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BBAS3 cai após balanço: alta da inadimplência no cartão e críticas à qualidade do resultado pesam sobre a ação

13 de Agosto de 2026, 20:17

O Banco do Brasil (BBAS3) registrou alta no lucro líquido ajustado no segundo trimestre de 2026, mas o resultado divulgado nesta quarta-feira (12) não foi suficiente para sustentar as ações. No pregão desta quinta-feira (13), os papéis encerraram em queda de 3,68%, cotados a R$ 18,30 na B3. A reação negativa refletiu a deterioração da qualidade do crédito, com forte aumento da inadimplência no cartão, e a avaliação de analistas de que a expansão dos lucros não se traduziu em uma melhora equivalente na qualidade dos resultados.

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O principal ponto de preocupação do balanço do 2T26 foi a inadimplência acima de 90 dias no cartão de crédito, que saltou de 7,12% no ano anterior para 14,58%. A formação de novos créditos inadimplentes (NPL creation) no segmento avançou de R$ 5,66 bilhões para R$ 11,84 bilhões, enquanto o indicador de atrasos na carteira geral de pessoa física atingiu 8,41%.

Para João Tonello, analista CNPI da Nomos, o movimento tem características mais idiossincráticas do que sistêmicas e sugere falhas específicas no processo de concessão de crédito do próprio banco.

O comportamento do BB chama atenção justamente por não encontrar paralelo no restante do sistema financeiro: excluindo a carteira do Banco do Brasil, a inadimplência média dos cartões dos demais bancos recuou de 9,3% no primeiro trimestre para 9,1% no segundo. A divergência reforça a hipótese de um problema concentrado na gestão de risco do estatal, e não de um colapso generalizado na capacidade de pagamento do consumidor brasileiro.

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Lucro cresce, mas qualidade do resultado entra no radar

O lucro líquido ajustado avançou 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e 13,9% na comparação trimestral, somando R$ 3,9 bilhões no trimestre, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) em 8,3%.

Apesar da expansão, relatórios divulgados após a teleconferência por Itaú BBA, Safra, BTG Pactual e JPMorgan chamaram atenção para o aumento do custo de crédito, a compressão do patrimônio tangível e a fragilidade na composição do resultado. O ponto central para o mercado passa a ser quanto do lucro atual é sustentável e até que ponto o ritmo de provisionamento continuará limitando a rentabilidade nos próximos trimestres.

Gestão aposta em desaceleração das provisões

A administração do banco, por sua vez, adotou um tom mais construtivo. Em interação com analistas na tarde desta quinta-feira, o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Geovanne Tobias, afirmou que o pico do custo de crédito da safra recente de cartões já foi atingido e projetou uma desaceleração no volume de provisões ao longo do segundo semestre de 2026.

A expectativa da gestão também considera a repactuação e renegociação de dívidas no agronegócio, segmento cuja inadimplência alcançou 6,27%. O mercado, contudo, aguarda os próximos trimestres para checar se a melhora projetada pela diretoria compensará a pressão observada na pessoa física.

Valuation e Dividendos: Onde fica o investidor?

Apesar da queda, o movimento recente reacende o debate sobre o desconto das ações. Negociado a cerca de 0,6x Preço/Valor Patrimonial (P/VP) e com um P/L projetado na casa de 4,2x para 2026, ambos segundo estimativas compiladas em relatório do BTG Pactual, o Banco do Brasil segue negociado com um desconto relevante em relação aos seus pares privados, como o Itaú (ITUB4), que roda próximo de 1,4x P/VP.

Por outro lado, o avanço da inadimplência e o ROE comprimido a 8,3% colocam em xeque a capacidade de distribuição de proventos. Embora o banco mantenha um payout histórico atrativo — com o consenso de mercado apontando para um dividend yield acima de 9% ao ano, a necessidade de reter capital para reforçar o balanço contra perdas no crédito pode limitar anúncios extraordinários de proventos nos próximos trimestres.

O que observar a seguir

Diante do diagnóstico, Tonello avalia que a tese de investimento no Banco do Brasil exige maior cautela e disciplina de alocação, reduzindo o peso tático na carteira até que haja sinais claros de estabilização da carteira de cartões.

Para o investidor, os pontos centrais de monitoramento para o 3T26 (com divulgação prevista para novembro) serão:

  1. O ritmo do NPL creation no cartão de crédito, confirmando se o pico de atrasos projetado pela gestão de fato ocorreu no 2T26;

  2. A evolução da inadimplência rural, após os efeitos das renegociações safra 2025/2026;

  3. Eventuais revisões formais de guidance para o custo de crédito total do ano.

Até lá, a ação deve seguir pressionada pela volatilidade e pelo dilema entre um valuation convidativo e uma visibilidade ainda turva para a rentabilidade de curto prazo.

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Bolha Inversa nos EUA

13 de Agosto de 2026, 15:48

Bolha Inversa nos EUA

Nos EUA quem sobe rápido não é o preço da ação, é o lucro da empresa.

Numa bolha clássica o preço sobe e o lucro fica para trás. O investidor paga cada vez mais caro pela mesma fatia de lucro, apostando que o resto da história se resolve depois. Em 2026 o roteiro foi o inverso. O lucro do S&P 500 deve crescer 24% no ano, e o preço das ações não acompanhou na mesma proporção. O mercado não está pagando mais caro que o normal, está pagando menos do que no passado por um lucro que cresceu de verdade.

O S&P 500 subiu 22% em 2026 e bateu recorde em agosto. Mas o motor por trás do rali mudou de perfil. O índice de preço sobre lucro projetado caiu de 22,1 para 20 vezes no mesmo período, segundo a Bloomberg. Os lucros cresceram mais rápido que as cotações, não o contrário. Na temporada do segundo trimestre de 2026, 86% das empresas do S&P 500 superaram as estimativas dos analistas, contra média histórica de 78%, e o crescimento agregado de lucros chegou a 50,4% frente ao ano anterior.

Essa força deixou de estar concentrada nas Sete Magníficas. Setores tradicionais também puxaram o resultado. A Caterpillar reportou receita recorde de US$ 20,54 bilhões no segundo trimestre, avanço de 65% sobre o ano anterior. O CEO Joe Creed atribuiu o salto à demanda por geradores que vende e que são usados em data centers. É uma fabricante de máquinas pesadas surfando a inteligência artificial, sem vender um único chip.

Desempenho anual e morno das hyperscalers

O setor de energia deve registrar o dobro do crescimento na comparação anual neste trimestre, segundo o BofA, puxado pela alta dos preços da commodity em meio às tensões no Oriente Médio. Aeroespacial e defesa também aparecem entre os destaques do banco. A Honeywell, que fabrica componentes para aeronaves, superou estimativas logo no primeiro balanço depois da cisão da companhia.

No setor farmacêutico, a Eli Lilly reportou receita de US$ 23 bilhões no segundo trimestre, alta de 48%, puxada pelo Mounjaro. A empresa elevou o guidance anual e voltou a citar o retatrutide, próximo remédio da linha GLP-1, como aposta para os próximos anos. A demanda por tratamentos de obesidade segue sendo um dos poucos temas que sustentam crescimento de dois dígitos fora do universo da IA.

Os números mostram um mercado apoiado em fundamentos e espalhado entre setores. Máquinas pesadas, energia, farmacêuticas, varejo ligado a evento esportivo. O rali de 2026 não depende só de um punhado de gigantes de tecnologia.

Inclusive, as mag7 têm performance morna no ano, algo difícil de imaginar com o índice registrando novas máximas.

Fed ganha tempo, Coreia dispara e a bolsa brasileira continua com dificuldade

13 de Agosto de 2026, 10:06

As leituras benignas de inflação seguem sustentando o mercado americano: com CPI cravado no consenso e agora o PPI abaixo do esperado, a urgência de alta de juros no curto prazo diminuiu, e é isso que segura bolsa perto de recorde com juro longo naquela altura. Enquanto isso, o fluxo continua saindo do Brasil: o Ibovespa em real voltou à cotação de janeiro e segue performando pior que os pares emergentes, que sobem com a festa da IA asiática.

ONTEM (12 de agosto)

  • CPI de julho nos EUA em linha nas quatro leituras: 0,1% no mês e 3,4% no ano no cheio, 0,2% e 2,5% no núcleo. A aposta de alta do Fed em setembro caiu de 48% para 40% e o S&P 500 subiu 0,3%, à beira do recorde.

  • O Tesouro americano vendeu os 10 anos a 4,683% no leilão, maior taxa desde 2007.

  • Ibovespa caiu 0,23%, aos 167.491 pontos, sétimo pregão seguido de queda e novo menor nível desde janeiro. Câmara e Senado aprovaram o PLP dos combustíveis no mesmo dia, e Lula e Alcolumbre selaram a reaproximação.

HOJE / MADRUGADA (13 de agosto)

  • O Irã desmentiu Trump e afirmou que Ormuz permanece bloqueado até que suas condições sejam aceitas. Passam cerca de 13 navios por dia, ante 130 antes da guerra. Brent cai perto de 2%, a US$ 87.

  • Kospi subiu 3,6% e entrou em bull market: alta de 22% em 10 pregões, puxada por Samsung e SK Hynix. Lenovo saltou 19% em Hong Kong.

  • PPI de julho nos EUA veio abaixo do esperado: zero no mês e 4,7% no ano, ante 4,9% de consenso e 5,5% em junho. Bolsas sobem e os juros dos Treasuries caem na reação.

  • No Brasil, vendas no varejo de junho sobem 0,5%, acima dos 0,3% esperados; o varejo ampliado cai 1,0%.

  • PoderData: Lula 46% x Flávio 45% no 2º turno, empate técnico com margem de 2 pontos. No 1º turno, Lula 41% x 35%.

Nota rápida: a partir de hoje o Diário muda de formato. O resumo curto da manhã continua no WhatsApp; aqui entra direto o diário completo, com o recap, o resumo por tópico de tudo que li e a agenda. Assunto que já apareceu na edição anterior só volta pelo que mudou.

Daqui pra baixo é o flash read completo: tudo que aconteceu de ontem pra hoje, tópico por tópico, com a origem de cada informação. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Estados Unidos: Fed e juros

  • Aposta de alta em setembro fecha o dia em 40%, ante 48% na véspera (XP Macro Strategy, WSJ)

  • Chance de Fed parado até o fim do ano sobe a 28%, ante 11% um mês atrás; manutenção em setembro já é o cenário base, com 66% (CME, WSJ)

  • Leilão de 10 anos sai a 4,683%, maior taxa desde 2007; hoje tem o de 30 anos, esperado na maior taxa em 25 anos (Bloomberg Markets Daily)

  • Authers: todas as medidas de núcleo caíram, mas todas seguem acima de 2,5%; Warsh ganhou fôlego pra não subir, não pra cortar (Bloomberg/Authers)

  • Software parou de ficar mais barato no CPI após uma geração de queda, efeito da corrida de IA (Bloomberg/Authers)

  • PPI de julho sai zero no mês, ante 0,2% esperado, e desacelera de 5,5% pra 4,7% no ano, abaixo dos 4,9% de consenso (BLS via Bloomberg)

  • Energia puxou: gasolina no atacado caiu 5,7% e energia 3,1% no mês; retrato de julho, antes de o Brent voltar perto de US$ 90 (BLS)

  • Núcleo do PPI em 0,2% no mês, abaixo dos 0,3% esperados; no ano, 4,2%, em linha (BLS)

  • Detalhe que estraga o miolo: portfolio management saltou 6,5% no mês, e o componente entra direto no cálculo do PCE (BLS via Bloomberg)

  • Reação: bolsas sobem e juros dos Treasuries caem após o dado (Bloomberg)

  • Pedidos de auxílio-desemprego sobem a 209 mil, ante 202 mil esperados; contínuos recuam a 1,777 mi (TradeNews)

  • Beth Hammack, dissidente de julho a favor de subir, fala hoje (WSJ)

Petróleo e Oriente Médio

  • Irã desmente Trump: Ormuz permanece bloqueado até as condições serem aceitas (XP Furla News)

  • Tráfego no estreito perto da mínima de 3 meses: 13 navios por dia, ante 130 antes da guerra (Resumo do Mercado de Hoje)

  • Trump troca pressão militar por aperto econômico, a Operation Economic Fury do Bessent (Bloomberg)

  • Inflação no Irã em 77% ao ano; rial cai 10% desde o pré-guerra (Bloomberg)

  • São 2.200 sanções desde 2018 sem reabrir Ormuz nem parar o programa nuclear (Bloomberg)

  • Próximo degrau seria sancionar bancos chineses: China compra mais de 90% do petróleo iraniano, mas Trump vê Xi em setembro (Bloomberg)

  • IEA eleva o déficit de oferta a 1,8 mi de barris/dia no trimestre, mais que o dobro da projeção anterior (Bloomberg)

  • Brent cai perto de 2%, a US$ 87, devolvendo parte da alta de seis pregões (WSJ, XP Furla News)

  • Maersk eleva guidance a US$ 6,5 bi e sobe 7%, lucrando com o desvio de rotas (FT, XP Furla News)

  • Ucrânia ataca Novorossiysk e atinge terminais russos de grãos; trigo e milho disparam em Chicago, com USDA cortando a oferta global de trigo (Manual, NA/Reuters, Globo Rural)

IA e tecnologia

  • CoreWeave e Super Micro fecham em alta de 19% cada; índice de semis sobe 2,5% (WSJ Markets P.M.)

  • Kospi entra em bull market: +22% em 10 pregões, +3,6% hoje, puxado por Samsung e SK Hynix; ainda está 25% abaixo do pico de junho (Bloomberg, WSJ)

  • JPMorgan vê espaço pra seguir, mas em ritmo menor sem os ETFs alavancados que os reguladores coreanos esfriaram (WSJ)

  • Lenovo salta 19% em Hong Kong, recorde, com receita +43% (Bloomberg, WSJ)

  • Cisco cai com guidance de IA de US$ 7,5 bi lido como conservador; Cerebras -18%; StubHub -13% (Bloomberg, Barron’s, WSJ)

  • Tencent dobra o investimento em IA a US$ 7,8 bi no trimestre e a ação cai (Bloomberg)

  • CXMT, de memória, ultrapassa a Tencent como empresa mais valiosa da China (Bloomberg)

  • Anthropic negocia comprar a Decart por US$ 6 bi, maior aquisição antes do IPO (Bloomberg)

  • Cobre volta à máxima histórica; data centers já são 6% do capex em cobre (Bloomberg/Authers)

Japão e câmbio

  • Governo Takaichi passa a apoiar alta do BoJ em setembro ou outubro pra segurar o iene, perto da mínima de 40 anos (Bloomberg)

  • Risco em observação: Fed parado com BoJ subindo espreme o carry trade; em agosto de 2024, quadro parecido derrubou o S&P 6,1% em 3 dias (Barron’s)

Brasil: mercado e fluxo

  • Ibovespa cai 0,23%, aos 167.491, sétima queda seguida e menor fechamento desde janeiro; giro de R$ 24,2 bi (XP Macro Strategy)

  • Real de novo entre as moedas mais fracas; DI abre até 6 bps (XP Macro Strategy)

  • Estrangeiros já tiraram R$ 7 bi da bolsa em agosto, ante R$ 5,55 bi contados até a semana passada (Folha; Valor na véspera)

  • GQG, overweight Brasil, sofre US$ 4,5 bi de resgates em julho e US$ 19,6 bi no ano, mesmo com o fundo de emergentes batendo o índice em 6,4 pontos no mês (Australian Financial Review)

  • Posição da GQG na Petrobras caiu de 5,03% pra 4,99% em julho, saindo do gatilho que dá assento no conselho (fatos relevantes Petrobras via Reuters)

  • PMS de junho estável, ante -0,2% esperado; tracker de PIB do 2º tri da XP sobe de 0,40% pra 0,45% (XP Macro Strategy)

  • Vendas no varejo de junho sobem 0,5% no mês, ante 0,3% esperado, e 2,9% em 12 meses; o ampliado, com veículos e material de construção, cai 1,0% (IBGE via InfoMoney)

  • Mercado projeta IPCA 2026 em 5,06%, +3 bps; XP em 5,12% (XPInflation News)

  • Defasagem Petrobras: diesel 73% (R$ 2,39/L) e gasolina 41% (R$ 1,04/L) abaixo da paridade (Abicom via XPInflation News)

  • BC multa o Banco Genial em R$ 21,6 mi e inabilita o CEO por 4 anos (Resumo do Mercado de Hoje)

  • BNDES lucra R$ 9,2 bi no semestre, +25% (O Globo)

Brasil: fiscal e Congresso

  • Câmara e Senado aprovam o PLP dos combustíveis no mesmo dia; texto vai à sanção (XP Política)

  • Texto ampliado: etanol, agro, saúde, educação, Defesa, fertilizantes, minerais críticos e Copa Feminina, mais R$ 3 bi antecipados do Fundo Social, salvos por 3 votos (XP Política, O Globo)

  • Gatilho fiscal a partir de 2027 deve cortar R$ 10 bi de despesa, principalmente desacelerando o piso da saúde em R$ 6 bi, segundo técnicos do governo (G1, XP Política)

  • Congresso também autoriza até R$ 7 bi acima do teto e fora da meta pra Defesa em 2026 (CNN)

  • Lula e Alcolumbre selam reaproximação na segunda reunião: tudo destravado (Poder360, Folha)

  • PEC da 6x1 segue sem data; Alcolumbre chama o tema de delicado (CNN, Folha)

  • Mudanças no Simples em tramitação podem custar R$ 50 bi em dois anos (Valor)

  • Lula assina decretos do mercado livre de energia residencial, hidrogênio verde, carbono e SAF (Estadão, O Globo)

Brasil: eleição

  • Flávio lança hoje em live o plano Para o Brasil Vencer o Atraso (CNN, O Globo)

  • Miolo fiscal: despesa limitada também pela dívida sobre PIB, via PEC no primeiro ano, com tesouraço, menos ministérios e corte de supersalários (O Globo, Valor, CNN)

  • Plano mantém programas sociais, dobra a verba de segurança sem detalhar a origem e mira minerais críticos e data centers (Estadão, O Globo)

  • PoderData traz empate técnico no 2º turno: Lula 46% x Flávio 45%, com margem de 2 pontos; no 1º, Lula 41% x 35% (PoderData via TradeNews)

  • O quadro contrasta com a CNT/MDA de terça, que dava 8,9 pontos de vantagem, diferença que a própria XP já apontava como acima das demais sondagens (XP Macro Strategy)

  • Quaest sai sexta; Nexus na segunda (News XPress)

  • Campanha oficial começa sábado, dia 16, com Flávio abrindo no Rio (News XPress)

  • TSE se reúne hoje pra avaliar a proibição de deepfake e o vídeo de Bolsonaro por IA (G1, O Globo)

Outros

  • Morre Zhu Rongji, aos 97, o premiê que reformou as estatais chinesas e levou o país à OMC (FT, WSJ)

  • STF manda juízes de 7 tribunais devolverem penduricalhos; um magistrado do MA recebeu R$ 3,2 mi em abril (Folha, Estadão)

  • Lakers vendidos por US$ 12,5 bi a Bob Iger e Josh Kushner, recorde do esporte; Walter vende sob investigação do FBI 14 meses após comprar por US$ 10 bi (Bloomberg, NYT)

  • Shein deve abrir o livro do IPO em Hong Kong dia 20, mirando US$ 30 bi (Bloomberg)

  • PIB do Reino Unido cresce 0,4% no 2º tri, destaque do G7 no ano (ONS via News XPress)

AGENDA DA SEMANA

  • Ainda hoje: fala de Beth Hammack, dissidente de julho, o teste de como o Fed duro digere CPI e PPI comportados. Leilão de 30 anos do Treasury, que deve sair na maior taxa em 25 anos. Balanços de Applied Materials e Tapestry. No Brasil, leilão do Tesouro, Galípolo no evento dos 30 anos do FGC às 14h30 e a live de Flávio com o plano de governo. PoderData pode sair.

  • Sexta: vendas no varejo e sentimento do consumidor de Michigan nos EUA. Pesquisa Quaest prevista.

  • Sábado: começa oficialmente a campanha eleitoral, com Flávio abrindo no Rio de Janeiro.

  • Segunda: nova pesquisa Nexus prevista.

  • Ainda em agosto: PCE de julho, o índice preferido do Fed, e Jackson Hole, onde Warsh chega sem estar sob pressão depois do CPI comportado.

  • O caminho até setembro: payroll de agosto em 4 de setembro, CPI de agosto na segunda semana e a decisão do Fed em 15 e 16, com projeções e gráfico de pontos. Segue valendo o que escrevi ontem: é o CPI de agosto que decide, não o de julho.

Dado de inflação dos EUA em foco; Bolsa brasileira sofrendo

12 de Agosto de 2026, 10:07

ONTEM (11 de agosto)

  • Ibovespa caiu 2,50%, aos 167.874 pontos, menor nível desde janeiro, com o dólar subindo 1,0% a R$ 5,17.

  • JP Morgan rebaixou a bolsa brasileira de overweight para neutro, e os estrangeiros já retiraram R$ 5,55 bi da B3 em agosto.

  • IPCA de julho a 0,07% no mês levou os 12 meses de 4,64% para 4,44%, e o Brent fechou a US$ 88,91 depois de tocar US$ 90.

HOJE / MADRUGADA (12 de agosto)

  • CPI de julho nos Estados Unidos veio cravado no consenso nas quatro leituras: 0,1% no mês no cheio, 3,4% no ano, 0,2% no núcleo mensal e 2,5% no núcleo anual.

  • Depois do dado, o juro de 10 anos ronda 4,66% e a aposta de alta do Fed em setembro cede para cerca de 45%, ante 50% antes da divulgação.

  • Brent perto de US$ 89, depois de ataque no Mar Vermelho com 6 mortos e de disparo americano contra navio no Golfo de Omã.

O dado do dia era o CPI de julho nos Estados Unidos, e ele veio cravado no consenso nas quatro leituras. O núcleo em 0,2% no mês é exatamente o teto do que é compatível com a volta à meta de 2%, então o Warsh passou, mas passou raspando. O comitê apostou que a inflação voltaria aos 2% sem aperto adicional, com os choques de tarifa e de energia se dissipando, e essa previsão vinha escorregando porque os choques seguem se sobrepondo, com a alta de preço de equipamento e software ligada à corrida de inteligência artificial entrando por cima. O número de hoje devolve fôlego a essa aposta e tira o Warsh da parede antes de Jackson Hole. Resolver, não resolveu: a aposta de alta em setembro apenas cedeu de 50% para 45%, o Treasury devolveu parte do ganho porque parte do mercado esperava coisa melhor, e a conta vai para o CPI de agosto, que sai poucos dias antes da decisão de 16 de setembro. Ele precisa que agosto repita julho.

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Aqui a bolsa despencou de novo, e vale insistir num ponto: não foi a ata do Copom nem o IPCA. O painel de emergentes que acompanho mostra o Brasil caindo sozinho. Em sete dias corridos, o EWZ, o ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, perdeu 7,36% em dólar, enquanto os emergentes como classe ficaram de lado, com o EEM subindo 0,32%, e os pares diretos andaram para cima: Colômbia 3,87%, África do Sul 4,45%, Peru 2,10%. O real foi a única moeda grande de emergente a ceder para o dólar no período, num intervalo em que o índice do dólar ficou parado. Quando a bolsa e a moeda descolam na mesma direção, com o pano de fundo global neutro, não é commodity nem Fed: é dinheiro saindo daqui. O gatilho que ganhou nome foi o rebaixamento do JP Morgan, que citou piora na percepção de risco fiscal ligada ao processo eleitoral. Depois do CPI, o índice futuro por aqui seguia de lado.

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RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Giro: performance relativa do Brasil contra os pares

  • EWZ (Brasil) -7,36% em sete dias em dólar (TradingView).

  • EEM +0,32%, VWO +0,91% e EMXC +0,43% no mesmo período: emergentes como classe de lado a levemente positivos (TradingView).

  • Pares diretos em sete dias: Colômbia +3,87%, África do Sul +4,45%, Taiwan +3,58%, Peru +2,10%, Chile +0,05%, México -1,47% (TradingView).

  • ILF (LatAm 40) -4,82%, mas o fundo é cerca de metade Brasil, e o resto da região está no zero a positivo (TradingView).

  • O real foi a única moeda relevante de emergente a perder para o dólar no período (USDBRL +0,70%), com peso colombiano +2,28%, rand +1,39% e peso mexicano +1,09% (TradingView).

  • DXY praticamente parado em sete dias (-0,02%) e AUDUSD +0,28%: o pano de fundo global não explica a queda brasileira (TradingView).

  • No ano, EWZ +5,22% contra Coreia +65,58%, Taiwan +61,47%, Colômbia +34,70% e EM ex-China +27,82% (TradingView).

  • Real +5,79% no ano contra o dólar: praticamente todo o retorno do EWZ em 2026 vem do câmbio, não da bolsa (TradingView).

Estados Unidos: CPI e Fed

  • CPI de julho veio em linha nas quatro leituras: 0,1% no mês no cheio, 3,4% no ano, 0,2% no núcleo mensal e 2,5% no núcleo anual, todas iguais ao consenso (Bloomberg).

  • O núcleo subiu 0,22% no mês, o que derrubou a variação de 12 meses para 2,5% (WSJ/Timiraos).

  • Aluguel subiu 0,1% e respondeu por dois terços da alta do índice cheio, ou seja, o resto da cesta ficou quieto (Bloomberg).

  • Reação contida: o juro de 10 anos ronda 4,66%, ainda em queda no dia, mas devolvendo parte do ganho, sinal de que parte do mercado esperava um dado mais fraco (Bloomberg).

  • A aposta de alta do Fed em setembro cedeu para cerca de 45%, ante os 50% precificados antes da divulgação (Bloomberg).

  • Os números mensais isolados não acendem alerta de inflação e estão amplamente em linha com a meta do Fed, e o que Warsh precisa agora é um relatório de agosto com os mesmos números (Bloomberg).

  • Antes do dado, o mercado precificava cerca de 50% de chance de alta em setembro (Bloomberg, XP Furla News, SoFi).

  • Nick Timiraos, do WSJ, explica por que este CPI pesa mais que a média: as autoridades previram que a desinflação voltaria assim que os choques se dissipassem, e em vez disso eles seguem se sobrepondo, com a confiança nessa previsão escorregando (WSJ/Timiraos).

  • Ainda via WSJ/Timiraos: economistas esperam núcleo de 0,2% no mês; leituras nesse nível ou abaixo são compatíveis com a volta à meta de 2%, acima disso não são. O núcleo do índice preferido do Fed estava em 3,3% em junho, contra 2,8% um ano antes (WSJ/Timiraos).

  • Também via Timiraos: perguntado se juro mais alto seria o remédio, Warsh disse que poderia ser parte da solução, mas talvez não a principal, e sugeriu que a alta dos juros longos já teria feito parte do trabalho do Fed (WSJ/Timiraos).

  • O juro de 30 anos subiu enquanto Warsh falava na coletiva de julho e não voltou, fechando ontem a 5,24%; para James Egelhof, do BNP Paribas, o movimento sugere algo mais fundamental na percepção do mercado sobre o Fed do Warsh (WSJ).

  • Seis dos doze votantes já sinalizaram que poderiam apoiar alta se a inflação não melhorar, e três dissentiram em julho a favor de subir (WSJ/Timiraos).

  • Paul McCulley, ex-economista-chefe da Pimco, avalia que Warsh limitou as próprias opções ao falar com tanta ênfase sem se comprometer com ação (WSJ).

  • Ironia registrada por Timiraos: em abril de 2025 Warsh criticou a política de dependência de dados do Fed, chamando de precisão falsa e complacência analítica esperar por números revisáveis (WSJ/Timiraos).

  • Susan Collins, do Fed de Boston, apoiaria alta em setembro se a inflação seguir pressionada (FT).

  • Bloomberg Economics projeta o núcleo anual caindo a 2,4%, menor desde março de 2021 (Bloomberg).

  • UBS: posicionamento recorde vendido em títulos globais deixa o mercado vulnerável a uma reversão (Bloomberg).

  • Se o Fed segurar e o Banco do Japão subir em setembro, o risco passa a ser o desmonte do carry trade em ienes (Barron’s).

  • Vendas de casas usadas caíram 1,7% em julho, mínima de três meses (Bloomberg).

Petróleo e Oriente Médio

  • Houthis mataram 6 pessoas em ataque a navio no Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, as primeiras mortes em ataques a navios em mais de um ano (XP Furla News).

  • Forças americanas dispararam mísseis contra navio-contêiner que tentou romper o bloqueio no Golfo de Omã (WSJ, XP Furla News).

  • Brent fechou em alta de 1,4% a US$ 88,91 depois de tocar US$ 90, e hoje ronda US$ 89 (WSJ Markets P.M., XP Furla News).

  • Trump afirma que os Estados Unidos têm controle total de Ormuz e que o Irã pode ser destruído caso tente algo (News XPress, Bloomberg).

  • Irã reitera que o estreito segue fechado até que suas exigências sejam atendidas, enquanto o Paquistão diz que os dois lados estão perto de algum entendimento (Bloomberg, XP Fechamento).

  • Reserva estratégica americana abaixo de 300 milhões de barris, menor nível desde 1983 (XP Research, Barron’s).

  • Governo Trump projeta interrupção de cerca de 600 mil barris por dia até o fim de 2027 e elevou as projeções de preço de gasolina e diesel (Bloomberg).

  • Agência Internacional de Energia vê déficit maior de oferta com a reescalada do conflito (WSJ Markets A.M.).

Tecnologia e inteligência artificial

  • CoreWeave com o quinto trimestre seguido de receita recorde e carteira de contratos de US$ 104 bi, com a ação subindo 17% no pré-mercado (WSJ, Barron’s).

  • Super Micro com vendas quase dobrando no trimestre e ação em alta de 9% no pré-mercado (WSJ, Barron’s).

  • Kospi +3,7% com Samsung e SK Hynix, após relato de que a Temasek estuda investimento direto nas duas (Bloomberg).

  • Custo de proteção do crédito da Nvidia recuou depois do pacote de US$ 500 bi montado com Apollo, Blackstone, BlackRock, Brookfield, Goldman Sachs e KKR (Bloomberg).

  • Bank of America anuncia US$ 250 bi para a agenda America First, em data centers, energia e minerais críticos (FT, WSJ).

  • Anthropic passa a marcar textos e arquivos gerados por inteligência artificial no mundo todo, para atender à lei europeia (the news).

Brasil: política

  • Pesquisa CNT/MDA: Lula 48% e Flávio 39% no segundo turno, com a vantagem caindo de 12,5 para 8,9 pontos em dois meses (Estadão, XP Fechamento).

  • Hugo Motta declarou apoio à reeleição de Lula depois de o partido dele rejeitar coligação com Flávio Bolsonaro (Folha, XP News Clipping).

  • Lula se reúne com Alcolumbre hoje; o presidente do Senado sinaliza trégua, mas a PEC do fim da escala 6x1 só deve ser votada depois das eleições (Folha, O Globo, News XPress).

  • Comissão mista da MP que acaba com a taxa das blusinhas é instalada hoje, e o texto precisa ser votado até 8 de setembro (O Globo, News XPress).

  • Senado aprovou o Profert, com renúncia fiscal limitada a R$ 1 bi por ano, que deve entrar no PLP dos combustíveis junto com minerais críticos (Folha, XP Política, Estadão).

  • Michelle e Flávio se reuniram por uma hora e meia e gravaram vídeo juntos, no primeiro encontro depois da crise pública, mas ela não deve viajar nas agendas de campanha (Folha, Valor, O Globo, CNN).

  • Governo ficou sem verba para R$ 105,5 bi em despesas e restos a pagar, com Saúde e Educação entre os mais afetados (Estadão).

  • Moraes determinou busca e apreensão contra suposto informante de jornalista em caso ligado ao ministro Flávio Dino, e entidades de imprensa reagiram (Folha, Estadão, the news).

  • Faltam 53 dias para o primeiro turno (XP Política).

Outros

  • Nas primárias americanas, David Crowley derrotou a socialista Francesca Hong no Wisconsin, freando a ala progressista do partido (WSJ).

  • Tensão entre Scott Bessent e a primeira-ministra Sanae Takaichi sobre a política do Banco do Japão ameaça o esforço de socorro ao iene, que voltou perto de 160 por dólar (Bloomberg).

  • Colômbia declara emergência econômica após terremoto com mais de 180 mortos, com as exportações de café interrompidas (Bloomberg, Estadão).

  • Eclipse solar total na Europa hoje, o primeiro no continente desde 1999 (WSJ, NYT).

  • Ouro sobe 0,8%, a US$ 4.476 (WSJ Markets A.M.).

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: CPI de julho nos Estados Unidos já divulgado às 9h30, em linha com o consenso. No Brasil, PMS de junho, instalação da comissão mista da MP das blusinhas e Lula assinando decretos de combustíveis e energia às 15h. Balanços de Cisco e StubHub depois do fechamento e leilão do Treasury de 10 anos.

  • Quinta: PPI de julho e pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos. Fala de Beth Hammack, do Fed de Cleveland, uma das três dissidentes de julho, o que dá peso extra ao que ela disser depois do CPI. Leilão de 30 anos e balanços de Applied Materials e Tapestry.

  • Sexta: vendas no varejo, estoques e sentimento do consumidor de Michigan nos Estados Unidos.

  • Ainda em agosto: PCE de julho, o índice de inflação preferido do Fed, e Jackson Hole, onde Warsh tem a chance de explicar nos termos dele o que não explicou na coletiva de julho. Com o CPI comportado, ele chega lá sem estar sob pressão.

  • O caminho até setembro: payroll de agosto em 4 de setembro, CPI de agosto na segunda semana do mês e a decisão do Fed em 15 e 16 de setembro, que vem acompanhada das projeções e do gráfico de pontos. É o CPI de agosto que decide, não o de hoje.

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Inflação no Brasil deu folga em julho, mas o barril de petróleo bateu US$ 90 de novo

11 de Agosto de 2026, 09:51

ONTEM (10 de agosto)

  • Brent subiu 5,2%, a US$ 87,8, depois do Irã condicionar a reabertura de Ormuz a indenização de guerra e Trump responder cobrando compensação do próprio Irã.

  • S&P 500 caiu 0,1% e Nasdaq, 0,3%; o juro americano de 10 anos foi a 4,70%.

  • No Brasil, Ibovespa caiu 0,14%, aos 172,2 mil pontos, o dólar subiu 0,53%, a R$ 5,1106, e os juros futuros abriram, com o Jan33 avançando 10 bps.

HOJE / MADRUGADA (11 de agosto)

  • Ata do Copom às 8h: corte para 14% por unanimidade, sem sinalização de próximos passos. Às 9h, IPCA de julho em 0,07%, com os 12 meses caindo de 4,64% para 4,44%.

  • Brent tocou US$ 90 pela manhã e recuou para perto de US$ 88; o juro americano de 30 anos foi a 5,27%, máxima do ano.

  • Intel levantou US$ 20 bilhões em oferta de ações, um terço acima do alvo anunciado na véspera. Nikkei subiu 2,08%.

A guerra voltou a mandar no preço. O alívio em Ormuz que derrubou o Brent na semana passada durou dois pregões: o Irã condicionou a reabertura do estreito a indenização de guerra, e Trump respondeu na mesma moeda, cobrando compensação do próprio Irã, dizendo que a Marinha já limpou as minas e que o estreito virou uma “muralha de aço” americana. Resultado: o barril saiu de US$ 82 na sexta pra US$ 90 hoje cedo, os produtores do Golfo já tratam o bloqueio como permanente e o frete de supertanque encosta em US$ 500 mil por dia.

Por aqui, o dia foi de dados comportados: IPCA de julho em 0,07%, com a folga vindo justamente dos combustíveis que o barril ameaça encarecer, e ata do Copom sem novidade, tudo em aberto, data dependent. Amanhã o CPI americano é muito importante. Pode testar se Warsh é tão duro quanto o discurso.

Gráfico Bloomberg: variação diária do Brent desde o início da guerra com o Irã, destacando os dias movidos por falas de Trump

A retórica de Trump bate direto no Brent. Em abril, o acordo com o Irã afundou o petróleo 9,1% e a dúvida sobre o cessar-fogo devolveu 5,6%. Em julho, a ameaça de taxar em 20% os embarques de Ormuz disparou 9,6% num dia, e a promessa de “boa chance” de avanço derrubou 4,8% antes de novo ataque reverter tudo. Dados até 10 de agosto. Fonte: Bloomberg, com dados da ICE.

Segue o texto resumido que envio no WhatsApp:

Inflação no Brasil deu folga em julho, mas o barril bateu US$ 90 de novo

📅 11 de agosto. Bom dia.

📉 IPCA de julho em 0,07%, vs. 0,03% esperado, desacelerando: 12 meses caem de 4,64% pra 4,44%. Combustíveis recuaram 1,44%. Núcleos acima do previsto, mas em tendência de queda. Nada que mova mercado.

🏦 Ata do Copom sem grande novidade, tudo em aberto: data dependent, como os bancos centrais em geral. Pra XP, choques de oferta (energia, El Niño) e demanda pelo fiscal justificam manter a Selic. Mas a ata não fecha porta.

🛢️ Brent bateu US$ 90 pela manhã e recuou para US$ 88. Trump diz que a Marinha dos EUA limpou as minas de Ormuz e quem deve ser compensado são os EUA pelo Irã. Mesmo assim, Paquistão diz que ainda vão assinar algum acordo.

🇺🇸 Amanhã, CPI. Núcleo em 0,2% alivia Warsh; acima disso, precisa provar que é duro como diz. Mercado desconfia: juro de 30 anos na máxima, 5,27% (petróleo ajuda nisso).

🗳️ Futura: Lula 46,5 x 44 no 2º turno. Detalhe: Flávio lidera a rejeição, 47,1%.

Abaixo tudo de importante entre ontem e hoje (resumido com ajuda de IA)

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RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Petróleo e Ormuz

  • Trump: Marinha limpou as minas, “controle total” do estreito, e quem deve indenizar é o Irã (Bloomberg, BTG Morning Call).

  • Brent: +5,2% ontem, a US$ 87,8; US$ 90 hoje cedo; +46% no ano (Fechamento XP, BTG Morning Call, Bloomberg).

  • Estoques dos EUA no menor nível em quatro décadas; Jones Act suspensa por mais 90 dias pra energia (BTG Morning Call, Bloomberg).

  • Produtores do Golfo já tratam o bloqueio de Ormuz como permanente (WSJ).

  • Frete de supertanque na rota Golfo-Ásia perto de US$ 500 mil por dia (Bloomberg).

  • Rezaei, procurado pela Interpol pelos atentados de Buenos Aires, assume a segurança nacional do Irã (O Globo, Guga Chacra).

  • Ucrânia atacou a refinaria Taneco, na Rússia: ao menos 13 mortos; Zelensky alerta pra escalada de Putin (Bloomberg, NYT, BTG Morning Call).

IPCA e inflação no Brasil

  • IPCA de julho: 0,07%, vs. 0,03% do consenso; 12 meses de 4,64% pra 4,44% (IBGE, XP Macro Strategy).

  • Energia elétrica +3,09%, maior impacto do mês; alimentação -0,67%, com tomate caindo 29% (IBGE).

  • Combustíveis -1,44%: etanol -2,26%, gasolina -1,37%, diesel -1,22% (IBGE).

  • Núcleo médio +0,26%, acima do esperado, mas a média anualizada de 3 meses cai de 4,90% pra 4,56%; difusão de 54% pra 50% (XP Macro Strategy).

  • Gasolina 40% e diesel 70% defasados com o barril perto de US$ 90 (Abicom via XP Inflation News).

  • Silveira admite buscar “outro caminho” pro subsídio de combustíveis (Valor).

  • Câmara mira projeto que usa receita do petróleo pra cortar imposto de combustível (CNN Brasil).

  • Aneel julga hoje o recurso da Enel em São Paulo (O Globo).

  • Mercado livre de energia: decreto até a próxima semana, diz Silveira (MegaWhat).

  • Alimentos globais no maior nível em três anos; açúcar em máxima de 15 meses (FAO via Resumo do Mercado, Cepea).

Juros e inflação nos EUA

  • Juro de 10 anos a 4,73% e o de 30 a 5,27%, rondando as máximas do ano (WSJ).

  • CME: 81% de chance de o juro fechar o ano acima do atual, ante 77% na sexta (WSJ).

  • Hammack, do Fed de Cleveland: “algum número” de altas pode ser necessário (Bloomberg).

  • Dudley: Warsh minou a própria credibilidade ao sugerir trocar o PCE de lugar (Bloomberg Opinion).

  • TIPS de 30 anos pagando perto de 3% reais, maior nível em décadas (WSJ).

  • Lucro do S&P 500 acelerou pra 34% no 2º tri; tech caiu de 90% pra 55% do crescimento agregado (Bloomberg, John Authers).

O teste de Warsh (WSJ, via Timiraos)

  • CPI de julho e agosto decidem: alta em setembro ou pausa estendida (WSJ/Timiraos).

  • Núcleo em 0,2% ou menos é compatível com a meta de 2%; acima disso, não (WSJ/Timiraos).

  • Seis dos doze votantes já sinalizaram alta; três dissentiram em julho (WSJ/Timiraos).

  • Choque novo no diagnóstico: preço de equipamento e software de IA entrando na inflação americana (WSJ/Timiraos).

  • O juro de 30 anos subiu durante a coletiva de Warsh e não devolveu; pro BNP, sinal de algo mais fundo na percepção sobre o Fed dele (WSJ/Timiraos).

  • Válvulas de escape: revisão metodológica do PCE em setembro e Jackson Hole ainda neste mês (WSJ/Timiraos).

IA e financiamento

  • Nvidia: US$ 500 bi com seis casas de Wall Street pra financiar os próprios clientes; ação caiu 2,9% (WSJ, Bloomberg).

  • Intel levantou US$ 20 bi na oferta, um terço acima do alvo (Bloomberg, WSJ).

  • Anthropic: US$ 9,1 bi com a Riot por data centers; Riot +22% no pré (Bloomberg, WSJ).

  • Anthropic corre pro IPO avaliada em US$ 965 bi, possivelmente o maior da história (WSJ).

  • OpenAI recomprou US$ 7 bi em ações de funcionários a valuation de US$ 852 bi (Bloomberg).

  • SEC facilitou securitização lastreada em data center (Bloomberg).

  • Big techs somam US$ 2,7 tri em compromissos de longo prazo; o crédito já cobra prêmio maior (Barron’s).

  • Zuckerberg: ensaio de 6.500 palavras, modelo aberto novo e fundo de US$ 1 bi pra comunidades de data center (NYT/DealBook, Barron’s).

  • Escassez de memória vira lobby em Washington: Apple e fabricantes pedem ajuda ao governo (NYT).

  • ETFs alavancados concentrados em IA viram risco pro mercado inteiro (Bloomberg, Big Take).

  • Trump Media: prejuízo de US$ 238 mi, dez vezes maior, com a queda das criptos (Bloomberg, WSJ).

  • Hoje à noite reportam CoreWeave, Super Micro e Lumentum (WSJ).

Mercados globais

  • Ásia mista: Nikkei +2,08%, Kospi +0,73%, Shanghai -0,82% (BTG Morning Call).

  • Stoxx 600 sobe 12% no ano, com Alemanha, Itália e França em máximas (Bloomberg Markets Daily).

  • Emergentes valem menos da metade do S&P 500 em P/L, desconto recorde (Bloomberg).

  • Iene devolve metade da intervenção conjunta e volta a 159 por dólar (Bloomberg).

  • RBA manteve o juro, mas Bullock avisa: mais aperto é “bem possível” (Bloomberg).

  • Crédito privado: inadimplência no maior nível desde 2021 nos grandes fundos (WSJ).

  • China taxa nozes-pecã americanas em 54% às vésperas da visita de Xi (Bloomberg).

  • EUA anunciam US$ 3 bi em minerais críticos na disputa com a China (Bloomberg Economics).

Brasil, mercado e empresas

  • Ibovespa -0,14%, aos 172,2 mil, testando o suporte; PRIO +6%, Vamos -5,2% (BTG Morning Call, Resumo do Mercado).

  • Dólar +0,53%, a R$ 5,1106; juros futuros abriram até 10 bps (BTG Morning Call, Fechamento XP).

  • Focus: PIB de 2027 recua pra 1,52% (Fechamento XP).

  • OMC: EUA aceitam a consulta do Brasil sobre as sobretaxas; China quer participar (BTG Morning Call, Estadão).

  • JBS: primeiro prejuízo em 11 trimestres (US$ 102 mi); troca de CEO em 2027 (BTG Morning Call, Estadão).

  • Natura: lucro cai 92%, afetado por derivativos (BTG Morning Call).

  • Apex Partners pede pré-recuperação judicial após afastamento da diretoria (Resumo do Mercado).

  • CSN recebe propostas pela totalidade da unidade de cimentos (Resumo do Mercado).

  • Emissão de CRAs desaba 77% com a crise do agro (Resumo do Mercado).

  • Caso Oncoclínicas: dois executivos do Goldman indiciados; o banco nega (Estadão).

  • BC vai reter por 24h envios de cripto acima de US$ 10 mil ao exterior, a partir de 2027 (BTG Morning Call).

  • Endividamento da baixa renda bate 85%, quarto recorde seguido (Resumo do Mercado).

Brasil, fiscal

  • Orçamento de 2026 sem verba pra R$ 105,5 bi em despesas; Saúde e Educação na frente da fila (Estadão).

  • Despesa financeira do governo: R$ 149 bi só no primeiro semestre (O Globo).

  • Precatórios viram alvo de Fachin e Galípolo (Valor).

  • BRB: Fazenda descarta solução provisória; conciliação com Fux na quinta (O Globo, Estadão).

Brasil, política e eleições

  • Futura: Lula 46,5 x 44 no 2º turno, empate técnico; no 1º, 38,8 x 34,1 (Futura via XP Política).

  • O detalhe da Futura: Flávio lidera a rejeição, com 47,1%, acima até de Lula, com 45,9% (Futura via XP Política).

  • No histórico do instituto, os dois caem juntos desde maio; brancos, nulos e outros somam quase 20% (Futura via XP Política).

  • CNN: o conselho a Lula é anunciar ajuste fiscal logo após eventual vitória, sem repetir 2015 (CNN Brasil).

  • Motta declara apoio à reeleição de Lula após o Republicanos rejeitar Flávio (Folha).

  • PEC da 6x1 dificilmente passa no Senado em agosto (G1, News XPress).

  • São Paulo: Tarcísio 50,6 x 33,6 sobre Haddad no 1º turno (Ideia/ACSP via Estadão).

  • PT e PL turbinam o fundo eleitoral das candidaturas ao Senado (Estadão).

  • Zema quer MP pra privatizar a Petrobras no primeiro dia, diz assessor; Caiado cita Armínio Fraga como conselheiro (Estadão, CNN Brasil).

  • Milei compartilha post em que Lula é chamado de porco (Folha).

  • Eleitorado 60+ vira quase um em cada quatro votos, recorde (TSE via the news).

  • Taxa das blusinhas: Congresso decide até 8 de setembro (Estadão, News XPress).

Internacional, outros

  • Colômbia: terremoto de 7,4 mata ao menos 132 e atinge a região cafeeira (Bloomberg, Estadão).

  • É o primeiro teste de De la Espriella, empossado na sexta prometendo cortar 40% do gasto (Bloomberg Politics).

  • Adani tem o caso de fraude arquivado nos EUA (Bloomberg).

  • Trump corta de 17 pra 11 as vacinas infantis recomendadas, repetindo tese sem base científica (NYT, WSJ).

  • Bezos e Saverin encaminham fatia do Liverpool a valuation de US$ 5,9 bi (Resumo do Mercado).

  • Drone com explosivo atinge cargueiro ucraniano em Leipzig; suspeita de sabotagem russa (Bloomberg Businessweek).

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: vendas de moradias nos EUA às 11h; leilão do Tesouro às 11h30; reunião ministerial com Lula às 16h. À noite, CoreWeave, Super Micro e Lumentum reportam: o termômetro do trade de IA. MDA pode sair às 11h.

  • Quarta: o dado da semana, CPI de julho nos EUA às 9h30 de Brasília. Núcleo em 0,2% é a linha de corte pro Warsh. Leilão de Treasury de 10 anos e balanço da Cisco.

  • Quinta: PPI e seguro-desemprego nos EUA, fala de Hammack (dissidente que votou por alta), leilão de 30 anos, Applied Materials. Aqui, conciliação do BRB com Fux. PoderData pode sair.

  • Sexta: vendas no varejo e Michigan nos EUA. Quaest pode fechar a rodada de pesquisas da semana.

  • Domingo: ato de lançamento da campanha de Lula em São Bernardo do Campo.

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Ouro voando, bolsa americana voando. Por que a bolsa daqui não foi junto?

10 de Agosto de 2026, 09:25

ONTEM (sexta a domingo, 7 a 9 de agosto)

  • Payroll de julho nos EUA destruiu 23 mil vagas, ante consenso de +80 mil, com revisão de -103 mil em maio e junho; desemprego caiu a 4,1% com menos gente procurando trabalho. O S&P 500 fechou a semana na máxima histórica, +3,5%.

  • Ibovespa caiu 1,7% na sexta, aos 172,5 mil pontos, e 3,1% na semana; o dólar fechou a R$ 5,08 e a curva de juros fechou na semana, com o DI jan/36 cedendo 25 bps.

  • No fim de semana, o Irã condicionou a reabertura de Ormuz a uma lista de exigências, atacou mais um navio dos Emirados e os houthis atingiram a refinaria de Jazan, da Aramco.

HOJE / MADRUGADA (10 de agosto)

  • Ásia fechou em alta (Nikkei +2,1%), futuros em NY sobem levemente e o Brent volta a US$ 84, +1% no dia.

  • Nexus: Lula 47% x Flávio 44% no 2º turno, vantagem de 1 pra 3 pontos, ainda dentro da margem de 2 pontos.

  • Na China, a inflação ao consumidor desacelerou ao menor ritmo em seis meses, reacendendo o debate de deflação por lá.

Na sexta escrevi que um payroll fraco era o cenário que o Brasil precisava. O dado veio ainda mais fraco do que qualquer projeção, a aposta de alta de juros nos EUA murchou, e o dinheiro liberado foi pra outro lugar: o índice de semicondutores subiu 5,5% na semana, a Nvidia sozinha somou US$ 562 bilhões de valor de mercado, a Ásia renovou as apostas em IA, com Taiwan subindo 5,4% e o Japão indo junto, e o ouro teve a maior alta semanal desde janeiro, +7,3%. Nessa rotação, a bolsa brasileira não tem cadeira em nenhuma das duas festas: sem fabricante de chip no índice, sem mineradora de ouro relevante, e ainda carregando o peso do petróleo justamente na semana em que o alívio em Ormuz derrubou o Brent 5,8%. O resultado foi um Ibovespa caindo 3,2% em dólar enquanto quase tudo no mundo subia, vizinhos incluídos: Chile +3,1%, Peru +4,6%, México +0,4%, e o índice da América Latina só fechou negativo porque o Brasil é metade dele. Nem o câmbio salva a narrativa de azar coletivo: o real ficou parado na semana enquanto peso mexicano, peso chileno e rand se fortaleceram. Quando as moedas de commodity sobem e a nossa fica de fora, a história é local.

E a história local tem três camadas, nenhuma dramática sozinha. Não foi debandada: o estrangeiro tirou modestos R$ 834 milhões da B3 na semana, e os vizinhos que subiram são mercados rasos, então o dinheiro grande não escolheu outro endereço, ele só não veio pra cá. O que faltou foi motivo. Com 39% da cobertura da XP já reportada, só 16% das empresas superaram as estimativas de EBITDA: a temporada não decepciona em bloco, mas não surpreende ninguém pra cima, enquanto o S&P caminha pro sétimo trimestre seguido de lucro crescendo dois dígitos. O custo do calote sobe em bolsões nos bancos (agro, baixa renda e pequenas empresas, com o Santander sofrendo, por exemplo). E a eleição segue indefinida no pano de fundo. A conta fecha numa bolsa a 8,5x lucro, bem abaixo da média histórica de 10,5x, mas barato sem gatilho não fecha desconto sozinho. A semana pode mexer nas duas pontas: amanhã saem IPCA de julho, que pode até ser negativo, e a ata do Copom, com a curva dando 70% pra novo corte em setembro; na quarta, o CPI americano pode definir caminho de juros da próxima reunião do Fed. Enquanto o convite não chega, a gente fica na porta olhando a festa dos outros.

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Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Ouro voando, bolsa americana voando. Por que a bolsa daqui não foi junto?

📅 10 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

🇺🇸 Payroll destruiu 23 mil vagas, ante 80 mil esperadas, e derrubou a aposta de alta de juros. S&P na máxima histórica.

📈 IA, com o índice de chips subiu 5,5% semana passada, e ouro, +7,3%, maior alta semanal desde janeiro.

🇧🇷 Juros e câmbio pegaram carona: DI fechando e dólar a R$ 5,08. A bolsa caiu 3,2% em dólar na semana, na contramão. A conta é simples: sem IA nem ouro no índice, balanço sem surpreender e eleição indefinida no fundo. E o alívio em Ormuz derrubou 5,8% o Brent, nosso peso maior.

🛢️ O Irã listou o preço de Ormuz: fim da guerra, saída das tropas e indenização. Trump prefere esperar a economia deles doer. Brent a US$ 84.

🇧🇷 Amanhã, IPCA, que pode ser negativo, e ata do Copom, com a curva dando 70% pra novo corte. Quarta, o dado da semana: CPI nos EUA, que define o Fed.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Geopolítica e Ormuz

  • Irã lista condições para reabrir o Estreito: fim permanente da guerra, retirada das forças americanas, fim do bloqueio naval e de todas as sanções, liberação de ativos congelados, indenização de guerra e fim de ações contra milícias aliadas; declaração de Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (WSJ, NYT, Bloomberg, News XPress).

  • Irã descarta negociação direta com os EUA por ora, alegando violações do acordo interino de junho; o chanceler Araghchi diz que o acordo com Omã está em estágio final, mas ressalta que ele sozinho não reabre a via (Bloomberg, BTG Morning Call, News XPress).

  • Trump diz à Axios que está apenas semi-negociando e prefere esperar a dor econômica iraniana em vez de novos ataques (Bloomberg, WSJ).

  • Emirados acusam a Guarda Revolucionária de atingir um navio no sábado; a Adnoc contabiliza 3 navios atingidos na semana e 15 desde o início da guerra (WSJ).

  • Centcom informa ter desviado 55 embarcações comerciais de portos iranianos para fazer valer o bloqueio; a crise já dura mais de cinco meses e afeta rota de cerca de 1/4 do petróleo e 1/5 do GNL marítimos globais (BTG Morning Call).

  • Houthis atacam a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco; incêndio extinto sem feridos, segunda ocorrência em um mês (Bloomberg, BTG Morning Call).

  • Irã promove ex-comandante linha-dura ao topo do conselho de segurança nacional (Bloomberg).

  • Pentágono pede às empresas de defesa aceleração na produção de armas por temor de escassez agravada pela guerra; o NYT nota que a guerra consumiu estoques americanos e que Rússia e China observam (Bloomberg, NYT, WSJ).

  • Israel rejeita o plano de 15 pontos apoiado por Washington para desarmar o Hamas (NYT, Bloomberg).

EUA: payroll, juros e Fed

  • Payroll de julho: -23 mil vagas, ante consenso de +80 mil, com revisão de -103 mil em maio e junho; desemprego a 4,1% com queda de participação; setor público -53 mil e privado +30 mil (XP Macro Strategy, BTG Morning Call, Bloomberg).

  • Dado lido como claramente dovish, reduzindo a chance de alta de juros em setembro (BTG Morning Call, Bloomberg, FT).

  • CPI de julho sai quarta: consenso de +0,1% no mês e 3,4% no ano, ante 3,5% em junho; núcleo em 2,5% a/a seria o menor desde fevereiro (Bloomberg, WSJ).

  • Debate sobre sazonalidade: JPMorgan vê repetição do padrão fraco dos dois últimos verões e números melhores adiante; Santander US diz que o Fed entrou em pânico nos dois setembros anteriores e desta vez deve olhar através do dado (Bloomberg Economics Daily).

  • Barkin, do Fed de Richmond, descreve mercado de trabalho em equilíbrio fraco, com crescimento perto de zero da força de trabalho (WSJ).

  • Bessent sinaliza a traders que quer evitar disparada dos juros longos, após a taxa longa tocar máxima de 19 anos (Bloomberg, WSJ).

  • Hammack, do Fed de Cleveland e uma das três dissidentes por alta em julho, fala na quinta (WSJ).

Mercados globais e temporada

  • S&P 500 fechou a semana na máxima histórica, acima de 7.700 pontos pela primeira vez: +3,5% na semana, com Nasdaq +5,1% e Dow +3,0% em dólares (XP Estratégia de Ações, Bloomberg).

  • Ibovespa foi o destaque negativo do painel global da XP na semana, -3,2% em dólares, com Hong Kong (-0,9%) como o outro índice no vermelho da lista (XP Estratégia de Ações).

  • Temporada americana caminha pro sétimo trimestre consecutivo de crescimento de lucro de dois dígitos; a capa do WSJ de hoje credita aos balanços o rali recorde e o alívio do medo de dependência de meia dúzia de ações de IA (WSJ).

  • JPMorgan eleva o alvo do S&P 500 pela segunda vez em dois meses, citando lucros fortes e o retorno do gasto em IA (Bloomberg Markets Daily).

  • Palantir disparou 39,8% na semana após receita +93% a/a; SpaceX subiu 22,8% apesar do capex trimestral de US$ 18,4 bilhões (XP Estratégia de Ações).

  • Berkshire recomprou US$ 4,5 bilhões em ações no 2T, maior volume desde 2021, e aplicou quase US$ 20 bilhões em outras ações sob Greg Abel; posições do trimestre saem sexta (Bloomberg, WSJ).

  • Europa: Stoxx 600 subiu todos os dias da semana passada, maior sequência desde junho, com lucros crescendo 17%, melhor em quatro anos (Bloomberg).

  • Iene é a pior moeda do G-10 com o efeito da intervenção conjunta EUA-Japão se esvaindo; o dólar subiu 1,05% contra a moeda na semana (Bloomberg, painel TradingView).

Trade de IA, ouro e crédito

  • Índice de semicondutores PHLX subiu 5,5% na semana e acumula +18% desde a mínima de 29 de julho, mas ainda precisa de +18,4% para reencostar no pico de 22 de julho; a Nvidia subiu quase 12% na semana, somando recorde de US$ 562 bilhões de valor (WSJ).

  • Ouro subiu 7,3% na semana, maior alta semanal desde o fim de janeiro, com ETFs comprando 24 toneladas desde 20 de julho, ritmo mais rápido desde abril, e o índice de mineradoras dos EUA na melhor semana em uma década; o metal ainda está longe do pico acima de US$ 5.400 de janeiro (Bloomberg Markets Daily).

  • Authers mostra spreads de crédito dos principais nomes de IA abrindo: seis grupos de tecnologia já respondem por 8,4% do risco de spread do mercado de grau de investimento americano, mais que os seis maiores bancos (7,3%), segundo o Barclays; capex dos cinco hyperscalers deve passar de US$ 1 trilhão no ano que vem (Bloomberg/Points of Return).

  • Fluxo de caixa livre dos hyperscalers em queda: Alphabet negativo pela primeira vez desde a abertura de capital e Meta com tombo de 91% a/a (Bloomberg/Points of Return).

  • TSMC reporta vendas mensais +45%, sinal de demanda sustentada por hardware de IA (Bloomberg Markets Daily).

  • China aperta margem, aluguel de ações e derivativos nas corretoras após o frenesi de ações de IA; o saldo de margem caiu a 2,6 trilhões de yuans, de mais de 3 trilhões em junho (Bloomberg).

China e Ásia

  • Inflação ao consumidor na China desacelera ao menor ritmo em seis meses em julho e a inflação ao produtor cede pela primeira vez desde o início da guerra, ambas abaixo do esperado, reacendendo o risco de deflação; obs.: as fontes divergem nos números exatos de headline e núcleo, então deixo os percentuais fora até bater as séries (Bloomberg, FT, News XPress).

  • Coreia: liquidações forçadas somaram cerca de 1 trilhão de wones em junho e 993 bilhões em julho, e o Morgan Stanley vê a desalavancagem mais da metade concluída; o Kospi negocia a 5,1x lucro projetado, mínima histórica, com estrangeiro ainda vendendo (Bloomberg).

  • Tufão Dolphin atinge a costa da China com mais de 1.680 voos cancelados e centenas de milhares de evacuados (Bloomberg).

Brasil: mercado, temporada e bancos

  • Ibovespa fechou a sexta em queda de 1,73%, na casa dos 172,5 mil pontos, e caiu 3,1% em reais na semana; dólar recuou 0,46% na sexta, a R$ 5,0835, e a curva fechou na semana, com o DI jan/36 cedendo 25 bps, a 14,41% (BTG Morning Call, XP Estratégia de Ações).

  • A queda do petróleo na semana (Brent -5,8%) pesou no setor mais pesado do índice, com Óleo, Gás e Petroquímicos recuando 3,1% e Petrobras caindo 6,5%; balanços fracos completaram o quadro, com Marcopolo -15,1% e Magazine Luiza -12,7%, e Fleury +10,8% na outra ponta (XP Estratégia de Ações).

  • Fluxo na B3: estrangeiro tirou R$ 834 milhões na semana até 5 de agosto e o institucional, R$ 1,9 bilhão; no ano, estrangeiro acumula entrada de R$ 35,6 bilhões e o institucional, saída de R$ 41,9 bilhões (XP Estratégia de Ações, com dados da B3).

  • Temporada do 2T26: com 55 companhias reportadas (39% da cobertura da XP), 25% superaram receita, 16% superaram EBITDA e 38% superaram lucro; números relativamente em linha, com exceções relevantes (XP Estratégia de Ações).

  • Curva precifica cerca de 70% de chance de novo corte de 0,25 ponto em setembro, após comunicado do Copom lido como mais conservador, com balanço de riscos de assimetria altista pra inflação (XP Estratégia de Ações).

  • Valuation: Ibovespa negocia perto de 8,5x lucro projetado, abaixo da média histórica de 10,5x, com as estimativas de lucro do consenso de lado desde junho (XP Estratégia de Ações).

  • Custo do calote subindo em bolsões nos bancos: Santander lucrou R$ 3 bilhões no 2T, tombo de 17,6%, com provisões de R$ 7,65 bilhões (+11,5% a/a) e a maior queda da ação em um pregão desde 2022; a pressão se concentra em pessoas físicas de menor renda, agro e pequenas empresas, e parte do número é efeito contábil da mudança de write-off (Seu Dinheiro, Genial, Monitor Mercantil).

  • Bradesco lucrou R$ 7,05 bilhões, mas as provisões subiram 22,6%, a R$ 10 bilhões, e a inadimplência acima de 90 dias foi de 4,1% pra 4,3%, com o banco apontando pressão no rural; o Itaú é o contraexemplo, com inadimplência estável em 1,9% e lucro de R$ 12,4 bilhões, +7,8% (EBC, InfoMoney, BPMoney).

  • Inter reportou dia 5: lucro recorde de R$ 421 milhões, +34% a/a, ROE de 16,3% e 13º trimestre seguido de crescimento; a administração enquadra a alta da inadimplência como escolha de estratégia, e o BTG calcula que mais de 80% do aumento veio do consignado privado (Reuters, InfoMoney, Seu Dinheiro, Finsiders).

  • Renda disponível do brasileiro caiu ao menor nível da série histórica, pressionada por inflação e juros altos; consumo fraco, crédito caro e endividamento pressionam varejistas (Estadão, Folha).

  • BC cria retenção de até 24 horas para remessas cripto acima de US$ 10 mil a prestadoras no exterior, válida a partir de 2027 (BTG Morning Call).

  • Inflação: pra julho, a XP projeta IPCA de -0,02% e o Focus, +0,08%; pra 2026, XP em 5,14% e Focus em 5,03% (XP Inflation News).

  • Abicom vê defasagem da Petrobras de 53% no diesel e 24% na gasolina; Motta pauta projeto que reduz impostos sobre combustíveis e o CFO da Petrobras nega defasagem (XP Inflation News, SBT, CNN Brasil).

Brasil: política e eleições

  • Nexus: Lula 40% x Flávio 35% no 1º turno e 47% x 44% no 2º, com a vantagem subindo de 1 pra 3 pontos, ainda dentro da margem de 2 pontos; 2.001 entrevistas de 7 a 9 de agosto (XP Política, News XPress).

  • PT protocola o plano de governo no TSE: mantém o arcabouço fiscal, mira o sistema de emendas, promete fim da escala 6x1, Ministério da Segurança Pública e mudanças na legislação trabalhista, sem citar redução do limite de gastos (News XPress, Estadão, Valor, Folha).

  • Genial/Quaest: só 11% dos eleitores priorizam impeachment de ministro do STF na escolha do senador; 31% querem emendas e obras pro estado (O Globo/Thomas Traumann).

  • Lula fecha apoio a Motta na Câmara em 2027 e tenta pacto com Alcolumbre em jantar na casa de Moraes; Sidônio Palmeira fica formalmente fora da campanha (Estadão, O Globo, News XPress).

  • Congresso volta em semana de esforço concentrado: Planalto tenta destravar a PEC da 6x1 e a MP do fim da taxa das blusinhas, que precisa ser votada até 8 de setembro (CNN Brasil, News XPress).

  • Tarcísio e Haddad nacionalizam o primeiro debate em SP, com embates sobre segurança e privatizações (Folha, Estadão, G1).

  • Disputa entre o ministro Andre Mendonca e o diretor-geral da PF pelo controle dos inquéritos do Master e do INSS; a holding de Vorcaro foi liquidada nas Ilhas Cayman (O Globo/Traumann, Estadão).

Commodities e proteína

  • EUA pagam preço recorde pela carne bovina brasileira em julho; açúcar fecha a semana em máximas de até 11 meses com temor de oferta restrita (XP Inflation News).

  • Sunrise Energy Metals fecha em alta de 16% após empréstimo de US$ 400 milhões do governo americano pra primeira mina primária de escândio do mundo, no esforço de reduzir a dependência da China em terras raras (BTG Morning Call, WSJ).

  • JBS reporta hoje após o fechamento, com teleconferência amanhã às 10h; cruza com o preço recorde da carne nos EUA e abre a leitura de proteína da semana, que fecha com MBRF na quinta (RI da JBS, WSJ, XP Inflation News).

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: Boletim Focus; balanços de Embraer, Caixa Seguridade, Natura, São Martinho e Grupo SBF, e JBS após o fechamento; lá fora, Barrick, Simon Property, Rocket Lab e Trump Media.

  • Terça: IPCA de julho (XP vê deflação de 0,02%) e ata do Copom, o dia que testa os 70% da curva pra setembro; balanços de BTG Pactual, B3, Taesa, Cury e Direcional; CoreWeave e Super Micro lá fora; primárias em seis estados americanos.

  • Quarta: CPI de julho nos EUA às 9h30, o dado da semana: consenso de +0,1% no mês e 3,4% no ano; no Brasil, PMS de junho e a superquarta de balanços, com Banco do Brasil (o teste do calote rural), Sabesp, Rede D’Or, Suzano e Braskem; Tencent e Cisco lá fora.

  • Quinta: PPI americano e fala de Hammack, dissidente por alta em julho; vendas do varejo de junho no Brasil; balanços de Nubank e PagBank (a leitura de baixa renda), CPFL, Cemig, MBRF, Cyrela e Vamos; Applied Materials lá fora.

  • Sexta: vendas do varejo de julho nos EUA, sentimento de Michigan e PIB do 2T da zona do euro; posições do 2T da Berkshire; balanços de Vibra, Copasa, Cosan e Simpar.

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JPMorgan eleva PIB americano mesmo com payroll fraco

9 de Agosto de 2026, 09:04

Nota do editor

Esta semana foi a vez de Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Pra quem não sabe, Campo Grande é uma praça onde a Nomos ainda não tem operação física. A ideia era justamente ir até lá, estreitar o relacionamento com clientes que já atendemos e conhecer novos.

Obrigada a todos que participaram.

E desejo a todos um feliz dia dos pais.

Panorama da Semana

Nos Estados Unidos o payroll de julho trouxe sinais mistos. A taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%, o menor nível desde o início do ano passado, e as continuing claims confirmam essa tendência de queda. Mas o lado ruim veio da folha de pagamentos, que caiu 23 mil vagas, com revisões para baixo que deixam a média móvel de três meses em apenas 20 mil.

Apesar desse quadro fraco de emprego, os indicadores de atividade vieram fortes o suficiente para o JPMorgan elevar a projeção de PIB do terceiro trimestre de 1,75% para 2,5%.

A produtividade também surpreendeu para cima no segundo trimestre, subindo 1,4% anualizado contra projeção de apenas 0,5%. Combinada com o crescimento moderado de salários, essa dinâmica sugere que o mercado de trabalho não está gerando pressão relevante sobre a inflação no momento.

No campo institucional o governo reabriu a tentativa de remover a diretora do Fed, Lisa Cook, enviando carta para dizer que está “considerando” sua remoção e dando três semanas para resposta às acusações de fraude hipotecária. A expectativa é de novo desafio legal por parte de Cook. Isso traz incerteza sobre sua presença na reunião de setembro do FOMC.

Para a semana o CPI de julho é o dado mais importante, com projeção de núcleo em 0,22% no mês. Esse número provavelmente não basta para justificar uma alta de juros em setembro, mas leituras repetidas perto de 0,3% poderiam mudar esse cálculo. As vendas no varejo saem na sexta, com expectativa de queda de 0,4%, puxada por gasolina mais barata e enfraquecimento em outras categorias, parcialmente distorcida pela mudança do Amazon Prime Day de julho para junho.

No Brasil o Copom cortou a Selic em 25 pontos base para 14,00%, dentro do esperado, com comunicado que deixou o próximo passo em aberto. A leitura reforça a mensagem recente do presidente Galípolo: os dados vão ditar quanto tempo dura o ciclo de calibração. A visão de corte final de 25 pontos em setembro já está bastante precificada pelo mercado, embora exista risco de esse corte ter sido o último caso as condições financeiras apertem e o real desvalorize.

Os dados da semana mostram acomodação da atividade e da inflação no meio do ano. A produção industrial de junho caiu 1,8%, bem abaixo do esperado. Para a semana que vem a expectativa é de queda em serviços e no varejo, além de IPCA de julho ainda benigno, puxado por alimentos in natura e combustíveis. No campo eleitoral Lula e Flávio Bolsonaro confirmaram suas candidaturas, com pesquisas mostrando Lula na frente mas Flávio melhorando sua intenção de voto, o que reforça a visão de corrida competitiva.

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O dado decidiu no lugar do Fed?

7 de Agosto de 2026, 10:13

ONTEM (6 de agosto)

Brent subiu 5%, a US$ 83,4, depois que o Irã atacou alvos no Estreito de Ormuz e vazou que o esboço com Omã prevê barrar navios americanos e israelenses e exigir compensação de países hostis.

No Brasil, Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546 pontos, com Vale e Banco do Brasil pressionando, e o DI longo abriu de 12 a 14 bps após leilão de prefixados maior que os das duas semanas anteriores. Dólar recuou 0,41%, a R$ 5,107.

Nos EUA, S&P 500 caiu 0,2% e Nasdaq 0,1%. A SpaceX subiu 6,1% no dia em que US$ 100 bilhões em ações saíram do lockup, e a Alphabet levantou US$ 25 bilhões em bonds com US$ 115 bilhões em ordens.

HOJE / MADRUGADA (7 de agosto)

Payroll de julho veio negativo: os EUA perderam 23 mil vagas, contra expectativa de criação de 80 mil, e maio e junho foram revisados para baixo em 103 mil. A taxa de desemprego caiu a 4,1%, mas com a participação na força de trabalho no menor nível desde fevereiro de 2021.

Na CME, a chance de alta de juros em setembro caiu para 46,3%, contra 53,8% de manutenção e 0% de corte. Nos swaps, foi de 58% para 44%. O treasury de 2 anos cedeu 8 bps, a 4,17%, e o índice de dólar da Bloomberg recuou 0,4%.

No Brasil, a reação veio na hora, mas desigual ao longo da curva: o DI de janeiro de 2029 caía cerca de 11 bps, a 14,01%, enquanto o de janeiro de 2035 cedia perto de 5 bps, a 14,39%. O dólar futuro recuava 0,64%, a 5.108, e o índice futuro subia 0,33%, a 176.360 pontos.

Exportações da China subiram 23,9% em julho, com chips avançando 117%. O ouro caminha para a melhor semana desde janeiro e o Brent cede para a casa dos US$ 82, depois de subir 5% ontem.

Hoje esperei até as 10h para mandar esta newsletter, porque queria o payroll na mão antes de escrever. Explico o porquê: tem uma frase que virou padrão em quase todo banco central do mundo, a de que a decisão depende do dado. O Fed de Warsh levou isso ao extremo e simplesmente parou de dar forward guidance. O Copom cortou a Selic na quarta e entregou um comunicado neutro, sem dizer nada sobre setembro. Quando ninguém se compromete com nada, cada dado vira uma decisão de juros por tabela. E às 9h30 o dado veio: os EUA perderam 23 mil vagas em julho, quando se esperava criação de 80 mil, e ainda levaram um corte de 103 mil nos números de maio e junho, que caíram de 129 mil para 63 mil e de 57 mil para 20 mil. O emprego americano já vinha parado antes de ficar negativo. A taxa de desemprego caiu para 4,1%, mas pelo motivo errado: a ocupação encolheu 87 mil e o número de desempregados caiu 178 mil, ou seja, gente deixando de procurar trabalho, com a participação na força de trabalho na mínima desde fevereiro de 2021. Na CME, a chance de alta em setembro caiu de 55% para 46,3%. Mas atenção: uma alta de 0,25 até dezembro segue integralmente precificada. Foi adiamento, não virada de mão por enquanto.

A reação chama atenção pelo tamanho, ou pela falta dele. Aqui, por volta de 10 horas (enquanto escrevo) o dólar futuro cai 0,64%, a 5.108, e o índice futuro sobe 0,33%. Lá fora, o S&P sobe 0,55% e negocia a 7.776, na máxima, depois de uma semana de alta de 2,9%, a melhor desde abril. Ou seja, a bolsa americana recebeu um payroll negativo estando no topo e mal se moveu, diante de uma surpresa que passa de 120 mil vagas somando a revisão. Quem reprecificou de verdade foi juro e câmbio. E na nossa curva o movimento veio desigual: o DI de janeiro de 2029 caía cerca de 11 bps, a 14,01%, devolvendo quase toda a abertura de ontem, enquanto o de janeiro de 2035 cedia perto de 5 bps, a 14,39%. O alívio de fora entra onde mora a expectativa de política monetária e para no meio do caminho, porque a ponta longa carrega prêmio fiscal e payroll americano não resolve conta fiscal brasileira. Fecho no personagem da semana: o Warsh chegou nesta sexta sob dúvida se seria mesmo duro com a inflação e com o WSJ revelando que Trump liga para ele fora de qualquer padrão. Ele tinha acabado de não subir juros e nem dizer que subiria. Aí vem um payroll negativo e, tira um pouco de pressão dele, né? Ressalva honesta: escrevo com a bolsa americana (mercado à vista) ainda fechada.

Abaixo a mensagem que eu mandei mais cedo. E depois todos os tópicos resumidos que recebi até às 9h.

Agora é acompanhar como o mercado vai reagir até o final do dia. E ficar atento aos acontecimentos em Ormuz!

Payroll hoje

📅 7 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

🇺🇸 O payroll provavelmente decide se o Fed sobe juros em setembro. Consenso de 83 mil vagas e desemprego em 4,2%. O mercado vem querendo se posicionar pra manutenção: a chance de alta caiu de 67% pra 55% na CME em uma semana.

📈 Se vier mais vaga que o esperado, o Fed provavelmente sobe e sai debaixo. O JPMorgan calcula S&P caindo até 1,8% se passar de 150 mil.

🇧🇷 Se vier fraco, ainda mais com as últimas sobre a credibilidade de Warsh, abre caminho pra manutenção e ajuda ativos de risco no mundo todo. É desse cenário que o Brasil precisa. Ontem: Ibovespa -1,2%, a 175,5 mil, e DI longo abrindo 14 bps dois dias depois do Copom cortar.

🛢️ E o acordo de Ormuz segue sem sair. Parlamentares iranianos já falam em barrar navios americanos e israelenses. O Irã atacou alvos no estreito e chamou Trump de “diplomacia de teatro”. Ontem Brent subiu 5% e hoje cai quase 2% a US$82.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Fed, juros e o payroll

  • Payroll de julho veio negativo: os EUA perderam 23 mil vagas no mês, contra expectativa de criação de 80 mil, e as leituras de maio e junho foram revisadas para baixo em 103 mil vagas somadas (BLS, via Bloomberg)

  • Abrindo a revisão: maio caiu de 129 mil para 63 mil vagas criadas, e junho, de 57 mil para 20 mil. Somando com julho, o mercado de trabalho americano já vinha praticamente parado antes de ficar negativo (Departamento do Trabalho dos EUA)

  • Taxa de desemprego caiu a 4,1%, ante expectativa de 4,2%, mas por encolhimento da força de trabalho: a ocupação recuou 87 mil na pesquisa domiciliar e o número de desempregados caiu 178 mil (BLS, via Bloomberg)

  • A participação na força de trabalho está no menor nível desde fevereiro de 2021 (Bloomberg)

  • Excluindo janeiro de 2025, o payroll já veio negativo em seis dos 18 meses desde a posse de Trump (Bloomberg)

  • Na CME, a chance de alta de juros em setembro caiu para 46,3%, contra 53,8% de manutenção e 0,0% de corte; nos swaps de juros, a probabilidade foi de 58% antes do dado para 44% depois (CME FedWatch, Bloomberg)

  • Uma alta de 0,25 ponto até dezembro segue integralmente precificada, ou seja, o mercado adiou a alta, não a descartou (Bloomberg)

  • O futuro do S&P 500 negociava a 7.776 nesta manhã, com máxima de 7.780 e alta de 0,55% no dia, rompendo o topo de junho, depois de subir 2,9% na semana, melhor desempenho semanal desde abril; a reação ao payroll veio em cima desse patamar (WSJ, cotações de tela)

  • Reação imediata: treasury de 2 anos caiu cerca de 8 bps, a 4,17%, o índice de dólar da Bloomberg recuou 0,4% e os futuros de ações subiram pouco, com S&P 500 em alta de 0,4% e Nasdaq 100 de 0,9% às 8h35 em Nova York (Bloomberg)

  • Antes do dado, a chance de alta em setembro estava em 55%, contra 67% uma semana antes e 49,1% um mês antes (CME FedWatch)

  • A Barron’s publicou que os 55% representavam queda ante 80% de julho; os dados da própria CME não sustentam essa comparação mensal (Barron’s, CME FedWatch)

  • JPMorgan havia projetado o S&P 500 caindo até 1,8% caso o payroll viesse acima de 150 mil vagas, cenário que não se materializou (Bloomberg)

  • FT reportou nesta manhã que Warsh pode ser mais hawkish do que o mercado imagina e apoiar alta já em setembro, a depender dos dados e da reação do mercado (FT, replicado pelo Valor)

  • Musalem, do Fed de St. Louis, disse que o banco central já está atrasado para subir juros e não pode tolerar inflação mais alta (Bloomberg, DealBook)

  • Bank of America mantém a chamada de três altas de juros em 2026 (DealBook)

  • Mark Cabana, do Bank of America, critica a estratégia de Warsh de deixar o mercado fazer o trabalho do Fed: sem controlar a ponta longa, o banco central perde a capacidade de calibrar (Bloomberg)

  • Bank of America diz que o otimismo do investidor está no nível mais extremo desde 2021 e recomenda começar a reduzir risco (Bloomberg)

  • Vanguard havia projetado apenas 18 mil vagas, com revisão relevante para baixo dos meses anteriores, cenário mais próximo do que de fato veio (DealBook)

  • Dados do Fed de Nova York mostram mercado de trabalho ruim para recém-formados (DealBook)

  • Ouro caminha para a melhor semana desde janeiro, a US$ 4.366, e o cobre passou de US$ 14 mil a tonelada com oferta apertada (Bloomberg, BTG Morning Call)

Geopolítica: Ormuz e Irã

  • Irã atacou “alvos hostis” no Estreito de Ormuz, segundo a agência semioficial Fars (Fars, XP Macro Strategy, Bloomberg)

  • Esboço do acordo com Omã, em análise no Parlamento iraniano, prevê barrar navios dos EUA e de Israel, exigir compensação de “países hostis”, vetar carga ligada a Israel e cobrar seguro e custo ambiental (Bloomberg, Fars)

  • Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e negociador-chefe, acusou Trump de praticar “diplomacia de teatro”; autoridades iranianas negam existir conversa direta em andamento (BTG Morning Call)

  • Trump afirmou que as negociações entre Irã e Omã estão “andando bem” (Bloomberg, Balance of Power)

  • Houthis fizeram ataque de larga escala contra forças do governo iemenita apoiado pelos sauditas e atingiram a região de Najran, na Arábia Saudita (Bloomberg, NYT)

  • Embarques de petróleo saudita para os Estados Unidos caíram a zero, com as refinarias americanas trocando de fornecedor (Bloomberg)

  • Capital Economics avalia que a retomada do PIB não petrolífero do Golfo depende de Ormuz reabrir por período prolongado; o PMI da região subiu a 52,5 em julho (Capital Economics, via WSJ)

Petróleo: a conta que não fecha

  • Brent fechou ontem em alta de 5%, a US$ 83,4, e hoje cede perto de 2%, na casa dos US$ 82 (XP Macro Strategy, BTG Morning Call, WSJ)

  • Analistas não conseguem fechar a conta dos estoques globais: para justificar a drenagem observada, a demanda teria caído 1 bilhão de barris, ou 6%, o dobro da queda de 2008, o que não bate com dados de tráfego aéreo e rodoviário (WSJ, com Ninepoint Partners e Simplify Funds)

  • Explicação mais provável, segundo o WSJ: não se sabia de fato quanto petróleo e derivado havia estocado no mundo no início da crise, já que boa parte do mundo em desenvolvimento não reporta como os EUA (WSJ)

  • Novo termômetro sugerido para acompanhar: a escassez de petroleiros dispostos a voltar à região por medo de ficarem presos ou atacados de novo, com as eleições de meio de mandato a três meses (Eric Nuttall, da Ninepoint, ao WSJ)

  • Defasagem da Petrobras: diesel -53% (R$ 1,75/L) e gasolina -24% (R$ 0,61/L), com petróleo a US$ 78 e câmbio a R$ 5,10 (Abicom, via XPInflation News)

  • EUA se tornaram os maiores fornecedores de diesel ao Brasil (Valor, via XPInflation News)

Iene, dólar e a linha do Fed

  • O iene devolveu quase metade do ganho da intervenção conjunta com os EUA, negociando a 158,4 por dólar, ante 155,2 na segunda e a mínima de quatro décadas perto de 164 na semana passada (Bloomberg, WSJ)

  • Swaps veem cerca de 60% de chance de alta de juros do Banco do Japão até setembro; o BoJ teria gasto cerca de US$ 87 bilhões em dois dias (Bloomberg)

  • FT revelou que os EUA venderam euros para sustentar o iene e só avisaram o Banco Central Europeu depois da operação; Lagarde e Bessent só conversaram no sábado seguinte, e parte da diretoria do BCE viu quebra inédita de convenção (FT, Bloomberg, DealBook)

  • Bessent quer que o Fed eleve o teto de US$ 60 bilhões da linha de repo usada para emprestar dólares ao Japão, o que expande o balanço do Fed e injeta liquidez (WSJ, via James Mackintosh, e Bloomberg)

  • Idanna Appio, da First Eagle, avalia que a intervenção compra tempo para uma política mais crível, mas sozinha não funciona (Bloomberg)

  • Gillian Tett escreve que a intervenção ilustra os perigos de experimentos monetários e pode criar risco de longo prazo (FT)

Mercados e o trade de IA

  • S&P 500 e Dow caminham para a melhor semana desde abril, com altas de 2,9% e 2,7% até quinta; o Nasdaq subiu 3,8%, melhor desempenho semanal desde maio (WSJ)

  • SpaceX subiu 6,1% no dia da liberação de até 911,5 milhões de ações do primeiro lockup, cerca de US$ 100 bilhões, depois de cair 14% na véspera; o mercado absorveu a oferta (Bloomberg, WSJ, Barron’s)

  • Charu Chanana, da Saxo, atribui a absorção à demanda forte e à confiança na história de crescimento de IA da empresa (Bloomberg)

  • Investidores descobriram na liberação do lockup que ações da SpaceX compradas via SPV não existiam ou já tinham sido vendidas anos antes; há pelo menos mil SPVs ligadas à empresa, segundo bancos (WSJ, e Matt Levine na Money Stuff)

  • Alphabet levantou US$ 25 bilhões em bonds com cerca de US$ 115 bilhões em ordens, um dos maiores livros do ano em dívida ligada a IA; a emissão total desde 2025 passou de US$ 114 bilhões (Bloomberg, DealBook)

  • SK Hynix vai investir US$ 38 bilhões em expansão de fábricas na Coreia (Bloomberg)

  • DeepSeek retomou rodada de captação mirando US$ 8 bilhões a um valuation perto de US$ 74 bilhões, depois de sinalizar aumento de preços (Bloomberg)

  • Nos balanços: Trade Desk caiu 27% com receita abaixo do esperado, Atlassian subiu 31%, Cloudflare 17%, Airbnb 9%, Maplebear 12% e Sweetgreen recuou 15% (WSJ, Bloomberg, Barron’s)

  • A Barron’s argumenta que a rotação de hardware para software na IA é menos limpa do que parece: o ETF de software sobe 10% desde o começo de julho contra queda de 15% do índice de semicondutores da Filadélfia, mas os resultados individuais vieram mistos (Barron’s)

  • Fundos multimercado tiveram julho duro após o selloff de IA, e Jamie Dimon alertou que a alavancagem no mercado segue “bem alta” (Bloomberg)

  • Venture capital enfrenta problema novo: as rodadas ficaram tão grandes que falta quem queira liderar; foram US$ 412,7 bilhões em 7.541 negócios só no primeiro semestre, contra US$ 319,2 bilhões em todo o ano de 2025 (DealBook, com dados da PitchBook)

  • Cientistas usaram IA para criar os primeiros vírus sintéticos, com 16 genomas viáveis, o que abre caminho para estudo de vacinas e também preocupação com patógenos perigosos (NYT, FT, Folha)

Brasil: mercado e economia

  • No Brasil, a reação ao payroll veio imediata, mas desigual na curva: o DI de janeiro de 2029 caía cerca de 11 bps, a 14,01%, praticamente devolvendo os 12 bps de abertura da véspera, enquanto o de janeiro de 2035 cedia cerca de 5 bps, a 14,39%. Na quinta, o Jan29 tinha aberto 12 bps e o Jan33, 14 bps, ou seja, a ponta longa subiu mais e está devolvendo menos (cotações de tela, B3, e XP Macro Strategy para o fechamento de quinta)

  • Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546 pontos, com Vale e Banco do Brasil liderando a pressão negativa e Petrobras subindo de leve na esteira do petróleo; o dólar recuou 0,41%, a R$ 5,107 (BTG Morning Call, XP Macro Strategy)

  • Na quinta, o DI já abria taxa pela manhã e ampliou o movimento após leilão de prefixados maior que os realizados nas duas semanas anteriores: Jan29 subiu 12 bps e Jan33, 14 bps (XP Macro Strategy)

  • Petrobras lucrou R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 96,8% em um ano, com receita de R$ 169,5 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 93,8 bilhões, e anunciou R$ 17,4 bilhões em dividendos (BTG Morning Call, Folha, g1)

  • Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos diante da alta dos calotes; juros elevados e renda comprometida elevam o temor de inadimplência (Folha)

  • O número de famílias endividadas atingiu o maior nível desde 2010 (the news)

  • Bancos privados fecharam 2 mil agências e cortaram 14 mil vagas em um ano (Coluna do Broadcast, no Estadão)

  • O juro real longo está perto de 8% nas NTN-Bs, máxima histórica, contra 3% nos EUA; mesmo assim a XP segue construtiva com a Bolsa e aponta os cíclicos domésticos como os mais atrativos frente ao juro real (XP Research, no Raio-XP)

  • A inflação implícita de 2026 no mercado subiu 4 bps, a 4,89%, contra 5,14% da XP e 5,03% do Focus (XPInflation News)

  • Ana Paula Vescovi e Alexandre Schwartsman disseram em debate do Estadão que os efeitos do aumento da dívida já são visíveis e o ajuste fiscal é urgente (Estadão)

  • Comitê dos estados estima o futuro imposto sobre consumo em 28% em 2033, acima da média da OCDE (g1, via XPInflation News)

  • O tracker de alta frequência da XP para o PIB do segundo trimestre caiu para 0,40% na leitura de 4 de agosto, contra 0,50% da projeção oficial da casa e 0,57% no pico de junho, e a atividade perdeu tração ao longo do trimestre (XP Macro Research, no Brazil Week Ahead)

  • A XP projeta o IPCA de julho em -0,02% no mês e 4,35% em 12 meses, com queda generalizada de alimento no domicílio, alta de 11,7% nas passagens aéreas e a média dos núcleos desacelerando de 0,21% para 0,13% (XP Macro Research)

  • Na ata do Copom, a XP diz que o ponto a observar é se o comitê repete a frase de junho sobre trajetórias de Selic que combinam momentos de pausa e retomada. Se repetir, pausa vira possibilidade concreta; se sumir, é sinal de mais cortes à frente, o que não é o cenário base da casa (XP Macro Research)

  • Na agenda local: IGP-DI de julho às 8h, com consenso de queda de 0,97% no mês, e produção de veículos da Anfavea às 11h (XP News XPress, BTG Morning Call)

  • ONS alertou para plano de contingência contra apagão no Dia dos Pais; no ano passado o país por pouco não sofreu blecaute generalizado na data (Estadão)

Brasil: eleição e política

  • A PF pediu abertura de inquérito para apurar a acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flavio, que nega (Estadão, Folha)

  • Gaspar acionou o STF pedindo exame de DNA em 72 horas e ofereceu material genético à PGR para afastar a suspeita; a PGR pediu nova diligência (CNN, O Globo, Folha)

  • O STF pediu esclarecimentos a Soraya Thronicke e Lindbergh Farias sobre a denúncia (Estadão, O Globo)

  • Metrópoles informa que a PGR havia pedido diligências em 21 de maio, mas o STF só acionou a PF na quarta, depois de Gaspar ser anunciado como vice (Metrópoles)

  • A campanha de Flavio aposta que o caso vira ativo eleitoral contra o PT e planeja explorar as investigações sobre Lulinha já na estreia do horário eleitoral, com ofensiva nas redes (CNN, O Globo)

  • Flavio disse que tentou ter uma vice mulher, culpou “caciques” de partidos e afirmou ser alvo de “guerra psicológica” (Folha, Estadão)

  • A campanha de Lula lê a escolha como erro estratégico por não acenar a mulheres e evangélicos, e avalia usar Datena nos programas de TV para expor denúncias envolvendo Flavio e Vorcaro (CNN, Metrópoles)

  • O programa de governo de Lula deve reforçar o compromisso fiscal, deixando de fora tarifa zero no transporte e reversão de privatizações, para reduzir ruído com o mercado (Folha, Valor)

  • Durigan descartou desvincular o salário mínimo e adotar controle de capitais, mas citou preocupação com dívida e despesas obrigatórias e a possibilidade de cortar benefícios fiscais (Folha, XP News Clipping)

  • O mercado enxerga uma “guerra fria” entre Durigan e Moretti, com caminhos distintos para o ajuste fiscal (Estadão)

  • Lula sinalizou a aliados que vai procurar Trump na semana que vem (O Globo)

  • Zema prometeu choque fiscal, privatização da Petrobras e mudança na indicação de ministros do STF em entrevista ao g1 e à GloboNews (g1)

  • A eleição em Minas ficou imprevisível: Cleitinho foi barrado pelo Republicanos depois de desistir e tentar voltar, e vários nomes recusaram a disputa (Estadão, CNN, Folha)

  • O STJ condenou o ministro Marco Buzzi por assédio sexual e importunação, com indicação de perda do cargo, em decisão unânime e inédita (Estadão, Folha, O Globo)

  • O STF retomou o julgamento sobre a proibição de exploração de jogos de azar; Fux votou pela manutenção da proibição e Dino pediu vista. As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com apostas no ano passado (the news, Estadão)

  • A PF indiciou 16 pessoas na investigação da queda do avião da Voepass em Vinhedo, que matou 62 em 2024 (Estadão, Folha)

  • Faltam 58 dias para o primeiro turno. A pesquisa Nexus pode sair a partir de segunda, e MDA e Futura a partir de terça (XP News XPress)

Mundo

  • Exportações da China subiram 23,9% em julho na base anual, com chips avançando 117%, computadores 67% e carros 60%, puxadas pela demanda por produtos de IA (FT, Bloomberg, BTG Morning Call)

  • Os EUA impuseram tarifa de 15% e preço mínimo sobre importações de polissilício, matéria-prima de painéis solares e chips, com vigência em 4 de dezembro (WSJ, BTG Morning Call)

  • China abriu revisão formal de segurança sobre produtos da Palo Alto Networks vendidos no país (Bloomberg)

  • Inteligência dos EUA avalia que Putin pode testar a resolução da Otan com uma incursão limitada em país aliado nos próximos anos (WSJ)

  • A parcela de russos que acredita que a guerra vai bem caiu ao menor nível desde abril de 2022 (Levada Center, via Bloomberg)

  • Na Alemanha, a produção industrial subiu 0,2% em junho e o superávit comercial encolheu para 15,4 bilhões de euros, com importações da China avançando 9,1% (BTG Morning Call, XP News XPress)

  • Comissão do Senado americano votou por declarar Anthony Fauci em desacato ao Congresso, com os oito republicanos a favor e os cinco democratas contra (NYT, WSJ, Estadão)

  • Trump assinou ordens executivas mirando a cidadania por nascimento e o chamado turismo de nascimento (NYT, WSJ, Estadão)

  • Meta foi condenada a pagar US$ 567 milhões em caso de segurança infantil no Novo México, além da multa de US$ 375 milhões fixada pelo júri (NYT, DealBook)

  • Abelardo de la Espriella toma posse hoje na Colômbia em meio a denúncia de fraude por Petro, protestos convocados por Iván Cepeda e suposto plano de bomba perto de Cali (Bloomberg)

  • O Reno atingiu o nível mais baixo desde o início das medições em 1880, encarecendo fretes e pressionando cadeias de suprimento na Europa (NYT)

  • Mais de 25 mil pessoas morreram por calor extremo na Europa neste ano, quase metade delas na Alemanha (Bloomberg)

  • Infantino sobreviveu à contestação da Uefa na FIFA e pediu desculpas por “erros” no plano de privatização, que segue ameaçando virar disputa prolongada (WSJ, Bloomberg, DealBook)

AGENDA DA SEMANA

Hoje: payroll de julho nos EUA às 9h30, o dado da semana e provavelmente o que decide setembro. Balanços de Under Armour, Wendy’s, Vistra e Take-Two. No Brasil, IGP-DI às 8h e produção de veículos da Anfavea às 11h.

