Visualização de leitura

‘Adoção de IA não é opcional’, diz CEO da Red Hat, empresa da IBM que fatura US$ 7 bi

A inteligência artificial já não pode ser entendida como uma opção nem pode ser ignorada pelas empresas que querem não apenas avançar como permanecer relevantes em seus mercados.

Essa é a síntese do discurso de abertura de Matt Hicks, presidente e CEO da Red Hat, empresa adquirida pela IBM em 2019 por US$ 33 bilhões.

Especializada em soluções de software open source corporativo, com foco em infraestrutura de nuvem híbrida - como Azure, da Microsoft, AWS, Oracle, Google e IBM –, automação, virtualização e inteligência artificial, a Red Hat opera uma tecnologia “invisível”, no back office da transformação digital das companhias.

Em 2025, a empresa fechou com receita anual de US$ 7,3 bilhões, alta de 12,9% em relação ao ano de 2024.

No Brasil, a Red Hat é fornecedora de uma das soluções por trás do Pix que permite a transmissão de dados de forma distribuída e sem a necessidade de uma grande estrutura de gerenciamento.

“A IA não é opcional a esta altura, quer ela te traga energia, quer crie uma incerteza real. E eu acho que, para muitos de nós, é uma combinação, uma mistura de ambos. Ela não pode ser ignorada”, afirmou o executivo na abertura do Red Hat Summit, evento que acontece em Atlanta, nos Estados Unidos.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O executivo defendeu, porém, que não existe um único caminho e que é comum, num período de acelerada transformação, os diferentes estágios de adoção e também as dúvidas, entre o que é hype, o exagero do mercado, e o que pode gerar oportunidades de fato.

“O que recomendaria cautela são os extremos: ou mover-se tão lentamente que, quando você começar, nunca conseguirá alcançar os outros. Ou mover-se tão rápido e construir uma fundação sobre uma uma base que não permita que a companhia lide com o que virá”, disse. “Porque eu lhe garanto: algo novo virá a seguir neste ambiente de transformação.”

Leia mais: Após compra da Tivit, receita anual da italiana Almaviva cresce 25%, para R$ 11,1 bi

Para ir além do discurso, o CEO compartilhou a experiência interna da empresa. A companhia implementou a IA generativa no canal de suporte “Ask Red Hat”, evoluindo de chatbots para sistemas agênticos de pesquisa profunda e com economia de milhões de dólares por ano atualmente.

O CEO revelou que o projeto começou com os chamados “frontier models” (modelos proprietários de ponta) e avançou otimizando o sistema camada por camada.

Hoje, 85% das chamadas do sistema de pesquisa da Red Hat rodam em modelos de código aberto e pesos abertos (open weights) - como Nemotron Super, Nemotron Nano e IBM Granite) em infraestrutura própria.

“O que nos surpreendeu foi que os resultados ficaram melhores. Quando você é dono do modelo e da infraestrutura, você pode otimizar de uma forma que um modelo de propósito geral nunca conseguiria”, afirmou Hicks, que está ampliando o uso a tecnologia em todas as áreas da companhia.

Assim como outros gigantes de tecnologia, como o Google Cloud, a Red Hat adota um discurso nesta edição do evento de que a era de experimentação e de pilotos ficou para trás. Os agentes de IA passaram de um conceito e de uma promessa em 2025 para uma realidade este ano.

Entre os principais lançamentos da edição, estão o Red Hat AI 3.4 e novas capacidades de IA agêntica. Com o produto, a companhia procura diminuir o gap entre pilotos de IA e a implantação em produção para escalar a automação em ambientes híbridos.

Leia mais: Fintech Meu Tudo disputa consignado com o Pan sem canibalizar, diz CFO do BTG

O futuro do trabalho

As transformações atuais trazem consigo uma redefinição profunda das carreiras e das dinâmicas de liderança, com preocupações constantes sobre a substituição de profissionais, em especial após anúncios de demissões por gigantes de tecnologia como Meta e Microsoft.

Para Hicks, os profissionais não serão trocados por IA, mas o escopo do trabalho mudará drasticamente. Os desenvolvedores migrarão para a construção dos trilhos onde a IA corre, o que inclui a criação de novos sistemas de integração contínua e frameworks de teste capazes de manter a estabilidade em um ecossistema onde qualquer pessoa pode contribuir com código ou conhecimento.

A pressão por adaptação estende-se também aos gestores, que enfrentarão um teste rigoroso de sua capacidade de delegação.

Com os agentes de IA expandindo a capacidade das equipes, os líderes precisarão entender a tecnologia profundamente para decompor tarefas complexas e distribuí-las de forma eficiente entre humanos e máquinas. A eficácia dessa orquestração definirá quem terá sucesso no novo ambiente corporativo.

Além disso, a democratização do conhecimento atingiu um novo patamar, removendo barreiras para que colaboradores de áreas não técnicas, como jurídico, vendas e operações, contribuam diretamente com conteúdo e até código para sistemas agênticos.

“Quando unimos a IA e sua capacidade de ampliar o que podemos fazer com um sistema bem projetado, eu garanto que isso mudará o que vocês podem construir como empresa”, afirma o CEO.

Leia também

Da Venezuela ao Brasil: os países de LatAm onde a fraude digital mais cresce

© Marcos Bonfim

Matt Hicks, CEO da Red Hat: 'A IA não é opcional a esta altura, quer ela te traga energia, quer crie uma incerteza real'
  •  

Frigol mira receita acima de R$ 7,5 bi em 2027 com exportações além da China, diz CEO

A Frigol, quarto maior frigorífico do país, projeta superar R$ 7,5 bilhões em receita a partir de 2027, apoiada em uma estratégia que combina expansão das exportações e diversificação dos mercados compradores da carne bovina brasileira diante das restrições impostas pela China, principal destino das vendas externas da companhia.

No consolidado do ano passado, a empresa atingiu R$ 4,5 bilhões em receita bruta.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da companhia, Luciano Pascon, disse que a Frigol revisou seu planejamento estratégico depois de firmar parcerias em Rondônia e de recalibrar o cenário para a China.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

“Terminamos agora em abril um novo orçamento aprovado pelo conselho de administração, justamente contemplando esses novos cenários”, disse Pascon. Segundo ele, a companhia trabalha com a meta de atingir a receita de R$ 6,5 bilhões neste ano e espera ficar “acima de R$ 7,5 bilhões” no ano que vem.

Em balanço financeiro divulgado nesta terça-feira (12), a empresa somou R$ 999,2 milhões em receita líquida no primeiro trimestre do ano, alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025.

O lucro líquido do período somou R$ 11,1 milhões, crescimento de 11 vezes ante R$ 1 milhão um ano antes.

O Ebitda foi de R$ 33,3 milhões, com margem de 3,3%.

A melhora do resultado, sobretudo do lucro líquido, ocorreu apesar da queda de 5,3% no abate da companhia em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que atingiu cerca de 150 mil bovinos, reflexo da menor oferta de gado e da pressão sobre o preço da arroba.

Sem as novas parcerias em Rondônia, que resultaram no início das exportações para os EUA, a redução dos abates teria sido de 14,2%, segundo a companhia.

De volta para casa

Pascon, que havia sido CEO da companhia entre 2016 e 2020, reassumiu o comando da Frigol em janeiro de 2025.

Ele disse que a primeira coisa que decidiu fazer ao assumir o comando do grupo foi “olhar para dentro de casa”, ou seja, reavaliar o trabalho que vinha sendo feito, das pessoas aos processos industriais e as decisões comerciais.

“Tem muita variável, mas as variáveis normalmente dentro do processo produtivo são as mesmas. É a questão de identificarmos aquelas que são as prioridades, aquelas que são maiores alavancas para o resultado”, disse.

Segundo o executivo, pequenos ganhos operacionais têm impacto relevante quando aplicados a uma indústria de grande volume. Ele cita o aproveitamento do tempo de produção e a gestão dos insumos.

“Muitas vezes a gente deixa alguns centavos na mesa e, na hora que multiplica por alguns milhões de quilos, tanto no mês e depois no ano, vê o quanto isso está impactando os resultados da companhia”, disse.

A partir desse diagnóstico, a Frigol concentrou os esforços em três frentes, conta o executivo: eficiência, pessoas e comercial, “no sentido de procurar os melhores mercados e os melhores valores agregados para os nossos produtos.”

Exportações e China

Esse olhar da companhia para a frente comercial se traduziu no aumento da exposição ao mercado externo.

Segundo Pascon, a Frigol chegou a obter 65% da receita mensal com vendas externas em 2025 e encerrou o ano com uma fatia próxima de 54%. A China continuou como principal destino, mas a companhia também ampliou vendas para outros mercados, como Indonésia, Canadá, Filipinas e Europa.

Apesar da relevância do mercado externo na estratégia do grupo, no primeiro trimestre deste ano, as exportações representaram 46% da receita bruta da empresa, abaixo dos 51% registrados um ano antes.

A China continuou como principal destino, com 64,8% das receitas externas, seguida por Israel, Hong Kong e Europa. A fatia de outros mercados subiu para 17,4%, ante 13% no primeiro trimestre de 2025 e 6% em 2024.

A companhia também registrou aumento da demanda de países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Filipinas, com alta de 255% no volume exportado na comparação anual.

A maior diversificação das exportações ocorre em um momento em que a China limitou as compras de carne bovina brasileira com a implementação de cotas - Brasil já atingiu metade da cota e analistas indicam que deve completá-la até o meio do ano.

O CEO da Frigol disse que não espera uma mudança rápida da política chinesa. Para ele, eventuais ajustes poderiam ocorrer apenas depois de uma avaliação das cotas ao fim do ano, caso alguns países não consigam cumprir os volumes autorizados.

“O boi China me traz pelo menos uns 30% a mais [do que a venda para o mercado interno]”, disse o executivo.

O executivo explica que a Frigol busca ter o maior número possível de habilitações, mesmo que a decisão de vender para cada mercado dependa de preço e rentabilidade.

“A decisão se eu vendo ou não vendo é outro passo. Por questões estratégicas, por questões de resultado, eu vou decidir o que vou fazer, mas eu quero ter a opção hoje. Essa é a nossa política de ampliarmos para todos os mercados”, disse.

Rondônia no centro da estratégia

A operação das novas três plantas em Rondônia funcionam por meio de contratos de industrialização firmados com a RioBeef e a DistriBoi.

Nesse modelo, a Frigol não é proprietária dessas plantas, mas controla a compra do gado, a estratégia comercial e a venda da carne, enquanto as parceiras executam o abate, a desossa e o processamento industrial.

O formato permitiu à companhia ampliar rapidamente a presença em Rondônia sem a necessidade de construir novas unidades próprias. Também acelerou o acesso a mercados estratégicos, como os Estados Unidos, ao aproveitar habilitações sanitárias já existentes nas plantas parceiras.

Ao todo, a empresa tem três plantas próprias de abate: em Lençóis Paulista (SP), Água Azul do Norte (PA) e São Félix do Xingu (PA).

No balanço financeiro divulgado nesta semana, a Frigol afirma que as novas parcerias em Rondônia estão alinhadas à estratégia de expansão geográfica do grupo.

Leia também: De salvaguarda da China ao ciclo do boi: os desafios da pecuária brasileira em 2026

Segundo Pascon, Rondônia dá à Frigol acesso ao mercado americano e também ao Canadá, por causa das condições sanitárias do estado. A região também pode posicionar a empresa em uma eventual próxima etapa de abertura do Japão à carne brasileira.

“Rondônia também nos coloca no radar talvez no próximo movimento do Japão”, disse.

A companhia fez seu primeiro embarque aos Estados Unidos em abril, via planta de Rolim de Moura.

O mercado americano é visto por Pascon como um vetor estrutural de demanda para a carne brasileira, em razão da redução do rebanho dos EUA e da necessidade de importação de carne industrial, usada em produtos como hambúrgueres e carne moída.

Para o CEO, o Brasil se consolida como um fornecedor confiável em volume, preço e regularidade.

Ele também disse que a Frigol já trabalha em novas habilitações para exportar aos EUA por outra planta em Rondônia e pela unidade de Lençóis Paulista, com a expectativa de começar 2027 com três fábricas habilitadas para o mercado americano.

A execução, no entanto, ainda enfrenta gargalos. Pascon afirmou que a captura integral da receita potencial de Rondônia em 2026 foi parcialmente limitada por dificuldades no ramp-up das operações.

O mercado doméstico também segue no coração da estratégia da empresa.

No primeiro trimestre, o Brasil respondeu por 54% da receita bruta, ante 49% um ano antes. A empresa tem reforçado linhas de maior valor agregado e ampliado a presença em grandes atacarejos com o projeto Açougue Completo.

Leia também

Ele herdou parte da fazenda Roncador. Agora decidiu apostar em sua marca de carne

Trump adia plano para aliviar tarifas sobre carne bovina importada, diz jornal

A planta de Lençóis Paulista (SP), da Frigol, tem capacidade para abater cerca de 900 animais por dia.
  •  

O ex-jogador da NBA que transformou uma ilha do Caribe em resort de luxo

Para Reggie Bullock, que jogou em sete times da NBA ao longo de 11 temporadas, o que começou como uma busca no YouTube por recomendação de um ex-companheiro de equipe, Dennis Smith Jr., acabou concretizando o conceito de riqueza geracional que ele tanto almejava.

Longe das quadras de basquete e sem um plano de negócios, o ex-jogador mostrou que a segunda fase da carreira de um atleta não precisa ser definida em um estúdio de televisão ou em um escritório de uma franquia. Pode, sim, ser construída em uma ilha em forma de coração no Caribe, a 8.000 km das quadras do Texas, onde disputou sua última temporada com o Houston Rockets em 2024.

Bullock, que acumulou pouco mais de US$ 53 milhões em salários ao longo de sua carreira, é hoje o fundador do Bullock Island, um resort privado de cerca de 22,2 mil metros quadrados, localizado a oito quilômetros da costa de Placencia, no distrito de Stann Creek, no sudeste de Belize.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O atleta de 35 anos comprou o terreno em 2022 por US$ 2,2 milhões para construir a casa dos seus sonhos, “mas acabei me envolvendo no setor de turismo e transformei isso em um negócio”, contou Bullock em uma entrevista ao canal do YouTube de Will Mitchell, que aborda oportunidades imobiliárias em Belize.

“Uma das minhas principais preocupações era a questão da riqueza geracional. Era um projeto que senti que precisava abordar, e que nunca havia sido feito antes. Mas eu estava pronto para o desafio”, disse o atleta, nascido em Baltimore, em 1991.

Essa visão exigiu uma injeção de capital no valor de US$ 10 milhões, destinada a superar os desafios logísticos de construir no meio do mar do Caribe.

Leia mais: Além do verão: eventos de luxo impulsionam Punta del Este e atraem elite sul-americana

Luxo, natureza e cultura

O resultado é um complexo cuja peça central é uma mansão de 370 metros quadrados com um cinema escondido atrás de uma biblioteca, complementada por onze unidades de hospedagem distribuídas entre vilas e chalés à beira-mar, além de um restaurante, um spa e uma quadra de basquete.

Além de uma experiência de isolamento e exclusividade, o resort conta a história íntima de seu próprio fundador. A propriedade tem o atrativo de estar localizada em uma ilha em forma de coração, o que, para Bullock, não foi mera coincidência, mas um sinal. Os seus filhos gêmeos, nascidos em novembro de 2020, chamam-se Heart e Soul.

A mansão principal foi projetada como uma homenagem à sua avó – a mulher que o criou – e tem o nome dela gravado em uma das portas. Até mesmo a placa de madeira que dá as boas-vindas aos hóspedes quando chegam de barco presta homenagem às suas duas irmãs, Mia e Kiosha, tragicamente assassinadas em Baltimore em 2014 e 2019.

Essa conexão pessoal busca se destacar no competitivo mercado caribenho. A Bullock Island opera com base em um modelo de contratação e abastecimento local na península de Placencia, oferecendo uma experiência belizenha autêntica no único país da América Central onde o inglês é a língua oficial.

Os hóspedes também podem explorar a barreira de corais de Belize, que faz parte do Sistema de Recifes Mesoamericano, o segundo maior do mundo, depois da Grande Barreira de Corais da Austrália.

A aposta se soma a uma tendência de valorização do mercado liderada por figuras de destaque. Belize já havia testemunhado um movimento semelhante na década de 1990, quando o cineasta norte-americano Francis Ford Coppola adquiriu e reformou propriedades na mesma região de Placencia, como o Turtle Inn e a reserva particular Coral Caye, para seu portfólio de hotéis de luxo.

Leia também

Ambev dá ‘primeiro passo’ para um ano positivo com portfólio reforçado, diz CFO

O resort de Reggie Bullock possui uma mansão de 370 metros quadrados com um cinema e 11 unidades de hospedagem.
  •  

Visa traz ao Brasil plataforma de pagamentos corporativos e vê ‘mar de oportunidades’

A Visa anunciou no Brasil o Visa Commercial Pay, produto que procura “atacar” uma das maiores dores do ecossistema empresarial: a complexidade e a falta de visibilidade no fluxo de caixa e no pagamento de fornecedores.

O lançamento no país se encaixa em uma percepção de que o Brasil é citado como uma referência e modelo a ser seguido em termos de inovação do sistema bancário e financeiro.

O Banco Central, como autoridade, e o Pix, como produto, são nomes que aparecem com frequência. Outro consenso no mercado é de que ainda há muito o que fazer em produtos de pagamentos corporativos, ambiente que está atrás em relação aos avanços experimentados pelos consumidores finais.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O sistema, apresentado globalmente em 2020, já é utilizado em mercados mais maduros, como Estados Unidos, Europa e Ásia.

O produto permite a emissão instantânea de credenciais virtuais sob demanda para colaboradores ou prestadores de serviço, que podem ser inseridas a carteiras digitais como Apple Pay e Google Pay, viabilizando pagamentos por aproximação.

Entre as vantagens, de acordo com a Visa, está a definição de limites específicos para cada fornecedor ou categoria de uso; segurança para transações digitais, ao eliminar a necessidade do cartão físico, e a substituição de processos manuais de conciliação por fluxos automáticos e transparentes.

A demora em chegar ao Brasil, de acordo com Ana Rojas, SVP e Head de Soluções Comerciais e de Movimentação de Dinheiro (CMS) para LAC (Latin America & Caribbean) da Visa, ocorreu por descasamento entre a tecnologia e a demanda por parte do mercado de adquirência.

“As empresas podiam resolver pagamentos de fornecedores sem essas soluções, usando nossos cartões ou tokens, mas essa solução torna a vida muito mais fácil e agora está mais enriquecida”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia mais: Enter, startup brasileira de IA jurídica, atinge valuation de US$ 1,2 bi em novo aporte

Segundo a executiva, a Visa tem evoluído em conversas, especialmente bancos que possuem os seus próprios serviços de adquirência.

“Eles são como o combo ideal para este tipo de soluções e é por aí que estamos começando”, afirma. “Já fechamos com uma instituição e estamos falando com outra”.

O produto é apenas mais um passo da companhia na tentativa de ganhar espaço no mercado de pagamentos corporativos, que movimenta anualmente mais de US$ 200 trilhões e está em plena transformação, com tendências que passam por stablecoins, inteligência artificial e agentic commerce.

“É um mar de oportunidades. Falamos de fluxos de empresa para empresa (B2B), do governo para empresas e de empresas para pequenos negócios. Na América Latina, 98% das empresas são PMEs, responsáveis pela maioria dos empregos, mas ainda carecem de soluções sob medida”, afirma Rojas.

Além disso, a Visa colocou no mercado nos últimos meses um produto para apoiar emissores na decisão de oferta de crédito a pessoas jurídicas, com base em fluxo de recebíveis.

Na região, muitos empreendedores e empresários acabam tendo um crédito maior como pessoa física do que pessoa jurídica, criando uma distorção no mercado.

Leia mais: Rali da Nvidia perde força com temor de avanço de rivais em chips para IA

A gigante de pagamento também está com altas expectativas que o mercado ganhará um novo impulso com a combinação entre stablecoins e agentes de IA.

“A previsão é de que mais de 60 % dos negócios com agentes e com stablecoins sejam no B2B. Já há um movimento em curso e o que estamos fazendo na Visa é cuidar para que esses agentes sejam confiáveis, com mecanismos de proteção tanto do lado pagador quanto de quem recebe”, afirma a executiva.

Apresentado globalmente em 2020, o Visa Commercial Pay tem casos de usos mais maduros em mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia (Foto: Philip Pacheco/Bloomberg)
  •  

Tenda está ‘blindada’ contra pressão de custos da guerra, diz CFO após lucro dobrar

O lucro da construtora Tenda (TEND3) mais que dobrou em seu balanço do primeiro trimestre deste ano, alcançando um saldo de R$ 183,4 milhões – 44% acima do consenso Bloomberg News.

Segundo a empresa, o resultado consolida o processo de turnaround após a turbulência enfrentada no pós-pandemia – e blinda a construtora do maior temor atual no mercado imobiliário: a pressão de custos de materiais diante da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

O conflito começou no final de fevereiro, e o mais recente alerta veio na divulgação do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) de abril. O indicador registrou forte aceleração no último mês, subindo 1,04%, acima dos 0,36% observados em março.

Luiz Mauricio Garcia, CFO da Tenda, disse que a empresa está “blindada” contra a inflação de custos da guerra, cenário oposto do que aconteceu a partir de 2021, quando o avanço do INCC foi um dos detratores do resultado da Tenda.

A construtora sofreu com a alta dos preços de materiais causada pelo lockdown e enfrentou compressão de margens. Além disso, acelerou lançamentos antes e durante a pandemia e acabou enfrentando dificuldades operacionais.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O CFO defende que a companhia fez o dever de casa e atualmente está bem posicionada para enfrentar o novo desafio – e, desta vez, sem solavancos.

“Estamos em nosso melhor momento na qualidade de execução. Isso ajuda a explicar o resultado acima do esperado alcançado neste trimestre e também porque estamos protegidos nesse cenário atual de aumento de custos com o conflito no Oriente Médio”, afirmou Garcia em entrevista à Bloomberg Línea.

O executivo vê o avanço da eficiência como resultado da aposta da Tenda em um modelo construtivo industrial, com uso de formas de alumínio, que encurta os prazos de construção e diminui a exposição da empresa à inflação de custos.

O ciclo de obra ficou mais curto nos últimos anos: o prazo total de obra caiu de 30 para 18 meses de 2020 para cá.

A melhora no resultado veio também após uma combinação de reformas nos processos de orçamento, governança e controle de custos.

A Tenda tem apostado no reajuste antecipado de preços (já executado em 7% a 8% no início do ano), em sua estrutura da carteira de recebíveis, que corrige pelo INCC na fase pré-chaves e pelo IPCA na fase pós-chaves, e no conservadorismo nas provisões.

Hoje, 11% do total do “a gastar” em obras está provisionado para inflação e eventuais, contra zero em 2020.

No cenário mais conservador simulado pela companhia, de INCC a 10% no ano e correção dos recebíveis limitada a 5%, o impacto no lucro de 2026 seria de R$ 20 milhões. É um impacto considerado marginal diante do guidance para o ano, entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões.

“Estamos com uma obra muito eficiente e isso ajuda a entender como alcançamos esse resultado mesmo sem ter sido uma empresa que surfou na onda das faixas mais altas [do programa Minha Casa Minha Vida], que foi o grande impulsionador para muitas empresas nos resultados recentes”, disse.

Leia também: Tenda prevê benefícios ‘expressivos’ com reajuste do Minha Casa Minha Vida, diz CFO

A Tenda hoje tem 43% das vendas contabilizadas para a faixa 1 do MCMV, a mais baixa do programa, que atende o público de renda de até R$ 2.850 por mês.

A longo prazo, a companhia projeta uma distribuição mais similar entre as três principais faixas do programa, o que deve aumentar ainda mais em resultados com o aumento da penetração nas camadas mais altas do MCMV.

Outro ponto de atenção para os resultados da Tenda vinha sendo sua subsidiária Alea, grande queimadora de caixa. No trimestre, o segmento consumiu R$ 14,9 milhões – redução de 55% frente ao primeiro trimestre do ano passado.

Se mantiver a tendência, a companhia vai ficar abaixo do piso do guidance anual de queima entre R$ 60 a R$ 80 milhões para a Alea. A companhia encerrou o trimestre com apenas 13 canteiros ativos na subsidiária, frente a 33 no auge.

“A redução de queima de caixa era uma premissa importante para mostrar a estabilização da Alea, e alcançamos uma melhora substancial nesse trimestre”, afirmou o CFO.

Enquanto isso, a marca Tenda seguiu em tendência de aceleração. As vendas líquidas atingiram R$ 1,43 bilhão no trimestre – recorde histórico excluindo o programa Pode Entrar – com velocidade de vendas (VSO) de 26,9%.

O banco de terrenos consolidado chegou a R$ 29 bilhões em VGV potencial, crescimento de 24% na base anual.

A margem bruta ajustada do segmento Tenda foi de 38,5%, evolução de 1,8 ponto percentual frente ao primeiro trimestre do ano passado.

Já o EBITDA ajustado do segmento foi R$ 283,5 milhões no trimestre, alta de 67% na comparação anual. Anualizado, o número já supera R$ 1,1 bilhão — acima do teto do guidance para 2026, fixado entre R$ 950 milhões e R$ 1,05 bilhão.

A receita líquida total atingiu R$ 1,18 bilhão, também recorde histórico trimestral, com avanço de 36,9% na base anual. Já a geração de caixa do grupo somou R$ 86,6 milhões no trimestre, excluindo recompra de ações e distribuição de dividendos.

As ações da Tenda (TEND3) sobem 23,69% no acumulado do ano, contra uma alta de 16,33% do Ibovespa no mesmo período.

Leia também

Tenda vê casas pré-fabricadas como um ‘extra’ ao negócio. Falta convencer o investidor

Como esta incorporadora de SP usa a locação para financiar o próprio negócio

‘Efeito Rebouças’: Vitacon aposta na Augusta como novo eixo nobre de São Paulo

Empreendimento da construtora Tenda: construtora alcançou lucro líquido de R$ 183,4 milhões no primeiro trimestre – 44% acima do consenso Bloomberg (Foto: Divulgação)
  •  

Vulcabras tem 23º trimestre de expansão, mas vê obstáculos com aumento de custos

A Vulcabras (VULC3) registrou uma receita líquida de R$ 776,4 milhões no primeiro trimestre, o que representa um avanço de 10,7% sobre o mesmo período do ano passado.

O número ficou levemente abaixo do consenso dos analistas ouvidos pela Bloomberg, que previam R$ 779 milhões.

Com o resultado, a gestora de marcas esportivas do país, dona da Olympikus e detentora da Mizuno e da Under Armour, teve seu 23º trimestre consecutivo de expansão, mantendo a trajetória de crescimento que vem sendo desenhada nos últimos seis anos.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A fabricante de tênis teve lucro bruto de R$ 313,5 milhões, alta de 11,2% na comparação anual, com margem bruta de 40,4%, levemente superior ao registrado um ano antes, informou a companhia nesta terça-feira (5).

O Ebitda recorrente foi de R$ 156,9 milhões, aumento de 11,8%, elevando a margem em 0,2% para 20,2%.

Leia mais: Como Lucas Moraes aplica a filosofia de Buffett nos negócios e nas provas de rally

A última linha do balanço apresentou uma queda em relação ao primeiro trimestre de 2025. A redução de 18,9% no lucro líquido, fechando a R$ 86,1 milhões, apesar do crescimento operacional (EBITDA), é explicada por uma decisão estratégica de capital.

Para antecipar R$ 1,5 bilhão em dividendos aos acionistas no ano passado e se proteger de mudanças na tributação, a companhia optou por elevar seu endividamento temporariamente.

O lucro líquido foi, portanto, pressionado pelo aumento das despesas financeiras (pagamento de juros sobre essa dívida), que não existiam no primeiro trimestre de 2025, quando a empresa operava com caixa líquido.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o CFO Wagner Dantas descreveu a situação como “provisória e planejada” e disse que a geração de caixa atual já está sendo usada para reduzir essa alavancagem, com a dívida líquida caindo de 0,9x para 0,7x EBITDA neste primeiro trimestre.

Os números gerais, embora positivos, demandaram “muito mais trabalho” para serem obtidos, de acordo com o CEO Pedro Bartelle, que classificou o período como mais complexo do que os quatro trimestres de 2025.

Segundo a companhia, a Olympikus manteve um ritmo ritmo forte e a Under Armour registrou o seu melhor resultado desde que chegou às mãos da Vulcabras, ao incrementar o porftólio e fortalecer a presença em áreas como a corrida.

“Fizemos um orçamento prevendo inflação e custo de folha, mas a guerra trouxe um cenário bem mais desafiador ainda porque ela começou com um ar de pandemia, com falta de matéria-prima, aumento de custos, preocupação das pessoas com o consumo”, disse o CEO, à Bloomberg Línea.

Hoje, apenas 15% da matéria-prima para os produtos da Vulcabras são importados. Boa parte dos itens nacionais, porém, são atrelados ao dólar, como os polímeros e outros materiais petroquímicos, criando um impacto direto no negócio.

“Esse foi o cenário novo que foi se intensificando no primeiro trimestre, e os efeitos dele começam no primeiro trimestre, mas vão agora se intensificar um pouquinho para frente, que é o aumento do custo das matérias-primas”, afirmou Bartelle.

Para neutralizar o aumento dos custos e preservar a rentabilidade, a Vulcabras irá aplicar reajustes de preços entre 10% e 15% em mais da metade de sua coleção.

De acordo com Bartelle, esses novos valores já estão sendo praticados nas pré-vendas e devem chegar ao varejo físico de forma mais nítida durante o segundo semestre de 2026.

No mercado interno, a companhia identificou novos desafios na disputa pela renda do consumidor. Além da inflação de itens básicos, que comprime o poder de compra, Bartelle citou o impacto das plataformas de apostas online (bets), que têm retirado recursos que antes eram destinados ao consumo de bens duráveis e vestuário.

A empresa tem apostado em carros-chefes como a linha de performance Corre, que acaba de adicionar um novo membro à família, o Corre 5, da Olympikus.

Além disso, uma das estratégias para manter o ritmo de crescimento está em apresentar uma nova linha pensada para entregar um melhor custo-benefício.

Planejada para este semestre, os produtos da família “Corrida” chegarão com preços abaixo de R$ 500,00, ocupando um lugar na prateleira de preços outrora pertenceu à linha “Corre”.

O objetivo é, ao mesmo tempo, manter o volume de vendas em um cenário de orçamentos familiares mais restritos e enfrentar também a concorrência de marcas internacionais, que têm adotado agressividade comercial no mercado brasileiro.

“Vemos essas marcas internacionais subsidiando produtos, o que, realmente sempre houve subsídio de importados, mas vemos agora estratégias, inclusive agora, de produtos baratos, mais econômicos, que eles nunca faziam”, afirma o CEO.

Crescimento conservador

Apesar do ciclo ininterrupto de crescimento, a gestão da Vulcabras optou por uma postura mais conservadora para o decorrer de 2026. A estratégia prioriza a saúde financeira sobre a expansão agressiva a qualquer custo.

Na prática, a companhia decidiu reduzir o ritmo de investimentos em projetos de longo prazo — aqueles que levam dois anos ou mais para gerar retorno — para focar naquilo que já está consolidado e traz rentabilidade imediata.

Essa seletividade reflete a incerteza trazida pela volatilidade global e pelas mudanças nas regras do jogo doméstico, como a reoneração da folha e novas normas tributárias.

“O nosso foco nesse momento é muito mais a saúde financeira da empresa do que crescimento a qualquer custo”, afirmou o CEO. “Já temos uma boa participação de mercado e vamos ocupar novos espaços, sim. Mas a agressividade de crescimento se torna muito mais uma agressividade de manter os resultados neste momento.”

Segundo Bartelle, essa é uma manobra tática, que pode ser repensada assim que o cenário macroeconômico apresentar maior estabilidade.

Mesmo com esse viés cauteloso, a Vulcabras descartou reduções na capacidade produtiva. A intenção é manter o quadro de pessoal e o ritmo das fábricas nas unidades do Ceará e da Bahia, garantindo que o atendimento à demanda atual não seja prejudicado pela postura mais precavida em relação ao futuro de longo prazo.

Leia também

Do ciclismo ao tênis: bancos ampliam presença nos esportes na briga pela alta renda

Guerra no Irã e macroeconomia pesam, e Vulcabras adota postura conservadora com foco na saúde financeira
  •  

Como esta incorporadora de SP usa a locação para financiar o próprio negócio

Comprar o terreno, lançar o projeto, vender as unidades e entregar as chaves aos compradores. De forma simplificada, é possível resumir a estratégia tradicional de incorporação imobiliária nesses quatro pilares.

A Meta Incorporadora, no entanto, adota uma abordagem diferente: cerca de 20% das unidades de cada projeto continuam sob a propriedade da construtora, que mantém os apartamentos em uma carteira interna de locação e revenda que financia parte do custo do próprio negócio.

A tese da Meta conta com a valorização de seus imóveis, focados no alto padrão. “Um de nossos empreendimentos teve valorização de 80% no preço do metro quadrado em dois anos, entre lançamento e entrega. E esperamos que o preço, atualmente em R$ 24 mil/m², passe para R$ 30mil/m² até o próximo ano”, afirmou o CEO Alexandre Souza Lima em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Lima começou a carreira no mercado imobiliário com construção para terceiros. Na pessoa física, investia em imóveis com o objetivo de ter uma renda constante com venda e aluguel das unidades. Quando fundou a Meta, como incorporadora boutique, em 2009, a lógica do investidor foi aplicada também na pessoa jurídica.

“O nome Meta vem desse plano em ter um determinado volume de receita recorrente, de locação que nos permitisse ter a tranquilidade para pagar os custos da empresa”, disse. O fundador afirma que o percentual de receita gerado com a iniciativa é relevante, mas não abre os números.

A Meta conta hoje com 120 unidades em seu portfólio, tanto para locação quanto para venda. “A maior parte das empresas de incorporação tem um negócio financeiro e a incorporação é um meio [para a geração de caixa]. Nós não somos assim: focamos no imóvel”, afirmou.

No negócio tradicional de incorporação, o uso de capital de terceiros, seja via alavancagem ou abertura de capital, é uma ferramenta comum para impulsionar o crescimento do negócio e maximizar o retorno.

Ao optar por manter parte das unidades para aluguel, a Meta alonga o fluxo de caixa do projeto e reduz a velocidade de retorno do capital investido. É uma estratégia conservadora, que perde para os pares em ciclos de forte alta do mercado, quando os imóveis são vendidos rápido e a preços crescentes, maximizando a Taxa Interna de Retorno (TIR) – um dos principais indicadores observados no mercado imobiliário.

“Muitos acreditam que essa estratégia não faz sentido, já que nossa TIR com certeza é muito menor que a de outras incorporadoras quando o vento está favorável. Mas preferimos olhar também para outros indicadores, como a valorização dos nossos imóveis”, disse.

A valorização é um aspecto observado de perto também pelos compradores de unidades da Meta, já que metade dos clientes compram os apartamentos como investimento. “Estamos muito otimistas este ano porque, com a redução de juros, o imóvel deve ter ainda maior protagonismo como tese de investimento”, afirmou.

O valor geral de vendas (VGV) acumulado da incorporadora alcançou R$ 550 milhões em 2025. A expectativa é de alcançar R$ 700 milhões este ano. O montante deve vir de um único projeto, que é o grande foco da incorporadora em 2026.

Leia também: Após recuperar prédios no centro de São Paulo, Planta avança para bairros nobres

Batizado “The Club”, o empreendimento terá 43.000 m² de área construída, dividido entre torre residencial de 42 andares, área de lazer de 3.300 m² e outros 2.000 m² destinados a lojas. As unidades variam desde metragens menores, de 23 m², até maiores de 284 m².

Lançado em 2025, este é o quarto empreendimento da empresa no Jardim Guedala, bairro de alto padrão vizinho ao Morumbi, em São Paulo, que abriga a sede da Meta e se tornou o principal foco de crescimento da incorporadora. “É um bairro com boas escolas, hospitais, arborizado, que é possível caminhar a pé e com um preço bem mais barato que o Itaim Bibi. Por isso investimos tanto aqui”, disse.

O próximo passo da Meta é o lançamento de um clube, também no Jardim Guedala, que seja próximo aos empreendimentos já lançados na região e funcione como uma área extra de lazer para os clientes da incorporadora. Quem compra o imóvel tem direito a um título do espaço, e terá acesso por um preço melhor que eventuais associados externos.

Os clubes de alto padrão na cidade ganharam força com o lançamento de dois clubes de surf ao estilo praia, às margens da Marginal Pinheiros: o São Paulo Surf Club, da JHSF, e o Beyond The Club, de BTG Pactual Asset Management, KSM Realty, Realty Properties – ambos atrelados a projetos residenciais de luxo.

O espaço da Meta será focado em atividades como tênis e pickleball, com quadras internas e externas.

A expectativa de lançamento do clube é para o segundo semestre deste ano, com operação liderada pela própria Meta, em sua primeira incursão no universo de serviços. “Será um negócio complementar à incorporação”, afirmou o CEO.

Leia também

Even completa tríade do luxo com residencial em frente à ‘praia’ de ultrarricos em SP

Com prédio como ‘escultura’, Benx vê potencial para apartamento de até R$ 180 mi

©

Projeção do empreendimento The Club, da Meta Incorporadora: prédio tem VGV estimado em R$ 700 milhões (Foto: Divulgação)
  •  

Queda da patente do Ozempic exige rigor sobre genéricos, diz VP da Novo Nordisk

A Novo Nordisk (NVO), fabricante de medicamentos para obesidade e diabetes, alertou sobre os riscos da possível entrada de produtos de qualidade inferior após o vencimento, em vários países do mundo, de suas patentes de tratamentos à base de semaglutida, o composto ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy.

O vencimento da patente da empresa dinamarquesa Novo Nordisk sobre a semaglutida em países como o Brasil, a Índia ou o Canadá pode ter efeitos diretos sobre os preços, o acesso e os padrões de qualidade, em meio a um boom na demanda global por tratamentos para a obesidade e o diabetes.

“É algo comum no setor (o vencimento da patente). Investimos, vendemos, a patente expira e aí começa outro ciclo”, disse Valney Suzuki, vice-presidente da área de Negócios para a América do Sul, América Central e Caribe da farmacêutica Novo Nordisk, à Bloomberg Línea.

Segundo o executivo, o principal desafio que se apresenta é a capacidade dos sistemas regulatórios de garantir a segurança dos novos produtos que entram no mercado desses países.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

“Os órgãos reguladores precisam ter muito bom senso ao decidir se aprovam ou não a entrada dessas moléculas”, observou Suzuki.

De acordo com sua experiência, existem agências reguladoras que aplicam padrões rigorosos e exigem evidências clínicas sólidas antes de autorizar um medicamento.

“Já vi, inclusive, agências em todo o mundo que recusaram a aprovação de genéricos da semaglutida por falta de dados clínicos”, afirmou o executivo.

No entanto, também existem “agências que são um pouco mais superficiais e que, de forma apressada, permitem a entrada de produtos genéricos, talvez sem tanto rigor”.

“Portanto, é importante compreender a relevância do medicamento original, que, no caso da semaglutida, conta com dados de mais de 30 milhões de pacientes”, afirmou Valney Suzuki. “Realizamos dezenas de estudos clínicos. Com isso, temos a certeza de poder atestar a eficácia do produto”.

Entre os aspectos positivos do vencimento da patente, Suzuki destacou que a entrada de medicamentos genéricos nos mercados pode ampliar o acesso aos mesmos.

O executivo explicou que, em alguns casos, a entrada de medicamentos genéricos levou a uma nova segmentação do mercado e a um reajuste nos modelos de preços para os pacientes.

Leia mais: Mounjaro desponta no Brasil enquanto queda de patente do Ozempic acirra concorrência

No entanto, ele observou que também existem terapias nas quais a chegada dos genéricos não teve um impacto significativo.

A Bloomberg informou que pelo menos uma dúzia de grandes empresas farmacêuticas indianas planejava lançar versões genéricas dos bem-sucedidos medicamentos para emagrecer da Novo Nordisk assim que a patente expirasse, em março.

Por exemplo, a Natco Pharma fabricou uma injeção de semaglutida, o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.

Seu dispositivo em forma de caneta custa cerca de 4.500 rúpias por mês (cerca de US$ 47,82 atualmente).

Em comparação, a caneta Wegovy da Novo tem um preço inicial de aproximadamente 10.480 rúpias (US$ 111) na Índia e cerca de US$ 199 nos Estados Unidos no modelo de pagamento direto.

Mercado de produtos falsificados

Valney Suzuki, vice-presidente da empresa na América do Sul, comentou que o vencimento de patentes é comum e que o grande desafio é a capacidade dos órgãos reguladores em garantir a segurança dos novos produtos.

Suzuki também alertou sobre o crescimento do mercado ilegal de medicamentos falsificados, como o Ozempic e outros tratamentos à base de semaglutida.

Ele destacou que alguns agentes têm se aproveitado da grande necessidade e vulnerabilidade dos pacientes para introduzir produtos falsificados no mercado.

Ele indicou que esse fenômeno tem múltiplas origens, que vão desde redes sofisticadas de falsificação até imitações mais rudimentares.

E alertou que essa situação já resultou até mesmo em internações hospitalares, o que representa um problema de saúde pública.

Por isso, recomendou aos pacientes que adquirissem os medicamentos exclusivamente por meio de canais comerciais autorizados e aprovados pelas agências reguladoras locais.

