Fechamento de centro municipal para idosos preocupa usuários e cuidadores
Usuários do Centro Dia do Idoso (CDI) Nascer do Sol, na zona norte de Porto Alegre, foram surpreendidos esta semana com o comunicado de que o serviço pode fechar no dia 30 de abril. A Prefeitura da Capital mais longeva do Brasil, segundo o Censo de 2022, alega falta de recursos para gerir o espaço que funciona há 24 anos no bairro Jardim Floresta. Vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) e previsto na política do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o CDI é co-financiado pelos governos federal e municipal.
O fotógrafo Cláudio Neves leva diariamente a mãe, de 85 anos, até o CDI. Nessa rotina há cerca de três anos, ele observa o sucateamento gradual do serviço. “A partir de abril do ano passado, eles começaram a não mandar mais van, porque até então os idosos contavam com um sistema de transporte para ir até o Centro. Também não colocam mais as refeições, porque começou a faltar cozinheiras”, detalha.
O CDI Norte ficava aberto das 8h às 17h. Hoje, atende só até o meio-dia. Com a piora do serviço, o número de usuários, que já chegou a 25, hoje está em 17.
Cláudio relembra que, em reunião no último mês de setembro, a SMAS prometeu que seriam anunciados cerca de R$ 400 mil ao CDI. Mas o montante não veio, e o atendimento só regrediu. Agora faltam, inclusive, monitores para os idosos. “Os idosos dançam, têm aula de pintura, tem de tudo ali. Tem psicólogo, antes tinha sempre duas cozinheiras, uma era nutricionista. Mas foi desmantelado”, lamenta. “E o amparo não era só aos idosos, mas também aos cuidadores. A população de Porto Alegre está envelhecendo, e isso também implica o crescimento do número de cuidadores”.
Na última quinta-feira (23), o Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) debateu o fechamento do CDI em reunião. Cláudio estava lá. Ele relata que os representantes da SMAS apontaram o Centro de Referência Centro de Referência de Assistência Social (Cras) como alternativa para os usuários. “Mas o Cras não é para isso, é de atenção básica. O Cras daqui é bem pequeno, e só funciona nas terças para idosos. Já o CDI é de média complexidade”, argumenta o fotógrafo.
Também durante a reunião, a SMAS elencou a dificuldade para licitar o serviço de transporte e alimentação como justificativa para o fechamento do CDI. “Estão falando isso há mais de um ano. Parece que querem mesmo fechar, por algum motivo”, afirma Cláudio. Ele estranha a decisão porque o prédio do CDI foi reformado recentemente. “Foi um desmonte que aconteceu. Não sei qual o destino que querem dar a essa unidade”.
Contatado pelo Sul21, o CMAS informou que recebeu os idosos e familiares, que trouxeram grande preocupação quanto ao possível fechamento do serviço. “Diante da situação, realizamos imediatamente reunião da executiva do CMAS com representante da SMAS, na qual foi reafirmada a importância da manutenção do serviço em funcionamento. Nesse sentido, o CMAS agilizou a liberação de recursos para garantir a continuidade das atividades ao longo deste ano, comprometendo-se também a avaliar e encaminhar a utilização de recursos reprogramados para o próximo exercício. Além disso, o CMAS realizará reunião com o governo municipal para assegurar a permanência do Centro-Dia do Idoso na Zona Norte, garantindo o atendimento à população idosa. Não podemos admitir o fechamento de serviços essenciais para quem mais precisa”, diz a nota enviada à reportagem.
Já a SMAS não respondeu às tentativas de contato do Sul21.
Porto Alegre possui dois CDIs, um na região Norte e outro na região Sul. Ambos têm o objetivo de oferecer atendimento especializado às pessoas idosas com algum grau de dependência, que tiveram suas limitações agravadas por risco ou violação de direitos. O da zona norte foi pioneiro no Brasil e um dos primeiros na América Latina.
O Plano Plurianual (PPA) 2026-2029, estabelecido pela Prefeitura de Porto Alegre, cita a implantação de novos CDIs no município. A meta apresentada para o período é dobrar o número de centros a fim de atender um total de 235 pessoas. Para tanto, o montante a ser aplicado pelo Executivo até 2029 seria de R$ 9,2 milhões, sendo R$ 1,3 milhão somente em 2026.
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