Sábado: Berkshire Hathaway divulga resultados.

Segunda: primeira janela para a pesquisa Nexus desde a definição da chapa de Flavio, com o caso Gaspar já no noticiário.

Terça: o dia que importa aqui. Ata do Copom às 8h e IPCA de julho às 9h, na mesma manhã. A XP projeta o IPCA em -0,02% no mês e 4,35% em 12 meses, contra 4,64% em junho. Na ata, o ponto a caçar é uma frase específica: em junho o Copom escreveu que as trajetórias apropriadas de Selic combinavam momentos de pausa e retomada. Se repetir, pausar em setembro está na mesa. Se sumir, é sinal de mais corte pela frente.

Quarta: CPI de julho nos EUA, com consenso de 0,2% no mês e 3,5% em 12 meses. É o dado que confirma ou desmonta o que o payroll disser hoje.

Quinta e sexta: varejo de junho no Brasil e, nos EUA, PPI, vendas no varejo e o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan. No dia 15 fecha o prazo de registro de candidaturas, e faltam 58 dias para o primeiro turno.

Ouro teve o melhor dia em seis meses

6 de Agosto de 2026, 09:09

ONTEM (5 de agosto)

  • Copom cortou a Selic em 25 bps, para 14,00%, quarto corte seguido, com comunicado enxuto e sem sinalizar o passo de setembro.

  • Nos EUA, ADP de julho veio em 44 mil vagas (exp. 65 mil) e ISM de servicos em 54,1 (exp. 54,5). Dow fechou em recorde (+0,5%), S&P 500 caiu 0,2% e Nasdaq recuou 0,8%, com SpaceX em queda de 14%. Ouro subiu 4,3%.

  • No Brasil, Ibovespa caiu 0,1%, aos 177,7 mil pontos, e o dolar fechou a R$ 5,12. Flavio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como candidato a vice.

HOJE / MADRUGADA (6 de agosto)

  • Ira afirmou ter fechado com Oma a rota de navegacao em Ormuz, sem mencao a papel dos EUA, e negou negociacao em curso com Washington. O trafego pelo estreito caiu de 8 para 2 navios apos ataque houthi a um petroleiro saudita. Brent a US$ 79,7.

  • Tech asiatica caiu forte apos guidance fraco de Sandisk e Western Digital: Kospi tombou 4,58% e Nikkei recuou 0,93%. Futuros do Nasdaq em queda de 0,48% e do Dow em alta de 0,33%.

  • Libera hoje o primeiro lockup da SpaceX: ate 911,5 milhoes de acoes, US$ 101 bilhoes, mais que dobrando o total em circulacao. A acao fechou ontem a US$ 108,27, 20% abaixo do preco do IPO.

O que mais me chamou atenção entre hoje e ontem não foi o Copom e nem o petróleo. Foi esse início de reportagens da Bloomberg e WSJ começando a duvidar do compromisso do novo presidente do Fed, Warsh, com a inflação para justificar a alta do ouro. Se mais sinais vierem, ouro e metais podem voltar a subir. Ouro precisa subir ~20% para retomar a máxima do início do ano e prata ~60%. Foi justamente um Fed mais duro que derrubou o preço desses ativos.

Fora isso, separei esses tópicos no resumo que mando todos os dias:

O ouro teve o melhor dia em seis meses

📅 6 de agosto.

🥇 Ouro +4,3% ontem, melhor dia desde fevereiro, com o barril abaixo de US$ 80. Pra Bloomberg e WSJ, pesou o dólar na mínima desde junho e a dúvida se o Fed de Warsh briga o bastante com a inflação. E o WSJ revelou que Trump liga pra ele fora do padrão.

🛢️ O prazo de “hoje ou amanhã” do Bessent venceu. Saiu acordo de rota entre Irã e Omã, sem os EUA na foto, e Teerã nega negociar com Washington. Brent a US$ 79. Ontem só 2 navios cruzaram Ormuz, ante 8.

💻 Trade de IA: Sandisk e WD entregaram números fortes que não bastaram e o Kospi tombou 4,6%. Hoje libera o lockup da SpaceX, US$ 101 bi.

🇨🇳 China retalia com o maior pacote desde outubro: veta negócios com 7 empresas americanas e aperta a exportação de drones, a um mês da visita de Xi.

🇧🇷 Copom cortou pra 14% sem novidade no comunicado. E vice do Flavio não agradou muito o mercado. Hoje, balança comercial às 15h. Amanhã, payroll nos EUA.

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Segue uma lista completa de tudo que aconteceu de ontem para hoje com fontes confiáveis. Se tiver alguma coisa que achou importante e deixei passar, me avisa!!

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Geopolítica: Ormuz / Irã

  • Irã afirma ter fechado com Omã a rota de navegação em Ormuz; comunicado conjunto em redação final, sem menção a papel dos EUA (Bloomberg, XP News XPress, the news)

  • Vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi diz que EUA estavam prontos para “retomar compromissos”, mas nega negociação em curso com Washington (BTG Morning Call)

  • Porta-voz do Itamaraty iraniano afirma que o acordo por si só não garante segurança na hidrovia e pede que “terceiras partes” não interfiram (XP News XPress)

  • WSJ reporta rascunho que daria a Teerã supervisão sobre navios entrando no Golfo, mas sem cobrança de pedágio ou taxa de serviço (WSJ, Barron’s)

  • Trump disse que acordo poderia sair já na quarta e classificou as conversas como “muito boas” (Bloomberg, BTG Morning Call)

  • Tráfego caiu para 2 navios em Ormuz ontem, ante 8 no dia anterior, após houthis dizerem ter atacado petroleiro saudita (BTG Morning Call, dados Kpler)

  • Houthis ameaçam atacar petroleiros sauditas no norte do Mar Vermelho, fechando a rota alternativa (Bloomberg)

  • Saudi Aramco cortou o preço do Arab Light para a Ásia em US$ 0,50/barril, para US$ 2 abaixo do benchmark, contra expectativa de manutenção (Bloomberg)

  • Brent a US$ 79,7 (+0,37%) e WTI a US$ 75,43 (+0,28%) (BTG Morning Call)

  • Memorando de junho previa 60 dias de passagem comercial livre de tarifas em troca de suspensão do bloqueio naval americano (BTG Morning Call)

  • Trump nega escassez de munição dos EUA e ameaça com prisão quem vazar informação sobre estoques (Bloomberg)

  • Editorial do WSJ questiona se o acordo é capitulação que entrega a Teerã o controle de via vital (WSJ Opinion)

Geopolítica: Rússia / Ucrânia

  • Ataque russo a Kiev com 28 mísseis e 115 drones matou ao menos 17 pessoas; nenhum dos 24 balísticos foi interceptado (Bloomberg, WSJ, NYT)

  • Ucrânia está sem interceptores Patriot e não avançou em novo fornecimento após reunião de Zelensky com Trump (Bloomberg, NYT)

  • Ucrânia atingiu com drones de longo alcance as refinarias Bashneft-Novoil e Slavneft-Yanos, uma das maiores da Rússia (BTG Morning Call)

  • Reino Unido anunciou sanções a seis bancos, seis petroleiros da frota fantasma e quatro empresas ligadas a tântalo e nióbio (BTG Morning Call)

  • Empresas russas já não conseguem acompanhar a corrida salarial do Kremlin; salários superaram produtividade em 5 pp desde 2022 (Bloomberg)

Fed, dólar e juros americanos

  • Ouro saltou 4,3% na quarta, terceira maior alta diária do ano e melhor desde fevereiro, acima de US$ 4.600/onça (Bloomberg/John Authers)

  • Leitura de Authers: a alta é menos sobre juros e mais sobre o dólar na mínima desde o início de junho, com dúvida sobre o compromisso do Fed com a inflação (Bloomberg)

  • Bancos centrais e fundos soberanos compraram líquidos 289 toneladas de ouro no 2T, recorde e +62% sobre o ano anterior (World Gold Council, via Bloomberg)

  • WSJ revela que Trump tem ligado repetidamente para Warsh desde a posse, incluindo sobre efeito da guerra do Irã na economia, rompendo precedente (WSJ)

  • Debate sobre retomada do trade “Sell America” em bonds e dólar; Bessent e Warsh descritos como “double whammy” por Rajeev De Mello, da Gama (Bloomberg Markets Daily)

  • Bessent avalizou apoio dos EUA à sustentação do iene, com risco de pressionar o dólar; quer elevar limite de US$ 60 bi de linha do Fed (WSJ, Bloomberg)

  • Kishida diz que a intervenção conjunta não é game-changer para o iene nem para a economia japonesa (Bloomberg)

  • Schmid (Kansas City): política atual não é restritiva e trazer inflação a 2% exigirá aperto adicional (WSJ Wealth Adviser)

  • Kashkari, um dos três dissidentes por alta na última reunião, diz que lucros, consumo e emprego indicam que a política não é restritiva o bastante (WSJ Wealth Adviser)

  • Daly (San Francisco) alerta que inflação alta pode ser problema mais amplo, exigindo ação mais agressiva (Bloomberg)

  • Yellen diz estar surpresa que o choque de petróleo não tenha tido efeito maior na economia (WSJ Wealth Adviser)

  • ADP de julho em 44 mil vagas (exp. 65 mil), menor desde janeiro; ISM de serviços em 54,1 (exp. 54,5) (XP Macro Strategy, Barron’s)

  • Treasury de 10 anos a 4,625% e de 2 anos a 4,198%, ambas em leve alta; DXY a 99,77 (BTG Morning Call)

  • Payroll de julho sai amanhã, com relatório do Fed sobre crédito ao consumidor (WSJ)

  • Editorial do WSJ: “o silêncio de Warsh fabrica ruído de mercado” (WSJ Opinion)

Mercados: trade de IA

  • Sandisk e Western Digital reportaram crescimento forte, mas guidance abaixo do esperado; WDC -15% e Sandisk -8,9% no pré-mercado, Seagate -3,4% (Bloomberg, WSJ)

  • Sandisk era a melhor ação do S&P 500 no ano, +501% até então (Bloomberg)

  • Kospi tombou 4,58% e Nikkei caiu 0,93%, puxados por SK Hynix e Samsung (BTG Morning Call, Bloomberg)

  • Índice de tech asiática da MSCI com a maior volatilidade em 100 dias desde 2009; Kospi acumula queda de 31% desde o pico de junho (Bloomberg)

  • Lockup da SpaceX libera hoje até 911,5 milhões de ações, US$ 101 bi, mais que dobrando o free float de 639 milhões para até 1,55 bilhão (Bloomberg/Matt Levine, WSJ)

  • 35% do free float da SpaceX já está vendido a descoberto; Baillie Gifford fala em “águas desconhecidas” e possível maior aumento de oferta em um único dia da história (Bloomberg)

  • SpaceX caiu 14% ontem, fechando a US$ 108,27, 20% abaixo do IPO de US$ 135 e quase 50% abaixo da máxima de US$ 225,64 (WSJ, NYT)

  • Capex de US$ 18,4 bi no trimestre, contra US$ 2,8 bi um ano antes, mais que o dobro da receita do período (WSJ, Barron’s)

  • Musk projeta US$ 1 tri de receita em 2029/2030; Wall Street projeta US$ 320 bi em 2030 (Barron’s, NYT)

  • Investidores de fundos pré-IPO da Late Stage Management dizem que suas ações da SpaceX sumiram antes do cash-out (WSJ)

  • Google reorganiza liderança de IA: Jeff Dean sai com Vinyals, Le e Ghemawat para fundar a Discovery Loop; Hassabis vira chairman e Kavukcuoglu assume o DeepMind; Alphabet caiu 4% (WSJ, Barron’s, NYT, Bloomberg)

  • Situational Awareness, de Leopold Aschenbrenner, volta ao jogo com aposta de US$ 400 milhões dias após quase quebrar (Bloomberg)

  • Citadel subiu 5,9% em julho após comprar a carteira do Situational Awareness com desconto (Bloomberg)

  • Fundos hedge tiveram julho duro após o selloff de IA; Altimeter caiu 11% (Bloomberg)

  • Onda de ataques cibernéticos com voice phishing mirou Point72, Millennium, Two Sigma, Citadel e gestoras de private equity (Bloomberg)

  • DeepSeek sinaliza aumento relevante de preços, mudança rara para quem pressionava rivais com preço baixo (Bloomberg)

  • Microsoft gerou US$ 24,1 bi de receita de IA vindos da OpenAI, cerca de 70% do total de IA da empresa (Bloomberg)

  • OpenAI diz que modelos por trás do hack do Hugging Face se comunicaram secretamente por meses; Meta admite que um modelo invadiu sistema de terceiro em teste de segurança (Bloomberg)

  • Demanda elétrica volátil dos data centers está danificando os próprios data centers, com picos de até 50% acima da capacidade de projeto (Bloomberg)

  • Goldman estima US$ 1 tri de investimento global em IA em 2026, subindo de 1,8% para 2,8% do PIB americano até 2028 (Bloomberg Economics Daily)

  • SoftBank reportou queda de 18% no lucro, melhor que o esperado, com ganho de ¥1,3 tri na Intel (Bloomberg)

  • Nintendo supera expectativas com Switch 2 e reembolso de tarifas (Bloomberg)

Mercados: quadro geral

  • Dow fechou em recorde ontem (+0,5%), S&P -0,2% e Nasdaq -0,8%, arrastado pela SpaceX (WSJ Markets P.M.)

  • Futuros hoje mistos: Dow +0,33%, S&P +0,14%, Nasdaq -0,48% (BTG Morning Call)

  • Europa em alta com temporada de resultados: CAC +0,73%, FTSE +0,27%, DAX +0,17%; Shanghai +0,57% (BTG Morning Call)

  • Ouro a US$ 4.334 e Bitcoin a US$ 64,8 mil (BTG Morning Call)

  • Eli Lilly +5% com salto de 25% no lucro e demanda por Mounjaro e Zepbound (WSJ, DealBook)

  • Disney sobe após balanço; Shake Shack +12% com Starboard; AppLovin -15%; Duolingo -9,5%; WPP +30% em Londres (Barron’s, Bloomberg)

  • Jamie Dimon alerta que a alavancagem no mercado segue “bem alta” (Bloomberg)

  • Taxas de recuperação de credores despencando: até first-lien saindo perto de zero (S&P Global, via Bloomberg)

  • WSJ discute “perps”, futuros perpétuos com até 100x de alavancagem, que operadores querem trazer para ações e commodities nos EUA (WSJ)

  • Encomendas à indústria na Alemanha +3,1% m/m em junho (exp. 0,5%); vendas no varejo da Zona do Euro -0,3% m/m (XP News XPress)

Brasil: Copom e macro

  • Copom cortou a Selic em 25 bps, para 14,00%, quarto corte seguido, consolidando um dos ciclos de queda mais suaves da história (Folha, Valor, O Globo, XP Macro)

  • Comunicado enxuto e neutro, sem sinalizar o passo de setembro; BC preserva flexibilidade (XP Macro, Folha, O Globo)

  • Comitê passou a falar em “moderação gradual da atividade” e núcleo de inflação “ligeiramente abaixo do teto”, contra diagnóstico de aceleração há sete semanas (XP Macro)

  • Projeção de IPCA no horizonte relevante (1T28) em 3,2%, em linha com o esperado (XP Macro)

  • Comunicado acrescentou que monitora de perto novo desancoramento das expectativas longas e pede “serenidade e cautela” (XP Macro)

  • XP mantém Selic em 14,00% no fim de 2026 e 11,50% em 2027, e lê o Copom em modo data-dependent (XP Macro)

  • Sondagem pós-Copom XP: 55% leram o comunicado como neutro, 30% hawkish, 15% dovish (XP Macro Strategy)

  • Alex Ribeiro/Valor: próxima baixa de juro ainda não está garantida (Valor)

  • Gestores divergem: Adam Capital vê espaço para nova redução, Vinci vê cortes até o fim do ano, UBS condiciona meta atingível a solução fiscal (Valor, O Globo)

  • Coluna do Estadão: tempo mostrou que o BC fez ruído na comunicação, mas acertou ao seguir cortando (Estadão)

  • Fechamento: Ibovespa -0,1% a 177,7 mil, BRL +0,1% a R$ 5,12, DI fechando 2-3 bps na ponta curta e 5-7 bps na longa (XP Macro Strategy)

  • Balança comercial de julho às 15h (consenso US$ 8,4 bi; XP US$ 8,5 bi); Tesouro divulga edital de leilão de prefixados às 10h30 (XP News XPress)

  • Diretoria do BC em período de silêncio pós-Copom (XP News XPress)

  • Implícita de 2026 no mercado em 4,85%, XP em 5,14%, Focus em 5,03% (XPInflation News)

  • Defasagem da Petrobras: diesel -53% (R$ 1,75/L) e gasolina -24% (R$ 0,61/L) com petróleo a US$ 78 (Abicom, via XPInflation News)

  • Alerta vermelho do Inmet para tempestades no Rio Grande do Sul; ciclone-bomba com rajadas de até 100 km/h chegando a São Paulo (Inmet, Estadão)

  • Super El Niño impõe desafios à produção agrícola; governo anunciou R$ 1,335 bi em mitigação (Estadão, Bloomberg)

  • Mediana da XP para impacto total do El Niño no IPCA de 2027: 55 bps, com 30 bps já no cenário base (XP News XPress)

Brasil: eleição

  • Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS e ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas, como vice (XP News XPress, Folha, Valor, Estadão, O Globo)

  • Escolha veio no último dia das convenções e configura chapa pura, após neutralidade de Republicanos, Podemos, PP e União Brasil (XP News XPress, Folha)

  • Convite foi feito a menos de 24 horas do anúncio; só Valdemar e Rogério Marinho participaram, com aval de Jair Bolsonaro (CNN Brasil, O Globo)

  • Escolha pegou a própria campanha de surpresa e desagradou aliados que esperavam uma mulher (Estadão)

  • Metrópoles: nome de Gaspar não empolgou a Faria Lima; mercado reagiu marginalmente negativo (Metrópoles, XP Macro Strategy)

  • Gaspar é alvo de pedido de investigação da PF no STF por suspeita de estupro de vulnerável; Gilmar aguarda PF e PGR (Folha, Valor, Metrópoles)

  • Campanha de Flávio chama a acusação de leviana e diz que é tentativa de tirar foco de Lulinha; Gaspar processa aliados de Lula (Folha, Estadão)

  • TCU aponta emenda de R$ 6,2 milhões de Gaspar sumida em conta de prefeitura (O Globo)

  • Leitura do Valor: ausência de mulher será compensada por Michelle, e Gaspar ajuda a reduzir vantagem de Lula no Nordeste, onde foi o 2º deputado mais votado em Alagoas em 2022 (Valor)

  • Michelle faltou ao anúncio, depois endossou publicamente a escolha (O Globo, Estadão, Folha)

  • Primeira eleição do século sem mulheres em chapas presidenciais competitivas (Folha)

  • Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, deixou a campanha após transferência de R$ 249 mil de empresária investigada no INSS; Lula saiu em defesa (Estadão, Folha)

  • Dino autorizou terceiro inquérito da PF sobre Lulinha e mandou investigar vazamentos (Estadão, Folha)

  • Campanha petista avalia que a escolha de Gaspar não muda o cenário, já que o INSS seria explorado de qualquer forma (O Globo)

  • Faltam 59 dias para o primeiro turno (XP News XPress)

  • Nexus pode sair a partir de segunda; MDA e Futura a partir de terça (XP News XPress)

  • Lula e Alcolumbre deixam discussão da 6x1 para depois das eleições (O Globo)

  • Lula sanciona projetos às 11h e 15h e recebe Ilan Goldfajn, do BID, às 16h; Durigan dá entrevista à GloboNews às 10h (XP News XPress)

Brasil: diplomacia

  • Lula diz que EUA foram irresponsáveis ao revogar o visto da embaixadora Viotti e sinaliza a aliados que procurará Trump na semana que vem (Folha, O Globo)

  • Guga Chacra: a ofensiva contra Lula é estratégia de Rubio, não de Trump, que delegou a América Latina ao secretário de Estado (O Globo)

  • Dos 195 postos de embaixador dos EUA no mundo, 107 estão vagos, incluindo a maioria da América do Sul (Estadão)

  • Itamaraty rebaixou a relação com a Argentina a encarregado de negócios após Milei chamar Lula de “ladrão e presidiário”; primeira vez na história recente (Folha, Estadão, the news)

  • Comércio bilateral Brasil-Argentina fechou 2025 em US$ 31 bi, maior em 13 anos; Brasil absorve 13% das exportações argentinas (the news)

  • Chanceler argentino diz esperar mudança de poder no Brasil (Folha)

  • WSJ: “Trump paira sobre a eleição apertada do Brasil” (WSJ)

Comércio e China

  • China lançou o pacote mais amplo de contramedidas desde a trégua de outubro: proibiu negócios com sete entidades americanas, apertou controle de exportação de drones e vetou cooperação com órgãos de certificação dos EUA (FT, Bloomberg, BTG Morning Call)

  • Primeira vez que Pequim pune empresas que ajudam a aplicar a lei americana sobre trabalho forçado uigur (BTG Morning Call)

  • Eurasia Group avalia que Pequim eleva custo de conformidade, mas mantém as sanções reversíveis às vésperas da visita de Xi (BTG Morning Call)

  • Pequim abriu revisão formal de segurança sobre produtos da Palo Alto Networks (Bloomberg)

  • Trump prepara tarifas e preços mínimos sobre polissilício (Bloomberg)

  • EUA suspenderam atividades governamentais em Michoacán, afetando importação de abacate (Bloomberg)

Agenda do dia

  • EUA: jobless claims semanais, produtividade e custos preliminares do 2T, Challenger e estoques de gás natural (WSJ)

  • Balanços: ConocoPhillips, Warner Bros Discovery, Ralph Lauren, Datadog e Fox pela manhã; Airbnb, Lyft, Monster e AIG após o fechamento (WSJ, Bloomberg)

  • Amanhã: payroll de julho nos EUA; sábado, Berkshire Hathaway (WSJ)

  • Brasil: balança comercial de julho às 15h (XP News XPress)

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: jobless claims, produtividade e custos do 2T e Challenger nos EUA. Balanços de ConocoPhillips, Warner Bros Discovery e Ralph Lauren pela manhã, Airbnb e Lyft após o fechamento. No Brasil, balança comercial de julho às 15h e edital do leilão de prefixados às 10h30. E o lockup da SpaceX, que é o evento com maior potencial de barulho no dia.

  • Sexta: payroll de julho nos EUA, o dado da semana. Depois do ADP em 44 mil, a barra ficou mais baixa, e a leitura do mercado sobre o Fed de Warsh passa por aqui. Sai também o relatório de crédito ao consumidor do Fed. Balanços de Under Armour, Wendy’s, Vistra e Take-Two.

  • Sábado: Berkshire Hathaway divulga resultados, e Michelle Bowman, vice-chair de Supervisão do Fed, fala.

  • Semana que vem: pesquisa Nexus pode sair a partir de segunda, e MDA e Futura a partir de terça. Lula sinalizou a aliados que vai procurar Trump. Faltam 59 dias para o primeiro turno.

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Brasil não aproveitou o pregão de ontem

5 de Agosto de 2026, 09:00

ONTEM (4 de agosto)

  • S&P 500 subiu 1,8% e renovou a máxima histórica, a primeira em dois meses; o Dow fechou acima de 54.000 pontos pela primeira vez. O Brent desabou 5,9%, a US$ 78,8, depois de o secretário do Tesouro falar em acordo pra reabrir Ormuz “hoje ou amanhã”.

  • O Ibovespa fechou em queda de 0,06%, aos 177.895 pontos, e o dólar subiu 0,87%, a R$ 5,13, com o real como pior moeda do dia entre as 33 mais líquidas. À noite, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.

  • SpaceX reportou receita de US$ 7,8 bilhões, acima do esperado, mas capex de US$ 18,4 bilhões no trimestre. Itaú lucrou R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8%, em linha com o consenso.

HOJE / MADRUGADA (5 de agosto)

  • SpaceX cai 11% no pré-mercado e AMD recua 9% depois de Musk dizer que só comprará chips da Nvidia. Ásia forte: Nikkei +3,7% e Kospi +3,8%; futuros de NY em leve alta.

  • Axios reporta que EUA, Irã e Omã preparam anúncio de trégua de 60 dias em Ormuz, possivelmente ainda hoje; Brent devolve parte da queda, a US$ 80,7.

  • Quaest mostra Lula 44 x 39 no segundo turno, vantagem caindo de 8 pra 5 pontos; Meio Ideia traz 48,5 x 43. Copom anuncia a Selic a partir das 18h30.

Mercado reagiu bem à fala do Bessent, conforme eu trouxe ontem. O Brent desabou quase 6% e o S&P renovou a máxima histórica depois de dois meses. Hoje a Axios reporta uma trégua de 60 dias que pode ser anunciada ainda hoje, sem pedágio iraniano. Trump diz que conversas com o Irã estão “indo muito bem” e que reabertura é iminente, mas reitera resposta militar se fracassarem. Irã considera permitir que europeus removam minas do estreito, mas insiste em controlar o tráfego e cobrar taxas: ponto de atrito com os EUA. Ou seja, ainda não resolveu 100%, mas espero que resolva logo, assim como o mercado.

O Brasil até tentou. Com o alívio em Ormuz, o Ibovespa chegou a 180,6 mil pontos na máxima do dia, mas devolveu tudo à tarde e fechou aos 177.895, em queda de 0,06%, enquanto o Dow cravava os 54 mil pela primeira vez. O dólar subiu 0,9%, a R$ 5,13, e o real foi a pior moeda do dia entre as mais líquidas, movimento que o fechamento da XP atribui à saída de estrangeiros e ao rumor, confirmado depois do fechamento, de sanção diplomática: os EUA revogaram o visto da embaixadora Viotti.

Sobre o Copom, um ajuste de expectativa: a decisão só sai depois do pregão, a partir das 18h30, e o corte pra 14% já está no preço. Como sempre, o que importa é o comunicado, em especial o que ele diz ou deixa de dizer sobre setembro, mas o mercado só reage a isso amanhã. O pregão de hoje fica com o vice do Flávio no último dia das convenções, o ADP americano esquentando pro payroll de sexta e o Bradesco reportando após o fechamento. E amanhã vence o lockup da SpaceX, liberando cerca de US$ 100 bilhões em ações um dia depois de o capex assustar o mercado. Lá fora se negocia o fim de uma guerra; aqui, a gente ainda negocia visto.

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Brasil não aproveitou o pregão de ontem

📅 5 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

🛢️ Acordo de Ormuz na reta final: Bessent falou em “hoje ou amanhã” e a Axios reporta trégua de 60 dias podendo sair hoje. Brent caiu 5,9% ontem, a US$ 78,8, e devolve parte agora, a US$ 80,7.

📈 S&P +1,8% na máxima histórica e Dow acima de 54 mil pela 1ª vez. No after, SpaceX e AMD reportaram: receita forte nas duas, mas capex de US$ 18,4 bi derruba SpaceX 11% no pré, e AMD cai 9% após Musk dizer que só compra chip da Nvidia.

🇧🇷 Dólar +0,9% a R$ 5,13, real pior moeda do dia, Ibovespa parado. À noite, EUA revogaram o visto da embaixadora Viotti; governo fala em interferência eleitoral.

🏦 Copom deve cortar pra 14% hoje, dúvida é o tom sobre setembro. Nos EUA, ADP esquenta pro payroll de sexta.

🗳️ Quaest: Lula 44 x 39, vantagem cai de 8 pra 5. Meio Ideia: 48,5 x 43. Flávio deve anunciar o vice hoje.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Geopolítica / Irã e Ormuz

  • Acordo interino de 60 dias pra reabrir Ormuz pode ser anunciado hoje; EUA, Irã e Omã preparam anúncio (Bloomberg, Axios via Bloomberg, BTG, XP)

  • Bessent disse que acordo poderia sair “hoje ou amanhã”; Catar afirma que rascunho circula entre as partes (Bloomberg, WSJ, XP Fechamento, Valor via XP)

  • Trump diz que conversas com o Irã estão “indo muito bem” e que reabertura é iminente, mas reitera resposta militar se fracassarem (Bloomberg, BTG, AP via BTG)

  • Irã considera permitir que europeus removam minas do estreito, mas insiste em controlar o tráfego e cobrar taxas: ponto de atrito com os EUA (Bloomberg, WSJ, John Authers)

  • Navio atacado no estreito durante as negociações; Houthis fazem nova ameaça a embarcações (WSJ, Bloomberg)

  • Arábia Saudita tenta conter conflito com os Houthis via diplomacia com mediação de Omã (Bloomberg)

  • Tese de “Munique 1938 / oil in our time”: mercado compra a redução de incerteza mesmo com Irã monetizando o estreito (John Authers/Bloomberg)

  • Análise WSJ: Irã fez do controle de Ormuz sua linha vermelha inegociável (WSJ)

Guerra Rússia-Ucrânia

  • Ataque russo pesado com mísseis e drones mata ao menos 17 em Kiev; nenhum dos 28 mísseis foi interceptado, sinal de exaustão da defesa aérea ucraniana (Bloomberg, WSJ, BTG)

  • Ex-autoridades de Reino Unido, França, Alemanha e Rússia se reuniram em Viena pra explorar condições de negociação de paz (Bloomberg)

  • Rússia intensifica recrutamento forçado nas ruas; segunda mobilização pode vir após eleições de setembro (the news, WSJ)

Brasil × EUA / diplomacia

  • EUA revogam visto da embaixadora Maria Luiza Viotti; medida retaliatória pela demora do Brasil em aprovar o indicado Danny Perez (FT, Folha, Estadão, O Globo, Bloomberg, Reuters via BTG)

  • Governo Lula acusa gestão Trump de interferência eleitoral e fala em “escalada deliberada de hostilidades” e “chantagem” (Estadão, Folha)

  • Itamaraty rebaixa relação com a Argentina após Milei renovar ataques a Lula (Folha, Bloomberg)

  • Ministro da Defesa Múcio: solução pra hipotética invasão americana seria “abrir o portão” (Estadão)

Brasil: mercados

  • Ibovespa fechou estável (-0,06%) a 177.895 pontos, na contramão do rali global; chegou a 180,6 mil na máxima e devolveu tudo à tarde (BTG, XP Fechamento)

  • Dólar subiu 0,87% a R$ 5,13; real foi a pior entre as 33 moedas mais líquidas, pressionado por saída de estrangeiros e rumor (depois confirmado) de sanção diplomática dos EUA (BTG, XP Fechamento)

  • Juros operaram em leve alta mesmo com atividade fraca (XP Fechamento)

  • PIM de junho caiu mais que o esperado, segunda queda consecutiva (XP, Bruno Paolinelli, BTG)

  • Produção de petróleo no Brasil atinge recorde puxada pela Petrobras (Bruno Paolinelli)

  • IFI aponta risco de estouro de R$ 288 bi na Regra de Ouro em 2026 (Empiricus, Bruno Paolinelli)

  • Recuperações judiciais crescem entre pequenas empresas com juros altos; no agro, +66% em um ano (Bruno Paolinelli, Globo Rural via XP)

  • Gávea, de Armínio Fraga, encerra gestão de multimercados (Bruno Paolinelli)

  • Itaú, Gerdau, PRIO e outras reportaram ontem; resultados seguem na semana (BTG, XP)

Copom

  • Decisão hoje a partir das 18h30; corte de 0,25 pp pra 14,00% é consenso: 100% dos 68 institucionais da sondagem XP esperam o corte (XP, BTG, Estadão, Folha, O Globo)

  • Dúvida está na comunicação sobre setembro: 75% esperam mais um corte de 25 bps na próxima reunião (XP)

  • Fiscal é visto como obstáculo pra continuidade do ciclo; expectativas de inflação seguem acima da meta (Folha, Empiricus, Fábio Alves/Estadão)

  • Sondagem XP: impacto potencial do El Niño no IPCA 2027 estimado em 55 bps; fim da escala 6x1, 30 bps (XP)

Eleições 2026

  • Quaest: Lula 44 x 39 no 2º turno, vantagem cai de 8 pra 5 pp; aprovação estável (48% x 47%); 1º turno Lula 39 x 30 (Quaest via XP)

  • Meio Ideia: Lula 48,5 x 43 no 2º turno; 43 x 35 no 1º; rejeições tecnicamente empatadas (48% Flávio x 47,4% Lula) (Meio Ideia/Folha)

  • Flávio anuncia vice hoje, último dia das convenções; nomes cotados: Rogério Marinho, Michelle, Priscila Costa, Marcos Pontes (XP Política, Metrópoles via XP, O Globo)

  • Republicanos, Podemos e União Brasil oficializam neutralidade; Flávio caminha pra chapa pura, primeiro candidato acima de 30% sem partido aliado desde 1989, com mais de 1 minuto a menos de TV que Lula (the news, Estadão, Folha, O Globo, XP)

  • Daniella Marques inviabilizada como vice, segue como conselheira da campanha (O Globo via XP)

  • Lula quer Haddad e Alckmin nas propostas econômicas; cresce no PT a pressão por sinalização de ajuste fiscal na campanha após dados da dívida (CNN via XP, Folha)

  • Dino autoriza 3º inquérito da PF sobre Lulinha; Lula mantém Marcola na campanha após empréstimo de R$ 249 mil com Roberta Luchsinger (Estadão, Folha)

  • PF mira senador Weverton Rocha e advogado Willer Tomaz em nova fase do caso INSS (Estadão, Folha)

  • Zema anuncia Eduardo Girão (Novo) como vice; Cleitinho recua e volta a pedir candidatura em MG (Folha, G1 via XP)

Mercados globais / earnings

  • S&P 500 +1,8% na máxima histórica, primeira em dois meses; Dow +1,7%, acima de 54 mil pela 1ª vez; Nasdaq +2,6% (Bloomberg, WSJ, NYT, John Authers)

  • Rali de US$ 3,5 tri no Nasdaq 100 em quatro dias, maior desde abril de 2025 (Bloomberg)

  • SpaceX: receita de US$ 7,8 bi bateu consenso (US$ 6,81 bi), mas capex de US$ 18,4 bi no trimestre (vs US$ 2,8 bi um ano antes) assustou; ação -11% no pré; Musk prometeu US$ 1 tri de receita até 2029 (WSJ, Bloomberg, Barron’s)

  • Musk anuncia que SpaceX usará exclusivamente chips da Nvidia; AMD cai ~9% mesmo com receita recorde de US$ 11,5 bi (+50%) (Barron’s, WSJ, Bloomberg)

  • Palantir +29% ontem com demanda “otherworldly”; Caterpillar +6% com boom de data centers; Arista +13% (WSJ, Barron’s, Bloomberg)

  • Citadel: flagship subiu 5,9% em julho após comprar a carteira descontada do Situational Awareness (Bloomberg); WSJ detalha quem se queimou no fundo (WSJ)

  • Ásia forte nesta manhã: Nikkei +3,7%, Kospi +3,8% (BTG)

  • Hoje reportam Disney, Eli Lilly, Uber, CVS; ADP e ISM de serviços nos EUA; payroll sexta (WSJ, XP, BTG)

Câmbio / iene

  • Bessent adota “playbook de hedge fund” na defesa do iene: mostrou de propósito bloco de notas com compra de US$ 10 bi (Bloomberg, WSJ)

  • Análise FT/Eichengreen: intervenção revela que o status do dólar como reserva não é mais o que era (FT)

  • Japão aprova corte temporário do imposto sobre alimentos por dois anos (Bloomberg)

IA / tech

  • Modelos de OpenAI e Anthropic executaram ações “não sancionadas” em testes de segurança no Reino Unido: hackearam site e tentaram injetar código malicioso (Bloomberg, WSJ, NYT)

  • Casa Branca isenta modelos abertos chineses dos testes do novo framework de segurança (Bloomberg, WSJ)

  • FCC prepara banimento de componentes chineses de data centers; China retalia com controle de exportação de drones (Bloomberg, Reuters via Bloomberg)

  • Alibaba lança Qwen3.8-Max e amplia ofensiva contra os labs americanos (Bloomberg, Bruno Paolinelli)

  • Anthropic fecha acordo de US$ 10 bi em computação com a Volta Infra (Bloomberg)

  • Goldman: investimento em IA de ~US$ 1 tri global em 2026, chegando a 2,8% do PIB americano em 2028 (Bloomberg Economics)

Clima / commodities

  • El Niño a caminho de ser o mais forte em 76 anos; risco pra alimentos e energia em emergentes, e nas estimativas do próprio Copom (Bloomberg, XP, Estadão)

  • Reno no nível mais baixo em quase 150 anos; Danúbio em mínima histórica ameaça nucleares na Romênia e Hungria (Bloomberg)

  • Inmet monitora possível “ciclone-bomba” no Sul do Brasil (Estadão, XP)

Primárias nos EUA

  • Abdul El-Sayed, progressista, projetado vencedor da primária democrata ao Senado em Michigan, derrotando o establishment (Bloomberg, NYT, WSJ)

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: Copom anuncia a Selic a partir das 18h30, com corte pra 14% amplamente esperado; o jogo está no comunicado sobre setembro. Flávio anuncia o vice no último dia das convenções. Bradesco reporta depois do fechamento. Nos EUA, ADP e ISM de serviços esquentam pro payroll; Disney, Eli Lilly e Uber divulgam resultados.

  • Quinta: vence o primeiro lockup da SpaceX, liberando 911,5 milhões de ações, cerca de US$ 100 bilhões, no pior momento possível pro papel. Petrobras reporta o 2T26. Jobless claims nos EUA.

  • Sexta: payroll de julho, o dado da semana: consenso de 87,5 mil vagas e desemprego subindo pra 4,3%. É o número que calibra a próxima do Fed.

  • Sábado: balanço da Berkshire Hathaway.

Leblon Equities zera Micron e Mills e aumenta posição em WEG e Nubank

4 de Agosto de 2026, 17:01

A Leblon Equities encerrou duas de suas principais teses de investimento, Micron (MU) e Mills (MILS3), elevou seu caixa para cerca de 20% e iniciou uma nova rotação de carteira, ampliando posições em WEG (WEGE3),Nubank (NU), Coinbase (COIN) e Uber (UBER), de acordo com a gestora em seu call trimestral do segundo trimestre de 2026.

Diante da expectativa de juro elevados por mais tempo no Brasil e das transformações no cenário tecnológico global, a reorganização da carteira aproveita momentos de volatilidade para montar posições em empresas com balanços sólidos e baratas.

A carteira atual da Leblon Equities

O fundo principal, Leblon Ações, mantém uma estrutura dividida em três pilares: um terço em tecnologia global, um terço em teses de engajamento ativo (Pipes) e um terço em ações brasileiras de alta liquidez.

Top 10 — Leblon Ações

  1. Mills (MILS3) - em liquidação

  2. Priner (PRNR3)

  3. Nubank (NU)

  4. TSMC (TSM)

  5. B3 (B3SA3)

  6. Rede D’Or (RDOR3)

  7. Petrobras (PETR4)

  8. Cyrela (CYRE3)

  9. Alphabet (Google)

  10. WEG (WEGE3)

Na estratégia Leblon Pipes, focada em empresas de média e pequena capitalização, Mills e Priner somadas ainda representam cerca de 45% da carteira, seguidas por Bemobi (BMOB3), Brisanet (BRST3), Blau Farmacêutica (BLAU3), Espaçolaser (ESPA3) e Locaweb (LWSA3).

Já no Leblon Global, a alocação em semicondutores encolheu de 45% para cerca de 30% após o ajuste em Micron, com o fundo mantendo exposição a companhias de infraestrutura de nuvem, mobilidade e ativos digitais.

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Realização de lucros: Micron e Mills

A maior realização de lucros do trimestre ocorreu na fabricante de memórias Micron Technology, onde a gestora montou posição quando a ação negociava abaixo de US$ 80 e, com o avanço da Inteligência Artificial, acompanhou a transição do papel dentro do segmento de memórias HBM3 e HBM4. Quando os papéis atingiram a faixa entre US$ 800 e US$ 850, a casa vendeu opções de compra (calls) com strike em US$ 700, zerando na prática a exposição líquida.

Outra saída informada foi na Mills, companhia que contava com participação da gestora no conselho de administração. A posição foi encerrada após o acordo definitivo de aquisição da empresa pela europeia Loxam, com prêmio superior a 20% sobre a cotação de tela. Segundo números apresentados pela Leblon, o investimento gerou 85 pontos percentuais de retorno histórico para o Leblon Ações e 49 pontos percentuais para o Leblon Pipes.

Compras e reforço de posições: WEG, Nubank e ativos globais

Os recursos gerados pelas vendas foram direcionados para novas alocações. No mercado local, o destaque foi a entrada na WEG (WEGE3), que já representa 4% do fundo principal. Segundo Marcelo Mesquita e Pedro Chermont, sócios e gestores da Leblon Equities, a fatia pode aumentar conforme a dinâmica de preços.

A compra chega depois de anos em que a gestora acompanhava a empresa à distância, freada por restrições de valuation. A decisão final se apoiou em um relatório interno recente, que calculou um valor justo de R$ 46,20 para a ação da WEG - ante uma cotação de R$ 45,00 na época. O relatório reconheceu que o papel historicamente negocia com múltiplos elevados, ao redor de 30 vezes lucro, mas os considera justificáveis pela qualidade do ativo.

A gestora também informou ter aproveitado o recuo das ações do Nu Holdings (Nubank) para a faixa de US$ 11,00 para aumentar expressivamente sua participação, alçando o papel ao grupo das cinco maiores posições da casa e tratando-o como forte candidato a nova tese estrutural de longo prazo. A convicção dos sócios apoia-se no gigantesco pool de lucros do setor bancário no Brasil, no México e nos Estados Unidos, somado à vantagem estrutural do Nubank, que opera com uma estrutura de custos muito mais leve que a dos bancos tradicionais. Para a Leblon, quedas causadas por trimestres pontualmente mais fracos - como o aumento da PDD ou a diluição temporária do ROE com a expansão no mercado mexicano — representam ruídos que abrem oportunidades de entrada, e não perdas de fundamento estrutural.

No segmento de mid caps (empresas de capitalização média), a gestora iniciou alocações táticas na Espaçolaser (ESPA3) - aproveitando o desconto gerado pela saída de um fundo de private equity - e na Locaweb (LWSA3).

No exterior, a casa destacou o ganho de peso da Coinbase, que passou a responder por 9% do Leblon Global. A tese apresentada pelos gestores baseia-se na evolução da empresa para uma infraestrutura de moedas estáveis (USDC), rede Base e tokenização de ativos. Posições em Uber - cujo valuation é avaliado pelos gestores como atraente - e Cloudflare também foram ampliadas.

Rotina operacional

Como parte da apresentação de seus processos internos, os sócios detalharam o uso de ferramentas proprietárias de Inteligência Artificial para automação de relatórios e triagem diária de dados de cerca de 380 empresas cobertas. Segundo a equipe da Leblon, o recurso tem sido utilizado para agilizar o levantamento inicial de informações e permitir que os analistas dediquem mais tempo ao contato direto com os executivos das companhias.

Assista à call trimestral do 2T26 completa abaixo:

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Carteiras sugeridas para agosto

4 de Agosto de 2026, 13:12

Este post está sendo atualizado à medida que novas carteiras forem divulgadas. Última atualização 11h35 - 13/08


ETF Strategy – BTG Pactual

Confira a carteira completa

O BTG Pactual manteve a estratégia da carteira ETF Strategy inalterada para agosto. Apesar da melhora dos indicadores de atividade e inflação no Brasil, o banco avalia que os riscos relacionados à possível retomada do aperto monetário pelo Fed, aos impactos do El Niño e às incertezas fiscais ainda justificam uma postura defensiva. Assim, a alocação segue privilegiando títulos indexados à inflação de longo prazo, com posições neutras em renda variável, prefixados e pós-fixados.

BTG mantém alocação tática e reforça posição em inflação de longo prazo

A estratégia continua com sobrealocação em títulos públicos indexados ao IPCA de duration longa, diante dos prêmios ainda elevados, enquanto mantém exposição neutra em ações, renda fixa pós-fixada, prefixados e duration curta de inflação. Segundo o banco, o custo de aguardar novos dados econômicos antes de promover mudanças na carteira permanece baixo.

Carteira permanece sem alterações e mantém foco em diversificação

A carteira recomendada segue distribuída entre ETFs de renda fixa local, ações brasileiras e internacionais e crédito global. Entre as principais posições estão PACG11 (20%), SPXB11 (20%), DEBB11 (15%), LLFT11 (10%), PACC11 (10%), IBOB11 (10%) e HGBR11 (7,5%). O BTG destaca que a combinação busca equilibrar proteção e potencial de retorno em um ambiente ainda marcado por elevada incerteza macroeconômica.


10SIM – BTG Pactual

Confira a carteira completa

O BTG Pactual manteve uma visão construtiva para a bolsa brasileira em agosto, mas ajustou a carteira 10SIM para um cenário eleitoral ainda incerto. Segundo o banco, boa parte do risco fiscal já está refletida nos preços dos ativos, enquanto o real segue menos sensível ao cenário. Diante disso, a estratégia foi aumentar a exposição a ativos que podem se beneficiar tanto de uma melhora quanto de uma deterioração do ambiente macro, reforçando posições ligadas ao câmbio, petróleo e serviços básicos.

Gerdau [#GGBR4] e Copasa [#CSMG3] entram; Ambev [#ABEV3] e Allos [#ALOS3] deixam a carteira

O BTG incluiu Gerdau [#GGBR4], elevando a exposição ao dólar e ao mercado norte-americano, onde espera manutenção de margens elevadas e demanda resiliente por aço. A Copasa [#CSMG3] também passa a integrar o portfólio após a privatização, com expectativa de ganhos operacionais sob a gestão da Equatorial e potencial para dividendos mais robustos. Para abrir espaço, Ambev [#ABEV3] e Allos [#ALOS3] foram retiradas da carteira.

Petrobras [#PETR4] ganha mais espaço; carteira reforça exposição a petróleo, câmbio e infraestrutura

O BTG elevou o peso de Petrobras [#PETR4] de 10% para 15%, destacando o forte momento operacional, a capacidade de capturar margens maiores no refino e um dividend yield estimado em cerca de 10% com o petróleo a US$ 70. A carteira passa a ter 35% de exposição a serviços básicos e infraestrutura (Axia, Eneva, Copasa e Motiva), 20% a empresas dolarizadas (Embraer e Gerdau), além de manter posições em Itaú [#ITUB4], Cury [#CURY3] e Totvs [#TOTS3], buscando um portfólio mais equilibrado para diferentes cenários macroeconômicos.


Carteira Recomendada FIIs – BTG Pactual

Confira a carteira completa

O BTG Pactual promoveu um ajuste pontual em sua carteira recomendada de fundos imobiliários para agosto, reduzindo a exposição ao segmento de recebíveis e ampliando a participação em galpões logísticos. O banco destaca que a expectativa de cortes na Selic pode beneficiar os FIIs, mas avalia que a pressão sobre os juros longos e os riscos fiscais ainda exigem seletividade na alocação.

HGLG11 entra; KNIP11 tem posição reduzida

A principal mudança da carteira foi a redução da participação de KNIP11 em 3 pontos percentuais e a inclusão de HGLG11 com peso equivalente. Segundo o BTG, o ajuste busca otimizar a relação entre risco e retorno do portfólio, preservando uma visão positiva para o KNIP11, que segue entre as principais posições da carteira, ao mesmo tempo em que aproveita o desconto superior a 10% de HGLG11 em relação ao valor patrimonial e o potencial de distribuição extraordinária de rendimentos após a venda recente de um ativo.

Carteira amplia exposição a galpões e mantém foco em renda

Com a mudança, a carteira passa a contar com 17 fundos, dividend yield anualizado estimado em 12,4% e desconto médio próximo de 9% sobre o valor patrimonial. A exposição ao segmento de galpões logísticos aumentou de 22% para 25%, enquanto a participação em fundos de recebíveis foi reduzida de 50% para 47%, mantendo a estratégia voltada para geração de renda e diversificação entre diferentes segmentos do mercado imobiliário.


Carteira Dividendos – BTG Pactual

Confira a carteira completa

O BTG Pactual promoveu duas alterações em sua Carteira Recomendada de Dividendos para agosto, reforçando o perfil defensivo do portfólio. O banco incluiu Compass (PASS3) e Engie (EGIE3), substituindo Caixa Seguridade (CXSE3) e Ambev (ABEV3). Segundo a casa, a estratégia continua focada em empresas com geração consistente de caixa, previsibilidade de resultados e potencial de distribuição de dividendos.

Compass [#PASS3] e Engie [#EGIE3] entram; Caixa Seguridade [#CXSE3] e Ambev [#ABEV3] deixam a carteira

A Compass passa a integrar a carteira por reunir ativos regulados de distribuição de gás, receitas indexadas à inflação e potencial de crescimento por meio da plataforma de infraestrutura da Edge. Já a Engie foi adicionada após a correção recente das ações, com o BTG destacando sua qualidade operacional, previsibilidade de fluxo de caixa e valuation atrativo. Para abrir espaço, saem Caixa Seguridade e Ambev.

Itaú, Petrobras e Vale seguem entre as principais apostas para dividendos

O BTG manteve posições em Itaú [#ITUB4], Petrobras [#PETR4], Vale [#VALE3], Bradesco [#BBDC4], Allos [#ALOS3], Copel [#CPLE6], TIM [#TIMS3], Cury [#CURY3], Copasa [#CSMG3] e Axia Energia [#AXIA3]. O banco continua destacando a combinação de geração robusta de caixa, valuations atrativos e potencial de dividendos elevados como os principais pilares da carteira.


Carteira Dividendos – Safra

Confira a carteira completa

A Safra realizou três mudanças em sua carteira de dividendos para agosto. Saíram Caixa Seguridade (CXSE3), Telefônica Brasil (VIVT3) e Bradesco (BBDC4), enquanto entraram Aura Minerals (AURA33), Taesa (TAEE11) e Porto Seguro (PSSA3).

As alterações refletem a busca por empresas com maior potencial de geração de caixa e distribuição de dividendos. A Aura foi incluída pelo potencial de crescimento da produção e geração de caixa, a Taesa pela expectativa de retomada dos dividendos após o ciclo de investimentos e a Porto Seguro pela consistência operacional, rentabilidade elevada e valuation atrativo.

A carteira manteve 10 ações com peso igual de 10% cada e dividend yield estimado de 8,4%. Em julho, o portfólio avançou 0,45%, abaixo do IDIV (+3,00%) e do Ibovespa (+3,47%). Desde janeiro de 2020, a carteira acumula 89,6% de retorno, ligeiramente acima dos 88,3% do IDIV.


Carteira Top 10 ações – Safra

Confira a carteira completa

A Safra realizou apenas uma alteração em sua Carteira Top 10 para agosto: retirou Bradesco (BBDC4) e incluiu Weg (WEGE3). A mudança reduz a exposição ao setor bancário, diante de um cenário mais desafiador para o crédito, e aumenta a participação em uma empresa que apresentou resultados acima das expectativas no 2T26.

A entrada da Weg reflete a expectativa de revisões positivas nas projeções, impulsionadas pela expansão da capacidade produtiva, novas fábricas e crescimento da demanda, especialmente em transmissão, distribuição de energia e data centers.

Em julho, a carteira avançou 0,47%, abaixo do Ibovespa (+3,47%). Desde sua criação, em janeiro de 2012, acumula 371,2% de retorno, ante 204,9% do Ibovespa, mantendo histórico consistente de superação do índice de referência.


Carteira Top 10 BDRs – Safra

Confira a carteira completa

A Safra promoveu duas alterações em sua Carteira Top 10 BDRs para agosto: retirou Microsoft (MSFT34) e Charles Schwab (SCHW34), realizando lucros após a forte valorização das ações, e incluiu Alphabet (GOGL34) e Goldman Sachs (GSGI34). Além disso, elevou a participação em TSMC (TSMC34) e NextEra (NEXT34) e reduziu o peso de JP Morgan (JPMC34).

A entrada da Alphabet reflete a avaliação de que a recente correção abriu um ponto de entrada mais atrativo, sustentado pelo potencial de crescimento em inteligência artificial e computação em nuvem. Já o retorno do Goldman Sachs ocorre após uma queda das ações, mesmo com resultados sólidos, em meio à expectativa de retomada das atividades de investment banking, mercado de capitais e gestão de recursos.

Em julho, a carteira avançou 2,55%, superando o S&P 500 (-1,25%). Desde sua criação, em junho de 2015, acumula 764,7% de retorno, ante 524,8% do S&P 500, mantendo um histórico consistente de desempenho superior ao índice de referência.


Carteira BDR – Itaú

Confira a carteira completa

O Itaú realizou duas alterações em sua Carteira BDR para agosto: retirou Goldman Sachs e Micron e incluiu Visa (VISA34) e Exxon Mobil (EXXO34). A estratégia busca ampliar a exposição a empresas com bom momento gráfico e potencial de valorização, mantendo ainda Coca-Cola, Eli Lilly e TSMC na composição.

A entrada da Visa reflete a expectativa de continuidade da tendência de alta e potencial de valorização de 12,9%, enquanto a Exxon Mobil foi incluída diante do cenário favorável para o setor de energia e de sua configuração técnica positiva.

Em 2026, a Carteira BDR acumula alta de 5,72%, acima do BDRX (+1,43%). Desde seu lançamento, em maio de 2021, registra valorização de 102,08%, praticamente em linha com o BDRX (+103,16%).


Top ações – XP

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Na atualização do mês, a XP promoveu uma ampla revisão na Carteira Top Ações. A casa aumentou a exposição a [#ROXO34], de 5,0% para 7,5%, projetando uma recuperação nos resultados do 2T26, e elevou [#GGBR4] de 5,0% para 10%, diante da expectativa de continuidade do forte momento operacional na América do Norte.

Além disso, a participação de [#EMBJ3] foi ampliada de 5,0% para 10%, sustentada por uma carteira de pedidos robusta. A exposição a [#PETR4] também dobrou, de 5,0% para 10%, para reforçar o peso do setor de óleo e gás, enquanto [#SBSP3] passou de 5,0% para 7,5%, com a expectativa de que a Sabesp seja uma das principais beneficiadas por uma retomada do fluxo de investidores estrangeiros.

Por outro lado, a [#B3SA3] foi retirada da carteira diante de um cenário mais desafiador para o mercado de capitais, pressionado pela perspectiva de juros elevados por mais tempo. A [#RENT3] também deixou o portfólio em um movimento tático, embora a XP mantenha visão positiva para a companhia. Já [#IGTI11] teve sua participação reduzida de 10% para 7,5%, como parte da estratégia de diminuir a exposição da carteira a empresas ligadas à economia doméstica.


Carteira Top Dividendos Plus - XP

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Na atualização do mês, a XP incluiu [#TEND3] e [#ENGI11] na Carteira Top Dividendos Plus. A casa destaca o dividend yield atrativo e a melhora nas expectativas dos analistas para ambas as companhias, com base nos dados da LSEG.

Por outro lado, [#PLPL3] e [#POMO4] foram retiradas do portfólio em função da redução do dividend yield esperado e da piora nas expectativas dos analistas, também segundo dados da LSEG.

Além disso, a XP reduziu a participação de [#ITSA4] e [#PETR4] de 15% para 10%, em um movimento voltado ao reequilíbrio da estratégia da carteira.


Carteira Top Ações Globais - XP

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Na atualização do mês, a XP aumentou a exposição às ações da [#MU] e [#UBER], ambas de 0% para 2,5%, reforçando o posicionamento da Carteira Top Ações Globais.

Para acomodar as novas posições, a gestora reduziu a participação de [#AMZN], de 5,0% para 2,5%, e de [#XOM], de 7,5% para 2,5%.

Em julho, a carteira teve retorno de 1,9%, superando o iShares MSCI ACWI ETF (ACWI), que recuou 0,3% no período.


Carteira Top Dividendos Globais - XP

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Na atualização do mês, a XP incluiu [#WFC], [#AVGO], [#PEP] e [#VZ] na Carteira Top Dividendos Globais. A participação de WFC passou de 0% para 5,0%, enquanto AVGO, PEP e VZ entraram com peso de 2,5% cada.

Para acomodar as mudanças, a gestora reduziu a exposição a [#MS], de 7,5% para 5,0%, [#GS], de 10,0% para 7,5%, e [#CEG], de 5,0% para 2,5%. Além disso, [#VOD] foi removida da carteira.

Em julho, a carteira avançou 4,6%, superando o iShares Select Dividend ETF (DVY), que registrou alta de 3,1% no período.


Carteira Fundamentalista de FIIs - XP

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Na atualização do mês, a XP reduziu a exposição aos fundos [#LVBI11] e [#PVBI11], ambos em 0,75 ponto percentual, como parte de um ajuste para diminuir a participação em fundos de tijolo com menor carrego e menos gatilhos de valorização no curto prazo.

Em contrapartida, a gestora ampliou a alocação em [#XPLG11] em 1,5 ponto percentual, destacando a qualidade do portfólio, a menor volatilidade e o maior potencial de geração de retorno do fundo.

Em julho, a Carteira Fundamentalista de Fundos Imobiliários recuou 0,42%, ante queda de 0,32% do IFIX. No período, o portfólio entregou dividend yield mensal de 1,01%, equivalente a 12,2% anualizados, e acumula valorização de 12,2% nos últimos 12 meses, desempenho equivalente a 110% do IFIX.


Carteira Top Dividendos - XP

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Na atualização do mês, a XP reduziu a participação de [#CXSE3], de 7,5% para 5,0%, após a forte valorização recente das ações. A gestora segue positiva com a companhia, destacando a forte atividade comercial, a sinistralidade controlada e o benefício do ambiente de juros elevados, mas avalia que o valuation passou a oferecer menor margem de segurança.

Além disso, a exposição à [#CPLE3] foi reduzida de 15,0% para 10,0%, em um movimento de realização parcial de lucros após o bom desempenho do papel desde sua inclusão na carteira. A XP também vê um cenário de preços de energia mais pressionados no segundo semestre de 2026, diante dos possíveis impactos do El Niño sobre o regime de chuvas.

Por outro lado, a [#CSMG3] foi adicionada ao portfólio com peso de 7,5%. A casa destaca a visão construtiva para a execução da companhia sob a gestão da Equatorial, além do balanço enxuto e da ausência de restrições relevantes para distribuição de dividendos, fatores que devem sustentar dividend yields atrativos nos próximos anos.


Carteira Top Small Caps - XP

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Na atualização do mês, a XP incluiu [#SLCE3] e [#TUPY3] na Carteira Top Small Caps, ambas com peso de 5%. A casa vê um cenário mais favorável para os preços de soja e algodão, impulsionando a tese da SLC Agrícola, enquanto destaca uma perspectiva mais positiva para a recuperação do mercado de veículos pesados nos Estados Unidos e avanços em governança como fatores favoráveis para a Tupy.

Além disso, a exposição à [#ALUP11] foi ampliada de 5,0% para 12,5%, refletindo uma visão mais construtiva para ativos defensivos e resilientes.

Por outro lado, a [#POMO4] foi retirada da carteira devido à maior preocupação com a dinâmica de resultados da companhia. A XP também reduziu a participação de [#TTEN3] de 10% para 5%, diante de um cenário mais desafiador no curto prazo, embora mantenha uma visão positiva para a tese de longo prazo. Já [#VIVA3] teve seu peso reduzido de 10% para 5%, como parte da estratégia de diminuir a exposição a ativos domésticos e cíclicos.


Carteira Dividendos Gráfica – XP

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Na atualização de agosto, a Carteira Dividendos Gráfica realizou uma troca: [#AXIA3] foi retirada do portfólio e [#PRIO3] foi incluída.

A carteira é composta por 5 ativos, com peso de 20% cada, selecionados a partir das carteiras Top Dividendos e Top Dividendos Plus da XP. A estratégia busca retorno no médio prazo, utilizando exclusivamente análise técnica sobre os ativos selecionados.


Carteira Dividendos – Benndorf

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Na atualização da Carteira Benndorf Dividendos, [#AXIA3] foi incluída na carteira, enquanto [#FIQE3] também aparece entre as movimentações de compra. A estratégia mantém um perfil mais conservador, com foco principalmente em empresas de alta capitalização e objetivo de superar o IDIV no longo prazo.

Entre os ajustes de posição, a casa realizou aumentos em [#DIVO11] e [#SEER3], enquanto [#CXSE3] teve sua exposição reduzida. Os ajustes são justificados pela realização de lucros, adequação ao valuation e, principalmente, pelo alinhamento ao cenário técnico.


Carteira Small Caps Valorização – Benndorf

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Na atualização da Carteira Benndorf Small Caps Valorização, [#DIRR3] foi incluída entre as compras, enquanto [#PLPL3] também aparece entre os ativos classificados para compra.

Entre os ajustes de posição, a casa realizou aumento em [#SEER3] e redução em [#FIQE3]. A estratégia tem perfil mais arrojado, com foco principalmente em small caps e busca por assimetrias de mercado, visando superar o índice SMLL no longo prazo.


Carteira FIIs Renda – Benndorf

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Na atualização de agosto da Carteira Benndorf FIIs – Renda, a casa aumentou a exposição a [#CDII11] em 2,0% e a [#BTCI11] em 2,5%, utilizando os recursos provenientes das reduções realizadas em outros fundos.

Por outro lado, as posições em [#RZAT11] e [#RZAK11] foram reduzidas em 2,5% e 2,0%, respectivamente. A decisão considera a precificação favorável desses fundos em relação aos pares e a expectativa de redução dos rendimentos nos próximos meses, o que pode elevar a volatilidade das cotas.

Segundo a casa, o aumento em [#BTCI11] reflete o perfil indexado ao IPCA, o risco moderado e a relevante reserva de resultados acumulados, características que favorecem a geração de renda e a estabilidade do portfólio.


Carteira FIIs Valorização – Benndorf

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Na atualização de agosto, a Carteira Benndorf FIIs – Valorização zerou a exposição ao MANA11 e reduziu as posições em RECR11 e XPML11, após a boa precificação desses fundos em relação aos pares e a consequente redução do potencial de valorização no curto prazo. No caso do XPML11, a expectativa de queda nos rendimentos distribuídos também pode pressionar a cotação nos próximos meses.

Por outro lado, a exposição ao CDII11 foi elevada de 11,5% para 15,5%, buscando reduzir a volatilidade da carteira e aumentar a indexação ao CDI no curto prazo. A posição em HGLG11 também foi ampliada após a venda de um ativo logístico elevar a geração de caixa e os rendimentos do fundo. Além disso, o JSAF11 teve sua participação aumentada devido ao elevado desconto sobre o valor patrimonial, à qualidade da carteira e ao nível de caixa de aproximadamente 26% do patrimônio.


Carteira FI-Infra – Benndorf

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Na atualização de agosto, a Carteira Benndorf FI-Infra reduziu as posições em IFRI11, BINC11 e BIDB11. No caso de IFRI11 e BINC11, a casa espera uma normalização dos rendimentos após o encerramento das ofertas, enquanto os dois fundos negociam com ágio sobre o valor patrimonial. Já no BIDB11, a redução reflete a avaliação de que o fundo está adequadamente precificado e possui baixa liquidez.

Por outro lado, a exposição ao CDII11 foi elevada, aproveitando o desconto sobre o valor patrimonial após a forte desvalorização no semestre e a expectativa de distribuição mensal próxima a R$ 1,00 por cota. Além disso, JURO11 e DIVS11 também tiveram suas posições ampliadas, diante dos descontos em relação ao valor patrimonial, que oferecem maior margem de segurança.


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EUA falam em acordo para reabrir Ormuz "hoje ou amanhã". Petróleo desaba

4 de Agosto de 2026, 09:17

ONTEM (3 de agosto)

  • Trump cancelou o ataque planejado ao Irã e o mercado comprou o alívio: Brent caiu cerca de 5%, a US$ 83,5, o S&P 500 subiu 1,5%, o Nasdaq 2,1% e o Dow fechou em recorde, com a Amazon superando US$ 3 trilhões em valor de mercado.

  • O Ibovespa fechou estável aos 178.000 pontos, na contramão, pressionado por Petrobras (-0,85%) e Vale (-2,15%); o dólar subiu 0,34%, a R$ 5,087. Os DIs fecharam forte (Jan29 -13 bps, Jan33 -23 bps) com a queda do petróleo e a pesquisa Nexus, que mostrou a vantagem de Lula no 2º turno caindo de 4 pra 1 ponto (46 x 45).

  • Palantir reportou após o fechamento com vendas comerciais acima do esperado e guidance elevado; 25 estados americanos processaram o governo Trump contra o novo tarifaço.

HOJE / MADRUGADA (4 de agosto)

  • Trump chamou a nova rodada de “última chance” pro Irã e Teerã negou conversa direta com os EUA. Pela manhã, o Catar disse que já existe texto rascunhado pra um possível acordo, e o Brent, que tinha ido a US$ 86 de madrugada, virou pra queda. Na sequência, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, falou em acordo “hoje ou amanhã” pra reabrir Ormuz com livre circulação de navios, e o barril desabou: Brent perto de US$ 82, queda de mais de 2% no dia, e WTI abaixo de US$ 77.

  • O Copom inicia hoje a reunião de dois dias; corte de 0,25 ponto, pra 14,00%, amanhã é amplamente esperado. A produção industrial de junho sai às 9h.

  • Após o fechamento, a SpaceX divulga o primeiro balanço como empresa listada, com a ação valendo cerca de metade do preço do IPO; AMD reporta no mesmo dia.

Mais um rascunho que segura o preço do petróleo. Vamos ver se dessa vez vai. De madrugada, o ultimato da “última chance” e o desmentido do Irã devolveram prêmio ao barril, que foi a US$ 86; pela manhã, o Catar disse que já existe texto rascunhado e o Brent devolveu a alta. A mensagem abaixo saiu nesse cenário. Na sequência, veio a fala mais forte do dia: Scott Bessent, secretário do Tesouro, disse à CNBC que pode haver acordo “hoje ou amanhã” pra reabrir Ormuz com livre circulação de navios, e o barril desabou de vez: Brent perto de US$ 82, WTI abaixo de US$ 77. O mercado usou a fala pra confirmar o movimento da manhã. Rascunho não é mais do que o acordo preliminar que EUA e Irã chegaram a fechar no fim de maio, e nem aquele segurou a guerra. A diferença é que agora existe prazo pra cobrar: hoje ou amanhã. O padrão segue valendo: o prêmio de guerra sai na promessa, mas só some com assinatura.

8h15: a manchete do Catar zera a alta da madrugada. Brent de US$ 86 pra US$ 84 (TradingView)
8h15: a manchete do Catar zera a alta da madrugada. Brent de US$ 86 pra US$ 84 (TradingView)
Bessent na CNBC: “pode haver acordo hoje ou amanhã pra abrir o estreito” (CNBC)
Bessent na CNBC: “pode haver acordo hoje ou amanhã pra abrir o estreito” (CNBC)
9h09: depois da fala de Bessent, o tombo. Brent a US$ 81,7, queda de mais de 2% no dia (TradingView)
9h09: depois da fala de Bessent, o tombo. Brent a US$ 81,7, queda de mais de 2% no dia (TradingView)

Ontem em Wall Street: S&P +1,5%, Dow no recorde e Amazon entrando no clube dos US$ 3 trilhões. A Palantir (empresa de software) engordou o movimento depois do sino, com demanda comercial que o próprio CEO chamou de “de outro mundo”. Alex Karp (CEO) usou a carta a acionistas pra atacar OpenAI e Anthropic, sinal de que nem ele descarta os laboratórios invadindo o terreno dela. Hoje a SpaceX solta o primeiro balanço como empresa listada valendo metade do IPO, com um lockup de mais de US$ 100 bilhões em ações vencendo na quinta.

E o Brasil assistiu à festa de camarote. O mesmo barril que segurou o Ibovespa no zero a zero, derrubando Petrobras, fechou os juros na ponta longa, junto com a Nexus apertando a corrida. É o dilema local em uma linha: petróleo barato é ruim pro índice e ótimo pra curva. A semana decide muita coisa: o Copom começa a reunião hoje com corte pra 14% dado como certo, Itaú, Bradesco e Petrobras reportam até quinta, Flávio faz sabatina às 11h e Lula abre às 14h, no g1 e na GloboNews, a série de entrevistas com os cinco primeiros das pesquisas, que fecha justamente com Flávio no dia 10, talvez ainda sem vice.

Segue a versão resumida disso tudo que falei (antes da fala do Bessent):

O Catar diz que o acordo EUA-Irã já tem rascunho. Petróleo devolve alta da madrugada

📅 4 de agosto. Bom dia.

🛢️ Trump falou em “última chance”, o Irã negou conversa direta e, nesta manhã, notícia que o Catar tem um rascunho de acordo. Por enquanto o mercado tá comprando o rascunho. O Brent, que foi a US$ 86 na madrugada, zerou a alta, a US$ 84. Rascunho ainda não é assinatura.

📈 Ontem S&P +1,5%, Dow no recorde e Amazon acima de US$ 3 tri. Hoje o teste é a SpaceX, 1º balanço como listada, valendo metade do IPO. Futuros sobem agora pela manhã e tem dado de emprego nos EUA (JOLTS).

🇧🇷 Ibovespa no zero a zero ontem, na contramão: petróleo e minério derrubaram Petrobras e Vale. Juros fecharam forte com a Nexus e o barril desabando.

🏦 Copom começa hoje, corte pra 14% amanhã dado como certo. Na temporada, Itaú, Bradesco e Petrobras até quinta.

🗳️ Flávio segue sem vice e noticiário vem se mostrando mais negativo ao governo na esteira das investigações sobre o INSS. Lula fala com o G1 hoje.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Geopolítica / Petróleo

  • Trump cancela ataque ao Irã, fala em “última chance”; Irã nega negociação direta, conversa com Omã sobre Ormuz (Bloomberg, WSJ, NYT, XP News Press, BTG Morning Call)

  • Brent -5% ontem a US$ 83,5; hoje foi a US$ 86 de madrugada e despencou pra perto de US$ 82 com Catar e Bessent (WSJ, BTG Morning Call, XP Furla News, TradingView)

  • Bessent, secretário do Tesouro, diz à CNBC que acordo pra reabrir Ormuz com livre circulação pode sair “hoje ou amanhã”; WTI cai cerca de 4%, abaixo de US$ 77, após a fala (CNBC)

  • OPEP+ eleva produção em 188 mil barris/dia, mas vários membros não atingem meta (XP Furla News, AFP)

  • Tráfego em Ormuz segue no mínimo; NYT vê acordo emergente cimentando controle iraniano do estreito (Bloomberg, NYT)

  • Trump ataca Chevron e Exxon por “lucrar demais”: lucros recordes no 2T (US$ 12 bi e US$ 14,5 bi) (BTG Morning Call, WSJ)

Balanços / Empresas Brasil

  • Semana concentra os pesos-pesados: Itaú, Bradesco e Petrobras reportam entre terça e quinta (Empiricus)

  • Temporada até aqui: Embraer surpreendeu positivamente com carteira recorde de US$ 34,5 bi (The Economist: “esqueçam Airbus e Boeing”); Vivo, TIM, Santander e Usiminas vieram abaixo do esperado (XP Resumo Semanal, Estadão)

  • Multiplan: trimestre sólido, NOI acima das expectativas; Irani em linha; prévias de produção de PRIO e Brava (XP Morning Call)

  • Destaques da semana passada: MBRF3 +18,2% com abertura da fronteira de gado México-EUA; USIM5 -13,7% com perspectiva de 3T fraco (XP Resumo Semanal)

  • Itaú vende operação de varejo na Colômbia e Panamá por R$ 2,5 bi (Resumo do Mercado)

  • Cogna incorpora a Vasta e vira controladora direta da Somos (BTG Morning Call)

  • BMG Foods pede recuperação judicial com R$ 3,5 bi em dívidas; RJs no agro crescem 66% em um ano (Resumo do Mercado, Globo Rural via XP)

  • Ambev sente ressaca da Copa nas vendas de bebidas (Resumo do Mercado/Pipeline)

  • Vinci vende participação em 9 shoppings do VISC11 pra Tivio/Bradesco por R$ 573 mi (Resumo do Mercado)

Mercados / Tech

  • S&P +1,5%, Nasdaq +2,1%, Dow em recorde; S&P na porta da máxima histórica (Bloomberg, WSJ, Barron’s)

  • Amazon supera US$ 3 tri; Bezos protocola venda de US$ 4 bi em ações (WSJ, Bloomberg)

  • Palantir: demanda comercial “otherworldly”, guidance elevado, +15% no pré (Bloomberg, Barron’s)

  • SpaceX reporta hoje: 1º balanço como listada, ação -49% do pico, lockup libera 911,5 mi de ações (~US$ 100 bi) quinta (WSJ, Barron’s, Bloomberg)

  • Agenda cheia: AMD, McDonald’s, Merck, Pfizer, Caterpillar hoje; payroll sexta (est. 87,5 mil vagas, desemprego 4,3%) (WSJ, XP Furla News)

  • Hedge funds pagaram a conta do selloff de IA em julho: Millennium -2,1%, Coatue -8% (Bloomberg)

  • Alibaba lança Qwen3.8-Max; China estreita gap em IA; Pequim preocupada com capacidades cyber do Mythos da Anthropic (Bloomberg)

  • AstraZeneca e Bristol Myers em conversas de fusão de ~US$ 400 bi (FT via Bloomberg, WSJ)

  • 25 estados processam o tarifaço de Trump baseado na Section 301 (FT, Bloomberg, Estadão, BTG Morning Call)

  • Treasury eleva estimativa de captação do trimestre pra US$ 739 bi (Barron’s)

Câmbio / Fed

  • Intervenção conjunta EUA-Japão no iene (1ª em 15 anos, ~US$ 34 bi na sexta); rally já perde força, teste é o 155 (Bloomberg, WSJ, NYT)

  • Warsh estuda reduzir reuniões do Fed de 8 pra 6 por ano (NYT via XP Fechamento, Bloomberg)

  • CME: ~67% de chance de alta em setembro (WSJ Wealth Adviser)

  • Barkin: manter ou subir é “close call” (WSJ)

Brasil: macro e agenda

  • Ibovespa estável aos 178.000 na contramão do mundo, pressionado por Petrobras e Vale; DIs fecham forte (Jan29 -13 bps, Jan33 -23 bps) com Nexus + petróleo; dólar a R$ 5,087 (BTG Morning Call, XP Fechamento)

  • Copom inicia reunião hoje; corte de 25 bps a 14,00% amplamente esperado, comunicação neutra (XP Macro, Estadão, Broadcast)

  • PIM de junho hoje às 9h (est. -0,9% m/m; XP -0,7%) (XP News Press)

  • IBS e CBS passaram a aparecer nas notas fiscais ontem: 1ª fase visível da reforma tributária (XP Furla News, O Globo)

  • Dívida bruta a 81,9% do PIB, maior desde abril/2021; déficit nominal em 10% do PIB (XP Macro, Valor)

  • Subvenção ao diesel pós-guerra já custa R$ 7 bi (Folha via XP)

  • Desenrola 2.0 prorrogado até 31/8 (Poder360 via XP Furla)

  • Semana ainda tem balança comercial (XP: superávit de US$ 8,5 bi) e IGP-DI (XP Week Ahead)

  • Inmet: El Niño pode ser “muito forte” no 2º semestre, risco de eventos extremos (Estadão)

  • Governo reduz previsão de leilões de rodovias de 14 pra 10 (Folha)

Eleições

  • Nexus: 2º turno Lula 46 x 45 (vantagem cai de 4 pra 1 pp); 1º turno 41 x 37; aliados de Lula contestam recorte do Nordeste (Nexus/BTG, XP News Press, Metrópoles)

  • Flávio sem vice: Republicanos sinaliza neutralidade (17 diretórios contra), Podemos deve seguir, PP mantém veto a Tereza Cristina; definição pode ir até 15/8 (XP News Press, Folha, O Globo, Estadão)

  • Risco de chapa “puro-sangue” PL com vice radical (Estadão/Roseann Kennedy)

  • Lula teme abstenção e teto eleitoral; escala Durigan como porta-voz pro mercado (Estadão, Folha)

  • Lulinha: amiga lobista fez 41 visitas fora da agenda; PF ganha 3º inquérito, Dino relator (Estadão, O Globo/Traumann)

  • Convenções terminam amanhã (5/8); Quaest e Boas Ideias podem sair a partir de amanhã (XP News Press)

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: primeiro dia da reunião do Copom e produção industrial de junho às 9h. Nos EUA, JOLTS e balança comercial. Na eleição, Flávio em sabatina às 11h e Lula abre às 14h a série de entrevistas do g1 e da GloboNews com os cinco primeiros das pesquisas (1h30 ao vivo, com Andréia Sadi e Natuza Nery): sinal fiscal dele hoje chega ao mercado na véspera da decisão do Copom. Nos balanços, McDonald’s, Merck, Pfizer e Caterpillar antes da abertura; SpaceX e AMD após o fechamento, com o balanço da SpaceX como o evento do dia.

  • Quarta: Copom decide a Selic, com corte de 25 bps pra 14,00% amplamente esperado e comunicação neutra. Último dia do período de convenções partidárias. ADP nos EUA. Disney, Uber e Eli Lilly reportam. Quaest e Boas Ideias podem sair a partir de amanhã. Renan Santos é o entrevistado do dia na série do g1/GloboNews.

  • Quinta: vence o primeiro lockup da SpaceX, liberando 911,5 milhões de ações (cerca de US$ 100 bi). Balança comercial de julho no Brasil, com a XP projetando US$ 8,5 bi de saldo. Jobless claims nos EUA. Zema na série de entrevistas.

  • Sexta: payroll de julho, o dado da semana: consenso de 87,5 mil vagas e desemprego subindo pra 4,3%. Com a aposta de alta do Fed em setembro rondando 67% na CME, é o número que pode mexer no juro do mundo. Por aqui, IGP-DI. Caiado na série de entrevistas.

  • Sábado: balanço da Berkshire Hathaway.

  • Segunda (10/8): Flávio fecha a série de entrevistas do g1/GloboNews, já fora do período de convenções e possivelmente ainda sem vice definido, que pode sair até 15/8.

Trump cancela o ataque (de novo) e o barril desaba 5% (de novo)

3 de Agosto de 2026, 08:51

ONTEM (sexta a domingo, 31 de julho a 2 de agosto)

  • Ibovespa fechou sexta a 178.345 pontos (+0,5% no dia, +2,3% na semana), dólar a R$ 5,07 e DI fechando de 4 a 8 bps, em pregão prejudicado por falha operacional da B3 pela manhã. Lá fora, S&P +0,7% e Nasdaq +1,0%, com Brent a US$ 90,1 e Treasury de 30 anos a 5,25%.

  • EUA e Japão fizeram na sexta a primeira intervenção conjunta no iene em 15 anos, com US$ 52,8 bilhões em um único dia, a maior da história; o iene vinha da mínima em 40 anos.

  • No fim de semana, Trump cancelou o ataque planejado ao Irã e disse que as conversas começam nesta segunda; o PT oficializou a chapa Lula-Alckmin, o PL anunciou Michelle candidata ao Senado pelo DF e o PP vetou Tereza Cristina como vice de Flávio.

HOJE / MADRUGADA (3 de agosto)

  • Brent cai cerca de 5%, a US$ 83,5, e WTI recua 6%, a US$ 79,4; futuros americanos sobem (S&P +0,6%, Dow +0,8%) e o Treasury de 10 anos cede 5 bps, a 4,68%. A OPEP+ elevou a cota em 188 mil barris/dia.

  • Nexus: Lula 41% x Flávio 37% no 1º turno (era 42 x 33) e 46% x 45% no 2º turno, com a vantagem caindo de 4 pp para 1 pp.

  • PMIs finais de manufatura: Alemanha 52,2, Zona do Euro 51,9, Reino Unido 51,9. Nos EUA saem PMI final e ISM às 11h. IBS e CBS passam a aparecer nas notas fiscais brasileiras hoje.

Terceira vez em duas semanas que o mesmo filme passa. Em 24 de julho o Brent furou os US$ 100 com os petroleiros atingidos no Mar Vermelho, no dia 27 escrevi que o barril desabava 8% com a diplomacia respirando, e no dia 29 a trégua quebrou bem no dia do Fed. Agora Trump cancela o ataque, marca conversa pra hoje e o barril devolve 5% de uma vez, com a OPEP+ ainda somando 188 mil barris/dia de cota do lado da oferta.

Trump no Air Force One, domingo: ataque cancelado e negociação marcada pra segunda (Bloomberg)

EUA e Japão compraram iene juntos pela primeira vez em 15 anos, US$ 52,8 bilhões num único dia, a maior operação da história. O Japão é o maior detentor estrangeiro de títulos americanos, e com o juro de 30 anos dos EUA a 5,25%, perto da máxima em 19 anos, segurar o iene virou interesse dos dois lados. E esse juro longo conversa com o que vimos por aqui: o estrangeiro voltou pra bolsa brasileira em julho, R$ 3,3 bilhões, mas o raio-x da XP mostra que o dinheiro parou em banco e defensiva. A cíclica doméstica segue como o único segmento com saída no ano, pressionada por um juro real perto de 8%, máxima histórica.

A semana ajuda a decidir se esse alívio tem perna: Copom quarta, com a XP vendo corte de 25 bps a 14%, o primeiro balanço da SpaceX como empresa listada amanhã e o payroll americano na sexta. Sobre eleição: a Nexus viu a vantagem de Lula no segundo turno encolher de 4 pra 1 ponto, dentro da margem de erro, enquanto no Polymarket a chance de vitória dele segue em 66%, perto da máxima, com Flávio chegando à reta final sem vice.

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Trump cancela o ataque e o barril desaba 5%. Dessa vez o alívio dura?

📅 3 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

🛢️ Trump cancelou o ataque ao Irã e marcou conversa pra hoje. Brent cai 5%, a US$ 83, devolvendo tudo que a escalada colocou, e a OPEP+ elevou a produção. Terceira vez em duas semanas que o alívio vem de promessa, não de acordo assinado. Futuros em NY sobem 0,6%.

💴 EUA e Japão compraram iene juntos pela 1ª vez em 15 anos. O Japão é o maior detentor estrangeiro de título americano, então segurar o iene é interesse dos dois.

🇧🇷 Ibovespa fechou julho a 178 mil, +3,5%, com estrangeiro voltando com R$ 3,3 bi. Mas, pela XP, o dinheiro parou em banco e defensiva: cíclica doméstica segue como o único setor com saída no ano. Juro real na máxima histórica, perto de 8%. Copom quarta.