“Não procure soluções milagrosas na internet com preços muito diferentes, pois pode não se tratar de um produto original e devidamente testado”, afirmou.

O mais recente estudo clínico da Novo Nordisk, chamado STEP UP, mostrou que os pacientes em tratamento alcançaram uma perda média de peso de 21%, e que um em cada três alcançou reduções de até 25%.

“Ao conter a obesidade, você converte uma pandemia e uma série de outras doenças que têm um impacto muito oneroso no sistema de saúde e no bolso da população, além de causar muitas faltas no trabalho”, afirmou o executivo da Novo Nordisk.

Leia mais: Fabricante do Ozempic fecha parceria com a OpenAI para acelerar pesquisa de remédios

Alta demanda na América Latina

O debate sobre os medicamentos para a obesidade e o diabetes ocorre em meio a um forte aumento da demanda na região.

Nos últimos 12 meses, encerrados em fevereiro, a empresa vendeu aproximadamente 2,16 milhões de canetas para o tratamento da obesidade, incluindo Wegovy e Saxenda, na América Latina, excluindo o Brasil e o México.

De acordo com a Novo Nordisk, a América Latina tem registrado taxas de crescimento de dois dígitos nas terapias para obesidade e diabetes, impulsionadas pela alta prevalência dessas doenças.

Suzuki explicou que esse dinamismo transformou a região em um dos mercados de maior crescimento global para a empresa, tendo o Brasil e o México como principais centros, mas com avanços significativos também em países como Colômbia, Chile e Argentina.

“Aqui na América Latina, infelizmente, o que não nos enche de orgulho é a prevalência da diabetes. Quando se trata de obesidade ou sobrepeso, chamam muito a nossa atenção, por exemplo, países como a Argentina e o Chile, que apresentam uma prevalência em torno de 70%”, observou.

O aumento da demanda por esses produtos provocou, na época, episódios de escassez em várias partes do mundo, incluindo a América Latina, quando a oferta não conseguiu acompanhar o crescimento do consumo.

“Hoje a situação é diferente. A Novo Nordisk, após um investimento maciço, tem estoque e abastecimento para toda a América Latina. Não estamos mais com falta de produto. Há um estoque muito bem distribuído na região”, disse ele.

Leia mais: Adeus, injeções? Pílula para perda de peso da Eli Lilly obtém aprovação nos EUA

Panamá: centro logístico regional

Diante do “boom” regional desses produtos, o Panamá se consolida como peça-chave na estratégia de distribuição regional da Novo Nordisk.

A empresa está implementando um novo centro logístico no país para centralizar o abastecimento para a América Latina, em resposta ao aumento de até 145% nos volumes de alguns produtos.

“O que estamos fazendo é investir em um centro logístico no Panamá para a América Latina, o que nos garante agilidade e maior fluidez”, afirmou. “Iniciamos a fase de implementação este ano e a ideia é que esteja pronto o mais rápido possível.”

Segundo Suzuki, atualmente cada país deve realizar suas importações diretamente das fábricas localizadas nos Estados Unidos, no Brasil, na Europa e na Ásia.

O executivo explicou que, nesse contexto, é mais eficiente criar um centro logístico que centralize as solicitações.

O modelo busca melhorar o planejamento, otimizar os processos e acelerar a entrega dos medicamentos a diferentes países da região.

“A criação de um centro regional permite ‘um planejamento mais preciso e uma entrega mais rápida aos países’”, explicou ele.

O centro logístico pretende aproveitar a posição estratégica do Panamá como centro de conexões aéreas e marítimas, bem como sua conectividade regional.

Na região, a empresa conta com cerca de 1.400 funcionários diretos, sem contar com o pessoal dedicado à fabricação.

No ano passado, no âmbito de uma reestruturação global, a empresa reduziu cerca de 10% de seu quadro de funcionários na América Latina, em linha com o que ocorreu em outras regiões, contou Valney Suzuki.

Leia mais: Genéricos de Ozempic chegam à Índia por US$ 14 ao mês após queda de patente

Acesso aos produtos

O executivo explicou que a empresa mantém conversas com governos, seguradoras e sistemas de saúde para ampliar o acesso aos tratamentos. “Nos reunimos, conversamos e tentamos chegar a acordos sustentáveis para que essa população tenha acesso”.

No ano passado, por exemplo, executivos da Novo Nordisk e de sua concorrente Eli Lilly (LLY) chegaram a um acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reduzir os preços dos medicamentos que contêm GLP-1 para perda de peso em programas de saúde como o Medicare e o Medicaid.

Suzuki destacou que existem programas de apoio aos pacientes que incluem educação em saúde (com foco em alimentação e na promoção de um estilo de vida saudável), acompanhamento clínico e descontos que podem chegar a 50%, dependendo do país.

No entanto, ele afirmou que os preços variam significativamente de acordo com a regulamentação local, já que alguns mercados operam sob controles estatais, enquanto outros têm esquemas mais flexíveis.

Na América Latina, a empresa está em fase de preparação regulatória para o lançamento de novas soluções à base de semaglutida, especialmente na sua versão oral para o tratamento da obesidade.

A Novo Nordisk explicou que o processo ainda se encontra em uma fase preliminar de aprovação regulatória em cada país.

Assim que essas autorizações forem obtidas, a empresa dará início às negociações de acesso com os sistemas de saúde para definir sua inclusão nos planos públicos.

“Estamos abertos a dialogar com todos os governos; o processo regulatório já está em andamento”, afirmou ele.

A empresa não descarta a possibilidade de a região ser incluída nos planos de lançamento, embora ainda não haja datas definidas, já que tudo depende do andamento dos processos regulatórios em cada mercado.

Leia também

Suíça Victorinox dobra vendas de relógios finos no Brasil e vê o país como prioritário

Desgaste de Milei pressiona títulos e amplia preocupação do mercado sobre a Argentina

© George Frey

Vencimento da patente pode afetar preços, acesso e qualidade dos tratamentos em um momento de alta demanda global (Foto: Bloomberg)
  •  

MSD Saúde Animal busca reduzir perdas reprodutivas no gado com nova vacina no Brasil

A americana MSD Saúde Animal, controlada pela farmacêutica MSD, aposta em uma nova vacina para mitigar perdas reprodutivas na pecuária brasileira, em um momento de maior pressão por produtividade no campo.

A companhia anunciou nesta semana o lançamento da Bovilis Vista 5 L5 no país, com foco em doenças que afetam prenhez e natalidade do rebanho.

A formulação inclui antígenos contra o sorovar hardjo bovis, associado a infertilidade e abortos, além de cobertura contra agentes como a diarreia viral bovina (BVDV tipos 1 e 2), uma das doenças que mais afetam os animais durante a gestação, o herpesvírus bovino tipo 1 (IBR), vírus respiratórios e a leptospirose.

A vacina é de dose única e oferece cobertura por até 12 meses — um diferencial frente a outras vacinas que exigem reforço.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

“A cada R$ 1 investido na Bovilis Vista 5 L5, o produtor tem R$ 18 de retorno [em pecuária de corte]”, disse Laura Villarreal, diretora da unidade da MSD Saúde Animal, à Bloomberg Línea. Segundo ela, no leite, “esse retorno pode chegar a mais de R$ 27”, considerando os impactos na reprodução e na produtividade.

“Existem diversos estudos publicados em revistas científicas que comprovam a eficiência da Bovilis Vista 5 L5 na proteção clínica das fêmeas vacinadas, associada à redução da replicação viral e, consequentemente, da transmissão entre os animais, além da proteção fetal durante toda a gestação, evitando perdas gestacionais. A vacina auxilia na geração de bezerros mais saudáveis e produtivos”, afirmou.

A vacina já foi utilizada em mais de 20 países, com cerca de 78 milhões de doses comercializadas, e integra a estratégia da companhia de ampliar o portfólio voltado à produtividade e ao uso de tecnologia na pecuária.

Leia também: MSD Saúde Animal mira maior uso de dados para ‘ouvir’ os bovinos e elevar eficiência

Na América Latina, além do Brasil, o produto está disponível no México, na Colômbia, no Equador e na América Central.

A empresa afirma que o produto deve ganhar relevância dentro da linha Bovilis no Brasil, embora não detalhe metas de participação de mercado.

“Nosso objetivo é que seja um dos principais produtos do portfólio de bovinos”, disse a executiva.

A aposta em lançamentos faz parte da estratégia de crescimento da companhia: cerca de 50% da expansão da MSD Saúde Animal nos próximos anos deve vir de novos produtos, incluindo tanto ferramentas tecnológicas quanto soluções de sanidade.

Além disso, a regulamentação para a chegada de novos produtos é uma das principais dificuldades no país. A vacina bovilis já atende o mercado europeu e americano. No Brasil, a empresa informou que o processo de registro demorou 10 anos para ser concretizado.

A divisão de ruminantes — que inclui bovinos — é a principal fonte de receita da MSD Saúde Animal no Brasil e responde por 53% do total. Na sequência aparecem pets (23%), suínos (11%), aves (9%) e aquicultura (1%).

Leia também

MSD Saúde Animal aposta em diversificação para acelerar crescimento no Brasil

© Maira Erlich

Divisão de ruminantes da empresa é a principais fonte de receita da empresa no Brasil (Foto: Maira Erlich/Bloomberg)
  •  

Da mesada ao salário: NG.Cash estreia em consignado para capturar evolução da geração Z

A NG.Cash, fintech que opera uma carteira digital voltada para a geração Z no Brasil, decidiu inaugurar uma nova frente de negócios de crédito com uma oferta de um produto de crédito consignado.

O movimento marca uma transição estratégica na tese da companhia: a evolução de uma conta digital para adolescentes para uma plataforma financeira completa para jovens adultos.

Fundada em 2021 com foco inicial na creator economy e em clientes com menos de 18 anos, a startup agora acompanha o amadurecimento de sua base, que soma 8 milhões de usuários.

O lançamento do produto, chamado de Crédito CLT, ocorre em um momento em que uma parcela significativa desses clientes deixa a fase da “mesada digital” — foco da rodada de R$ 65 milhões liderada pela Monashees em 2023 — para ingressar formalmente no mercado de trabalho.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Segundo Eduardo Nadelman, CPO e co-fundador da NG.Cash, a expansão do portfólio procura atender esses novos ciclos de vida.

“Estamos saindo do que chamamos de core banking para nos tornarmos uma plataforma financeira. Uma vez que o cliente tem a conta e transaciona conosco, queremos oferecer a oferta completa para garantir a principalidade", disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia mais: Do delivery ao salão do restaurante: iFood adquire 100% da startup de reservas Get In

O consignado para a geração Z

Ao contrário dos embates que são fomentados nas redes sociais sobre os jovens trabalharem como CLT, a fintech pretende usar o seu histórico de dados para mostrar que há uma demanda entre os jovens profissionais.

O objetivo do Crédito CLT é oferecer uma alternativa de financiamento com taxas mais baixas e desconto direto em folha, focando em profissionais em início de carreira. Historicamente, esse público enfrenta dificuldades de acesso a crédito em bancos tradicionais devido à falta de um histórico financeiro robusto ou garantias reais.

“O novo produto vem para capturar boa parte do empréstimo pessoal, boa parte do consignado que está concentrado nos bancos e também para uma fatia que não existia de um segmento que não era atendido, exatamente por não ter uma oferta de empréstimo pessoal, dado que não tem tantas garantias”, afirmou Nadelman.

'Estamos saindo do que chamamos de core banking para nos tornarmos uma plataforma financeira'

A aposta da NG.Cash reside na assimetria de informações. Ao deter o histórico de consumo e comportamento financeiro desses jovens ao longo dos últimos cinco anos, a fintech acredita possuir modelos de risco que podem ser mais precisos do que os de grandes bancos, que muitas vezes só estabelecem contato com esse cliente após a formatura ou o primeiro emprego formal.

A ofensiva no crédito, que deve receber mais produtos ao longo dos meses, é sustentada por aportes de investidores.

Desde sua fundação, a NG.Cash captou mais de R$ 300 milhões. O fôlego mais recente veio de uma rodada Série B de US$ 26,5 milhões realizada em 2025, liderada pela NEA (New Enterprise Associates).

O cap table da fintech inclui ainda nomes como Quantum Light, Monashees e a16z (Andreessen Horowitz).

Para viabilizar a operação de crédito sem comprometer o caixa, a fintech utiliza uma estrutura de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) no modelo warehouse.

“Estamos usando um FIDC que opera esse produto para começar a testar, onde também participamos do sucesso da operação. É uma questão de simplicidade para o início, enquanto estudamos as melhores formas de funding conforme escalamos", disse Nadelman.

Embora o produto esteja em fase de rollout com uma base limitada, a expectativa da companhia é ser mais agressiva na expansão até o meio de 2026. Os primeiros testes indicam um ticket médio entre R$ 4.000,00 e R$ 5.000,00, alinhado aos padrões de mercado para o segmento de entrada.

Experiência do usuário

O diferencial competitivo que a NG.Cash tenta imprimir no Crédito CLT é a experiência de uso (UX). Enquanto o mercado de consignado tradicional é frequentemente associado a processos burocráticos, a fintech aposta em uma jornada digital no próprio aplicativo.

A estratégia de originação é proprietária. “Trabalhamos um mix de fazer algo fluido e simples, mas com as pausas necessárias para garantir que o cliente entenda as regras do produto, quanto vai pagar e as condições”, diz o CPO.

A startup, que afirma crescer a taxas de dois dígitos mensalmente, vê no crédito a ferramenta para monetizar a base de clientes construída desde a adolescência de seus usuários.

Antes do Crédito CLT, a única incursão da startup em produtos de aquisição de bens era o consórcio, que, embora não seja crédito puro, serviu como termômetro para a demanda da base por produtos de maior valor agregado. O consignado agora assume o papel de “pontapé inicial” na jornada de crédito da plataforma.

Um dos principais desafios para fintechs focadas em jovens é a manutenção da conta como principal no momento em que o usuário entra em grandes empresas, que muitas vezes possuem acordos de exclusividade para folha de pagamento com bancos incumbentes. No entanto, Nadelman minimiza o impacto imediato.

“Hoje isso impacta muito pouco porque as ofertas dos grandes bancos para esse público ainda são muito limitadas, tanto em política de crédito quanto na forma como os produtos são oferecidos”, afirma.

A estratégia da NG.Cash é de se antecipar a esse cenário, oferecendo produtos que o banco tradicional ainda não disponibiliza para o perfil de risco do jovem profissional.

Leia também

Startup argentina Belo, que surfou onda do Pix, capta US$ 14 mi para avançar em LatAm

Fundada em 2021 com foco inicial na creator economy e em menores de idade, a startup agora acompanha o amadurecimento de sua base, que soma 8 milhões de usuários
  •  

Santander aposta em ‘gamificação’ de benefícios em meio à disputa pela alta renda

O Santander Brasil (SANB11) decidiu apostar em um novo programa de relacionamento, em uma iniciativa do banco que busca reforçar sua estratégia para a alta renda.

Apresentado nesta nesta segunda-feira (27), o Santander Rewards começa a ser disponibilizado gradualmente no mês de maio e propõe uma jornada de “gamificação” na relação bancária, que recompensa o grau de relacionamento do cliente com o banco.

O programa vai incrementar o acúmulo de pontos Esfera, plataforma de recompensas. Os clientes que concentram mais produtos e serviços no Santander – como uso de cartão de crédito, recebimento de salário, investimentos, débito automático e compartilhamento de dados via Open Finance – poderão acumular até 50% mais pontos do que na pontuação base.

Assine as newsletters da Bloomberg Líneae receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O foco está nos clientes do Santander Select, segmento de alta renda do banco. Esse público ganhou protagonismo não apenas na estratégia do Santander, mas em todo o sistema financeiro, especialmente após a alta da inadimplência entre consumidores de menor renda no pós-pandemia.

Diante desse cenário, os bancos intensificaram a disputa pela alta renda, reforçando programas de benefícios e propostas de valor para atrair e fidelizar essa base. Segundo Geraldo Rodrigues Neto, diretor do segmento de pessoa física do Santander, a instituição ainda carecia de uma oferta mais estruturada para esse público, apesar de já perseguir esse objetivo há alguns anos.

“A percepção de valor e de benefício que entregávamos ao nosso cliente era inferior ao que é oferecido por alguns dos nossos concorrentes. É o momento de virar essa página e repensar a maneira como a gente constrói valor em relação a todos os nossos clientes”, afirmou o executivo durante evento de lançamento do programa.

Leia também: Santander Brasil vai transferir sede para novo ‘campus’ em São Paulo a partir de 2028

Gustavo Santos, responsável por cartões e conta corrente de pessoa física no banco, reconheceu que o mercado de benefícios caminhou para uma lógica de commodity nos últimos anos, com bancos copiando uns aos outros em termos de salas VIP, programas de pontos e coberturas de seguro.

A proposta do Rewards, segundo ele, é sair dessa disputa por benefícios pontuais e entrar no dia a dia do cliente.

“Benefício não é só sobre uma sala VIP no momento em que se viaja. É sobre uma rotina de benefícios que a gente dá todos os dias”, disse.

A adesão ao programa é gratuita e feita pelo aplicativo. Ao entrar, o cliente descobre em qual nível já se enquadra com base em seu histórico de relacionamento do mês anterior — parte da base deve ingressar diretamente em níveis mais altos.

O Santander Rewards organiza os clientes em quatro níveis, calculados mensalmente a partir de comportamentos financeiros traduzidos em “passos”. Quem atingir o nível máximo poderá chegar a 5,25 pontos por dólar gasto no cartão Unique ou no Unlimited Prime – partindo de uma base de 1,5 pontos por dólar para o cartão Elite.

Plataforma global e integração digital

O Santander Rewards integra uma estratégia global do Grupo Santander, lançada simultaneamente no Brasil, Espanha, Chile e México.

As versões variam: os mercados latinos apostam mais nos programas de fidelidade, enquanto a matriz europeia irá explorar modelos de assinatura inspirados em plataformas como a inglesa Revolut.

“Não obrigatoriamente com programas que são iguais, mas que têm um objetivo claro de convergência no médio prazo”, afirmou Rodrigues Neto.

A expectativa é que o modelo seja implementado globalmente em todos os países onde o Santander tem atuação ao longo de 2027.

O banco também sinalizou que o programa evoluirá além dos pontos. A lógica dos níveis deverá ser aplicada futuramente a taxas de crédito imobiliário, acesso a experiências exclusivas – como ingressos para shows e espaços na Fórmula 1, territórios escolhidos pelo banco para fortalecer a marca nos segmentos premium.

A plataforma Esfera, hoje em ambiente separado, será integrada ao aplicativo principal do Santander ao longo dos próximos meses.

O banco também usará dados de Open Finance e informações do Banco Central para personalizar as conversas sobre evolução de nível, permitindo que gerentes e canais digitais indiquem ao cliente o que falta para avançar na classificação.

Leia mais

Ambição do Santander nos EUA não impacta relevância do Brasil, diz CEO no país

De uso de IA a jornada híbrida: como o Itaú se adapta a novos modelos, segundo diretor

©

Atual sede do Santander Brasil em São Paulo, no Complexo JK: banco anunciou programa de relacionamento com aceleração de pontos. (Foto: Divulgação/Santander Brasil)
  •  

Nubank investirá R$ 45 bilhões no Brasil em 2026 e mira licença bancária

O Nubank (NU) destinará cerca de R$ 45 bilhões ao mercado brasileiro ao longo de 2026 – volume duas vezes maior do que era investido no país há dois anos, de acordo com anúncio feito pela fintech nesta segunda-feira (27).

O Brasil é a maior operação da Nu Holdings, com 87% dos 130 milhões de clientes do grupo, que atua também no México e na Colômbia.

A fintech anunciou que os recursos serão divididos em quatro frentes: desenvolvimento de plataformas de crédito com inteligência artificial, lançamento de novos produtos, expansão de escritórios e equipes pelo país e reforço da base de capital.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O Nubank não detalhou o montante destinado a cada frente, mas o banco digital já havia anunciado, em janeiro deste ano, um investimento de R$ 2,5 bilhões ao longo de cinco anos em escritórios para ampliar a capacidade do trabalho presencial.

Leia também: Nubank assume naming rights do estádio do Palmeiras e avança em estratégia nos esportes

“Estamos chegando aos 13 anos de operação no Brasil como a maior instituição financeira privada em número de clientes, com escala para continuar transformando o mercado e responsabilidade para fazê-lo de forma sustentável”, disse Livia Chanes, CEO do Nubank Brasil, em nota.

A companhia também trabalha para obter uma licença bancária no Brasil ainda em 2026 e ingressou na Febraban no mês passado, segundo a CEO.

Expansão física e fim do trabalho remoto

A fatia destinada à infraestrutura de escritórios acompanha uma mudança no modelo de trabalho da fintech.

Em novembro de 2025, o Nubank anunciou um novo modelo híbrido de trabalho, que entra em vigor em julho de 2026 e prevê que cerca de 70% dos funcionários passem a comparecer ao escritório dois dias por semana.

Para acomodar esse retorno ao presencial, dois novos prédios serão ocupados no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O Capote 210, edifício de 20 andares, abrirá a partir de abril deste ano como espaço de inovação, com um Research Lab voltado à cocriação de produtos com clientes.

A partir de 2027, o Cyrela Corporate, na Rua Oscar Freire, projetado pelo estúdio italiano Pininfarina, receberá os funcionários em 35 mil m² com capacidade para mais de 3 mil pessoas.

Com as duas adições, o bairro concentrará quatro endereços da empresa e mais de 5.700 estações de trabalho — mais de cinco vezes a capacidade atual na região.

Fora da capital paulista, serão inaugurados espaços em Campinas, no Bresco Viracopos, com 9.150 m², no Rio de Janeiro, com 6.870 m² em cinco andares do Vista Mauá, e em Belo Horizonte, com local ainda a ser definido, todos até o segundo semestre de 2026.

Leia também

Com foco no presencial, Nubank investirá R$ 2,5 bi em cinco anos em escritórios

© Jonne Roriz

Companhia não detalhou o montante destinado a cada frente, mas o banco já havia anunciado, em janeiro deste ano, um investimento de R$ 2,5 bilhões ao longo de cinco anos em escritórios
  •  

De Valderrama a Messi: a influência da América Latina na principal liga de futebol dos EUA

Em 1996, dois anos depois de a Colômbia ter sido eliminada prematuramente da Copa do Mundo de futebol nos Estados Unidos, apesar de ser uma das seleções favoritas, Carlos “El Pibe” Valderrama foi apresentado como jogador do Tampa Bay Mutiny, da recém-criada Major League Soccer (MLS).

A contratação dele, juntamente com a de outros jogadores latino-americanos na primeira temporada da história da MLS, tinha um objetivo: impulsionar o crescimento dessa liga, atraindo o público de língua espanhola nos Estados Unidos.

“O público de língua espanhola foi muito importante porque sabíamos que já havia paixão pelo esporte e pelo futebol nessa comunidade; por isso, contratamos jogadores de renome, como Valderrama, colocando-os para jogar em cidades importantes como Miami”, afirma o vice-presidente executivo e diretor de Negócios da MLS, Camilo Durana, em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

As contratações do mexicano Jorge Campos e do salvadorenho Mauricio Cienfuegos, pelo Los Angeles Galaxy; do colombiano Leonel Álvarez, pelo Dallas Burn; e do boliviano Marco ‘El Diablo’ Etcheverry, pelo D.C. United, também fizeram parte dessa aposta.

Naquela época, a MLS contava com dez times que disputavam partidas em estádios de futebol americano com pouca audiência, já que esse é o esporte mais popular nos Estados Unidos.

“A estratégia era levar jogadores de futebol famosos para comunidades onde sabíamos que havia pessoas originárias de seus países”, acrescenta Durana. E funcionou: em grande parte, a liga cresceu graças a isso.

Três décadas depois, a MLS conta com 30 clubes dos Estados Unidos e do Canadá, 27 dos quais possuem estádio próprio, após um investimento que ultrapassa US$ 11 bilhões. Além disso, a liga conta com jogadores de 78 países, sendo a liga mais diversificada do mundo.

Os latino-americanos, é claro, continuam sendo protagonistas dentro e fora de campo, com nomes de destaque como Lionel Messi, Luis Suárez e James Rodríguez.

Apenas Messi ganha entre US$ 70 e US$ 80 milhões por ano no Inter de Miami, revelou recentemente o proprietário do time, Jorge Mas. Mas seu talento e o marketing em torno dele valem a pena: aos 38 anos, ele ajudou o clube a conquistar pela primeira vez a MLS Cup e se tornou o jogador com as camisetas mais vendidas da liga por três anos consecutivos até 2025.

“Os países mais representados em nossa liga, entre os 78 que têm jogadores na MLS, são os Estados Unidos e o Canadá, mas também a Argentina, o Brasil, o México e a Colômbia”, diz Durana. “Crescer na América Latina é nossa prioridade”.

Leia mais: Ronaldo compra cobertura de US$ 8 milhões em Miami, ‘capital do futebol’ nos EUA

Um fator fundamental para o crescimento da MLS tem sido a criação de clubes e identidades que reflitam a comunidade, na qual o público de língua espanhola não poderia ficar de fora.

“A distribuição da população hispânica varia muito dependendo da cidade: em Los Angeles, por exemplo, representa quase 50% da população, e tanto em Dallas quanto em Houston a situação é muito semelhante”, comenta Durana. “Se você for aos estádios em Los Angeles, ouve-se muito espanhol, enquanto em cidades como Minnesota, onde James foi contratado, a população hispânica é menor; então, jogadores como ele dão ao clube a oportunidade de se aproximar e estabelecer mais contato com essa comunidade”.

Camilo Durana, vice-presidente executivo e diretor de negócios da MLS. (Foto: Divulgação/MLS)

Concorrência com a Premier League

Há uma década, com contratações de peso como a do brasileiro Hulk, do argentino Carlos Tévez e do colombiano Jackson Martínez, o futebol chinês parecia estar se posicionando no cenário internacional, mas não conseguiu.

Por outro lado, a MLS começou a atrair não apenas jogadores latino-americanos, mas também de outras partes do mundo, como comprovam o atacante sul-coreano Son Heung-min e o goleiro francês Hugo Lloris. Em breve, Antoine Griezmann, o maior artilheiro da história do Atlético de Madrid, também chegará para se juntar ao Orlando City SC.

Durana aprofunda-se no segredo do crescimento e do sucesso da MLS: “Tudo começa com um grupo de proprietários comprometidos com a liga a longo prazo, não com o objetivo de obter um retorno financeiro imediato, mas sim de torná-la sustentável. Temos proprietários com muitos recursos, que poderiam gastar mais com jogadores, mas a ideia é que o negócio sustente esses investimentos; por isso, nos dedicamos a construir estádios que nos ajudem a sustentar o negócio e a vender patrocínios”.

O dirigente destaca que a MLS continua focada no mercado interno, sem deixar de lado sua internacionalização.

Os jogos da liga são assistidos sem restrições em mais de 100 países graças a um acordo de transmissão com a Apple TV; no entanto, a produção televisiva de todas as partidas é centralizada pela MLS, seguindo o exemplo da Premier League, o que garante maior “controle” e “qualidade” no conteúdo oferecido ao público.

A MLS também alterará seu calendário em 2027, alinhando-o com o futebol internacional e permitindo que a liga participe das principais janelas de transferências, um aspecto fundamental para continuar atraindo superestrelas e exportando jovens talentos.

Durana afirma que a MLS pretende competir com a Premier League, mas sem definir um prazo: “Não nos colocamos esse tipo de pressão; fazemos tudo na hora certa, para não colocar em risco o futuro da liga”.

Leia mais: De volta às raízes: Messi compra clube de futebol catalão nos arredores de Barcelona

A Copa do Mundo de 2026 deve impulsionar a MLS

A MLS, que surgiu como uma exigência da FIFA para que os Estados Unidos pudessem sediar a Copa do Mundo de 1994, disponibilizará 13 sedes da Copa do Mundo e mais de 15 centros de treinamento para a edição de 2026. Além disso, espera que 40 de seus jogadores representem suas seleções.

Durana prevê que a Copa do Mundo traga mais “energia” e “impulso” à MLS, abrindo novas oportunidades de negócios.

“Se conseguirmos aumentar a base de fãs, isso impulsiona o negócio e nos permite justificar mais investimentos, além de atrair mais jogadores que decidam escolher a liga como o próximo passo em suas carreiras. As empresas que investem na Copa do Mundo para aproveitar o interesse no torneio buscarão, posteriormente, outras oportunidades conosco”.

Camilo Durana.

O dirigente, que reconhece o legado da Copa do Mundo de 1994 no lançamento da MLS, acredita que a base, a infraestrutura e o investimento da liga neste momento permitirão que o legado deixado pela edição de 2026 seja “ainda maior”.

Além disso, ele não descarta a possibilidade de a MLS contratar um dos destaques do Mundial: “Temos flexibilidade (...) a figura do ‘jogador-franquia’ nos permite contratar quem quisermos. A cada dia, mais jogadores de alto nível das ligas europeias entram em contato e manifestam interesse em vir para cá em algum momento”.

Do colombiano Carlos ‘El Pibe’ Valderrama a Lionel Messi, campeão da MLS Cup em 2025, os jogadores e torcedores da América Latina têm sido fundamentais para o crescimento da liga. (Foto: Inter de Miami)
  •  

Brasil é motor de crescimento global da H&M, diz CEO ao inaugurar primeira loja no Rio

Menos de um ano após a inauguração da primeira loja da H&M no país, em São Paulo, o Brasil já se consolidou como um importante impulsionador global para a varejista sueca de moda.

Segundo o CEO global, Daniel Ervér, parte da estratégia da empresa para reconquistar a confiança dos investidores e voltar a crescer com resiliência passa pela América Latina e pela abertura de novas lojas, como a primeira do Rio de Janeiro, que será inaugurada neste sábado (25).

“O Brasil é um importante motor de crescimento”, disse Ervér, em entrevista à Bloomberg Línea por vídeo durante uma visita ao Rio para abrir a nova loja.

“Temos nos concentrado em fortalecer a nossa oferta ao cliente, além de consolidar a resiliência financeira da empresa para construir uma base sólida. Estamos trabalhando para construir as alavancas de crescimento para o futuro, e uma delas será o Brasil.”

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A avaliação do CEO resume anos de análise antes da entrada no país e a velocidade com que a empresa decidiu acelerar a expansão depois de confirmar a receptividade do consumidor brasileiro.

Segundo ele, a varejista passou anos vendo o Brasil como uma oportunidade em razão do mercado com mais de 200 milhões de habitantes e do interesse local por moda.

“Além disso, há uma infraestrutura robusta para o varejo com shoppings centers de grande porte, mas também é um mercado complexo, com forte concorrência e um consumidor exigente”, disse Ervér.

Leia também: Na Riachuelo, megafábrica em Natal vira pilar da estratégia para recuperar as margens

A H&M abriu sua primeira loja no Brasil em agosto de 2025, no Shopping Iguatemi, em São Paulo, e acumulou quatro unidades nos primeiros meses de operação. Outras cinco lojas pelo país estão com contratos assinados para 2026, incluindo outra no Rio, uma em Sorocaba e a primeira em Porto Alegre.

Daniel Ervér: Varejista passou anos vendo o Brasil como uma oportunidade em razão do mercado com mais de 200 milhões de habitantes e do interesse local por moda (Foto: Erika Gerdemark/Bloomberg)

O CEO alega que a empresa tem uma estratégia de expansão progressiva no país e busca ativamente outras localizações para as lojas em cidades que considera importantes, como Belo Horizonte e Brasília, além de expandir para o norte e sul de Rio e São Paulo.

O ritmo de expansão é determinado pela capacidade de encontrar esses locais estratégicos em um mercado varejista maduro e competitivo, disse.

Para Ervér, a abertura no Rio cumpre uma função além da expansão comercial. “O Rio é um marco importante para catalisar o reconhecimento da marca no Brasil”, disse o CEO. “A abertura física impulsiona as vendas digitais, e os dois canais se reforçam mutuamente.”

Essa dinâmica entre loja física e e-commerce foi descrita pelo executivo como um modelo que o Brasil ajudou a consolidar. A entrada simultânea nos dois canais, a adoção imediata do Pix como forma de pagamento e o início de produção local em algumas categorias foram classificados internamente como estratégias inéditas para a rede.

“A forma como chegamos ao Brasil com o avanço multicanal é muito interessante. Estamos muito curiosos para conhecer o consumidor local e encontrar uma maneira de construir a campanha de lançamento, também explorando a cultura local, sendo respeitosos e curiosos sobre ela, e vendo como isso ressoa na comunidade. Acho que esse é realmente um modelo de como entrar em novos mercados”, disse Ervér.

Recuperação global

No plano global, Ervér reconheceu que a H&M está em uma jornada de longo prazo para recuperar o crescimento de receita.

A margem operacional da empresa subiu de 7,4% para 8,1% no ano fiscal de 2025 e alcançou 8,4% nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026 — mas as vendas em moedas locais cresceram apenas 2% no ano e recuaram 1% no primeiro trimestre de 2026.

Leia também: H&M já foi a maior empresa da Suécia. Hoje tenta mostrar a investidores que tem futuro

“O ponto de partida da recuperação foi garantir que a oferta ao cliente seja realmente competitiva e que a empresa tenha resiliência financeira para investir”, disse Ervér. “Agora meu foco é começar a acelerar o crescimento. É uma jornada lógica, passo a passo.”

O CEO foi cuidadoso também ao falar sobre a meta de crescimento anual de ao menos 10%. “É uma jornada de longo prazo. Quero fazer cada etapa com qualidade.”

O cenário geopolítico, Ervér admite, traz imprevisibilidade para as cadeias de suprimentos globais, o que piora com as guerras e as tarifas. O planejamento por cenários, disse, tornou-se parte central da gestão.

Mas o CEO alerta contra a leitura automática de que incerteza macroeconômica equivale a queda no consumo. “Fomos cautelosos demais em relação ao consumidor americano no segundo semestre de 2025. Ele se mostrou mais resiliente do que esperávamos.”

Expansão na América Latina

A América Latina como um todo integra o plano de crescimento da empresa, segundo o CEO. A H&M opera no Chile há dez anos, deve abrir uma loja no Paraguai ainda em 2025 e anunciou recentemente a entrada na Argentina para 2027.

No caso brasileiro, a empresa diz adaptar seu modelo de negócios e sortimento para o mercado brasileiro considerando as particularidades locais e a concorrência.

Leia também: De ‘loja-modelo’ a colaboração global: os bastidores da entrada da H&M no Brasil

A H&M percebeu que a parte mais apreciada de seu sortimento pelos clientes brasileiros é a coleção de moda feminina, o que é um diferencial competitivo.

Além disso, eles oferecem uma ampla gama de produtos em outras categorias como lingerie, moda praia e sportswear, construídos sobre a base de oferecer moda atual com bom custo-benefício.

Segundo o CEO, a entrada no Brasil se deu também com consciência da forte concorrência local e internacional no país, com players como Zara e C&A.

A empresa busca se diferenciar oferecendo moda atual e valor, e a recepção positiva dos clientes em São Paulo indica que há espaço para a H&M encontrar seu diferencial para o consumidor brasileiro.

O CEO reconheceu que o mercado global de vestuário é “brutalmente competitivo”, mas argumentou que, com menos de 2% de participação no mercado global, há espaço para crescer se a empresa entregar o que promete.

“O mercado é muito fragmentado. Se fizermos bem o que devemos fazer, a oportunidade está lá.”

Apesar da empolgação declarada com o mercado brasileiro, o CEO apontou desafios enfrentados pela empresa na entrada no país. Segundo ele, uma questão importante logo no início do trabalho foi a inversão das estações do ano por conta da mudança de hemisfério.

Isso exige uma adaptação do sortimento e das opções para serem relevantes no mercado, considerando, por exemplo, períodos mais longos de verão e as adaptações sazonais necessárias.

A empresa estabeleceu uma joint venture com o Grupo Dorben, que possui mais conhecimento do mercado brasileiro. Segundo o CEO, essa parceria é crucial para navegar pelas complexidades locais, desde soluções tecnológicas e negociações de terrenos até a identificação dos contatos e redes certas para entrar no mercado.

“O Brasil é um mercado de varejo maduro, com forte concorrência local e internacional, e encontrar os melhores espaços é um trabalho contínuo”, disse. “Mas o que vimos em São Paulo nesses primeiros meses nos dá confiança para seguir em frente.”

© PETER WREDE

Fachada da loja da H&M no Shopping Rio Sul, a primeira inaugurada no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)
  •  

O crescimento da One com mix para a classe média

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A incorporadora One trabalha para garantir a oferta de produtos para a classe média mesmo em um cenário de escassez de terrenos em bairros privilegiados. A meta da empresa é atingir um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,5 bilhões em 2026.

Ao converter edifícios comerciais -- que já não atendem mais às exigências do mercado de escritórios -- em prédios de apartamentos compactos, a One pretende aumentar a oferta de produtos entre R$ 450 mil e R$ 500 mil.

“A One está bem preparada para navegar no cenário turbulento à frente. Buscamos controlar os custos e o valor do terreno para que o preço final não saia do alvo. Temos a preocupação de oferecer um produto acessível”, disse o vice-presidente da One Innovation, Paulo Petrin, em entrevista à Bloomberg Línea.

O executivo relata que, em 2025, a companhia concentrou lançamentos no último trimestre. Para 2026, a One deve começar a lançar novos empreendimentos em maio. A expectativa é que a empresa encerre o primeiro trimestre com cerca de R$ 410 milhões em vendas. Para o consolidado do ano, o VGV deve alcançar entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,5 bilhões.

⇒ Leia a reportagem: Com mix para a classe média, incorporadora One projeta vendas de R$ 2,5 bi em 2026

Fachada de empreendimento da One na Vila Nova Conceição, em São Paulo (Foto: Divulgação)

No radar dos mercados

O Nasdaq 100 caminha para a quarta alta semanal consecutiva nesta sexta-feira (24), com ações de tecnologia liderando os ganhos após um guidance acima do esperado da Intel, cujos papéis saltaram 25% no pré-mercado.

- Entre cortes e saídas. A Meta e a Microsoft planejam cortes que podem afetar até 23 mil empregos. A Meta prevê demitir cerca de 8 mil funcionários e deixar de preencher outras 6 mil vagas, enquanto a Microsoft passou a oferecer saídas voluntárias, segundo uma fonte ouvida pela Bloomberg News.

- Yara supera projeções. A empresa reportou Ebitda de US$ 896 milhões no 1º trimestre, avanço de 40% em relação ao ano anterior e acima das estimativas. O impulso veio da alta dos preços de fertilizantes diante do conflito no Oriente Médio e do bloqueio do Estreito de Ormuz.ㅤ

- Intel projeta novo guidance. A companhia estima receita de até US$ 14,8 bilhões no trimestre encerrado em junho, acima das estimativas dos analistas, impulsionada pela forte demanda por chips para inteligência artificial. O crescimento reflete o plano de retomada do CEO Lip-Bu Tan.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (23/04): Dow Jones Industrials (-0,36%), S&P 500 (-0,41%), Nasdaq Composite (-0,89%), Stoxx 600 (+0,05%), Ibovespa (-0,78%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Estrangeiros colocam R$ 65 bi na bolsa, atingem recorde, e brasileiros ficam à margem

CEOs de petrolíferas pressionam presidente da Venezuela por garantias a investimentos

Serra Verde vai multiplicar a produção de terras raras após compra pela USA Rare Earth

• Também é importante: A estratégia ‘pés descalços’ da Lovable: sem roadmap fixo, planos mudam a cada 15 horas | De seguros rurais a consórcios: o plano do BB para ‘virar a página’ da crise do agro

• Opinião Bloomberg: Troca de CEO na Apple reforça foco em hardware em detrimento da corrida global por IA

• Para não ficar de fora: Exclusividade catalã: importadora foca em impulsionar vinho espanhol de luxo no Brasil

Essa foi uma amostra de Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea com as notícias de destaque no Brasil e no mundo.

Para receber a íntegra da newsletter na sua caixa de email, registre-se gratuitamente no nosso site.

Por hoje é só. Bom dia!

Obrigado por ler nossa newsletter matinal.

Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

  •  

Com mix para a classe média, incorporadora One projeta vendas de R$ 2,5 bi em 2026

A incorporadora One trabalha para garantir a oferta de produtos para a classe média mesmo em um cenário de escassez de terrenos em bairros privilegiados. A meta da empresa é atingir um valor geral de bendas (VGV) de R$ 2,5 bilhões em 2026.

Ao converter edifícios comerciais -- que já não atendem mais às exigências do mercado de escritórios -- em prédios de apartamentos compactos, a One pretende aumentar a oferta de produtos entre R$ 450 mil e R$ 500 mil.

“A One está bem preparada para navegar no cenário turbulento à frente. Buscamos controlar os custos e o valor do terreno para que o preço final não saia do alvo. Temos a preocupação de oferecer um produto acessível”, disse o vice-presidente da One Innovation, Paulo Petrin, em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O executivo relata que, em 2025, a companhia concentrou lançamentos no último trimestre. Para 2026, a One deve começar a lançar novos empreendimentos em maio. A expectativa é que a empresa encerre o primeiro trimestre com cerca de R$ 410 milhões em vendas. Para o consolidado do ano, o VGV deve alcançar entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,5 bilhões.

Leia mais: De terrenos à formação de corretores: as apostas da nova geração da Coelho da Fonseca

Petrin afirma que, para enfrentar a escassez de terrenos em bairros bem localizados, a One tem optado por converter prédios antigos, incluindo a mudança de uso, como a transformação de edifícios comerciais. “Muitos prédios envelheceram e já não são mais adequados. Com isso, acabaram ficando vazios.”

