As ações do Nubank (NU) subiram nas negociações após o fechamento do mercado, depois que o banco digital divulgou resultados trimestrais melhores do que o esperado, impulsionados por uma maior rentabilidade e pelo crescimento de seu negócio de crédito.
O relatório mostrou que o grupo continua transformando sua expansão comercial em maiores lucros, ao mesmo tempo em que aprofunda seu relacionamento com os clientes atuais. A empresa também destacou avanços no México, onde lançou oficialmente seu banco neste mês e atingiu 16 milhões de clientes em julho.
As ações subiam 8,40% nas negociações após o fechamento do mercado.
Os resultados são divulgados em um momento em que os investidores acompanham de perto a capacidade do Nubank de ampliar sua carteira sem prejudicar significativamente a qualidade do crédito.
A evolução da inadimplência apresentou sinais contraditórios, embora a rentabilidade tenha atingido novas máximas.
O lucro líquido foi de US$ 1,061 bilhão no segundo trimestre, um valor superado pela primeira vez pelo Nubank em um período de três meses, após um aumento de 67% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Além disso, o resultado superou os US$ 949,6 milhões esperados pelos analistas. Em comparação com o primeiro trimestre, o lucro cresceu 17%.
A receita contábil atingiu US$ 5,513 bilhões, superando os US$ 5,375 bilhões previstos pelo consenso da Bloomberg. O valor registrou um aumento de cerca de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Atualmente, estamos gerando mais de US$ 1 bilhão em lucro líquido trimestral”, afirmou David Vélez, fundador e CEO global do Nubank, no comunicado de resultados.
Vélez também destacou a expansão internacional da empresa. “No início deste mês, lançamos nosso banco no México, tornando-nos o maior banco digital do país, com 16 milhões de clientes”, afirmou.
A rentabilidade também melhorou. O retorno sobre o patrimônio líquido, ou ROE, fechou o trimestre em 33%, contra 29% no primeiro trimestre e 28% registrados um ano antes.
Base de clientes
O crescimento foi acompanhado por um aumento na atividade dos clientes. O Nubank conquistou cerca de quatro milhões de usuários durante o trimestre e encerrou junho com cerca de 139 milhões em todo o mundo, um aumento de 13% em relação ao ano anterior.
O Brasil continua sendo o principal mercado da empresa, com quase 118 milhões de clientes. No entanto, o Nubank acelerou sua expansão internacional, especialmente no México, onde atingiu 15,8 milhões de usuários no final do trimestre e chegou a 16 milhões em julho.
“No início deste mês, lançamos nosso banco no México, tornando-nos o maior banco digital do país, com 16 milhões de clientes”, afirmou Vélez.
A empresa acredita que se tornar um banco de grande porte no México lhe permitirá ampliar sua oferta para além do crédito. O Nubank já atinge 16,5% da população adulta mexicana e destacou que seus clientes no país estão gerando receita mais rapidamente do que os brasileiros em uma fase comparável de expansão.
Na Colômbia, o Nubank ultrapassou os 5 milhões de clientes e encerrou o trimestre com US$ 3,3 bilhões em depósitos. O mercado mantém um ritmo constante de captação de usuários, segundo a empresa.
A carteira total de cartões e empréstimos aumentou 37% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 39 bilhões. Os depósitos, outro elemento importante para financiar essa expansão, cresceram 18% e atingiram US$ 45,3 bilhões.
Qualidade do crédito
A qualidade do crédito apresentou sinais contraditórios. A inadimplência entre 15 e 90 dias caiu para 4,8%, ante 5% no trimestre anterior, enquanto os empréstimos com atrasos superiores a 90 dias aumentaram para 6,9%, ante 6,5%.
O Nubank atribuiu grande parte desse aumento a fatores sazonais. Ao mesmo tempo, o custo do crédito diminuiu 9% em relação ao primeiro trimestre, apesar de a empresa continuar se expandindo deliberadamente para segmentos de crédito de maior risco e potencial de retorno.
A inteligência artificial também ocupa um espaço cada vez maior na estratégia do banco. O Nubank informou que seu modelo NuFormer já participa de decisões relacionadas a crédito, atendimento ao cliente e crescimento, utilizando mais de uma década de dados transacionais.
Segundo a empresa, agentes de inteligência artificial já gerenciam mais de 60% das conversas de atendimento ao cliente no Brasil, com um desempenho que o Nubank considera igual ou superior ao de um ser humano.
A reação positiva das ações refletiu o foco dos investidores no crescimento dos lucros, na melhoria da rentabilidade e no avanço do negócio de crédito, enquanto o Nubank tenta transferir para o México parte do modelo que impulsionou sua expansão no Brasil.
Investidores acompanham a capacidade do Nubank de ampliar sua carteira sem prejudicar significativamente a qualidade do crédito. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)
O Banco do Brasil (BBAS3) travou a linha de parcelamento automático de fatura de cartão de crédito ao identificar que correntistas das classes D e E rolavam o saldo devedor sem desembolsar nada, e passou a exigir pagamento de entrada para liberar a operação. A CEO Tarciana Medeiros afirmou a analistas nesta quinta-feira (13) que o efeito da correção já apareceu no mês passado.
“Até julho, já vemos a curva de normalização acontecendo para essa linha”, disse Medeiros, na teleconferência sobre o resultado do segundo trimestre.
A intervenção veio tarde demais para o balanço. A inadimplência acima de 90 dias na carteira de cartões saltou de 7,1% em março para 14,6% em junho, alta de 750 pontos-base em um único trimestre, e concentrou a deterioração do crédito no período.
O vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores, Marco Geovanne Tobias da Silva, reconstituiu a sequência ao responder a Eduardo Nishio, head de research e financials da Genial Investimentos, que pediu explicações sobre a velocidade da piora.
Segundo o executivo, a estratégia desenhada para compensar a perda de valor da carteira rural era crescer em pessoa física. O foco principal era o consignado, mas o banco também adotou frentes voltadas ao cartão de crédito. No segmento de alta renda, o faturamento dos cartões alcançou R$ 127 bilhões no trimestre.
O problema surgiu em outra ponta da base de clientes. O banco implementou uma nova sistemática de parcelamento automático de faturas que alcançou correntistas dos segmentos D e E. Ao longo do primeiro trimestre, o CFO afirmou ter percebido que esses clientes começaram a acionar o mecanismo de forma recorrente. O banco levantou um sinal de alerta e travou a linha de imediato.
Veio então o ajuste retroativo. As operações parceladas automaticamente entre janeiro e março sem qualquer pagamento tiveram o risco agravado e passaram a ser classificadas como efetivamente em atraso, o que produziu o salto do indicador em um único trimestre.
“Nós acreditamos que agora é uma inadimplência fato, porque se ele só parcelava sem pagar”, disse Tobias da Silva.
O executivo usou a palavra “estilingada” para descrever o comportamento do índice e classificou o efeito como pontual.
No mercado de crédito e finanças, os termos ”estilingada” ou “efeito estilingue” define um salto abrupto de um indicador geralmente após período de forte represamento ou pressão.
O banco acionou as esteiras de cobrança e encerrou a possibilidade de pagamento parcelado automatizado no cartão. A exigência de entrada, segundo ele, é a prática comum entre os pares privados.
Deterioração do crédito
O CFO situou o episódio dentro de um pano de fundo mais amplo, que já vinha sendo comunicado ao mercado. Ele citou a contaminação do segmento de pessoa física pelos produtores rurais, o aumento do endividamento das famílias e os programas de renegociação do governo, como o Desenrola. A mudança de mix em direção à pessoa física continua de pé, mas o banco freou o cartão no público das classes D e E.
Depois de detalhar o caso, Tobias da Silva afirmou que outros fatores contribuíram para a deterioração do trimestre, mas que o principal foi o segmento D e E na modalidade de parcelamento automático.
O mercado não tratou o episódio como pontual. O JPMorgan classificou o cartão de crédito como o destaque negativo do trimestre e disse que a alta de 750 pontos-base surpreendeu, mesmo diante de expectativas já baixas formadas a partir dos dados do SCR (Sistema de Informações de Créditos do Banco Central).
O banco americano, que mantém recomendação neutra para BBAS3, calcula formação de nova inadimplência de R$ 21,7 bilhões e nova formação de estágio 3 de R$ 20,5 bilhões, ambas acima das provisões brutas de R$ 18,9 bilhões, o que implica cobertura de 87% a 92% das perdas formadas. O índice de cobertura recuou 10 pontos percentuais, para 149%.
A recuperação do segundo semestre depende de uma medida que ainda não saiu do papel. A MP 1.376, publicada em 15 de julho para permitir a renegociação de dívidas rurais, seguia sem execução quase um mês depois. Mário Pierry, managing director de equity research do Bank of America, questionou se os benefícios não ficariam para 2027.
O CFO respondeu que o banco terá um pedaço de agosto e setembro para acelerar e citou o histórico da MP 1.314, quando o BB partiu de uma meta de R$ 12 bilhões e reestruturou mais de R$ 30 bilhões. Segundo ele, a inadimplência do trimestre foi agravada por um risco moral, com produtores interrompendo pagamentos enquanto aguardavam a tramitação no Congresso.
O vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, Felipe Prince, disse que a estratégia de renegociação está definida, mas ainda não foi ao mercado.
O desenho exige entrada e vinculação de garantias adicionais, condições que podem gerar migração de estágios, reversão de provisão e retomada da apropriação de juros. O JPMorgan calcula que operações renegociadas, prorrogadas e da MP 1.314 já somam R$ 180 bilhões, ou 14,4% da carteira, ante 13,9% em março.
“Não contamos com nenhum ovo sem que a galinha tenha botado”, disse Prince, ao rebater a sugestão de Henrique Navarro, head de banks & financial non-banks equity research do Santander para América Latina, de que o banco deveria ter provisionado toda a deterioração observada.
Sobre o El Niño, o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Alceu Bittencourt, afirmou que 280 profissionais de ciências agrárias acompanham o cenário em tempo real, com incentivo a seguro, Proagro e investimento em irrigação.
A CEO acrescentou que o produtor também se antecipa. No Centro-Oeste, a previsão de falta d’água leva à antecipação de plantio e colheita. No Nordeste, a seca agravada deve pressionar a safrinha, com perdas prováveis em milho. No Sul, o problema se inverte, com maior volume hídrico. Prince disse que os impactos já estão no guidance de PDD (provisão para devedores duvidosos) de 2026 e parametrizados no motor de concessão para 2027.
Provisão no topo, lucro na ponta baixa
Com lucro de R$ 7,3 bilhões no semestre, incluindo benefício fiscal de R$ 1,4 bilhão, analistas cobraram explicações sobre a manutenção das projeções para o ano.
“Espere provisão ali na ponta alta, lucro na ponta baixa”, disse o CFO, que admitiu risco de desvio de 5% a 6% e adiou a discussão sobre revisão do guidance para o terceiro trimestre.
As ações caíam cerca de 3%, a R$ 18,43, por volta do meio-dia desta quinta-feira, com desvalorização superior a 15% no ano. O JPMorgan destacou que o patrimônio líquido recuou R$ 5,2 bilhões, para R$ 180,6 bilhões, apesar do lucro gerencial de R$ 3,9 bilhões, e que o CET1 (indicador da saúde financeira e solidez de um banco) caiu 30 pontos-base, para 11,3%. O Itaú BBA resumiu o trimestre como um resultado acima do esperado, porém de menor qualidade.
A pressão também migrou para as empresas de menor porte. Prince afirmou que a inadimplência cresce no topo do segmento de micro e pequenas empresas e no low middle, com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 200 milhões, onde os pedidos de recuperação judicial atingiram recorde no primeiro semestre. O banco elevou de 30% para 40% a parcela dessa carteira colateralizada por fundos garantidores e voltou à liderança de desembolsos no FGI e no FGO.
Banco encerrou o parcelamento automático de fatura sem entrada para clientes das classes D e E, prática que os pares privados não adotam, após a inadimplência do cartão dobrar no segundo trimestre (Foto: Arthur Menescal/Bloomberg)
Depois de décadas pressionado entre a popularidade junto ao consumidor e a rejeição de chefs da alta gastronomia, o salmão indica caminhar para sua “reabilitação” no Brasil. Um pequeno grupo de produtores e importadores começou a trazer ao país o peixe produzido de forma sustentável, com certificação auditada e sem antibióticos, e o produto começa a quebrar uma barreira no mercado nacional.
Por mais que poucos peixes tenham se tornado tão populares no Brasil quanto o salmão, com importação anual de mais 100.000 toneladas, muita gente que leva gastronomia a sério faz questão de mantê-lo longe do prato. “Não servimos salmão”, dizem até hoje cartazes em alguns dos melhores omakases (o menu degustação de restaurantes japoneses) do país, transformando a recusa em declaração de princípios.
A rejeição nasceu de uma crítica à forma como o peixe é produzido há décadas no Chile, de onde vem praticamente todo o salmão consumido no Brasil. O peixe não é nativo do país, foi introduzido no século XX para pesca esportiva e ganhou escala industrial quando produtores noruegueses, em parceria com a Universidade do Chile, viram no Hemisfério Sul a solução logística para abastecer mercados como Brasil, Estados Unidos e México. A demanda explodiu, e a produção cresceu, mas afastou consumidores e chefs mais exigentes preocupados com a sustentabilidade.
“A produção cresceu de forma rápida e desorganizada, o que gerou problemas de qualidade”, disse Roberto Veiga, CEO da Damm, em entrevista à Bloomberg Línea, citando questões ambientais e de qualidade que alimentaram o discurso contrário ao peixe.
Esse quadro começa a mudar, entretanto. Com a produção de salmão mais controlada, é possível oferecer um produto de qualidade e que foge do padrão anterior, segundo o executivo.
Um dos símbolos mais evidentes da virada é o Aizomê, restaurante da chef Telma Shimizu em São Paulo, referência da alta culinária japonesa no país. Ela contou à Bloomberg Línea que passou a incluir o salmão entre os peixes que serve depois de conhecer uma origem certificada.
“As pessoas já consomem muito salmão, e não faz sentido ir contra isso, ou falar mal. A partir do momento que temos um salmão com proposta sustentável, sem sofrimento animal e com mais sabor, achamos que faz sentido apoiar”, disse.
A mudança é resultado de um trabalho de anos de empresas como a Damm, indústria paulista de pescados que buscou trazer este salmão de qualidade, produzido de forma sustentável, sem antibióticos e sem sofrimento animal, com certificações internacionais auditadas para comprovar cada etapa.
A empresa já atuava no setor há 50 anos, e começou o movimento em direção à sustentabilidade 11 anos atrás, quando os organizadores da Olimpíada do Rio precisavam de um fornecedor de peixe que possuísse certificações de sustentabilidade. A Damm viu nisso uma oportunidade e gerou uma mudança cultural interna voltada para auditorias e certificações deste tipo.
“Acho que fomos os únicos que nos voluntariamos na época a fazer isso. Porque dá muito trabalho conseguir essas certificações, falar de rastreabilidade, provar essa sustentabilidade”, disse Veiga.
Hoje, a linha sustentável responde por 20% das cerca de 100 toneladas de salmão que a Damm produz por semana - um quinto dos R$ 300 milhões que ela fatura por ano. E boa parte é vendida sem cobrança extra, porque poucos clientes pedem o produto, explicou o executivo.
Essa falta de prioridade ajuda a explicar o pequeno volume, segundo ele, uma vez que o custo é mais baixo do que se pode imaginar.
O salmão certificado e sem antibiótico custa cerca de 60 centavos de dólar a mais por quilo, algo entre 5% e 8% do preço, disse. Ainda assim, a resistência vem sobretudo dos restaurantes. “A cabeça do empresário no Brasil ainda prioriza apenas buscar o menor preço”, disse Veiga.
O plano da empresa é chegar a 100% do volume certificado em cerca de três anos e transformar a Damm em algo que o mercado de pescados não tem. “Não existe marca de peixe. Queremos fazer com o salmão algo próximo do que a Sadia construiu com a salsicha ao longo de décadas, ainda que em escala menor e com posicionamento premium”, disse.
Certificação e reconhecimento
Apesar de ter a certificação há mais de uma década, a Damm demorou a usar isso como um argumento para atrair consumidores, afirmou Veiga. Antes disso, foi buscar outros tipos de reconhecimento no mercado especializado.
Há cerca de oito anos, convencido de que a certificação de sustentabilidade era o padrão máximo possível, Veiga diz ter procurado a Korin, empresa brasileira que é referência em produção de frango sem antibióticos, propondo fabricar salmão com a marca. Ouviu um não seco. “Eles falaram que o salmão era o alimento mais tóxico que existe no mundo”, contou o executivo sobre a resposta que diz ter recebido na ocasião. A exigência da companhia era uma certificação de bem-estar animal, que não existia na salmonicultura.
Veiga levou a demanda à salmoneira que fornece para a Damm, sem esperar resultado. Cerca de um ano atrás, a produtora obteve a certificação, depois de mudar a forma de abate, a alimentação e a densidade dos tanques-rede. Com os dois selos em mãos, a Korin aceitou a parceria, e o salmão da Damm passou a carregar a marca nas gôndolas. “Para mim é a cereja do bolo”, disse o CEO sobre o aval da empresa que um dia classificou o peixe como tóxico.
Restava uma contradição, pois a certificação de bem-estar animal permite medicar o peixe doente, enquanto a de sustentabilidade impõe limites baixos de medicação.
“Se você tem 100% de um, você pode perder no outro”, explicou Veiga. A saída foi eliminar o antibiótico por completo, resultado que ele atribui em parte à própria mudança nas condições de criação. Com menos peixes por tanque, o animal cresce melhor, adoece menos e pode ser abatido mais rápido, reduzindo a exposição ao ambiente aberto do mar.
A geografia completou o trabalho com a produção certificada perto do Estreito de Magalhães, onde a água doce do degelo da cordilheira e da calota polar reduz a salinidade do mar e inibe parasitas de pele que estressam e adoecem o peixe, explicou.
Guinadas
A guinada para o salmão certificado se apoia em uma empresa que já se reinventou outras vezes. A Damm nasceu como defumadora de peixes brasileiros, como sardinha, cavalinha e meca, e mudou de patamar quando a hotelaria internacional chegou a São Paulo e ao Rio de Janeiro, trazendo chefs que exigiam produtos mais sofisticados e ajudaram a moldar a defumação da casa.
O modelo funcionou até a pandemia, quando o defumado, dependente de aviação e eventos, perdeu seus dois principais destinos. “O nosso produto era sinônimo de aglomeração”, contou Veiga.
Para não quebrar, a empresa passou a vender salmão fresco premium para restaurantes japoneses e cresceu junto com as dark kitchens. Depois, avançou sobre o trabalho de pré-preparo dos clientes, pressionados pela falta de mão de obra, entregando o peixe filetado e porcionado sob medida. “Eu faço do jeito que o cliente quiser, mas com a minha qualidade”, disse.
A operação, que emprega cerca de 100 pessoas na indústria, processa hoje cerca de 100 toneladas de salmão por semana e fatura na casa de R$ 300 milhões por ano.
Nos últimos anos, a aposta migrou também para o consumidor final. “O varejo vai ser o caminho”, afirmou o executivo. O canal já representa 50% da receita, mesmo peso do food service, e a linha sustentável está em redes como Casa Santa Luzia, Varanda, Mambo e Red Lemon. A leitura é que o público, informado, passará a pressionar os restaurantes a favor de produtos sustentáveis.
Produção do peixe no Chile cresceu sem coordenação, sem sustentabilidade e afastou consumidores e chefs mais exigentes (Foto: Diego Giudice/Bloomberg News)
Na corrida contra as fraudes digitais, a Certta está prestes a triplicar a receita entre os anos de 2024 e o fim de 2026. A alta foi puxada por um salto de 80% só no ano passado e por um crescimento composto de 67% ao ano desde 2022.
Foi também em 2025 que a startup, especializada em prevenção a fraudes digitais, registrou pela primeira vez Ebitda positivo, embalada por um aporte de R$ 50 milhões da L4 Venture Builder, fundo de venture building ligado à B3, fechado em setembro daquele ano.
Hoje a Certta, que atendia sob o nome de CAF até o começo do ano, tem no portfólio mais de 300 clientes, entre Natura, Vivo e Mercado Livre.
O negócio, com tecnologia para reconhecimento facial, validação de documentos, checagem de antecedentes e produtos antifraude, atua com um time enxuto de 340 pessoas, que inclui equipes dedicadas para manter mais de 20 modelos de IA rodando dentro das soluções da empresa.
Em operação desde 2019, a startup é concorrentes de startups como a Idwall, adquirida nos últimos meses pela Serasa Experian, e da Unico, unicórnio brasileiro no setor e com uma carteira de clientes com mais de 300 empresas, incluindo grandes fintechs e negócios Magazine Luiza, Banco Neon e Vivo.
O ritmo de expansão da startup - e das concorrentes - coincide com uma sofisticação sem precedentes das ameaças cibernéticas, a partir do avanço da inteligência artificial. O Brasil, com a sua criatividade nativa, sempre foi um mercado fértil para criminosos digitais. A AI potencializou, como conta o CEO da Certta, o americano Jason Howard.
“Quando estava na Mastercard, gerenciava toda a linha de negócios global de chargebacks (contestação de compras). Vi fraudes de cartão de crédito no mundo inteiro. E quando perguntava para qualquer grande e-commerce nos EUA qual é o mercado de fraude mais desafiador por transação, a resposta era o Brasil”, disse em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea.
“Se você soma isso ao pix, ao movimento de dinheiro mais rápido, à digitalização da biometria e ao uso massivo de dispositivos móveis, tem um cenário único. O Brasil está muito mais avançado que os Estados Unidos nessa dinâmica financeira digital.”
Antes de chegar à Certta, Howard passou quase uma década na Ethoca — startup de prevenção a fraudes fundada pelos canadenses Darryl Green, André Edelbrock e Trevor Clarke e comprada pela Mastercard em 2019.
Ele entrou como chief commercial officer em 2013, liderou o time comercial durante a integração da Ethoca à Mastercard e, entre 2021 e 2022, comandou a unidade de negócios da Ethoca dentro da própria Mastercard, em Austin, no Texas.
Mercado brasileiro
Foi esse mesmo grupo de ex-Ethoca — Green, Edelbrock e Clarke — que, em 2022, liderou o aporte de R$ 80 milhões na então CAF, startup fundada em 2019 em Venâncio Aires (RS) por Leonardo Rebitte e Rafael Viana. Darryl Green assumiu a presidência após o aporte, e meses depois trouxe Howard para o time. Primeiro, como chief revenue officer, desde fevereiro de 2023, na posição de CEO no lugar de Green, que passou a ocupar a cadeira de presidente do conselho.
Na tese, um negócio global que começaria a avançar por Reino Unido, México, Canadá e Estados Unidos. A realidade mostrou um outro caminho e o Brasil é origem de 95% da receita da startup. Os 5% restantes são de clientes locais que demandam os produtos da startup em outros destinos na América Latina.
A idtech fincou os pés no Brasil e não acompanhou o ritmo de internacionalização de concorrentes locais, como é o caso da Unico. A avaliação interna é de que o mercado brasileiro, por sua complexidade e dimensões, demanda a concentração total dos recursos.
“Há uma realidade pragmática na construção de um negócio”, disse o CEO global. “Estávamos performando extremamente bem no Brasil, então fazia muito mais sentido continuar focando nossos recursos aqui para construir uma escala financeira robusta. Isso é o que nos dá a opção real para, no futuro, considerar detalhadamente para onde queremos ir, em vez de tentar fazer muita coisa cedo demais e pulverizar nossa eficiência”.
Essa cautela com a expansão internacional não se repete na estratégia de produto, onde a Certta acelerou o passo. A startup, que integra e cura mais de 50 fontes de dados e tecnologias diferentes, se apresenta hoje como um “hub de verificação inteligente” — conceito que resume a mudança de posicionamento da marca, batizada até o início do ano de CAF.
O conceito de hub
Na prática, segundo dados internos, a Certta já viabilizou mais de 8 mil jornadas digitais distintas de onboarding e transações desde 2019, direcionando cada caso para a combinação de tecnologias mais adequada ao risco identificado.
“Não se trata mais de ter uma única solução pontual ou um dado isolado. Você precisa empilhar camadas e ser capaz de fazer isso muito rápido”, disse Howard.
Segundo ele, o salto para um modelo orientado por IA nasceu de uma base de orquestração simples, construída ainda no início da operação da Certta no Brasil, que permitia aos clientes desenhar seus próprios fluxos de verificação.
Esse alicerce sustentou o lançamento, neste ano, de duas novas frentes de produto. O Flow permite montar fluxos personalizados de verificação e rodar testes comparativos — os chamados testes A/B — entre diferentes jornadas digitais, além de árvores de decisão dinâmicas, para identificar qual combinação gera mais segurança sem sacrificar a conversão. Já o Hubby é o agente de IA central da companhia, descrito internamente como um “copiloto” das equipes de risco.
A startup aposta também na análise de documentos não estruturados, com o VerifAI Docs, que usa IA para identificar fraudes em comprovantes de renda, recibos, faturas e contratos. Em uma prova de conceito citada pelo CEO, a tecnologia identificou que 8% de todos os documentos usados por um grande cliente para cadastrar pequenas empresas haviam sido manipulados digitalmente por IA — um índice de fraude, segundo ele, impossível de detectar a olho nu.
É esse arsenal que explica o salto de 3,1 vezes na adoção da plataforma em 2025, ritmo que a Certta projeta manter ao longo de 2026. Além do avanço em novas contas, a expansão dentro da própria carteira é hoje um dos pilares de crescimento da Certta. “Estamos iniciando nossos ciclos de planejamento para 2027 e 2028, e vemos um forte crescimento orgânico no pipeline”, afirma.
Segundo Howard, a lógica do hub faz com que um cliente que chega para resolver um problema pontual — uma verificação de identidade, por exemplo — expanda o uso para outras frentes ao longo do tempo.
Essa dinâmica também contribui para a diversificação do negócio. Entre as seis famílias de produtos, nenhuma responde por mais de 25% da receita.
“Isso nos permite ter métricas incríveis de retenção de receita e métricas de crescimento de receita”, diz. “E eu vejo que o mercado está muito aberto neste momento para essas soluções”.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
O governo do presidente Javier Milei começou a mudar seu foco, passando de um abordagem voltada exclusivamente para o combate à inflação para uma estratégia mais equilibrada, à medida que o crescimento, a geração de empregos e seus índices de aprovação enfrentam dificuldades para se recuperar.
O Banco Central da Argentina permitiu a desvalorização da moeda nos últimos três meses, enquanto o Tesouro do país injetou mais liquidez na economia, enquanto uma série de indicadores demonstra que a paciência tem se esgotado após mais de dois anos de austeridade severa.
Com isso, Milei adota uma abordagem menos rígida em sua luta contra a inflação — sua principal conquista —, em uma tentativa de contrariar as percepções negativas dos eleitores em relação à economia.
As bolsas internacionais registram leve alta no início de quinta-feira (13) depois que um relatório sobre a inflação nos EUA reforçou as expectativas de que o Federal Reserve não precisará aumentar as taxas de juros no próximo mês.
- IA no topo do mercado chinês. A CXMT ultrapassou a Tencent, listada na bolsa de Hong Kong, como a empresa chinesa de maior valor de mercado do mundo, ressaltando o avanço da IA que alimenta a demanda por ações de fabricantes de chips de memória
- Alta de títulos americanos. Um leilão de títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos, no valor de US$ 42 bilhões, resultou no maior rendimento deles desde 2007, atraindo investidores que exigem maior remuneração para financiar o governo dos EUA.
- Lenovo bate recorde. A fabricante de computadores espera aumentar sua receita para US$ 100 bilhões neste ano fiscal, elevando suas perspectivas depois que a demanda por hardware de IA ajudou seus resultados do primeiro trimestre a superarem as estimativas dos analistas por uma ampla margem.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
O Nubank (NU) divulgará seus resultados do segundo trimestre nesta quinta-feira (13), após o fechamento da Wall Street, com o mercado atento ao crescimento do crédito, às margens e à qualidade dos ativos. O consenso compilado pela Bloomberg aponta para mais um trimestre de expansão.
Os analistas esperam uma receita de US$ 5,38 bilhões, um aumento de 65,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, e um lucro líquido ajustado de US$ 990,9 milhões, um aumento de 63,4%. O lucro por ação ajustado ficaria em US$ 0,199, com um crescimento de 60,8%.
O cenário inicial continua favorável. O Nubank superou as expectativas do consenso em relação ao lucro por ação ajustado nos últimos oito trimestres, de acordo com dados da Bloomberg. Em relação à receita, superou as previsões em seis dos últimos oito períodos, enquanto no lucro líquido ajustado, superou-as em sete.
Gabriel Gusan, analista sênior da Bloomberg Intelligence, considera que “o Nubank provavelmente manteve um crescimento sólido no segundo trimestre, com o consenso apontando para um lucro ajustado superior em relação ao trimestre anterior”.
O analista espera uma recuperação da margem de juros líquida ajustada pelo risco e a continuidade da expansão do crédito. As recuperações relacionadas ao programa Desenrola no Brasil poderiam dar um impulso, embora o México e a evolução dos empréstimos figuram entre os pontos que requerem atenção.
Fatores-chave para os resultados do Nubank
O Bradesco BBI projeta um lucro líquido de US$ 975 milhões, um aumento de 11,9% em relação ao trimestre anterior e de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior. Analistas do banco esperam ainda que a carteira de empréstimos cresça 8% em relação ao trimestre anterior e 48% em relação ao mesmo período do ano anterior, embora o ritmo de crescimento deva desacelerar em relação aos 54% registrados no primeiro trimestre.
Marcelo Mizrahi, analista do Bradesco BBI, prevê que a margem de juros líquida ajustada pelo risco alcance 10,5%, com uma expansão de 100 pontos-base em relação ao trimestre anterior. As despesas operacionais, no entanto, exerceriam pressão sobre o índice de eficiência.
O Bradesco BBI estima uma deterioração trimestral de 130 pontos-base nesse indicador, principalmente devido a uma maior remuneração baseada em ações.
Também prevê uma alíquota efetiva de imposto mais elevada, após os benefícios fiscais da Lei do Bem, que concederam incentivos fiscais às empresas brasileiras que realizam investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica e que tiveram impacto no primeiro trimestre.
O UBS apresenta uma análise positiva para o período. Thiago Batista, Beatriz Shinye e Kaio Prato afirmam que “o segundo trimestre pode ser um momento especialmente favorável para a Nu”, apoiado por uma normalização do custo de risco e por uma evolução sólida da receita líquida de juros.
Os dados do Brasil analisados pelo UBS mostraram que a inadimplência precoce no setor de cartões de crédito permaneceu estável, em 3,2%, enquanto nos empréstimos pessoais aumentou 10 pontos-base, chegando a 5,5%. No primeiro trimestre, os aumentos haviam sido de 60 e 20 pontos-base, respectivamente.
A inadimplência de prazo mais longo oferece uma outra perspectiva. Os empréstimos pessoais e os cartões de crédito registraram aumentos trimestrais de 80 e 40 pontos-base , atingindo 10,5% e 9,5%, respectivamente. O UBS atribui parte dessa variação à sazonalidade habitual do segundo trimestre.
O Desenrola, um programa do governo para renegociar dívidas de consumidores inadimplentes, pode mudar esse quadro. O JPMorgan (JPM) observou, em junho, uma queda mensal de 240 a 290 pontos-base na inadimplência de cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia de salário no segmento S2, que agrupa instituições financeiras de grande porte, embora tenha alertado que os dados possam estar incompletos.
Para o banco, os investidores prestarão mais atenção a possíveis sinais de desaceleração do crédito e às orientações da administração sobre a qualidade dos ativos, sem o efeito do Desenrola. O banco mantém sua recomendação overweight e estabelece para o Nubank um preço-alvo de US$ 20.
México avança, mas a qualidade do crédito preocupa
O México será outro ponto de destaque nos resultados, embora seu peso nos lucros consolidados ainda seja reduzido. O Nubank México encerrou o segundo trimestre com um lucro líquido de MXN$ 126 milhões (cerca de US$ 7 milhões), seu segundo trimestre consecutivo com lucros.
O Bradesco BBI destacou que os empréstimos aumentaram 8% em relação ao trimestre anterior e a receita líquida de juros, 7%. As provisões, por outro lado, cresceram 18%, o que provocou uma contração de 20% na receita líquida de juros ajustada pelo risco.
A taxa de inadimplência no México aumentou 90 pontos-base, chegando a 6,6%. Ao mesmo tempo, o índice de eficiência melhorou para 26,8%, ante 28,9% no trimestre anterior, ficando bem abaixo dos 64% registrados no quarto trimestre de 2025.
O JPMorgan também identifica essa dualidade. O banco considera que os investidores pessimistas podem se concentrar nas maiores provisões, na fraqueza das comissões e na menor margem ajustada pelo risco, enquanto uma visão de longo prazo pode se concentrar na continuidade dos lucros e na licença bancária.
Os dados divulgados após o encerramento do trimestre mantêm essa atenção voltada para o crédito. O Citi (C) informou que a carteira mexicana atingiu cerca de MXN$ 36,5 bilhões (cerca de US$ 2,1 bilhões) em julho, um aumento de 2,3% em relação ao mês anterior e de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto os empréstimos S3, uma categoria de créditos vencidos ou inadimplentes, atingiram 7%.
Mesmo assim, Gustavo Schroden, do Citi, considera que “a notícia pode ser positiva, principalmente porque vemos o México como um elemento central do crescimento dos lucros do Nubank”. A empresa também destacou que o segundo trimestre foi o segundo consecutivo com resultado positivo antes dos impostos.
As perspectivas não se limitam ao trimestre. O UBS mantém sua recomendação de compra e um preço-alvo de US$ 16,90. A empresa avalia o Nubank em 13,7 vezes os lucros estimados para 2027, o que representa um desconto em relação a outras fintechs globais, apesar das expectativas semelhantes de crescimento dos lucros.
O Bradesco BBI também mantém uma visão positiva e define seu preço-alvo em US$ 17. O Citi, por sua vez, tem uma meta de US$ 14,50, ao mesmo tempo em que acompanha a construção de uma plataforma global, a expansão internacional e a aplicação de inteligência artificial em crédito e processos bancários.
No Brasil, o JPMorgan identifica os clientes de renda média como uma das principais fontes de crescimento marginal. O Nubank lançou o Croma para esse segmento, com benefícios maiores do que o Nubank+, embora o banco ainda não tenha incorporado o impacto sobre o lucro por ação em suas estimativas.
A Colômbia contribui com mais um elemento para a expansão regional. O Citi indicou que o Nubank continua ganhando participação no mercado de empréstimos e depósitos, com uma participação de 6% nos depósitos de pessoas físicas e certificados de depósitos a prazo, enquanto o México ganha relevância e a oportunidade nos Estados Unidos permanece em um estágio menos definido.
O consenso compilado pela Bloomberg refleteuma posição amplamente favorável: 18 dos 22 analistas, ou seja, 81,8%, recomendam comprar ações do Nubank; dois aconselham manter e outros dois, vender. O preço-alvo médio para os próximos 12 meses é de US$ 17,59. Considerando o preço atual de US$ 13,50, esse preço-alvo representa um potencial de valorização de 30,3%.
Os resultados terão como principais variáveis a normalização do custo de risco, a margem ajustada pelo risco e o ritmo de expansão do crédito. A atenção também estará voltada para a qualidade dos ativos no Brasil e no México, especialmente após os sinais de aumento da inadimplência no mercado mexicano e o efeito do programa Desenrola sobre os indicadores brasileiros.
O preço-alvo médio das ações do Nubank é de US$ 17,59, indicando um potencial de valorização de 30,3% ante o preço atual de US$ 13,50. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)
Após perder mercado para marcas chinesas, a Jeep quer reconquistar o consumidor de SUVs, seu principal segmento de atuação no país. A estratégia inclui renovar o portfólio com carros eletrificados, além de modelos a combustão.
A marca do grupo Stellantis (STLA) acaba de lançar um modelo híbrido inédito, o Avenger, com preço de lançamento a partir de R$ 119.990.
“O lançamento do Avenger vai fazer com que a Jeep volte a crescer”, disse o CEO da Stellantis para América do Sul, Herlander Zola, em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (12).
O novo modelo conta com transmissão automática em todas as versões e motorização “MHEV”. Conhecido também como híbrido leve, trata-se de um veículo com motor a combustão auxiliado por um motor elétrico menor (de 12V), que recupera energia nas frenagens e reduz consumo e emissões.
O Avenger chega para ser o carro de entrada do portfólio da Jeep, que desde a sua estreia no Brasil como fabricante local, em 2015, se consolidou como uma das líderes no segmento de SUVs com o Renegade, Compass e Commander.
Na visão de Zola, a Jeep perdeu espaço principalmente pela entrada de inúmeros players no segmento - e não somente chineses -, além da competição que extrapola o mercado de SUVs. Segundo o executivo, o brasileiro ainda se baseia muito na faixa de preço para tomar uma decisão de compra de carro, e não tanto pela categoria.
“Diante da oferta do Avenger, hoje, trazemos o tíquete de entrada da Jeep para baixo, e isso nos dá a chance de atingir um número maior de clientes. Tenho certeza que isso vai contribuir para que a marca volte a avançar.”
Segundo dados da Fenabrave, associação que reúne as concessionárias, os três modelos da Jeep somaram 8,66% de participação no segmento de SUVs no acumulado até julho deste ano. No mesmo período de 2022, primeiro ano cheio de vendas dos três veículos, essa participação era de 20,4%.
Zola disse que a velocidade de renovação do portfólio da Jeep se mostrou “pouco eficiente” em meio às mudanças do segmento nos últimos anos. “Isso também contribuiu para que a Jeep perdesse espaço nesse mercado. Mas agora temos um ponto de inflexão”, avalia.
Enquanto a Jeep não renova o seu portfólio, a marca vem promovendo ajustes de preços em algumas versões de todo o seu portfólio com descontos praticados nas concessionárias.
O executivo afirma que, com a chegada do Avenger, deve haver um ajuste natural de preços. “Já temos um plano desenhado e provavelmente devemos reposicionar algumas versões do Renegade.”
Para Zola, a Jeep vai buscar a competitividade de maneira saudável. “Não é uma busca a qualquer preço.”
Estratégia da Stellantis
O novo modelo da Jeep será produzido na fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, originalmente inaugurada pelo grupo PSA (Peugeot-Citroën) e posteriormente integrada à Stellantis após a fusão com a Fiat Chrysler em 2021.
Segundo Zola, a escolha se deve ao nível de utilização da capacidade instalada no grupo. As plantas de Goiana, em Pernambuco, e Betim, em Minas Gerais, operam acima de 90%, relata.
Na unidade fluminense, esse índice girava em torno de 40% antes da chegada do Avenger. “Escolhemos Porto Real para buscar um equilíbrio das plantas”, disse.
Ele acrescentou que além da renovação do portfólio da Jeep, o grupo como um todo tem outras táticas para fazer frente ao avanço dos eletrificados chineses, incluindo parcerias com marcas da própria China.
Há ainda a expectativa de parceria global com a chinesa Dongfeng. Espera-se que a Stellantis produza, em solo chinês, dois modelos Peugeot e dois veículos Jeep em parceria com a montadora da China, destinados ao mercado doméstico e outras regiões.