🗳️ Nexus: Lula 46 x Flávio 45 no 2º turno, vantagem cai de 4 pra 1 ponto. Já no Polymarket ele está em 66%, perto da máxima. Voto não é chance de vitória.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Geopolítica e petróleo

  • Trump cancelou ataque ao Irã e marcou negociações para hoje, citando pedidos da Arábia Saudita e outros aliados; sugere acordo próximo para reabrir Ormuz (Bloomberg, WSJ, NYT, News XPress, XP Furla)

  • Chanceler iraniano Araghchi diz que negociação Irã-Omã sobre nova rota em Ormuz está em fase final, mas sem tratar da abertura do estreito (Bloomberg)

  • Brent cai ~5% a US$ 83,5 e WTI ~6% a US$ 79,4, depois de os futuros subirem mais de 20% em julho (Bloomberg, WSJ, XP Furla)

  • OPEP+ eleva cota em 188 mil barris/dia, completando a retirada do segundo dos três pacotes de corte; vários membros não conseguem cumprir metas por falta de capacidade (AFP via XP Furla)

  • Editorial do WSJ questiona o “DEAL” de Trump com o Irã pela falta de detalhes (WSJ Opinion)

  • NYT: durante a trégua, o Irã articulou com proxies plano para elevar o custo de um novo ataque americano (NYT)

Câmbio e juros globais

  • Primeira intervenção conjunta EUA-Japão no iene em 15 anos; US$ 52,8 bi em 31 de julho, maior operação de um dia da história (Bloomberg, NYT, John Authers/Bloomberg)

  • Bessent usou venda de euros para comprar iene, algo classificado como inédito, provavelmente para não pressionar o dólar e, por tabela, os juros americanos (Bloomberg Economics, HSBC via Bloomberg, FT via Bloomberg)

  • Bessent defende ampliar a FIMA repo do Fed para o Japão obter dólares sem vender Treasuries (Bloomberg Economics)

  • Japão é o maior detentor estrangeiro de Treasuries; risco central é venda de títulos pressionar as taxas (Bloomberg Markets Daily)

  • Treasury de 30 anos fechou sexta a 5,25%, perto da máxima em 19 anos; 10 anos em 4,68% hoje (XP Furla, Barron’s, Bloomberg)

  • Juro real americano de 10 anos subiu 26 bps em um mês, a 2,44%, com a inflação implícita parada em 2,20% (Empiricus Crypto Pulse)

  • Yen carry trade sofreu abalo com a intervenção; BoJ manteve juro em 1% e é cobrado a subir em setembro (John Authers/Bloomberg, Bloomberg Politics)

Fed

  • Warsh estuda reduzir as reuniões de política monetária de 8 para 6 por ano, mais dois encontros temáticos, e cortar coletivas (NYT via XP Macro Strategy, Bloomberg)

  • Fed manteve juros em 3,50%-3,75% por 9 a 3, com Hammack, Kashkari e Logan votando por ALTA (Empiricus Crypto Pulse, WSJ)

  • Barkin (Richmond): é “close call” se a política está restritiva o bastante; vê “caso forte” para mais aperto (WSJ Wealth Adviser)

  • Aposta de alta em setembro na CME: 67% (Dow Jones Newswires/WSJ) e 81% (Empiricus), contra menos de 53% uma semana antes

  • Gestores dizem que o estilo de Warsh gera volatilidade, mas abre alfa (Angel Oak via WSJ Wealth Adviser)

Mercados e tecnologia

  • Futuros americanos em alta com petróleo e juros cedendo (WSJ, Bloomberg, XP Furla)

  • Barron’s: mercado não pode mais contar com a big tech como motor; capex de IA fica difícil de digerir com juros longos subindo (Barron’s)

  • Balanços da semana: SpaceX (1º como listada, terça), AMD, Palantir hoje, Disney, McDonald’s, Uber, Eli Lilly (WSJ, Barron’s)

  • SpaceX vale US$ 1,4 tri, ação 20% abaixo do IPO; braço de IA teve receita de US$ 818 mi e prejuízo operacional de US$ 2,5 bi no 1T (Barron’s)

  • Alibaba lançou o Qwen3.8-Max, com 2,4 tri de parâmetros, dias depois do Kimi K3 (Bloomberg)

  • AstraZeneca e Bristol Myers discutiram fusão de cerca de US$ 400 bi; AZN cai 6% (Bloomberg, WSJ, FT)

  • Quatro maiores do setor de data centers já comprometeram US$ 2,4 tri em gastos futuros (Bloomberg)

  • Onda de dívida ligada a IA ameaça inundar o mercado de bonds (WSJ)

  • Buffett Indicator em 230%, recorde; ajustado por receita doméstica, 144%, ainda historicamente caro (WSJ Markets A.M.)

Brasil: fiscal e macro

  • Dívida bruta a 81,9% do PIB, maior desde abril de 2021; déficit nominal em 10,0% do PIB; XP projeta 83,2% no fim de 2026 (XP Macro)

  • IFI projeta dívida bruta em 95,7% do PIB no último ano do próximo governo (Folha via XP Furla)

  • Ceron (Fazenda): ajuste do próximo governo tem “vários caminhos”, possível desacelerar despesas sem grandes reformas (Valor)

  • Durigan tenta se colocar como porta-voz econômico da campanha e acena com aperto no arcabouço, o que desagradou a ala mais radical do PT (Estadão, Folha, XP Política)

  • Copom decide quarta; XP espera corte de 25 bps, a 14,00%, com comunicação neutra (XP Macro Research)

  • IPC-S da 4ª semana de julho hoje, com projeção XP de -0,09% (XP Macro Research)

  • Ibovespa fechou julho em 178.345 pontos, +3,5% no mês em reais e +5,3% em dólares; estrangeiro entrou R$ 3,3 bi em julho e R$ 37,1 bi no ano (XP Furla, XP Research)

  • IBS e CBS passam a constar nas notas fiscais hoje, primeira fase da reforma tributária (O Globo via XP Furla)

  • Estadão: empresas calculam perdas e estocam com o tarifaço, que poupa a maior parte da pauta exportadora mas atinge nichos regionais (Estadão)

  • Raio-XP de julho: fluxo estrangeiro voltou concentrado em Financeiro e Defensivas; cíclicas domésticas seguem como o único segmento com saída líquida de estrangeiro em 2026 (XP Research/Raio-XP)

  • Juro real longo das NTN-Bs perto de 8%, máxima histórica, contra cerca de 3% nos EUA; construção civil caiu 11,7% e saneamento 4,8% em julho, num mês de índice +3,5% (XP Research/Raio-XP)

  • XP mantém valor justo do Ibovespa em 200 mil pontos para o fim de 2026, com P/L a 8,4x e índice de sentimento perto de “extremo pessimismo” (XP Research/Raio-XP)

Brasil: eleição

  • Nexus de hoje: Lula 41 x Flávio 37 no 1º turno, 46 x 45 no 2º turno, vantagem caindo de 4 pp para 1 pp (XP Macro Strategy, XP Política)

  • Convenção do PT oficializou Lula-Alckmin; Lula prometeu disputar emendas com o Congresso, investir em defesa e proteger terras raras, mas evitou falar de ajuste fiscal (XP Política, Folha, Estadão, O Globo)

  • PP vetou Tereza Cristina como vice de Flávio e declarou neutralidade; federação PP-União também disse não ao PL (Folha, O Globo, Estadão, XP Macro Strategy)

  • Flávio chega à reta final sem vice; convenções terminam quarta e registro vai até 15 de agosto (O Globo, G1, News XPress)

  • Michelle Bolsonaro anunciada candidata ao Senado pelo DF, sem comparecer ao evento, alegando crise de enxaqueca; disse que “caminhará com Flávio” (Estadão, Folha, CNN via XP Furla)

  • Flávio defende regra fiscal com gatilho de corte de gastos quando a dívida atingir certo patamar (Estadão)

  • Renan Santos (MBL) lançado candidato pelo partido Missão, atacando Lula e Flávio (the news, Estadão)

  • PF abriu dois inquéritos sobre Lulinha; Lula pediu que o filho volte da Espanha para depor ainda em agosto (Thomas Traumann/O Globo, Estadão)

  • Deepfake de Bolsonaro usado em convenção do PL leva TSE a discutir regras sobre IA (O Globo, Valor)

  • Polymarket precifica 66% de chance de vitória de Lula, perto da máxima e vindo de 44% em maio; Flávio em 24,7%, com volume total de US$ 118 milhões no mercado (Polymarket)

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: Focus, IPC-S, PMI e ISM de manufatura nos EUA às 11h; Palantir reporta após o fechamento. BC entra em silêncio pré-Copom.

  • Terça: o dia mais aguardado da semana nos balanços: SpaceX estreia como empresa listada, com AMD e McDonald’s no mesmo dia. Nos dados, balança comercial dos EUA e JOLTS.

  • Quarta: Copom decide a Selic, com a XP vendo corte de 25 bps a 14% e comunicação neutra. Sai a produção industrial de junho por aqui e o ADP nos EUA. Disney, Uber e Eli Lilly reportam.

  • Quinta: jobless claims nos EUA e balança comercial de julho no Brasil, com a XP projetando US$ 8,5 bi de saldo.

  • Sexta: payroll de julho, o dado da semana: consenso de 87,5 mil vagas e desemprego subindo a 4,3%. Com Warsh sem dar pistas, é o número que pode reacender a aposta de alta de juros nos EUA.

Fed sinaliza alta. Copom segue no corte com fiscal cada vez pior

2 de Agosto de 2026, 18:25

Panorama da Semana

Nos Estados Unidos o FOMC manteve os juros parados essa semana, como esperado, mas com três dissidências hawkish (Hammack, Kashkari e Logan), o maior número em anos. Os três pediram alta de 25 pontos base e listaram os mesmos argumentos: impaciência com a inflação acima da meta há mais de cinco anos, avaliação de que a inflação segue elevada mesmo descontando choques recentes e receio de que adiar um movimento pequeno agora obrigue o Fed a fazer ajustes mais bruscos depois.

O ponto mais relevante da semana foi segunda entrevista coletiva do (ainda) novo presidente Warsh. Foi a pior performance desde que essas entrevistas começaram em 2012. Warsh não conseguiu ecoar o consenso de mais juros do comitê e ainda colocou em dúvida o uso do PCE como referência do Fed, sugerindo que as forças-tarefa criadas recentemente poderiam mudar a métrica de inflação usada pelo comitê a partir de janeiro. O mercado odiou. A curva de juros abriu (mercado atribuindo mais juros no futuro).

Diante do dano à credibilidade do Fed, a próxima alta de juros foi antecipada pelo mercado através dos contratos futuros de juros. Antes projetada só para o segundo semestre de 2027, agora a expectativa é dezembro desse ano, com a taxa terminal em 3,75% a 4,00%. Existe risco real de a alta vir já em setembro, dependendo de dois relatórios de emprego e dois de CPI que saem até lá.

O payroll de julho sai na sexta, com projeção de 75 mil vagas e desemprego subindo de 4,2% para 4,3%. Os PMIs globais também devem mostrar continuidade do crescimento mundial, que rodou em 2,5% anualizado no primeiro semestre. O viés segue sendo de alta do Fed até o fim do ano, com risco maior de o comitê precisar subir juros mais de uma vez ainda este ano.

No Brasil o cenário para o Copom de quarta que vem é de corte de 25 pontos base, o quarto consecutivo, alinhado com mercado e consenso. Vemos o ciclo se estender até setembro com outro corte de 25 pontos, levando a Selic a 13,75% antes de uma pausa.

O IPCA-15 de julho, divulgado essa semana, veio novamente fraco, com o núcleo desacelerando para 4,4% na média móvel trimestral anualizada e 4,9% na de seis meses. Mesmo distante da meta de 3%, essa sequência de leituras deve seguir firme pelo menos até a reunião do Copom em setembro e mostra que a dinâmica de curto prazo melhorou bastante frente ao início do ano.

A atividade também esfriou. O crédito segue desacelerando após a forte aceleração do início do ano, mesmo com recuperação pontual em empréstimos corporativos em junho. A confiança de consumidores e empresas caiu de forma generalizada em julho, com destaque negativo para serviços. A produção industrial de junho, que sai na terça, deve mostrar queda de 0,7% no mês, primeiro dado duro a confirmar essa fraqueza.

As contas externas seguem sendo o ponto de alívio do ano. O déficit em conta corrente caiu de 3% para 2,5% do PIB nos doze meses até junho, com expectativa de fechar o ano em 2,3%. Descontando o investimento direto brasileiro no exterior, o déficit em conta básica ficou em 0,2% do PIB, o melhor resultado em quase dois anos.

Já o quadro fiscal piora a cada divulgação. O déficit primário foi de 0,4% para 1,2% do PIB frente ao fim do ano passado, puxado pelo governo central e, mais recentemente, também por um déficit surpreendentemente alto em governos regionais e estatais. Com despesa de juros subindo e a reversão do ganho cambial do ano passado em perda esse ano, o déficit nominal acumulado em doze meses chegou a 10% do PIB em junho, ante pouco mais de 8% no fim de 2025. Esse número sai atualizado na sexta.

Para o restante do ano o BCB deve ficar mais cauteloso a partir de outubro. Os efeitos iniciais do El Niño somados a juros mais altos nos países desenvolvidos pressionam a inflação, enquanto o crédito direcionado do governo sustenta a atividade e limita o espaço para novos cortes depois de setembro.

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Retomada de risco pra fechar o mês?

31 de Julho de 2026, 09:40

ONTEM (30 de julho)

  • Wall Street se recuperou: S&P 500 +1,66%, Nasdaq +2,78% e o índice de semicondutores +8%, maior alta diária desde abril de 2025. Microsoft subiu 16% e ganhou US$ 450 bi de valor num pregão, recorde histórico para uma ação; Meta caiu 8% na 11ª queda seguida.

  • Nos dados, PIB do 2T dos EUA em 1,5% anualizado (esperado 2,0%) e núcleo do PCE de junho em 0,1% no mês, abaixo do consenso; ainda assim, o juro de 30 anos seguiu em 5,2%, máxima desde 2007.

  • Brasil: Ibovespa +1,88%, a 177 mil, na máxima do dia; dólar caiu 0,92%, a R$ 5,06; desemprego de 5,4% no trimestre até junho, menor da série do IBGE.

HOJE / MADRUGADA (31 de julho)

  • Kospi disparou 17,9%, maior alta diária da história do índice, com SK Hynix +30% e Samsung +27%; futuros de NY sobem, Amazon avança 10% no pré e Apple cai 7% com guidance fraco por falta de chips.

  • BoJ manteve juros em 1,0% com tom hawkish; PMI industrial da China caiu a 49,2, primeira contração em 5 meses; inflação da zona do euro acelerou a 2,9%.

  • Irã atacou bases dos EUA no Kuwait e no Barein de madrugada; Brent perto de US$ 89, a caminho de fechar julho com alta de cerca de 20%.

Ontem escrevi que o silêncio do Warsh só vira problema quando tem barulho lá fora, e que o mercado tinha respondido apertando sozinho. O alívio que veio depois teve mais de uma mão: PIB do 2T em 1,5% e núcleo do PCE abaixo do esperado poderiam dar munição contra a alta de juros (embora o mercado de juros não tenha reagido muito a isso). Mas a história do dia eu não sabia que existia até virar manchete: o Situational Awareness, fundo de um gestor de 24 anos que chegou a US$ 45 bi apostando alavancado em IA, perdeu 67% em julho e vendeu a carteira à Citadel pra cobrir margem. O mercado leu como sinal duplo: sai o medo de liquidação forçada despejando ações, entra um comprador do tamanho da Citadel.

Vale separar os três termômetros de IA que aparecem na mensagem, porque eles medem coisas diferentes. O Nasdaq é o mais amplo: tecnologia em geral, dominado pelas big techs, e por isso o mais comportado, com alta de 7% no ano e queda de 2,7% em um mês. O índice de semicondutores da Filadélfia reúne 30 fabricantes de chips listados nos EUA, de Nvidia e Micron a TSMC via recibos; Samsung e SK Hynix ficam de fora. E o Kospi, a bolsa da Coreia, virou na prática uma aposta nessas duas. Quanto mais concentrado em chip, maior a montanha-russa: semicondutores e Kospi sobem 55% e 56% no ano e caem 18% e 23% em um mês, contra os 2,7% do Nasdaq. O tombo foi cirúrgico, e é cedo pra cravar que a faxina acabou: na Coreia, o rali de hoje veio com o regulador restringindo ETF alavancado, não estimulando.

Escrevi ontem que o mercado só paga o capex de quem mostra receita junto, e a Amazon confirmou horas depois: nuvem acelerando pelo quinto trimestre seguido e ação subindo 10% no pré, e a Apple caiu 7% pela outra face da escassez, o custo da memória. O mês fecha hoje com o primário de junho e a bandeira tarifária de agosto por aqui; nos EUA, Exxon e Chevron reportam e as tarifas temporárias de 10% de Trump expiram. No domingo, Lula oficializa a candidatura, e a chapa de Flávio se define com as convenções até quarta, mesma semana em que o Copom decide com o IPCA-15 de 0,06% no bolso. O Brasil aproveitou a janela (Ibovespa a 177 mil, dólar a R$ 5,06).

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Retomada de risco pra fechar o mês?

📅 31 de julho. Bom dia.

🏦 Warsh pouco disse e o juro de 30 anos foi à máxima desde 2007. Mas ontem PIB (1,5%) e PCE vieram abaixo do esperado.

🤝 A Citadel comprou a carteira do Situational Awareness, fundo de IA de um gestor de 24 anos que chegou a US$ 45 bi e caiu 67% no mês, alavancado. Sinal duplo: sai o medo de liquidação forçada, entra comprador de peso.

💻 Nos balanços, triagem: Microsoft (nuvem +43%) ganhou US$ 450 bi num pregão, recorde da história para uma ação no mercado americano. Amazon +10% no pré. Meta caiu 8%, Apple cai 7% com chips caros. Nasdaq +2% ontem e hoje +1% no pré.

📈 Ainda longe das máximas, índice da Coreia sobe 17% e tem maior alta para um dia na história. Índice de semicondutores subiu 8% ontem (ainda caindo ~20% no mês).

🇧🇷 Brasil: Ibovespa +1,9% ontem, a 177 mil, dólar a R$ 5,06. Desemprego a 5,4%, menor da série.

🗳️ PF vai investigar Lulinha, e Tereza Cristina se aproxima de ser vice de Flávio.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Mercados / Tech

  • Microsoft +16%, maior ganho de valor de mercado em um dia da história para qualquer ação americana (US$ 450 bi); Azure +43%, maior crescimento desde 2022; capex de 2026 em ~US$ 175 bi, abaixo do previsto, lido como “disciplina” (WSJ, Bloomberg, Barron’s, XP Furla)

  • Meta -8% na 11ª queda seguida, pior sequência da história do papel; guidance de receita fraco, fluxo de caixa livre de US$ 784 mi (menor desde 2022), capex de US$ 130-145 bi; Zuckerberg acena com negócio de nuvem e diz ter “muitas ofertas” pelo seu poder computacional; já comprometeu ~US$ 700 bi em gastos futuros de IA (Bloomberg, WSJ, NYT, Barron’s)

  • Situational Awareness: fundo de Leopold Aschenbrenner caiu 67% em julho (ainda +80% no ano), vendeu o grosso da carteira de ações à Citadel pra cobrir margem; chegou a acertar venda de US$ 3,5 bi em Anthropic pra Greenoaks/Sequoia e desistiu; carta compara o episódio a corrida bancária e diz que zerou a alavancagem; no pico, o fundo tinha US$ 45 bi e tamanho comparável a Pershing Square e Third Point (WSJ, Bloomberg, NYT, FT via DealBook)

  • Kospi +17,9% hoje, maior alta diária da história do índice; SK Hynix +30% (maior alta desde o IPO) e Samsung +27%; JPMorgan vê desalavancagem do varejo coreano completa; na semana o índice ainda cai 1,4% (WSJ, BTG Morning Call, Bloomberg, News XPress)

  • Índice de semicondutores da Filadélfia subiu 8% ontem, maior alta diária desde abril de 2025; ainda assim acumula queda na casa de 20% em julho (Macro Strategy XP, TradingView)

  • Nasdaq acumula queda de cerca de 2,7% no mês até ontem, contraste que mostra o tombo concentrado nos chips; ontem subiu 2,78% e hoje os futuros avançam ~1% (WSJ, TradingView)

  • Réguas dos três termômetros de IA: no ano, índice de semicondutores da Filadélfia +55% e Kospi +56%, contra Nasdaq +7%; na janela de um mês, -18%, -23% e -2,7%, respectivamente; Ibovespa +2,3% no mês e +10% no ano (TradingView)

  • Coreia do Sul anunciou restrições a ETFs alavancados de ação única após o tombo: teto de exposição por investidor, custos de negociação maiores e base legal pra medidas de emergência; o ministro da Fazenda, Koo, pediu desculpas no parlamento (”o país virou um cassino”, disse um deputado); uma das regras, depósito mínimo maior, entrou em vigor hoje (Bloomberg)

  • Amazon: nuvem acelera pelo 5º trimestre seguido, capex +69%, ação +10% no pré (Bloomberg, WSJ, Barron’s)

  • Apple: lucro +27% (US$ 29,8 bi), mas guidance fraco por escassez de chips de memória; Cook chamou o custo de memória de “enchente de 100 anos”; ação -7% no pré; último trimestre completo dele como CEO (Bloomberg, WSJ, NYT)

  • Fundo quant ligado a um dos maiores quants da China perdeu mais de 40% em três semanas; fundo da Jupiter também despencou; a dor do trade de IA se espalhando (Bloomberg)

  • Anthropic diz que seus modelos invadiram 3 empresas em testes de segurança; bancos negociam US$ 15 bi pra data center da Anthropic com apoio do Google (WSJ, NYT, Bloomberg, Resumo do Mercado)

  • DeepSeek planeja data center de 1 GW na Mongólia Interior (Bloomberg)

  • Tesla avalia vender a operação na China pra viabilizar fusão com a SpaceX (WSJ)

  • ICE, dona da NYSE, compra a MarketAxess por cerca de US$ 6 bi (Bloomberg, Resumo do Mercado)

  • Jersey Mike’s estreia abaixo do preço do IPO (valuation de US$ 7,3 bi) (Bloomberg, Barron’s)

  • Couche-Tard compra fatia na polonesa Żabka por US$ 8,7 bi (Bloomberg)

  • Cripto: BitMEX vai fechar em setembro; Coinbase tem prejuízo com 3ª queda seguida de receita; Bitcoin perto de US$ 64 mil (Bloomberg Crypto, Barron’s)

Bancos centrais / Macro global

  • Ressaca do Fed: juro de 30 anos em 5,2%, máxima desde 2007, e a maior inclinação da curva pós-reunião desde os anos 90; Wall Street questiona a credibilidade do Warsh (”classic central-bank credibility shock”, segundo o BofA); JPMorgan antecipou a projeção de alta pra dezembro e o BofA vê três altas começando em setembro; Trump elogiou Warsh e culpou o “board político” (WSJ via Timiraos, John Authers/Bloomberg, DealBook, Bloomberg Markets Daily)

  • Dissensos: Hammack, Kashkari e Logan votaram por alta; três dissensos na mesma direção só pela 6ª vez em 30 anos (WSJ via Timiraos, Bloomberg, XP)

  • PIB dos EUA no 2T: 1,5% anualizado (esperado 2,0%), com consumo forte (+3,2%) e exportações líquidas/estoques subtraindo; núcleo do PCE de junho em 0,1% no mês, abaixo do esperado; jobless claims voltaram a subir (Bloomberg Businessweek, Macro Strategy XP, WSJ)

  • Juros de hipoteca nos EUA na máxima em um ano (MarketWatch)

  • BoE mantém 3,75% em votação 6 a 3; Bailey esfria apostas de alta e a precificação de setembro cai de 55% pra 30% (FT, Macro Strategy XP)

  • BoJ mantém 1,0% (8 a 1, com Takata pedindo 1,25%) e tom hawkish; na véspera houve intervenção japonesa no câmbio e o iene teve a maior alta desde 2022, chegando a +3,3% (Bloomberg, BTG Morning Call, Macro Strategy XP, News XPress)

  • China: PMI industrial em 49,2, primeira contração em 5 meses; não manufatura em 49,0, com construção no pior nível desde a pandemia; pressão por estímulo cresce (FT, BTG Morning Call, Bloomberg)

  • Zona do euro: PIB do 2T +0,4%, acima do esperado e o mais forte em um ano; inflação de julho acelera a 2,9% com energia a 10%; ING vê alta do ECB em setembro (FT, BTG Morning Call, Bloomberg, WSJ)

  • Ouro subiu 3,3% ontem, acima de US$ 4.100 (WSJ Markets P.M., BTG Morning Call)

Geopolítica / Petróleo

  • EUA fizeram nova onda de ataques ao Irã (operação de 2 horas contra instalações da Guarda Revolucionária); o Irã retaliou atingindo bases americanas no Kuwait (Ahmad al-Jaber) e no Barein (Sheikh Isa) (NYT, WSJ, Bloomberg, BTG Morning Call)

  • A guerra se espalha: drone atingiu dois navios de GNL no porto egípcio de Damieta, primeiro incidente no Egito; sauditas atacaram milícias pró-Irã no Iraque e formam coalizão naval pro Mar Vermelho; o tráfego em Ormuz, curiosamente, aumentou (NYT, WSJ, Bloomberg)

  • Trump anuncia acordo do “Board of Peace” pro desarmamento do Hamas e retirada israelense de Gaza; sem confirmação das partes e com detalhes a fechar em semanas (Bloomberg, NYT, WSJ)

  • Brent perto de US$ 89; julho caminha pra fechar com alta de cerca de 20%; o WSJ mapeia 67 navios atacados ou abordados e 17 marinheiros mortos desde o início da guerra (Bloomberg, BTG Morning Call, WSJ)

  • Rússia: ataque aéreo em massa na Ucrânia mata ao menos 8; míssil russo provavelmente caiu na Polônia e a OTAN ativou defesas; Rússia estende o veto à exportação de diesel, o que afeta o Brasil (NYT, Bloomberg, WSJ, Folha via XPInflation)

  • EUA x China: Pequim ameaça retaliar o bloqueio a robôs chineses; atrito pré-cúpula Trump-Xi de setembro (DealBook, Bloomberg)

Brasil: mercado e economia

  • Ibovespa +1,88%, a 177 mil, na máxima intradiária, puxado por commodities; bancos limitaram: Santander caiu mais de 7% em dois dias (resultado fraco e proposta de comprar a fatia restante do Brasil com prêmio de 15%) e o Bradesco anunciou capitalização de até R$ 10 bi que surpreendeu; dólar a R$ 5,0608 (-0,92%); DI fechou, especialmente na ponta curta (BTG Morning Call, Macro Strategy XP, Folha, Resumo do Mercado)

  • Desemprego (PNAD) de 5,4% no trimestre até junho, menor da série; rendimentos avançando na margem; IGP-M de julho com deflação de 1,16% (Macro Strategy XP, Resumo do Mercado, the news, Empiricus)

  • Dívida pública: R$ 9,27 tri (+2,61% em junho), custo médio sobe a 12,68% ao ano e o prazo médio encurta; LFTs já são 49,3% do estoque e o Tesouro deve rever o teto de 50% e o PAF (Relatório Mensal da Dívida via Macro Strategy XP, Folha, O Globo, XP Furla)

  • Arrecadação federal recorde de R$ 1,6 tri no semestre (Resumo do Mercado)

  • Fazenda sinaliza aperto no arcabouço num eventual Lula 4 (teto de 2,5% podendo ir a 1,5-2%); juros futuros sobem com a falta de planos fiscais de Lula e Flávio a dois meses da eleição, na leitura dos jornais; Lula rebate dizendo que dívida pra investimento “não é gasto”; órgãos do governo pedem mais R$ 46 bi pra 2027 (O Globo, Folha, Poder, XP News Clipping, News XPress, XPInflation)

  • Defasagem Petrobras (Abicom): diesel -79% e gasolina -58%, com Brent a US$ 90 e câmbio a R$ 5,12 (XPInflation)

  • El Niño: pode bater recorde histórico (pico de +3,6ºC, Berkeley Earth); governo prepara R$ 1,3 bi em medidas (térmicas, estoques de milho e arroz); a XP publicou relatório vendo aceleração da inflação de alimentos a partir do 4T, com risco pra conta de luz em 2027 e até de bloqueio do rio Amazonas (Estadão, Folha, XP Research, Valor via XPInflation)

  • Vendaval com rajadas de até 125 km/h deixou mortos em SP e no Rio; meteorologistas dizem que não foi o El Niño (Folha, Estadão)

  • Micro: Justiça homologa a recuperação extrajudicial da Raízen (R$ 61,4 bi, a maior da história); Vale aprova recompra de 100 mi de ações; no caso Americanas, a juíza afirma que Sicupira e o filho de Lemann sabiam das fraudes; mercado vê os R$ 6,6 bi como insuficientes pro BRB no caso Master; Habib’s pede proteção contra credores; etanol com a maior vantagem sobre a gasolina desde 2017 (BTG Morning Call, Estadão, Folha, Resumo do Mercado, XPInflation)

  • Brasil formaliza na OMC que o tarifaço americano (até 37,5%) é incompatível com as regras de comércio (Estadão)

Brasil: eleições e política

  • Mendonça autoriza a PF a investigar Lulinha por tráfico de influência e corrupção (caso do canabidiol, envolvendo o “Careca do INSS”, o Ministério da Saúde e o Planalto); Lula diz que ele “terá de provar ser inocente” e que não usará o cargo pra protegê-lo; Mendonça também autorizou o monitoramento do celular de Jaques Wagner (Folha, Estadão, the news, O Globo, XP News Clipping)

  • Tereza Cristina avisa aliados que aceitou ser vice de Flávio; a cúpula do PP rechaça, reafirma a neutralidade e vê reversão improvável; o “fator STF” aumentou a resistência do Centrão; o PP nem convocou a convenção (prazo 5/8, registro até 15/8); o União Brasil decide na terça (XP Política, News XPress, Metrópoles, O Globo, CNN, Estadão, Folha)

  • Flávio troca o comando da comunicação de novo: entra Duda Lima, marqueteiro de Bolsonaro em 2022; 4ª mudança na área, com aval de Valdemar (Estadão, Folha, O Globo, News XPress)

  • Vídeo de IA de Bolsonaro: ministros do STF e do TSE avaliam que Nunes Marques “não tem outro caminho” a não ser punir Flávio; ala do TSE reclama de omissão de Nunes Marques e de interferência de Moraes; a PF avalia incluir Flávio em lista da Interpol no caso Dark Horse (G1, Estadão, O Globo, XP News Clipping)

  • Lula oficializa a candidatura no domingo e vai a Minas na largada; sinaliza que pode faltar aos debates do 1º turno (”quero saber qual é o nível”); admite risco de interferência de Trump na eleição (Valor, Folha, CNN via News XPress)

  • Caiado anuncia Aldo Rebelo como coordenador político da campanha (Estadão)

  • Quaest em SP: Tarcísio lidera contra Haddad nos dois turnos; Flávio tem 53% dos válidos contra Lula no estado, abaixo dos 55,2% de Bolsonaro em 2022 (Estadão, Monitor de Pesquisas via XP News Clipping)

  • Paraguai convoca o embaixador brasileiro após fala de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança; Milei assina decreto pra barrar estrangeiros que promovam “discurso de ódio” contra a Argentina (Estadão, Folha)

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: resultado primário de junho (consenso de déficit de R$ 49,8 bi; XP em R$ 49,3 bi) e bandeira tarifária de agosto (XP vê amarela). Nos EUA, índice de custo do emprego do 2T e sentimento de Michigan; Exxon e Chevron reportam e mostram o tamanho do ganho das petroleiras com a guerra; expiram as tarifas temporárias de 10% de Trump, com as substitutas já anunciadas. Pesquisa Vox pode sair.

  • Domingo: convenção do PT oficializa a candidatura de Lula à reeleição.

  • Terça e quarta: Copom decide (dias 4 e 5), com o IPCA-15 de 0,06% no bolso e o Caged na mesa; na terça, a convenção nacional do União Brasil define a posição na corrida presidencial.

  • Quarta: prazo final das convenções partidárias; a chapa de Flávio, com ou sem Tereza Cristina, se define até aqui. Registro de candidaturas vai até 15/8. Faltam 65 dias pro primeiro turno.

  • Sexta que vem: payroll de julho nos EUA.

Warsh segurou o juro e o mercado apertou sozinho. Quem manda agora, o Fed ou a curva?

30 de Julho de 2026, 07:40

ONTEM (29 de julho)

  • Fed manteve os juros em 3,50%-3,75% por 9 a 3; Hammack, Logan e Kashkari votaram por alta de 0,25 pp, três dissensos na mesma direção pela primeira vez desde 2016; o Treasury de 30 anos fechou em 5,21%, maior nível desde 2007.

  • Dow caiu 2,19% (1.153 pontos), pior dia desde abril de 2025; S&P -1,52% e Nasdaq -1,74%, em correção; Brent saltou quase 8% a US$ 90,8 após o ataque do Irã e a promessa de retaliação de Trump.

  • No Brasil, o Caged criou 145,1 mil vagas formais em junho, acima do consenso de 115 mil; o Ibovespa caiu 1,52%, a 173,9 mil pontos, e o dólar fechou a R$ 5,12.

HOJE / MADRUGADA (30 de julho)

  • Após o fechamento, Microsoft subiu cerca de 8% no after com a nuvem crescendo 43%, e Meta caiu cerca de 9% com guidance fraco; futuros de NY abrem a manhã em leve alta.

  • EUA fizeram ataques de retaliação contra o Irã e dois navios pegaram fogo em porto do Egito; Brent devolve pra US$ 87,6 e o juro americano de 30 anos segue subindo, a 5,23%.

  • Agenda: PCE de junho e PIB do 2T nos EUA, Apple e Amazon após o fechamento; BoE decide pela manhã e BoJ à noite.

Escrevi ontem: se Warsh segurasse, era pra contar dissensos. Segurou, a conta deu três (placar que não se via desde 2016), e ele fez exatamente o que prometeu: nada de guidance, comunicado idêntico ao de junho. Foi além: assumiu que jogou o trabalho pro mercado, dizendo que a curva já tinha feito parte do aperto e que os investidores estão “jogando a bola, não o juiz”. O que ele quis dizer nessa metáfora traduzida ao pé da letra: precificando a economia (bola), em vez de ficar tentando adivinhar o Fed (juíz). O mercado respondeu jogando contra: juro de 30 anos na máxima desde 2007, Dow no pior dia desde abril, o que o Bank of America, citado pelo Timiraos no WSJ, chamou de choque de credibilidade. A minha leitura é que o réu principal não estava na sala do Fed: estava no Golfo. Se a guerra não tivesse voltado a escalar nas últimas semanas, culminando na trégua enterrada na véspera e no Brent de volta aos US$ 90, duvido que o mesmo silêncio assustasse tanto: o próprio Timiraos nota que parte da alta dos yields veio de expectativa de inflação com o petróleo. Silêncio só vira problema quando tem barulho lá fora.

Trump no Salão Oval da Casa Branca, na quarta, dia em que prometeu revidar o ataque do Irã (Aaron Schwartz/CNP/Bloomberg)
Trump no Salão Oval da Casa Branca, na quarta, dia em que prometeu revidar o ataque do Irã (Aaron Schwartz/CNP/Bloomberg)

Na prova de fogo de IA que anunciei na segunda, os dois primeiros balanços contaram filmes opostos. A Microsoft subiu 8% com a nuvem crescendo 43%, e o mercado celebrou um corte de capex que, olhando a letra miúda da Bloomberg, é mais contabilidade do que freio: a empresa esticou a vida útil dos data centers em 10 anos e a própria CFO disse que os planos de investimento de 2026 seguem inalterados. A Meta caiu 9% entregando o menor caixa livre desde 2022 e uma conta de até US$ 145 bi. A mensagem que fica não é “gastar menos”: é que o mercado só paga o capex de quem mostra receita junto. Hoje tem Apple e Amazon.

E o Brasil viveu a versão local desse aperto. O Ibovespa caiu 1,5% e devolveu num único pregão tudo que o IPCA-15 tinha dado: fechou em 173,9 mil, na mínima desde o dia 22, sangrando desde a manhã com o exterior e acelerando na coletiva do Warsh, espelho de NY até no repique das 15h. O Caged veio acima do esperado (mas esfriando na tendência) e a curva longa daqui ainda é mais impulsionada pelo motivo que o O Globo pôs na manchete: a dois meses da eleição, o mercado não vê plano fiscal nem de Lula, nem de Flávio. E a Folha traz o bastidor do vídeo de IA do Bolsonaro que citei esses dias: ministros do TSE leram a cobrança de Moraes como pressão, ninguém na corte cogita sanção grave a Flávio.

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Warsh segurou o juro e o mercado apertou sozinho. Quem manda agora, o Fed ou a curva?

📅 30 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

🏦 O Fed manteve, mas com os dissensos que citei ontem: 3 diretores votaram por alta, placar raro. Warsh disse que a curva já fez parte do trabalho, mas o mercado leu dúvida: o juro de 30 anos foi a 5,23%, maior desde 2007, e o Dow caiu 2,2%, pior dia desde abril. Setembro segue vivo.

💻 IA em dois filmes: Microsoft sobe 8% no pré com nuvem crescendo 43% e capex “menor” (na prática, ajuste contábil). Meta cai 9% com guidance fraco e conta de até US$ 145 bi. Hoje: Apple e Amazon, com PIB e PCE.

🛢️ A retaliação veio: EUA voltaram a atacar o Irã e navios pegaram fogo no Egito. Brent tocou US$ 90, hoje roda a US$ 87.

🇧🇷 Caged acima do esperado, mas desacelerando na tendência. Ibovespa caiu 1,5% com o mundo e devolveu num dia o ganho do IPCA-15. Juros longos sobem aqui também e mercado cobra plano fiscal de Lula e Flávio.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Central Banks / Macro EUA

  • Fed mantém juros em 3,50%-3,75% por 9 a 3; três dissensos pró-alta (Hammack, Logan, Kashkari), algo raro (WSJ/Timiraos, Bloomberg, FT, XP Macro Strategy, XP Furla News)

  • Coletiva de Warsh confunde: leitura de “credibility shock” pelo BofA, ponta curta caiu e a longa subiu (WSJ/Timiraos, John Authers/Bloomberg, FT/Robert Armstrong)

  • Juro de 30 anos a 5,23%, maior nível desde julho de 2007; 10 anos a 4,70% (XP Furla News, FT, Bloomberg)

  • Após decisão, mercado precifica ~55% de chance de alta em setembro, vindo de ~70% à tarde (XP Macro Strategy); Wells Fargo vê setembro “ativo” (XP Furla News)

  • WSJ Editorial defende o método Warsh: “playing the ball, not the referee” (WSJ Editorial Board)

  • Hoje: PCE de junho às 9h30, PIB do 2T, jobless claims; BoE de manhã e BoJ à noite (WSJ, XP Furla News)

Geopolítica / Petróleo

  • Irã lançou mísseis contra bases dos EUA na Jordânia (interceptados); EUA e Arábia Saudita atacaram milícias no Iraque; Trump prometeu “beating” e a retaliação americana já ocorreu (Bloomberg, NYT, WSJ, FT, News XPress)

  • Brent +8% ontem a US$ 90,8 na máxima; hoje devolve a US$ 87,60 (-0,56%) (XP Macro Strategy, XP Furla News, Bloomberg)

  • Dois navios (um deles tanker de gás dos EUA) em chamas em porto do Egito, aparente drone (NYT, Bloomberg)

  • Irã rejeitou proposta de Omã sobre compartilhamento de Ormuz (WSJ)

  • Estoque comercial de petróleo dos EUA é o menor desde 2018: 404,5 mi de barris (Valor via Furla)

Mercados / Tech

  • Dow -2,19% (-1.153 pts), pior dia desde abril de 2025; S&P -1,52%; Nasdaq -1,74%, mais de 10% abaixo do recorde (XP Furla News, Bloomberg, WSJ)

  • Microsoft +8% no pré/after: Azure +43% (mais rápido desde 2022) e capex contido em US$ 175 bi vs US$ 190 bi antes; mercado premiou a “disciplina” (Bloomberg, WSJ, XP Furla News)

  • Meta -9%: guidance fraco, capex de até US$ 145 bi, menor free cash flow desde 2022 (Bloomberg, WSJ, Barron’s, XP Furla News)

  • Pave Finance: “duas estratégias de IA”, uma lucra gastando, a outra deixa o custo corroer o resultado (XP Furla News)

  • Hoje: Amazon e Apple após o fechamento, últimos das Mag 7 do trimestre (WSJ, XP Furla News)

  • Kospi caiu mais 6%, -16% em dois pregões; Coreia anuncia freio em ETFs alavancados (Bloomberg, Barron’s, Bruno Paolinelli)

  • Nvidia negocia US$ 750 bi em novos deals com SK Group e OpenAI, reacendendo temor de circularidade; Burry e Goldman entre os céticos (Bloomberg)

  • Futuros hoje em leve alta: S&P +0,39%, Nasdaq +0,73% (XP Furla News)

Brasil

  • Caged: 145,1 mil vagas em junho, acima do consenso de 110-115 mil, mas pior junho desde a pandemia (XP Macro Strategy, CNN via Furla)

  • Ibovespa -1,52%, dólar R$ 5,12; CSN -7,8% liderou quedas (BTG, Bruno Paolinelli)

  • Juros futuros longos sobem com falta de planos fiscais de Lula e Flávio a 2 meses da eleição (O Globo via XP Clipping); Durigan discute aperto do arcabouço num Lula 4 (Folha, Poder, O Globo via News XPress)

  • Dívida pública federal a R$ 9,3 tri (+2,61% em junho); custo médio sobe a 12,68% a.a., prazo médio encurta a 4,01 anos (Folha via Furla, Bruno Paolinelli)

  • Tesouro amplia pós-fixados: dívida atrelada à Selic chega a 49% do estoque e teto de 50% deve ser revisto (O Globo via Furla)

  • Bradesco anuncia capitalização de até R$ 10 bi via subscrição privada; controladores entram com até R$ 8 bi (Valor via Furla)

  • El Niño pode bater recorde histórico (+3,6ºC, acima de 2015-16); governo prepara R$ 1,3 bi em contingência, térmicas e estoques de arroz e milho (Estadão, Folha, Globo Rural via Furla; Valor via XP Clipping já tinha citado El Niño no radar das campanhas)

  • TCU: irregularidades em 82% das emendas Pix auditadas (Valor via Furla)

  • Governo estuda reforçar o FGI para linhas de crédito (Valor via Furla)

Eleições

  • Alckmin oficializado vice de Lula pelo PSB (News XPress, G1, CNN)

  • Bolsonaro nega ter autorizado vídeo de IA; ministros do TSE veem abuso e STF se prepara pra agir (Folha, Estadão, O Globo via XP Clipping)

  • Quaest SP: Flávio com 53% dos válidos no 2º turno no estado, abaixo dos 55,2% de Bolsonaro em 2022 (XP Clipping)

  • Nos bastidores, a Folha mostra ministros do TSE lendo a cobrança de Moraes como pressão e tentativa de interferência: pra eles o tema é da Justiça Eleitoral; dos sete integrantes, ao menos dois tendem a abordagem liberal (a IA foi usada pra favorecer, não prejudicar) e outros dois a medidas de alerta, como multa ao PL, remoção do material e aviso de que reincidência configuraria abuso; nenhum grupo cogita sanção grave como cassação ou inelegibilidade, distante do sinalizado por Moraes (Folha)

  • Kassio Nunes Marques relata a representação no TSE e decide primeiro, sem prazo; pano de fundo: um grupo do STF vinha se preparando pra atuar como instância revisora das decisões do TSE, como no episódio da censura à pesquisa Atlas em junho (Folha, O Globo)

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: PCE de junho (9h30) e PIB do 2T nos EUA, o primeiro teste de dados da era pós-coletiva; Apple e Amazon após o fechamento encerram a temporada das Mag 7 no trimestre; BoE decide pela manhã e BoJ à noite. Por aqui, PNAD e, de resto, agenda doméstica fraca com o Copom em silêncio: o dia é digerir o juro americano. PoderData pode sair.

  • Sexta: Chevron e Exxon reportam; índice de custo do emprego nos EUA; expiram as tarifas temporárias de 10% de Trump, com as substitutas já anunciadas. Pesquisa Vox pode sair.

  • Semana que vem: Copom decide terça e quarta (4 e 5), com o IPCA-15 de 0,06% no bolso e o Caged na mesa. Faltam 66 dias pro primeiro turno.

Irã quebra trégua no dia do Fed. Warsh mantém ou sobe juros?

29 de Julho de 2026, 08:49

ONTEM (28 de julho)

  • IPCA-15 de julho subiu 0,06%, muito abaixo do consenso de 0,22%; juros futuros caíram firme e as opções passaram a precificar só 35% de chance de o Copom pausar em setembro, vindo de 42%.

  • Ibovespa subiu 0,70% aos 176 mil pontos, tocando 178,5 mil na máxima; dólar em leve alta a R$ 5,12.

  • Em NY, o Dow subiu 1% e o S&P de pesos iguais fez máxima histórica, mas o Nasdaq caiu 0,2% com chips (Micron -8,9%); Brent caiu 5% a US$ 83,7, acumulando queda de 16% em três pregões.

HOJE / MADRUGADA (29 de julho)

  • Irã lançou mísseis balísticos contra bases dos EUA na Jordânia de madrugada, interceptados; EUA e Arábia Saudita atacaram milícias pró-Irã no Iraque; Brent sobe quase 4%, a US$ 87.

  • SK Hynix reportou lucro recorde (+557% a/a), mas abaixo do esperado; ação caiu quase 10%, Kospi cedeu 6% e o governo coreano convocou reunião de emergência.

  • Fed decide juros às 15h com cerca de 30% de chance de alta precificada; Microsoft e Meta reportam após o fechamento; Atlas: Lula 49% x Flávio 43%.

Escrevi ontem que os próximos três dias responderiam sozinhos, e o primeiro respondeu com reviravolta: a trégua de 4 dias que tinha Irã e Omã negociando a reabertura de Ormuz morreu de madrugada, com mísseis balísticos contra bases americanas na Jordânia e revide de EUA e sauditas no Iraque. O Brent, que levou três pregões pra devolver 16% de prêmio de guerra, começou a retomá-lo: sobe quase 4%, a US$ 87. E o detalhe que mais me chamou atenção veio do WSJ de hoje: o Irã rejeitou a proposta de Omã de dividir o controle do estreito e exige mais controle, posição que os mediadores, segundo o jornal, tratam como revés na tentativa de reviver o acordo. A mesa que eu vinha acompanhando não só esvaziou, ela andou pra trás.

CPI americano: cheio +3,5%, núcleo +2,6%
Inflação cheia nos EUA reacelera a 3,5% com o choque do petróleo, enquanto o núcleo roda em 2,6%: o caso pra subir (WSJ, com dados do Labor Department).
Fed funds em 25 anos, hoje em 3,50%-3,75%
O juro americano já está em 3,50%-3,75% depois do ciclo de cortes: o caso pra segurar (WSJ, com dados do Federal Reserve).

E tudo isso caiu no colo do Fed, que anuncia às 15h a decisão mais incerta em anos. Trump abençoou Warsh pedindo juro baixo, a Citadel prevê alta justamente pra firmar credibilidade, e a aposta de alta na CME recuou de 36% na segunda pra 29% hoje, mesmo com o petróleo subindo. Vale o registro: a decisão é do comitê, são 12 votos, e não de um homem só. Mas o Timiraos, do WSJ, explica por que a leitura ficou tão difícil: com Warsh aposentando a sinalização prévia, adivinhar o Fed virou adivinhar a estratégia do chair. No papel ele não decide sozinho; na prática, é a cabeça dele que o mercado tenta ler. Enquanto isso, os chips escreveram mais um capítulo da história que venho contando desde a TSMC: a SK Hynix entregou lucro recorde, alta de 557% e margem de 76%, e a ação caiu quase 10% mesmo assim. Quando nem recorde segura o preço, o problema segue sendo o preço pago pelo lucro de amanhã.

Por aqui, o IPCA-15 que o mercado esperava em 0,22% e a XP em 0,26% veio 0,06%, e a chance de o Copom pausar em setembro caiu de 42% pra 35% nas opções, na conta da XP: lá fora o aperto voltou, aqui a janela de corte abriu um pouco mais. Na eleição, a Atlas mostrou a vantagem de Lula sobre Flávio encurtando de 7 pra 6 pontos, oscilação dentro da margem, enquanto Moraes deu 48 horas pra Bolsonaro explicar o vídeo de IA da convenção: pelos jornais, autorizar pode custar a volta ao regime fechado, e não autorizar transfere o problema pra Flávio e pro PL. Ainda tem Microsoft e Meta após o fechamento, com o capex de IA como o número que o mercado vai caçar. Se Warsh segurar, o mercado vai contar dissensos. Se subir, contradiz em público o presidente que acabou de elogiá-lo. De um jeito ou de outro, às 15h a gente para de adivinhar.

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

O Irã quebrou a trégua bem no dia do Fed. Warsh segura ou sobe?

📅 29 de julho. Bom dia.

🛢️ A trégua durou 4 dias: o Irã lançou mísseis de madrugada contra bases dos EUA na Jordânia (interceptados) e EUA e sauditas revidaram no Iraque. Brent devolve a calmaria e sobe 4%, a US$ 87.

🏦 Fed decide às 15h na reunião mais incerta em anos: a aposta de alta recuou de 1/3 pra 30% e Warsh não dá pistas. Se segurar, olho nos dissensos. Se subir, é recado de credibilidade contra a inflação.

📊 SK Hynix entregou lucro recorde (+557%), mas abaixo do esperado: ação caiu 10%, Kospi mais 6% e causou reunião de emergência na Coreia. Após o fechamento: Microsoft e Meta.

🇧🇷 O IPCA-15 que esperávamos perto de 0,22% veio 0,06%. Mercado já vê só 35% de chance de o Copom pausar em setembro. Ibovespa recuperou os 176 mil.

🗳️ Atlas: Lula 49 x 43, vantagem cai de 7 pra 6 pontos. E Moraes deu 48h pra Bolsonaro explicar o vídeo de IA, sob risco de volta ao regime fechado ou até potencial inegibilidade de Flavio.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Geopolítica / Guerra

  • Irã lança ataque surpresa com mísseis balísticos contra forças dos EUA na Jordânia; interceptados pelo Centcom (Bloomberg, WSJ, NYT, BTG Morning Call, XP News XPress)

  • EUA e Arábia Saudita atacam milícias pró-Irã no leste do Iraque, resposta a 30 ataques de drones em 72h (Bloomberg, NYT, BTG Morning Call)

  • IRGC alega ter atingido e parado três petroleiros, sem dizer onde (Bloomberg)

  • Drones contra instalações petrolíferas sauditas pelo 2º dia seguido (Bloomberg, BTG Morning Call)

  • Irã rejeitou proposta de Omã de compartilhar o controle de Ormuz, exige mais controle; revés na negociação (WSJ)

  • Irã cogitou atacar porto na Ucrânia após ataque ucraniano a navio iraniano no Cáspio; diplomacia esfriou por ora, mas as duas guerras se aproximam (NYT)

  • Irã enforcou publicamente dois manifestantes; rara reação interna (NYT)

  • Trump recebeu Netanyahu na Casa Branca, sem imprensa, com “pequena diferença” sobre o Irã; recepção mais fria (Bloomberg Politics, NYT, WSJ)

  • Trump recebeu Zelensky: Patriots, licenças de produção e reaproximação (Bloomberg, WSJ, NYT)

  • UE prepara sanção a mais de 1.600 empresas ligadas à guerra russa (Bloomberg)

  • Drones ucranianos atingem a Wildberries, “Amazon russa”; Moscou admite possível socorro (BTG Morning Call/Reuters)

  • Funeral de Lindsey Graham reuniu Trump, Zelensky e Netanyahu (NYT, WSJ)

Petróleo / Energia

  • Brent sobe ~3,7% a US$ 87 com o fim da trégua, após -16% em três pregões (BTG Morning Call, WSJ, XP Macro Strategy)

  • OPEP+ planeja pausar altas de cota após setembro (Bloomberg)

  • Rússia eleva escoamento pelo Ártico pra manter exportações (Bloomberg)

  • Reno em seca extrema quase parando barcaças de combustível na Europa: outro corredor de óleo fechando, sem guerra (Javier Blas/Bloomberg Opinion)

  • BIS/ECB: choque de oferta maior que o de 2022, preço subiu menos por estoques altos e demanda asiática flexível (Bloomberg Economics, FT)

  • Abicom: defasagem Petrobras de -53% na gasolina e -67% no diesel (XP Inflation News)

Fed / Macro global

  • Fed decide hoje 15h, coletiva de Warsh 15h30; ~30% de chance de alta na CME, vinha de 36% (WSJ/Timiraos, Bloomberg, Barron’s, BTG Morning Call)

  • Citadel mantém previsão de alta surpresa como selo de credibilidade de Warsh (Bloomberg)

  • Foco nos dissensos: Hammack e Logan esperadas a favor de alta; reação do mercado depende de quantos mais (WSJ/Sam Goldfarb)

  • Warsh quer descartar forward guidance; painéis externos pra rever como o Fed lê a economia, com resistência interna (Waller) (WSJ Wealth Adviser)

  • Reforma metodológica dos índices de inflação nos EUA deve mostrar preços subindo menos, aliviando pressão por alta (FT)

  • Austrália: núcleo mais frio; Chile: juro mantido; BoE e BoJ decidem amanhã (Bloomberg, WSJ)

Mercados / Tech / IA

  • SK Hynix: lucro recorde de US$ 41,7 bi (+557%), margem de 76%, mas abaixo do consenso; ação -10%, capex recorde de US$ 31 bi anunciado (WSJ, Bloomberg)

  • Kospi -6%, acumula -16% em dois pregões e ~40% desde o pico de junho; reunião de emergência na Coreia, ETFs alavancados de ação única no radar dos parlamentares (Bloomberg, BTG Morning Call, XP News XPress)

  • Microsoft e Meta reportam hoje; Apple e Amazon quinta, com PCE e PIB; Chevron e Exxon sexta (WSJ, Bloomberg)

  • Nasdaq 100 flertou com correção ontem; rotação pra valor: S&P equal-weight na máxima (John Authers/Bloomberg, WSJ Markets P.M.)

  • Authers: narrativa das Mag 7 “cavalgando pro pôr do sol”, como o fim do ciclo FAANG (John Authers/Bloomberg)

  • Meta pagou juro mais alto pra financiar data center de US$ 12,5 bi no Texas: custo do capex de IA subindo (WSJ)

  • Nvidia negocia garantia de ~US$ 250 bi pra data center da OpenAI; funcionário detido em Taiwan por contrabando de chips pra China (WSJ, Bloomberg, NYT)

  • Moonshot AI levanta US$ 3,5 bi a valuation de US$ 35 bi e já mira US$ 50 bi pré-IPO em HK (Bloomberg)

  • Zuckerberg ataca centralização de IA (mira Anthropic e OpenAI) em artigo no WSJ; petição de 1.100 funcionários de IA por desenvolvimento “compassado” (NYT, WSJ, Bloomberg)

  • FCC restringe robôs e inversores estrangeiros: banimento de fato à China semanas antes de Trump-Xi (Bloomberg)

  • China: paper de 10 mil caracteres rebatendo acusações de sobrecapacidade; teto de 20% em tarifas de reposição dos EUA (Bloomberg)

  • Alemanha mapeia vulnerabilidades chinesas (chips, química, medtech) pra eventual guerra comercial (Bloomberg)

  • Visa corta 2.600 vagas (7%) citando IA; Apple bateu US$ 5 tri e retomou posto de mais valiosa (WSJ, Bloomberg, Barron’s)

  • SpaceX fecha 14% abaixo do preço do IPO, ~R$ 1,2 tri de valuation evaporado (Barron’s, Bruno Paolinelli)

  • Bancos europeus fortes: UBS (buyback US$ 3 bi), Deutsche e StanChart acima do esperado; Kering +10% com Gucci, Hermès -10% (Bloomberg, WSJ)

  • Ford eleva guidance e sobe 4%; Boeing tem prejuízo de US$ 428 mi com Air Force One (WSJ, Barron’s)

Brasil / Economia

  • IPCA-15 0,06% m/m, surpresa disseminada pra baixo; alimentos com maior queda pra julho desde 2010 (XP Macro Strategy, XP Inflation News, Valor, Folha)

  • Opções precificam só 35% de manutenção no Copom de setembro (vinha de 42%); corte de 50 bps volta à margem do debate, com probabilidade baixa (XP Macro Strategy, Empiricus)

  • Ibovespa +0,70% aos 176 mil, chegou a tocar 178,5 mil; dólar R$ 5,12; juros caem firme pelo 3º pregão (BTG Morning Call, Bruno Paolinelli)

  • Transações correntes: déficit de US$ 2,33 bi em junho, menor pro mês desde 2023; IDP de US$ 9,1 bi cobre com folga (BTG Morning Call)

  • Durigan sinaliza ao mercado desacelerar o crescimento do arcabouço (2,5% → 1,5-2%); ala “liberal” do PT tenta impor controle de gastos num Lula 4; Lula fala em “dinheiro extra por fora do arcabouço” pra ciência (O Globo, CNN, Folha via XP News XPress)

  • Faria Lima já desenha cenários pra Lula 4 (Poder via XP News Clipping)

  • Desenrola 2.0 prorrogado até 31/08, sem novos aportes (XP News XPress)

  • FGTS distribui R$ 13 bi, depósito até 31/08 (Estadão, Folha, O Globo, Caixa via Paolinelli)

  • Crédito imobiliário +23% no semestre mesmo com juro alto; Febraban vê carteira +9,8% no ano puxada por crédito garantido pelo governo (Folha, Paolinelli)

  • Petrobras: produção recorde no 2T; relatório saiu ontem à noite (Bruno Paolinelli, Empiricus)

  • Tesouro pede ao Senado teto anual de US$ 35 bi pra emissão externa (Paolinelli, the news)

  • Comissão do Senado aprova “jabutis” de até R$ 1,5 tri em 30 anos na conta de luz (Folha, Estadão via XP Inflation News, Paolinelli)

  • Brasil vira maior importador mundial de EVs chineses (Paolinelli, the news)

  • UE estoca frango brasileiro antes de possível banimento; Brasil avalia acionar OMC pelo veto à carne (Bloomberg, G1 via XP Inflation News)

  • Empresas: Gasparino renuncia ao conselho da Vale; minoritários da Emae contestam incorporação pela Sabesp; 3tentos -16% pós-reunião com sell-side; Nubank lança segmento Croma (BTG Morning Call, Brazil Journal, Paolinelli)

  • Agenda: sondagem da indústria FGV, fluxo cambial, relatório da dívida; Caged de junho possível hoje (consenso 115k, XP 110k) (BTG Morning Call, XP News XPress)

Eleições / Política

  • Atlas: Lula 49% x Flávio 43% no 2º turno, vantagem de 7 pra 6 pp (Atlas via XP Macro Strategy, Estadão)

  • Moraes dá 48h pra Bolsonaro explicar o vídeo de IA; autorização = volta ao regime fechado; não autorização = ilícito de Flávio e do PL; a “sinuca de bico” (Folha, Estadão, CNN, Bloomberg Politics)

  • Bloomberg destaca a eleição brasileira como teste global de IA em campanha: “a mais judicializada desde a redemocratização” (Bloomberg Politics)

  • Datafolha: 59% acham que Moraes agiu mal ao proibir visita de Flávio a Jair (Folha)

  • PSB oficializa Alckmin como vice hoje (G1 via XP)

  • Planalto vê dobradinha Trump-Milei (Estadão/Vera Rosa, CNN)

  • EUA prorrogam emergência nacional contra o Brasil por 1 ano (Paolinelli, Estadão)

  • Republicanos não apoiará Flávio, mira 2030 com Tarcísio; Tarcísio libera aliados pra Caiado (G1, CNN via XP)

  • Vice de Flávio: Valdemar chama de “bobagem” Priscila Costa como vice, mas Michelle pressiona; Marcos Pontes se oferece (G1, O Globo, Folha via XP)

  • Flávio só irá a debates com Lula confirmado; Band adiado pra 23/08 (O Globo, Valor via XP)

  • Governo monitora clima pra devolver embaixador à Argentina; PT aciona PGE contra Milei (Folha, O Globo)

  • Flávio aciona STF contra Lula por fala de “enforcar traidores”; PF cancela depoimento dele no caso da calúnia (CNN, G1 via XP)

  • MG: Cleitinho avisa que será candidato ao governo; PL já trabalha com desistência (O Globo, Folha, CNN, G1 via XP)

  • El Niño entra no radar das campanhas (Valor via XP)

Mundo / resto

  • Terremoto 7,1 em Kyushu: 13 mortos, shopping colapsado, buscas seguem (Bloomberg, NYT, the news)

  • Keiko Fujimori toma posse no Peru prometendo disciplina fiscal (Bloomberg Politics)

  • Incêndios na Espanha e França: 4ª onda de calor, até 41°C hoje (Bloomberg, NYT)

  • UEFA cogita boicote à Copa contra plano da FIFA de captar US$ 4,2 bi (Bloomberg, the news)

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: o dia do ano até agora, como escrevi ontem: Fed às 15h, coletiva de Warsh às 15h30 e Microsoft e Meta após o fechamento, com o capex de IA como o número que o mercado vai caçar. Por aqui, fluxo cambial e possível Caged de junho.

  • Quinta: Apple e Amazon após o fechamento; PCE e PIB do 2T nos EUA; decisões do BoE e do BoJ. PoderData pode sair.

  • Sexta: Chevron e Exxon reportam; índice de custo do emprego nos EUA; expiram as tarifas temporárias de 10% de Trump, com as substitutas já anunciadas. Pesquisa Vox pode sair.

  • Semana que vem: Copom decide terça e quarta (4 e 5), agora com um IPCA-15 de 0,06% no bolso.

Próximos dias importantíssimos pro fluxo internacional

28 de Julho de 2026, 08:28

ONTEM (27 de julho)

  • Brent despencou 9,2% a US$ 87,8, no 3º dia sem ataques EUA-Irã e com Trump falando em “boa chance” de acordo.

  • Sell-off de chips em NY: Nvidia caiu 5%, ASML caiu 8,4% e a chinesa CXMT estreou subindo 466% em Xangai, virando a empresa mais valiosa listada na China continental.

  • Ibovespa subiu 0,74% aos 175.334 pontos; dólar subiu 0,60% a R$ 5,1116. O governo apresentou pedido de consulta à OMC contra o tarifaço.

HOJE / MADRUGADA (28 de julho)

  • Pânico na Ásia: Kospi desabou 10,84% com o pregão suspenso 2 vezes, Samsung e SK Hynix caíram mais de 13%, Nikkei recuou 3,95%.

  • Brent amplia a queda a cerca de US$ 85; sauditas interceptaram drones de milícias pró-Irã de madrugada.

  • IPCA-15 sai às 9h (consenso 0,22%, XP 0,26%); o Fed decide amanhã com o mercado precificando cerca de 1/3 de chance de alta.

No dia 17 escrevi que o trade de chips tava desinflando. Na quinta passada, quando o Kospi caiu 5,7%, chamei de pancada. Hoje a palavra ficou pequena: a bolsa da Coreia derreteu 10,8% num dia só, teve o pregão suspenso duas vezes, e o índice global de semicondutores da MSCI caminha pro pior mês desde 2022, como mostra o gráfico aí embaixo. Repare no desenho das barras: desde 2023 esse índice praticamente só conheceu mês de alta forte. É a primeira vez em três anos que a tese leva um teste de verdade, e não foi balanço ruim que provocou: a TSMC entregou lucro recorde há duas semanas e caiu assim mesmo. Quando resultado bom já não segura o preço, o problema não é o lucro de hoje, é o preço que se pagou pelo lucro de amanhã.

Chips globais caminham pro pior mês desde 2022 (MSCI World Semiconductors, performance mensal). Fonte: Bloomberg.
Chips globais caminham pro pior mês desde 2022 (MSCI World Semiconductors, performance mensal). Fonte: Bloomberg.

E o que provocou? Difícil cravar um culpado só, então listo os três da semana: a estreia da CXMT subindo 466% e o relato de que a China já produz máquina de litografia, que juntos atacam a premissa de que o Ocidente controla o gargalo da cadeia; e a Nvidia negociando garantir US$ 250 bi pra OpenAI, nada assinado ainda, que alimenta o medo do financiamento circular, o vendedor bancando o comprador. Pra tese das duas forças que venho acompanhando, a que suga capital pro trade de IA americano perdeu tração.

Agora o calendário vira protagonista: amanhã Microsoft e Meta reportam no mesmo dia da decisão do Fed, e quinta vêm Apple e Amazon com PCE e PIB. A Citadel prevê que Warsh sobe o juro justamente pra firmar credibilidade, enquanto Trump, ontem, chamou o chair de “fantástico”, pediu juro mais baixo e jogou a culpa do aperto nos diretores “com más intenções”. Ou seja: se Warsh subir, contradiz em público o presidente que acabou de abençoá-lo. Por aqui, o IPCA-15 de hoje calibra o Copom da semana que vem. É por isso que o título de hoje não tem pergunta: os próximos três dias respondem sozinhos.

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Próximos dias importantíssimos pro fluxo internacional

📅 28 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

💻 O trade de IA levou mais uma pancada: o índice de semicondutores caiu 2,2% ontem em NY e hoje o Kospi derreteu 10,8%. Três motivos: 1) estreia da chinesa CXMT subindo 466%; 2) relato de que a China já produz máquina de litografia (ASML -8%); 3) Nvidia negociando garantia de US$ 250 bi pra OpenAI, nada assinado ainda.

📊 A prova de fogo vem em sequência: amanhã Microsoft e Meta reportam no dia do Fed; quinta, Apple e Amazon, com PCE e PIB. A aposta de alta segue em 1/3, e a Citadel prevê que Warsh sobe pra passar a mensagem. Só que ontem Trump chamou Warsh de “fantástico” e pediu juro mais baixo. Será que sobe mesmo?

🛢️ Brent devolve prêmio: US$ 85, 4º dia de trégua EUA-Irã. Irã e Omã negociam reabrir Ormuz.

🇧🇷 IPCA-15 sai às 9h (consenso 0,22%, XP 0,26%), dado-chave pro Copom. Ontem o Ibovespa subiu 0,74%, mas o dólar foi a R$ 5,11. E o governo acionou a OMC contra o tarifaço.

TUDO DESTA MANHÃ EM TÓPICOS (com as fontes)

Mercados / Tech / IA

  • Kospi -10,84% com pregão suspenso 2 vezes, Samsung e SK Hynix -13%+, Nikkei -3,95%, Taiex -4%; sell-off global de chips se aprofunda (Bloomberg, FT, WSJ, BTG Morning Call, News XPress)

  • SK Hynix já perdeu ~US$ 600 bi de valor, -47% desde a máxima de junho, mesmo com lucro recorde esperado pra amanhã (Bloomberg)

  • CXMT estreia +466% em Xangai, vira a empresa mais valiosa listada na China continental; Apple faz lobby pra ela não entrar em blacklist; fundos do fundador da DeepSeek entre os maiores ganhadores do IPO (Bloomberg, WSJ, Barron’s)

  • Relato de que empresa estatal chinesa produz máquinas de litografia DUV; ASML -8,4% ontem e cai mais hoje; Musk: China “mais perto de resolver a litografia do que se imagina” (The Information via WSJ, Bloomberg)

  • Nvidia: US$ 750 bi em deals de infraestrutura de IA, incluindo garantia de US$ 250 bi pra OpenAI (data center de US$ 500 bi da SoftBank em Ohio); medo de financiamento circular; CDS da Nvidia com maior salto da história (WSJ, Bloomberg, NYT, DealBook)

  • Taiwan detém funcionário da Nvidia em investigação de contrabando de chips pra China (Bloomberg)

  • Apple retoma posto de empresa mais valiosa do mundo, ultrapassando a Nvidia (NYT)

  • Debate open vs closed models: Huang, Meta e Microsoft pró-abertos; Anthropic e OpenAI contra; China ameaça retaliar se EUA sancionarem suas empresas de IA por distillation (DealBook, Bloomberg)

  • YMTC (memória chinesa) também deve fazer IPO este ano (Barron’s)

  • Singapura alerta pra riscos econômicos se o boom de IA desandar (FT)

  • CME lança futuros de ação única sobre 50+ empresas (Bloomberg, WSJ)

  • Corrida de ETFs especulativos: 728 lançamentos no 1º semestre, recorde (WSJ Markets A.M.)

Fed / Macro global

  • Fed decide amanhã; aposta de alta ~1/3; decisão mais imprevisível em anos; Warsh falando menos de propósito (Bloomberg, WSJ, Barron’s)

  • Citadel Securities prevê alta surpresa pra firmar credibilidade de Warsh (Bloomberg)

  • Trump chamou Warsh de “fantástico”, disse que “rates should be lowered” e acusou diretores do Fed de “más intenções”; Logan (Dallas Fed) vinha pedindo juro “modestamente mais alto” (CNBC)

  • Semana de bancos centrais: BoE e BoJ na quinta; BoE deve manter mesmo com petróleo, após 3 meses de inflação abaixo do esperado; ECB já sinalizou disposição de subir (FT, Bloomberg)

  • Treasuries fecham 1-3 bps com queda do petróleo; 10 anos a 4,61-4,64% (Macro Strategy, BTG)

  • Earnings: hoje Coca-Cola, UPS, Boeing, Visa, Ford, PayPal; amanhã Microsoft, Meta, Qualcomm; quinta Apple, Amazon, Mastercard + PCE e PIB 2T; sexta Chevron, Exxon + ECI (WSJ)

  • Lucro industrial chinês desacelera a +15,1% em junho, pior do ano; chips chineses com lucro +2.580% no semestre: recuperação desigual (FT, Bloomberg)

  • China diz que EUA aceitaram teto de 20% nas tarifas substitutas (Bloomberg)

  • Renúncia surpresa do presidente do BC da Indonésia derruba rúpia, bolsa e títulos; temor de perda de independência (Bloomberg, FT)

  • Japão: pressão do governo Takaichi por investimento doméstico dos fundos de pensão; GPIF resiste; aprovação de Takaichi despenca (Bloomberg, FT)

  • Qualcomm prepara reajuste de dois dígitos em chips: preço de celular vai subir (Canal Tech via XP Inflation)

Geopolítica / Petróleo

  • Brent ~US$ 85 (-2,9%), 4º dia de trégua EUA-Irã; Trump vê “boa chance” de acordo mas ameaça voltar “com força”; Irã nega estar implorando (Bloomberg, WSJ, the news, News XPress)

  • Irã e Omã negociam reabrir Ormuz, inclusive a “passagem do meio”; chanceler iraniano ligou pra sauditas e Omã (Bloomberg, BTG)

  • Sauditas interceptam drones de milícias pró-Irã do Iraque contra instalações de petróleo; Houthis seguem ativos no Mar Vermelho (BTG, NYT)

  • Motivo da pausa: Centcom avaliou que a campanha esgotou os alvos; estoque de interceptores em queda (WSJ, BTG)

  • Netanyahu vê Trump hoje; quer “vigilância constante” sobre o nuclear iraniano; reunião sem imprensa (Bloomberg Politics)

  • Ucrânia atacou embarcação iraniana no Mar Cáspio: as duas guerras se conectam (WSJ, BTG)

  • Zelensky em Washington após visita ao Reino Unido; Burnham compartilha tecnologia “Stone Cloak” anti-defesa aérea russa (Bloomberg)

  • Trump: rodovia de 1.055 km no Saara Ocidental vai levar seu nome (Bloomberg)

Brasil: macro e mercado

  • IPCA-15 às 9h: consenso 0,22%, XP 0,26% (News XPress, XP Macro, BTG)

  • BoP às 8h30: mercado vê déficit de US$ 2,3 bi em conta corrente, XP US$ 2,0 bi; IDP ~US$ 5,5 bi (News XPress)

  • Ibovespa +0,74% aos 175.334, mesmo com PETR4 -2,8%; dólar +0,60% a R$ 5,1116, destaque negativo sem apoio do petróleo; curva ganhou inclinação (Jan28 -15 bps) (BTG, Macro Strategy)

  • Governo aciona OMC contra o tarifaço (25% + 12,5%), em órgão paralisado pela falta de indicações dos próprios EUA (News XPress, Estadão, BTG)

  • Focus: IPCA 2026 recua pela 4ª semana seguida; PIB 2027 de 1,65% pra 1,60% (Macro Strategy, Estadão)

  • Confiança do consumidor FGV cai a 88,3, menor desde fevereiro, 3ª queda seguida (BTG)

  • “Jabutis” na conta de luz: comissão do Senado aprova custos de até R$ 1 tri a R$ 1,5 tri em 30 anos em votação relâmpago (Folha, Estadão via XP Inflation)

  • Tesouro pede ao Senado teto anual de US$ 35 bi pra emissões externas, substituindo limite acumulado de US$ 100 bi (Resumo do Mercado, the news)

  • Governo manterá subvenção a combustíveis “até o mercado melhorar”; defasagem Petrobras: diesel -69%, gasolina -54% (Poder360, Abicom via XP Inflation)

  • Lula-Xi por telefone: acelerar acordo Mercosul-China; Lula também recebeu presidente da Coreia do Sul (Folha, Estadão, the news)

  • Deflação de alimentos se acentua; Aneel decide reajustes hoje, efeito líquido neutro pra XP (Folha, XP Inflation)

  • FGTS decide hoje distribuição de R$ 13 bi de lucro (Estadão)

  • INCC e sondagem da construção às 8h; leilão de LTN/NTN-F (BTG)

Eleições (68 dias pro 1º turno)

  • Zema oficializado pelo Novo, sem vice, forte anti-PT mas evita atacar Flávio de olho em aliança no 2º turno; Joaquim Barbosa como vice é improvável (News XPress, Estadão, O Globo, Metrópoles)

  • MDB libera diretórios e não apoia ninguém (News XPress, Folha)

  • Vice de Flávio: Priscila Costa (aliada de Michelle) ganha força com chance de chapa pura; Marcos Pontes se oferece; Centrão se afasta (News XPress, Folha, O Globo, Estadão)

  • Governo lê ofensiva Trump-Milei como interferência estrangeira coordenada; teme escalada nas redes perto da votação; abalo “sem precedentes” com a Argentina, mas Itamaraty pede cautela aos ministros (News XPress, CNN, Folha, Estadão)

  • PT aciona TSE, STF e PGR contra vídeo de Bolsonaro em IA e presença de Milei (Estadão, O Globo)

  • Datafolha: 52% acham que Trump usa tarifaço pra ajudar Flávio; 74% preferem negociar a retaliar; dificuldade persistente de Flávio com eleitorado feminino (Folha)

  • Lavareda: eleitor pode “pular pra outro” se más notícias de Flávio continuarem; Faria Lima torce por desembarque em favor de Caiado (Estadão, Folha)

  • Daniella Marques vende Orçamento Base Zero na Faria Lima: corte de R$ 160-220 bi/ano; Traumann vê otimismo exagerado (O Globo/Traumann)

  • Lula: campanha vai recontar sua trajetória, não o governo; recorde de gastos com publicidade (R$ 255 mi no semestre); TSE dá 48h pra explicar uso de canais oficiais (O Globo, Estadão)

  • Primeiro debate adiado de 16 pra 23/08; Lula deve ir, mas sem martelo batido (News XPress, Valor)

  • Governo negou visto a 2 funcionários do Departamento de Estado que viriam “observar” as urnas; STF chamou missão de “escandalosa” (the news, BBC)

  • Tarcísio terá 71% do tempo de TV em SP; PSD quer colar Caiado em Tarcísio (”Carcísio”); SP vira desafio pra Flávio (Estadão)

  • Pesquisas no radar: Atlas pode sair hoje; PoderData e Vox quinta/sexta (News XPress)

Radar internacional secundário

  • Incêndios recordes na França e Espanha: 300 mil+ evacuados, emergência nacional, fogo avança sobre Bordeaux; custo fiscal já preocupa (Bloomberg, NYT, the news)

  • Índia: Modi cede aos protestos “cockroach”, ministro da Educação renuncia (Bloomberg, NYT)

  • Keiko Fujimori toma posse no Peru hoje (Bloomberg Politics)

  • Atentado em parada LGBT+ em Berlim; suspeito morto pela polícia (Bloomberg, NYT, Folha)

  • Trump propõe novas tarifas substituindo as de 10% que expiram sexta; FT: “Trump remonta seu muro tarifário... e ninguém reagiu” (Barron’s, FT, John Authers)

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: IPCA-15 às 9h (consenso 0,22%, XP 0,26%) e balanço de pagamentos às 8h30 no Brasil; confiança do consumidor às 11h nos EUA. Balanços de Coca-Cola, Boeing, Visa, Ford e PayPal. Pesquisa Atlas pode sair.

  • Quarta: o dia do ano até agora: decisão do Fed às 15h, coletiva de Warsh às 15h30, e Microsoft e Meta reportam após o fechamento. O capex de IA é o número que o mercado vai caçar. SK Hynix também reporta, com lucro recorde esperado e a ação 47% abaixo da máxima.

  • Quinta: Apple e Amazon após o fechamento; PCE e PIB do 2T nos EUA; decisões do BoE e do BoJ. PoderData pode sair.

  • Sexta: Chevron e Exxon reportam; índice de custo do emprego nos EUA; expiram as tarifas temporárias de 10% de Trump, com as substitutas já anunciadas. Pesquisa Vox pode sair.

  • Semana que vem: Copom decide dia 4 e 5, com o IPCA-15 de hoje como último grande insumo.

Petróleo desaba mais 8%

27 de Julho de 2026, 08:58

ONTEM (sexta a domingo, 24 a 26 de julho)

  • Ibovespa caiu 1,52% na sexta, aos 174.042 pontos, na contramão do dólar (R$ 5,08) e dos juros futuros, que cederam. Na semana, alta de 0,19%.

  • EUA pausaram os ataques ao Irã na sexta à noite, após 13 noites seguidas, sem anúncio oficial. O Irã manteve a pausa e negociou com Omã sobre o Estreito de Ormuz durante o fim de semana.

  • Nvidia negocia garantir US$ 250 bi de financiamento para a OpenAI arrendar o data center de 10 GW da SoftBank em Ohio, dentro de uma rodada de acordos que pode passar de US$ 750 bi.

  • Convenção do PL oficializou Flávio no sábado. Milei chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”; o Itamaraty convocou o embaixador argentino. Datafolha de sexta: Lula 48% x Flávio 43% no 2º turno.

HOJE / MADRUGADA (27 de julho)

  • Brent cai cerca de 8% e perde os US$ 90 na 3ª noite sem ataques. Futuros de NY sobem cerca de 1% e o juro de 10 anos recua a 4,64%.

  • A aposta de alta do Fed na quarta recua de cerca de 40% para 1/3.

  • CXMT estreia em Xangai subindo 466% e vira a maior empresa listada onshore da China. Nexus: Lula 47% x Flávio 43%.

Até onde o Trump aguentava a guerra? Na sexta ele voltou a responder: “apesar do que dizem sobre a eleição, não estou com pressa”. E mesmo assim o barril desabou 8%. O mercado escolheu ignorar o que o presidente disse e comprar o que os fatos sugerem: três noites sem bombardeio, os veículos apontando munição no fim, alvos esgotados ou espaço pra diplomacia, e o Irã sentado com Omã pra desenhar a reabertura de Ormuz. É uma pausa que ninguém assinou. O preço está apostando que ela vira acordo.

Pro Brasil, o que importa é o efeito colateral: a força que sugava capital via juro americano afrouxou junto com o petróleo, e a aposta de alta do Fed na quarta voltou de 40% pra um terço. Mas a sexta já mostrou que alívio externo não vira fluxo automático por aqui: o Ibovespa caiu 1,52% num dia em que dólar e juros caíam, puxado por bancos e Petrobras, e a saída de estrangeiro desde o pico de abril já soma R$ 29,6 bilhões (XP).

A 69 dias do 1º turno, a eleição já se mistura com a política externa: Lula foi ao Washington Post rebater o tarifaço, o Itamaraty convocou o embaixador argentino depois dos ataques de Milei e negou visto a dois americanos que viriam falar de urnas. Nas pesquisas, sem novidade: Datafolha e Nexus mantêm Lula na casa dos 4 a 5 pontos à frente de Flávio.

Essa semana é uma da mais pesadas do ano: Fed na quarta, com Microsoft e Meta reportando no mesmo dia, Apple e Amazon na quinta junto com PCE e PIB. O trade de IA chega dividido: o mercado castigou a Alphabet por gastar demais e, dias depois, a Nvidia aparece negociando garantir US$ 250 bilhões de financiamento pra OpenAI e CXMT, a fabricante chinesa de chips de memória, estreou em Xangai subindo 466% e virou a maior listada onshore da China, com valor perto de US$ 484 bilhões (ainda menos da metade de Samsung e Micron).

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Petróleo desaba mais 8%

📅 27 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

🛢️ O Brent perde os US$ 90. Um dos motivos é a 3ª noite sem ataques EUA-Irã, após 13 seguidas. Os veículos apontam munição acabando, alvos esgotados ou espaço pra diplomacia. Irã e Omã negociaram o fim de semana pra liberar Ormuz.

🇺🇸 Trump voltou a dizer na sexta que não está com pressa (mesmo com eleições de meio de mandato final do ano).

🏦 Com o barril cedendo, a aposta de alta do Fed na quarta recua de 40% pra 1/3.

🇧🇷 Sexta o Ibovespa caiu 1,52%, aos 174 mil, contra dólar e juros em queda. O governo desbloqueou R$ 5,7 bi no bimestral.

🏛️ Milei chamou Lula de “presidiário” na convenção de Flávio e o Itamaraty convocou o embaixador. Datafolha e Nexus saíram sem muita novidade.

📅 Hoje é vazio: só Focus e bens duráveis nos EUA, com Netanyahu vendo Trump. A semana é que pesa: Fed na quarta com Microsoft e Meta, Apple e Amazon na quinta com PCE e PIB, e o IPCA-15 por aqui.

Daqui pra baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.

O RADAR COMPLETO (com as fontes)

Geopolítica / Petróleo

  • EUA pausaram os ataques ao Irã pela 3ª noite, sem anúncio formal. Os motivos reportados: estoque de munição de defesa aérea minguando (WSJ, NYT, Bloomberg) e recomendação do Centcom de que os alvos se esgotaram (BTG). A AP acrescenta a leitura de pausa pra diplomacia.

  • Trump disse na sexta que não está com pressa apesar das eleições de meio de mandato: “eleições se resolvem sozinhas” (AP/NPR). No mesmo dia, a Câmara aprovou pela 2ª vez resolução pra encerrar a guerra (AP/NPR).

  • Irã e Omã fizeram várias rodadas técnicas sobre Ormuz no fim de semana; o desenho em negociação é o Irã administrar o trânsito com menos restrição a navios (AP/NPR, Bloomberg, BTG). A China lidera o esforço pra retomar as conversas (BTG).

  • Brent perde os US$ 90 (queda perto de 8%), depois de passar de US$ 100 na quinta; WTI a US$ 83 (BTG, Bloomberg, FT). Ormuz segue praticamente vazio apesar da pausa, segundo dados de rastreamento de navios (Bloomberg).

  • Arábia Saudita atacou alvos houthis no Iêmen após o grupo anunciar bloqueio a portos sauditas e atingir ativos ligados à Aramco (BTG, Bloomberg). Os houthis dizem ter fechado o Bab el-Mandeb, e a saída saudita depende cada vez mais do Canal de Suez (WSJ, AP/NPR).

  • A Ucrânia atacou embarcação comercial iraniana no Mar Cáspio; o Irã promete resposta (BTG).

  • Netanyahu chega hoje a Washington pra ver Trump e diz que vai pressionar por vigilância constante do programa nuclear iraniano (WSJ, Bloomberg).

Bancos centrais / Macro EUA

  • Fed decide na quarta, 2ª reunião de Warsh: a aposta de alta chegou perto de 40% na semana passada e recuou pra cerca de 1/3 com a queda do petróleo (Bloomberg/John Authers, FT, Barron’s).

  • Jobless claims na mínima desde 1969 mantêm a barra baixa pra uma alta, na leitura de Marc Chandler, da Bannockburn (Bloomberg/Authers).

  • Treasury de 10 anos a 4,64%, recuando da máxima desde janeiro de 2025 (Bloomberg, BTG).

  • BoE deve manter o juro na quinta apesar do salto do petróleo, com a inflação britânica surpreendendo pra baixo há três meses (FT). BoJ também decide quinta, e o ECB já sinalizou disposição de subir de novo (Bloomberg).

  • Trump prepara nova leva de tarifas pra substituir as temporárias de 10%, com proposta de 10% sobre economias acusadas de subfiscalizar trabalho forçado (Barron’s).

Mercados / Tech

  • Semana com cerca de 175 balanços, 35% do S&P 500: Microsoft e Meta na quarta, Apple e Amazon na quinta (Barron’s, WSJ).

  • Nvidia negocia garantir cerca de US$ 250 bilhões de financiamento pra OpenAI arrendar o data center de 10 GW da SoftBank em Ohio, dentro de uma rodada de acordos de infraestrutura que pode passar de US$ 750 bilhões (WSJ, Bloomberg).

  • CXMT, a fabricante chinesa de chips de memória, estreou em Xangai subindo 466% e virou a maior listada onshore da China, com valor perto de US$ 484 bilhões: ainda menos da metade de Samsung e Micron (Bloomberg, WSJ).

  • Alphabet segue como a perdedora da temporada depois de elevar o capex de 2026 pra US$ 195 a 205 bilhões, mesmo com o Google Cloud crescendo 82% (Barron’s, XP Research).

  • SK Hynix negocia com prêmio de até 51% em NY versus Seul, o que o colunista James Mackintosh trata como sinal de espuma no trade de IA (WSJ).

  • Nvidia investe US$ 1 bilhão na Naver e monta com o grupo SK mais de 2 GW de data centers na Coreia do Sul (Bloomberg).

  • Lucro industrial chinês subiu 15,1% em junho, desacelerando de 21,1%, mas o recorte de circuitos integrados saltou quase 2.580% no semestre (FT, Bloomberg, BTG).

  • O presidente do BC da Indonésia, Perry Warjiyo, renunciou de surpresa por “razões pessoais” e derrubou moeda, bolsa e títulos locais, reacendendo o temor de perda de independência da autoridade monetária (FT, Bloomberg).

Brasil: mercado

  • Ibovespa caiu 1,52% na sexta, aos 174.042 pontos, puxado por bancos em bloco e Petrobras, na contramão de dólar (R$ 5,0809) e DI, que fechou entre 20 e 25 bps (BTG, XP Macro Strategy). Na semana, +0,19%.

  • Saída de capital estrangeiro da B3 soma R$ 29,6 bilhões desde o pico do Ibovespa, em 15 de abril (XP Research).

  • Governo desbloqueou R$ 5,7 bilhões de despesas discricionárias no relatório bimestral, por projeção menor de gastos com Previdência, BPC e pessoal (XP Macro Strategy).

  • Galípolo falou na Expert XP sem novidade sobre os próximos passos do BC (XP Macro Strategy).

  • IPCA de julho: XP projeta 0,13%, contra 0,26% do Focus; a inflação de 2026 no mercado ronda 5,13% (XP Macro).

  • Defasagem da Petrobras segue aberta com o barril perto de US$ 90, e o governo diz que mantém a subvenção aos combustíveis até o mercado melhorar (Abicom via XP, Poder360).

Brasil: política

  • A convenção do PL oficializou Flávio no sábado, com Tarcísio em discurso enfático, vídeo de Michelle, vídeo de Bolsonaro feito por IA e vídeo de apoio de Netanyahu (XP Política, Estadão, G1).

  • Milei discursou ao vivo, chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”; o Itamaraty convocou o embaixador argentino e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires a consultas (Estadão, Folha, Bloomberg).

  • O Brasil negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado americano que se reuniriam com autoridades eleitorais, citando risco de interferência no pleito (WSJ, Folha, the news).

  • Lula publicou artigo no Washington Post criticando as tarifas de Trump e rechaçando interferência externa (Estadão, the news).

  • Datafolha: Lula 48% x Flávio 43% no 2º turno; 52% acham que Trump usa o tarifaço pra ajudar Flávio e 74% preferem negociar a retaliar (Folha). A Nexus de hoje trouxe quadro parecido: 47% x 43% (XP Macro Strategy).

  • O PSD oficializou Caiado com Kassab de vice, e Caiado promete indulto a Bolsonaro se eleito; o Novo oficializou Zema (Estadão, XP Política). A Folha reporta que parte da Faria Lima torce por desembarque de Flávio em favor de Caiado.

  • A PF abriu inquérito pra rastrear o destino dos mais de R$ 60 milhões doados por Vorcaro, mantendo Flávio na berlinda (O Globo/Thomas Traumann).

  • Daniella Marques, porta-voz econômica de Flávio, vende na Faria Lima um Orçamento Base Zero com promessa de corte de R$ 160 a 220 bilhões por ano, sem detalhar as medidas mais duras (O Globo/Traumann).

  • O governo Lula bateu recorde de gasto com publicidade da Presidência em ano eleitoral: R$ 255,3 milhões no 1º semestre (Estadão).

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: agenda fraca: Focus, sondagem do consumidor da FGV e bens duráveis nos EUA. O evento é político: Netanyahu vê Trump em Washington, e essa conversa pode mexer com a pausa no Irã.

  • Terça: confiança do consumidor nos EUA e leva pesada de balanços tradicionais: Coca-Cola, Visa, Boeing, UPS.

  • Quarta: o dia do ano: Fed decide às 15h e Warsh fala às 15h30, com o mercado dividido entre manter e subir. Microsoft e Meta reportam após o fechamento, e o capex de IA é o número que o mercado vai caçar.

  • Quinta: Apple e Amazon reportam, e saem PCE (a inflação preferida do Fed) e a 1ª leitura do PIB do 2T. BoE e BoJ também decidem juros.

  • Sexta: Chevron e Exxon reportam, com o barril US$ 15 abaixo da máxima da semana passada. Sai o índice de custo de emprego do 2T nos EUA.

  • Na semana: IPCA-15 de julho por aqui, com a XP projetando inflação fraca no mês (0,13% pro IPCA cheio). É o número que diz se o Copom ganha ou perde espaço.

Todas as sugestões de investimento da Expert XP

26 de Julho de 2026, 17:23

A Expert XP é a maior plataforma de relacionamento, influência e inteligência financeira do Brasil.

Expert XP 2026: último dia tem João Fonseca, Lucas Braathen, CEOs e  influencers

1. Política monetária americana

Janet Yellen sustenta que a economia global ainda carrega os efeitos de choques sucessivos desde a pandemia, o que atrasa o retorno da inflação às metas dos bancos centrais. Ela cita pressões recentes ligadas à energia e mudanças na política comercial americana, somadas ao investimento pesado em IA e infraestrutura energética. Sem evidência clara de ganhos de produtividade que compensem esses efeitos, ela projeta inflação elevada no curto prazo, mas acredita que o Fed ainda tem espaço para adotar postura mais restritiva se as pressões se intensificarem.

Risco de dominância fiscal nos EUA está crescendo, diz Janet Yellen
  1. Revisão do arcabouço do Fed

Ela acredita que a participação de especialistas externos pode fortalecer a credibilidade das discussões e melhorar a comunicação do banco central com mercados e sociedade.

  1. Dólar e reservas internacionais

Yellen evita previsões diretas sobre câmbio, mas observa queda gradual da participação do dólar nas reservas internacionais. Ainda assim, ela mantém que nenhuma moeda alternativa viável existe hoje para substituir o dólar, dada a liquidez, a profundidade e a robustez dos mercados americanos.