Se o reaproveitamento não é possível, o executivo conta que o prédio é derrubado, andar por andar. “Em alguns casos, a conta fazia mais sentido, pois o terreno permite mais área construída.”

A história da One começou em 2013, com a construção de apartamentos compactos em São Paulo, com unidades de um e dois dormitórios. “Por serem acessíveis em regiões boas da cidade, atingimos diversos públicos como pequenos investidores, porque nossos produtos são muito líquidos”, diz.

Vice-presidente da One Innovation, Paulo Petrin:

O principal público da One, segundo Petrin, busca financiamentos em bancos tradicionais para viabilizar de 60% a 70% do valor do imóvel. “O financiamento é importante no nosso mercado. Mas quando você sai desse valor e passa de R$ 1 milhão, a liquidez é menor”, destaca.

Desafios à frente

“Começamos o ano muito animados, mas fatores que fogem ao radar, como a guerra [no Irã], que impacta os preços das commodities e insumos, vão elevar os nossos custos”, aponta Petrin.

Neste contexto, ele explica que o mercado imobiliário vem sendo impactado. “A demanda está reprimida, precisamos melhorar muito as condições macroeconômicas”, diz.

Outra incerteza que surge neste cenário é um conjunto de questionamentos ao Plano Diretor de São Paulo, que estabelece as diretrizes para construções na cidade. Segundo Petrin, com o documento discutido por dez anos e aprovado em 2024, houve um incremento da área construída permitida dos terrenos, o que ajudou a impulsionar o mercado imobiliário.

“Precisamos que o Plano Diretor, que já foi aprovado, seja respeitado. Isso trouxe um aproveitamento maior dos terrenos e houve uma oferta maior de moradia na cidade. Porém, quanto mais restritivas as regras, mais caro ficará para morar.”

Apesar das incertezas, o executivo garante que a One terá fôlego para honrar com os compromissos na esteira da incorporadora. A empresa conta com investimentos do fundo soberano de Singapura, o GIC.

“Somos uma empresa muito bem estruturada, temos como acionista o GIC, que diferentemente de outros fundos, visa o longo prazo”, observa Petrin.

Leia também:

Com estoque limitado, Av. Paulista impulsiona escritórios em regiões vizinhas

Após recuperar prédios no centro de São Paulo, Planta avança para bairros nobres

De café coado a Starbucks: a equação da WeWork para atender clientes no Brasil

Fachada de empreendimento da One na Vila Nova Conceição, em São Paulo. (Foto: Empresa/Divulgação)
  •  

De seguros rurais a consórcios: o plano do BB para ‘virar a página' da crise do agro

O Banco do Brasil (BBAS3) abriu o BB Day 2026, evento para investidores e analistas de mercado, com o diagnóstico de que 2025 foi “o ano mais desafiador da história recente do banco”, segundo o CFO Geovanne Tobias.

O lucro anual do BB caiu 45,4% em 2025, impactado principalmente pelo aumento do risco de crédito com a ampliação das provisões.

O volume trimestral de provisões praticamente triplicou na comparação com a média dos últimos 11 anos, que girava em torno de R$ 5 bilhões. O custo do risco saltou de 2,5% em 2014 para 5,1% em 2025.

“Sem dúvida alguma foi um ano completamente fora da curva”, disse o CFO. “Passar por 2025 exigiu da nossa administração muita transparência”.

O grande vilão dos resultados do BB foi o agronegócio – segmento que já foi fortaleza do banco e representa um terço de sua carteira de crédito. Apenas no último trimestre de 2025, R$ 10 bilhões dos R$ 18 bilhões de provisões totais vieram desse segmento.

Tobias listou uma combinação de fatores que prejudicaram os resultados do agro: conflito Rússia-Ucrânia e seus reflexos nas commodities agrícolas, a alavancagem excessiva do produtor rural, inflação de custos, Selic elevada, queda no preço da soja em 2023 e os eventos climáticos severos no Rio Grande do Sul em 2024.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A solução de curto prazo foi suspender o guidance apresentado para 2025 e reformular toda a esteira de cobrança e exigência de garantias, passando a priorizar a alienação fiduciária no lugar do penhor e da hipoteca, que são instrumentos historicamente mais utilizados na carteira rural.

O BB também reforçou a aposta em outras linhas de crédito, além de diminuir a perspectiva de apetite no agronegócio. O guidance para 2026 tem projeção de crescimento zero da carteira de agro no ponto médio do guidance (projeção), que vai de -2,0% a +2,0%.

Leia também: Banco do Brasil prevê ‘freio′ no crédito para o agro para elevar rentabilidade em 2026

Conglomerado como estratégia

Ainda é cedo, no entanto, para projetar como será a recuperação da carteira agro. Até lá, o Banco do Brasil espera usar seu conglomerado como estratégia para manter a rentabilidade apesar dos desafios de crédito.

Tobias reforçou que a instituição opera como um conglomerado com mais de 80 empresas, e que foi essa estrutura que permitiu sustentar retorno sobre patrimônio de dois dígitos mesmo em meio à crise de crédito.

“Estamos falando de um banco que vai muito além de financiar a agricultura”, afirmou.

“As empresas do grupo vem somando 52% do resultado. Essa estratégia foi fundamental para criar essa musculatura para que o conglomerado do Banco do Brasil enfrentasse 2025″.

Entre as empresas do grupo estão a BB Seguridade, líder em seguros rurais com 62% de participação de mercado e com posições relevantes em previdência e capitalização; a BB Consórcios, que hoje administra R$ 150 bilhões em carteira e 1,7 milhão de cotas ativas; e o BV, atualmente maior financiador de veículos do país.

O Banco do Brasil conta ainda parceria com o UBS no mercado de capitais, uma joint venture que já gerou R$ 1 trilhão em volume desde seu lançamento em 2020, e a BB Asset Management, que é atualmente a maior gestora de investimentos do Brasil com R$ 1,8 trilhão sob gestão.

No segmento de meios de pagamento, o banco concluiu o fechamento de capital da Cielo em 2024, junto ao Bradesco, que também é controlador da empresa. A bandeira Elo, a plataforma de benefícios Alelo e a empresa de fidelidade Livelo completam o ecossistema.

O CFO reforçou ainda que o BB pretende avançar na internacionalização. O banco lançou o PIX na Argentina via Banco Patagônia em março de 2026 e agora pretende replicar a experiência nos Estados Unidos, onde o BB Américas mantém mais de US$ 3 bilhões em ativos, sendo cerca de US$ 2 bilhões em financiamentos imobiliários para brasileiros na Flórida.

O CFO destacou também o programa de venture capital do BB, com investimentos em 51 startups entre fintechs, agritechs, govtechs e finanças verdes, que conta com capital investido superior a R$ 500 milhões.

“Apesar de termos enfrentado o maior desafio da história do Banco do Brasil nesses últimos 20 anos, nós acreditamos na capacidade do BB continuar gerando resultados sustentáveis no médio e longo prazo, dado toda essa estratégia de conglomerado que nós implementamos”, afirmou.

A próxima etapa anunciada é a criação de uma diretoria estatutária dedicada exclusivamente à gestão das participações estratégicas do conglomerado.

Leia também

Banco do Brasil estuda alívio a produtores rurais por impacto da guerra, diz fonte

CEO da Revolut descarta IPO neste ano e mira abertura de capital depois de 2028

Nubank assume naming rights do estádio do Palmeiras e avança em estratégia nos esportes

© Christopher Dilts

Estrutura com mais de 80 empresas respondeu por mais da metade do resultado e ajudou a amortecer impacto da crise no agro (Foto: Christopher Dilts/Bloomberg)
  •  

Êxodo de empreendedores do Brasil para o Vale do Silício impõe desafio a fundos de VC

O apresentador Luciano Huck encerrou sua participação recente em um painel do evento Brazil At Silicon Valley com um apelo: “Come back”, disse ele — ou “voltem para casa”.

O pedido foi feito à plateia e aos jovens brasileiros que estudam em universidades como Stanford e Berkeley, nos Estados Unidos, e que organizaram a conferência no início de abril na Califórnia. Huck foi aplaudido efusivamente.

O comentário reflete uma mudança que começa a se impor no ecossistema de tecnologia brasileiro, com consequências para o mercado de venture capital e os fundos que operam no Brasil.

Depois de um longo período no qual “mantra” das startups fundadas por brasileiros era construir soluções locais para problemas locais, agora o eixo parece se deslocar na direção do Vale do Silício.

Um novo grupo de empreendedores tem preferido fundar e construir suas empresas de tecnologia a partir dos Estados Unidos, onde seus negócios já nascem com ambições globais.

Gestores de diferentes gerações ouvidos pela Bloomberg Línea em conversas durante o evento reconheceram a mudança e concordaram em um ponto: a concentração de cérebros, capital e ambição na Califórnia voltou a ser um ímã para o empreendedorismo de alto impacto, forçando os fundos de venture capital brasileiros a repensarem seus próprios papéis.

Leia também: Sem medo de ser global: nova geração de startups do Brasil acelera internacionalização

Muitos empreendedores brasileiros, especialmente de segunda ou terceira viagem, estão arrumando as malas para empreender fora do Brasil.

“Percebemos isso e não é de agora, mas esse movimento ganhou um novo ritmo nos últimos seis meses, com muitos empreendedores falando que estão se mudando para o Vale e que irão construir o seu próximo negócio nos Estados Unidos”, afirma Renato Valente, cofundador da Iporanga Ventures.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O movimento não se limita a fundadores brasileiros e também ocorre com profissionais de outros países da região. Mas é uma mudança significativa para um mercado que, nos últimos 20 anos, foi o berço de unicórnios como Nubank, QuintoAndar, C6 Bank, Loft, Nuvemshop, Creditas, Loggi e CloudWalk, entre outros.

Segundo Valente, da Iporanga, a gestora acompanha o movimento de perto. Mas o mandato de seu fundo atual a obriga a avaliar qual é o papel do mercado brasileiro dentro da tese do negócio no momento em que faz a avaliação de uma startup para investir.

“Queremos que esses empreendedores, pelo menos, voltem para o Brasil em algum momento. Não precisa ser no dia zero, pode ser talvez um pouco mais para frente, mas a tese da startup precisa incluir o Brasil”, diz.

A migração impõe um desafio para gestoras de venture capital do Brasil ou que investem em startups da América Latina. Numa disputa global, os fundos americanos dispõem de muito mais capital. E as gestoras brasileiras temem se tornar apenas mais um fundo no cap table, perdendo relevância ao longo do tempo em sua contribuição para as startups do portfólio.

Ricardo Duarte, cofundador da Beacon Founders, classifica a situação como uma “diluição do poder local”. Em outras palavras: o prestígio acumulado de grandes fundos brasileiros já não garante a mesma vantagem quando a partida é jogada no Vale do Silício.

Ele aponta que existe uma espécie de hierarquia. Um investimento por parte de um fundo “Tier 1” americano, como a Sequoia, garante rodadas subsequentes de forma quase automática para uma startup.

Fundos brasileiros, por outro lado, precisam provar um valor operacional muito maior para manter o mesmo nível de influência no cap table de uma startup que nasce global.

“É uma mudança gigante no modelo de negócio dos fundos”, afirma Duarte. “Precisamos ver como o mercado irá se comportar neste novo cenário, que ainda não está estabelecido.”

Leia também: Investidor que apoiou o Facebook em 2005 mira startups brasileiras fora da onda da IA

O movimento mais contundente nesse sentido foi feito pela Monashees, conforme antecipado pela Bloomberg Línea. O fundo de investimento brasileiro abriu um escritório em São Francisco, nos Estados Unidos, e contratou um PhD do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) para liderar iniciativas de IA.

Segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg Línea, a ideia do novo escritório americano é ampliar a presença no eixo mais relevante para inovação nas Américas e garantir acesso direto ao ecossistema de IA da costa oeste e a fundadores latino-americanos.

Há também quem seja mais pragmático. Daniel Chalfon, sócio da Astella Investimentos, ressalta que o Brasil ainda possui uma vasta quantidade de problemas — e, consequentemente, de oportunidades —, o que justifica o foco no mercado doméstico.

“Hoje, uns 70% do que fazemos no momento são investimentos em soluções que vão resolver grandes problemas no Brasil, provavelmente com baixa chance de internacionalização”, afirma.

Uma segunda vertente nos aportes inclui negócios com potencial de ir para fora, caso das startups BotCity e Birdie.ai. “Talvez o Brasil possa ser um bom proxy para construir um produto, já que encontra uma diversidade grande e depois pode-se escalar.”

Leia também: Temos 98% do mercado para conquistar, diz CEO da Brex após aquisição pela Capital One

O investidor reconhece a tendência dos “empreendedores globais”, mas questiona a capacidade de fundos brasileiros competirem diretamente no Vale do Silício, frente a nomes como Sequoia e Andreessen Horowitz.

Ele lembra, por exemplo, que Luana Lara, brasileira cofundadora da Kalshi, plataforma de mercado de previsão de eventos reais, não recorreu a nenhum fundo nacional para transformar em um negócio que hoje ostenta o valuation de US$ 11 bilhões.

“Do nosso lado, estamos atentos, observando e pesquisando, mas não iremos abrir uma Astella aqui nos Estados Unidos, não estamos procurando um sócio aqui, nada disso. Podemos fazer um investimento de tempo e orçamento para estar mais presentes e capturar conhecimento”, diz. “Essa é uma tese ainda não provada, mas acho que é o nosso papel tomar esse risco.”

Leia também

Anthropic, dona do Claude, começa a montar estrutura no Brasil, dizem fontes

IA reduz barreiras e amplia alcance de startups brasileiras, diz executivo da Anthropic

© David Paul Morris

São Francisco: Califórnia voltou a ser um ímã para o empreendedorismo brasileiro de alto impacto. (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)
  •  

A Leão construiu um império do chá no Brasil. Agora planeja dobrar de tamanho

Controlada pela Coca-Cola desde 2007, a Leão Alimentos e Bebidas vê espaço para dobrar de tamanho até o fim da década, de olho no aumento do consumo de chás, o carro-chefe da empresa fundada há 125 anos em Curitiba.

A marca líder no mercado brasileiro iniciou um ciclo de investimentos em capex de R$ 100 milhões até 2030, sendo 60% destinados à modernização de equipamentos e 40% à ampliação da capacidade produtiva.

O novo investimento é aplicado depois de a empresa investir R$ 60 milhões nos últimos quatro anos na mesma estrutura.

“O Brasil tem um grande mercado promissor ainda a se desenvolver”, disse o CEO Marcelo Corrêa em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O principal vetor de crescimento dos últimos anos foi um produto lançado em 2019: o chá de preparo em água gelada, que acumulou expansão de 127% entre 2020 e 2025.

A linha permite o preparo em garrafas com água fria, sem necessidade de infusão quente, e reposicionou o chá como bebida de consumo fora do lar.

Leia também: Starbucks retoma expansão e prevê 30 novas lojas no Brasil em 2026, diz líder no país

As ervas utilizadas passam por tratamento microbiológico diferenciado que substitui a etapa térmica tradicional. A inovação figura entre os produtos que compõem os 40% do Ebitda atribuídos a novos produtos.

A linha de chá gelado chega ao mercado num momento em que outras categorias de bebidas percebem a mesma tendência. O Starbucks, por exemplo, expandiu recentemente sua oferta de cafés gelados no Brasil, sinalizando que as novas gerações migram para formatos frios independentemente da bebida.

Para a Leão, a vantagem competitiva está nos atributos que o chá carrega por si só.

“Hoje os jovens procuram saudabilidade, naturalidade, procuram o faça-você-mesmo. A gente não fala só de cafeína, a gente fala também de cafeína, mas a gente fala de relaxamento, de diferentes funcionalidades, de diferentes atribuições, inclusive refrescância”, disse Corrêa.

Marcelo Corrêa, CEO da Leão, na unidade fabril no Paraná.

Em 2025, a Leão lançou 11 produtos, incluindo a entrada no mercado de erva-mate verde com chimarrão e tereré. Para 2026, o foco declarado é consolidar esses lançamentos e ampliar a presença no mercado internacional, além de desenvolver estratégias B2B.

Novos lançamentos funcionais dependem de regulamentação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e não têm prazo definido.

Quase 70% de market share

A Leão detém 68,5% de participação em volume no mercado brasileiro de chás por infusão, segundo dados da Nielsen citados pela companhia.

O número representa um avanço de cinco pontos percentuais desde 2021, quando a participação era de 63,5%, e consolida uma trajetória de oito anos consecutivos de crescimento a dois dígitos num mercado que, apesar do avanço, ainda consome 24 xícaras de chá por habitante por ano, contra 1.200 do Uruguai e 500 da Argentina.

O contraste com os vizinhos sul-americanos revela a dimensão da oportunidade. O Brasil saiu de 16,5 xícaras per capita em 2016 para 24 em 2025, um crescimento de 45% em menos de uma década.

Leia também: Império invisível do café enfrenta nova era de preços voláteis e tenta se reinventar

Ainda assim, opera em menos de 2% do patamar uruguaio e muito abaixo da média mundial de 250 xícaras por habitante. Países como Turquia (1.300), Irlanda (900) e Reino Unido (800) ilustram o teto possível.

O domínio de mercado da Leão não elimina a pressão competitiva. Nas gôndolas dos supermercados brasileiros, a marca divide espaço com a Dr. Oetker no segmento intermediário, com a Twinings no premium e com marcas próprias de redes varejistas.

Gôndola de chás em supermercado de São Paulo: Twinings, Dr. Oetker e Leão disputam espaço nas prateleiras. A líder de mercado convive com concorrentes que apostam em blends e sabores para conquistar o consumidor brasileiro

A rede Dia Supermercados aposta em duas linhas de chá de marca própria, a Chámeguin, com clássicos como camomila e hortelã, e Cochichá, com blends de ervas e frutas. A produção fica a cargo da Herboflora, de Machado (MG). O Dia pratica preços até 20% abaixo da Leão nas versões básicas, constatou a reportagem em loja na zona oeste de São Paulo.

“A estratégia da marca própria do Dia é atrair consumidores que buscam produtos com bom custo-benefício, mas exigem qualidade”, afirmou o CEO Fabio Farina, em nota.

Outra concorrente é a Maratá, com presença concentrada no Norte e Nordeste. A empresa foi adquirida em 2024 pela JDE Peet’s, multinacional holandesa dona das marcas Pilão e Caboclo.

Ainda assim, a Leão é quatro vezes maior do que o segundo colocado em valor, segundo Corrêa, o CEO da marca. O dado, porém, não apaga o desafio maior: disputar atenção num país onde o café é a bebida de referência.

“O hábito de consumo de chá no Brasil não está vinculado ao clima, até porque se o clima fosse, nós não beberíamos café em pleno verão”, disse Corrêa.

Erva-mate para exportação

A aposta de longo prazo fora do Brasil está na erva-mate, produto com 85% do plantio mundial concentrado no sul do país.

A empresa opera há 18 meses em seis mercados externos (Estados Unidos, Canadá, Espanha, Portugal, Japão e Oriente Médio) e as exportações já representam aproximadamente 5% do faturamento.

O mercado americano é o mais representativo, impulsionado pela concentração de brasileiros residentes nos Estados Unidos.

A estratégia não compete com as ervas tradicionais de cada mercado, mas aposta na novidade da erva-mate como produto brasileiro ainda desconhecido fora do cone sul, um caminho que o açaí e o guaraná percorreram antes.

Leia mais: Café gelado cai no gosto de jovens e impulsiona as vendas de cafeterias

“É um produto brasileiro tal qual o açaí, o guaraná da Amazônia. São produtos que a gente pode dizer que são proprietários do nosso Brasil”, afirmou Corrêa.

Japão e Oriente Médio são apontados como mercados de maior potencial de longo prazo, por já terem o hábito de consumo de chá consolidado.

Norte e Nordeste como nova fronteira

No mercado doméstico, a próxima fronteira está nas regiões historicamente mais frias para o chá. Norte e Nordeste crescem acima de 20% ao ano em volume e valor nos últimos seis anos, segundo dados Nielsen, mas ainda representam apenas 15% da receita total da empresa. Sul e Sudeste concentram cerca de 40%.

A assimetria é reveladora: as regiões com menor penetração histórica crescem no ritmo mais acelerado. O consumo per capita regional gira em torno de três xícaras por habitante por ano, o que indica que o desenvolvimento do hábito, e não a disputa por share em mercados maduros, é o principal motor de crescimento disponível nos próximos anos.

Fundada em Curitiba em 1901, a Leão opera de forma ininterrupta desde então. A família fundadora não tem participação remanescente desde a aquisição pela Coca-Cola.

Fazer parte do sistema da gigante americana confere à empresa padrões internacionais de produção e políticas corporativas globais, segundo o CEO.

Sobre fusões e aquisições, Corrêa foi cauteloso em meio a um setor em movimento. A General Mills vendeu recentemente suas operações no Brasil para a Três Corações.

“A gente observa o mercado sempre”, disse, sem confirmar negociações em curso. “O que falta construir são os próximos 100 anos”.

Leia também

Como este casal criou uma nova marca de cafés e chás em um mercado centenário

Vista aérea da unidade fabril da Leão em Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba (PR): empresa opera duas fábricas no Paraná e planeja investir R$ 100 milhões até 2030. (Foto: Divulgação/Leão)
  •  

Marca colombiana aposta na Espanha como ‘trampolim’ para o café premium na Europa

A marca colombiana Juan Valdez lançou na Espanha uma edição limitada de café premium em parceria com a estilista espanhola Ágatha Ruiz de la Prada.

A coleção inclui xícaras com estampas da designer — corações, formas geométricas e cores vibrantes — e café 100% colombiano em embalagem assinada.

A colaboração faz parte da estratégia da marca de reforçar sua presença no mercado europeu combinando produto e identidade cultural.

Para a Juan Valdez, unir o café colombiano ao nome de uma das figuras mais reconhecidas da moda espanhola é uma forma de ampliar seu alcance além do público habitual de cafeterias premium.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A colaboração, concebida como uma edição especial, une a origem do café colombiano a um dos universos criativos mais reconhecíveis da moda espanhola.

O resultado é uma proposta que apela à experiência: não apenas tomar café, mas interagir com uma narrativa visual e emocional construída em torno dele.

Leia também: Do óleo de soja em alta ao café e cacau em queda: o retrato do agro no 1º tri de 2026

O lançamento acontece em um momento em que a Espanha ganha relevância dentro da expansão internacional da companhia.

“A Espanha é um mercado-chave dentro da nossa estratégia na Europa, com um crescimento de 55% nas vendas no último ano”, afirmou Virginia Donado, CEO da marca no país, em declarações à Bloomberg Línea.

Para a empresa, o mercado espanhol funciona como uma ponte para a Europa, impulsionado pela afinidade cultural com a América Latina e por um consumidor cada vez mais receptivo a propostas que combinam produto e experiência.

Essa mudança no padrão de consumo é central na estratégia. “Mais de 70% das decisões no setor de hospitalidade são influenciadas pela experiência e pelo ambiente”, explicou Donado, que descreve uma virada em direção a um modelo no qual o café deixa de ser apenas uma bebida para se tornar um elemento cultural e social.

Nesse contexto, a parceria com a estilista espanhola não é um fato isolado, mas parte de uma aposta por conectar com novos públicos por meio da indústria criativa.

A Espanha, com sua forte tradição em design e estilo de vida, torna-se assim um laboratório para esse tipo de iniciativa.

Leia também: Império invisível do café enfrenta nova era de preços voláteis e tenta se reinventar

O crescimento da Juan Valdez no país europeu se apoia em um modelo multicanal que combina lojas físicas — onde se concentra a experiência de marca — com um canal digital em expansão, que cresceu mais de 45% no último ano, impulsionado pela venda de café embalado.

A médio prazo, a companhia projeta chegar a até 140 lojas na Espanha nos próximos seis anos, consolidando uma base operacional para sua expansão pelo restante da Europa. Em paralelo, a aliança com o Grupo Lux busca reforçar sua capacidade logística e comercial na região.

Além da expansão física, a estratégia mira competir em um mercado europeu altamente sensível a preço por outro caminho: o valor. “Não entramos na guerra de preços, mas na construção de valor”, afirmou Donado, destacando o peso da origem, da qualidade e do impacto social do café colombiano.

Iniciativas como o programa Mulheres Cafeicultoras, que já beneficiou mais de 1.000 produtoras na Colômbia, integram esse discurso, no qual a marca busca se diferenciar não só pelo produto, mas pela sua história.

Para a companhia, esse tipo de colaboração também reflete uma transformação mais ampla na indústria cafeeira latino-americana: a passagem de exportar matéria-prima para exportar marca, experiência e conteúdo cultural.

Nesse percurso, a Espanha não atua apenas como mercado, mas como vitrine — um espaço onde o café colombiano se apresenta não só como origem, mas como proposta estética e cultural capaz de competir no segmento premium global.

Leia também

Da soja ao café: Brasil responde pela maior parte do comércio de LatAm com o Irã

© ESTEBAN VANEGAS

Quiosque da Juan Valdez, na Colômbia: rede prevê abrir até 140 lojas na Espanha. (Foto: Esteban Vanegas/Bloomberg)
  •  

Gigante italiana mira doces caseiros para ser ‘one stop shop’ da confeitaria no Brasil

Quando executivos do Irca Group chegam ao Brasil para conhecer o mercado local, o VP Plínio Freitas tem um ritual: leva-os a uma loja da Chocolândia, em São Paulo, um dos grandes varejos de ingredientes para confeitaria espalhados pelo país, e deixa a cena falar por si.

“A gente normalmente tem que trazer o pessoal lá de fora para mostrar, porque só explicando eles não conseguem entender”, disse Freitas, vice-presidente Latam da gigante italiana da confeitaria em entrevista à Bloomberg Línea.

O que esses visitantes encontram é um mercado que, apesar de ser um dos maiores do mundo, tem uma caraterística muito mais difusa e ligada à produção doméstica de doces do que o que se vê em outros países. É neste home baking que a empresa aposta ao iniciar sua aposta no Brasil.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A multinacional italiana fundada em 1919 diz ter faturamento de cerca de € 1,5 bilhão ao ano e iniciou em 2025 a montar sua operação estruturada no Brasil, o que se formalizou no início deste ano.

Leia também: Como a Nestlé busca se antecipar à Páscoa para vender mais chocolates

O investimento inicial é de aproximadamente € 1 milhão aplicados na montagem de equipe comercial, estrutura logística e adaptação de produtos para o mercado local. A preparação levou quase um ano — tempo necessário para abertura de empresa, organização de importação e seleção de portfólio.

O ponto de entrada escolhido pelo Irca diz muito sobre como a empresa lê o Brasil. A companhia é, por natureza, um negócio B2B, e fornece ingredientes para profissionais, nunca para o consumidor final. Mas o Brasil tem uma camada intermediária que não se enquadra facilmente nessa lógica.

“No Brasil, existe esse mercado informal que a gente chama de home baking, que é um profissional caseiro. Fica ali na zona cinzenta”, disse Freitas.

Esse segmento é formado por confeiteiros, chocolateiros e produtores de brigadeiros e outros doces que operam a partir de casa ou em pequena escala. É ele, na leitura do Irca, simultaneamente o mais imediato e o mais volumoso.

A divisão de esforços, neste primeiro momento, é de aproximadamente 60% voltada a esses produtores caseiros e 40% à indústria. “No momento a gente focou bastante no home baking, até porque é um trabalho com um prazo um pouco mais curto. Você vai para a gôndola, faz um trabalho e já começa a ter o giro”, explicou Freitas.

Leia também: Chocolate renasce no sul da Bahia com nova geração de produtores de cacau fino

A estratégia de ativação combina marketing digital com presença física. A empresa já realizou degustações e demonstrações em lojas em Campinas e em São Paulo, e organizou um evento de apresentação para chefs, confeiteiros e distribuidores. O primeiro cliente B2B de maior porte confirmado é a rede de gelaterias Bacio di Latte.

Grupo Irca fornece produtos para o preparo de sorvetes italianos (Foto: Divulgação)

Posicionamento local

Para esta fase inicial, o Irca selecionou 50 itens de um portfólio global de mais de 5.000 produtos. A seleção priorizou quatro categorias.

A principal é a linha de recheios e coberturas (nociola, pistache, caramelo e praliné, entre outras) que representa o núcleo histórico da empresa. A segunda é especializada em frutas cristalizadas, com foco no mercado de panetone. A terceira é voltada para sorveterias italianas, segmento em expansão no Brasil. A quarta é focada em decorações de chocolate prontas para aplicação.

Leia também: ‘Pequenos mimos’: nova tendência na hotelaria coloca a confeitaria em destaque

“Queremos nos posicionar como one stop shop para confeitaria, para chocolateria, gelateria. Tudo o que esses profissionais precisarem, a gente é capaz de fornecer”, disse Freitas.

Segundo ele, entretanto, nenhum produto no país é tão importante quanto o brigadeiro.

Entre os ingredientes em que a empresa aposta no curto prazo está o pistache, cuja popularidade Freitas avalia como duradoura. “A gente acredita que não vai ser apenas uma modinha. Vai estabilizar num patamar alto”, disse.

A empresa tem a maior fábrica de pistache da Europa, localizada na Sicília, e traz ao Brasil desde pastas puras até cremes prontos para aplicação.

A adaptação para o mercado brasileiro, contudo, começou antes mesmo da chegada dos produtos. Na Europa, recheios são vendidos normalmente em embalagens de 5 quilos. No Brasil, o perfil do setor exigiu formatos menores. “A gente comprou máquinas na Itália para atender essa demanda do Brasil especificamente”, disse Freitas. Embalagens de 1 quilo ou menos passam a ser o padrão para a operação local.

Apesar dessa ligação com a produção caseira, o posicionamento da marca no Brasil é voltado ao mercado premium. Por ser produto importado, o preço será mais alto do que o de concorrentes locais, mas a empresa lida com esse obstáculo apostando em um consumo aspiracional.

“Pode ser que nosso produto em 20 centavos o custo de produção de uma pequena empresa, mas sua margem pode aumentar em 50 centavos”, disse Freitas. Para o home baker que vende brigadeiros ou ovos chocolate de comer com colher, usar um ingrediente italiano de origem reconhecida permite cobrar mais pelo produto final, segundo ele.

“É premium, mas não é exorbitante, super caro e não acessível. E realmente traz valor para quem utiliza o produto”, afirmou Freitas.

No segmento industrial, o ciclo para se consolidar no mercado local é mais longo e mais burocrático. O grupo já mapeou alvos como Cacau Show, Kopenhagen, Ofner e Bauducco como potenciais clientes. Globalmente, a empresa já fornece para a Unilever na divisão de sorvetes e trabalhou com a Franui no lançamento de uma linha de sorvetes na Europa.

A ambição é replicar esse modelo no Brasil, mas Freitas reconhece que esse trabalho “leva mais tempo” e é “mais burocrático”.

Apesar de começar devagar, a meta para a operação brasileira é que fique entre as três maiores do grupo no mundo.

“O caminho para chegar lá combina crescimento orgânico nos primeiros três anos com a possibilidade de movimentos estruturais posteriores. “O Irca cresceu muito com aquisições. Tem um pouco disso no nosso DNA. Então uma eventual aquisição no Brasil também pode ser uma possibilidade razoável”, disse.

Leia também

Foco na avelã: como a Ferrero ‘dribla’ a alta dos preços do cacau na Páscoa

©

Multinacional fundada em 1919 tem faturamento de cerca de € 1,5 bilhão ao ano e estreou sua operação estruturada no Brasil neste ano
  •  

Transfero aposta em rede de orquestração para unificar pagamentos globais e blockchains

Fintech de ativos digitais, a Transfero está em um momento de transformação estratégica. O mais recente movimento da empresa, que construiu a sua reputação como fornecedora de infraestrutura cripto, agora é se posicionar como orquestradora de múltiplas blockchains e redes de pagamento com o lançamento da Transfero Payment Network (TPN).

O sistema foi criado para conectar múltiplas infraestruturas, como Pix, Swift, Circle Payments Network, t0 Network, Ripple e Fireblocks Network. E inclui ainda stablecoins, bancos locais e internacionais e provedores de liquidez.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Emissora do BRZ, stablecoin lastreada em moeda fiduciária e atrelada ao real brasileiro na América Latina, a Transfero opera como um BaaS (Banking as a Service) no estilo cripto e oferece um portfólio de ativos digitais, que inclui emissão, conversão cambial (FX), custódia, compliance e soluções de entrada e saída (on e off-ramp).

O investimento na criação da TPN procura mexer num problema clássico do mercado cripto: a fragmentação.

A stablecoin BRZ da Transfero, por exemplo, funciona em 16 blockchains diferentes. Essa dispersão, que antes era uma desvantagem operacional, virou matéria-prima para um novo produto.

“Isso me incomodava porque para eu fazer um projeto eu tive que fragmentar em 16 outras tecnologias, o que não é usual”, afirma Claudio Just, sócio-fundador e CEO da Transfero desde julho passado, quando substituiu Marlyson Silva, também sócio-fundador e hoje presidente do grupo Transfero. “Agora, a TPN funciona com a coordenação de todas essas outras networks que existem.”

Quatro redes já estão operacionais, de acordo com o executivo. A CPN (Circle Payments Network) da Circle, a t-0 Network, da Tether, e as redes da Ripple e da Swift. O objetivo é adicionar mais três até o final do ano, chegando a sete redes coordenadas.

O sistema começa a rodar em transferências internacionais feitas a partir e para o Brasil, escalando na sequência por outros mercados. “Começamos a oferecer ao mercado, à princípio, uma perna Brasil para fora e vice-versa, mas a ideia é ampliar para as nossas estruturas na Europa, Estados Unidos, Ásia e outras regiões”, diz.

No desenho da plataforma, construída com inteligência algorítmica, a tecnologia fará a avaliação em tempo real de variáveis como custo, velocidade, liquidez e disponibilidade das redes o melhor caminho para o fluxo financeiro.

A intenção, segundo o executivo, é que as redes disputem dentro da TPN, buscando oferecer os melhores atributos em termos de melhor preço, tempo de liquidação e mais lugares para pagar.

No modelo atual, fragmentado, as transferências respondem em torno de 30% da receita total da Transfero, que ficou em US$ 12 milhões em 2025. A expectativa é que o produto contribua para elevar a receita de pagamentos em torno de 200% no longo prazo.

“O crescimento vai ser muito mais baseado nas trilhas que eu estarei operando. A Ásia, por exemplo, é um mercado onde tenho um crescimento de faturamento da Transfero, a partir da operação da infraestrutura e a TPN é uma das partes disso. É um mercado bilionário”, diz o CEO.

Questionado sobre a potencial redução de custos nas transações para os clientes, Just afirmou que a, como a empresa ainda está em testes para a entrada de novas redes, ainda é cedo para apresentar números.

“Em velocidade, é muito mais rápido; custo, dependendo do que for operação, sim, é mais barata, mas a eficiência de ter o controle de ponta a ponta que é o mais importante”, comentou.

“Toda vez que alguém faz um câmbio ou manda uma stablecoin, tem que ter o liquidante de um lado e ter a infraestrutura, e as camadas não são 100 % complementares. O que nós estamos tentando entregar para o mercado são todas camadas em uma só”, disse.

Leia também:

Kalshi expande mercado de previsões de commodities em meio à volatilidade da guerra

‘Banco’ da Totvs com o Itaú, Techfin quer ampliar oferta de serviços financeiros no ERP

© Christopher Pike

O sistema foi criado para conectar múltiplas infraestruturas, como Pix, Swift, Circle Payments Network, t0 Network, Ripple e Fireblocks Network. E inclui ainda stablecoins, bancos locais e internacionais e provedores de liquidez. (Foto: Christopher Pike/Bloomberg)
  •  

Para Vitacon, a Augusta é a nova Rebouças

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A incorporadora que não comprou terreno na Rua Augusta, em São Paulo, está prestes a perder a janela de oportunidade.

É essa a avaliação de Ariel Frankel, CEO da Vitacon, que atua no segmento de studios para alta renda e que está com quatro terrenos na via. A estimativa é que 80% das opções de áreas disponíveis já estejam comprometidas com projetos em andamento.

“A rua já está bem formatada para a mudança, que deve ficar mais visível conforme os prédios sejam entregues. [Antes] era uma via de passagem, que está se transformando na nova grande potência nobre da cidade”, afirmou Frankel em entrevista à Bloomberg Línea.

A expectativa do executivo é que a região tenha potencial de valorização semelhante ao que aconteceu na Avenida Rebouças após a mudança do Plano Diretor em 2014, o que permitiu maiores construções com incentivo a diversos usos, de residencial a serviços.

Já a Augusta foi incluída em uma revisão do mapa da Lei de Zoneamento em 2024, o que aumentou o potencial construtivo.

A Vitacon já tinha um empreendimento lançado na região antes da mudança no zoneamento. Com a alteração, a incorporadora aumentou a aposta na via, com outros três lançamentos no pipeline de 2026.

⇒ Leia a reportagem: ‘Efeito Rebouças’: Vitacon aposta na Augusta como novo eixo nobre de São Paulo

Empreendimento da Vitacon na Rua Augusta, em São Paulo (SP): incorporadora tem um prédio entregue e outros três lançamentos na região

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA operam perto da estabilidade nesta quarta-feira (15), enquanto investidores aguardam a confirmação de uma nova rodada de negociações no Oriente Médio. O petróleo WTI sobe mais de 1%.ㅤ

- Conflito desafia BCs. O ministro da Fazenda do Brasil, Dario Durigan, disse em entrevista à Bloomberg News que uma guerra prolongada no Irã poderia forçar os bancos centrais a agir para conter a inflação. No Brasil, cortes na Selic seguem cautelosos e dependem do impacto do conflito sobre a inflação e as expectativas.ㅤ

- Crise no luxo. As vendas da Gucci caíram 8% no 1º trimestre, quase o dobro do esperado, pressionadas pela guerra no Oriente Médio, que afetou o turismo e derrubou receitas na região. Apesar de mudanças na liderança e estratégia, investidores aguardam sinais de recuperação da principal marca do grupo.ㅤ

- Futuro da guerra. O presidente dos EUA disse que o fim do conflito com o Irã está próximo e que pode não ser necessário estender o cessar-fogo de duas semanas negociado após quase seis semanas de combates. “Poderia terminar de qualquer maneira, mas acho que um acordo é preferível”, disse ele à ABC News.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (14/04): Dow Jones Industrials (+0,66%), S&P 500 (+1,18%), Nasdaq Composite (+1,96%), Stoxx 600 (+0,99%), Ibovespa (+0,33%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

JHSF paga US$ 160 mi pelo antigo Conrad de Punta del Este e reforça aposta no Uruguai

Fundo saudita amplia participação para 20% na Sadia Halal, joint venture com a MBRF

Copa do Mundo impulsiona mercado imobiliário em Miami com alta demanda latina

• Também é importante: Fabricante do Ozempic fecha parceria com a OpenAI para acelerar pesquisa de remédios| Credores da Raízen pedem até 90% da empresa em troca de dívida, dizem fontes

• Opinião Bloomberg: Bloqueio de Ormuz por Trump pode levar os EUA a uma guerra longa sem enfraquecer o Irã

• Para não ficar de fora: Menu de até R$ 3 mil: como é jantar no 1º restaurante três estrelas Michelin em SP

Essa foi uma amostra de Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea com as notícias de destaque no Brasil e no mundo.

Para receber a íntegra da newsletter na sua caixa de email, registre-se gratuitamente no nosso site.

Por hoje é só. Bom dia!

Obrigado por ler nossa newsletter matinal.

Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

  •  

‘Efeito Rebouças’: Vitacon aposta na Augusta como novo eixo nobre de São Paulo

A incorporadora que não comprou terreno na Rua Augusta, em São Paulo, está prestes a perder a janela de oportunidade. É essa a avaliação de Ariel Frankel, CEO da Vitacon, que atua no segmento de studios para alta renda e que está com quatro terrenos na via. A estimativa é que 80% das opções de terrenos disponíveis já estejam comprometidas com projetos em andamento.

“A rua já está bem formatada para a mudança, que deve ficar mais visível conforme os prédios sejam entregues. [Antes] era uma via de passagem, que está se transformando na nova grande potência nobre da cidade”, afirmou Frankel em entrevista à Bloomberg Línea.

A expectativa do executivo é que a região tenha potencial de valorização semelhante ao que aconteceu na Avenida Rebouças após a mudança do Plano Diretor em 2014. A avenida foi enquadrada como Zona Corredor (ZCOR), o que permitiu maiores construções com incentivo a diversos usos, de residencial a serviços.

Leia também: Com estoque limitado, Av. Paulista impulsiona escritórios em regiões vizinhas

O movimento ganhou força nos últimos cinco anos, especialmente com a consolidação da Rebouças como novo polo corporativo da cidade, aproveitando a proximidade com a Avenida Faria Lima.

O maior exemplo da mudança veio no primeiro semestre de 2025, quando a Amazon locou 39.000 metros quadrados no edifício corporativo Biosquare, que está em construção e fica a uma quadra da Rebouças.

Já a Augusta foi incluída em uma revisão do mapa da Lei de Zoneamento em 2024, que aumentou o potencial construtivo da rua, incluindo trechos como Zonas de Corredor e Zonas Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEUs).

A mudança acelerou a valorização do metro quadrado dos terrenos na via. O preço passou de uma média de R$ 34.191/m² em 2020 para R$ 42.700/m² em 2025, um ganho de 4,5% nos cálculos da consultoria Binswanger. No alto padrão, as negociações já ultrapassam o preço de R$ 60.000/m².