A pressão que consumiu os balanços do Banco do Brasil (BBAS3) por mais de dois anos saiu do campo e chegou à conta corrente do cliente de varejo.
No segundo trimestre, a carteira de pessoas físicas superou o agronegócio como principal origem de novos créditos problemáticos, indicador que mede a variação do saldo vencido acima de 90 dias somada às baixas para prejuízo.
O balanço divulgado nesta quarta-feira (12), depois do fechamento do mercado, mostra lucro líquido ajustado de R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre, queda de 34,2% sobre o mesmo período de 2025 (R$ 11,2 bilhões), com retorno sobre o patrimônio líquido de 7,9%, ante 12,6%.
A rentabilidade permanece a menor entre os grandes bancos brasileiros no trimestre. O Itaú Unibanco registrou 24,3%, o Bradesco alcançou 16,2% e o Santander Brasil, 12,5%.
Na carteira de varejo do BB, a inadimplência acima de 90 dias chegou a 8,41% em junho, ante 6,82% em março.
A formação de novos créditos problemáticos no segmento passou de R$ 5,66 bilhões para R$ 11,84 bilhões em três meses, e o índice de cobertura, que mede quanto o banco tem provisionado para cada real vencido há mais de 90 dias, recuou de 147,9% para 125,8%. Os atrasos acima de 30 dias na mesma carteira subiram de 9,30% para 11,42%.
A leitura do trimestre isolado é melhor que a do semestre. Entre abril e junho, o lucro somou R$ 3,9 bilhões, com alta de 3,3% em 12 meses. A margem financeira bruta cresceu 9,6% na comparação anual, para R$ 27,5 bilhões, e o índice de eficiência acumulado em 12 meses ficou em 28%.
“A geração de receitas segue sólida, evidenciando a capacidade negocial do banco, a força do conglomerado e o relacionamento próximo com os clientes”, informou a instituição em comunicado.
Agro piora nos atrasos acima de 30 dias
Na carteira ligada ao agro, a inadimplência acima de 90 dias praticamente parou de subir, com avanço de 0,05 ponto percentual no trimestre, para 6,27%.
A formação de novos créditos problemáticos caiu pelo segundo trimestre consecutivo, de R$ 7,18 bilhões para R$ 5,72 bilhões, e a cobertura voltou a crescer, de 156,1% para 165,2%, após quedas sucessivas desde junho de 2025.
O sinal contrário está nos atrasos de curto prazo. A inadimplência acima de 30 dias da carteira agro subiu de 7,35% para 8,97% no trimestre, patamar que antecede a migração para faixas mais longas. O banco associa a melhora nos indicadores de 90 dias ao endurecimento das garantias.
O teste da nova política está adiante. A pontualização dos vencimentos rurais caiu de 87% em janeiro para 74% em julho, menor patamar da série divulgada.
Entre agosto e dezembro, a participação da safra contratada após julho de 2025 sobe de 35% para 57% do volume que vence a cada mês.
Os pedidos de recuperação judicial de clientes do setor somaram 167 no trimestre, ante 162 nos três meses anteriores, com volume de R$ 1,45 bilhão.
Dois anos de crise no crédito rural
O BB completou cerca de dois anos de deterioração no crédito rural. O discurso da gestão sobre a inadimplência do agronegócio mudou de eixo a cada revisão de guidance.
O banco responde por cerca de metade do financiamento rural do país e opera programas como Pronaf e Pronamp, o que o deixa mais exposto ao ciclo agrícola do que os concorrentes privados.
Em agosto de 2024, o banco elevou pela primeira vez a projeção de PCLD (Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa) por causa do agro. Desde então, a explicação oficial sobre o problema, em teleconferências com investidores e analistas, oscilou entre causas sazonais a estruturais.
Em maio de 2024, a justificativa eram as enchentes no Rio Grande do Sul. Em novembro daquele ano, na segunda revisão de provisões, passou a ser a queda dos preços de soja e milho, três meses depois de executivos dizerem que os atrasos estavam sob controle, apesar de apontar sobre a atuação de escritórios de advocacia orientando produtores rurais a entrarem em recuperação judicial.
Em maio de 2025, com o guidance de 2025 inteiro colocado em revisão, a culpa virou contábil. A Resolução 4.966 do CMN (Conselho Monetário Nacional), em vigor desde janeiro daquele ano, passou a exigir provisão pela perda esperada de cada contrato, e não mais pelo calote já ocorrido, o que antecipou ao balanço um prejuízo antes diluído no tempo.
Em novembro de 2025, o agro foi descrito como detrator do resultado e o produtor alavancado no mercado de capitais, apontado como origem do problema. Na revisão de maio de 2026, a justificativa migrou para o cenário geopolítico e seus reflexos nos indicadores macroeconômicos. O critério de concessão de crédito do próprio banco nunca apareceu entre as causas listadas.
A vice-presidência de Agronegócios e Agricultura Familiar foi a última cadeira preenchida pela CEO Tarciana Medeiros, que assumiu o comando do BB em janeiro de 2023. Vaga desde a saída de Renato Naegele, no fim de 2022, era a única das oito vice-presidências sem titular no banco. Luiz Gustavo Braz Lage só foi eleito pelo conselho de administração em maio de 2023.
Projeções mantidas
O banco não anunciou revisão do guidance junto com o balanço. As faixas seguem as divulgadas em maio, com lucro entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões e custo do crédito entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões.
O quadro por segmento mostra descolamento em relação ao planejado. A carteira de pessoas físicas cresceu 4,4% no acumulado, abaixo do piso de 6% projetado, enquanto a de agronegócios avançou 4,1%, acima do teto de 2%. A de empresas recuou 6,4%, contra piso de -3%.
O banco aprovou R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio complementares, com pagamento em 11 de setembro.
Na carteira de varejo do BB, a inadimplência acima de 90 dias atingiu 8,41% em junho, de 6,82% em março, segundo balanço do segundo trimestre. (Foto: Arthur Menescal/Bloomberg)
Operadoras de shopping center estão vendendo fatias minoritárias de seus empreendimentos a fundos imobiliários, sem abrir mão da administração e recebendo parte do preço em cotas do próprio comprador. É a migração para o modelo asset-light, em que a companhia libera capital parado em tijolo, divide a receita do aluguel pago pelos lojistas com o novo sócio, mas segue cobrando pela gestão do empreendimento inteiro.
A Multiplan (MULT3) assinou compromisso de compra e venda de 9,33% do ParkShopping Barigüi, em Curitiba (PR), por R$ 250 milhões, divulgou a TRX Investimentos nesta quarta-feira (12). Foi o quarto negócio anunciado pelo TRXF11, fundo gerido pela TRX, desde o início de agosto.
Os quatro somam cerca de R$ 3,47 bilhões, e nenhum está concluído. Três são memorandos de entendimentos, que fixam termos preliminares, e o da Multiplan é compromisso de compra e venda, instrumento que vincula as partes e depende do cumprimento de condições previamente acertadas.
Na maior operação anunciada, o fundo se compromete a pagar cerca de R$ 2,13 bilhões por participação em dois veículos geridos pela Cy.Capital, plataforma imobiliária do Grupo Cyrela (CYRE3), que reúnem quatro galpões logísticos e um edifício corporativo.
No galpão de Jaboatão dos Guararapes (PE), comprado por R$ 210 milhões, a fatia é de 70%, com contrato de locação até fevereiro de 2030.
Nos shoppings da Iguatemi (IGTI11), as frações variam conforme o ativo. São 36% do Iguatemi Alphaville, em Barueri (SP), 36% do I Fashion Outlet, em Novo Hamburgo (RS), 35,55% do Praia de Belas, em Porto Alegre (RS), e 10% de cada uma das unidades de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, no interior paulista, por R$ 876,1 milhões.
Do valor pago no fechamento, R$ 350,5 milhões podem ser compensados com créditos da subscrição de cotas do próprio fundo pelos vendedores, e o saldo vem em duas parcelas corrigidas pela Taxa DI, segundo o fato relevante de 7 de agosto.
O mesmo documento condiciona a operação à realização da oferta pública de cotas necessária para pagar essa parcela e à aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A oferta já está em curso. O fundo comunicou ao mercado, na semana passada, a 13ª emissão de cotas, de R$ 5 bilhões, com lote adicional que pode dobrar a captação.
O desenho não é exclusivo da TRX, e os mesmos ativos já passaram por ele. Em março, o XP Malls (XPML11) concluiu a compra de participações em cinco shoppings por R$ 608,67 milhões, quatro deles os mesmos que agora vão para o TRXF11, e liquidou R$ 308,6 milhões com subscrição de cotas do próprio fundo pelos vendedores.
Em novembro, o Hedge Brasil Shopping (HGBS11) assinou memorando por 20% do ParkShopping São Caetano, por R$ 237 milhões, esse pago apenas em dinheiro.
O efeito da sequência aparece no que sobra para a vendedora. Concluída a operação com a TRX, a Iguatemi ficará com 15% do Iguatemi Alphaville e 15% do I Fashion Outlet Novo Hamburgo, segundo a apresentação anexa ao fato relevante. Nos dois casos, a companhia permanece responsável pela administração e pela operação, e é o seu nome que segue na fachada.
Shoppings fora do topo de linha
Nem a Iguatemi nem a Multiplan venderam seus melhores shoppings. Os cinco da Iguatemi estão na faixa B de uma escala que vai de AAA a C e mede a capacidade de atrair marcas premium, ampliar tráfego e reajustar aluguéis acima da inflação, segundo o relatório GS LatAm Property Compass, do Goldman Sachs, de junho de 2025. O ParkShopping Barigüi está uma faixa acima, em A.
Nenhum dos quatro shoppings classificados como AAA naquele levantamento entrou nas operações. Dois pertencem à Iguatemi, o Iguatemi São Paulo e o JK Iguatemi, e dois à Multiplan, o BarraShopping e o MorumbiShopping.
Entre os cinco ativos da Iguatemi, a ocupação vai de 85,7% a 97,8%. O Iguatemi São José do Rio Preto está na ponta baixa, com vacância em alta pelo segundo ano seguido, de 10,4% em 2024 para 14,3% em 2026, conforme a apresentação anexa ao fato relevante. O Iguatemi Alphaville está na ponta alta.
“Com essa aquisição, o TRXF11 continua ampliando sua presença em imóveis que fazem parte do cotidiano das pessoas”, afirmou José Alves Neto, sócio-fundador e membro do comitê de investimentos da TRX, no comunicado sobre o ativo de Curitiba.
O fato relevante da Iguatemi encerra com a ressalva de que o memorando estabelece termos preliminares e não representa, quanto à consumação da aquisição, compromisso definitivo e irrevogável entre as partes. A conclusão depende ainda das auditorias jurídica e técnica, da celebração dos documentos definitivos e do não exercício dos direitos de preferência aplicáveis.
Fachada do ParkShopping Barigüi, em Curitiba, onde a Multiplan (MULT3) acertou a venda de 9,33% ao fundo imobiliário TRXF11 por R$ 250 milhões (Foto: Divulgação)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Os volumes de contratação no Brasil, medidos pelo LinkedIn, seguem abaixo do patamar anterior à pandemia, o que reforça a leitura de parte dos economistas de uma acomodação do mercado de trabalho no país.
Em entrevista à Bloomberg Línea, Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina, disse que o número de contratações registradas na plataforma estão chegando só agora ao nível pré-pandemia, mas ainda se mantêm 5% abaixo do patamar de 2019.
O executivo descreve um cenário de retração generalizada, baseado nos números da plataforma, que recentemente superou a marca de 100 milhões de usuários cadastrados no Brasil. “Poucos países estão em crescimento de vagas de trabalho”, afirmou.
Segundo Beck, as pesquisas da companhia registram que mais da metade dos brasileiros afirma que ficou mais difícil conseguir emprego. Apesar disso, cerca de 60% dizem que pretendem trocar de trabalho ainda neste ano.
Os futuros das ações de empresas americanas subiram nesta quarta-feira (12) à medida que os resultados positivos da CoreWeave e da Super Micro Computer impulsionaram o otimismo antes da divulgação de indicador de inflação dos EUA.
- Disputa por Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país tem “controle total sobre o estreito”, enquanto Washington e Teerã endurecem suas posições. Escalada da retórica levanta mais dúvidas de que seja possível chegar a um acordo imediato para a via navegável.
- ABN Amro em alta. O banco holandês divulgou um lucro trimestral que superou as estimativas dos analistas, impulsionado pelo aumento das comissões e pelo crescimento da receita com empréstimos, o que o levou a elevar as perspectivas para sua maior fonte de receita.
- Voo solo de IA chinesa. A startup de inteligência artificial Manus retomará suas operações independentes ao se separar da Meta depois que Pequim bloqueou uma aquisição histórica que destacou os riscos enfrentados pelos empreendedores locais que buscam se expandir globalmente.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
Os volumes de contratação no Brasil, medidos pelo LinkedIn, seguem abaixo do patamar anterior à pandemia, o que reforça a leitura de parte dos economistas de uma acomodação do mercado de trabalho no país.
Em entrevista à Bloomberg Línea, Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina, disse que o número de contratações registradas na plataforma estão chegando só agora ao nível pré-pandemia, mas ainda se mantêm 5% abaixo do patamar de 2019.
O executivo descreve um cenário de retração generalizada, baseado nos números da plataforma, que recentemente superou a marca de 100 milhões de usuários cadastrados no Brasil. “Poucos países estão em crescimento de vagas de trabalho”, afirmou.
Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego se mantém em níveis historicamente baixos (5,4% em junho), mas a população ocupada se estabilizou em cerca de 103 milhões de pessoas.
Segundo Beck, as pesquisas da companhia registram que mais da metade dos brasileiros afirma que ficou mais difícil conseguir emprego. Apesar disso, cerca de 60% dizem que pretendem trocar de trabalho ainda neste ano.
Nem toda essa migração vai para outro vínculo de trabalho pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho): parte busca contratos como PJ (pessoa jurídica), trabalho ocasional, freelancer ou a abertura de empresa própria.
Entre os setores acompanhados no Brasil, saúde é um dos que estão em expansão, segundo o executivo, ainda que com peso pequeno no total. Varejo, fintech, serviços, telecomunicações e tecnologia seguem como os mais ativos na plataforma.
Com 100 milhões de usuários cadastrados, o Brasil já é o terceiro maior mercado do LinkedIn no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia. O número se aproxima do tamanho da população economicamente ativa do país, estimada pela companhia em torno de 110 milhões de pessoas.
Com isso, há uma mudança no indicador que a empresa passa a perseguir. Chegar a 105 milhões ou 107 milhões de cadastros importa menos do que a intensidade de uso, segundo o executivo à frente da operação regional.
“Sempre crescer é importante, mas o mais importante é que a gente aumente a utilização, o engajamento, e que cada um desses 100 milhões possa usar melhor o produto”, disse Beck.
Quando a operação brasileira começou, entre o fim de 2011 e o início de 2012, a rede tinha 5 milhões de usuários, concentrados no meio da pirâmide organizacional, sem presença relevante nem na base operacional nem entre executivos. O ritmo desde então ficou em torno de 10 mil novos cadastros por dia.
Os números globais divulgados pelo LinkedIn no quarto trimestre fiscal, encerrado em 30 de junho, mostram onde a companhia coloca a régua hoje. A receita cresceu 12% na comparação anual e o exercício fechou em US$ 19,8 bilhões.
O tempo gasto consumindo conteúdo subiu 10%, mas as publicações voltadas ao compartilhamento de conhecimento avançaram 24% e o tempo dedicado à leitura de comentários, 18%. A base global de membros, hoje em 1,3 bilhão de usuários, cresceu em dois dígitos pelo quinto ano consecutivo.
O engajamento brasileiro, segundo Beck, não é uniforme. A candidatura a vagas é o comportamento mais intenso e distingue o mercado local dos maduros.
“Se a empresa abre uma vaga, em algumas horas, alguns dias, já há centenas de pessoas que aplicaram para aquela vaga, diferente de mercados do Hemisfério Norte, onde as pessoas são mais comedidas na aplicação para vagas”, disse.
A produção de conteúdo é outra história. O executivo descreve um grupo grande de usuários que gostaria de ser mais ativo e não é.
“Tem um pouco de receio de ficar postando, de escrever, não tem o cacoete de escrever”, afirmou Beck, que diz ouvir com frequência a mesma pergunta de brasileiros sobre como ganhar presença na rede sem gostar de escrever.
Sobre textos escritos com apoio de IA (inteligência artificial), a plataforma não pretende adotar rótulos, caminho seguido por Instagram e Facebook. A justificativa é de desempenho.
“Ninguém vai impedir alguém de pegar uma ideia e pôr na IA e ajudar a escrever um texto. O ponto todo é que normalmente esses textos não têm engajamento, porque eles são pasteurizados, eles têm um formato quase que pré-definido”, afirmou Beck.
A consequência, segundo ele, é automática dentro do sistema de distribuição, já que conteúdo sem interação circula menos. Sobre vídeo gerado por IA, o executivo fala como observador, e não em nome de uma política formal da companhia: diz nunca ter visto um na plataforma, ainda que admita a possibilidade de existirem.
Ele afirmou que a inteligência aplicada ao perfil serve para ordenar feed, sugerir vagas e recomendar conexões, e que isso permanece dentro da plataforma.
Agente de recrutamento por IA
No lado corporativo, o trimestre da plataforma foi puxado por IA. Globalmente, recrutadores de mais de 20 mil empresas usam as soluções de contratação da plataforma e o número de licenças cresceu 140% em relação ao trimestre anterior.
O Hire Assistant, agente de recrutamento da companhia, opera hoje em inglês, francês e alemão. Beck disse não ter data para a versão em português e que a companhia não antecipa lançamentos.
A companhia tem quatro linhas de receita e não abre o desempenho por país nem por região. A menor delas vem dos próprios usuários, ou seja, das assinaturas premium. A receita de Marketing Solutions cresceu 16% no trimestre, o sétimo consecutivo de expansão em dois dígitos.
O argumento comercial que sustenta a venda de software de recrutamento é o comportamento inverso ao da candidatura em massa: cerca de 70% dos usuários da plataforma não procuram emprego ativamente.
Globalmente, a empresa mantém 18 mil funcionários, quase 8 mil deles em engenharia, produto e infraestrutura, sem crescimento de quadro nos últimos anos.
Pesquisas da companhia registram que mais da metade dos brasileiros afirma que ficou mais difícil conseguir emprego. (Foto: Bryan van der Beek/Bloomberg)
O BTG Pactual (BPAC11) espera que sua operação bancária nos Estados Unidos ganhe robustez ao fim de 2027, e não tem prazo para listar suas ações em bolsa estrangeira, embora estude a hipótese.
Sobre um eventual programa de ADR (American Depositary Receipt, recibo que permite negociar ações de empresas estrangeiras em bolsas americanas), o CFO Renato Cohn não descartou a hipótese, mas disse que o banco não vê necessidade agora.
“A gente avalia sempre todo tipo de oportunidade e possibilidade. Mas até agora a gente está bem confortável com a listagem aqui na B3”, afirmou o CFO Renato Cohn em coletiva após a divulgação dos resultados.
A resposta veio à pergunta da Bloomberg Línea sobre se listar em Nova York é algo que o banco estuda, e se haveria obstáculos como a perda do benefício fiscal dos juros sobre capital próprio ou a necessidade de reorganização societária, caminho que Nubank (NU) e XP (XP) percorreram. O executivo afastou o argumento tributário.
“Uma eventual listagem lá fora não exigiria nenhuma necessária mudança tributária porque você pode fazer isso via ADR”, explicou o executivo.
O banco obteve licença bancária americana em janeiro, com a conclusão da compra do M.Y. Safra, e já capta depósitos em dólar e concede crédito para pessoa física, empresas e financiamento imobiliário no país.
A operação depende, porém, de plataforma, tecnologia e infraestrutura ainda em construção, num ciclo que atravessa 2026 e 2027. O público-alvo são clientes latino-americanos com investimentos globais e residentes americanos ligados à região.
“O banco já recebe depósitos, vai continuar a receber depósitos”, disse Cohn, ao projetar aumento de volume conforme a plataforma amadurece.
O balanço registra a presença americana sob uma controlada chamada BTG Pactual Bancorp, que contribuiu com R$ 115,4 milhões no primeiro semestre. O patrimônio líquido, porém, encolheu de R$ 4,126 bilhões em dezembro para R$ 3,997 bilhões em junho, porque a variação cambial negativa de R$ 243,6 milhões superou o resultado gerado no período.
O CFO fez uma ressalva sobre a leitura desses números. Segundo ele, a estrutura reúne negócios antigos, como a corretora que atende estrangeiros com investimentos no Brasil, a gestora de recursos e o aconselhamento a clientes de alta renda. O banco propriamente dito entrou depois e ainda pesa pouco no resultado.
“Esse resultado é referente muito mais aos negócios que já existiam há bastante tempo”, afirmou.
Listagem fora segue sem data
Como listar no exterior não exigiria mudança na estrutura tributária, o que sustenta a permanência exclusiva na B3, segundo o executivo, é o perfil de quem compra o papel. Os grandes investidores em ativos brasileiros e de mercados emergentes são institucionais, e não o varejo americano, e esse público já opera por meio de veículos na bolsa brasileira.
“A gente acha que o foco e a concentração da liquidez desse investidor aqui na B3 é bastante boa”, disse Cohn.
A ausência coloca o BTG fora de um grupo que reúne quase todos os seus pares de porte. Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) mantêm ADRs na Bolsa de Valores de Nova York há anos, estrutura que preserva a listagem local e permite ao investidor americano comprar o papel em dólar, no próprio fuso, sem abrir conta no Brasil.
Plataformas de investimento e fintechs seguiram caminho mais radical. Nubank, XP, Inter, StoneCo (STNE) e PagBank (PAGS) constituíram holdings no exterior, em geral em Cayman, e listaram ações ordinárias diretamente na NYSE ou na Nasdaq, o que exigiu reorganização societária.
O BTG negocia apenas na B3, por meio das units BPAC11, BPAC3 e BPAC5, embora já publique demonstrações consolidadas em padrão contábil internacional, conforme a Resolução CMN 4.818, requisito que costuma anteceder uma listagem lá fora.
Uruguai e o papel regional
Indagado sobre o peso da operação internacional, Cohn afirmou na coletiva que cerca de 20% da receita vem de fora do Brasil, proporção próxima à da carteira de crédito, cuja exposição externa se aproxima de 25%, acima dos 20% do ano passado. O banco não abre esses percentuais em suas demonstrações financeiras.
O BTG comprou a operação uruguaia do HSBC por US$ 175 milhões, concluída em julho, e adquiriu a Julius Baer no Brasil por R$ 615 milhões. Perguntado se o banco se posiciona como consolidador do que as instituições globais deixam na América Latina, o CFO devolveu a premissa.
“A gente já se posicionou como um player de América Latina”, afirmou.
Os primeiros investimentos no Chile, na Colômbia e no Peru foram feitos há cerca de 15 anos, e o que muda agora é a infraestrutura física, com pedido de licença bancária em análise no Peru.
A operação uruguaia inclui varejo de alta renda, e Cohn sinalizou disposição para novas aquisições em praças que considere estáveis. Ele descartou, porém, que a parcela internacional chegue a metade do negócio, porque as receitas brasileiras seguem crescendo em ritmo acelerado.
O que dizem os analistas
Os relatórios sobre o balanço trataram a expansão internacional como vetor de lucro. O Citi, em nota assinada por Gustavo Schroden, Brian Flores e Arnon Shirazi, listou entre os fatores capazes de impulsionar os resultados do segundo semestre “a integração do HSBC Uruguai e a monetização contínua de aquisições recentes”, ao lado da recuperação do mercado de emissão de dívida.
A leitura vinha se formando desde o anúncio da compra uruguaia. Em relatório de julho de 2025, o Goldman Sachs registrou que “a expansão fora do Brasil segue como um dos caminhos possíveis para o BTG” e enquadrou a transação na sequência das aquisições de bancos nos EUA e na Europa.
Os analistas Tito Labarta, Tiago Binsfeld e Lindsey Shema dimensionaram o negócio: os US$ 175 milhões equivaliam a 0,7% do valor de mercado do banco, e a carteira adquirida, de US$ 1,1 bilhão, a 2,7% da carteira consolidada.
Do outro lado, o Brasil
Durante a coletiva, o contrapeso doméstico apareceu nas perguntas sobre Consumer Finance, vertical que cresceu 37,4% no trimestre e responde por 13% da receita, num ciclo em que Itaú e Bradesco já sinalizaram aperto na concessão.
A provisão consolidada do BTG subiu 19,4% no semestre, para R$ 13,970 bilhões, três vezes o ritmo da carteira, que avançou 6,4%.
Cohn defendeu a composição da carteira do Banco Pan como diferencial e disse que a inadimplência tem vindo abaixo do modelado.
“Basicamente 95% da carteira do Banco Pan é ou veículos, que tem o próprio automóvel em garantia, ou crédito consignado”, afirmou.
Sobre o consignado privado, produto com cerca de um ano e mais de R$ 100 bilhões em volume no mercado, o executivo admitiu que o desempenho pode piorar, mas disse não ver sinal disso na base atendida.
Ele citou desemprego próximo da mínima e massa salarial na máxima como indicadores ainda favoráveis, e ponderou que o cenário está pior do que se projetava seis meses atrás. O banco não divulga o índice de inadimplência do Pan.
No mercado de dívida, a queda de 46,1% na receita de Investment Banking foi atribuída à abertura de spreads no primeiro trimestre, que provocou resgates em fundos de renda fixa e travou colocações.
Cohn indicou pipeline melhor para o terceiro trimestre e explicou que o Value at Risk (VaR), medida de perda potencial diária, recuou para 0,22% do patrimônio por postura mais cautelosa diante das incertezas geopolíticas.
Sobre a participação no IPO da SpaceX, a maior oferta de ações da história, o CFO quantificou o efeito de forma modesta. “A contribuição de receita é muito parecida com a contribuição de ser um coordenador de um IPO local”, disse.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
O Grupo SBF, dono da Centauro, aposta em calçados de corrida e na reforma de lojas como pilares do ciclo de crescimento em curso depois de atingir receita líquida recorde no segundo trimestre, impulsionada pela Copa do Mundo.
Segundo o CEO Gustavo Furtado, o ciclo começou em 2025, e os principais investimentos vão ser realizados pelo menos até o fim de 2027, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.
A companhia concluiu a reforma de 31 unidades da Centauro até junho e tinha outras 10 obras iniciadas no segundo trimestre e previstas para o terceiro.
“Estamos falando que ao final desse ano, pelo menos 41 lojas terão sido reformadas neste ano. É uma quantidade expressiva de reformas por um ano”, afirmou o executivo.
As unidades renovadas apresentam desempenho médio 10,8 pontos percentuais superior ao das lojas comparáveis nas mesmas regiões, segundo dados da companhia.
Os mercados internacionais de ações registraram variações modestas e os títulos públicos apresentaram ligeira queda, à medida que a alta nos preços do petróleo reacendeu as preocupações com a inflação.
- Morgan Stanley investe em inovação. O banco vai facilitar US$ 1,5 trilhão em investimento ligado ao esforço dos EUA em prol da inovação e à infraestrutura necessária para sustentá-la. O foco será em três áreas: plataformas de inovação e setores estratégicos, infraestrutura e capital para empresas em crescimento.
- Intel busca protagonismo em IA. A empresa levantou US$ 20 bilhões em uma oferta de ações ampliada e passou a acumular reservas de caixa com o objetivo de assumir um papel mais central no avanço da inteligência artificial no mundo.
- Anthropic fecha acordo com Riot. A criadora do Claude acertou uma parceria de US$ 9,1 bilhões com a Riot Platforms, empresa de mineração de bitcoin que recentemente começou a comercializar capacidade de data center para IA a fim de garantir poder computacional suficiente para atender à demanda de seus clientes.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
O Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro, aposta em calçados de corrida e na reforma de lojas como pilares do ciclo de crescimento em curso depois de atingir receita líquida recorde no segundo trimestre, impulsionada pela Copa do Mundo.
Segundo o CEO Gustavo Furtado, o ciclo começou em 2025, e os principais investimentos vão ser realizados pelo menos até o fim de 2027, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.
A companhia concluiu a reforma de 31 unidades da Centauro até junho e tinha outras 10 obras iniciadas no segundo trimestre e previstas para o terceiro.
“Estamos falando que ao final desse ano, pelo menos 41 lojas terão sido reformadas neste ano. É uma quantidade expressiva de reformas por um ano”, afirmou o executivo.
As unidades renovadas apresentam desempenho médio 10,8 pontos percentuais superior ao das lojas comparáveis nas mesmas regiões, segundo dados da companhia.
O grupo encerrou junho com 229 lojas da Centauro e 52 lojas próprias da Nike, operadas pela Fisia. A empresa, distribuidora exclusiva da Nike no Brasil, faz parte do SBF.
Entre abril e junho, a receita líquida do grupo somou R$ 2,2 bilhões, alta de 22,1% ante o igual período de 2025, superando a expectativa média de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 2,18 bilhões.
A geração de caixa, medida pelo Ebitda ajustado, chegou a R$ 248,9 milhões, avanço de 48,7%, e o lucro líquido ajustado, a R$ 141,9 milhões, aumento de 62,7%.
O resultado positivo foi impulsionado em parte pelas vendas relacionadas ao torneio mundial de futebol. “A Copa do Mundo foi um sucesso histórico. Vendemos 1 milhão de camisas oficiais”, disse Furtado.
O volume foi 56,9% superior ao da edição anterior, segundo o balanço, e a receita cresceu acima disso. “Tivemos um aumento de preço”, afirmou o executivo, sem informar o percentual.
Disputa pela preferência do corredor
Outro impulso veio dos calçados de corrida, que cresceram 36% na Centauro e 32% na Fisia no trimestre, ante igual período de 2025.
Furtado atribui o desempenho a uma combinação de fatores. “Corrida tem um forte vento a favor. Vemos cada vez mais adeptos dessa prática”, disse. “Combinado a isso, na Fisia tivemos um reset de todo o portfólio de corrida.”
Segundo o executivo, a revisão alcançou tanto as franquias de alta performance, entre elas Vomero, Pegasus e Structure, quanto os produtos de entrada da linha.
Na Centauro, a mudança foi na composição por loja, com sortimento de corrida ajustado ao perfil de cada região, do alto desempenho às faixas mais acessíveis. O executivo classificou a categoria como central para o grupo.
Um desafio, no entanto, é a concorrência cada vez mais acirrada no segmento, com a abertura de lojas próprias de marcas em shoppings brasileiros, como Skechers, On e Hoka, além da competição com o e-commerce.
O CEO disse que o movimento não é recente e que vê vantagens no modelo da companhia. “O grande diferencial competitivo da Centauro é oferecer as melhores marcas e os melhores produtos de corrida para que o consumidor possa escolher”, afirmou.
A resposta operacional passa também pelo reforço nos times. Para recomendar o produto adequado ao nível de cada corredor, a rede ampliou o contingente de vendedores e mantém capacitação técnica frequente, segundo Furtado.
Indagado sobre o que a companhia ainda precisa desenvolver na categoria, o executivo respondeu que não há lacuna. “Não vejo nada que estejamos devendo, nenhum botão que precise apertar”.
Atacado da Nike
O canal que mais cresceu na Fisia no trimestre é o que abastece varejistas concorrentes da Centauro. O atacado avançou 36,1%, contra 29,7% no digital e 13,1% nas lojas físicas. No primeiro trimestre, o canal havia crescido 48,7%.
Furtado atribui parte do desempenho ao futebol e parte a iniciativas anteriores, entre elas a ampliação do time de suporte a clientes, eventos para apresentar portfólio a lojistas e segmentação de produtos por perfil de comprador, do calçadista à loja de alta performance.
“Isso já começamos até antes do que a Nike comunicou essa volta ao atacado”, afirmou.
Segundo o executivo, a política comercial do canal não é definida no Brasil.
“Enxergamos esse canal de atacado de uma forma independente do que enxergamos o resto da organização. Nos vemos na obrigação de servir bem todos os clientes, independentemente de que cliente seja”, disse, atribuindo as regras a diretrizes globais da Nike anteriores à aquisição da operação brasileira.
Sobre a reorganização da marca no mundo, afirmou que os movimentos estão alinhados ao que a operação brasileira já executava. “O que eles estão fazendo não muda absolutamente nada a nossa estratégia aqui no Brasil.”
Duas das lojas próprias da Nike no país, no formato Nike Direct Inline, foram abertas no trimestre.
A margem bruta da Fisia ficou em 41,4%, expansão de 0,9 ponto percentual em base anual, mas recuo ante os 43,5% dos três meses anteriores.
Enquanto isso, a margem Ebitda do grupo subiu 2,1 pontos percentuais no trimestre, para 11,3%, e a explicação do executivo é diluição de despesa.
“Tivemos um crescimento de 22% da receita e de 12% da despesa. Então, todo o aumento de lucro bruto se transferiu para o bottom line”, disse Furtado.
Estoques da Black Friday e Natal
No primeiro trimestre, a companhia consumiu R$ 334,3 milhões em caixa operacional e viu a dívida líquida alcançar R$ 1,1 bilhão, resultado da formação antecipada de estoque para o Mundial.
A alavancagem caiu a 1,5 vez o Ebitda no segundo trimestre, ante 1,6 vez em março, informou Furtado. O terceiro, segundo ele, traz a recomposição de estoque para a Black Friday e o Natal.
“Seguimos comprometidos com uma diligência, do ponto de vista de caixa, para manter a alavancagem da companhia em patamares bastante saudáveis”, disse.
Sobre câmbio, a companhia informou que opera com hedge para as compras da Nike e que trabalha com custo já contratado mais favorável no segundo semestre, ressalvando que a margem bruta da Fisia depende de outros fatores.
Quanto ao estoque remanescente do Mundial, Furtado disse não ter preocupação, porque o desempenho superou o planejamento interno.
Segundo ele, as metas comerciais da Copa foram atingidas antes mesmo da eliminação do Brasil nas oitavas, devido à decisão de manter os produtos em um estoque único, distribuído aos canais conforme a demanda de cada um.
O grupo vendeu mais de 1,5 milhão de produtos do Mundial até 31 de julho, entre eles 352 mil licenciados da CBF desenvolvidos pelas marcas próprias da Centauro e 169 mil bolas oficiais.
Na tarde de segunda-feira (10), um mês após o fim do torneio, a camisa amarela da Seleção mantinha o preço cheio no site da Nike Brasil, operado pela Fisia, com a versão Fã a R$ 237,49 no Pix, ante R$ 249,99.
A segunda camisa, azul, assinada pela Jordan, saía com 22% de desconto na versão torcedor Pro, de R$ 449,99 por R$ 349,99, e 20% na versão jogador, de R$ 749,99 por R$ 599,99. No site da Centauro, as camisetas licenciadas da CBF tinham cortes de 5% a 32%, com preços entre R$ 88,90 e R$ 189,99.
Após registrar resultado recorde para um segundo trimestre, a Embraer (EMBJ3) não vê limitação de capacidade de produção para crescimento da companhia no futuro.
De abril a junho, a fabricante reportou R$ 1,11 bilhão de lucro líquido ajustado, alta de 24,7% sobre igual intervalo do ano passado. No período, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou R$ 1,81 bilhão, alta de 30% na mesma base de comparação.
Neste contexto, executivos reforçaram que a forte demanda e a capacidade de produção da companhia não devem ser impedimentos para a expansão no futuro.
“Esperamos chegar em 2030 com uma capacidade de produção de 110 a 120 aviões comerciais por ano, mais de 200 [jatos] executivos e mais de 10 KCs [390] no Brasil”, disse o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, em teleconferência de resultados nesta segunda-feira (10).
O executivo afirmou que, em 2021, a empresa levava 18 meses para produzir um Praetor (jato executivo) e, atualmente, esse tempo caiu para cerca de oito meses e meio. “Temos feito isso com todos os aviões, com isso conseguimos produzir mais com a mesma estrutura. Em paralelo, estamos investindo em aumento de capacidade de produção.”
Ele acrescentou que a companhia tem ainda a oportunidade de criar novas linhas de produção para o KC-390, da linha de defesa, citando como exemplo o mercado da Índia. “Não será a capacidade de produção que vai limitar o nosso crescimento futuro.”
Na avaliação de Gomes, a Embraer enxerga na América Latina o modelo E2, do segmento comercial, como o “encaixe perfeito” para a aplicação em voos regionais.
Ele citou como exemplo de êxito do produto a adoção por parte da Azul (AZUL3). Sobre a Abra Group, holding que controla aéreas como Gol e Avianca, o executivo observou que a tendência é a mesma. “A ideia é melhorar a conexão entre cidades menores”, pontuou.
Gomes apontou ainda o México como uma oportunidade relevante para a aviação comercial, principalmente após a Mexicana de Aviación adotar o E2 em sua frota.
“Esperamos que outras aéreas vejam o E2 como uma oportunidade de complementar a operação de uma forma muito mais eficiente”, disse.
Ele afastou riscos sobre a recente crise na cadeia de suprimentos do setor, mas destacou que ainda existem alguns problemas pontuais na aviação executiva, embora haja progressos visíveis na produção. “Esperemos que em 2027 tenhamos mais eficiência e produtividade em nossas linhas.”
Os executivos disseram que o cenário segue positivo em termos de margens, bem como na carteira de pedidos (backlog). No segundo trimestre, a companhia atingiu US$ 34,5 bilhões de carteira de pedidos, o maior nível da história.
No segmento de Defesa, o backlog avançou 42% sobre um ano antes. Na comercial, o aumento foi de 15% na mesma base de comparação e, na executiva, 5%. No consolidado, o crescimento foi de 16% ante o segundo trimestre de 2025.
De abril a junho, a receita consolidada da Embraer atingiu R$ 11,3 bilhões, alta de 10% sobre o mesmo período do ano passado.
Eve e certificação
Gomes disse que mantém a expectativa de que os eVTOLs da Eve, controlada pela Embraer, entrem em operação até o final de 2028. Segundo o executivo, atualmente a startup tem cerca de 3 mil cartas de intenção de compra e alguns pedidos firmes.
A projeção é que o início das operações ocorra no Brasil, pela proximidade de engenharia, e nos Estados Unidos, pelas oportunidades de mercado em diversas cidades. A produção terá início em Taubaté, no interior de São Paulo.
“[O eVTOL] terá uma capacidade máxima de cerca de 480 unidades por ano, com uma remontagem dessas aeronaves perto dos mercados onde elas devem operar no futuro”, disse Gomes.
A partir disso, a companhia deve ajustar seu planejamento de acordo com a resposta do mercado. “Posteriormente, vamos decidir sobre outras fábricas do eVTOL, ainda não temos essa definição. É assim que queremos suportar a entrada em operação dos eVTOLs a partir de 2028″, destacou.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
O Patria Investimentos tem usado o mercado de crédito corporativo latino-americano para testar uma estratégia de diversificação com o investidor brasileiro de varejo.
A gestora avalia que a classe de ativos, ainda pouco explorada por esse público, pode oferecer um caminho para internacionalizar o patrimônio.
“O investidor brasileiro tem esse viés doméstico. Quando decide investir fora, normalmente olha para Estados Unidos ou Europa e acaba não considerando uma classe de ativos que tem superado seus pares regionais”, afirmou Marina Tennenbaum, sócia e diretora de operações do Patria, em entrevista à Bloomberg Línea.
