attend. 🇮🇱 pic.twitter.com/H5E8Ot3uy1

— Oli London (@OliLondonTV) May 31, 2026

Israel Day Parade in NYC: Senate Minority Leader Chuck Schumer, far-right Israeli Finance Minister Bezalel Smotrich and other far-right Israeli lawmakers and American politicians march on Fifth Avenue

NYC mayor Zohran Mamdani decided to skip the event | @Etanetan23

Video:… pic.twitter.com/8lARnXk4yy

— Haaretz.com (@haaretzcom) May 31, 2026

Cuba mergulha em novo apagão nacional em menos de uma semana sob pressão dos EUA

22 de Março de 2026, 23:17
A cidade de Havana às escuras. Foto: YAMIL LAGE / AFP

Cuba voltou a ficar às escuras pelo segundo apagão nacional em menos de uma semana, após um novo colapso da rede elétrica do país — o terceiro apenas neste mês de março.

A crise ocorre em meio a fortes restrições no fornecimento de combustível, graças a um bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos.

A União Elétrica de Cuba, ligada ao Ministério de Energia e Minas, anunciou no sábado um apagão total em toda a ilha. Inicialmente, não houve explicação oficial para a falha. Mais tarde, autoridades informaram que o problema começou com uma pane inesperada em uma unidade geradora da usina termelétrica de Nuevitas, na província de Camagüey.

Segundo o governo, a falha desencadeou um efeito cascata que derrubou outras unidades do sistema elétrico. Para conter os danos, foram ativadas “micro-ilhas” de geração, destinadas a garantir energia a serviços essenciais, como hospitais e sistemas de abastecimento de água.

As autoridades afirmaram que trabalham para restabelecer o fornecimento. O blecaute anterior havia ocorrido apenas cinco dias antes, na segunda-feira. Este foi o segundo em uma semana e o terceiro em março, evidenciando a fragilidade do sistema.

🇨🇺 | La Habana a oscuras: nuevo apagón general en Cuba, el segundo en una semana. pic.twitter.com/agVqzIJy1H

— Alerta Mundial (@AlertaMundoNews) March 22, 2026

Com a chegada da noite, ruas de Havana ficaram praticamente às escuras. Moradores usavam lanternas e celulares para se locomover. Em áreas turísticas do centro histórico, alguns restaurantes conseguiram permanecer abertos graças a geradores, enquanto músicos tocavam para os clientes.Na capital, os cubanos já convivem com cortes diários de energia que podem durar até 15 horas. No interior da ilha, a situação é ainda mais grave.

A crise energética se agravou desde que o país deixou de importar petróleo, em 9 de janeiro. A escassez impactou não apenas a geração de eletricidade, mas também o setor aéreo, com redução de voos e prejuízos ao turismo — uma das principais fontes de renda da ilha.

O apagão ocorreu no mesmo momento em que um comboio internacional de ajuda começava a chegar a Havana, trazendo suprimentos médicos, alimentos, água e painéis solares.

A situação piorou ainda mais após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro — fato que abalou o principal parceiro energético de Cuba.

Trump tem afirmado repetidamente que o regime cubano está à beira do colapso e chegou a declarar que poderia “tomar” Cuba em breve.

Em resposta, o presidente Miguel Díaz-Canel advertiu que qualquer agressão externa enfrentará “uma resistência inquebrantável”.

Silvio Almeida é denunciado pela PGR por importunação sexual contra Anielle Franco

21 de Março de 2026, 07:24
Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos. Foto: reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação de importunação sexual contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. A denúncia foi apresentada em 4 de março e é assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet. O caso tramita sob sigilo e está sob relatoria do ministro André Mendonça.

Na peça enviada à Corte, a PGR afirma que há elementos que corroboram o relato da ministra. Entre os depoimentos citados está o do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que participou de uma reunião em maio de 2023 na sede do Ministério da Igualdade Racial. Segundo o documento obtido pela Folha, o relato dele está em consonância com o que foi descrito por Anielle.

De acordo com a denúncia, Andrei afirmou ter percebido a ministra abalada após o encontro, chegando a ouvir comentários como “não aguentar mais”.

Embora não tenha citado diretamente o nome de Silvio Almeida naquele momento, Anielle teria deixado a reunião visivelmente desconfortável. A corregedora-geral da Polícia Federal, Aletea Vega Marona Kunde, também esteve presente e prestou depoimento semelhante, além de relatos de amigas com quem a ministra conversou à época.

O indiciamento de Almeida pela Polícia Federal ocorreu em novembro do ano passado e incluiu suspeitas envolvendo Anielle Franco e a professora Isabel Rodrigues. No entanto, a denúncia da PGR trata apenas do caso envolvendo a ministra, já que o outro episódio foi encaminhado à primeira instância por ter ocorrido antes de Almeida assumir o cargo.

Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo a investigação, há ainda situações em que a prescrição foi reconhecida, impedindo eventual punição devido ao tempo decorrido desde os fatos. Somadas, as penas podem chegar a dez anos de prisão, caso haja condenação.

Em depoimento à Polícia Federal, Anielle relatou que as “abordagens inadequadas” evoluíram para episódios de contato físico. Em entrevista, afirmou que houve “atitudes inconvenientes”, incluindo toques e convites impertinentes, mas que evitou denunciar inicialmente por receio de descrédito e julgamentos.

A defesa de Silvio Almeida sustenta que as acusações não têm materialidade e são baseadas em ilações. O ex-ministro nega as acusações. “Dou aula há 20 anos. Tive, aproximadamente, 40 mil alunos. Metade disso são mulheres. Em todas as universidades que passei, isso está dito de maneira oficial, nunca tive nenhum tipo de acusação.” Ele também afirmou: “Não fiz isso. Não sei por que as pessoas mentem. E quem mente tem responsabilidade.”

Em outro momento, declarou que Anielle teria “se perdido no personagem” e negou qualquer conduta inadequada durante reuniões. Após as denúncias, publicou mensagem nas redes sociais: “Estou vivo, continuo indignado e não quero compaixão nem ‘segunda chance’. Eu quero justiça.”

O caso levou à demissão de Silvio Almeida do governo Lula em setembro de 2024. Na ocasião, o presidente considerou “insustentável” a permanência do ministro diante da gravidade das acusações. Atualmente, o Ministério dos Direitos Humanos é comandado por Macaé Evaristo.

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