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Prouni 2026: prazo para inscrição na lista de espera termina nesta semana

Candidatos inscritos no Programa Universidade para Todos (Prouni) que não foram convocados na primeira chamada têm uma nova oportunidade. Até esta quarta e quinta-feira (25 e 26 de março), é possível se inscrever na lista de espera do programa, que oferece bolsas em universidades privadas para estudantes oriundos da rede pública. Confira mais em TVT News.

O cadastro deve ser feito online, por meio do portal Acesso Único ao Ensino Superior, do governo federal. Cada candidato pode indicar até duas opções de instituição, curso e turno entre as bolsas disponíveis.

Após a manifestação de interesse na lista de espera, o sistema classifica os estudantes com base nas opções escolhidas e nas notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O resultado será divulgado no dia 31 de março.

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O Prouni oferece bolsas de estudo, integrais e parciais em cursos de graduação. As inscrições podem ser feitas pelo celular ou pelo computador. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Os candidatos selecionados deverão comprovar as informações declaradas no momento da inscrição. Entre os documentos exigidos estão comprovantes de renda e histórico escolar, que devem ser entregues diretamente à instituição de ensino onde o estudante foi pré-selecionado.

  • Prazo para participar da lista de espera vai de 25 a 26 de março de 2026
  • Resultado será divulgado em 31 de março, no Portal Acesso Único
  • Programa oferta 594.519 bolsas, entre integrais e parciais

Quem pode se inscrever?

O candidato pré-selecionado deve comprovar renda familiar bruta mensal, por pessoa, de até 1,5 salário mínimo, para obter a bolsa integral, que cobre a totalidade do valor da mensalidade do curso. Já para a bolsa parcial, que cobre (50%) do valor da mensalidade, a renda mensal per capita exigida é de até 3 salários mínimos.

Para participar do Prouni é preciso atender a pelo menos uma das seguintes condições:

  1. tenha cursado:
    1. o ensino médio integralmente em escola da rede pública;
    2. o ensino médio integralmente em instituição privada, na condição de bolsista integral da respectiva instituição;
    3. o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada, na condição de bolsista integral da respectiva instituição;
    4. o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada, na condição de bolsista parcial da respectiva instituição ou sem a condição de bolsista; e
    5. o ensino médio integralmente em instituição privada, na condição de bolsista parcial da respectiva instituição ou sem a condição de bolsista;
  2. seja pessoa com deficiência, na forma prevista na legislação; e
  3. seja professor da rede pública de ensino, exclusivamente para os cursos de licenciatura e pedagogia, destinados à formação do magistério da educação básica. Neste caso não é aplicado o limite de renda exigido aos demais candidatos

Sobre o Prouni

Criado em 2004 e instituído pela Lei nº 11.096/2005, o Prouni oferece bolsas de estudo integrais — que cobrem 100% da mensalidade — e parciais, que correspondem a 50% do valor dos cursos em instituições privadas de ensino superior.

O programa realiza seleções duas vezes por ano, sempre com base no desempenho dos candidatos no Enem. Podem participar estudantes brasileiros sem diploma de nível superior que atendam aos critérios de renda exigidos para cada modalidade de bolsa. A inscrição é gratuita e feita exclusivamente pela internet.

Ao longo de mais de 20 anos, o Prouni já beneficiou mais de 3,6 milhões de estudantes, com impacto significativo na inclusão educacional. Dados do Censo da Educação Superior de 2023 indicam que 58% dos bolsistas concluíram a graduação — índice superior ao de estudantes fora do programa, que foi de 36%.

Com informações do Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.

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Do lar à plataforma: a continuidade da violência contra mulheres no setor petroleiro

Por Bárbara Bezerra*

Coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras, para a TVT News

A separação entre vida pessoal e vida profissional é, para muitas mulheres, apenas formal. As violências sofridas dentro de casa – psicológicas, morais e materiais – não ficam restritas ao ambiente doméstico. Elas reaparecem no local de trabalho, com outra linguagem, outra roupagem, mas a mesma lógica de poder. No setor de petróleo e gás, historicamente masculinizado, essa continuidade é respaldada por dados.

A desigualdade em números no setor petroleiro

Levantamento do DIEESE, com base na RAIS do Ministério do Trabalho, aponta que em 2023 havia 18.331 mulheres atuando no setor de petróleo e gás natural no Brasil, o que representa apenas 20,5% do total da força de trabalho. O dado revela uma sub-representação estrutural em um setor estratégico da economia nacional.