  1. Risco fiscal das economias desenvolvidas

Yellen se mostra preocupada com a trajetória fiscal de várias economias desenvolvidas, sobretudo diante do envelhecimento populacional e das pressões crescentes sobre as contas públicas. Para ela, a sustentabilidade fiscal seguirá entre os principais desafios das próximas décadas, o que exige discussões mais sérias sobre planejamento de longo prazo e equilíbrio das contas.

  1. Bolsa brasileira e ciclo de reversão

    Risco de alta da inflação por conta do petróleo diminuiu e beneficia  bolsa”, diz André Lion, CIO da Ibiuna Investimentos

André Lion, João Luiz Braga e Octávio Magalhães convergem na leitura de que o pessimismo extremo, valuations mais baratos e o retorno de fluxo estrangeiro criam assimetria favorável para ações brasileiras, mesmo em ambiente macro ainda volátil. Fernando Ferreira aponta três sinais positivos, o retorno de fluxo em julho, o indicador de sentimento da XP em pessimismo extremo, nível que historicamente coincide com viradas de mercado, e a melhora da assimetria do Ibovespa. Braga cita o desinflacionamento confirmado pelo último IPCA como argumento a favor do ciclo de corte de juros.

  1. Conflito no Irã e petróleo

Jeferson Bittencourt (economista-chefe da ASA) destaca a dificuldade de projetar cenários envolvendo atores imprevisíveis, mas ainda espera alívio das tensões.

Parreiras argumenta que a estrutura de incentivos favorece nova tentativa de acordo, já que o Irã busca concessões usando sua influência sobre o Estreito de Hormuz enquanto Trump quer evitar tanto vitória iraniana quanto guerra prolongada.

Com o tempo, ele espera queda do petróleo à medida que o prêmio geopolítico se dissipa e o excesso de oferta fica mais evidente.

  1. Inteligência artificial e inflação

A fase inicial tende a ser inflacionária, dado o investimento pesado em energia, semicondutores, data centers e capacidade computacional, enquanto os efeitos de produtividade de longo prazo poderiam ser deflacionários.

Mariano Steinert (gestor e sócio fundador da Genoa Capital) afirma que os cerca de US$ 2 trilhões em investimento esperado parecem consistentes com a demanda, com risco maior vindo da infraestrutura insuficiente do que do excesso de capacidade.

  1. Ciclo global de juros e big techs

Participantes do painel com Walter Maciel (CEO da AZ Quest Investimentos), Daniel Dupont (gestor do Kapitalo NW3 Plus) e Bruno Marques (gestor multimercado da XP Asset) apontam que a combinação de crescimento acima do potencial, inflação acima da meta e choques simultâneos de oferta e demanda contribui para juros globais mais altos por mais tempo. Eles destacam a mudança no papel das grandes empresas de tecnologia, que passaram de geradoras de caixa a grandes consumidoras de capital com o investimento pesado em infraestrutura de IA.

  1. Bolsa global e ciclo de IA

Alastair Pang (Morgan Stanley)apresenta a visão mais construtiva, argumentando que a IA já gera retorno tangível sobre capital investido e deve ser vista como driver estrutural de produtividade, com benefícios se ampliando para bancos e saúde.

Gina Martin Adams (estrategista-chefe de mercado da HB Wealth) adota postura mais equilibrada, notando que só uma parcela menor das empresas está capturando retornos de fato, com sinais iniciais de pressão sobre o fluxo de caixa livre em alguns casos.

  1. América Latina e fluxos globais

Ana Reynal (Capital Group), Efrain Chavez (INCA Investments) e Seba Ramirez (LarrainVial Asset Management) convergem na leitura de que os fundamentos da América Latina melhoraram, mas essa melhora não se refletiu nos preços dos ativos.

Os fluxos de capital seguem concentrados na temática de IA em outras regiões, deixando a América Latina em posição de trade defensivo. Reynal cita MercadoLibre como ideia de maior convicção, Ramirez prefere Sabesp e utilities selecionadas, e a Argentina aparece como a oportunidade fora do consenso mais clara da região.

  1. Consolidação fiscal do governo brasileiro

Durigan reitera que o governo não pretende adotar controle de capitais no Brasil, após especulação recente do mercado sobre o tema. Ele cita ajuste fiscal estrutural de cerca de 2% do PIB nos últimos anos e afirma que a Lei Orçamentária Anual, prevista para até 31 de agosto, deve projetar superávit primário de 0,5% do PIB. Durigan também descarta banimento das apostas online e defende regulação semelhante à do tabaco.

  1. Regime global pós choques inflacionários

Andressa Castro (BNP Paribas Asset Management) argumenta que a inflação não é estruturalmente alta, mas os juros devem permanecer estruturalmente mais altos, já que trazer a inflação à meta é uma escolha do banco central com custo associado.

Ela cita quatro choques recentes de oferta, pandemia, guerra Rússia Ucrânia, tarifas e guerra do Irã, e aponta que a decisão do Fed sobre subir juros agora ou esperar até 2028 depende fortemente da guerra e de Kevin Warsh.

  1. Cenário eleitoral 2026

Felipe Nunes (Quaest) descreve o modelo de calcificação do eleitorado, com aproximadamente 35% para cada lado em um confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, deixando o resultado nas mãos de independentes que hoje pendem levemente para Lula.

Cila Schulman levanta a hipótese de vitória de Lula no primeiro turno, argumentando que ele é o único nome à esquerda sem fragmentação de voto, enquanto eleitores que deixam Flávio Bolsonaro têm migrado para indecisos, votos brancos e nulos.

Antonio Lavareda contrapõe que Lula já chegou perto do resultado em 2006 e 2022 sem atingir o patamar necessário.

  1. Geopolítica, IA e alocação de portfólio

Bruno Cordeiro afirma que por cerca de 25 anos a geopolítica foi o input menos relevante nas decisões de investimento, cenário que já não existe mais, e espera acordo de paz entre Washington e Teerã em semanas.

Ruy Alves (Kinea Investimentos) descreve a IA como um grande truque de mágica, projetando que até o fim de 2027 o mundo terá nove vezes mais capacidade computacional do que teria sem ela, com o gargalo concentrado em semicondutores. Ele prefere se posicionar no próprio gargalo, citando TSMC e Micron, argumentando que o modelo de IA em si se torna commodity pela facilidade de replicação.

Semana concentra o pacote completo para o Copom de 5 de agosto

26 de Julho de 2026, 10:06

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Panorama da Semana

Cenário global fica tenso, enquanto o Brasil segue no corte da Selic

O CPI de junho nos EUA veio abaixo do esperado, com núcleo estável no mês e alta de 2,6% em doze meses. À primeira vista parece bom, mas o Fed olha o PCE, não o CPI, e ali o quadro muda. A projeção é de núcleo do PCE subindo 0,22% no mês e mantendo 3,4% em doze meses, patamar que já roda acima do CPI há vários meses. Essa divergência incomoda o Fed.

O consumo americano segue resistente mesmo com o petróleo subindo por causa do conflito no Estreito de Ormuz. As vendas no varejo cresceram de novo em junho e os meses anteriores foram revisados para cima. O consumo real deve ter crescido perto de 2,5% ao ano no trimestre. O contraponto é a energia mais cara: o Brent de setembro foi de 72 para 88 dólares desde o início de julho e a gasolina nos postos americanos volta a rondar 4 dólares o galão.

Nos EUA, o discurso do Fed será o dado mais importante da semana. Warsh evitou qualquer sinalização no depoimento ao Congresso. Já Waller reconheceu motivos para otimismo na inflação, mas condicionou qualquer alívio a não repetição de dados aquecidos. Cook e Jefferson falaram no mesmo tom. No computo geral,o viés do Fed aponta para alta de juros, não corte, e o mercado já precifica mais de uma alta até o fim do ano.

Para a próxima semana o calendário americano é mais fraco, com destaque para os PMIs de julho na sexta. A expectativa é de melhora tanto na indústria quanto em serviços, com o índice composto no melhor nível desde o início de 2026.

No Brasil a semana concentra o pacote completo que vai municiar o Copom de 5 de agosto. O IPCA 15 de julho é o dado principal, com projeção de alta de 0,15% no mês, puxada (novamente) por alimentação no domicílio e parcialmente compensada por energia elétrica e passagens aéreas. Esse número, somado ao núcleo trimestral anualizado voltando para perto da meta, sustenta a leitura de desinflação em curso. Ao lado disso vêm o mercado de trabalho, com desemprego estável perto de 5,3% e geração de vagas formais ainda robusta, além das contas externas, do crédito e do resultado fiscal de junho.

A tarifa americana de 25% já está em vigor e o adicional de 12,5% sob a seção 301 foi confirmado em 23 de julho. O impacto agregado deve ficar contido, dado o peso baixo do comércio bilateral no PIB brasileiro e as isenções em vigor, mas o efeito setorial e o canal de confiança e prêmio de risco pesam mais em ano eleitoral. O governo respondeu com o Brasil Soberano III, linha de até R$18,5 bilhões via Tesouro e BNDES para setores expostos às tarifas e a segmentos como fertilizantes e minerais críticos. O que importa aqui não é o envelope anunciado, e sim a adesão efetiva e o quanto essa e outras linhas de crédito compensam, na margem, o aperto monetário em curso.

No campo eleitoral as pesquisas recentes mostram corrida polarizada mas agora com dispersão entre institutos que reflete mais diferença de metodologia e data de campo do que uma mudança de direção. A semana que vem traz possíveis divulgações de Jota, Nexus e AtlasIntel, além da janela de convenções partidárias até 5 de agosto, que deve definir chapas e coligações.

O viés para o Copom de agosto segue sendo corte de 25 pontos base, com comunicação condicional e sinal de que o espaço para continuar cortando depois de setembro é limitado. A política fiscal e de crédito continua sustentando a demanda e mantém o quadro inflacionário em um equilíbrio de juro alto por mais tempo, mesmo com a desinflação de curto prazo em curso.

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Ontem foi pancada, hoje tem respiro (por enquanto)

24 de Julho de 2026, 09:22

O barril furou os US$ 100 e já devolveu, as big techs perderam US$ 800 bilhões em um dia e a segunda camada tarifária caiu sobre cerca de 60 países no apagar das luzes, o Brasil entre eles. Hoje o mercado respira, mas quase nada disso melhorou de verdade.

ONTEM (23 de julho)

  • Brent subiu 6,5% e fechou a US$ 100,2 por barril, primeira vez acima de US$ 100 em quase dois meses, depois que os houthis atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.

  • Alphabet caiu 6,9% após elevar o capex de 2026 para até US$ 205 bilhões e Tesla caiu 15%; as Mag 7 perderam cerca de US$ 800 bilhões de valor de mercado em um dia.

  • Ibovespa caiu 0,46% aos 176.724 pontos, dólar subiu 0,65% a R$ 5,0839 e o DI abriu cerca de 15 bps em toda a curva. Perto das 18h, com o pregão já encerrado, os EUA anunciaram a tarifa extra de 12,5% sobre produtos brasileiros.

HOJE / MADRUGADA (24 de julho)

  • As tarifas de 10% a 12,5% sobre cerca de 60 países entraram em vigor à 0h01 de Washington, substituindo a taxa global de 10% que expirava. Para o Brasil, somam até 37,5% em parte dos produtos.

  • Kospi caiu 5,72% e Nikkei recuou 2,73%, com Samsung e SK Hynix cedendo cerca de 7% cada.

  • Brent devolve cerca de 4% e volta a US$ 96,70; futuros americanos sobem e a Intel avança após o balanço. A aposta de alta do Fed na quarta ronda um terço.

Ontem escrevi que o cenário de US$ 120 do Goldman seguia não sendo o base, mas nunca tinha estado tão pouco teórico. Vinte e quatro horas depois o Brent fechou a US$ 100,2, primeira vez acima dos US$ 100 em quase dois meses. Hoje devolve cerca de 3% e eu confesso que não entendo inteiramente o motivo: pode ser realização antes do fim de semana depois de uma alta de 11% na semana, que é a leitura do JPMorgan citada pelo WSJ, pode ser aposta de que o Trump recua de novo, pode ser só ausência de manchete nova nas últimas doze horas. O que eu não vi foi nada público indicando melhora, com Ormuz de volta às mínimas, a 13ª noite seguida de ataques e o Irã rejeitando a proposta de cessar-fogo. Preço caindo sem fato correspondente me deixa mais desconfiado, não menos.

Brent fura os US$ 100 e devolve: a ida e a volta em dois pregões (Bloomberg)
Brent fura os US$ 100 e devolve: a ida e a volta em dois pregões (Bloomberg)

A divergência dos chips que descrevi ontem não durou um dia: o Kospi caiu 5,72% e Samsung e SK Hynix recuaram cerca de 7% cada. E vale desmontar a leitura de que o mercado estaria rodando de quem paga o capex para quem vende o equipamento, porque o índice de semicondutores perde 13% no mês e chegou a entrar em bear market na semana passada. Os dois lados apanham juntos. A Intel foi exceção, com receita subindo 25% e guidance acima do consenso, mas vinha de queda de 27% no mês. O que dá pra afirmar é mais modesto: a paciência com capex encolheu, e do outro lado ainda não apareceu um vencedor claro.

No Brasil, o salto de 2,4% do Ibovespa não teve continuidade e o índice devolveu 0,46%. Sobre a segunda camada tarifária, vale entender que não é só empilhamento: é substituição. O instrumento anterior expirou ontem e a Seção 301 entra no lugar, com 10% a 12,5% sobre cerca de 60 países. Pro Brasil chega a 37,5% em parte dos setores, mas com lista de exceções quase idêntica à dos 25%: título grande, macro pequeno. E a véspera da convenção do PL teve os dois extremos, com Mendonça autorizando inquérito sobre os repasses de Vorcaro ao Dark Horse e, horas depois, Flávio pedindo desculpas a Michelle, que aceitou em vídeo. O barulho é político; a conta, por enquanto, é setorial.

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Ontem foi pancada, hoje tem respiro (por enquanto)

📅 24 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

🛢️ Houthis acertaram 2 petroleiros sauditas no Mar Vermelho e o Brent passou de US$ 100 pela 1ª vez em 2 meses. Trump promete ataque “maior do que nunca” ao Irã. Hoje o barril devolve 3%, mas sem novidade: Ormuz segue vazio.

📉 Ontem foi pesado: Alphabet caiu 6,9% após subir o capex a US$ 205 bi, Tesla desabou 15% e as Mag 7 perderam US$ 800 bi. Hoje a Coreia pagou a conta, Kospi -5,7%, mas NY amanhece mais calma: futuros sobem e a Intel ajuda com resultado acima das expectativas.

🏦 A aposta de alta do Fed na quarta, que citei em 25%, já ronda 1/3.

🇧🇷 E veio a 2ª camada: 12,5% hoje, até 37,5% acumulados. Mas a lista de exceções é quase igual à dos 25%, e o Itaú vê risco setorial com macro limitado. Governo diz que vai acionar a Lei da Reciprocidade sem sair da mesa.

🏛️ Mendonça abriu inquérito do Dark Horse mirando Flávio, que fez as pazes com Michelle na véspera da convenção. Datafolha pode sair hoje.

Daqui pra baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Petróleo / Geopolítica

  • Os houthis, grupo iemenita apoiado pelo Irã, disseram ter atacado com mísseis e drones dois petroleiros sauditas no Bab el-Mandeb, o estreito na entrada do Mar Vermelho. A UK Maritime Trade Operations confirmou pelo menos um dos ataques (Bloomberg, WSJ).

  • O Bab el-Mandeb respondia por cerca de 12% do petróleo transportado por mar antes da guerra, e vinha servindo de rota alternativa para o barril saudita desviado de Ormuz. Com os dois pontos sob risco ao mesmo tempo, embarcações já estão mudando trajeto (WSJ, Empiricus).

  • Brent fechou a US$ 100,2 por barril, alta de 6,5% no dia (XP Macro Strategy). Hoje cede para cerca de US$ 97 e o WTI para US$ 88,84 (BTG Morning Call, WSJ).

  • Trump disse à Axios que considera um “ataque massivo” ao Irã, que seria “maior do que nunca”, e afirmou que responsabilizará Teerã por novos ataques houthis a navios (Bloomberg, BTG Morning Call).

  • O Centcom concluiu a 13ª noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos, em operação de mais de duas horas voltada a reduzir a ameaça a navios civis em Ormuz (BTG Morning Call).

  • O Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo americana apresentada pelo primeiro-ministro do Iraque; autoridades iranianas disseram que era a única oferta na mesa (New York Times).

  • Sobre a queda de hoje, o WSJ registra que não houve manchete nova do Oriente Médio nas últimas doze horas e cita o JPMorgan, para quem o movimento aponta realização de lucro antes do fim de semana depois de uma alta de 11% de Brent na semana. O Itaú Views (Pedro Renault) faz leitura parecida: pouco motivo concreto para o alívio, com o fluxo em Ormuz de volta às mínimas, e o mercado possivelmente apostando de novo em recuo do Trump (WSJ, Itaú Views).

  • Um dia depois de o acordo nuclear com a Arábia Saudita ser anunciado, o Trump condicionou o entendimento ao reconhecimento de Israel pelo reino, colocando o negócio em dúvida. Os sauditas já disseram que só tratam do tema com caminho para um Estado palestino (New York Times).

Mercados / IA

  • Alphabet: lucro trimestral de US$ 112 bilhões, receita de US$ 199,8 bilhões e Google Cloud crescendo 82% para US$ 24,8 bilhões. O que derrubou a ação foi o capex de 2026, elevado de US$ 180 a 190 bilhões para US$ 195 a 205 bilhões, com fluxo de caixa livre negativo em US$ 5,9 bilhões no trimestre (Barron’s, DealBook/New York Times).

  • A ação caiu 6,9% (Bloomberg). A Tesla caiu 15%: gastos com IA e robótica somaram US$ 5,8 bilhões no trimestre e o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 1,1 bilhão, o primeiro em dois anos. Musk chamou 2026 de “ano massivo de capex” (Barron’s, Bloomberg).

  • O tamanho da perda das Mag 7 varia conforme a fonte: a Bloomberg calculou cerca de US$ 800 bilhões, o WSJ falou em aproximadamente US$ 890 bilhões. Em qualquer das contas, foi o pior dia do grupo desde abril de 2025 (Bloomberg, WSJ).

  • Intel na contramão: receita de US$ 16,1 bilhões, alta de 25% e o crescimento mais rápido em quinze anos, com data center e IA subindo 59% e a divisão Foundry avançando 31%. O guidance do trimestre atual, de US$ 15,8 a 16,8 bilhões, veio acima do consenso de US$ 15,1 bilhões, e a empresa projeta capex acima de US$ 20 bilhões em 2026 e mais em 2027 (Barron’s, New York Times).

  • Contexto que ajuda a dimensionar a Intel: a ação vinha de queda de 27% no mês, entre as dez piores do S&P 500, depois de subir 278% no primeiro semestre. A Wedbush avaliava antes do balanço que o humor com o setor pesaria mais na reação do que o número em si (Bloomberg).

  • Na Ásia hoje o Kospi caiu 5,72% e o Nikkei 2,73%, com Samsung e SK Hynix recuando cerca de 7% cada, exatamente as ações que tinham subido na véspera (BTG Morning Call, Bloomberg). Difícil cravar um culpado só: pesa o pregão americano de ontem, e a Bloomberg acrescenta um fator local, o IPO da chinesa CXMT na segunda, maior oferta de chips da história do país, que estaria fazendo fundos abrirem espaço no setor.

  • O ouro fechou ontem em queda de 2,46%, a US$ 4.049 a onça, mesmo com a guerra escalando e com a discussão em Washington sobre remover diretores do Fed. Hoje sobe 0,23% (WSJ Markets PM, BTG Morning Call). Em dia de venda generalizada, queda de ouro costuma ter componente de realização para cobrir perda em outros ativos, então é cedo para tirar conclusão sobre a demanda por proteção.

  • Fora do preço, mas relevante: modelos avançados da OpenAI levaram poucas horas para invadir os sistemas internos da startup Hugging Face num teste de cibersegurança que fugiu do controle, tempo bem menor do que um humano habilidoso levaria. O episódio expôs fragilidades nos mecanismos de isolamento e já motivou parlamentares americanos a apresentar um projeto de “kill switch” para IA (Bloomberg, WSJ, Estadão).

  • O índice de semicondutores da Filadélfia acumula queda de 13% no mês e chegou a entrar brevemente em bear market na semana passada antes de recuperar parte. Ou seja, o ajuste não está poupando os fornecedores de infraestrutura: quem paga o capex e quem recebe vêm apanhando juntos (Bloomberg).

  • Pano de fundo relevante: a dívida emitida para bancar o capex de IA está disputando comprador com o Tesouro americano. O título de 30 anos passou 12 pregões seguidos acima de 5%, a maior sequência desde 2007 (Bloomberg).

Bancos Centrais / Macro

  • A reunião do Fed na quarta virou a mais imprevisível em anos. Warsh abandonou o forward guidance dos antecessores e não sinalizou para onde pende; na audiência no Senado há dez dias disse ter “tolerância zero” com a inflação, sem explicar como os juros atuais chegam lá (WSJ).

  • Na reunião de junho, a primeira de Warsh como presidente, 9 dos 18 participantes passaram a ver ao menos uma alta em 2026, contra zero na reunião anterior (WSJ).

  • A aposta de alta na quarta saiu de cerca de 12% há uma semana e de 25% ontem para perto de um terço, e a chance de alguma alta em 2026 passou de 90% (Barron’s, Bloomberg).

  • O BCE manteve os juros da zona do euro em 2,25%, em decisão unânime, mas parte do comitê discutiu aperto adicional e Lagarde deixou setembro em aberto, dependente da energia (BTG Morning Call).

  • Pedidos semanais de seguro-desemprego nos EUA caíram a 187 mil, o menor nível desde 1969 e bem abaixo dos 210 mil esperados (Bloomberg).

  • O juro do Treasury de 10 anos bateu 4,7%, maior nível desde o começo de 2025, e a taxa média da hipoteca de 30 anos nos EUA subiu pela terceira semana seguida, a 6,58% (WSJ, Bloomberg).

  • PMIs preliminares de julho melhoraram na Europa: composto da zona do euro a 51,9, maior em cinco meses, e a Alemanha voltou a crescer após quatro meses de contração (BTG Morning Call).

Brasil

  • Fechamento de ontem: Ibovespa caiu 0,46% aos 176.724 pontos, com Petrobras e Vale amortecendo a queda; dólar subiu 0,65% a R$ 5,0839 e o DI abriu cerca de 15 bps em praticamente toda a curva (BTG Morning Call, XP Macro Strategy). O salto de 2,4% da véspera não teve continuidade, o que mantém aquele pregão na conta de termômetro e não de rotação confirmada.

  • A tarifa de 12,5% por trabalho forçado sai da Seção 301 da lei de comércio americana, atinge cerca de 3 mil produtos brasileiros e entrou em vigor à 0h01 de Washington (Estadão, Amcham via Estadão).

  • Contexto de como a parede tarifária vem sendo remontada, do Itaú Views: o IEEPA, usado para a tarifa global original, foi derrubado pela Suprema Corte em fevereiro; entrou no lugar a Seção 122, que permitia os 10% universais mas tinha validade de 150 dias sem aval do Congresso; com esse prazo expirando ontem, entra agora a Seção 301. Instrumentos jurídicos diferentes buscando o mesmo resultado.

  • Tamanho da conta: a Amcham calcula US$ 10,7 bilhões de exportações afetadas pela tarifa acumulada de 37,5%, e uma consultoria estima que os 12,5% atingem 42% do que o Brasil mandou aos EUA em 2025 (O Globo). O ministro da Indústria falou em dupla taxação de 37,5% para muitos setores (Folha).

  • Na outra ponta, o Itaú Views observa que a lista de exceções é quase idêntica à dos 25%, o que sustenta a leitura de risco setorial com impacto macroeconômico limitado. Pela conta deles, a alíquota média efetiva sobre tudo que entra nos EUA sobe de 9,3% para perto de 10%, em boa parte por causa do extra brasileiro.

  • O governo rechaçou a medida, chamou de arbitrária e disse que iniciará imediatamente os trâmites da Lei da Reciprocidade, mas sem deixar a mesa de negociação (G1, XP News XPress). Indústria e setor de máquinas pedem que o Brasil evite a reciprocidade por ora (Estadão).

  • André Mendonça, do STF, autorizou a abertura de inquérito da Polícia Federal sobre os repasses de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, com a apuração mirando Flávio, Eduardo e o próprio Vorcaro por corrupção e lavagem (Estadão, Folha).

  • No mesmo dia, Flávio publicou novo pedido público de desculpas a Michelle e ela respondeu em vídeo aceitando e sinalizando que trabalha pela campanha. CNN e Metrópoles dizem que ela ainda assim não deve ir à convenção de amanhã (Folha, Estadão, XP News XPress).

  • Ciro Nogueira comunicou a Flávio que a federação União Progressista ficará neutra na disputa presidencial, e a cúpula do Republicanos fala em “portas se fechando”. Aliados já admitem chapa pura (XP News Clipping, XP News XPress).

  • O governo prorrogou por 30 dias, a partir de 26 de julho, a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina; a do diesel segue até 16 de setembro (XP Inflation News).

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: PMIs preliminares de indústria e serviços e vendas de moradias novas nos EUA; balanços de American Express e Verizon. Aqui, Durigan palestra na Expert XP às 10h30 e Galípolo às 11h20 e o Tesouro divulga o relatório bimestral de receitas e despesas, com coletiva às 15h. O Datafolha pode sair hoje, mas o Itaú Views lembra que pesquisas marcadas para sexta já escorregaram pro sábado outras vezes.

  • Sábado: convenção nacional do PL oficializa a candidatura de Flávio, ainda sem vice definido, com a federação União Progressista fora e Milei discursando em São Paulo. É o evento político da semana, e chega com um inquérito a mais no colo do senador.

  • Domingo a terça: pesquisas Jota, Nexus e Atlas podem sair, nessa ordem, já com tarifaço em vigor, inquérito aberto e a reconciliação com Michelle no meio.

  • Segunda: estreia da CXMT em Xangai, maior IPO de chips da história da China, um termômetro de apetite pelo setor na Ásia depois da semana ruim.

  • Quarta: decisão do Fed, a mais incerta em anos. Com Warsh sem forward guidance, o comunicado e a entrevista carregam peso maior que o de costume.

  • Quarta e quinta: Meta e Microsoft reportam dia 29, Amazon e Apple dia 30. Depois do que a Alphabet fez com o mercado, o capex é o número que todo mundo vai caçar primeiro.

VALE (VALE3) tem produção forte, mas surpreende com crise no conselho de administração

23 de Julho de 2026, 09:47

Em um intervalo de 24 horas, a mineradora divulgou um relatório de produção acima das expectativas do mercado, viu a Assembleia Geral Extraordinária eleger um novo presidente do Conselho de Administração em uma disputa acirrada e, no dia seguinte, anunciou a destituição do conselheiro derrotado por vazamento de informações confidenciais.

Produção do 2T26 supera expectativas

O gatilho inicial foi o relatório de produção e vendas do segundo trimestre, divulgado na noite de terça-feira (21/07). A Vale produziu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 0,8% frente ao mesmo período de 2025 e de 20,9% na comparação com o primeiro trimestre, o melhor volume para um segundo trimestre desde 2018, puxado por recorde no projeto S11D (Sistema Norte) e por contribuições adicionais de Capanema e VGR1 (Sistema Sudeste). Os embarques somaram 79,7 milhões de toneladas, 3,1% acima do mesmo período do ano passado.

Do lado dos preços, os finos foram vendidos a US$ 95 por tonelada em média, e as pelotas a US$ 137 por tonelada — cerca de 4% a 4,5% acima do que bancos como BTG Pactual e BofA projetavam, em meio a prêmios trimestrais mais fortes. O prêmio de qualidade “all-in” recuou para US$ 4,4 por tonelada, refletindo maior participação de minério de teor médio no mix do Sistema Norte.

O ponto fraco ficou por conta das pelotas: a produção caiu 7% na comparação anual, efeito da paralisação das operações de pelotização em Omã, provocada por restrições logísticas ligadas a conflitos no Oriente Médio. As operações foram retomadas apenas parcialmente no fim de junho.

Já os metais básicos foram o destaque positivo do trimestre. O cobre teve preço realizado de US$ 14.062 por tonelada, salto de 56,5% em um ano, beneficiado por preços melhores na London Metal Exchange, menores descontos em taxas de tratamento e refino e liquidações favoráveis de faturas com precificação provisória.

Repercussão entre as casas de análise:

  • BTG Pactual classificou o trimestre como de “execução sólida” após um primeiro trimestre sazonalmente mais fraco, com destaque para cobre e para surpresas positivas de preço — mas alertou que, diante do impacto da guerra do Irã sobre os resultados, o mercado deve manter o foco em custos e em eventuais atualizações de guidance, temas não endereçados nesta divulgação.

  • XP viu os números como “ligeiramente positivos” e revisou a projeção de Ebitda ajustado do trimestre para cerca de US$ 3,9 bilhões, ante US$ 3,7 bilhões antes — alta de até 5%, puxada por volumes de minério, pelotas e níquel acima do esperado e preços realizados mais altos de cobre e níquel.

  • Itaú BBA elevou sua estimativa de Ebitda pro forma para cerca de US$ 3,83 bilhões, alta de 5,5% ante a projeção anterior de US$ 3,63 bilhões.

  • BofA reiterou recomendação de compra e manteve preço-alvo de US$ 18 para o ADR — potencial de alta de 26,3% ante o último fechamento — chamando o relatório de “muito robusto”. Com base em análise de sensibilidade sobre volumes e preços, o banco estima que o Ebitda do trimestre pode chegar a US$ 4,1 bilhões, acima da própria projeção anterior de US$ 3,9 bilhões, embora ressalte que o desempenho de custos ainda será uma variável determinante.

  • BB Investimentos também avaliou o desempenho operacional como consistente, com avanços em produção e vendas em todos os segmentos na comparação anual, apesar da queda nas pelotas.

Disputa pelo conselho termina com vitória de Ollie

Enquanto o mercado ainda digeria os números operacionais, a Vale confirmou em comunicado à CVM o resultado da Assembleia Geral Extraordinária: Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o “Ollie”, conselheiro independente apoiado pela Previ, foi eleito o novo presidente do Conselho de Administração, com 1.977.262.848 votos. Marcelo Gasparino da Silva, até então vice-presidente do colegiado, disputou o cargo e obteve 1.065.493.489 votos.

Também foi eleita para o conselho a executiva Ieda Gomes Yell, com 2.400.170.665 votos, superando José Maurício Pereira Coelho, que teve 628.533.132 votos.

A combinação de trimestre operacional forte com a definição da disputa pelo comando do conselho acelerou os ganhos das ações ao longo do pregão de quarta-feira (22/07). No after market da B3, Vale ON foi o papel mais negociado do dia, com volume financeiro de R$ 22,140 milhões, à frente de ativos como o ETF BOVA11 (R$ 10,224 milhões) e Petrobras PN (R$ 4,661 milhões), em um pregão noturno que somou R$ 83,376 milhões em giro total.

TradingView chart
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Gasparino é destituído por vazamento de informações

O desfecho da novela de governança veio na própria noite da quarta-feira (22), quando a Vale informou que seu Conselho de Administração decidiu destituir Marcelo Gasparino da Silva após uma investigação independente concluir que houve vazamento de informações confidenciais relativas à reunião do colegiado realizada em 19 de junho. A apuração foi conduzida por um escritório externo contratado por decisão do próprio conselho e confirmou o vazamento, enquadrado como violação à Política de Gestão de Desvios de Conduta da companhia. A decisão seguiu recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos e da Diretoria de Auditoria e Conformidade. A companhia afirmou que manterá o mercado informado sobre novos desdobramentos.

O episódio fecha, em menos de 48 horas, um ciclo que junta resultado operacional acima do esperado, definição de uma disputa de poder no conselho e a saída do conselheiro derrotado por quebra de conduta, um conjunto de notícias que ajuda a explicar tanto o salto do papel quanto o volume elevado de negociação no período.

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O que diz a análise técnica e fundamentalista

Antes desse conjunto de notícias,João Tonello, analista CNPI da NMS Research, já classificava VALE3 como um ativo misto: bons fundamentos operacionais, mas sem sinal de aceleração de preço no curto prazo.

No gráfico, o papel carregava uma estrutura de duplo topo (picos em R$ 87,85 e um pouco abaixo disso), com a região entre R$ 71,42 e R$ 74,62 apontada como a zona de decisão mais importante do curto e médio prazo. Um fechamento sustentado acima de R$ 74,62 com volume crescente abriria caminho para R$ 79,15; já a perda de R$ 71,42 projetaria o papel para R$ 67,66 e R$ 65,32.

Nos fundamentos, o especialista já destacava o lucro líquido em alta de 36% no 1T26, volume recorde de minério vendido e crescimento nas vendas de cobre (+11,4%) e níquel (+15,2%), mas ponderava que o valuation já embutia um minério a cerca de US$ 114 a tonelada, prêmio de 16% sobre o spot, o que limitava o upside adicional.

O principal catalisador apontado era justamente um dividendo extraordinário no segundo semestre, com FCF yield estimado em 11% - tese reforçada, à época, por Itaú BBA e Bradesco BBI. Do lado negativo, pesavam a fraqueza do minério de ferro na China, a desaceleração estrutural chinesa e um câmbio desfavorável no curto prazo.

A recomendação final de manutenção para quem já tem posição, com foco no carrego do dividendo extraordinário esperado para o 2S26, e de cautela para novas entradas, aguardando confirmação técnica de sustentação acima de R$ 74,62 com volume, ou uma deterioração adicional que abrisse um ponto de entrada mais assimétrico na faixa entre R$ 67 e R$ 70.

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Brent (+4%) encosta nos US$100 e gringo comprou Brasil ontem

23 de Julho de 2026, 08:43

Petróleo a caminho dos US$ 100, big techs pagando caro pela conta da IA e gringo comprando Brasil no meio do fogo cruzado. Se você for ler uma coisa só sobre mercado hoje, que seja essa.

ONTEM (22 de julho)

  • Ibovespa saltou 2,4% em pregão sem noticiário local, com fluxo estrangeiro concentrado em Vale, Petrobras e bancos; dólar caiu 0,4% a R$ 5,05 e os DIs abriram de 5 a 7 bps.

  • Tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor; o governo respondeu com o Brasil Soberano 3, até R$ 18,5 bi em linhas de crédito (R$ 13,5 bi do Tesouro e R$ 5 bi do BNDES).

  • S&P caiu 0,1% e Nasdaq 0,6%; após o fechamento, Alphabet elevou o capex de 2026 a até US$ 205 bi e Tesla reportou queima de caixa com US$ 5,8 bi de gastos em IA e robótica. Brent fechou +3% a US$ 93,7.

HOJE / MADRUGADA (23 de julho)

  • Houthis atacaram dois petroleiros sauditas perto de Bab el-Mandeb; Brent salta mais de 4% e passa de US$ 98, maior nível em quase dois meses.

  • Alphabet cai 4% e Tesla 6% no pré-mercado; futuros de NY recuam cerca de 0,4%, enquanto chips asiáticos como Samsung e SK Hynix sobem.

  • BCE decide juros às 9h15, com expectativa de manutenção; Treasury de 30 anos segue acima de 5% na sequência mais longa desde 2008.

Não deu 24 horas entre a ameaça e os mísseis: de madrugada os houthis atingiram dois petroleiros sauditas tentando cruzar Bab el-Mandeb, a rota que respondia por 12% do petróleo transportado por mar e que era a válvula de escape saudita pro aperto em Ormuz. O Brent passou de US$ 98. E a diplomacia anda pra trás: Trump promete destruir uma ponte ou usina do Irã a cada navio atingido, e Teerã responde que mira infraestrutura de energia americana na região. O mapa abaixo mostra o tamanho do problema: os dois gargalos do petróleo mundial estão em disputa ao mesmo tempo. O cenário de US$ 120 do Goldman segue não sendo o base, mas nunca esteve tão pouco teórico.

Ormuz fechado, Bab el-Mandeb sob ameaça: os dois gargalos ao mesmo tempo (Bloomberg)
Ormuz fechado, Bab el-Mandeb sob ameaça: os dois gargalos ao mesmo tempo (Bloomberg)

Os balanços das big techs vieram e o mercado não gostou da conta. A Alphabet entregou cloud acima do esperado e mesmo assim cai 4% no pré: o capex subiu a até US$ 205 bi e o caixa livre virou negativo. A Tesla gastou US$ 5,8 bi em IA e robótica e teve a primeira queima de caixa em dois anos. A divergência diz muito: quem paga a conta apanha, e quem recebe o dinheiro subiu na Ásia, com Samsung e SK Hynix na ponta. A Bloomberg credita à expectativa dos bilhões de capex desaguando neles; eu somaria o repique técnico de um setor que caiu 13% no mês e vinha sendo sustentado por Pequim há dois pregões. Provavelmente um pouco dos dois. E essa conta não fecha só com caixa: as empresas já vêm captando dívida pra bancar a infraestrutura de IA, e a Bloomberg dimensionou hoje o tamanho disso, mais de US$ 500 bi disputando os mesmos compradores dos Treasuries, um dos motivos de o juro de 30 anos segurar acima de 5% pela sequência mais longa desde 2008. As duas forças que drenam capital de mercados como o nosso se retroalimentando.

No Brasil, o dia teve dois movimentos na contramão um do outro: o Ibovespa saltou 2,4% sem notícia local, com o Broadcast reportando fluxo estrangeiro em Vale, Petrobras e bancos, mas os juros também subiram, com os DIs abrindo de 5 a 7 bps atrás do petróleo e das treasuries. Seguro o entusiasmo com o fluxo: com Brent a US$ 98, comprar petroleira e mineradora na B3 pode ser trade de commodity usando o Brasil de veículo. Um pregão não faz rotação. E a semana política esquenta: tô curioso pra convenção do PL no sábado, que formaliza Flávio ainda sem vice e em meio a tantas polêmicas. Lembrando o calendário: as convenções vão até 5 de agosto, mas os partidos têm até o dia 15 pra registrar as chapas na Justiça Eleitoral.

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Brent (+4%) encosta nos US$100 e gringo comprou Brasil ontem

📅 23 de julho. Bom dia.

🛢️ Houthis atingiram 2 petroleiros sauditas no Mar Vermelho e o Brent salta 4% agora pela manhã, acima de US$ 98. Ormuz vazio e agora Bab el-Mandeb sob fogo: dois estrangulamentos ao mesmo tempo. Trump promete bombardear pontes e usinas do Irã.

📊 Os balanços que citei vieram: Alphabet elevou o capex de IA a até US$ 205 bi e cai 4% no pré. Tesla queimou caixa e cai 6%. Capex volta a assustar.

🇧🇷 Ontem o Ibovespa saltou 2,4% sem notícia local que justifique. Broadcast relata entrada de fluxo estrangeiro direcionado especialmente a Vale, Petrobras e bancos. Dólar a R$ 5,05. Curva de juros subiu.

🏛️ No dia do tarifaço, Lula lançou o Brasil Soberano 3: R$ 18,5 bi em crédito. Já o cerco a Flávio aperta: PP e União caminham pra neutralidade, notas ligam seu escritório ao caso Master, fala sobre urnas repercute e a convenção de sábado chega sem vice.

📅 Hoje: BCE decide juros e Intel reporta.

Daqui pra baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Petróleo / Geopolítica

  • Os houthis anunciaram em pronunciamento na TV que atacaram dois petroleiros sauditas tentando cruzar Bab el-Mandeb, com mísseis e drones; o centro britânico de operações marítimas (UKMTO) confirmou que ao menos um navio foi atingido a sudoeste de Al Shuqaiq, na costa saudita do Mar Vermelho. O estreito respondia por cerca de 12% do petróleo transportado por mar antes da guerra (WSJ, Bloomberg).

  • Mesmo com os ataques, dois petroleiros chineses carregados de petróleo saudita mantêm rota rumo a Bab el-Mandeb, teste em tempo real de até onde vai o bloqueio (Bloomberg).

  • Foi o 12º dia consecutivo de ataques americanos ao Irã, e os EUA estão despachando mais tropas, médicos e armamento pro Oriente Médio, dando a Trump opções pra expandir a guerra (WSJ).

  • Trump prometeu no Truth Social destruir “uma ponte ou usina de energia” do Irã, inclusive perto de Teerã, a cada navio atacado em Ormuz; a agência iraniana Tasnim respondeu que o Irã atingiria infraestrutura energética de interesse americano na região (Bloomberg, XP Macro).

  • No front diplomático, a régua caiu: a proposta dos mediadores agora é voltar ao estado de 8 de julho, ou seja, negociar como parar de atirar dentro de um cessar-fogo que já morreu, e diplomatas ouvidos pela Bloomberg dizem em privado que o momentum aponta pra mais escalada (Bloomberg Businessweek).

  • Na contramão do impasse com Teerã, os EUA assinaram o acordo nuclear com a Arábia Saudita: 30 anos, tecnologia americana obrigatória e sem as duas travas do acordo com os Emirados de 2009 (inspeções amplas de curto prazo e proibição de enriquecer urânio). Congressistas americanos, Israel e especialistas em não proliferação torcem o nariz (NYT, WSJ).

  • Por aqui, a defasagem da Petrobras segue aberta: diesel 67% abaixo da paridade (R$ 2,19/L) e gasolina 53% (R$ 1,35/L) (Abicom via XP). E o MPF acionou a Justiça pra suspender a mistura de 32% de etanol na gasolina (Jota via XP).

Mercados / IA

  • Alphabet: lucro anual quadruplicou a US$ 112 bi e o cloud veio acima do esperado, mas a projeção de capex subiu a até US$ 205 bi em 2026 e o caixa livre do trimestre ficou negativo. A ação cai 4% no pré: o mercado achou o limite da paciência com capex, e ele custa US$ 200 bi (NYT, FT, Bloomberg, WSJ).

  • Tesla: lucro bem abaixo do esperado e primeira queima de caixa em dois anos, com US$ 5,8 bi de gastos em IA e robótica no trimestre. A ação cai 6% no pré. É o inverso da discussão de ontem, quando havia quem visse subinvestimento; o dinheiro apareceu, o retorno ainda não (Bloomberg, WSJ).

  • A divergência do dia: quem paga o capex cai, quem recebe sobe. Chips asiáticos avançaram com Samsung e SK Hynix entre os maiores ganhos, movimento que a Bloomberg atribui à aposta de que os bilhões anunciados desaguam neles. Ressalva minha: o setor vem de queda de 13% no mês e de dois pregões de repique com a mão de Pequim, então difícil separar leitura de capex de recuperação técnica; provavelmente as duas coisas (Bloomberg).

  • A dívida de IA virou concorrente do Tesouro americano: são mais de US$ 500 bi em financiamentos ligados à infraestrutura de IA disputando o mesmo comprador de papéis longos, um dos motivos de o juro de 30 anos acumular 27 pregões acima de 5% em 2026, a sequência mais longa desde 2007 (Bloomberg).

  • Outros balanços: ServiceNow +8% com bookings fortes; Texas Instruments -5% com guidance morno; STMicro -15% em Paris; Nestlé -7% em Zurique com volumes fracos; IBM cortou o guidance com venda de mainframes despencando 42% (Barron’s, Bloomberg, WSJ).

  • Intel reporta hoje após o fechamento: a ação caiu 27% em julho depois de subir 278% no primeiro semestre, e o índice de semicondutores perde 13% no mês. Pra Wedbush, o humor com o setor vai ditar a reação mais que o número em si (Bloomberg).

  • A Casa Branca acusou a Moonshot, a chinesa do modelo Kimi K3 que citei na semana passada, de usar indevidamente modelos americanos e chips Nvidia Blackwell proibidos pra China na construção do sistema (Bloomberg).

  • E o efeito IA no emprego começa a aparecer nominalmente: a Uber cortou 10% das vagas de atendimento ao cliente citando a adoção da tecnologia (Bloomberg).

Bancos Centrais / Macro

  • O BCE decide às 9h15 com expectativa de manutenção e foco na sinalização: a Bloomberg Economics vê setembro como a última alta desse ciclo curto de aperto, com as commodities mantendo o Conselho no rumo (Bloomberg).

  • Fed: a curva segue dando cerca de 25% de chance de alta na quarta que vem, e o mercado precifica cerca de 25 bps até setembro. O WSJ chama a reunião de uma das mais imprevisíveis em anos, no vácuo de guidance de Warsh (WSJ, XP Macro).

  • No flanco institucional, aliados de Trump discutem se uma revisão externa da quebra do SVB em 2023 daria base legal pra remover o diretor Michael Barr, enquanto seguem as tentativas contra Lisa Cook e Powell (Bloomberg). Leio pela lente do trade de desvalorização monetária que venho acompanhando no ouro: ameaça à independência do Fed não vira ruído só porque o juro curto está acomodado; fica em observação.

  • O petróleo caro segue cobrando a Ásia: o iene rompeu 163 por dólar (mais fraco desde 1986) e o BoJ estaria aberto a subir juros mais rápido que o consenso; o BC filipino interveio com o peso na mínima histórica e a Índia vendeu dólares pra defender a rupia (Bloomberg).

  • Na renda fixa local, as NTN-Bs tiveram nova piora: vencimentos até 2037 negociam acima de 8% de taxa real, e o Valor fala em fragilidade do mercado (Valor via XP).

Brasil

  • Fechamento de ontem: Ibovespa +2,4% em dia sem noticiário e sem dados locais, movimento que a XP atribui majoritariamente a fluxo; o Broadcast relata entrada estrangeira direcionada especialmente a Vale, Petrobras e bancos. O real apreciou 0,4% a R$ 5,05 e o DI abriu de 5 a 7 bps acompanhando treasuries e petróleo (XP Macro Strategy, Broadcast).

  • Ressalva de leitura que mantenho da nossa discussão de rotação: preço de um pregão é termômetro, não fluxo confirmado, e a composição importa. Com Brent a US$ 98, Vale e Petrobras podem ser trade de commodity com CNPJ brasileiro. O fluxo na B3 dos próximos dias é quem confirma ou desmente.

  • Brasil Soberano 3: MP assinada por Lula libera até R$ 18,5 bi em linhas de crédito pros setores atingidos pelo tarifaço, sendo R$ 13,5 bi do Tesouro e R$ 5 bi do BNDES; o governo ainda estuda medidas por setor, incluindo compras governamentais (News XPress, Folha, Estadão).

  • A segunda camada tarifária segue no radar: a decisão sobre os 12,5% por trabalho forçado, atingindo cerca de 60 países, pode ser confirmada até sexta, quando fecha a investigação (Estadão, News XPress).

  • Efeito colateral do aperto argentino: com a motosserra de Milei espremendo o consumo e os elétricos chineses avançando, a Argentina cortou drasticamente as compras do Brasil e voltou a ter a China como principal fornecedora (Estadão).

  • Na corrida pela vice: Ciro Nogueira comunicou a Flávio a tendência de neutralidade da federação União Progressista, mas ele e Rogério Marinho negaram ao Valor qualquer definição (”continuamos conversando”). Valdemar rejeita chapa pura, mas chama o cenário de cada vez mais “difícil”; a cúpula do Republicanos fala em “portas se fechando” e Michelle Bolsonaro deve faltar à convenção (G1, Folha, Valor, O Globo, News XPress).

  • Sobre as urnas: a federação PT-PV-PCdoB protocolou representação no TSE contra Flávio, citando o precedente que tornou Bolsonaro inelegível; ministros do TSE e do STF classificam a fala como “derrotista”, enquanto a equipe jurídica do senador avalia que o caso não reproduz as circunstâncias do pai (O Globo, Valor, News XPress).

  • Caso Master: o escritório de advocacia de Flávio emitiu R$ 1,5 mi em notas pra empresas usadas no esquema de Vorcaro, incluindo R$ 500 mil de um diretor ligado ao banco. O senador confirma a prestação de serviços advocatícios, sem detalhar quais, e nega irregularidade (Metrópoles, Estadão, Valor, CNN).

  • Do lado do governo, a PoderData mostra a aprovação pessoal de Lula subindo a 46% após o tarifaço (Poder360). Faltam 73 dias pro primeiro turno (XP Política).

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: BCE às 9h15 e jobless claims às 9h30. Intel após o fechamento, o teste de humor dos chips; antes da abertura, Blackstone, Lockheed, T-Mobile e American Airlines. Tesouro divulga o edital do leilão de prefixados às 10h30; Lula comanda reunião ministerial às 15h30 e Durigan fala a investidores às 16h (WSJ, Bloomberg, News XPress).

  • Sexta: prazo final da investigação que pode confirmar os 12,5% sobre 60 países. Datafolha pode sair, o primeiro retrato com tarifaço em vigor e crise da vice. Nos EUA, PMIs e vendas de casas novas; reportam American Express e Verizon (Estadão, Folha, WSJ).

  • Sábado: convenção nacional do PL formaliza Flávio, com Milei discursando em SP e, por ora, sem vice na chapa (Estadão, News XPress).

  • Semana que vem: pesquisas Jota (domingo), Nexus (segunda) e Atlas (terça). Na quarta (29/07), decisão do Fed com a curva dando cerca de 25% de chance de alta (News XPress, WSJ).

Nomos na Expert XP 2026

22 de Julho de 2026, 16:20

A Nomos é uma assessoria de investimentos que há muito tempo entendeu a necessidade de agregar investidores. Porque investimento não deve ser um ato solitário. A gente entende que compartilhar experiências é tão importante quanto a orientação do seu assessor.

Fazemos em média dois eventos por semana, nas diferentes cidades que estamos presentes.

Podemos reunir cinco clientes num encontro de fim de dia em nosso escritório de São Paulo até centenas de vocês num evento como a Expert XP que começa amanhã, a maior feira de investimentos da América Latina.

Dessa vez estaremos ainda maiores, com uma torre de confraternização, cerveja e o melhor conteúdo da feira, desculpa Will Smith.

Procura por esta torre. Se não achar, aborda qualquer pessoa de moletom verde-lima. Não precisa de mapinha.

Chegando lá, pergunta “tem aquela IPA da Nomos?”

A gente libera uma fugida para ver o eterno Fresh Prince de Bel-Air

The Fresh Prince Is Here”: Will Smith on the Impromptu ...

Não seremos um ponto com fila pra brinde (vai ter também, óbvio). Seremos uma arena que confraterniza e ensina. Palestras seguidas a cada meia-hora tanto com conteúdo pra quem investe para os netos, quanto pra quem prevê o gráfico para os próximos cinco minutos.

Somos todos traders. Só muda o horizonte. Se não concorda, vem debater com a gente na agenda mais rica de conteúdo da feira (abaixo).

CLIQUE NA IMAGEM PARA VER A GRADE COMPLETA

Petróleo já sobe mais de 30% desde a mínima de julho

22 de Julho de 2026, 08:37

ONTEM (21 de julho)

  • Chips lideraram repique em NY: índice de semicondutores subiu mais de 5% e a Intel 8,6%; S&P 500 +0,9%, Nasdaq +1,3%. GM saltou 4,9% após elevar o guidance do ano.

  • Brent fechou a US$ 91,01, alta de 2%, primeiro fechamento acima de US$ 90 desde o início de junho.

  • No Brasil, Ibovespa no zero a zero aos 173,4 mil pontos, dólar caiu 0,4% a R$ 5,07 e os DIs abriram até 3 bps.

HOJE / MADRUGADA (22 de julho)

  • Brent salta 3% a US$ 93,7 com três frentes apertando: Ormuz vazio, petroleiros dando meia-volta no Mar Vermelho após ameaça houthi e ataques ucranianos ao escoamento russo no Mar Negro.

  • A aposta de alta do Fed na reunião de 29/07 subiu de 16% pra 25%; Treasury de 10 anos a 4,63%. Futuros em NY recuam antes de Alphabet, Tesla e IBM.

  • O tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor; o iene fura 163 por dólar, o mais fraco desde 1986.

Ontem escrevi que a guerra ameaçava abrir uma segunda artéria no Mar Vermelho. Não levou 24 horas: petroleiros deram meia-volta antes de Bab el-Mandeb e navios carregados de petróleo saudita viraram pro norte, rumo a Suez. Somando Ormuz praticamente sem tráfego e os ataques da Ucrânia ao escoamento russo no Mar Negro, são três frentes espremendo a oferta ao mesmo tempo, e o resultado está no título da mensagem de hoje: mais de 30% desde a mínima de julho. O cenário de US$ 120 do Goldman, que tratei como risco de cauda, segue não sendo o cenário-base, mas cada artéria que fecha tira um pouco do teórico dele. E a diplomacia foi na direção contrária: Trump descartou negociar até o Irã “se engajar de verdade”, enquanto aprovava um acordo nuclear que deixa a Arábia Saudita enriquecer urânio, com Israel e o Congresso americano torcendo o nariz.

A consequência apareceu onde escrevi na semana passada que apareceria: sem guidance de Warsh, cada dado vira gatilho. O gatilho da vez não foi dado, foi barril. A aposta de alta do Fed na reunião da semana que vem saltou de 16% pra 25%, devolvendo boa parte do alívio que o CPI benigno tinha comprado, e o juro de 10 anos foi a 4,63%. É a segunda força que drena capital de mercados como o nosso voltando a ligar o motor, justo quando a primeira, a dos chips, esperava os balanços pra provar que o repique de ontem tinha fundamento. O termômetro que anunciei é hoje: Alphabet, Tesla e IBM reportam após o fechamento, e os futuros devolvendo parte do ganho dizem que o mercado prefere ver os números antes de pagar pra ver.

No Brasil, o dia que eu vinha marcando no calendário chegou: o tarifaço de 25% entra em vigor hoje, e até sexta pode vir a segunda camada, de 12,5% por trabalho forçado, pegando 60 países, no mesmo formato que vimos em junho. Já a novela da vice de Flávio ganhou capítulo de almoço de domingo: Tereza Cristina disse não à vaga (o plano dela, segundo o próprio Valdemar, é presidir o Senado no ano que vem), e o Bernardo Mello Franco conta no Globo que a tática de conquista do candidato incluía chamá-la de “vozinha”, por uma suposta semelhança com a avó dele (kkk inacreditável). Chapa sem vice a três dias da convenção, barril a US$ 93 e Fed rearmando: o dólar a R$ 5,07 de ontem pode ser o número mais frágil desta edição.

Segue a versão

resumida disso tudo que falei:

Petróleo já sobe mais de 30% desde a mínima de julho

📅 22 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

🛢️ Brent sobe 3% e passa de US$ 93: Ormuz vazio, houthis fazem petroleiros dar meia-volta no Mar Vermelho e a Ucrânia aperta o escoamento russo no Mar Negro. Trump descarta negociar até o Irã “se engajar de verdade”. E aprovou acordo pra Arábia Saudita enriquecer urânio; Israel e o Congresso torcem o nariz.

🏦 A aposta de alta do Fed na quarta que vem saltou de 16% pra 25%. Juro de 10 anos a 4,63%.

📊 Hoje Alphabet, Tesla e IBM reportam após o fechamento. Futuros devolvem parte do repique de chips de ontem (setor +5%, Intel +8,6%).

🇧🇷 Como citei, o tarifaço de 25% entra em vigor hoje. Até sexta pode vir a 2ª camada, de 12,5% por trabalho forçado, pegando 60 países. Ontem: Ibovespa de lado, dólar a R$ 5,07.

🏛️ Valdemar descarta Tereza Cristina e admite que Flávio “não estava preparado” na largada. Convenção sábado, vice em aberto.

Daqui pra baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Petróleo / Geopolítica

  • As três frentes em detalhe: em Ormuz, as travessias da última semana rodam abaixo de um décimo do nível pré-guerra; no Mar Vermelho, ao menos dois petroleiros a caminho de Bab el-Mandeb deram meia-volta de madrugada após a ameaça houthi de bloquear a Arábia Saudita, e outros pausaram no Golfo de Áden; no Mar Negro, ataques ucranianos à navegação russa atrapalham o escoamento do oleoduto que leva petróleo russo e cazaque à região (WSJ).

  • Os houthis mandaram e-mail a armadores avisando que navios que atracarem em portos sauditas “podem ser alvo”, e um superpetroleiro fez meia-volta no sul do Mar Vermelho rumo ao norte. O centro conjunto de monitoramento marítimo diz que o grupo completou os preparativos de ataque perto de Bab el-Mandeb, com mísseis e drones posicionados (Bloomberg).

  • Era justamente pelo Mar Vermelho, via porto de Yanbu, que os sauditas vinham escoando volumes recordes e compensando o aperto em Ormuz, como escrevi ontem. Com as duas rotas ameaçadas, o Goldman mantém o alerta: Brent acima de US$ 120 no 4º tri se a disrupção persistir, com cenário-base de US$ 80 assumindo desescalada (Bloomberg).

  • Trump minimizou a chance de negociação: os EUA “não têm interesse” em conversar até o Irã se engajar “de forma significativa”. Os aliados do Golfo estão cada vez mais frustrados com o custo da guerra pras suas economias, e Hegseth foi ao Congresso pedir cerca de US$ 70 bi adicionais, atualizando a conta do conflito pra US$ 37,5 bi (Bloomberg, NYT).

  • Na contramão do impasse com Teerã, Trump aprovou acordo nuclear que pode permitir à Arábia Saudita enriquecer urânio, sem as restrições internacionais usuais contra desvio militar. O anúncio está previsto pra hoje e enfrenta oposição de congressistas americanos e de Israel (NYT, WSJ).

  • Nos derivados, o aperto é gritante: os spreads do diesel na Europa estão em máximas históricas e, segundo o ING, “não há conserto rápido” pra essa escassez. A gasolina média americana voltou a superar US$ 4 por galão (ING via WSJ, FT).

  • Por aqui, a defasagem da Petrobras segue aberta: diesel 67% abaixo da paridade (R$ 2,18/L) e gasolina 52% (R$ 1,34/L), com Brent acima de US$ 88 e câmbio a R$ 5,09 (Abicom via XP). E o ressarcimento do curtailment às geradoras ficou em R$ 3,3 bi, com impacto altista estimado de 5 bps no IPCA, mas processo longo, até meados de 2027: menos um risco no curto prazo (Broadcast e DOU via XP Macro).

Mercados / IA

  • O repique de chips que começou na Ásia com a mão de Pequim, como mostrei ontem, atravessou o Pacífico: o índice de semicondutores subiu mais de 5% em NY, com Intel +8,6% antes do balanço de quinta, e o S&P fechou +0,9%. Mesmo assim, o setor ainda acumula queda de cerca de 3% em cinco pregões: repique ainda não é tendência (WSJ).

  • Hoje os futuros recuam (Nasdaq -0,5%) à espera de Alphabet, Tesla e IBM após o fechamento. No Google, o número que o mercado vai caçar é o crescimento do cloud, a prova de retorno sobre o capex de IA; na Tesla, a discussão é o oposto das big techs: a empresa gastou só US$ 2,5 bi dos US$ 25 bi previstos pra 2026, e há quem veja subinvestimento em IA e robótica (Bloomberg).

  • A temporada vem forte: o guidance momentum do S&P 500 está em recorde na série da Bloomberg Intelligence, com lucro esperado subindo 26% no tri, e mais de 90% das 67 empresas que já reportaram superaram as estimativas (Bloomberg, XP).

  • A Super Micro dispara 19% no pré-mercado com backlog recorde e projeção de quase dobrar a margem bruta, puxando Dell e HPE (Bloomberg, Barron’s).

  • O petróleo caro cobra seu preço na Ásia: o iene furou 163 por dólar pela primeira vez desde 1986 e o Japão ameaça intervir; o BC das Filipinas entrou no mercado com o peso na mínima histórica e a Índia vendeu dólares pra segurar a rupia. Países que importam energia em dólar sofrem duas vezes (Bloomberg).

  • E um episódio pra acompanhar: modelos avançados da OpenAI hackearam os sistemas da Hugging Face durante um teste de segurança, num incidente descrito como sem precedentes, reacendendo o debate sobre limites pra tecnologia (NYT, WSJ).

  • A Moonshot, a chinesa do modelo Kimi K3 que citei na semana passada, prepara rodada final de captação antes de listar em Hong Kong, mirando avaliação de até US$ 50 bi. As IAs chinesas correm pra levantar caixa e fechar o gap com os EUA (Bloomberg, WSJ).

Bancos Centrais / Macro / Tarifas

  • O juro real do Treasury de 30 anos atingiu a máxima desde 2008, e o de 10 anos está em 4,63%. Com o Fed em silêncio até 29/07, a curva já precifica cerca de 25% de chance de alta na semana que vem, ante 16% no início da semana, movimento puxado pelo salto do petróleo (WSJ).

  • O ECB decide amanhã com expectativa de manutenção e foco na sinalização pra setembro (Pimco via WSJ). No Reino Unido, o CPI de junho veio em 2,6%, levemente abaixo do esperado, primeiro dado da era Burnham (XP).

  • No front tarifário, o FT reporta que Trump prepara nova rodada de tarifas pra dezenas de países até sexta, quando expiram as alíquotas globais de 10% derrubadas pela Suprema Corte. Veio também a tarifa de 100% sobre medicamentos genéricos a partir de 2028 (dobrando em 2029), que pegou de surpresa as farmacêuticas indianas, e um alívio seletivo: corte de tarifas de alumínio pra quem investir em fundições americanas (FT, Bloomberg).

  • No Canadá, depois do anúncio dos 50% de segunda, Carney e Trump concordaram em acelerar as negociações antes de a tarifa valer (Bloomberg).

Brasil

  • O tarifaço de 25% entra em vigor hoje e ameaça até US$ 11 bi em exportações. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse que a decisão sobre a camada de 12,5% por trabalho forçado sai “em breve” e atingirá 60 países; a expectativa do Estadão é de confirmação até sexta, quando fecha a investigação, com aposta em lista ampliada de exceções (Folha, Estadão, XP News XPress).

  • A resposta segue no congelador: Alckmin reafirmou que o governo não deve retaliar, na linha que citei ontem de segurar a reciprocidade pra depois da eleição. No mundo real, O Globo mostra empresários redirecionando produtos enquanto perdem clientes nos EUA, e o Estadão conta que 17 grupos brasileiros já gastaram R$ 42 mi com lobistas em Washington (Folha, O Globo, Estadão).

  • Na corrida pela vice de Flávio, Valdemar se reuniu com Tereza Cristina e saiu descartando o acordo: segundo ele, a senadora quer disputar a presidência do Senado. Na mesma conversa com jornalistas, admitiu que Flávio “não estava preparado para ser candidato” quando foi escolhido pelo pai, em termos de estrutura política, emendando que “agora estamos conseguindo andar nesse assunto” (O Globo, Estadão, CNN, Valor).

  • O Bernardo Mello Franco adiciona a cena que explica parte do impasse: Tereza Cristina diz não ter interesse na vaga, e a insistência de Flávio em chamá-la de “vozinha”, por uma suposta semelhança física com a avó dele, “parece não ter ajudado”. Daniella Marques, a preferida, “pode agradar a Faria Lima, mas não tem voto”, nas palavras do próprio Valdemar; restam as deputadas Simone Marquetto e Clarissa Tércio (Bernardo Mello Franco, O Globo).

  • Em reunião com embaixadores, Flávio repetiu um dado falso sobre as urnas eletrônicas, já desmentido pelo TSE em 2017, e pediu observadores internacionais pras eleições; depois disse que “não coloca em dúvida o processo eleitoral”. Ministros do TSE lembraram que o caso já gerou punições no passado (Folha, O Globo, Valor).

  • Do lado de Lula, a campanha desautorizou Gabrielli como porta-voz da economia, desdobramento direto do mal-estar com as propostas de controle de capital que citei ontem, e o presidente consulta o núcleo duro sobre ir ou não aos debates de TV (CNN, Estadão, Metrópoles, Folha).

  • Fechamento de ontem: dia sem destaques no noticiário local, Ibovespa no zero a zero aos 173,4 mil pontos, dólar caiu 0,4% a R$ 5,07 e os DIs abriram até 3 bps, acompanhando a curva americana (XP Macro). A inflação implícita de julho na B26 recuou 11 bps, pra 2,30% anualizado (XP).

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: Alphabet, Tesla e IBM após o fechamento, com AT&T e Texas Instruments no mesmo dia: o capex de IA segue sendo o número que o mercado vai caçar. Estoques de petróleo (EIA) nos EUA. Tarifaço de 25% em vigor; Lula recebe o CEO da Stellantis com Alckmin e Durigan (WSJ, Bloomberg, XP News XPress).

  • Quinta: decisão do ECB, com expectativa de manutenção; Intel, Blackstone, Lockheed e American Airlines reportam; jobless claims (WSJ, Bloomberg).

  • Sexta: prazo final da investigação que pode confirmar os 12,5% sobre 60 países; American Express e Verizon; PMIs e vendas de casas novas nos EUA. Novo Datafolha pode sair (Estadão, WSJ, Folha).

  • Sábado: convenção nacional do PL formaliza Flávio, com Milei discursando em SP e, por ora, sem vice na chapa (Estadão, XP News Clipping).

  • Quarta que vem (29/07): decisão do Fed, com a curva dando 25% de chance de alta (WSJ).

Chips repicam com muleta de Pequim

21 de Julho de 2026, 08:53

ONTEM (20 de julho)

  • EUA completaram o 9º dia de ataques ao Irã, Trump disse que o Irã “vai pagar” pela morte de 3 militares e os Houthis ameaçaram bloqueio marítimo à Arábia Saudita. Brent tocou US$ 90 e fechou perto de US$ 89.

  • Em NY, S&P 500 caiu 0,2% e Dow 0,6%. Os chips chegaram a subir 3% durante o pregão, mas fecharam em +0,6%. Trump anunciou tarifa de 50% sobre parte dos produtos canadenses.

  • No Brasil, Ibovespa caiu 0,2%, aos 173,4 mil pontos, e o dólar recuou a R$ 5,09. Começou o período de convenções partidárias.

HOJE / MADRUGADA (21 de julho)

  • 10º dia de ataques EUA-Irã, mais um petroleiro atacado e Ormuz praticamente sem tráfego. Brent segue perto de US$ 90.

  • Ásia repicou puxada por chips: Kospi +3,6%, Nikkei +3,3%, CSI 300 +3,1%. Futuros do Nasdaq sobem 1,4%.

  • Pesquisa Real Time Big Data: aprovação do governo melhora, mas a vantagem de Lula sobre Flávio no 2º turno cai de 5 pra 3 pontos, empate técnico.

Ontem deixei em observação se a debandada asiática dos chips era dinheiro trocando de endereço ou a Coreia devolvendo rali. Hoje entrou um terceiro personagem que eu não tinha na conta: o Estado chinês. Depois de o índice mais carregado de IA da bolsa de Xangai despencar 17% na semana passada, queda recorde, Pequim montou uma operação coordenada de sustentação, com reguladores, fundos estatais, seguradoras e gestoras agindo juntos; só ontem, o maior ETF desse índice captou US$ 2 bilhões, segundo a Bloomberg.

A ironia é que o mesmo regulador que alertou mês passado contra a especulação em ações de IA agora coloca um piso no preço delas. O motivo está no PIB: eletrônicos e TI responderam por mais da metade do crescimento chinês na margem no 2º tri. A China não pode deixar esse trade morrer. Já o salto do Kospi é outra história: ali Pequim não comprou nada, é contágio de setor e, em parte, devolução depois de um mês caindo 23%. Repique com muleta não é a mesma coisa que fundo; amanhã, os balanços de Alphabet e Tesla são um ótimo termômetro.

https://nomos.to/uor6wCccf

Na guerra, ontem escrevi que ela tinha mudado de natureza com a morte de militares americanos. Hoje ela ameaça se espalhar. Os Houthis, a milícia do Iêmen aliada ao Irã, prometem bloquear os portos sauditas no Mar Vermelho, mais uma frente no tabuleiro, e o detalhe importa mais do que parece: era justamente por ali, via porto de Yanbu, que a Arábia Saudita vinha escoando volumes recordes e compensando o aperto em Ormuz, segundo a Bloomberg. Se as duas artérias fecharem ao mesmo tempo, o cenário de US$ 120 do Goldman, que hoje é risco de cauda e não cenário-base, deixa de ser exercício teórico. Por ora o mercado segue comprando a tese do mediador, e admito que eu também quero acreditar. Mas a gasolina americana parada nos US$ 4 por galão diz que o relógio político de Trump corre mais rápido que a diplomacia. E hoje dá pra medir isso ao vivo: o secretário de Defesa, Pete Hegseth, vai ao Congresso defender os bilhões adicionais que Trump pede pra guerra, diante de um ceticismo público que a Bloomberg descreve como crescente.

Aqui, o relógio que corre é o da eleição, e a Real Time Big Data de hoje trouxe uma combinação que vale ler com calma: o governo melhora de avaliação, com ótimo/bom saindo de 28% pra 35%, e mesmo assim a corrida aperta, com a vantagem de Lula sobre Flávio caindo de 5 pra 3 pontos na série do próprio instituto, empate técnico. Avaliação subindo com margem encolhendo é o retrato de uma disputa viva, e o mercado percebeu: o Valor registra que a eleição entrou de vez no radar do investidor estrangeiro e já influencia as apostas nos ativos locais. Amanhã o dia é cheio dos dois lados: tarifaço de 25% em vigor por aqui, com Lula segurando a reciprocidade pra depois de outubro, e Alphabet e Tesla abrindo os números lá fora.

Segue a versão resumida disso tudo que falei:

Chips repicam com muleta de Pequim

📅 21 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.

💻 Ontem NY até tentou (chips abriram +3% e fecharam +0,6%), mas o repique veio hoje na Ásia: Kospi +3,6%, Nikkei +3,3%, futuros do Nasdaq +1,4%. Bloombeg traz que governo chinês entrou comprando pra segurar as ações de IA na China. Amanhã Alphabet e Tesla abrem os balanços das big techs.

🛢️ 10º dia de ataques EUA-Irã, Ormuz vazio e Houthis ameaçam bloquear portos sauditas. Brent ronda US$ 90. Goldman diz que passa de US$ 120 se seguir travado.

🇧🇷 Real Time Big Data: aprovação do governo melhora, mas a vantagem de Lula sobre Flávio no 2º turno cai de 5 pra 3 pontos, empate técnico. E Trump deu green card a Eduardo Bolsonaro.

🏛️ Amanhã o tarifaço de 25% entra em vigor. Lula deve segurar a reciprocidade até depois da eleição.

💰 Gabrielli, ex-presidente da Petrobras que coordena o programa do PT, defendeu a gestores salário mínimo maior e controle de capital. A Fazenda, contudo, não validou.

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Daqui para baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.

RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)

Petróleo / Geopolítica

  • EUA e Irã trocaram ataques pelo 10º dia consecutivo, mesmo com mediadores tentando destravar uma nova trégua. Trump disse que o Irã “vai pagar” pela morte dos 3 militares e a Reuters registra que os EUA já deslocam caças e aviões de reabastecimento adicionais pro Golfo. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, testemunha hoje no Congresso pedindo bilhões adicionais pra guerra, sob ceticismo público crescente (Bloomberg, NYT, Reuters via News XPress).

  • A frente nova: os Houthis ameaçam impor bloqueio marítimo à Arábia Saudita. O risco é a rota do Mar Vermelho, por onde o porto saudita de Yanbu escoou 4,19 milhões de barris/dia no mês passado, volume recorde que vinha compensando o aperto em Ormuz. A coalizão liderada pelos sauditas no Iêmen diz que já protege embarcações na região (Bloomberg).

  • Em Ormuz, mais um petroleiro foi atacado e o estreito amanheceu sem nenhum navio em trânsito observado, segundo a consultoria EOS Risk. Armadores estão oferecendo bônus de até seis meses de salário pra convencer tripulações a cruzar (Bloomberg).

  • O Goldman Sachs projeta Brent a US$ 80 no 4º tri no cenário-base, que assume desescalada. Mas, se a disrupção em Ormuz persistir, o banco vê o barril acima de US$ 120, com riscos “inclinados pra cima” também pelo Mar Vermelho (Goldman via Bloomberg).

  • A inteligência israelense acredita que o Irã moveu centrífugas nucleares pra dentro da Pickaxe Mountain, o que elevaria a preocupação de que Teerã consiga reconstituir o programa nuclear (WSJ).

  • Por aqui, a conta da defasagem seguiu abrindo: diesel da Petrobras 67% abaixo da paridade (R$ 2,18/L) e gasolina 52% (R$ 1,34/L), piora ante os 63% e 47% de ontem, com Brent acima de US$ 88 (Abicom via XP). E o querosene de aviação subiu 57,6% em 12 meses, pressionando passagens aéreas (O Globo). Como escrevi ontem: quanto mais tempo o barril fica lá em cima, maior a pressão represada.

Mercados / IA

  • O resgate chinês em detalhe: depois de o Star 50 cair 17% na semana passada, queda recorde, Pequim montou uma ofensiva com reguladores, investidores estatais, seguradoras e gestoras pra sustentar as ações de IA. O maior ETF do índice, da gestora ChinaAMC, captou US$ 2 bilhões só na segunda-feira, e o Star 50 repicou 11%. A ironia apontada pela própria Bloomberg: o regulador que mês passado alertou contra especulação em “ações-conceito de IA” agora coloca piso no preço, porque eletrônicos e TI viraram mais da metade do crescimento chinês na margem no 2º tri (Bloomberg).

  • Contexto pra quem não conhece o índice: o Star 50 reúne as 50 maiores empresas do STAR Market, o segmento de inovação da bolsa de Xangai criado em 2019, uma espécie de Nasdaq chinesa. A carteira é pesada em semicondutores e hardware de IA, casos de SMIC e Cambricon, por isso a Bloomberg o trata como o índice mais exposto a IA da China. Não é notícia do dia, é o mapa pra entender onde o dinheiro estatal entrou.

  • O Kospi subiu 3,6% e o Nikkei 3,3%, mas a leitura pede precisão: Pequim comprou ações chinesas, não coreanas. A Coreia sobe por contágio do setor e, em parte, por devolução técnica depois de cair 23% no mês. Nos EUA, a mesa da UBS diz que pode ser hora de recompor posições em IA e semicondutores, enquanto as apostas vendidas contra ações americanas batem recorde: o repique tem compradores e céticos ao mesmo tempo (Bloomberg, WSJ).

  • O pregão de ontem em NY resume a fragilidade: o índice de semicondutores chegou a subir mais de 3% e fechou em +0,6%, o S&P caiu 0,2% e o Dow 0,6%. Alibaba destoou, +4,7% no ADR com a prévia do Qwen, e a Oracle fechou na mínima de vários anos, sinal de que a desconfiança com o financiamento do capex de IA não deu trégua (WSJ).

  • Um dado técnico que guardo: o VIX do índice está em 17,5, abaixo da média histórica, mas a mediana de volatilidade das ações individuais está acima de 50, e o gap entre os dois é recorde. Já são 52 pregões no ano em que o índice andou numa direção e a maioria das ações na outra, empatando com 2000. Tradução: a calma do S&P esconde uma disputa violenta embaixo da superfície (Citadel Securities e BTIG via WSJ).

  • A guerra tecnológica esquenta dos dois lados: o FT reporta que Pequim estuda controles de exportação sobre modelos de IA e chips chineses, pra impedir que o Ocidente adquira suas tecnologias, enquanto executivos de OpenAI e Anthropic pressionam Washington contra os modelos chineses baratos, num debate que divide a Casa Branca (FT, WSJ). E a TSMC negocia reajustes de até 10% nos chips em 2027 (Nikkei via Bloomberg).

  • No front tarifário, Trump anunciou 50% sobre parte dos produtos canadenses (vinho, laticínios, madeira, tacos de hóquei), usando um dispositivo de 1930 nunca testado, com 30 dias até valer e exceções pra energia e minerais críticos. O FT acrescenta que a Casa Branca prepara nova rodada geral com a expiração das tarifas de 10%. O Canadá promete responder na mesma moeda (FT, NYT, Bloomberg).

  • Uma juíza federal pausou por 14 dias a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount, de US$ 110 bilhões, dizendo que o negócio “provavelmente” viola a lei antitruste. O prazo aperta: as empresas queriam fechar já amanhã (Bloomberg, NYT).

Bancos Centrais / Macro

  • O Fed segue em silêncio até a decisão de 29/07, e a incerteza tem endereço: os fundos de money market, que administram mais de US$ 8 trilhões, encurtaram o prazo médio das carteiras de 45 pra 40 dias desde maio, preservando flexibilidade pra reaplicar caso o juro suba. Sem guidance de Warsh, cada dado vira gatilho (Crane Data via Bloomberg).

  • No Reino Unido, Andy Burnham assumiu como o 7º premiê em uma década e surpreendeu ao nomear John Healey, ex-secretário de Defesa, como chanceler do Tesouro, escolha lida como aceno ao mercado de títulos. Ainda assim, o gilt de 10 anos subiu 8 bps e voltou a superar 5%, patamar que fora isso só se viu em 2008 (Bloomberg, John Authers).

  • O ECB decide quinta com expectativa de manutenção dos juros e a porta de setembro aberta: energia perto do cenário-base e inflação desacelerando mais que o esperado dão tempo pro comitê observar o verão (Bloomberg, Pimco via WSJ).

Brasil

  • A Real Time Big Data em detalhe: ótimo/bom subiu de 28% pra 35% desde o fim de maio, ruim/péssimo caiu de 47% pra 38% e a aprovação foi de 43% pra 46%. No 1º turno, Lula tem 40% contra 33% de Flávio, com Renan Santos em 9% e Caiado em 7%. No 2º turno, 45 a 42, e a vantagem na série do próprio instituto caiu de 5 pra 3 pontos, empate técnico na margem de 2. Foram 2.000 entrevistas entre 18 e 20 de julho (XP Política). Ressalva de régua: os recortes da Genial/Quaest que citei ontem, com campo na semana passada, mediam expectativa de vitória, não intenção de voto; são institutos e séries diferentes, sem comparação direta entre os números.

  • O Valor registra que a eleição entrou de vez no foco do investidor estrangeiro e já influencia as apostas no mercado local, e que a campanha de Lula tenta ampliar a interlocução com gestores (Valor via XP).

  • Foi numa dessas reuniões que Sérgio Gabrielli, sociólogo que presidiu a Petrobras de 2005 a 2012, nos governos Lula, e hoje coordena o programa de governo do PT, defendeu aumento do salário mínimo e controle de capital. O Valor pontua que as propostas não foram validadas pela Fazenda, pela direção do PT nem pelo próprio Lula; Lauro Jardim resumiu como “na contramão da Faria Lima” (Valor, O Globo/Lauro Jardim via XP).

  • O tarifaço de 25% entra em vigor amanhã. Pelo Estadão, o Planalto lê a sobretaxa como ato político, avalia que Trump não negocia nada antes de outubro e quer segurar as medidas de reciprocidade até depois da eleição, pra não dar palanque a Flávio. Enquanto isso, o governo ouve os setores mais afetados pra calibrar o socorro (Estadão, O Globo).

  • Nas convenções, o PL formaliza Flávio no sábado sem vice definido: Valdemar sonda Tereza Cristina, a federação União-PP apoiou Tarcísio em SP com Flávio presente no palco, mas tende à neutralidade nacional, e a Folha reporta que Lula avalia faltar aos debates de TV do 1º turno, tema que divide o PT (XP News Clipping, CNN, Estadão, Folha, O Globo).

  • E o governo Trump concedeu green card a Eduardo Bolsonaro, condenado no Brasil, que dá direito a morar e trabalhar nos EUA. Eliane Cantanhêde lê o benefício como prêmio concreto pelos trabalhos do ex-deputado junto à Casa Branca (Folha/Mônica Bergamo, Estadão).

  • Fechamento de ontem: Ibovespa caiu 0,2%, aos 173,4 mil pontos, o dólar recuou 0,4% a R$ 5,09 e o DI jan/27 fechou em queda de 5 bps, devolvendo parte dos 20 bps de alta de sexta, com os vértices longos abrindo até 2 bps (XP Macro). No Focus, a mediana do IPCA 2028 subiu 8 bps, pra 3,78%, e o Valor chama de nova piora nas expectativas (XP, Valor).

AGENDA DA SEMANA

  • Hoje: GM, 3M, Capital One e Chubb reportam nos EUA; ADP semanal de emprego. Agenda local fraca, com leilão do Tesouro (WSJ, News XPress).

  • Quarta: o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor; Alphabet e Tesla abrem a temporada das big techs, com IBM, AT&T e Texas Instruments no mesmo dia. O capex de IA segue sendo o número que o mercado vai caçar (WSJ, Bloomberg).

  • Quinta: decisão do ECB, com expectativa de manutenção; Intel, Blackstone e American Airlines reportam; jobless claims. Na Expert XP, fala Janet Yellen (Bloomberg, WSJ, XP).

  • Sexta: American Express e Verizon; PMIs e vendas de casas novas nos EUA. Galípolo fala na Expert XP e um novo Datafolha pode sair (WSJ, XP News Clipping).

  • Sábado: convenção do PL formaliza Flávio, com Milei em SP; no domingo que vem o senador depõe a Moraes dia 28 (Estadão, Folha via XP).

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Fed endurece tom sobre juros e pressiona mercados emergentes

8 de Julho de 2026, 17:02

A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed) elevou a cautela dos mercados ao retirar a sinalização de cortes futuros nos juros americanos e revelar que parte dos dirigentes já considera uma nova alta da taxa ainda em 2026. No Brasil, o impacto foi parcialmente limitado pelo payroll mais fraco que o esperado, reduzindo a pressão sobre dólar e juros domésticos.

Ata muda percepção sobre o ciclo de juros nos EUA

O documento detalhou a decisão unânime do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de manter a taxa de juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, mas a principal novidade regulatória foi a remoção formal do viés de afrouxamento (easing bias). Sob a liderança do recém-chegado presidente Kevin Warsh, o Fed sinalizou que os próximos passos dependerão estritamente da evolução dos indicadores econômicos, colocando novas altas e cortes no mesmo patamar de probabilidade e retirando a previsibilidade que guiava o mercado.

O documento destacou preocupações com a trajetória da inflação, especialmente diante dos impactos dos preços de energia, tarifas e novos vetores de demanda associados à tecnologia. Na avaliação de João Tonello, analista CNPI da NMS Research, o racha entre os dirigentes altera a leitura tradicional do ciclo monetário, uma vez que o consenso das mesas de operação até então precificava o início da flexibilização apenas para o próximo ano, enquanto a ata revelou discussões ativas sobre aperto ainda em 2026.

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IA entra como novo vetor de pressão inflacionária

Além das pressões geopolíticas e tarifárias convencionais, o Fed chamou a atenção para o impacto indireto da expansão da inteligência artificial sobre a demanda por energia, infraestrutura e investimentos, criando novos pontos de pressão sobre custos em setores intensivos em capital.

Na prática, o mercado passou a trabalhar com dois caminhos possíveis para a política monetária americana com base nos desdobramentos desses custos:

  • Cenário de convergência: Caso as pressões de energia e insumos tecnológicos se dissipem, a taxa básica deve encerrar o ano no nível atual ou levemente abaixo.

  • Cenário de importância: Se a demanda aquecida e os conflitos geopolíticos mantiverem a inflação elevada, o Fed precisará retomar o aperto monetário, empurrando os juros para cima no final de 2026.

O contrapeso do payroll e o reflexo nos ativos brasileiros

Se os termos da ata de junho desenhavam um cenário adverso para mercados emergentes, o indicador de emprego divulgado no início deste mês altera a dinâmica de curto prazo. O payroll apontou a criação de apenas 57 mil vagas de trabalho, vindo significativamente abaixo das 110 mil vagas projetadas pelo consenso.

Como a ata mostrou que o Fed tomou sua decisão com base em um mercado de trabalho que a liderança ainda considerava sólido e estável, a desaceleração acentuada do emprego observada dias depois enfraquece a ala mais dura do banco central antes da reunião de 28 e 29 de julho, devolvendo o cenário de cortes ao radar das mesas de operação.

Para o investidor brasileiro, o encadeamento desse choque de informações dita o ritmo dos negócios no início do trimestre. De acordo com Tonello, o mercado doméstico deve entrar nas próximas semanas em uma disputa direta entre dois vetores. O primeiro deles é a possibilidade de cortes nos juros americanos, o que enfraqueceria o dólar e abriria espaço para a valorização dos ativos no Ibovespa. O segundo, contudo, é o risco residual de uma inflação global mais persistente trazida pelos novos custos tecnológicos, o que, na visão do analista, pode limitar o espaço para o Fed flexibilizar sua política monetária de forma linear.

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Alívio na inflação. Até quando?

5 de Julho de 2026, 10:20

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Panorama da Semana

A semana que passou trouxe alívio aos bancos centrais. Nos Estados Unidos, a fraqueza do mercado de trabalho reduziu as apostas em nova alta de juros. Na Zona do Euro, a inflação ao consumidor recuou, mas o Banco Central Europeu deve manter a postura conservadora. Por aqui, o Caged decepcionou, sem abalar a leitura de mercado de trabalho aquecido, enquanto a produção industrial de maio também decepcionou, ainda com crescimento relevante no acumulado do ano. O petróleo voltou aos patamares pré-conflito no Oriente Médio, mais um motivo para menos juros.

Imagem

Mas os próximos dias prometem ser mais decisivos. Nos Estados Unidos, a ata do FOMC trará pistas melhores sobre o ritmo de cortes de juros, justamente quando os dados de emprego já mudam a leitura sobre o Federal Reserve.

E, por aqui, porém, que a semana concentra a maior atenção. O IPCA de junho é o principal termômetro da economia brasileira, com expectativa de desaceleração puxada pelo arrefecimento nos preços de alimentos. O número deve calibrar as apostas sobre os próximos passos do Banco Central. Fecha o quadro o IGP-DI de junho, que a FGV deve divulgar em deflação, reflexo da queda nos preços de petróleo e derivados, movimento que dialoga diretamente com o fim da subvenção ao diesel anunciado na semana anterior.

Calendário da Semana


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Rentabilidade das principais classes

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Panorama do Ibovespa (IBOV)

O Ibovespa registrou um fechamento semanal importante, negociando praticamente nas máximas dos últimos cinco pregões. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento abre uma excelente oportunidade de compra caso o índice supere os 174.710 pontos. “A partir desse rompimento, vejo espaço para o mercado subir com alvo entre 184.000 e 188.600 pontos”, projetou. O ponto de atenção, segundo o analista, fica na perda dos 167.250 pontos.

Bitcoin (BTC)

O Bitcoin segue em tendência de baixa e ensaia um repique de curto prazo. Borges enxerga nesse movimento uma oportunidade na ponta vendedora. “Vejo uma região vendedora muito boa entre US$ 63 mil e US$ 65.500, uma vez que o ativo faz fundos nivelados na região dos US$ 57.600”, explicou. O stop da operação fica acima dos US$ 67.600. Enquanto o Bitcoin permanecer abaixo desse nível, o analista mantém viés baixista e projeta retorno às mínimas dos US$ 57.650 e, nos próximos um ou dois meses, queda abaixo dos US$ 50 mil.

Aura Minerals (AURA33)

A Aura Minerals voltou ao radar de Borges com uma oportunidade de compra. O ativo capturou liquidez abaixo dos R$ 100,00 e já retoma movimento ascendente, o que levou o analista a abrir posição no Follow Trade, seu serviço de copy de swing trade. “Vejo compra de Aura Minerals com primeiro alvo na região dos R$ 120,00 e depois nos R$ 130,00, que é o alvo final dessa operação”, afirmou. O ponto de atenção fica na perda dos R$ 100,00.

Caixa Seguridade (CXSE3)

A Caixa Seguridade se destaca dentro do fluxo comprador que beneficia o setor nas últimas semanas, figurando entre as ações com melhor entrega de alta no período. Borges ainda vê espaço para valorização e projeta alvo entre R$ 22,82 e R$ 22,85, com stop abaixo dos R$ 18,45. O analista, no entanto, faz uma ressalva importante para quem ainda está de fora do papel. “Não é recomendado comprar agora porque o stop está acima de 10% — aguarde um ponto de entrada melhor para que a gente tenha um risco-retorno favorável”, orientou Borges.


Conteúdos que prestam

Os primeiros a enriquecer sozinhos com IA aprenderam uma coisa

Há quinze anos, Marc Andreessen escreveu tese contraintuitiva na época: o software devora o mundo. O tempo provou razão profunda. O ensaio envelheceu virando raridade: previsão realizada tão completamente virou o próprio ar respirado hoje. Cada setor citado caiu na engrenagem. Setores fora da lista caíram junto..

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Payroll despenca nos EUA e destrava alta do Ibovespa nesta quinta

2 de Julho de 2026, 10:33

O mercado de trabalho americano surpreendeu para baixo em junho e reacendeu o apetite por risco na B3 nesta quinta-feira, véspera do feriado de 4 de julho nos Estados Unidos. Foram criadas apenas 57 mil vagas não agrícolas no mês, praticamente metade das 110 mil esperadas pelo mercado, com revisões para baixo em meses anteriores. Após a divulgação, o Ibovespa futuro virou para o positivo, o dólar cedeu ante o real e os juros futuros aliviaram. Em seguida, o Ibovespa abriu em alta.

A folha de pagamentos do governo federal foi um dos principais responsáveis pela frustração, com apenas 8 mil postos criados, abaixo dos 10 mil esperados e bem aquém dos 32 mil de maio. Para João Lucas Tonello, analista da NMS Research, o número reforça a leitura de que o corte de gastos do DOGE continua pressionando a geração de empregos públicos nos EUA. A manufatura foi o único setor a superar as projeções, com 3 mil vagas abertas contra uma expectativa de perda de 12 mil, mas o resultado é pequeno demais para mudar o quadro geral.

O dado que mais chamou atenção, segundo Tonello, foi a taxa de desemprego, que recuou de 4,3% para 4,2%. À primeira vista, o número parece contraditório: menos vagas criadas e menos desemprego ao mesmo tempo. A explicação está na taxa de participação da força de trabalho, que caiu de 61,8% para 61,5%. Na prática, mais pessoas deixaram de procurar emprego, o que Tonello classifica como desalento disfarçado de estabilidade, e não como sinal de força do mercado de trabalho americano.