Diante da falta de conhecimento sobre dívida emergente entre os investidores locais, o Patria aposta em um novo fundo para estimular essa demanda, movimento que acompanha o esforço mais amplo da gestora para ampliar a distribuição de estratégias alternativas entre brasileiros.
As bolsas internacionais mantiveram-se próximas de máximas históricas nesta segunda-feira (10), com traders à espera da divulgação de dados de inflação dos EUA, à medida que apostas em aumentos das taxas de juros pelo Fed diminuíram.
- Revolut avança na Europa. A fintech britânica obteve uma licença bancária na França para crescer no continente europeu. O banco começará atendendo clientes localmente, para depois se expandir para outros mercados, incluindo Alemanha, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha.
- Desaceleração chinesa. Os preços ao consumidor na China cresceram no ritmo mais lento dos últimos seis meses, enquanto a inflação na porta da fábrica diminuiu pela primeira vez desde o início da guerra no Irã. Indicadores de preços apresentaram desaceleração maior do que o esperado em julho.
- Alta da TSMC com chips. A Taiwan Semiconductor Manufacturing anunciou um aumento de 45% em suas vendas mensais, um sinal de demanda sustentada por hardware de IA diante da volatilidade do mercado de tecnologia.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
O Patria Investimentos tem usado o mercado de crédito corporativo latino-americano para testar uma estratégia de diversificação com o investidor brasileiro de varejo.
A gestora avalia que a classe de ativos, ainda pouco explorada por esse público, pode oferecer um caminho para internacionalizar o patrimônio.
“O investidor brasileiro tem esse viés doméstico. Quando decide investir fora, normalmente olha para Estados Unidos ou Europa e acaba não considerando uma classe de ativos que tem superado seus pares regionais”, afirmou Marina Tennenbaum, sócia e diretora de operações do Patria, em entrevista à Bloomberg Línea.
Diante da falta de conhecimento sobre dívida emergente entre os investidores locais, o Patria aposta em um novo fundo para estimular essa demanda, movimento que acompanha o esforço mais amplo da gestora para ampliar a distribuição de estratégias alternativas entre brasileiros.
Lançado em junho, o Moneda Latam Corporate Credit é um fundo UCITS voltado para crédito corporativo latino-americano em dólar, distribuído em parceria com a Avenue, plataforma de investimentos do Itaú Unibanco voltada a brasileiros que investem no exterior. O produto tem liquidez diária e aceita aplicações a partir de US$ 1.000.
A expectativa é que o produto sirva de teste da estratégia junto ao público de varejo. A demanda deve indicar se há espaço para ampliar a oferta de investimentos alternativos para esse público, escalando para produtos mais complexos e de menor liquidez.
O Patria soma atualmente cerca de US$ 59 bilhões em ativos sob gestão, dos quais US$ 7,5 bilhões estão no Brasil. O varejo representa a maior base entre os investidores brasileiros da gestora, principalmente pela atuação da empresa em fundos imobiliários. O Patria tem atualmente 1,1 milhão de investidores de varejo no Brasil.
Por que o crédito na América Latina
Para Tennenbaum, parte da vantagem do crédito latino-americano está no perfil das empresas que acessam o mercado internacional de dívida. Segundo ela, o prêmio de risco associado aos países da região faz com que essas companhias precisem adotar estruturas financeiras mais conservadoras para conseguir captar recursos.
“As empresas da região são muito menos alavancadas do que as americanas. Elas têm menor poder de barganha com credores e acabam montando estruturas mais robustas para proteger o investidor”, afirmou.
Na América Latina, a gestora tem escritórios no Brasil, Uruguai, Chile, Peru, México e Colômbia, além de unidades na Inglaterra, Estados Unidos, Escócia, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Dubai, Japão.
Escritório do Patria em São Paulo: gestora soma atualmente cerca de US$ 59 bilhões em ativos sob gestão, dos quais US$ 7,5 bilhões estão no Brasil. (Foto: Bloomberg Línea)
As cartas colecionáveis vivem um dos seus melhores momentos. Impulsionado por fenômenos como Pokémon ou Magic: The Gathering, o mercado desses itens atingirá US$ 32,1 bilhões em 2026 e ultrapassará US$ 54 bilhões até 2033, de acordo com projeções da Grand View Research.
A San Diego Comic-Con 2026 causou furor. No maior evento de cultura pop, brinquedos e itens colecionáveis do mundo, os expositores ofereciam cartas de Pokémon por até US$ 42.000, ao passo que uma peça de Magic em perfeitas condições era vendida por US$ 172.000.
Nos arredores do centro de convenções, centenas de fãs ficaram na fila por horas para conseguir as cartas promocionais da parceria entre a Marvel e Magic.
Em meio a toda a agitação, a empresa chinesa KAYOU, que acaba de estrear no mercado americano, busca transformar as cartas em acessórios para uso diário por meio de estojos de acrílico, miniálbuns que podem ser usados como pingentes e chaveiros projetados para exibir as cartas.
“As cartas colecionáveis não deveriam se limitar apenas ao colecionismo. Trata-se também de exibi-los, compartilhá-los e mostrar seu hobby”, disse à Bloomberg Línea JessicaShen, gerente sênior de marketing da empresa, que deu uma prévia dos acessórios previstos para setembro.
Fundada na China, a empresa se define como uma das mais influentes no setor de pan-entertainment, um modelo integral que cria um ecossistema com diversas áreas de entretenimento. No caso da KAYOU, sua fórmula de negócios se baseia em produtos, conteúdo e experiências.
Durante o evento, a empresa organizou uma ativação em que os visitantes percorriam paredes com coleções inspiradas em franquias como Naruto, nas ilustrações da Tokidoki e no fenômeno da Netflix Guerreiras do K-Pop uma das marcas com maior presença na Comic-Con.
A empresa também firmou parceria com uma empresa que certificava cartas no mesmo local para aqueles que encontrassem alguma das cartas exclusivas entre os itens, cujos preços variavam de US$ 4,99 por um envelope até US$ 129 por caixas de edição comemorativa.
Shen explicou que a marca busca atrair tanto colecionadores jovens quanto adultos que cresceram acompanhando diversas franquias da cultura pop.
Sua chegada ao mercado norte-americano coincide com um momento decisivo para o setor. Magic: The Gathering se tornou o principal motor de crescimento da Hasbro e foi a primeira franquia da empresa a ultrapassar US$ 500 milhões em vendas trimestrais, segundo informou a fabricante de brinquedos.
Mercado em ascensão
Embora as cartas colecionáveis façam parte da cultura popular americana devido aos cartões esportivos e de diversos jogos de cartas colecionáveis, nos últimos anos essa categoria ganhou impulso graças a fenômenos como Pokémon.
No início de julho, a Heritage Auctions, a maior casa de leilões de itens colecionáveis do mundo, registrou um recorde de US$ 1,4 bilhões em vendas durante o primeiro semestre de 2026 e atribuiu esse desempenho ao crescimento de categorias como videogames e jogos de cartas colecionáveis.
A empresa destacou transações como a venda de um exemplar certificado do Pikachu Illustrator por US$ 1,4 milhão e de um conjunto completo da primeira edição do jogo, que alcançou US$ 1,2 milhão.
Mas a KAYOU quer mudar a forma como os fãs se relacionam com elas. Em vez de mantê-las protegidas em capas e estojos para preservar seu valor, a empresa quer torná-las parte do dia a dia dos fãs.
“As cartas não deveriam ficar em casa, guardadas em uma pasta. Quanto mais elas se popularizam, mais motivos há para levá-los com você e exibi-los”, afirmou Shen.
Cartas colecionáveis de 'Guerreiras do K-Pop': A Kayou organizou uma ativação na San Diego COmic Con de 2026 com coleções inspiradas em franquias populares. (Foto: KAYOU)
O consumidor brasileiro está pagando mais caro pelo vinho que compra. A mudança não revela necessariamente uma inflação dos produtos, mas uma evolução no comportamento do mercado local e uma preferência por rótulos mais “premium”, alinhada à defesa que parte do setor faz de uma maior seleção e a escolha por beber menos, mas “melhor”.
No primeiro trimestre de 2026, o preço médio da importação de vinhos, espumantes e champanhes atingiu US$ 31,2 por caixa de 9 litros, o maior valor da década, segundo levantamento da consultoria Ideal BI.
O dado revela um descompasso que resume o momento do mercado. As importações cresceram 5% em valor no período, mas apenas 1% em volume, e ainda assim o país registrou um recorde histórico de faturamento para o trimestre, com movimento de US$ 114 milhões em três meses.
Os números confirmam um processo de premiumização que já dura pelo menos dois ciclos anuais e que se tornou visível também no maior evento de negócios do setor na América Latina.
Segundo Malu Sevieri, CEO da Emme Brasil e diretora da ProWine São Paulo, o fenômeno aparece com clareza na preparação da feira deste ano, que reunirá pela primeira vez produtores de champanhe sem marcas estabelecidas no Brasil, vindos diretamente para negociar no país.
“Existe uma mudança no mercado com o aumento da premiumização. Estamos vendo pela primeira vez produtores de Champagne aumentando presença no Brasil, assim como acontece com outras regiões produtoras do mundo”, disse à Bloomberg Línea.
O sinal mais concreto da mudança, segundo ela, está no mapa das importações de Portugal, maior origem do vinho consumido no Brasil. Durante três anos, a liderança pertenceu aos Vinhos Verdes, vinhos frescos, conhecidos do público e mais baratos por garrafa.
“Pela primeira vez isso mudou, Vinhos Verdes não são mais o número um de região, é o Alentejo”, disse Sevieri. “São vinhos mais premium com um valor um pouco mais alto também”, explicou. O mesmo movimento por regiões, contou, começa a aparecer nos dados da Itália.
A leitura dos números pede cautela, no entanto. A Ideal BI qualifica parte do fenômeno como uma “elitização forçada” do mercado.
Segundo a consultoria, os rótulos de maior valor agregado cresceram de forma real no primeiro trimestre, mas houve ao mesmo tempo retração na importação de vinhos de primeiro preço, pressionados por estoques altos remanescentes nos canais de distribuição e pela desaceleração das vendas no varejo, reflexo da pressão econômica sobre o consumidor de menor renda.
Estatisticamente, a queda na base de produtos baratos eleva a participação das categorias premium e puxa a média geral para cima, enquanto as classes de maior poder aquisitivo sustentam o topo da pirâmide.
O quadro convive com um mercado que segue em expansão no agregado. As importações de vinhos e espumantes alcançaram recorde histórico de 18,3 milhões de caixas de 9 litros, alta de 4% sobre o ano anterior, e o volume importado pelo país mais do que dobrou na última década, ainda que a volatilidade cambial, a inflação e os juros altos tenham comprimido a rentabilidade da cadeia distributiva, segundo a Ideal BI.
Dois consumidores
Para Sevieri, a premiumização não conflita com a necessidade de ampliar a base de consumidores no Brasil, porque os dois movimentos envolvem públicos distintos.
“A ‘premiumização’ vem já com outro tipo de consumidor, aquele que já sabe o que gosta, que vai dar um salto maior”, disse.
O motor da expansão do setor, avaliou, está em outro lugar. Ela disse acreditar que “o crescimento da categoria no geral de vinhos vai ser na base”, com consumidores que estão trocando o vinho de mesa pelo vinho seco e que, em três ou quatro anos, estarão descobrindo novas uvas e regiões. “Uma coisa caminha ao lado da outra”, afirmou.
Ela citou o exemplo da vinícola paulista Góes, em São Roque (SP), que contou ter visitado semanas antes da entrevista. “Eles têm vinhos de literalmente R$ 15 e eles têm vinho de R$ 300”, contou. A empresa usa até um chope de vinho, produto adocicado, como porta de entrada para consumidores que dizem não gostar da bebida, um público que nada tem a ver com o comprador premium, mas que alimenta o crescimento futuro da categoria. E oferecem produtos de mais alta gama com o rótulo Philosophia, criado no ano passado.
A condição para os dois movimentos avançarem, segundo Sevieri, é a educação do consumidor, e ela tratou o tema como decisão de negócios, não como discurso.
Quando o Ministério da Agricultura da Alemanha procurou a feira para levar um grupo de produtores de Riesling ao Brasil, ela respondeu com este foco: “Ou faz um programa de educação ou não funciona”, disse ter afirmado aos alemães, argumentando que expor sem ensinar seria dinheiro desperdiçado.
O resultado é que o grupo terá uma sala própria de master classes sobre a uva durante todos os dias do evento deste ano.
O problema, explicou, está na complexidade da informação que chega ao comprador. “Você pega 10 garrafas de Riesling, cada uma tem uma nomenclatura, você pega uma de Chablis, só tá escrito Chablis”, disse. “Se o consumidor não entender, ele não vai comprar aquilo”, disse.
A avaliação dialoga com a transformação recente do mercado brasileiro, que dobrou o número de importadores ativos desde a pandemia, de cerca de 500 para mais de 1.200, em um período em que degustações online e compras pela internet aceleraram a formação de novos consumidores.
‘Bola da vez’
O interesse internacional pelo Brasil, que Sevieri já havia descrito no ano passado como um porto seguro diante da queda do consumo global, se intensificou.
“No geral, todo mundo acha que o Brasil é a bola da vez”, disse. Ela resumiu o raciocínio que ouve de produtores em viagens pela Europa. “Muitos produtores pensam que o problema que têm de baixo consumo na Europa, de importação taxada nos Estados Unidos, podem resolver no Brasil”, contou.
A ProWine São Paulo deste ano será um retrato dessa corrida. Pela primeira vez, o evento passará de 2.000 produtores, o que exigiu uma planta nova, com dois pavilhões. Todos os países expositores ampliaram a participação, com destaque para Espanha e França, e há estreias como um grupo de produtores da região húngara de Tokaj, uma ilha de tequila do México e o retorno ampliado do saquê japonês. “A feira é um reflexo do mercado”, disse Sevieri.
O crescimento, porém, veio acompanhado de uma decisão contraintuitiva. “Tivemos expositores esse ano que queriam crescer e não pudemos permitir”, contou, citando o receio de que a empolgação do momento não se traduza em retorno sobre o investimento. “Estamos surfando uma boa onda. Vamos ver quanto tempo o mercado vai absorver isso”, disse.
O otimismo com o mercado convive com um gargalo doméstico. Sevieri disse ver um cenário positivo para as vinícolas nacionais, com reconhecimento internacional dos vinhos de inverno e da técnica da dupla poda, mas apontou o preço como obstáculo central.
“Não adianta querer competir na gôndola do mercado com vinhos brasileiros custando R$ 500, R$ 600 e enquanto há vinhos de outros países custando R$ 200, R$ 300 numa mesma categoria”, disse. “A gente tem um problema de carga tributária muito grande para as vinícolas brasileiras”, afirmou.
A feira tem buscado financiar a presença de produtores nacionais com custo baixo ou zero, em articulação com o Sebrae, e atrair parlamentares para o evento. Há sinais de estruturação do setor.
Sevieri contou que vinícolas brasileiras que participaram de edições passadas chegaram a desistir do evento por não conseguirem atender à demanda gerada.
Questionada sobre até onde o mercado pode chegar, Sevieri fez uma projeção que ela mesma classificou como audaciosa. “Eu acredito muito que o Brasil em 10 anos dobra o consumo”, disse, o que levaria o país do consumo médio de cerca de 3 litros per capita por ano para 6 litros, patamar ainda distante dos quase 70 litros de Portugal.
“O que eu posso falar com certeza é que nos próximos três anos vai crescer e aí talvez dê uma estabilizada”, afirmou. Entre as incertezas, ela citou estudos sobre o efeito das canetas emagrecedoras, que têm reduzido pela metade o consumo de vinho de parte dos usuários.
O diferencial do país, para ela, está no perfil do comprador. “A curiosidade do consumidor aqui é linda”, disse. “Para você convencer um argentino a tomar um vinho não argentino é muito difícil. O brasileiro, você convence ele a experimentar tudo”, concluiu.
A América Latina se torna cada vez mais atraente para investimentos em data centers, graças aos seus custos de construção mais baixos em comparação com os principais mercados da Ásia, Europa e Estados Unidos.
Um relatório da consultoria Turner & Townsend destaca que a inflação no setor se moderou e que a diferença de custos em relação aos mercados mais desenvolvidos continua diminuindo à medida que as cadeias de suprimentos locais ganham maturidade.
Entre as cidades latino-americanas incluídas no índice, São Paulo registra um custo médio de construção de US$ 10,75 por watt instalado, seguida por Querétaro (México), com US$ 10,40/W.
Em seguida, vêm Montevidéu (Uruguai), com US$ 9,89/W, Santiago (Chile), com US$ 8,61/W, e Bogotá (Colômbia), com US$ 7,49/W, posicionando-se como o mercado mais competitivo da amostra em termos de custo de construção.
Cidades como São Paulo, Querétaro e Santiago apresentam uma demanda crescente, infraestrutura digital consolidada, conectividade regional e condições favoráveis para a futura expansão dos data centers.
“Ao comparar esses valores com os principais hubs globais, os custos na América Latina continuam sendo significativamente mais baixos. Os mercados mais caros do mundo são Tóquio (US$ 15,15/W), Singapura (US$ 14,53/W), Zurique (US$ 14,24/W) e Osaka (US$ 14,12/W)”, disse Kamila Lima, diretora de Gerenciamento de Projetos da Turner & Townsend no Brasil.
Na Europa, hubsconsolidadoscomo Londres (US$ 12,02/W) e Frankfurt (US$ 11,60/W) também registram custos superiores aos observados na América Latina.
Segundo Lima, até mesmo a Virgínia do Norte (EUA), considerada o maior mercado mundial de data centers, apresenta um custo médio de aproximadamente US$ 10,92/W, ligeiramente superior ao de São Paulo.
Nesse contexto, “São Paulo continua sendo o mercado de data centers mais maduro e desenvolvido da América Latina, apoiado por um amplo ecossistema digital, uma forte concentração de provedores de nuvem, uma elevada demanda corporativa e uma posição estratégica como principal hub deconectividade da região”.
O custo por watt instalado é um dos fatores levados em consideração na tomada de decisões de investimento em data centers, mas não é o único.
“A escolha do local depende de um equilíbrio entre disponibilidade de recursos energéticos, acesso à água, conectividade, estabilidade regulatória e capacidade de operar uma infraestrutura crítica de forma segura e sustentável”, explicou à Bloomberg LíneaPedro Romero, responsável pela segurança cibernética da empresa de tecnologia chinesa Huawei na América Latina.
Embora todos esses elementos sejam importantes, ele afirma que existem três condições essenciais que costumam ter maior peso na decisão: a disponibilidade de energia confiável, o acesso à água para os sistemas de resfriamento e uma conectividade robusta e resiliente.
“Sem esses recursos, é muito difícil desenvolver e operar um data center de grande escala”, afirmou ele.
Outros fatores importantes são a conectividade internacional, a proximidade com os usuários finais, os incentivos governamentais e a capacidade de expansão.
Segundo Pedro Romero, a inteligência artificial aumentou significativamente as exigências em termos de computação e disponibilidade, pelo que o fornecimento confiável de energia tornou-se um elemento indispensável.
Uma infraestrutura de telecomunicações de alta capacidade garante baixa latência e continuidade do serviço, enquanto o acesso à água é um componente essencial para garantir a eficiência e a sustentabilidade dos sistemas de refrigeração.
Panorama dos data centers na região
O relatório “Global Construction Market Intelligence 2026”, da Turner & Townsend, destaca que a infraestrutura digital e os data centers estão entre os setores que mais impulsionam a atividade da construção civil em nível mundial.
Na América Latina, tendências como a expansão da economia digital, o crescimento das aplicações de inteligência artificial e o fenômeno do nearshoring continuamatraindo investimentos, especialmente para mercados como o Brasil e o México.
O inventário de data centers de colocation atingiu 1,1 gigawatts (GW) de capacidade instalada em 2025 na América Latina, um crescimento de 20% em apenas um ano, de acordo com um relatório da empresa JLL.
O relatório destaca que esse aumento representa um recorde na entrega de novas infraestruturas na região.
Além disso, isso reflete o forte interesse de operadores e investidores em expandir sua presença no mercado latino-americano.
Em particular, os data centers de colocation são instalações nas quais uma empresa aluga espaço, energia e conexão à internetpara instalar e operar seus próprios servidores.
Na região, Querétaro (no México) e São Paulo e Barueri, na Grande São Paulo, foram responsáveis por 82% das entregas de estoque.
Em uma entrevista recente à Bloomberg Línea, o diretor da Amazon Web Services (AWS) para o norte da América Latina e o Caribe, Américo de Paula, afirmou que fatores como regulamentação, carga tributária, estabilidade política e demanda serão determinantes para futuros investimentos em centros de dados na América Latina, à medida que aumentam as necessidades de capacidade para soluções de IA.
“Estamos sempre avaliando, de forma contínua, investimentos em novos data centers e novas infraestruturas em toda a região”, disse De Paula durante o AWS Summit Bogotá. “Isso está relacionado à demanda dos clientes, ao ambiente regulatório, aos impostos, ao cenário político e econômico e aos custos de cada país.”
Segundo a Huawei, mais do que uma cidade específica, hoje os investidores avaliam quais regiões reúnem as condições necessárias para desenvolver e operar um data center de forma eficiente e sustentável.
“A decisão dependerá, além disso, do uso que será dado à infraestrutura, já que um data center destinado a cargas intensivas de inteligência artificial exigirá maior capacidade de processamento, mais energia e sistemas de refrigeração mais robustos do que um voltado para outros serviços digitais”, afirmou Pedro Romero, da Huawei.
Disponibilidade de energia
De acordo com a Turner & Townsend, a expansão da inteligência artificial está transformando os requisitos dos novos centros de dados, que exigem maior capacidade energética, sistemas de refrigeração mais sofisticados e infraestrutura técnica de alta complexidade.
Os data centers projetados para cargas de trabalho de inteligência artificial exigem maiores densidades de potência e sistemas de refrigeração mais avançados, o que aumenta a complexidade técnica e os custos de desenvolvimento.
A Turner & Townsend estima que os projetos com refrigeração líquida destinados à IA possam apresentar custos de construção entre 7% e 10% superiores aos de um data center tradicional refrigerado por ar.
Nesse contexto, a disponibilidade de energia e o potencial de crescimento a longo prazo tornaram-se fatores tão relevantes quanto o próprio custo de construção.
Por isso, a Turner & Townsend destaca que o fator mais decisivo para a localização de um data center não é mais o custo de construção, mas a disponibilidade de energia.
Especificamente, o acesso a energia confiável e escalável tornou-se o principal critério para a seleção de novos locais.
Além disso, eles consideram que a conectividade digital é o segundo fator-chave.
Kamila Lima afirma que as operadoras priorizam mercados com acesso a redes de fibra óptica, cabos submarinos, pontos de intercâmbio de internet e proximidade a grandes centros de consumo de dados, o que reduz a latência e melhora o desempenho dos serviços digitais.
Também são fatores determinantes a estabilidade regulatória, a agilidade nos processos de licenciamento, a disponibilidade de terrenos adequados para expansão e a capacidade local de execução.
Liderança do Brasil no setor
A consultoria Turner & Townsend estima que o Brasil concentra aproximadamente 40% dos investimentos regionais em data centers, consolidando-se como um destino prioritário para operadoras hyperscale e provedores globais de nuvem.
Nesse contexto, destaca que o Brasil é atualmente o país mais bem posicionado da América Latina para atrair uma parcela significativa da próxima onda de investimentos em centros de dados impulsionada pela inteligência artificial.
Sua vantagem competitiva combina a escala do mercado, a elevada demanda local e um ecossistema digital maduro.
São Paulo se consolidou como o principal polo de data centers da região, enquanto Campinas, no interior do estado, surge como um dos centros mais importantes para a expansão da capacidade.
Para os analistas dessa empresa, o Brasil parte de uma posição favorável graças à concentração de infraestrutura já instalada, à presença de grandes provedores de nuvem e a uma ampla base de clientes corporativos — condições que facilitam o desenvolvimento de novos projetos voltados para cargas de trabalho de inteligência artificial.
Por sua vez, o México apresenta um grande potencial decorrente do fenômeno do nearshoring e de sua estreita integração com o mercado norte-americano.
Em particular, Querétaro, no México, consolidou-se como um dos principais pólos emergentes para investimentos em hyperscale na região.
Santiago do Chile se destaca por sua estabilidade institucional e econômica, sua sólida conectividade regional, a disponibilidade de infraestrutura tecnológica e um ambiente favorável a investimentos de longo prazo, fatores que contribuíram para o desenvolvimento de seu ecossistema digital.
Também se destacam cidades como Bogotá e Montevidéu, que apresentam custos de construção mais competitivos e buscam se posicionar como alternativas atraentes para futuros investimentos, especialmente à medida que aumenta a demanda regional por capacidade de processamento e armazenamento de dados.
Os desafios do setor
De acordo com os analistas da consultoria, os principais obstáculos para novos investimentos em data centers na América Latina estão relacionados à capacidade de dar resposta ao rápido crescimento da demanda digital, especialmente aquela impulsionada pela inteligência artificial.
“Os incentivos fiscais podem contribuir para melhorar a viabilidade financeira de um projeto, mas raramente compensam as limitações relacionadas à energia, à conectividade ou à infraestrutura”, disse Kamila Lima. “Por isso, os mercados que mais atraem investimentos são aqueles que combinam esses fatores de maneira equilibrada.”
Por outro lado, a Turner & Townsend afirma que a escassez de mão de obra especializada e de componentes eletromecânicos tornou-se um dos principais desafios para a indústria em nível global.
A propósito, o relatório Global Construction Market Intelligence 2026 aponta que mais de 70% dos mercados analisados relatam dificuldades para encontrar profissionais qualificados, o que aumenta os riscos de execução e pode afetar os prazos e os custos dos projetos.
Também persistem desafios relacionados à capacidade da cadeia de suprimentos, especialmente no que diz respeito a equipamentos eletromecânicos, sistemas de refrigeração e componentes elétricos essenciais.
“A crescente demanda global por infraestrutura digital e de inteligência artificial está gerando pressão sobre a disponibilidade desses equipamentos e sobre os prazos de entrega”, observou Lima.
Por fim, aspectos como a obtenção de licenças, a disponibilidade de terrenos adequados e a estabilidade regulatória continuam sendo fatores relevantes para a viabilidade de novos empreendimentos.
Cidades como São Paulo apresentam uma demanda crescente, infraestrutura digital consolidada, conectividade regional e condições favoráveis para expansão de data centers. (Foto: Shutterstock)
A semana foi marcada por captações robustas no ecossistema de startups, com destaque para a Decade Wealth Management.
A gestora de patrimônio fundada por dois ex-executivos do Nubank levantou US$ 85 milhões em uma rodada seed apontada como a maior já registrada na América Latina nesse estágio, evidenciando o apetite de investidores globais por soluções de IA voltadas à gestão de patrimônio de brasileiros de alta renda.
O volume elevado não ficou restrito a esse caso. A fintech de folha de pagamento e crédito Kesh captou R$ 550 milhões em uma rodada que combina equity e funding via FIDC próprio, enquanto a nigeriana Moove, dona da Kovi no Brasil, levantou US$ 250 milhões em uma Série C que a avalia em US$ 2,1 bilhões para acelerar sua entrada em mobilidade autônoma.
Veja os detalhes abaixo:
Decade Wealth Management
Fundada por dois ex-executivos do Nubank, a Decade Wealth Management levantou US$ 85 milhões em uma rodada seed apontada como a maior já registrada na América Latina nesse estágio, segundo dados da associação latino-americana de venture capital (Lavca).
A captação foi apoiada pela gestora do Vale do Silício Greenoaks, com participação da Benchmark e da Diffusion.
A startup combina inteligência artificial e consultores humanos para consolidar patrimônio, monitorar carteiras e identificar taxas e ineficiências tributárias de clientes de alta renda no Brasil. A plataforma usa o Open Finance para agregar dados bancários dos usuários.
Os fundadores, Vitor Olivier (ex-CTO do Nubank) e Felipe Meneses (cofundador da Hyperplane, adquirida pelo próprio banco digital), lançaram o serviço ao público após cinco meses de testes internos.
Kesh
A fintech paulista de folha de pagamento e crédito Kesh levantou R$ 550 milhões em uma rodada que combina equity e funding via FIDC próprio da companhia.
O aporte reúne o Grupo Leste — sócio fundador da fintech e liderado pelo ex-BTG Pactual Emmanuel Hermann —, o BR Angels e os executivos Alexandre Noschese, Mike Silva e Rafael Costa, da Across Capital.
A plataforma integra conta de pagamento, crédito e gestão de folha para empresas, com devolução de 100% dos juros cobrados em forma de benefícios que os colaboradores usam em uma rede de mais de 150 parceiros comerciais. Hoje a Kesh tem cerca de 25 mil usuários e atende empresas como Mococa Laticínios e Guima Conseco.
Os recursos serão direcionados a tecnologia, expansão comercial e contratações, além de reforçar o FIDC que sustenta a oferta de crédito. A meta é chegar a 1 milhão de usuários em três anos, com possibilidade de expansão para outros países da América Latina. A empresa foi fundada por Marcelo Ramos, que já havia criado a Vee Benefícios antes de vendê-la à francesa Swile.
Moove
A nigeriana Moove, dona da Kovi no Brasil, levantou US$ 250 milhões em uma rodada Série C que avalia a empresa em US$ 2,1 bilhões. A rodada foi liderada pelo Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, com coliderança da Woven Capital (braço de growth da Toyota) e da Ion Pacific, além de participação de BlackRock, MUFG, Franklin Templeton e Uber.
O capital será direcionado à expansão da operação de veículos autônomos, área em que a Moove já atua como operadora terceirizada de frotas em parceria com a Waymo, do grupo Alphabet, com testes em Phoenix e Miami e chegada prevista a Londres. A empresa planeja mais que triplicar o time dedicado a autonomia até o fim do ano, de 150 para cerca de 500 pessoas.
Hoje maior parceira global de frotas da Uber, a Moove tem receita recorrente anual de US$ 420 milhões e opera cerca de 42 mil veículos em 29 cidades de 13 países. A companhia já havia levantado US$ 550 milhões em 2023 e US$ 100 milhões em 2024, ambas com participação do Mubadala, além de US$ 1,2 bilhão em dívida em 2025 para financiar a entrada em mobilidade autônoma.
Netrin
A curitibana Netrin, especializada em gestão de riscos de fornecedores, clientes e outros parceiros de negócio, recebeu um novo aporte de R$ 26 milhões da gaúcha Insi Ventures, braço de corporate venture capital da Insi.
A plataforma automatiza processos de homologação, compliance e monitoramento contínuo de riscos regulatórios, financeiros, trabalhistas e reputacionais, substituindo controles manuais e planilhas usados hoje pela maioria das empresas brasileiras. A Netrin atende mais de 320 organizações, incluindo Amaggi, Veolia, Ipiranga e Braskem.
Os recursos serão usados para evoluir a plataforma, ampliar a operação comercial e incorporar novas ferramentas de inteligência artificial. A meta da companhia é atingir R$ 50 milhões em faturamento até 2028.
Canopy / Uniware
A Canopy, consolidadora brasileira de softwares para clientes corporativos, adquiriu a Uniware, empresa de Londrina (PR) especializada em sistemas de gestão para laboratórios de análises clínicas. É a quarta aquisição da Canopy em menos de oito meses e a segunda no setor de saúde, após a compra da Solus em janeiro.
A Uniware atende mais de mil clientes em todo o Brasil — cerca de 10% dos laboratórios do país — com equipe de mais de 90 pessoas, e começou recentemente a expandir para outros mercados latino-americanos.
A empresa seguirá operando de forma independente, sob o comando dos fundadores Cláudio e Rafael Ziller, mantendo marca e liderança, dentro do modelo de consolidação adotado pela Canopy.
Região da Av. Faria Lima: Decade combina inteligência artificial e consultores humanos para consolidar patrimônio, monitorar carteiras e identificar taxas e ineficiências tributárias. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
A Petrobras (PETR3, PETR4) vem ampliando o leque de oportunidades de investimentos para crescer, fazendo apostas que vão desde a possível recompra da refinaria Mataripe, na Bahia, até a exploração de gás na Colômbia.
“Nosso resultado do segundo trimestre se deve ao alinhamento de um propósito comum para fazer dessa uma grande empresa e, antes de tudo, uma estatal com orgulho, que trabalha em prol da sociedade brasileira. É isso que nos incentiva a oferecer cada vez melhores resultados”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a jornalistas na tarde desta sexta-feira (7).
De abril a junho, a companhia registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões (US$ 10,4 bilhões), um aumento de 97% sobre o valor registrado no mesmo intervalo do ano passado.
A executiva destacou ainda que, no período, a petroleira registrou o maior lucro bruto de toda a sua história em um único trimestre (cerca de US$ 19 bilhões) e o maior lucro líquido em moeda americana em três meses. Os valores já incluem eventos exclusivamente recorrentes.
No último dia 3 de agosto, a Petrobras anunciou uma nova descoberta de acumulação de gás em um poço exploratório localizado em águas profundas da Colômbia. A brasileira atua como operadora de um consórcio com participação de 44,4% em parceria com a estatal Ecopetrol, que tem a fatia restante no bloco.
Chambriard reforçou que a parceria com a colombiana persiste e que, por meio dela, foram feitas três descobertas nos campos offshore da Colômbia.
“São descobertas relevantes, com capacidade de suprir a demanda de gás do mercado colombiano integralmente por mais de 10 anos. Trata-se de um projeto de interesse do país, do Brasil e das duas empresas, não vejo dificuldades de levar adiante”, disse.
A executiva afirmou que, neste momento, estão sendo realizadas consultas públicas para licenciamento ambiental do projeto. “A aposta é que poderemos operar esses ativos e fornecer 100% do gás que a Colômbia precisa, quem sabe até exportar.”
Já no México, Chambriard afirmou que o trabalho da Petrobras com a Pemex tem sido em duas vertentes: no upstream (exploração e produção) e no downstream (refino).
Na primeira, as áreas de atuação incluem E&P em águas rasas, profundas e ultraprofundas na porção mexicana do Golfo do México. No downstream, envolvem aperfeiçoamento de ações de refino, eventual uso de etanol, além de biodiesel e diesel co-processado.
As duas empresas assinaram um Memorando de Entendimento (MOU, na sigla em inglês) não vinculante para upstream e estão em vias de firmarem outro para a área de downstream, salientou Chambriard.
A diretora executiva de exploração e produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, detalhou que o MOU já assinado inclui interesses como reprocessamento sísmico de novas áreas, exploração em águas profundas e ultraprofundas, compartilhamento de tecnologias, bem como o desenvolvimento de novas técnicas.
Ainda na área de minerais críticos, Chambriard disse que a Petrobras tem projetos em parceria com o BNDES para estudos de viabilidade de exploração no setor, mas ainda necessitam passar por diversas etapas de análise e estudos.
Refinaria da Bahia
Chambriard afirmou que a companhia mantém as negociações para uma possível recompra da Refinaria de Mataripe, vendida para a Acelen - braço de energia do Mubadala (fundo soberano de Abu Dhabi) - em 2021, durante processo de desinvestimentos da estatal.
“Continuamos negociando, não é segredo que a Petrobras pretende ampliar seu parque de refino, com ou sem Mataripe”, afirmou.
Segundo ela, o alvo da empresa no quinquênio 2026-2030 é produzir 85% do consumo doméstico de diesel. Para o período de 2027 a 2031, a estatal quer atender 100% da demanda brasileira do combustível. “Esperamos que seja com Mataripe, mas para isso temos que contar com um preço adequado do ativo.”
A trajetória do dólar voltará a depender de dois dados da inflação nos Estados Unidos antes da reunião de setembro do Federal Reserve. Para o ING, essas divulgações definirão se as moedas da América Latina manterão o ímpeto recente ou enfrentarão uma mudança de tendência.
O banco, que atualizou nesta quinta-feira (6) suas projeções para o dólar, afirmou que o cenário “depende em grande medida de dois dados moderados do IPC dos Estados Unidos antes da reunião do FOMC”. Caso esses números não sejam alcançados, alertou que isso provavelmente indicaria um aumento das taxas pelo Fed e um dólar mais forte.
O próximo dado de inflação dos Estados Unidos, referente a julho, será divulgado em 12 de agosto, e o número de agosto será publicado em 11 de setembro. Na última leitura disponível, referente a junho, a inflação anual ficou em 3,5%, abaixo dos 3,8% esperados pelo mercado.
Essa expectativa se soma a outro ponto que o mercado cambial acompanha de perto: a evolução das tensões no Golfo Pérsico e o impacto que elas podem ter sobre a inflação norte-americana.
Por isso, Chris Turner, analista do ING, afirmou que os mercados cambiais estão “presos entre os acontecimentos no Golfo e a reunião decisiva do Federal Reserve em 16 de setembro”, enquanto o mercado aguarda os dois novos dados de inflação antes da decisão do banco central.
Para o ING, existe “um caminho muito estreito, que defendemos, de preços mais baixos da energia e uma política inalterada do Fed que leve a um enfraquecimento benigno do dólar”.
Nesse cenário base, o banco mantém sua expectativa de que o euro se valorize em relação ao dólar até o final do ano e considera que um Fed inalterado também favoreceria novos ganhos para as moedas desenvolvidas de maior rendimento e para as moedas emergentes.
Destaque para três moedas em LatAm
Na América Latina, o ING focou sua análise no real (USDBRL), no peso mexicano (USDMXN) e no peso chileno (USDCLP). O banco afirmou que as moedas da região “têm se mantido relativamente estáveis e continuam superando suas acentuadas curvas forward”.
Turner indicou que “o elevado carry do Brasil continua atraente”, embora tenha pedido que se mantenha a atenção nas notícias políticas antes das eleições presidenciais de outubro.
O ING acrescentou que, caso se confirme seu cenário de um Fed sem aumentos nas taxas, “o real deve continuar em alta”. As projeções apontam para uma taxa de câmbio de R$5,15 em um e três meses, R$5 em seis meses e R$4,75 em um horizonte de doze meses, um cenário que reflete uma valorização gradual do real em relação ao dólar.
Além disso, Turner afirmou que “tanto o peso mexicano quanto o peso chileno parecem bastante estáveis”. Se o Fed mantiver as taxas, o ING espera que a taxa de câmbio mexicana volte a testar a parte inferior da faixa recente, embora tenha lembrado que “o Banxico não gosta de um câmbio abaixo de MXN$17”.
A instituição também identifica uma eventual renegociação do T-MEC e um aumento das taxas pelo Fed entre os riscos para o peso. Para a moeda, a instituição projeta uma taxa de câmbio de MXN$17,25 em um, três, seis e doze meses, uma previsão que aponta para um comportamento estável da taxa de câmbio.
Em relação ao Chile, o ING considera que o peso poderia se fortalecer se o cobre mantiver sua alta. Turner escreveu que “o peso chileno poderia tentar avançar em direção a CLP$ 900 se o cobre conseguir ultrapassar os US$ 14.000 por tonelada”.
O banco acrescentou que a atenção também estará voltada para as decisões de Washington sobre as tarifas sobre o cobre, já que o efeito sobre a moeda chilena dependerá de as exportações do país serem isentas ou não.