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A Vitacon já tinha um empreendimento lançado na região antes da mudança no zoneamento. Com a alteração, a incorporadora aumentou a aposta na via, com outros três lançamentos no pipeline de 2026.

“Vimos o valor dos nossos imóveis na Rebouças dobrar nos últimos cinco anos. Para a Augusta – e no nosso negócio, de forma geral –, buscamos produzir imóveis bem abaixo do custo de mercado para que o cliente possa surfar essa valorização também", disse.

Atualmente 70% dos compradores de imóveis da Vitacon são investidores que buscam retorno com a revenda dos apartamentos ou com a locação. Na região dos Jardins, onde está localizada a Rua Augusta, o preço médio de aluguel subiu 6% em 12 meses segundo os dados mais recentes do FipeZAP, para R$ 17.354 /m².

A Vitacon projeta 13 lançamentos no acumulado de 2026, com R$ 1,8 bilhão em valor geral de vendas (VGV) para este ano – crescimento de 28,6% frente ao ano passado.

Leia também: Morar em apartamento de luxo por meio de assinatura: essa é a aposta da Housi

Questionamentos em habitação social

Em paralelo à aposta na região da Rua Augusta, a Vitacon tem sido alvo de questionamentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Habitação Social. Instaurada no segundo semestre de 2025, a CPI investiga irregularidades nas vendas de moradias populares em São Paulo.

Embora não seja seu produto principal, a Vitacon incluiu unidades de Habitações de Interesse Social (HIS) em seus empreendimentos localizados em zonas de maior adensamento.

A prática permite que as incorporadoras ampliem o potencial construtivo dos terrenos, viabilizando projetos maiores.

Essa tipologia representa cerca de 20% das unidades nos empreendimentos em que são aplicadas, mas Frankel estima que elas totalizem menos de 5% do portfólio total da empresa.

A CPI investiga se a venda das habitações sociais da Vitacon e de outras incorporadoras foi feita a investidores que não estavam enquadrados nas regras do modelo ou que alugavam os apartamentos sem seguir as restrições impostas a unidades HIS.

A legislação proíbe, por exemplo, a locação de curta temporada (short stay) – carro-chefe da Housi, spin-off da Vitacon que atua na operação de condomínios e oferece gestão completa dos imóveis para locação.

Frankel afirmou que a Vitacon seguiu com as normas exigidas em todas as vendas. Atualmente não há uma fiscalização sobre a locação do apartamento após a comercialização o que, em sua visão, deveria ficar a cargo da prefeitura.

“Vemos com bons olhos a regularização [do mercado]. Quem tem mais experiência com esse tipo de produto vai implantar as alterações rapidamente – esse deve ser o nosso caso", afirmou.

O CEO da Vitacon destacou ainda que a empresa não pretende eliminar as unidades HIS de seus empreendimentos. “Não teremos uma redução. É um complemento ao nosso mix, que equilibra nossos produtos.”

Leia também

IA vai gerar mais negócios que desemprego, aposta CEO da IWG, dona de Regus e Spaces

Construtora centenária de Curitiba cresce 48% e busca deixar reestruturação para trás

© Vitacon (Divulgação)

Empreendimento da Vitacon na Rua Augusta, em São Paulo (SP): incorporadora tem um prédio entregue e outros três lançamentos na região
  •  

‘Banco’ da Totvs com o Itaú, Techfin quer ampliar oferta de serviços financeiros no ERP

A Totvs tem ampliado sua aposta em serviços financeiros e caminha para transformar a Techfin, sua joint-venture com o Itaú Unibanco, cada vez mais em um banco digital para pequenas e médias empresas, integrado com suas soluções de tecnologia.

O braço financeiro da companhia de software de gestão (ERP), formado em 2023, se tornou sua terceira maior unidade de negócio, com uma oferta que vai de crédito para capital de giro e antecipação de recebíveis a serviços de pagamentos.

O plano agora é lançar novos produtos e serviços, incluindo uma conta digital, com a visão de que isso pode ajudar a atrair mais clientes - principalmente pequenas e médias empresas - que já fazem parte da base da Totvs (TOTS3).

“Este ano tem sido um marco transformacional porque nós, de fato, integramos três produtos importantes de crédito dentro do Proteus [sistema de ERP da Totvs]. Isso é muito disruptivo, não existe precedente hoje disso que estamos fazendo”, disse Mauro Wulkan, CEO da TechFin ERP Finance, em entrevista à Bloomberg Línea. “É o início deste banco dentro do ERP”.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A proposta é de que, após a integração de produtos como capital de giro, antecipação de recebíveis e maior prazo, novos produtos sejam lançados para ampliar as ofertas aos clientes da Totvs, com uma jornada que nasce conciliada. Além disso, outros softwares da companhia também passarão por processos semelhantes.

Leia também: Mercado Pago reforça aposta em PMEs com maior apetite ao crédito e plataforma unificada

“Começamos agora a contar um pouco mais profundamente para os nossos clientes. Obviamente, estamos testando algumas coisas ainda e começa, de fato, a escalar essa operação de crédito dentro do ERP”, disse Wulkan.

A Techfin reúne dois núcleos de negócios. Os produtos mais tradicionais são oriundos da Supplier, fintech de crédito B2B adquirida pela Totvs em 2019, quando a companhia decidiu investir na tese financeira sob comando do CEO Dennis Herszkowicz. E o segundo é o núcleo de embedded finance, em construção já dentro da Totvs para usar a base de clientes e oferecer outros serviços.

A joint-venture da Totvs com o Itaú fechou o último trimestre de 2025 com carteira líquida de crédito em R$ 2,49 bilhões e produção de crédito de R$ 3,4 bilhões. Ao longo de todo o ano, a originação atingiu R$ 13,2 bilhões e a receita líquida de crédito chegou a R$ 350,2 milhões, alta de 13,9% na comparação com 2024.

Empresas com receita entre R$ 100 milhões e R$ 1 bi no foco

A expansão do negócio deve se dar por análise de propensão ao uso, mais do que focar em determinadas indústrias, segundo os executivos.

A partir dos dados de gestão, a Totvs vai procurar identificar os clientes que estão nos momentos mais propícios para as ofertas. Empresas com receita entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão são o perfil preferencial, embora a companhia diga que toda a sua base de clientes pode se beneficiar dos novos serviços.

Leia também: CEO da Totvs mira expansão na própria base e espera segundo semestre de 2025 ‘saudável’

O argumento principal para atrair a clientela para o “banco da Totvs” é a integração que, no fim do dia, pode elevar a produtividade e eficiência.

Dennis Herszkowicz,  CEO da Totvs: a conta digital é um tipo de produto muito importante para gerar algum grau de principalidade com o cliente

“O nosso produto de pagamentos é igual ao dos outros. O Pix, por exemplo, não tem diferença, o processo é o mesmo, mas pelo fato dele ser integrado e conciliado, gera essa economia em processos e em pessoas, benefício que se transforma em resultado para a companhia”, disse o CEO.

Na esteira de produtos, a Techfin tem um cronograma de lançamentos. Ainda neste semestre, a conta digital deve ser apresentada, seguida por um produto de rendimento de saldo até o final do ano e uma linha de hot money, empréstimos de curto prazo para cobrir necessidades imediatas de caixa.

“A conta digital é um tipo de produto muito importante para gerar algum grau de principalidade com o cliente”, afirmou Herszkowicz.

“Esse vínculo com a conta digital, seja com pagamento de tributo, aplicação financeira, seja com uma taxa de juros competitiva, quando falta dinheiro nessa conta digital, faz com que o empresário nos veja como um meio para essa principalidade e nos dê uma fatia relevante no relacionamento bancário dele”, disse Herszkowicz.

Leia também: Totvs compra Linx por R$ 3,05 bi com ‘desconto’ de 50% e ganha força no varejo

De acordo com o CEO, ter um portfólio completo de um banco que serve pequenas e médias empresas leva tempo. A oferta de cartões, por exemplo, não está no horizonte de curto prazo.

A estratégia da companhia é de composição, com a ambição de reunir em torno de 80% dos produtos mais demandados às instituições bancárias. Por isso, serviços de crédito e pagamentos, que carregam uma certa recorrência, puxam a movimentação.

Segundo números da companhia, o mercado endereçável é 30 vezes maior do que o de software de gestão, o que demonstra o potencial do negócio. Herszkowicz afirma, no entanto, que não tem nenhum planejamento para que a Techfin se torne a segunda maior ou a vertical mais importante da Totvs.

“Eu não teria nenhum problema que a TechFin fosse maior do que gestão, mas ela precisa trabalhar para chegar lá e a área de continua trabalhando para avançar”, diz. “Nós deixamos o mercado decidir se ela será segunda ou a terceira.”

Os esforços atuais também serão direcionados para Linx. A empresa voltada para soluções de varejo foi adquirida pela Totvs da Stone no ano passado em transação de R$ 3,05 bilhões, que, para além das cifras, marcou o desfecho de um “namoro” de longo prazo. O negócio foi concluído no início de março, depois das aprovações de órgãos reguladores.

De acordo com Wulkan, que é co-fundador da Supplier, hoje há apenas “um festival de ideias” de como as ofertas poderiam ser inseridas no negócio.

“Nós temos dúvida zero que temos oportunidades. O varejo é um dos setores que mais precisa de serviço bancário, seja pelo tamanho, seja pelo dinamismo. Um dos motivos de comprar a Linx, não é o principal, mas certamente é um motivo, é exatamente o cross-sell que a gente pode fazer com a Techfin”, disse Herszkowicz.

Leia também

‘O SaaS não morreu’, diz Sidney Chameh, fundador da DGF e pioneiro do VC no Brasil

Por que a SAP, empresa de software mais valiosa da Europa, vê futuro ameaçado pela IA

B3 entra no mercado de previsão e avalia permitir apostas em eleições, segundo fontes

De garagem a império de US$ 4 trilhões em tecnologia: a trajetória da Apple em 50 anos

Techfin fechou o último trimestre de 2025 com carteira líquida de crédito em R$ 2,49 bilhões. (Foto: Divulgação/Totvs)
  •  

Mercado Pago reforça aposta em PMEs com maior apetite ao crédito e plataforma unificada

Em meio à disputa acirrada no e-commerce latino-americano, o Mercado Pago, banco digital do Mercado Livre, reforça sua aposta em pequenas e médias empresas com o lançamento da Conta Negócio.

A plataforma unifica soluções já existentes e introduz novos benefícios para o segmento de PMEs – que abrange os vendedores do Mercado Livre e é considerado uma das principais alavancas em sua estratégia de crescimento.

“O segmento de PMEs é um dos mais dinâmicos e estratégicos da economia brasileira e queremos ser protagonistas dessa jornada”, afirmou Daniel Davanço, diretor sênior de PMEs da companhia no Brasil, durante entrevista coletiva.

A solução foi lançada no Brasil nesta quinta-feira (9) e a expectativa é de expansão para os outros países da região.

Assine as newsletters da Bloomberg Líneae receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Uma das principais alavancas da conta é a concessão de crédito, um dos principais desafios de crescimento para os pequenos empreendedores.

O Mercado Pago já oferece ao menos uma solução de crédito em até três meses de uso para 9 a cada 10 empreendedores que apresentem faturamento mensal acima de R$ 10 mil.

Segundo um levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostrou que em 2025 apenas 4 em cada 10 empreendedores conseguiam os empréstimos que buscavam.

O maior apetite se justifica, segundo o executivo, pelo relacionamento de 20 anos com esse perfil de clientes – o banco digital foi criado inicialmente para atender os vendedores do Mercado Livre. Davanço afirma que análise de concessão usa mais de 2 mil variáveis e dados de Open Finance para calibrar as ofertas por perfil de cliente.

A companhia não abre guidance de crescimento para o segmento PMEs, mas Davanço reforçou que é uma área prioritária para a estratégia do banco.

“A Conta Negócio libera uma oferta de crédito para um volume maior de empreendedores. Estamos crescendo a taxas muito aceleradas nesse segmento”, afirmou.

A carteira de crédito para pequenas e médias empresas do Mercado Pago no Brasil cresceu 40% em 2025 em base anual, para R$ 11 bilhões. A carteira de crédito total do grupo avançou para US$ 12,5 bilhões no quarto trimestre do ano passado, uma alta anual de 90%.

Leia também: Reformas de Milei acirram batalha entre bancos e fintechs na América Latina

Mudanças na prática

A Conta Negócio integra os serviços já oferecidos para PMEs em uma única interface no aplicativo do Mercado Pago, e conta com benefícios extras para expandir a base, atualmente em 9 milhões de empreendedores.

Em adquirência, o dinheiro das vendas não passa por taxas adicionais de antecipação e irá contar com tarifas regressivas conforme o volume transacionado. O portfólio inclui maquininhas Point, solução via celular (Point Tap), links de pagamento e QR Code.

No pilar financeiro, os “cofrinhos” rendem até 120% do CDI com liquidez imediata – benefício que antes era restrito a alguns usuários e agora é garantido a todos os correntistas da Conta Negócio.

E o software de gestão, que custava R$ 79 mensais, passa a ser gratuito para o segmento, com emissão de notas fiscais, controle de estoque e PDV integrado.

A Conta Negócio está sendo lançada no Brasil e ainda está em análise para outros países. O serviço é gratuito, sem teto de faturamento e vale para qualquer PJ. No entanto, os benefícios plenos, como o rendimento turbinado e o software sem custo, ficam restritos a quem fatura acima de R$ 10 mil por mês.

Os clientes PJ serão migrados automaticamente para a nova interface, enquanto os novos usuários poderão optar pela conta ao abrir seu cadastro.

Leia também

Mercado Livre: lucro abaixo do esperado no 4º tri ofusca aposta em crescimento

Após F1 e tênis, Mercado Livre reforça estratégia no esporte com equipe na Stock Car

© Vinicius Stasolla

Plataforma unifica soluções já existentes e introduz novos benefícios para vendedores (Foto: Divulgação/Mercado Livre)
  •  

MSD Saúde Animal mira maior uso de dados para ‘ouvir’ os bovinos e elevar eficiência

A pecuária brasileira passa por um momento de transição de um modelo baseado na intuição do produtor para outro guiado por dados. Essa mudança, que pode redefinir a forma de produzir proteína, também deve impulsionar o negócio de tecnologia da MSD Saúde Animal no país.

Essa é a leitura da diretora da Unidade de Negócios de Ruminantes (que inclui bovinos) da MSD Saúde Animal, Laura Villarreal.

Nesse sentido, a empresa tem apostado no crescimento da demanda por dispositivos de identificação e monitoramento de animais, capazes de indicar se eles estão ruminando, em cio ou prestes a adoecer.

“Os dados e a tecnologia estão ajudando a tomar as melhores decisões na pecuária. Já não é mais um negócio em que você espera o final do ciclo. Você sabe exatamente o que está acontecendo todo dia”, disse Villarreal em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A divisão de Ruminantes respondeu por 53% da receita da operação de saúde animal da companhia no Brasil em 2025, seguida por pets, com 23%, suínos (11%), aves (9%) e aquicultura (1%).

Em 2024, o crescimento da área de Ruminantes foi de 4% e, em 2025, de 1%. Para este ano, porém, a expectativa é de aceleração, com alta projetada de 8%, puxada por biológicos e prevenção, que é o core da companhia. Mas o crescimento também passa pela tecnologia.

Leia também: Além da vacina: MSD Saúde Animal quer avançar em prevenção e ‘falar’ com os bichos

Apesar de exercer um papel central na estratégia da divisão, a tecnologia ainda responde por cerca de 10% da receita da unidade no Brasil, explica a executiva.

A divisão do negócio segue equilibrada entre corte e leite, com participação próxima de 50% para cada segmento.

A empresa vê espaço para ampliar essa participação à medida que o produtor passa a adotar ferramentas de monitoramento e análise de dados no manejo, com foco em maior previsibilidade no dia a dia da operação.

“O olhar do produtor continua sendo importante, mas a gente não vai esperar até o final para ver se a operação rendeu resultado econômico. Nós conseguimos ver isso todo dia e fazer mudanças de rota à medida que avançamos. O dado permite tomar a melhor decisão”, disse a executiva, que está à frente da unidade de ruminantes no Brasil desde janeiro de 2022.

Tecnologia avança, puxada pelo leite

A base de uso dessas tecnologias cresceu de forma acelerada nos últimos anos, conta a executiva.

Segundo dados relativos ao gado de leite pela plataforma da empresa SenseHub, o número de animais monitorados pela tecnologia da empresa passou de cerca de 8.000 em 2019 para mais de 165.000 atualmente, com meta de superar 230.000 até o fim deste ano. Segundo a empresa, parte dessa projeção já foi contratada.

O número de fazendas de clientes avançou de 39 para mais de 900 propriedades pagantes no período. O modelo é baseado em assinatura - a empresa não divulga o valor mensal para contratar o serviço.

O monitoramento mais intensivo ainda está concentrado no gado leiteiro, enquanto a identificação animal tem uso mais disseminado entre corte e leite.

“Você deixa de olhar a média do lote e passa a olhar indivíduo por indivíduo. Você sabe se o animal está ruminando, se entrou em cio, se a produção aumentou ou caiu. Isso muda toda a lógica da pecuária”, disse.

A adoção de tecnologia entre a pecuária de corte e a de leite, porém, ainda é díspar, explica a executiva.

“O pecuarista, assim como o veterinário, não quer perder tempo e tende a ir direto na solução mais simples. No gado de corte, isso passa por identificar o animal e coletar dados. No leite, estamos um pouco mais avançados, com monitoramento de comportamento e outros indicadores.”

Dos animais de corte no Brasil, cerca de 30% já são identificados — e, dentro desse universo, aproximadamente 70% utilizam soluções da linha Allflex, da empresa. No país, a tecnologia funciona como uma espécie de brinco eletrônico que permite identificar individualmente os animais.

Mais à frente, essa mesma tecnologia deve incorporar novas funcionalidades, como a capacidade de indicar sinais de doença antes da manifestação clínica e mais em linha com os atributos já existentes na tecnologia para gado de leite.

Essa solução da companhia para a pecuária já foi lançada nos Estados Unidos e deve chegar ao México em breve. Para o Brasil, porém, ainda não há previsão.

Segundo a executiva, outro desafio é adaptar as tecnologias às condições locais, já que o país tem características climáticas e produtivas específicas.

“Um produto que funciona hoje em outros mercados, como o México, nem sempre é o mais adequado para o Brasil, que é um país tropical. Por isso, só trazemos essa tecnologia quando temos segurança de que ela está adaptada às condições da pecuária brasileira.”

Estrutura do setor

A expansão dessas tecnologias ocorre em um mercado altamente pulverizado, em que pequenos e médios produtores ainda representam uma fatia relevante do negócio, conta.

Segundo a executiva, o Brasil tem cerca de 2,6 milhões de propriedades pecuárias, das quais aproximadamente 2,4 milhões possuem menos de 500 animais.

“Só cerca de 2% das fazendas têm alta tecnologia e grande volume de animais. O restante precisa de mais acompanhamento, mais suporte técnico, mais presença no campo”, disse.

Para atender essa base, a MSD mantém mais de 220 profissionais dedicados à pecuária no país, com foco em suporte técnico e implementação das soluções.

Segundo a executiva, o desafio é fazer com que o produtor, já acostumado a uma forma mais intuitiva de trabalhar, dê o primeiro passo na adoção dessas ferramentas.

“O difícil não é comprar a tecnologia. O difícil é dar o primeiro passo. O produtor vai ter que entrar. A diferença é quando ele decide entrar”, afirmou.

Dados no centro da estratégia

A companhia projeta que a tecnologia terá papel crescente no avanço do negócio. Segundo Villarreal, cerca de 25% do crescimento da unidade até 2030 deve vir dessas soluções, considerando a receita total.

A estratégia combina esse avanço com o portfólio tradicional de saúde animal.

“Já somos referência em controle de doenças, produtividade e bem-estar animal. O que queremos agora é ser referência na geração de dados para que o produtor tome as melhores decisões”, disse.

Outro fator que tende a impulsionar a adoção tecnológica é o avanço da regulação. A obrigatoriedade de identificação individual de bovinos e búfalos a partir de 2033 deve ampliar a demanda por soluções de rastreabilidade .

A portaria do Ministério da Agricultura nº 1.331, de 21 de julho de 2025, estabelece que, a partir de 1º de janeiro de 2033, será vedada a movimentação, em território nacional, de qualquer bovino ou búfalo que não esteja individualmente identificado e cadastrado no sistema, conforme os padrões do PNIB.

Essa identificação avança atualmente justamente por meio dos brincos eletrônicos.

“Na pecuária, antes desse momento de tecnologia, ainda se admitiam alguns erros porque se olhava a média do lote. Agora isso acabou. É indivíduo por indivíduo. Isso vai dar uma vantagem competitiva importante para o Brasil”, afirmou Villarreal.

Segundo a executiva, entre um e três lançamentos devem chegar ao Brasil ainda neste ano, todos com foco em prevenção. A companhia também prepara a chegada de uma vacina com foco em sanidade animal.

Leia também

MSD Saúde Animal aposta em diversificação para acelerar crescimento no Brasil

Empresa já disponibiliza tecnologia no país que monitora mais a fundo comportamento de gado de leite; para a pecuária, 'brinco' de identificação avança
  •  

O avanço da Liv Up em marmita caseira

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Quando Victor Santos saiu da faculdade e começou a trabalhar como analista no mercado financeiro, ele tinha um problema rotineiro: queria se alimentar bem em meio a uma agenda intensa, mas montar as próprias marmitas tomava tempo demais e o que via no mercado não parecia bom o suficiente.

“Essa dor não podia ser só minha”, disse Santos, CEO e cofundador da foodtech Liv Up em entrevista à Bloomberg Línea. Ali mesmo ele começou a estudar o setor de comidas prontas como uma opção de empreendedorismo. Isso foi em 2014, e a solução que ele encontrou para si mesmo virou um negócio em ascensão.

O mercado que ele mirava é amplo e inclui o setor de alimentação fora do lar, que movimenta cerca de R$ 450 bilhões por ano no país, segundo ele, e o segmento de pratos prontos congelados, que gira em torno de R$ 10 bilhões anuais, dominado historicamente por ultraprocessados.

Uma década depois, a aposta da Liv Up em marmitas de comida caseira congelada fatura R$ 270 milhões, cresceu 70% em 2025 e projeta chegar a R$ 1 bilhão antes de 2030.

⇒ Leia a reportagem: Liv Up cresce 70% em um ano com marmita caseira e mira faturamento de R$ 1 bi

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta quinta-feira (9), à medida que o otimismo em torno do cessar-fogo entre EUA e Irã diminuiu após Teerã alertar que alguns termos do acordo haviam sido violados.ㅤ

- A visão da BlackRock sobre lucros. Helen Jewell, diretora global de investimentos da BlackRock, disse que as expectativas de lucros devem ser revistas para baixo devido ao impacto inflacionário da guerra no Oriente Médio. “O mercado está subestimando o nível de inflação”, disse em entrevista à Bloomberg News.ㅤ

- Novo patamar para o petróleo? O Goldman Sachs estima que o petróleo Brent pode superar o patamar de US$ 100 por barril se o Estreito de Ormuz permanecer fechado por mais um mês. Se a trégua entre EUA e Irã se mantiver e o fluxo for normalizado, o petróleo deve ficar na faixa de US$ 80–82 por barril.ㅤ

- Mercedes sob pressão. As vendas globais da montadora caíram 6% no primeiro trimestre, puxadas por um recuo de 27% na China, onde marcas locais ganham espaço no segmento de luxo. Na Europa, as vendas de elétricos cresceram, impulsionadas pelo novo CLA, parte da ofensiva de lançamentos da empresa.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (08/04): Dow Jones Industrials (+2,85%), S&P 500 (+2,51%), Nasdaq Composite (+2,80%), Stoxx 600 (+3,88%), Ibovespa (+2,09%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

‘Insider trading’? Apostas sobre cessar-fogo no Irã elevam pressão sobre plataformas

Mosaic vai paralisar fábricas de fertilizantes no Brasil após disparada do enxofre

Sobem ou descem? Ata do Fed aponta cenários opostos para juros diante da guerra no Irã

• Também é importante: Acordo do BTG Pactual para comprar o Digimais tem o apoio do FGC, segundo fontes | Com crédito em alta, argentinos se endividam para pagar contas, carros e até festas

• Opinião Bloomberg: Guerra altera status de Ormuz e impõe novo equilíbrio no comércio global de energia

• Para não ficar de fora: Anthropic, dona do Claude, começa a montar estrutura no Brasil, dizem fontes

Essa foi uma amostra de Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea com as notícias de destaque no Brasil e no mundo.

Para receber a íntegra da newsletter na sua caixa de email, registre-se gratuitamente no nosso site.

Por hoje é só. Bom dia!

Obrigado por ler nossa newsletter matinal.

Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

  •  

Na Roche, área de diagnósticos já fatura R$ 1,5 bi. O CEO vê espaço para crescer mais

Segmentação de público, automatização e inteligência artificial são alguns dos fatores que devem impulsionar o crescimento da Roche Diagnóstica em 2026.

O grupo suíço vê espaço para aumento de receita mesmo diante dos volumes já significativos de exames realizados todos os anos no país. No ano passado, o faturamento da divisão de diagnóstico da companhia alcançou R$ 1,5 bilhão.

“Estamos lançando muitas inovações. Neste ano, queremos crescer e alcançar R$ 1,7 bilhão”, disse o CEO da Roche Diagnóstica, Carlos Martins, em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Aproximadamente 70% do faturamento da divisão no país é proveniente do setor privado, sendo o restante do poder público. Na avaliação de Martins, existe potencial para avanço da Roche Diagnóstica na rede de saúde pública do Brasil.

“Nosso foco é continuar ampliando o trabalho com as autoridades de saúde para que o ecossistema público também possa absorver essas inovações. Cerca de 75% da população depende do SUS”, relata.

Leia mais: Como esta startup de saúde mental planeja cobrir 10 milhões de beneficiários até 2030

O executivo vê o investimento em diagnóstico pelo poder público no Brasil em níveis abaixo dos países desenvolvidos. Ele cita como exemplo nações como a Itália, Alemanha, França e até Estados Unidos investindo cerca de 2% da verba total da saúde em materiais de diagnóstico. No Brasil, ele relata que esse patamar é de apenas 0,5% do orçamento de saúde.

“Se investirmos mais em prevenção, os problemas de saúde serão mais simples de resolver. Quando você precisa tratar o paciente que já está com a doença, o custo é maior e no final toda a população paga uma conta mais cara”, avalia.

Atualmente, a Roche possui mais de 5 mil produtos na divisão diagnóstica. Martins conta que o setor vem passando por uma profunda transformação. “O diagnóstico já está mudando e nós, como líderes [do mercado], temos a responsabilidade de trazer novas tendências.”

Neste contexto, as inovações da empresa não se restringem a reagentes laboratoriais e incluem, por exemplo, sistemas preditivos com sensores incorporados às máquinas e ligados aos softwares que detectam o nível de desgaste de determinados componentes.

Com esse sistema, as equipes da Roche recebem uma mensagem automática e se deslocam até o cliente com a indicação exata da máquina e do módulo que vai ter um problema em breve se não ocorrer a manutenção.

“Os clientes querem que tenhamos essa capacidade, eles esperam que façamos isso, o que evita paradas custosas, sendo um dos nossos grandes diferenciais”, diz.

O grupo vem desenvolvendo e implementando sistemas de automatização em áreas que, até o momento, eram totalmente manuais. Segundo Martins, isso trará velocidade à operação.

Inteligência artificial

A Roche já trabalha com ferramentas de inteligência artificial em algumas áreas de serviços e cadeias de suprimentos. Martins afirma que isso deve crescer.

A farmacêutica lançou em novembro, no Brasil, um novo sensor de medição de glicemia para gestão de pacientes com diabetes. O diferencial em relação aos concorrentes do mercado é a tecnologia de IA para prever a curva de glicemia até 7 horas à frente, o que pode ser decisivo se o paciente estiver dormindo. O dispositivo é colocado no braço do usuário.

“Essa solução de IA muda o jogo de forma completa. O produto já está fazendo um sucesso tremendo e uma parte significativa do crescimento virá desse sensor”, esclarece Martins. O aparelho tem preço sugerido de R$ 299.

Segundo o executivo, o Brasil tem uma participação relevante nas operações do grupo. Em 2025, a Roche Diagnóstica entregou 31 bilhões de testes globalmente. No Brasil, esse volume atingiu 1,6 bilhão de unidades.

Na visão de Martins, os riscos de mercado envolvendo a atividade estão mais concentrados na saúde da população do que propriamente na empresa. “O setor vai ter um crescimento natural, mas existe um risco para o sistema de saúde do país, se não houver investimento público em prevenção e diagnóstico.”

Leia também:

A Memed queimou caixa por 14 anos. Agora tem lucro e mira R$ 100 milhões em receita

Na Bemobi, CEO aposta no setor de saúde para manter expansão após subir 78% na bolsa

Apple recua de plano de serviço de saúde com IA e reestrutura abordagem de bem-estar

© Pascal Mora/Bloomberg

O grupo suíço vê espaço para aumento de receita mesmo diante dos volumes já significativos de exames realizados todos os anos no país. (Foto: Pascal Mora/Bloomberg)
  •  

A aposta da BWM na diversificação

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A BMW aposta na diversificação do portfólio para crescer no Brasil, em uma estratégia que inclui outras marcas do grupo – como MINI e Motorrad, de motocicletas de alta cilindrada.

A montadora alemã concluiu no ano passado um cronograma de 18 lançamentos de novos modelos no país e reserva outros produtos para 2026, em um momento de competição acirrada com a entrada de novas marcas chinesas no país.

“A oferta do mercado premium cresceu no Brasil, mas nós temos mais de 30 anos no país. Olhamos o que a concorrência está fazendo, mas sabemos muito bem o valor dos nossos carros”, afirmou a presidente e CEO do grupo BMW Brasil, Maru Escobedo, em entrevista à Bloomberg Línea, após um evento recente em São Paulo.

Um dos lançamentos previstos para este ano é o iX3, modelo 100% elétrico que promete uma nova geração de equipamentos e tecnologias.

⇒ Leia a reportagem: BMW aposta em diversificação para liderar o mercado premium no Brasil, segundo a CEO

BMW iX3 Neue Klasse: grupo registrou o sétimo ano de liderança consecutiva do mercado premium no Brasil em 2025 (Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações dos EUA operam em alta nesta segunda-feira (30), à medida que temores de que a guerra no Oriente Médio desencadeie uma desaceleração econômica acentuada levam traders a reduzir apostas em juros mais altos.

- Investidores ajustam foco. A correção do S&P 500 pode estar próxima do fim, mesmo com a guerra no Oriente Médio em andamento, segundo relatório de analistas do Morgan Stanley. Apesar disso, estrategistas alertam que altas de juros do Fed ainda representam ameaça relevante para as ações no curto prazo.

- Alumínio sob pressão. Ataques do Irã a centros de fundições no Oriente Médio deram impulso aos preços do alumínio e ameaçam provocar um choque global de oferta. A região é responsável por cerca de 9% da produção mundial e já enfrenta restrições logísticas, agravadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

- Ouro retoma trajetória. O metal avançou e retomou ganhos semanais com investidores aproveitando os preços mais baixos, apesar da escalada no Oriente Médio e das incertezas sobre juros e inflação. Nesta manhã, o ouro subía 1,3%, sendo negociado acima de US$ 4.500 a onça.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na sexta-feira (27/03): Dow Jones Industrials (-1,73%), S&P 500 (-1,67%), Nasdaq Composite (-2,15%), Stoxx 600 (-0,95%), Ibovespa (-0,64%)

LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Euforia com Copa do Mundo nos EUA leva preço de Airbnb a até US$ 6.000 por noite

De polo automotivo a potência bélica: a virada industrial da Eslováquia com munições

Dependência digital: por que Meta e Google podem enfrentar o mesmo destino do tabaco

• Também é importante: Influencers de cruzeiros faturam até US$ 350 mil para romper imagem de viagem de idosos| Império invisível do café enfrenta nova era de preços voláteis e tenta se reinventar

• Opinião Bloomberg: BYD na F1: aposta bilionária busca prestígio além de estigma de ‘barata e eficiente’

• Para não ficar de fora: Da crise à virada: disciplina financeira e gestão salvaram o Aguzzo, que chega a 20 anos

Essa foi uma amostra de Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea com as notícias de destaque no Brasil e no mundo.

Para receber a íntegra da newsletter na sua caixa de email, registre-se gratuitamente no nosso site.

Por hoje é só. Bom dia!

Obrigado por ler nossa newsletter matinal.

Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

  •  

BMW aposta em diversificação para liderar o mercado premium no Brasil, segundo a CEO

A BMW aposta na diversificação do portfólio para crescer no Brasil, em uma estratégia que inclui outras marcas do grupo – como MINI e Motorrad, de motocicletas de alta cilindrada.

A montadora alemã concluiu no ano passado um cronograma de 18 lançamentos de novos modelos no país e reserva outros produtos para 2026, em um momento de competição acirrada com a entrada de novas marcas chinesas no país.

“A oferta do mercado premium cresceu no Brasil, mas nós temos mais de 30 anos no país. Olhamos o que a concorrência está fazendo, mas sabemos muito bem o valor dos nossos carros”, afirmou a presidente e CEO do grupo BMW Brasil, Maru Escobedo, em entrevista à Bloomberg Línea, após um evento recente em São Paulo.

Um dos lançamentos previstos para este ano é o iX3, modelo 100% elétrico que promete uma nova geração de equipamentos e tecnologias.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Com as marcas BMW, MINI e BMW Motorrad, o grupo alemão encerrou 2025 na liderança de vendas do segmento premium no país pelo sétimo ano consecutivo, com um total de 16.865 unidades emplacadas. O desempenho representa um crescimento de 4,1% em relação a 2024.

Leia mais: Com recarga em 10 minutos, BMW aposta no Série 3 elétrico para competir com Tesla e BYD

De acordo com a BMW, os modelos X1 e Série 3, produzidos no complexo de Araquari (SC), encerraram o ano na liderança geral no segmento premium no país.

“O mercado muda todo ano com cada lançamento que chega. Nós precisamos estar atentos aos modelos lançados também pela concorrência, o que nos ajuda a construir um posicionamento e uma estratégia de preço”, disse Escobedo.

O BMW M135 xDrive é a porta de entrada para os carros da linha M Performance. Foto: BMW/Divulgação

Somados, os selos BMW e MINI representaram 34,6% de participação do mercado premium no ano passado, destacou a executiva.

No segmento 100% elétrico, o grupo cresceu 11% em 2024, sendo 1.477 unidades emplacadas das duas marcas no período.

O X5 híbrido plug-in foi destaque para a BMW no ano passado, com um crescimento de 62% das vendas, totalizando 1.267 unidades emplacadas. “Com o X5 híbrido, estamos indo muito bem no segmento de eletrificados”, afirmou Escobedo.

A executiva reforçou a importância da diversificação do portfólio para manter a competitividade. “Temos, no Brasil, todos os carros que são vendidos na Alemanha, isso reforça nosso posicionamento.”

Já as vendas de esportivos BMW M e M Performance registraram um avanço de 9% em 2025, para 1.677 unidades. O segmento de alto luxo - BMW X7 e i7 - também teve avanço.

Ela esclarece que há diferentes estratégias para cada modelo. O X1, por exemplo, é o carro mais vendido da BMW. Já o esportivo M2 CS chegou ao Brasil com apenas 30 unidades e preço de quase R$ 1 milhão.

“É um modelo mais nichado, por ser um carro que pode ser usado na rua e na pista. É específico para alguns clientes”, diz.

Financiamentos

Escobedo relatou que o serviço financeiro do grupo foi uma importante ferramenta para impulsionar as vendas.

Conforme a montadora, o braço de financiamentos bateu recorde histórico de volume de negócios em 2025, alcançando R$ 2,5 bilhões no varejo, alta de 3,9% em relação ao ano anterior.

Considerando atacado e varejo, a carteira superou R$ 4,1 bilhões, aumento de 10,3% na mesma base de comparação.

“Para MINI e Motorrad, fechamos 2025 com 42% de financiamentos. Temos uma estratégia muito focada para que todos os carros que financiamos fiquem dentro do grupo. Oferecemos taxas e condições especiais para quem comprar carro com nossa financeira”, diz.

A MINI reportou crescimento em 2025, de 3,4% sobre o ano anterior, totalizando 1.591 unidades vendidas. Segundo o grupo, o destaque ficou para os modelos elétricos e para a linha de esportivos John Cooper Works.

Perspectivas

Para 2026, ano de eleições e Copa do Mundo, Escobedo afirma que o grupo deve focar em estratégia. “Nós não controlamos fatores como eleições. Todos os anos temos desafios, precisamos nos concentrar nas nossas marcas.”

Ela acrescentou que a estratégia de preço do grupo é global. “Normalmente, olhamos todo o segmento premium e tentamos estar posicionados para garantir nosso mercado.”

Atualmente, a BMW tem em curso um programa de investimentos de cerca de R$ 1,1 bilhão para o período entre 2025 e 2028 no Brasil.

O objetivo do programa é produzir novos modelos e desenvolver tecnologias globais.

“Vamos avaliar se faz sentido produzir um carro [100%] elétrico por aqui”, disse Escobedo. Hoje, a montadora produz o X5 híbrido plug-in na planta catarinense.

“Temos flexibilidade de produção no Brasil, a depender da demanda”, disse.

Segundo a executiva, uma parte do programa de investimentos será destinada para o X5, outra para engenharia e o restante para novas tecnologias dentro da fábrica.

Leia também:

Império das concessionárias: Automob vê oportunidades para consolidação, diz CEO

Movida quer aumentar a base de clientes, mas ‘não a qualquer custo’, diz CEO

© KRISZTIAN BOCSI

BMW iX3 Neue Klasse: grupo registrou o sétimo ano de liderança consecutiva do mercado premium no Brasil em 2025 (Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg)
  •  

Setor de vinhos se mobiliza contra discurso de que qualquer consumo de álcool é nocivo

A indústria brasileira do vinho decidiu reagir de forma mais organizada à pressão crescente contra o consumo de álcool em todo o mundo, em um momento em que autoridades de saúde e mudanças de comportamento do consumidor colocam sob escrutínio até mesmo o uso moderado da bebida.

Esse movimento ganha uma vitrine neste mês, em São Paulo, com a realização do Simpósio Internacional Vinho, Saúde e Estilo de Vida, que reunirá médicos e pesquisadores brasileiros e estrangeiros para discutir a relação entre consumo moderado de vinho, saúde e bem-estar.

A programação inclui palestras de cardiologistas e especialistas em nutrição e metabolismo, com foco em evidências científicas associadas ao vinho, especialmente o tinto.

A reação ocorre após a mudança de posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que em janeiro de 2023 afirmou que, no caso do álcool, “não há quantidade segura que não afete a saúde”.

A entidade sustenta que os riscos começam a partir do primeiro consumo e que o impacto do álcool sobre doenças e mortalidade é amplamente documentado.

“A gente tem como ponto principal a conscientização e a educação para trazer evidências científicas à luz desses holofotes que estão demonizando o vinho”, disse Célia Pinotti Carbonari, sócia-proprietária da Vinícola Villa Santa Maria e uma das idealizadoras do evento em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia também: Nem zero, nem excesso: vinícola gaúcha aposta em álcool reduzido para novo público

Carbonari rejeitou a ideia de que o movimento se aproxime do negacionismo científico e afirmou que o setor não nega os efeitos negativos do consumo excessivo de álcool. “O consumo exagerado do álcool realmente não é saudável em nenhuma etapa da vida, e ninguém está defendendo esse tipo de coisa”, disse.

Por trás do movimento está uma tentativa do setor de dissociar o vinho do debate mais amplo sobre os malefícios do álcool, entretanto. A organizadora explicou que o vinho não pode ser reduzido a esse enquadramento. “O vinho não é só álcool. Ele tem álcool, mas é muito mais do que isso”, disse.

No setor, a abordagem a favor do consumo zero passou a ser vista como excessivamente generalizante, ao tratar todas as bebidas alcoólicas de forma equivalente. Produtores e entidades passaram a defender que o vinho tem características próprias, tanto do ponto de vista de composição quanto de consumo.

Uma das vozes mais conhecidas dessa reação internacional é a da médica e viticultora Laura Catena, diretora da vinícola argentina Catena Zapata, que passou a defender o consumo moderado de vinho dentro de um estilo de vida saudável, em contraposição à ideia de risco zero. Ela tem publicado artigos e dado entrevistas em que critica a posição da OMS.

Leia também: Geração Z rejeita o álcool e põe em risco tradição em 1.500 cervejarias da Alemanha

O conceito de consumo moderado é central nessa argumentação. Segundo Carbonari, os parâmetros que serão discutidos no simpósio indicam um limite de 13 gramas de álcool por dia para mulheres e 26 gramas para homens.

Em termos práticos, isso equivale a cerca de 100 ml diários de vinho para mulheres e 200 ml para homens, considerando uma bebida com teor alcoólico em torno de 13%, média de muitos vinhos.

A programação do evento inclui discussões sobre os efeitos metabólicos do vinho tinto, diferenças entre tipos de bebidas alcoólicas e o papel do consumo moderado dentro de padrões alimentares como a dieta mediterrânea, frequentemente associada a benefícios cardiovasculares.

A tese defendida por produtores e representantes da cadeia vitivinícola do Brasil é a de que o vinho não deve ser visto apenas como bebida alcoólica, mas como um produto agroalimentar, ligado à alimentação, à cultura e ao convívio social.