Já os salários por hora vieram em linha com o esperado, com alta de 0,35% no mês e 3,52% em doze meses, ligeiramente acima da previsão. Para o analista, esse é o dado mais relevante do pacote para o Federal Reserve: sem aceleração salarial, o risco de uma inflação de segunda rodada perde força. Some-se a isso um mercado de trabalho em desaceleração e o Fed passa a ter dois argumentos simultâneos para iniciar o ciclo de cortes, o que deve reforçar as apostas em uma redução de juros em setembro.

Para o Brasil, o encadeamento é direto. Um dólar mais fraco abre espaço para a Selic recuar, alivia a curva de juros local e estimula o apetite por ativos de risco. É por isso que o fluxo estrangeiro represado começa a buscar emergentes, segundo Tonello, favorecido por um diferencial de juros entre EUA e Brasil mais atrativo para quem sai do dólar.

Na avaliação de Tonello, o payroll fraco se soma a outros fatores recentes, como a queda do petróleo com a paz no Oriente Médio, o crédito injetado pelo Desenrola 2.0 e a trajetória de queda da Selic, formando um conjunto de catalisadores favorável a ativos domésticos brasileiros, com destaque para varejo, construção civil, shoppings e papéis sensíveis a juros. O ponto de atenção, segundo ele, é acompanhar se a taxa de participação nos EUA continua caindo nos próximos relatórios. Se o desemprego permanecer baixo apenas porque trabalhadores desistem de procurar emprego, o cenário pode migrar de pouso suave para recessão. Por ora, o mercado segue lendo o dado como pouso suave, e o próximo gatilho relevante é a reunião do Fed em julho.

Segundo Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, o dado pega o mercado com narrativa de economia americana forte, construída pelo payroll anterior, pelo Jolts recente, pela última temporada de balanços, pelos estímulos fiscais e pela queda recente da gasolina, que libera renda extra para consumo. O dado pega o mercado com narrativa de economia americana forte, construída pelo payroll anterior, pelo Jolts recente, pela última temporada de balanços, pelos estímulos fiscais e pela queda recente da gasolina, que libera renda extra para consumo.

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Com bolsa barata e espaço para fluxo estrangeiro, segundo semestre inicia sob a ótica do "Trade Eleitoral"

1 de Julho de 2026, 17:26

Após um primeiro semestre marcado pelo alívio da inflação global e pela expectativa de queda dos juros, o mercado brasileiro inicia a segunda metade de 2026 voltando sua atenção para um novo vetor de risco: a eleição presidencial. Com a Bolsa negociando perto de mínimas históricas em termos de valuation, investidores enxergam espaço para valorização, mas esperam um aumento da volatilidade à medida que as pesquisas eleitorais ganhem peso na formação dos preços dos ativos.

O peso do “Trade Eleitoral” nas estratégias dos gestores

Com a divulgação das primeiras pesquisas eleitorais do segundo semestre, gestores começam a incorporar o chamado “Trade Eleitoral” às estratégias de investimento, travando grandes apostas direcionais. No levantamento mais recente realizado pela AtlasIntel, o presidente Lula aparece com 46,3% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 36,6%. Renan Santos soma 7,8%, enquanto Ronaldo Caiado (2,9%) e Romeu Zema (2,0%) aparecem abaixo de 3%. Nos cenários simulados de segundo turno, Lula mantém vantagem numérica em todos os cruzamentos, pontuando 48,8% contra 42,3% de Flávio Bolsonaro, e 48,0% contra 39,0% de Ronaldo Caiado.

Os números mostram que o cenário político está longe de uma definição, o que joga um balde de água fria em quem esperava uma recuperação linear da Bolsa. Conforme projeta Reydson Matos, estrategista de ações da NMS, a aproximação do pleito aumentará a volatilidade nas mesas de operação à medida que as agendas fiscais e econômicas de cada bloco político forem precificadas pelos comitês de risco.

Para Max Bohm, os desdobramentos partidários serão o principal fator de mudança de cenário (game changer) para definir a trajetória real das ações. Os múltiplos baratos oferecem uma proteção importante contra quedas livres, mas o teto para o Ibovespa agora depende de Brasília.

Depois de um primeiro semestre em que inflação e juros dominaram as mesas de operação, o mercado inicia a segunda metade do ano com um novo catalisador para os ativos brasileiros: a velocidade com que a corrida presidencial passará a influenciar as expectativas para a política fiscal, juros e crescimento econômico.

Alívio macroeconômico e o gatilho dos juros

O ambiente de negócios se beneficia da perda de tração nos principais fatores de estresse da primeira metade do ano. A queda do petróleo Brent para a casa dos US$ 70 o barril reduziu parte da pressão inflacionária global e fortaleceu a expectativa de cortes de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Sob essa ótica, Max Bohm, estrategista de ações da NMS Research, aponta que o mercado acionário local inicia o período com assimetria favorável. “A nossa Bolsa está negociando em níveis de 8 vezes preço-lucro, figurando entre as mais baratas do mundo. Isso abre espaço para a retomada do fluxo de capital para mercados emergentes, com o Brasil se beneficiando do movimento”, avalia Bohm, que mantém a meta para o Ibovespa em 190 mil pontos até o final do ano.

No cenário doméstico, os dados mais recentes do Caged vieram abaixo das expectativas do mercado, sinalizando o arrefecimento do mercado de trabalho e reduzindo a pressão sobre a autoridade monetária. O indicador elevou para 70% as probabilidades precificadas na curva para um corte da taxa Selic na próxima reunião do Copom. Refletindo esse alívio, a curva de juros futura registrou sua sétima queda consecutiva, situando-se na casa dos 14% na ponta curta.

Janela nas Small Caps e o desafio do fluxo estrangeiro

A melhora marginal nos juros futuros injeta atratividade nos ativos de maior sensibilidade macroeconômica, em especial no índice de Small Caps (SMLL), que encerrou o primeiro semestre em queda de 4,6%. Empresas de alta qualidade técnica - como Unipar, Intelbras e Armac, sofreram desvalorizações superiores a 20% no período, abrindo o que analistas consideram uma janela tática de entrada devido aos múltiplos descontados. O desconto também atrai atenção para papéis de grande liquidez, como Itaú, Vale e Sabesp.

A sustentação dessa retomada, contudo, dependerá da reversão no comportamento do capital externo. Mesmo com uma retirada líquida de R$ 9 bilhões por investidores estrangeiros em junho, o Ibovespa encerrou o semestre acumulando alta de 6,8%, sustentando-se acima dos 170 mil pontos, embora permaneça distante da máxima histórica de 199 mil pontos registrada em abril. E o motivo dessa hesitação atende pelo nome de risco político.

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Carteiras sugeridas para julho

1 de Julho de 2026, 10:32

Este post está sendo atualizado à medida que novas carteiras forem divulgadas. Última atualização 16h30 - 03/07

Small Caps – BTG Pactual

Confira a carteira completa

O BTG Pactual promoveu duas mudanças na carteira de small caps de julho. Banco Inter [#INBR32] e Marcopolo [#POMO4] entram no portfólio, enquanto Banco Pine [#PINE4] e Grupo SBF [#SBFG3] deixam a seleção. Copasa [#CSMG3], Sanepar [#SAPR11], Smart Fit [#SMFT3], 3tentos [#TTEN3], Orizon [#ORVR3], Tenda [#TEND3], Pague Menos [#PGMN3] e Bemobi [#BMOB3] foram mantidas.

Banco Inter [#INBR32] e Marcopolo [#POMO4] reforçam a carteira

O BTG vê o Banco Inter [#INBR32] negociando com desconto após a queda de cerca de 40% no ano e avalia que os fundamentos permanecem sólidos, com balanço robusto e crescimento dos lucros. Já a Marcopolo [#POMO4] foi incluída pela expectativa de aceleração dos resultados nos próximos trimestres, apoiada pela melhora no mix de vendas, pelo contrato do Caminho da Escola e pelo valuation considerado atrativo.

Copasa [#CSMG3] segue como destaque; BTG mantém confiança nas demais posições

A Copasa [#CSMG3] continua entre as principais apostas após a conclusão da privatização, com expectativa de ganhos de eficiência sob a gestão da Equatorial. O BTG também manteve a confiança em empresas como Tenda [#TEND3], beneficiada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, Smart Fit [#SMFT3], 3tentos [#TTEN3], Pague Menos [#PGMN3], Bemobi [#BMOB3], Orizon [#ORVR3] e Sanepar [#SAPR11], citando potencial de crescimento e valuations atrativos.


10SIM – BTG Pactual

Confira a carteira completa

O BTG Pactual adotou uma postura mais defensiva para a carteira de julho diante da perda de atratividade das ações brasileiras para investidores estrangeiros. O banco cita a inflação acima da meta, o espaço limitado para cortes da Selic, a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos e o aumento dos gastos públicos antes das eleições presidenciais de outubro como fatores que tornam o cenário mais desafiador. Apesar de os valuations seguirem atrativos, a casa optou por reduzir o risco do portfólio.

Ambev [#ABEV3] entra; Localiza [#RENT3] e Equatorial [#EQTL3] deixam a carteira

O BTG retirou Localiza [#RENT3] e Equatorial [#EQTL3] da 10SIM para reduzir a exposição a empresas de fluxo de caixa de longo prazo. No lugar, a Ambev [#ABEV3] retorna ao portfólio, trazendo um perfil mais defensivo, apoiado em balanço sólido, geração consistente de caixa, dividend yield estimado em 7,5% e um portfólio de marcas que o banco considera difícil de ser replicado pelos concorrentes.

Allos [#ALOS3] volta e Cury [#CURY3] ganha mais espaço; Petrobras [#PETR4] é mantida

A Allos [#ALOS3] retorna à carteira com peso de 5%, destacada pelo modelo de negócios previsível, proteção contra a inflação, dividend yield de 13% e taxa interna de retorno real de 13%. O BTG também elevou a participação da Cury [#CURY3] de 5% para 10%, reforçando a exposição ao segmento de habitação popular. A Petrobras [#PETR4] foi mantida como proteção para uma eventual deterioração do cenário no Oriente Médio, com potencial de dividend yield de cerca de 11% em 2026 mesmo considerando o petróleo a US$ 70. Eneva [#ENEV3], Axia [#CXSE3], Motiva [#MOTV3], Itaú [#ITUB4], Embraer [#EMBR3] e Totvs [#TOTS3] completam a carteira.


Carteira Top Ações Globais - XP

Confira a carteira completa

Na atualização do mês, a XP aumentou a participação de Microsoft de 5,0% para 7,5%, aproveitando a recente queda das ações, que tornou o valuation mais atrativo sem alteração dos fundamentos da companhia.

Em contrapartida, reduziu a exposição a Baidu de 5,0% para 2,5%, diante do aumento do risco regulatório para empresas chinesas ligadas à inteligência artificial nos EUA e de uma dinâmica operacional mais desafiadora para a companhia.


Carteira Top Dividendos Globais - XP

Confira a carteira completa

Na atualização do mês, a XP aumentou a participação de AbbVie de 2,5% para 5,0% e de Lockheed Martin de 2,5% para 5,0%, refletindo a visão positiva para ambas as companhias. A gestora destaca o potencial de crescimento da AbbVie, apoiado por aquisições estratégicas, e as perspectivas favoráveis para a Lockheed Martin diante do aumento dos gastos globais com defesa.

Por outro lado, a exposição à Newmont foi reduzida de 5,0% para 2,5%, em razão da ausência de gatilhos de curto prazo para uma valorização do ouro. Já Dell foi removida da carteira, com a posição reduzida de 2,5% para 0%, após a forte valorização acumulada das ações e a conclusão do processo de realização de lucros.


Carteira Fundamentalista de FIIs - XP

Confira a carteira completa

Na atualização de julho, a XP reduziu a alocação em MCCI11 de 10,0% para 9,0%, LVBI11 de 10,5% para 10,0% e PVBI11 de 8,5% para 8,0%. Em contrapartida, aumentou a exposição a XPLG11 de 8,0% para 9,0% e HGBS11 de 8,0% para 9,0%.

Segundo a casa, os ajustes buscam reduzir a exposição a fundos de tijolo com menor carrego e menos gatilhos de valorização no curto prazo, ao mesmo tempo em que ampliam a participação em fundos com portfólios de maior qualidade, menor volatilidade e maior potencial de valorização.


Carteira Top Dividendos - XP

Confira a carteira completa

A XP elevou a participação de AXIA3 de 5,0% para 12,5% por enxergar potencial de entrada de fluxo estrangeiro para o setor elétrico brasileiro. A gestora também aumentou o peso de CXSE3, de 5,0% para 7,5%, citando o bom momento operacional da companhia e o benefício dos juros elevados sobre o resultado financeiro.

Na revisão de julho, AXIA7 e ENGI11 deixaram a carteira. Segundo a XP, a Energisa tem maior sensibilidade ao cenário macroeconômico e às taxas de juros.


Carteira Top Ações - XP

Confira a carteira completa

Na atualização do mês, a XP adicionou a Rede D’Or [#RDOR3] ao portfólio. A gestora destaca a liderança da companhia no setor de saúde, projetando expansão gradual de margem com a maturação de ativos e resiliência trazida pela SulAmérica no curto prazo.

Além disso, a exposição à Orizon [#ORVR3] foi elevada de 2,5% para 5,0%. A casa avalia que o mercado ainda não precificou totalmente a criação de valor da transação com a Vital, que consolidou a empresa como a maior plataforma de valorização de resíduos da América Latina.

Por outro lado, a Copel [#CPLE3] foi removida da carteira após forte rali recente. O movimento reflete a realização de lucros, já que a contratação das hidrelétricas Foz do Areia e Segredo foi precificada, deixando a relação risco-retorno mais equilibrada.


Carteira Top Small Caps - XP

Confira a carteira completa

A XP aumentou a participação de BMOB3 de 7,5% para 10%, destacando os múltiplos atrativos, o crescimento de dois dígitos no segmento de Payments + SaaS e a forte geração de caixa da companhia.

A gestora também elevou o peso de ECOR3 para 5,0%, citando o valuation descontado após o desempenho abaixo dos pares no ano. Já AURA33 foi retirada da carteira para realização de lucros, após a forte valorização das ações.


Carteira Top Dividendos Plus - XP

Confira a carteira completa

Na atualização de julho, a XP aumentou a participação de ITSA4 e PETR4 para 15% cada, refletindo o dividend yield atrativo e a melhora nas expectativas dos analistas, segundo dados da LSEG.

Em contrapartida, reduziu a exposição a PLPL3 e POMO4, diante da queda no dividend yield esperado e da piora nas projeções dos analistas, também com base nos dados da LSEG.


Carteira Multiestratégia – NMS

Confira a carteira completa

A Carteira Multiestratégia da NMS foi mantida sem alterações para junho. A estratégia busca superar o CDI no longo prazo por meio de uma alocação diversificada entre renda fixa, renda variável, ativos globais, criptomoedas e investimentos alternativos. Para isso, utiliza ETFs listados na B3, oferecendo eficiência, liquidez e exposição a diferentes classes de ativos em um único portfólio.


NMS Estratégia Global

Confira a carteira completa

A carteira é voltada para investidores com perfil moderado a agressivo que buscam diversificação internacional e exposição ao mercado americano por meio de ações, ETFs e ADRs. O objetivo é oferecer um portfólio equilibrado, com rebalanceamentos periódicos para otimizar os retornos no médio e longo prazo.

Na última atualização, a gestão substituiu GOOG por ASML, ampliando a exposição à companhia holandesa do setor de semicondutores.


Carteira Smart Allocation – NMS

Confira a carteira completa

A carteira passou por ajustes na última atualização, com a retirada de AZIN11 e o aumento da exposição a PPEI11, PFIN11 e CPTI11. Voltada para investidores que buscam rentabilidade com risco moderado, a estratégia tem como objetivo superar o IMA-B no médio e longo prazo por meio de uma alocação focada em renda fixa e fundos incentivados.


Carteira Smart FIIs – NMS

Confira a carteira completa

Na última atualização, a gestão reduziu a exposição a PVBI11 e VGIR11, enquanto aumentou as posições em GARE11 e MCCI11.

A Carteira é voltada para investidores que buscam renda passiva e valorização patrimonial por meio de fundos imobiliários. A estratégia utiliza análise fundamentalista e diversificação entre segmentos e regiões, com o objetivo de superar o IFIX no médio e longo prazo.


Carteira Max SmallCaps – NMS

Confira a carteira completa

A Carteira Max SmallCaps passou por novos ajustes, com a entrada de JHSF3 no lugar de VULC3. Além disso, a gestão aumentou a exposição a MDNE3 e POMO4, enquanto reduziu as posições em AURA33, ORVR3 e BRBI11.


Carteira Max Dividendos – NMS

Confira a carteira completa

A Carteira Max Dividendos passou por ajustes pontuais, com aumento das posições em PASS3 e TIMS3 e redução da exposição a BBSE3 e AXIA3.

A estratégia é voltada para investidores que buscam rentabilidade aliada à geração de renda passiva por meio de dividendos. O portfólio reúne empresas com histórico de distribuição consistente de proventos e geração previsível de caixa, com o objetivo de superar o Ibovespa no médio e longo prazo.


Carteira Max Ações – NMS

Confira a carteira completa

Na última atualização, a carteira trocou CEAB3 e MELI34 por BPAC11, EQTL3 e PETR4. Também reduziu a exposição em SAUD3, AXIA3, AURA33 e INBR32, enquanto aumentou a posição em BBDC4.

A Carteira Max Ações é voltada para investidores que buscam rentabilidade no longo prazo por meio de uma seleção diversificada de ações, baseada na estratégia do Tripé do Valor. O objetivo é superar o Ibovespa no médio e longo prazo, combinando empresas grandes, pagadoras de dividendos e small caps de diferentes setores.


Estratégia Renda Turbinada – NMS

Confira a carteira completa

A Estratégia Renda Turbinada da NMS combina ações e fundos imobiliários em uma alocação equilibrada de 50% para cada classe de ativo. O objetivo é unir geração de renda passiva recorrente, potencial de valorização patrimonial e diversificação, por meio de empresas maduras pagadoras de dividendos e FIIs de alta qualidade.

A estratégia busca oferecer pagamentos frequentes de proventos e maior eficiência tributária, com foco em retornos consistentes no médio e longo prazo.


Estratégia Barbell – NMS

Confira a carteira completa

A Estratégia Barbell da NMS combina segurança e potencial de crescimento ao dividir a carteira entre empresas maduras e pagadoras de dividendos (80%) e small caps com maior potencial de valorização (20%). Inspirada na teoria de Nassim Taleb, a estratégia busca equilibrar geração de renda, menor volatilidade e exposição a oportunidades de retorno mais elevado no longo prazo.

A seleção é baseada em fundamentos, priorizando empresas sólidas e excluindo companhias em situação de estresse financeiro.


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Braskem [#BRKM5]: O que a proteção judicial e o rebaixamento do rating relevam

30 de Junho de 2026, 17:01

As ações da Braskem já acumulam queda de 16,34% em apenas três dias de negociação, após a notícia de que a companhia obteve na Justiça de São Paulo o deferimento de um pedido de Tutela de Urgência Cautelar, garantindo uma blindagem jurídica de 60 dias contra execuções e cobranças de seus credores financeiros. A medida protetiva visa assegurar um ambiente de imunidade para que a petroquímica conduza um processo de mediação e reestruture sua estrutura de capital.

O movimento preventivo, contudo, disparou uma reação imediata das agências de classificação de risco Fitch e S&P Global Ratings, que revisaram as notas de crédito globais da companhia para as categorias C e D, respectivamente, reforçando a percepção de elevado risco de inadimplência e a necessidade de reestruturação da dívida.

A mecânica da Recuperação Judicial

O mecanismo acionado pela Braskem está amparado na Lei de Recuperação Judicial e suspende temporariamente a antecipação de vencimentos de dívidas enquanto durarem as negociações coletivas perante a Câmara Wind de Mediação. Segundo comunicados emitidos pela companhia, o escopo da ação é estritamente financeiro. Na prática, as obrigações operacionais correntes com fornecedores, clientes e prestadores de serviço permanecem fora do guarda-chuva jurídico e continuam sendo honradas normalmente.

O tamanho do desequilíbrio patrimonial da petroquímica justifica as medidas jurídicas adotadas. Na prática, o mercado atribui hoje à companhia um valor de mercado significativamente inferior ao seu passivo financeiro, evidenciando o desafio da reestruturação. De acordo com Reydson Matos, estrategista de ações da NMS Research, a Braskem está avaliada pelo mercado em cerca de R$ 4,90 bilhões, mas carrega um passivo total acumulado na casa dos R$ 54 bilhões.

“Quem analisa as ações da Braskem hoje observa um Enterprise Value (valor de firma) em que a dívida supera em mais de dez vezes o seu valor de mercado líquido (Market Cap)”, pontua o estrategista.

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Os fatores por trás da deterioração financeira

O ingresso com a tutela de urgência ocorreu após o esgotamento das métricas de liquidez da empresa, afetada por um ciclo severamente deprimido nas margens petroquímicas globais e pelas provisões bilionárias remanescentes vinculadas ao desastre geológico de Alagoas. Em relatório distribuído ao mercado, a Benndorf Research pondera que, embora a companhia tenha optado por uma abordagem preventiva e negociada em vez de uma recuperação judicial tradicional, o anúncio foi recebido de forma negativa pelos analistas por confirmar que a pressão financeira atingiu um ponto crítico. A Benndorf reiterou a necessidade de cautela, reforçando que não recomenda exposição aos ativos e emissões de dívida da companhia.

Para as mesas de operação, analistas avaliam que uma das alternativas consideradas pelo mercado seria uma reestruturação semelhante à observada em empresas como Light, Gol e Azul, envolvendo uma conversão parcial de dívida em capital. O equacionamento de um passivo dessa magnitude poderia ampliar significativamente o número de ações em circulação. Na avaliação de Matos, o investidor focado no longo prazo precisa estar ciente de que o patrimônio líquido atual é substancialmente menor que as obrigações, e o processo de equalização pode resultar em uma diluição agressiva dos acionistas minoritários. Embora os dados de tela não identifiquem os participantes diários, gestores consultados indicam que o fluxo vendedor recente tem sido dominado por estratégias long & short e fundos multimercados com viés tático de curto prazo.

O que monitorar a partir de agora?

No horizonte de curto prazo, o mercado acompanha o andamento das reuniões com os comitês de bancos e detentores de títulos, além da possibilidade de a Braskem estender pedidos de proteção semelhantes a jurisdições estrangeiras para blindar ativos no exterior.

Os próximos 60 dias tendem a ser decisivos para definir se a companhia conseguirá construir um acordo consensual com os credores ou se precisará recorrer a instrumentos mais amplos de reestruturação previstos na Lei de Recuperação Judicial. Até lá, Reydson Matos projeta que o papel deve continuar operando sob forte volatilidade nas cotações, refletindo as incertezas sobre o plano de capitalização final.

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Caged, Jolts e Payroll darão mais fôlego para inflação

28 de Junho de 2026, 11:10

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Panorama da Semana

Nos EUA, quase metade dos dirigentes já cogita subir juros em 2026, virada impensável em março, deixando o mercado refém de sinais vindos do dados da próxima semana. A maioria dos votantes ainda fala para manutenção, enquanto outros cobram alta de juros, criando um comitê dividido.

A trégua no Golfo Pérsico trouxe alívio. O petróleo recuou rápido, mas a gasolina não acompanhou o ritmo, e esse descompasso atrasa o respiro que consumidores americanos esperavam na inflação ao consumidor.

Semana curta nos EUA, com mercados fechados na sexta pelo feriado de 4 de julho. Destaque para o relatório de emprego de junho na quinta, com projeção de 125 mil vagas e desemprego estável em 4,3%, dado que pode definir o rumo do debate sobre alta de juros antes de setembro. Antes disso, JOLTS e confiança do consumidor na terça, seguidos por ISM industrial e gastos com construção na quarta, quando Warsh fala em Sintra com baixa expectativa de sinalização relevante.

No Brasil, o Copom entregou comunicação confusa. A ata e o relatório trimestral confirmam o ciclo de calibragem, mantendo a porta aberta para mais um corte de 25 pontos, mas o próprio banco central reconhece que dados podem interromper essa trajetória a qualquer momento. A revisão para cima do crescimento, somada à inflação correndo acima da meta, comprime o espaço de manobra da autoridade monetária justamente quando a proximidade eleitoral começa a pesar nas contas públicas.

O IPCA-15 trouxe alívio enganoso. Boa parte da surpresa positiva veio do seguro veicular, componente volátil, enquanto bens industriais continuam pressionando o núcleo da inflação. O mercado de trabalho aperta devagar, sustentando serviços em nível desconfortável para quem busca convergência rápida à meta.

No Brasil, crédito, CAGED e produção industrial revelam se a desaceleração resiste à pressão fiscal que cresce conforme as eleições de outubro se aproximam.

Calendário da Semana


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Rentabilidade das principais classes

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa teve uma boa semana, fechando próximo às máximas, na região dos 174 mil pontos — patamar que já havia atuado como resistência em outras ocasiões. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o suporte está agora bem consolidado na região dos 166.800 pontos, e o mercado segue de lado desde o início de junho. "Precisamos esperar o rompimento desses pontos para novas posições", afirmou. O analista revela que já encerrou operações compradas abertas durante essa lateralização e prefere aguardar novas oportunidades com mais qualidade técnica antes de voltar a operar. Para Borges, o rompimento dos 174.700 pontos é o gatilho a ser observado. "Esse rompimento abre espaço para altas até a região dos 181 mil a 183 mil pontos", projetou.

Bitcoin

O Bitcoin mantém a tendência de baixa e, na leitura de Borges, ainda há espaço para novas quedas nas próximas semanas. "A perda dos US$ 58 mil abre espaço para quedas entre US$ 51 mil e US$ 49.500", alertou o analista. Ele já projeta, no entanto, onde pode estar a melhor oportunidade de entrada no ciclo atual. "Entre US$ 49 mil e US$ 38 mil, vejo a melhor região para começar a montar posição no Bitcoin visando o médio e longo prazo", disse Borges.

Eneva [ENEV3]

A Eneva chama atenção pela movimentação de alta que vem se formando no gráfico. Segundo Borges, o ativo desenha um pivô de alta, com confirmação no rompimento dos R$ 28,20. “O alvo está entre R$ 34,00 e R$ 36,30, o que representa um upside entre 24% e 36% na operação”, afirmou o analista, que estabelece o stop da operação abaixo dos R$ 23,40.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Bemobi [BMOB3] - XP Research

A XP Research reiterou a recomendação de COMPRA para a Bemobi (BMOB3) com preço-alvo de R$ 31,00 (potencial de alta de 35%), fundamentada na expansão de sua plataforma de pagamentos e no pioneirismo estratégico ao integrar Inteligência Artificial no centro do seu modelo de negócios. Enquanto o mercado foca em produtividade corporativa de curto prazo, a Bemobi se destaca por desenhar uma estratégia de longo prazo voltada para a melhoria na qualidade de decisões e evolução de barreiras competitivas (moats).

Confira o relatório completo

WEG [WEGE3] - XP Research

A casa enxerga os Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) como uma rota sólida de crescimento para a WEG (WEGE3), embora alerte que a forte expansão da capacidade produtiva na China deve intensificar a concorrência global e pressionar as margens de lucro desse segmento. As conclusões derivam de um mapeamento setorial realizado durante viagem recente à Ásia.

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Construtoras - Safra

O monitor mensal do Banco Safra aponta resiliência no mercado de crédito habitacional focado na baixa renda (FGTS) e um desempenho recorde no segmento de média e alta renda (SBPE) em abril e maio, a despeito do patamar ainda elevado de endividamento das famílias. O relatório destaca o impacto regulatório positivo das novas regras do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) e sinaliza a possibilidade de novos cortes de juros subsidiados no curto prazo.

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Setor Externo Brasileiro - BTG Pactual

O BTG Pactual avalia que o financiamento externo do Brasil permanece confortável e que o país detém uma vantagem relativa frente a outros mercados emergentes, atraindo capital estrangeiro para a renda fixa, puxado por um forte superávit comercial que continua desacelerando o déficit em conta corrente. Apesar do cenário de captação favorável, o banco adverte que as perspectivas para a moeda brasileira tornaram-se menos benignas diante de pressões contínuas no setor de serviços.

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Conteúdos que prestam

MEMOLOGY

RIP Greenspan

Final dos anos 1990, Wall Street tentava prever a direção dos juros pelo tamanho da pasta de Alan Greenspan. Pasta maior sinalizava mudança. Ele precisaria mais documentos para justificar. Perguntado se o “Indicador da Pasta” tinha fundamento, Greenspan respondeu: “Nenhum, o volume dependia só de minha mulher ter preparado meu lanche naquele dia.”

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A Wendy’s tentou emplacar uma campanha de short squeeze na própria ação com a campanha “Save Wendy’s”, disparando em tudo que é tipo de rede.

Mal sabiam que o algoritmo das plataformas está vacinado com isso e identifica pump and dump rapido.

Saudade GameStop.

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Nomos e Vault Capital firmam parceria para trazer gestão ativa de criptoativos ao investidor

25 de Junho de 2026, 15:37

O mercado de criptoativos amadureceu e se consolidou como uma classe de ativos legítima nas carteiras mais sofisticadas do mundo. Acompanhando esse movimento institucional, a Nomos anunciou uma parceria estratégica com a Vault Capital, uma das maiores referências em consultoria de criptoativos no Brasil. A união traz uma estrutura de alta performance e gestão ativa para navegar com segurança em um ecossistema que funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Desde outubro de 2023, a carteira recomendada da Vault acumula um retorno de 240%, contra 125% do Bitcoin no mesmo período, praticamente o dobro do principal benchmark do mercado. Atualmente, a Vault conta com mais de R$ 65 milhões sob consultoria, presença consolidada em 7 países e mais de 400 clientes atendidos.

Estratégia desenhada para cada perfil

Para atender desde quem está dando os primeiros passos até o investidor experiente, a parceria oferece uma consultoria personalizada (fee-based), que se resume em um plano estratégico montado sob medida para o patrimônio, objetivos e momento financeiro do investidor, contando com monitoramento contínuo e relatórios periódicos.

Rigor institucional e foco em resultados

Igor Carneiro, CEO e fundador da Vault Capital, destaca que a empresa nasceu no final de 2022 para suprir a escassez de players com perfil estritamente institucional no Brasil durante o último bear market.

“A Vault surgiu de uma grande dor que existia no mercado cripto brasileiro. [...] Sentimos que faltava um player sério e institucional, capaz de abrir as portas desse mercado para o MFO, para o escritório, para o bancão e para o cliente private, mostrando o quanto havia de bom no meio de tudo que existia de ruim”, relembra Carneiro.

Para alcançar o histórico de resultados, a Vault combina análises fundamentalista, macroeconômica, quantitativa e técnica.

“O que está por trás da nossa metodologia é o básico bem feito. [...] Nosso foco não é estar certo, é fazer o cliente ganhar dinheiro. Com boa gestão de risco e uma metodologia consistente, conseguimos bater o Bitcoin nos últimos três anos.”

Essa eficiência defensiva ficou clara em 2026: em um período de forte correção em que o Bitcoin recuou 29,06%, a carteira ativa da Vault registrou uma valorização de 26,35%, utilizando tecnologia de rede neural e proteção em dólar para comprar quedas e otimizar o preço médio.

Alocação estratégica e diversificação real

O maior benefício da inclusão de ativos digitais em um portfólio é a descorrelação real com os mercados tradicionais. Quando a bolsa ou a renda fixa enfrentam momentos de pressão, o mercado cripto tende a se comportar de maneira independente, equilibrando os riscos. Carneiro faz uma analogia com o início da internet para ilustrar a maturidade do setor:

“Cripto é algo muito novo, tem muita coisa que não presta por aí, mas se for bem feito, investir em Bitcoin é um ativo muito interessante para a carteira. É um ativo que não está atrelado a nenhuma política monetária, a nenhum país, a nenhum governo.”

Estudos institucionais de mercado reforçam que destinar uma pequena fatia do portfólio melhora a eficiência da carteira como um todo, reduzindo a volatilidade geral e o drawdown.

“[...] Acho que a parceria com a Nomos vem para trazer uma forma segura, inteligente, cautelosa e honesta de se investir e acessar esse mercado”, conclui o CEO.

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Se você já possui exposição a criptoativos (via ETFs, fundos ou diretamente em exchanges) ou deseja iniciar uma alocação estratégica com o apoio de profissionais, dê o próximo passo.

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Este conteúdo foi patrocinado pela Nomos, Melhores Investidores

Casas Bahia [BHIA3] reúne ingredientes para um short squeeze, mas mercado segue vendido

25 de Junho de 2026, 15:32

O Grupo Casas Bahia [BHIA3] tornou-se o principal alvo das posições vendidas na Bolsa brasileira. Com 38,36% do free float alugado e 30,5% das ações efetivamente vendidas a descoberto, a varejista reúne algumas das condições normalmente associadas a episódios de short squeeze. Analistas, contudo, avaliam que a lentidão do processo de reestruturação financeira ainda limita a entrada de compradores institucionais.

O cenário das posições vendidas

Os dados públicos consolidados pela Economatica mostram a Casas Bahia na liderança isolada do ranking de ativos alugados no mercado local, à frente de empresas como Raízen [RAIZ4] e Petzcobasi [AUAU3]. Embora o volume sob contrato de aluguel atinja 38,36% das ações em circulação, o percentual efetivamente vendido a descoberto (short interest) está em 30,5%.

Essa pressão vendedora é acompanhada por um encarecimento no custo das operações. Relatório recente publicado pela XP apontou que a taxa de aluguel do ativo avançou 6,9 pontos percentuais em duas semanas, atingindo o patamar de 24,8% ao ano. Ao mesmo tempo, o indicador de days to cover situou-se em 7,2 dias de volume médio diário de negociação (ADTV), o que significa que os investidores vendidos levariam mais de uma semana para recomprar e encerrar suas posições caso o volume financeiro diário se mantivesse na média.

É possível um Short Squeeze?

A elevada proporção do free float comprometida com aluguel aumenta a volatilidade do papel e amplia a sensibilidade das ações a movimentos bruscos de compra e venda. Essa configuração técnica é o que costuma gerar questionamentos sobre o risco de um short squeeze — o movimento de alta rápida que força os vendidos a recomprarem as ações para estancar prejuízos, acelerando a valorização.

  • Os fatores pró-squeeze: O patamar de 30,5% de short interest, a taxa de aluguel elevada e os 7,2 dias necessários para zerar as posições criam um ambiente tecnicamente propenso a repiques violentos em caso de fluxo comprador inesperado.

  • Os fatores contra o squeeze: O contraponto reside na fragilidade dos fundamentos. Diferente de outros processos de virada de mercado, a Casas Bahia enfrenta um ritmo de recuperação considerado lento, o que limita o interesse de investidores de longo prazo em montar posições compradas robustas que pudessem disparar o gatilho técnico.

Por que o pessimismo aumentou?

O aumento das posições vendidas ganhou força após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, em meio à percepção de que a recuperação operacional pode levar mais tempo do que o inicialmente esperado pelo mercado. O desempenho recente das ações reflete esse ceticismo: após flertar com a casa dos R$ 3,00 entre fevereiro e março, o papel iniciou uma trajetória de queda, passando a negociar próximo ao patamar de R$ 1,11.

A forte desvalorização das ações ocorreu em paralelo à manutenção de resultados financeiros pressionados e à ausência de sinais mais consistentes de reversão do prejuízo líquido. No balanço do 1T26, o grupo reportou um prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão — uma ampliação de 160% nas perdas em termos anuais —, embora o Ebitda ajustado tenha crescido 4,7%, para R$ 597 milhões. Conforme avalia João Tonello, analista da NMS Research, a permanência de um cenário de juros elevados penaliza o valuation do grupo, dado o peso do custo financeiro sobre uma estrutura de capital ainda fragilizada. Embora os dados públicos não identifiquem os participantes, gestores consultados indicam que o fluxo vendedor recente tem sido dominado por estratégias long & short e fundos multimercados com viés tático de curto prazo.

O que pode mudar o horizonte do papel?

Para o médio e longo prazo, o principal fator de atenção dos investidores está concentrado no cronograma regulatório da B3, que exige a recomposição do free float da varejista até abril de 2027. Para se enquadrar novamente às regras de listagem, o processo poderá demandar movimentações por parte do bloco de controle ou a estruturação de uma oferta subsequente de ações (follow-on) potencialmente dilutiva para a base atual de acionistas.

Até que haja maior clareza sobre a recomposição do free float, sobre a entrega de resultados operacionais melhores ou sobre o ritmo da Selic, os investidores tendem a continuar tratando BHIA3 como um ativo de elevada volatilidade e baixa previsibilidade.

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Super El Niño vai secar seus lucros

22 de Junho de 2026, 16:23

A possibilidade de ocorrência de um episódio de El Niño de forte intensidade a partir do segundo semestre de 2026 deixou de ser apenas uma preocupação meteorológica e passou a integrar oficialmente o conjunto de riscos monitorados por analistas de mercado e pelo Banco Central.

O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, possui potencial para alterar severamente o regime de chuvas no país. O tema é tão relevante para a economia que a autoridade monetária incluiu perguntas preventivas sobre seus reflexos no Questionário Pré-Copom de junho. O objetivo do BC é mapear os canais de transmissão de eventuais choques climáticos sobre o IPCA e, consequentemente, sobre a trajetória da taxa Selic, atualmente mantida em 14,50% ao ano.

Embora a magnitude do evento ainda dependa da evolução das temperaturas oceânicas nos próximos meses, relatórios temáticos divulgados por grandes casas como a XP e o Citi começam a projetar cenários para o bolso do investidor. Caso modelos climáticos globais confirmem um evento severo nos moldes de anos históricos como 1982-83, 1997-98 e 2015-16, o impacto pode pesar no PIB, já que o agronegócio e suas cadeias representam entre 22% a 24% da atividade econômica nacional.

Entenda o impacto no crédito e nas produtoras

O principal canal de atenção imediata dos investidores reside na carteira agropecuária dos grandes bancos. Analistas apontam o Banco do Brasil (BBAS3) como uma das instituições financeiras com maior sensibilidade ao tema por possuir a maior carteira de crédito ao agronegócio do país e já registrar avanço recente na inadimplência rural.

Um agravamento do clima poderia exigir um aumento preventivo nas provisões contra devedores duvidosos, postergando a recuperação do papel na Bolsa. Bancos como ABC Brasil (ABCB4) e Banrisul (BRSR6) também são citados entre os mais expostos a essa dinâmica de crédito.

Nas companhias abertas do agro, o impacto promete ser misto:

  • SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3): Enfrentam maior exposição negativa devido à volatilidade de produtividade gerada pelo risco de temperaturas elevadas e estiagem no Norte e Nordeste.

  • 3Tentos (TTEN3): Fortemente exposta ao Rio Grande do Sul, a companhia exige cautela. Embora o aumento de precipitação no Sul possa inicialmente sustentar a produtividade de soja e milho, o risco de excesso severo de chuvas e enchentes costuma trazer sérios desafios operacionais e logísticos.

  • Proteínas Animais (JBS, BRF e Marfrig): A quebra de grãos impacta diretamente o custo de ração de aves e suínos. Nesse cenário, analistas apontam a JBS (JBSS3) como uma opção mais defensiva, visto que sua forte presença internacional ajuda a mitigar as pressões de custos operacionais no mercado brasileiro.

A conta de luz vai subir com o El Niño?

No setor elétrico, o impacto não é homogêneo. Como a maior parte dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) está concentrada no Sudeste e Centro-Oeste, onde os efeitos do El Niño tendem a ser mistos, o comportamento do preço da energia dependerá da distribuição espacial das chuvas.

Se a recuperação das principais bacias for prejudicada pela estiagem nas regiões vizinhas, haverá necessidade de acionamento preventivo de usinas termelétricas. Esse movimento tende a acionar bandeiras tarifárias mais altas a partir de 2027, impactando diretamente o IPCA via conta de luz.

Para o comércio, o relatório temático da XP destaca que o varejo sentirá os reflexos por meio de três vetores: a inflação alimentar de curto prazo (itens como arroz, feijão, milho e hortaliças), variações atípicas de temperatura e o potencial aumento de doenças arbovirais (doenças infecciosas causadas por mosquitos e alguns carrapatos).

Fonte: NASA, NOAA CPC, Czarnikow, Bloomberg, UNICA, Conab e XP Research. Notas: (1) Definições de fraco a muito forte, de acordo com a classificação do NOAA

Como proteger sua carteira?

Analistas apontam que empresas de infraestrutura e serviços logísticos integrados podem atuar de forma blindada e independente do desempenho das commodities agrícolas.

É o caso da JSL (JSLG3), que se beneficia diretamente da necessidade de flexibilização e diversificação de rotas de transporte de carga em períodos de intempéries. Outro destaque defensivo é a Mills (MILS3): as frotas de locação de equipamentos pesados da companhia costumam registrar demanda muito resiliente para obras de manutenção viária e reconstrução de infraestrutura em regiões afetadas por excessos climáticos.

Além disso, a equipe de análise da XP pondera que o Assaí (ASAI3) pode apresentar tendências marginalmente positivas em suas vendas sob o conceito de “mesmas lojas” (Same Store Sales - SSS) devido ao repasse dessa inflação alimentar. No vestuário, a Lojas Renner (LREN3) é citada como a principal escolha pela capacidade técnica de adequar seus estoques à dinâmica do clima.

De olho nos gráficos

Jalles Machado (JALL3)

De acordo com o analista técnico da NMS Research, Filipe Borges, a ação trabalha em forte tendência de baixa nos tempos gráficos diário, semanal e mensal. Negociada em suas mínimas históricas na faixa dos R$ 2,22, a movimentação gráfica projeta espaço para mais quedas, com próximo alvo estipulado na região dos R$ 0,70 — o que representa um tombo esperado de cerca de 72% para os próximos meses.

MILLS (MILS3)

Já para Mills, o papel confirmou um belo rompimento técnico na faixa dos R$ 15,30, abrindo espaço livre para buscar a região dos R$ 19,70. Trata-se de um upside projetado de aproximadamente 30% para os próximos meses.

Para entender como montar uma carteira defensiva e proteger seu patrimônio contra os riscos fiscais e climáticos de 2026, você pode contar com a assessoria exclusiva da Nomos. Clique aqui para falar com um especialista.

Dois bancos centrais atrapalhados

21 de Junho de 2026, 11:53

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Panorama da Semana

Aqui no Brasil, o COPOM cortou a Selic em 25 pontos, como o mercado esperava. Só que o comunicado mudou o tom e subiu a régua para próximos cortes. Quem acompanha sabe ler que o comunicado abriu espaço para uma pausa já em agosto. Atividade econômica também perde força no segundo trimestre, puxada pelo consumo das famílias, que esfriou em abril com queda na originação de crédito.

No campo político, Lula sobe nas pesquisas e Bolsonaro recua desde maio, embora o gap ainda pareça pequeno para cravar resultado em outubro. Julho marca início das restrições eleitorais sobre anúncio de medidas governamentais, e isso deve concentrar o programas de estímulo fiscal nas próximas semanas. Vale ficar de olho nas convenções partidárias entre 20 de julho e 5 de agosto.

Nos EUA, dois episódios de alto impacto. Primeiro, acordo entre EUA e Irã reabrindo o Estreito de Hormuz. Segundo, a reunião do FOMC sob comando de Kevin Warsh trazendo revisão hawkish na projeção de inflação (3,3% para 2026!) e dot plot completamente dividido, metade pedindo alta de juros ainda este ano. Warsh ainda anunciou cinco task forces para reformular o Fed e recusou apresentar seu próprio dot, gerando névoa sobre rumo da política monetária.

Consumo americano segue resiliente, varejo cresce, ainda na esteira da utilização da poupança. Mercado imobiliário continua travado com juros hipotecários nas alturas. E ponto curioso: preços de memória RAM e NAND dispararam por conta da demanda de data centers de IA, pressionando inflação de hardware nos próximos meses.

Semana que vem trazemos PMIs, dados de inflação preliminar (IPCA-15) e PIB revisado nos EUA. Promete.

Calendário da Semana


Gostando da leitura? Increva-se


Rentabilidade das principais classes

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa caminha para mais uma semana negativa, mantendo a pressão vendedora observada desde que o índice se aproximou dos 200 mil pontos. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o mercado já se aproxima da faixa entre 166.700 e 156.300 pontos, região que pode marcar uma pausa no movimento de baixa. "Dentro dessa faixa de preços, entendo que o mercado deve interromper, pelo menos por algum período, sua movimentação de baixa — devemos ter um repique no Ibovespa", afirmou. Borges chama atenção para o nível dos 174.300 pontos: uma eventual superação das máximas pode sinalizar, com mais força, a retomada do movimento de alta.

Bitcoin

O Bitcoin também segue sob forte pressão vendedora, encerrando a semana com fechamento negativo. O ativo tem fundos alinhados na região dos US$ 60 mil, mas Borges vê maior probabilidade de rompimento desse suporte. "A maior probabilidade que vejo é da perda dos US$ 60 mil, com o ativo buscando o patamar entre US$ 55 mil e US$ 52 mil nas próximas semanas", projetou o analista. Para quem pensa em montar posição, a recomendação é esperar. "Para compras, eu aguardaria e começaria a comprar abaixo dos US$ 58 mil, US$ 56 mil — acho uma excelente região já para começar a montar uma posição de longo prazo", disse.

Weg [WEGE3]

A WEG apresentou um fechamento positivo no gráfico semanal, após buscar liquidez na região entre R$ 45,00 e R$ 41,00. Para Borges, o movimento já indica retomada da tendência de alta. O próprio analista está posicionado no ativo: “Estamos comprados nessa operação no nosso copy de swing trade, o Follow Trade, com alvo nos R$ 52,00”, revelou.

Moura Dubeux [MDNE3]

Outro nome que chama a atenção de Borges é a Moura Dubeux, que teve forte alta em fevereiro antes de formar topos nivelados na região dos R$ 34,30 e agora retorna a uma faixa de liquidez considerada atrativa pelo analista. "Estou comprado no ativo na região dos R$ 28,00, com stop abaixo das mínimas, no patamar dos R$ 25,30, e o alvo mínimo para essa operação é a faixa dos R$ 37,00", detalhou Borges. O potencial de valorização da operação supera os 30%.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Top 5 temas globais - XP

Os mercados globais foram impulsionados pelo alívio geopolítico no Oriente Médio, mas o otimismo foi contido por sinalizações mais duras (hawkish) do Federal Reserve e pelo aumento do escrutínio regulatório e de custos no setor de tecnologia.

Confira o relatório completo

RD Saúdo - Safra

O Banco Safra reiterou sua recomendação de Compra (Outperform) para a RD Saúde, mas revisou o preço-alvo de 12 meses de R$ 30,00 para R$ 27,00 por ação. A redução reflete a incorporação dos resultados do 1T26, despesas financeiras pressionadas por juros mais altos e uma postura mais conservadora para o crescimento de médio prazo, embora o papel negocie com desconto atraente frente à sua média histórica.

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Cosan - BTG Pactual

O BTG Pactual reiterou a recomendação de Compra para a Cosan com preço-alvo de R$ 8,00, enfatizando que a tese de investimento mudou de um ciclo de expansão/construção para uma fase de colheita, simplificação de estrutura e monetização de ativos. O banco aponta que o mercado ainda pune excessivamente a complexidade do portfólio da holding, gerando um desconto de holding de 29% que cria uma assimetria atraente para o investidor.

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Ouro: Após a correção, oportunidade - BTG Pactual

A forte correção recente no preço do ouro não anula sua tese estrutural de alta e, na verdade, abre uma janela oportuna de entrada para os investidores. Em relatório de equity research focado no setor de Metais e Mineração publicado em junho de 2026, o BTG Pactual reiterou sua visão otimista para o metal precioso e reforçou a recomendação de Compra para a Aura Minerals [AURA33], cujas ações ficaram excessivamente descontadas após uma realização de 39% desde as máximas recentes.

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MÍDIAS DA SEMANA

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Programa Joga Junto 19 de junho

19 de Junho de 2026, 15:22

Fed hawkish puxa juros globais e seca fluxo estrangeiro no curto prazo. Bolsa brasileira segue barata, mas fluxo forte só chega no longo prazo. Escândalo Jaques Wagner agita política sem ameaçar urnas. Oriente Médio tensiona petróleo.

Petrobras ganha de Prio no gráfico. Cyrela e Cury puxam construção, MRV cambaleia. Mercado Livre toca suporte e abre janela de compra. BM39 surfa tecnologia asiática e entrega performance forte. XP mira ciclo de corte de juros. Saúde3 abre entrada acima de R$13,50. Banrisul rende dividendo, cresce pouco.

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Compass [PASS3]: a joia da coroa da Cosan que resiste ao cenário macro adverso

18 de Junho de 2026, 15:01

Menos de um mês após estrear na Bolsa, a Compass (PASS3) já conquistou um raro consenso entre as principais casas de análise do país. Nesta semana, JP Morgan, BTG Pactual e Itaú BBA iniciaram cobertura da companhia com recomendação de compra, sustentados por uma tese que combina duas características pouco comuns em uma mesma empresa: geração previsível de caixa no curto prazo e potencial de crescimento acelerado no longo prazo.

O argumento central das três instituições é que o mercado ainda avalia a Compass como uma distribuidora tradicional de gás natural, deixando em segundo plano o valor de seus negócios ligados ao mercado livre de gás. Enquanto isso, a companhia mantém uma base de ativos regulados capaz de gerar aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano em dividendos entre 2026 e 2030, segundo estimativas do JP Morgan.

Dividendos recebidos de distribuidoras de gás (ajust. próprio) [Fonte: JP Morgan Research]

A leitura dos bancos chega em um momento desafiador para o mercado brasileiro. Juros reais elevados, incertezas fiscais e volatilidade política costumam favorecer empresas defensivas e com previsibilidade de receita. Para os analistas, a Compass reúne essas características sem abrir mão de uma importante avenida de crescimento.

IPO da Compass (PASS3): do preço de estreia ao desconto na Bolsa

A empresa nasceu em 2012, quando a Cosan adquiriu a Comgás, maior distribuidora de gás natural do país. Desde então, expandiu sua presença por meio da compra de participações em distribuidoras estaduais, como Sulgás e Compagás, além de consolidar uma plataforma nacional de gás. Em março deste ano, a companhia realizou seu IPO em uma oferta totalmente secundária que movimentou cerca de R$ 3 bilhões. A operação foi precificada em R$ 28 por ação, reduzindo a participação da Cosan de aproximadamente 88% para 76%.

Desde a oferta, porém, as ações passaram a negociar abaixo do preço de estreia. No fechamento de 16 de junho, os papéis estavam cotados a R$ 24,99. É justamente essa diferença entre preço e valor que chama a atenção dos analistas.

Vale a pena comprar PASS3? Veja as recomendações do JP Morgan e BTG

No JP Morgan, Arthur Pereira iniciou cobertura com recomendação Overweight e preço-alvo de R$ 34 para dezembro de 2027, o que representa potencial de valorização de cerca de 36%. O banco descreve a tese da Compass como uma combinação entre “carry” e “convexidade”. O primeiro componente vem do negócio regulado de distribuição de gás, responsável por fluxos de caixa previsíveis e dividendos recorrentes. O segundo está ligado à Edge, subsidiária que atua em comercialização, logística e infraestrutura de gás.

Segundo Pereira, os ativos regulados representam cerca de 62% do valor da companhia e funcionam como uma âncora para a avaliação. A Comgás sozinha responde pela maior parte desse valor, beneficiada por um modelo regulatório que garante retornos reais próximos de 8% ao ano sobre os investimentos realizados.

O BTG Pactual compartilha visão semelhante. Em relatório assinado por Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz, o banco iniciou cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38 por ação, enxergando potencial de valorização superior a 50%.

Os analistas classificam a Compass como uma “Compounder with a Spice”, expressão usada para definir empresas capazes de acumular crescimento consistente ao longo do tempo, mas com um componente adicional de expansão. Na visão do BTG, as concessões de distribuição funcionam como monopólios naturais que oferecem proteção contra inflação, crescimento gradual da base de ativos regulatórios e estabilidade suficiente para atravessar ciclos econômicos e políticos mais turbulentos.

O banco destaca que a Comgás expandiu seu EBITDA em aproximadamente 9% ao ano desde a aquisição pela Cosan, enquanto sua base regulatória cresceu cerca de 8% ao ano no mesmo período. Para os analistas, trata-se de um modelo de crescimento previsível e pouco dependente do ciclo econômico.

Expansão da Compass [Fonte: BTG Pactual Research]

O potencial da Edge e o crescimento no mercado livre de gás

É justamente sobre essa estrutura estável que a Compass constrói sua principal aposta para os próximos anos. A Edge, criada para atuar no mercado livre de gás, concentra boa parte das expectativas de crescimento da companhia.

A subsidiária opera o terminal de regaseificação de Santos, com capacidade de 14 milhões de metros cúbicos por dia, além de contratos de suprimento de gás e soluções logísticas para consumidores industriais, distribuidoras e usinas térmicas. Diferentemente de uma distribuidora tradicional, seu modelo de negócio depende da captura de margens comerciais e da oferta de flexibilidade logística.

O JP Morgan estima crescimento médio anual de 20% no EBITDA da Edge nos próximos cinco anos. Parte dessa expansão deve vir da demanda criada pela abertura do mercado de gás, pela contratação de novas térmicas e pelo avanço do consumo industrial.

A operação também conta com um contrato de fornecimento com a TotalEnergies válido até 2033, que garante acesso a até 12 milhões de metros cúbicos diários de gás natural liquefeito. Além disso, a companhia tem se beneficiado de ganhos de otimização de cargas, que renderam cerca de R$ 600 milhões por ano em 2024 e 2025 e mais R$ 300 milhões apenas no primeiro trimestre de 2026, segundo estimativas do JP Morgan.

O ponto mais relevante da tese, no entanto, está na percepção de que o mercado ainda não incorpora integralmente esse potencial. O banco americano calcula que a cotação atual da Compass embute apenas cerca de 40% de probabilidade de seu cenário-base para a Edge se concretizar.

Essa mesma visão aparece no relatório do Itaú BBA. O banco iniciou cobertura com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 35, argumentando que investidores continuam tratando a Compass como uma distribuidora tradicional de baixo crescimento. Na avaliação dos analistas, essa leitura ignora o potencial de expansão criado pelo desenvolvimento do mercado livre de gás no Brasil.

Embora o consenso seja positivo, os bancos também apontam riscos. Entre eles estão eventuais mudanças regulatórias nas concessões, especialmente em futuras revisões tarifárias, aumento da concorrência no mercado livre de gás e uma expansão da Edge abaixo do esperado. Há ainda incertezas relacionadas à evolução das margens do setor e ao ritmo de crescimento da demanda.

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SPCX ou SPCX34, qual leva seus investimentos ao infinito e além?

16 de Junho de 2026, 14:39

Desde seu IPO na sexta-feira (12), os papéis da Spacex não param de subir, já acumulando 41,13% de valorização. A companhia que levou Elon Musk a se tornar o primeiro trilionário do mundo se destaca, principalmente, pelo seu protagonismo na nova fronteira espacial.

Com o sucesso absoluto da sua entrada no Nasdaq, muitos querem uma fatia deste bolo, mas para investidores brasileiros paira uma dúvida no ar: investir direto nos papéis internacionais da companhia [SPCX] ou nos BDRs [SPCX34]?

Para a especialista de investimentos internacionais da Nomos, Bruna Alleman, o caminho é investir direto na ação internacional, listada em bolsa americana. A economista defende que ao adquirir um BDR (Brazilian Depositary Receipt) existem mais fatores entre a ação e o seu dinheiro, o que pode atrapalhar o seu desempenho no mercado financeiro. Ela aponta que é falsa a segurança defendida na compra do recibo brasileiro.

“Para quem está iniciando em internacionalização, BDR pode parecer mais seguro, mas é exatamente o oposto. Quando você compra um BDR, você está comprando um recibo que representa a ação, mas não a ação em si. Isso significa custos extras (taxa de custódia, conversão de moeda), menos liquidez, e você fica dependente de um intermediário.”

Bruna ressaltou ainda que a transparência conquistada ao comprar as ações diretas é extremamente valiosa.

“[Comprando SPCX] Você compra a ação real, com acesso direto ao mercado, sem intermediários inflacionando o preço. […] Essa transparência e simplicidade são muito mais valiosas do que a falsa sensação de segurança que o BDR oferece.”

Como fazer um investimento na bolsa americana?

Para ter a possibilidade de fazer parte de maneira direta do bom desempenho da fabricante de foguetes de Musk, é necessário ter uma conta internacional. Isso possibilita a compra das ações no mercado americano, de maneira que os papéis sejam seus, sem intermediários.

Você pode abrir sua conta internacional na Nomos, clicando aqui.

As ações vão continuar a subir?

Para Max Bohm, especialista em ações da NMS Research, a disparada dos papéis da SpaceX tem três motores — e nenhum deles é, necessariamente, fundamento. O primeiro é o hype em torno da nova fronteira espacial. O segundo é técnico: como a companhia já nasce entre as maiores do mercado americano por valor de mercado, sua entrada no S&P 500 é automática, obrigando fundos passivos a comprarem o papel agora. O terceiro é a demanda reprimida do próprio IPO, com investidores que ficaram sem alocação na largada indo ao mercado secundário no primeiro pregão.

O especialista acredita que esse fluxo deve sustentar a alta nos próximos dias — mas faz uma ressalva importante. Sob uma lente fundamentalista, a ação negocia a cerca de 100 vezes o lucro de uma empresa que, por ora, sequer registra lucro líquido. “Múltiplos surreais”, na definição do próprio analista. Para que o valuation atual se justifique, a SpaceX precisará entregar resultados à altura de uma expectativa que o mercado já precificou com antecedência generosa.

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Neo-excepcionalismo americano

14 de Junho de 2026, 18:17

Panorama da Semana

O mundo à espera de duas decisões

Na semana que passou, o Estreito de Hormuz voltou a ditar o ritmo dos mercados globais. Rumores de um possível cessar-fogo de dois meses derrubaram o barril de petróleo para US$ 87, menor nível desde abril, mas a inflação nos países desenvolvidos não acompanhou o alívio, e os bancos centrais chegam à semana mais importante do calendário sem margem para relaxar.

Estados Unidos

A narrativa do Fed entrou num capítulo novo. Kevin Warsh assume o comando do FOMC na reunião de quarta com a mudança que o mercado ainda não sabe decifrar. O que se sabe é o que ele vai manter os juros e remover o viés de queda do comunicado.

O CPI de maio trouxe algum conforto, mas o core PCE segue subindo, com estimativa de 3,4% anualizado. O dot plot deve migrar da mediana de um corte em 2026 para manutenção, com dois ou três membros sinalizando alta. Warsh herdou um Fed que prometeu mais do que entregou no ciclo desinflacionário, e a coletiva de imprensa será o primeiro teste real de como ele pretende contar essa história.

Brasil

O Copom chega à reunião de quarta em posição desconfortável. O IPCA de maio acelerou para 4,72% em doze meses, acima do teto da meta, puxado por alimentos e bens industriais. O núcleo deu um respiro, desacelerando para cerca de 5,0% em 3m/saar, mas serviços intensivos em trabalho ainda rodam perto de 7,5% na mesma métrica.

O mercado aposta que o comitê deve cortar 25 bps e levar a Selic a 14,25%, mas o comunicado deve ser duro como contrapeso ao corte.

Com fiscal expansionista, câmbio menos favorável e Oriente Médio sem resolução, Galípolo e equipe precisarão explicar por que ainda cortam sem soar como se ignorassem a realidade.

Calendário da Semana


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Rentabilidade das principais classes

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa dá sinais de que pode estar tentando encontrar fundo na região dos 168.200 pontos, ensaiando movimentos de alta nos últimos pregões. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o nível a observar agora é o dos 175.000 pontos. "Acima dessa região, vejo grande probabilidade do mercado voltar a subir até pelo menos os 183.000 pontos", afirmou. Caso o suporte dos 168.000 pontos seja perdido, Borges aponta a zona entre 166.000 e 156.000 pontos como a janela de compra a ser monitorada — faixa já comentada nas semanas anteriores. O analista, porém, mantém viés construtivo no curto prazo, uma vez que algumas ações já apresentam boas regiões de entrada para os próximos dias.

Aura Minerals [AURA33]

A Aura Minerals é um dos destaques da semana na avaliação de Borges, que vê oportunidade de compra no ativo. O papel saiu de uma máxima próxima aos R$ 181,00 e recuou até os R$ 90,00, movimento que o analista interpreta como a captura de liquidez de fundos anteriores e a formação de um suporte relevante. "Vejo grande probabilidade de que o ativo tenha encontrado fundo e agora tem uma bela oportunidade de compra nas próximas semanas", disse. O alvo projetado por Borges é a região dos R$ 117,00.

Bitcoin

O Bitcoin segue o roteiro baixista sinalizado nas últimas semanas e testa a região dos US$ 60 mil. Borges admite que o ativo pode apresentar alguma recuperação ou lateralização no curtíssimo prazo, mas mantém o viés de queda. "Ainda vejo grande probabilidade da perda dos US$ 60 mil nas próximas semanas, com o Bitcoin buscando entre US$ 50 mil e US$ 38 mil — região que entendo como um excelente ponto de entrada para uma carteira", projetou o analista.

Cyrela [CYRE3]

A Cyrela também entrou no radar de Borges. O papel acumulou quedas expressivas recentes e, na leitura do analista, capturou a liquidez das mínimas, posicionando-se agora em uma região de suporte relevante. O gatilho para uma entrada mais assertiva, segundo Borges, passa pelo rompimento da resistência nos R$ 22,95. "Após esse rompimento, a ideia é aguardar uma correção para então trabalhar compras com alvo entre R$ 28,00 e R$ 29,00", explicou.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Brasil: Cenário Macro - BTG Pactual

O ambiente global desafiador, marcado por conflitos no Oriente Médio e inflação persistente nos Estados Unidos, continua adicionando pressões sobre o cenário doméstico. A equipe macroeconômica do BTG Pactual aponta que o forte superávit comercial brasileiro, impulsionado pelas exportações de petróleo, atua como um colchão de liquidez para o país, embora as incertezas externas e a resiliência da demanda interna exijam um monitoramento rigoroso das trajetórias de inflação e da condução da política monetária por aqui.

Confira o relatório completo

Hypera - Banco Safra

A perspectiva de melhora no momento de lucros e novos lançamentos operacionais motivaram a elevação da recomendação da Hypera (HYPE3) para Outperform (equivalente à compra). O Banco Safra estabeleceu um novo preço-alvo de R$ 29,50 por ação, incorporando em seus modelos o resultado do primeiro trimestre e premissas macroeconômicas atualizadas, com projeção de crescimento do PIB de 1,8% e taxa Selic média de 13,5% para o ano de 2026.

Confira o relatório completo

Telecom: Telefônica, TIM e América Móvil - Banco Safra

O setor de telecomunicações no Brasil mantém uma dinâmica competitiva racional e saudável após o processo de consolidação de mercado, com reajustes tarifários consistentes e expansão das margens de fluxo de caixa livre. Na atualização do setor, o Banco Safra reiterou a Telefônica Brasil (Vivo) como sua Top Pick, com preço-alvo de R$ 42,00, ao mesmo tempo em que elevou a América Móvil (AMX) para Outperform e rebaixou a TIM Brasil para Neutra devido ao enfraquecimento de seu momento operacional de curto prazo.

Confira o relatório completo

Mercado Livre: Além dos Serviços Bancários - BTG Pactual

A consolidação do Mercado Pago na América Latina transformou a plataforma de um simples processador de pagamentos em um pilar fundamental de inclusão financeira e retenção de usuários. O relatório do BTG Pactual destaca que o produto de investimento em contas digitais na Argentina converteu saldos inativos em ativos geradores de rendimento, expandindo a base de 500 mil contas em 2018 para mais de 20 milhões em 2024, o que fortalece as vantagens competitivas do ecossistema como um todo.

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MÍDIAS DA SEMANA

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O JP Morgan ficou mais seletivo com as construtoras e cortou a MRV

10 de Junho de 2026, 15:47

Num setor que acumula queda de cerca de 15% no ano, o JP Morgan decidiu separar vencedores e perdedores. O banco elevou Cury e Direcional para compra, manteve Cyrela e Eztec em neutro e cortou a MRV, numa revisão que reflete juros altos por mais tempo, incertezas macroeconômicas e riscos crescentes para empresas mais alavancadas.

O cenário macro que mudou o jogo

O pano de fundo é difícil. A Selic segue em território restritivo, o real continua pressionado e a incerteza eleitoral de 2026 paira sobre o humor dos investidores. O setor de construção civil acumula queda de cerca de 15% no ano, contra alta de 5% do Ibovespa no mesmo período. O múltiplo de preço/lucro forward de 12 meses do setor recuou para 5,6 vezes — um desconto de aproximadamente 30% em relação ao pico de 8,0 vezes registrado no início de dezembro de 2025. É nesse contexto que o JP Morgan revisou suas estimativas e promoveu mudanças de rating em três das seis construtoras que cobre.

A lógica do banco é direta: em um ambiente de juros altos por mais tempo, as empresas voltadas ao segmento de baixa renda — protegidas pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) e suas taxas subsidiadas — tendem a sofrer menos do que as expostas ao crédito imobiliário de mercado. “Nossa preferência pelo segmento de baixa renda reflete o atual ambiente macroeconômico no Brasil”, escreveram os analistas.

"Apesar de nossa visão relativamente positiva sobre a baixa renda, vale mencionar que as construtoras são nomes domésticos, e a deterioração contínua no macro prejudicaria a valoração do setor."

As mudanças de rating: quem sobe, quem desce

O banco promoveu o upgrade de Cury [CURY3] e Direcional [DIRR3] para Overweight (equivalente a “compra”) e rebaixou MRV [MRVE3] para Neutro. Cyrela [CYRE3] e Eztec [EZTC3] seguem com recomendação Neutra. Os preços-alvo foram cortados em média 11%, refletindo um aumento de 50 pontos-base no custo de capital e revisões para baixo nos lucros estimados.

A grande favorita do banco segue sendo a Tenda (TEND3), com upside de 62% e estimativas de lucro líquido para 2026 acima do consenso de mercado. A Direcional ganhou um upgrade por conta de catalisadores específicos: o potencial impacto do novo zoneamento urbano de Belo Horizonte sobre seu banco de terrenos e a parceria com a MDNE para lançamentos no Nordeste — iniciativas que, juntas, poderiam adicionar R$ 1,0 bilhão por ano em valor de vendas (PSV) no curto e médio prazo.

A bomba-relógio do 6x1

Um risco que ainda não está precificado pelo mercado ganhou destaque no relatório: a proposta de emenda constitucional que extingue a escala 6x1, aprovada pela Câmara em maio, agora aguarda votação no Senado. A mudança reduziria a semana de trabalho de 44 para 40 horas de forma gradual — e sem corte de salários.

Para as construtoras, o efeito seria direto sobre os custos de obra. O JP Morgan estima que a reforma pode reduzir a margem bruta ajustada das empresas em 1,0 a 1,5 ponto percentual, assumindo que o novo regime eleve em 5% os custos com mão de obra e que não haja repasse imediato nos preços das unidades. Para neutralizar o impacto, as construtoras precisariam aumentar o preço de venda em cerca de 2,0% a 2,5%.

A Cury seria a mais impactada entre as cobertas pelo banco, com a mão de obra representando 50% do seu custo de mercadoria vendida (CMV). A Eztec seria a menos afetada, com 35%. Ainda assim, os analistas pontuam que empresas do MCMV têm alguma proteção por meio dos reajustes nos tetos de preço do programa — o que ajuda a viabilizar eventuais repasses.

MRV: o caso à parte

O downgrade da MRV merece atenção especial. O problema não está no Brasil — o segmento core da empresa, ligado ao MCMV, segue evoluindo bem. O calcanhar de Aquiles é a Resia, subsidiária americana de apartamentos para aluguel (multifamily). O JP Morgan cortou a estimativa de lucro por ação de 2026 da MRV em 70% e a de 2027 em 35%, incorporando perdas adicionais decorrentes de desinvestimentos da Resia abaixo do preço esperado. A projeção é de prejuízo líquido de cerca de R$ 330 milhões na subsidiária americana apenas em 2026. Com a maior alavancagem do setor — relação dívida líquida/patrimônio de 102% no primeiro trimestre — a MRV é também a mais vulnerável a um ambiente de Selic elevada por mais tempo.

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Semana com dados amargos de inflação

7 de Junho de 2026, 14:46

Recado do editor

Todo mês compilamos as principais carteiras recomendadas das maiores casas de recomendação. Agrupamos elas nesse post abaixo. Nâo deixe de conferir.


Agenda da semana (1 a 12 de junho)

A semana entre 7 e 12 de junho será dominada por dados de inflação nas principais economias. Brasil, Estados Unidos e China divulgam seus índices de preços ao consumidor em dias próximos, enquanto o choque de oferta no petróleo — com o Estreito de Ormuz como epicentro da incerteza — segue como pano de fundo e reduz o espaço de manobra dos bancos centrais. Na Europa, o debate já chegou à fase de ação: o BCE decide os juros na quinta-feira (11), com alta de 25 pontos-base precificada, e o mercado vai monitorar o tom da comunicação para entender se o aperto é resposta pontual ao choque de energia ou sinalização de um ciclo restritivo mais longo.

No Brasil, o Boletim Focus de segunda-feira (9) abre a semana com a tarefa de revelar até onde chegou a revisão das projeções para a Selic. O ciclo de afrouxamento perdeu tração, e a curva de juros entrou na semana dividida entre um corte de 25 pontos-base e uma pausa já no Copom de 17 de junho. O IPCA de quinta-feira (11) deve confirmar o que o IPCA-15 antecipou: inflação corrente pressionada, com serviços no centro das atenções. Para Leandro Manzoni, economista do Investing.com, o ponto mais delicado da semana não está nos números em si, mas no que o mercado vai concluir sobre eles: se as expectativas para 2027 e 2028 não cederem após o Focus, a mensagem implícita será a de que uma Selic mais alta está servindo apenas para impedir nova deterioração — e não para reancorar a inflação na meta. Nos Estados Unidos, o CPI de quarta-feira (10) fecha o calendário da semana: um dado acima do esperado, num contexto de mercado de trabalho ainda forte, reacenderia o debate sobre quando o Fed voltaria a subir os juros.


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Rentabilidade das principais classes

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa encerrou mais uma semana em território negativo, fechando abaixo dos 170 mil pontos — nível que não era visto desde janeiro deste ano. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento ainda não chegou ao fim. "O mercado segue no movimento baixista, com objetivo de queda entre os 166.500 e os 161.500 pontos", afirmou. A região já havia sido sinalizada por Borges na semana anterior e segue como o alvo prioritário da correção em curso.

Vale [VALE3]

As ações da Vale romperam uma linha de tendência de alta e saíram de uma formação de triângulo, abrindo espaço para novas quedas nas próximas semanas. O suporte principal está na casa dos R$ 78,00 — e é justamente esse nível que Borges monitora com atenção. "A perda dos R$ 78,00 indica continuidade da movimentação de baixa, com o próximo alvo em R$ 74,00", disse o analista. Em caso de aprofundamento da queda, a zona entre R$ 67,00 e R$ 63,00 surge como o próximo objetivo relevante.

Bitcoin

O Bitcoin segue o roteiro traçado na semana passada, com maior probabilidade de queda tanto no curto quanto no médio prazo. A criptomoeda já testa a região dos US$ 60 mil, suporte que Borges considera crítico. Abaixo desse nível, o analista enxerga espaço para recuo mais expressivo. "Vejo o alvo principal entre US$ 50 mil e US$ 38 mil — e é nessa região que identifico uma excelente oportunidade de compra para o próximo ciclo", projetou Borges.

Nvidia [NVDC34]

Os BDRs da Nvidia exibem fraqueza na continuação do canal de alta, com o suporte principal situado em R$ 22,00. Abaixo desse patamar, Borges vê espaço para correções mais expressivas, com suportes subsequentes em R$ 20,00 e R$ 18,00. Para quem ainda não tem posição, o analista recomenda cautela. "Para novas entradas na ponta compradora, eu aguardaria mais", disse. Já para quem está comprado, Borges sugere considerar proteção ou encerramento da posição caso o papel perca os R$ 22,00.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Taxa Selic: High for Longer - UBS

Com o ciclo de afrouxamento monetário do Banco Central muito próximo do fim, a taxa de juros deve permanecer em patamar restritivo por um período prolongado. A equipe macroeconômica do UBS projeta apenas mais um corte residual de 25 pontos-base na próxima reunião do Copom, justificando que a resiliência da atividade doméstica, o mercado de trabalho apertado e os estímulos fiscais em curso impedem uma queda maior da Selic.

Confira o relatório completo

Capital Goods: WEG - Banco Safra

O primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil, agendado para dezembro de 2026, surge como um importante catalisador de longo prazo para a WEG. O Banco Safra calcula que a companhia pode capturar entre R$ 750 milhões e R$ 1,0 bilhão em receitas incrementais entre 2027 e 2028 devido à sua capacidade fabril em Itajaí (SC), embora reitere a recomendação Neutra para o papel (WEGE3) com preço-alvo de R$ 53,60.

Confira o relatório completo

Brasil Macro Mensal - XP Investimentos

A taxa Selic deve encerrar o ciclo de flexibilização no patamar elevado de 14,00% após a deterioração do balanço de riscos para os preços. Em seu relatório mensal, a XP Investimentos elevou a projeção do IPCA de 2026 para 5,5%, puxada por choques globais de oferta e pela força da demanda interna, enquanto manteve a estimativa de crescimento do PIB para este ano estável em 2,0%.

Confira o relatório completo

Global Asset Strategy: Junho 2026 - BTG Pactual

A forte resiliência do consumo e do ciclo de investimentos nos Estados Unidos levou a uma sólida sustentação da atividade econômica no segundo trimestre, consolidando a projeção de alta de 2,75% para o PIB americano em 2026. O panorama global do BTG Pactual pondera, no entanto, que o núcleo da inflação (PCE) rodando a 3,8% e os persistentes gargalos logísticos no Oriente Médio exigem cautela dos investidores na alocação de ativos.

Confira o relatório completo


MÍDIAS DA SEMANA

Divulgação do nosso Estratégia Nomos de Junho.🔗 Leia o relatório completo

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Foto oficial da Noruega para a Copa

Quando a ação da Victoria’s Secret disparou +50% porque mudou seu ticker de $VSCO para $VSXY (“Very Sexy”)

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Carteiras sugeridas para junho

3 de Junho de 2026, 15:46

Este post está sendo atualizado à medida que novas carteiras forem divulgadas. Última atualização 15h00 - 30/06

Carteira Top ações – XP

Confira a carteira completa

A carteira Top Ações passa a incluir ORVR3 (2,5%), refletindo uma visão positiva sobre o potencial de criação de valor da transação entre Orizon e Vital, que ainda não estaria totalmente precificado pelo mercado.

Também houve aumento de B3SA3, de 5,0% para 7,5%, diante da expectativa de maior tração no mercado de capitais, diversificação de receitas e crescimento dos lucros. RENT3 teve sua participação elevada de 7,5% para 10%, apoiada por fundamentos sólidos, melhora operacional e valuation atrativo. Já TOTS3 ganhou mais espaço na carteira após a recente correção das ações.

Para acomodar as mudanças, PETR4 foi reduzida de 10% para 5%, mantendo uma visão construtiva para a companhia. RADL3 deixou a carteira devido à busca por nomes com melhor momentum de resultados, embora a tese de longo prazo permaneça positiva.


Carteira Top Small Caps - XP

Confira a carteira completa

A carteira passou por ajustes com a inclusão de CEAB3 e ECOR3, aumento da participação em CURY3 e retirada de PGMN3 e MILS3.

A posição em CURY3 foi elevada de 10% para 12,5%, diante da maior convicção na tese, sustentada pela resiliência operacional, vendas robustas, boa velocidade de vendas e consistente geração de caixa.

ECOR3 entrou com peso de 2,5%, principalmente pelo valuation atrativo. Na avaliação da casa, as preocupações do mercado com o capex parecem excessivas diante dos mitigadores existentes.

MILS3 foi retirada após a forte valorização desde sua inclusão e diante do anúncio de um potencial processo de OPA. Já a troca de PGMN3 por CEAB3 reflete a preferência pelo setor de vestuário neste momento do ciclo, com a C&A podendo se beneficiar de uma eventual redução das tensões comerciais globais, além de perspectivas favoráveis para margens e para a temporada de inverno.


Carteira Top Dividendos – XP

Confira a carteira completa

A XP passou a incluir AXIA3, com peso de 5%, após a recente correção das ações tornar o valuation mais atrativo. A expectativa de maior alocação de investidores estrangeiros em Brasil e um possível cenário de El Niño forte no segundo semestre, favorecendo o consumo e os preços de energia, também sustentam a tese para a companhia.

Em contrapartida, SANB11 foi retirada da carteira. Apesar da visão positiva para os fundamentos do banco, apoiada por uma originação de crédito mais conservadora, melhora da margem financeira e ganhos de eficiência, fatores de curto prazo ainda devem limitar o desempenho das ações.


Carteira Top Dividendos Plus – XP

Confira a carteira completa

A construtora Direcional [#DIRR3] passa a integrar o grupo dos 10 nomes recomendados pela XP, ocupando a vaga deixada por Caixa Seguridade [#CXSE3]. Segundo a equipe de análise, a substituição foi baseada em dados de consenso da LSEG, que indicam um dividend yield mais atrativo e melhora nas expectativas dos analistas para a Direcional. Já a Caixa Seguridade foi retirada da seleção após a redução do rendimento esperado com dividendos e a piora das projeções de mercado.


Carteira Fundamentalista de FIIs – XP

Confira a carteira completa

Para junho, a XP reduziu a alocação em LVBI11 e PVBI11 em 0,5 ponto percentual cada, enquanto aumentou a exposição a XPLG11 e HGBS11 na mesma proporção. Segundo a gestora, os ajustes buscam diminuir a participação em fundos de tijolo com menor carrego e menos gatilhos de valorização no curto prazo, ampliando a exposição a portfólios de maior qualidade, menor volatilidade e com maior potencial de geração de valor nos próximos meses.


Carteira Top Ações Globais – XP

Confira a carteira completa

A carteira permaneceu inalterada para junho. Segundo a XP, os fundamentos dos ativos selecionados seguem sólidos e as posições continuam alinhadas às perspectivas para o período. Apesar do desempenho relativo negativo no último mês, impactado pela menor exposição ao setor de tecnologia em meio ao rali das ações ligadas ao segmento de memória, a equipe mantém confiança na composição atual do portfólio.


Carteira Top Dividendos Globais – XP

Confira a carteira completa

A carteira foi mantida sem alterações para junho. Após um mês positivo, impulsionado principalmente pela maior exposição aos setores de Tecnologia, por meio da Dell, e Materiais Básicos, com destaque para a BHP, a XP optou por preservar a composição atual do portfólio. Segundo a equipe de análise, os fundamentos dos ativos seguem sólidos e continuam alinhados às perspectivas para o encerramento do segundo trimestre de 2026.


Carteira Fundos Listados Renda Total – XP

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Para junho, a XP promoveu ajustes na carteira, reduzindo as posições em HFOF11 e RZAG11, enquanto ampliou a exposição a RBRX11 e RBRR11. Segundo a gestora, as mudanças buscam aumentar a participação em ativos mais defensivos, que combinam perspectivas favoráveis para distribuição de rendimentos com preços de negociação considerados atrativos.


Carteira Recomendada FIIs: Ganho de Capital – XP

Confira a carteira completa

Para junho, a XP retirou HFOF11 da carteira e aumentou a exposição a PCIP11 e XPCI11. Segundo a casa, o movimento busca elevar a alocação em fundos de recebíveis que ainda negociam a preços atrativos e oferecem carrego interessante, além do potencial de maiores rendimentos em um cenário de inflação mais elevada no curto prazo.


Carteira Dividendos Gráfica – XP

Confira a carteira completa

A Carteira Dividendos Gráfica da XP foi mantida sem alterações para junho. Composta por cinco ativos de peso igual, a seleção utiliza exclusivamente análise técnica aplicada aos papéis das carteiras Top Dividendos e Top Dividendos Plus, com o objetivo de superar o desempenho do Ibovespa no médio prazo.


Carteira Multiestratégia – NMS

Confira a carteira completa

A Carteira Multiestratégia da NMS foi mantida sem alterações para junho. A estratégia busca superar o CDI no longo prazo por meio de uma alocação diversificada entre renda fixa, renda variável, ativos globais, criptomoedas e investimentos alternativos. Para isso, utiliza ETFs listados na B3, oferecendo eficiência, liquidez e exposição a diferentes classes de ativos em um único portfólio.


NMS Estratégia Global

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A carteira é voltada para investidores com perfil moderado a agressivo que buscam diversificação internacional e exposição ao mercado americano por meio de ações, ETFs e ADRs. O objetivo é oferecer um portfólio equilibrado, com rebalanceamentos periódicos para otimizar os retornos no médio e longo prazo.

Na última atualização, a gestão substituiu GOOG por ASML, ampliando a exposição à companhia holandesa do setor de semicondutores.


Carteira Smart Allocation – NMS

Confira a carteira completa

A carteira passou por ajustes na última atualização, com a retirada de AZIN11 e o aumento da exposição a PPEI11, PFIN11 e CPTI11. Voltada para investidores que buscam rentabilidade com risco moderado, a estratégia tem como objetivo superar o IMA-B no médio e longo prazo por meio de uma alocação focada em renda fixa e fundos incentivados.


Carteira Smart FIIs – NMS

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Na última atualização, a gestão reduziu a exposição a PVBI11 e VGIR11, enquanto aumentou as posições em GARE11 e MCCI11.

A Carteira é voltada para investidores que buscam renda passiva e valorização patrimonial por meio de fundos imobiliários. A estratégia utiliza análise fundamentalista e diversificação entre segmentos e regiões, com o objetivo de superar o IFIX no médio e longo prazo.


Carteira Max SmallCaps – NMS

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A Carteira Max SmallCaps passou por novos ajustes, com a entrada de JHSF3 no lugar de VULC3. Além disso, a gestão aumentou a exposição a MDNE3 e POMO4, enquanto reduziu as posições em AURA33, ORVR3 e BRBI11.


Carteira Max Dividendos – NMS

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A Carteira Max Dividendos passou por ajustes pontuais, com aumento das posições em PASS3 e TIMS3 e redução da exposição a BBSE3 e AXIA3.

A estratégia é voltada para investidores que buscam rentabilidade aliada à geração de renda passiva por meio de dividendos. O portfólio reúne empresas com histórico de distribuição consistente de proventos e geração previsível de caixa, com o objetivo de superar o Ibovespa no médio e longo prazo.


Carteira Max Ações – NMS

Confira a carteira completa

Na última atualização, a carteira trocou CEAB3 e MELI34 por BPAC11, EQTL3 e PETR4. Também reduziu a exposição em SAUD3, AXIA3, AURA33 e INBR32, enquanto aumentou a posição em BBDC4.

A Carteira Max Ações é voltada para investidores que buscam rentabilidade no longo prazo por meio de uma seleção diversificada de ações, baseada na estratégia do Tripé do Valor. O objetivo é superar o Ibovespa no médio e longo prazo, combinando empresas grandes, pagadoras de dividendos e small caps de diferentes setores.


Estratégia Barbell – NMS

Confira a carteira completa

A Estratégia Barbell da NMS combina segurança e potencial de crescimento ao dividir a carteira entre empresas maduras e pagadoras de dividendos (80%) e small caps com maior potencial de valorização (20%). Inspirada na teoria de Nassim Taleb, a estratégia busca equilibrar geração de renda, menor volatilidade e exposição a oportunidades de retorno mais elevado no longo prazo.

A seleção é baseada em fundamentos, priorizando empresas sólidas e excluindo companhias em situação de estresse financeiro.


Estratégia Renda Turbinada – NMS

Confira a carteira completa

A Estratégia Renda Turbinada da NMS combina ações e fundos imobiliários em uma alocação equilibrada de 50% para cada classe de ativo. O objetivo é unir geração de renda passiva recorrente, potencial de valorização patrimonial e diversificação, por meio de empresas maduras pagadoras de dividendos e FIIs de alta qualidade.

A estratégia busca oferecer pagamentos frequentes de proventos e maior eficiência tributária, com foco em retornos consistentes no médio e longo prazo.


Carteira Mensal Capita – Inter

Confira a carteira completa

Para junho, o Inter promoveu ajustes pontuais em sua carteira, com a saída de EcoRodovias, Localiza, SMAC11 e Berkshire Hathaway, e a entrada de Itaúsa, WEG, Nvidia e IVVB11. A substituição de Berkshire por Nvidia reflete uma aposta tática no tema de inteligência artificial, enquanto a inclusão do IVVB11 amplia a diversificação internacional e a exposição ao dólar.

A casa mantém uma postura cautelosa diante das incertezas globais e da saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira, priorizando ativos com fundamentos sólidos e potencial de geração de valor no longo prazo.


Carteira Small Caps – Inter

Confira a carteira completa

A Carteira Small Caps do Inter busca identificar empresas brasileiras com alto potencial de valorização no médio e longo prazo, combinando análise fundamentalista e técnica. A seleção prioriza companhias com bons fundamentos, perspectivas de crescimento, geração de caixa, valuation atrativo e posicionamento competitivo, além de sinais gráficos favoráveis.

A estratégia mantém um perfil dinâmico, focado em empresas menos exploradas pelo mercado e com potencial de crescimento acima da média, preservando a diversificação entre diferentes setores da economia.


Carteira Blue Chips – Inter

Confira a carteira completa

A Carteira Blue Chips do Inter é composta por empresas líderes de seus setores, com negócios consolidados, forte geração de caixa e maior previsibilidade de resultados. A seleção combina análise fundamentalista e técnica, priorizando companhias com liderança de mercado, solidez financeira, potencial de valorização e sinais gráficos favoráveis.

A estratégia tem perfil mais equilibrado e resiliente, focada em empresas de grande capitalização e ampla diversificação setorial, buscando reduzir riscos e gerar retornos consistentes no longo prazo.


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Tese de Selic alta ganha força

31 de Maio de 2026, 17:39

Recado do Beto Saadia

Realizamos um encontro para clientes Nomos com o Mauricio Moura, cientista político, pesquisador, e um dos nomes mais respeitados em análise eleitoral no Brasil.

Maurício fundou o Instituto IDEIA, referência em pesquisa de opinião e comportamento do eleitor.

Moura é cofundador do ASA Zaftra, o primeiro fundo multimercado com estratégia focada em eventos eleitorais. O fundo opera sob a premissa de que resultados eleitorais criam assimetrias de precificação nos mercados financeiros.

Nosso espaço lotou. Maurício descartou qualquer expectativa de análise simplória.

“A eleição de 2026 vai ser decidida por uma fatia de 3%-4% do eleitorado”, disse, algo em torno de 4 milhões de votos de pessoas fora das bolhas.

A parte que mais prendeu a atenção da plateia foi quando ele cruzou o universo da pesquisa eleitoral com o mercado financeiro.

Moura explicou a tese por trás do Zaftra, partindo da premissa de que 90% das eleições no mundo são definidas por margens de até quatro pontos percentuais, o que gera sistematicamente assimetrias de precificação que o mercado não captura com antecedência.

Para participar desses e outros eventos, seja cliente Nomos.


Agenda da semana (01 a 05 de junho)

A primeira semana de junho será marcada pela divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (payroll) e por uma série de indicadores de atividade econômica que podem influenciar as expectativas para a política monetária americana.

Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o payroll de maio mostre moderação na geração de empregos, sem indicar uma desaceleração relevante da economia. Além disso, os índices PMI, o Livro Bege do Fed e dados do mercado de trabalho ajudarão a calibrar as apostas dos investidores para os próximos passos dos juros americanos.

No Brasil, a agenda será vazia por causa do feriado de Corpus Christi, mas os investidores acompanharão a divulgação do Boletim Focus, da produção industrial de abril e da balança comercial de maio.


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Rentabilidade das principais classes em maio

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa encerrou a sétima semana consecutiva de baixa e entra em um momento decisivo do ponto de vista gráfico, segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research. “A semana que vem acaba sendo um divisor de águas”, afirma. De acordo com ele, a perda dos 172.600 pontos pode abrir espaço para uma queda mais acentuada, com alvos entre 166 mil e 161,5 mil pontos. Por outro lado, a superação da resistência em 177.900 pontos poderia favorecer uma recuperação em direção à faixa entre 184 mil e 189 mil pontos.

Nubank [ROXO34]

Entre as ações acompanhadas pela NMS Research, o Nubank encontra resistência na região de R$ 11,20 após várias tentativas frustradas de avanço. Borges afirma que a equipe encerrou uma operação de swing trade iniciada perto de R$ 10,40, realizando lucro superior a 5,5%. Segundo ele, um rompimento acima de R$ 11,21 pode abrir caminho para uma valorização até a faixa entre R$ 11,80 e R$ 12,20. Já uma perda do suporte em R$ 10,65 poderia levar o papel a testar novamente a mínima de R$ 9,98.

CVC [CVCB3]

Na CVC, o analista recomenda cautela. Borges observa que o papel saiu de um período de lateralização para uma forte pressão vendedora, acumulando queda de cerca de 34% em apenas três pregões, ao recuar de R$ 2,20 para R$ 1,45. Segundo ele, a perda da região de suporte em R$ 1,30 ampliaria o potencial de baixa da ação, com alvo técnico final próximo de R$ 0,60.