Assim, os próximos dados sobre a inflação nos Estados Unidos definirão o tom para o dólar e, ao mesmo tempo, colocarão à prova se o cenário previsto pelo ING para o real, o peso mexicano e o peso chileno conseguirá se manter nos próximos meses.
Enquanto a panificação artesanal ganha espaço nas grandes cidades brasileiras, impulsionada por padarias de fermentação natural e pelo apelo do produto fresco, um grupo francês aposta em um caminho diferente.
A Norac Foods decidiu investir dezenas de milhões de reais para desenvolver no país uma operação de panificação industrial inspirada em receitas francesas e capaz de disputar consumidores não só pelo preço, mas pela busca por uma percepção de qualidade mais próxima do que seria feito artesanalmente.
A primeira venda da marca no país aconteceu em dezembro de 2013. O primeiro lucro só veio 11 anos depois, no final de 2024, após mais de uma década em que o grupo francês de panificação bancou sozinho a operação, sem capital externo.
“Estamos apenas começando a ganhar dinheiro. E ainda pouco”, disse Nicolas Esclatine, CEO da Norac Foods no Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea. “Estamos pequenos ainda na escala do grupo, mas o crescimento é muito forte”, explicou. “Dobramos de tamanho em quatro anos, entre 2021 e 2024.”
E foi justamente nesta virada para o azul que a empresa fez sua maior aposta no país.
Entre o final de 2024 e o início de 2025, o grupo investiu mais de R$ 50 milhões em uma nova linha de produção de brioches na fábrica de Ibiúna (SP), totalmente automatizada e importada da Europa, já que o equipamento não existia no Brasil.
A linha produz três vezes mais do que a anterior com 25% menos pessoal, segundo Esclatine, e é a base do plano de crescer mais de 50% em faturamento entre 2025 e 2028.
Depois de dobrar de tamanho, a subsidiária brasileira da marca francesa prevê encerrar 2026 com faturamento de R$ 220 milhões. É uma fração dos mais de R$ 8 bilhões que o grupo, dono de 23 fábricas em nove países, fatura globalmente, dois terços deles na França, em operações maduras e de crescimento lento.
Segundo o CEO no Brasil, entretanto, é no país que está o maior potencial de expansão entre as subsidiárias, ao lado dos Estados Unidos.
A estratégia passa principalmente pela Paderrí, marca de brioches e produtos de panificação do grupo, que busca ocupar um espaço intermediário entre o pão industrial tradicional e o universo artesanal em ascensão no país.
“Claro que o nosso negócio é industrial, é o pão industrial, porém com esse toque francês que remete à padaria mais artesanal”, disse Lúcio Torres, vice-presidente da Norac Foods no Brasil, à Bloomberg Línea.
O argumento técnico da empresa para se diferenciar está na receita. “Quando a gente olha no mercado brasileiro, todos os outros brioches industrializados que existem de outras marcas são ‘tipo brioche’, nenhum tem ovo, que é um ingrediente fundamental da receita”, disse Torres. Segundo ele, “a gente consegue trazer de uma maneira industrial um brioche de verdade”, com a mesma receita usada nas fábricas francesas, adaptada a ingredientes locais.
O principal desafio não é disputar espaço dentro de uma categoria madura, mas criar um novo hábito de consumo entre os brasileiros. “A nossa ambição com a Paderrí aqui no Brasil é criar o hábito do consumo do brioche”, disse Torres.
Na França, o brioche faz parte do cotidiano alimentar e possui presença muito maior nas mesas dos consumidores. No Brasil, o produto ainda ocupa um nicho relativamente pequeno quando comparado ao pão francês tradicional ou aos pães industrializados mais populares.
A aposta mais recente nessa direção é o brioche para hambúrguer, lançado no final de 2025 com preço abaixo da concorrência e que já opera em segundo turno de produção. “Está indo super bem, mas tem um potencial ainda gigantesco”, disse o executivo.
A estratégia de preço vale para todo o portfólio. Nos últimos dois anos, segundo Torres, a Norac reajustou seus preços em um terço do que subiu o mercado de pão. “Isso mostra que a gente tem uma preocupação grande de ter um produto cada vez mais acessível, que esteja na mesa da família do brasileiro”, disse. A pressão sobre as margens é compensada, de acordo com Esclatine, pelos ganhos de produtividade da nova linha automatizada.
Curto e longo prazos
A marca Paderrí responde por 55% do faturamento no Brasil, contra 45% da linha Ateliê (de refeições prontas), e deve puxar a maior parte do crescimento até 2028 por uma razão logística.
Os pães e madeleines da primeira marca têm validade de 50 a 120 dias, enquanto os sanduíches da Ateliê duram de 11 a 18 dias e exigem cadeia de frio rigorosa, o que limita a distribuição ao raio do Sudeste e de parte do Sul a partir da fábrica paulista.
O plano de expansão, segundo a empresa, “vem dessas duas pernas, distribuição e aumento de giro”, disse Torres. A presença no Norte e no Nordeste ainda é pontual, e a empresa avalia que, por proximidade logística, exportar para Uruguai e Argentina pode ser mais viável do que estruturar essas regiões.
Para o longo prazo, Esclatine afirmou que a fábrica de Ibiúna, com 12 mil m² e cerca de 390 funcionários, ainda tem espaço físico para receber mais uma linha de grande porte, e que o grupo também avalia aquisições de marcas ou empresas de panificação no Brasil. A decisão entre crescer por investimento próprio ou por compras, segundo o CEO, ainda não está tomada.
A aposta do grupo francês é transformar escala industrial, automação e receitas inspiradas na tradição francesa em uma combinação capaz de convencer o consumidor brasileiro de que existe espaço, na mesma gôndola, para um pão industrial que busca se posicionar além do convencional.
A empresa também avalia oportunidades de crescimento inorgânico no país por meio da aquisição de marcas ou fabricantes locais do setor de panificação.
Subsidiária brasileira da marca francesa, que dobrou de tamanho entre 2021 e 2024, deve encerrar 2026 com faturamento de R$ 220 milhões (Foto: Divulgação)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Depois de um segundo trimestre com resultados recordes, a Riachuelo (RIAA3) entra em uma nova fase do seu plano de transformação, que inclui a abertura de lojas e reformas em unidades existentes.
A varejista de moda brasileira pretende inaugurar 14 novos pontos de venda e reformar outros sete neste segundo semestre, buscando aplicar um novo conceito apresentado no ano passado e testado em uma loja protótipo no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
De acordo com o CEO, André Farber, a expectativa é de “um bom crescimento” a partir da abertura de lojas, que vão representar o que ele classifica como o “novo modelo de marca Riachuelo do futuro”.
“Vejo um novo momento da nossa transformação. Um momento em que a gente vai revitalizar muito a experiência da Riachuelo e um momento de expansão de lojas”, afirmou Farber em entrevista à Bloomberg Línea.
O mercado acionário global ficou estável, e traders evitam fazer grandes apostas antes da divulgação do relatório mensal sobre o mercado de trabalho dos EUA nesta sexta-feira (7) em busca de pistas sobre o rumo da política monetária do Fed.
- Confiança em alta. O índice de otimismo do Bank of America atingiu seu nível mais alto desde 2021, subindo de 9,4 para 9,7. O banco aponta a ampliação dos mercados acionários, os fortes influxos para títulos de alto rendimento e os spreads de crédito mais estreitos como motivos por trás da confiança dos investidores.
- Automóveis impulsionam Alemanha. A produção industrial alemã cresceu pelo terceiro mês consecutivo, uma alta de 0,2% em relação ao mês anterior. O principal impulsionador do crescimento foi o setor automotivo, que registrou um aumento de 3,6% em julho em relação a junho.
- Aposta dobrada em IA. A SK Hynix planeja uma expansão de US$ 38 bilhões em suas instalações de fabricação de chips na Coreia do Sul, reforçando os esforços para dobrar rapidamente sua capacidade de produção e amenizar a escassez global de chips de memória.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
Depois de um segundo trimestre com resultados recordes, a Riachuelo (RIAA3) entra em uma nova fase do seu plano de transformação, que inclui a abertura de lojas e reformas em unidades existentes.
A varejista de moda brasileira pretende inaugurar 14 novos pontos de venda e reformar outros sete neste segundo semestre, buscando aplicar um novo conceito apresentado no ano passado e testado em uma loja protótipo no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
De acordo com o CEO, André Farber, a expectativa é de “um bom crescimento” a partir da abertura de lojas, que vão representar o que ele classifica como o “novo modelo de marca Riachuelo do futuro”.
“Vejo um novo momento da nossa transformação. Um momento em que a gente vai revitalizar muito a experiência da Riachuelo e um momento de expansão de lojas”, afirmou Farber em entrevista à Bloomberg Línea.
O grupo encerrou o segundo trimestre com 444 lojas, sendo 342 da marca Riachuelo, 81 da Carter’s, 13 da Casa Riachuelo e 8 da Fanlab (as operações da Fanlab foram encerradas em julho).
Segundo o CEO, o grupo fez um estudo dos mercados onde está presente no Brasil e identificou oportunidades de locais de crescimento potencial. Ele afirmou que a maior parte está concentrada em shopping centers e na região Sudeste, mas também há oportunidades em outros lugares.
A primeira loja reformada e inaugurada recentemente já no novo modelo é a do Park Shopping Barigüi, em Curitiba, do grupo Multiplan.
A próxima inauguração prevista está em Lavras (MG), no dia 14 de agosto. Mas a empresa também trabalha para abrir unidades em Rondônia e em São Paulo, segundo ele.
Entre as lojas em reforma, o executivo cita as unidades do BH Shopping, na capital mineira, e no Shopping Ibirapuera, em São Paulo. “São só alguns exemplos desse novo formato que está chegando e a gente tem recebido feedbacks muito positivos do consumidor”, diz.
Farber não quis detalhar os números, mas diz que a empresa tem visto um resultado positivo de vendas e de avaliação dos consumidores a partir da experiência com a loja protótipo de São Paulo.
Resultados do segundo trimestre
No segundo trimestre, a Riachuelo registrou Ebitda consolidado de R$ 460,6 milhões, um avanço de 12,7% sobre o resultado do mesmo período do ano passado, superando a média de R$ 445,8 bilhões de analistas consultados pela Bloomberg.
A margem Ebitda foi de 17,1% – um aumento de 1,4 ponto porcentual na comparação anual –, também acima dos 16,4% do consenso de analistas.
O lucro líquido do período somou R$ 167,92 bilhões, um avanço de 36,2% sobre o segundo trimestre do ano passado. Enquanto isso, as vendas de vestuário no conceito de mesmas lojas (Same Store Sales) subiu 7,8%, o 12º trimestre consecutivo de crescimento.
Farber classificou o resultado como um segundo trimestre “histórico” para a empresa e destacou que o lucro líquido nos últimos 12 meses somados atingiu R$ 528 milhões, com um crescimento de 60%.
Ele atribuiu o crescimento a uma série de fatores. Em primeiro lugar, está o trabalho feito nos últimos anos de integração do time de moda com o time de fábrica, o que tem permitido evoluir no planejamento das coleções.
Além disso, a empresa buscou fazer inovações tecnológicas nas roupas e lançar coleções em parcerias com influenciadoras ou marcas. Também apostou na maior utilização de dados e aplicação de inteligência artificial em mecanismos de precificação. “Não tem bala de prata. É uma evolução contínua dos nossos modelos”, disse.
Apesar do avanço, a empresa foi impactada pela Copa do Mundo, que reduziu a frequência de consumidores, principalmente nos dias de jogos do Brasil. Farber calcula que, não fosse o Mundial, as vendas nas mesmas lojas poderiam ter crescido acima dos 10%.
“A gente estima que a Copa tirou entre 2 ou 3 pontos percentuais do nosso crescimento no trimestre. Nos dias de jogo do Brasil é muito mais, por razões óbvias. E mesmo em outros dias de jogos, como no dia da final, a gente vê que o tráfego cai muito. Mas é normal. Isso acontece a cada quatro anos e estávamos preparados”, afirmou.
Na bolsa, as ações da Riachuelo (RIAA3) acumulam queda de 10,3% no ano até a quinta-feira (6) depois de terem subido 56,4% em 2025. O papel tem recomendação de compra de 10 analistas, uma recomendação neutra e nenhuma de venda, segundo dados da Bloomberg.
Olhando para frente, do ponto de vista macroeconômico, o aumento da inadimplência entre os consumidores tem sido um ponto de atenção. O índice de inadimplência acima de 90 dias da empresa subiu 1,5 ponto percentual, para 18,9%, no segundo trimestre.
O executivo disse que está atento aos cenários, mas acredita que conseguirá manter o crescimento mesmo com as condições financeiras mais apertadas no país.
Ao mesmo tempo, ele lembrou que o mercado de moda é muito grande no Brasil e que o market share da Riachuelo é estimado em 3%, algo que oferece oportunidade. “Melhorando a nossa proposta de valor, a gente consegue gerar demanda no consumidor”, afirmou.
A Petrobras (PETR3, PETR4) registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões (US$ 10,4 bilhões) no segundo trimestre, o que representa um aumento de 97% do valor registrado no mesmo período do ano passado, informou a empresa em balanço enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite desta quinta-feira (6).
A companhia afirma que o resultado é reflexo do aumento do lucro bruto, parcialmente compensado pelo aumento da despesa tributária, diante da cobrança do imposto de exportação de petróleo, bem como menores ganhos com variação cambial.
A estatal anunciou ainda que o conselho de administração aprovou o pagamento de remuneração aos acionistas no valor de R$ 17,4 bilhões (cerca de US$ 3,5 bilhões) referente ao exercício, o equivalente a R$ 1,34 por ação ordinária e preferencial em circulação.
“Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras. O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa”, disse no documento o diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Fernando Melgarejo.
De abril a junho, a companhia reportou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 93,8 bilhões (US$ 18,6 bilhões), alta de 79,6% sobre igual intervalo do ano passado.
No critério sem eventos exclusivos, o Ebitda ajustado foi de R$ 100,6 bilhões no trimestre. O resultado, aponta o relatório, foi impulsionado principalmente pela maior exportação - viabilizada pelo avanço da produção e aumento da cotação do Brent.
“Adicionalmente, tivemos maior participação de derivados produzidos no mix de vendas, refletindo o maior FUT [fator de utilização] e gerando uma menor necessidade de importações de derivados”, diz a companhia no documento.
De abril a junho, a Petrobras registrou receita de vendas de R$ 169,5 bilhões, alta de 42,3% ante o mesmo período do ano passado.
“No segundo trimestre, mantivemos forte desempenho operacional, com o avanço do ramp-up dos sistemas, a entrada em operação da P-79 e ganhos de eficiência, o que resultou em aumento de 3,4% na produção total”, afirmou a empresa.
O Brent médio do trimestre ficou em US$ 104,5, aumento de 54% na comparação anual.
Volumes de produção
A produção própria de óleo no Brasil atingiu 2,7 milhões de barris por dia (bpd), alta de 15% sobre o mesmo período do ano passado. O aumento favoreceu o crescimento das exportações no trimestre, que chegaram a quase um milhão de bpd, informou a estatal.
De abril a junho, a companhia investiu R$ 26,7 bilhões (US$ 5,3 bilhões). Desse valor, 82% foram destinados ao segmento de exploração e produção.
A dívida bruta da Petrobras atingiu US$ 70,8 bilhões no trimestre e, a dívida líquida, US$ 60,38 bilhões. A alavancagem encerrou o período em 1,14 vez.
O Ibovespa (IBOV) fechou esta quinta-feira (6) em queda, pressionado pelo recuo das ações da Vale (VALE3) e do Bradesco (BBDC4), enquanto investidores repercutem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na véspera, o Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, mas adotou um tom considerado mais cauteloso ao evitar qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária.
A leitura mais restritiva da autoridade monetária contribui para sustentar o real, mas pesou sobre o mercado de ações ao reforçar a perspectiva de juros elevados por mais tempo.
O principal índice da B3 caiu 1,23%, aos 175.546 pontos. Já o dólar recuou 0,41%, cotado a R$ 5,11.
Na bolsa, as ações da Vale foram a maior pressão negativa para o Ibovespa. Os papéis da mineradora caíram 1,66% em meio à queda dos preços do minério de ferro no mercado internacional. As ações do Bradesco também pressionaram o índice e recuaram 1,94% após a divulgação do balanço trimestral.
Na direção oposta, a Petrobras limitou as perdas do índice e subiu 0,48%, acompanhando a valorização do petróleo. A commodity subia 5% por volta das 17h30 desta quinta-feira diante das incertezas sobre um eventual acordo envolvendo o Irã e das expectativas para o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
O movimento ocorre após Irã e Omã chegarem a um acordo sobre uma rota de transporte pela região. Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país mantém conversas com o Irã e acrescentou que “veremos o que acontece”.
Os investidores também permanecem à espera dos resultados trimestrais da Petrobras, que serão divulgados após o fechamento do mercado e devem impactar o desempenho das ações no próximo pregão.
O Bradesco está mais bem preparado do que os concorrentes para enfrentar a deterioração do crédito no país, mesmo em meio à alta das provisões no trimestre, segundo o CEO do banco Marcelo Noronha. O tema tem dominado as conversas com investidores nos últimos dois meses, à medida que cresce a preocupação com o nível de endividamento das famílias brasileiras, disse ele nesta quinta-feira (6).
“Eu vejo o mercado mais pressionado pela inadimplência e por custos de crédito. Mas estamos um passo à frente, porque estamos com carteiras melhores”, afirmou Noronha a jornalistas durante entrevista coletiva para comentar os resultados do Bradesco no segundo trimestre.
A avaliação segue a mesma linha adotada pelo Itaú um dia antes. Na véspera, o CEO Milton Maluhy Filho também defendeu a resiliência da carteira do banco diante do cenário macroeconômico mais desafiador.
Segundo ele, a inadimplência “tem subido de forma acentuada” no sistema financeiro, mas não nas carteiras do Itaú — um descolamento que Maluhy atribuiu à composição do portfólio em linhas mais resilientes, além da maior concentração histórica do banco em clientes de renda média e alta.
O Bradesco também tem buscado segmentos mais resilientes, e os executivos destacaram, principalmente, o foco em operações de crédito com garantia.
Entre as linhas citadas como prioritárias estão o crédito consignado, o crédito imobiliário, o financiamento de veículos seminovos e as operações com garantia do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI) e do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
Segundo o banco, essas linhas têm apresentado inadimplência inferior à média do mercado — no consignado privado, por exemplo, a taxa do Bradesco foi de 4,7%, ante 8,9% do restante do setor.
No entanto, o maior apetite para crescimento da carteira foi acompanhado de um aumento nos índices de provisão e de inadimplência.
A despesa com provisões para devedores duvidosos (PDD) expandida somou R$ 10 bilhões no período, alta de 22,6% na comparação anual. O custo de crédito ficou em 3,5%, estável em relação ao trimestre anterior, mas 0,3 ponto percentual acima do registrado um ano antes. Já a carteira em atraso acima de 90 dias fechou em 4,4% do total, ante 4,1% no mesmo período de 2025 — no segmento de pessoas físicas, o índice chegou a 5,5%.
Para Noronha, a alta das provisões representa o preço do crescimento, e não é motivo de alarme.
“Quando cresço carteira, chamo mais provisão. Estamos bem tranquilos com relação a isso porque estamos operando com colateral, para ter uma qualidade de crédito superior à do mercado”.
Segundo a diretoria do Bradesco, a pressão sobre o custo de crédito no trimestre está concentrada em duas frentes específicas.
A primeira são as linhas garantidas pelo FGI e pelo FGO, cuja carteira cresceu 64% na comparação anual. Como essas operações têm um ano de carência e prazo total de até cinco anos, parte dos clientes atrasa o pagamento justamente ao vencer esse período inicial — o que aciona provisionamento contábil mesmo em operações com garantia.
A segunda frente é a carteira rural, pressionada pelo desempenho do Banco John Deere. Noronha disse esperar que esse efeito perca força à medida que a safra de crédito originada em 2025 for amadurecendo ao longo dos próximos trimestres.
“Vamos pagar [a PDD] com o top line e curar essas operações”, afirmou.
Apesar da pressão sobre a qualidade da carteira, Noronha afirmou ter “crença absoluta” de que o banco vai cumprir todas as linhas de sua projeção para o ano, buscando ficar na parte de cima do intervalo do guidance.
A expectativa é de crescimento entre 8,5% e 10,5% para a carteira de crédito, com margem financeira líquida entre R$ 42 bilhões e R$ 48 bilhões. As receitas com prestação de serviços devem avançar de 3% a 5%, e o resultado das operações de seguros, entre 6% e 8%. Já as despesas operacionais devem crescer de 6% a 8% no ano.
A diretoria também comentou o aporte anunciado pelas associações controladoras do banco, aprovado em reunião do conselho de administração em 29 de junho.
“[As associações controladoras] estão nos dando um voto de confiança de R$ 8 bilhões”, disse o CFO Cassiano Scarpellium, classificando a decisão como um sinal de confiança na franquia e no plano de transformação em curso no banco.
Após a divulgação dos números, as ações do Bradesco (BBDC4) operavam em queda de cerca de 2,6% por volta das 12h. No ano, os papéis acumulam baixa de 3,14%, contra alta de 10% do Ibovespa no período.
A cafeicultura da América Central enfrenta um cenário cada vez mais desafiador. O aumento constante das temperaturas, a irregularidade das chuvas e a intensificação de fenômenos climáticos como o El Niño estão alterando as condições sob as quais é produzida uma das principais culturas de exportação da região.
Para especialistas do setor, o desafio já não consiste apenas em lidar com um período de seca, mas em adaptar as propriedades a um novo padrão climático que veio para ficar.
As projeções relacionadas ao El Niño apontam para meses com déficit de chuvas em grande parte da vertente do Pacífico, temperaturas mais altas e um aumento do estresse hídrico nas culturas.
Embora esses eventos façam parte da variabilidade natural do clima, seu impacto se intensificou em um contexto marcado pelo aquecimento global, obrigando a repensar práticas agrícolas que, durante décadas, foram suficientes para sustentar a produtividade dos cafezais.
Durante um treinamento voltado para produtores, o engenheiro agrônomo Esteban Elizondo Cabalceta, instrutor do Instituto Nacional de Aprendizagem (INA) da Costa Rica, afirmou que “as mudanças climáticas já são um processo que continuará ocorrendo e precisamos nos adaptar a elas”, ao alertar que o acúmulo de gases de efeito estufa, o desmatamento e a poluição aceleraram as mudanças climáticas.
Esse novo cenário tem consequências diretas sobre o café. As altas temperaturas e a menor disponibilidade de água afetam processos fisiológicos fundamentais da planta, desde a floração até o enchimento do grão aromático.
Quando as chuvas deixam de ocorrer nos momentos críticos do desenvolvimento da cultura, a floração torna-se menos uniforme, o crescimento vegetativo diminui e aumenta a probabilidade de se colher frutos menores, uma condição que reduz tanto o volume da colheita quanto a qualidade do café.
Os efeitos não se limitam ao volume da safra. As condições de calor favorecem a proliferação de pragas como a broca, especialmente em regiões cafeeiras de menor altitude, enquanto a variabilidade entre os períodos de seca e de chuvas obriga a intensificar a vigilância contra doenças como a ferrugem.
Ao mesmo tempo, a falta de umidade limita a absorção de nutrientes pelas raízes, reduzindo a eficiência da fertilização e enfraquecendo ainda mais as plantas.
Soluções
O problema do setor cafeeiro da América Central e da República Dominicana, que produz cerca de 11% do café exportado mundialmente, não é apenas climático, segundo alertou Elizondo.
O El Niño encontra uma parte significativa das plantações de café com deficiências acumuladas ao longo dos anos: plantações envelhecidas, baixa incorporação de matéria orgânica, práticas insuficientes de conservação do solo e sistemas produtivos excessivamente expostos à radiação solar.
Essas condições reduzem a capacidade das propriedades de enfrentar períodos prolongados de seca ou chuvas intensas. Um café com solos degradados perde água mais rapidamente, aproveita menos os fertilizantes e apresenta menor atividade biológica, fatores que acabam se refletindo em uma queda na produtividade.
Segundo o especialista, a adaptação começa justamente no solo. A recuperação de terraços, coberturas vegetais, barreiras contra a erosão e outras práticas de conservação permite melhorar a infiltração da água, diminuir a lixiviação de nutrientes e manter um maior nível de umidade durante os períodos de seca.
Outra mudança que vem ganhando importância é a recuperação dos sistemas agroflorestais. Durante décadas, parte do cultivo de café evoluiu para plantações com pouca ou nenhuma sombra, a fim de aumentar a produção; no entanto, o aumento das temperaturas está levando a uma reavaliação do papel das árvores nas propriedades.
A incorporação de espécies de árvores leguminosas não só contribui para diminuir a temperatura do café e amenizar as ondas de calor, como também favorece a fixação de nitrogênio, aumenta a biodiversidade e fornece matéria orgânica ao solo por meio da queda de folhas e galhos.
A isso se soma a conservação de áreas remanescentes de floresta, consideradas aliadas na regulação do microclima e no fortalecimento da resiliência dos sistemas produtivos.
O manejo do solo também passa pela recuperação de sua atividade biológica. Os microrganismos desempenham um papel determinante na transformação de nutrientes, na formação de matéria orgânica e na retenção de água; por isso, práticas como a incorporação de composto, bioinsumos e cobertura vegetal começam a ganhar destaque nas estratégias de adaptação.
Paralelamente, o manejo nutricional adquire uma dimensão mais estratégica. O especialista recomenda que os programas de fertilização sejam elaborados com base em análises de solo, no estado da plantação e nas previsões climáticas.
Em situações de maior incerteza, também ganha importância a divisão das aplicações, o uso de fertilizantes de liberação lenta e, onde houver disponibilidade de água, a implementação de sistemas de fertirrigação.
A renovação gradual dos cafezais também inclui a incorporação de variedades com maior tolerância ao calor, à seca e a algumas doenças.
Variedades como Centroamericano, Mundo Maya, Star Maya, Millennium, Evaluna, Marsellesa ou determinadas linhagens de Geisha fazem parte dos avanços em melhoramento genético promovidos por instituições como o CATIE e a World Coffee Research para responder a um clima cada vez mais exigente.
As recomendações também incluem manter um monitoramento constante de pragas e doenças, regular a sombra de acordo com as condições de cada área produtiva e priorizar a irrigação em plantações jovens durante os períodos de maior déficit hídrico.
Embora a transição para sistemas mais resilientes exija novos investimentos por parte dos produtores, o especialista afirmou que a adaptação deve começar já, uma vez que as mudanças climáticas continuarão a alterar as condições de produção do café.
Altas temperaturas e a menor disponibilidade de água afetam processos fisiológicos fundamentais da planta (Foto: Divulgação)
A Vivara (VIVA3) fechou o primeiro semestre com margem bruta de 70,9%, a maior já registrada pela companhia no período, e reduziu a dívida líquida a R$ 140,9 milhões, queda de 57% em 12 meses.
O resultado tem origem em uma decisão tomada há mais de um ano: a maior rede de joalherias da América Latina abasteceu a fábrica de Manaus com o estoque de ouro acumulado e com metal recuperado de peças recompradas de consumidores, disse o CFO da companhia, Elias Leal Lima, em entrevista à Bloomberg Línea.
“Estamos sem comprar ouro de fornecedores desde maio do ano passado”, disse Lima.
O intervalo coincidiu com o ciclo mais intenso de valorização dos metais preciosos em anos. Entre os dois primeiros semestres, a cotação à vista da prata em reais subiu 55% e a do ouro, 16%; desde 2022, a prata quase triplicou e o ouro mais que dobrou.
Maior percepção do risco geopolítico, decorrente de conflitos como a guerra entre EUA e Irã, e aumento das reservas de bancos centrais como o da China são apontados pelos analistas como principais fatores para o rali dos metais nos últimos anos.
Enquanto concorrentes absorviam a escalada em tempo real, a joalheria consumia matéria-prima adquirida a preços anteriores.
“Temos a política de não fazer hedges financeiros, uma vez que o estoque é o nosso hedge natural”, explicou o CFO.
A Vivara lista o hedge natural dos estoques e a reciclagem de metais entre as cinco fortalezas do seu modelo de negócio, ao lado da estratégia multimetal, da verticalização e do poder de precificação das marcas.
O desenho atravessa o balanço. A geração de caixa operacional somou R$ 147,3 milhões entre abril e junho, contra R$ 94,6 milhões um ano antes, e R$ 261 milhões no semestre, R$ 333 milhões acima do primeiro semestre de 2025.
A conversão de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em caixa alcançou 72% no trimestre, ante menos de 50% no mesmo período de 2025, e é o maior patamar já registrado para um segundo trimestre.
“Totalmente recorrente. É essencialmente puxado pela redução de dias de estoque”, respondeu o executivo, questionado se a conversão havia sido inflada por eventos pontuais.
O indicador de dias de estoque encerrou junho em 582, contra 670 um ano antes, queda de 88 dias que a companhia converte em R$ 234 milhões de capital liberado.
O saldo em reais ficou estável, em R$ 1,538 bilhão ante R$ 1,497 bilhão. O giro melhorou porque as vendas cresceram sobre uma base de estoque que parou de subir, não porque o estoque encolheu.
O executivo indica a possibilidade de uma retomada das compras, sem data definida. O retorno depende de variáveis fora do alcance da companhia, a cotação do metal entre elas, e ele classificou a informação como expectativa, não como decisão tomada.
Otimização de estoques
A pausa nas compras não veio de ruptura na cadeia de suprimentos. Ela integra um programa de otimização de estoques cobrado por investidores ao longo de 2025 e que agora reaparece no balanço convertido em caixa e em margem.
Durante o intervalo, a fábrica funcionou com o que já circulava dentro de casa: a parcela reciclada do metal e os derretimentos de peças de baixo giro.
Segundo o relatório de sustentabilidade da companhia, cerca de um terço do ouro processado vem de reciclagem interna, e dois terços de compra de terceiros, entre eles a AngloGold Ashanti, que extrai o metal em Minas Gerais e mantém acordo com a Vivara desde o fim da década passada.
O metal barato explica parte do resultado. A outra parte é comercial. A receita bruta somou R$ 1,07 bilhão no trimestre, alta de 10,5%, ou 12,5% descontado o efeito de calendário, e R$ 1,82 bilhão no semestre, avanço de 11,8%.
As vendas em lojas cresceram 10% no trimestre, e relógios foi a categoria de maior expansão, 18,2%, puxada pelo segmento premium. Diferentemente dos dois trimestres anteriores, quando o volume conduziu o crescimento, desta vez o motor foi preço.
“Neste semestre, entregamos a nossa maior margem bruta histórica”, disse o executivo.
Fim de promoções
A companhia enxugou promoções e brindes nas duas marcas e aplicou reajustes seletivos, mais altos nas linhas de coleção, itens de menor comparabilidade que só existem no portfólio próprio, e mais contidos em alianças, correntes, argolas e itens religiosos, categorias em que a concorrência impõe teto. Os ajustes foram mais intensos na Vivara do que na Life, e o percentual médio não foi revelado.
“Por terem menos comparabilidade, eses itens podem ter um reajuste maior e um poder de precificação melhor”, disse o CFO.
O recorde do semestre convive com uma acomodação no trimestre isolado. A margem bruta de abril a junho foi de 71,7%, contra 72,2% um ano antes, ainda que 1,9 ponto percentual acima da registrada entre janeiro e março.
O Ebitda somou R$ 205,4 milhões, com margem de 24,7% ante 25,7%, e o lucro líquido ficou em R$ 156,7 milhões, próximo aos R$ 155,3 milhões do segundo trimestre de 2025.
É no acumulado que a conta aparece. O lucro do semestre recuou a R$ 242,6 milhões, ante R$ 275,3 milhões, com margem líquida 4,2 pontos percentuais menor, em 17%.
A explicação está na mesma decisão que sustentou a margem bruta: produzir menos em Manaus reduziu a receita de subvenção do incentivo fiscal, de R$ 149,4 milhões para R$ 138,4 milhões, e diminuiu o imposto de renda diferido gerado pelas vendas entre fábrica e varejo, o que elevou a alíquota contábil. Em bases comparáveis, o lucro subiria 26% no trimestre e 25% no semestre. O movimento que liberou caixa comprimiu o resultado contábil.
A vantagem, além disso, tem prazo. À medida que peças produzidas com ouro mais caro entram no giro, o custo médio sobe e a margem se estreita.
“A Vivara vem gradativamente produzindo itens com esse ouro mais caro do que a companhia tem no estoque”, ponderou Lima.
O prazo encurta na proporção em que a rede cresce, porque cada ponto de venda novo exige mais produção e, portanto, mais metal.
Lojas
As aberturas aceleraram no segundo trimestre. Foram 17 pontos de venda, sendo 13 Life e quatro Vivara, contra cinco nos três meses anteriores, e encerrou junho com 520 endereços: 272 lojas Vivara, 237 Life e 11 quiosques. O guidance de 55 a 65 lojas em 2026 foi mantido, com o número tendendo ao meio da faixa.
Boa parte do plano consiste em completar a presença dupla das marcas. A Vivara está em 316 shoppings e opera as duas bandeiras em 191 deles, arranjo que, segundo o executivo, rende desempenho superior ao de praças com apenas uma. Restam 80 shoppings só com Vivara e 45 só com Life.
Nem toda a conta está em endereço novo. Entre as obras em curso está a loja do JK Iguatemi, em São Paulo, uma das que mais vendem na rede e hoje em operação temporária no formato pop-up, com reabertura prevista para o terceiro trimestre.
Fora do país, a operação se resume a uma unidade, no shopping Multiplaza, na Cidade do Panamá, aberta em outubro de 2024 em parceria com o Grupo Dorben, operador de marcas de luxo na América Latina.
A loja vende mais do que uma Vivara inaugurada em período semelhante no Brasil, informou Lima, sem previsão de segunda unidade nem de novos países.
Análise do sell side
O Citi manteve recomendação de compra para a Vivara e preço-alvo de R$ 32, potencial de valorização de 43,6% sobre o preço de referência de R$ 22,29, mais 3% em dividendos.
Para 2026, o banco projeta receita de R$ 3,412 bilhões, lucro líquido de R$ 639 milhões e ROE (retorno sobre patrimônio) ajustado de 18%, e vê o crescimento de receita se acomodando na casa dos 10% a 13% à medida que os fatores pontuais do trimestre se dissipam.
“Mantemos nossa visão de que o mercado havia se tornado excessivamente negativo com a ação antes dos resultados”, escreveram os analistas João Pedro Soares e Felipe Husein em relatório divulgado após o balanço.
O relatório aponta a Life como o ponto ainda não resolvido da operação, com a marca de entrada operando abaixo do nível considerado ideal, e projeta que a atenção do investidor deve se deslocar do volume de vendas para a rentabilidade.
“Esperamos que os investidores concentrem atenção no forte desempenho da margem bruta e no controle disciplinado de despesas, que sustentaram o Ebitda e reforçam a confiança no modelo de resultados”, escreveram.
-Texto atualizado às 12h30 para incluir relatório do Citi
A forte participação da energia hidrelétrica, entre outros fatores, permitiu que um grupo de países da América Latina superasse a média regional de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, que atualmente chega a 67%, segundo a Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde).
No entanto, dentro desse grupo de países, o Paraguai é o único que atualmente gera 100% de sua eletricidade por meio de fontes renováveis, seguido pelo Uruguai (97%), Costa Rica (92%), Equador (92%), Brasil (88%), Colômbia (87%), Venezuela (86%), Belize (76%) e Peru (68%).
O principal fator que determinou que a geração de energia do Paraguai seja 100% renovável é a existência das duas usinas hidrelétricas binacionais de Itaipu e Yacyretá, que o país compartilha com o Brasil e a Argentina, respectivamente.
A capacidade de geração de suas grandes usinas hidrelétricas permite que o Paraguai atenda ao consumo nacional e exporte o excedente de energia que lhe cabe nas usinas binacionais.
De acordo com informações do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o país possui uma das taxas mais altas de acesso à energia, atingindo quase 100% das famílias. O Paraguai, um país sem litoral, tem cerca de 6,4 milhões de habitantes e um PIB per capita de aproximadamente US$ 6.261.
No caso de Itaipu, considerada a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, a principal vantagem é a perspectiva de contar com eletricidade a baixo custo.
Em 2025, a Itaipu gerou 72,9 milhões de megawatts-hora (MWh), um aumento de 8,63% em relação ao ano anterior.
Essa energia é suficiente para abastecer o mundo durante um dia, o Brasil por 40 dias e o Paraguai por cerca de três anos.
“Além de contar com uma matriz de geração de energia elétrica limpa, o Paraguai tem um dos preços de eletricidade mais baixos da América Latina”, disse à Bloomberg Línea o secretário executivo da Olacde, Andrés Rebolledo.
Estima-se que o preço médio da eletricidade no mundo seja de US$ 0,176 por kWh para usuários residenciais e US$ 0,164 por kWh para empresas, de acordo com o site Global Petrol Prices.
No Paraguai, o custo médio para o setor residencial é de US$ 0,055 e, para as empresas, de US$ 0,046.
Tanto a Itaipu quanto a Yacyretá oferecem um fornecimento de energia com baixas emissões de gases de efeito estufa, o que fortaleceu a imagem do Paraguai como um país com uma matriz elétrica limpa e renovável.
Ao mesmo tempo, isso favoreceu a chegada de indústrias ligadas à economia de baixo carbono e a produtos de maior valor agregado.
Apesar de gerar toda a sua eletricidade a partir de fontes renováveis, o Paraguai continua dependendo de outras fontes menos sustentáveis para suprir toda a demanda energética interna.
De acordo com o balanço energético, citado pelo PNUD, a biomassa representa 41% do consumo e os hidrocarbonetos importados, 39%. Isso contrasta com “uma utilização limitada de 20% da energia hidrelétrica”, que é a responsável por 100% da energia limpa do país.
Apesar disso, o país sul-americano “obtém recursos econômicos significativos com a exportação de energia elétrica e se tornou um destino atraente para a implantação de centros de processamento de dados para criptomoedas, inteligência artificial e outros serviços digitais”, observou Andrés Rebolledo.
Em sua recente visita a Taiwan, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que os dois países haviam iniciado “o caminho para criar o maior hub de inteligência artificial do mundo”. Os acordos para investimentos em centros de dados de inteligência artificial teriam como objetivo aproveitar o potencial energético do país e a capacidade tecnológica de Taiwan.
O secretário executivo da Olacde destaca que, justamente por sua energia elétrica relativamente barata e limpa, o Paraguai se tornou um polo atraente para investimentos em projetos de data centers voltados para criptomoedas e inteligência artificial, destinados a serviços digitais internacionais.
E o mesmo vale para projetos de hidrogênio verde e seus derivados, com destaque para a usina experimental do Parque Tecnológico de Itaipu, no Paraguai, destinada à produção de amônia verde e fertilizantes.
A principal vantagem comparativa do Paraguai em termos de recursos energéticos renováveis decorre diretamente do fato de que o país compartilha com outros países da região um dos principais potenciais hidrelétricos no trecho internacional do rio Paraná.
“É um dos principais rios do mundo e uma das maiores bacias hidrográficas do planeta, com características topográficas muito favoráveis à construção de represas com área inundável relativamente pequena”, disse à Bloomberg Línea o professor Victorio Enrique Oxilia.