É assim que muitos países da Europa e mesmo da América do Sul enquadram legalmente a bebida, o que gera benefícios econômicos e fiscais aos produtores.

“A gente busca a reclassificação do vinho. O vinho precisa ser considerado um produto agroalimentar”, disse Carbonari.

Segundo ela, essa classificação permitiria considerar não apenas o produto final, mas toda a cadeia envolvida, incluindo produção agrícola, turismo e desenvolvimento regional. O argumento é que a vitivinicultura tem efeitos econômicos mais amplos, especialmente em regiões produtoras.

“Não estamos questionando a ciência, mas queremos mostrar que as coisas não devem ser vistas de forma tão radical quanto têm sido”, disse Carbonari.

Leia também

Queda do consumo de álcool e preocupação com a saúde desafiam a indústria de bebidas

© David Paul Morris

Por trás do movimento está uma tentativa do setor de dissociar o vinho do debate mais amplo sobre os malefícios do álcool (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)
  •  

BackChannel capta R$ 25 milhões para escalar plataforma de venda de estoque excedente

A cada nova coleção de roupa ou lançamentos de calçados, muitos varejistas e fabricantes ficam com estoques excedentes e dar um destino para eles se torna um problema. Essa é a questão que a BackChannel, startup que opera um marketplace B2B desde o ano passado, procura resolver.

No ano passado, a empresa validou o seu modelo de negócios alcançando um volume bruto de mercadoria (GMV) de R$ 25 milhões. Agora, ela projeta um salto para R$ 150 milhões em 2026, com a ajuda de um novo aporte financeiro para impulsionar a operação.

A startup está anunciando a captação de R$ 25 milhões em uma rodada Seed liderada pela Sunna Ventures. O aporte conta com a participação de um sindicato de fundos como Positive Ventures, Norte Ventures e Accion Ventures. Em outubro de 2025, a startup levantou R$ 17 milhões para criar a plataforma.

Na liderança do negócios estão os argentinos Guillermo Freire e Guillermo Arslanian, também fundadores da Trocafone, marketplace para a venda de smartphones usados.

Os dois continuam sócios da empresa anterior, mas deixaram o comando das operações da Trocafone nas mãos de executivos e partiram em busca de novos negócios.

“Entendi basicamente essa grande dor que o mercado tem em relação aos excessos de inventário lá atrás com os os nossos parceiros como Apple, Samsung e Motorola”, afirma Freire. “E identificamos que esse problema está nas companhias de moda, de beleza, cuidados pessoais, utensílios domésticos e alimentos.”

Guillermo Arslanian e Guillermo Freire, da BackChannel, projetam fechar o ano movimentando R$ 150 milhões em GMV

As peças não vendidas acabam incineradas, descartadas ou largadas no meio ambiente. Uma pesquisa do Sebrae, feita em 2023, apontou que o Brasil produzia anualmente 170 milhões de toneladas de roupas por ano e apenas 20% eram recicladas ou reaproveitadas.

A criação da startup, após os sócios não encontrarem modelos concorrentes no Brasil e na América Latina, foi inspirada na americana Ghost, também investida da Cathay Latam, gestora que liderou a rodada anterior da BackChannel. “Nós adaptamos um modelo de negócio similar para a América Latina”, diz.

A grande diferença dessa segunda jornada é a velocidade permitida pela tecnologia. Na época da Trocafone, o desenvolvimento de processos similares levavam seis meses com o dobro da equipe. A infraestrutura da BackChannel foi erguida em dois meses.

“Nós não estamos apenas adotando IA, criamos tudo do zero baseados nela”, diz o CEO, que conta com um time de 40 profissionais e 8 agentes de IA. Segundo ele, a arquitetura permite que a startup escale com unit economics positivos desde o primeiro dia.

O coração da operação reside em agentes que ocupam funções que antes exigiriam grandes times comerciais, com tarefas de prospecção, envio de e-mails e o on-boarding automatizado de clientes.

No front-end, o lojista interage com uma interface ao estilo ChatGPT, onde descreve o perfil de seu negócio e recebe recomendações automáticas de lotes. E a IA assegura que um produto em liquidação apareça apenas para compradores que cumprem parâmetros rígidos de localização e canal, evitando que preços promocionais vazem para o e-commerce e canibalizem as linhas atuais.

“Isso permite que os fabricantes tenham um controle real de qual será o destino final do produto para minimizar conflitos”, afirma Freire.

A base atual reúne 18 mil lojistas - entre microempreendedores, lojas online e físicas - e mais de 100 grandes vendedores. A BackChannel recebe um take rate por transação de 12%, num negócio cujo tíquete médio é de R$ 50.000,00.

Após esse primeiro ano de experiência com foco em moda, a BackChannel começa a abrir o leque de produtos ofertados. A expansão também mira novas verticais, como beleza, cuidados pessoais e alimentos, onde o desafio do shelf-life (prazo de validade) torna a liquidez ainda mais urgente.

A startup nasceu com ambição regional, de acordo com Freire. E um primeiro passo em estruturação é a logística para a importação excedentes de mercados como China, Estados Unidos e Europa, o que oferece uma perspectiva para a BackChannel se transformar em uma plataforma global de arbitragem de inventário.

Com os novos recursos, além de aprimorar a plataforma para receber as novas demandas, a startup pretende acelerar sua vertical de fintech para oferecer crédito e prazos de pagamento para os pequenos e médios lojistas, que são o destino final dessas mercadorias.

Leia também

Grupo Elfa, do Patria, revê portfólio para apoiar crescimento ‘com qualidade’, diz CEO

A Memed queimou caixa por 14 anos. Agora tem lucro e mira R$ 100 milhões em receita

© Valerie Plesch

O modelo de negócio permite aos vendedores definirem os parâmetros da transação. (Foto: Valerie Plesch/Bloomberg)
  •  

Cathie Wood vê América Latina resiliente a crises e atraente em cenário volátil

Uma das investidoras mais reconhecidas de Wall Street por suas apostas em tecnologias disruptivas acredita que a América Latina apresenta grandes oportunidades em um contexto global de incertezas.

Para Cathie Wood, fundadora da ARK Investment Management, empresas da região carregam uma vantagem estrutural por estarem mais acostumadas a operar em ambientes de volatilidade econômica e política — experiência que, segundo ela, se traduz em maior capacidade de adaptação e execução.

Segundo ela, empresários latino-americanos “tiveram que lidar com mais volatilidade do que os líderes ou equipes de gestão norte-americanos”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.

Isso faz com que eles saibam administrar bem os ciclos de instabilidade graças à experiência acumulada em contextos macroeconômicos desafiadores.

Leia também: ETFs de emergentes já atraíram US$ 25 bi neste ano com redução da aposta nos EUA

Cathie Wood visitou recentemente a Colômbia, o Peru e o Chile, três mercados que avançam na integração de suas bolsas e onde ela lançou sua oferta de fundos de investimento, e expôs sua visão sobre as oportunidades que vê na América Latina.

A chegada de seus ETFs marca o início de uma estratégia que busca oferecer instrumentos que reúnem empresas ligadas à inteligência artificial (IA), robótica, genômica e tecnologia financeira, dentro de um esquema para ampliar o acesso a ativos internacionais a partir de plataformas locais.

“Temos uma noção do interesse que os investidores latino-americanos têm pela inovação”, disse a investidora. “Sempre que vou a Miami e faço uma apresentação em uma conferência, muitas das pessoas que se aproximam de mim depois são da América Latina. Então, percebemos que há um grande interesse.”

Pontos fortes

A tese sobre a região parte da composição dos ativos oferecidos aos investidores, onde predominam os setores tradicionais.

Wood afirmou que “os mercados na América Latina têm grande peso nos setores bancário e de serviços públicos”, o que abre espaço para a introdução de ativos com baixa correlação com esses segmentos.

Cathie Wood durante o lançamento dos ETFs da ARK Invest na Bolsa de Valores da Colômbia.

Essa abordagem está alinhada com a chegada de seus ETFs à região, em parceria com a Capital Strategies, que possibilita a negociação desses instrumentos no Mercado Global Colombiano e seu equivalente no Peru, com planos de avançar nas próximas semanas no Chile. As três bolsas estão em processo de integração em um único mercado sob a liderança da nuam.

A gestora afirmou que sua proposta difere de uma exposição direta aos índices tecnológicos dos Estados Unidos e garante que suas “carteiras são muito diferentes do Nasdaq”, o que reforça a ideia de diversificação para os investidores locais.

Essa expansão ocorre em um momento em que sua empresa apresenta sinais mistos de desempenho, com o fundo de fintech que alcançou uma rentabilidade próxima a 30% em 2025, impulsionado por apostas em inteligência artificial, apesar de seu principal veículo acumular uma queda superior a 50% em cinco anos, em comparação com o avanço do Nasdaq 100.

Para Cathie Wood, o interesse dos investidores latino-americanos foi um fator determinante na decisão de expandir, juntamente com o papel cada vez mais relevante desempenhado pelas empresas de tecnologia surgidas na América Latina.

“Temos tanto Mercado Livre quanto Nubank em nosso fundo de fintechs. Portanto, conhecemos bem essas empresas e, como sabem, as equipes de gestão na América Latina sempre nos impressionaram. Acredito que uma das razões de seu sucesso reside na volatilidade macroeconômica e geopolítica”, afirmou a executiva.

Leia mais: Como a América Latina pode ampliar sua influência e se beneficiar de conflito no Irã

As duas empresas representam cerca de 5% de seu ETF ARK Blockchain & Fintech Innovation, que valorizou 49,49% nos últimos três anos.

Ela disse considerar expandir seus produtos para mais países da América Latina. “Quando nos comprometemos com uma região como a América Latina, gostaríamos de ter uma presença significativa em toda a região.”

Com essa projeção, ele acredita no surgimento de novas empresas latino-americanas em áreas ligadas à inovação, impulsionadas pela queda nos custos tecnológicos. Nesse ponto, ele introduz uma variável-chave ao destacar que “os custos de treinamento de inteligência artificial estão caindo 75% ao ano”, o que reduz as barreiras de entrada para esse tipo de empresa.

Bolha?

Além da América Latina, a discussão sobre uma possível bolha na inteligência artificial se instalou nos mercados paralelamente ao crescimento das avaliações das empresas de tecnologia, mas Wood estabelece uma diferença em relação a episódios anteriores.

Sua experiência durante o ciclo do final dos anos 90, durante a bolha das pontocom, serve como ponto de comparação. “Não compartilhamos essa preocupação de forma alguma”, afirmou.

Analistas do Goldman Sachs reconheceram que o mercado mostra sinais que “se assemelham a bolhas anteriores”, como o aumento das avaliações, a concentração e os fortes gastos de capital. Paralelamente, figuras como Ray Dalio alertaram que o boom das ações ligadas à IA está “em uma fase inicial de bolha”.

Lançamento dos ETFs da ARK Invest, de Cathie Wood, na Bolsa de Valores da Colômbia.

As big techs projetam um gasto de cerca de US$ 650 bilhões em inteligência artificial, enquanto o S&P 500 está sendo negociado a cerca de 22 vezes os lucros futuros, um sinal de que o mercado está caro em relação à sua média histórica.

Mas Wood vê um contraste entre o boom da IA e a bolha da internet. “Fui gestora de carteiras no final dos anos 90, então vivi a bolha, assim como muitas das pessoas mais experientes atualmente em nosso setor”, disse a empresária.

Com essa experiência, ela estabelece uma diferença entre o ciclo atual de investimento em inteligência artificial e o episódio das pontocom, quando a implantação de infraestrutura superou a capacidade de uso. Ela lembrou que, naquela época, a capacidade instalada excedia a demanda e os produtos ainda não estavam prontos para escalar, o que limitou a monetização desse investimento.

Leia mais: Wall Street aposta que pior da derrocada das empresas de software pela IA já passou

Agora, ela descreve um ambiente em que a infraestrutura tecnológica é utilizada de forma intensiva desde o início. “Não acredito que haja nenhuma GPU no mundo sem uso; há escassez de GPUs. Essa é uma grande diferença, e vemos uma geração de receita surpreendente”, afirmou.

Esse dinamismo se reflete em métricas como o crescimento acelerado da receita em empresas do setor, como a OpenAI ou a Anthropic, em um cenário onde, segundo sua abordagem, o investimento já se traduz em fluxos reais.

“A receita recorrente anual da OpenAI passou, em pouco mais de dois meses, de US$ 20 bilhões para US$ 25 bilhões. Portanto, está sendo gerada receita real graças a todo o investimento atual”, afirmou.

Paralelamente, Wood analisa as preocupações com o crédito privado, afetado pelo aumento das taxas de juros que elevou o custo da dívida e deteriorou a capacidade de pagamento de algumas empresas, enquanto a menor liquidez do mercado dificulta a saída dos investimentos. Nessa frente, ele reconhece riscos específicos, embora descarte implicações sistêmicas.

A avaliação parte do tamanho do mercado, estimado em US$ 1,8 trilhão, e concentra-se na exposição do sistema financeiro tradicional, onde se destaca que “os bancos não estão muito expostos a ele”, em virtude da regulamentação adotada após a crise de 2008.

Essa limitação da exposição reduz a probabilidade de um evento comparável a episódios anteriores, embora identifique vulnerabilidades em fundos com exposição a software empresarial e alerte que “os fundos caros estão em apuros, especialmente aqueles que investiram em SaaS, pois acreditamos que a IA está revolucionando esse setor”.

Essas empresas enfrentaram uma mudança de narrativa provocada pela inteligência artificial sobre o valor do software tradicional.

Entre os investidores, existe o temor de que ferramentas de IA, especialmente os agentes capazes de executar tarefas completas como programação, análise ou gestão operacional, reduzam a necessidade de múltiplas aplicações de SaaS e corroam seu modelo de negócios baseado em assinaturas.

Leia mais: Menos Argentina, mais Brasil: bilionário aposta no país antes da alta de 17% do EWZ

Mais uma peça no jogo

O cenário geopolítico, marcado pelo conflito no Irã, introduz um fator adicional de volatilidade nos mercados, particularmente por meio do impacto nos preços do petróleo e nas expectativas de inflação.

O petróleo bruto ficou 40% mais caro no ano e bancos centrais como o da Austrália já tomaram a decisão de aumentar as taxas de juros diante do impacto nos preços. No entanto, Wood interpreta esse contexto como parte de um acúmulo de riscos que não impediram os mercados de se manterem em níveis elevados.

“Acreditamos que isso seja como mais algumas peças de um quebra-cabeça de preocupação. É surpreendente que, durante o último ano, apesar das tarifas nos Estados Unidos, da paralisação do governo americano e da guerra no Irã, o mercado ainda esteja próximo de sua máxima histórica”, disse a investidora.

No entanto, sua opinião sobre o conflito inclui uma avaliação de uma resolução rápida. “Nossa interpretação do que está acontecendo, conhecendo o presidente Trump, é que ele não quer uma guerra prolongada. Ele quer resolver a questão rapidamente e eliminar os riscos geopolíticos do sistema”, afirmou.

Nessa análise, ela também introduz o fator nuclear como elemento central no equilíbrio geopolítico e considera relevante a ausência de capacidades nesse frente por parte do Irã. Essa avaliação se estende a possíveis cenários no estreito de Ormuz, onde ela considera que uma interrupção total do tráfego implicaria uma resposta mais intensa por parte dos EUA e de Israel.

Ao mesmo tempo, ela observa uma redução na intensidade dos ataques recentes e sugere que “eles estão ficando sem tempo e sem munição”, em uma análise sobre a capacidade operacional do Irã no conflito.

Leia mais: Resiliência de Wall Street à guerra no Irã reforça tese de ‘piso’ nas ações

Opções de investimento

Dentro de sua estratégia de investimento, Wood identifica áreas em que a inteligência artificial se integra a setores físicos, em uma evolução que ela denomina “inteligência artificial incorporada”.

Nesse contexto, ela aponta a mobilidade autônoma como o principal vetor de crescimento, referindo-se a invenções como táxis-robô, drones e transporte autônomo.

“Acreditamos que é nesse setor que a receita crescerá mais rapidamente, chegando a bilhões de dólares nos próximos 5 a 10 anos, partindo praticamente do zero atual. E embora essa possa ser a maior aplicação da IA no mundo físico, a aplicação mais profunda está na área da saúde”, afirmou.

No âmbito da saúde, ela apresenta uma convergência entre tecnologias de sequenciamento e análise de dados que, segundo sua abordagem, permitirá avanços no diagnóstico precoce de doenças, com aplicações em diferentes tipos de câncer. “Seremos capazes de diagnosticar câncer no estágio um, inclusive câncer de pâncreas, ou talvez antes mesmo do estágio um”, disse ela.

Essa abordagem é complementada pela edição genética, na qual se destacam avanços em tratamentos que já geram receita com o tratamento de doenças específicas, o que reflete uma transição da pesquisa para a aplicação comercial. Para Wood, “não é uma questão de se ou quando isso vai acontecer, mas o porte dessa transição”.

No caso do bitcoin, ela mantém uma visão estrutural sobre seu papel dentro do sistema financeiro. A empresária, tradicionalmente, tem defendido uma das opiniões mais otimistas sobre o ativo digital em Wall Street, ao considerar que ele está em uma fase inicial de adoção institucional e pode se consolidar como uma nova classe de ativo global

Ela reafirmou essa visão durante a conversa, apesar de ter perdido quase 30% do seu valor ao longo de 2026. “Não mudamos nossa posição de que será o maior ativo dentro do ecossistema de ativos digitais, o maior criptoativo puro. E acredito que a queda tenha preocupado muita gente, mas essa queda, acreditem ou não, é muito mais branda do que a de outros mercados em baixa”, afirmou.

Wood interpreta esse ajuste como uma fase dentro da adoção institucional e descreve um processo de entrada gradual de investidores que buscam se posicionar em um ativo que ela define como uma nova categoria dentro do sistema financeiro global. Por isso, ela mantém seu cenário de avaliação ao lembrar que o “preço-alvo em nosso cenário otimista é de US$ 1,5 milhão”, em uma projeção que permanece inalterada dentro de sua estratégia.

Com esse conjunto de apostas, Wood traça um roteiro que combina a expansão geográfica com uma leitura estrutural das mudanças tecnológicas em curso. Sua passagem pela América Latina insere-se em uma estratégia que busca capturar uma maior demanda por ativos de inovação, em um ambiente onde a inteligência artificial, o software e os criptoativos redefinem a alocação de capital.

Leia também

Arauco aposta na maior fábrica de celulose do mundo no Brasil para driblar incertezas

Unilever estuda cisão de negócio de alimentos para focar em beleza, dizem fontes

Bershka estreia no Brasil com filas e já planeja abrir loja no Rio até o final do ano

© Bolsa de Valores de Colombia

Investidora disse ter notado um grande interesse por inovação entre investidores latino-americanos (Foto: Divulgação)
  •  

Natura reposiciona Avon e se prepara para brigar com marcas de ‘nativos digitais’

Diante da expansão acelerada de marcas de beleza de “nativos digitais”, influenciadores que ganharam as redes sociais e lançaram produtos próprios, a Natura (NATU3) se prepara para brigar por participação de mercado. A estratégia inclui o reposicionamento da Avon.

“Vamos estar bem posicionados para enfrentar os desafios das marcas independentes”, disse o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, em conversa com jornalistas nesta terça-feira (17).

Segundo o executivo, o mercado de beleza está cada vez mais acirrado no Brasil, à medida que algumas marcas independentes e importadas se consolidam no país.

“Revisitamos nosso funil de lançamentos para poder nos posicionar ainda melhor frente aos desafios concorrenciais. Veremos uma sequência de lançamentos já no segundo trimestre em diante, o que faz com que estejamos mais preparados”, disse Ferreira.

O movimento ocorre em meio ao crescimento exponencial de marcas de grandes influenciadoras como Malu Borges (People Colors), Bruna Tavares (BT), Virginia Fonseca (Pink), Bianca Andrade (Boca Rosa), Jade Picon (AURA Beauty), entre outras.

Leia mais: Como esta startup de saúde mental planeja cobrir 10 milhões de beneficiários até 2030

No ano passado, a Natura concluiu a venda da Avon International (operações na Europa, África e Ásia) e manteve o controle do selo na América Latina.

Ferreira esclarece que a Avon foi reposicionada para se adequar às gerações mais jovens. A nova proposta quer passar a mensagem da marca como uma “FemTech”, ou “startup do feminino”. O foco são produtos de alta tecnologia e desempenho.

“Do ponto de vista de preço, a Avon será mais acessível do que a Natura, mas com um conjunto de tecnologias e benefícios mais elevado em relação ao portfólio anterior. Por isso, esperamos que os preços subam em relação à própria Avon”, afirmou o executivo.

Ele acrescenta que, nos últimos anos, a Natura teve que lidar com aquisições que “não geraram o retorno esperado”. “Em 2022, decidimos voltar às origens. Foram três anos para a venda da Aesop, The Body Shop e Avon [internacional]. Os investidores estavam esperando esse momento chegar.”

Lucro de R$ 186 milhões no quarto trimestre

Na segunda-feira (16), a Natura divulgou resultados referentes ao exercício de 2025. No quarto trimestre, o lucro líquido das operações continuadas alcançou R$ 186 milhões.

O resultado inclui provisão integral não recorrente e sem efeito caixa de R$ 434 milhões relacionada a recebíveis da venda da The Body Shop. Excluindo o impacto, o lucro líquido das operações continuadas foi de R$ 620 milhões.

No ano, o resultado líquido excluindo a provisão e outras despesas de desinvestimentos atingiu R$ 974 milhões.

As ações da empresa subiam 8,46% nesta terça-feira (17) por volta das 13h50 (horário de Brasília), depois de avançarem até 12,63% na máxima do dia.

Em relatório, o Citi afirmou que a Natura teve resultados positivos no quarto trimestre, com a fraqueza das vendas “compensada por avanço significativo da rentabilidade por conta de rigorosas medidas de eficiência e corte de custos”.

Já os analistas do Safra apontaram em relatório que o desempenho da companhia no período foi “misto”. “A Natura Brasil apresentou mais uma desaceleração nas vendas durante o trimestre. O ponto positivo foi uma forte recuperação nas margens de Ebitda ajustado”, escreveram eles.

Ferreira comemorou o resultado. “Voltamos a falar de lucro líquido. A Natura é uma empresa com alta capacidade de gerar lucro.”

Ele acrescentou que na operação hispânica os dois principais mercados - México e Argentina - foram afetados pela integração recente das marcas. “Estes mercados já demonstram recuperação consistente.”

Agora, com a operação da Avon na América Latina, os executivos do grupo acreditam que a tomada de decisões será mais rápida, o que favorece o desenvolvimento do portfólio e eleva a competitividade.

“Com o relançamento da Avon, vamos capturar mais benefícios da integração dos negócios na área hispânica. Com o novo operacional, vamos tomar decisões mais rapidamente. Isso nos dá confiança de que vamos expandir ainda mais o lucro líquido da companhia”, disse a CFO da Natura, Silvia Vilas Boas.

Guerra e cenário internacional

A executiva ponderou que, além do mercado doméstico, o cenário internacional também é motivo de preocupação para o grupo. “A guerra [no Irã] impacta preço de petróleo e outras commodities e não temos visibilidade da magnitude que isso pode tomar.”

Ela aponta ainda que Brasil e outros países da América Latina terão eleições em 2026. “Não sabemos o quão turbulento será este ano na área macroeconômica e com eventos como Copa do Mundo. Mas somos o grupo dos fortes, que sabe operar na América Latina e reagir com a maior velocidade possível. É importante que a empresa esteja preparada para reagir ao inesperado”, afirmou.

Na visão de Ferreira, o papel da Natura é manter a atividade elevada em cenários de restrição de renda, seja qual for o motivo. “A Avon tem esse papel, mas ela precisava ser mais atrativa também, gerando desejo de experimentação a um preço acessível.”

Leia também:

Do campo ao lagar: como nasce um azeite premium no interior de Minas Gerais

João Paulo Ferreira, CEO da Natura: 'Vamos estar bem posicionados para enfrentar os desafios das marcas independentes'. (Foto: Divulgação)
  •  

Mercado de vinho passa de R$ 21 bi no Brasil. E maior concorrência pressiona margens

O mercado de vinhos no Brasil voltou a crescer em 2025 e movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões, segundo dados apresentados na terça-feira (10) na 11ª edição do seminário Adega Ideal, um dos principais eventos do trade da bebida no país.

O avanço foi de aproximadamente 9% em relação ao ano anterior, impulsionado pela recuperação do consumo após um período de ajuste de estoques.

O volume total de abastecimento chegou a 54,5 milhões de caixas de nove litros (12 garrafas de 750 ml), alta de 9% no ano, aproximando o mercado novamente dos níveis registrados no auge da pandemia.

Apesar da retomada, executivos do setor apontam que o crescimento vem acompanhado de um desafio estrutural. A oferta de vinhos cresce mais rápido que a demanda, pressionando preços e margens ao longo da cadeia.

“O crescimento do consumo não acompanha essa pressão de oferta”, disse Felipe Galtaroça, CEO da Ideal BI, consultoria responsável pela compilação de dados do setor, em entrevista à Bloomberg Línea. “Essa pressão de oferta gera estoque e derruba rentabilidade.”

Leia também: Preço do vinho poderá cair 20% com acordo Mercosul-UE. Mas não agora, diz CEO da Wine

A análise da cadeia de distribuição apresentada no seminário aponta um aperto crescente nas margens do setor.

Segundo a Ideal BI, o aumento do volume de importações e a maior concorrência no varejo têm reduzido o chamado multiplicador de preço ao longo da cadeia, indicador que mede quanto o valor do vinho cresce entre a importação e o consumidor final.

Com mais oferta e pressão promocional nas prateleiras, especialmente nos supermercados, parte desse valor tem deixado de ser capturado por importadores e distribuidores.

O resultado é uma redução gradual da rentabilidade da cadeia, em um momento em que custos logísticos, financeiros e operacionais seguem elevados no país.

Enquanto a moeda brasileira perdeu mais de 50% de valor desde 2018 e a inflação somada atingiu 45%, o repasse de preços ao consumidor final foi de apenas 13%. “A cadeira absorveu a maior parte da elevação dos custos operacionais e de importação”, disse Galtaroça.

O cenário reflete uma combinação de fatores locais e globais. De um lado, o mercado brasileiro continua atraindo produtores estrangeiros em busca de novos consumidores. De outro, mudanças no comércio internacional e no ambiente regulatório tendem a intensificar a concorrência nos próximos anos.

Segundo Galtaroça, o Brasil passou a ganhar destaque entre vinícolas internacionais diante da desaceleração do consumo em mercados tradicionais, especialmente na Europa, e da maior atração do mercado brasileiro com a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

“Os produtores europeus sofrem com queda de consumo na Europa e passam a olhar para o mercado brasileiro como oportunidade”, disse.

Leia também: Por que o vinho francês é caro no Brasil. E como uma importadora tenta mudar isso

O país ainda apresenta um dos maiores potenciais de expansão do mundo. O consumo médio permanece em torno de 3 litros por pessoa ao ano (entre adultos). O patamar é muito inferior ao observado em países europeus, onde pode passar de 50 litros per capita (caso de Portugal, primeiro do ranking global).

Mesmo assim, o crescimento enfrenta limitações estruturais. O vinho ainda ocupa um espaço secundário no orçamento da maior parte dos brasileiros, segundo o estudo.

“O vinho não é cesta básica, é um produto secundário”, disse Galtaroça. “Quando o consumidor paga mais caro na carne, no arroz ou no combustível, ele reduz o consumo de categorias que não são essenciais.”

‘Efeito Chablis’

Essa pressão ajuda a explicar por que o avanço do setor ocorre de forma desigual entre diferentes faixas de preço.

Enquanto os vinhos de entrada tendem a sofrer mais com a perda de poder de compra, as categorias de maior valor agregado mostram maior resiliência.

Dados apresentados no seminário indicam que o segmento super premium foi o que mais cresceu em faturamento no último ano, refletindo uma tendência de premiumização entre consumidores de maior renda.

“Quando falamos de um vinho de R$ 200, o consumidor normalmente sofre uma pressão econômica menor”, disse Galtaroça. “Ele continua buscando o objeto de desejo.”

Leia também: Vinhos no Brasil precisam de compensação com acordo Mercosul-UE, diz líder de mercado

O segmento super premium (com caixas que custam mais de US$ 100 no exterior) foi o que mais cresceu em faturamento em 2025, com alta de cerca de 15%, consolidando-se como o principal motor de valorização do mercado. Já os vinhos classificados como premium (com caixas que custam entre US$ 50 e US$ 99,99 no exterior) tiveram expansão próxima de 10% no período.

Enquanto isso, as faixas de entrada registraram desempenho mais moderado. Os vinhos mais baratos (com caixas que custam até US$ 24,99 no exterior) houve uma queda de 3%

Segundo a Ideal BI, o movimento reflete uma tendência de premiumização do consumo, com parte dos consumidores disposta a pagar mais por rótulos de maior qualidade mesmo em um cenário econômico mais desafiador.

A dinâmica reforça o caráter aspiracional do vinho no país, ainda associado a momentos especiais ou a um consumo de status. “O vinho é um mercado de luxo e um mercado de status”, afirmou o executivo.

Isso se apresenta no mercado com o que foi chamado de “efeito Chablis”. O famoso vinho branco francês produzido na Borgonha foi um dos que tiveram maior crescimento de venda no país no ano passado, o que impulsionou uma alta de 10% na importação de vinhos do país.

Ainda assim, a França é apenas o 7º país em volume de vendas no Brasil. Entre os produtores dos vinhos consumidos no país, o Chile segue como principal fornecedor, seguido por Brasil, Argentina, Portugal, Itália e Espanha.

Mudanças nas regras

Além das mudanças no comportamento do consumidor, o setor acompanha transformações regulatórias que podem alterar a dinâmica competitiva.

A reforma tributária aprovada no Brasil deve simplificar a estrutura de impostos e reduzir diferenças de tributação entre estados, o que pode contribuir para maior padronização de preços no mercado.

Leia também: Vinhos bons a menos de R$ 100: o que se deve observar, segundo especialistas

Ao mesmo tempo, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia — se implementado nos próximos anos — tende a reduzir gradualmente tarifas de importação, ampliando a presença de rótulos estrangeiros nas prateleiras brasileiras.

Segundo Galtaroça, essas transformações podem ampliar a competição e pressionar ainda mais a rentabilidade do setor.

“Todo mundo olha para o mercado brasileiro com potencial”, disse. “Mas é preciso equilibrar a relação entre oferta e demanda para que o setor continue saudável.”

Para ele, o próximo ciclo de crescimento do vinho no país dependerá menos da expansão acelerada do volume e mais da profissionalização da cadeia e da formação de novos consumidores.

“O mercado brasileiro é muito jovem”, disse. “Ele ainda está em crescimento, em profissionalização e em construção de cultura.”

© Jordan Vonderhaar

País passou a ganhar destaque entre vinícolas internacionais diante da desaceleração do consumo em mercados tradicionais, especialmente na Europa (Foto: Jordan Vonderhaar/Bloomberg)
  •  

Bayer amplia portfólio farmacêutico para enfrentar concorrência na América Latina

A Bayer projeta uma virada de ciclo em sua divisão farmacêutica na América Latina após enfrentar um aumento na competição com genéricos nos últimos quatro anos.

Adib Jacob, presidente da divisão para América Latina e Brasil, projeta crescimento de 10% nas vendas líquidas da região para 2026 — o dobro do ritmo registrado em 2025, quando a divisão avançou 5,4%, para 824 milhões de euros.

O combustível para o crescimento virá, segundo ele, da expansão do portfólio, com a chegada de novos medicamentos ao mercado latino-americano. Além disso, a expectativa é que novas indicações ampliem o alcance de produtos já estabelecidos.

“Vamos ter, pelo menos, sete motores de crescimento em diferentes áreas, como oncologia, cardiorenal, hemofilia, saúde feminina, oftalmologia e AVC. Não estamos colocando todos os ovos na mesma cesta”, afirmou o presidente da divisão a jornalistas no encontro anual da empresa para a América Latina, realizado na última segunda-feira (9).

Leia também: Bayer vai ampliar produção no Brasil para acelerar crescimento em Consumer Health

A Bayer estima que a categoria mais promissora será a de produtos associados à darolutamida, molécula utilizada para tratamento oncológico no câncer de próstata.

A expectativa é alcançar 300 milhões de euros em potencial de venda em LatAm com a ampliação da indicação original para abranger outros estágios do câncer.

Outra aposta da Bayer está no uso da molécula finerenona, atualmente usada no tratamento renal de pacientes com diabetes tipo 2.

A farmacêutica lançou há um ano e meio uma segunda indicação para o medicamento, desta vez para uso contra falha cardíaca.

A expansão do medicamento pode levar o produto a 200 milhões de euros em vendas apenas na América Latina, segundo os cálculos da empresa.

Perda de patentes

O apetite da Bayer para novos lançamentos representa a aposta da empresa em diversificar o portfólio. O movimento se intensificou após perda de patente de um de seus principais blockbusters, o anticoagulante Xarelto.

Um dos produtos mais relevantes do portfólio global da Bayer, o medicamento chegou a representar um terço das vendas na América Latina.

O Xarelto perdeu a proteção de patente no Brasil em 2021 e viu a exclusividade se encerrar nos demais mercados da região até 2024, quando o México foi o último a abrir espaço para os genéricos.

“O Xarelto era o maior medicamento do mercado farmacêutico brasileiro, vendia mais que o Dorflex”, disse o executivo, em referência a um dos remédios mais conhecidos no Brasil, produzido pela concorrente Sanofi. “Foi um fenômeno importante para nós, com a chegada de mais de 50 genéricos no mercado.”

Mesmo assim, a América Latina terminou 2025 como a segunda região de maior crescimento em vendas globais da Bayer, atrás apenas dos Estados Unidos.

O resultado LatAm veio positivo apesar do desempenho do México, cujas vendas líquidas recuaram 1,5% ainda sob o peso da perda de exclusividade do Xarelto.

A expectativa, no entanto, é que a recuperação no mercado mexicano seja a mais forte da região este ano, com um crescimento anual de 20%.

“Não prevemos nenhuma perda de patente significativa para os próximos cinco anos. Isso, somado a novos lançamentos como motores de crescimento, deve trazer anos promissores para a companhia”, afirmou Jacob.

Inovação em LatAm

A divisão farmacêutica da Bayer também aposta na América Latina para pesquisas de desenvolvimento de novos produtos que ajudem à fazer frente ao aumento da competição com medicamentos genéricos.

No Brasil, a frente de pesquisas foi reforçada no final de 2025 após a aprovação da nova Lei da Pesquisa Clínica, que encurtou os prazos para aprovação de projetos para até 90 dias. A estimativa é que os prazos anteriores levavam de seis meses a um ano.

Atualmente, o Brasil participa de menos de 2% da pesquisa clínica mundial nos cálculos do governo federal. A expectativa é que a nova lei dobre o número de estudos registrados em 2024 e ajude a reverter uma tendência de queda iniciada em 2022, quando outros países tornaram seus marcos regulatórios mais competitivos.

Jacob avalia que a mudança incentivou “profundamente” a atração de novas pesquisas para o Brasil. Entre os próximos passos da Bayer, a empresa se prepara para realizar no país sua primeira pesquisa de fase 1 – primeira etapa de testes de um medicamento em seres humanos – fora dos Estados Unidos e da Europa.

“É um movimento que fala da capacidade dos hospitais, centros e médicos latino-americanos em fazer ciência de alta qualidade, mas também da heterogenidade de pacientes da região. A diversidade da população latina é um ativo para estudo de qualquer molécula”, afirmou.

Leia mais

Bayer prevê crescimento de até 3% em fármacos com novos potenciais blockbusters

Bayer propõe acordo de US$ 7,25 bi para encerrar processos contra o Roundup

Fábrica da Bayer na planta de Lerma, no México: país deve ter o maior crescimento em vendas líquidas da região em 2026, com estimativa de incremento de 20%
  •  

De terrenos à formação de corretores: as apostas da nova geração da Coelho da Fonseca

Quando tinha 19 anos de idade, o filho mais novo de Álvaro Coelho da Fonseca, Luiz Alfredo, fez sua primeira venda como corretor de imóveis.

“Quando ingressei na faculdade, meu pai me colocou para trabalhar como corretor e passei por todas as áreas da empresa, estudando e trabalhando. Eu respiro mercado imobiliário desde que eu nasci”, diz o sucessor.

Hoje com 32 anos, Luiz Alfredo administra o dia a dia da empresa juntamente com seu irmão, Alvaro Marco.

Luiz Alfredo lembra de algumas passagens da infância com seu pai, fundador da companhia e hoje com 75 anos de idade.

“Visitei locais que hoje são empreendimentos de luxo emblemáticos, mas à época eram apenas ‘mato’. Quando a Quinta da Baroneza era uma fazenda, meu pai me colocou no banco traseiro do carro para visitar o local, ouvi todo o planejamento do projeto enquanto jogava Game Boy”, conta em entrevista à Bloomberg Línea.

O empreendimento, localizado no interior de São Paulo, se destacou pela proposta de alto padrão e teve a sua consultoria, marketing e desenho de produto realizados pela Coelho da Fonseca. Outros projetos que Luiz Alfredo viu nascer foram a Fazenda da Boa Vista e o Haras Larissa.

Leia mais: Empresas familiares se fortalecem e crescem acima de demais grupos, aponta Deloitte

A Coelho da Fonseca tem 50 anos de existência e é focada no segmento de luxo, com empreendimentos nos principais bairros de São Paulo e condomínios de campo e praia. Também possui um braço internacional.

“Hoje, meu irmão e eu tocamos o dia a dia da empresa e meu pai nos ajuda na estratégia, com toda a expertise dele. A sucessão foi algo natural”, afirma Luiz Alfredo.

Os irmãos Alvaro Marco (à esquerda) e Luiz Alfredo Coelho da Fonseca. Foto: Empresa/Divulgação

Uma das grandes apostas do grupo é uma empresa dedicada à negociação de terrenos em São Paulo – um ativo que é conhecido no setor, atualmente, como “escasso”.

A Coelho da Fonseca se juntou à Orix, de intermediação de terrenos para incorporação imobiliária, para criar uma joint venture com esse propósito, combinando o banco de dados e a experiência da cinquentenária à expertise do sócio-fundador da Orix, Alex Lima. “Terreno é uma matéria-prima escassa? Sim, mas existem muitos para negociar ainda”, afirma.

Luiz Alfredo relata que a Coelho consegue fazer cruzamentos “nada óbvios” para quem não está no dia a dia da incorporação. “Ganhamos escala em poucos meses, já temos muita coisa em prateleira”, diz.

O executivo relata que existem muitos terrenos que passam diretamente de uma incorporadora para outra, e que a Coelho da Fonseca acaba tendo acesso antes de chegarem ao mercado.

“De outubro a janeiro, já temos 76 áreas em negociação. Com o nosso modelo, levamos os terrenos de forma mais organizada para o incorporador, temos sido elogiados pela forma como estamos profissionalizando este negócio, o que nos permite cobrar mais”, diz Lima.

Luiz Alfredo acrescenta que o novo braço de terrenos permite à Coelho resgatar um trabalho que, antigamente, a empresa fazia muito mais.

“Toda a consultoria acerca do tipo, valor, retorno estimado e quem pode comprar o terreno é de grande relevância. O mercado primário [de lançamentos] mudou muito e não há mais empresas que façam isso da forma profissionalizada como fazemos”, diz.

“Conseguimos extrair o maior valor possível para o ativo, além de termos toda uma carteira de investidores que conseguimos trazer desde o momento zero do projeto”, acrescenta.

Leia mais: Chega de prédios isolados: esta empresa cresce com aposta em bairros planejados

Lima observa ainda que a experiência de ambos nas duas pontas da negociação permite encontrar o comprador certo para o terreno, com o preço correto.

“Sabemos precificar da maneira certa e temos relacionamento com os incorporadores, é o ponto que mais gera negócio. Temos reuniões com eles toda semana”, diz o executivo.

Luiz Alfredo ressalta que a equipe de quase 400 corretores da Coelho completa a estratégia. “Temos matéria-prima, dinheiro do investidor, consultoria e equipe na rua. Montamos uma célula que consegue entregar em 15 dias um dossiê pronto para o incorporador, com modelo de parcerias e prioridades para os melhores negócios.”

O foco do braço de terrenos são projetos de alto padrão, mas já há conversas para multifamily, data centers, galpões logísticos, entre outros. “Quando aprofundamos o modelo de negócio, surgem muitas possibilidades.”

Profissionalização do corretor

Luiz Alfredo afirma que a profissionalização dos corretores é peça-chave para perpetuar o negócio. “Não são todos os corretores que entendem de imóveis de tíquete alto. Para nós, a profissionalização está enraizada”, diz.

Ele relata que a Coelho da Fonseca costuma dar preferência para o treinamento de corretores. “Não há vícios e nem conceitos cristalizados. Meu pai fundou o braço Private Brokers há mais 20 anos ensinando tudo do zero. Até hoje é uma das equipes que mais vende dentro da empresa.”

O executivo conta que a Coelho da Fonseca criou uma pós-graduação em parceria com o centro universitário Belas Artes, 100% à distância, para empreendedorismo no setor imobiliário de alto padrão.

“Desenhamos a grade curricular voltada para empreendedorismo imobiliário de luxo, com aulas que trazem casos reais para aplicação dos conceitos. É nossa visão de futuro sobre como a atividade será bem-sucedida”, afirma.