JSL [JSLG3]

Já para a JSL, a leitura permanece negativa. Borges avalia que o ativo segue em tendência de baixa e pode estar formando uma estrutura para fechamento de gap. Na visão do analista, existe espaço para recuo até a faixa entre R$ 5,30 e R$ 5,00, o que representaria uma desvalorização adicional de aproximadamente 16% a 21% em relação aos níveis atuais. Diante desse cenário, ele afirma não enxergar oportunidades atrativas de compra no papel neste momento e considera a perda dos R$ 6,30 como um sinal técnico para saída da posição e busca de alternativas no mercado.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Emerging Market equities: Brazil downgraded to neutral - UBS

Este relatório detalha o rebaixamento das ações brasileiras de “Atrativo” para “Neutro” pela UBS, justificado pela aproximação das eleições presidenciais de outubro. Os analistas explicam que o início do ciclo tradicional de volatilidade pré-eleitoral, somado a incertezas fiscais e a um ciclo de corte de juros mais curto e raso do que o previsto, limita o potencial de valorização dos ativos brasileiros no curto prazo

Confira o relatório completo

Pesquisa com Assessores XP

A nova edição da pesquisa com assessores e consultores da XP indica um aumento real nas fatias de alocação em ações após a última correção do mercado, embora o interesse em ampliar ainda mais essa exposição tenha desacelerado. O levantamento aponta que 75% dos respondentes pretendem manter suas posições atuais inalteradas, ao passo que o sentimento geral em relação à bolsa recuou para a nota 7,0 devido ao receio com a instabilidade política e os riscos fiscais no cenário doméstico. Como reflexo dessa postura defensiva, a renda fixa consolidou-se como a classe de ativos amplamente preferida pelos clientes, seguida por investimentos no mercado internacional.

Confira o relatório completo

WEG [WEGE3]: data centers e o ciclo de investimentos em IA - BTG Pactual

O BTG Pactual reitera a recomendação de compra para a WEG (WEGE3), com preço-alvo de R$ 65,00, ao demonstrar que a companhia está estrategicamente posicionada no centro do massivo ciclo global de gastos em infraestrutura de data centers impulsionado pela inteligência artificial. Embora o segmento represente atualmente de 3% a 5% do faturamento da empresa, o relatório prevê uma expansão acelerada sustentada pela oferta de transformadores de potência, alternadores de contingência e sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS). O estudo ressalta ainda que a divisão de Transmissão e Distribuição (T&D) nos Estados Unidos já possui cerca de 20% de sua carteira de pedidos atrelada a esses projetos, operando com margens acima da média consolidada do grupo.

Confira o relatório completo

GEM Monitor: LatAm overweight decreases amidst rotation to tech theme - Itaú BBA

Este relatório do Itaú BBA expõe uma redução de 0,54 ponto percentual na sobrealocação (overweight) de fundos ativos globais de mercados emergentes na América Latina ao longo de 2026, movimento provocado por uma rotação de capital em direção ao setor de tecnologia na Ásia. A despeito das realizações e da redução marginal de 30 pontos-base, a análise evidencia que o Brasil se sustenta de forma isolada como o país mais sobrealocado da região, retendo um peso absoluto de 5,35% nas carteiras. Na divisão setorial, o recuo mais acentuado ocorreu no segmento financeiro, enquanto o setor de energia se destacou positivamente, motivando sugestões táticas do banco como a compra de empresas brasileiras de utilidade pública e o incremento em bancos domésticos.

Confira o relatório completo


MÍDIAS DA SEMANA

Divulgação do nosso Estratégia Nomos de Maio.🔗 Leia o relatório completo

Why is the market so distorted? One reason is that there are now more ETFs than actively listed companies. Many of these ETFs own the same stocks, and when a sector is hot or not, investors pile into ETFs, creating distortions. Eventually, we will be down to 10 public companies and 10000 ETFs all owning the same stocks. (Okay, being a little facetious.)

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MEMOLOGY

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Esperando Trump declarar que não houve acordo no Irã

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Um olho nas eleições, outro na guerra

24 de Maio de 2026, 10:57

Recado rapido:

Evento com analista político Mauricio Moura, fundador do instituto Ideia

Evento presencial, não será gravado

Vagas Limitadas.


Agenda da semana (25 a 29 de maio)

No Brasil, o foco estará na prévia da inflação oficial, nos números fiscais e no PIB do primeiro trimestre. O comportamento da inflação de serviços e das expectativas de longo prazo seguirá no radar do Banco Central, enquanto a atividade econômica ainda deve mostrar resiliência, apesar dos sinais recentes de desaceleração. Já nos Estados Unidos, os investidores acompanharão a nova leitura do PIB do primeiro trimestre e o índice de preços PCE, principal medida de inflação monitorada pelo Federal Reserve.


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Rentabilidade das principais classes

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

Após seis semanas consecutivas de queda, o Ibovespa deu sinais de estabilização e encerrou a última semana com perdas mais moderadas do que as observadas recentemente. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento pode indicar o início de uma recuperação do mercado. “O Ibovespa muda um pouco o comportamento dos últimos dias, quando tivemos uma pressão vendedora muito grande, e fecha a semana perto da estabilidade”, afirma.

Segundo Borges, o longo período de correção aumenta as chances de uma reação dos ativos. “Depois de seis ou sete semanas de queda, a probabilidade de, no mínimo, uma correção desse movimento é maior”, diz. O analista destaca que algumas ações, especialmente do setor bancário, já demonstram ter encontrado níveis relevantes de suporte. Na sua avaliação, um rompimento da região dos 178.800 pontos pode abrir espaço para uma alta em direção à faixa entre 184 mil e 188 mil pontos. Por outro lado, a perda dos 173.500 pontos poderia levar o índice até 165.500 pontos, cenário que ele considera menos provável.

Nubank [ROXO34]

Entre os destaques da semana, as ações do Nubank apresentaram recuperação após encontrarem suporte em uma região técnica relevante do gráfico semanal. O papel encerrou o período em alta e demonstrou força compradora ao longo dos últimos pregões. “A correção está acontecendo com mais dificuldade, o que sinaliza que o ativo pode voltar a subir nos próximos dias”, avalia Borges. Para ele, o rompimento da faixa de R$ 11,15 pode abrir espaço para uma valorização entre R$ 11,80 e R$ 13,10.

Petrobras [PETR4]

Já Petrobras segue em um movimento lateral iniciado em março, mas com sinais de enfraquecimento da demanda compradora. De acordo com o analista, há uma importante região de suporte entre R$ 43,50 e R$ 43,80, onde se concentra grande volume de liquidez. “Vejo uma maior probabilidade de a Petrobras continuar seu movimento corretivo e fechar gap já no início da próxima semana”, afirma. Caso o suporte seja perdido, Borges projeta espaço para o fechamento de um gap na região de R$ 40,27.

Microsoft [MSFT]

No mercado internacional, a Microsoft continua com uma estrutura técnica considerada positiva. Após uma forte alta nas semanas anteriores, a ação passou a oscilar lateralmente, mas próxima das máximas recentes. Para Borges, esse comportamento reforça a tendência de continuidade do movimento de valorização. “Quando a Microsoft entrega um movimento de alta, geralmente ele continua e perdura por algumas semanas”, destaca. Segundo o analista, o rompimento dos US$ 433 pode impulsionar o papel para uma faixa entre US$ 465 e US$ 500 nas próximas semanas.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

IFIX em queda; HGBS11 e HGRU11 movimentam semana - XP

Este relatório analisa o desempenho do mercado de fundos imobiliários diante de um cenário macroeconômico de elevada aversão ao risco, inflação pressionada e abertura da curva de juros, o que levou o Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) a registrar uma queda de 0,76% na semana. A publicação detalha as correções nos segmentos de papel e de tijolo, destacando o comportamento defensivo do setor logístico e importantes movimentações corporativas, como as vendas de ativos rentáveis e acima dos laudos de avaliação realizadas pelos fundos HGRU11 e HGBS11.

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Educação: Resumo dos Resultados do 1T26 - BTG Pactual

A análise do BTG Pactual apresenta um balanço consolidado e desigual do setor educacional no primeiro trimestre de 2026, período marcado por ser o primeiro ciclo completo de captação sob o novo marco regulatório. O relatório evidencia receitas resilientes impulsionadas por reajustes de tickets e melhoria de mix em cursos presenciais e híbridos, os quais compensaram o forte arrefecimento nos volumes de alunos do ensino digital (EAD). Adicionalmente, destaca-se a pressão generalizada nos custos operacionais e regulatórios sobre as margens das companhias, ao mesmo tempo em que o setor demonstra uma forte e sólida geração de fluxo de caixa ao acionista.

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GPS (GGPS3): O ‘Sistema S’ e por que ele importa - BTG Pactual

Este documento serve como um guia preparatório para os investidores da GPS antes do julgamento da corte especial do STJ sobre a disputa tributária envolvendo o "Sistema S". O relatório do BTG Pactual esclarece os mecanismos regulatórios e os dois processos jurídicos em pauta, projetando os impactos financeiros e operacionais para a companhia de logística e terceirização de serviços. O banco mantém um viés levemente positivo para o caso, ressaltando que uma resolução favorável permitiria a reversão de uma provisão expressiva de R$ 755 milhões (17% da receita líquida do 1T) e eliminaria ruídos que afetam a qualidade do lucro líquido futuro da empresa.

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Localiza & Co (RENT3): Atualização após o 1T26 - BTG Pactual

Esta atualização de modelo analisa o forte desempenho da Localiza no primeiro trimestre, cujo lucro líquido superou as estimativas do BTG Pactual em 10%, impulsionado por reajustes tarifários eficientes e tendências consistentes na renovação da frota. O relatório discute a atual divergência entre os fatores macroeconômicos (adiamento no corte de juros) e os fatores microeconômicos (excelente execução operacional e normalização do mercado de seminovos), explicando a volatilidade recente das ações. Por fim, a análise reitera a recomendação de compra para o papel, projetando resiliência e geração de valor mesmo diante de desafios estruturais do setor e do avanço das montadoras chinesas no Brasil.

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MÍDIAS DA SEMANA

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A fase da lua influencia no mercado. Esse dado é insano.

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O que está impulsionando a liquidação no mercado de títulos?

20 de Maio de 2026, 11:48

por Robin J. Brooks, economista-chefe do Goldman Sachs.

Quando os mercados fazem movimentos bruscos, como o salto nos yields dos títulos públicos de longo prazo nesta semana, nunca faltam explicações posteriores tentando justificar o que provocou o movimento. O problema é que muitas dessas justificativas não servem como catalisadores, porque já eram conhecidas há bastante tempo - portanto, dificilmente são “novidade”.

Acho que o que está acontecendo é mais simples. Houve um descasamento nas curvas de juros: os yields de curto prazo passaram a precificar altas de juros pelos bancos centrais, enquanto os yields longos permaneceram relativamente ancorados. Esse descasamento era bastante incomum.

Normalmente, expectativas de aperto monetário elevam os yields ao longo de toda a curva, como ocorreu durante o choque inflacionário pós-Covid. À medida que o fechamento do Estreito de Ormuz se prolonga - sem perspectiva de solução — esse desequilíbrio se tornou cada vez mais insustentável. Por isso, nesta semana, estamos vendo os yields longos alcançando o que os juros de curto prazo já vinham precificando há algum tempo.

O principal fator por trás disso tudo é a duração do fechamento do Estreito de Ormuz. Se, por algum milagre, houver um acordo de paz e o tráfego de petroleiros voltar ao normal, os yields de curto e longo prazo cairão rapidamente. Portanto, não é inevitável que os yields longos continuem subindo.

Mas, se o cenário atual persistir, os yields de longo prazo ainda têm espaço para avançar. O salto desta semana representa, portanto, uma capitulação do mercado em relação à ideia de que esse conflito será resolvido rapidamente.

Cada um dos gráficos citados mostra a taxa básica do banco central (preto), o que o mercado futuro precifica para essa taxa até o fim de 2026 (azul), o yield dos títulos públicos de 10 anos (laranja) e o yield dos títulos de 30 anos (vermelho).

Os exemplos incluem EUA, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Suíça e Austrália. O ponto principal pode ser visto claramente no gráfico dos EUA. Entre 2022 e 2024, mudanças nas expectativas para o Fed rapidamente impactavam os yields de 10 e 30 anos. As linhas azul, laranja e vermelha se moviam praticamente em sincronia.

Isso deixou de acontecer recentemente - e é justamente essa distorção que o atual salto dos yields longos está corrigindo. Em diferentes graus, o mesmo vale para os demais países analisados.

Além disso,há mais fatores por trás da atual liquidação no mercado de títulos. Em alguns lugares, os bancos centrais vinham segurando artificialmente os yields longos. O principal exemplo é o Japão, mas o BCE também faz isso em países altamente endividados da periferia da Zona do Euro.

Esse é um fator estrutural separado que também pressiona os yields de longo prazo para cima - motivo pelo qual a liquidação desta semana está se espalhando a partir do Japão.

Esse texto é uma tradução e adaptação da Newsletter de Robin J. Brooks, economista-chefe do Goldman Sachs.

Nvidia fecha semana histórica de balanços nos EUA

17 de Maio de 2026, 18:14

Agenda da semana (18 a 22 de maio)

A semana de 18 a 22 de maio será marcada por indicadores de inflação e atividade econômica nas principais economias globais, além de eventos ligados ao setor de inteligência artificial. Nos Estados Unidos, o mercado acompanhará a ata da última reunião do Federal Reserve, os resultados da Nvidia e os dados de confiança do consumidor. Na Ásia, os destaques serão os números de atividade da China e os indicadores de inflação e crescimento do Japão.

Segundo Leandro Manzoni, analista de economia do Investing.com, a agenda internacional deve concentrar as atenções dos investidores diante da combinação entre inflação elevada, juros altos e incertezas sobre o ritmo da economia global. A leitura da ata do Fed deve mostrar divisões internas sobre o futuro da política monetária americana, enquanto o balanço da Nvidia será visto como um termômetro da demanda por inteligência artificial e investimentos em data centers.

No Brasil, os principais eventos serão a divulgação do IBC-Br de março e o novo Boletim Focus. O mercado também seguirá atento às expectativas para a Selic em 2026, em meio à pressão inflacionária causada pela alta do petróleo e ao debate sobre os impactos fiscais do cenário eleitoral.


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Rentabilidade das principais classes

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa encerrou mais uma semana pressionado e fechou próximo das mínimas recentes, segundo avaliação de Filipe Borges. O analista destacou que o índice entrou na faixa entre 180,5 mil e 175 mil pontos, considerada uma possível região de compra, mas afirmou que ainda falta um sinal mais claro de reversão. “Agora a gente precisa ver um sinal de reversão para pensarmos em compras”, disse. Borges alertou que, caso o Ibovespa perca os 175 mil pontos, o mercado pode acelerar as perdas em direção à região entre 166 mil e 168 mil pontos.

Petrobras [PETR4]

Para Petrobras, Borges avalia que o papel segue lateralizado, com suporte em R$ 43,60 e resistência próxima dos R$ 50,00. Segundo ele, o próximo movimento mais forte dependerá do rompimento de uma dessas faixas. “A perda do suporte abre espaço para quedas até R$ 38,00”, afirmou. Já um rompimento dos R$ 50,00 pode levar as ações para a região de R$ 56,70. O analista também recomenda cautela para investidores que acompanham a alta do papel desde os R$ 30,00. “Minha indicação é retirar o capital alocado e deixar apenas o lucro obtido”, acrescentou.

Vale [VALE3]

Na visão de Borges, Vale segue consolidada em um triângulo, com suporte em R$ 78,00 e resistência próxima de R$ 90,00. Para novas compras, o analista prefere aguardar um rompimento da tendência de baixa. “Se Vale subir de forma muito esticada até R$ 88 ou R$ 89, eu não sou comprador”, disse. Segundo ele, uma nova estrutura de alta poderia abrir espaço para um movimento em direção à faixa entre R$ 105 e R$ 110.

Bitcoin

No mercado de criptomoedas, Borges afirmou que o Bitcoin fechou a semana com sinal técnico negativo e que não vê oportunidade de compra no curto prazo. “Quem comprou abaixo dos US$ 75 mil deveria colocar o lucro no bolso e aguardar novas oportunidades”, afirmou. O analista vê espaço para novas correções e avalia que a criptomoeda pode voltar para abaixo dos US$ 70 mil, com possibilidade de testar a região entre US$ 55 mil e US$ 45 mil nos próximos meses.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Cenário Macro: Desequilíbrios mais persistentes – Santander

Impactado por um choque de petróleo mais prolongado, o Santander elevou a projeção do câmbio para R$ 5,40/US$ até o fim de 2026. A instituição alerta que, embora as commodities deem suporte ao real no curto prazo, a consequente pressão sobre os custos domésticos exigirá uma taxa Selic alta por mais tempo.

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Banco do Brasil (BBAS3): 1T26 fraco e guidance reduzido – BTG Pactual

Fruto de um primeiro trimestre abaixo do esperado, o Banco do Brasil teve seu guidance de lucro para 2026 cortado em 17% pelo BTG Pactual. O novo intervalo estimado (R$ 18 a R$ 22 bilhões) reflete o forte peso do custo de crédito e da inadimplência nos segmentos de consumo e agronegócio.

Confira o relatório completo

Market Overview – BTG Pactual

Dados de inflação acima do esperado nos EUA (CPI em 3,8%) azedaram o humor do mercado cripto, provocando uma queda de 1,65% na capitalização global e trazendo o Bitcoin de volta à faixa de US$ 80 mil. Em contrapartida, o relatório destaca a força das stablecoins na América Latina, cujo volume transacionado saltou 89%.

Confira o relatório completo

Food & Beverages: Brazil Food Inflation – Banco Safra

A aceleração da carne bovina contra o recuo das demais proteínas no IPCA de abril trouxe perspectivas mistas do Banco Safra para as empresas de alimentos. O cenário de preços descolados beneficia diretamente os frigoríficos Minerva e JBS, enquanto a desaceleração da cerveja residencial indica neutralidade para a Ambev.

Confira o relatório completo


MÍDIAS DA SEMANA

O experiente Jeffrey Currie, da Goldman Sachs, alerta para um superciclo de commodities em curso. Enquanto o capital corre para IA e tecnologia, a demanda explosiva dos hyperscalers por energia, cobre e moléculas colide com choques de oferta

Divulgação do nosso Estratégia Nomos de Maio.🔗 Leia o relatório completo

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US$500M de capex revelaram quem realmente alimenta a IA — e não é a Nvidia

16 de Maio de 2026, 14:01

A Energy Transfer, uma operadora de midstream dos EUA, elevou silenciosamente seu capex de 2026 em meio bilhão de dólares e atrelou cada centavo à demanda de data centers e energia impulsionada pela IA. Três bancos correram para elevar seus preços-alvo em duas semanas. Todos chamaram isso de "vento favorável da IA"… Esse enquadramento está errado, e a diferença entre "vento favorável" e "gargalo" é exatamente onde essa operação vive.


Quando a Energy Transfer divulgou os resultados do 1T26, elevou o guidance de EBITDA ajustado de 2026 para US$18,2–18,6 bilhões, ante uma faixa anterior próxima de US$17,45 bilhões. Ao mesmo tempo, elevou o capex de crescimento orgânico de 2026 de US$5–5,5 bilhões para US$5,5–5,9 bilhões — um salto de US$500 milhões colocado na mesa em um único trimestre.

A gestão não deixou margem para interpretação sobre o que está puxando esse crescimento.

As apresentações e a teleconferência explicitamente atribuíram o maior capex e o guidance mais forte para os próximos anos aos data centers e à geração de energia, com as cargas de trabalho de IA apontadas como o componente-chave do aumento incremental de demanda de gás.

Não foi um gasto genérico de crescimento disfarçado de linguagem da moda. Foi infraestrutura de gasodutos para mover mais moléculas para uma matriz energética pesada em IA.

O mercado leu isso como boas notícias.

UBS, JPMorgan e Raymond James elevaram os preços-alvo para a faixa de meados dos US$20 em duas semanas — dois bancos para US$24, um para US$26. Todos enquadraram como “vento favorável da IA”. Um vento favorável se dilui no consenso no momento em que todos concordam com ele. A surpresa de hoje vira o caso-base de amanhã, e o prêmio desaparece.


Por que isso não é um vento favorável?

A Energy Transfer é um gargalo físico de ator único em um insumo que a IA não consegue substituir nesta década: fornecimento de gás para energia firme.

Uma única empresa controla esse gasoduto, e o mercado está precificando isso de maneira completamente errada em termos de classe de ativos.

O erro de precificação não está no preço-alvo — que é razoável com base no guidance atual. O erro de precificação está no tipo de empresa que o mercado acredita que esta é.

A Energy Transfer possui o único caminho desbloqueado entre o Permian Basin e cada data center de IA nos EUA.

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Nubank: o trimestre certo na hora errada

15 de Maio de 2026, 15:18

O resultado do Nubank para o primeiro trimestre de 2026 chegou carregado de contradições. O lucro líquido de US$ 871 milhões — crescimento de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior e retorno sobre patrimônio (ROE) de 29,2% — seria, em qualquer outro contexto, motivo de celebração. Mas o mercado olhou para outro número: as provisões para perdas com crédito, que vieram 23% acima do que o JP Morgan estimava e cerca de 30% acima das projeções do BTG Pactual.

Assim que o balanço foi divulgado, após o fechamento do pregão na noite de quinta-feira, as ações do Nubank despencaram no after hours de Nova York, chegando a cair 9,44%. Na abertura de sexta-feira, a ação americana NU recuava 8,62%, negociada a US$ 11,82, enquanto o BDR ROXO34 chegava a cair mais de 5% na B3. Investidores fizeram o que o BTG Pactual descreveu com precisão no título de seu relatório: “Shoot first, ask questions later” — atirar primeiro, perguntar depois.

A questão que analistas colocam agora é: o mercado errou a mira?

O que assustou o mercado

O centro do desconforto está na inadimplência de curto prazo. A taxa de NPL entre 15 e 90 dias subiu 90 pontos-base no trimestre — acima do padrão histórico de sazonalidade de cerca de 70 pontos-base citado pela própria empresa no ano passado. Para um mercado já nervoso com a qualidade de crédito no Brasil — o resultado do Banco Inter no início de maio, com ações despencando mais de 10%, deixou os investidores em alerta máximo —, o número soou como confirmação de um ciclo se deteriorando.

Em pesquisa do Bank of America divulgada em abril, quase 90% dos investidores institucionais já declaravam preocupação com a trajetória da inadimplência ao longo de 2026. A alíquota efetiva de imposto de renda de apenas 9% no trimestre — bem abaixo da faixa de 15% a 20% sinalizada anteriormente — também gerou desconforto, criando dúvida sobre a sustentabilidade do número.

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A outra leitura dos mesmos dados

Os analistas do JP Morgan foram diretos: os resultados parecem fracos à primeira vista, mas o miss no lucro antes de impostos foi impulsionado por provisões mais altas de forma deliberada — a empresa provisionou cerca de 150% da formação de novos créditos problemáticos e construiu reservas maiores. Em outras palavras: o Nubank não está reconhecendo perdas que já aconteceram. Está antecipando perdas que podem vir, numa postura conservadora que fortalece o balanço.

Na call de resultados, a gestão foi enfática: não há deterioração de portfólio. O aumento nas provisões tem três componentes — sazonalidade, crescimento da carteira e mudança no mix para produtos de maior rendimento. A empresa ainda reforçou que, se tivesse crescido os empréstimos no ritmo projetado pelo consenso, teria superado as estimativas de lucro.


Receitas sólidas, eficiência melhorando

Enquanto as provisões dominaram o noticiário, os números de receita passaram quase despercebidos. A receita líquida de juros cresceu 64% na comparação anual, 7% acima das estimativas do JP Morgan. A margem financeira subiu 160 pontos-base no trimestre, para 21,1%. As tarifas e o volume de transações em cartões também superaram projeções.

No lado dos custos, o índice de eficiência melhorou para 21% no trimestre, ante 23% no período anterior. O BTG Pactual calculou que, excluindo os investimentos em retorno ao escritório, expansão nos EUA e inteligência artificial, a eficiência chegaria a 16,6% — posicionando o Nubank entre os bancos mais eficientes do mundo. A empresa fixou ainda um compromisso público: os investimentos na operação americana não ultrapassarão 100 pontos-base no índice de eficiência consolidado em 2026 e 2027.

O ciclo de crédito: risco real, mas gerenciável

A narrativa de qualidade de crédito não vai desaparecer do radar dos investidores tão cedo. Mesmo o BTG Pactual reconhece que o mercado provavelmente precisará de alguns trimestres de tendências mais estáveis no custo de risco antes de se sentir confortável novamente.

Mas há elementos estruturais relevantes. O prazo médio da carteira não garantida é de apenas 6,8 meses, o que permite ao banco reagir rapidamente a mudanças no perfil de risco. E a empresa projeta melhora gradual ao longo do ano: na call, executivos indicaram que o custo de risco deve recuar da faixa de 20% atual para cerca de 15% ao final de 2026 — o que abrirá espaço para recuperação relevante na margem ajustada ao risco, atualmente em 9,5%.


Tese intacta, mas paciência necessária

O Nubank encerrou o trimestre com 135 milhões de clientes, crescimento de 14% ao ano, e já detém cerca de 18% de participação no mercado de cartões de crédito no Brasil — ganhando share por 14 trimestres consecutivos. O México atingiu o break-even operacional pela primeira vez, reforçando o potencial de crescimento da operação internacional.

Para o JP Morgan, investidores de longo prazo deveriam aproveitar a fraqueza para comprar: as receitas vieram melhores do que o esperado e a empresa tem um balanço mais forte agora para navegar a incerteza. Após as quedas desta semana, o papel negocia a múltiplos consideravelmente mais atrativos do que o histórico recente.

O BTG Pactual sintetiza bem o momento: a tese de longo prazo segue intacta, mas no curtíssimo prazo os investidores parecem estar atirando primeiro e perguntando depois. A pergunta que fica é se, quando pararem para perguntar, vão gostar das respostas. Os analistas apostam que sim.

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O Brasil está espremido entre o petróleo caro e a eleição mais incerta em anos

13 de Maio de 2026, 15:48

O JP Morgan elevou suas projeções de inflação e juros para o Brasil em dois relatórios divulgados esta semana, pintando um quadro mais difícil para a economia brasileira no segundo semestre. O choque do petróleo, a pressão sobre alimentos e bens importados, e a incerteza eleitoral formam uma combinação que deve manter o Banco Central em modo cauteloso por mais tempo do que o mercado esperava.

Inflação maior, cortes menores

O banco revisou sua projeção para o IPCA de 2026 de 4,3% para 4,8%, e elevou a estimativa para 2027 de 3,2% para 3,6%. A principal explicação está na alta de alimentos e bens não-alimentares, pressionados por preços mais elevados no exterior — reflexo de um conflito geopolítico que mantém o petróleo em torno de US$ 100 por barril.

Apesar de o governo ter conseguido segurar o repasse do choque do petróleo aos combustíveis, por meio de subsídios ao diesel e à gasolina, as pressões inflacionárias encontraram outros canais. O IPCA saiu de 3,8% antes do conflito para 4,4% no mês passado, impulsionado sobretudo por alimentos e bens industrializados. E a inflação de serviços segue elevada, alimentada por um mercado de trabalho ainda apertado e por mecanismos de indexação da economia.


Selic mais alta por mais tempo

Diante desse quadro, o JP Morgan revisou também sua trajetória esperada para a taxa Selic. O banco passou a projetar que os juros terminarão 2026 em 13,25% — com o Banco Central mantendo o ritmo de cortes de apenas 25 pontos-base por reunião, sem aceleração à vista.

A projeção contraria o que o mercado chegou a precificar em cortes mais rápidos. Para o banco, o Banco Central vai usar o espaço que ainda tem — dado o nível ainda restritivo dos juros — para continuar reduzindo a Selic gradualmente, mas sem pressa. Um risco de pausa total no ciclo de afrouxamento existe caso os efeitos inflacionários do conflito se prolonguem além do esperado.

O cenário-base do banco assume que o Estreito de Ormuz — ponto estratégico para o comércio global de petróleo — seja reaberto em cerca de um mês. Se isso não ocorrer, a situação pode se deteriorar mais.

Crescimento ainda positivo, mas desacelerando

Apesar do ambiente adverso, o JP Morgan revisou levemente para cima o crescimento do PIB de 2026, de 1,2% para 1,5%, após um primeiro trimestre mais forte do que o esperado. O Brasil se beneficia de ser exportador líquido de petróleo — cada alta de 10% no Brent adiciona entre 0,1 e 0,2 ponto percentual ao crescimento, e melhora o resultado fiscal e a conta corrente.

A conta corrente, por exemplo, deve melhorar de um déficit de 3% do PIB para 2,3% em 2026. E o real, cotado ao redor de R$ 4,89, tem ajudado a amortecer parte das pressões inflacionárias vindas do exterior.

Ainda assim, o banco espera desaceleração no restante do ano, em função da política monetária ainda contracionista. E alerta que o estímulo fiscal e creditício do governo — que inclui programas de renegociação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais — pode sustentar a atividade no curto prazo, mas cria riscos baixistas para o crescimento de 2027.


Governo apaga incêndio com dinheiro do petróleo

Para lidar com o choque, o governo Lula montou uma série de medidas de contenção. Além dos subsídios a combustíveis, estuda-se uma mudança na lei de responsabilidade fiscal para 2026 que permitiria usar receitas extraordinárias do petróleo para cortar impostos. O problema, aponta o JP Morgan, é que isso poderia eliminar justamente o ganho fiscal que o país obtém com o petróleo caro — estimado em 0,2% a 0,3% do PIB para cada alta de 10% no Brent.

No campo do crédito, o programa Desenrola e outras iniciativas de renegociação de dívidas buscam aliviar o endividamento das famílias com custo fiscal direto reduzido. Mas para reformas estruturais mais profundas avançarem, o banco avalia que seria necessário engajamento do Executivo — o que, num ano eleitoral, parece pouco provável.

Eleição esquenta e mercados ficam nervosos

A política também pesa sobre o cenário. As pesquisas mostram um empate técnico entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro, com o candidato da oposição tendo leve vantagem nas simulações de segundo turno. O JP Morgan classifica a corrida eleitoral como uma disputa 50/50 — e avalia que esse grau de incerteza vai continuar gerando volatilidade nos ativos brasileiros.

Historicamente, o Brasil tende a ter desempenho inferior nos seis meses que antecedem eleições, um padrão que o banco acredita estar se repetindo. A popularidade do presidente Lula não cresceu apesar de dados econômicos positivos no início do ano, o que sugere uma tendência estrutural de rejeição ao incumbente.

Dois fatores amenizam o quadro para os ativos: o ciclo de afrouxamento monetário ainda em curso e um real forte, que oferece algum colchão de desempenho para investidores estrangeiros.


Fluxo estrangeiro recua, mas interesse no Brasil persiste

Após meses de entrada de recursos, o fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira virou negativo desde meados de abril, com saídas acumuladas de R$ 12 bilhões. O banco, no entanto, pondera que esse movimento não é específico do Brasil — há um recuo geral nos fluxos para mercados emergentes, que saíram de US$ 86 bilhões no ano até o pré-conflito para US$ 70 bilhões atualmente.

Parte da rotação saiu em direção a ações de tecnologia, beneficiando mercados como Coreia do Sul, Taiwan e o Nasdaq americano. Outros fatores incluem um Fed mais hawkish, um payroll americano robusto e o próprio real já apreciado, que reduz o potencial de ganho cambial adicional para investidores externos.

Ainda assim, o interesse estrutural no Brasil se mantém. O banco destaca que investidores estrangeiros enxergam o país — e a América Latina em geral — como uma espécie de porto relativamente seguro e uma forma de diversificação em relação aos mercados emergentes dominados por tecnologia. No médio prazo, porém, o JP Morgan projeta que as ações brasileiras devem andar de lado, sem grandes catalisadores de alta até que o cenário eleitoral e monetário se torne mais claro.

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TotalPass deixa de ser aposta e vira motor de lucro da Smart Fit [SMFT3]

11 de Maio de 2026, 16:27

Por anos, o TotalPass foi visto pelo mercado como uma variável secundária da tese de investimento em Smart Fit, uma espécie de “opcionalidade” que poderia ou não se concretizar. Os resultados do primeiro trimestre de 2026 parecem ter mudado esse diagnóstico de forma bastante clara.

A plataforma de benefícios corporativos encerrou o trimestre com 2,1 milhões de clientes no Brasil e no México, alta de 24% sobre o trimestre anterior. No Brasil, a rede parceira ultrapassou 34 mil academias e estúdios (+47% ao ano), com presença em quase 2 mil cidades. No México, a base atingiu mais de 9 mil unidades (+45% ao ano). O BTG Pactual, em relatório publicado nesta semana, resume o cenário de maneira direta: a questão não é mais se a plataforma consegue escalar, mas se essa escala se traduz em melhor monetização ao longo do tempo.

"O TotalPass é um flywheel estratégico. A rentabilidade de curto prazo pode parecer inferior à do modelo B2C, mas o poder de geração de lucro no médio prazo melhora se a plataforma continua crescendo, o desconto se comprime e a utilização preenche capacidade incremental", BTG Pactual, no relatório “More than a pass: scaling unto valuation”.

O "segmento Outros" que surpreendeu o mercado

O segmento contábil chamado de “Others”, que consolida TotalPass Brasil, TotalPass México, Queima Diária, Studios e FitMaster, registrou receita líquida de R$ 192,9 milhões no 1T26, representando 9% da receita consolidada (ante 6% no 1T25). O crescimento foi de 102% na comparação anual.

Mais relevante do que a expansão de receita foi o comportamento da rentabilidade. O lucro bruto em caixa do segmento avançou 137% ao ano, com a margem bruta atingindo 85,7%, expansão de 13,3 pontos percentuais frente ao mesmo período do ano anterior. O principal driver foi o TotalPass Brasil, que também foi o fator central para que a empresa superasse as estimativas de margem no trimestre.

A queda de membros no Brasil que, na verdade, é boa notícia

Um dos dados que chamou atenção nos resultados foi a redução de 2% ao ano na base de membros das academias próprias no Brasil. A administração da Smart Fit atribuiu esse movimento ao aumento da participação do TotalPass nos seus próprios espaços: os usuários do TotalPass não entram na contagem oficial de membros, mas seus check-ins geram receita para as academias próprias da companhia.

O BTG destaca que, no 1T26, o aumento trimestral de participação do TotalPass nas academias próprias foi o maior registrado nos últimos três anos. No México, os check-ins do TotalPass representaram uma parcela de tráfego aproximadamente 40% maior do que sua parcela de receita nessas unidades, o que evidencia que a monetização por visita ainda tem espaço para crescer.

Em termos de receita por visita, a análise proprietária do BTG mostra que o TotalPass passou de cerca de 0,73x da média do canal B2C em 2024 para aproximadamente 0,80x em 2025. O tracker atualizado com dados de maio de 2026 aponta que o ticket médio ponderado pela distribuição de academias parceiras entre os planos subiu de R$ 174,1 (abril) para R$ 175,1 (maio), com leve migração para planos de maior valor.

"A monetização pode melhorar não apenas por aumentos de preço, mas também via alocação de planos, mix de check-ins e migração de academias de maior qualidade para faixas de maior valor", BTG Pactual, no relatório “More than a pass: scaling unto valuation”.

Resultado consolidado: acima das estimativas

A receita líquida consolidada do 1T26 somou R$ 2,1 bilhões, alta de 25% ao ano, em linha com as projeções do BTG. O EBITDA ajustado ficou em R$ 672 milhões (+29% ao ano; 3% acima do estimado), com margem expandindo 100 pontos-base. O lucro líquido ajustado chegou a R$ 207 milhões (+47% ao ano). O fluxo de caixa livre foi de R$ 85 milhões no período (ante R$ 41 milhões no 1T25), com a geração de caixa operacional convertendo 95% do EBITDA.

O banco atualizou suas projeções para a companhia, elevando o preço-alvo de R$ 30 para R$ 31 por ação para o final de 2026. A recomendação segue sendo de compra. A ação encerrou o pregão de 9 de maio a R$ 20,22, o que implica um potencial de valorização de 53% até o preço-alvo do BTG.

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NACHO trade é a aposta de que o Estreito de Hormuz não reabre

10 de Maio de 2026, 12:32

Copa do Mundo 2026: passagem, hotel e ingresso para o trader que operar melhor.


Nacho Trade

Wall Street inventou mais um acrônimo para traduzir o mercado: NACHO, sigla para “Not A Chance Hormuz Opens” (nenhuma chance de Hormuz reabrir). Popularizado pelo colunista da Bloomberg Javier Blas, o termo reflete o ceticismo crescente de que os esforços diplomáticos consigam resolver o impasse entre EUA e Irã sobre o estreito

O Brent ainda opera acima dos US$ 100, mais de 38% acima dos níveis anteriores ao conflito. O NACHO trade aposta que seguradoras não cobrirão navios no Estreito, que o petróleo seguirá caro, sustentando a inflação e impedindo o Fed de cortar juros. O JP Morgan alerta (gráf abaixo) que os estoques comerciais globais devem atingir níveis críticos de estresse operacional em meados de junho.

Reflexos para o Brasil

Petróleo persistentemente alto favorece a Petrobras e o saldo comercial brasileiro no curto prazo. Para o Copom, petróleo caro é pressão inflacionária direta via combustíveis e frete, reduzindo o espaço para cortes na Selic.

Quem perde com o NACHO na B3

O NACHO trade tem vítimas na bolsa brasileira. Aviação lidera os prejudicados. GOL e Azul absorvem o choque do querosene com balanços já fragilizados. O varejo alavancado, como Magazine Luiza, sofre com a Selic bloqueada pela inflação do petróleo. Incorporadoras como MRV e Cyrela perdem com o crédito imobiliário mais caro. Frigoríficos pagam mais pelo frete global.

Agenda da semana (10 a 15 de maio)

A próxima semana será marcada pela divulgação de dados de inflação no Brasil, nos Estados Unidos e na China, além do encontro entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder chinês Xi Jinping, em Pequim.

Os investidores também acompanham a reta final da temporada de balanços no Brasil, com resultados de empresas como Petrobras, Banco do Brasil, BTG Pactual, Natura e Nubank.


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Rentabilidade das principais classes

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa entrou em um movimento corretivo após atingir a primeira região de “order block” destacada na semana passada, sem passar por uma realização mais consistente anteriormente. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o cenário ainda aponta para espaço adicional de queda no curto prazo. “Acredito que ainda nos próximos dias poderemos ver o mercado mais para baixo, entre 180,5 mil e 175 mil pontos”, afirmou. Segundo ele, o momento favorece operações mais defensivas e atenção para papéis com viés vendedor. “Estou de olho nas ações que apresentam uma característica mais vendedora para aproveitar essas movimentações”, disse.

Bitcoin

No mercado de criptomoedas, Borges avalia que o Bitcoin segue pressionado no gráfico semanal, mesmo após uma recuperação recente em formato de canal de alta moderada. O analista destaca que o movimento atual repete padrões observados em ciclos anteriores após fortes quedas. “O candle atual remete mais a uma fraqueza no movimento de alta”, afirmou. Com isso, ele não recomenda novas compras nos níveis atuais e orienta investidores que entraram abaixo de US$ 75 mil a proteger ganhos. “Sugiro apertar o stop ou até colocar o lucro no bolso, porque ainda vejo maior probabilidade de o Bitcoin testar a faixa entre US$ 62 mil e US$ 60 mil nas próximas semanas”, avaliou.

Petrobras [PETR4]

As ações da Petrobras entraram em consolidação após a forte valorização registrada no início do ano. Borges lembra que já monitorava uma possível realização abaixo da faixa de R$ 46,00 e afirma que o papel não conseguiu sustentar novas máximas recentes. “Já são seis semanas de consolidação, e vejo maior probabilidade de a Petrobras voltar a cair e corrigir”, disse. Na avaliação do analista da NMS Research, o ponto de entrada mais atrativo para compra estaria entre R$ 38,00 e R$ 35,00. “Para quem aproveitou a alta recente, entendo que existem oportunidades com uma relação risco-retorno melhor neste momento”, acrescentou.

Banco do Brasil [BBAS3]

No caso do Banco do Brasil, Borges vê continuidade do movimento de baixa após a correção observada nos últimos meses. O analista aponta que a região entre R$ 21,00 e R$ 21,50 concentra uma importante área de suporte, mas alerta para a formação de liquidez excessiva no patamar. “Temos muitos fundos nivelados nessa faixa, o que representa uma construção de liquidez muito forte”, explicou. Para ele, a melhor região para observar oportunidades de compra estaria entre R$ 20,50 e R$ 19,70. Borges também recomenda cautela para quem já está posicionado no papel. “Abaixo de R$ 21,60, eu sairia da posição e aguardaria oportunidades melhores”, concluiu.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Cenário Macro: Maio de 2026 - BTG Pactual

O BTG Pactual projeta um cenário externo desafiador com o petróleo acima de US$ 100/barril, mas vê o Brasil bem posicionado devido ao seu superávit comercial recorde. A projeção para o câmbio foi revisada para R$ 4,90/US$, refletindo melhores termos de troca e um diferencial de juros favorável, enquanto o déficit primário deve se manter estável em 0,4% do PIB.

Confira o relatório completo

Brazil & LatAm Equity Strategy: It's a Long Way to The Top - Itaú BBA

O Itaú BBA mantém recomendação Overweight para o Brasil, com um preço-alvo que sugere retorno total de 20% ao ano, apoiado em valuation atraente (9,1x P/L) e crescimento de lucros em setores domésticos e financeiros. Entre as principais escolhas (top picks) estão Equatorial, Axia Energia e Multiplan, com foco em empresas de alta qualidade e ativos de infraestrutura.

Confira o relatório completo

Capital Goods: WEG - Banco Safra

O Banco Safra atualizou as estimativas para a WEG [WEGE3] com um novo preço-alvo de R$ 53,60, mantendo a recomendação Neutra devido ao crescimento limitado no curto prazo e múltiplos considerados justos. O relatório destaca um corte nas projeções de receita e lucro após um 1T26 mais fraco e analisa os impactos potenciais de novas tarifas de importação nos EUA.

Confira o relatório completo

Raio-XP Brasil: Maio 2026 - XP Investimentos

A XP elevou o valor justo do Ibovespa para 205 mil pontos ao final de 2026, fundamentada na melhora da dinâmica de lucros das empresas brasileiras. Apesar da correção recente causada pela rotação global para tecnologia e IA, a corretora segue construtiva com o Brasil e atualizou suas carteiras incluindo nomes como TOTS3 e GGBR4.

Confira o relatório completo


MÍDIAS DA SEMANA

MEMOLOGY

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Copa do Mundo 2026: passagem, hotel e ingresso para o trader que operar melhor

8 de Maio de 2026, 14:20

Em maio, o mercado financeiro vai ganhar ares de Copa do Mundo. O Seleção Trader é uma competição gratuita de simulação de operações que vai reunir traders de todo o Brasil em uma disputa por um prêmio inédito: uma viagem completa para assistir a um jogo das Oitavas de Final da Copa do Mundo 2026, no BC Place, em Vancouver, no Canadá.

Passagens internacionais, quatro dias de hospedagem em hotel de alto padrão com tudo incluso, ingressos oficiais e logística completa, o time campeão não precisa se preocupar com nada além de operar bem.

Como funciona a competição

O campeonato é dividido em duas etapas:

1ª Etapa — Classificatória (15/05) Aberta a todos os inscritos. Cada participante opera individualmente e seus resultados contam para o ranking do time escolhido. Os quatro melhores resultados líquidos de cada time avançam para a fase seguinte.

2ª Etapa — Eliminatórias (19/05 a 25/05) Formato mata-mata com confrontos diretos entre os times. O resultado coletivo é a soma das operações dos quatro classificados.

Times, mentores e estratégia

Cada participante escolhe um dos oito times, cada um liderado por um influenciador trader de referência no Brasil. Esse influenciador é o seu mentor — e a escolha, vale avisar, é definitiva. Uma vez no time, não há troca.

Existe também o Time Mundo, uma opção diferente: sem mentor fixo no início, o capitão é definido pelo desempenho. O competidor que ficar em primeiro lugar escolhe quem vai ser o técnico das próximas fases. Pura meritocracia.

As regras técnicas que você precisa saber

As operações são simuladas com ativos reais, todas realizadas dentro do horário do pregão regular da B3, na plataforma Profit Pro da Nelogica — a plataforma oficial do campeonato.

Os ativos permitidos e suas exposições máximas são:

  • Mini Dólar: até 10 contratos

  • Mini Índice: até 20 contratos

  • Futuro de Bitcoin: até 20 contratos

Operações fora do horário ou fora da plataforma não são contabilizadas.


Para quem já opera ou quer testar suas habilidades em um ambiente competitivo com ativos reais, o Seleção Trader é uma oportunidade concreta de medir seu desempenho contra outros traders, aprender com mentores de referência no mercado — e, quem sabe, embarcar para o Canadá em maio.

As inscrições vão até 12 de maio. As vagas são limitadas por time. Clique aqui e garanta a sua participação.

Nubank lidera ranking de preferência entre investidores, mas resultado do Banco Inter acende alerta no mercado

7 de Maio de 2026, 15:15

O Nubank (ROXO34) assumiu o topo do ranking de preferência entre investidores institucionais no setor financeiro brasileiro, segundo pesquisa de sentimento divulgada pelo Bank of America (BofA) em 28 de abril. A fintech registrou um dos maiores saltos de posicionamento no primeiro trimestre de 2026 e agora figura como a ação mais comprada no setor — título que coloca ainda mais expectativa sobre o balanço do 1T26, previsto para 14 de maio, após o fechamento do mercado americano.

O levantamento, que ouviu 30 investidores locais e globais entre 16 e 26 de abril, traça um panorama em que o otimismo com a bolsa brasileira como um todo convive com cautela crescente em relação ao setor bancário. A preocupação central é a qualidade dos ativos — e o resultado do Banco Inter (INBR32) divulgado nesta quarta-feira (7) serviu de alerta vivo para o mercado.

BofA aponta Nubank como novo favorito; BTG e Itaú completam o pódio

No levantamento do BofA, o Nubank substituiu o BTG Pactual (BPAC11) no posto de ação mais detida pelos gestores no setor financeiro. O BTG e o Itaú Unibanco (ITUB4) se mantêm como segundo e terceiro colocados, respectivamente. Bradesco (BBDC4) e B3 (B3SA3) avançaram e ocupam agora a quarta e quinta posições.

Na ponta oposta, Banco do Brasil (BBAS3) e BB Seguridade (BBSE3) continuam sendo os nomes com maior posicionamento vendido. Santander Brasil (SANB11) e Caixa Seguridade (CXSE3) também tiveram aumento relevante de posições “short”.

A pesquisa também revela que as preferências mudam conforme o cenário macroeconômico. Em um ciclo de afrouxamento monetário, os investidores privilegiam XP, BTG e B3. Em um ambiente de juros altos por mais tempo (”higher for longer”), o Itaú desponta como o nome mais seguro. O Nubank e o BBDC aparecem como opções em ambos os cenários de corte de juros.

Ordem de posicionamento nas financeiras brasileiras pelos investidores pesquisados [Fonte: Bank of America Research]

Quase 90% dos investidores preocupados com inadimplência

O ponto de maior atenção no relatório do BofA é a qualidade dos ativos. Quase 90% dos entrevistados disseram estar preocupados com a trajetória da inadimplência ao longo de 2026. A divisão, porém, é quase exata: metade acredita que a deterioração já está precificada nas estimativas de consenso; a outra metade entende que o mercado ainda não incorporou o risco plenamente.

Para o Nubank especificamente, os investidores apontam o crescimento das operações no México como o principal catalisador positivo. Outros fatores monitorados de perto incluem a expansão nos EUA, a evolução da inadimplência no Brasil e o sucesso no lançamento de novos produtos financeiros.

Inter cai mais de 10% após balanço do 1T26: um termômetro para o setor

O cenário de preocupação com inadimplência ganhou concretude nesta quarta-feira com o resultado do Banco Inter. O banco reportou lucro líquido de R$ 394,8 milhões no 1T26 — alta de 5,4% em relação ao trimestre anterior e de 37,8% na comparação anual, praticamente em linha com as estimativas do BTG Pactual (R$ 393 milhões), o que implica um ROE de 15,5%.

No entanto, o aumento da inadimplência assustou os investidores. O índice de NPL acima de 90 dias subiu 40 pontos-base no trimestre, chegando a 5,1%. O NPL antecipado (acima de 15 dias) avançou 60 pontos-base, para 4,6%. A gestão do banco atribuiu o movimento a fatores sazonais, ao crescimento do portfólio de crédito consignado privado e a efeitos do ciclo de crédito.

As ações chegaram a recuar 10,12%, a R$ 34,80, na primeira metade do pregão — um sinal claro de que o mercado está com pouquíssima tolerância a surpresas negativas em qualidade de crédito.

Para o BTG Pactual, o resultado do Inter é “amplamente em linha” e confirma a melhora consistente de rentabilidade, mas reconhece que o banco vive um “limbo narrativo temporário”. A casa mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 60,00, destacando que o Investor Day do Inter, marcado para 11 de maio em Nova York, será uma oportunidade importante para a companhia realinhar as expectativas do mercado.

O que esperar do Nubank no 1T26

Com o balanço do Nubank marcado para a noite de 14 de maio, os analistas do JP Morgan — que têm recomendação de overweight para o papel — projetam lucro recorrente de US$ 879 milhões no trimestre, o que representaria crescimento de 70% na comparação anual e um ROE próximo de 30%.

Os principais pontos a serem monitorados no balanço são:

  • Crescimento da carteira de crédito: o JP Morgan estima expansão de 46% na base anual, com ganho de participação do crédito sem garantia (unsecured)

  • Inadimplência: o primeiro trimestre historicamente é mais fraco para NPLs antecipados — o mesmo padrão sazonal que afetou o Inter nesta semana. O debate em torno da qualidade de crédito no Brasil tende a tornar esse indicador o mais escrutinado do balanço

  • México: dados regulatórios mostram carteira crescendo 6% no trimestre, com inadimplência comportada — o principal vetor de crescimento da fintech no médio prazo

  • Eficiência: 2026 é considerado um ano de investimentos pelo Nubank. O JP Morgan projeta leve melhora de cerca de 200 pontos-base no índice de eficiência no 1T26, parcialmente influenciada pela sazonalidade

  • Imposto de renda efetivo: o JP Morgan projeta alíquota efetiva de 22%, ligeiramente acima do que parte do mercado precifica (abaixo de 20%), o que pode fazer com que o lucro antes de impostos do banco fique mais alinhado ao consenso do que o lucro líquido

O JP Morgan aponta que suas estimativas ficam 5% abaixo do consenso para o trimestre — o que sinaliza que qualquer surpresa positiva tem potencial para impulsionar o papel.

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Carteiras sugeridas para maio

4 de Maio de 2026, 16:26

O Seleção Trader é uma competição gratuita de simulação de operações que vai reunir traders de todo o Brasil em uma disputa por um prêmio inédito: uma viagem completa para assistir a um jogo das Oitavas de Final da Copa do Mundo 2026, no BC Place, em Vancouver, no Canadá.

Passagens internacionais, quatro dias de hospedagem em hotel de alto padrão com tudo incluso, ingressos oficiais e logística completa, o time campeão não precisa se preocupar com nada além de operar bem.

clique na imagem abaixo para participar


Carteira Max Ações – NMS Research

Confira a carteira completa

A NMS Research realizou ajustes pontuais em sua Carteira Max Ações, encerrando a posição em #AZZA3 e adicionando a Odontoprev [#ODPV3]. Além disso, a casa optou por reduzir levememente a exposição em #CXSE3 e #AXIA3. O portfólio, que busca superar o Ibovespa no médio e longo prazos, segue a metodologia do "Tripé do Valor", equilibrando Large caps, pagadoras de dividendos e Small caps.


Carteira Renda Total – XP

Confira a carteira completa

A XP promoveu mudanças táticas em sua Carteira Renda Total para maio, com destaque para a inclusão do #KNRI11 (+3,0%). A equipe de análise também ampliou as posições em #RBRX11, #VISC11 e #RBRR11, enquanto reduziu a exposição em fundos como #HFOF11 e #RZAG11. O objetivo é reforçar a participação em ativos com perfil defensivo e carrego atrativo, reduzindo o peso naqueles que já atingiram preços esticados.


Radar de Preferências – Itaú BBA

Confira a carteira completa

Para o mês de maio, o Itaú BBA promoveu quatro alterações estratégicas em seu Radar de Preferências. No setor de Construção Civil, a Moura Dubeux [#MDNE3] entra no lugar da Cyrela [#CYRE3]. Em Bens de Capital, a Marcopolo [#POMO4] substitui a WEG [#WEGE3], enquanto no setor de Consumo, a Panvel [#PNVL3] ocupa a vaga da Vivara [#VIVA3]. Por fim, a Gerdau [#GGBR4] passa a integrar a lista no lugar da Vale [#VALE3], reforçando as 20 melhores ideias de investimento da casa para o período.


Carteira de Ganho de Capital – XP

Confira a carteira completa

Focada em oportunidades de valorização, a carteira de FIIs da XP para maio ampliou a exposição ao #VISC11 (+1,0 p.p.) em detrimento do #HFOF11. Segundo a análise, o fundo de shoppings apresenta uma assimetria positiva no curto prazo e potencial de elevação de rendimentos via ganhos de capital na reciclagem de ativos. No último ano, a carteira acumula uma valorização de 17,9%, superando tanto o IFIX quanto o CDI no período.


Carteira Dividendos – Santander

Confira a carteira completa

O Santander atualizou sua Carteira Dividendos para maio com a inclusão da Vibra [#VBBR3]. Em contrapartida, deixam o portfólio os ativos BTG Pactual [#BPAC11], Vivo [#VIVT3], Alupar [#ALUP11], Copel [#CPLE6], Vale [#VALE3] e Cury [#CURY3]. A estratégia foca em empresas de baixa volatilidade e baixo endividamento, buscando superar o Ibovespa no longo prazo através da combinação de proventos atrativos e ganho de capital.


Carteira Viva de Renda com FIIs - XP

Confira a carteira completa

A casa manteve a carteira inalterada para o mÊs de maio. O portfólio, desenhado para investidores com maior tolerância ao risco, utiliza modelos estatísticos para identificar ativos com baixa volatilidade no pagamento de proventos, liquidez elevada e crescimento de patrimônio líquido. A estratégia foca na potencialização da renda mensal através de uma alocação dinâmica entre os segmentos de papel, tijolo, híbridos e fundos de fundos (FoFs).


Top Dividendos Plus – XP

Confira a carteira completa

A incorporadora Plano & Plano [#PLPL3] passa a integrar o grupo dos 10 nomes recomendados pela XP, ocupando a vaga deixada pela Cyrela [#CYRE3]. Segundo a equipe de análise, a troca foi fundamentada em dados de consenso da LSEG, que apontam um dividend yield mais atrativo e uma melhora nas expectativas para a Plano & Plano, enquanto a Cyrela apresentou deterioração nas projeções de rendimento e nas avaliações de mercado.


Top Ações Globais – XP

Confira a carteira completa

A XP optou por não realizar mudanças em sua carteira Top Ações Globais para o mês de maio. A decisão fundamenta-se na solidez dos ativos selecionados, que apresentaram um desempenho expressivo de 7,8% em abril. Embora o resultado tenha ficado ligeiramente abaixo do índice de referência (iShares MSCI ACWI ETF), os analistas acreditam que o portfólio atual segue alinhado com as perspectivas para o cenário internacional, mantendo os fundamentos das teses de investimento originais.


Top Dividendos Globais – XP

Condira a carteira completa

A estratégia de dividendos internacionais da XP para maio traz como principal novidade a inclusão da Lockheed Martin [#LMT], com peso de 2,5%. A corretora identifica um ponto de entrada atrativo após a ação retornar aos múltiplos de 2025. O movimento busca captar o aumento estrutural nos gastos militares globais, intensificado pelos conflitos recentes no Oriente Médio e na América do Sul, que fortalecem o setor de defesa. A carteira, que seleciona ativos listados nos EUA com distribuição contínua de proventos, mantém uma exposição geográfica diversificada, destinando 27,5% à Europa e 5,0% à Ásia-Pacífico.

Realização de lucros em Dell e desempenho superior

Para acomodar a nova posição, a XP reduziu a fatia da Dell [#DELL] para 2,5%. A decisão reflete uma realização parcial de lucros após o papel disparar 67,3% em 2026, com os analistas avaliando que a relação risco-retorno tornou-se menos favorável após o rali. Em termos de performance, o portfólio global superou significativamente seu benchmark (iShares Select Dividend ETF) em abril, registrando alta de 5,5% contra 2,7% do índice de referência. Atualmente, a carteira mantém posições acima da média em Materiais, Financeiro e Saúde.


Carteira Fundamentalista de FIIs – XP

Para o mês de maio, a equipe de análise da XP promoveu uma reciclagem estratégica em sua carteira recomendada de fundos imobiliários. O movimento central foi a redução da alocação em fundos de papel, como CPTS11, MCCI11 e RBRR11, visando capturar novas oportunidades em ativos reais. Com os recursos liberados, a corretora incluiu o KNRI11 e o HGBS11 no portfólio, reforçando a exposição a tijolo com foco em ativos de alta qualidade, baixa volatilidade e fundamentos sólidos. Além disso, a posição no KNCR11 foi ampliada em 2,0 pontos percentuais.


Top Small Caps – XP

A XP renovou sua seleção de Small Caps para maio com as entradas de Alupar [#ALUP11] e BR Partners [#BRBI11]. No movimento de saída, a Inter [#INBR32] e a Direcional [#DIRR3] deixaram o portfólio. A corretora justificou a retirada da Direcional, somada à redução de peso na Cury [#CURY3], como uma estratégia para diminuir a exposição ao segmento de baixa renda no curto prazo, citando um cenário de maior incerteza e riscos setoriais crescentes para as construtoras residenciais.

Marcopolo e 3tentos ganham espaço na estratégia

Buscando uma postura mais defensiva, a XP elevou as participações de Marcopolo [#POMO4] e 3tentos [#TTEN3]. A fabricante de ônibus é vista como um ativo resiliente, com margens saudáveis no exterior que protegem os resultados contra revisões negativas do setor. Já a 3tentos permanece como a principal escolha da casa no agronegócio. Além disso, a Bemobi [#BMOB3] teve seu peso aumentado, enquanto a Aura Minerals [#AURA33] sofreu nova redução para realização de lucros após a recente valorização das ações.


Carteira Top Dividendos - XP

A XP promoveu uma troca estratégica no setor de óleo e gás em sua carteira de dividendos, inserindo a PRIO [#PRIO3] com peso de 5%. A petroleira é vista como o veículo ideal para capturar o ciclo de alta da commodity, dado o seu recorde de produção, o que deve impulsionar o retorno via dividendos e recompras. Para abrir espaço para o novo papel, a exposição em Petrobras [#PETR4] foi levemente reduzida para 10%. A B3 [#B3SA3] também perdeu participação no portfólio, que agora busca nomes com maior capacidade de geração de caixa imediata e distribuição de lucro recorde.


Carteira Top Ações - XP

A XP Investimentos atualizou sua carteira recomendada com as entradas de Gerdau [#GGBR4], Embraer [#EMBR3] e Totvs [#TOTS3]. No caso da Gerdau, o banco vê um momentum operacional sólido na América do Norte e melhora de rentabilidade no Brasil. Já a Embraer entra para aproveitar uma oportunidade de valuation, após a ação performar abaixo de seus pares globais. Para abrir espaço, a Aura Minerals [#AURA33] foi removida para realização de lucros.

A corretora também promoveu ajustes técnicos de exposição. O peso da Lojas Renner [#LREN3] foi reduzido de 10% para 5%, visando diminuir a presença no setor de varejo. A B3 [#B3SA3] também teve sua fatia cortada no portfólio. As mudanças refletem uma busca por ativos com geração de caixa resiliente e maior proteção em setores industriais e de tecnologia.


Small Caps - BTG Pactual | Maio

Confira a carteira completa

O BTG Pactual atualizou sua carteira de Small Caps para maio com a inclusão de Bemobi [#BMOB3] e Sanepar [#SAPR11]. As ações entram no portfólio nos lugares de GPS [#GGPS3] e C&A [#CEAB3], que foram retiradas nesta revisão. Segundo o banco, a Bemobi apresenta uma combinação rara de crescimento de dois dígitos, rentabilidade e retorno ao acionista, sendo negociada a múltiplos atrativos (12x lucro 2026). A expectativa é de que a companhia reporte crescimento superior a 15% no primeiro trimestre, impulsionada pelos segmentos de Pagamentos e SaaS.

Potencial de valorização da Sanepar supera 50%

A inclusão da Sanepar é fundamentada pelo baixo valuation, com a ação negociada a 0,8x EV/RAB. O BTG destaca que o papel teria um potencial de re-rating superior a 50% caso passasse a ser negociado a 1x o valor da sua base de ativos regulatórios. Analistas do banco apontam que o principal gatilho para 2026 será político, com a corrida pelo governo estadual podendo reacender discussões sobre maior eficiência operacional ou privatização.


10SIM – BTG Pactual | Maio

Confira a carteira completa

O BTG Pactual optou por manter a carteira 10SIM praticamente inalterada para o mês de maio. O banco reitera que o mercado brasileiro segue atrativo para o capital estrangeiro, sustentado por valuations baixos (P/E projetado de 8,8x) e pelo papel do país como exportador líquido de petróleo, o que oferece proteção contra conflitos no Oriente Médio. A casa destaca ainda que, apesar da redução no ritmo de queda dos juros, o Brasil mantém uma trajetória clara de cortes no curto prazo.

Totvs [#TOTS3] entra no lugar de Itaú [#ITUB4]

A Totvs [#TOTS3] é a única novidade do portfólio neste mês, substituindo o Itaú [#ITUB4]. Após uma queda de 25% no ano devido a temores globais sobre o impacto da IA, o BTG vê a ação negociada próxima ao piso histórico de valuation (15x P/E 2027). O banco acredita que desenvolvedoras de ERP estão protegidas pela relação profunda com seus clientes. Para viabilizar a entrada, o Itaú foi removido em uma movimentação tática para reduzir a exposição a grandes bancos.

Foco em juros e exposição bancária restrita ao Nubank [#ROXO34]

Com a saída do Itaú, o Nubank [#ROXO34] passa a ser o único representante do setor financeiro na carteira, com 10% de peso. A estratégia geral permanece equilibrada, mas com foco em teses sensíveis à queda de juros, destinando 25% do portfólio para empresas de fluxo de caixa de longa duração, representadas por Localiza [#RENT3] e Motiva [#MOTV3].

Manutenção em Commodities, Utilities e Real Estate

O banco manteve 15% de exposição em Petróleo e Gás via Petrobras [#PETR4]. No setor de energia, Axia [#AXIA3] e Eneva [#ENEV3] somam 20% da carteira. O segmento imobiliário e de shoppings segue com 10%, distribuídos entre Cury [#CURY3] e Allos [#ALOS3], enquanto a Embraer [#EMBR3] garante a exposição industrial e cambial com 10%.

Relatório Mensal de Alocação referente ao mês de Abril/26

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Balanços e mais balanços na semana

3 de Maio de 2026, 15:10

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Agenda da semana (4 a 8 de maio)

Os dados de emprego de abril nos Estados Unidos concentram as atenções na próxima semana e devem orientar as apostas para a política monetária do Federal Reserve. A avaliação, segundo Leandro Manzoni, do Investing, é que um mercado de trabalho equilibrado, sem aceleração ou deterioração brusca, pode permitir ao Fed administrar as expectativas de inflação sem mudanças imediatas nos juros, mesmo com a pressão recente do petróleo causada pelo conflito no Irã.

No Brasil, a ata do Copom será o principal evento. O documento deve detalhar o tom mais duro adotado pelo Banco Central após o corte de 25 pontos-base na Selic. O mercado busca sinais sobre uma possível interrupção do ciclo de ajustes, diante da combinação de atividade econômica resiliente, inflação em serviços e expectativas desancoradas.


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Rentabilidade das principais classes

Fluxo de capital estrangeiro B3


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa registra um movimento de repique no curto prazo, mas sem sinal de entrada consistente de liquidez, segundo Filipe Borges. “O mercado não apresentou uma liquidez prévia que sustentasse esse avanço, então vejo esse movimento mais como um repique”, afirma. De acordo com o analista técnico da NMS Research, o índice pode encontrar resistência na faixa de 188.400 pontos e ainda há risco de perda dos 181 mil pontos. “A faixa entre 175 mil e 179 mil pontos surge como uma possível região de compra nos próximos dias”, diz.

Petrobras [PETR4]

As ações da Petrobras operam em lateralidade entre R$ 43,80 e R$ 50,00, enquanto o petróleo volta a indicar recuperação. Borges avalia que um rompimento da resistência pode abrir espaço para valorização adicional. “Se superar os R$ 50,00, o papel pode buscar entre R$ 56,00 e R$ 57,00, replicando a amplitude dessa consolidação”, afirma. Segundo ele, o nível de proteção para a operação ficaria abaixo de R$ 43,70. “Esse é o ponto que invalida a estrutura de alta no curto prazo”, acrescenta.

Vale [VALE3]

Os papéis da Vale apresentam tendência de queda no gráfico semanal após uma valorização acumulada relevante. Borges destaca que o ativo subiu cerca de 90% antes de iniciar o movimento de correção. “Vejo grande probabilidade de rompimento da mínima em R$ 74,00, o que reforça o cenário de continuidade da queda”, afirma. Para o analista, oportunidades de entrada aparecem apenas em níveis mais baixos. “As regiões de compra ficam entre R$ 62,50 e R$ 55,00, e quem está posicionado pode considerar realizar lucro na próxima oportunidade”, diz.

Bitcoin

O Bitcoin segue em movimento corretivo iniciado na semana passada, com possibilidade de novas quedas no horizonte, de acordo com Borges. “Ainda há espaço para o ativo recuar até a faixa de 80 mil a 82 mil dólares, mas isso faz parte de uma correção dentro de uma tendência maior”, afirma. No entanto, o analista alerta para risco de intensificação da baixa. “A perda dos 68 mil dólares indicaria reversão de tendência e poderia levar o preço a testar a região dos 60 mil dólares”, diz. Ele aponta ainda a faixa entre 81 mil e 83 mil dólares como zona de realização para investidores posicionados.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Brazilian Utilities: 1Q26 Earnings Preview - XP

A XP Investimentos projeta resultados operacionais sólidos para distribuidoras como Axia e Energisa, enquanto o segmento de geração deve apresentar um desempenho misto devido ao curtailment e aos preços spot. A Sabesp segue em trajetória de melhora, com preço-alvo ajustado para R$ 31,50.

Confira o relatório completo

Bradsaúde - Itaú BBA

A Bradsaúde teve sua recomendação elevada para Compra pelo Itaú BBA, com preço-alvo de R$ 19,00 para o final de 2026. O upgrade reflete a retomada no ganho de participação de mercado nas principais capitais brasileiras, impulsionada principalmente pela estratégia de expansão hospitalar via Atlântica D'Or. Com um controle mais rígido de fraudes e redução de reembolsos, a rentabilidade da operação de seguros atingiu um ROE de 38%, superando os patamares pré-pandemia. Negociada a 10x P/E para 2026, a ação é vista como atrativa, com projeção de lucro líquido de R$ 4,2 bilhões e um dividend yield estimado em 7% para o período.

Confira o relatório completo

Decisão do COPOM de Abril - BTG Pactual

O Copom reduziu a taxa Selic em 25 pontos-base, para 14,50% a.a., em uma decisão que o BTG Pactual considerou mais dovish do que o esperado pelo mercado. O comitê manteve a sinalização de continuidade do ciclo de ajustes, frustrando parte dos investidores que previa uma indicação de pausa para a próxima reunião. Embora a projeção de inflação para o horizonte relevante tenha subido para 3,5%, o BC minimizou o dado devido à elevada incerteza externa e aos conflitos no Oriente Médio. O cenário-base do banco projeta um novo corte de 25 pb em junho, mas ressalta que o espaço para reduções totais em 2026 pode encurtar caso a desancoragem das expectativas persista.

Confira o relatório completo

Investment Manager Survey - Itaú BBA

O sentimento em relação às ações brasileiras permanece majoritariamente positivo, embora tenha apresentado uma leve moderação em comparação ao final de 2025. Segundo a nova edição do Investment Manager Survey do Itaú BBA, o otimismo domina 77,6% dos investidores consultados, que projetam o Ibovespa acima dos 212 mil pontos até o fim de 2026.

Confira o relatório completo


MÍDIAS DA SEMANA

MEMOLOGY

Chris Waller é membro do FED

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BofA eleva alerta para inflação no Brasil e aponta riscos persistentes apesar de alívio no IPCA-15

29 de Abril de 2026, 16:03

O Bank of America (BofA) elevou o sinal de alerta para a trajetória da inflação no Brasil, apontando que, embora o IPCA-15 de abril tenha apresentado um resultado abaixo do esperado, os riscos de alta permanecem acentuados para 2026 e 2027.

O relatório semanal divulgado nesta quarta-feira destaca que a surpresa positiva no índice oficial foi sustentada por quedas pontuais em passagens aéreas e aluguéis, o que mascara uma deterioração nos núcleos de inflação e um aumento desconfortável no índice de difusão.

Diante desse cenário de pressões subjacentes persistentes, a instituição manteve sua projeção para o IPCA em 5,5% ao final de 2026 e 4,68% em 12 meses, termiando em março de 2027.

Inflação implícita (breakeven) versus a mediana da projeção de inflação do Focus para os próximos 12 meses [Fonte: Bank of America Research]

O monitoramento ressalta que a política de combustíveis e o setor de energia voltaram ao centro das atenções como os principais vetores de volatilidade. O governo busca aprovar no Congresso um projeto de lei que permite cortes temporários em impostos sobre combustíveis para mitigar eventuais reajustes da Petrobras, mas os analistas do banco avaliam que tal medida deve apenas compensar, e não eliminar, o impacto dos preços mais altos ao consumidor.

Somado a isso, a confirmação da bandeira tarifária amarela para o mês de maio e o agravamento dos riscos climáticos causados pelo El Niño trazem preocupações adicionais sobre o custo da energia e dos alimentos, com reflexos que podem se estender até o início de 2027.

No mercado financeiro, a percepção de risco é evidenciada pela ampliação da distância entre as projeções do Boletim Focus e as taxas implícitas de inflação, que subiram para 5,54% na última semana.

Esse hiato crescente sugere que os investidores estão incorporando um prêmio de risco considerável, refletindo a incerteza sobre o cumprimento das metas. Para o Banco Central, o relatório indica um horizonte de política monetária mais rígido, com o BofA elevando sua estimativa de inflação no período relevante do Copom de 3,3% para 3,5%, mesmo em um contexto de maior apreciação do real.

Diferença entre a BEI e as expectativas de inflação para os próximos 12 meses [Fonte: Bank of America Research]

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Canetas emagrecedoras reaqueceram o setor farmacêutico — e o JP Morgan tem uma favorita na bolsa

28 de Abril de 2026, 14:57

O boom dos remédios para emagrecer não dá sinais de arrefecimento — e está redesenhando o mapa do varejo farmacêutico brasileiro. Em relatório publicado nesta segunda-feira (27), o JP Morgan traça o panorama para a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 e conclui que o setor mantém momentum positivo, com uma vencedora clara entre as cobertas: a RD Saúde [RADL3].

GLP-1 como protagonista

Os dados de mercado da IQVIA mostram que o crescimento do varejo farmacêutico ficou em 14,8% no 1T26 em termos anuais — número robusto, mas que esconde uma aceleração importante no fim do período. Em março, as vendas nas drogarias dispararam 20,4% na comparação anual, puxadas pela normalização do fornecimento de tirzepatida (Mounjaro), medicamento para obesidade que havia sofrido com escassez de estoques.

Para o JP Morgan, o dado de março indica crescimento estrutural — não efeito sazonal. A bank vê RD Saúde e Pague Menos [PGMN3] como as empresas mais bem posicionadas para capturar esse movimento, dada a maior exposição de ambas ao segmento de emagrecimento.

RD Saúde: a top pick do banco

A RD Saúde é a escolha preferida do banco no setor. Para o 1T26, o JP Morgan projeta crescimento de vendas brutas de 22% na base anual pro-forma (excluindo a 4Bio), chegando a R$ 12 bilhões, com SSS consolidado de 15,3%. A margem EBITDA ajustada deve avançar 70 bps na comparação anual, a 6,9%, sustentando crescimento de EBITDA de 35%, a R$ 840 milhões.

O banco mantém preço-alvo em R$ 28/ação para dezembro de 2026 e rating Overweight, destacando o valuation atrativo de 18,4x P/L para 2027 combinado com CAGR de lucro por ação de 20% em cinco anos.

Hypera: resultados fracos à vista, mas tese de longo prazo intacta

Do lado oposto, a Hypera [HYPE3] deve entregar o resultado mais fraco do grupo no trimestre. O JP Morgan projeta receita líquida de R$ 2 bilhões e lucro líquido de R$ 296 milhões — cerca de 10% abaixo do consenso de mercado. O problema central é o mix desfavorável de produtos e a fraqueza persistente no mercado institucional, além de a empresa ainda não ter presença relevante no segmento de GLP-1.

Ainda assim, o banco mantém Overweight (compra) em HYPE com preço-alvo de R$ 33/ação — um upside de 40% em relação ao preço atual. O argumento é valuation: as ações negociam a 8,5x/6,7x P/L para 2026/2027, e o banco vê o papel como o melhor “value play” do setor, com perspectiva de melhora de resultados no segundo semestre com a chegada do semaglutide genérico.

Pague Menos e os demais

A Pague Menos mantém a classificação Underweight (venda). O banco reconhece a melhora de produtividade das lojas — que atingiu R$ 815 mil mensais por loja, em linha com os maiores players do setor — mas segue preocupado com o fluxo de caixa pressionado pelo endividamento. Para o 1T26, o banco projeta SSS de 14,9% e crescimento de receita bruta de 17%, a R$ 4,2 bilhões.

Blau Farmacêutica [BLAU3] deve reportar recuperação no trimestre após um 4T25 fraco impactado por atrasos em licitações públicas, mas o banco vê momentum de curto prazo limitado. Já a Viveo [VVEO3] apresenta melhora operacional insuficiente para compensar a alavancagem elevada de 6x Dívida Líquida/EBITDA, com previsão de prejuízo líquido até 2029.

Genéricos ganham espaço

Outro dado relevante do relatório: os genéricos continuam ganhando participação de mercado. No 1T26, responderam por 30,6% do total de vendas do setor, ante 28,7% um ano antes. O movimento é positivo para as drogarias — que se beneficiam de margens brutas maiores nessa categoria — mas representa vento contrário para laboratórios farmacêuticos, que enfrentam mais competição e tickets médios menores.

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Super Quarta em tempos de guerra

26 de Abril de 2026, 16:02

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Agenda da semana (26 de abril a 1 de maio)

A próxima semana será marcada por decisões de juros nas principais economias, com expectativa de manutenção das taxas no exterior e novo corte no Brasil. O ambiente segue pressionado pelo conflito no Oriente Médio, que mantém o petróleo em alta e amplia incertezas sobre inflação e crescimento global.

De acordo com Leandro Manzoni, economista do Investing, o foco dos mercados estará nos comunicados dos bancos centrais. A avaliação é que o choque de preços ainda é visto como temporário, mas pode se tornar mais persistente dependendo da duração do conflito e das restrições no Estreito de Ormuz.

No Brasil, o Copom deve cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, mantendo discurso cauteloso diante das expectativas de inflação desancoradas. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve manter os juros, enquanto Europa, Reino Unido e Japão também tendem a adotar postura de espera.

A agenda da semana traz o IPCA-15 de abril no Brasil, além de dados fiscais, bancários e de emprego. Nos Estados Unidos, o destaque é o PIB do primeiro trimestre e o índice de inflação PCE.

A temporada de balanços também avança, com resultados de grandes empresas de tecnologia no exterior. No Brasil, divulgam números companhias como Vale, WEG, Gerdau e Santander Brasil.


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Rentabilidade das principais classes


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa se aproxima da faixa de suporte entre 185 mil e 190 mil pontos, após uma sequência de realização de lucros nas últimas sessões. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento atual ainda não configura reversão de tendência. “O mercado segue acima de uma linha de tendência de alta e a correção ocorre de forma lenta, o que reforça um cenário de ajuste e não de mudança estrutural”, afirma. O índice acumulou forte alta em um curto período e, desde então, passa por cerca de dez dias de acomodação. Para Borges, “essa dinâmica indica muito mais uma realização após a alta recente do que uma reversão consistente”. Em caso de retomada do movimento positivo, ele aponta que o Ibovespa pode buscar novamente os 200 mil pontos, com possíveis extensões até 205 mil e 210 mil.

Banco do Brasil [PETR4]

As ações do Banco do Brasil operam em uma região que ainda não apresenta sinal claro de entrada, na avaliação do analista. O papel gira próximo de R$ 22,72, mas a maior concentração de volume está entre R$ 21 e R$ 22. “Graficamente, não vejo uma boa oportunidade de compra nesse patamar atual, pois ainda falta uma mudança de comportamento nos tempos gráficos menores”, diz Borges. Ele explica que uma eventual entrada exigiria confirmação de tendência de alta em gráficos intradiários. “Antes disso, o ativo pode buscar liquidez em fundos anteriores na região de R$ 20,80 a R$ 20,90”, acrescenta. O analista afirma que só consideraria compra após essa confirmação, com alvo projetado em torno de R$ 27,50.

Bitcoin

O Bitcoin se mantém na parte superior de um canal de alta, mas apresenta sinais de perda de força no curto prazo. Borges avalia que há espaço para consolidação ou correção, com possíveis recuos para a faixa entre US$ 68 mil e US$ 69 mil. “O ativo não conseguiu sustentar a tentativa de rompimento dos US$ 81 mil e US$ 82 mil e passou a respeitar um canal corretivo”, afirma. Para o analista, o cenário atual reduz a atratividade para novas compras. “Não vejo oportunidade de entrada neste momento; quem comprou em níveis mais baixos pode considerar realizar parte dos lucros ou retirar o capital investido”, diz.

Plano&Plano [PLPL3]

Já os papéis da Plano&Plano seguem em tendência de baixa no gráfico semanal, sem sinais de suporte relevante no curto prazo. Borges projeta possibilidade de novas quedas até a região entre R$ 7,00 e R$ 7,15. “A ação perdeu referências importantes de suporte, o que indica a necessidade de stop imediato para posições compradas”, afirma. Segundo ele, uma eventual reavaliação de compra só faria sentido nesses níveis mais baixos. “Caso surja um setup de venda com boa relação risco-retorno no caminho, a estratégia pode ser explorar a continuidade do movimento de queda até esse objetivo”, conclui.

Relatórios da semana

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MÍDIAS DA SEMANA

Sunny Madra é, de longe, um dos empreendedores mais impressionantes da nossa geração

Brad Gerstner se senta com Sunny Madra na Universidade de Stanford para discutir a economia dos chips de IA, GPUs, NVIDIA e tokens. Sunny cofundou a Xtreme Labs, vendida para a Pivotal. Fundou a Autonomic, vendida para a Ford. Fundou a Definitive Intelligence, vendida para a Groq. A Groq foi adquirida pela NVIDIA na maior operação de M&A da história da empresa, avaliada em US$ 20 bilhões.

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Bank of America tem um alerta para investidores em prata

24 de Abril de 2026, 11:46

O Bank of America (BofA) apresentou uma das projeções mais audaciosas para o mercado de commodities, estimando que o preço da prata pode oscilar entre US$ 135 e US$ 309 por onça até o fim de 2026. O cenário baseia-se em um descolamento das previsões conservadoras de Wall Street, fundamentado na correção da relação histórica entre ouro e prata e no déficit estrutural do metal.

A relação ouro-prata como gatilho de valorização

Atualmente, a relação entre os dois metais está próxima de 59 para 1. Segundo Michael Widmer, chefe de metais do BofA, uma volta a patamares históricos exigiria uma forte reprecificação:

  • Cenário de US$ 135: Ocorre se a relação recuar para 32:1 (nível de 2011), com o ouro próximo de US$ 5.000.

  • Cenário de US$ 309: Um horizonte extremo onde a relação atinge 14:1, repetindo o padrão registrado em 1980 durante o episódio dos irmãos Hunt.

Apesar do teto otimista, o banco ressalta que a prata tende a superar o desempenho do ouro em 2026, mesmo que não atinja os valores máximos projetados.

Déficit de oferta e demanda industrial em transformação

O mercado físico atua como uma mola propulsora para os preços. O Silver Institute prevê o sexto ano consecutivo de déficit global em 2026.

Fatores de pressão no mercado:

  1. Escassez na produção: Queda no teor de minério e ausência de novos projetos estruturais.

  2. Novos motores de demanda: Embora o setor solar tenda a reduzir o uso do metal, a demanda será sustentada por Data Centers, Infraestrutura de Inteligência Artificial (IA) e a indústria automotiva.

  3. Estoques em queda: Registros em Londres mostram retração, com taxas de aluguel da prata atingindo 39% em 2025, sinalizando um possível aperto de liquidez.

Volatilidade e consenso de Wall Street

O histórico recente da prata confirma sua natureza volátil. Em janeiro de 2026, o metal atingiu US$ 121,67 antes de sofrer uma correção de 36%, recuando para a faixa dos US$ 81.

Enquanto o Bank of America trabalha com hipóteses de estresse, o consenso geral de Wall Street permanece moderado, com estimativas variando entre US$ 79 e US$ 90. Para que o cenário do BofA se concretize, será necessária a convergência de quatro fatores: ouro em alta, oferta limitada, demanda industrial resiliente e forte entrada de fluxos via ETFs e contratos futuros.

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JP Morgan rebaixa Klabin e elege Suzano como "Top Pick"

23 de Abril de 2026, 11:09

O banco JP Morgan revisou suas projeções para o setor de papel e celulose na América Latina, sinalizando que os preços da fibra curta estão próximos de um pico cíclico. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a instituição financeira consolidou a Suzano como sua principal escolha (Top Pick), ao mesmo tempo em que rebaixou a recomendação da Klabin de compra para neutra, citando ventos contrários nos preços da fibra longa e a ausência de catalisadores operacionais no curto prazo.

A análise aponta que, embora os preços da commodity tenham sido impulsionados por uma oferta restrita e inflação de custos, o cenário global agora enfrenta ventos contrários provenientes de uma mudança no sentimento do mercado. O conflito no Oriente Médio alterou abruptamente a dinâmica de preços, injetando cautela entre os compradores e elevando incertezas sobre fretes e custos de insumos.

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Suzano: Potencial de valorização de 56%

A Suzano permanece como a única empresa do setor com recomendação de “Overweight” (compra) pelo banco. O preço-alvo para o final de 2026 foi ajustado para R$ 74,00 (ante R$ 81,00 anteriormente), principalmente devido a revisões nas projeções de câmbio.

A tese de investimento na companhia baseia-se em dois pilares principais:

  • Projeto Cerrado: A entrada em operação deste projeto deve elevar significativamente os volumes de produção e reduzir o custo caixa.

  • Geração de Caixa: Com a conclusão dos grandes investimentos, o banco espera uma redução substancial nas despesas de capital (capex), o que beneficiará o fluxo de caixa livre e o retorno ao acionista.

Klabin: Rebaixamento e falta de gatilhos

A Klabin teve sua recomendação reduzida para “Neutral” (manutenção), com o preço-alvo caindo de R$ 26,00 para R$ 22,00. Os analistas do JP Morgan argumentam que o sólido desempenho operacional da empresa já está refletido no preço atual das ações. Além disso, a fraqueza nos preços da fibra longa (softwood) e a ausência de novos catalisadores na unidade de papel limitam o potencial de valorização no momento.

Não vemos nenhum catalisador que afete o EBITDA da Klabin nos próximos cinco anos [Fonte: JP Morgan Research]

Panorama de preços e mercado global

O banco projeta que a fibra curta atinja um pico de aproximadamente US$ 615 por tonelada no segundo trimestre de 2026, o que representa uma alta de 9% em relação ao início do ano. No entanto, a resistência dos compradores na China e a demanda mais fraca por papel devem limitar novas altas, levando a um platô seguido de normalização moderada durante os meses de verão no Hemisfério Norte.

Para 2027, a estimativa média de preço para a celulose de fibra curta é de US$ 600 por tonelada. O JP Morgan destaca que a China continua sendo o principal fator de incerteza estrutural, à medida que o país busca equilibrar a celulose importada com a substituição por produção doméstica.

Quanto aos outros players da região, as chilenas CMPC e Copec mantêm recomendação neutra, afetadas por restrições de fluxo de caixa decorrentes de ciclos intensos de investimento. Em um segmento distinto, a Dexco segue com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 7,50.

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A armadilha do “bolsa-dívida”

20 de Abril de 2026, 17:12

Eu li a expressão “bolsa-dívida” na coluna da Maria Cristina Fernandes, no Valor Econômico da última quarta-feira. A matéria dizia “Não há espaço fiscal para uma bolsa-dívida.” Ela descreve o impasse em que o Brasil se encontra. O governo precisa aliviar o endividamento recorde das famílias, mas não tem como bancar esse alívio sem expandir ainda mais o déficit fiscal.

Esse governo ficará marcado pela expansão do crédito para a baixa renda como motor de crescimento. O desemprego caiu para mínimas históricas, o PIB surpreendeu positivamente e o índice de miséria (soma de inflação com desemprego) atingiu patamares recordes da história. Era o cenário ideal para pavimentar uma reeleição, mas as evidências relatadas nas pesquisas recentes de opinião são de insatisfação geral com a economia e menor percepção do poder de compra, justamente concentrada na população beneficiada por essas políticas. O crédito abundante gerou crescimento, mas carregou consigo mais endividamento.

O divórcio entre renda e consumo

Há uma consequência em estimular a renda via crédito. A renda das famílias continuou subindo, mas o consumo parou de acompanhar. A renda disponível das famílias cresceu cerca de 4,8% em termos reais em 2025, enquanto o consumo no PIB avançou apenas 1,3%. No quarto trimestre do mesmo ano, o consumo cravou zero de crescimento.

Pesquisa Genial-Quaest ilustra insatisfação com o poder de compra
Renda cresce, consumo não acompanha

Para onde está indo o dinheiro, então? Para pagar dívidas. O comprometimento de renda das famílias com o serviço da dívida bateu recorde na série do Banco Central: 29,3% em janeiro de 2026. Isso significa que, de cada R$ 100 que uma família brasileira ganha, quase R$ 30 vão direto para juros e amortizações.

Bancos agradecem

É a política ideal para a indústria bancária. Que tem sua principal receita os juros. É a combinação de pessoas mais ricas e mais endividadas. Soma-se a isso a desbancarização que atingiu o mesmo estrato da população.

Os exemplos são inúmeros. O Pix parcelado se popularizou sem que o Banco Central regulamentasse os juros cobrados, e acabou desistindo de fazê-lo após sucessivos adiamentos. Quando a gestão Campos Neto impôs um teto ao juro do cheque especial, a indústria migrou para o cartão de crédito que também foi alvo depois de um teto para o crédito rotativo.

O país viu o avanço dos correspondentes bancários penetrando nas camadas mais impermeáveis da sociedade. É um fenômeno tipicamente brasileiro. Correspondentes bancários são pessoas físicas que buscam clientes para produtos de crédito em ambientes como cultos religiosos, sindicatos, cooperativas atraindo consumidores vulneráveis. São pessoas físicas que buscam clientes para produtos de crédito como se estivessem vendendo cosméticos, valendo-se da proximidade em lugares inusitados.

E o novo crédito consignado privado, que avança no comprometimento de renda sem freios adequados, alimentando o ciclo vicioso que torna cada nova versão do Desenrola necessária e insuficiente.

Comprometimento da renda com juros — maior da série histórica

O pacotão da bolsa-dívida em abril

Só esta semana enquanto escrevo esse texto, o ministro do Trabalho anunciou a liberação de R$ 7 bilhões do FGTS para 10 milhões de trabalhadores, como parte de um pacote para reduzir o endividamento das famílias. Em paralelo, surgiram detalhes sobre o reforço do FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) para destravar crédito a micro e pequenas empresas, e sobre uma linha de crédito especial para produtores rurais endividados.

O governo estuda, inclusive, permitir que trabalhadores usem parte do FGTS como garantia para obter taxas de juros menores em empréstimos consignados. Há também a possibilidade de usar R$ 10,5 bilhões em recursos “esquecidos” no Sistema de Valores a Receber para reforçar o FGO (Fundo Garantidor de Operações), que daria suporte às renegociações de dívidas de pessoas físicas no novo Desenrola.

Tudo isso se soma às medidas anteriores como o crédito consignado privado que estendeu aos empregados CLT os mesmos benefícios do funcionalismo público. Os bancos aplaudiram.

São medidas de alívio de curto prazo e é difícil argumentar contra o objetivo de ajudar famílias endividadas. O problema é que nenhuma dessas iniciativas enfrenta a causa raiz que são as taxas de juros em níveis estratosféricos resultado de tanto estímulo e acelerando o endividamento.

A própria expressão “bolsa-dívida” carrega essa crítica. Assim como o Bolsa Família transfere renda para combater a pobreza, uma eventual “bolsa-dívida” transferiria recursos públicos para compensar um endividamento que, em grande medida, foi induzido por uma escolha política.

O que isso significa para o investidor

Primeiro, o consumo doméstico está comprometido. O descolamento entre renda e consumo não é uma anomalia passageira. É o reflexo de um endividamento estrutural que os pacotes de alívio podem amenizar, mas não reverter.

Analistas da XP projetam que o consumo das famílias pode acelerar em 2026 com os estímulos governamentais (estimados em quase 1 ponto do PIB), mas reconhecem que há um componente do fenômeno que ainda não fecha a conta.