“No entanto, o simples fato de possuir esses recursos em regime de condomínio não explica a realização dos grandes projetos binacionais, Itaipu e Yacyretá”, observou o professor da Faculdade Politécnica da Universidade Nacional de Assunção.
O acadêmico se refere a um contexto marcado por conflitos territoriais históricos que acabaram se transformando em soluções energéticas para os países que compartilham o recurso.
Segundo ele, isso foi resultado de negociações bilaterais e, em um determinado período, trinacionais (em 1979, quando foram definidas as condições para a construção de um terceiro projeto binacional — entre o Paraguai e a Argentina — denominado Corpus Christi, ainda em fase de planejamento).
“A disponibilidade do recurso natural, a negociação com os países vizinhos para o uso conjunto do recurso energético, bem como a definição de condições que garantiram a viabilidade técnica e financeira, foram os principais elementos que possibilitaram um desenvolvimento único na região: geração de energia hidrelétrica para o mercado interno e para a cessão (exportação) de energia elétrica”, afirmou Oxilia.
Apelo turístico
O modelo desenvolvido em torno da usina hidrelétrica de Itaipu pode se tornar uma vantagem competitiva para atrair investimentos em setores com alto consumo de eletricidade, segundo o professor Oxilia.
Por se tratar de uma usina sem dívidas, com baixos custos operacionais e capaz de gerar energia a baixo custo, ela oferece condições favoráveis para projetos que exigem alto consumo de energia.
Em 2023, a Itaipu Binacional, empresa criada pelo Brasil e pelo Paraguai para administrar a usina hidrelétrica, informou que pagou a última parcela da dívida de construção.
Além do preço competitivo, a disponibilidade de um abastecimento confiável e de baixas emissões reforça a atratividade do Paraguai para a manufatura de maior valor agregado, mas também para a produção de hidrogênio e fertilizantes verdes.
“Acho que isso é muito interessante, principalmente para os setores complexos e em crescimento”, afirmou o analista paraguaio. “Também há as empresas de mineração de criptomoedas (que, atualmente, têm contratos válidos até o ano de 2027), mas são os investimentos com menor impacto em relação ao desenvolvimento local”, em sua opinião.
A esse respeito, ele explicou que as mineradoras de criptomoedas que operam regularmente consomem uma grande quantidade de energia e pagam suas contas à Administração Nacional de Eletricidade (ANDE).
“Para a ANDE, esse aumento na receita é positivo. Mas para mais ninguém no país. Eles não pagam impostos no país sobre a renda real que, no fim das contas, auferem, nem empregam muitos paraguaios”, observou. Portanto, “em termos tributários e de emprego, o impacto para o país é praticamente nulo. Eles pagam praticamente apenas o IVA da conta da ANDE”.
A Olacde afirma que, embora o Paraguai tenha enfrentado períodos de vazante em alguns anos recentes, como em 2020, 2021 e 2024, esses períodos não chegaram a afetar o abastecimento de energia elétrica no país.
De qualquer forma, eles realmente reduziram os excedentes de energia exportáveis do país.
A Olacde destaca que o país tem planos de diversificar sua matriz de geração de energia elétrica, principalmente com base em usinas fotovoltaicas apoiadas por bancos de baterias.
Segundo Victorio Enrique Oxilia, o principal desafio de longo prazo para o país é a variabilidade climática, especialmente o aumento da frequência de secas prolongadas e chuvas extremas.
Além disso, há a falta de infraestrutura suficiente para armazenar energia durante os períodos de maior abundância e, assim, garantir a geração de eletricidade nos anos seguintes.
“É um desafio muito importante. As medidas de adaptação terão que ser propostas, estudadas e, caso se comprove sua eficácia, deverão ser implementadas”, afirmou Oxilia.
“No que diz respeito ao fenômeno periódico do El Niño, prevê-se um aumento no volume de chuvas e de água na bacia hidrográfica, o que criaria condições para a geração de grandes quantidades de eletricidade”, observou o acadêmico da Universidade Nacional de Assunção. De fato, “um ano com produção recorde de eletricidade em Itaipu ocorreu em 2016, ano do último ‘El Niño’ relevante na bacia hidrográfica”.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que o fenômeno do El Niño de 2026-2027 poderia afetar negativamente o emprego, reduzir a renda dos trabalhadores e piorar as condições de trabalho na América Latina e no Caribe.
No sudeste da América do Sul, especialmente no sul do Brasil, no Paraguai, no Uruguai e no norte e nordeste da Argentina, indica que os riscos ocupacionais e produtivos incluem possíveis perdas decorrentes de inundações na produção agropecuária e danos à infraestrutura de transporte.
Nesse sentido, prevê impactos em áreas como agricultura, logística, transporte e obras públicas.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A retomada das tensões no Oriente Médio pressionou o petróleo e a curva de juros no mês passado, enquanto uma rotação global de portfólios passou a favorecer mercados menos expostos à cadeia de inteligência artificial (IA).
Juntos, esses movimentos colocaram o Brasil de volta no radar de investidores estrangeiros.
A bolsa brasileira recebeu entrada líquida de cerca de R$ 3,8 bilhões em recursos estrangeiros até o dia 30 de julho, segundo dados da B3. Foi o primeiro saldo mensal de compras líquidas de estrangeiros em dois meses, após vendas de R$ 20,3 bilhões em maio e junho.
“Nesse processo de diversificação, o Brasil voltou a aparecer como alternativa: apesar dos riscos associados aos juros elevados e à incerteza fiscal, a bolsa brasileira segue negociando a múltiplos comprimidos e oferece exposição a setores pouco correlacionados ao tema de tecnologia”, afirmaram os analistas do Itaú BBA em relatório.
Diante do cenário, blue chips e ações de setores defensivos seguem entre as principais recomendações para agosto das dez casas consultadas pela Bloomberg Línea.
As ações globais permaneceram praticamente estáveis nesta quinta-feira (6) em meio à fraqueza do setor de tecnologia, enquanto investidores aguardam desdobramentos das negociações entre os EUA e o Irã e a divulgação do relatório sobre o mercado de trabalho dos EUA, na sexta-feira (7).
- Recorde do Morgan Stanley no Japão. A receita anual do banco no país asiático atingiu um novo patamar com o avanço local das negociações de ações. A receita líquida da corretora cresceu quase 10% no ano fiscal encerrado em março, atingindo 168,3 bilhões de ienes (US$ 1,1 bilhão).
- Concorrência em IA. O Google decidiu concentrar sua liderança em inteligência artificial em sua sede em Mountain View, na Califórnia, para ganhar impulso na corrida contra a Anthropic e a OpenAI para desenvolver os modelos de IA dominantes no mundo.
- Intel impulsiona Softbank. O conglomerado japonês de investimentos teve seu lucro líquido impulsionado por sua participação na fabricante de chips. A multinacional registrou um ganho de investimento de 1,3 trilhão de ienes (US$ 8,5 bilhões) com suas ações da empresa americana, que valorizaram 216% no trimestre encerrado em junho.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
A retomada das tensões no Oriente Médio pressionou o petróleo e a curva de juros no mês passado, enquanto uma rotação global de portfólios passou a favorecer mercados menos expostos à cadeia de inteligência artificial (IA). Juntos, esses movimentos colocaram o Brasil de volta no radar de investidores estrangeiros.
A bolsa brasileira recebeu entrada líquida de cerca de R$ 3,8 bilhões em recursos estrangeiros até o dia 30 de julho, segundo dados da B3. Foi o primeiro saldo mensal de compras líquidas de estrangeiros em dois meses, após vendas de R$ 20,3 bilhões em maio e junho.
O fluxo refletiu uma mudança de rota dos investimentos estrangeiros. Investidores globais, após meses concentrados em ações ligadas à cadeia de IA – sobretudo fabricantes de chips e componentes para data centers, que impulsionaram outras bolsas emergentes, como Taiwan e Coreia do Sul –, começaram a buscar diversificação.
Como resultado, o Ibovespa (IBOV) fechou julho com ganhos de 3,5% em reais – a primeira alta mensal desde fevereiro.
“Nesse processo de diversificação, o Brasil voltou a aparecer como alternativa: apesar dos riscos associados aos juros elevados e à incerteza fiscal, a bolsa brasileira segue negociando a múltiplos comprimidos e oferece exposição a setores pouco correlacionados ao tema de tecnologia”, afirmaram os analistas do Itaú BBA em relatório.
Nesse ambiente, blue chips e ações de setores defensivos seguem entre as principais recomendações para agosto das dez casas consultadas pela Bloomberg Línea.
A Petrobras (PETR4) lidera a lista, com recomendações de cinco casas, e é seguida por Axia Energia (AXIA3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Vale (VALE3), cada uma quatro.
A segunda notícia positiva para o mercado doméstico veio da inflação. O IPCA de junho avançou 0,16%, abaixo dos 0,58% de maio, enquanto o IPCA-15 de julho subiu 0,06%, também abaixo do consenso.
O alívio nos preços ajudou o Banco Central a manter o ciclo de cortes de juros, com a redução de 0,25 ponto da Selic na reunião de quarta-feira (5), reduzindo a taxa a 14% ao ano.
Analistas do banco Daycoval avaliam que a combinação entre inflação mais controlada, expectativa de redução dos juros e melhora do fluxo para ativos de risco criou um ambiente mais construtivo para a bolsa – mas não sem risco.
“A evolução da política monetária americana, as questões comerciais e o cenário fiscal doméstico permanecem como fatores determinantes para a continuidade desse movimento, reforçando a importância de uma postura seletiva na escolha dos investimentos”, afirmaram em relatório.
No cenário local, a proximidade das eleições presidenciais de outubro também preocupa investidores.
Diante desse ambiente, o BTG Pactual optou por reforçar posições que funcionam como proteção contra uma eventual alta do dólar caso o próximo presidente não se comprometa com uma reforma fiscal.
A carteira do banco também passou a incluir a Gerdau (GGBR4), com peso de 10%. Segundo o BTG, cerca de 75% do Ebitda da Gerdau vem dos Estados Unidos – o que faz da ação uma forma de proteção cambial em um cenário eleitoral brasileiro incerto.
Ativa e BB Investimentos também incluíram a Gerdau nas carteiras recomendadas de agosto.
Confira as recomendações de cada casa para agosto:
A Petrobras (PETR3, PETR4) deve dobrar a geração de caixa no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com as estimativas de bancos de investimento.
A divulgação do balanço da companhia está programada para esta quinta-feira (6), após o fechamento do mercado.
O avanço se deve ao crescimento da produção de petróleo e gás e ao aumento do Brent, bem como a recuperação dos preços dos combustíveis, parcialmente impulsionada pelo reconhecimento dos subsídios concedidos ao setor durante o período no Brasil.
Para o Bank of America (BofA), o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da estatal deve atingir US$ 18,4 bilhões no segundo trimestre, salto de 62% sobre o intervalo imediatamente anterior e o dobro do valor registrado um ano antes.
O consenso compilado pela Bloomberg aponta para um Ebitda ajustado de R$ 91,3 bilhões para o trimestre (cerca de US$ 18 bilhões), com lucro líquido projetado em R$ 45,1 bilhões (cerca de US$ 9 bilhões) e receita líquida de R$ 161,62 bilhões (US$ 32 bilhões).
O Citi (C), por sua vez, projeta um Ebitda ajustado de aproximadamente US$ 18 bilhões, citando o aumento da produção e a melhora dos preços do petróleo e dos combustíveis como variáveis determinantes.
O Citi projeta ainda distribuição de aproximadamente US$ 3,5 bilhões em dividendos, cifra em torno de 3% acima do verificado no mesmo período do ano anterior, com base na fórmula de remuneração da própria Petrobras.
Apesar do cenário operacional favorável, as instituições financeiras sinalizam riscos que limitam a valorização das ações. O Citi mantém sua recomendação neutra para a Petrobras, argumentando que o potencial de alta nos preços do petróleo é limitado e que os preços líquidos de diesel e gasolina devem permanecer estáveis até o final de 2026.
Adicionalmente, a prorrogação do imposto sobre a exportação de petróleo no país pesa sobre as projeções, o que levou o Citi a reduzir seu preço-alvo para os títulos de ADR de US$ 20,50 para US$ 19, e para PETR4 de R$ 49 para R$ 47 por ação.
Esses ajustes foram apenas parcialmente compensados por spreads de refino mais elevados, o que indica que parte do ganho operacional já está precificada nas expectativas.
No conjunto, as projeções convergem para um segundo trimestre historicamente forte para a Petrobras.
O desafio, segundo os analistas, está menos no resultado de curto prazo e mais na sustentabilidade desse desempenho diante de uma conjuntura em que o petróleo tende a estabilização. A tributação sobre exportações permanece como fator de pressão e a alocação de capital continua sob escrutínio, alertam.
A Ecopetrol informou que concluiu com sucesso o leilão da Oferta Pública de Aquisição Voluntária (OPAV) para adquirir 25% das ações ordinárias da brasileira Brava Energia (BRAV3), em um passo fundamental para concretizar a aquisição de uma participação controladora de 51% da empresa.
A operação foi realizada por meio de sua subsidiária Ecopetrol Investimentos do Brasil LTDA na B3, onde adquiriu 116,1 milhões de ações da Brava ao preço de R$ 23 por ação, após cumprir os requisitos regulatórios e as condições estabelecidas.
A empresa informou que a liquidação e o pagamento da OPAV estão previstos para 17 de agosto. Nesse mesmo dia, ela espera formalizar o contrato de compra e venda de ações assinado em 23 de abril com um grupo de acionistas relevantes que detém cerca de 26% da Brava, avançando assim na aquisição de 51% do capital com direito a voto.
A operação ocorre em um momento de forte valorização da Ecopetrol nos mercados. O ADR da petrolífera acumula um ganho de 60,37% no que vai de 2026 até o momento, impulsionado principalmente pela alta nos preços internacionais do petróleo, enquanto a ação listada na Bolsa de Valores da Colômbia registra alta de 38,77% no mesmo período.
A Brava Energia também apresenta um desempenho positivo na bolsa. Suas ações estão sendo negociadas em torno de R$ 19,45 e acumulam uma alta de 16,68% no ano. O preço oferecido pela Ecopetrol na OPAV, de R$ 23 por ação, representa um prêmio em relação à cotação atual do mercado.
“A realização bem-sucedida do leilão constitui um marco fundamental na transação anunciada por este meio no último dia 23 de abril, relacionada à aquisição de uma participação controladora de 51% do capital social com direito a voto na Brava”, afirmou a petrolífera colombiana em um comunicado.
Como será feito o financiamento?
A Ecopetrol informou que a compra será financiada inicialmente por meio de um crédito de curto prazo contratado pela Ecopetrol Capital AG nos termos da legislação de Nova York, recursos esses que serão repassados à Ecopetrol Investimentos do Brasil LTDA por meio de um empréstimo entre empresas.
Posteriormente, esse financiamento será refinanciado por meio de uma combinação de dívida de longo prazo e recursos próprios, com o objetivo de preservar uma estrutura de capital compatível com suas metas de alavancagem e classificação de crédito.
O Citi mantém uma visão positiva em relação à Brava. O banco estabeleceu um preço-alvo de R$ 25 por ação para a petrolífera brasileira, acima dos R$ 23 por ação oferecidos pela Ecopetrol na OPAV
No entanto, ele alertou que os principais riscos para essa estimativa são o desempenho da produção de petróleo e gás, as discussões entre a administração e os acionistas e a estratégia de alocação de capital.
No caso da Ecopetrol, o Citi mantém um preço-alvo de US$ 18 por ADR, calculado com base em diferentes cenários relativos ao resultado das eleições na Colômbia.
A instituição destacou que sua classificação de alto risco “reflete a incerteza política, uma vez que um novo governo na Colômbia poderia demonstrar menor apoio ao setor de petróleo e gás”, uma situação que, segundo o banco, poderia afetar seu cenário básico de investimento diante de eventuais mudanças no marco regulatório.
O Grupo Toky (TOKY3), dono das marcas Tok&Stok e Mobly, encerrou o mês de maio com 2.168 empregados, contra 2.568 em janeiro. A redução de 400 postos no período equivale a 15,6% do quadro em cinco meses.
Os cortes ocorrem em meio ao processo de recuperação judicial do grupo, que foi aceito pela Justiça em junho. O grupo tem até 15 de agosto para apresentar seu plano de recuperação judicial a credores.
Os números da redução de pessoal constam do relatório mensal de atividades da administradora judicial do processo, ao qual a Bloomberg Línea teve acesso.
A AJ Ruiz Consultoria Empresarial foi escolhida pela juíza Larissa Gaspar Tunala como administradora judicial. Esse profissional funciona como os olhos do juiz dentro da empresa: recebe balanços, confere contas, visita lojas e depósitos e reporta o que encontra.
De acordo com o documento, que foi entregue em julho, foram 733 demissões contra 333 contratações no período de janeiro a maio. Mais de um quarto dos contratos vigentes em janeiro foi encerrado. Em maio saíram 297 e entraram 41 contratados. A folha do mês somou R$ 8,1 milhões.
O relatório aponta que a maior parte do corte se concentrou na Estok Distribuidora, empresa que opera as lojas Tok&Stok: 374 desligamentos e 234 admissões. A unidade ainda responde por 1.307 dos 2.168 empregados do grupo, seguida por Estok Comércio (345), Mobly Comércio Varejista (266), Mobly Hub (216), Mobly Serviços (28) e a holding (6).
As funções de consultor de vendas, vendedor e montador, que sustentam a operação de loja, somam 762 pessoas, ou 35% do quadro.
O que diz o Grupo Toky
Procurada pela reportagem, a companhia respondeu que o enxugamento é amplo e não se restringe ao varejo físico.
“Todas as medidas adotadas nos últimos meses têm como objetivo reduzir despesas, aumentar a eficiência operacional e preservar a sustentabilidade do negócio, abrangendo lojas, centros de distribuição e áreas administrativas”, informou o grupo em nota.
Sobre o fechamento de unidades, a companhia nega haver programa em curso. “Não há um plano de fechamento de novas lojas, embora negociações e ajustes pontuais façam parte da gestão regular da operação”, diz o comunicado.
A empresa também sustenta estar em ordem com o processo.
“A companhia reitera que está em dia com as obrigações previstas no processo de recuperação judicial e vem atendendo às solicitações de informações, esclarecimentos e documentos complementares apresentados pela administradora judicial. O plano de recuperação será protocolado dentro do prazo legal”, afirmou.
Prejuízo de janeiro a maio
As cinco empresas operacionais do grupo somaram R$ 405,6 milhões em prejuízo entre janeiro e maio, segundo o cálculo dos dados presentes nas demonstrações anexas ao relatório.
A Estok Comércio responde por uma fatia de R$ 236,6 milhões, a Estok Distribuidora por R$ 116,5 milhões, a Mobly Comércio por R$ 33,5 milhões, a Mobly Hub por R$ 13,5 milhões e a Mobly Serviços por R$ 5,5 milhões. A holding registrou outros R$ 59,8 milhões, valor que já embute o resultado das controladas.
O caso da Estok Distribuidora é o mais severo. A empresa faturou R$ 245,1 milhões no período e teve R$ 265,1 milhões de custo.
O Grupo Toky não quis comentar os valores informados no relatório.
A divulgação do balanço do segundo trimestre está prevista para 13 de agosto.
3.763 credores e R$ 15,2 milhões em bolsa
O prazo para a apresentação do plano de recuperação judicial vence no próximo dia 15 de agosto. A assembleia que vai aprová-lo ou rejeitá-lo está marcada para 13 de novembro, mesma data em que expira a proteção contra cobranças concedida pela Justiça.
Do outro lado estarão 3.763 credores, com R$ 1,12 bilhão a receber, uma soma que o relatório não consolida, apresentando os valores separados por empresa. A Estok Comércio, razão social da Tok&Stok, responde sozinha por R$ 773,1 milhões, ou 69% do total. A classe trabalhista reúne 2.330 credores, mas apenas R$ 5,1 milhões em valor.
Na bolsa, a companhia vale R$ 15,2 milhões, ou 1,4% do que deve. A ação oscilou entre R$ 0,28 e R$ 0,31 na terça-feira (4).
Em 27 de julho, os acionistas aprovaram juntar cada 20 ações em uma. A medida não muda o valor da empresa, apenas eleva o preço unitário para tirá-lo do patamar de centavos (penny stock) que a B3 não aceita. A negociação no novo formato começa em 28 de agosto.
O Grupo Toky chega à assembleia sem dono definido e em litígio na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) com parte de seus sócios minoritários, a quem acusa de tentar tomada hostil de controle. A maior acionista, DSK Capital, tem 19,3% do capital. Os minoritários acusam a administração de diluição predatória.
O CEO do Itaú Unibanco (ITUB4), Milton Maluhy Filho, reconheceu nesta quarta-feira (5) que o cenário de endividamento das famílias brasileiras é observado com cautela pelo banco, mas reforçou que os indicadores de crédito do Itaú seguem descolados da deterioração observada no mercado.
“A inadimplência tem subido de forma acentuada, mas isso não tem acontecido nas nossas carteiras”, disse Maluhy a jornalistas em entrevista coletiva para comentar os resultados do banco.
O índice de inadimplência acima de 90 dias do Itaú no Brasil ficou em 1,9% no trimestre, patamar estável em relação ao trimestre anterior – e menos da metade dos 4,7% registrados pelo Banco Central para o total da carteira de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O aumento do endividamento das famílias tem sido acompanhado de perto pelo mercado bancário. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que 80,4% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida. Segundo o Banco Central, o endividamento das famílias equivale a 49,8% da renda anual.
“Temos uma preocupação com o cenário macroeconômico, juros e nível de endividamento. Não estamos imunes”, disse Maluhy. “Mas temos uma carteira super bem posicionada e sem nenhuma perspectiva de piora com os dados e informações” disponíveis atualmente.
O executivo atribuiu a resiliência do banco à composição do portfólio. O Itaú tem historicamente uma fatia de mercado maior em clientes de média e alta renda, e, a exemplo dos pares, aprofundou a relação nesses segmentos considerados estratégicos após o pico de inadimplência do período pós-pandemia.
Maluhy afirmou, no entanto, que o ajuste de portfólio realizado nos últimos anos já foi concluído e que o banco não está mais em um processo de redução de risco (de-risking). “Naqueles segmentos em que a gente se propõe a crescer, a gente tem conseguido crescer dois dígitos, e até mais, em todos os produtos”, disse.
Segundo o CEO, o Itaú reforçou o crescimento no trimestre tanto em crédito imobiliário quanto em consignado privado, produtos que o banco tem priorizado na oferta aos clientes em detrimento de linhas mais caras, como o crediário.
Entre as linhas para pessoas físicas, o crédito imobiliário avançou 13,3% em um ano, para R$ 152,2 bilhões, enquanto o consignado cresceu 11,7%.
Em meio à postura cautelosa, o Itaú revisou o guidance de receita com serviços e seguros para 2026, elevando o piso da projeção anterior ao patamar que antes era o teto do intervalo.
A expectativa de crescimento para 2026 passou da faixa entre 5,0% e 9,0% para entre 2,0% e 5,0%, refletindo, segundo o banco, uma volatilidade no mercado de capitais superior à projetada no início do ano.
Segundo Maluhy, essa linha tem relação direta com o nível de atividade econômica e consolida negócios de varejo, atacado, asset management e banco de investimento em uma única demonstração de resultado, o que dificulta isolar a origem da desaceleração.
O CEO afirmou que o ajuste partiu da constatação de que “a nossa melhor projeção fica abaixo do range” anterior, o que levou o banco a atualizar o intervalo com a informação mais recente disponível ao mercado.
Segundo o executivo, a combinação desses fatores levou a uma desaceleração no resultado agregado da linha de serviços e seguros, mas o efeito tem sido parcialmente compensado pelo crescimento da carteira de crédito, por resultados de tesouraria e pela contribuição das operações do banco fora do Brasil.
Em reação ao resultado, as ações do Itaú (ITUB4) subiam 2,42% por volta de 12h30. No ano, os papéis acumulam ganhos de 9,89%, com o valor de mercado do banco na casa dos R$ 474 bilhões.
Executivo atribuiu a resiliência do banco à composição do portfólio; banco cresceu especialmente em crédito imobiliário e consignado privado no segundo trimestre (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)
Os shoppings Rio Sul e Pátio Paulista encerraram junho com 99,1% e 99% de ocupação, respectivamente. Os centros comerciais em Botafogo, no Rio, e na Avenida Paulista, em São Paulo, têm as maiores taxas de ABL (área bruta locável, a soma das áreas disponíveis para locação) entre os shoppings do portfólio da Iguatemi (IGTI11), segundo o resultado divulgado na noite da terça-feira (4).
Considerando todo o portfólio de 17 shoppings, a Iguatemi encerrou o segundo trimestre com ocupação média de 96,9%, alta de 0,5 ponto percentual na comparação anual. O indicador exclui as quatro torres comerciais, os dois outlets e o Power Center Iguatemi Campinas, empreendimento anexo ao shopping da cidade.
A companhia atribui o desempenho da ocupação à qualificação do mix de lojistas, com destaque para a expansão de marcas internacionais no trimestre.
A H&M, rede sueca de fast fashion, abriu lojas em quatro empreendimentos: Rio Sul, Iguatemi Porto Alegre, Esplanada e Praia de Belas. A alemã Birkenstock, operada pela própria Iguatemi através da i-Retail, inaugurou no Rio Sul e assinou contrato com o Iguatemi Campinas.
O anúncio de maior destaque no relatório foi o da Dior. A companhia informou que o Iguatemi São Paulo foi escolhido para receber uma nova operação da marca francesa de luxo, de 600 m², inspirada na flagship da Avenue Montaigne, em Paris.
Já o Iguatemi Campinas recebeu a expansão da Zara, rede espanhola de fast fashion, em projeto de 2,8 mil m², e a inauguração da Carolina Herrera, grife americana de luxo. O shopping vendeu R$ 563,5 milhões no trimestre e encerrou junho com 95,9% de ocupação.
No Iguatemi São Paulo, maior ativo do portfólio em vendas, com R$ 1,39 bilhão, abriram a joalheria Ara Vartanian e o quiosque da Dominique, que opera a Diptyque. O empreendimento receberá ainda um spa da marca alemã Augustinus Bader e a pâtisserie francesa Ladurée.
No JK Iguatemi, a Goyard reabriu loja; o ativo vendeu R$ 769,6 milhões e tem 98,3% de ocupação.
O Pátio Higienópolis assinou com o restaurante Casa Europa e com as marcas Foxton e Oceane. O Iguatemi Esplanada inaugurou a Life by Vivara e assinou com a Kiko Milano.
A carteira de varejo próprio, que reúne i-Retail e Iguatemi 365, teve receita bruta de R$ 67,1 milhões, alta de 25,8%, com margem Ebitda saindo de 6,3% para 16,5%.
Interior paulista
Na outra ponta da tabela, o Iguatemi Rio Preto encerrou junho com 91,3% e o Iguatemi Ribeirão Preto, com 92,7%, as duas menores taxas entre os shoppings. A distância entre o primeiro e o último colocado é de 7,8 pontos percentuais.
Os dois ativos integraram o pacote de participações minoritárias vendido ao XP Malls Fundo de Investimento Imobiliário, anunciado em dezembro e concluído em 13 de março de 2026. A operação somou R$ 372 milhões e envolveu 23,96% do Ribeirão Preto, 18% do São José do Rio Preto, 9% do Alphaville e 7% do Praia de Belas. A companhia informou que manteve a administração e o controle operacional dos quatro empreendimentos.
Em relatório de dezembro, o BTG Pactual estimou o cap rate de saída em torno de 9%, o que significa que o comprador recebe por ano o equivalente a 9% do valor pago. O banco considerou o patamar um prêmio sobre os múltiplos da própria Iguatemi e observou que o portfólio vendido rendia menos por m² que a média da companhia.
Outros dois ativos abaixo da média têm causas informadas no relatório. O Market Place, com 93,5%, passa por retrofit. O Praia de Belas, com 95,5%, absorveu a vacância temporária do supermercado Nacional, cuja área será ocupada pelo Zaffari no segundo semestre. Sem esse efeito, as vendas mesmas áreas do portfólio teriam alcançado 4,4%, em vez dos 4,2% reportados.
Fora do recorte de shoppings, a menor ocupação de todo o portfólio está na Market Place Torre II, com 81,4%. As outras três torres comerciais aparecem com 100% da área ocupada. O relatório não comenta a diferença.
O I Fashion Outlet Santa Catarina registrou queda de 14,8% na receita de aluguel no trimestre e de 23,2% no semestre, sem menção no documento. Em relatório de 28 de junho, o JPMorgan apontou o ativo como o de menor retorno entre os projetos greenfield analisados no setor, com 5% no terceiro ano de operação. Greenfield é o empreendimento construído do zero, em terreno sem operação anterior, por oposição às expansões de shoppings existentes.
O mesmo estudo aponta a Iguatemi como a companhia com melhor retorno médio em greenfield do setor, 11,6%, à frente deAllos (ALOS3), com 9,9%, e Multiplan (MULT3), com 8,5%. O JPMorgan mantém para o papel da Iguatemi a recomendação overweight, sua classificação mais positiva, com preço-alvo de R$ 32 para dezembro de 2026. A unit fechou o pregão da terça-feira a R$ 25,57.
Venda de participações
O lucro líquido ajustado somou R$ 133,8 milhões, queda de 35,8% sobre o mesmo período de 2025. A comparação é afetada pelo ganho de capital de R$ 139,1 milhões que a companhia registrou no ano anterior com a venda de participações no Market Place e no Galleria. Na visão recorrente, que exclui esse efeito, o lucro cresceu 22,1%.
A receita bruta alcançou R$ 441,4 milhões, recuo de 3,8%. O Ebitda ajustado, que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 290,5 milhões, queda de 34,8%. Na base pro forma, um recálculo em que a companhia refaz os números do ano anterior como se o portfólio já tivesse a composição atual, os dois indicadores crescem 8,8% e 10,8%.
O NOI, resultado operacional líquido que mede quanto os empreendimentos geram depois dos custos de operação, alcançou R$ 298,5 milhões na participação da Iguatemi, com margem de 94,6%, apontada pela companhia como recorde.
O custo de ocupação, que mede quanto do faturamento do lojista vai para aluguel, condomínio e fundo de promoção, encerrou em 10,8%. A inadimplência líquida ficou em 0,1%.
A receita de aluguel considerada a 100% dos ativos cresceu 3,4%, para R$ 497,9 milhões. As vendas totais somaram R$ 6,6 bilhões, alta de 4,6%, em um trimestre que o relatório descreve como marcado pela Copa do Mundo e pelo descasamento do calendário da Páscoa.
Já a alavancagem encerrou o trimestre em 1,62 vez a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, ante 1,29 vez no primeiro trimestre, movimento que incorpora a captação de R$ 535 milhões em CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) realizada em 25 de junho, a 97% do CDI.
A companhia aprovou em 9 de junho um programa de recompra de R$ 60,3 milhões e, após o fechamento do trimestre, teve o rating AAA(bra) reafirmado pela Fitch.
Rio Sul e Pátio Paulista lideram taxa de ocupação no portfólio da Iguatemi no 2º trimestre (Foto: Divulgação)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A Syngenta tem adotado no Brasil uma estratégia que combina oferta de crédito ao produtor, ferramentas digitais e um portfólio de defensivos químicos e biológicos — frentes que, em conjunto, buscam reforçar a presença da companhia no campo.
Essa espécie de “volta ao campo” se tornou uma das bases do plano da empresa fornecedora de sementes e insumos para atravessar um ciclo mais adverso, segundo André Savino, presidente do negócio de Proteção de Cultivos da companhia no Brasil.
Quando assumiu a divisão, em janeiro de 2024, o executivo disse ter encontrado uma empresa que preservava sua capacidade de pesquisa, mas havia se distanciado da ponta.
Foi então que a companhia adotou a estratégia de adquirir revendas que passaram a integrar a plataforma SYNAP, sob bandeiras como Dipagro, Agro Jangada, Agrocerrado e Produtécnica.
“Vi que a Syngenta continuava sendo uma empresa de inovação, porque ela era, mas estava um pouco distante dos clientes”, afirmou ele em entrevista à Bloomberg Línea.
Hoje, cerca de 50% das vendas de Proteção de Cultivos e biológicos no país são feitas diretamente pela companhia, segundo Savino. Cooperativas e revendas respondem por aproximadamente 25% cada.
O avanço dos futuros de ações dos EUA fizeram uma pausa no ritmo de subida após uma sequência de quatro dias de alta, enquanto investidores avaliam os resultados mais recentes das gigantes de tecnologia e as negociações no Oriente Médio.
- Negociações no Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que um acordo sobre o Estreito de Ormuz pode ser alcançado já nesta quarta-feira (5), à medida que crescem as expectativas quanto a um acordo que permita a reabertura dessa via navegável crucial para os mercados de energia.
- Disputa China x EUA. Pequim reforçou os controles sobre as exportações de drones para os Estados Unidos e impôs sanções a várias empresas americanas, em uma série de medidas retaliatórias contra as crescentes restrições tecnológicas impostas por Washington.
- Luxo em alta. As vendas da Chanel registraram um crescimento de dois dígitos no primeiro semestre, superando rivais do setor de luxo, incluindo a LVMH. A receita da marca subiu 16%, segundo uma fonte a par dos resultados ouvida pela Bloomberg News, impulsionada pelas vendas de peças de moda do estilista Matthieu Blazy.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
No escritório da Syngenta, em São Paulo, uma grande bota, marcada de lama, pode ser vista logo em frente aos elevadores. Segundo os funcionários da empresa, ela simboliza a forma como André Savino conduz os negócios desde que assumiu, em 2024, a presidência da área de Proteção de Cultivos da companhia no Brasil.
Savino, que neste ano completa quase três décadas na Syngenta, acompanhou diferentes ciclos do agronegócio e transformações na própria companhia — da origem suíça como empresa de capital aberto à saída da bolsa após a aquisição pela ChemChina, em 2017.
Nos últimos anos, o agronegócio brasileiro e global passou a enfrentar uma sucessão de choques — da pandemia e da guerra na Ucrânia ao conflito entre Estados Unidos e Irã, que voltou a pressionar os mercados de energia, fertilizantes e transporte marítimo. Ao mesmo tempo, o setor passou a ser mais cobrado por avanços em produtividade e rastreabilidade, sobretudo no que tange a redução de impactos ambientais.
Savino diz que a “volta ao campo” se tornou uma das bases da estratégia da empresa fornecedora de sementes e insumos para atravessar um ciclo mais adverso, marcado por preços mais baixos das commodities, juros elevados, restrição de crédito e custos logísticos pressionados pelas tensões geopolíticas.
“Ela [a bota] simboliza a importância de estar próximo do cliente e do agro, de ir a campo para entender o que está acontecendo, as dores e as demandas ocultas. Isso nos ajuda a direcionar recursos e desenvolver tecnologias corretamente”, disse Savino na sede da empresa em São Paulo em entrevista à Bloomberg Línea.
A Syngenta tem recorrido à escala global de sua produção, que permite redirecionar o abastecimento quando portos, rotas marítimas ou determinadas origens de fornecimento que enfrentam interrupções.
No Brasil, a estratégia para atravessar o ciclo combina oferta de crédito ao produtor, ferramentas digitais e um portfólio de defensivos químicos e biológicos — frentes que, em conjunto, buscam reforçar a presença da companhia no campo.
O Brasil é, ainda, o principal mercado da Syngenta na área de Proteção de Cultivos e biológicos e, desde 2025, passou a ser tratado como uma região própria, separada da América Latina.
Em 2025, a Syngenta registrou faturamento global de US$ 28,4 bilhões em 2025, queda de 1% sobre o ano anterior, enquanto o Ebitda avançou 13%, para US$ 4,4 bilhões. A margem subiu 1,9 ponto percentual, para 15,4%.
A divisão de Proteção de Cultivos, liderada por Savino no país, teve receita global de US$ 13,7 bilhões, alta de 4%. O resultado foi sustentado por maiores volumes e pela normalização dos estoques nos canais de distribuição. No Brasil, porém, as vendas da divisão recuaram 1%, em meio à pressão dos produtos genéricos e aos efeitos cambiais.
Para Savino, a combinação de margens menores no campo e capital mais caro formou uma “tempestade perfeita” no agronegócio brasileiro.
“Quando as margens estão baixas, o custo de capital está alto e há pouca liquidez, os bancos reduzem o apetite para financiar o setor, especialmente após as recuperações judiciais dos últimos anos. Isso amplia a restrição de crédito”, afirmou.
Rede contra as rupturas
A presença da Syngenta em diferentes regiões do mundo permite à empresa redirecionar o fornecimento quando um porto, uma rota marítima ou determinada origem enfrenta interrupções, explica o executivo.
A companhia mantém operações de produção e suprimentos na China, nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil. Em Paulínia, no interior paulista, está uma das maiores fábricas de formulação da Syngenta no mundo, de acordo com o executivo.
“Se está fechado em um lugar, eu tenho a habilidade de suprir de outro. Deslocamos a produção para outro ponto. Agora, na guerra, acontece a mesma coisa”, disse.
A empresa já havia recorrido à mesma estrutura durante a pandemia de covid-19, quando portos fechados e falta de contêineres provocaram rupturas nas cadeias de abastecimento.
Savino disse que a Syngenta também “rebalanceou” a produção entre diferentes origens diante das interrupções mais recentes. A flexibilidade reduz o risco de falta de produtos, mas não elimina o encarecimento do frete marítimo, do diesel, da energia e dos insumos utilizados pela indústria.
Segundo o executivo, os preços de alguns grupos de produtos chegaram a subir entre 10% e 20% no período de maior pressão. Ele não detalhou quais produtos foram afetados.
Savino afirma que a piora financeira do setor, com altos índices de inadimplência, não reduziu o interesse por tecnologia. O que mudou, no entanto, foi o critério de compra: em vez de incorporar produtos apenas pela expectativa de ganho de produtividade, o agricultor passou a exigir demonstrações mais claras de retorno.
“A gente vê um mercado um pouco mais retraído, um pouco mais conservador. Isso gera um pouco de tensão dentro da indústria como um todo”, afirmou.
A inadimplência no agronegócio brasileiro alcançou 8,8% no primeiro trimestre de 2026, o maior nível da série histórica da Serasa Experian.
Proximidade com o campo
A estratégia de proximidade com o produtor antecede a chegada de Savino à presidência.
Engenheiro agrônomo formado pela Unesp, ele entrou na Syngenta em 1998 e passou por funções técnicas, marketing, vendas e gestão comercial. Antes de assumir a presidência da área de Proteção de Cultivos, liderou a construção da área de varejo próprio da companhia no país.
O movimento começou como resposta à consolidação da distribuição de insumos a partir de 2017 e 2018. Na época, lembra, a avaliação que se teve foi a de que a concentração de revendas poderia reduzir a capilaridade e enfraquecer o modelo de relacionamento da Syngenta com cooperativas e distribuidores regionais.
Quando assumiu a presidência da divisão, em janeiro de 2024, o executivo disse ter encontrado uma empresa que preservava sua capacidade de pesquisa, mas havia se distanciado da ponta.
Foi então que a companhia adotou a estratégia de adquirir revendas que passaram a integrar a plataforma SYNAP, hoje presente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, Maranhão e Tocantins, sob bandeiras como Dipagro, Agro Jangada, Agrocerrado e Produtécnica.