Leia também:

Charlie, investida da Cyrela, aposta em locação flexível no segmento de luxo

Esta fornecedora brasileira automotiva disputa com marcas globais e agora vai aos EUA

Parceria com fundos e arquitetos: a receita da SKR para crescer no alto padrão

© Filipe Serrano/Bloomberg Línea

Apartamentos de luxo em São Paulo: com 50 anos, corretora se especializou em imóveis de alto padrão. (Foto: Filipe Serrano/Bloomberg Línea)
  •  

Após F1 e tênis, Mercado Livre reforça estratégia no esporte com equipe na Stock Car

A aposta do Mercado Livre no esporte como motor de crescimento e posicionamento de marca ganhou uma nova frente.

Depois de fechar patrocínios com jovens promessas globais como o tenista João Fonseca e o piloto da Fórmula 1 Gabriel Bortoleto, a empresa mais valiosa da América Latina decidiu criar de sua própria equipe para disputar a Stock Car Pro Series: a Mercado Livre Racing.

A estreia oficial da equipe acontecerá na temporada 2026, com operação técnica a cargo da A.Mattheis. No comando dos volantes, estarão nomes como Helio Castroneves, tetracampeão das icônicas 500 Milhas de Indianápolis. O time ainda reúne Thiago Camilo, um dos maiores vencedores da história da Stock Car, e Cesar Ramos, um dos pilotos mais experientes na categoria.

Os dois pilotos competiam juntos Ipiranga Racing, equipe que encerrou a sua participação na Stock Car no fim do ano passado.

Leia também: De João Fonseca a Bortoleto: a aposta do Mercado Livre em novos ídolos do esporte

O investimento é mais um passo dentro de uma tese que vem sendo desenhada pela companhia nos últimos anos: usar o esporte para dialogar com diferentes perfis de consumidores e, no fim do dia, converter essa audiência em preferência de marca e vendas no marketplace.

Se no caso de João Fonseca e Bortoleto o foco da narrativa de marketing é o “progresso” e a exportação do talento brasileiro para o mundo, como explicou recentemente Iuri Maia, diretor de Estratégia de Marca do Mercado Livre, à Bloomberg Línea, a chegada da empresa à principal categoria do automobilismo nacional tem busca reforçar a vertical de “Veículos, Peças & Acessórios”.

“As categorias de autopeças e de veículos são muito representativas para a gente. A categoria de peças de carro é a que tem a maior quantidade de publicações dentro do site”, afirma Roberta Donato, vice-presidente de Marketplace do Mercado Livre.

De acordo com a companhia, a plataforma conta com mais de 11 milhões de anúncios ativos nesse grupo, o que torna a divisão a maior entre as categorias e garante ao Mercado Livre a liderança no setor. Cinco milhões de usuários ativos adquirem produtos automotivos na plataforma.

Os pilotos Cesar Ramos, Helio Castroneves e Thiago Camilo representarão a nova equipe

Além do impacto direto no usuário final e do apelo de velocidade, que a plataforma usa com associação às entregas rápidas, a Mercado Livre Racing foi estruturada para funcionar como uma plataforma de negócios B2B.

Por meio do Mercado Ads, braço de publicidade da companhia, marcas parceiras poderão adquirir cotas de patrocínio para exposição nos carros, nos macacões dos pilotos e em toda a comunicação da equipe.

“As nossas cotas de patrocínio serão oferecidas para qualquer tipo de parceiro que queira estar com a gente, independente de estar conectado ao mundo do automobilismo, ao mundo do e-commerce. Temos recebido interesse de diversos tipos de parceiros”, diz Roberta Donato.

A iniciativa na Stock Car se junta a um portfólio crescente de investimentos esportivos. Hoje, além de Fonseca e Bortoleto, o Mercado Livre patrocina a Conmebol (Libertadores e Sul-Americana), o Flamengo, a Cazé TV, detém os naming rights da Mercado Livre Arena Pacaembu e também estampa sua marca na Fórmula 1 com o piloto mexicano Sergio “Checo” Pérez.

A vertical de esporte concentra hoje o maior orçamento de comunicação da companhia, superando frentes como música e reality shows.

A meta é simples: garantir que a relação emocional gerada nas pistas e quadras se traduza na escolha do Mercado Livre na hora da compra, especialmente diante de um cenário de acirrada concorrência com o avanço de players asiáticos no país.

Leia mais

Olympikus mira elite da corrida com tênis de R$ 2.000 e projeto para formar atletas

Richard Mille mira fãs de futebol com relógio de US$ 1,9 milhão que registra gols

© Divulgação Mercado Livre

A Mercado Livre Racing foi estruturada para funcionar também como uma plataforma de negócios B2B, por meio do Mercado Ads. (Foto: Divulgação/Mercado Livre)
  •  

Além da Amazônia: Natura mira novos bioativos da Antártida com aporte em startup

Um dos pilares da Natura (NATU3) no desenvolvimento de produtos é sua atuação de 25 anos de pesquisas na Amazônia. A floresta tropical abriga a maior biodiversidade do planeta e se tornou a principal fonte de novos bioativos para uso cosmético na empresa.

A fabricante de produtos de beleza agora enxerga potencial para explorar outro ecossistema mais sul, o da Antártida.

Por meio do Natura Ventures, seu fundo de corporate venture capital (CVC), a companhia acaba de co-liderar uma rodada de investimento Seed de US$ 3,5 milhões (aproximadamente R$ 18 milhões) na Antarka, startup uruguaia de biotecnologia focada em soluções para longevidade da pele, que pesquisa o continente gelado.

Enquanto a Amazônia fornece uma ampla gama de matérias-primas exclusivas da região, o potencial da Antártida está nos microrganismos escondidos no gelo que conseguem viver em condições climáticas extremas.

“O investimento nos ajudou a descobrir que existem outras formas de conseguirmos nos diferenciar através de bioativos que não dominamos na Amazônia”, afirmou José Manuel Silva, vice-presidente de novos negócios da Natura, à Bloomberg Línea.

Leia também: Natura foi pioneira no uso de insumos da Amazônia. E agora vai ampliar a meta

A startup de biotecnologia tem um projeto que busca explorar o potencial cosmético das fotoliases antárticas, enzimas capazes de reparar o DNA danificado pela radiação ultravioleta (UV), responsável por cerca de 80% dos danos visíveis causados à pele humana. O objetivo da tecnologia é alcançar o núcleo da célula, revertendo o dano em sua origem.

“A hipótese que a equipe científica tinha naquele momento era que os microrganismos que sobreviveram às condições extremas da Antártida contavam com algo muito interessante do ponto de vista científico. E depois, como indústria, encontramos uma aplicação que é disruptiva”, disse Stefano Valdesolo, cofundador e CEO da Antarka, na mesma entrevista.

O modelo tem potencial de representar uma mudança de paradigma nas estratégias de combate ao envelhecimento da pele pela indústria de cosméticos.

“Essa talvez seja a primeira tecnologia que realmente regenera a célula. Nós da Natura e o mercado em geral temos soluções que retardam o envelhecimento da pele mas não vão até o núcleo celular. Isso foi o que mais nos chamou a atenção para realizar o investimento”, disse o vice-presidente de novos negócios da Natura.

“Estamos com um pipeline bem agressivo, e com o desafio de fazer as escolhas certas no Natura Ventures±, afirmou

A Natura não foi a única interessada. O fundo de corporate venture capital da empresa, gerido pela Vox Capital, dividiu a liderança da rodada com o Zentynel, fundo de venture capital latino-americano especializado em biotecnologia.

Também participaram da rodada o GS Futures, braço de venture capital dos Estados Unidos pertencente ao conglomerado sul-coreano de energia e construção GS Group, e a CTK, uma das principais fabricantes de cosméticos da Coreia do Sul.

Leia também: Natura foi pioneira no uso de insumos da Amazônia. E agora vai ampliar a meta

Disrupção na saúde da pele

A descoberta do potencial das enzimas nasceu de um projeto científico realizado pela Faculdade de Ciências da Universidade da República do Uruguai, com apoio do Instituto Antártico Uruguaio e do Ministério de Defesa do país.

A startup foi fundada em 2023, e, dois anos depois, foi firmado um acordo de transferência tecnológica que permitiu à Antarka buscar a comercialização da tecnologia.

No mesmo ano, a startup recebeu um aporte de capital de risco global por meio de um investimento da SOSV, líder em investimentos em deep tech em estágio inicial, via seu programa de aceleração em biotecnologia, batizado Indie Bio.

A SOSV também participou da rodada Seed fechada este mês via follow-on, junto a outros investidores.

“Essa rodada nos permite começar a comercializar a tecnologia, fechar parcerias e escalar a operação comercial com parceiros a nível global. A Natura é um deles, especialmente para a América Latina”, afirmou Valdesolo.

José Manuel Silva, da Natura, reforçou que o aporte na Antarka opera no conceito smart money. O modelo permite que, além do capital, a empresa investida tenha acesso aos laboratórios e centros de pesquisa da fabricante brasileira.

Como líder da rodada, a Natura conta ainda com uma exclusividade do primeiro ciclo de desenvolvimento para os próximos 24 meses.

“Nosso grande interesse não é em si a exclusividade, mas sim ajudar cada vez mais a Antarka a encontrar outras enzimas semelhantes para outros perfis em um segmento em um perfil de mercado que cresce cada vez mais: o da geração prateada”, disse Silva.

O termo geração prateada faz referência aos cabelos grisalhos do público acima de 50 anos, que cresce em relevância acompanhando o envelhecimento da população, e é um dos principais alvos de investimento da Natura para os próximos anos.

Inicialmente, as descobertas devem ser usadas para evoluir linhas já existentes, como Renew e Chronos, para depois entrar em lançamentos.

A estimativa da empresa é que o aporte da Antarka diminua pela metade o tempo de desenvolvimento de novos produtos focados em soluções para saúde e envelhecimento da pele.

Atualmente, o processo entre a descoberta de um bioativo e aplicação no produto final é de seis anos e meio.

Leia também: É um dos melhores momentos para investir em anos, diz head da General Atlantic no país

Próximos passos do Natura Ventures

O investimento na Antarka foi o primeiro aporte em biotecnologia do Natura Ventures e o quarto da história do fundo.

Lançado em 2024 com capital inicial de R$ 50 milhões, o fundo aportou recursos na brasileira Abbiamo e na chilena WareClouds, voltadas à logística inteligente, e na norte-americana Mango Materials, que aposta em soluções para substituição de plástico com biopolímeros renováveis.

Como próximos passos, Silva enxerga oportunidade para investimento ainda no setor logístico, além de oportunidades em deep tech e inteligência artificial associada ao futuro da venda por relacionamento. “Estamos com um pipeline bem agressivo, e com o desafio de fazer as escolhas certas”, diz.

A empresa segue com apetite para realizar até três investimentos por ano, com aportes em média de R$ 2 milhões e R$ 10 milhões.

“Continuamos com o apetite inicial, mas os aportes variam por segmentos. Algo de deep tech talvez precise de um bolso maior, por exemplo”, afirmou o executivo.

A empresa não abriu qual foi sua participação na rodada de US$ 3,5 milhões na Antarka.

Com a entrada da startup uruguaia no portfólio, a Natura Ventures reforça posição na América Latina, uma vez que três de suas quatro investidas estão na região. A estratégia do fundo segue o posicionamento da empresa-mãe, que foca suas operações na região após tentativa de expansão global.

Na última semana, a companhia confirmou a venda da Avon Rússia, último passo de simplificação das operações que envolveu ainda a venda de outros ativos globais como a Aesop e a The Body Shop.

O processo durou três anos e meio e, segundo fato relevante divulgado pela empresa, a última venda “consolida o foco no crescimento de seu negócio na América Latina”.

Leia também

Natura vende unidade da Avon na Rússia e conclui simplificação das operações

Rivio atrai Positive Ventures para melhorar a gestão de hospitais com uso de IA

Natura sobe ambição de metas ESG até 2050 e quer gerar mais valor com seu negócio

© Divulgação

Exploração da Antarka na Antártida: projeto que busca explorar o potencial cosmético de enzimas capazes de reparar o DNA danificado pela radiação ultravioleta (UV). (Foto: Divulgação)
  •  

Ambev supera ‘teste de estresse’ e reforça estratégia de expandir categorias, diz CFO

Em um ano desafiador para a indústria de cervejas, a Ambev avalia que não só conseguiu ganhar eficiência em diferentes frentes de sua operação como colheu frutos de uma estratégia adotada há mais tempo de investir nos segmentos que mais crescem, em particular na categoria de cervejas.

Foram resultados que refletiram a priorização da chamada ambidestria, de fortalecimento de pilares operacionais ao mesmo tempo em que a companhia continuou a investir em inovação de olho no crescimento. E que sustentam uma perspectiva considerada favorável pelo management.

“O ano de 2025 foi chamado internamente na Ambev de um teste de estresse, com um impacto sobre a indústria e uma retração em volume não vista em uma série longa de dez a doze anos, sob efeito muito forte do clima”, disse Guilherme Fleury, CFO (Chief Financial Officer) da Ambev, em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia mais: Na Ambev, retomada de liderança em cerveja premium reflete ambidestria, diz CFO

Houve queda de 4,5% no volume de cervejas no Brasil, com queda de um dígito alto nas bebidas do segmento core, como Skol e Brahma, em parte compensada pela expansão de 17% em marcas premium , como Corona, Original, Spaten e Stella Artois, e de 30% no zero álcool, com Corona Cero e Budweizer Zero (veja mais abaixo).

Segundo o executivo, 70% do delta da indústria de cervejas no ano passado foi explicado pelo clima, marcado por temperaturas mais baixas nas regiões Sudeste e Sul, principalmente a partir do meio de maio e junho.

“Voltamos a exercitar o que é historicamente uma força da Ambev, que é o foco no que a gente controla, protegendo o que é relevante para a geração de valor de longo prazo”, disse o executivo.

Apesar da queda em volume em 2025 – de 3,3% no resultado orgânico da companhia -, a receita líquida cresceu 4,0%, sob efeito da combinação de mix favorável, “premiumização” e gestão de receitas, enquanto o Ebitda avançou 5,6%, com ganho de 50 pontos base na margem Ebitda ajustada, para 33,4%.

Na avaliação da direção da Ambev, houve mais um impacto na frequência e nas ocasiões de consumo de cerveja – em bares, por exemplo - por causa do clima do que uma mudança de comportamento que reduzisse a demanda, um fenômeno mais evidente em mercados maduros.

Diante do diagnóstico, a empresa decidiu proteger os investimentos por trás das marcas – em marketing e em ações de conexão com os consumidores.

“Reavaliamos a alocação de recursos olhando para todas as linhas do P&L [o demonstrativo financeiro], como produção industrial e toda a frente logística, de tempo de entrega à distância entre a cervejaria e os mercados consumidores.”

Houve também impacto sobre o pagamento de bônus, que veio mais fraco em um ano em que o volume vendido ficou aquém do que era esperado.

Mas isso não impactou o nível de engajamento dos funcionários, pelo contrário, segundo o executivo: tais métricas atingiram o all-time high, o que sinalizou o comprometimento em momentos desafiadores, algo que ele ressaltou como parte do DNA da companhia.

Leia também: Heineken vai eliminar até 6.000 empregos diante de queda no consumo de cerveja

Segundo o CFO, apesar do ano duro em termos de volume da indústria, houve duas notícias relevantes: “nós lideramos onde houve crescimento”, em referência aos segmentos do mercado de cerveja.

No quarto trimestre em particular, Fleury disse que a expansão dos segmentos premium e zero álcool se deu em razão do desempenho de marcas da Ambev, o que se traduziu, portanto, em ganho de market share.

Trata-se de um momentum que a empresa tem buscado explorar neste começo de ano de 2026, segundo Fleury, que citou o lançamento recente da Skol Zero Zero – marca sem álcool, zero açúcar, sem glúten e de baixa caloria -, o que representa um investimento no segmento denominado de core.

“Para nós, é muito claro que ainda existem muitas oportunidades para desenvolver o mercado brasileiro [de cervejas]”, disse o executivo, citando que a empresa enxerga uma responsabilidade em liderar também essa frente.

Um exemplo citado foi o da Stella Pure Gold, lançada em 2023 e considerada a primeira cerveja sem glúten do país entre as grandes cervejarias – a marca teve expansão de 153% em volume em 2025.

“Há oportunidades tanto em aumento da frequência de consumo [de cerveja] como em novas subcategorias, em linha com três tendências”, segundo Fleury.

A primeira é a valorização de bebidas fáceis de tomar, dadas questões como o clima quente; a segunda é a busca por bebidas com sabor, por vezes adocicada ou com toque de limão – endereçada com o lançamento no Brasil da marca Flying Fish, originária da África do Sul, no segundo semestre de 2025.

E a terceira tendência é a de health & welness, que se traduz na preferência por bebidas sem álcool, com baixa calorias e até funcionais.

“São segmentos em que podemos começar com 100% de share, dado que se trata de inovações que inauguram novas subcategorias”, destacou.

Leia mais: Além da cerveja: como a Beats, da Ambev, fez da inovação uma força para crescer mais

O fortalecimento de pilares da operação aliado ao investimento contínuo em inovação de marcas sustenta também uma perspectiva mais favorável para 2026 diante da avaliação de que a demanda por cerveja segue presente em mercados emergentes como aqueles em que a Ambev tem maior atuação, sob os drivers de impulso demográfico e de crescimento de renda.

Neste ano, um fator de impulso relevante da demanda deve vir da Copa do Mundo de futebol, nos Estados Unidos, no México e no Canadá, em junho e julho.

“Haverá mais ocasiões que reúnem as pessoas, em momentos de celebração”, disse o executivo, citando dos horários dos jogos – o Brasil na primeira fase, por exemplo, entrará em campo duas vezes às 19h de Brasília, e uma às 22h - ao aumento do número de partidas na competição no formato inédito com 48 países.

Essas ocasiões de consumo vão se dar justamente nos meses que foram mais afetados pelo clima frio em 2025.

Outro fator não recorrente que deve funcionar como impulso é o número de feriados “emendáveis” ao longo de 2026.

O CFO da Ambev, por outro lado, reforçou que essa perspectiva favorável é apenas um componente da equação de vendas e resultado que depende de a empresa continuar a fortalecer a sua “musculatura” operacional e a sua estratégia de investimento em marcas e nas conexões com consumidores.

Leia também

Geração Z rejeita o álcool e põe em risco tradição em 1.500 cervejarias da Alemanha

Heineken chegou à liderança em puro malte no Brasil. Agora quer avançar em chope

© MASTRA

Cervejaria Águas da Serra, da Ambev, em Guarulhos (SP): queda nas marcas do segmento core foi em parte compensada pela expansão em marcas premium e de zero álcool. (Foto: Bruno Macedo/Ambev)
  •  

Assaí: créditos fiscais de até R$ 1,9 bi beneficiam a rede atacadista, dizem analistas

A possibilidade de o Assaí recuperar cerca de R$ 1,9 bilhão em créditos fiscais nos próximos dois anos tem chamado a atenção de analistas e investidores e favorecido os papéis da rede atacadista.

Nesta sexta-feira (20), o Itaú BBA elevou em 10% o preço-alvo da ação do Assaí (ASAI3), apontando um potencial de valorização de 16,2% sobre o fechamento de quinta-feira (19), de R$ 9,46, e citando a questão dos créditos fiscais do PIS/Cofins.

O banco passou o preço-alvo da ação de R$ 10 para R$ 11 e manteve a recomendação de compra. Nesta tarde (14h15), o papel era negociado a R$ 9,48, alta de 0,21% no dia, 30,2% no ano e 35,8% em 12 meses.

O tema ganhou relevância após a divulgação do resultado financeiro de 2025, em 11 de fevereiro. A rede, liderada pelo CEO Belmiro Gomes, identificou um estoque de créditos de PIS/Cofins (tributos federais cobrados sobre a receita das empresas) sobre bebidas frias. A categoria fiscal inclui refrigerantes, cervejas, águas e sucos industrializados.

Leia mais: Assaí e Mercado Livre fecham acordo para expandir vendas online de supermercado

“A companhia identificou potencial de monetização de créditos tributários de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, relacionados a PIS e Cofins no segmento de bebidas frias”, confirmou a equipe de relações com investidores do Assaí em resposta por e-mail à Bloomberg Línea.

O Itaú BBA estimou o total em R$ 1,9 bilhão: R$ 1,5 bilhão retroativos e R$ 380 milhões a serem gerados ao longo de 2026, segundo relatório dos analistas Rodrigo Gastim, Vinicius Pretto, Victor Rogatis e Kelvin Dechen.

A monetização chega em momento de pressão setorial sobre rentabilidade. Nos últimos anos, Assaí, Atacadão (do Carrefour Brasil, que fechou capital na B3 em 2025) e Grupo Mateus (GMAT3), as três maiores redes segundo o ranking da Abaas (associação nacional dos atacarejos), aceleraram a abertura de lojas, elevando a oferta de espaço e acirrando a disputa por consumidores, principalmente das classes B e C.

O Assaí projetou queda de 0,1% nas vendas das mesmas lojas em 2026. A proposta de reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais sem corte de salários, em discussão em Brasília, adiciona risco: sem mitigação, o impacto chegaria a 14% do lucro líquido de 2027, estima o Itaú BBA.

O Assaí tem 312 lojas e projeta 317 ao fim de 2026, com receita bruta de R$ 86,7 bilhões.

Origem dos créditos tributários

A origem da disputa remonta a 2015, quando o governo alterou a cobrança do PIS/Cofins sobre bebidas frias. Antes, o imposto era pago uma única vez pelo fabricante, o chamado “sistema monofásico”. Com a mudança para o modelo plurifásico, o tributo passou a aparecer discriminado na nota fiscal de compra.

O Assaí argumenta que, ao pagar esse imposto embutido no preço de cada caixa de refrigerante ou água, tem direito a resgatar esses valores. O fisco ainda não deu resposta definitiva. Por isso, o valor permanece fora do balanço até ser efetivamente recebido.

Leia mais: Em busca de ‘aterro zero’ até 2035, Assaí adota gestão de resíduos adaptada por região

Em janeiro, R$ 100 milhões já foram convertidos em caixa por meio de compensação com outros tributos federais, como imposto de renda e contribuições previdenciárias.

“A monetização ocorrerá de forma progressiva, com efeito positivo na redução do desembolso de caixa ao longo do período”, explicou a companhia à Bloomberg Línea.

A gestão projeta monetizar ao menos R$ 750 milhões adicionais até dezembro. O saldo restante rola para 2027.

Há um prazo crítico: os créditos precisam de homologação pela Receita Federal até 31 de dezembro de 2026. Sem esse aval, o direito caduca com a entrada em vigor da reforma tributária e a substituição do PIS/Cofins pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

O fato de uma parcela já ter sido aprovada e paga reduz, mas não elimina, o risco de rejeição do restante devido. A partir de 2027, o Itaú BBA projeta que a transição para a CBS pode gerar expansão de até 15 pontos-base na margem bruta consolidada, o equivalente a 6,5% do lucro líquido estimado para o ano, desde que os fornecedores não repassem as mudanças tributárias nos preços ao Assaí.

Vencimento de R$ 6,2 bi entre 2027 e 2028

A empresa tem R$ 6,2 bilhões a vencer em dívidas entre 2027 e 2028, o que dá dimensão à relevância dos créditos tributários em disputa com o fisco. Para reduzir a dívida, a rede atacadista cortou de 10 para 5 o número de inaugurações previstas em 2026.

O resultado do Assaí no quarto trimestre de 2025 reforçou a avaliação positiva entre os profissionais do sell-side. Em relatório divulgado também nesta sexta-feira, o BB Investimentos apontou ganho de participação de mercado e melhoria de margem.

“A companhia segue com uma operação sólida e boas perspectivas”, afirmaram os analistas Andréa Aznar, Viviane Silva, Melina Constantino e Fernando Cunha.

Eles observaram que a companhia avançou na redução do endividamento, e o cenário de juros elevados torna saudável a continuidade desse processo, mesmo com o início do ciclo de cortes esperado para os próximos meses.

A Sendas Distribuidora, razão social do Assaí e segunda maior rede de supermercados do Brasil em faturamento, também anunciou novas frentes de crescimento: parceria com o Mercado Livre, expansão do last-mile (entrega direta), abertura de 25 farmácias fora das lojas no segundo semestre e lançamento de produtos de marca própria.

Entre os maiores acionistas do Assaí estão a Orbis Invest, com 11,57% do capital, seguida por Dynamo, BlackRock, Conifer Management e Wishbone Management, cada uma com fatia entre 5% e 5,01%, segundo o BB Investimentos.

Leia também

Robôs vão às compras: IA transforma o e-commerce e impõe nova lógica ao varejo digital

Rede Assaí acumulou créditos tributários sobre bebidas frias desde 2015, quando o governo federal alterou o regime de cobrança do PIS/Cofins no segmento. Monetização já começou e deve somar ao menos R$ 750 milhões até dezembro
  •  

Natura vende unidade da Avon na Rússia e conclui simplificação das operações

A Natura (NATU3) informou a venda da Avon Rússia para o Grupo Arnest, em um movimento que, segundo a empresa, marca o fim do processo de simplificação corporativa iniciado há cerca de três anos e meio.

Segundo comunicado nesta quinta-feira (19), a Natura informou ter recebido 2,5 bilhões de rublos, o equivalente a aproximadamente R$ 170 milhões, de acordo com o câmbio da última terça-feira (17).

O comprador é um conglomerado industrial russo, um dos maiores do país, com atuação em embalagens aerossol e produtos de higiene pessoal. O Arnest assumiu ativos estrangeiros após o início do conflito com a Ucrânia, desde a produção de latas da Ball Corp e o parque industrial da Heineken a operações que serviam a Unilever, PepsiCo e Suntory.

Para a empresa brasileira, a operação “consolida o foco no crescimento de seu negócio na América Latina”, disse a Natura em fato relevante.

Na visão de analistas, a fabricante de cosméticos deve agora acelerar a integração das operações na Argentina e no México, relançar a Avon no Brasil e estudar o potencial de distribuir dividendos em 2026 e 2027.

Leia mais: Natura foi pioneira no uso de insumos da Amazônia. E agora vai ampliar a meta

Nos últimos anos, a Natura vendeu ativos globais, como a Aesop e a The Body Shop, em um plano de simplificação, com o objetivo de otimizar seu portfólio e aumentar a eficiência operacional, reduzindo uma aposta ambiciosa de expansão global.

A venda da Avon Rússia, aguardada por analistas, era o último passo para concluir o processo de simplificação da companhia.

Na América Latina, a marca Avon segue sob gestão da Natura e será relançada no primeiro semestre de 2026.

“Com a venda da Avon Internacional concluída, a Natura entra definitivamente em um novo capítulo”, disse João Paulo Ferreira, CEO, em nota.

O executivo acrescentou que a empresa inicia em 2026 “um novo ciclo de crescimento, inovação e diferenciação, com uma companhia mais simples, ágil e bem posicionada para impulsionar geração de valor”.

Avaliação dos analistas

Segundo os analistas Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo, do Santander, a Avon Rússia gerava entre R$ 45 milhões e R$ 71 milhões de lucro operacional (Ebitda) por ano.

Pelo preço pago, a Natura vendeu o negócio por 2,3 a 3,7 vezes esse lucro anual, um valuation considerado baixo para os padrões do setor, estimou a equipe do banco em relatório.

“Embora o valuation implícito possa parecer descontado, especialmente com as [ações] NATU3 negociadas a 5,3 vezes EV/EBITDA [indicador que compara o valor da empresa com sua geração de caixa operacional], acreditamos que o mercado tende a focar na conclusão do processo de simplificação, e não no múltiplo da transação”, escreveram os profissionais da área de research.

No final da tarde, as ações da Natura eram negociadas a R$ 9,34, pequena alta de 0,65%, acumulando desvalorização de 8% em 12 meses.

Leia mais: Natura sobe ambição de metas ESG até 2050 e quer gerar mais valor com seu negócio

“A Avon Rússia já havia sido classificada como ativo mantido para venda e, portanto, acreditamos que as expectativas de contribuição da divisão já estavam excluídas das premissas do mercado”, escreveram os analistas no relatório do Santander.

Novos pontos de atenção

Os analistas esperam que o foco dos investidores se volte para a maturação da implementação da Onda 2, como é chamado o processo de integração das operações, na Argentina e no México, o relançamento da Avon no Brasil e o potencial de dividendos em 2026 e 2027.

O relançamento da Avon está previsto para o primeiro semestre de 2026, com novo posicionamento, portfólio renovado e nova comunicação, segundo relatório da XP divulgado no dia 26 de janeiro.

O Brasil será o primeiro mercado, seguido pelo México em etapa posterior, sem demanda de capital adicional além do já investido em P&D ao longo de 2025, escreveram os analistas Danniela Eiger, Pedro Caravan e Laryssa Sumer.

A companhia já havia confirmado que a Onda 2 foi concluída no quarto trimestre de 2025, sem previsão de novos custos de transformação a partir de 2026.

A Argentina segue em estabilização, mas o México já se aproxima de operação normalizada, segundo a XP.

O novo modelo operacional corporativo, iniciado em dezembro, deve estar majoritariamente implementado no primeiro trimestre de 2026, gerando economias de despesas gerais e administrativas ao longo do ano, avaliaram os analistas.

Leia também

A perfumaria árabe veio para ficar. O Boticário decidiu fazer seu maior investimento

© Natura

Escritório da Natura: na América Latina, a marca Avon segue sob gestão da Natura e será relançada no primeiro semestre de 2026. (Foto: Natura)
  •  

Dasa faz o seu maior investimento em equipamentos de olho em próximo salto de expansão

A Dasa começou a executar o que descreve como o seu maior investimento já realizado, para a renovação e a modernização de 18 Núcleos Técnico-Operacionais (NTOs) espalhados pelo país, em informação antecipada à Bloomberg Línea.

O investimento - de valor ainda não revelado - demandou o que é considerada uma das maiores concorrências do setor nos últimos anos e resultou na escolha de empresas globais como Roche, Abbott, Beckman Coulter, Mindray, Stago e QuidelOrtho como fornecedoras de equipamentos e tecnologia em contratos de longo prazo.

Ao mesmo tempo, reflete o novo momento da companhia controlada pela família Bueno e liderada pelo CEO, Rafael Lucchesi, com foco em medicina diagnóstica e a volta de uma agenda de crescimento, após anos em que um plano para conter e reduzir o endividamento e a alavancagem predominou na pauta.

Esse indicador estava em 2,62x o Ebitda dos últimos doze meses, em trajetória “consistente de desalavancagem” no terceiro trimestre, dado mais recente. Os números do quarto trimestre, que devem trazer também os valores do investimento, serão apresentados ao mercado no fim de março.

“Nunca havíamos feito um investimento desse tamanho antes. A decisão de realizar agora é porque encontramos um momento estratégico adequado, com uma condição de mercado que nos colocou em uma posição muito vantajosa em termos comerciais”, disse Leonardo Vedolin, vice-presidente Médico e Produção da Dasa, em entrevista à Bloomberg Línea.

“A expectativa é gerar valor no futuro, por pelo menos sete anos a dez anos em um nível muito elevado”, disse o executivo, citando tanto a frente de ganho de escala como de inovação.

Leia mais: Dasa acelera expansão com agenda que vai de produtividade a novos produtos, diz CEO

O investimento envolve a renovação do equivalente a 70% do chamado core lab da Dasa, que realiza mais de 450 milhões de exames por ano, em processo iniciado em dezembro de 2024 com o alinhamento técnico de fornecedores e que durou seis meses.

O plano prevê a modernização de NTOs já existentes e o lançamento de outros em praças consideradas estratégicas, com a execução do plano ao longo de doze meses, até o fim deste ano de 2026.

“Vamos abrir um novo NTO em Brasília e temos planos de inaugurar neste ano em Belo Horizonte e expansão em Salvador, sem contar São Paulo e Rio, que são nossos carros-chefe. Ou seja, cinco grandes praças”, disse Vedolin.

Houve mudanças também em NTOs em outras localidades consideradas importantes, como Cascavel (Paraná) e Florianópólis (Santa Catarina).

Leonardo Vedolin, Vice-Presidente Médico e Produção da Dasa: investimentos envolvem parcerias de longo prazo com empresas como a Roche (Foto: Divulgação)

“Parte do processo que envolveu a equipe técnica foi entender a visão da companhia pelos próximos dez anos e entender quais os seus planos de médio e longo prazo”, disse o VP Médico e Produção.

Segundo Vedolin, “a grande entrega de valor é a capacidade de processamento por tempo”, com ganho de precisão e redução de horas para os resultados. “A tecnologia está avançando muito rapidamente no nosso setor.”

Isso se traduz de modo mais amplo na combinação de busca por eficiência e qualidade, com geração de valor e economia de escala para a Dasa.

A decisão pelo investimento foi tomada diante de quatro conjuntos de fatores, segundo a liderança executiva da companhia.

“Há uma dinâmica de mercado do pós-pandemia diferente da que havia no passado, com incertezas e instabilidades que antes não existiam na cadeia de suprimentos global”, disse o executivo. “Temos que mitigar esses riscos.”

Leia mais: Fleury dobra investimento em tecnologia e resultados já são visíveis, diz CEO

O executivo apontou também fatores que classificou como de ordem “externa” ao setor, como juros mais altos e patamares mais elevados de inflação, que afetam desde indústrias que fornecem substâncias como reagentes aos prestadores de serviços médicos.

Há também o fator que envolve o advento de novas tecnologias que são incorporadas: “nós, como líderes de mercado, temos que oferecer o que há de mais inovador e de vanguarda para que possamos nos manter nessa condição”.

“Saber que iremos incorporar novas tecnologias, muitas das quais ainda não foram aprovadas ou descobertas, nos dá a certeza de que estaremos bem posicionados para esse futuro mais distante”, disse o VP Médico da Dasa.

Essas inovações, por sua vez, se concentram em três áreas estratégicas: oncologia, cardiologia e neurologia, que estão crescendo em ritmo muito acelerado.

“Há vários novos testes diagnósticos, como para tipos de câncer ou doenças metabólicas, que vão ajudar os médicos e os pacientes a terem as informações corretas mais rapidamente”, disse o executivo médico.

Vedolin, por outro lado, esclareceu que “não há uma nova tecnologia disruptiva que leve a uma grande transformação”.

Por fim, o quarto fator se relaciona com a própria estratégia mais recente da Dasa de priorizar a medicina diagnóstica como principal negócio, em particular depois do movimento concluído entre 2024 e 2025 de segregar o business de hospitais na Rede América, por meio de joint venture com a Amil.

Leia mais: Dasa reforça foco no ‘lab to lab’ em expansão em diagnósticos, diz executivo

Essa estratégia é executada por meio de canais que vão do B2C ao B2B, com atendimento a hospitais e a outros laboratórios, em frente denominada Álvaro Apoio que ganhou força dentro da companhia no ano passado, como contou a Bloomberg Línea em reportagem em setembro passado.

“São canais que nos aproximam de clientes que estão muito distantes dos grandes centros. Contar com uma capilaridade com níveis de serviço muito altos, por meio de movimentos de descentralização - produzir mais próximo do cliente -, faz muito sentido estratégico”, completou o médico e executivo.

No fim do dia, segundo o VP Médico, o investimento está alinhado com uma cultura já disseminada de busca de eficiência e de busca por inovação, que tem se refletido nos resultados da companhia sob a liderança do CEO.

Nos nove primeiros meses de 2025, o Ebitda consolidado chegou a R$ 2,137 bilhões, com aumento de 6,4 pontos percentuais na margem na base anual, para 24,0%. A geração de caixa operacional quase dobrou, para R$ 482 milhões.

As ações da Dasa (DASA3) negociadas na B3 subiram cerca de 135% nos últimos doze meses, o que atribui um valor de mercado de R$ 5,15 bilhões.

Novo contrato com a Roche

Vedolin contou que a empresa decidiu reduzir o número de parceiros fornecedores para buscar contratos de prazo mais longo.

“Tomamos essa decisão por acreditar que essa dinâmica de mercado com mais incertezas e menos previsibilidade vai continuar. Isso significa que é importante contar com players globais que tenham resiliência operacional.”

“Se o risco geopolítico afeta uma fábrica na Ásia, por exemplo, a empresa não pode ficar com falta de reagente. Preciso de players com capacidade de produção em diferentes partes do mundo”, disse o executivo citando um caso hipotético.

Outro fator levado em conta foi a capacidade de inovação, o que se traduz no fornecimento de equipamentos com novas tecnologias ao longo da parceria.

A principal empresa selecionada para a renovação dos equipamentos dos NTOs foi a Roche Diagnóstica, em contrato com duração de sete anos, que vai estender uma parceria iniciada em 2007.

“A parceria representa um marco histórico não apenas para o Brasil mas também para a Roche, sendo uma das maiores concorrências das quais a companhia já participou em todo mundo e a maior na América Latina”, afirmou Carlos Martins, CEO da Roche Diagnóstica no Brasil, em comunicado.

“A entrega para a Dasa vai muito além de equipamentos: estamos implementando um ecossistema de altíssima eficiência e inteligência laboratorial”, disse o executivo.

Leia também

Sabin avança com tecnologia e estratégia regional. ‘Há muita oportunidade’, diz CEO

Na Alliança Saúde, de Tanure, expansão passa por diferentes avenidas, diz novo CEO

Núcleo Técnico-Operacional da Dasa: investimento sem precedente para modernização de parque com 18 unidades em todo o país (Foto: Divulgação)
  •  

Banco do Brasil prevê ‘freio′ no crédito para o agro para elevar rentabilidade em 2026

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, definiu o ano de 2025 como o mais desafiador entre os seus 26 de carreira na instituição. O principal obstáculo foi o agronegócio, que segue com a inadimplência elevada e vem pressionando os resultados do banco desde o início do ano passado.

O Banco do Brasil (BBAS3) é o maior financiador do agro do Brasil, com um terço da carteira de crédito voltado para o segmento – um montante de R$ 406 bilhões. Para 2026, o banco vai reduzir o apetite no agro, com perspectiva de crescimento zero da carteira no ponto médio do guidance (projeção), que vai de -2,0% a +2,0%.

A expectativa da CEO é que o freio no crédito ajude o BB a arrumar a casa e entregar avanço em duas das linhas mais observadas pelos investidores: lucro líquido e rentabilidade.

“2025 foi um ano desafiador que apresentou queda depois do maior resultado do BB. Foi um ano que tivemos comportamento atípico no agronegócio”, afirmou Medeiros a jornalistas nesta quinta-feira (12), um dia após a divulgação dos resultados.

Leia também: BB tem lucro acima do esperado no 4º tri e adota projeção ‘conservadora’ no crédito

O lucro líquido acumulado do BB no ano foi de R$ 20,68 bilhões, queda de 45,4% frente ao recorde apurado em 2024. Para 2026, o banco projeta alta de 15% na última linha do balanço, considerando o ponto médio da projeção para o ano – um saldo de R$ 24 bilhões.

Já o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), principal indicador de rentabilidade do banco, ficou em 11,4% no acumulado de 2025 – bem abaixo dos 21,4% do ano anterior. Na mínima do ano, o ROE chegou a cair para o patamar de 8,4% no segundo e no terceiro trimestre.

Executiva  definiu o ano de 2025 como o mais desafiador entre os seus 26 de carreira na instituição

O BB havia adiantado que o primeiro passo era retomar um ROE de dois dígitos – meta que foi alcançada no quarto trimestre. O próximo movimento é avançar para a faixa intermediária, entre 14% e 16%, antes de buscar a retomada do patamar de 20% que costumava ser o padrão.

“Este ano podemos começar a mirar os ‘mid teens’ [patamar entre 14% 16%]. Isso vai depender de quão rápido se recuperam os agricultores, da nossa eficiência na cobrança, do estancamento das recuperações judiciais”, afirmou Geovanne Tobias, CFO do Banco do Brasil, na mesma conversa.

O banco conta ainda com a ajuda da Medida Provisória 1.314, que autorizou o lançamento de uma linha de R$ 12 bilhões para ajudar os produtores rurais a renegociarem suas dívidas.

“Com a MP, esperamos o arrefecimento desses volumes, sejam financeiros ou de clientes entrando em RJ”, afirmou Felipe Prince, CRO do BB.

A postura mais conservadora do BB foi inicialmente bem recebida no mercado. As ações chegaram a subir até 7% logo início da sessão, mas perderam força ao longo do dia e operavam com ganhos de 2,65% por volta das 14h.

Leia também: Mercado pede retomada mais rápida do Bradesco. ‘Não vamos mudar o plano’, diz CEO

Do agro à pessoa física

O agronegócio já foi fortaleza do Banco do Brasil no pós-pandemia. Enquanto outros grands bancos eram prejudicados pela alta inadimplência, o BB teve dois anos de resultados recordes, em 2023 e 2024, alcançando até R$ 9,6 bilhões de lucro.

O cenário mudou em 2025 por uma combinação desafiadora de safras e um aumento expressivo nas recuperações judiciais do setor nos últimos dois anos.

O saldo de clientes em RJ passou de 176 ao final de 2022, para 608 em dezembro de 2024 e 980 no último mês do ano passado. O saldo total em RJ subiu de R$ 400 milhões para R$ 7,1 bilhões no mesmo período.

Enquanto mira uma atuação mais firme junto aos inadimplentes – inclusive com medidas judiciais –, o BB anunciou, ainda em 2025, a meta de crescer na pessoa física para deixar o portfólio menos suscetível ao momento do agro.

O banco reforçou a mensagem ao apresentar o guidance para 2026. Enquanto outras linhas podem apresentar encolhimento, a de pessoa física é a maior aposta do banco, com crescimento previsto entre entre 6,0% e 10,0%.