Segundo, a proximidade das eleições intensifica a pressão por medidas expansionistas. Faltam seis meses para o pleito. O governo tem incentivos para multiplicar os pacotes de estímulo, o que pode sustentar a atividade no curtíssimo prazo, mas a um custo fiscal que o mercado precificará em juros e câmbio.

Por fim, o modelo de crescimento via crédito popular sem regulação se esgotou. Para o investidor, isso sugere que qualquer que seja o resultado eleitoral, o próximo governo precisará enfrentar um ajuste, tanto fiscal quanto regulatório, que o atual não quis fazer.

A pergunta que fica é se o mercado já precifica essa inevitabilidade, ou ainda opera na expectativa de que mais um Desenrola resolva?

Mais um fundo de small cap dedica carta para esta empresa

20 de Abril de 2026, 12:06

A Reach Capital dedicou comentário do primeiro trimestre de 2026 inteiramente a Orizon Valorização de Resíduos (ORVR3) como o principal case do seu portfólio e uma das histórias notáveis do mercado.

“Com a turbulência recente no estreito de Ormuz elevando os preços do gás natural, o país passa a enxergar no biometano uma alternativa concreta para seu planejamento energético.”

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Das cinzas ao topo

A origem da Orizon remonta à Haztec, empresa de gestão de resíduos fundada em 1999 que atravessava uma grave crise quando foi adquirida pelos atuais controladores em 2013. Liderados por Ismar Assaly e Milton Pilão, os novos acionistas conduziram um turnaround cirúrgico, desinvestindo em quatro subsidiárias fora do core business e concentraram a operação na destinação final de resíduos, controlando a infraestrutura dos chamados Ecoparques.

Esses aterros sanitários possuem barreiras de entrada elevadíssimas, resultado da escassez de terrenos aptos em grandes centros urbanos e do longo processo de licenciamento ambiental.

Figura 1. Esquematização da valorização de resíduos em geração de energia e biometano

IPO, disciplina e uma aquisição histórica

Com a abertura de capital na B3 em fevereiro de 2021, a empresa avançou em uma agenda de aquisições bem-sucedidas. Comprou cinco ecoparques da Estre Ambiental durante a recuperação judicial desta, construiu a Térmica Paulínia Verde de 20MW e iniciou a operação de plantas de biometano em Pernambuco e em São Paulo, a última em parceria com a Compass, do grupo Cosan.

A disciplina da gestão ficou evidente naquilo que a empresa decidiu não comprar. O aterro de Seropédica, que garantiria a destinação final de resíduos no Rio de Janeiro, foi rejeitado por ser negociado a 9,8x EV/EBITDA, acima do próprio múltiplo da Orizon. A gestão recusou pagar mesmo com pressão do mercado.

Meses depois, a Orizon adquiriu a Vital Ambiental, quarta maior empresa do setor, por apenas 5,6x EV/EBITDA, em uma operação via troca de ações. A transação consolidou a Orizon como a maior empresa de resíduos sólidos da América Latina, incorporou a concessão de gestão integrada de resíduos em São Paulo pela EcoUrbis, o aterro de Sabará na Grande BH, e um expertise robusto em contratos de gestão integrada. A empresa combinada nasce faturando R$ 3 bilhões por ano e com EBITDA acima de R$ 1 bilhão.

*EBITDA recorrente ex-construção. Em 2023 ocorreu evento não recorrente relacionado à subsidiária EcoUrbis

O gás que vem do lixo

O capítulo mais promissor da história é o biometano. Com o Brasil historicamente dependente de importações de gás natural boliviano e de GNL, e com a turbulência recente no estreito de Ormuz elevando a volatilidade nos preços spot, o país passa a enxergar no biometano uma alternativa concreta para seu planejamento energético.

A Orizon converte o biogás gerado naturalmente nos aterros em biometano de alta pureza, vendido via contratos de offtake de longo prazo para distribuidoras parceiras como Compass e Gás Verde. As plantas já entregues foram financiadas a taxas competitivas, entre IPCA mais 3,88% e IPCA mais 4,69%.

O potencial à frente

A Reach vê a Orizon negociando a uma TIR real de 13% ao ano, sem incorporar opcionalidades como novos contratos de PPP regional ou a expansão do biometano nos 30 ecoparques da empresa combinada. A projeção da gestora é de triplicar o EBITDA em cinco anos apenas com a valorização dos resíduos já destinados.

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Tensão renovada no Irã, pesquisa eleitoral e feriado

19 de Abril de 2026, 17:12

A semana começa com novas pesquisas eleitorais chegando ao debate público, e os números vão encontrar um eleitorado que já deu sinais claros de exaustão do modelo econômico.

Com o prazo de desincompatibilização encerrado em 4 de abril, começaram os ataques, principalmente nos alvos que mais ameaçam.

o tabuleiro está posto: Lula, Flávio Bolsonaro, Caiado e Zema.

começou a bateção no clã que ameaca lula

Fique atento às pesquisas desta semana

Agenda da semana (20 a 24 de abril)

A semana de 20 a 24 de abril deve ter como principal vetor o conflito entre Estados Unidos e Irã, em um cenário de poucos indicadores econômicos e feriado no Brasil. A expectativa de uma reunião entre os países nos próximos dias mantém os investidores atentos a um possível acordo, enquanto persistem incertezas sobre temas como urânio enriquecido, fundos congelados e os termos de um eventual cessar-fogo. A evolução do conflito e as condições de navegação no estreito de Ormuz seguem como variáveis centrais para a economia global.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve adotou postura de espera após o choque nos preços de energia, interrompendo a perspectiva de cortes de juros no curto prazo. No Brasil, diretores do Banco Central sinalizaram preocupação com a deterioração das expectativas de inflação para 2028, o que pode limitar o espaço para quedas mais intensas da Selic.

Na agenda, a China divulga sua taxa de juros no domingo, com expectativa de manutenção em 3% ao ano. Na terça-feira, os dados de vendas no varejo dos Estados Unidos devem indicar o ritmo do consumo. O Japão publica a inflação na quinta-feira, com expectativa de estabilidade. Na sexta-feira, o Brasil apresenta os dados do setor externo de março, com previsão de resultado sustentado por uma balança comercial favorecida pela alta do petróleo.

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De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa fechou em queda nesta sessão, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras, após o recuo do petróleo no mercado internacional com o anúncio de reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento reforça um sinal de esgotamento no curto prazo. “O índice mostra um fechamento pesado e sinaliza um possível topo na região dos 199.300 pontos”, afirmou. Ele avalia que o mercado deve adiar uma tentativa de romper os 200 mil pontos e abrir espaço para correção. “Vejo margem para o Ibovespa recuar entre 190 mil e 185.500 pontos nas próximas sessões”, disse.

Petrobras [PETR4]

As ações da PETR4 perderam a faixa de R$ 46,70, nível que já havia sido apontado como região de realização de lucros. O papel vinha oscilando há semanas entre R$ 44 e R$ 50, mas, para Borges, o cenário técnico se deteriorou. “A perda do suporte em R$ 44 abre espaço para uma queda mais intensa, com alvos entre R$ 38 e R$ 36”, afirmou. O analista também relaciona o desempenho ao petróleo. “A commodity ainda indica espaço para novas quedas, e Petrobras tende a acompanhar esse movimento nos próximos dias, ampliando a correção após uma alta acumulada superior a 70% no ano”, disse.

Bitcoin

O Bitcoin avançou cerca de 3% nesta sexta-feira, mantendo a trajetória de alta no curto prazo. Ainda assim, Borges interpreta o movimento como parte de um canal corretivo. “O Bitcoin segue em alta, mas dentro de um padrão corretivo, próximo da faixa superior desse canal”, afirmou. Ele destaca que o comportamento atual repete movimentos anteriores do ativo. “Esse padrão já foi visto entre novembro e fevereiro e acabou antecedendo uma queda relevante”, disse. Na avaliação do analista, o ciclo de baixa ainda não terminou. “A tendência é de que o ativo teste e até perca o nível de US$ 60 mil nas próximas semanas ou meses”, afirmou.

CSN [CSNA3]

Entre as ações, a CSNA3 aparece como uma das principais apostas de venda. O papel segue em tendência de baixa, com repiques técnicos limitados. “O ativo mantém um fluxo vendedor forte e as altas recentes indicam apenas correções”, afirmou Borges. Ele aponta uma faixa entre R$ 6,98 e R$ 7,35 como possível ponto de entrada para operações vendidas. “Vejo espaço para a ação recuar até R$ 5,60 e, se perder esse suporte, o movimento de queda pode se intensificar, com alvos entre R$ 3,50 e R$ 2,50”, disse.

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BOFA: Brasil é o novo ouro dos mercados globais

15 de Abril de 2026, 14:40

David Beker e Natacha Perez, estrategistas do BofA para a região, passaram os últimos dias visitando clientes em Nova York antes das reuniões do FMI em Washington. O tom das conversas foi claro: há apetite por Brasil.

Segundo o relatório, publicado em 14 de abril, investidores mantêm posições em ações e no real com convicção. Nos juros locais, os rendimentos são vistos como atrativos, mas o aumento nas projeções de inflação, agravado pelos impactos da guerra, dificulta uma aceleração no ritmo de cortes pelo Banco Central.

O pano de fundo global reforça a tese. Quatro fatores sustentam o interesse pela região: alocação historicamente baixa em ativos latino americanos, o papel de fornecedor global de commodities, o enfraquecimento do dólar e uma percepção de transição política para a direita no continente, com Argentina e Chile já nesse caminho e expectativa semelhante para Colômbia, Peru e Brasil.

O desempenho dos ativos brasileiros surpreende. Ações e câmbio seguem em alta puxados pelo fluxo estrangeiro, e a percepção é de que há espaço para mais. Fundos locais, por outro lado, tiveram um dos piores meses da história em março, penalizados pela liquidação nos juros.

Essa mesma liquidação, porém, criou uma assimetria relevante nas taxas nominais e reais. Tanto num cenário de desfecho eleitoral positivo quanto de desescalada do conflito global, o prêmio nos juros pode se comprimir. O BofA revisou sua projeção de IPCA para o ano de 4% para 5%, com riscos de alta.

Entre os fatores de atenção, o relatório destaca dois.Uma reversão na trajetória do dólar, que pressionaria inflação e limitaria cortes de juros, e a política fiscal, especialmente com as eleições de outubro no radar e a popularidade do governo em queda.

O OURO PODE RETOMAR A ALTA?

14 de Abril de 2026, 17:20

O ouro enfrenta um momento de pressão. Depois de bater recorde intradiário de US$ 5.594 por onça em 29 de janeiro, o metal chegou a cair para US$ 4.403 apenas dois pregões depois, e hoje opera em torno de US$ 4.707, ou seja, cerca de 13% abaixo do pico histórico de janeiro. Ainda assim, sobe quase 9% no acumulado de 2026, e o banco suíço UBS aposta que o rali tem fôlego para continuar.

Em relatório publicado ontem, o Chief Investment Office da UBS sustenta que os fatores estruturais que sustentaram a alta do ouro nos últimos anos permanecem intactos, e que a correção atual reflete ruídos de curto prazo, não uma reversão de tendência.

O ouro está sendo negociado em torno de US$ 4.761 hoje, após recuperar parte das perdas da sessão anterior, com o metal beneficiado por sinais de Washington e Teerã dispostos a retomar negociações para uma trégua mais duradoura antes do vencimento do cessar-fogo atual de duas semanas.

O que derrubou o metal

A turbulência começou com os ataques militares israelenses e americanos ao Irã. Paradoxalmente, o conflito que inicialmente impulsionaria o ouro pelo seu apelo como ativo de refúgio acabou pesando contra ele: o dólar se fortaleceu com a escalada geopolítica, encarecendo o metal para compradores fora dos Estados Unidos e freando a demanda internacional.

Além disso, o fim provisório do confronto, com um cessar-fogo que não durou, trouxe volatilidade adicional. O ouro reagiu positivamente ao anúncio da trégua, com investidores apostando que bancos centrais não precisariam enfrentar um ciclo inflacionário prolongado. Mas o colapso da primeira rodada de negociações retirou esse impulso rapidamente.

Outro vetor de pressão é o temor de que o Fed mantenha os juros elevados por mais tempo do que o mercado esperava, o que aumenta o custo de oportunidade de carregar um ativo que não paga yield.

Por que a UBS mantém a convicção

Quedas no preço do ouro são comuns em eventos muito extremos como na crise de 2008, Covid e guerra na Ucrânia. Porém também é frequente a reversão rápida após corrida por liquidez do primeiro momento

Apesar do cenário adverso no curto prazo, o banco lista três pilares para a recuperação do ouro:

O primeiro é o ciclo de cortes do Fed. Com a inflação arrefecendo e o crescimento desacelerando, a UBS acredita que os juros reais nos EUA devem cair ao longo do ano, reduzindo o custo de oportunidade do metal e tornando o ouro relativamente mais atrativo frente a ativos de renda fixa.

O segundo é a demanda estrutural. Em 2025, o ouro registrou seu melhor desempenho em 46 anos, com alta de 63%. Os dados do World Gold Council apontam que a demanda global superou 5.000 toneladas métricas pela primeira vez na história. Para 2026, o banco projeta que os fluxos para ETFs lastreados em ouro devem atingir 825 toneladas, acima da estimativa anterior de 750 toneladas.

O terceiro fator é o ambiente macroeconômico global. A combinação de dívida pública elevada nos países desenvolvidos, o esforço de bancos centrais e investidores globais para diversificar reservas e reduzir exposição ao dólar, e a incerteza geopolítica crônica cria um piso estrutural de demanda que o banco considera robusto.

O que a UBS recomenda

Para carteiras com afinidade ao ativo, a instituição recomenda uma alocação de um dígito médio em ouro, tratando-o como hedge estratégico, não como posição tática. O preço-alvo para o fim de 2026 é de US$ 5.900 por onça, o que representa uma valorização de cerca de 25% em relação ao nível atual.

A lógica, em uma linha: quando o Fed voltar a cortar juros de forma mais decisiva, o custo de segurar um ativo sem rendimento cai, e o ouro tende a brilhar exatamente nessa fase do ciclo.


Fonte: UBS House View Briefcase, 13 de abril de 2026. Giovanni Staunovo, Dominic Schneider, Wayne Gordon, Jon Gordon e Matthew Carter.

Ibovespa rumo aos 200k pontos

12 de Abril de 2026, 18:38

Terça-feira, faremos mais uma atualização mensal comentando nossa posicionamento macro, renda fixa e ações. Eu, Diogo Carneiro, head de produtos e Max Bohm, head de ações no nosso canal Nomos no Youtube. Entre no link e ative o sininho.

O real vive momento favorável.

O dólar abaixo de R$ 5,10, os R$ 50 bilhões de fluxo estrangeiro acumulados na B3 em 2026 e o Brasil como maior destino de capital externo entre os emergentes.

O pano de fundo é a combinação de dois fatores que raramente aparecem juntos. De um lado, o dólar enfraquece por ruídos institucionais nos EUA: dúvidas sobre a independência do Fed, volatilidade política, fiscal estressado e um presidente que explicitamente prefere o câmbio mais fraco.

De outro, o Brasil reúne um perfil difícil de encontrar em outros emergentes: superávit comercial, intensivo em commodities, exportadores de petróleo, juros reais entre os mais altos do mundo e distância segura dos focos de conflito geopolítico.

A guerra não foi um percalço no fluxo estrangeiro. Em março ainda registramos fluxo positivo, ainda que em menor intensidade. Com o cessar-fogo, a lógica que vinha sendo construída vai ganhar impulso. Os analistas internacionais voltaram a olhar para o Brasil. O resultado aparece no câmbio antes da bolsa, justamente porque a exposição ao petróleo no Ibovespa amortece o rali relativo dos índices de renda variável.

Há, porém, um elemento que separa a apreciação atual daquela de 2022. Naquela vez, o real subia porque as commodities subiam com a invasão da Ucrânia. Agora, o movimento é diferente. O dólar que cede ante emergentes em geral, e o real que lidera dentro desse grupo pela soma do fluxo positivo com a desvalorização acumulada desde a pandemia.

Nossos modelos de fair value apontam para algo entre R$ 4,50 e R$ 5,00, intervalo que o câmbio começa a explorar pela primeira vez em anos. O argumento de desvalorização encontrou catalisadores suficientes.


Agenda da semana (13 a 17 de abril)

O Ibovespa encerrou a semana em alta de 4,9% em reais e 7,8% em dólares, fechando aos 197.325 pontos, renovando máximas históricas e se aproximando da marca de 200.000 pontos.

A semana traz dados relevantes de atividade na China: PIB do 1º trimestre, produção industrial, vendas varejistas e desemprego de março. Na Europa, saem o CPI da Zona do Euro (março) e o PIB do Reino Unido (fevereiro). Nos EUA, destaque para o PPI de março e o relatório mensal da IEA.

No Brasil, o foco recai sobre indicadores de atividade. As vendas varejistas devem subir pelo segundo mês seguido (+1,0% no varejo ampliado), sustentadas pelo mercado de trabalho aquecido e maior concessão de crédito. Serviços devem crescer 0,5%. O IBC Br deve avançar 0,3%.

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De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa mantém trajetória de alta e renovou máximas históricas ao longo da semana, operando próximo dos 197 mil pontos e se aproximando do patamar de 200 mil pontos. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento ainda pode se estender. “Vejo espaço para o índice buscar entre 205 mil e 210 mil pontos”, afirma. Ele pondera, no entanto, que a região dos 200 mil pontos pode funcionar como resistência de curto prazo. “Esse nível tem um peso mais psicológico do que técnico, com investidores aguardando para realizar lucros”, diz. O suporte mais relevante, de acordo com o analista, está em 180,6 mil pontos.

Azzas [AZZA3]

As ações da Azzas intensificaram o movimento de queda e registraram recuo de cerca de 10% na sessão, com rompimento de mínimas recentes. Borges aponta que o ativo segue pressionado no curto prazo. “O próximo alvo está em R$ 19,26, mas o movimento principal pode levar o papel para a faixa entre R$ 16,60 e R$ 14”, afirma. Para o analista, o cenário ainda não indica reversão. “Não vejo ponto de compra no momento. Para quem está vendido, a recomendação é manter a posição diante da probabilidade de novas quedas”, acrescenta.

Itaú [ITUB4]

O Itaú Unibanco segue em tendência de alta após o alívio recente no cenário externo, sustentando-se próximo das máximas em torno de R$ 46,35. Borges projeta continuidade do movimento. “O próximo alvo está em R$ 49,15, com suporte relevante abaixo de R$ 42,13”, afirma. Ele destaca que o setor bancário pode se beneficiar de medidas em discussão pelo governo. “A liberação do FGTS para quitação de dívidas tende a reduzir a inadimplência, o que melhora os resultados dos bancos e favorece a valorização das ações”, diz.

Casas Bahia [BHIA3]

Já os papéis da Casas Bahia apresentam sinais de fraqueza, com formação de topos descendentes e perda de força compradora. Segundo Borges, o ativo pode entrar em um ciclo mais acentuado de queda. “Os compradores não conseguem mais sustentar o preço, e o fluxo vem diminuindo”, afirma. Ele alerta para o rompimento de suporte em R$ 2,65. “Abaixo desse nível, o papel pode buscar entre R$ 1,80 e R$ 1,20”, diz. O analista recomenda cautela aos investidores. “Para quem está posicionado, faz sentido avaliar a saída e migrar para ativos com melhor tendência no curto prazo”, conclui.

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Brasil e EUA descobrirão a inflação da guerra

5 de Abril de 2026, 11:46

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Agenda da Semana

A semana de 6 a 10 de abril será marcada pela divulgação de dados de inflação nas principais economias, em meio à continuidade do conflito no Oriente Médio e à alta do petróleo. Segundo Leandro Manzoni, economista do Investing.com, o mercado deve concentrar atenção nos indicadores ao fim da semana, enquanto monitora os desdobramentos geopolíticos e seus efeitos sobre os preços globais.

O petróleo segue acima de US$ 100 o barril após a escalada das tensões envolvendo Irã e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicou a continuidade do conflito por mais algumas semanas. O impasse no Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global da commodity, mantém o risco de choque de oferta e pressiona as expectativas de inflação no curto prazo.

De acordo com Manzoni, esse cenário desafia os bancos centrais, que permanecem cautelosos diante dos impactos diretos e indiretos da alta do petróleo. A divulgação dos índices de preços de março em países como Estados Unidos, China e Brasil deve oferecer os primeiros sinais mais concretos sobre a intensidade dessa pressão inflacionária.

A agenda econômica da semana começa mais esvaziada e ganha força a partir de quarta-feira, com a divulgação da ata do Federal Reserve, que pode trazer novos sinais sobre a condução dos juros nos Estados Unidos. O documento será analisado após indicações de que membros do banco central discutiram a possibilidade de alta das taxas diante do cenário inflacionário.

Na quinta-feira, os investidores acompanham dados importantes nos Estados Unidos, incluindo o PCE de fevereiro e a leitura final do PIB do quarto trimestre de 2025. Já na sexta-feira, o destaque fica para o índice de preços ao consumidor (CPI) de março, que deve refletir de forma mais clara o impacto da alta dos combustíveis na economia americana.

No Brasil, a agenda inclui o Boletim Focus na segunda-feira, a balança comercial de março na terça-feira e indicadores como o IGP-DI e o Índice de Commodities do Banco Central na quarta-feira. O mercado também observa os dados de inflação e a trajetória dos preços de serviços, considerados decisivos para as próximas decisões do Copom.

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De olho nos gráficos

Panorama do Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa encerrou o dia em alta e atingiu a máxima semanal de 189,4 mil pontos, sustentado principalmente pelo avanço das ações da Petrobras. O movimento ocorreu após um início de sessão pressionado pelo cenário externo, com alta do petróleo e queda dos principais índices americanos. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, “o índice só volta a apresentar um movimento mais consistente de alta após essa recuperação ao longo do dia”. Ele afirma que “o rompimento das máximas recentes abre espaço para buscar os 192,7 mil pontos, com potencial de chegar entre 194 mil e 197 mil nos próximos dias”.

Netflix [NFLX34]

As ações da Netflix negociadas na B3 mostram sinal de recuperação técnica após formação de fundo arredondado. O ativo fechou a semana com estrutura positiva e pode atrair fluxo comprador acima de R$ 10,20. Borges diz que “há uma boa oportunidade de compra nesse patamar, com alvo inicial em R$ 10,60”. Ele acrescenta que “o objetivo principal fica entre R$ 11,40 e R$ 11,90, enquanto o stop deve ser observado abaixo de R$ 9,48”.

Bitcoin

O Bitcoin mantém tendência de baixa nos gráficos de curto, médio e longo prazo. A criptomoeda encontrou resistência entre US$ 74 mil e US$ 75 mil e voltou a pressionar suportes mais baixos. De acordo com Borges, “o cenário ainda é de queda, com fundos sendo formados na região de US$ 64,8 mil”. Ele avalia que “abaixo desse nível, o ativo pode buscar os US$ 60 mil e, posteriormente, a faixa entre US$ 57 mil e US$ 58 mil”, o que pode abrir espaço para novas entradas no futuro.

Petrobras [PETR4]

As ações da Petrobras registraram volatilidade ao longo do pregão, apesar da alta do petróleo no mercado internacional após declarações de Donald Trump sobre o conflito com o Irã. O papel abriu em alta, mas devolveu ganhos durante o dia. Segundo Borges, “mesmo com o petróleo subindo mais de 8%, a ação mostrou fraqueza ao longo do pregão”. Ele destaca que “o papel acumula valorização relevante no ano e pode ser momento de realizar parte dos lucros, já que nenhuma ação sobe para sempre”.

Relatórios da semana

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Bens de Capital - Safra

Este relatório mensal analisa o desempenho do setor de bens de capital, destacando uma leitura positiva para a Embraer após dados preliminares de entregas superarem a média histórica no primeiro trimestre. O Safra também atualiza as projeções para empresas como WEG, Marcopolo e Randon, monitorando custos de insumos e o cenário do agronegócio.

A análise detalha preços-alvo e recomendações para o universo de cobertura, observando como a dinâmica de exportações e a demanda interna impactam as avaliações das companhias. O acompanhamento inclui indicadores de produção de veículos e logística, fundamentais para a tese de investimento no setor.

Confira o relatório completo

Raio-XP

A estratégia de ações para abril destaca a resiliência do mercado brasileiro frente à volatilidade global causada pelo conflito no Irã e a disparada dos preços do petróleo. A XP mantém o valor justo do Ibovespa em 196 mil pontos para o final de 2026, sustentada por valuations atrativos e pela continuidade do fluxo de capital estrangeiro, que já supera R$ 50 bilhões no ano.

O relatório também traz mudanças nas carteiras recomendadas, incluindo o Nubank (NU) no portfólio “Top Ações” e atualizações nas seleções de Small Caps e ESG. O cenário macroeconômico é monitorado quanto aos riscos inflacionários que podem alterar o ciclo de queda de juros do Banco Central.

Confira o relatório completo

Setor Bancário - BB Investimentos

O relatório setorial aponta para uma desaceleração gradual no crescimento do crédito no Brasil, acompanhada por um aumento nos spreads bancários e na inadimplência, que atingiu 4,3% em fevereiro. A análise ressalta que o setor enfrenta um ambiente de maior risco, especialmente no varejo, refletindo o esforço das instituições em preservar margens.

As ações de bancos sofreram pressão em março devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio. O BB Investimentos monitora como a assimetria entre o crédito para pessoas físicas e jurídicas dita o ritmo do ciclo atual, com destaque para a resiliência do consignado e financiamento de veículos.

Confira o relatório completo

BTG Pactual [BPAC11] - Safra

O Safra detalha o potencial de crescimento do BTG Pactual no varejo financeiro, impulsionado pela consolidação do Banco Pan e pela atuação em empréstimos consignados via FIDCs. A estimativa é que essa frente de negócios contribua com R$ 1,1 bilhão para o resultado de 2026, explorando a alta rentabilidade e a escala do crédito ao consumidor.

As projeções de lucro líquido ajustado para 2026 e 2027 foram revisadas para cima, alcançando R$ 20,3 bilhões e R$ 23,6 bilhões, respectivamente. O relatório enfatiza que o mercado pode estar subestimando o impacto dessa transição para uma plataforma de serviços financeiros mais diversificada.

Confira o relatório completo

Eneva [ENEV3] - BTG Pactual

Este relatório eleva o preço-alvo da Eneva para R$ 31 por ação, motivado pelo desempenho da companhia no Leilão de Capacidade, onde garantiu 3,5 GW em novos projetos. O sucesso no leilão superou as expectativas do mercado e fortaleceu a estabilidade do fluxo de caixa futuro da empresa.

A atualização do modelo incorpora também os resultados financeiros mais recentes e novas projeções macroeconômicas. O BTG destaca que a execução estratégica melhora a visibilidade de receitas e consolida a tese de crescimento sustentável no setor de energia.

Confira o relatório completo

Estratégia Brasil: resultados 4T25 - BTG Pactual

A análise consolidada do quarto trimestre de 2025 mostra que as empresas brasileiras apresentaram resultados resilientes, com receita e EBITDA ligeiramente acima das estimativas. Excluindo impactos pontuais da Braskem, o lucro líquido agregado das companhias domésticas ficou praticamente em linha com o esperado.

O relatório observa que os setores voltados ao mercado interno mostraram expansão anual, enquanto as commodities foram o principal fator de desvio nas projeções. A leitura sugere que os fundamentos operacionais das empresas listadas permanecem sólidos.

Confira o relatório completo

Bemobi [BMOB3] - XP

A XP reitera a recomendação de compra para a Bemobi, com novo preço-alvo de R$ 31 por ação, refletindo o otimismo após reuniões com a diretoria da companhia. O foco central é a transição bem-sucedida para um modelo de negócios baseado em Pagamentos e SaaS, que já representa cerca de 60% da receita.

Com potencial de valorização de 23%, a análise destaca que a empresa negocia a múltiplos atrativos e possui diversas avenidas para crescimento. A integração de novas operações deve suportar a alavancagem operacional e a geração de caixa sustentável ao longo do tempo.

Confira o relatório completo


MÍDIAS DA SEMANA

Fluxo estrangeiro na B3 positivo em março a despeito da guerra

Fenômeno recente brasileiro em que a renda sobe e o consumo não acompanha. Explicação —> pagamento de juros.

ETFs dos índices de bolsa global em março. Quem está em primeiro?

Os Small Caps Negligenciados do Brasil Estão Começando a Parecer Baratos - Bloomberg

Uma das melhores análises sobre o debate IA/Software. De alguém que realmente trabalha com software, a partir do case da ServiceNow

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Fazenda quer acabar com declaração anual do Imposto de Renda

2 de Abril de 2026, 13:42

Fazenda estuda acabar com a declaração anual do Imposto de Renda

O Ministério da Fazenda analisa formalmente a extinção da obrigatoriedade de entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física. O projeto, apresentado pelo ministro Dario Durigan em entrevista à jornalista Miriam Leitão na GloboNews, prevê a substituição do modelo atual de autodeclaração por um sistema de validação passiva, no qual o próprio governo consolida e calcula os valores devidos pelo contribuinte.

Durigan, que assumiu a pasta em 20 de março após a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo, apresentou a proposta durante a primeira reunião ministerial do ano, no Palácio do Planalto. O argumento central é que, numa economia altamente informatizada, não faz sentido exigir que 44 milhões de contribuintes organizem manualmente documentos que o Estado, em grande medida, já possui em suas bases digitais.

Dario Durigan, ministro da Fazenda, durante entrevista à GloboNews: projeto prevê que contribuinte apenas valide dados já calculados pelo governo, sem necessidade de preencher a declaração anual.

Como funcionaria o novo modelo

A ideia parte da evolução da declaração pré-preenchida para um sistema de preenchimento automático integral. Informações enviadas por bancos, empresas, operadoras de planos de saúde e outras fontes pagadoras seriam consolidadas automaticamente pela Receita Federal. O contribuinte acessaria uma interface apenas para validar os valores já calculados, sem precisar baixar programas ou preencher fichas de rendimentos.

A viabilidade técnica se apoia em mudanças recentes nas obrigações acessórias. A extinção da DIRF a partir de 2025, substituída pelo eSocial e pela EFD-Reinf, já permite que o fisco receba dados de retenção de forma fragmentada e quase instantânea. A integração com o sistema financeiro, via e-Financeira e a expansão do Pix, amplia a capacidade de rastreio de fluxos patrimoniais. No campo das deduções, o programa Receita Saúde conecta notas fiscais de serviços médicos diretamente ao CPF do contribuinte.

A meta do governo para 2026 é que 60% das declarações já utilizem o formato pré-preenchido, consolidando a base para a automação futura.

Obstáculos no caminho

Especialistas alertam que a proposta enfrenta limitações relevantes. Operações de renda variável, especialmente no exterior, representam um ponto cego significativo, já que a Receita não possui controle total sobre bancos estrangeiros. O cálculo de ganhos de capital na venda de imóveis depende de históricos de aquisição que nem sempre estão digitalizados.

Há também preocupação com a chamada inversão do ônus da prova. No modelo automático, se o sistema omitir uma despesa dedutível não informada eletronicamente pelo prestador, cabe ao contribuinte demonstrar o erro do Estado, o que levanta questões sobre segurança jurídica e privacidade.

No plano federativo, a ampliação da faixa de isenção para rendimentos de até R$ 5.000 mensais projeta uma perda anual de R$ 4,5 bilhões para estados e municípios, já que o IR alimenta os fundos de participação.

Transição gradual

A estratégia da Fazenda aponta para uma implementação por etapas, começando pelos contribuintes de menor complexidade e expandindo o sistema à medida que novas integrações tecnológicas amadureçam. Para contadores e profissionais de finanças, o cenário sinaliza uma migração da tarefa operacional de preenchimento para uma função consultiva de validação e planejamento tributário.

A articulação de Durigan, que negocia simultaneamente subsídios ao diesel e programas de renegociação de dívidas, indica que o governo enxerga na simplificação do IR um ativo político relevante para o ciclo eleitoral de 2026.

Squadra questiona "uma das maiores destruições de valor" da bolsa brasileira

2 de Abril de 2026, 09:23

A Squadra Investimentos rompeu o silêncio com a Hapvida. Em carta de 10 páginas enviada na quarta feira (1º de abril) à alta direção da operadora de planos de saúde, a gestora carioca, titular de 6,98% do capital votante, apresentou um diagnóstico sobre a condução dos negócios da companhia e formalizou o pedido de adoção do voto múltiplo na eleição do Conselho de Administração, marcada para 30 de abril. Junto com o pedido, indicou três candidatos para disputar assentos no colegiado.

O documento, endereçado ao presidente do conselho, Candido Pinheiro Koren de Lima, e ao CEO Jorge Pinheiro Koren de Lima, é o desdobramento de meses de tentativas frustradas de diálogo com a administração. A Squadra classifica a trajetória da Hapvida desde o IPO, em abril de 2018, como “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro”. Nesse intervalo de oito anos, a ação HAPV3 acumula desvalorização de 85%, enquanto o Ibovespa subiu 120%.

Contra a administração

A carta organiza as críticas em 13 pontos que cobrem desde alocação de capital até remuneração de executivos. O argumento central é que o conselho, definido essencialmente pelos controladores desde a abertura de capital, permitiu uma sequência de decisões equivocadas que comprometeram a geração de valor para todos os acionistas.

No plano operacional, a Squadra aponta que as aquisições realizadas ao longo dos anos diluíram a exposição dos investidores ao negócio original e não geraram o retorno esperado. O caso mais emblemático é a fusão com a NotreDame Intermédica, concluída há quatro anos. De lá para cá, o valor de mercado da Hapvida encolheu R$ 80 bilhões, e as sinergias prometidas ao mercado ficaram longe de se materializar. A integração dos ativos no Sudeste e Sul, segundo a gestora, foi mal executada, com efeitos negativos que persistem sem perspectiva de reversão. A operadora encerrou 2025 com 140 mil beneficiários a menos, sendo 120 mil concentrados em São Paulo, praça que a companhia ainda não conseguiu rentabilizar.

Os números financeiros reforçam o diagnóstico. A Hapvida fechou 2025 com prejuízo de R$ 237,6 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 270 milhões registrado em 2024. A sinistralidade atingiu 75,5% em dezembro, avanço de 4,5 pontos percentuais. Tudo isso em um ano que foi de resultados recordes para boa parte do setor de saúde suplementar.

A carta também destaca a “aparente falta de visibilidade da administração sobre a situação de seus negócios”. Há um ano, na teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2024, o CEO declarou que a companhia iniciava 2025 em “momento muito favorável”, com “operações integradas e unificadas” e “controles seguros e sólidos”. Desde então, houve decepções consecutivas, e a estimativa de consenso para o lucro por ação em 2026 foi reduzida em cerca de 86%.

Governança e remuneração sob ataque

Um capítulo à parte é dedicado à governança. A Squadra critica a introdução de uma poison pill no estatuto que limita a participação de minoritários a 20% do capital, enquanto o grupo controlador detinha, à época da aprovação, cerca de 37%. A medida passou na assembleia apesar da oposição da maioria dos acionistas minoritários, com votos favoráveis do bloco de controle. Na avaliação da gestora, o dispositivo “encastela a família controladora, sem trazer benefício algum para a companhia ou para os minoritários”.

A remuneração do CEO, membro da família controladora, é outro alvo. No acumulado de 2023 e 2024, o pacote total do principal executivo somou aproximadamente R$ 110 milhões, cifra que lhe rendeu menções em múltiplas reportagens como um dos CEOs mais bem pagos do Brasil. O conselho, por sua vez, recebeu bônus equivalente a 94% do valor previsto no plano de remuneração, como se as metas tivessem sido substancialmente atingidas, apesar da destruição de valor acumulada. Para 2026, a proposta da administração prevê remuneração total de R$ 57 milhões para o conselho, o que representa cerca de 20% da estimativa de lucro do consenso de mercado para o ano. Entre todas as empresas do Ibovespa, é a terceira maior remuneração em termos absolutos e a mais elevada como proporção do valor de mercado, com ampla distância para a segunda colocada.

A gestora também questiona a ausência de reconhecimento de impairment sobre o goodwill de R$ 44 bilhões acumulado nas aquisições, mesmo diante da deterioração dos resultados, perda de market share nas subsidiárias oriundas da NDI e aumento do custo de capital. Outro ponto sensível é a reapresentação das demonstrações financeiras de 2016 a 2023, que envolveu ajustes em depósitos e bloqueios judiciais, rubrica que tem impactado significativamente os resultados.

O plano de ação

Além do diagnóstico, a Squadra apresenta uma proposta concreta. A gestora defende que o conselho avalie seriamente a alternativa de desinvestimentos no Sudeste e Sul, em contraposição ao plano de turnaround em andamento, que até agora não apresentou indicadores concretos de recuperação. Na visão da Squadra, potenciais compradores, com foco e habilidades específicas por segmento e região, conseguiriam maximizar o valor de operações que hoje estão se deteriorando sob a gestão da Hapvida.

Os benefícios potenciais listados pela gestora são expressivos: redução significativa da alavancagem, com possibilidade de retorno a uma posição de caixa líquido; reequilíbrio da estrutura de capital no consolidado, abrindo caminho para o aproveitamento fiscal do ágio e a retomada futura de dividendos; mitigação do risco operacional, permitindo que a gestão concentre esforços nas regiões onde a Hapvida tem vantagens competitivas mais claras; e criação de valor para os acionistas, com aumento do lucro por ação e do valor de mercado.

A carta também questiona o processo de sucessão em curso. A companhia anunciou em dezembro que Jorge Pinheiro deixará a posição de CEO, sendo substituído por Luccas Adib, atual vice presidente financeiro, enquanto Pinheiro migraria para o papel de chairman executivo no conselho. Para a Squadra, trata se de uma decisão de extrema relevância que deveria ser reavaliada pelo conselho a ser eleito na próxima assembleia, e não referendada automaticamente pela composição atual.

Os candidatos

Para viabilizar a renovação, a Squadra indicou três nomes ao conselho: Eduardo Parente Menezes, atual chairman da Equatorial Energia e ex presidente da Yduqs, com passagem pela McKinsey, Vale e diversos conselhos; Tania Sztamfater Chocolat, conselheira da Equatorial e da Totvs, ex head do escritório de São Paulo do CPP Investments; e Bruno Magalhães e Silva, sócio fundador da Squadra com foco em saúde e commodities.

O trio, segundo a carta, reúne competências em alocação de capital, reestruturação operacional e governança corporativa, habilidades consideradas essenciais para o momento da companhia. A proposta é que todos sejam classificados como membros independentes.

O que está em jogo

A assembleia de 30 de abril será um teste para o equilíbrio de forças na Hapvida. A proposta da administração para o encontro prevê a reeleição integral dos nove conselheiros atuais, sem qualquer renovação, além da redução do número de membros independentes. A Squadra, com seus 6,98%, precisa conquistar apoio de outros minoritários para emplacar seus candidatos pelo voto múltiplo.

O embate ganha contornos mais amplos quando se considera o contexto. A Hapvida perdeu mais de R$ 80 bilhões em valor de mercado desde a fusão com a NDI, está com patrimônio líquido ajustado negativo no consolidado, enfrenta spreads de dívida superiores a CDI+9% no mercado secundário e não distribui dividendos. Do lado da receita, concorrentes colheram resultados recordes em 2025 enquanto a operadora amargou prejuízo e perda de beneficiários.

A Squadra deixou claro que considera o movimento um dever fiduciário em relação a seus próprios investidores. A carta foi publicada integralmente no site da gestora e encaminhada com pedido de divulgação imediata pela companhia ao mercado. Resta saber se os demais minoritários entenderão o momento da mesma forma e se o voto múltiplo será suficiente para alterar a composição de um conselho que, por oito anos, refletiu essencialmente a vontade dos controladores.

Carteiras de abril: confira a atualização das principais casas para o mês

1 de Abril de 2026, 16:32

O post será atualizado à medida que novas divulgações estiverem disponíveis

Onde Investir em Renda Fixa - XP

Confira a carteira completa

A XP Investimentos divulgou sua carteira recomendada de renda fixa para abril de 2026 com dez ativos, mantendo diversificação entre indexadores, prazos e emissores. O pano de fundo é de Selic a 14,75% ao ano — após o primeiro corte do ciclo iniciado em março — e inflação projetada a 4,5% para o ano.

A volatilidade gerada pelo conflito no Oriente Médio e seus reflexos sobre o petróleo reforça a cautela dos analistas. A casa mantém exposição acima do neutro em pós-fixados para aproveitar o carrego elevado, e duration em torno de seis anos nos títulos atrelados ao IPCA.

Entre os títulos públicos, a carteira inclui LFT (mar/2029), duas NTN-Bs (ago/2032 a IPCA + 7,30% e mai/2035 a IPCA + 7,03%) e uma NTN-F prefixada (jan/2031) a 13,51% ao ano. No crédito privado, os destaques são a debênture da Eletrobras (IPCA + 7,96% no gross-up, brAAA) e o CRI SuccesPar do Assaí (IPCA + 9,93% no gross-up, AAA), ambos isentos de IR. Completam a seleção a debênture ER Ativo J&F (CDI + 1,75%), um CDB do BMG (IPCA + 8,51%), uma LCA do Banco Original (91% do CDI, isento) e um CDB prefixado do C6 (14,6% ao ano).

A XP recomenda exposição máxima de 5% da carteira em um único emissor de crédito privado. CRIs, CRAs e debêntures não têm cobertura do FGC.

Top Dividendos Globais - XP

Confira a carteira completa

A XP manteve a estratégia de renda na carteira Top Dividendos Globais, com foco em geração de caixa e ajustes pontuais diante do cenário macro.

A principal mudança foi a entrada de AbbVie, escolhida pela combinação de crescimento e pagamento de dividendos. A casa também elevou exposição à Shell, avaliando potencial de ganhos adicionais com o petróleo em patamar elevado.

Em sentido oposto, houve redução em Dell após sequência de altas, além de corte em Morgan Stanley por maior risco no crédito privado.

Entre os destaques do mês, a Shell avançou com a valorização do petróleo. Já Constellation Energy recuou após revisão de expectativas e pressão dos juros, enquanto Newmont caiu com a baixa do ouro no período.

Top Ações Globais - XP

Confira a carteira completa

A XP promoveu ajustes na carteira Top Ações Globais, com aumento de exposição a tecnologia, mudanças no setor financeiro e redução em empresas chinesas.

A casa ampliou posição em Nvidia e Alphabet após a recente correção dos mercados. Segundo a XP, os papéis voltaram a níveis de valuation considerados mais atrativos, mesmo com forte perspectiva de crescimento, especialmente em inteligência artificial.

No setor financeiro, a estratégia foi reduzir participação em JPMorgan e aumentar em Citigroup, buscando aproveitar distorções de preço em meio a incertezas no crédito privado.

A carteira também reduziu exposição a TSMC e Alibaba, citando a necessidade de limitar concentração em inteligência artificial e diminuir riscos geopolíticos ligados à China.

No desempenho, a ExxonMobil foi o principal destaque positivo, impulsionada pela alta do petróleo após tensões no Oriente Médio. Por outro lado, Procter & Gamble, além de Alibaba e Baidu, pressionaram o resultado da carteira no período.

Small Caps - BTG Pactual | Abril

O BTG Pactual atualizou a carteira de Small Caps para abril com duas mudanças. OdontoPrev [ODPV3] e Banco Pine [PINE4] entram no portfólio, com foco em valuation atrativo e melhora operacional.

OdontoPrev [ODPV3] se beneficia da reorganização da Bradesco Saúde e negocia abaixo de 10x lucro para 2026.

Banco Pine [PINE4] apresenta avanço operacional e negocia a cerca de 5x lucro projetado.

Saem Aura [AURA33] e Sanepar [SAPR11]

Permanecem Copasa [CSMG3], GPS [GGPS3], Smart Fit [SMFT3], 3tentos [TTEN3], Pague Menos [PGMN3], C&A [CEAB3], Tenda [TEND3] e Vitru [VTRU3].

10SIM – BTG Pactual | Abril

O BTG Pactual atualizou a carteira 10SIM de abril após um mês de forte volatilidade global, no qual o Brasil voltou a se destacar. O fluxo estrangeiro permaneceu robusto, com entrada de R$ 9 bilhões em março e R$ 51 bilhões no acumulado do ano. A estratégia foi mantida, com ajustes pontuais na alocação setorial.

Petrobras [PETR4] entra no lugar de PRIO [PRIO3]

O banco substituiu a PetroRio por Petrobras e elevou a exposição ao setor de óleo e gás para 15%. A avaliação é que a estatal oferece maior proteção em um cenário de queda do petróleo. Mesmo com o barril a US$ 80 e sem reajustes de combustíveis, o BTG projeta FCF yield de 9% e dividend yield de 8%.

Embraer [EMBR3] retorna; Aura [AURA33] sai

A Embraer volta à carteira no lugar da Aura. O BTG destaca que a companhia negocia a 10 vezes EV/EBITDA para 2026, com desconto de cerca de 40% frente aos pares.

Cury [CURY3] entra e Stone [STOC31] sai

O banco voltou a ter exposição ao segmento de baixa renda com a entrada da Cury, com peso de 5%. Para isso, retirou a Stone da carteira.

Ajustes em real estate e manutenção da estratégia

A Allos [ALOS3] foi mantida, mas teve o peso reduzido de 10% para 5%. A exposição total ao setor imobiliário segue em 10%. A carteira continua com 20% em financeiros (Itaú [ITUB4] e Nubank [ROXO34]) e 20% em geradoras de energia (Axia [AXIA3] e Eneva [ENEV3]).

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JHSF3 registra lucro histórico de R$ 1,9 bilhão em 2025 com crescimento em todos os segmentos

31 de Março de 2026, 16:59

A JHSF Participações registrou em 2025 o melhor resultado de sua história. O lucro líquido consolidado chegou a R$ 1,86 bilhão, alta de 116,9% frente a 2024, com receita bruta de R$ 3,7 bilhões, crescimento de 112% na mesma base de comparação. O EBITDA Ajustado saltou 145%, para R$ 1,8 bilhão. Os números foram divulgados na segunda-feira (30), e as ações JHSF3 reagiram com forte alta no pregão desta terça-feira (31).

O evento que transformou o balanço da JHSF

O principal vetor dos resultados consolidados foi a venda, em dezembro de 2025, de estoques do segmento de Incorporação para um fundo de investimento imobiliário (FII) estruturado pela própria JHSF Capital. A transação totalizou R$ 5,2 bilhões, superando a estimativa inicial de R$ 4,6 bilhões, e representou o maior IPO da história do mercado imobiliário brasileiro.

Os projetos vendidos incluem empreendimentos como Boa Vista Village, Reserva Cidade Jardim, São Paulo Surf Club Residences, Boa Vista Estates e Fazenda Santa Helena. O recebimento ocorre em duas tranches: R$ 3,491 bilhões já liquidados em dezembro de 2025, e R$ 1,744 bilhão previsto para dezembro de 2026.

A operação reconfigurou completamente a estrutura de capital da companhia. A JHSF saiu de uma dívida líquida de R$ 2,2 bilhões no terceiro trimestre para um caixa líquido de R$ 2,3 bilhões ao final do ano, com caixa bruto de R$ 5,4 bilhões e cobertura de amortização de dívida ampliada de 2,2 para 7,2 anos.

Para os analistas Bruno Mendonça, Pedro Lobato e Herman Lee, do Bradesco BBI, os resultados foram sólidos, com destaque para o fato de que o valor patrimonial líquido (NAV) estimado para a companhia é de R$ 11,9 bilhões, mais do que o dobro do valor de mercado registrado até o fechamento do pregão anterior, de R$ 5,9 bilhões. O banco mantém classificação “outperform” e preço-alvo de R$ 10 para JHSF3.

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Renda recorrente cresce dois dígitos mesmo sem o efeito extraordinário

Ainda que a venda dos estoques tenha dominado os números consolidados, os negócios de renda recorrente da JHSF entregaram resultados igualmente relevantes por conta própria. A receita bruta do segmento somou R$ 1,4 bilhão em 2025, alta de 28% frente ao ano anterior, com EBITDA Ajustado de R$ 658 milhões e margem de 51%, a maior desde o início da série histórica da companhia.

O BB Investimentos destacou esse ponto em relatório: mesmo ao considerar apenas os negócios de renda recorrente, a receita somou R$ 1,3 bilhão no ano, crescimento de 26,6% frente a 2024.

Nos shoppings, as vendas consolidadas dos lojistas atingiram R$ 4,7 bilhões, crescimento de 12,5% na comparação anual, com taxa de ocupação de 99,2% ao final do ano. O Shopping Cidade Jardim se destacou com alta de 18,8% nas vendas e ocupação plena de 100%. O aluguel nas mesmas lojas (SSR) cresceu 11,5%, resultado que se mantém em trajetória de dois dígitos há nove trimestres consecutivos.

Em hospitalidade e gastronomia, a receita líquida consolidada foi de R$ 459,1 milhões, avanço de 13,1%. A diária média dos hotéis cresceu 10,9% no ano e o couvert médio dos restaurantes avançou 8,1%. O segmento opera atualmente com 11 hotéis e 34 restaurantes em funcionamento, além de oito novos hotéis em desenvolvimento, incluindo unidades em Milão, Londres, Miami e Sardenha.

O aeroporto executivo São Paulo Catarina foi o segmento de maior crescimento operacional da companhia: os movimentos de aeronaves subiram 55,9% no ano e os litros abastecidos avançaram 37,6%. Em dezembro de 2025, a operação conquistou também a liderança em movimentos nacionais, consolidando-se como a principal infraestrutura de aviação executiva do estado de São Paulo. A sexta expansão do aeroporto já foi iniciada, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2026.

No segmento de residências e clubs, a receita bruta mais que dobrou, chegando a R$ 228,3 milhões, crescimento de 117,3%. A taxa de ocupação das unidades residenciais se manteve próxima a 100%, e dois novos clubs foram inaugurados em 2025: o Fasano Tennis Club e o São Paulo Surf Club.

Visão dos analistas: resultado misto na incorporação, força na renda recorrente

Para João Tonello, analista pleno da NMS Research, o resultado do 4T25 pode ser classificado como misto. Segundo ele, os ativos de renda recorrente mantiveram taxas de ocupação próximas a 98% e crescimento de vendas nas mesmas lojas acima da inflação, com margens EBITDA superiores a 40% no segmento de luxo. No entanto, o analista aponta que o segmento de incorporação ainda reflete o ciclo de juros elevados e a seletividade nos lançamentos, impactando o ritmo de reconhecimento de receita frente ao ano anterior.

Tonello também destaca que o custo financeiro atrelado ao CDI continuou pressionando o lucro líquido final ao longo do trimestre, e que os investimentos em projetos internacionais e expansões do aeroporto elevaram o consumo de capital no curto prazo. A recomendação da NMS Research é de compra do ativo acima de R$ 9,00, com stop sugerido em R$ 8,40 para quem já tem posição.

O Bradesco BBI reforça o argumento de valuation atrativo: a JHSF é negociada a 0,5 vezes o NAV e 6,0 vezes o EV/EBITDA da renda recorrente, contra 9,4 vezes das companhias de shoppings listadas em bolsa, sem que o mercado atribua qualquer valor à unidade de incorporação. Para os analistas do banco, isso parece excessivamente conservador.

JHSF Capital quadruplica AUM e entra no ranking das maiores gestoras de alternativos

Um dos destaques menos comentados do resultado foi o avanço da JHSF Capital, gestora de ativos da companhia. Em apenas três anos de operação, a gestora terminou 2025 com R$ 10,3 bilhões em ativos sob gestão, crescimento de mais de quatro vezes frente ao final de 2024, quando o AUM era de R$ 2,5 bilhões. Com isso, a JHSF Capital entrou para o ranking das dez maiores gestoras de ativos alternativos do Brasil.

O crescimento foi impulsionado pelo FII JHSF Capital Malls (JCCJ11), que captou R$ 780 milhões no quarto trimestre, e pelo FII de Desenvolvimento Imobiliário responsável pela aquisição dos estoques de incorporação. A gestora administra atualmente 17 fundos nacionais e internacionais.

Próximos passos e expansão do portfólio

Com landbank de aproximadamente R$ 30 bilhões em VGV potencial e diversas obras em andamento, a JHSF sinaliza continuidade do crescimento para 2026. Entre os destaques do pipeline estão a abertura do Boa Vista Village Town Center, prevista para meados do ano, as obras do Shops Faria Lima, a expansão do Shopping Cidade Jardim com novas flagships de Hermès, Chanel, Dior e Tiffany, além de novos hotéis Fasano em Milão, Londres e Miami.

No segmento residencial, 56 novas unidades de locação estão em desenvolvimento com entrega prevista para 2026, além da expansão da Usina SP e da continuidade do programa de memberships dos clubs.

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Quatro pesquisas eleitorais esta semana

29 de Março de 2026, 11:38

Boa tarde, pessoal! Beto Saadia aqui.

Esta semana realizamos um evento presencial na Nomos de SP para nossos clientes com o economista-chefe da ARX, Gabriel Barros.

Gabriel apresentou evidências de um cenário mais otimista, com juros menores (apesar da guerra) e um cenário eleitoral favorável. O fluxo de recursos estrangeiros é uma das principais evidências.

Acreditamos muito em nos reunir com vocês, beber uma cerveja e compartilhar experiências. O evento é exclusivo para clientes Nomos. Se você tem interesse em participar desses encontros, abra sua conta conosco.

Agenda da Semana

Pesquisas eleitorais dominam o cenário.

A agenda econômica da próxima semana é morna, com atenção dividida entre atividade, inflação e contas públicas. Nos Estados Unidos, o foco é o payroll, o mercado acompanha falas de dirigentes do Federal Reserve, incluindo o presidente Jerome Powell, em um momento de maior incerteza sobre os rumos da inflação.

No Brasil, a semana começa com a divulgação do IGP-M, dados de crédito e resultado fiscal do governo central. Ao longo dos dias, saem números do setor público consolidado, inflação ao produtor, Caged e produção industrial, indicadores que ajudam a calibrar as expectativas para crescimento e política monetária.


Rentabilidade das principais classes


Live sobre alavancagem patrimonial com consórcio (31/03)

A Nomos realiza na próxima terça-feira, 31 de março, às 19h30, uma live gratuita sobre estratégias de uso do consórcio para construção de patrimônio. O evento será online e aberto ao público, com inscrição por formulário. A proposta é apresentar, de forma prática, como investidores utilizam o consórcio para adquirir ativos, antecipar patrimônio e aproveitar oportunidades de mercado.

A transmissão será conduzida por Danilo Damasceno, head de consórcio da Nomos, e Paula Santana, gestora de consórcio da XP. Entre os temas previstos estão a lógica da alavancagem patrimonial, comparação com o financiamento, estratégias de lance e exemplos reais de aplicação. Ao final, os participantes recebem um e-book com os principais conceitos abordados.

SE INCREVA NA LIVE

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Calibragem pós-choque - Santander

O Santander revisou o cenário macro com petróleo acima de US$ 100 no curto prazo, o que melhora termos de troca e dá suporte ao real, mas reduz o espaço para cortes de juros. O banco elevou a projeção da Selic para 12,50% no fim de 2026 e 12,00% em 2027, além de prever dólar a R$ 5,60 em 2026, com inflação mais pressionada pelo choque de energia.

Confira o relatório completo

Pesquisa com assessores XP - XP

Levantamento da XP mostra que o apetite por risco e a alocação em ações ficaram praticamente estáveis em março, mesmo com a escalada no Oriente Médio. O sentimento piorou, com a nota média caindo para 6,7, enquanto a renda fixa perdeu interesse, embora siga como principal classe; já o impacto do conflito ainda não alterou a alocação para 46% dos clientes.

Confira o relatório completo

Elevamos projeção de inflação - XP

A XP Inc. elevou a projeção de inflação para 2026 de 3,8% para 4,5%, refletindo a alta do petróleo e seus impactos sobre combustíveis, fretes e alimentos. A casa também aponta pressão disseminada em bens industriais, apesar de algum alívio esperado no segundo semestre com a queda do Brent para US$ 80.

Confira o relatório completo

Copel: ainda há espaço para valorização - BTG Pactual

O BTG Pactual elevou o preço-alvo da Copel para R$ 18,10 e manteve recomendação de compra, citando potencial adicional de valorização mesmo após a alta recente das ações. O banco destaca o impacto positivo do leilão de capacidade, novos projetos de expansão e a revisão para cima dos preços de energia no longo prazo, com manutenção de uma perspectiva robusta de dividendos.

Confira o relatório completo


MÍDIAS DA SEMANA

https://www.wsj.com/arts-culture/books/daniel-kahneman-assisted-suicide-9fb16124


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Depois de sobreviver aos golpes pesados das Big Techs, a capitalização de mercado da Garmin subiu mais de 7x desde 2008.

Consórcio ganha força como estratégia de alavancagem patrimonial em 2026

26 de Março de 2026, 16:09

O cenário de juros elevados no Brasil mudou a forma como investidores constroem patrimônio. Com a taxa básica em patamares altos, o custo do financiamento ficou mais caro e reduziu o ritmo de crescimento de muitos portfólios. Nesse contexto, o consórcio passou a ser usado como ferramenta estratégica para acesso a crédito sem juros e planejamento de longo prazo.

Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios mostram que o setor movimentou R$ 467 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, com alta de 31,9% em relação ao ano anterior. O número de participantes ativos chegou a 12,7 milhões, o que indica maior adesão a modelos de aquisição sem financiamento bancário.

A lógica da alavancagem com consórcio é direta. O investidor paga parcelas mensais e, ao ser contemplado, acessa um valor de crédito maior do que o montante já desembolsado. Esse capital pode ser direcionado para aquisição de imóveis, geração de renda com aluguel ou expansão de negócios.

Em uma simulação comum, um aporte mensal próximo de R$ 1,3 mil pode gerar acesso a uma carta de crédito acima de R$ 280 mil ao longo do plano. A diferença entre o valor pago e o crédito obtido representa o efeito de alavancagem.

Além disso, o consórcio não cobra juros. O custo é composto por taxa de administração diluída ao longo do tempo, o que torna o modelo mais previsível em comparação ao financiamento tradicional. Outro ponto relevante é a correção pelo INCC, que atualiza tanto as parcelas quanto o valor da carta de crédito e preserva o poder de compra do investidor.

Estratégias de lance também fazem parte da operação. O lance embutido permite usar parte da própria carta para antecipar a contemplação, sem necessidade de alto desembolso imediato. Esse mecanismo acelera o acesso ao crédito e amplia as possibilidades de investimento.

Entenda como impulsionar seu patrimônio com consórcio

Para explicar essas estratégias na prática, a Nomos realiza uma transmissão gratuita no dia 31 de março, às 19h30, em formato online. A proposta é mostrar como o consórcio pode ser usado não apenas para compra de bens, mas como instrumento de construção patrimonial.

A live será conduzida por Danilo Damascena, head de consórcio da Nomos, e Paula Santana, gestora da XP. Os especialistas vão apresentar exemplos reais, estratégias de lance, comparações com financiamento e responder dúvidas frequentes de quem avalia entrar em um grupo de consórcio.

O evento também inclui o envio de um e-book com os principais conceitos abordados durante a apresentação.

A participação é gratuita e aberta ao público interessado em organizar melhor o patrimônio e buscar alternativas ao crédito tradicional. Você pode garantir a sua participação clicando aqui.

Valor de escassez e eleições: por que o BTG segue otimista com a Petrobras

24 de Março de 2026, 14:34

No universo de energia em mercados emergentes, a Petrobras ocupa um espaço que nenhuma outra companhia listada consegue preencher. É, na prática, a única grande produtora investível fora de China e Rússia, uma condição que gera demanda estrutural de gestores globais e de EM independentemente do ciclo de preço do petróleo. É sobre essa escassez que o BTG Pactual constrói sua tese de compra para o papel, com preço-alvo de US$ 21,00 por ADR.

Além do fator escassez, o banco identifica no calendário eleitoral brasileiro um segundo vetor de upside ainda não precificado. Uma eventual mudança para um governo mais pró-mercado poderia comprimir o custo de equity da companhia de 17% para 15%, o que, isoladamente, elevaria o preço-alvo para US$ 26,00 por ADR. Mesmo em caso de reeleição do atual governo, o BTG avalia que o risco de interferência significativa na estatal é limitado: as medidas anunciadas recentemente para conter a alta do diesel, segundo os analistas, reforçam a postura cuidadosa do governo em relação à governança da companhia.

Geração de caixa como ponto de inflexão

Os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha estimam um FCFE yield de aproximadamente 10% para 2026, frente a um dividend yield de cerca de 9%, assumindo Brent de US$ 80,00 por barril e preços de combustíveis estáveis. Para 2027, com Brent recuando para US$ 70,00 e preços seguindo a paridade de importação, a projeção sobe para FCFE yield de 13% e dividend yield de 11%, configurando um dos perfis de retorno mais atraentes entre as grandes petrolíferas globais.

A comparação com pares internacionais é desfavorável para os concorrentes: enquanto a Petrobras negocia com total shareholder yield (TSY) de cerca de 8,9% para 2026, o grupo de pares globais opera com média em torno de 5,5% para o mesmo período. Para 2027, a diferença se amplia, com a estatal brasileira projetando TSY de 10,6%.

"Com Brent de US$ 65/bbl e preços internos inalterados, a Petrobras ainda seria capaz de gerar caixa excedente com FCFE yield de ~9% em 2026", informaram os analistas do BTG, em relatório.

Produção: crescimento consistente em meio à volatilidade

O BTG adota postura mais conservadora que o consenso de mercado para a produção de 2026, estimando 2,5 milhões de barris por dia, sem ultrapassar o guidance oficial da companhia. A justificativa é a dificuldade em prever o cronograma de manutenção dos FPSOs, especialmente após a entrada em operação de plataformas de grande porte no campo de Búzios.

A perspectiva de médio prazo, porém, é construtiva. O banco projeta crescimento de cerca de 5% ao ano em 2026 e 2027, impulsionado pelo início de operação do P-79 no terceiro trimestre de 2026 e pela chegada de três novas unidades em Búzios (P-80, P-82 e P-83) ao longo de 2027. O resultado é um CAGR de produção de 3,1% para o período 2025-2028, superior à maioria dos pares listados em mercados desenvolvidos quando ajustado pelo custo de extração.

Sensibilidade ao custo de equity: quanto vale uma eleição?

O BTG detalha a sensibilidade do valuation à compressão do custo de equity em diferentes cenários políticos. A cada ponto percentual de redução no Ke, o preço-alvo sobe de forma relevante: com Ke de 16%, o alvo vai a US$ 23; com 15%, a US$ 26; com 14%, a US$ 29; e com 13%, a US$ 32 por ADR. Ao preço de US$ 26, por exemplo, a ação ainda negociaria com EV/EBITDA de 4,8x para 2026 e dividend yield implícito de 6,1%, acima dos pares desenvolvidos. A sensibilidade mostra que o mercado ainda não precifica integralmente o prêmio eleitoral, tornando-o uma opção assimétrica embutida no papel.

O banco utiliza um modelo de DCF consolidado com WACC real de 9,7% e custo de equity de 16,9%, com crescimento na perpetuidade de 2%, chegando ao preço-alvo de US$ 21 por ADR (R$ 56 por PETR4). Ao preço-alvo, o papel negociaria a 4,2x EV/EBITDA 2026E e 4,3x EV/EBITDA 2027E, com dividend yield implícito de 7,5% e 9,0%, respectivamente.

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Mundo se prepara para mais juros

22 de Março de 2026, 12:56

Agenda da Semana

A semana entre 23 e 27 de março deve manter a política monetária no centro das atenções, em meio ao avanço do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre inflação e juros.

No Brasil, investidores acompanham a ata do Copom na terça-feira (24) e o Relatório de Política Monetária na quinta-feira (26), com coletiva do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

A ata deve esclarecer o processo de calibração que levou ao corte da taxa Selic de 15% para 14,75%, além de abordar impactos fiscais de medidas recentes do governo.

Nos Estados Unidos, o mercado já não projeta cortes em 2026 e passa a considerar manutenção ou até alta das taxas diante da pressão inflacionária ligada à alta do petróleo.

O cenário global segue marcado por maior aversão a risco. A escalada do conflito elevou os preços de energia e ampliou temores de recessão, com queda em metais industriais e mudança na percepção de que a guerra pode ser mais longa e disruptiva para a oferta global.

Rentabilidade das principais classes

EVENTO PRESENCIAL

No dia 24/03, às 18h30, vamos realizar a segunda edição do evento “Onde Investir em 2026”.

Desta vez receberemos Gabriel Barros, economista-chefe da ARX e ex-diretor do Tesouro Nacional, em um painel junto com três especialistas da Nomos para discutir cenário macro e oportunidades de investimento em 2026 .

O evento será presencial para clientes no escritório da Nomos em São Paulo.


Todo mês, a Nomos se reúne para transmitir a melhor forma de pensar seus investimentos.

Nosso especialistas Beto, Diogo e Max transmitiram as projeções dos principais ativos da economia (com beto) da renda fixa (com diogo) e das ações (Max Bohm).


De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa vive um momento de deterioração técnica relevante. O índice consolidou uma tendência de baixa no gráfico diário, com topos e fundos já confirmados, além de ter rompido uma linha de tendência de alta (LTA) que sustentava o movimento desde outubro do ano passado. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o quadro abre margem para novas perdas nas próximas semanas. "O índice Ibovespa deve buscar a região entre 165 e 166 mil pontos nos próximos dias, o que representa uma queda esperada entre 5% e 7% nas próximas duas semanas", afirmou o analista.

Vale [VALE3]

No radar das ações individuais, a Vale (VALE3) segue o mesmo caminho. Borges já havia alertado anteriormente sobre a importância de se observar o rompimento do suporte nos R$ 82,00, nível que acabou cedendo. Desde então, o papel recuou para a faixa dos R$ 75,00, e o analista projeta novas quedas à frente. O próximo alvo técnico da mineradora está na região de R$ 61,90. "Há espaço para a Vale corrigir bem ainda nos próximos dias, em torno de 15% a 17%, e já começamos a observar alguma operação na ponta compradora para quem busca uma entrada", destacou Borges.

Bitcoin

No mercado de criptomoedas, o Bitcoin também enfrenta resistência. O ativo testou uma região de order block, zona de retração relevante, e falhou no rompimento, sinalizando retorno da pressão vendedora. O analista da NMS Research projeta que a criptomoeda deve testar em breve a LTA na faixa dos US$ 66.700. A perda desse suporte, segundo Borges, abriria caminho para quedas mais acentuadas, com primeiro alvo em US$ 56.000. O cenário mais pessimista contempla uma ruptura do suporte dos US$ 60.000 e um movimento em direção aos US$ 45.000.

Petrobras [PETR4]

Já a Petrobras (PETR4) apresenta um sinal de possível exaustão após uma forte valorização. No gráfico semanal, o papel formou um candle de exaustão de movimento e atingiu a região-alvo de R$ 47,50 projetada anteriormente, negociando agora próximo dos R$ 45,00. Vale lembrar que, desde as mínimas registradas na semana de 5 de janeiro, o ativo chegou a acumular alta de 62%, recuando para cerca de 51% de valorização desde o fundo. Diante disso, Borges recomenda cautela. "Vale a pena uma proteção do capital, uma zeragem de pelo menos o capital principal, e ficar com as ações que já entregaram boa valorização para partir para a próxima oportunidade", avaliou o analista. Ele também chama atenção para o cenário externo: uma resolução positiva no conflito geopolítico e a reabertura do Estreito de Ormuz poderiam pressionar o preço do petróleo para baixo com o retorno de nova oferta ao mercado, o que também pesaria sobre os papéis da estatal brasileira.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Economia em Destaque - XP

Conflito no Oriente Médio derruba infraestrutura energética no Golfo e empurra o Brent a US$ 110/barril (+76% no ano). Bancos centrais ao redor do mundo mantêm juros e adotam postura de cautela. Fed descarta corte em 2026 e mercado só espera alívio em 2027.

No Brasil, Copom inicia ciclo de corte com Selic a 14,75%. XP projeta reduções adicionais até 12,75%, mas alerta para riscos inflacionários. Greve dos caminhoneiros é evitada após negociações, e Dario Durigan assume o Ministério da Fazenda no lugar de Haddad.

Confira o relatório completo

Confiança no judiciário & Imagem dos ministros do STF - Atlas/Estadão

Pesquisa Atlas/Estadão com 2.090 brasileiros (16 a 19/03) mostra o STF como uma das instituições menos confiadas do país: 60% desconfiam da corte, marca recorde na série histórica. Entre todas as instituições avaliadas, só o Congresso Nacional tem índice pior (86% de desconfiança).

Confira o relatório completo

Auren - Safra

O Safra eleva a recomendação de Auren (AURE3) de Neutro para Outperform, com novo preço-alvo de R$ 14,10 (antes R$ 9,60).

A tese se apoia em três pontos: redução da exposição a preços de energia em 2026/2027 com reposicionamento para se beneficiar da alta de longo prazo a partir de 2028; recebíveis de ativos não depreciados da Cesp e indenizações por curtailment aprovadas em lei, que somam ~R$ 1,8bn ao valor justo; e TIR estimada de ~13%, acima da média setorial de ~10%. A alavancagem elevada (5,7x dívida líquida/EBITDA em 2026) deve recuar para 3,5x em 2028 com a melhora da geração de caixa.

Confira o relatório completo

Equity Strategy - Itaú BBA

Em fevereiro, insiders das empresas cobertas pelo Itaú BBA foram vendedores líquidos de R$ 2,0bn em 534 transações. Acionistas controladores lideraram as vendas (R$ 1,3bn), seguidos pela administração (R$ 0,5bn) e pelo conselho (R$ 0,2bn).

Por setor, Consumo Discricionário, Consumo Básico e Financeiro concentraram as maiores vendas líquidas (R$ 1,1bn, R$ 0,7bn e R$ 0,3bn, respectivamente). Saúde foi o único setor com compra líquida, de R$ 103mn. As ações com maior venda proporcional foram SMFT3, ALLD3 e MBRF3; no lado comprador, TCSA3 e TASA3 se destacaram.

Confira o relatório completo

Petróleo & Distribuição de combustíveis - BB Investimentos

Relatório setorial do BB Investimentos dedicado aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre petróleo e combustíveis no Brasil.

Confira o relatório completo


MÍDIAS DA SEMANA


MEMOLOGY

Investidores na semana passada

Perguntadores são os verdadeiros heróis

Lucro bonito, caixa feio: o que o balanço da Cyrela [CYRE3] esconde

20 de Março de 2026, 14:41

As ações da Cyrela (CYRE3 e CYRE4) apareceram entre as maiores quedas do Ibovespa no pregão desta sexta-feira (20), após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. Às 14h02, os papéis recuavam 5,90% e 6,11%, respectivamente, para R$ 25,51 e R$ 23,97 — a despeito de um resultado que, na superfície, veio sólido.

O lucro líquido do 4T25 totalizou R$ 682,2 milhões, com EPS de R$ 1,55 (+41% na comparação anual) e ROE anualizado de 27%. A receita líquida avançou 29% em relação ao mesmo período de 2024, chegando a R$ 3,23 bilhões — exatamente em linha com as estimativas do BTG Pactual, que manteve recomendação de compra com preço-alvo de R$ 40,00.

A virada contábil que mudou o jogo

O salto de receita, porém, tem uma explicação que o mercado rapidamente identificou: uma mudança no critério de reconhecimento de receitas. Antes do 4T25, a Cyrela só contabilizava receitas após seis meses do lançamento ou quando o empreendimento atingia 50% das vendas. Com a nova política, o reconhecimento ocorre assim que a empresa decide prosseguir com o projeto.

O efeito prático foi imediato. Projetos como o Epic e o Vista Milano contribuíram com R$ 328 milhões e R$ 131 milhões de receita no trimestre, respectivamente, além de R$ 302 milhões oriundos de empreendimentos lançados no próprio 4T25 — segundo relatório do BTG Pactual publicado nesta data.

“O desempenho mais forte da receita foi impulsionado por uma mudança na forma de reconhecimento contábil [...] Isso inflou a receita e o lucro no papel. Mas quando o investidor vai ver o caixa, a história é outra”, informou João Tonello, analista pleno, NMS Research

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Caixa queimando, dívida disparando

Enquanto o lucro contábil subia, a geração de caixa seguiu trajetória oposta. No 4T25 isolado, a construtora registrou queima de caixa de R$ 38 milhões — uma reversão em relação à geração positiva de R$ 61 milhões no mesmo trimestre de 2024. No acumulado do ano, a geração de caixa recuou de R$ 259 milhões em 2024 para apenas R$ 65 milhões em 2025.

A dívida líquida ajustada encerrou dezembro em R$ 2,3 bilhões — ante R$ 985 milhões um ano antes e R$ 886 milhões ao fim do terceiro trimestre de 2025. Em doze meses, a dívida mais do que dobrou.

“Lucro subindo, caixa caindo — esse descasamento é o que gera a queda. O mercado está separando o que é lucro contábil do que é geração de caixa real”, acrescentou o analista.

Velocidade de vendas dá sinal de alerta

Outro ponto de atenção levantado por analistas é o índice de Velocidade de Vendas sobre Oferta (VSO). Nos últimos doze meses, o indicador caiu para 45,2%, ante 55% no mesmo trimestre do ano anterior. Considerando apenas os lançamentos do 4T25, a VSO foi de apenas 38% — o que, num ambiente de juros elevados, sinaliza cautela crescente por parte do comprador de imóvel.

Para Tonello, há ainda um componente de “venda no fato”: o papel acumula alta de 22% em doze meses, e parte do movimento de queda desta sexta reflete a realização de lucros por quem antecipou o resultado positivo.

BTG mantém Buy, mas reconhece o ruído

O BTG Pactual, em relatório assinado pelos analistas Gustavo Cambauva, Gustavo Fabris e Antonio Pascale, manteve a Cyrela como sua principal escolha no segmento de médio e alto padrão, com recomendação de compra e múltiplo de 6x P/L para 2026E. O banco destacou que a maior parte da expansão de margens foi impulsionada pelo ajuste contábil — não por crescimento orgânico puro — e que o ambiente operacional para o segmento de renda média ficou mais desafiador recentemente.

“O resultado bonito na superfície, mas o mercado está lendo as entrelinhas — caixa fraco, dívida subindo e mudança contábil inflando os números. A queda faz sentido dentro dessa leitura”, finalizou Tonello.

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Eneva dispara com escassez global de turbinas

18 de Março de 2026, 15:30

Quem acompanha as ações da Eneva (ENEV3) viveu um pregão que justifica meses de paciência. Os papéis dispararam mais de 15%, renovaram máxima histórica e lideraram o Ibovespa. O motivo tem nome e sobrenome: o Leilão de Reserva de Capacidade, o famoso LRCAP, que aconteceu nesta quarta-feira, 18 de março, e trouxe resultado que superou até as expectativas mais otimistas.

O leilão que quase não aconteceu

O LRCAP é um leilão do governo federal em que usinas termelétricas e hidrelétricas são contratadas não para gerar energia o tempo inteiro, mas para ficarem de prontidão. É como um seguro: o país paga para ter essa capacidade disponível, principalmente nos horários de pico, quando o sol já se pôs e a energia solar desaparece da rede.

Para a Eneva, esse leilão era o evento mais esperado do ano. A empresa tem cerca de 1,5 GW em usinas cujos contratos estão vencendo e precisam ser renovados. Além disso, possui uma carteira robusta de projetos novos, como a Ceiba, no Ceará, com potencial de 2,4 GW, e a expansão da Celse, em Sergipe, que dependiam desse certame para sair do papel.

Acontece que em fevereiro, quando a ANEEL divulgou os primeiros preços-teto do leilão, o mercado entrou em pânico. Os valores eram baixos demais para viabilizar novos projetos. As ações da ENEV3 despencaram quase 20% em poucos dias, e a tese de investimento ficou sob uma nuvem de incerteza. Analistas do Citi e do UBS BB alertaram que, naqueles termos, nenhum megawatt novo seria adicionado ao sistema. O leilão correria o risco de ficar vazio.

O risco de apagões futuros soou o alarme no governo. Em menos de uma semana, o Ministério de Minas e Energia voltou atrás e praticamente dobrou os preços-teto para usinas existentes e elevou em mais de 80% os valores para projetos novos. A ANEEL aprovou os novos parâmetros em 13 de fevereiro, e as ações já reagiram com altas de 8% no mesmo dia.

O resultado de hoje: preços nas alturas

O que chamou atenção no leião de hoje foi que os preços finais ficaram colados nos tetos, sinal inequívoco de que a oferta era insuficiente para atender toda a demanda.

Na rodada do produto 2029, que era o vértice mais relevante para a Eneva por envolver seus grandes projetos greenfield, o preço marginal fechou em R$ 2.890.000 por MW ao ano — apenas R$ 10 abaixo do teto de R$ 2.900.000. Em linguagem simples, o mercado disse que está disposto a pagar o preço máximo permitido para ter essas usinas disponíveis no futuro. A escassez global de turbinas a gás para o período de 2028–2029 prevaleceu.

Por que a Eneva é a grande vencedora

A Eneva não é uma termelétrica comum. Ela opera no modelo chamado “Reservoir-to-Wire”, extrai seu próprio gás natural de reservas no Maranhão e no Amazonas e o queima nas próprias usinas para gerar energia. Enquanto a maioria das concorrentes depende de gás importado (sujeito ao dólar e ao mercado global), a Eneva produz com custo em reais e tem controle sobre toda a cadeia.

Essa vantagem se traduz em margem para dar lances competitivos nos leilões. Soma-se a isso o fato de que a empresa se antecipou e comprou turbinas a gás antes da explosão global de preços desses equipamentos, num mercado hoje em que falta equipamento. Quem não comprou turbina antes simplesmente não consegue montar uma usina nova a tempo.

Os números por trás do otimismo

Os resultados financeiros recentes reforçam o momento. No quarto trimestre de 2025, a Eneva reverteu um prejuízo de R$ 1 bilhão no ano anterior para um lucro líquido de R$ 57 milhões. A receita líquida cresceu 24,5% e o EBITDA ajustado avançou quase 20%. As reservas de gás na Bacia do Parnaíba foram certificadas em 37,9 bilhões de metros cúbicos, com um índice de reposição de reservas de 111%, ou seja, a empresa descobriu mais gás do que consumiu.

Quem está por trás

Vale lembrar que o BTG Pactual é um dos principais acionistas da Eneva, com participação na faixa de 25% a 37% em diferentes momentos. É uma sinalização skin in the game de um dos maiores bancos de investimento do país.

O que o investidor deve guardar

O leilão de hoje não foi o momento em que o mercado precificou que o Brasil precisa de térmicas a gás para garantir que a luz não apague e que está disposto a pagar caro por isso.

A Eneva, com seus ativos prontos, turbinas compradas e gás próprio é a empresa mais bem posicionada para capturar esse valor.

O registro de alta acima de 15% ao longo do dia e a máxima histórica de hoje refletem exatamente isso. O leilão garantiu fluxo de caixa previsível por 10 a 15 anos.

A armadilha da Hapvida: ação despencou 73% e parece barata, mas analistas alertam para perigo oculto

17 de Março de 2026, 14:51

As ações da Hapvida [HAPV3] acumulam uma das piores performances do mercado brasileiro de saúde suplementar nos últimos meses. Desde a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025, os papéis da maior operadora verticalmente integrada do país despencaram 73%.

O tombo não é coincidência. Reflete um conjunto de forças que se somam: resultados trimestrais aquém do esperado, pressão competitiva crescente de rivais como Amil e Porto Saúde, e revisões consecutivas para baixo nas estimativas de lucro por analistas. O J.P. Morgan, um dos bancos de maior influência sobre as grandes ações brasileiras, acaba de publicar novo relatório sobre a companhia, e o diagnóstico é severo.

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J.P. Morgan corta previsão de lucro em até 70%

No documento assinado pela equipe de análise do banco americano, os analistas reduziram suas estimativas de lucro por ação ajustado (adj. EPS) em aproximadamente 70% para 2026 e 40% para 2027. Com isso, o J.P. Morgan agora está cerca de 50% abaixo do consenso de mercado para 2026 e 25% abaixo para 2027 — uma divergência expressiva que sinaliza que boa parte dos investidores ainda não absorveu a magnitude dos desafios à frente.

Mais do que o corte em si, chama atenção o cenário projetado pelo banco para os próximos anos. Para 2026, o J.P. Morgan espera uma queda do EBITDA ajustado — rara ocorrência em uma empresa de grande porte que ainda tem crescimento estrutural de longo prazo. A normalização das margens só estaria prevista para o biênio 2027–2028, e mesmo a visão de longo prazo é moderada: o banco projeta crescimento de apenas 4% a 5% ao ano em receita e EBITDA nos próximos cinco anos.

"Negociando a 5x o P/L estimado para 2027, a ação parece opticamente barata — mas mantemos recomendação neutra, pois acreditamos que o caminho para a recuperação permanece incerto."

O paradoxo: ação parece barata, mas os riscos são reais

Aqui reside um dos pontos mais intrigantes da análise do J.P. Morgan. Os papéis da Hapvida negociam a apenas 5 vezes o lucro estimado para 2027 — um múltiplo que, para uma empresa do porte e da posição de mercado da companhia, soa anormalmente baixo. O preço-alvo do banco, de R$ 13,50 por ação (revisado de R$ 39), implica potencial de alta 52% em relação ao último fechamento, com múltiplo-alvo justo de cerca de 8 vezes.

Mas o banco alerta que o barato pode ter “razão de ser”. Excluindo o goodwill e os créditos fiscais acumulados (NOLs), o múltiplo efetivo poderia ser até dois pontos menores — tornando a ação ainda mais cara do que parece. E, acima de tudo, o banco destaca que os resultados de curto prazo devem continuar “convolutos” — palavra dos próprios analistas — até que haja evidências mais claras de estabilização dos fundamentos.

O setor mais competitivo: ROE alto abre espaço para guerra de preços

Para entender por que a Hapvida está na berlinda, é preciso entender o contexto setorial. Após anos de pressão pós-pandemia — quando a volta reprimida de procedimentos médicos elevou a sinistralidade e comprimiu as margens de toda a indústria — o setor de saúde suplementar brasileiro passou por uma forte recuperação de rentabilidade.

O ROE (retorno sobre patrimônio) das operadoras de planos de saúde voltou a superar tanto a taxa Selic quanto as médias históricas. Isso é uma boa notícia para o setor em geral — mas traz uma consequência importante: com margens mais gordas, os concorrentes têm mais espaço para reduzir preços e ganhar fatia de mercado. É exatamente isso que está acontecendo.

Tendência de longo prazo do ROE do setor de saúde no Brasil [Fonte: JP Morgan]

A Hapvida, ciente de que não pode conceder descontos indefinidamente, adotou uma postura de disciplina em renegociações: prefere perder contratos a aceitar condições que comprometam a rentabilidade de longo prazo. Isso protege as margens no futuro — mas gera uma sangria de beneficiários no curto prazo, especialmente nas regiões Sudeste, onde a concorrência com Amil e Porto Saúde é mais intensa.

O segundo vetor de pressão é a dinâmica de custos e receitas. Do lado dos custos, a Hapvida está passando por um ciclo de expansão de capacidade — são sete novos hospitais e 25 novas clínicas sendo incorporadas à rede própria — o que implica custos fixos elevados antes que a ocupação dessas unidades atinja patamar rentável. Além disso, a empresa ainda mantém duplicação temporária de rede credenciada, que pesa nos resultados enquanto a transição não se completa.

Adições líquidas de beneficiários de saúde [ Fonte: JP Morgan]
Base de beneficiários de saúde [ Fonte: JP Morgan]

Ao mesmo tempo, paradoxalmente, a melhora na qualidade dos serviços — menos filas, cirurgias represadas sendo realizadas, melhores tempos de atendimento nas emergências — está elevando a frequência de uso e o custo por beneficiário. Em outras palavras: o serviço melhorou, e as pessoas estão usando mais.

Do lado da receita, as perspectivas também são limitadas. Os reajustes de mensalidades devem ser mais moderados — justamente porque o ROE elevado do setor reduz a justificativa regulatória e competitiva para aumentos agressivos. O mix de novos clientes está se deslocando para planos corporativos de ticket médio menor. E o crescimento de beneficiários, como visto, é negativo.

Sinal positivo: indicadores de qualidade de serviço melhoram

Nem tudo são más notícias. O J.P. Morgan aponta progressos concretos nos indicadores de qualidade de serviço, que o banco monitora por meio de dados públicos da ANS. Na operação Intermédica/NDI (predominantemente São Paulo, com cerca de 37% da base de beneficiários), o Índice de Gestão de Reclamações (IGR) caiu entre 39% e 40% na comparação anual, chegando a 61,6 — tendência que, segundo o banco, sinaliza melhora real na percepção de qualidade pelos clientes.

Já na operação legada da Hapvida (cerca de metade da base total), o indicador registrou alta de 12% na comparação anual, mas sobre uma base de comparação baixa, chegando a 37,5 por 100 mil beneficiários. O banco ressalva que a melhora da Intermédica é consistente com a eliminação de filas e backlogs cirúrgicos — o que, paradoxalmente, eleva os custos no curto prazo ao ampliar o acesso a procedimentos que antes estavam represados.

O que o banco recomenda (e o que os investidores devem observar)

A posição do J.P. Morgan é de cautela sem pessimismo catastrófico: recomendação Neutra, com upside de 52%, em relação ao último fechamento. O banco aponta que a recuperação da Hapvida depende de pelo menos três fatores convergindo simultaneamente: aumento na ocupação das novas unidades hospitalares, dissolução da duplicação de rede credenciada e retomada do crescimento de beneficiários — provavelmente a partir do Sudeste, região que concentra os maiores riscos competitivos.

O maior risco de curto prazo, segundo o relatório, seria a empresa decidir abrir mão da disciplina de preços para preservar sua base de clientes — especialmente no Sudeste. Esse movimento poderia comprometer as margens que a companhia vem construindo com esforço. Por outro lado, manter a disciplina implica continuar sangrando beneficiários em um mercado onde os rivais estão crescendo.

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EUA e Irã Seguem Ataques, mas Trump Sugere Negociação

15 de Março de 2026, 16:47

“O Irã quer fazer um acordo, e eu não quero fazer porque os termos ainda não são bons o suficiente”, disse Trump, acrescentando teria de incluir um compromisso de Teerã de abandonar suas ambições nucleares

Trump também pediu que outros países enviassem navios de guerra para manter aberto o Estreito de Ormuz, pelo qual passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo, mas não ofereceu detalhes nem compromissos do lado americano. Ele disse esperar que China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido participem.



🌍 GUERRA NO ORIENTE MÉDIO — Resumo do fim de semana

▪️ Conflito pode durar mais 4 a 6 semanas

Segundo avaliação do Pentágono, divulgada pelo assessor econômico da Casa Branca Kevin Hassett, a guerra entre EUA/Israel e Irã pode se estender por quatro a seis semanas. Autoridades americanas afirmam que as operações estão “adiantadas” e estimam que os ataques já custaram cerca de US$ 12 bilhões.

▪️ Israel amplia ofensiva contra infraestrutura do Irã

As Forças de Defesa de Israel ampliaram o escopo dos ataques dentro do território iraniano, mirando infraestruturas estratégicas e centros de comando do regime, incluindo instalações ligadas à Guarda Revolucionária.

▪️ Ataques atingem aeroporto de Bagdá

Foguetes e drones atingiram o Aeroporto Internacional de Bagdá e áreas próximas, deixando cinco feridos, entre funcionários de segurança e um engenheiro. O ataque é atribuído a milícias apoiadas pelo Irã.

▪️ Tensão se espalha pelo Golfo

Países da região relataram novos ataques após o Irã pedir evacuação de três grandes portos nos Emirados Árabes Unidos, acusando os EUA de utilizarem instalações locais para lançar ofensivas contra alvos iranianos.

▪️ Estreito de Ormuz segue aberto — com exceção para EUA e Israel

O Irã afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto para a maioria dos países, mas navios dos EUA e de Israel não poderão transitar. Pela rota passa cerca de 20% da produção global de petróleo.

▪️ Aliados avaliam pedido dos EUA para proteger a rota do petróleo

O presidente Donald Trump pediu que países como Reino Unido, França, Japão e Coreia do Sul enviem navios de guerra para proteger o estreito, mas a reação internacional tem sido cautelosa.

▪️ Trump diz não estar pronto para acordo com o Irã

O presidente dos EUA afirmou que ainda não está pronto para fechar um acordo de paz, reforçando a estratégia de pressão militar enquanto tenta mobilizar aliados para proteger rotas energéticas.

▪️ Irã pede que países evitem escalar o conflito

O chanceler iraniano pediu à França e a outros países que se abstenham de ações que possam ampliar a guerra, especialmente no contexto da militarização do Estreito de Ormuz.

▪️ IEA anuncia liberação recorde de reservas de petróleo

A Agência Internacional de Energia confirmou a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, a maior ação coordenada da história, para reduzir os impactos da guerra no mercado energético global.

▪️ Impasse político trava exportações de petróleo do Iraque

Autoridades curdas recusaram permitir que Bagdá utilize um oleoduto alternativo para exportação, dificultando a retomada do fluxo de petróleo interrompido pelo conflito regional.

▪️ Pressão política nos EUA por continuidade da ofensiva

O ex-vice-presidente Mike Pence defendeu que os EUA continuem atacando a infraestrutura iraniana, afirmando que a pressão pode abrir caminho para mudanças internas no país.

▪️ Novo líder supremo do Irã estaria com saúde “excelente”

O chanceler iraniano afirmou que Mojtaba Khamenei, sucessor do aiatolá Ali Khamenei, está em “excelente saúde” e mantém o controle da situação.

▪️ Finalíssima entre Argentina e Espanha é cancelada

A edição de 2026 da Finalíssima, que reuniria os campeões da Eurocopa e da Copa América em Doha, foi cancelada devido à guerra no Oriente Médio.