“Vi que a Syngenta continuava sendo uma empresa de inovação, porque ela era, mas estava um pouco distante dos clientes”, afirmou. “Naquele momento, a gente começou a reengajar toda a liderança, todo o time, a estar mais próximo do cliente, a estar mais próximo do campo.”
Hoje, cerca de 50% das vendas de Proteção de Cultivos e biológicos no país são feitas diretamente pela companhia, segundo Savino. Cooperativas e revendas respondem por aproximadamente 25% cada.
Biológicos e químicos
O segmento registrou crescimento global de dois dígitos em 2025, segundo a companhia, com avanço de produtos de biocontrole, bioestimulantes e soluções para eficiência no uso de nutrientes.
Savino não prevê, no entanto, que os biológicos substituam integralmente os defensivos químicos, sobretudo nas condições tropicais brasileiras, em que cultivos, pragas e doenças permanecem ativos durante praticamente todo o ano.
“Eles são tecnologias que são complementares, não são tecnologias substitutivas”, afirmou.
A área foi acelerada pela aquisição da italiana Valagro, em 2020, por licenciamentos e por acordos de desenvolvimento com empresas locais. A expectativa é que produtos biológicos avancem tanto no controle de pragas e nematoides quanto no aumento da resistência das plantas a seca e estresse e no melhor aproveitamento de fósforo e nitrogênio no solo.
A companhia investe US$ 2 bilhões por ano em pesquisa e desenvolvimento.
Em 2020, a Syngenta AG, a ADAMA e os negócios agrícolas da Sinochem foram reunidos sob o guarda-chuva da Syngenta Group, estruturada em quatro divisões: Proteção de Cultivos, Sementes, ADAMA e Syngenta Group China. No ano seguinte, a ChemChina e a Sinochem Group foram reorganizadas na estatal Sinochem Holdings, que passou a ser a controladora da Syngenta Group.
Crédito além dos bancos
A Syngenta opera no Brasil com a Syde, plataforma que estrutura mecanismos de financiamento com bancos e parceiros do mercado de capitais. Uma das ferramentas é o barter, operação na qual o produtor recebe os insumos e liquida a obrigação com parte dos grãos colhidos.
“Quando eu faço uma troca de soja, um barter, eu vendo um produto e pego a soja em troca. Ele não deixa de ser uma solução financeira”, disse Savino.
A Nutrade, trading da companhia criada há mais de 15 anos, operacionaliza essas trocas, administra o risco de oscilação das commodities e comercializa os grãos recebidos.
Outro programa nessa frente é o Reverte, desenvolvido com o Itaú BBA para financiar a conversão de pastagens degradadas em áreas agrícolas produtivas. A Syngenta entra com o protocolo agronômico, enquanto o banco oferece a linha de crédito.
Segundo dados da empresa, o programa já desembolsou mais de R$ 2 bilhões desde que começou a operar, alcançou mais de 280 mil hectares e reúne cerca de 400 fazendas em 11 estados e no Paraguai.
Savino afirmou que o produtor pode ter três anos de carência, período necessário para preparar o solo e começar a obter retorno da nova área.
“Nos primeiros dois anos, você precisa realmente preparar esse solo, estabelecer a agricultura. Então a gente fez uma parceria com o Itaú BBA, onde o agricultor tem uma carência de três anos e começa a pagar a partir do momento em que começa realmente a ver aquele pasto degradado se rentabilizar”, disse.
Planos de IPO
A Syngenta busca há alguns anos retornar ao mercado de capitais. A companhia apresentou em 2021 um pedido para realizar uma oferta inicial de ações em Xangai, mas retirou a solicitação em 2024, citando as condições de mercado.
Em 2026, a empresa chegou a avaliar uma listagem em Hong Kong, em uma operação poderia movimentar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões, dependendo do percentual vendido e das condições do mercado, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News.
Mas, segundo informações da Bloomberg News, o retorno das instabilidade no conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio levaram a empresa a adiar o IPO para 2027.
Savino disse que a operação brasileira tem pouca interação direta com a sua controladora chinesa e que suas decisões passam principalmente pela estrutura global instalada em Basileia, na Suíça.
Questionado sobre os planos de abertura de capital, Savino disse que a discussão ainda está “longe de ser concluída”. Segundo ele, o IPO faz parte de uma estratégia da própria Syngenta, liderada pelo CEO global, e poderia ampliar a presença internacional da companhia.
Mesmo com o avanço dos biológicos e das ferramentas digitais, a Syngenta não pretende responder ao momento de maior risco com uma nova rodada ampla de aquisições.
Savino afirmou que a companhia continua avaliando oportunidades em áreas nas quais precise acelerar o acesso a tecnologias, mas que o cenário atual exige maior disciplina.
“Não é o momento de fazer grandes aquisições nem expansões”, disse.
Teste a campo da Syngenta: companhia reforça a presença junto aos produtores como parte da estratégia para enfrentar o ciclo adverso do agronegócio. (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)
O Itaú Unibanco (ITUB4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado e de 1,0% na comparação trimestral.
O retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio (ROE) foi de 24,3%, recuo de 0,5 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, mas ainda em um dos maiores patamares entre os grandes bancos.
O principal ajuste anunciado pelo banco foi a revisão do guidance para receitas de prestação de serviços e resultado de seguros.
A expectativa de crescimento para 2026 passou da faixa entre 5,0% e 9,0% para entre 2,0% e 5,0%, refletindo, segundo o banco, uma volatilidade no mercado de capitais superior à projetada no início do ano.
As demais projeções foram mantidas, incluindo crescimento da carteira de crédito entre 5,5% e 9,5%, expansão da margem financeira com clientes entre 5,0% e 9,0%, custo do crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões e despesas não decorrentes de juros entre 1,5% e 5,5%.
“A consistência dos nossos resultados reflete a clareza de uma estratégia orientada ao longo prazo. Crescer com rentabilidade e qualidade de carteira exige disciplina analítica, concessão responsável de crédito e uso prático da tecnologia”, afirmou Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú, em comunicado.
Crescimento no crédito; inadimplência estável
A carteira de crédito total atingiu R$ 1,52 trilhão ao fim de junho, alta de 2,7% em relação ao trimestre anterior e de 9,6% em 12 meses. Segundo banco crescimento foi impulsionado tanto por pessoas físicas quanto por empresas.
Entre as linhas para pessoas físicas, o crédito imobiliário avançou 13,3% em um ano, para R$ 152,2 bilhões, enquanto o consignado cresceu 11,7%.
No segmento corporativo, a carteira para micro, pequenas e médias empresas cresceu 11,6% em 12 meses e a de grandes empresas avançou 10,1%.
“O crescimento sustentável da carteira de crédito é resultado direto da qualidade e diligência do banco na concessão de forma responsável e sustentável”, afirmou Gabriel Amado de Moura, CFO da instituição, em comunicado.
O índice de inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo. No Brasil, o indicador ficou em 2,1%, também estável em relação ao trimestre anterior.
Já os atrasos entre 15 e 90 dias permaneceram em 1,8% no consolidado e de 1,7% no Brasil.
Margem, receita e despesas
A margem financeira com clientes alcançou R$ 32,6 bilhões, crescimento de 3,3% frente ao primeiro trimestre e de 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o banco, o avanço foi impulsionado pela expansão da carteira de crédito e pelo efeito calendário, já que o segundo trimestre teve mais dias corridos.
A margem financeira com o mercado totalizou R$ 931 milhões, alta de 13,6% sobre o trimestre anterior e de 8,6% em 12 meses.
As receitas de serviços e seguros atingiram R$ 14,1 bilhões, crescimento de 0,4% na comparação trimestral e de 3,6% em um ano.
Já as despesas não decorrentes de juros somaram R$ 16,7 bilhões no trimestre, alta de 3,3% em relação ao primeiro trimestre e de 3,1% em 12 meses. Segundo o banco, o aumento era esperado diante da sazonalidade do início do ano, quando as despesas costumam ser menores.
Rentabilidadedo banco foi de 24,3% – recuo de 0,5 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, mas ainda em um dos maiores patamares entre os grandes bancos (Foto: Divulgação/Itaú Unibanco)
Os países latino-americanos continuam ficando para trás na lista das economias do mundo com melhor qualidade de vida, que, em 2026, é liderada globalmente por nações de alta renda como Suécia, Dinamarca, Canadá, Suíça e Finlândia, de acordo com um relatório daWharton School.
Os países mais bem posicionados da região são aqueles que conseguiram combinar crescimento econômico com instituições mais sólidas, estabilidade, investimento em capital humano e confiança da população.
Por outro lado, os países que ficaram para trás enfrentam desafios multidimensionais que exigem políticas sustentadas ao longo de vários governos.
“Nesse tipo de ranking, a reputação internacional reflete, em grande parte, a capacidade de um país de proporcionar bem-estar de forma consistente, e não apenas resultados econômicos de curto prazo”, disse à Bloomberg Línea Clara Inés Pardo, analista, doutora em Economia e professora da Universidade do Rosário, na Colômbia.
“A qualidade de vida não depende apenas da renda média. Também é importante que as pessoas tenham acesso a serviços públicos de qualidade, confiem nas instituições e possam desenvolver seus projetos de vida em um ambiente relativamente estável”, observou Pardo.
Do ponto de vista das finanças públicas, o atraso da América Latina também se deve a uma falha estrutural na qualidade do investimento público e na capacidade de arrecadação.
“Embora sejamos uma região de renda média, sofremos com acordos fiscais fracos, nos quais a carga tributária média é baixa e, às vezes, regressiva, dependendo de impostos indiretos como o IVA”, disse à Bloomberg Línea a professora Diana Becerra Peña, do Centro Universitário de Ciências Econômicas e Administrativas (CUCEA) da Universidade de Guadalajara. “Além disso, observa-se uma ineficiência na alocação dos gastos. A maior parte do orçamento público é destinada a gastos correntes, em vez de investimentos em capital”.
A acadêmica afirma que ainda não se conseguiu consolidar os sistemas orçamentários orientados a resultados, e isso faz com que um nível mais elevado de renda agregada não se traduza automaticamente na geração de valor público, nem em melhores serviços de saúde, infraestrutura ou educação.
O Índice dos Melhores Países de 2026 classifica 85 países do mundo com base em diferentes categorias, entre as quais se inclui o fator qualidade de vida.
O relatório se baseia nas opiniões de 15.131 adultos de 33 países.
Para isso, leva em consideração as condições de vida, a segurança, o poder aquisitivo, a assistência médica, o acesso à moradia e as oportunidades de trabalho.
Esses países representam 93% do PIB mundial e 78% da população mundial.
O estudo e o modelo utilizados para avaliar e classificar os países foram elaborados pela empresa global WPP, por meio de sua ferramenta de análise de marcas, em colaboração com a Wharton School da Universidade da Pensilvânia, especialmente com o professor David Reibstein.
Entre os países da região, o melhor classificado foi o México, que ocupa a 39ª posição no ranking mundial com uma pontuação de 22,8 em 100, de acordo com o Índice.
Para os pesquisadores da Wharton School, o México “enfrenta desafios constantes, entre os quais a desigualdade de renda e as disparidades regionais; no entanto, conta com importantes vantagens demográficas graças a uma força de trabalho jovem e em crescimento”.
O México parece estar em vantagem não apenas por seu porte econômico, mas também por sua integração com a América do Norte, sua capacidade industrial e seu peso nas cadeias globais de valor — aspectos que influenciam a percepção externa.
“A localização geográfica do país ao longo de importantes corredores comerciais e sua participação no T-MEC consolidaram seu papel como um importante centro de manufatura”, afirma o documento.
No caso do México, Diana Becerra Peña destaca que têm sido implementados marcos fiscais e regras tributárias cada vez mais sólidos. “A integração da economia mexicana ao comércio global gerou dinâmicas de arrecadação e investimento produtivo que, aliadas à gestão dos gastos, proporcionam margens de manobra mais amplas, apesar da heterogeneidade regional no desempenho local”.
Em meio ao seu processo de recuperação e apesar dos desafios, a Argentina já é considerada o segundo país em qualidade de vida na região (49º no mundo), com uma pontuação de 18,4, de acordo com o relatório da Wharton School.
De acordo com o documento, “o país se recuperou de crises anteriores graças à sua resiliência e à adaptação institucional. Sua força de trabalho qualificada e sua capacidade de inovação em tecnologia e biotecnologia oferecem potencial de crescimento”.
“A Argentina continua sua participação estratégica na região por meio do Mercosul e mantém uma influência cultural significativa em toda a América Latina. Abordar a sustentabilidade fiscal e a inflação continua sendo fundamental para a estabilidade e o crescimento econômicos futuros”, acrescenta.
Em terceiro lugar, no âmbito regional, está o Brasil, a maior economia da América Latina, que obteve uma pontuação de 17,9 em qualidade de vida e ficou na 53ª posição no ranking global.
O relatório destaca “seu vasto mercado, seu perfil demográfico jovem e sua riqueza em recursos naturais”, fatores que o posicionam como um ator essencial para o futuro econômico mundial. “O Brasil continua trabalhando no fortalecimento institucional e no desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo em que aproveita suas vantagens naturais”.
Os desafios do país incluem a desigualdade de renda, a violência em certas áreas urbanas e as preocupações com o desmatamento da Amazônia.
Já na quarta posição está o Uruguai (56º lugar no ranking global), com uma pontuação de 15,7 no quesito qualidade de vida, de acordo com o Índice dos Melhores Países de 2026.
O Uruguai se destaca por sua estabilidade institucional e por seu papel como parceiro confiável na América do Sul.
Suas relações comerciais, o desenvolvimento de serviços financeiros e o acesso ao Mercosul fortalecem sua economia, embora o tamanho reduzido de seu mercado e a dependência de matérias-primas continuem sendo desafios.
O quinto lugar na América Latina é do Chile (57º no ranking mundial), com uma pontuação de 15,6 em qualidade de vida.
Na opinião dos autores do relatório, o Chile enfrenta o desafio de lidar com a desigualdade persistente, as demandas sociais por redistribuição e a polarização política para “manter o desenvolvimento a longo prazo e a legitimidade institucional”.
De qualquer forma, em nível mundial, “o Chile se posicionou como a porta de entrada da América Latina para os mercados da Ásia-Pacífico e para os canais de transferência de tecnologia. A relativa estabilidade e o desenvolvimento institucional do país atraíram um investimento estrangeiro significativo, embora a incerteza recente tenha freado esses fluxos”, destaca o documento.
Depois do Chile, vêm outras economias regionais, como o Peru (62º lugar no mundo), com uma pontuação de 12,1, e o Panamá (66º lugar), com uma pontuação de 10,8.
Entre os países da região que foram avaliados, os que apresentam pior desempenho são a Colômbia (pontuação de 9,7), o Equador (9,3) e a Guatemala (9,1).
O relatório não leva em conta países como Cuba, Venezuela ou Haiti.
Sobre a Guatemala, por exemplo, o documento destaca que a violência, a corrupção, a fragilidade das instituições e a pobreza “continuam sendo desafios importantes para o desenvolvimento, que limitam o investimento e a competitividade”.
“Abordar as questões de segurança e fortalecer a governança democrática são aspectos essenciais para concretizar o potencial de desenvolvimento da Guatemala e a integração econômica regional”, acrescenta ele.
A analista Clara Inés Pardo destaca que uma estrutura institucional fraca reduz a capacidade do Estado de oferecer serviços de qualidade, ao mesmo tempo em que limita a produtividade e o crescimento econômico.
Além disso, a redução da renda dificulta o financiamento de políticas sociais, enquanto a insegurança desestimula os investimentos e afeta tanto a economia quanto o bem-estar no dia a dia.
Por isso, “a qualidade de vida é resultado de um sistema, não de uma única variável. A segurança, a renda, as instituições e a equidade se reforçam ou se deterioram mutuamente”, destacou a analista.
Consequentemente, melhorar a posição em índices como o da Wharton exige consistência nas políticas públicas.
Não basta crescer economicamente durante alguns anos; é necessário que esse crescimento se traduza em maior segurança, melhores serviços públicos, instituições mais confiáveis e oportunidades para uma parcela maior da população.
Entre as medidas eficazes, destacam-se o fortalecimento da qualidade da educação, desde a primeira infância até o ensino superior; a ampliação da cobertura e da qualidade dos sistemas de saúde; e a melhoria da segurança cidadã por meio de estratégias integrais de prevenção e fortalecimento institucional.
Pardo também sugere reduzir a informalidade no mercado de trabalho e aumentar a produtividade; garantir a estabilidade macroeconômica para atrair investimentos e gerar empregos; e fortalecer a transparência e a capacidade do Estado de implementar políticas públicas.
Após anos associado à aquisição de máquinas pesadas e frotas de caminhões pela indústria, o leasing no Brasil passou a ter aeronaves como sua maior categoria.
Aviões passaram a ser cerca de 39% do mercado do instrumento em que o banco adquire o bem, e o cliente paga pelo uso, com opção de compra ao fim do contrato. O leasing de máquinas e equipamentos passou a formar 38% do mercado.
Os dados foram fornecidos pelo Bradesco (BBDC4) à Bloomberg Línea, com base em estatísticas da ABEL (Associação Brasileira das Empresas de Leasing).
O Bradesco afirma ser o maior arrendador do país, com R$ 7,9 bilhões em carteira, posição que diz ocupar há mais de uma década. No segmento de aeronaves, declara deter cerca de 60% do mercado, com aproximadamente R$ 4 bilhões em operações.
“O crescimento da aviação executiva reforça a tendência de a aeronave deixar de ser apenas um bem e passou a fazer parte da estratégia patrimonial dos clientes”, disse Leandro Karan, diretor do Bradesco Global Private Bank, à Bloomberg Línea.
Na prática, a estratégia patrimonial citada pelo executivo envolve definir em nome de quem a aeronave é registrada, com quais recursos é adquirida e como será transferida aos herdeiros. Nesse modelo, o avião passa a ser tratado como um ativo, a exemplo de participações societárias ou imóveis, e não como despesa corrente.
“Nossa atuação está focada em estruturar essa aquisição de forma inteligente, combinando crédito, investimentos e planejamento sucessório para gerar valor no longo prazo”, afirmou Karan.
O comprador pode arrendar a aeronave, tomar crédito em dólar ou entrar em um consórcio. Segundo o Bradesco, a escolha depende das empresas que a família controla, dos bens que podem servir de garantia e da frequência com que ela troca de avião. Em nenhum dos caminhos é preciso resgatar aplicações para fechar a compra.
Entre essas modalidades, a que mais depende da estrutura internacional do banco é o crédito em dólar, oferecido pela linha Aircraft Financing e emitido pelo Bradesco Bank, unidade da instituição em Miami, para compra e refinanciamento de aeronaves executivas de clientes de alta renda. Como a receita da maior parte desse público é gerada em real, tomar dívida em moeda estrangeira significa assumir risco cambial ao longo de todo o contrato.
“Conseguimos oferecer soluções desenvolvidas para atender às necessidades específicas desse público, aliando expertise financeira, alcance internacional e atendimento especializado”, afirmou Karan.
Ao combinar crédito especializado e gestão patrimonial, segundo o Bradesco, o banco constrói uma relação de longo prazo com a família, na qual o financiamento da aeronave funciona como uma porta de entrada para administrar o patrimônio inteiro.
Feiras e eventos
Esse cliente não aparece na agência. O Bradesco vai buscá-lo nas feiras do setor, e patrocina os três principais encontros do país, cada um com um público próprio.
A Labace reúne o trade de fabricantes, operadores e financiadores. Já O Catarina Aviation Show, no aeroporto privado de São Roque, concentra o dono de jato executivo.
Há ainda o Bonanza Fly-In, em São Joaquim da Barra, no interior paulista, que junta proprietários de aeronaves de aviação geral e investidores do agronegócio.
A maior delas abre nesta terça-feira (4). A Labace (Latin American Business Aviation Conference & Exhibition), maior feira de aviação executiva da América Latina, vai até quinta (6) no Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo.
A concorrência estará no mesmo pátio: o Bradesco participa ao lado de J.P. Morgan, Santander (SANB11) e Daycoval, enquanto o BTG Pactual (BPAC11) chega com a Sertrading, trading de comércio exterior que comprou em 2024.
Daycoval e Santander são o segundo e o terceiro maiores arrendadores do país, com R$ 3,86 bilhões e R$ 3,57 bilhões em carteira, segundo a tabela de abril da ABEL, a mais recente publicada. Os três primeiros colocados do leasing brasileiro estarão juntos no Campo de Marte.
Os valores medem o saldo total de cada empresa, sem separação por tipo de bem, e incluem desde aeronave até máquinas, frota de veículos, soluções de tecnologia, entre outras categorias.
Além dos três primeiros, aparecem HP Financial Services, com R$ 1,69 bilhão, BB Leasing, com R$ 926,8 milhões, Banco de Lage Landen Brasil, mais conhecida no mercado como DLL Brasil, focada em financiamento de máquinas e equipamentos nos setores de agronegócio, construção, saúde e tecnologia, com R$ 870 milhões.
O ranking do leasing aponta ainda o Banco IBM, com R$ 744,8 milhões, BOC (Bank of China), com R$ 243,4 milhões, e Banco Toyota, com R$ 48,2 mil. As nove associadas da ABEL somam R$ 19,82 bilhões e 19.818 contratos.
Financiamento de importação
A aeronave é paga fora do país antes de existir juridicamente no Brasil, e alguém precisa financiar o intervalo até a nacionalização do produto.
É aí que entram as tradings de comércio exterior, especializadas nos trâmites financeiros, tributários e burocráticos, da compra no exterior à entrega ao cliente.
Sete grandes tradings dividem o pátio da Labace com bancos: as paulistas Comexport e Timbro, e a maioria capixaba formada por Sertrading, WM Trading, Superia, Savixx e Vila Porto. Essa forte presença reflete os incentivos tributários do Espírito Santo, principal hub de nacionalização da aviação.
“As tradings fazem um papel importante de banking”, disse Flávio Pires, CEO da ABAG (Associação Brasileira de Aviação Geral), que organiza a feira, à Bloomberg Línea.
Bancos e tradings são os segmentos que mais cresceram em expositores e patrocinadores da Labace nos últimos anos, com a entrada de participantes que nunca haviam olhado para a aviação executiva, segundo a ABAG.
“Onde está ficando o pote de ouro é nas tradings e nos bancos”, afirmou Pires.
A feira movimentou US$ 150 milhões em negócios no ano passado, número que a ABAG apura em pesquisa espontânea junto aos expositores e que inclui vendas de aeronaves, peças e equipamentos. Pires disse que a estimativa de topo para 2026 é de US$ 200 milhões.
O potencial comprador pode aproveitar eventos como a Labace e o Catarina Aviation Show apenas para conhecer as aeronaves ou iniciar o processo de aquisição.
“A feira não é supermercado de aeronave”, afirmou o CEO.
As conversas começam antes da feira e se fecham meses depois, quando o avião já foi pago no exterior, já atravessou a alfândega e já virou linha em uma carteira de crédito.
Na edição da feira no Catarina, o Bradesco registrou 106 interações com clientes e 32 propostas apresentadas, com volume potencial de cerca de R$ 2,1 bilhões. São propostas em análise, não contratos fechados, ressalvou o banco.
Interesse da indústria e reforma tributária
As fabricantes de aeronaves aproveitam o circuito de eventos da aviação no Brasil para apresentar suas novidades e fechar negócios. Mas a infraestrutura dos aeródromos pode limitar essa estratégia.
Em maio, no Catarina, a Bombardier levou a São Roque o Global 8000, apresentado como a aeronave civil mais rápida em operação. Mas esse jato não será apresentado na Labace.
O Campo de Marte ainda não tem procedimentos por instrumentos, cuja implantação está prevista para setembro depois de adiamentos sucessivos.
“As seguradoras não permitem que um jato desse porte pouse no aeroporto sem instrumentos visuais”, disse Pires.
Na Labace, a fabricante vai expor o Challenger 3500, super midsize mais entregue no mundo em 2025, segundo ela.
Do lado de quem compra há pressa, e ela é tributária. Desde a emenda constitucional de 2023 os estados podem cobrar imposto anual sobre a propriedade de aeronaves.
Em 2027 entra em vigor um tributo federal sobre bens considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente, que alcança aeronaves.
“Há muita gente que ou está tentando antecipar negócios ou já comprou as aeronaves e está tentando fazer uma antecipação da entrada delas aqui no país”, disse Pires, que aponta ainda o calendário eleitoral como acelerador de decisões de aquisição de aeronaves.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A Loft tem expandido sua atuação no segmento imobiliário para levar serviços financeiros a incorporadoras e oferecer garantia locatícia para pessoa jurídica.
A aposta da startup, que tem os fundos americanos Andreessen Horowitz e Tiger Global entre seus investidores, ocorre depois de a empresa atingir um crescimento de 55% o número de transações no primeiro semestre de 2026.
A proptech somou 338 mil transações entre compra, venda e locação no período, ante 218 mil no mesmo intervalo de 2025.
A Loft atribui o crescimento a uma combinação de fatores: o patamar ainda elevado de juros, a maturação do produto de crédito com garantia de imóvel (Home Equity) e a entrada da empresa no mercado primário, atendendo incorporadoras pela primeira vez.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO Mate Pencz disse que o Home Equity deixou de ser marginal na operação e está entre as principais linhas de receita da empresa. “Imaginamos que, nos próximos anos, deve continuar sendo um dos carros-chefe”, disse.
As bolsas internacionais ampliaram os ganhos na manhã desta terça-feira (4), à medida que os investidores voltaram sua atenção para a temporada de divulgação de balanços corporativos com resultados acima do esperado.
- Tokens da BlackRock na Europa. A maior gestora de ativos do mundo incorporou a tecnologia blockchain aos seus principais fundos do mercado monetário na Europa. A gestora oferecerá versões tokenizadas de fundos selecionados da BlackRock Institutional Cash Series, que administram um total de US$ 311 bilhões em ativos.
- Tarifas sob pressão. Um grupo de 25 estados dos EUA entrou com uma ação na Justiça contestando as novas tarifas globais de Donald Trump. Estados como Nova York, Califórnia e Illinois entraram com a disputa judicial com o governo Trump sobre a guerra comercial do presidente.
- Lucro das ciências agrícolas. A Bayer registrou um aumento inesperado no lucro no segundo trimestre, impulsionado pelo sólido desempenho da divisão de ciências agrícolas. O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização subiu 1,9%, para € 2,14 bilhões (US$ 2,46 bilhões).
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
A Loft tem expandido sua atuação no segmento imobiliário para levar serviços financeiros a incorporadoras e oferecer garantia locatícia para pessoa jurídica.
A aposta da startup, que tem os fundos americanos Andreessen Horowitz e Tiger Global entre seus investidores, ocorre depois de a empresa atingir um crescimento de 55% o número de transações no primeiro semestre de 2026.
A proptech somou 338 mil transações entre compra, venda e locação no período, ante 218 mil no mesmo intervalo de 2025.
A Loft atribui o crescimento a uma combinação de fatores: o patamar ainda elevado de juros, a maturação do produto de crédito com garantia de imóvel (Home Equity) e a entrada da empresa no mercado primário, atendendo incorporadoras pela primeira vez.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO Mate Pencz disse que a diferença de custo entre linhas de crédito sem garantia e o Home Equity tem empurrado cada vez mais brasileiros para o produto, que cresceu 150% no período.
“As pessoas estão pagando 120% ao ano no cartão de crédito, e no Home Equity dá para se financiar em quatro, cinco, seis anos a 15%”, afirmou.
Segundo Pencz, o produto deixou de ser marginal na operação e está entre as principais linhas de receita da empresa. “Imaginamos que, nos próximos anos, deve continuar sendo um dos carros-chefe”, disse.
No semestre, de acordo com dados da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o mercado de home equity registrou alta de 30,9%, somando R$ 6,67 bilhões em concessões.
A Loft não abre o crescimento em receita, mas Pencz disse que a alta “acompanha mais ou menos a tendência do volume de transações”.
Com o ritmo atual de expansão e de desenvolvimento de produtos financeiros sustentados por agentes de inteligência artificial, a Loft deve voltar ao mercado e anunciar uma aquisição nos próximos meses.
“O M&A seria mais para trazer adjacências financeiras. O desenvolvimento tecnológico continua dentro de casa”, disse, sem oferecer detalhes.
A última compra da Loft foi a Vista, em 2022, software de CRM e ERP focado na gestão operacional e de relacionamento para imobiliárias. Antes, entre 2020 e 2021, a proptech fez cinco compras, que ajudaram a desenhar o stack de produtos financeiro atual.
Mercado primário e o problema do distrato
A principal novidade operacional do semestre foi a entrada da Loft no mercado primário, atendendo incorporadoras — segmento com o qual a proptech não trabalhava até então, mesmo já fazendo mais de 3 mil financiamentos por mês no mercado secundário.
Segundo Pencz, a decisão seguiu uma lógica de continuidade e é a última etapa para atender os três agentes principais do setor: consumidores, imobiliárias e incorporadoras.
O ponto de entrada foi o momento do repasse, quando o comprador de um imóvel na planta precisa trocar o financiamento tomado junto à incorporadora por um financiamento bancário na entrega das chaves — etapa em que, segundo a empresa, se concentra boa parte dos distratos do setor.
“A pior coisa para uma incorporadora é o distrato. Ela tem que retomar o apartamento, revender aquilo que já vendeu, e muitas vezes não consegue pelo mesmo preço”, afirmou o CEO.
Cyrela e Trinus já usam a nova plataforma de crédito para incorporadoras, lançada em maio e voltada a empreendimentos de médio e alto padrão, com unidades acima de R$ 600 mil. Pencz afirmou que a operação deve superar as metas internas de originar R$ 1 bilhão para o produto neste ano, sem detalhar números.
A startup também reformulou garantia locatícia para pessoa jurídica. “Fomos de zero para algumas centenas de transações por mês, já temos tração real”, disse. A meta agora é aproximar o volume da fiança PJ do que a empresa já tem na locação para pessoa física, hoje acima de 20 mil contratos por mês.
A reestruturação também está associada a um esperado efeito da reforma tributária. A regra que entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 estabelece que proprietários pessoas físicas que alugarem mais de três imóveis e somarem receita bruta anual superior a R$ 240 mil (ou R$ 288 mil no próprio ano) serão obrigatoriamente enquadrados como contribuintes dos novos impostos (IBS/CBS).
Para isso, deverão obter um CNPJ cadastral para emissão de notas fiscais, sem que isso altere sua condição de pessoa física para fins de Imposto de Renda.
“Esse produto vai fazer ainda mais sentido porque essa piscina vai crescer”, projeta Pencz.
Avanço da inteligência artificial
Os avanços da companhia, segundo o cofundador, são impulsionados por um novo ritmo na adoção de inteligência artificial. Em 2026 a Loft passou a operar com agentes de IA em praticamente todas as pontas do negócio — tanto para uso interno, em áreas como RH e suporte técnico, quanto para atendimento a corretores, imobiliárias, proprietários e inquilinos.
Segundo o executivo, os agentes assumiram etapas repetitivas do atendimento — hoje disponível 24 horas por dia, sete dias por semana — e permitiram realocar parte da equipe para funções mais consultivas.
“Isso avançou muito a jornada, mas ainda com o ser humano dando apoio na ponta mais consultiva, que é onde ele mais rende hoje em dia”, disse Pencz. O custo de oferecer atendimento contínuo caiu de forma expressiva em relação ao modelo anterior, baseado em escalas humanas em três turnos.
Entre os produtos, a Loft diz ter aumentado em 30% a taxa de aprovação do crédito imobiliário com IA e digitalizado 100% do processo de fiança para locações comerciais, com análise em menos de um minuto. Na ponta comercial, o qualificador de leads da Loft já foi testado por mais de 200 imobiliárias parceiras.
Pencz afirmou que a empresa investiu “um pouco mais da metade” dos R$ 100 milhões que planeja aplicar em tecnologia ao longo de 2026. Para o segundo semestre, o executivo adiantou dois focos: agentes dedicados a atender incorporadoras e agentes voltados a necessidades financeiras dos usuários, como antecipação de aluguel e de comissões de corretores.
A chegada dos agentes não teria provocado demissões na proptech, hoje com 1400 funcionários. “Aumentamos o time em 10%”, diz, sobre a chegada de profissionais em tecnologia. Profissionais em áreas mais impactadas pelos agentes de IA migraram para divisões mais especializadas.
“Temos conseguido mais do que triplicar a empresa nesses últimos anos com o quadro de funcionários praticamente estável. Para isso, temos treinado as pessoas para assumirem desafios novos internamente e não devemos fazer demissões”, diz o CEO.
O projeto que isenta equipamentos de data center de tributos federais (conhecido como Redata) está paralisado no Senado, mas segue vivo - e deve ser avançar neste mês. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), Affonso Nina.
“O Redata não morreu. Ficou na UTI um pouco”, afirmou o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.
O texto do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter foi aprovado em fevereiro na Câmara dos Deputados e está pronto para votação no plenário do Senado — mas depende da agenda do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Pelo projeto, as empresas interessadas contarão com suspensão de tributos por cinco anos na compra de equipamentos. Em contrapartida, os projetos terão que fazer uso de energia de fonte limpa (hidrelétricas) ou renovável (solar e eólica). As empresas também precisam estar em dia com os tributos federais.
A estimativa do governo era de uma isenção em torno de R$ 5,2 bilhões em 2026 e de R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes.
A Brasscom reúne hoje mais de 90 empresas com diferentes modelos de negócios, áreas e musculatura operacional. No quadro, estão nomes como Microsoft, Amazon, Huawei, KPMG, Totvs, Quinto Andar e TCS.
Segundo Nina, o projeto ficou preso “no meio do tiroteio político”, e por isso não avançou no Senado. Ainda assim, o dirigente da Brasscom afirma que Alcolumbre já sinalizou apoio ao conteúdo do projeto em conversas com associados da entidade.
“Ele falou com o presidente de três empresas associadas nossas que ele gosta do projeto, que acha que o projeto é bom e que ele quer que vá em frente”, comentou Nina. Procurado pela Bloomberg línea, o gabinete do senador não respondeu.
Em fevereiro, logo após a aprovação do projeto de lei na Câmara, Alcolumbre retirou a proposta da pauta do dia, adiando a votação. A agenda do Redata chegou ao legislativo a partir de uma Medida Provisória promulgada em 2025 e que caducou ainda em fevereiro passado. A tramitação atual segue o projeto aprovado na Câmara
Segundo o executivo, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, tratou o tema como prioritário em conversa na semana da entrevista. “É um projeto prioritário no governo, a gente quer que ande”, teria dito o ministro, segundo o relato. “É um projeto muito técnico e pouco político”, diz Nina.
A expectativa na entidade é de que o tema volte à pauta neste mês, durante os períodos de esforço concentrado no Senado após o recesso legislativo. A casa definiu duas datas, entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro.
O custo de não aprovar
Para a Brasscom, o atraso tem preço. A entidade estima que a carga tributária direta sobre equipamentos de data center — servidores e sistemas de armazenamento — no Brasil é de 30% a 35%, contra 13% no Chile, que segundo o executivo já trabalha para reduzir ainda mais essa alíquota. No caso de GPUs, usadas em cargas de inteligência artificial, a tributação chegaria a mais de 70%. “Acima de 50%, você está totalmente fora do jogo”, afirmou.
O dirigente cita casos concretos de investimentos perdidos por diferença de custo. Na conta, ele mencionou um associado que direcionou um projeto do Brasil para o México e ainda os anúncios da AWS, que anunciou US$ 13 bilhões em data centers na Índia, e o stargate da OpenAI, que será construído na Patagônia argentina, apoiado numa política de incentivo chamada RIGI (Regime para Investimentos em Grande Escala).
A aprovação do projeto é apenas uma parte do problema de competitividade tributária, porque trata apenas do imposto federal. A parcela estadual, o ICMS, depende de uma segunda frente, negociada no Confaz, o órgão colegiado formado pelos Secretários de Fazenda de todos os Estados, do Distrito Federal e presidido pelo Ministro da Fazenda.
No conselho, se discute a redução de até 90% da alíquota sobre equipamentos de data center. Essa proposta está parada desde o ano passado e, o estado de São Paulo, autor do texto, retirou o item da pauta do colegiado nas últimas semanas, à espera da aprovação do Redata primeiro. Uma reunião do grupo técnico do Confaz sobre o tema está marcada para 5 de agosto.
Combinadas, as duas medidas poderiam levar a carga tributária total para a casa de 10%, segundo o executivo, patamar que, somado a diferenciais como a matriz energética limpa do país, tornaria o Brasil competitivo frente a outros destinos de investimento em infraestrutura digital na região e no mundo.
Na percepção da Brasscom, enquanto outros mercados como o americano são cobrados em relação aos impactos no uso de água e consumo energéticos dos data centers, o Brasil oferece uma perspectiva diferente.
Segundo levantamento da Brasscom, em parceria com a ABDC (Associação Brasileira de Data Centers) e a Fadurpe, o consumo de energia elétrica dos data centers brasileiros deve mais que dobrar em participação na matriz nacional, saindo de 1,7% do total consumido no país em 2024 para 3,6% em 2029 — patamar ainda inferior ao de setores como o industrial (36%) e o residencial (28%).
Já o consumo de água segue marginal: os data centers responderam por apenas 0,003% do total consumido no Brasil em 2022, com projeção de chegar a 0,008% em 2029. “O nosso cenário aqui é uma realidade totalmente diferente”, afirma Nina.
Um estudo recém-divulgado da FGV, elaborado a pedido da Scala Data Centers e da Norgás, usa esses atributos naturais e de infraestrutura para defender o potencial do país de se tornar um hub de infraestrutura digital.
Segundo o material, um data center de 100 MW para IA gera R$ 1,5 bilhão em PIB e R$ 0,59 bilhão em renda do trabalho, distribuídos direta e indiretamente por setores como construção civil, comércio, engenharia e alimentação — sem contar os efeitos induzidos pela melhora de renda na economia. Sua implementação exige investimento total de R$ 25 bilhões (R$ 5 bilhões do operador em infraestrutura e R$ 20 bilhões do cliente em computing), dos quais R$ 3,6 bilhões são efetivamente internalizados na economia brasileira.
De acordo com Nina, atrair os data centers é importante não somente pela parte dos investimentos, mas também pela soberania digital brasileira, quando os contornos geopolíticos começam a ter fluxos irregulares. Hoje, de acordo com o Ministério da Fazenda, 60% do consumo dos dados dos brasileiros são processados fora do país, principalmente nos Estados Unidos, o que demonstra uma grande fragilidade nacional.
“O Brasil hoje está dependente de uma capacidade de processamento que está localizada fora do país. Isso é um desastre”, disse o presidente da Brasscom. “Precisamos reverter esse jogo e passar a ter mais essa capacidade aqui”.
A estimativa do governo era de uma isenção em torno de R$ 5,2 bilhões em 2026 e de R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes (Foto: Nathan Howard/Bloomberg)
A futura entrada da Tesla no mercado argentino não altera os planos ambiciosos da BYD, a marca chinesa que supera a empresa de Elon Musk em vendas globais de carros elétricos.
“Competimos em todo o mundo e a BYD saiu vencedora no ano passado”, afirmou Christian Kimelman, gerente nacional da BYD Argentina, em entrevista à Bloomberg Línea.