Medeiros afirmou que a prioridade é crescer em linhas mais conservadoras como crédito consignado público e privado – o BB é líder no segmento público e quer buscar 20% de participação de mercado no privado.

“No crédito não consignado, onde já tivemos no passado algumas questões, vamos focar em públicos estratégicos: um cliente que já está conosco há muito tempo e sabemos histórico de inadimplências. E também em linhas com garantias de imóveis, saldo de previdência”, disse.

O BB também renovou o apetite para a alta renda, considerado um segmento prioritário entre os bancos que querem crescer na PF sem comprometer a inadimplência.

O CFO anunciou durante a coletiva que o BB terá sua primeira sala VIP em Guarulhos, seguindo o exemplo dos principais concorrentes que já possuem espaços no aeroporto para alta renda.

O objetivo anunciado ainda em 2024 é crescer em 25% dentro da própria base nesse segmento.

Leia também

Itaú retorna 23% ao ano ao acionista em cinco anos. E é sustentável, diz CEO

© Lucas Landau

Agência do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro: instituição é a maior financiadora do agro do Brasil. (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)
  •  

Lenovo quer descolar do mercado no Brasil

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Lenovo planeja crescer no Brasil neste ano de 2026 mesmo diante de um cenário adverso para o mercado de PCs, com uma aposta na demanda corporativa por equipamentos com inteligência artificial embarcada e na expansão de serviços.

“A expectativa é que o mercado como um todo fique estável. Nós queremos crescer mais que o mercado”, disse Ricardo Bloj, Country Manager para o Brasil da Lenovo, à Bloomberg Línea, sem abrir metas específicas.

Em 2025, a fabricante chinesa registrou expansão de 14,5% nas vendas globais, na liderança com 24,9% do mercado de computadores, incluindo desktops, notebooks e workstations, seguida por HP e Dell, segundo dados do IDC.

A estratégia da Lenovo para 2026 para o Brasil e para a América Latina como um todo está centrada em três pilares: equipamentos corporativos com IA, expansão de serviços avançados e o lançamento global da Qira, assistente pessoal baseado em IA que integra diferentes dispositivos da marca e que chegará ao país.

⇒ Leia a reportagem: Para descolar do mercado, Lenovo aposta em foco em IA, empresas e serviços no Brasil

Ricardo Bloj, Country Manager da Lenovo para o Brasil: plano para crescer em 2026 acima da média do mercado

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA operam em alta nesta quarta-feira (11), enquanto investidores aguardam os dados do payroll de janeiro, que podem reforçar as expectativas de novos cortes de juros pelo Fed.

- Cortes na Heineken.A companhia anunciou que vai demitir de 5 mil a 6 mil trabalhadores, cerca de 7% de sua força global, diante da queda na demanda por cerveja em meio a preços mais altos e consumo mais moderado. Os cortes ocorrem em meio à transição de liderança, com a saída do CEO Dolf van den Brink.

- Raízen sob escrutínio de credores.Investidores com títulos da produtora brasileira de açúcar e etanol formaram um comitê de credores e contrataram assessoria jurídica, segundo disseram fontes àBloomberg News. Nos últimos dias, a empresa sofreu rebaixamentos que a derrubaram do grau de investimento.

- Emissão de bonds da Disney.A gigante do entretenimento captou US$ 4 bilhões em sua primeira emissão de títulos desde 2020. Os recursos devem reforçar a liquidez, pagar dívidas que vencem este ano e apoiar investimentos estratégicos, incluindo um plano de US$ 60 bilhões para a divisão de parques e cruzeiros.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (10/02): Dow Jones Industrials (+0,10%), S&P 500 (-0,33%), Nasdaq Composite (-0,59%), Stoxx 600 (-0,07%), Ibovespa (-0,17%)

LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Venda de títulos de Raízen eCSN reacende temor sobre dívida corporativa no país

Com dólar fraco, Suzano planeja manter produção abaixo da capacidade em 2026, diz CEO

‘Não muda a rota’, diz head da DSM-Firmenich após venda de divisão de saúde animal

• Também é importante: Alphabet planeja vender raro título com vencimento em 100 anos para financiar IA | Líder de mercado, Alelo sofre revés judicial em disputa sobre benefícios corporativos

• Opinião Bloomberg: Se ignorar custos de desastres naturais, Fed de Kevin Warsh vai negligenciar inflação

• Para não ficar de fora: Ouro pode atingir US$ 6.000 a onça no fim do ano diante de demanda, diz BNP

Essa foi uma amostra de Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea com as notícias de destaque no Brasil e no mundo.

Para receber a íntegra da newsletter na sua caixa de email, registre-se gratuitamente no nosso site.

Por hoje é só. Bom dia!

Obrigado por ler nossa newsletter matinal.

Equipe Breakfast: Marcelo Sakate (Editor-chefe, Brasil), Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

  •  

Para descolar do mercado, Lenovo aposta em IA, empresas e serviços no Brasil

A Lenovo planeja crescer no Brasil neste ano de 2026 mesmo diante de um cenário de estabilidade para o mercado de PCs, com uma aposta na demanda corporativa por equipamentos com inteligência artificial embarcada e na expansão de serviços.

“A expectativa é que o mercado como um todo fique estável. Nós queremos crescer mais que o mercado”, disse Ricardo Bloj, Country Manager para o Brasil da Lenovo, à Bloomberg Línea, sem abrir metas específicas de crescimento.

Em 2025, a fabricante chinesa registrou crescimento de 14,5% nas vendas globais, mantendo a liderança com 24,9% do mercado de computadores, incluindo desktops, notebooks e workstations, seguida pela HP e pela Dell, segundo dados do IDC.

A estratégia da Lenovo para 2026 para o Brasil e para a América Latina como um todo está centrada em três pilares: equipamentos corporativos com IA, expansão de serviços avançados e o lançamento global da Qira, assistente pessoal baseado em IA que integra diferentes dispositivos da marca, que chegará neste ano.

Leia mais: Anthropic alcança seu ‘momento ChatGPT’ com IA que executa tarefas no computador

Para impulsionar as ofertas, a companhia aposta na visibilidade de grandes eventos como a Copa do Mundo de futebol masculino, da qual é uma das patrocinadoras. O evento terá, pela primeira vez na história, três sedes: Estados Unidos, Canadá e México.

Corporativo impulsiona demanda

A demanda por equipamentos com IA no Brasil está sendo impulsionada pelo setor corporativo, em especial por grandes empresas privadas.

Uma pesquisa da IDC com 250 CIOs (Chief Information Officer) brasileiros mostrou que mais de 60% estão em fase de implementação de IA, sendo 54% com alguma solução de IA generativa.

“Cada vez mais as empresas estão implementando, começando com finanças, RH e supply chain. Isso, por si só, acaba gerando uma demanda crescente de equipamentos”, disse o executivo, que está no comando da operação no Brasil desde 2017, em entrevista durante a CES em Las Vegas em janeiro.

Leia mais: Apple prepara notebook ‘low cost’ para desafiar modelos com Windows e ChromeOS

A Lenovo lidera globalmente o mercado de PCs com IA embarcada e fechou o período encerrado em setembro passado, segundo trimestre do ano fiscal, com participação de mercado superior a 30%.

A companhia projeta que até o fim de 2027 cerca de 80% dos equipamentos vendidos já terão IA embarcada — máquinas capazes de rodar acima de 40 TOPS (trilhões de operações por segundo).

No Brasil, a Lenovo registrou participação de quase 27% nas vendas da Black Friday no segmento para o consumidor final, segundo dados da GfK, com manutenção da liderança, com a Asus na segunda posição.

Um desafio para a operação brasileira e também na América Latina é a comercialização de notebooks com IA para os usuários finais.

De acordo com executivos, o preço mais elevado tem feito com que a demanda avance mais lentamente do que em outras regiões.

A elevação dos preços dos notebooks, prevista para algo em torno de 10% neste ano devido à escassez de memória RAM e maior demanda por componentes, é um fator que deve desestimular a aceleração das vendas.

Leia mais: De Dell à HP: empresas alertam para escassez de chips em 2026 com avanço da IA

Segundo Gaspar Fernandez-Conc, Vice-Presidente e General Manager para a América Latina, a expansão da base de clientes depende também de a empresa conseguir comunicar melhor o valor dos equipamentos com IA.

“Está do nosso lado, da Lenovo, explicar a tecnologia para que as pessoas entendam o que estamos oferecendo e como esse produto pode ajudá-las a ser mais produtivas e eficientes”, disse o executivo à Bloomberg Línea também durante a CES.

O VP disse estimar um crescimento entre 5% e 10% para a operação da companhia em LatAm.

“Em nível mundial dizem que vamos estar flat [estável], mas nós, na América Latina, nunca ficamos estáveis. Sempre estamos crescendo entre 5% e 10% todos os anos”, afirmou o executivo.

Nem tudo é PC

A área de serviços tem ganhado importância crescente na estratégia da Lenovo.

No resultado do segundo trimestre da companhia globalmente, a divisão alcançou US$ 2,6 bilhões em receita, uma alta de 18% em comparação com o mesmo período do ano anterior — a receita da Lenovo ficou em US$ 20,5 bilhões.

Globalmente, tudo que não é PC — incluindo infraestrutura, servidores, smartphones, tablets e serviços — já representa entre 47% e 49% da receita total.

No Brasil, a participação de não-PCs é ainda maior e ultrapassa a marca de 50% quando somados smartphones, servidores e serviços.

Isso se deve principalmente ao peso relevante dos smartphones na América Latina, região em que a Motorola tem presença significativa.

A Lenovo tem expandido os serviços avançados para além da garantia estendida tradicional, com uma oferta de gestão de parques de TI, help desk terceirizado e modelos de pagamento por uso — como o True Scale para servidores, em que clientes pagam pelo consumo de processamento e energia.

“Imagine isso para GPU, todo mundo está precisando de GPU”, disse Bloj.

Leia mais: Com Qira AI, Lenovo planeja ‘IA pessoal’ para cada usuário de seus aparelhos

Em linha com o boom de IA, a gigante chinesa aposta no segmento de consultoria para implementação de IA, com uma metodologia para auxiliar clientes na jornada de adoção da tecnologia.

E ainda quer levar para os clientes as soluções de supply chain que usa internamente, baseadas em IA e consideradas pelo Gartner como uma das oito melhores do mundo em eficiência operacional.

Qira: assistente de IA

Um dos principais lançamentos anunciados pela Lenovo foi a Qira, assistente pessoal de IA que integra notebooks, smartphones, tablets e outros dispositivos da marca. Diferentemente de chatbots tradicionais, a Qira foi desenvolvida para aumentar a produtividade a partir da integração entre aparelhos.

“Eu fico o dia inteiro com meu telefone na mão, meu tablet, notebook, recebo um e-mail no notebook, outra mensagem no smartphone. No final do dia, eu faço o comando de catch-up para ver o que aconteceu e ele me traz todo o resumo de uma maneira bem intuitiva e produtiva”, citou o executivo.

O executivo disse que a estratégia não é monetizar a Qira por meio de licenças mas agregar valor ao ecossistema de produtos Lenovo, em linha com o conceito “Smarter AI for All” (IA Inteligente para Todos). O serviço deve chegar ao Brasil entre três e seis meses após o lançamento global.

Leia também

O plano da Motorola para desafiar Apple e Samsung: ‘é um caminho natural’, diz CEO

© wanezza

Ricardo Bloj, Country Manager da Lenovo para o Brasil: plano de crescer acima da média do mercado brasileiro de PCs em 2026
  •  

PMEs na mira de Benchimol, Street e Vélez

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Três dos maiores nomes do empreendedorismo no Brasil nas últimas décadas — Guilherme Benchimol (XP), André Street (Stone) e David Vélez (Nubank) — decidiram se unir em um novo projeto: destravar o crescimento de pequenas e médias empresas que já sobreviveram à fase inicial, mas estagnaram.

O resultado dessa união é o Instituto B55, apresentado nesta terça-feira (10), com lançamento do primeiro produto em 5 de março.

“O Brasil é o segundo país do mundo em potencial empreendedor, mas 70% das empresas estão estagnadas. Elas não crescem, andam de lado e, eventualmente, fecham as portas”, disse Cristhiano Faé, CEO do B55, à Bloomberg Línea.

Faé definiu o B55 como um ecossistema focado em “execução bem feita”. A “força gravitacional” do B55 não está apenas no conteúdo dos cursos mas também no poder de conexões e agendas de contatos - entre os nomes confirmados para dar aulas e mentorias estão Jorge Paulo Lemann, David Feffer, Fabricio Bloisi, Mariano Gomide e Pedro Franceschi e Henrique Dubugras.

“Nós temos uma complementaridade muito forte de trazer conhecimento aplicado, método e, talvez, o ingrediente principal desse processo, que é o que sempre falamos aqui: uma conversa às vezes muda o jogo”, disse Faé.

⇒ Leia a reportagem: Benchimol, Street e Vélez se unem para destravar crescimento de PMEs brasileiras

Guilherme Benchimol (XP), André Street (Stone) e David Vélez (Nubank), com Cristhiano Faé, lançam instituto para apoiar o crescimento de PMEs

No radar dos mercados

Os futuros de ações dos EUA operam em leve alta nesta terça-feira (10), à medida que os investidores aguardam a divulgação de dados da economia americana ao longo da semana, com início pelas vendas no varejo.

- Montadoras tentam reaver tarifas. A BYD entrou com uma ação nos EUA para reaver tarifas de importação pagas durante o governo Donald Trump. O caso se soma a mais de mil empresas que buscam reembolso enquanto a Suprema Corte americana ainda decide sobre a legalidade das taxas.

- Vendas da Gucci superam estimativas. As vendas da marca caíram 10% no quarto trimestre, menos do que o esperado por analistas, enquanto o lucro operacional da marca superou as estimativas. O desempenho deu impulso às ações da Kering, que chegaram a subir 14% nesta manhã em Paris.

- Ativos da Raízen na mira da Mercuria. A multinacional suíça está perto de comprar uma refinaria e centenas de postos de combustível da companhia brasileira na Argentina, em um negócio que pode ser avaliado em mais de US$ 1 bilhão, segundo disseram fontes à Bloomberg News.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (09/02): Dow Jones Industrials (+0,04%), S&P 500 (+0,42%), Nasdaq Composite (+0,90%), Stoxx 600 (+0,69%), Ibovespa (+1,80%)

LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Raízen perde grau de investimento e contrata Alvarez & Marsal como assessor financeiro

Daycoval acelera captação de clientes para corretora de olho em diversificação

Apelo de Warsh por acordo Fed-Tesouro abala mercado de títulos dos EUA

• Também é importante: BTG Pactual consolida crédito corporativo como motor de expansão em ano de recordes | Negócio de US$ 5,8 bilhões cria a maior empresa de plataformas de petróleo do mundo

• Opinião Bloomberg: Mentalidade de rebanho? Como novos modelos de IA generativa afetam mercado financeiro

• Para não ficar de fora: De Marte à Lua: Musk muda foco da SpaceX para acelerar planos de exploração espacial

Essa foi uma amostra de Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea com as notícias de destaque no Brasil e no mundo.

Para receber a íntegra da newsletter na sua caixa de email, registre-se gratuitamente no nosso site.

Por hoje é só. Bom dia!

Obrigado por ler nossa newsletter matinal.

Equipe Breakfast: Marcelo Sakate (Editor-chefe, Brasil), Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

  •  

Benchimol, Street e Vélez se unem para destravar crescimento de PMEs brasileiras

Três dos maiores nomes do empreendedorismo no Brasil nas últimas décadas — Guilherme Benchimol (XP), André Street (Stone) e David Vélez (Nubank) — decidiram se unir em um novo projeto: destravar o crescimento de pequenas e médias empresas que já sobreviveram à fase inicial, mas estagnaram.

O resultado dessa união é o Instituto B55, apresentado nesta terça-feira (10), com lançamento do primeiro produto em 5 de março. A operação começa a funcionar efetivamente com os primeiros alunos e empreendedores em abril.

A iniciativa, sem fins lucrativos, parte do diagnóstico de que o Brasil é um celeiro de empreendedores, mas isso se transforma em riqueza para o país muito aquém de seu potencial.

Leia mais: Como um grupo de doadores bilionários se uniu para criar o ‘MIT do Brasil’

Uma das principais causas está na falta de condições mais propícias mas também de conhecimento apropriado para o próximo passo, que permita que pequenos negócios cresçam com ganho de escala.

O nome do instituto foi escolhido para ressaltar as ambições dos empreendedores: B55 busca transmitir uma ideia de internacionalização - o B carrega o princípio de “base”, enquanto o “55” faz referência ao código internacional do Brasil.

“O Brasil é o segundo país do mundo em potencial empreendedor, mas 70% das empresas estão estagnadas. Elas não crescem, andam de lado e, eventualmente, fecham as portas”, afirmou Cristhiano Faé, CEO do B55, em entrevista à Bloomberg Línea.

Fundador de startups como a Accera, adquirida pela Neogrid em 2018, e empreendedor da Endeavor, Faé forma o quarteto fundador do instituto e lidera a execução do projeto.

Faé definiu o B55 não como uma instituição de ensino mas como um ecossistema focado em ter ritmo e “execução bem feita”.

A “força gravitacional” do B55 não está apenas no conteúdo dos cursos mas também no poder de conexões e agendas de contatos.

Além dos três fundadores, que fundaram ou lideram alguns das maiores plataformas de negócios do país, o instituto nasceu com um time de mais de 20 “embaixadores” que funcionaria como um “quem é quem” do PIB nacional.

De Lemann e Bloisi a Franceschi e Dubugras

Entre os nomes confirmados para dar mentorias e aulas estão Jorge Paulo Lemann (3G Capital), David Feffer (Suzano), Fabricio Bloisi (Prosus), Mariano Gomide (VTEX) e Pedro Franceschi e Henrique Dubugras (Brex).

“Nós temos uma complementaridade muito forte de trazer conhecimento aplicado, método e, talvez, o ingrediente principal desse processo, que é o que sempre falamos aqui: uma conversa às vezes muda o jogo”, disse Faé.

“Aqui, a conversa é uma mentoria transmitida por um empreendedor que, de fato, já fez algo relevante”, completou.

Leia mais: Digitalizar pequenas empresas é uma grande oportunidade, diz CEO da Mastercard LatAm

A proposta é não depender da teoria acadêmica e evitar o “ruído dos gurus de marketing digital”, oferecendo acesso direto a quem construiu impérios de negócios e passou por dificuldades ao longo de suas respectivas trajetórias.

Os próprios co-fundadores do instituto prometem estar envolvidos nas dinâmicas, com participação em mentorias, aulas e definição estratégias.

Como funciona

Diferentemente de aceleradoras com foco em startups early stage ou do trabalho massivo de base do Sebrae, o B55 mira o que descreve como um “vácuo” no ambiente de negócios: o empreendedor da economia real.

Esse perfil vai, por exemplo, do fundador ou fundadora de uma transportadora ao de uma rede de clínicas, que já superou a fase de sobrevivência - a “rebentação”, no jargão do mercado - já fatura milhões de reais, mas não consegue ganhar escala para alcançar o que seria o próximo nível do seu negócio.

“Nós entendemos que existe uma oportunidade maior neste momento, que é uma dor mais latente: a pequena e média empresa que já está em operação, mas com dificuldade de crescimento”, disse Faé.

Leia mais: De gerar vendas a controle de custos: os maiores desafios das PMEs na América Latina

Embora o instituto procure também atender o setor de tecnologia, abraçar a chamada “economia tradicional”, muitas vezes negligenciada pelo ecossistema de inovação, é dos pilares centrais para o projeto.

O Instituto B55 foi estruturado ao longo dos últimos seis meses e chega ao mercado desenhado com quatro frentes: educação, com cursos de curta duração e imersões para negócios em diferentes estágios; aceleração, incluindo apoio com capital e programas intensivos para empresas com alto potencial; e comunidade, com mentorias e conexões entre jovens empreendedores e aqueles que alcançaram o sucesso e conhecem as dificuldades que surgem no caminho.

O último elemento é a construção de um hub físico, espaço que ainda está em fase de análise. Segundo Faé, há conversas em andamento com algumas cidades com potencial para receber um campus. Por ora, a operação começa com um escritório em São Paulo e um time de umas dez pessoas.

Apesar de se tratar de uma iniciativa sem fins lucrativos, o B55 nasce com mentalidade de startup e meta de autossuficiência financeira.

Leia mais: Fintech com IA para PME atrai Patria em captação de equity e dívida de R$ 500 mi

O capital inicial (de valor não revelado, mas na casa dos “milhões”) foi doado por Benchimol, Street e Vélez para o pontapé inicial, mas o plano é que o instituto já consiga fechar o primeiro ano “no azul”.

“Nós temos sido muito disciplinados em tocar esse negócio realmente como uma empresa de alto nível, com muita organização, método e processo. E acredito que o segredo é entender que nós temos na mão, sim, um ativo maravilhoso, mas tem que ser bem executado”, disse Faé.

Para o executivo e empreendedor, o sucesso do instituto não será medido pelo seu faturamento mas pela capacidade de criar os próximos cases de sucesso do país.

“Quantas histórias de impacto nós iremos ajudar a formar? Queremos ver empresas que passaram por aqui abrindo capital no Brasil ou lá fora no futuro”, projetou.

Leia também

Inteli cria hub para empreendedores e mira 40 startups em turma inicial de formandos

Loggi monta malha para PMEs, ganha escala e vai além da geração de caixa, diz CEO

Mais IA, mais concorrência: os desafios de empreendedores na América Latina em 2026

©

Guilherme Benchimol (XP), André Street (Stone) e David Vélez (Nubank), com Cristhiano Faé, lançam instituto para auxiliar no crescimento de pequenas e médias empresas no país (Foto: Divulgação)
  •  

Daycoval acelera captação de clientes para corretora de olho em diversificação

O Banco Daycoval, conhecido principalmente por sua frente de crédito empresarial, deu seu mais recente passo de diversificação de negócios há pouco mais de um ano, com o lançamento de uma corretora.

O primeiro ano de operação foi marcado por resgates em fundos e volumes fracos de negociação, um reflexo de uma dinâmica mais ampla de mercado diante de taxas de juros que seguem elevadas desde 2022.

“Foi um ano difícil e ainda não alcançamos o volume de negociação que seria ideal. Mas tivemos um resultado que consideramos positivo na adesão e na prospecção de clientes: estamos com 20 gestoras e pretendemos alcançar pelo menos 30 em 2026”, disse Marcos Alexandre Lyra, diretor da Daycoval Corretora de Valores, em entrevista à Bloomberg Línea.

Além de aumento do número de gestoras atendidas, o Daycoval pretende abrir relacionamento com quatro a cinco bancos este ano – atualmente a corretora não possui nenhuma instituição financeira como cliente na frente de negociação.

Leia também: Com R$ 1 trilhão sob gestão, Itaú Private vê tamanho como vantagem competitiva

O Daycoval recebeu aprovação do Banco Central para abrir a corretora ainda em 2023, e o lançamento oficial ocorreu em outubro do ano seguinte.

Lyra considera 2025 o primeiro ano de real operação da casa, que começou com foco em clientes do próprio banco.

“Captamos 10% dessa sinergia interna. Isso significa que ainda tem muito espaço para crescer. Além disso, tivemos uma surpresa positiva com demanda também de clientes externos, que podem usar a corretora como uma nova porta de entrada para o banco”, disse o executivo.

Atualmente, 70% da receita da corretora vem de clientes institucionais, e 30%, de pessoas físicas. A meta para 2026 é equilibrar esse mix em 50% para cada segmento.

“Acredito que a queda da taxa de juros será um grande gatilho para a chegada de novos clientes que querem operar no mercado acionário”, disse o executivo em referência à expectativa consensual do mercado para a Selic.

Montagem de equipes e estrutura

De olho no crescimento, o Daycoval montou uma estrutura com mesas especializadas em mercado listado, mercados futuros, títulos e aluguéis de ações – esta última como porta de entrada principal de novos clientes para a corretora.

Nos próximos meses, a empresa deve reforçar a equipe comercial e busca profissionais especializados em produtos estruturados.

Leia mais: BTG Pactual consolida crédito corporativo como motor de expansão em ano de recordes

A expectativa é atingir de 50% a 60% de penetração na base de clientes do Daycoval ainda neste ano.

A médio prazo, Lyra estima que a frente deve responder por uma fatia entre 7% e 8% do resultado consolidado do banco, que hoje gira em torno de R$ 1,3 bilhão.

A corretora marcou o retorno do Daycoval às atividades de trading, que representaram sua porta de entrada no mercado financeiro brasileiro.

O Banco Daycoval foi fundado pela família Dayan, com raízes na casa bancária criada pelo patriarca Selim Dayan, no Líbano.

No Brasil, a instituição teve início em 1968 com a Daycoval Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, sob o comando do empresário Alberto Dayan. Em 1970, ele criou com seu irmão, Sasson, a Valco Corretoras de Valores Mobiliários.

Já no final dos anos 1980, o negócio bancário da família Dayan recebeu autorização para se tornar um banco múltiplo com foco em crédito.

Sasson é atualmente presidente do conselho de administração, e seus filhos Carlos Moche Dayan e Salim Dayan são diretores-executivos do banco, ao lado do primo Morris Dayan.

Leia também

Stuhlberger vê queda adicional do dólar com Trump e estima preço justo em R$ 4,40

‘Don’t fight the flow’: CEO da Alpha Key vê desafio de valuation com rali na bolsa

©

Sede do Daycoval na avenida Paulista, em São Paulo: corretora marca o retorno do grupo às atividades de negociação de ativos no mercado de capitais
  •  

BTG Pactual consolida crédito corporativo como motor de expansão em ano de recordes

Em um ano de ambiente adverso com juros em patamares elevados pelo quarto exercício consecutivo e de maior risco na concessão de crédito corporativo, o BTG Pactual fez de sua franquia de Corporate Lending & Business Banking um de seus destaques - não o único, dado que houve resultado recorde em outras verticais.

O banco liderado por André Esteves e Roberto Sallouti alcançou receitas recordes de R$ 2,239 bilhões no quarto trimestre nessa franquia, resultado que atribuiu “ao crescimento das receitas recorrentes, a spreads competitivos e à gestão de risco disciplinada", segundo resultado divulgado nesta manhã de segunda-feira (9).

No ano completo de 2025, as receitas dessa franquia também atingiram recorde anual de R$ 8,432 bilhões, com expansão de 29,5% na comparação anual.

“Os resultados foram impulsionados pela expansão contínua da carteira de crédito e por um aumento de 20 bps [pontos base] nos spreads ao longo do ano, refletindo menor custo de captação, originação bem diversificada e forte contribuição da estratégia de Special Situations", destacou o banco no documento com os números.

Leia mais: BTG Pactual prevê avanço em adquirência e cash management em 2026, diz Sallouti

Por meio da estratégia de Special Sits, o banco tem buscado identificar arbitragens de crédito em empréstimos e adquirir e capitalizar carteiras de empréstimos inadimplentes e ações judiciais - são arbitragens que podem surgir em vários contextos, que incluem o turnaround de grandes empresas.

Assim como já havia acontecido no exercício de 2024, mas desta vez de forma mais ampla, essa franquia - liderada pelos sócios Rogério Stallone e Gabriel Motomura - se consolidou como a que gerou mais receitas para o BTG, à frente de Sales & Trading (R$ 7,175 bilhões), que fez a fama do banco por muito tempo.

Na mensagem da administração que acompanhou o relatório de resultados, o BTG destacou que a carteira de crédito manteve crescimento considerado robusto, com avanço de 18,3% na base anual, para R$ 262,3 bilhões.

O desempenho foi “sustentado pelo mix diversificado de produtos, diferentes segmentos de clientes e geografias, além da redução contínua do custo de funding".

Ao tratar de “geografias”, o banco faz referência à expansão dos negócios voltados para empresas em países como o Peru, com outros em vista na América Latina, conforme destacado pelo CEO em entrevista concedida à Bloomberg Línea em outubro passado durante em evento em Bogotá, na Colômbia.

Sallouti destacou a diversificação dos negócios do BTG Pactual como um dos destaques do balanço em post no LinkedIn nesta manhã: “os resultados de 2025 refletem os investimentos que fizemos na última década para entrar em produtos e segmentos de mercado de que não participávamos.”

É o caso, por exemplo, da área de crédito para pequenas e médias empresas, cuja atuação ganhou peso crescente em particular a partir do começo desta década, junto com a operação de banco digital de varejo para clientes pessoa física.

“Ainda que majoritariamente concentrada em produtos com garantias — como desconto de recebíveis e antecipação de recebíveis de cartão de crédito —, seguimos ampliando nossa oferta de produtos bancários para PMEs, com destaque para o lançamento do BTG Pay e o avanço das soluções de cash management", destacou o banco em seu documento.

Não por acaso, a entrada do banco em adquirência e a oferta de serviços de cash management foram destacados por Sallouti como alguns dos destaques na agenda para 2026 em mensagem transmitida durante a reunião anual com investidores no fim de novembro passado - acompanhada e contada em reportagem da Bloomberg Línea.

Recorde em Investment Banking

No resultado consolidado de todas as franquias, o BTG Pactual apresentou ROAE (Return on Average Equity) ajustado de 26,9% no ano cheio de 2025, acima dos 23,1% no ano de 2024 - o que “demonstra nossa capacidade de gerar retornos sustentáveis e de reforçar a criação de valor de longo prazo para clientes e acionistas”, apontou o banco no relatório com os dados.

Leia mais: Como o BTG Pactual passou de uma força em sales & trading a um império bancário

No quarto trimestre, o retorno sobre o patrimônio líquido médio ajustado chegou a 27,6%.

As receitas do banco totalizaram R$ 33,039 bilhões em 2025, com expansão de 32% na base anual, enquanto o lucro líquido ajustado ficou em R$ 16,685 bilhões, com avanço de 35% na mesma comparação. Em ambas as métricas, os números absolutos reportados significaram um recorde na história do banco.

“Mesmo em um ambiente de juros elevados, encerramos o ano com recorde de receitas em todas as linhas de negócio, ao mesmo tempo em que mantivemos forte alavancagem operacional”, destacou o BTG Pactual no documento.

Outra franquia de destaque foi a de Investment Banking (IB), que alcançou receitas igualmente recordes de R$ 2,498 bilhões, com avanço anual de 19%.

A área comandada pelo sócio Guilherme Paes entregou esse resultado com impulso de números recordes em DCM (Debt Capital Markets) e M&A.

Leia mais: Da Ambipar à Braskem, crises corporativas abalam investidores em mercados emergentes

Emissões de dívidas coordenadas pelo banco somaram US$ 14,620 bilhões em 2025, com crescimento de 37,4% na base anual, como reflexo de um mercado que segue aquecido para a captação de empresas.

O desempenho do IB do BTG Pactual aconteceu a despeito, portanto, de uma atividade de ECM (Equity Capital Markets) que mostrou recuperação e crescimento perto de 100% em volume de operações encerradas em 2025 versus 2024, mas que segue muito abaixo do desempenho histórico recente antes do período prolongado de escassez de ofertas de ações no ambiente de juros mais elevados.

Em outra métrica relevante, o banco chegou ao fim de 2025 com R$ 2,482 trilhões em ativos sob gestão (AuM e WuM - Assets under Management e Wealth under Management), depois de captações líquidas (Net New Money) de R$ 354 bilhões no ano passado e de R$ 108 bilhões no quarto trimestre.

Com valorização da ordem de 90% nas units negociadas na B3, em patamar próximo ao seu all-time high, o banco (BPAC11) tinha valor de mercado de R$ 345 bilhões neste começo da semana, antes da abertura da negociação à vista.

Leia também

C6 já antevê devolver capital a acionistas e ‘conversa chata’ daqui para frente

BTG Pactual alcança rentabilidade de 28,1% e nível de eficiência recorde

Pátio Malzoni, na avenida Faria Lima, onde fica a sede do BTG Pactual e de outras companhias do setor financeiro e de tecnologia
  •  

Super Bowl: autoridade que construímos na NFL é ativo valioso, diz head na Disney

O interesse do fã brasileiro e global pela NFL (National Football League) chega ao ápice nesta noite de domingo (8) com a disputa do Super Bowl, a final da temporada, que neste ano reúne o Seattle Seahawks contra o New England Patriots, no Levi’s Stadium, em São Francisco, na Califórnia.

Nos últimos anos, o engajamento do brasileiro ganhou um “empurrão” extra com o início da transmissão por plataformas de streaming como o Amazon Prime Video; e, nesta temporada regular e playoffs em particular, com o Grupo Globo, com a exibição de jogos ao vivo pelo SporTV e o Globoplay.

Trata-se de uma nova dinâmica para um território historicamente dominado com exclusividade pela ESPN, plataforma sinônimo de cobertura esportiva global desde a década de 1980, em particular das ligas profissionais americanas, o que inclui também a NBA, a MLB e a NHL.

Para Carlos Maluf, Head de Esportes da The Walt Disney Company Brasil, a entrada de novos players na transmissão ajuda a expandir o tamanho do mercado da NFL no Brasil sem que isso ameace o que descreveu como vantagem competitiva da ESPN: a autoridade construída ao longo de duas décadas e meia de exibição de jogos de futebol americano.

Leia mais: Lady Gaga a NFL: grandes eventos aceleram hotelaria de luxo no Brasil, diz Marriott

“O mercado cresceu muito e vai aumentar mais. São mais de vinte anos de transmissões [na ESPN] e o que sempre observamos é um crescimento consistente, principalmente no Disney + desde o seu lançamento", disse Maluf em entrevista à Bloomberg Línea, em referência à plataforma de streaming da Disney que inclui o conteúdo da ESPN em sua programação.

“Esse crescimento foi tão evidente que outros players do mercado passaram a se interessar muito mais pela NFL“, completou o executivo.

Carlos Maluf, Head de Esportes da The Walt Disney Company Brasil: plano de longo prazo para ampliação de audiência com a NFL (Foto: Divulgação)

O executivo que responde também, portanto, pelas estratégias da ESPN no Brasil, citou um dado recente do Ibope Repucom que estimou que a liga de futebol americano tem mais de 40 milhões de fãs no Brasil.

“É claro que esse número não se traduz diretamente em audiência, mas mostra o enorme potencial de mercado; as pessoas estão abertas a acompanhar os jogos da NFL”, disse Maluf.

Segundo ele, além do número considerado elevado de fãs, a mesma pesquisa indicou um crescimento muito significativo desse dado nos últimos dez anos, “e isso, sim, se traduz nas audiências da competição”.

Ao tratar do ativo intangível do qual a ESPN se vale para falar de NFL, Maluf citou uma série de iniciativas realizadas ao longo dos anos para promover o esporte no Brasil, tanto para quem acaba de chegar e não entende as regras como para aqueles que se tornaram “fãs de carteirinha”.

“Autoridade é o termo chave. Temos um tratamento muito diferenciado com a NFL, com uma equipe de transmissão amplamente conhecida pelo público e transmissões que carregam toda a expertise de quem faz o jogo acontecer para o brasileiro há mais de vinte anos”, afirmou.

Leia mais: Estranhou Bad Bunny no show do intervalo do Super Bowl? A NFL sabe o que está fazendo

“Um dos exemplos da diferenciação está no RedZone no Disney+, com uma experiência ao torcedor distinta de qualquer outra transmissão. Neste ano, estreamos o MNF Playbook, uma transmissão paralela ao jogo de segunda que mostra dados e estatísticas em tempo real na tela da ESPN e do Disney+.”

Maluf apontou também programas exclusivos, como o ESPN League, com informações e opiniões sobre a liga e o Super Bowl, na TV, no Disney+ e no YouTube, além do podcast Semana NFL, no YouTube, com informações semanais sobre a liga americana.

Jogo entre Kansas City Chiefs e Los Angeles Chargers disputado na Neo Química Arena, estádio do Corinthians, em São Paulo, na abertura da temporada 2025-2026 da NFL (Foto: Bloomberg Línea)

O Head de Esportes da Disney para o Brasil comentou as perspectivas da parceria de longa data da ESPN com a NFL, que recentemente se aprofundou com o acordo anunciado em agosto passado segundo o qual a gigante de entretenimento adquiriu os canais proprietários da NFL, incluindo a NFL RedZone, em troca de uma participação de 10% na ESPN.

“No Brasil estamos sempre abertos a novos negócios que possam beneficiar os assinantes. As ações que a ESPN promove para alavancar a NFL no país são feitas há anos, e o crescimento do incentivo se deve exclusivamente ao sucesso de sua realização, não a qualquer outro acordo.”

Segundo ele, a relação de confiança no trabalho realizado permite que a ESPN mantenha uma série de ativos proprietários para o Brasil, como a transmissão dos jogos da NFL em São Paulo e o próprio Super Bowl.

Para a ESPN, a transmissão dos jogos da NFL representa não só uma fonte de audiência e de engajamento do mercado com o público como se tornou um pilar de posicionamento da ESPN e do Disney+.

“O evento que teremos com o mercado no domingo, com a exibição do Super Bowl, é um bom exemplo disso”, disse o executivo da Disney.

“Há anos, promovemos ativações com a decisão da liga, em encontro com pessoas do mercado e da mídia, além de torcedores. É uma possibilidade que a NFL nos proporciona”, destacou Maluf.

Leia mais: Disney compra canais da NFL em troca de 10% da ESPN de olho no futuro do streaming

Segundo o executivo, esse conjunto de iniciativas e a construção são reconhecidas pelo mercado e por marcas que decidem se associar à NFL diante da crescente popularidade do esporte no país.

“Não é por acaso que a ESPN mais uma vez somou aportes ao longo da temporada, com a presença de marcas como Snickers, RAM e C6, entre outras, que estão em transmissões e ativações com o canal.”

Maluf disse que o acordo da Disney com a NFL deve se traduzir em aprofundamento do relacionamento e em novas ativações.

“A próxima temporada da NFL ainda está em planejamento dentro da ESPN, mas certamente nosso envolvimento irá crescer, com grandes transmissões e grandes atrativos que só o canal oferece ao mercado nacional.”

Leia também

De João Fonseca a Bortoleto: a aposta do Mercado Livre em novos ídolos do esporte

Como a Nike reagiu na corrida e vai patrocinar uma das principais maratonas do Brasil

© Justin Sullivan

A Super Bowl LX helmet is displayed at an official NFL pop-up Super Bowl shop in San Francisco on Feb. 3. Photographer: Justin Sullivan/Getty Images
  •  

De João Fonseca a Bortoleto: a aposta do Mercado Livre em novos ídolos do esporte

Dois jovens brasileiros em ascensão na elite do esporte mundial, o tenista João Fonseca e o piloto da Fórmula 1 Gabriel Bortoleto, ainda não desfrutam do mesmo reconhecimento de duas estrelas do futebol, Ronaldo Fenômeno e Neymar. Mas todos guardam um ponto em comum: são patrocinados pelo Mercado Livre.

Fonseca, 19 anos, e Bortoleto, 21 anos, acertaram seus contratos no fim do ano passado e no início deste ano, respectivamente, depois de uma temporada em que confirmaram seus status de jovens promessas que começam a entregar resultados.

Para o Mercado Livre, o investimento de valor não revelado em esportes considerados de elite não necessariamente têm o objetivo de dialogar com o público de alta renda - a exemplo de empresas como o Nubank, ao patrocinar o IronMan e a Mercedes na F1 para posicionar o segmento Ultravioleta.

“Não é focado 100 % em um tíquete mais alto, mas, obviamente, reverbera para esse perfil, assim como outras ações que nós fazemos que conversam com perfis diferentes de consumidores”, afirmou Iuri Maia, diretor de Estratégia de Marca do Mercado Livre, em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia mais: Na disputa pelo cliente PJ e de alta renda, Itaú expande a fronteira até Miami

De acordo com o executivo, o racional está mais na construção de conversas e presença em novos territórios relacionados ao esporte.

“Não é uma estratégia específica em uma classe social, é como nós usamos hoje o nosso território do esporte de uma maneira mais ampla”, explicou.

Fonseca disse que a parceria com o Mercado Livre ajuda a ampliar não só a sua visibilidade como também a do tênis para um público mais abrangente.

“Grandes marcas que entram para o esporte, como o Mercado Livre, só ajudam a aumentar esse alcance [do tênis] no país inteiro. É o tênis que fica em destaque em lugares onde antes não estaria e isso só me motiva mais, ao mesmo tempo em que dá tranquilidade nas quadras para seguir competindo no mais alto nível”, disse o tenista brasileiro à Bloomberg Línea por meio de nota.

Com 1,2 milhão de seguidores no Instagram, Fonseca conta também com patrocinadores que apostaram em sua imagem antes que ele despontasse de vez para o Brasil e para o mundo em 2025: é o caso da XP, em iniciativa liderada pelo fundador e controlador Guilherme Benchimol, e das marcas globais Rolex, On e Yonex, além da Claro Brasil, que também se juntou ao atleta mais recentemente.

Leia mais: De João Fonseca a corredores: como a On entrou na disputa das marcas no Brasil

Para Bortoleto, que nesta temporada correrá pela nova equipe Revolut Audi, o acerto com o Mercado Livre passou por um alinhamento mais amplo.

“Geralmente a escolha de patrocinadores passa muito por alinhamento de valores e por visão de longo prazo. A nossa preferência sempre visa marcas que entendam o momento da minha carreira e estejam realmente presentes no dia a dia, não só nos resultados”, disse Bortoleto à Bloomberg Línea por meio de nota.