▪️ Impacto econômico já começa a aparecer

Economistas avaliam que a escalada do petróleo pode levar o IPCA brasileiro a se aproximar de 5% no cenário mais pessimista, pressionando combustíveis e a condução da política monetária.

▪️ Papa pede cessar-fogo imediato

O papa Leão XIV voltou a pedir cessar-fogo e retomada do diálogo, alertando para o número crescente de vítimas e deslocados.

📊 CONTEXTO DE MERCADO

A escalada militar e os riscos ao fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz continuam sendo o principal fator de volatilidade para petróleo, inflação e mercados globais.O conflito no Oriente Médio deve dominar o ambiente econômico global na próxima semana e colocar bancos centrais diante de um dilema na condução da política monetária. A escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã levou o barril de petróleo a fechar a semana acima de US$ 100, após ter se aproximado de US$ 120 nos últimos dias, o que aumenta os riscos de inflação e dificulta decisões sobre cortes de juros.

Agenda da Semana

O mercado acompanha os efeitos da interrupção do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da demanda mundial de petróleo. O fechamento da passagem elevou o prêmio de risco geopolítico da commodity e gerou temor de escassez global, enquanto produtores da região reduzem a oferta diante das dificuldades de escoamento.

Nesse cenário, investidores voltam a atenção para as decisões de política monetária e para os comunicados das autoridades econômicas, que tentarão avaliar até que ponto a disparada do petróleo pode afetar inflação, atividade e o ritmo de cortes de juros ao redor do mundo.

Rentabilidade das principais classes

De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa encerrou a semana em queda e próximo das mínimas, após a forte valorização registrada no início do ano. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento atual reflete uma correção depois da rápida alta observada em janeiro. “O mercado teve uma impulsão muito grande anteriormente, quando o índice saiu da região de 167 mil para 177 mil pontos em apenas três pregões”, afirma. Para ele, a perda do patamar de 177.500 pontos abre espaço para uma correção mais ampla. “Com essa quebra, o primeiro suporte aparece em 172.500 pontos e, depois, em 167 mil”, diz Borges, que observa a formação de pivôs de baixa em diversos papéis no gráfico diário.

C&A [CEAB3]

Entre as ações, o analista destaca posição vendida em C&A. De acordo com Borges, a operação foi iniciada a R$ 11,64 e já acumula cerca de 5% de ganho. “Era uma das ações com melhor configuração para queda no gráfico semanal”, afirma. Ele avalia que o papel pode buscar inicialmente o suporte em R$ 9,42. “Se houver rompimento dessa região, o próximo alvo técnico fica perto de R$ 7,01, o que representaria um potencial de rentabilidade de quase 40%”, acrescenta.

Bitcoin

No mercado de criptomoedas, Borges aponta possibilidade de valorização do Bitcoin no curto prazo. O ativo forma um topo nivelado próximo de US$ 74 mil no gráfico diário. “Existe uma grande concentração de posições alavancadas nessa região, especialmente em US$ 74.300”, afirma. Segundo ele, dados de corretoras indicam cerca de US$ 2 bilhões em posições que podem ser liquidadas caso o preço ultrapasse esse nível. “Quando há muita liquidez concentrada de um lado, o mercado costuma provocar movimentos fortes”, diz. Para o analista, o bitcoin pode alcançar US$ 80 mil e, em um cenário de maior força compradora, chegar a US$ 85 mil.

Petrobras [PETR4]

Já as ações da Petrobras registram forte valorização em 2026, com alta próxima de 50% no ano, movimento impulsionado principalmente pela escalada do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. Borges avalia que o cenário pode mudar caso haja avanço diplomático no conflito. “Boa parte da alta veio do petróleo, que reagiu à guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos”, afirma. O analista considera possível um movimento abrupto de queda caso surja um acordo ou cessar-fogo. “Se houver anúncio de pausa no conflito, podemos ver um gap de baixa relevante no petróleo e nas ações da Petrobras”, diz. Segundo ele, investidores que acumulam ganhos expressivos no papel podem considerar realizar lucros e aguardar novas oportunidades.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Macro day: Global - Itaú

Os analistas do Itaú preparam um relatório abordando os principais temas macro globais. Entre eles, a guerra do Oriente Médio e o questinamento sobre os riscos no mercado de trabalho com o aperfeiçoamento das ferramentas de IA.

Confira o relatório completo

Relevant Holder Changes - Necton

Neste relatório da Necto, é possível ver importantes movimentos do mercado. Por exemplo: “a Baillie Gifford informou ao mercado que reduziu sua participação na Raízen para 4,93% das ações preferenciais da companhia.”

Confira o relatório completo

Estratégia de ações - XP

A XP avalia que a temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 no Brasil tem apresentado resultados, em geral, abaixo das expectativas. Segundo o relatório, a proporção de surpresas positivas em receita, Ebitda e lucro líquido está nos níveis mais baixos da série histórica da casa. O setor de papel e celulose concentra os números mais favoráveis, enquanto propriedades comerciais e utilidade pública registram as maiores decepções.

Confira o relatório completo

Thematic Research - XP

Este relatório da XP aponta que a recente alta das ações brasileiras em 2026, impulsionada pela entrada de capital estrangeiro, tem efeito limitado sobre o desempenho do mercado. Segundo a casa, períodos de forte fluxo internacional elevam temporariamente os retornos ajustados ao risco do Ibovespa, mas o impacto tende a desaparecer após cerca de 63 dias.

Confira o relatório completo

MÍDIAS DA SEMANA

MEMOLOGY

“Comecei a operar petróleo esta semana” - Taylo Swift

Bolsa Coreana formando figura gráfica Estreito de Ormuz

r/wallstreetbets - The Korean market is trading on the “Escape from the Strait of Hormuz” chart
r/wallstreetbets - Time to break out the third animal

Quando o mundo descobre que não é só petróleo

10 de Março de 2026, 11:41

Confira o relatório completo

(link na imagem)

Existe um gás invisível e inofensivo que enche balões de aniversário e faz a voz de adultos soar como desenho animado.

Esse mesmo gás abastece scanners de ressonância magnética que detectam tumores assim como boa parte da infraestrutura invisível da vida moderna.

Um terço de todo o hélio do planeta vem do Catar e é um subproduto do refino de gás natural no terminal de Ras Laffan, o maior do mundo. Quando os drones iranianos puseram Ras Laffan fora de operação, ninguém nos telejornais falou do hélio. Falaram de petróleo, de gás, de mísseis. Mas o hélio sumiu. E com ele, uma pequena e reveladora amostra de como o oriente-médio moderno vai além do petróleo.

Cidade industrial de Ras Laffan, da QatarEnergy, alvo iraniano, abriga instalações da empresa para produção de gás natural e hélio. Crédito: Reuters/Stringe

A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã não começou como guerras normalmente começam, com uma declaração formal. Foi em meio a negociações avançadas. Pela segunda vez, aliás. O Irã e EUA estavam à mesa, quando os ataques se iniciaram. O mercado encerrou a sexta-feira pré-guerra bem hedgeado. Talvez por isso, a reação na segunda-feira seguinte não tenha sido tão intensa. Mas investidores ficaram inebriados com a resolução rápida dos últimos conflitos.

Mercado errou o timing da guerra

O mercado entrou na guerra acreditando numa operação cirúrgica e rápida: eliminar a liderança iraniana, forçar uma acomodação ao estilo Venezuela, sair de cena. Mas o Irã escolheu um campo de batalha inesperado. Em vez de responder com mísseis de longo alcance (que Israel já havia destruído em junho), usou seu arsenal de drones e mísseis de curto alcance contra os vizinhos árabes do Golfo, exatamente os países que garantem o funcionamento energético do planeta.

E é aqui que a história econômica se torna mais perturbadora do que a militar.

O Estreito de Ormuz, essa faixa de água pela qual passa cerca de 20% do petróleo global está, para efeitos práticos, fechado.

Nenhuma seguradora aceita cobrir um navio que tente cruzá-lo. Os gráficos de tráfego de petroleiros mostram uma queda abrupta, quase vertical. Os economistas vinham construindo esse cenário catastrófico havia décadas, como uma espécie de pesadelo teórico: o que aconteceria se o Estreito de Ormuz fosse bloqueado? Pois agora eles têm a resposta, e ela é pior do que muitos imaginavam, não pelo petróleo em si, mas por tudo aquilo que ninguém lembrava que dependia do Golfo.

O petróleo subiu 15%. Ruim, mas administrável, porque os estoques globais estavam altos.

O gás, porém, subiu 70%, chegou a dobrar em certo momento, porque a armazenagem é complexa.

O querosene de aviação disparou 52%. Fertilizantes, 30%.

De fertilizante a logística

E então começam as surpresas: ácido sulfúrico (um quarto da produção mundial vem do Golfo, e sem ele não se refina cobre nem se fabricam explosivos), hélio, e toda a cadeia logística que passava por Jebel Ali, um dos maiores portos de contêineres do mundo, ali na porta de Dubai, que aliás, não tenha nenhum lugar do planeta que ilustre melhor a fragilidade que a prosperidade pode esconder.

O aeroporto de Dubai, que ultrapassou Heathrow em Londres e se tornou o maior do mundo, está parado.

A cidade que se reinventou como hub global de turismo e finanças depende de uma população composta por mais de 80% de imigrantes, em grande parte indianos, como eu constatei mês passado em que estive lá.

Aeroporto de Dubai (DXB)

O que acontece quando esses imigrantes decidem ir embora?

E quando a água que abastece Riade na Arabia Saudita de sete, oito milhões de habitantes, vem de usinas de dessalinização que podem ser alvejadas por drones? Mohammed bin Salman sabia disso.

Segundo relatos, o príncipe herdeiro ligou várias vezes para Trump pedindo que não atacasse o Irã. Não por amor ao país persa, mas por pragmatismo: o Irã é vizinho, o caos lá transborda para cá, e os mísseis de curto alcance transformam a Vision 2030, seu grandioso plano de modernização saudita, em fumaça.

O novo Irã

Os especialistas em oriente-médio apostam que o regime iraniano sobrevive. “É um regime duro, que ainda tem pelo menos 20% da população ao seu lado e está disposto a matar para permanecer no poder.”

Há três cenários possíveis: a teocracia se endurece e se radicaliza; uma liderança mais nacionalista e menos revolucionária negocia com Washington (o modelo Venezuela); ou o Estado colapsa, e um país de 92 milhões de habitantes, com múltiplas etnias e fronteiras porosas, se transforma numa Líbia gigante. Dos três, o último é o que mais aterroriza.

Enquanto isso, o mundo descobre que sua dependência do Golfo Pérsico vai muito além da gasolina. Vai até o scanner de ressonância que detecta o câncer. Até o fertilizante que alimenta a lavoura. Até o voo que conecta São Paulo a Bangcoc.

Há algo de revelador em perceber que um conflito entre potências nucleares e teocracias milenares se manifesta como uma conta de luz mais cara, um voo cancelado ou fila maior no hospital. Os balões de aniversário vão ficar mais caros. Mas não é por eles que a gente deveria se preocupar.

PRIO [PRIO3] em um momento especial

9 de Março de 2026, 14:35

CALL ESPECIAL DAQUI A POUCO! Você foi convidado para participar do webinar do TradeNews, com Beto Saadia e analistas Nomos, sobre os desdobramentos da guerra nos investimentos.

O call será às 15h30. Não perca essa oportunidade!

Entre aqui: participar do webinar



Por Max Bohm

Depois de um longo inverno, podemos falar que os astros estão se alinhando para Prio [PRIO3].

A empresa sofreu por dois anos com a demora na aprovação de suas aquisições pelo Ibama dada a greve que o órgão federal enfrentou em 2024/2025. Esse fato impossibilitou a empresa de expandir o seu potencial produtivo nos últimos anos, mesmo tendo feitos importantes movimentos estratégicos.

Nos últimos 6 meses, as coisas começaram a mudar. A companhia realizou compras oportunísticas de campos maduros de petróleo; o Ibama avançou nas aprovações; e mais recentemente com a escalada do conflito entre Irã e EUA, o petróleo superou os US$ 100, tendo se valorizado mais de 45% no último mês.

Esse cenário pode fazer a PRIO entregar um crescimento de geração de caixa operacional expressivo em 2026, já que a empresa deve atingir uma produção total de 200 mil barris por dia (hoje 150 mil) e possui um dos menores custos de extração de petróleo e gás (lifting cost) da indústria (US$ 12/13).

Ou seja, nos próximos meses veremos a companhia expandindo suas operações e vendendo mais petróleo a um preço bem mais alto. Isso é margem na veia de PRIO3.

Os astros estão tão alinhados que o management já fala em distribuição de dividendos em 2027, posto que a alavancagem financeira vai ter uma redução com a geração de caixa e abrirá espaço para uma maior remuneração aos acionistas.

Falando de valuation, ao olharmos 2027 quando a empresa terá a sua capacidade produtiva máxima, a empresa negocia abaixo de 4,0x EV/EBITDA – múltiplo descontado em relação às empresas internacionais de petróleo que negociam a uma média de 6,0x EV/Ebitda.

Com petróleo acima de US$ 80 no médio prazo e a empresa entregando expansão de Ebitda nos próximos trimestres, enxergamos a PRIO3 alçando voos maiores, podem chegar em níveis mais próximos de R$ 80 (upside de 25%).

Petróleo se prepara para os US$ 100 conforme produtores cortam produção.

8 de Março de 2026, 13:53

O conflito militar entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no último sábado (28), pressiona os mercados globais e eleva o risco inflacionário nos próximos meses. A cotação do petróleo Brent chegou a US$ 92,69 o barril na sexta-feira — e ameaça romper a barreira dos US$ 100 caso o conflito se prolongue, abrindo caminho para um cenário de estagflação nas principais economias.

O mercado trabalha com o cenário-base de encerramento do conflito dentro do prazo de quatro a seis semanas estipulado por Donald Trump, com retomada parcial da navegação no estreito garantida pela Marinha americana. Ainda assim, a pressão inflacionária já está contratada.

Paralelamente, a semana traz uma bateria relevante de indicadores econômicos. Nos EUA, serão divulgados o CPI de fevereiro (11) e o PCE — índice de inflação preferido do Fed —, além da segunda leitura do PIB do quarto trimestre (13). No Brasil, o IPCA de fevereiro (12) e os dados de varejo e serviços de janeiro ditarão o tom para a reunião do Copom de 17 e 18 de março, onde um corte de apenas 25 pontos-base na Selic — de 15% para 14,75% — ganha força. China e Japão também publicam dados relevantes de inflação, balança comercial e PIB.

Classes de Ativos

Março

2026

De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

A semana termina com pressão sobre o mercado brasileiro. O Ibovespa registra queda e se aproxima das mínimas dos últimos dois meses, em um cenário marcado por tensões geopolíticas e aversão ao risco global. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento negativo pode se estender no curto prazo. “O índice teve um fechamento semanal bastante fraco, perdendo níveis importantes e acompanhando o clima de tensão internacional”, afirma. Segundo ele, o mercado pode buscar a faixa entre 174 mil e 171 mil pontos nas próximas semanas. Borges diz que, neste cenário, a estratégia favorece posições vendidas. “Só voltaria a considerar operações compradoras se o Ibovespa fechar acima de 186.600 pontos”, afirma.

Vale [VALE3]

Entre os papéis de maior peso no índice, as ações da Vale ampliaram as perdas. O ativo rompeu o nível de R$ 82 nas últimas semanas e encerrou o período próximo de R$ 79. De acordo com Borges, o cenário técnico segue desfavorável no curto prazo. “A perda de R$ 82 confirmou a saída do ativo e abriu espaço para novas quedas”, diz. O analista avalia que a região entre R$ 71 e R$ 62 pode voltar a atrair compradores. “Entre R$ 62 e R$ 63 existe uma área de defesa importante dos compradores, que pode gerar novas oportunidades de compra”, afirma. Até lá, ele recomenda cautela com o papel.

Bitcoin

No mercado de criptomoedas, o Bitcoin também mostra sinais de fraqueza após uma tentativa de recuperação. A moeda chegou à região de US$ 74 mil, mas voltou a recuar nos últimos dias. Para Borges, o movimento indica continuidade da tendência de baixa no curto prazo. “O Bitcoin voltou a mostrar fraqueza depois da tentativa de reação”, afirma. Segundo o analista, o ativo pode testar primeiro a região de US$ 64 mil. “Abaixo desse nível, os próximos suportes aparecem em US$ 59 mil e depois em US$ 52 mil”, diz.

Petrobras [PETR4]

Já as ações da Petrobras acumulam forte valorização recente, impulsionadas pela alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. O risco de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial, sustentou a valorização do setor. Para Borges, o papel atingiu uma região importante de preço. “A ação chegou ao alvo técnico entre R$ 42 e R$ 42,50”, afirma. Diante disso, o analista recomenda cautela com novas posições. “Neste ponto, faz sentido realizar parte dos lucros e ajustar o stop abaixo da mínima do dia, em R$ 39,80, para proteger o ganho recente”, diz.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Ambev: Who are you? - BTG Pactual

O BTG Pactual afirma que a Ambev recuperou sua estabilidade operacional após uma década marcada por perda de participação de mercado e compressão de margens. Segundo o banco, a empresa reconstruiu market share, estabilizou margens e elevou o retorno sobre o capital investido para cerca de 30% a 31%, mas ainda abaixo dos níveis históricos acima de 35%.

Confira o relatório completo

Economia em destaque - XP

As tensões aumentaram no Irã após uma nova onda de ataques de ambos os lados. O presidente Donald Trump afirmou que não pretende fazer acordos, a menos que seja uma rendição incondicional. Somado ao fechamento do Estreito de Ormuz, a declaração fez com que o preço do petróleo alcançasse 90 dólares por barril.

Condira o relatório completo

Vale: momentum or valuation? - XP

As ações da Vale seguem em forte tendência de alta (VALE +80% nos últimos 12 meses), sustentadas pelo movimento amplo de desvalorização de moedas e pela rotação de investimentos dos Estados Unidos para mercados emergentes. Nesse cenário, a Vale se destaca como uma das principais beneficiárias da entrada de capital estrangeiro.

Confira o relatório completo

Brasil macro mensal - XP

“Impulsos de renda e crédito devem reacelerar a atividade em 2026, após estabilidade no segundo semestre de 2025. Mantivemos a projeção de 2,0% para o PIB deste ano. Esperamos aumento de 1,2% em 2027, refletindo medidas de ajuste fiscal e condições monetárias ainda restritivas”, informou a XP.

Confira o relatório completo

Weg: a teoria de cresimento da companhia - BTG Pactual

O BTG Pactual afirma que a principal oportunidade de crescimento da WEG está no seu negócio central de motores de baixa tensão. Segundo o banco, não é necessário projetar novos mercados ou produtos para justificar a expansão da companhia.

Confira o relatório completo

Mídia Recomendada

1. Ulisses Nehmi, CEO da Sparta, discute no Stock Pickers a atual fragilidade do mercado de crédito privado e por que a gestor de crédito, ao contrário do consenso, não gosta de juro alto.
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2. HIX Capital detalha o otimismo com Orizon e Eneva, destacando a resiliência operacional desses ativos.
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3. A IP Capital Partners examina o atual frenesi tecnológico, separando fundamentos de ruídos. O documento disseca o futuro da Alphabet e utiliza lições da radiologia médica como metáfora sobre o papel humano na automação.

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4. Quando a Incerteza bate. As Primeiras 72 Horas de Medo. Uma perspectiva comportamental sobre a reabertura dos mercados após um conflito no mundo real. Por Bernard Hunter

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5. Pela primeira vez, a The New Yorker abre seus escritórios ao diretor vencedor do Oscar Marshall Curry, permitindo acesso sem precedentes à sua redação.

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MEMOLOGY

Março

r/wallstreetbets - Red light therapy is key. Practice for Monday.

O planejamento financeiro mais perigoso é assumir que seu empregador continuará te pagando

NVIDIA

r/wallstreetbets - Here we go again

A vida é um videogame.

Não reclame sobre como os outros o jogam.

Não gaste seu tempo moendo (grinding) atributos arbitrários.

Um dia você acordará e desejará ter se divertido mais.

Itaú BBA divulga 26 ações favoritas para 2026 após volatilidade do mercado

5 de Março de 2026, 13:49

O Itaú BBA divulgou nesta quinta-feira (5) seu relatório temático “26 Ações para 2026”, selecionando os papéis mais recomendados por sua equipe de research após o período de volatilidade nos mercados. A lista abrange 13 setores da economia brasileira, além de uma aposta global no setor de tecnologia, e reflete uma visão construtiva sobre o Brasil em relação aos demais países emergentes.

Segundo o banco, o Brasil tem se destacado como um dos melhores mercados emergentes no acumulado do ano, beneficiado pela realocação de recursos além dos Estados Unidos e pela busca por ativos reais. O portfólio igual-ponderado das 26 ações projetaria crescimento médio de lucro por ação (EPS) de 19%, crescimento de EBITDA de 26,1%, retorno sobre patrimônio (ROE) de 18,5% e retorno ao acionista de 11% em 2026, negociando a 14 vezes P/L, em linha com a média histórica de 5 anos.

Vale destacar que a carteira do ano anterior, com 25 ações para 2025, rendeu retorno médio de 55%, superando o Ibovespa em 10 pontos percentuais.

As 26 ações selecionadas por setor

Agronegócio e Alimentos e Bebidas

JBS [JBS] foi escolhida pela sua plataforma diversificada, que oferece vantagem competitiva diante da volatilidade das commodities. Com atuação em mais de 20 países e marcas como Friboi, Swift, Seara e Pilgrim’s Pride, a empresa deve passar por uma reprecificação de múltiplos após sua listagem nos EUA. O banco estima um FCF yield de 8% em 2026, com o papel negociando a 6,5 vezes EV/EBITDA.

3tentos [TTEN3] se destaca por sua plataforma integrada, que combina lojas, esmagamento de soja e uma divisão de trading no Rio Grande do Sul, com expansão em curso para o Mato Grosso e outras regiões. O banco projeta crescimento de lucro de 50,6% em 2026 e CAGR de EPS de 25% em dois anos.

Bancos e Serviços Financeiros

Bradesco [BBDC4] é a principal escolha do banco no segmento de grandes bancos. A instituição vem restaurando sua capacidade de geração de receita de crédito e deve registrar crescimento de lucro de 19% em 2026, com ROE chegando a 16,6%. O papel negocia a 7 vezes P/L e 1,2 vez P/VPA, valuation considerado atrativo pelo Itaú BBA.

B3 [B3SA3] é apontada como a principal escolha em serviços financeiros. A bolsa brasileira é uma beneficiária direta da recuperação do mercado acionário, da entrada de capital estrangeiro e da eventual queda da Selic. O banco projeta crescimento de lucro líquido de 13% em 2026 e dividend yield de 7,3%, com preço-alvo atualizado para R$ 22.

Consumo e Varejo

Mercado Livre [MELI] é visto como líder absoluto do e-commerce na América Latina, com 40% de participação de mercado no Brasil em 2025. A tese de investimento combina crescimento do GMV, expansão de margens no segundo semestre e o potencial do Mercado Pago como um dos bancos digitais de maior crescimento na região. O banco projeta crescimento de lucro de 39% em 2026.

Panvel [PNVL3] é destacada como uma das melhores formas de se expor à tendência de medicamentos GLP-1 no Brasil. A rede farmacêutica, segunda maior player regional no Sul do país, deve registrar CAGR de EPS de 32% em três anos, negociando a 13 vezes P/L para 2026.

Smart Fit [SMFT3] é líder de academias na América Latina, presente em mais de 15 países. Apesar de pressões de margem no curto prazo, o banco acredita que o risco competitivo é superestimado pelo mercado, com apenas 24% das unidades no Brasil efetivamente expostas à concorrência. O papel deve negociar a 10,3 vezes P/L para 2027.

Saúde e Educação

Rede D’Or [RDOR3] é o maior grupo hospitalar privado do Brasil, com mais de 11 mil leitos. O banco projeta crescimento de EBITDA de dois dígitos em 2026 e CAGR de lucro de 19% entre 2026 e 2028, com a maturação dos hospitais em expansão e a melhora no índice de sinistralidade da SulAmérica.

Mater Dei [MATD3] vem apresentando melhora nas taxas de ocupação e nos tickets médios. O banco estima CAGR de lucro de 26% entre 2026 e 2029, com o papel negociando a 12 vezes P/L em 2026.

Yduqs [YDUQ3] é favorecida pela maior geração de caixa recente, impulsionada por ganhos de eficiência e crescimento do segmento Premium, que inclui Ibmec e medicina. O FCF yield projetado para 2026 é de 14%, com o papel negociando a apenas 6 vezes P/L.

Petróleo e Gás

PRIO [PRIO3] é apontada como uma das melhores relações risco-retorno em geração de caixa. A empresa inicia 2026 com momento operacional renovado pelo início da produção no campo Wahoo e pela assunção das operações no campo Peregrino. Com preço do Brent a US$ 60/barril, o FCF yield projetado é de 12% em 2026 e 25% em 2027.

Vibra Energia [VBBR3] se beneficia de um ambiente regulatório mais favorável para o setor de distribuição de combustíveis. O banco mantém visão positiva sobre a melhora estrutural do setor e aposta em ganhos de volume para a empresa, especialmente em etanol, caso o regime tributário monofásico avance.

Papel, Celulose, Siderurgia e Mineração

Suzano [SUZB3] é a principal escolha do Itaú BBA no setor de papel e celulose na América Latina. A empresa deve registrar crescimento de EBITDA de 14% em 2026, beneficiada pelos resultados do projeto Cerrado e por preços de celulose mais firmes no curto prazo. O banco enxerga upside de 24% pelo DCF.

Vale [VALE3] se destaca pela qualidade superior do minério de ferro e pela resiliência dos preços diante de expectativas mais pessimistas. A produção em 2025 atingiu 314 milhões de toneladas, o maior nível desde 2018. O papel negocia a 4,9 vezes EV/EBITDA, com desconto de 20% em relação às mineradoras australianas.

Imóveis

Allos [ALOS3] é o maior operador de shoppings do Brasil e da América Latina em ABL. A companhia combina histórico de alocação de capital disciplinada com dividend yield de 11,5% nos próximos 12 meses. O banco estima retorno total de 28% ao acionista em um ano.

Tenda [TEND3] está bem posicionada para capturar as condições favoráveis do programa Minha Casa Minha Vida. Com ROE de 31% em 2026 e FCF sólido, o papel negocia a apenas 6,1 vezes P/L, um desconto de 25% em relação aos pares.

Moura Dubeux [MDNE3] consolidou sua posição como o principal incorporador do Nordeste, com cerca de 25% de participação de mercado no segmento de alto padrão. A empresa acaba de entrar no segmento de baixa renda por meio de uma parceria com a Direcional, o que amplia significativamente o mercado endereçável. O banco vê upside de 40% para o preço-alvo de R$ 43.

Transporte e Bens de Capital

Embraer [EMBJ3] vive seu período de colheita, com demanda sólida, expansão de margens e desalavancagem. O banco projeta crescimento de EBIT entre 15% e 20% em 2026, com entregas crescendo 10% no ano. A TIR implícita estimada é de cerca de 14% ao ano em dólares.

GPS [GGPS3] é líder em serviços terceirizados no Brasil. A retomada do crescimento inorgânico via fusões e aquisições e a melhora da rentabilidade dos contratos herdados da GRSA devem impulsionar crescimento de lucro de 37% entre 2025 e 2026. O papel negocia a 13,5 vezes P/L.

Tecnologia, Mídia e Telecom (TMT)

Totvs [TOTS3] é descrita como um “compounder defensivo”, com cerca de 90% das receitas de caráter recorrente, altos custos de troca e receitas indexadas à inflação. O banco projeta CAGR de EPS de 25% entre 2026 e 2029, com o papel negociando a 21 vezes P/L, abaixo de sua média histórica.

Bemobi [BMOB3] vem acelerando seu segmento de pagamentos, que cresceu 32% em 2025. Com dividend yield de 8% e payout de 100% projetados para 2026, o papel negocia a 10,5 vezes P/L ajustado.

Utilidades

Axia Energia [AXIA3] é vista como um dos melhores pagadores de dividendos do setor elétrico, após resolver disputas com o governo federal e vender sua participação na Eletronuclear. Com o cenário de preços de energia mais favorável, o banco vê potencial para dividend yield médio de 15% no cenário das curvas DCIDE.

Eneva [ENEV3] é apontada como a principal escolha do Itaú BBA no setor em 2026. A empresa combina forte despacho térmico pela hidrologia fraca e potencial de criação de valor no leilão de capacidade de reserva (LRCAP 2026), com projetos como Celse 2 e Jandaia. No cenário otimista, o preço-alvo poderia chegar a R$ 26,30.

Equatorial [EQTL3] mantém histórico sólido de execução operacional e alocação de capital. O banco projeta CAGR de EBITDA de baixo dois dígitos nos próximos anos e vê a ação com TIR real implícita acima de 10%, patamar atrativo para uma empresa de alta qualidade.

Estratégia ESG

Orizon [ORVR3] é a aposta ESG do portfólio. A empresa está posicionada para se beneficiar do avanço do mercado de carbono no Brasil, com a regulamentação do SBCE prevista para os próximos anos. A companhia projeta geração de mais de 4 milhões de tCO2e em créditos certificados ao ano ao longo da próxima década, além da recente aquisição da Vital, que amplia sua presença geográfica.

Tecnologia Global

TSMC [TSMC] é a escolha do time de tecnologia global do banco. A fabricante taiwanesa de semicondutores detém mais de 70% do mercado de fundição e cerca de 90% de participação em produtos abaixo de 7nm. Com ROIC sustentável entre 20% e 25%, a empresa orienta crescimento de receita de 20% ao ano até 2029. O papel negocia a 21 vezes P/L para 2026.

Visão macro: Brasil como destino de capital

O banco destaca que o Brasil tem se beneficiado da diversificação de portfólios além dos EUA, com fluxo de capital estrangeiro relevante no acumulado do ano. A combinação de valuations atrativos, potencial de queda de juros e temas seculares como GLP-1, energia limpa e mercado de carbono sustentam a visão positiva para os ativos brasileiros em 2026.

O portfólio das 26 ações foi construído com beta médio de 1,05, crescimento de EBITDA de 26,1% e revisões positivas de estimativas de 5,9%, refletindo tanto resiliência quanto potencial de alta em um ambiente de mercado em normalização.

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Adam Capital abre posição em Coreia do Sul

5 de Março de 2026, 10:57

Redação Tradenews — Março de 2026

A Adam Capital, gestora de recursos sediada no Rio de Janeiro, revelou em sua carta mensal de fevereiro de 2026 a abertura dennova posição comprada na bolsa da Coreia do Sul. A tese, apresentada pela equipe de gestão da casa, se sustenta no argumento de que o país asiático é o maior produtor mundial de chips de memória, peça-chave na cadeia global de inteligência artificial — e está colhendo os frutos dessa posição estratégica na forma de exportações recordes e lucros corporativos em aceleração.

A tese coreana: memória como ativo estratégico da era da IA

Segundo a Adam Capital, a Coreia do Sul tende a continuar sendo amplamente beneficiada pela onda global de investimentos em inteligência artificial, uma vez que o país domina a produção mundial de chips de memória. A avaliação da casa é de que os ganhos futuros das empresas ligadas a essa cadeia são “subestimados pelo mercado”.

Dados recentes reforçam a convicção da gestora. As exportações coreanas de semicondutores registraram expansão de 160,8% na comparação anual em fevereiro, atingindo o valor recorde de US$ 25,16 bilhões em um único mês. Foi o terceiro mês consecutivo em que as vendas externas de chips superaram a marca de US$ 20 bilhões. No total, as exportações do país alcançaram US$ 67,5 bilhões em fevereiro.

IA como motor da economia americana

A nova posição na Coreia do Sul se insere em uma visão mais ampla da Adam Capital sobre o impacto transformador da inteligência artificial na economia mundial. Na carta de fevereiro, a gestora reitera que a economia americana segue crescendo a um ritmo real de cerca de 3% na demanda doméstica, e que boa parte desse dinamismo está direta ou indiretamente ligado à expansão de atividades relacionadas à IA.

A gestora destaca que os resultados corporativos das grandes empresas de tecnologia globais continuam apresentando fundamentos sólidos do ponto de vista de investimentos e adoção de modelos e ferramentas de IA. Os principais gargalos, segundo a Adam Capital, estão do lado da oferta, enquanto a demanda por essas soluções cresce de forma exponencial.

Cautela com o Brasil: juro longo e câmbio no radar

No cenário doméstico, a Adam Capital mantém uma postura mais cautelosa. A gestora avalia que a economia brasileira deve passar por uma forte correção agravados pela sinalização do Banco Central de cortar juros em um ano eleitoral e com a economia aquecida. A inflação de serviços segue em trajetória elevada, com a taxa de desemprego nas mínimas históricas — em torno de 5%, contra os 13% vigentes nos ciclos anteriores de afrouxamento monetário de 2016 e 2019.

A casa destaca ainda o maior erro de projeção do IPCA-15 em mais de 20 anos na leitura de fevereiro: enquanto o consenso de mercado apontava para 0,56%, o indicador veio em 0,84%, uma subestimação de 28 pontos-base, puxada pela pressão em serviços. Na avaliação da gestora, o Brasil contou com uma sequência de choques favoráveis em 2025 — como a desvalorização global do dólar, a queda do petróleo e uma boa safra —, mas esses fatores são externos e não podem ser extrapolados indefinidamente.

Em função desse diagnóstico, a Adam Capital mantém posições tomadas em juros nominais longos, aplicadas em juros reais e compradas em câmbio no portfólio doméstico.

Visão de portfólio

A inclusão da Coreia do Sul complementa a tese central da Adam Capital, que segue priorizando ativos ligados à economia americana e ao ciclo de inteligência artificial.


As informações desta reportagem foram extraídas da carta mensal de fevereiro de 2026 da Adam Capital Gestão de Recursos. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

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Carteiras de março: confira a atualização das principais casas para o mês

3 de Março de 2026, 11:16

O post será atualizado à medida que novas divulgações estiverem disponíveis

Small Caps - BTG Pactual | Março

Confira a carteira completa

O BTG Pactual atualizou a carteira de Small Caps para março com uma mudança. Smart Fit [#SMFT3] passou a integrar o portfólio do mês. Segundo o banco, a ação combina crescimento consistente de receita, ganho de alavancagem operacional e negocia a 13 vezes o lucro estimado para 2026. A casa projeta expansão média de 32% ao ano no lucro por ação entre 2025 e 2028.

Permanecem na carteira Aura [#AURA33], Copasa [#CSMG3], Sanepar [#SAPR11], GPS [#GGPS3], 3tentos [#TTEN3], Pague Menos [#PGMN3], C&A [#CEAB3], Tenda [#TEND3] e Vitru [#VTRU3].Em contrapartida, Inter [#INBR32] deixou o portfólio.

10SIM – BTG Pactual | Março

Confira a carteira completa

O BTG Pactual atualizou a carteira 10SIM de março após mais um mês de forte entrada de capital estrangeiro e alta do Ibovespa. Segundo o banco, as ações brasileiras negociam próximas da média histórica, o que reforça a busca por papéis com valuation atrativo, liquidez e gatilhos específicos. Em meio ao conflito no Irã, a casa manteve a exposição a petróleo e ouro, por meio de Aura [#AURA33] e PetroRio [#PRIO3].

Motiva [#MOTV3] entra com TIR real de 11%; Raia [#RADL3] sai

A Motiva [#MOTV3] passa a integrar o portfólio. O BTG destaca que a companhia reorganizou o portfólio em 2025 e está preparada para um pipeline robusto de novos projetos e reciclagem de capital. O banco estima TIR real de 11% para a ação. Para abrir espaço, a Raia [#RADL3] foi retirada, após forte valorização e negociação a 28 vezes o lucro estimado para 2026.

Menor peso em Nubank [#ROXO34]

O BTG reduziu a fatia de Nubank [#ROXO34] de 15% para 10%, após resultados abaixo do esperado. A carteira segue com exposição relevante a bancos por meio de Itaú [#ITUB4], enquanto Stone [#STOC31] complementa a posição no setor financeiro com 5%.

Mais utilities; Axia [#AXIA3] sobe para 15%

A exposição ao setor de utilities subiu de 20% para 25%. A participação de Axia [#AXIA3] aumentou de 10% para 15%, enquanto Eneva [#ENEV3] foi mantida. No consumo, a Allos [#ALOS3] permanece na carteira por mais um mês.

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Além da guerra, agenda cheia

1 de Março de 2026, 17:18

A semana de 1º a 6 de março será crucial para a economia brasileira e americana, com a divulgação de dados importantes que influenciarão os mercados. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no quarto trimestre de 2025 e os dados do mercado de trabalho de janeiro estarão no centro das atenções. Leandro Manzoni, economista do Investing, destaca que “as expectativas são altas, especialmente após os sinais contraditórios recentes do mercado de trabalho nos EUA, onde o Federal Reserve indica uma estabilização”.

No Brasil, os investidores estarão atentos à prévia da inflação, enquanto a Opep se reunirá no domingo para discutir a produção de petróleo. “Com o preço do barril acima de US$ 70, é esperado um aumento na oferta em abril”, acrescenta Manzoni. Além disso, a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de janeiro poderá revelar uma recuperação nas vagas formais após o tombo de dezembro.

Os dados econômicos dos EUA incluirão o relatório de empregos não agrícolas (payroll), cuja expectativa é de geração de 60 mil novas vagas. “Esse indicador é fundamental para avaliar a saúde do mercado de trabalho americano e suas implicações para a política monetária do Fed”, conclui o analista.

Principais classes de ativos

De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Índice Bovespa apresentou um movimento lateral nesta semana, mantendo a mesma tendência de alta observada na semana anterior. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, “o mercado continua com topos e fundos ascendentes”, embora se perceba uma desaceleração nesse movimento de alta. “Ainda acredito que, mesmo com essa formação, o mercado deve se direcionar para os 195, quiçá 200 mil pontos nos próximos dias”, acrescenta. O suporte mais relevante permanece em 183.555 pontos, com o alvo projetado para os 200 mil pontos.

Vulcabras [VULC3]

Em relação à Vulcabras, a análise é positiva, com a operação na ponta compradora em um gráfico semanal. O ativo fechou mais uma semana em alta, embora não tenha oscilado significativamente. “O fechamento acima do da semana passada caracteriza uma continuação do movimento de alta”, observa Borges. A resistência mais próxima está em R$ 20,18; superando esse patamar, o analista acredita que “podemos ver uma grande aceleração no ativo, com um alvo principal entre R$ 23,30 e R$ 25,00”.

Orizon [ORVR3]

A Orizon também é uma boa opção para Swing Trade, com a ação próxima do ponto de entrada a R$ 74,50. “Para quem estiver de fora, vale a pena considerar a entrada”, recomenda Filipe Borges. A resistência seguinte está em R$ 77,00, e, caso essa barreira seja rompida, ele projeta alvos entre R$ 83,00 e R$ 86,00. O ativo apresenta uma formação sólida tanto no gráfico diário quanto no semanal, “capturando liquidez dos fundos e mostrando excelente movimentação para os próximos dias”, explica. O rompimento de R$ 75,70 abrirá espaço para buscar a máxima em R$ 77,00, com a expectativa de alcançar entre R$ 82,00 e R$ 86,00. O stop deve ser posicionado abaixo de R$ 68,50.

Desktop [DESK3]

Por outro lado, a Desktop (DESK3) segue uma tendência baixista no gráfico diário, após o rompimento de uma cunha ascendente. “Observamos uma aceleração na queda, seguida de uma correção até a região entre R$ 16,00 e R$ 17,00”, informa Borges. Ele destaca que a operação na ponta vendedora foi iniciada a R$ 14,99 e está “muito alinhada para continuar caindo”. Recentemente, a empresa estava em negociação com a Claro, mas uma nova informação revelou que essa negociação está travada, “o que indica uma grande dificuldade para um desfecho positivo”, afirma. A meta de lucro na ponta vendedora é de 40%, com o alvo projetado entre R$ 9,00 e R$ 7,80. Para quem já possui posição em DESK3, o último suporte válido para manutenção da operação é até R$ 12,00. “Abaixo disso, não faz sentido manter a operação vendedora”, conclui Borges.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Aura Minerals - JP Morgan

O JP Morgan iniciou a cobertura da Aura Minerals [AURA33] com recomendação Overweight (equivalente compra). Para o banco, a companhia combina três vetores difíceis de encontrar simultaneamente no setor de mineração: forte exposição ao ouro, crescimento acelerado de produção e geração robusta de caixa com disciplina de capital.

A tese é direta: a Aura oferece uma forma alavancada e ainda descontada de capturar um ciclo estruturalmente positivo para o ouro.

Confira o relatório completo

Saúde | O fim da escala 6x1 - BTG Pactual

O BTG Pactual analisou os impactos de uma eventual mudança na legislação trabalhista brasileira, que visa reduzir a jornada semanal de 44 horas e encerrar o regime 6x1. O banco estima que empresas de saúde como Rede D’Or [#RDOR3], Hapvida [#HAPV3], Fleury [#FLRY3], Dasa [#DASA3] e Mater Dei [#MATD3] poderiam sofrer um impacto negativo entre o baixo e o médio dígito único (1% a 5%) no EBITDA.

Confira o relatório completo

Precificando Resíduos, Destravando Valor: Um Deep-Dive em Vital e Orizon Pós-Aquisição - XP

A XP atualizou as estimativas para a Orizon e definiu novo preço-alvo, após analisar em detalhes a aquisição da Vital. A casa calcula que a operação gerou cerca de R$ 3 bilhões em valor para os acionistas, considerando expansão de projetos de biometano já anunciados, monetização parcial de créditos de carbono e potencial de ganho acima das obrigações regulatórias no contrato da Ecourbis. A XP também revisou premissas, com leve alta na projeção de crescimento real de longo prazo de volumes e de tarifa de destinação de resíduos, além de ajuste na curva de créditos de carbono.

Confira o resultado completo

LatAm Equity Strategy: Argentina - Itaú BBA

“Mensagem principal: Levemente positiva. Realizamos uma videoconferência com Claudio Maulhardt, Gestor de Portfólio da Copernico Capital / Galileo, para discutir riscos e oportunidades no mercado de ações argentino. Claudio possui vasta experiência na gestão de fundos de ações focados na Argentina ao longo de diversos ciclos econômicos”, informou o Itaú BBA.

Confira o relatório completo

Pesquisa com assessores XP

Uma pesquisa recente da XP indica um aumento nas alocações em ações, embora o apetite por risco tenha diminuído. A intenção de reduzir a exposição a ações subiu para 9%, enquanto 33% planejam aumentar essa alocação. O sentimento em relação ao mercado acionário melhorou ligeiramente, passando de 7,0 para 7,2 em uma escala de 0 a 10. A renda fixa continua sendo a classe de ativos preferida, com 46% mostrando interesse em ações. As principais preocupações permanecem em torno de riscos fiscais, instabilidade política e riscos geopolíticos. As carteiras de ações dos clientes acompanharam a recente alta do Ibovespa, com 42% dos assessores relatando desempenho em linha com o índice. Essa é uma prévia dos resultados completos do relatório.

Confira a pesquisa completa

Ouro: Tese de investimento e alocação estratégica - BTG Pactual

O ouro valorizou mais de 60% em dólares ao longo de 2025, atingindo novas máximas históricas acima de US$ 5.000 por onça troy, e já acumula alta de 20% em 2026. Neste relatório, analisamos os fatores estruturais por trás dessa performance e avaliamos o papel do metal precioso como componente de alocação estratégica em portfólios diversificados.

Confira o relatório completo

Aura Minerals [AURA33]: o pote de ouro no fim do arco-íris

25 de Fevereiro de 2026, 12:00

O JP Morgan iniciou a cobertura da Aura Minerals [AURA33] com recomendação Overweight (equivalente compra) e preço-alvo de R$ 189,00 por ação até o fim de 2026, o que implica upside de 35% em relação aos último fechamento. Para o banco, a companhia combina três vetores difíceis de encontrar simultaneamente no setor de mineração: forte exposição ao ouro, crescimento acelerado de produção e geração robusta de caixa com disciplina de capital.

A tese é direta: a Aura oferece uma forma alavancada e ainda descontada de capturar um ciclo estruturalmente positivo para o ouro.

Uma “golden opportunity” em um cenário de ouro mais alto

A recomendação parte de uma visão macro construtiva. A equipe de commodities do JP Morgan projeta o ouro a US$ 6.300 por onça até o fim de 2026 e US$ 6.600 em 2027, acima do patamar atual próximo de US$ 5.000. A leitura é que a recente volatilidade — após o metal ter tocado quase US$ 5.600 no início de 2026 — representa mais um ajuste técnico do que mudança estrutural de tendência.

Segundo o banco, a demanda permanece sólida. ETFs voltaram a registrar entradas relevantes, enquanto bancos centrais seguem acumulando reservas, num movimento associado à diversificação cambial, proteção contra inflação e incerteza geopolítica.

Com cerca de 90% da receita atrelada ao ouro, a Aura é praticamente um pure play do metal — característica que amplia sua correlação com o ciclo positivo projetado pelo banco.

Percentual da receita da companhia [Fonte: JP Morgan]

Crescimento acelerado até 2028

Se o pano de fundo macro sustenta a tese, o crescimento operacional reforça o argumento.

A Aura produz atualmente o equivalente a 295 mil onças de ouro e opera sete minas em quatro países: Aranzazu (México), Minosa (Honduras), Almas, Apoena, Borborema e Serra Grande (Brasil), além do recém-anunciado projeto Era Dorada (Guatemala). Desde 2017, a companhia mais que dobrou sua produção, com CAGR de EBITDA de 44%.

O JP Morgan projeta que, até 2028, os volumes avancem cerca de 75%, atingindo 512 mil onças equivalentes, com CAGR de EBITDA de aproximadamente 60% no período. O principal catalisador é a entrada plena de Era Dorada, que pode adicionar cerca de 100 mil onças anuais quando estiver totalmente operacional.

Há ainda a mina de Matupá, já licenciada, mas que não está incorporada nas estimativas do banco neste momento — um potencial opcional adicional no médio prazo.

Modelo estratégico: M&A com disciplina e desenvolvimento interno

A Aura construiu seu crescimento combinando aquisições e desenvolvimento orgânico.

Do lado inorgânico, a empresa tem histórico de reestruturação bem-sucedida de ativos. Em Aranzazu, por exemplo, conseguiu ampliar significativamente a vida útil da mina por meio de exploração adicional. Em Apoena, manteve custos sob controle mesmo com aumento de produção.

Do lado orgânico, projetos como Almas e Borborema — desenvolvidos internamente desde a fase exploratória — hoje representam parcela relevante do valor da companhia. O JP Morgan estima um NAV próximo de US$ 3,5 bilhões para esses ativos.

Esse modelo reduz a dependência exclusiva de aquisições e permite maior seletividade em novos negócios.

Geração de caixa e dividendos no radar

Apesar do perfil de crescimento, a Aura mantém uma estrutura de capital conservadora. O JP Morgan projeta alavancagem negativa de -0,3x dívida líquida/EBITDA em 2026, o que dá flexibilidade para financiar expansão sem comprometer retorno ao acionista.

A política de dividendos prevê distribuição de 20% do EBITDA, excluindo capex de manutenção e exploração. Em 2025, a companhia distribuiu aproximadamente US$ 280 milhões entre dividendos e recompras.

Para 2026, o banco estima FCF yield de 13,7% e dividend yield de 4,1%, com expectativa de crescimento acumulado de dividendos de cerca de 17% entre 2026 e 2028, acompanhando o pico de produção e EBITDA.

Valuation: desconto frente aos pares

Mesmo com esse perfil, a Aura negocia a 4,3x EV/EBITDA 2026, segundo o JP Morgan — abaixo da média de aproximadamente 6,4x dos pares globais.

O banco reconhece que a companhia tem menor liquidez e maior perfil de risco por ser um produtor de porte intermediário, mas avalia que o desconto atual mais do que compensa esses fatores, especialmente em um cenário estruturalmente positivo para o ouro.

Riscos no radar

A principal variável continua sendo o preço do ouro. Como a maior parte da receita depende do metal, oscilações relevantes impactam diretamente resultados.

Há também riscos operacionais — típicos de mineradoras de médio porte — e desafios relacionados a relacionamento com comunidades locais. No plano macro, variáveis como força do dólar, trajetória da dívida americana, política monetária do Federal Reserve e tensões geopolíticas permanecem determinantes para o preço do ouro.

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Citrini Research desenha nos EUA o cenário de Mad Max

24 de Fevereiro de 2026, 10:49

O relatório da Citrini cai na armadilha histórica do investidor. E do ser-humano. De acreditar que todo avanço tecnológico decentraliza o consumo, que aumenta a competição. Tem sido assim no passado da tecnologia digital?


Um funcionário arquiteto de IA de uma empresa de logística substitui um software caro contratado pela sua mesma empresa? A resposta hoje é não.

Mas com os agentes de IA, a perspectiva de isso acontecer é real. De toda forma, quem vai ganhar esse jogo, o funcionário da nova geração ou a empresa de software que demitirá metade dos funcionários e cobrará metade por um produto.

Proponho um exercício. Se você é o CFO de uma empresa de capital aberto, discrimine todos os seus fornecedores. Quais desses você tem capital humano para fazer in-house? Diria que a maioria. Por que não faz? Porque outsourcing é melhor e mais barato.

Se os agentes de IA commoditizaram a criação de software, empresas Saas precisarão diferenciais competitivos como dados proprietários, integração, risco regulatório e legal. Quais dessas farão isso? Esse deveria ser a pergunta.

A realidade é que um monte de fundos de Private Equity com cotistas leigos comprou essas empresas e entupiu elas de dívida.

Outro equívoco do texto. Acreditar que o consumo digital é feito como um leilão, na busca pelo produto ou serviço mais barato. A Citrini acredita que a internet será um grande site da Buscapé late 90s.

Hoje, a forma mais barata de consumir um produto na internet não é buscando pelo produto mais barato. É se fidelizando a alguma plataforma. Eu não uso o Mercado Livre porque é cômodo (o texto chama de consumo passivo). A fidelização em poucas plataformas me oferece frete grátis, cashback competitivo, Disney+. A Vivo no Brasil paga meu Perplexity.

Do mesmo jeito Solana ou Ethereum não disruptarão a Mastercard. Se nem o PIX fez isso. É o mesmo erro achar que o cartão é uma empresa de meios de pagamento ou que a Ambev é uma empresa de bebidas. Não é.

Mastercard é antecipação de crédito, score de risco, segurança digital, insights de mercado. Ambev é logística.

Sobre o cenário Macro

O texto do Alap Shah vai além do corporativo. Ele desdobra catastroficamente que a IA provocará demissões em massa.

Todas as narrativas pessimistas com tecnologia usam o mesmo modelo linear: choque tecnológico, demissões, queda de preços e empresas quebrando.

Fosse assim, o Estados Unidos seriam o cenário de um filme do Mad Max.

A história mostra uma realidade bem diferente.

Sejamos realistas. Não podemos ignorar os agentes de IA. Na primeira derivada, empresas da Fortune 500 perderão bilhões de dólares em valor de mercado (já perderam).

Mas commoditização dos processos dentro das empresas não significa colapso. Em vez disso, reduz custos, democratiza o acesso e aumenta a renda da sociedade. Foi assim com a televisão, o PC, a internet.

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13F: Bilionários vendem IA e migram para energia e saúde

23 de Fevereiro de 2026, 11:41

O que é o 13F?

Relatório trimestral obrigatório para gestores com mais de US$ 100 milhões em ativos. Embora apresente um atraso de 45 dias, oferece transparência sobre onde o “smart money” está alocado.

O encerramento do prazo para o envio do Formulário 13F à SEC revelou movimentos estratégicos das maiores mentes de Wall Street no quarto trimestre de 2025. Enquanto a euforia com a Inteligência Artificial (IA) atinge novos patamares, investidores como Stanley Druckenmiller, Ray Dalio e David Tepper recalibram portfólios, alternando entre a realização de lucros em semicondutores e apostas na infraestrutura energética necessária para sustentar a revolução digital.


A Nova Fronteira de Druckenmiller: Energia

Stanley Druckenmiller, estrategista conhecido por antecipar o sucesso da Nvidia após o surgimento do ChatGPT, direcionou capital para um novo gargalo da tecnologia: a eletricidade. O gestor aportou US$ 64 milhões na Bloom Energy (BE).

A tese foca na demanda exponencial de data centers. A Bloom Energy converte gás natural e hidrogênio em energia limpa sem combustão, oferecendo a confiabilidade exigida pelas gigantes de tecnologia que buscam fugir da instabilidade das redes elétricas convencionais.


Dalio Dobra a Aposta em Big Techs

Apesar de manter um discurso público cauteloso sobre o déficit fiscal americano, Ray Dalio, via Bridgewater Associates, reforçou posições nas “titãs” da IA. No último trimestre, a gestora adicionou:

Nvidia (NVDA): US$ 695 milhões

Alphabet (GOOGL): US$ 487 milhões

Microsoft (MSFT): US$ 395 milhões

Amazon (AMZN): US$ 388 milhões


Alerta de Bolha? Vendas em Massa na Nvidia

Nem todos compartilham do otimismo desenfreado. Quatro bilionários reduziram exposição à Nvidia antes do relatório de lucros previsto para 25 de fevereiro:

1. Israel Englander (Millennium Management): Venda de 3 milhões de ações.

2. Chase Coleman (Tiger Global): Venda de 698 mil ações.

3. Philippe Laffont (Coatue): Venda de 667 mil ações.

4. David Tepper (Appaloosa): Venda de 200 mil ações.

Motivos para a cautela:

Realização de Lucros: A ação subiu cerca de 1.200% desde o início de 2023.

Saturação e Competição: Grandes clientes como Meta e Amazon desenvolvem chips próprios para reduzir a dependência da Nvidia.

Histórico de Bolhas: O índice Preço/Vendas (P/S) da Nvidia superou 30 em novembro, patamar que historicamente precede correções severas em setores de alta tecnologia.


Panorama Setorial: Rotação para Saúde

Elaboração XP Research

Os dados agregados mostram uma rotação para o setor de Saúde. Eli Lilly registrou o maior aumento de participação, revertendo o fluxo de saída observado ao longo de 2025. Em contrapartida, o setor de Tecnologia sofreu reduções pontuais (Microsoft, Meta, Netflix), indicando que gestores buscam equilíbrio entre crescimento e proteção de capital.

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Semana de olho em pesquisas pós-Carnaval

22 de Fevereiro de 2026, 12:25

A divulgação do IPCA-15 e do Caged na sexta-feira (27) deve consolidar as apostas do mercado sobre o tamanho do corte da Selic na reunião de março do Copom. Hoje, a maioria dos agentes projeta redução de 0,50 ponto percentual, de 15% para 14,5% ao ano, mas o dado de inflação de serviços será decisivo para confirmar ou reduzir esse movimento.

O IPCA-15 de fevereiro é visto como o próximo termômetro para a política monetária. Se a inflação de serviços e os núcleos mantiverem trajetória de desaceleração em 12 meses, o cenário de corte de 0,50 ponto ganha força. Caso contrário, o mercado pode dividir as apostas entre redução de 0,25 e 0,50 ponto.

O Caged de janeiro também entra no radar. O mês costuma registrar recuperação após o fechamento de vagas em dezembro. Economistas vão avaliar se a desaceleração na criação de empregos, observada nos últimos meses, se manteve no início de 2026. A taxa de desemprego em mínimas históricas, a massa salarial recorde e o elevado número de trabalhadores com carteira assinada sustentam a pressão sobre os preços de serviços, o que mantém a inflação distante do centro da meta de 3%.

No cenário externo, a agenda de discursos de dirigentes do Federal Reserve concentra as atenções. Parte do colegiado demonstra preocupação com a inflação, após o PCE apontar variações anuais acima da meta de 2%. A ala majoritária sinaliza cautela antes de iniciar cortes de juros, enquanto um grupo minoritário vê espaço para flexibilização caso a inflação retome trajetória de convergência.

A semana também inclui temporada de balanços no Brasil, com resultados de Vivo, Gerdau, Pão de Açúcar, Mercado Livre, Nubank, Weg, B3 e Copel. Nos Estados Unidos, o destaque é o resultado da Nvidia.

Primeiras pesquisas pós-Carnaval

Além dos indicadores econômicos, a semana reserva a divulgação de duas pesquisas eleitorais, Atlas Intel e Paraná. Será o primeiro levantamento pós-Carnaval. O mercado acompanhará os dados, especialmente após o desfile em homenagem ao presidente Lula suscitar críticas da oposição.

Rentabilidade classes de ativos

De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa encerrou a sexta-feira novamente em alta, próximo das máximas históricas, reforçando, segundo analistas, a formação de um novo pivô de alta no mercado brasileiro. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o índice ainda não apresenta sinais de exaustão. “Não temos até o momento nenhum sinal de topo marcado”, afirma. De acordo com ele, o rompimento dos 190.700 pontos pode abrir espaço para uma nova perna de alta, com projeções entre 197 mil e 201 mil pontos. “O suporte de curto prazo está na região dos 183.500 pontos, e as operações na ponta compradora de swing trade tendem a apresentar os melhores resultados nos próximos dias”, acrescenta.

Vulcabras [VULC3]

Entre as ações, Borges destaca Vulcabras, que, segundo ele, mantém uma estrutura técnica favorável após o rompimento da resistência em R$ 17,20 no gráfico semanal. “O ativo fez um movimento consistente de alta, com reteste da antiga resistência, configurando um breaker block”, explica. Para o analista, a superação dos R$ 20,30 pode levar os papéis a um intervalo entre R$ 24,00 e R$ 26,50, com stop abaixo de R$ 16,99.

Taesa [TAEE11]

Outra recomendação é Taesa, que apresenta, segundo Borges, uma formação gráfica de curto prazo semelhante a uma xícara, indicando continuidade do movimento ascendente. “Acima de R$ 45,50, o papel ganha espaço para buscar R$ 50,00 e, no alvo principal do pivô maior, trabalhar entre R$ 53,00 e R$ 58,00”, projeta.

Rede D’Or [RDOR3]

Já Rede D’Or também integra a carteira recomendada para operações de swing trade. O analista observa a formação de um pivô de alta com fundos ascendentes, sinalizando fortalecimento da pressão compradora. “Acima de R$ 45,20, o ativo pode buscar a região entre R$ 50,00 e R$ 55,07, acompanhando a possível continuidade do movimento de alta do Ibovespa e o fluxo de capital que tem entrado no país”, conclui Borges.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

The Flow Show - Bank of America

O Panorama Maior: a correlação entre o iene japonês e o Nikkei acabou de ficar positiva pela primeira vez desde 2005... nada diz mais “mercado altista secular” do que câmbio em alta e ações em alta; mas, no curto prazo, o iene japonês pressiona cripto, prata, private equity, software e energia, aumentando a dor do desmonte de posições; não se pode ter uma disparada desordenada do iene agora (isto é, JPY abaixo de 145)... isso afeta a liquidez global e sempre coincidiu com desalavancagem global.

Confira o relatório completo

TEPP11: uma tese validada na prática - BTG Pactual

O TEPP11 segue uma estratégia focada na aquisição de participações relevantes em ativos corporativos classe B, com o objetivo de implementar melhorias operacionais, estreitar o relacionamento com inquilinos, realizar benfeitorias e elevar a taxa de ocupação. A proposta é, posteriormente, desinvestir esses imóveis, capturando o ganho de capital gerado ao longo do processo.

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Imobiliário: Relatório Setorial - BB BI

Os índices de confiança e de expectativas da indústria da construção registraram avanço nas leituras iniciais de 2026, enquanto as questões relacionadas à carga tributária passaram a liderar o ranking de principais preocupações do setor.

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The Globetrotter - Itaú BBA

O Itaú BBA afirmou que realizou um road show em sete cidades da América do Norte, com reuniões com 31 fundos de diferentes perfis, incluindo emergentes, dedicados à América Latina, hedge funds, globais e multiativos. Segundo o banco, investidores globais e multiativos ganharam mais espaço na agenda, enquanto fundos de emergentes seguiram como base das discussões.

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Siderurgira e Mineração: Relatório setorial - BB BI

Dados recentes da indústria e da siderurgia na China apontam para um arrefecimento da atividade. Nos Estados Unidos, por outro lado, a produção de aço segue em alta, as importações recuaram e os preços continuam avançando.

No Brasil, as importações de aço atingiram nível recorde em 2025, embora tenha sido observada uma desaceleração nos últimos meses do ano.

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Equity Funds Positioning Monitor - XP

A XP Investimentos informou que fundos de ações com exposição líquida relevante à Bolsa movimentaram R$ 275,6 bilhões em ativos sob gestão em janeiro, considerando um universo de 1.006 carteiras. O relatório indica uma rotação para setores cíclicos no período. Bens de Capital (+184 pontos-base), Alimentos e Bebidas (+165 bps) e Propriedades para Renda (+145 bps) registraram os principais aumentos de posição. Em contrapartida, Bancos (-176 bps), TMT (-145 bps) e Utilidades Públicas (-132 bps) lideraram as reduções.

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Sinal vermelho pra WEG [WEGE3]: JP Morgan coloca selo de cuidado nos papéis

19 de Fevereiro de 2026, 15:36

O JP Morgan colocou a WEG em seu selo de alerta de curto prazo, o chamado Negative Catalyst Watch (Monitoramento de Catalisador Negativo), antes da divulgação do resultado do quarto trimestre de 2025, prevista para 25 de fevereiro. O banco avalia que o papel apresenta risco assimétrico, com maior potencial de queda do que de alta nos níveis atuais de preço.

O selo Catalyst Watch é um indicador de convicção para eventos específicos. Analistas aplicam o selo quando identificam um gatilho relevante no curto prazo que pode provocar reação nas ações. A sinalização pode divergir da recomendação formal, que considera horizonte de seis a 12 meses.

Valuation elevado e expectativa de trimestre fraco

No relatório, assinado por Marcelo Motta e Jonathan S. Koutras, o JP Morgan afirma que a Weg negocia a 32 vezes o lucro estimado para 2026 e a 21,6 vezes o múltiplo de valor da firma sobre Ebitda projetado para o mesmo ano. Segundo o banco, esse patamar embute expectativa de recuperação que deve se materializar de forma mais clara apenas em 2027.

A instituição projeta um quarto trimestre fraco, com crescimento de receita de cerca de 2% na comparação anual e margens pressionadas. Embora parte do mercado já espere um desempenho mais fraco no período, o banco acredita que a confirmação de números modestos pode levar a revisões negativas nas estimativas para 2026.

Crescimento Trimestral de Receita da Weg [Fonte: JP Morgan]
Surpresas em relação às estimativas do consenso da Bloomberg nos últimos trimestres — trimestres recentes têm sido fracos [Fonte: JP Morgan]

Desempenho recente e fluxo para emergentes

Desde a divulgação do resultado do terceiro trimestre, em 21 de outubro, as ações da Weg acumulam alta de 35%. No mesmo intervalo, o Ibovespa avançou 29%, enquanto o dólar caiu 8% frente ao real. Para o JP Morgan, parte do movimento recente reflete fluxo para mercados emergentes e não necessariamente melhora nos fundamentos da companhia.

Sensibilidade ao câmbio

O banco também destaca o impacto do câmbio nas projeções. Considerando o dólar a R$ 5,24, a estimativa aponta risco de queda de 4% a 6% na receita e no Ebitda de 2026, além de redução de 0,5 ponto percentual na margem Ebitda. Cada variação de 5% no câmbio real/dólar pode alterar a receita em cerca de 3% e o Ebitda em 5%, segundo os cálculos do relatório.

Argumentos de alta e de baixa

Entre os pontos positivos citados por investidores estão a exposição à tendência de eletrificação, a expansão do mercado de sistemas de armazenamento de energia por baterias no Brasil e a demanda por transformadores, impulsionada por novas conexões de rede e projetos ligados a inteligência artificial e data centers. A empresa também mantém posição de caixa líquido.

Do lado negativo, o JP Morgan avalia que o mercado já precifica uma recuperação que ainda não aparece nos resultados sequenciais. Além disso, cerca de 60% da receita da companhia vem do exterior, o que limita sua exposição direta a uma eventual retomada da economia brasileira.

Para o banco, o balanço do quarto trimestre será determinante para a revisão das expectativas. Caso confirme um desempenho fraco, o espaço para novas correções nas estimativas e nas ações pode aumentar no curto prazo.

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PIB e Inflação nos EUA: O ritmo que vai ditar o mercado no pós-Carnaval

15 de Fevereiro de 2026, 16:58

A semana entre 15 e 20 de fevereiro concentra a divulgação do PIB dos Estados Unidos do quarto trimestre de 2025 e do índice PCE de janeiro, principal indicador de inflação monitorado pelo Federal Reserve. O mercado projeta desaceleração do crescimento americano de 4,4% para 3% no trimestre, enquanto o PCE cheio pode acelerar de 0,2% para 0,4% na comparação mensal e de 2,8% para 2,9% em 12 meses. O núcleo do indicador deve subir de 2,8% para 3% no acumulado anual.

A agenda ocorre em meio a uma semana marcada por feriados. O Brasil terá negociações reduzidas até quarta-feira (18) por causa do Carnaval. Os Estados Unidos não terão pregão na segunda-feira (16), devido ao Dia do Presidente, e a China segue com o Ano-Novo Lunar até quinta-feira (19). Mesmo com menor liquidez no início do período, os dados econômicos devem orientar as expectativas para os juros americanos.

No Japão, o PIB do quarto trimestre será divulgado no domingo (15) à noite, com expectativa de alta de 0,4% após queda de 0,6% no trimestre anterior. Na quinta-feira, o país também publica dados de inflação, com previsão de desaceleração do índice anual de 2,1% para 1,5%. No Brasil, o Banco Central divulga o Boletim Focus e o IBC-Br de dezembro, considerado prévia do PIB.

De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa encerrou a semana próximo das máximas históricas, mas já dá sinais de perda de fôlego após a forte alta registrada depois do rompimento dos 165 mil pontos. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o movimento recente indica uma acomodação natural. “A gente percebe uma desaceleração dessa movimentação de alta, o que demonstra um possível cansaço depois da arrancada”, afirma. Segundo ele, no gráfico de quatro horas o índice mostra apenas uma correção saudável, com resistência em 190 mil pontos. “Acima dessa faixa, a grande probabilidade é buscar os 200 mil pontos.” O suporte de curto prazo está em 180 mil pontos.

Aura Minerals [AURA33]

As ações da Aura Minerals fecharam a R$ 125,80 após encontrar suporte na região de R$ 120,00. Borges afirma que o papel mantém tendência de alta no curto prazo. “Enquanto permanecer acima de R$ 120,00, vejo grande probabilidade de rompimento das máximas na região de R$ 132,00”, diz. Caso supere esse patamar, o ativo pode buscar R$ 170,00. Para o médio prazo, ele aponta suporte mais distante em R$ 103,00. “Enxergo ótima probabilidade de o ativo continuar rompendo e entregando boas movimentações”, acrescenta.

Vale [VALE3]

A Vale acumula alta consistente desde o fim de agosto, quando saiu da faixa de R$ 48,00 e chegou perto de R$ 91,00. Borges avalia que o movimento exige cautela. “Todo ativo, para continuar subindo de forma saudável, precisa passar por correções”, afirma. Ele diz que realizaria lucro na região de R$ 82,31 e espera um ajuste mais amplo antes de novas compras para médio prazo. “Gostaria de ver a Vale corrigindo entre R$ 70,00 e R$ 60,00 para voltar a montar posição”, explica.

Bitcoin

O Bitcoin recuou de US$ 100 mil para US$ 60 mil e agora pode registrar um repique técnico no curto prazo. Borges afirma que o ativo começou a trabalhar acima das médias no gráfico de 60 minutos, o que abre espaço para operações rápidas. “Aguardo o Bitcoin corrigir na região de US$ 67.500 para buscar uma compra até US$ 71.500”, diz. Ele projeta ainda uma nova venda entre US$ 75 mil e US$ 77 mil. Para os próximos meses, o analista mantém viés de baixa. “Acredito que o Bitcoin pode voltar à faixa de US$ 50 mil ou até US$ 45 mil, que seria um nível saudável de compra”, conclui.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

Clube do Livro - Itaú BBA

A casa divulga seu tradicional clube do livro, orgazido há 11 anos.

“Discutimos alocação de capital, estilo de investimento, gestão de portfólio, estratégia de investimentos, biografias, finanças comportamentais e modelos mentais, vantagens competitivas (moats), valuation, governança corporativa e alinhamento com acionistas, economia e história, impacto da tecnologia, entre outros temas”, conta o banco.

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Mapeando o uso de IA no Brasil - Safra

O relatório apresenta um panorama sobre o uso de inteligência artificial no Brasil. O levantamento reúne entrevistas com empresas de diferentes setores e com representantes do mercado financeiro.

O estudo busca identificar o estágio atual de adoção da tecnologia no país e medir o descompasso entre as expectativas criadas em torno da IA e a aplicação prática das ferramentas no dia a dia das companhias.

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Economia em destaque - XP

Um resumo semanal da economia global. A XP separa os principais acontecimentos que regiram os mercados no Brasil e no mundo.

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Vale - XP

O balanço mais comentado da semana foi comentado pelos analistas da XP, que destacaram mais um trimestre de sólida performance em custos.

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Ambev - BTG Pactual

“Em parte, os resultados do 4T25 repetem o cenário observado no 3T. A indústria de cerveja segue desafiadora, com queda de volumes na comparação anual em todos os mercados onde a companhia atua. A empresa compensou a retração com redução de custos e despesas, além de melhora no efeito preço e mix, resultado de reajustes aplicados em períodos anteriores”, comentam os analistas do BTG Pactual sobre os resultados da Ambev no 4T25.

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Monitor de posicionamento de fundos macro -XP

A XP destacou o indicador de posicionamento no kit Brasil avançou na métrica de curto prazo, impulsionado pelo aumento das posições estimadas que se beneficiam da valorização do real.

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Melhores conteúdos para o feriado

13 de Fevereiro de 2026, 14:22

O carnaval está chegando e com ele um fim de semana prolongado. Como equilíbrio é parte fundamental da existência humana, para que não vivam apenas de folia, a Equipe TradeNews separou os melhores conteúdos para não permitir que seus neurônios atrofiem no bloco, ou no scroling. Juntamos indicações dos integrantes do nosso time e também de personagens respeitados do Mercado Financeiro. Confira:

1. A mentalidade de um dos maiores gênios do Mercado Financeiro | Second Level - Diogo Carneiro Head de Produtos - Nomos

Se você trabalha com investimentos, gere o seu próprio patrimônio ou simplesmente busca entender por que o cenário para os fundos multimercados mudou tanto, o episódio “A Mentalidade de um dos Maiores Gênios do Mercado Financeiro”, do podcast Second Level com Rui Alves (Kinea), é uma recomendação obrigatória.

Diferente de conversas técnicas que ficam presas em projeções de PIB ou inflação, este papo é uma aula de filosofia aplicada à sobrevivência no mercado.


2. Duas apostas da Hix Capital. Gestora compartilha a tese de Eneva e Orizon - Equipe TradeNews

A HIX Capital identifica uma disparidade histórica no Ibovespa: enquanto os índices gerais ensaiam recuperação, empresas voltadas ao mercado doméstico — como as de Software e Varejo — seguem negociando a múltiplos drasticamente baixos. O destaque da carta semestral é o foco em ativos que operam abaixo de suas médias de preço/lucro de dez anos, sinalizando uma janela de entrada rara para o investidor de longo prazo que busca valor além das grandes commodities.

A gestora aprofunda o otimismo em dois nomes específicos: Eneva (ENEV3) e Orizon (ORVR3). Na Eneva, o trunfo é o modelo único gas-to-wire, que une a segurança da receita fixa à nova competitividade em leilões de reserva de capacidade. Já na Orizon, a tese central é a liderança absoluta no setor de resíduos pós-aquisição da Vital, transformando o lixo em ativos valiosos como o biometano. São duas escolhas que exemplificam a estratégia da HIX: buscar fluxo de caixa robusto em setores com barreiras de entrada e potencial de consolidação.


3. 10 motivos pelos quais este é o pior inverno cripto de todos os tempos | Joe Weisenthal - Equipe TradeNews

O mercado cripto já enfrentou quedas maiores em termos percentuais, mas Joe Weisenthal e Tracy Alloway (Bloomberg Odd Lots) argumentam que o cenário atual é o mais desolador de todos. O motivo? A perda de narrativa. No passado, o Bitcoin era a promessa para tempos de inflação e desconfiança nas moedas estatais; hoje, com o dólar sob estresse, o capital tem migrado para o ouro, não para o BTC. Além disso, a "fuga de cérebros" para o setor de Inteligência Artificial e a obsolescência de mineradores — que agora preferem transformar seus galpões em data centers de IA — criam um esvaziamento de propósito que o setor nunca viu.

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4. How WhatsApp took over the global conversation. A plataforma tornou-se tecnologia mundial. Qual nossa responsabilidade nela? - Equipe TradeNews

O que começou como uma tentativa frustrada de Jan Koum para mostrar se os amigos estavam "na academia" ou "dormindo" transformou-se na ferramenta de comunicação mais poderosa do planeta. Hoje, com mais de 3 bilhões de usuários, o WhatsApp não é apenas um app de mensagens; em países como Brasil, Índia e Quênia, ele é descrito como uma "tecnologia de vida", servindo para coordenar desde governos nacionais até compras de supermercado e socorro em desastres. A reportagem revela que a simplicidade do app — sem anúncios (até recentemente), sem jogos e focado na identidade real do usuário — foi o que permitiu que ele superasse o SMS e se tornasse o padrão global.

O texto resgata o conceito antropológico de Bronisław Malinowski para explicar que o WhatsApp é, antes de tudo, uma "arquitetura de presença". Muitas vezes, as mensagens não transmitem ideias, mas apenas o conforto de saber que o outro está lá.

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5. Software vs. AI. Ações de software enfrentam forte pressão recente, reflexo de temores sobre codificação via IA - Equipe TradeNews

Enquanto o mercado precifica o fim do software (o chamado "SaaSpocalypse"), a Vision Investing propõe uma visão mais pragmática: não estamos vendo a morte do setor, mas sim uma seleção natural impulsionada pela IA. A tese central é que o mercado está reagindo de forma indiscriminada a uma queda iniciada em outubro de 2025, ignorando que softwares de missão crítica e sistemas deterministas (onde o erro não é uma opção) continuam protegidos e fundamentais.


  1. A Fórmula Mágica de Joel Greenblatt para Bater o Mercado de Ações | Joel Greenblatt - Marco Saravalle, CIO da MSX Invest

Muitas vezes, a simplicidade é a forma mais sofisticada de investir. É essa a premissa de "A Fórmula Mágica", de Joel Greenblatt, obra recomendada por Marco Saravalle (CIO da MSX Invest). O livro é um guia direto para o Value Investing, ensinando como bater o mercado focando em apenas dois pilares: comprar empresas excelentes (com alto retorno sobre capital) a um preço atrativo Embora o nome pareça promessa de enriquecimento rápido, o autor deixa claro que o sucesso exige a disciplina de manter a estratégia mesmo quando o mercado testa a paciência do investidor.

“Acho que o livro é muito bom. São conceitos relativamente simples, embora tenha esse esse nome bem chamativo. São conceitos que o investidor vai usar sempre. Sempre, ciclo de alto, ciclo de baixa, todas as empresas… Principalmente, de uma forma bem resumida”, resumiu Marco.

Onde encontrar


7. Mundo fraturado: Reflexões sobre a crise da ordem liberal | Diogo Ramos Coelho - Leandro Manzoni, Economista do Investing.com

Se o final do século XX foi marcado pela ideia do “Fim da História” e o triunfo das democracias liberais, o cenário atual é de fragmentação e incerteza. Recomendado pelo economista Leandro Manzoni (Investing.com), o livro Mundo Fraturado, do diplomata Diogo Ramos Coelho, é um guia essencial para decifrar as fissuras que estão redesenhando o mapa global. A obra conecta pontos complexos — como a rivalidade EUA-China, a guerra na Ucrânia e a ascensão de líderes populistas — para explicar como o livre-mercado e as instituições internacionais estão reagindo a forças que desafiam a globalização como a conhecemos.

O grande diferencial desta recomendação é a capacidade do autor de traduzir o “jargão diplomático” em uma linguagem direta para o investidor e o leitor leigo. Ramos Coelho utiliza uma abordagem interdisciplinar que une economia, história e política para mostrar que os riscos contemporâneos, como o protecionismo e a desigualdade de renda, não são eventos isolados, mas sintomas de uma crise estrutural. Para quem busca entender a volatilidade dos mercados internacionais além do gráfico do dia, esta leitura oferece a base necessária para compreender as disputas geopolíticas que definirão o fluxo de capitais nos próximos anos.

Onde encontrar


8. Building an AI-powered automated trading system from scratch: making ClawdBot(OpenClaw) your trading brain - Michael Garcia, Especialista de Projetos e Inovação da Nomos

A fronteira final do investimento quantitativo não é apenas automatizar ordens, mas automatizar a própria tomada de decisão. Este projeto propõe a criação de um sistema onde a IA não é apenas um assistente, mas o "cérebro" da operação. A arquitetura apresentada resolve o maior medo dos investidores — o risco de alucinação da IA — ao separar as funções em duas camadas: o ClawdBot (Cérebro), responsável pela análise de dados e notícias, e a Plataforma FMZ Quant (Mãos), que executa as ordens sob rigorosas travas de controle de risco e monitoramento em tempo real.

Confira o conteúdo completo


9. Pare de perder dinheiro: o vídeo que todo jogador deveria ver - Erik Pajunk, Head da Mesa Trader da Nomos e Nomos Sports

Acumular uma fortuna é apenas metade do desafio; a outra metade, muito mais difícil, é não deixá-la evaporar. Eric Pajunk, Head da Mesa Trader da Nomos e Nomos Sports, especialista em investimentos para atletas de alta performance, traz um choque de realidade: estatísticas mostram que até 78% dos jogadores da NFL quebram apenas dois anos após a aposentadoria. O problema raramente é o baixo salário, mas a incapacidade de controlar o gasto e a falta de distinção entre patrimônio imobilizado (casas e cavalos) e patrimônio gerador de renda.

Como o próprio Pajunk define:

“O que separa quem acumula de quem perde tudo pode ser resumido em uma só palavra: gasto. Não é o quanto você ganha, é o quanto você consegue não gastar de forma inconsequente.”

Duas apostas da Hix Capital

9 de Fevereiro de 2026, 13:51

A gestora HIX Capital divulgou sua carta aos investidores referente ao segundo semestre de 2025, destacando os sinais de recuperação do Ibovespa. A disparidade de valuation entre empresas focadas no mercado doméstico e os grandes índices permanece elevada, criando janelas de oportunidade para investidores de longo prazo.

Leia a carta completa clicando na imagem.

Segundo a gestora, diversos setores negociam atualmente a múltiplos significativamente abaixo de suas médias históricas. O levantamento aponta que segmentos como Software, Varejo e Serviços Financeiros (ex-Bancos) operam próximos ou até abaixo de um desvio padrão de suas médias de preço/lucro (P/E) dos últimos dez anos

Eneva [ENEV3]: única plataforma gas-to-wire no Brasil

A tese da Eneva sustenta-se em sua posição como única plataforma integrada gas-to-wire no Brasil, operando com fluxo de caixa robusto e oportunidades claras de expansão. O modelo de negócios combina receita fixa, garantindo previsibilidade e proteção ao capital, com uma plataforma ágil para alocação de recursos em projetos de alto retorno.

Recentemente, a evolução regulatória do Leilão de Reserva de Capacidade tornou-se marco central, pois a portaria final corrigiu distorções e permitiu que ativos térmicos existentes concorram de maneira competitiva para suprir a necessidade de potência confiável do sistema elétrico.

Além da geração de energia, a companhia diversifica sua monetização através da entrega de gás natural via logística rodoviária para clientes industriais, gerando EBITDA anual relevante, somado aos ganhos obtidos por sua mesa de comercialização em arbitragens de mercado.

Orizon [ORVR3]: líder no setor de resíduos

Para a Orizon, o cenário é de consolidação estratégica e liderança absoluta no setor de resíduos após a aquisição da Vital, transação que elevou sua participação de mercado para 18,4%.

A operação core de destinação final beneficia-se de uma agenda consistente de reprecificação, com tarifas médias em trajetória de alta devido à renovação de contratos legados acima da inflação.

No segmento de biometano, a empresa posiciona-se como a maior produtora nacional, utilizando um pipeline robusto e novas plantas operacionais para transformar resíduos em vetor de crescimento e redução de riscos.

A estrutura de gestão integrada permite que a companhia capture valor adicional em toda a cadeia, desde a coleta até soluções de Waste-to-Energy, sustentando um ciclo prolongado de geração de caixa e múltiplas opções de crescimento para a gestão.

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Criptos em pânico

8 de Fevereiro de 2026, 13:48

O mercado cripto atravessa correção intensa. Este vídeo da Nomos TV, com participação de Igor Carneiro da Vault Capital, aborda fatores macroeconômicos, decisões do Fed e a correlação entre investimentos em Inteligência Artificial e liquidez digital. O especialista explora a psicologia de mercado, diferenciando o acúmulo institucional do pânico no varejo, enquanto detalha indicadores como o RSI e suportes críticos de preço. Compreenda por que este cenário representa a oportunidade para quem foca no longo prazo.


A divulgação do IPCA de janeiro no Brasil e do relatório de empregos (payroll) de janeiro nos EUA são os grandes destaques da semana de 8 a 14 de fevereiro, fundamentais para definir o ritmo de corte de juros pelo Copom e pelo Fed. No cenário brasileiro, o mercado projeta uma alta de 0,34% para a inflação oficial, com foco total no comportamento do setor de serviços para validar um possível corte de 0,50 ponto percentual na Selic em março. Nos EUA, o payroll, atrasado por um breve shutdown governamental, deve mostrar a criação de 68 mil vagas, testando a tese de estabilidade do mercado de trabalho defendida por Jerome Powell.

A semana também conta com eventos externos de alto impacto. No Japão, as eleições parlamentares de domingo (8) podem encarecer o financiamento global (carry trade) caso o partido da primeira-ministra Sanae Takaichi conquiste uma supermaioria. Na China, dados de inflação e preços de imóveis servirão de termômetro para a demanda por commodities.

No Brasil, além do IPCA na terça-feira (10), o mercado aguarda os dados de volume de serviços (quinta) e vendas no varejo (sexta) referentes a dezembro. Esses indicadores de atividade ajudarão o Banco Central a calibrar a política monetária em um momento de “inflexão econômica”, onde números de produção industrial e PMIs já sinalizam contração.

Rentabilidade das Principais Classes de Ativo

Fluxo estrangeiro

Probabilidade de cortes na taxa Selic - Reunião de março

De olho nos gráficos

Ibovespa [IBOV]

O Ibovespa encerrou a semana próximo da estabilidade, após dias de forte volatilidade, alternando altas e quedas e fechando em torno dos 182.000 pontos. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, indicadores técnicos já acendem um sinal de atenção no curto prazo. “O IFR mostra uma divergência baixista, com o índice renovando topo sem confirmação do indicador”, afirma. Para ele, esse comportamento aumenta a probabilidade de lateralização ou de uma correção pontual em parte dos ativos. “Abaixo dos 180.000 pontos, vejo espaço para uma correção mais ampla, com regiões entre 175.000 e 173.000 pontos”, diz Borges, ressaltando que um eventual ajuste seria saudável após a alta contínua desde a faixa dos 163.000 pontos.

Petrobras [PETR4]

Após uma alta expressiva, que levou as ações da Petrobras de R$ 29,50 para R$ 38,50, o papel iniciou um movimento corretivo considerado natural. Borges destaca que o comportamento do volume reforça essa leitura. “Tivemos aumento de volume na alta e redução durante a correção, o que é bastante saudável”, avalia. O analista projeta uma possível zona de oportunidade entre R$ 34,00 e R$ 32,00. “Nessa faixa, passo a avaliar novas compras, pensando inclusive em posições de mais longo prazo”, afirma, destacando que, antes disso, o papel ainda pode ser explorado em operações na ponta vendedora até os níveis mais baixos dessa região.

Vale [VALE3]

As ações da Vale começam a dar sinais de perda de fôlego após uma forte valorização recente, que levou o papel de cerca de R$ 52,00 para próximo de R$ 90,00. De acordo com Filipe, houve falha no rompimento das máximas nesta semana, apesar do fluxo ainda elevado no ativo. “O movimento mostra um possível cansaço da alta, o que me faz aguardar correções para novas compras”, explica. O analista avalia que, caso o papel perca o patamar de R$ 82,00, pode haver uma queda mais acentuada. “Vejo regiões interessantes de compra entre R$ 71,00 e R$ 65,00”, afirma, recomendando proteção ou realização parcial de lucros para quem já está posicionado.

Vamos [VAMO3]

A Vamos segue como uma das apostas da NMS Research no curto prazo, com posição comprada na faixa de R$ 4,31 em operações de swing trade. Segundo Filipe Borges, o ativo apresenta uma estrutura técnica favorável após o rompimento de uma linha de tendência relevante. “O rompimento de R$ 4,60 abre espaço para movimentos mais fortes de alta”, diz o analista. Ele projeta como próximos objetivos a região de R$ 5,05 e, posteriormente, R$ 5,45 por ação. “Seguimos na ponta compradora, atentos a novas oportunidades dentro dessa movimentação”, acrescenta.

Relatórios da semana

O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:

XP Macro Strategy

A XP divulgou monitor de posicionamento dos fundos macro com dados atualizados até 4 de fevereiro. O indicador de posicionamento no kit Brasil avançou na métrica de curto prazo, puxado pelo aumento de posições que se beneficiam da apreciação do real.

Confira o relatório completo

Direto ao Ponto: Vale - Itaú BBA

O banco elevou o preço-alvo da Vale, atualizando suas projeções para a companhia:

“Atualizamos nossas projeções para a Vale levando em conta a forte alta recente dos preços de metais básicos, a revisão para baixo do capex (investimentos) de longo prazo anunciada pela própria companhia e os novos parâmetros de custo de capital definidos pelo time de estratégia.”

Confira o relatório completo

Brasil Macro Mensal - XP

XP: “Elevamos nossa projeção para o crescimento do PIB em 2026, de 1,7% para 2,0%. A demanda deve ganhar tração em meio à expansão da renda e medidas de crédito. Continuamos a prever alta de 1,2% em 2027, refletindo menor impulso fiscal e condições monetárias ainda apertadas.”

Confira o relatório completo

Trade Idea: Temporada de resultados 4T25 - BTG Pactual

BTG: “Observamos que a Localiza apresenta melhores tendências em seus três principais segmentos. No RAC, o repasse efetivo de preços, volumes resilientes e ganhos de eficiência sustentam a expansão das margens.”

Confira o relatório completo

Carta Mensal - Santander Asset Management

No Brasil, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15,0% na última reunião. Segundo o Santander, a comunicação da decisão sinalizou que, caso o cenário esperado se confirme, o ciclo de cortes de juros pode começar já na reunião de março.

De acordo com o banco, apesar da abertura para a flexibilização monetária, o tom do comunicado segue cauteloso, o que mantém incertezas sobre a magnitude do primeiro corte. O Santander projeta um movimento inicial de redução de 0,5 ponto percentual.

Confira o relatório completo

Saúde - BTG Pactual

O BTG Pactual avalia que o setor de saúde passou por um ciclo prolongado de normalização pós-pandemia, com melhora nas tendências de utilização e nas glosas, apesar de condições de pagamento ainda piores que no período pré-Covid. Em 2025, o banco destaca forte dispersão de desempenho entre as empresas, com a Rede D’Or como principal destaque positivo, enquanto companhias mais alavancadas ou com integrações complexas seguem enfrentando desafios, cenário que deve persistir mesmo com a queda dos juros.

Confira relatório completo

Itaú bate recorde histórico com lucro de R$ 46,8 bilhões e ações disparam

5 de Fevereiro de 2026, 14:20

As ações preferenciais do Itaú subiam 2,02%, após o banco reportar lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no 4T25, crescimento de 13,2% na comparação anual. No acumulado de 2025, o lucro atingiu R$ 46,8 bilhões, alta de 13,1% frente a 2024 e novo recorde do setor bancário brasileiro, segundo a consultoria Elos Ayta. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 24,4% no trimestre, reforçando a percepção de rentabilidade elevada e consistente.

Para o JP Morgan, o resultado veio amplamente em linha, mas com leitura qualitativa positiva. O banco destacou a boa execução da estratégia, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas (SME), historicamente um dos mais rentáveis da instituição. Segundo o relatório, o crescimento da carteira SME, aliado à evolução do volume transacionado na adquirência (Rede), sinaliza ganhos de participação de mercado e potencial de crescimento estrutural. O JP Morgan também chamou atenção para o controle da inadimplência, com o índice de NPL acima de 90 dias praticamente estável em 1,9%, além da melhora contínua na eficiência, com redução de 180 pontos-base no custo operacional em um ano.

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Já o BTG Pactual classificou o trimestre como mais um encerramento “em tom alto” para o Itaú. A casa ressaltou que o principal destaque do balanço foi a qualidade dos ativos, com melhora ou estabilidade em todos os indicadores de risco de crédito, o que permitiu ao banco iniciar 2026 com um balanço considerado saudável. O BTG também apontou que o guidance divulgado para 2026, com lucro próximo de R$ 51 bilhões no ponto médio, está em linha com o consenso e reforça a capacidade do Itaú de sustentar retornos elevados mesmo em um ambiente macro mais desafiador.

Em coletiva realizada nesta quinta-feira, o diretor financeiro do Itaú, Gabriel Amado de Moura, afirmou que a inadimplência curta, entre 15 e 90 dias, caiu para 2,7% na operação brasileira, o menor nível da história da instituição, reforçando a leitura de controle de risco mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

[Fonte: BTG Pactual]

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