Kimelman confirmou que a megafábrica que a BYD está construindo no Brasil, a maior fora da China, terá um papel fundamental no abastecimento da Argentina. “Ela está planejada para atender ao mercado brasileiro, mas também para exportar do Brasil para a região, tendo o México e a Argentina como principais clientes”, explicou.
O executivo destacou que essa estratégia permitirá aproveitar a proximidade logística e reforçar a disponibilidade de peças de reposição para a operação local.
O executivo disse ainda que a BYD planeja trazer seus carregadores elétricos — assim como a Tesla fará este ano — e sonha com a instalação de uma fábrica na Argentina, o que, segundo ele, embora não seja um plano concreto, “para liderar o setor no contexto argentino atual, eventualmente seria necessário algum tipo de reflexão nesse sentido”.
Ele explicou que a empresa trabalha para ampliar seu financiamento e analisa a possibilidade de incorporar novas ferramentas comerciais, entre elas os tradicionais planos de poupança argentinos.
A BYD registrou 9.266 unidades no primeiro semestre na Argentina, segundo dados da Câmara de Importadores (CIDOA), e possui lista de espera para algumas configurações específicas e modelos como o Atto 2 — o SUV lançado na Argentina com preço de US$ 32.000 —, situação que se espera que se normalize neste mês.
Kimelman relativizou o impacto da chegada da Tesla à Argentina com seus veículos elétricos. Para o executivo, a entrada de novos participantes chegará até mesmo a acelerar a adoção do segmento e o desenvolvimento da infraestrutura de recarga, em um contexto em que a empresa busca se consolidar como um participante de longo prazo no país.
“Todo aquele que vem à Argentina para participar desse mercado e transformá-lo, tornando a frota de veículos mais segura, mais eficiente e mais limpa, nos ajuda. Isso também faz com que o desenvolvimento da infraestrutura seja mais rápido e que o cliente tenha mais opções à sua disposição”, afirmou.
No mundo, a BYD vendeu, no ano passado, 4,6 milhões de veículos.
A estratégia da BYD para a Argentina não depende de incentivos temporários, como o regime de cotas de 50 mil unidades importadas de fora da zona que não estão sujeitas à tarifa de 35%, explicou Kimelman. Segundo ele, a empresa já começou a importar modelos fora desse esquema e continuará a fazê-lo à medida que as cotas forem se esgotando.
O objetivo, afirmou ele, é consolidar uma presença permanente no mercado local. “Queremos construir uma marca que seja reconhecida como argentina”, afirmou.
Com esse objetivo, ele destacou que a BYD decidiu operar no país por meio de uma filial própria que se reporta diretamente à matriz na China, uma estrutura que a empresa utiliza em apenas cerca de 40 dos 120 mercados em que está presente. “Isso demonstra a importância da Argentina dentro da estratégia regional. Acreditamos muito no potencial do país”, afirmou.
Kimelman descartou a existência de um projeto concreto para uma fábrica na Argentina, embora tenha deixado em aberto a possibilidade para o futuro.
“Não está nos planos”, respondeu ele. No entanto, acrescentou que “quem conhece o setor argentino sabe que, para liderar o setor, no contexto atual, é preciso ter algum tipo de visão nesse sentido”.
Enquanto isso, a empresa avalia a possibilidade de expandir-se para outros setores relacionados à mobilidade elétrica, entre os quais a infraestrutura de recarga e os veículos comerciais.
“É um projeto do qual queremos participar”, disse ele sobre o desenvolvimento de carregadores elétricos, uma unidade de negócios que a BYD já vem promovendo em outros mercados.
A montadora iniciou suas operações comerciais na Argentina em outubro de 2025 e, segundo Kimelman, já realizou mais de 20.000 test drives e está prestes a atingir a marca de 10.000 unidades registradas, com apenas seis modelos comercializados.
Há táxis BYD circulando no país e, conforme alertou o executivo, os aplicativos de mobilidade começam a adquirir veículos — algo muito comum em outras partes do mundo.
Impulsionada pela crescente demanda por perfumaria de prestígio, alta rotina de cuidados com a pele e o avanço dos cosméticos de origem oriental, a RD Saúde (RADL3) inaugura no próximo dia 5 de agosto a primeira loja Raia Conceito.
Explorar as tendências do K-Beauty (skincare coreano) e J-Beauty (produtos japoneses para pele e cabelo) é um dos eixos do portfólio da nova frente de crescimento da maior rede do varejo farmacêutico do país.
Dona das bandeiras Raia e Drogasil, a companhia opera mais de 3.600 farmácias com cerca de 50 milhões de clientes disputando mercado com o segundo lugar, o Grupo DPSP (dono das marcas Drogaria São Paulo e Pacheco), seguido pela Pague Menos (PGMN3), Farmácias São João (rede gaúcha líder no Sul) e Panvel (PNVL3).
O público-alvo da sua ofensiva em beleza é o perfil que gasta alto em dermocosméticos. Esse consumidor costuma adquirir essa categoria na farmácia, sai de lá e vai comprar o perfume em outro lugar, seja no shopping, marketplace ou na viagem. A maior rede farmacêutica do Brasil passou um ano estudando esse trajeto e chegou a uma conclusão comercial: o problema não é a demanda, é a prateleira.
“Há muito consumidor que compra fora do Brasil ou em outros canais. O mercado de beleza premium aqui no Brasil tem uma escassez de canal de distribuição”, disse Marcello De Zagottis, vice-presidente de Operações e Comercial da RD Saúde, à Bloomberg Línea.
O espaço de 364 m² no número 795 da rua Tabapuã, no Eixo Faria Lima, no Itaim Bibi, funciona como piloto projetado com mais que o dobro da metragem média padrão da marca (150 m²).
A escolha do local, um núcleo corporativo e de alta renda, reflete a estratégia de expansão da companhia nas categorias de fragrâncias e cabelos profissionais.
A Raia Conceito terá um portfólio de beleza com 50 marcas, das quais 33 são premium. Essa curadoria adiciona mais de 2.500 novos SKUs (tipos diferentes de produtos) ao catálogo, totalizando 12 mil produtos disponíveis.
A iniciativa acompanha a relevância do mercado nacional. O Brasil é o terceiro maior mercado global de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, com mais de US$ 37 bilhões em 2025, segundo a Abihpec, associação do setor no país.
Mas a beleza premium se distribui por um canal estreito como perfumaria seletiva (marcas globais) em shopping de alta renda e comércio eletrônico, enquanto a capilaridade do país está nas farmácias, historicamente restritas ao segmento massificado. A RD propõe cruzar as duas coisas.
“Temos a capacidade de criar um canal mais capilar de distribuição de beleza premium com toda a força que temos”, afirmou o executivo.
A indústria comprou o argumento da rede. Há acordos firmados diretamente com fabricantes, entre eles o grupo L’Oréal. Perfumaria entra ancorada em Carolina Herrera e Lancôme, cabelo profissional em Kérastase e Wella Professionals, tratamento de pele em Shiseido.
Em fragrâncias, a logística é centralizada pela BIM Distribuidora, com aval das marcas. Todo o novo sortimento estará online no Sudeste desde a abertura. O canal digital já responde por cerca de 30% das vendas da RD Saúde.
Aposta no K-Beauty e J-Beauty
O convite da inauguração da Raia Conceito adota códigos visuais da estética asiática, como a escolha do casting, refletindo a decisão de curadoria de marcas orientais da rede.
Com isso, os produtos de origem asiática ganham área própria na Raia Conceito, num momento em que quiosques de skincare oriental se multiplicam em shoppings de alta renda.
A RD investe em duas marcas: a japonesa Curél, especializada em ceramidas biomiméticas (idênticas à estrutura natural da pele), e a coreana Ryo, voltada a cuidados capilares com ativos botânicos biofermentados, controlada pela Amorepacific, maior grupo de beleza da Coreia do Sul.
Ao estrear com loja de rua, a RD Saúde evita a competição em K-Beauty e J-Beauty em shopping center, onde os players ocupam frações mínimas de espaço e conseguem antecipar tendências.
No Eldorado e no MorumbiShopping, há, por exemplo, quiosques da Miya Kea, focada em peptídeos de colágeno e conhecida por vender o produto em formato de shots prontos para o consumo, usando matéria-prima da japonesa centenária Nippi Collagen.
Essa dinâmica ilustra o contraste de formatos no varejo: enquanto um quiosque resolve sua operação em apenas 20 m², a RD necessita de plantas com ao menos 300 m².
O motivo é comercial, já que marcas globais condicionam sua entrada a padrões rigorosos de exposição visual, o que exige metragens generosas.
“O desafio que temos em shopping hoje é a área”, disse Zagottis. O Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, está entre os endereços avaliados, provavelmente em versão adaptada.
Displays de análise facial
A conta que sustenta o risco é de margem. A RD opera com margem bruta na casa de 27%, e beleza premium roda entre cinco e 10 pontos acima. A projeção para a nova loja é de ticket médio de duas a três vezes a média da rede, com higiene e cosméticos respondendo por cerca de 40% das vendas, ante 23% a 24% na operação atual.
“Essa é uma loja que tem uma economics diferente: terá um faturamento maior devido a um investimento maior da indústria, principalmente em pessoas através das consultoras de beleza”, afirmou o executivo.
Aumentar contratação vai na contramão. Concorrentes vêm reduzindo pessoal e fundindo funções de atendimento e caixa, enquanto a RD fala em dispor de consultoras treinadas pela Universidade RD Saúde em parceria com a indústria.
A loja também vai funcionar como laboratório de tecnologias que podem migrar para a rede: o Visia, equipamento de análise de imagem facial desenvolvido pela americana Canfield Scientific que orienta recomendação de produto, pagamento móvel sem passagem pelo caixa e mais de 18 telas da Impulso, plataforma de retail media da RD.
Em quiosques de K-Beauty e J-Beauty nos shoppings paulistanos, displays compactos já disponibilizam telas interativas e espelhos inteligentes para análise instantânea de tons de pele, ajudando o consumidor a encontrar a rotina ideal de tratamento e fotoproteção.
Um exemplo é a Braello, no Eldorado, na zona oeste, que instalou em seu quiosque um SkinLab, aparelho que realiza uma análise computadorizada gratuita da pele, medindo os níveis de hidratação, sensibilidade e a qualidade da sua barreira cutânea para indicar os produtos.
“Vamos testar essas soluções e, a partir do sucesso delas, devemos colocar em diversas outras lojas”, disse Zagottis.
Na arena da Sephora e Boticário
O ambiente competitivo nessas categorias aderentes às gerações conectadas com influenciadores do TikTok e Instagram oferecendo cupons de desconto tende a se acirrar.
Wella Professionals, Lancôme, Carolina Herrera e Kérastase já circulam pela Beleza na Web, do Grupo Boticário, plataforma de beleza que opera lojas físicas e vende skincare asiático de marcas como Hada Labo. Outro player é o Grupo DI, dono das Drogarias Iguatemi e Discover, voltadas a dermocosméticos.
“Já temos a consumidora que compra dermocosméticos, um ticket super alto, e ela precisa comprar outras categorias em outros lugares”, disse Zagottis, ao evitar posicionar o movimento como ataque direto a Sephora ou Boticário.
O modelo tem precedente na britânica Boots, que levou beleza para dentro de parte de suas farmácias. A RD define o plano de expansão nos próximos seis meses, prazo que atravessa a Black Friday e as festas de fim de ano.
O cálculo temporal favorece o projeto. A beleza premium cresceu 10% no Brasil no primeiro trimestre, contra cerca de 7% da média global, e o país concentra um terço das vendas da América Latina, segundo dados da consultoria Circana.
Dona das bandeiras Raia e Drogasil, RD Saúde vai abrir loja piloto com a marca Raia Conceito com o dobro do tamanho padrão de suas unidades convencionai. (Foto: Divulgação/RD Saúde)
A Ambev (ABEV3) teve um ganho de market share “consistente” desde o primeiro trimestre nas categorias de cerveja, o que ajudou a gigante de bebidas a expandir o volume em um ritmo acima do desempenho da indústria no Brasil, segundo o CFO, Guilherme Fleury.
No balanço divulgado na quinta-feira (30), a companhia informou um crescimento de 5% no volume de cerveja vendida no país no segundo trimestre, para 21,035 milhões de hectolitros.
Apesar de positivo, o resultado frustrou parte dos analistas, que esperava uma expansão mais acelerada, dada a maior demanda durante o período da Copa do Mundo e a menor base de comparação por causa de um segundo trimestre mais fraco no ano passado.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo buscou colocar o resultado em perspectiva, afirmando que o setor de cerveja no Brasil, como um todo, teve um crescimento mais modesto – estimado de 0,5% a 1% em volume no mesmo período, segundo ele.
Para o executivo, a diferença entre o desempenho do setor e o da companhia se explica justamente pelo ganho de participação de mercado. “Dentro desse crescimento [de 5%], grande parte disso veio de um ganho de market share em vários segmentos onde a gente opera”, afirmou Fleury, que é diretor vice-presidente financeiro e de relações com investidores.
No terceiro trimestre do ano passado, a Ambev recuperou a liderança no mercado premium no Brasil depois de dez anos, superando a concorrente Heineken.
De acordo com Fleury, a empresa tem expandido a participação no segmento desde então. E, no segundo trimestre, o ganho de participação também ocorreu em outras categorias.
A empresa tem se apoiado em uma estratégia de ampliar o portfólio de marcas premium, ao mesmo tempo em que investe em produtos para atender novos hábitos de consumo mais saudáveis e outras demandas.
Recentemente, o grupo colocou no mercado a Spaten Pro, uma cerveja com 10 gramas de proteína e sem álcool, e promoveu durante a Copa do Mundo a sua marca Michelob Ultra, com menor quantidade de calorias (85), 80% menos carboidratos e sem glúten.
Para o executivo, o resultado reflete o que ele chama de “ambidestria” na estratégia da Ambev, de crescer aumentando participação e volume, mas mantendo margens saudáveis, com controle de custos e sem abrir mão de preços.
“A gente teve nesse trimestre o maior resultado de geração de caixa da Ambev dos últimos anos. A gente gerou R$ 7,9 bilhões de caixa operacional. É 85% de crescimento sobre o ano passado”, afirmou.
As ações da Ambev chegaram a cair mais de 3% na abertura do mercado na quinta-feira, dia da divulgação do balanço, mas se recuperaram ao longo da sessão e também na sexta-feira. No ano, os papéis acumulam alta de cerca de 15,4%, ante avanço de 10,5% do Ibovespa.
Fleury reconhece que as temperaturas mais amenas no Brasil no segundo trimestre não ajudaram os resultados da empresa e que os volumes de cerveja vendidos pela indústria como um todo estão aquém do potencial.
Ele avalia, no entanto, que as perspectivas de médio e longo prazo para o mercado brasileiro de cerveja são positivas. O executivo cita especificamente fatores como o crescimento populacional, que tende a elevar o número de pessoas em idade legal para consumir bebidas alcoólicas, além de um avanço da renda per capita e de uma melhor distribuição de renda.
Com isso, Fleury vê potencial de um crescimento nos “low single digits” no volume de cerveja da indústria brasileira pelos próximos anos, o que tende a beneficiar a empresa. “Tudo isso funcionando, a gente vai colocar a indústria onde a gente acredita que ela deve estar”, afirmou.
-- Reportagem atualizada para esclarecer que a Ambev recuperou a liderança do mercado premium no terceiro trimestre de 2025.
Com o fim das convenções partidárias e a oficialização das candidaturas até 15 de agosto, o mercado financeiro aumenta o foco na eleição presidencial de 2026 em outubro. A expectativa é que a disputa fique cada vez mais nos holofotes, em um cenário que parte dos agentes considera mais equilibrado do que indicam as pesquisas de intenção de voto.
Os levantamentos divulgados nas últimas semanas apontam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro, principal nome da oposição. Lula lidera contra Flávio por 6 pontos percentuais, com 49% contra 43%, em um cenário de segundo turno, de acordo com a última pesquisa da AtlasIntel para a Bloomberg News, divulgada na quarta-feira (29).
No domingo (2), o Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou a candidatura do presidente Lula à reeleição em sua convenção partidária, enquanto o Partido Liberal (PL), de Flávio Bolsonaro, havia feito o mesmo no fim de semana anterior.
Ainda que Lula apareça na liderança nas sondagens, gestores avaliam que o cenário eleitoral pode ser mais competitivo do que indicam as pesquisas. “Não estou convencido de que o Lula é favorito, mas reconheço as fragilidades do Flávio. O cenário-base é de eleição bastante acirrada”, afirmou Rafael Ihara, economista-chefe da Meraki Capital.
Segundo Ihara, fatores estruturais, como o alto endividamento das famílias, pesam negativamente sobre a popularidade de Lula, que está abaixo dos níveis historicamente observados em outras campanhas de reeleição bem-sucedidas. “O ‘pacote de bondades’ do governo ainda não se traduziu em melhora da aprovação, e isso é um desafio”, disse.
A avaliação encontra respaldo em parte do mercado. Durante painel na XP Expert, João Landau, gestor da Vista Capital, também avaliou a disputa presidencial como mais apertada do que sugerem os levantamentos.
Segundo o gestor, Lula conquistou, em 2022, o voto de parte do eleitorado que costuma se abster nas eleições e pode não contar com esse apoio novamente.
“O eleitor do Lula tem maior abstenção, o que leva cerca de cinco pontos para a direita nas intenções de voto. Então, quando olho uma diferença de cinco ou seis pontos nas pesquisas, considero que ela mostra um empate”, afirmou.
Landau também projeta que eleitores indecisos tenham maior propensão a votar na direita. “Tenho mais convicção de que o Lula perde [do que a média]. O mercado está muito comprado no Lula. Acho que a eleição está muito mais empatada – e o jogo nem começou”, disse.
Ainda assim, a oposição tem enfrentado dificuldades para explorar as fragilidades do governo. O governador Tarcísio de Freitas ficou fora da disputa ainda no ano passado, quando a família Bolsonaro anunciou apoio a Flávio.
O filho do ex-presidente se mostrou mais viável do que o mercado esperava nas primeiras pesquisas de 2026, mas sua candidatura sofreu revés a partir de maio, quando surgiram as primeiras denúncias de negociações entre o senador e o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, outros nomes que tiveram sua candidatura à presidência oficializadas pelos partidos incluem Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi Jr. (Democrata).
Ruy Alves, gestor da Kinea, afirmou durante a XP Expert que uma eventual mudança de governo, por si só, não garantiria o avanço da agenda de reformas fiscais, principal demanda do mercado para 2026. “Não existe salvador da pátria. Mesmo que a oposição vença, [a situação fiscal] não tem saída fácil”, afirmou.
Mesmo entre investidores que enxergam uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro como positiva para os ativos brasileiros, permanece a dúvida sobre como será a condução da política fiscal, já que o senador não apresentou um programa econômico detalhado até o momento.
“No caso do Flávio, as propostas são opacas, ninguém sabe ao certo o que seria feito. Mas a percepção é que seria minimamente melhor do que o atual governo. Ainda que não seja uma solução completa, pelo menos é uma direção diferente”, afirmou Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, à Bloomberg Línea.
Spiess também avalia que o mercado já precifica algum nível de ajuste fiscal como inevitável, independentemente de qual seja o novo governo.
“A diferença é entender quão estrutural serão as mudanças, ou se serão apenas um ‘curativo’ para empurrar o problema adiante”, disse.
A Petrobras (PETR4) aceitou suspender dois contratos de afretamento que somam R$ 413,2 milhões. Os navios rebocam e ancoram plataformas e estão parados desde dezembro à espera de peças importadas, segundo fato relevante divulgado pela MLog, companhia dona das embarcações na noite da última sexta-feira (31).
A operadora é a Columbus Offshore, subsidiária integral da MLog, e o valor suspenso equivale a 62,3% do seu backlog, a receita já contratada e ainda não faturada, de R$ 663,6 milhões ao fim de março.
Metade da frota de quatro navios sai de operação em um momento de demanda aquecida: a estatal vem extraindo acima da capacidade de projeto de seus FPSOs (Floating Production Storage and Offloading), os navios-plataforma que produzem, armazenam e transferem petróleo em alto-mar, e atingiu recorde de 3,34 milhões de barris diários de óleo equivalente no segundo trimestre.
A parada é de 365 dias para uma embarcação (Geonísio Barroso) e 240 para a outra (Yvan Barretto), com possibilidade de retorno antecipado.
Segundo o fato relevante, a estatal se comprometeu a religar os contratos ao fim do período e a somar ao prazo remanescente intervalo equivalente. O efeito recai sobre o caixa dos próximos trimestres, não sobre o tamanho da carteira.
O caixa da MLog já estava apertado antes da suspensão. O retrato mais recente é o das informações trimestrais divulgadas em 15 de maio, referentes aos três meses até 31 de março, quando o Geonísio Barroso já acumulava o trimestre inteiro parado e o Yvan Barretto, dois meses.
Na Columbus Offshore, a taxa de operacionalidade da frota, que mede o tempo em que as embarcações estão aptas a faturar, caiu para 56,7%, ante 98,1% um ano antes, e a receita recuou 29,3%, para R$ 30,6 milhões.
A receita líquida da MLog, que reúne ainda a navegação fluvial da CNA, somou R$ 45,5 milhões, queda de 22,5%, e o prejuízo chegou a R$ 22,3 milhões, ante R$ 9,4 milhões no mesmo trimestre de 2025.
A alavancagem subiu de 2,91 para 3,87 vezes o Ebitda ajustado anualizado, com dívida líquida de R$ 241,4 milhões. O caixa consolidado somava R$ 26,1 milhões e o passivo circulante superava o ativo circulante em R$ 121,3 milhões.
A Grant Thornton apontou incerteza relevante sobre a continuidade operacional, sem ressalvar a conclusão da revisão.
Para preservar liquidez, a companhia suspendeu o pagamento de dívidas, negocia com credores, vendeu um terreno em Linhares no Espírito Santo por R$ 18 milhões e tomou em abril um empréstimo de R$ 2 milhões dando em garantia um dos contratos agora suspensos.
Parte da perda é coberta por seguro: R$ 5,5 milhões de lucros cessantes recebidos em março e mais R$ 6,5 milhões previstos para maio, pagos pela Fairfax. As estimativas supunham retorno das embarcações em junho e apontavam renúncia de receita de R$ 47,2 milhões. Com a suspensão, a conta cresce.
Segundo o comunicado, as embarcações podem atender outros clientes no intervalo, embora o navio hoje parado por falta de peça não está disponível.
“A companhia envidará seus melhores esforços para colocá-las em serviço”, informou a MLog no comunicado assinado pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Paulo Guilherme Autran Seidel.
Os rebocadores de plataforma Geonísio Barroso e Yvan Barretto estão parados na Baía de Guanabara, mostra o Vessel Finder, app de rastreamento. Fundeadouro é a área do mar demarcada pela Capitania dos Portos onde os navios lançam âncora e ficam parados, à espera de atracar ou de receber ordem de serviço.
Os dois aparecem no mesmo lugar e na mesma situação: velocidade 0 nó, ancorados no fundeadouro 6A da Baía de Guanabara, na altura da Ilha do Engenho, ao norte da Ponte Rio-Niterói.
O Geonísio Barroso está parado desde 21 de dezembro. O Yvan Barretto, desde 30 de janeiro.
Procurada pela reportagem, a Petrobras não respondeu de imediato ao pedido de comentário sobre os contratos suspensos.
Histórico de embarcações
Geonísio Barroso e Yvan Barretto são do tipo AHTS (Anchor Handling Tug Supply), navios que rebocam plataformas e manuseiam suas âncoras. Entraram em contratos de quatro anos com a estatal em abril e maio de 2025, com término firme em maio de 2029.
Foram encomendados em 2001 pela Delba Marítima, em um pacote de três que custou US$ 94 milhões, com 85% financiados pelo Fundo da Marinha Mercante.
O Geonísio Barroso, entregue em maio de 2004, foi o primeiro AHTS construído no Brasil. Passaram pela Bourbon Offshore Marítima e, em 2020, pela Asgaard Bourbon Navegação, comprada integralmente pela MLog em março de 2026 e rebatizada Columbus Offshore.
A MLog nasceu em 2011 para tocar o projeto de minério de ferro Morro do Pilar, em Minas Gerais, ainda pré-operacional. Enquanto a mina não sai do papel, a navegação banca a companhia. Dos quatro navios, restam dois em plena operação, com aproveitamento de 96,7% no trimestre.
-Texto atualizado às 20h30 para incluir a localização das duas embarcações
O fortalecimento do El Niño a níveis que o Bank of America (BAC) considera potencialmente históricos poderia transformar a América Latina em uma das regiões mais expostas a um aumento da inflação, alterações na produção agrícola e maiores riscos para a política monetária.
O banco identificou a Colômbia, o Peru e o Brasil como as economias latino-americanas mais vulneráveis, ao passo que a Argentina enfrenta riscos significativos para sua safra de trigo e o Chile e o México apresentam uma exposição comparativamente menor.
Os modelos utilizados pela instituição indicam que o fenômeno atingirá sua intensidade máxima entre outubro e dezembro de 2026, coincidindo com momentos críticos para a agricultura mundial.
Daryna Kovalska, estrategista de commodities do BofA, afirma que “todos concordam que o El Niño está surgindo e provavelmente será muito forte”, uma situação que coincide com o plantio na América do Sul e com a colheita nos Estados Unidos e na Austrália.
Seu colega Antonio Gabriel, economista global do banco, afirma que, na América Latina, “a Colômbia e o Peru são os países mais afetados, seguidos pelo Brasil”, enquanto o impacto sobre outras economias da região é consideravelmente menor, de acordo com as estimativas do banco.
O BofA avaliou o efeito do El Niño por meio de um modelo de vetores autorregressivos (VAR) que incorpora crescimento econômico, inflação, taxas de juros, câmbio real e preços do petróleo, utilizando dados trimestrais entre 2004 e 2023.
A partir dessa análise, conclui-se que o principal canal de transmissão será o aumento dos preços dos alimentos e seus efeitos de segunda ordem sobre a inflação.
O estudo estima que um aumento de um desvio-padrão na intensidade do El Niño poderia elevar a inflação em até 0,9 ponto percentual na Colômbia e em cerca de 0,4 ponto no Peru, enquanto o Brasil também apresentaria uma resposta positiva, embora com menor significância estatística.
Em um episódio severo, equivalente a aproximadamente dois desvios-padrão, o banco calcula que o efeito poderia atingir até 1,8 ponto percentual adicional de inflação na Colômbia e cerca de 0,8 ponto no Peru.
Gabriel alerta que “o El Niño pode afetar a inflação por meio dos preços dos alimentos e de efeitos de segunda ordem”, um risco que, segundo o relatório, ganha maior relevância por coincidir com preços de fertilizantes ainda elevados.
Quando a análise se concentra exclusivamente nos alimentos, a sensibilidade aumenta. O BofA estima que um choque equivalente a um desvio padrão poderia elevar a inflação dos alimentos em cerca de 1,4% na Colômbia e 1,2% no Peru, enquanto o Brasil também registraria um aumento significativo próximo a 1,3%, embora sem evidência estatística conclusiva.
O relatório também identifica uma particularidade para a Colômbia no mercado de energia. Embora o impacto do El Niño sobre os preços da energia seja heterogêneo entre os países, o banco estima que a Colômbia poderia sofrer um aumento próximo a 1,3%, um comportamento que não é observado com a mesma clareza no restante da América Latina.
O banco considera que essas diferenças “podem ser decorrentes do impacto divergente das flutuações de temperatura e das precipitações em diferentes latitudes”, uma vez que ambas “podem afetar a geração de energia ou o comportamento da demanda por energia em alguns países”.
O Chile e o México também aparecem na análise econométrica, mas os resultados não mostram um impacto estatisticamente significativo sobre a inflação geral. Em ambos os casos, a resposta estimada é consideravelmente inferior à observada para a Colômbia e o Peru.
Agricultura sob pressão
Além da inflação, o BofA considera que o maior impacto econômico poderia se concentrar na agricultura, uma vez que o calendário previsto para o El Niño coincide com fases especialmente sensíveis das culturas.
O banco explica que o Brasil enfrentará a fase mais intensa do fenômeno durante o plantio da soja e do milho. As chuvas irregulares costumam atrasar o plantio da soja, reduzem o período de desenvolvimento do milho da segunda safra (safrinha) e aumentam a exposição a condições climáticas adversas.
Como consequência, o BofA projeta que a safra brasileira de milho poderá diminuir cerca de 10% em relação ao ano anterior durante a campanha 2026/27. O relatório lembra ainda que, em episódios intensos anteriores, a produção caiu 21% em 2015/16 e 12% em 2023/24.
O açúcar também está entre os produtos vulneráveis. A analista Daryna Kovalska destaca que “a produção de açúcar do Brasil também está em risco e pode cair cerca de 5% em relação ao ano anterior em 2026/27”, devido ao excesso de chuvas no centro-sul do país, o que reduz os dias efetivos de moagem e diminui o teor de sacarose da cana.
A Argentina surge como outro foco de preocupação para o mercado agrícola. Segundo o BofA, cerca de 10 milhões de toneladas da produção de trigo, equivalentes a aproximadamente 35% da safra prevista, ficariam expostas aos efeitos do fenômeno.
O banco lembra que episódios intensos do El Niño têm provocado, historicamente, reduções na área plantada e rendimentos menores devido a chuvas excessivas e inundações.
Um fenômeno que traz novos riscos
O BofA considera que a conjuntura de 2026 apresenta um elemento diferenciador em relação a outros episódios do El Niño: o alto preço dos fertilizantes.
Kovalska afirma que “desta vez, os riscos de um El Niño severo poderiam se somar aos preços elevados dos fertilizantes”, após a alta registrada na sequência da guerra entre o Irã e Israel e da elevada dependência do comércio mundial de fertilizantes que atravessa o Estreito de Ormuz.
O banco acrescenta que essa combinação pode aumentar a pressão sobre os custos agrícolas justamente quando os produtores sul-americanos se preparam para o plantio, aumentando a vulnerabilidade da oferta de alimentos e reforçando as pressões inflacionárias.
Embora a análise não encontre evidências de um impacto agregado relevante sobre o crescimento econômico, ela alerta que alguns setores podem sofrer alterações significativas.
Gabriel destaca que não foi encontrado “um impacto significativo do El Niño sobre o crescimento do PIB, pelo menos em termos agregados”, embora o próprio relatório precise que a agricultura constitui uma das atividades mais expostas.
As próximas atualizações sobre a intensidade do fenômeno, a evolução das chuvas durante a safra agrícola sul-americana e o comportamento dos preços internacionais dos alimentos serão alguns dos fatores que determinarão se os riscos identificados pelo BofA acabarão se refletindo na inflação e na produção agrícola da América Latina.
O BofA considera que o El Niño se fortalecerá de forma histórica, com máxima intensidade esperada entre outubro e dezembro de 2026. (Foto: Dado Galdieri)
Na noite de estreia do bar Original, em São Paulo, em 1996, nada saiu como o planejado. Os cinco sócios, jovens executivos vindos de carreira em multinacionais e sem qualquer experiência no setor, esperavam receber um ou outro amigo no bar recém-aberto em Moema. Mas o salão lotou, os pedidos se atropelaram e a operação praticamente entrou em colapso em tempo real.
“Nossa primeira noite foi um desastre”, contou Ricardo Garrido, sócio-fundador da Cia. Tradicional de Comércio, em entrevista à Bloomberg Línea.
Mas foi também “uma noite iluminada”, segundo ele, pois foi o momento em que o negócio começou a tomar forma e que nasceu uma empresa de hospitalidade que chega a 30 anos com dezenas de operações e com planos de expansão nacional.
“Era a primeira vez que a gente fazia uma coisa em que a gente acreditava de verdade, e as pessoas vieram prestigiar. Nós percebemos que tínhamos que correr atrás e que aquilo podia ser a nossa vida”, lembrou Garrido sobre a conversa entre os sócios naquela primeira noite.
A entrevista com Ricardo Garrido faz parte da série “Mesa de Negócios” da Bloomberg Línea, que conta histórias em que a gastronomia e o empreendedorismo se entrelaçam de forma destacada no mundo dos negócios no Brasil.
Três décadas depois, aquele bar deu origem a um dos maiores grupos de hospitalidade do país, dono de marcas como Bráz Pizzaria, Pirajá, Astor e Lanchonete da Cidade.
O grupo reúne 49 lojas e mais de 50 operações, já que algumas casas abrigam operações duplas, com cerca de 1.600 funcionários, seis marcas e quatro submarcas. A companhia estima atender em média a 350 mil clientes por mês, quase 5 milhões de pessoas por ano. Por ser um grupo privado, não divulga dados de faturamento.
A empresa opera com diretoria executiva profissionalizada, formada por um diretor-geral e outros cinco diretores, enquanto os cinco sócios fundadores migraram para o conselho, ao lado de conselheiros externos. É desse desenho que parte o movimento mais relevante do momento atual.
Garrido descreveu o presente da companhia como uma inflexão. “Consideramos que estamos abrindo praticamente um terceiro ciclo do nosso trabalho”, afirmou.
O terceiro ciclo fecha um arco que Garrido dividiu em fases. Nos primeiros 15 anos, o grupo criou todas as suas marcas e testou modelos de localização e operação, aprendendo, por exemplo, quais funcionavam em shopping center e quais não.
Na segunda fase, priorizou a expansão das marcas com maior potencial de crescimento, ainda concentrada em São Paulo. Agora, a aposta é levar esse repertório para fora.
Depois de três décadas concentrada em São Paulo, com Campinas operada como uma espécie de cidade satélite e uma única casa no Rio de Janeiro, aberta em 2007 e cuja expansão foi interrompida na pandemia de covid-19, a empresa começa a olhar para o restante do país.
As duas praças prioritárias são Brasília e Belo Horizonte, mercados onde o grupo nunca operou. A estratégia é entrar com uma única casa da Bráz Pizzaria, uma das marcas mais antigas do portfólio, para entender cada mercado antes de levar as demais bandeiras.
“O projeto de Brasília é para o último trimestre deste ano. É uma casa que já está em obra”, disse Garrido. Belo Horizonte vem na sequência, e o grupo também pretende retomar o crescimento no Rio de Janeiro.
Segundo ele, o tamanho do Brasil não comporta um projeto nacional de curto prazo dentro dos parâmetros da companhia.
“Somos um pouco mais conservadores nesse sentido, muito em prol da qualidade do nosso padrão operacional, que é bastante exigente. Então, a gente vai devagar”, explicou.
Operar dez marcas e submarcas tão distintas quanto uma brasserie, uma pizzaria, um botequim e uma coquetelaria exige um desenho próprio de gestão.
“A marca e a empresa pensam de uma maneira mais global e o relacionamento com o cliente e a execução de tudo o que a gente faz é totalmente local”, disse Garrido.
Na prática, princípios de hospitalidade, recrutamento, treinamento e controle de custos valem para todas as casas, num back-office comum.
Mas cada marca mantém estruturas exclusivas de gastronomia, marketing e comunicação, com um gerente criativo de gastronomia dedicado a cada bandeira. “Vamos dizer, 30 a 40% do que é feito no Original é diferente do que é feito no Pirajá”, estimou o sócio. Cada loja, por sua vez, tem gerente, cozinha e equipe próprios, com liberdade para adaptar a execução ao cliente local.
O portfólio múltiplo, segundo ele, nasceu de uma leitura de consumo dos anos 1990, quando não fazia sentido repetir a mesma marca na cidade.
A lógica era capturar o mesmo cliente em momentos diferentes. “O cara que tomava um chopp terça-feira à noite no Original, podia muito bem no sábado à noite ir com a sua família comer uma pizza na Bráz”, contou Garrido.
Segundo o executivo, o modelo de operação da companhia veio dos próprios frequentadores. Sem formação no setor, os sócios passaram a conversar com os clientes que voltavam várias vezes por semana e encontraram um padrão nas respostas.
“Esse mercado é sobre cuidar das pessoas. Não é sobre comida e bebida. Comida e bebida é um combustível para você cuidar bem de um cliente”, disse Garrido.
A Pinati faturou R$ 40 milhões nos últimos 12 meses e projeta elevar a receita para R$ 60 milhões em 2026 e R$ 200 milhões até 2028, apoiada na expansão do mercado de alimentos funcionais.
Para o fundador e CEO da marca paranaense de snacks, Waldemiro Pereira Terceiro, a próxima onda de crescimento do setor, e da empresa, será impulsionada por produtos ricos em fibras, na esteira da popularização dos medicamentos para emagrecimento.
“A próxima tendência serão as fibras, por causa das canetas emagrecedoras. E a Pinati tem condições, por não ser uma empresa de snacks proteicos somente, de trazer esse tipo de linha e essa solução para o consumidor”, disse Terceiro em entrevista à Bloomberg Línea.
Em setembro de 2025, a Hero Brasil, subsidiária do grupo suíço Hero, dono da Queensberry, adquiriu o controle da Super Saúde Nutricional, empresa responsável pela Pinati.
Segundo o executivo, medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro já reorganizaram o consumo em duas frentes — primeiro com a demanda por doces sem açúcar e, mais recentemente, por snacks proteicos — e devem agora abrir espaço para uma terceira categoria voltada ao consumo de fibras.
“As pessoas estão necessitando comer o doce sem açúcar para poder manter o resultado que elas estão fazendo com o investimento na caneta”, afirmou.
A segunda onda, segundo o executivo, é puxada pela necessidade de preservar a massa muscular durante o emagrecimento.
“O movimento do macronutriente proteína também está sendo puxado pela caneta, até porque as pessoas estão perdendo peso e massa magra.”
Os números da Pinati refletem essa tendência. Na categoria de proteína, o volume da marca cresce cerca de 93% ao ano, ante 11% do mercado como um todo, segundo dados da consultoria Scanntech citados pelo CEO.
“A categoria cresce 11%, e a Pinati cresce 93%. Isso mostra que estamos entregando soluções em produtos para o consumidor muito alinhadas ao que ele precisa hoje”, disse.
A proteína já representa a maior fatia do mercado auditado. Na região Sul-Sudeste, responde por 41% do segmento de snacks no canal alimentar monitorado pela Scanntech, à frente de barras de cereal (21%), chocolates (20%) e castanhas (16%). Na Pinati, a categoria responde por 44% do faturamento, seguida por chocolates (30%) e castanhas (26%).
A empresa aposta justamente nessa diversificação para acompanhar as próximas mudanças no comportamento do consumidor. Enquanto concorrentes concentram sua atuação em barras proteicas, a Pinati opera em diferentes categorias de snacks, o que, segundo o CEO, facilita a entrada em novos segmentos, como fibras.
“A gente não atua em uma categoria. Isso nos dá, como marca, uma agilidade para atender os próximos movimentos do comportamento do consumidor.”
A companhia também prepara para este semestre o lançamento de uma nova barra de proteína desenvolvida ao longo de um ano e meio a partir de uma solução criada pelo grupo Hero no exterior. O produto terá, segundo a empresa, metade da gordura e do carboidrato das principais marcas líderes.
Batizada de “Minha Primeira Barra de Proteína”, a estratégia busca ampliar o mercado ao atrair consumidores que ainda não compram esse tipo de produto, principalmente por causa do preço, que varia entre R$ 10 e R$ 15 por unidade nas marcas premium.