O jovem piloto, que estreou na Fórmula 1 em 2025, conta com outros patrocinadores como KitKat (Nestlé), Porto, Motorola, BRB, Snapdragon e A14 Management. Atualmente ele conta com 2,2 milhões de seguidores no Instagram.

Presença no futebol e na música

Além dos quatro atletas citados, o Mercado Livre também uma série de investimentos no esporte, em sua maioria associados ao futebol.

A empresa mais valiosa da América Latina, com market cap superior a US$ 100 bilhões, patrocina a Conmebol, confederação que organiza a Copa Libertadores da América, a Libertadores Feminina, a Copa Sul-Americana e a Recopa; e ainda o Flamengo e a Cazé TV, além de deter os naming rights do estádio do Pacaembu, em São Paulo, rebatizado como Mercado Livre Arena Pacaembu.

“Os patrocínios ao Fonseca e ao Bortoleto se conectam muito com a nossa estratégia também quando falamos de progresso, que é justamente apostar nesses talentos que vão levar o nome do Brasil para fora, e isso vai gerar conversa ao redor deles”, contou o diretor de Estratégia de Marca.

Não por acaso, o Meli colocou no ar uma campanha em que Ronaldo Fenômeno envia uma caixa com o logo da empresa, com uma bandeira do Brasil dentro, para Fonseca, remetendo à tradição de grandes atletas brasileiros de comemorar suas conquistas com esse símbolo da nação.

Na Fórmula 1, o Mercado Livre também acertou contrato com o mexicano Sergio “Checo” Perez, que retorna à categoria neste ano pela Cadillac e ainda negocia a renovação do contrato o argentino Franco Collapinto, da Alpine.

Leia mais: Kings League, de Piqué, capta US$ 63 milhões para tentar conquistar a Geração Z

A entrada do Mercado Livre na Fórmula 1 tem como principal atributo funcional a velocidade, um dos diferenciais que a plataforma usa como apelo de comunicação quando fala das entregas do seu marketplace.

A campanha do ano passado trazia, não por acaso, a assinatura “unidos pela velocidade”, que buscava conectar os dois universos.

“Do ponto de vista emocional, a F1 vai pelo caminho do progresso, de transformação e dos jovens talentos”, complementou o executivo, que defendeu o mesmo racional para o tênis, com a chegada de Fonseca. “Tênis vai muito para esse caminho da performance, da entrega e da experiência como um todo.”

No ano passado, João Fonseca se tornou a personalidade mais buscada no Google no Brasil, em linha com sua evolução no principal circuito da modalidade, a ATP: ele saiu da 145ª posição no ranking mundial no fim de 2024 e saltou para a 24ª colocação no encerramento da termporada 2025. Em sua trajetória, ganhou dois títulos, o ATP 250 de Buenos Aires e o ATP 500 da Basel, na Suíça.

E despertou a atenção e ganhou elogios públicos de ídolos do presente e do passado, como espanhol Carlos Alcaraz, o sérvio Novak Djokovic e o suíço Roger Federer.

O diretor de Estratégia de Marca do Mercado Livre disse que a companhia divide em três os seus territórios de comunicação, contemplando também reality shows (como o BBB) e música, frente que passou a incluir o festival Meli Music em 2025.

Mas é o esporte que concentra o maior orçamento, montante que será reforçado neste ano com a Copa do Mundo dos Estados Unidos, do México e do Canadá.

Música aparece na sequência, com investimento que será ampliado em três vezes ao longo de 2026 na comparação com 2024.

Leia mais: Como a Nike reagiu na corrida e vai patrocinar uma das principais maratonas do Brasil

Em todos os casos, a companhia não revela os valores totais.

A análise de retorno dos investimentos, segundo contou Maia, tem a métrica de preferência adotada como a principal: isto é, tornar o Mercado Livre a referência entre os marketplaces, em um ambiente cada vez mais competitivo com a chegada e o avanço de competidores asiáticos como Temu.

“Esse indicador é composto da relação mais emocional da marca com as pessoas mas também do que a marca oferece de benefício”, disse. E, além disso, da capacidade da peça criativa de converter a comunicação em vendas.

A companhia não revelou números de buscas por produtos relacionados ao tênis ou à Fórmula 1 após as campanhas criativas.

Leia também

A evolução da corrida no Brasil: mais feminina e jovem e com classe C, aponta estudo

De liga global a escolas em todo o país: os planos da STU para popularizar o skate

©

Esperança do tênis brasileiro e uma das promessas globais do esporte, João Fonseca foi anunciado em dezembro passado como novo atleta patrocinado do Mercado Livre
  •  

B3 vê retomada de ofertas de ações e espaço para destravar valor com negócio de dados

Em um ano que sinaliza a retomada do apetite do investidor para a renda variável, a B3 – atualmente a única bolsa de valores em operação no Brasil – avança para diversificar seus negócios para além da negociação de ativos.

A empresa lançou nesta quinta-feira (5) a marca Trillia, que une cinco negócios de dados que operam dentro da B3.

O objetivo é consolidar uma fonte de receita recorrente desatrelada ao negócio de bolsa e, portanto, menos exposta ao ciclo macroeconômico mais volátil.

“A B3 tem capacidade de ser uma empresa ambidestra, atuando no core business no mercado de capitais e também [aproveitando essa] oportunidade de crescimento nas adjacências”, afirmou o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, à jornalistas em evento nesta quinta-feira (5).

Leia mais: B3 diz que 54 empresas estão prontas para buscar um IPO quando ‘janela reabrir’

O movimento segue o passo já dado por concorrentes no exterior, que buscam tradicionalmente diversificação no mercado de dados por já contarem com a expertise de processar e coletam enormes volumes de informações sobre negociações e comportamento de mercado.

Na B3, a diversificação começou em 2018, com um negócio interno de dados que se tornou a Unidade de Infraestrutura para Financiamentos (UIF).

A frente foi reforçada ao longo dos últimos anos com quatro aquisições, das empresas PtDTec, Neoway, Neurotech e DataStock.

A Trillia é a primeira marca criada pela bolsa desde a própria B3, adotada em março de 2017 a partir da fusão entre a BM&FBOVESPA e a Cetip.

A marca não cria uma nova empresa, mas consolida os negócios anteriores sob um único guarda-chuva. Uma estratégia que busca destravar valor para a B3, segundo o CEO.

A B3 (B3SA3) tem atualmente valor de mercado aproximado de R$ 87 bilhões, depois que a ação subiu perto de 50% em 12 meses.

“Existe uma opcionalidade enorme dentro do nosso negócio. E esse segmento pode crescer de forma muito robusta, com um crescimento de dois dígitos por muitos anos, que ganhe participação dentro da B3″, disse.

Hoje a frente de dados já representa 10% da receita da B3.

A empresa não fornece guidance, mas Finkelsztain estima que as concorrentes no exterior buscam uma faixa de 25% e 30% de receita vinda de seus negócios de dados para além do core business.

Da esqueda para direita: Gilson Finkelsztain, CEO da B3, Marcos Vanderlei Belini Ferreira, VP da B3 e Head da Trillia, e Ana Buchaim, VP de marketing e comunicação da B3

O ecossistema rebatizado de Trillia já atende mais de 6.000 clientes em quatro verticais: inteligência de mercado, marketing e vendas; compliance e prevenção a fraudes; mercado segurador; e crédito e recuperação.

As soluções envolvem, entre outros pontos, análise de mercado potencial, precificação de risco e prevenção a lavagem de dinheiro.

“Mais do que produto de prateleira, atuamos em várias indústrias. Somos muito fortes em financeiro porque o DNA é da B3, mas atuamos também em varejo, logística, transportes, tem uma abrangência muito grande. Crédito, por exemplo, atinge todas essas indústrias”, afirmou Marcos Vanderlei, novo diretor à frente da Trillia, e também vice-presidente da unidade de infraestrutura para financiamentos da B3.

Expectativas para 2026

O lançamento da Trillia ocorre simultaneamente a um período de otimismo para o core business da B3, especialmente quando o assunto é renda variável. Em janeiro, até o dia 29, os estrangeiros comparam R$ 25,3 bilhões em ações locais, um montante superior a todo o fluxo do ano de 2025.

“Parece ser o início de movimento que reverte uma tendência de quase cinco anos em que mercado americano absorveu todo o dinheiro marginal na indústria de investimento. Ainda veio pouco capital para o Brasil perto do que ainda pode vir”, afirmou Finkelsztain.

Leia mais: Em Davos, Bolsa de NY projeta novo ciclo de IPOs, que inclui empresas brasileiras

O CEO da B3 estimou que 2026 será o ano de reabertura do mercado brasileiro para as ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), que não ocorrem desde o segundo semestre de 2021.

O início do ano foi marcado pela abertura de capital da fintech brasileira PicPay na Nasdaq, com ações precificadas no teto da faixa indicativa, o que pode ser “um prenúncio de uma potencial onda de abertura de capital no Brasil”.

Na próxima semana, a expectativa é que seja a vez do Agibank, que vai buscar concluir a sua oferta inicial na NYSE, a Bolsa de Nova York.

As conversas preliminares de Finkelsztain com agentes de mercado apontam de 10 a 15 operações ainda este ano, entre follow-ons e IPOs.

Entre as ofertas iniciais de ações, a expectativa é que o setor de infraestrutura “puxe a fila” com operações maiores.

“É um tema de demanda. Se houver demanda [do investidor], as empresas vêm a mercado”.

Leia também

B3 diz que 54 empresas estão prontas para buscar um IPO quando ‘janela reabrir’

Vélez renova ambição global do Nubank, que agora vale US$ 82 bi, com entrada nos EUA

© Patricia Monteiro

A B3 avança em seu plano de diversificação de receitas para além do trading de ativos no mercado de capitais (Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg)
  •  

De uso de IA a jornada híbrida: como o Itaú se adapta a novos modelos, segundo diretor

A cada seis meses, integrantes do Comitê Executivo e do conselho de administração do Itaú Unibanco debatem se o modelo de jornada de trabalho vigente está adequado ou se mudanças devem ser adotadas.

Eventuais alterações são comunicadas em lives do CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, aos quase cem mil colaboradores do maior banco do Brasil e da América Latina em ativos.

O modelo atual é, na verdade, uma combinação de três modelos: 100% presencial, híbrido com oito dias por mês no escritório - equivalente, portanto, a dois dias por semana - e 100% remoto, para um número limitado de casos.

“Por enquanto, avaliamos que está funcionando bem: os resultados do banco têm sido bons e a evolução da cultura também vai bem”, disse o diretor executivo de Pessoas, Marketing e Comunicação do Itaú, Sergio Fajerman, em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia mais: No Itaú, maior banco do Brasil, a ‘ordem’ agora inclui ‘fazer escolhas e priorizar’

“Podemos afirmar com segurança que, até aqui, tudo correu bem”, reforçou o executivo na segunda parte da entrevista concedida no fim de 2025.

Em seguida, Fajerman fez uma ressalva: “a preocupação das empresas é com o impacto disso na cultura no longo prazo. E essa resposta hoje ninguém sabe”.

“Imagine você descobrir lá na frente que isso [o modelo 100% remoto] afetou a formação de novas lideranças da sua empresa? Isso é algo que não se recupera”, ponderou o executivo sobre o balanço de riscos envolvidos na decisão.

Sergio Fajerman, diretor executivo de Pessoas, Marketing e Comunicação e membro do Comitê Executivo do Itaú Unibanco (Foto: Divulgação)

Atualmente, o banco divide a aplicação do modelo de jornada de acordo com a área e a plataforma. Profissionais que trabalham em agências e em certas áreas comerciais, por exemplo, estão no modelo 100% presencial.

O modelo híbrido, que abrange boa parte do banco, prevê flexibilidade sobre a alocação dos dias da semana, algo que deve ser negociado com cada gestor.

E o modelo 100% remoto abrange um “número pequeno, de poucos casos”.

“Não quisemos fechar as portas para talentos únicos que possam morar em outras cidades, mas dos quais entendemos que não devemos abrir mão.”

Leia mais: Bradesco reforma prédio histórico no centro de São Paulo para o trabalho presencial

A definição dos modelos de jornada, por sua vez, é feita a partir da análise de dados de diferentes aspectos da operação, de entregas a adesão à cultura.

Segundo o executivo que comanda a área de recursos humanos do Itaú, “qualquer mudança é feita com transparência e muita antecedência.”

Essa preocupação não se dá por acaso, dado que isso faz parte dos fundamentos estratégicos do maior banco do país, conforme contou a Bloomberg Línea em reportagem sobre a mais recente mudança nos pilares da cultura organizacional, com a inclusão de “a gente faz escolhas e toma decisões”.

Trata-se de uma frente com impactos diretos e indiretos sobre a relação com o cliente - no caso do Itaú, perto de 100 milhões.

“A cultura organizacional reflete muitas vezes a forma como o consumidor enxerga a empresa”, disse Fajerman, citando uma avaliação compartilhada pela consultoria estratégica Box 1824, que cuidou do diagnóstico da cultura do banco.

Carreiras do futuro e GenAI

O modelo de jornada de trabalho, destacou o diretor executivo de Pessoas, representa um aspecto de como o banco tem buscado preparar seus profissionais, alinhados não somente aos pilares de cultura mas também preparados para responder ao avanço da tecnologia e, em particular, da inteligência artificial.

“GenAI é um exemplo do novo pilar de renúncia e priorização. Dá para fazer ‘mil coisas’ com inteligência artificial generativa”, disse o executivo. “Mas é preciso focar para entregar e implementar, senão você não termina nada.”

“O uso inteligente de GenAI será muito importante no jogo daqui para frente.”

Leia mais: No ‘molho secreto’ do iFood, um programa que prepara líderes para novos projetos

Fajerman contou sobre um caso de uso - em teste - de como a IA generativa pode ser utilizada no Itaú como ferramenta de ganho de produtividade, além de ser um exemplo de integração entre conhecimento de área e de tecnologia: nas avaliações de funcionários, no auxílio a quem desempenha o papel de “relator”.

“Nós adotamos avaliações 360°, com uso de dados. E também adotamos a figura do relator, que é o responsável por entrevistar as pessoas que fizeram essa avaliação, para tentar colher insumos mais qualitativos", disse.

Da combinação da análise de dados e do depoimento do relator a partir das entrevistas saem decisões importantes tomadas em comitê que vão de feedback e plano de desenvolvimento à definição do valor do bônus.

“É um processo que demanda muito tempo. Eu, por exemplo, tenho seis pessoas para ser o relator. Para cada uma, eu faço no mínimo seis entrevistas. São, portanto, pelo menos 36 entrevistas”, completou Fajerman.

Em 2025, um agente de IA desenvolvido pelo banco passou a gerar relatórios de avaliação a partir das análises dos dados e das transcrições das entrevistas gravadas pelo relator, a partir de 30 páginas de prompts para orientá-lo sobre como proceder, o que levar em consideração, a cultura do banco, entre outros pontos.

O uso desse agente de IA tem sido adotado, como citado, em modo de testes para áreas limitadas e, uma vez aprovado, será levado gradualmente para todo o banco, em demonstração inequívoca de sua “escabilidade.”

Segundo o executivo, esse é apenas um exemplo entre mais de 400 projetos em desenvolvimento pelo banco com uso de IA generativa, com foco em segurança e experiência do cliente - são mais de 350 profissionais dedicados exclusivamente ao desenvolvimento da nova tecnologia.

Na interface com o cliente, Fajerman destacou como exemplo de integração de conhecimento com a tecnologia o lançamento de agentes de investimentos com suporte de IA generativa, uma das principais apostas do Itaú no segmento e que deve ser oferecido para bases cada vez maiores do banco.

-- Matéria atualizada às 10h05 de 3 de fevereiro com a nomenclatura utilizada pelo Itaú para o cargo de Sergio Fajerman.

Leia também

Benchimol: times mais próximos ficam mais atentos aos detalhes, que fazem a diferença

Nubank encerrará modelo remoto e adotará jornada híbrida a partir de julho de 2026

CEO do Itaú aposta em agente de investimento com IA: jornada é de experimentação

© ANYDUARTE

Estande do Itaú no Web Summit Rio 2024: engajamento crescente de funcionários a clientes com novas tecnologias (Foto: Any Duarte/Web Summit/Divulgação)
  •  

‘Sonhamos grande sempre, mas executamos passo a passo’, diz CEO do PicPay após IPO

Depois de encerrar um jejum de mais de quatro anos sem IPOs de empresas brasileiras, o PicPay planeja avançar nos segmentos de pessoa física e jurídica, fazendo frente ao negócio de bancos tradicionais no país, em áreas disputadas também por players como Nubank, Mercado Pago, Inter e C6.

“Nos vemos como um banco grande, de PF e PJ, que atende múltiplos segmentos”, disse o CEO, Eduardo Chedid, em entrevista à Bloomberg Línea, no escritório da Nasdaq, em Nova York, após a abertura de capital na quinta-feira (29).

As ações do PicPay encerraram o seu primeiro pregão estáveis, a US$ 19 – o preço do topo da faixa da oferta –, depois de subirem até cerca de 3% durante o dia.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Eduardo Chedid fala sobre as iniciativas prioritárias do banco para crescer no mercado brasileiro após levantar US$ 434 milhões

O executivo, que anteriormente foi CEO da bandeira Elo (parceria de Banco do Brasil, Bradesco e Caixa) e trabalhou na Cielo e na Visa, tem liderado nos últimos cinco anos um trabalho para posicionar o PicPay como um banco digital com uma oferta variada de serviços, para além da carteira digital que deu origem à empresa.

Leia também: PicPay aposta em crédito e vê espaço para ganhar fatia de grandes bancos após IPO

Em 2022, o PicPay obteve uma licença de banco múltiplo a partir de uma reorganização societária e assumiu a operação de varejo do Banco Original, que, assim como o PicPay, é controlado pela J&F, da família Batista.

A empresa passou a apostar no segmento de crédito – nas áreas de cartões, empréstimos pessoais, consignado e antecipação de FGTS – e também em seguros, em um esforço de diversificação dos negócios.

Eduardo Chedid, CEO do PicPay (centro), ao lado de Anderson Chamon (à esq.), cofundador e VP de Novos Negócios, e José Antonio Batista, chairman, no IPO da empresa na Nasdaq (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)

Mais recentemente, o banco digital tem expandido a oferta de serviços não financeiros para a sua base de 66 milhões de clientes.

Entre eles estão a criação uma plataforma de compra de pacotes de viagens e voos, por meio de uma parceria com a CVC, e também uma integração com a Rappi, para fazer pedidos de delivery de comida ou mercado diretamente no aplicativo do banco digital.

É uma estratégia que o CEO descreve como uma forma de ampliar o “ecossistema e a audiência”, de forma a fidelizar e aumentar a rentabilidade da base de clientes.

Leia também: Agibank vai buscar valuation de até US$ 3,3 bilhões em IPO na Bolsa de Nova York

Segundo Chedid, a maior parte dos US$ 434 milhões que o PicPay levantou em sua estreia na Nasdaq será destinada ”para aumentar o crescimento da empresa”, com uma fração separada para possíveis M&As (fusões e aquisições).

‘Sonhamos grande sempre’

O executivo afirmou que as áreas prioritárias que vão receber investimentos não mudam, em linha com uma estratégia que já tinha sido desenhada.

“É um pouco do que já estamos fazendo, com o crescimento que temos tido em produtos de crédito”, disse. “Também temos investido na área de PJ, pequenas e médias empresas, e na área de audiência e ecossistemas.”

Sobre a estratégia de M&A, Chedid disse que o perfil das possíveis empresas a serem adquiridas não muda, e que o PicPay continuará a buscar negócios que podem ajudar a acelerar o lançamento e trazer novos produtos para o portfólio da empresa.

“Sonhamos grande sempre, mas executamos no passo a passo”, disse.

Fintech controlada pela família Batista levantou US$ 434 milhões em abertura de capital (Foto: Filipe Serrano/Bloomberg)

“São sempre empresas que podem agregar em time to market ou em algum produto que a empresa não tenha. E que acabam se beneficiando do acesso a uma base enorme de clientes. Porque, hoje em dia, conquistar clientes é cada vez mais difícil. Portanto, nós também somos um bom parceiro.”

No plano de expansão de crédito, Chedid disse que pretende aumentar a penetração dos produtos na base dos clientes, buscando manter um equilíbrio entre aqueles com garantias - de menor risco - e sem.

Leia mais: Em Davos, Bolsa de NY projeta novo ciclo de IPOs, que inclui empresas brasileiras

O executivo disse que o banco digital buscará manter uma taxa de absorção de perdas (loss absorption ratio) em torno de 50%. “Isso significa que eu poderia ter o dobro da minha perda esperada e, mesmo assim, ficar no breakeven. É uma métrica importante para a empresa no crédito. É um colchão para a volatilidade.”

O PicPay protagonizou a primeira abertura de capital de uma empresa brasileira desde que o Nubank concluiu o seu IPO em dezembro de 2021 na NYSE (Bolsa de Nova York), em um momento favorável para ativos de países emergentes.

Segundo André Cazotto, diretor de relações com investidores, a listagem nos Estados Unidos dá a possibilidade de acessar investidores internacionais que já estão acostumados com o modelo de negócio de banco digital.

“Apesar de termos um foco 100% no Brasil, a tese do PicPay é global. É uma tese de banco digital que você vê em vários outros mercados. E é uma tese que é palatável para esse investidor”, disse.

O resultado da oferta, que foi precificada no topo da faixa de preço e contou com uma demanda 12 vezes maior do que o número de papéis colocados à venda, segundo a Bloomberg News, foi considerado animador pelo executivo.

“Sempre fica aquele receio de como, de fato, vai ser. Mas quando olhamos para o que o que houve de oversubscription da oferta, com mais de 200 investidores, com essa diversificação, é um saldo muito positivo”, afirmou.

Leia também

Nubank recebe aprovação para abrir banco nos Estados Unidos em até 18 meses

PicPay em destaque em painéis eletrônicos na Times Square, em Nova York, na manhã do IPO da empresa na Nasdaq nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026 (Foto: Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
  •  

Nubank recebe aprovação para abrir banco nos Estados Unidos em até 18 meses

O Nubank recebeu aprovação condicional para estabelecer um banco nacional nos Estados Unidos – o país representa o próximo passo de expansão internacional da fintech brasileira, que hoje atua no Brasil, no México e na Colômbia.

O banco será aberto em até 18 meses e será liderado pela cofundadora Cristina Junqueira, que se mudou para Miami, nos EUA, para liderar o desenvolvimento do Nubank no país. A unidade de negócios será uma subsidiária integral da Nu Holdings.

“Receber a aprovação federal para uma licença de banco nacional é um passo significativo em nossa jornada para nos tornarmos uma instituição regulamentada sólida, em conformidade com as normas e competitiva nos EUA”, disse Junqueira em nota.

Leia mais: Nubank mira público que vai além de expatriados nos EUA, diz Cris Junqueira

A aprovação condicional concedida pelo Escritório do Controlador da Moeda (Office of the Comptroller of the Currency - OCC) dos UA vai permitir que o Nubank opere sob uma estrutura federal, o que facilitará o lançamento de contas de depósito, cartões de crédito, empréstimos e custódia de ativos digitais.

Nessa fase, o foco é capitalizar a instituição dentro de 12 meses e abrir o banco em até 18 meses, ou seja, até julho de 2027.

O Nubank (NU) apresentou o pedido de obtenção de uma licença bancária nacional ao OCC em 30 de setembro de 2025.

O banco digital tem atualmente 127 milhões de clientes, dos quais 112 milhões no Brasil. A operação começou no Brasil em 2013 e se expandiu para o México em 2019 e para a Colômbia em 2020.

Leia também: Com foco no presencial, Nubank investirá R$ 2,5 bi em cinco anos em escritórios

“Essa aprovação não é apenas uma expansão da nossa operação; é uma oportunidade de provar nossa tese de que um modelo digital-first, centrado no cliente, é o futuro dos serviços financeiros globais”, disse o CEO e fundador, David Vélez, também em nota.

Campos Neto na presidência do conselho

Roberto Campos Neto será o presidente do conselho de administração do Nubank nos Estados Unidos.

O ex-presidente do Banco Central é vice-presidente do conselho de administração do Nubank no Brasil desde meados de 2025.

Além de Campos Neto e Cristina Junqueira, o conselho de administração da operação nos EUA será composto por mais três executivos.

São eles: Youssef Lahrech, ex‑presidente e COO do Nu e atual observador do comitê de auditoria e risco; Brian Brooks, atualmente presidente do conselho e CEO da Meridian Capital Group; e Kelley Morrell, ex‑diretora geral sênior da Blackstone e atualmente fundadora e sócia‑gestora da Highline Capital Management.

-- Em atualização.

Leia mais

Nubank desbanca Itaú BBA e XP e leva naming rights do Ironman no Brasil, dizem fontes

Nubank fecha patrocínio com Mercedes na F1 de olho em visibilidade global

©

Painéis eletrônicos na NYSE (Bolsa de Nova York) exibem a celebração do Nubank quanto atingiu a marca de 100 milhões de clientes em maio de 2024 (Foto: Divulgação)
  •  

PicPay aposta em crédito e vê espaço para ganhar fatia de grandes bancos após IPO

O PicPay pretende ampliar a rentabilidade da sua base de mais de 66 milhões de clientes, tendo o crédito como principal motor de crescimento, depois de concluir sua oferta pública inicial de ações (IPO) na Nasdaq nesta quinta-feira (29).

Segundo o CEO, Eduardo Chedid, a fintech planeja continuar a executar a estratégia de expandir produtos como cartão, empréstimo consignado público e privado, antecipação de FGTS e outras áreas de crédito para ampliar sua carteira.

“Temos 6% de share of wallet desses clientes. Há 94% para tentar conquistar. O que significa que, sim, tem espaço [para crescer]”, disse o CEO em entrevista a jornalistas em Nova York, após a cerimônia de abertura de capital na bolsa americana que reúne empresas de tecnologia.

Leia também: PicPay precifica ação no topo da faixa e capta US$ 434 milhões em IPO na Nasdaq

A fintech, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista por meio da J&F Investimentos - e presentes no simbólico ato de toque do sino para abrir o pregão no prédio da Nasdaq na Times Square -, levantou cerca de US$ 434 milhões em seu IPO, precificando as ações (PICS) no topo da faixa indicativa, a US$ 19.

Os papéis abriram as negociações em alta de mais de 3% por volta das 12h15 no horário em Nova York. As ações subiam 1,39%, a US$ 19,27, por volta das 15h10 no horário local.

Eduardo Chedid, CEO, do PicPay: 'ainda tem muito espaço para os bancos digitais'  (Foto: Filipe Serrano/Bloomberg Línea)

A cerimônia de abertura contou com a presença de Wesley e Joesley Batista, além de membros da família, incluindo o sobrinho José Antônio Batista, presidente do conselho do PicPay.

Reunidos na Nasdaq, os irmãos Batista e seus familiares participaram do toque do sino da Nasdaq, às 9h30 no horário local.

Chedid, líder executivo do PicPay, reconheceu que as condições financeiras ainda apertadas no Brasil representam um desafio na estratégia de crédito, mas afirmou que a expansão ocorre sempre “de maneira progressiva”.

“O cliente entra conforme ele vai demonstrando o comportamento transacional. Daí adicionamos um ‘pouquinho’ de crédito. Conforme ele demonstra o comportamento em crédito, nós aumentamos o limite [de crédito] progressivamente.”

Outro segmento prioritário em que a empresa planeja avançar é como banco para pessoa jurídica. Chedid afirmou que o PicPay tem feito lançamentos de novos produtos para PJ para atrair essa base de clientes.

Leia mais: Irmãos Batista em Nova York (de novo): o pedido de IPO do PicPay na Nasdaq

Em outra frente, a empresa listou em seu prospecto o plano de montar uma frente de apostas esportivas. O CEO afirmou que a empresa pediu a licença para atuar como “bet” e que aguarda o resultado da solicitação.

“Pedimos a licença e ainda não sabemos quando [vamos começar], porque depende disso. Mas a nossa ideia é focar em apostas esportivas, que está muito mais dentro do dia-a-dia do brasileiro. Tem Copa do Mundo vindo aí”, disse.

Painel eletrônico na Times Square, em Nova York, na manhã do IPO do PicPay na Nasdaq em 29 de janeiro de 2026 (Foto: Filipe Serrano/Bloomberg Línea)

Sobre a possibilidade de fusões e aquisições (M&A) para acelerar o crescimento inorgânico, o executivo disse que o PicPay tem seguido ao longo de sua trajetória uma “filosofia” de buscar empresas que poderiam diminuir o time to market de novas apostas de produtos e que tivessem “capital intelectual muito bom”.

Foi o caso, segundo ele, de empresas adquiridas como o GuiaBolso (app de finanças pessoais), o BxBlue (crédito consignado) e a Kovr (seguros).

No momento em que outros bancos, como Nubank, BTG Pactual e Inter, buscam avançar no mercado dos Estados Unidos com uma licença bancária, o PicPay reiterou que não tem planos no momento de crescer internacionalmente e que pretende continuar a expansão no Brasil.

“Pelos próximos dois, três anos, vamos estar exclusivamente focados no Brasil”, disse Chedid.

“Se você olhar o profit pool do mercado, aproximadamente 70% continuam concentrado em cinco bancos. Isso vem caindo? Vem. Mas nós acreditamos que ainda tem muito espaço para os bancos digitais.”

Leia também

Como o PicPay passou de fintech com prejuízo bilionário a raro IPO do Brasil em NY

Inter avança em ambição global com cartão de crédito para residentes nos EUA

A partir da esq., Joesley Batista, Anderson Chamon (cofundador e VP), Eduardo Chedid (CEO), Jose Antonio Batista (chairman) e Wesley Batista na cerimônia de estreia do PicPay na Nasdaq nesta quinta-feira (29 de janeiro) (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
  •  

Da geladeira ao frigobar: canetas emagrecedoras já impactam o mercado de linha branca

A disseminação das chamadas “canetas emagrecedoras” tem alterado de tal modo padrões de comportamento de uma parcela crescente da população que já afeta também a indústria de eletrodomésticos e de “linha branca”.

Fabricantes de grandes marcas globais perceberam que consumidores de Ozempic, Mounjaro e Wegovy passaram a priorizar freezers maiores para armazenar refeições congeladas, fogões menores e refrigeração de medicamentos fora da cozinha.

A tendência acaba de ser confirmada pelo relatório “Home Appliances Outlook 2026” da NielsenIQ, que apontou saúde e bem-estar como prioridade em compras.

A Whirlpool, grupo das marcas Brastemp e Consul, que apresentou nesta semana seus lançamentos para 2026, é um exemplo da busca por adaptação.

“Embora o produto seja considerado ‘nicho do nicho’, quando estudamos o lançamento da Retrozinha [modelo Frigobar Brastemp Retrô], identificamos o impacto das canetas emagrecedoras”, afirmou Bertha Fernandes, head de marcas e comunicação da Whirlpool no Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia mais: Seara mira mercado de bem-estar e vê em pratos proteicos nova avenida para crescer

A companhia passou a posicionar o frigobar da Brastemp, que lidera com mais de 50% de participação de mercado no segmento de compactos premium, como solução para produtos pessoais fora da cozinha - e até mesmo no quarto.

“Identificamos que há demanda tanto para skincare refrigerado quanto para as canetas emagrecedoras, porque observamos que muitas pessoas armazenam esses produtos no frigobar”, explicou a executiva.

Gustavo Ambar, diretor-geral da Whirlpool no Brasil, reconheceu o fenômeno, que classificou como ainda em estágio inicial de massificação.

“Basta olhar a queda no consumo de bebida alcoólica e o aumento da penetração das canetas emagrecedoras. Acredito que essa é uma tendência sem volta”, disse Ambar.

Gustavo Ambar, diretor-geral da Whirlpool no Brasil, grupo que detém as marcas Brastemp, Consul e Kitchen Aid (Foto: Divulgação)

O executivo traçou um paralelo com a expansão do consumo de produtos sem glúten e lactose, que há 15 anos eram vistos como “nicho radical” e hoje têm linhas especializadas nas principais empresas de alimentos.

Leia mais: Mercado de ‘canetas emagrecedoras’ deve chegar a R$ 20 bi no Brasil com genéricos

O crescimento do mercado de medicamentos para perda de peso é expressivo: a importação de canetas emagrecedoras aumentou 88% em 2025, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A expectativa é que a tendência se intensifique em 2026 com o fim da patente da semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos líderes como Ozempic e Wegovy, e subsequente entrada de genéricos, com preços mais baixos que vão ampliar o acesso da população.

A Whirlpool adotou uma espécie de “estratégia dupla” para capitalizar o fenômeno. De um lado, oferece soluções compactas como o Frigobar Retrô para armazenar medicamentos fora da cozinha. De outro, aumentou o tamanho dos freezers nas geladeiras principais.

“Todas as geladeiras da Brastemp que apresentamos têm o maior freezer do segmento. Cabem 83 potes de marmita”, disse Gabriel Barbieri, diretor de marketing de categoria da Whirlpool no Brasil.

Leia mais: Efeito Ozempic leva Olive Garden a criar menu com pratos menores e mais baratos

A explicação está na mudança de padrão de consumo: menos refeições em restaurantes e lanchonetes, mais preparo em casa, muitas vezes para a semana inteira.

Não há redução de armazenamento mas substituição de alimentos frescos para porções congeladas (meal prep).

O executivo também detectou uma migração para fogões menores, com menos bocas. “As pessoas não querem mais aqueles fogões enormes”, disse Barbieri.

Diante desse insight, a empresa renovou completamente as linhas de cooktop de Consul e Brastemp.

Consumidor em busca de praticidade

O relatório “Home Appliances Outlook 2026” da NielsenIQ apontou que a prioridade do consumidor deixou de ser apenas preço para incluir “conveniência, multifuncionalidade e benefícios aprimorados de saúde e bem-estar”.

Dentro desse contexto, o volume de vendas globais de aparelhos cresceu 1% no primeiro semestre de 2025 (dado consolidado mais recente), mas o valor subiu 5%.

Segundo a NielsenIQ, isso significa que consumidores priorizam produtos que oferecem “benefícios claros” de bem-estar, mesmo com tickets mais altos.

A Whirlpool ilustra a tendência com inovações que buscou desenvolver com esse foco: sensores que ajustam temperatura automaticamente e os citados freezer para marmitas e frigobar para cosméticos e canetas emagrecedoras.

“Também vemos muito a tendência de inteligência artificial. Aplicamos sensores que identificam a quantidade de roupa nas máquinas ou a temperatura da geladeira. Você não precisa ficar ajustando”, acrescentou Barbieri.

Restaurantes se adaptam

O impacto da nova classe de remédios de combate ao sobrepeso e obesidade no comportamento do consumidor se estende ao setor de alimentação.

Restaurantes já adotam estratégias comerciais específicas para o público de “canetas emagrecedoras”.

Estabelecimentos de cidades como São Paulo criaram, por exemplo, rodízios com descontos para usuários de GLP-1 e pacientes bariátricos, com noites temáticas que oferecem porções menores e cardápios adaptados.

O Santo Mar, com unidades nos bairros do Tatuapé e de Santana, por exemplo, criou a “Quarta do Mounjaro e do Bariátrico”, em que oferece 30% de desconto no rodízio para usuários de canetas emagrecedoras e pacientes bariátricos, mediante apresentação de receita médica.

No Instagram, multiplicam-se anúncios de empresas que vendem pratos congelados que destacam o foco em dietas especialmente desenvolvidas para pessoas que tomam Ozempic e Mounjaro, com porções mínimas de 200 gramas.

“Estamos capturando essas tendências e incorporando-as em nossos produtos”, disse Gabriel Barbieri.

Leia também

Médicos já receitam ‘compre o mais barato’ em canetas emagrecedoras no Brasil

Whirlpool inaugura hub de inovação em Rio Claro e vê novo impulso para vendas

Frigobar passou a ser usado até no quarto para armazenar medicamentos para perda de peso, que necessitam de refrigeração, e produtos de skincare, segundo a Whirlpool
  •  

Papapá lança linha para crianças, entra no México e negocia com fundos para acelerar

Criada no mercado de papinhas e alimentos para bebês com uso de ingredientes naturais, a Papapá avança em seu modelo de negócios para acompanhar a evolução do seu público.

A marca brasileira prepara para o segundo trimestre o lançamento de uma linha voltada para crianças acima de três anos, que inclui biscoitos recheados, sucos, achocolatados e salgadinhos.

Os produtos representam uma evolução natural para a marca, que busca conquistar a confiança de mães na fase de introdução alimentar dos bebês.

“Seria um desperdício jogar essa relação fora e não dar continuidade”, disse o CEO, Leonardo Afonso, co-fundador da Papapá ao lado da esposa, Paula Machado.

Leia mais: ‘De repente IPO’: Jennifer Garner quer repetir sucesso das telas em oferta em NY

A marca, lançada em 2021, encerrou o ano de 2025 com faturamento de R$ 180 milhões e projeta crescer 90% em 2026, com um portfólio que tem as papinhas como carro-chefe e ainda inclui sopinhas, lanches e biscoitos para bebês.

Além da aceitação dos produtos pelos pais, a marca acabou sendo beneficiada pela saída da Nestlé no mercado de papinhas em 2023, o que contribuiu para a abertura do mercado.

De acordo com dados de setembro passado da Scanntech, a marca curitibana detém 93% de participação no mercado de papinhas.

A Papapá foi pensada para atender uma dificuldade do próprio casal ao retornar ao Brasil depois de anos morando na Austrália, onde Afonso atuava como executivo da Kraft Heinz. Eles não conseguiam encontrar produtos com ingredientes naturais para alimentar o filho Bernardo, hoje com 8 anos.

Assim como as linhas para bebês, o diferencial dos novos produtos está no desenvolvimento tecnológico e no uso de ingredientes naturais.

O biscoito recheado utiliza uma base de frutas, fibra cítrica e tâmara em vez de gordura hidrogenada e açúcar.

A empresa também desenvolveu sabores de morango e frutas amarelas, além de uma versão de chocolate com açaí e cacau.

“Tem que ser tão bom quanto a ‘porcaria’, mas sem ser uma ‘porcaria’”, disse o cofundador em referência a alimentos processados.

Já a linha de sucos, que vai competir diretamente com produtos como o Kapo da Coca-Cola, combina água de coco com suco de frutas diluído.

A entrada nas novas categorias coloca a Papapá em mercados significativamente maiores.

Leia mais: Não só para veganos: NotCo aposta em bebidas proteicas e mira público mais amplo

Apenas o segmento de biscoitos doces movimenta cerca de R$ 34 bilhões no Brasil, segundo dados da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias, Pães e Bolos Industrializados).

Na projeção de crescer em torno de 90% em 2026, cerca de 40% do resultado viria a partir de um novo público consumidor. E o restante, a partir da melhor execução comercial com clientes que já fazem parte da base.

Segundo o co-fundador, a Papapá ainda enfrenta desafios operacionais significativos e de ruptura no varejo. Uma conta feita dentro de casa estima que a empresa poderia dobrar de tamanho caso a execução nos pontos de venda fosse “perfeita”.

Para resolver essa questão, a companhia tem revisado a estratégia de distribuição e acertado parcerias com grandes distribuidores.

“No início, pelo fato de a Papapá não ser conhecida, não tínhamos acesso a distribuidoras. Agora mudou, acabamos de fechar com empresas que distribuem produtos da Unilever e da P&G, por exemplo”, disse Afonso. “Mais de 60% da venda [de grandes empresas] é atendida via distribuidores”.

A empresa também acaba de contratar Thiago Ferreira, executivo que estava na Lactalis e já liderou operações na Danone, para ampliar o relacionamento com o varejo farmacêutico, hoje o maior canal de vendas para os produtos da marca.

México: mercado externo inicial

Em outro movimento, a Papapá inicia um processo de internacionalização, a partir do México, a segunda maior economia da América Latina.

A entrada depende neste momento de aprovação regulatória para os produtos da empresa. Conversas são mantidas também com distribuidores no Peru, na República Dominicana, na Argentina e no Paraguai.

“No México ainda não surgiu o Papapá. Quem tem o mercado lá é a Nestlé e a Heinz”, afirmou o co-fundador.

A escolha do México não foi planejada inicialmente, mas surgiu por meio de conexões do argentino Nestor Sequeiros, conselheiro da Papapá e ex-presidente da Mead Johnson Nutrition na América Latina.

O processo será conduzido por uma distribuidora local, de propriedade de uma ex-funcionária de Sequeiros e que também foi presidente da Kraft Heinz no México antes de montar o próprio negócio.

Para manter o momento de expansão, a Papapá tem conversado com fundos de private equity interessados em aportar no negócio.

Atualmente, os investidores são Alphonse Voigt e Antonio Maganhotte Junior, sócios-fundadores da Ebanx, além de ex-diretores da Ambev, da Reckitt e do Burger King, que entraram em uma rodada de R$ 5 milhões ainda em 2021.

Os novos recursos poderiam acelerar os planos de crescimento e antecipar a meta de atingir R$ 1 bilhão em faturamento nos próximos três a quatro anos.

Com presença em todo o Brasil, a marca ainda vê potencial de aumentar a capilaridade em regiões como o interior de São Paulo, o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste.

“Nós não temos problema de fluxo de caixa, mas poderíamos acelerar esse plano de expansão”, disse Afonso, citando como exemplos a possibilidade de expandir a equipe de visitação médica e investir mais em marketing e em espaços premium no varejo.

Leia também

Como a Salton mira chegar a R$ 1 bilhão em vendas com aposta em espumantes a R$ 50

A marca Papapá, lançada em 2021, encerrou o ano de 2025 com faturamento de R$ 180 milhões e planeja crescer 90% em 2026
  •