Quando o recorte é salarial, a desigualdade se torna ainda mais evidente. Segundo o mesmo levantamento, as mulheres do setor sempre receberam, em média, menos que os homens. Em 2012, elas ganhavam o equivalente a 85,1% da remuneração média masculina. Em 2020, essa proporção chegou a 92,8%. Mas, em 2023, caiu para 80,2%. A oscilação não é apenas estatística – ela indica que, mesmo quando há avanços pontuais, a estrutura permanece frágil e vulnerável a retrocessos.

No caso da Petrobrás, a relação entre remuneração média de mulheres e homens variou entre 0,91 e 0,97 ao longo do período de 2012 a 2023. A própria empresa atribui parte da diferença à predominância masculina nos chamados “regimes especiais de trabalho”, que incluem adicionais salariais. O dado, contudo, revela como a segmentação ocupacional também opera como mecanismo de desigualdade.

Liderança: o teto que persiste

A desigualdade não se limita ao acesso ao emprego ou à remuneração. Ela também aparece nos espaços de comando. Entre petroleiras internacionais selecionadas pelo estudo, a Petrobrás apresenta a menor participação proporcional de mulheres no total da força de trabalho. No recorte de cargos de chefia, o percentual é de 25%, também o mais baixo entre as empresas analisadas. A sub-representação na liderança reforça um ciclo conhecido: menos mulheres em posições estratégicas significa menor capacidade de transformação cultural interna.

Violência material e autonomia

A desigualdade salarial não é apenas um descompasso contábil, é uma forma concreta de violência material. Ganhar menos significa acumular menos patrimônio, depender mais da renda familiar e enfrentar maior vulnerabilidade em situações de ruptura conjugal ou violência doméstica. A desigualdade construída na plataforma atravessa a porta de casa.

Quando mulheres recebem 80% do salário médio de seus colegas homens no mesmo setor, o impacto vai além do contracheque. Ele se traduz em menor poder de barganha, menor autonomia e maior exposição a ciclos de violência no ambiente privado. A violência econômica no trabalho retroalimenta a desigualdade dentro da família. E vice-versa.

A naturalização da exclusão das mulheres

O próprio título do relatório – “Aqui é só para homens” – remete à frase ouvida pela primeira geóloga contratada pela estatal nos anos 1960, Marília da Silva Pares Regali. Décadas depois, os números mostram que a cultura de exclusão não foi totalmente superada.

No ambiente corporativo, a violência psicológica se manifesta na deslegitimação constante, na cobrança diferenciada, na resistência à presença feminina em áreas operacionais e no isolamento em ambientes predominantemente masculinos, como plataformas offshore.

Em casa, a violência psicológica aparece no descrédito, no controle financeiro, no silenciamento. São expressões distintas da mesma lógica: a tentativa de manter mulheres em posição subordinada.

Não são esferas separadas

Os dados do DIEESE mostram que a desigualdade de gênero no setor petroleiro não é episódica, mas estrutural. A baixa participação feminina (20,5%), a disparidade salarial persistente e a sub-representação em cargos de chefia compõem um mesmo quadro.

Em 2023, as mulheres representavam apenas 20,5% da força de trabalho no setor de petróleo e gás natural no Brasil. No mesmo ano, a remuneração média feminina correspondia a 80,2% da remuneração média masculina – proporção inferior à registrada em 2020, quando havia alcançado 92,8%. No caso da Petrobrás, a presença feminina nos cargos de chefia é de 25%, o que evidencia que o chamado “teto de vidro” – barreira invisível que limita a ascensão de mulheres aos postos mais altos, mesmo quando possuem qualificação equivalente – permanece operando mesmo após décadas de inserção das mulheres na empresa.

Quando o ambiente profissional reproduz a lógica de hierarquização de gênero, ele reforça as desigualdades já existentes na esfera privada. A violência não muda de natureza ao atravessar o portão da refinaria ou do heliporto da plataforma. Apenas muda de cenário.

Para muitas mulheres, o lar e o trabalho não são mundos independentes. São territórios conectados por uma mesma estrutura que ainda insiste em definir quem pode comandar, quanto vale o trabalho feminino e qual é o lugar que lhes cabe ocupar.

*Bárbara Bezerra é técnica em Segurança do Trabalho, cientista social e antropóloga. Petroleira e dirigente sindical, integra a direção do Sindipetro-NF e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), onde coordena o Coletivo de Mulheres Petroleiras.

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