A aposta ocorre em meio ao aumento da concorrência no segmento. A marca gaúcha PINC, que recebeu aporte da gestora Shift Capital, lançou neste ano uma linha de barras menores, ricas em fibras e com menos calorias, desenvolvida para consumidores de medicamentos para emagrecimento.
Os relatórios da Scanntech mostram que Bold e Nutrata concentram mais da metade das vendas auditadas de barras proteicas.
A Bold tem preço médio de R$ 13,36 por unidade, enquanto a Nutrata é vendida por R$ 10,29. A Pinati ocupa uma faixa intermediária, com preço médio de R$ 7,39, após reduzir em 32,2% o preço por quilo para ampliar participação no mercado.
Em castanhas e cereais sem açúcar, o cenário é diferente. A Banana Brasil lidera com preços mais baixos em um mercado que recua cerca de 10%, enquanto a Pinati mantém preços mais elevados e continua expandindo vendas, estratégia que, segundo relatório da Scanntech, preserva receita mesmo em um ambiente mais desafiador.
O crescimento do segmento também atraiu grandes grupos internacionais. Em setembro de 2025, o grupo suíço Hero, dono da Queensberry e líder em barras na Europa, comprou o controle da Pinati para transformá-la em sua plataforma de expansão na América Latina. Neste ano, a Ferrero, dona de Nutella e Kinder, adquiriu a brasileira Bold.
A consolidação do mercado inclui ainda a M. Dias Branco, que comprou a Fit Food em 2021 e a Jasmine em 2022, e a gestora Moriah Asset, que adquiriu uma participação de 30% na Solo Snacks. Em poucos anos, companhias globais, empresas listadas e fundos de investimento passaram a disputar espaço no segmento de snacks.
Fundada em 2013 em Campo Largo, na região metropolitana de Curitiba, a Pinati levou 12 anos para atingir faturamento de R$ 40 milhões, crescendo em média 30% ao ano. Terceiro permanece como sócio minoritário e CEO após a venda do controle para a Hero, enquanto a auditoria da companhia passou a ser realizada pela EY.
“A gente está saindo da adolescência e indo para a vida adulta”, disse o executivo.
O próximo desafio será ampliar a distribuição nacional: a marca ainda tem presença limitada em São Paulo, Centro-Oeste e Nordeste, regiões nas quais pretende acelerar a expansão usando a estrutura comercial da Hero.
Barra da Pinati em vending machine do metrô de São Paulo: rótulo destaca 14g de proteína sem adição de açúcares, ao lado do selo de alto em gordura saturada exigido pela Anvisa
O setor bancário da América Latina registrou lucros de US$ 88,9 bilhões em 2025, um aumento de 31% em relação ao ano anterior, impulsionado por um ambiente de taxas de juros elevadas, crescimento do crédito em termos nominais e a valorização de várias moedas da região, de acordo com um relatório da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban).
Em uma nota compartilhada com a Bloomberg Línea, a Federação destacou váriosfatores, como a prudência dos gestores das instituições bancárias, políticas de concessão de crédito “baseadas em evidências” e na previsão do risco financeiro, linhas de produtos claras e “um acompanhamento cuidadoso da carteira que evite possíveis dores de cabeça”.
“Isso será sustentável se a economia continuar crescendo, se a renda das famílias se mantiver e se, além disso, o investimento privado encontrar melhores incentivos para se concretizar”, afirmou Felaban na nota. Caso contrário, “é previsível que esses resultados se moderem. O setor financeiro e bancário nunca fica alheio ao que ocorre com a economia”.
Em 2025, o Brasil liderou amplamente a região com um lucro líquido acumulado de US$ 45,8 bilhões, seguido pelo México, com US$ 17,1 bilhões.
Mais atrás ficaram o Chile (US$ 5,8 bilhões), o Peru (US$ 4,2 bilhões) e a Colômbia (US$ 3,8 bilhões), consolidando-se como os cinco mercados com maiores lucros líquidos acumulados entre os países analisados.
Em seguida, vêm o Panamá (US$ 2,6 bilhões), a Argentina (US$ 2,1 bilhões), a República Dominicana (US$ 1,2 bilhão), a Guatemala (US$ 1,2 bilhão) e o Uruguai (US$ 1,1 bilhão)
O ano passado proporcionou um ambiente especialmente favorável para a geração de receitas do setor bancário da América Latina, onde o Brasil, o México e o Chile concentraram 77% dos lucros líquidos, segundo o relatório.
A desinflação avançou mais lentamente do que o esperado, os bancos centrais reduziram as taxas de juros menos que o previsto e o crédito continuou crescendo em termos nominais.
Isso permitiu que os bancos mantivessem uma alta rentabilidade sobre seus ativos, enquanto o custo de uma parte significativa de seus depósitos se ajustou mais lentamente.
De acordo com o relatório da Felaban, a independência dos bancos centrais também continua sendo um pilar para preservar a estabilidade macroeconômica e reduzir a probabilidade de episódios de inflação elevada.
“Em uma amostra comparável de grandes bancos, a margem líquida de juros da América Latina atingiu 5,5%, contra 3% dos bancos emergentes, excluindo a China”, disse à Bloomberg Líneao economista do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), Jonathan Fortun. “Essa diferença é grande demais para ser apenas cíclica”.
Fortun afirma que a região apresenta baixa penetração de crédito, mercados relativamente concentrados, altos custos para mudar de banco e uma base de depósitos predominantemente local.
“Tudo isso permite manter margens superiores às de outras regiões. O paradoxo é que o baixo nível de penetração financeira não impede a rentabilidade bancária, mas, ao contrário, ajuda a explicá-la”, comentou o analista do IIF.
Além disso, a valorização de várias moedas em relação ao dólar ampliou o crescimento dos lucros expressos nessa moeda.
O aumento registrado em 2025 reflete os lucros consolidados em dólares, incorporando, portanto, tanto o crescimento dos lucros em moeda local quanto a valorização de várias moedas da região ao longo de 2025.
Essa mesma variação cambial explica parte do aumento de 18% nos ativos bancários medidos em dólares, segundo a Fortun.
Em moeda local, os maiores crescimentos ano a ano nos lucros foram observados na Colômbia (71%), no Equador (43%) e na Bolívia (42%), ao passo que o Uruguai foi o único país a registrar resultados negativos nesse período.
Para Fortun, esse resultado deve ser interpretado com cautela.
A análise aponta que o aumento de 71% nos lucros na Colômbia representa, em grande parte, uma normalização após dois anos de fraca performance e provisões extraordinárias.
“Nesse contexto, a recente melhora na qualidade dos ativos e as taxas novamente elevadas permitem que as margens continuem se expandindo ao longo de 2026”, disse ele.
No caso da Bolívia, o aumento de 42% no lucro não refletiria uma expansão equivalente da intermediação financeira.
Com taxas de juros ativas reguladas, alocações obrigatórias de carteira, escassez de moeda estrangeira e fraco crescimento real do crédito, boa parte da geração incremental de receitas provém de comissões, serviços de pagamento, operações transacionais e atividades relacionadas ao acesso e à gestão de moeda estrangeira.
Segundo o analista do IIF, os bancos podem apresentar lucros nominais crescentes ao mesmo tempo em que o canal tradicional de intermediação se enfraquece.
Nesse contexto, “a rentabilidade contábil diz pouco sobre a capacidade do sistema de direcionar a poupança para o crédito produtivo”.
Em outros países da região, como a Argentina, as variações nos lucros continuam sendo determinadas pela taxa de câmbio e pela contabilidade em condições de alta inflação. Por isso, “o crescimento interanual do lucro revela mais sobre o ponto do ciclo do que sobre a solidez relativa de cada sistema”, observou ele.
Retorno sobre ativos e patrimônio líquido
A Felaban explica que a rentabilidade sobre os ativos (ROA) do setor bancário latino-americano ficou em média em 1,54% no final de 2025, acima do trimestre anterior (1,42%) e do nível observado um ano antes (1,44%).
Peru (2,5%), República Dominicana (2,2%) e Paraguai (2,2%) lideraram esse indicador na região.
Em contrapartida, Costa Rica, Honduras e Argentina apresentaram os níveis mais baixos (0,8%, 1% e 1%, nessa ordem).
Enquanto isso, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) do setor bancário regional ficou em média em 14,2% no ano de 2025, acima do trimestre anterior (13,9%) e do nível registrado um ano antes (13,9%).
A Argentina, embora tenha mantido um resultado positivo, foi o único país com ROE de um único dígito, enquanto os sistemas bancários da República Dominicana, do Uruguai e do Peru foram os que mais se destacaram (19,3%, 18,4% e 17,7%, respectivamente).
Fortun afirma que o mesmo contexto que impulsionou os lucros também começou a exercer pressão sobre a qualidade da carteira.
Assim, as altas taxas de juros, que ampliaram as margens financeiras, reduziram, ao mesmo tempo, a capacidade de pagamento dos devedores.
O relatório da Felaban indica que a carteira de créditos vencidos do setor bancário regional aumentou 46% em relação ao mesmo período do ano anterior até o quarto trimestre de 2025, totalizando US$ 94,5 bilhões.
Com isso, o indicador agregado de inadimplência subiu para 2,71%, contra 2,47% no ano anterior.
Fortun afirma que a concentração regional dos lucros é, acima de tudo, uma questão de tamanho das economias.
O Brasil e o México, as duas maiores economias da região, concentram cerca de sete em cada dez dólares dos ativos do sistema financeiro regional.
Para a Felaban, os sistemas financeiros e bancários têm um tamanho relativo que está em harmonia com o de cada economia, o nível de desenvolvimento financeiro, o nível de sofisticação dos serviços financeiros, o consumo das famílias, a formação bruta de capital fixo e o grau de aprofundamento dos mercados de capitais.
No Brasil, as altas taxas de juros ainda sustentam as margens, mas o aumento do custo de risco começa a se concentrar no setor bancário público e no crédito agropecuário.
“A resposta está se refletindo na composição do balanço, com menor apetite por crédito corporativo e uma migração para segmentos mais defensivos, como folha de pagamento e hipotecas”, afirmou Fortun.
No México, o crédito continua crescendo, principalmente devido ao consumo, mas os lucros perderam impulso durante o segundo trimestre, à medida que as provisões aumentaram e as margens se moderaram, de acordo com o IIF.
Para o IIF, a questão para 2026 não é se o setor bancário latino-americano continuará sendo lucrativo, mas de onde virá essa lucratividade e quanto deverá ser reservado para cobrir a deterioração acumulada.
“A solvência agregada de 16,8%, as margens ainda elevadas e o financiamento predominantemente doméstico reduzem o risco de uma crise sistêmica”, afirmou Fortun. “No entanto, parece improvável que se repita um crescimento dos lucros de 31%”.
Segundo o analista, o lucro agregado terá cada vez menos peso, enquanto os indicadores antecipados, a formação de novas inadimplências, o custo de risco, as provisões, a composição da carteira de crédito, o custo dos depósitos e a evolução do capital terão cada vez mais importância.
O cenário central do IIF é uma normalização dos lucros, com uma dispersão muito maior entre países, carteiras e modelos de financiamento.
Em termos regionais, existem três trajetórias possíveis.
Uma flexibilização monetária ordenada reduziria as margens, mas aliviaria o custo do crédito, permitiria recuperar os volumes e estabilizaria a inadimplência.
Para Fortun, seria um cenário de menor crescimento dos lucros, mas de melhor qualidade.
Enquanto isso, um cenário de inflação persistente manteria as margens elevadas por mais alguns trimestres, embora à custa de um aumento na inadimplência e nas provisões. “Esse é provavelmente o risco mais relevante, pois prolongaria a aparência de solidez antes de prejudicar o resultado final”.
Em um cenário de recessão acompanhada por desvalorizações cambiais, isso resultaria no ajuste mais severo, ao combinar menor oferta de crédito, perdas de qualidade e uma queda automática nos lucros medidos em dólares; no entanto, esse não é o cenário principal.
De qualquer forma, “as informações disponíveis para 2026 apontam para uma desaceleração, não para uma reversão. Para uma amostra de grandes bancos regionais, o crescimento do crédito, medido em dólares, cairia de 27% em 2025 para cerca de 17% em 2026, um número ainda elevado, mas fortemente influenciado pelas taxas de câmbio”, afirmou Fortun.
As projeções do analista do IIF indicam que a rentabilidade antes das provisões diminuiria ligeiramente, enquanto o custo do risco continuaria bem acima da média de outras regiões.
O capital de nível 1 também poderia cair cerca de meio ponto percentual, não por causa de prejuízos, mas devido ao crescimento dos ativos ponderados pelo risco, aos dividendos e à nova regulamentação. “A reserva continua sendo suficiente, mas já não está aumentando”, concluiu.
Cédulas de reais: o aumento dos lucros dos bancos em LatAm foi impulsionado por taxas de juros elevadas, crescimento nominal do crédito e valorização de várias moedas da região. (Foto: Andre Borges/Bloomberg)
A Hapvida (HAPV3), maior operadora de saúde do Brasil, coloca sua nova gestão à prova em um segmento que sempre esteve fora de seu modelo de negócio. A partir deste sábado (1º), a companhia passa a oferecer planos premium sob a marca NotreDame Saúde, apoiados em hospitais de terceiros como Sírio-Libanês e Albert Einstein, uma aposta em rede credenciada por parte de uma empresa que cresceu sendo dona dos próprios hospitais.
O movimento é o primeiro de peso sob Luccas Adib, que assumiu a presidência executiva neste ano após um processo de sucessão que tirou o comando das mãos do fundador Candido Pinheiro e passou a cadeira de Jorge Pinheiro ao conselho.
Ele estreia em um momento em que a ação da Hapvida já perdeu 23% em 2026 e 66% em 12 meses, e a companhia chega a poucos dias de um balanço que o mercado espera fraco, com nova perda de beneficiários.
O que estreia em agosto, porém, é menos um lançamento e mais um rebranding, mas sem nenhum produto novo entrar em circulação.
As 350 mil vidas que já contratam as linhas mais caras da Hapvida, dos planos Advance aos Infinity, apenas passam a ser identificadas pela nova marca, sem qualquer mudança de contrato, carência, preço ou número de carteirinha.
O número reúne apenas planos de saúde, sem odontologia, e é nacional, já que os contratos corporativos dessas faixas têm beneficiários espalhados por outros estados, embora a venda no varejo comece por São Paulo e pelo Rio de Janeiro.
O que muda de imediato é a camada de serviço. Os clientes ganham site, aplicativo e atendimento telefônico próprios, com um concierge que segue restrito à linha Infinity e cuja abrangência nos planos novos ainda não foi definida.
Os beneficiários começaram a ser avisados por e-mail e o aviso segue por WhatsApp, SMS e notificação no aplicativo, e os canais antigo e novo vão funcionar em paralelo até a conclusão da migração, sem prazo fechado.
O reembolso, apresentado como um dos atrativos do modelo premium, também não é novidade: já existia nessas linhas, com prazos que vão de três a sete dias úteis para consultas e exames simples e chegam a 30 dias úteis nos demais procedimentos.
Os hospitais de ponta que a Hapvida exibe no lançamento tampouco são conquista recente. A companhia confirma que a lista, que inclui HCor, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa e o mineiro Mater Dei, além dos laboratórios Fleury (FLRY3) e da rede Dasa (DASA3), que inclui a Alta Diagnósticos, é formada por credenciamentos que já mantinha, sem qualquer exclusividade contratual.
O Mater Dei (MATD3), por exemplo, entra na relação porque já atende contratos corporativos em algumas praças, e não por decisão de varejo em Minas Gerais.
A oferta hospitalar, informa a operadora, encolhe conforme cai a categoria do plano, mas a Hapvida não diz quais hospitais entram em cada faixa, a informação comercialmente mais sensível do lançamento e a que fica em aberto.
Os planos que seriam de fato novos, batizados de Prata a Diamante, ainda não saíram da prancheta: estão em desenho, sem data nem preço fechados, com estreia projetada para setembro.
A expansão para além de São Paulo e Rio, que a companhia estuda levar a Minas, Pernambuco e Ceará, depende de análise futura de mercado e de rede credenciada em cada praça. Até lá, o que a Hapvida tem para vender no topo é a mesma carteira de sempre, com outra etiqueta.
A distância entre esse topo e o negócio principal da companhia é larga. O plano mais completo em oferta hoje custa, em média, R$ 1.500 por mês, enquanto o ticket médio de saúde da Hapvida girou em torno de R$ 312 no trimestre, na conta do Santander. É esse fosso de preço que a operadora quer explorar, num terreno em que a margem vem da mensalidade alta, e não do volume de vidas que sustenta seu modelo popular.
Resultado trimestral
A troca de marca chega em momento desafiador. No próximo dia 12 de agosto, a Hapvida abre os números do segundo trimestre, e o Santander informa que espera um período ruim: mais 45 mil beneficiários de saúde perdidos, sinistralidade em alta e margem operacional recuando de dois dígitos para pouco mais de 7%, corroída por despesas com disputas judiciais.
A projeção do banco para o resultado operacional está 8% abaixo do consenso, e a recomendação para a ação é neutra, com preço-alvo de R$ 11,50 ante um fechamento de R$ 11,01 na véspera, o que embute um potencial de valorização de menos de 5%.
O banco, que declara ter prestado serviços de banco de investimento à Hapvida no último ano, credita a pressão ao desempenho comercial fraco, às taxas regulatórias e à judicialização, e coloca a operadora entre os piores nomes do setor no trimestre.
No mesmo período, as concorrentes que já vivem de rede credenciada avançam onde a Hapvida recua: o Santander projeta 75 mil vidas a mais na BradSaúde (SAUD3) e outras 40 mil na SulAmérica.
Em 1º de agosto, 350 mil clientes da Hapvida trocam de marca sem mudança de contrato, preço ou carência; os planos de fato novos ficam para setembro (Dado Galdieri/Bloomberg)
Seis anos após ser criado durante a pandemia, o Movimento União BR alcançou R$ 530 milhões captados junto à iniciativa privada para ações de resposta a desastres e prepara uma expansão da atuação para projetos de adaptação climática.
A organização reúne recursos financeiros e apoio operacional de empresas privadas e coordena sua destinação com organizações sociais e órgãos públicos responsáveis pelo atendimento às populações afetadas. Entre os parceiros, estão grandes empresas nacionais como Itaú, Itaúsa, Petrobras, Neoenergia e Gerdau.
Criado para financiar equipamentos de saúde durante a pandemia de covid-19, o União BR ampliou posteriormente sua atuação para respostas a desastres, principalmente os relacionados a eventos climáticos. Segundo a organização, cerca de 34 milhões de pessoas e 3 mil organizações já foram beneficiadas em operações como as enchentes no Rio Grande do Sul e as queimadas no Pantanal.
Agora, o foco passa a incluir projetos de adaptação climática, como a construção de infraestrutura mais resiliente, o reassentamento de famílias em áreas seguras e o desenvolvimento de protocolos de preparação para emergências, segundo a cofundadora Tatiana Monteiro de Barros.
“As catástrofes, infelizmente, ainda vão acontecer, e vamos continuar ajudando nas emergências. Mas, para que o dano seja menor, precisamos de soluções mais criativas, com menor uso do recurso, com foco na adaptação”, afirmou a empresária em entrevista à Bloomberg Línea.
A estratégia começou a ganhar forma durante a reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024. Em vez de concentrar recursos apenas na recuperação de escolas e hospitais, a organização passou a testar projetos voltados à prevenção de novos desastres.
Em parceria com o governo estadual, prefeituras e a construtora Steel Corp, o União BR viabilizou a construção de 116 moradias em áreas fora de risco e projetadas para resistir a eventos climáticos. As primeiras unidades 50 foram entregues em fevereiro deste ano na cidade de Muçum (RS), que teve 80% do território inundado nas enchentes que devastaram o estado em 2024.
Um modelo semelhante será replicado no Paraná. Após um tornado atingir a cidade de Rio Bonito do Iguaçu em novembro do ano passado, o União BR pretende construir outras 50 moradias com telhados projetados para suportar ventos mais intensos, novamente em parceria com a Steel Corp, o governo estadual e a Defesa Civil.
“Os recursos para reconstrução são limitados. Então, nosso foco é realizar muitos estudos para aproveitar ao máximo esse recurso e entregar um bom resultado. Mostrar que é possível construir e reconstruir de forma diferente”, disse Monteiro de Barros.
Em 2025, o União BR firmou um termo de cooperação com a Defesa Civil de São Paulo para desenvolver projetos de preparação climática. Segundo a fundadora do União BR, a organização negocia uma parceria semelhante com a Defesa Civil de Minas Gerais.
“É uma das defesas civis mais preparadas do país para emergências climáticas, com monitoramento de mais de 300 barragens”, afirmou.
A empresária criou o União BR ao lado da irmã, Marcella Monteiro de Barros, em 2020 a partir de um grupo de WhatsApp organizado para arrecadar recursos destinados à compra de equipamentos de saúde durante a pandemia. A rede de contatos formada por empresários ajudou a estruturar as primeiras campanhas da organização.
Hoje, as atividades da organização são financiadas por contribuições recorrentes de mantenedores e também doações específicas para cada desastre.
Entre as iniciativas permanentes está um fundo pré-financiado mantido em parceria com a Zurich Santander – joint venture entre a seguradora suíça Zurich e o Santander –, a Zurich Foundation e a Zurich Seguradora. O modelo prevê o depósito antecipado dos recursos de cada exercício para permitir respostas mais rápidas às emergências.
Neste ano, o União BR também lançou, em parceria com a BrazilFoundation, um fundo voltado à captação internacional de recursos para projetos de adaptação climática e resposta a desastres, com foco nos Estados Unidos. Segundo a organização, as doações feitas por contribuintes americanos podem ser deduzidas do imposto de renda, o que amplia o potencial de captação.
Além da atuação no Brasil, a organização afirma já ter participado de operações em cerca de 12 países, em parceria com o Itamaraty e a Agência Brasileira de Cooperação, apoiando ações em Moçambique, Ucrânia, Romênia, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru, Espanha, Polônia, Mianmar.
Casas reconstruídas em Muçum (RS), município que teve 80% do território inundado nas enchentes em 2024: organização negocia acordos com defesas civis estaduais para desenvolver projetos de adaptação climática (Foto: Divulgação)
A Multiplan (MULT3) reconheceu no segundo trimestre de 2026 cerca de R$ 253 milhões em créditos de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) ao encurtar de 300 para 24 meses o prazo de apropriação desses valores.
O CFO da companhia, uma das maiores administradoras de shopping centers do Brasil voltados às classes A e B, atribui a decisão ao fim das duas contribuições, previsto para o encerramento deste ano devido à reforma tributária.
“Nós tivemos aqui o crédito de PIS e Cofins registrado na companhia que era apropriado em 300 meses, ou 25 anos, e que passou a ser apropriado em 24 meses”, disse Armando d’Almeida Neto, vice-presidente e diretor financeiro da Multiplan, em entrevista à Bloomberg Línea.
A revisão da metodologia foi aprovada em maio de 2026, e os cálculos foram feitos até março de 2026. Não há menção explícita à reforma tributária no relatório do segundo trimestre. Indagado sobre o que motivou a antecipação, o executivo citou o prazo de validade da reforma.
“Esse crédito, quando chega no final do ano com a reforma tributária, ele se perde”, explicou d’Almeida Neto, em referência ao cenário descartado pela companhia, no qual o prazo de 300 meses seria mantido.
O dispositivo citado pela companhia permite que empresas optem por descontar em 24 meses os créditos das duas contribuições sobre edificações incorporadas ao ativo imobilizado, em vez de acompanhar a depreciação do bem, que para imóveis costuma ser calculada em 25 anos.
A Multiplan encerrou junho com 20 shopping centers e duas torres corporativas, somando 956.482 metros quadrados de área bruta locável.
O PIS e Cofins serão extintos em 2027, quando entra em vigor a cobrança efetiva da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), criada pela Emenda Constitucional 132, de 2023, e regulamentada pela Lei Complementar 214, de 2025.
Este ano funciona como fase de teste, em que os novos tributos são destacados nas notas fiscais sem recolhimento efetivo, embora a contabilidade das empresas já precise contemplar a mudança.
O efeito do reconhecimento está visível na demonstração de resultados. A linha de tributos sobre receitas, que no segundo trimestre de 2025 deduziu R$ 47,2 milhões, aparece agora com sinal positivo de R$ 208,9 milhões.
Por isso a receita líquida do trimestre, de R$ 846,8 milhões, superou a receita bruta, de R$ 637,9 milhões.
No balanço patrimonial, a conta de impostos e contribuições sociais a compensar saltou para R$ 235,2 milhões no ativo circulante e passou a registrar R$ 127,7 milhões no não circulante, valor que não existia em março.
“Isso impacta o caixa da companhia, porque se estou compensando o imposto mais rápido, vou pagar menos imposto”, disse o executivo.
O crédito responde por parte dos recordes divulgados. O Ebitda somou R$ 699,2 milhões, alta de 52%. Excluídos os R$ 253 milhões, o indicador ficaria em torno de R$ 446 milhões, ante R$ 460,1 milhões um ano antes.
O lucro líquido no segundo trimestre cresceu 61,7%, para R$ 427,4 milhões, e o fluxo de caixa operacional avançou 76,3%, para R$ 515,7 milhões.
Inadimplência
Na mesma página em que informa o crédito tributário, o relatório da Multiplan traz um gráfico de inadimplência líquida e margem NOI sob o título “a recorrência do não recorrente”. A expressão se refere à inadimplência, segundo o executivo.
Ele afirma que analistas classificam como não recorrente a recuperação de valores atrasados e discorda desse critério, já que a inadimplência entra no resultado quando é despesa.
“Quando a gente consegue recuperar [a inadimplência], eu também não vejo isso como não recorrente”, disse o CFO.
“O que é considerado não recorrente passou a acontecer com bastante frequência. Por isso que a gente chamou de a recorrência do não recorrente”, completou.
A inadimplência líquida ficou negativa em 1,2% no trimestre, o oitavo indicador negativo em 12 trimestres.
Já a margem do NOI (Resultado Operacional Líquido) chegou a 95,9%, recorde para um segundo trimestre, depois de 89,7% no primeiro trimestre, quando a inadimplência líquida havia sido positiva em 2,4%. O NOI somou R$ 529,9 milhões, alta de 6,7%.
“Não acho que o 94%, 95% é um novo patamar”, disse o executivo sobre a margem.
Efeito da expansão do Morumbi
Na operação, as vendas dos lojistas somaram R$ 6,75 bilhões, alta de 7,7%, mesmo com quatro dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo em junho, quando os shoppings funcionaram em horário reduzido.
O MorumbiShopping vendeu R$ 931,8 milhões, avanço de 25%, no primeiro intervalo trimestral completo após a sexta expansão, com vendas nas mesmas lojas de 9,4% e alta de 19,9% no fluxo de veículos.
“O Morumbi todo crescer, ser impactado positivamente, absolutamente não nos surpreendeu. Foi planejado para isso, foi parte da nossa estratégia”, afirmou d’Almeida Neto.
Espaço para reajuste de locação
A receita de locação cresceu 3,2%, para R$ 441,3 milhões, abaixo do IPCA de 4,6% em 12 meses, com efeito de reajuste do IGP-DI de apenas 1,4% no período.
O custo de ocupação dos lojistas caiu para 12,3%, o menor nível para um segundo trimestre desde a abertura de capital, em 2007. Perguntado se sobra espaço para elevar aluguéis no próximo ciclo, o executivo respondeu que sim.
“Claro que sim, claro que sim”, disse.
O investimento em revitalizações recuou 43,8%, para R$30,8 milhões, equivalente a 4,6% do NOI.
“O capex de revitalização tem diminuído porque nós completamos um ciclo grande de investimentos”, explicou d’Almeida Neto, ao citar o plano anunciado em 2023.
A companhia estuda quatro novas expansões, no VillageMall, BH Shopping, Park Shopping São Caetano e Jundiaí Shopping, e prepara um projeto de uso misto de 72 mil metros quadrados ao lado do VillageMall. A alavancagem encerrou junho em 1,93 vez o Ebitda de 12 meses, ante 2,13 vezes em março.
Análise do sell side
O JPMorgan calculou em R$ 265 milhões o crédito de PIS e Cofins reconhecido no trimestre, acima dos R$ 253 milhões informados pela companhia em maio, diferença que o banco atribuiu à inclusão dos números de junho no cálculo.
Excluídos esse valor e o efeito no imposto de renda, estimado pela instituição em R$ 37 milhões de caixa e R$ 53 milhões em diferido, o AFFO (fundos das operações ajustados) teria ficado em R$ 288 milhões, 5% acima da projeção do banco.
O analista Marcelo Motta classificou o período como mais um trimestre contaminado por itens não operacionais e manteve recomendação overweight, equivalente a compra, para MULT3.
Entre os pontos positivos, Motta destacou a inadimplência líquida negativa em 1,2%, ante 0,2% positivos um ano antes, indicador que reverte em parte a alta do primeiro trimestre, quando havia chegado a 2,4%.
O banco também citou as vendas dos lojistas de R$ 6,8 bilhões, com alta de 8% na comparação anual, a receita de estacionamento de R$ 99 milhões, 13% acima da estimativa da casa e 17% superior à de um ano antes, e o resultado financeiro líquido negativo em R$ 125 milhões, 15% melhor do que o projetado.
Do lado negativo, o banco apontou a receita de locação de R$ 441 milhões, 3% abaixo da própria estimativa, e a desaceleração das vendas e dos aluguéis nas mesmas lojas, entre 4,1% e 4,3% na comparação anual, ante intervalo de 5,1% a 6,9% no trimestre anterior.
Motta também mencionou o ritmo fraco de comercialização dos projetos residenciais do Golden Lake, com apenas 1% do Lake Victoria vendido no período, cerca de R$ 10 milhões em VGV (valor geral de vendas).
Com o papel cotado a R$ 28,23 no fechamento de 30 de julho, MULT3 negocia a 9,1 vezes o preço sobre FFO estimado para 2027, ante 8 vezes da Iguatemi (IGTI11) e 8,1 vezes da Allos (ALOS3).
Para o analista Felipe Mesquita, do BB Investimentos, a apropriação de créditos tributários inflou os números da Multiplan de maneira concentrada no trimestre e exigem atenção e ajustes nas leituras ano contra ano ao longo de 2027.
“Contudo, isso não altera a percepção de que a companhia atravessa um momento operacional de destaque no setor, com gradativa desalavancagem e redução no custo de endividamento”, destacou Mesquita, reiterando a recomendação de compra e preço-alvo de R$ 35 para o final de 2026.
-Texto atualizado às 17h para incluir análise do BB Investimentos
A 6ª expansão no MorumbiShopping, localizado em São Paulo, resultou em um aumento de 25% nas vendas dos lojistas no segundo trimestre e de 19,9% no fluxo de veículos
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A Fila tem invertido o fluxo tradicional de importação de tecnologia na indústria de artigos esportivos.
Sob a gestão do Grupo Dass, gigante calçadista que opera a licença da marca no país desde o começo dos anos 2000, a subsidiária brasileira tem deixado de ser apenas uma distribuidora de tendências globais para se transformar em um polo de propriedade intelectual.
Por trás do movimento está a atuação que a unidade brasileira desenvolveu no mercado de corrida, esporte que reúne mais de 15 milhões de praticantes nas ruas do país, por meio da fabricação de tênis.
De origem italiana, fundada no começo do século passado na província de Biella, no norte do país, a Fila pertence desde 2007 à Fila Korea, uma subsidiária sul-coreana que comprou a marca global e todas as demais subsidiárias.
A aproximação estratégica do Brasil com a matriz coreana e com o centro global de desenvolvimento na China intensificou-se há cerca de dois anos, capitaneada pelos resultados locais.
A plataforma de amortecimento Sky Foam, construída ao longo de dois anos e lançada no começo de 2026 com o modelo SpeedRocker, foi a primeira iniciativa desenvolvida em conjunto pelas duas operações.
As ações globais operam em alta nesta sexta-feira (31), impulsionadas pela recuperação das fabricantes de chips e pelo forte desempenho da Amazon, que avançava 12% após divulgar resultados acima das expectativas.
- Desarmamento do Hamas. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que foi alcançado um entendimento para o desarmamento do grupo, etapa que abriria caminho para um novo governo palestino em Gaza. O plano, porém, enfrenta resistência do Hamas, que condiciona o desarmamento à saída de Israel de Gaza.
- BP avalia venda dos ativos no Mar do Norte. A petroleira iniciou um processo para promover sua operação na região com vistas a uma possível venda, como parte da revisão de portfólio liderada pela CEO Meg O’Neill. A Bloomberg News noticiou em maio que a empresa estava considerando a venda da unidade.
- Tesla estuda separar operação. A montadora estaria estudando uma cisão de seus negócios no país como etapa para viabilizar uma eventual fusão com a SpaceX, segundo o Wall Street Journal. Elon Musk disse que se trata de uma “notícia falsa”, enquanto a Tesla China também negou a reportagem.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
A entrada de novos medicamentos para perda de peso no mercado brasileiro não vai se refletir imediatamente em redução no preço de compra das canetas com semaglutida. O avanço das novas marcas depende da negociação com as redes de farmácia e da prescrição médica, não do balcão, segundo avaliação de analistas do setor.
A limitação decorre do fato de que a regra definida pela Anvisa, a agência sanitária brasileira, ao registrar na quarta-feira (29) cinco novos medicamentos do tipo, não permite troca automática de um remédio por uma opção genérica mais barata.
A lei brasileira permite que pacientes possam trocar remédios por genéricos no balcão das farmácias por medicamentos que comprovaram equivalência a um produto de referência. Mas, para os cinco medicamentos com semaglutida que a Anvisa acaba de liberar, a regra não se aplica e não pode haver troca automática. Cada um deles entrou como medicamento novo, com registro individual, publicado no Diário Oficial da União, e a regra de troca não se aplica.
Segundo a Anvisa, as cinco canetas usam semaglutida obtida por via sintética e foram registradas por comparação com o Ozempic, produto biológico da Novo Nordisk (NVO), para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado.
Joseph Giordano, analista do JPMorgan responsável pela cobertura de produtos farmacêuticos e varejo de medicamentos no Brasil, escreve que a ausência de intercambiabilidade automática significa que a categoria ainda não é uma “full generic commoditization”, ou seja, ainda não se tornou um mercado de produto sem marca disputado só por preço.
A competição inicial, na leitura dele, se dá por prescrição, marca, preço e disponibilidade, o que preserva economia melhor ao fabricante e dá poder de negociação às redes de maior escala.
Para o JPMorgan, as redes de farmácia são as primeiras beneficiadas, porque mais fornecedores disputando prateleira melhoram desconto, bonificação por volume, prazo de pagamento e verba promocional.
Já o Citi aponta que o histórico recente não sustenta esse otimismo: o mercado potencial cresceu pouco, e o ganho de margem bruta permanece limitado.
A divergência não é sobre volume. Os dois bancos concordam que a categoria cresce. A discordância é sobre quem fica com a margem desse crescimento, e a resposta começa no desenho regulatório do registro.
Performance do Ozivy
Entre os novos medicamentos está o Semavy, da Cosmed sob a marca Mantecorp, do grupo Hypera (HYPE3), indicado para diabetes tipo 2 e prometido nas farmácias em até dois meses. É o maior número de aprovações de análogos de GLP-1 concedido de uma só vez pela agência.
O mercado brasileiro tem um caso para comparar. O Ozivy, da EMS, primeira semaglutida sintética registrada no país, chegou às farmácias em 15 de junho, cerca de um mês depois da aprovação, prazo mais curto do que as projeções feitas agora para as cinco novas marcas.
A EMS, de capital fechado, afirma que sua estratégia não é promover troca imediata entre marcas, e sim ampliar o acesso ao tratamento, e sustenta que a decisão terapêutica cabe ao médico.
A companhia cita projeções da Close-Up, empresa de dados do setor farmacêutico, que apontam crescimento de 28% na demanda pela molécula em julho e colocam o Ozivy como sexta maior marca da indústria no segmento de prescrição médica.
São números de julho ainda em projeção, fornecidos pela empresa. A EMS não divulgou a participação de mercado do produto. Como referência de preço, o Citi cita o Ozivy Combo a cerca de R$ 333 por caneta.
Giordano projeta que mais fornecedores e mais apresentações tornam o tratamento mais acessível e ampliam uma categoria de tíquete alto e uso contínuo. Na conta dele, isso se traduz em mais lucro bruto e, possivelmente, em margem percentual maior.
O relatório cita como principais afetados a RD Saúde (RADL3), com recomendação equivalente a compra para suas ações, a Pague Menos (PGMN3), abaixo da média do setor, e a Panvel (PNVL3), sem recomendação atribuída pelo JPMorgan.
Leandro Bastos e Renan Prata, do Citi, reconhecem que volume e margem sobre o custo tendem a favorecer o varejo ao longo do tempo, mas condicionam o efeito. O crescimento tímido do mercado potencial e o aumento limitado da margem bruta observados até aqui, escrevem, alimentam incerteza sobre a rentabilidade de cada unidade vendida.
A diferença está no ponto de partida. O JPMorgan mede o poder de barganha que a rede ganha com mais gente disputando espaço. O Citi mede o que sobrou de margem nas rodadas anteriores de entrada de concorrentes.
Erosão projetada para os preços
Nenhum dos dois bancos espera que o preço caia por força de regra. O Citi trata a erosão contínua de preços como risco evidente de rentabilidade. Giordano condiciona uma queda mais rápida a mudança regulatória: a Anvisa passou a permitir troca clinicamente supervisionada entre biossimilares que compartilham o mesmo comparador, regra que hoje não alcança a semaglutida sintética.
Estendê-la às apresentações sintéticas aceleraria a queda de preço, favorecendo o varejo e reduzindo a vantagem dos fabricantes.
Os prazos também convergem. O JPMorgan estima de 30 a 60 dias até o mercado; o Citi, cerca de dois meses; a Hypera, até dois meses para o Semavy.
Duas canetas ficaram com o mesmo grupo: Zempneo, pela Brainfarma, e Semavy, pela Cosmed. As outras são Owozy, da Ávita Care, Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil, e Orsema, da Ranbaxy.
O Citi calcula que a entrada em GLP-1 pode acrescentar de 3% a 5% ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização da Hypera, possibilidade que segue ignorada pelo mercado.
O JPMorgan considera o desenvolvimento estrategicamente relevante e insuficiente para alterar estimativas sobre a Hypera. Faltam data de lançamento, preço aprovado pela CMED, órgão que fixa o teto de preço de medicamentos no Brasil, origem do princípio ativo e o posicionamento de uma marca da companhia em relação à outra.
“Queremos garantir que mais brasileiros possam iniciar e, principalmente, manter seu tratamento com um produto de altíssima qualidade a um preço justo”, afirma Breno Oliveira, presidente da Hypera Pharma, em comunicado. A empresa não informou o preço submetido à CMED.
Bastos e Prata acrescentam um ponto: investidores podem questionar as implicações de a Sun Pharma (SUNPHARMA), parceira de fabricação da Hypera, ter obtido registro próprio.
O Citi trata Seemasun e Orsema como produtos da mesma companhia indiana. A Ranbaxy é uma farmacêutica indiana de genéricos que pertence ao grupo Sun Pharma e cujos produtos são distribuídos em redes brasileiras, entre elas a Drogasil, da RD Saúde. Se confirmado, cinco marcas correspondem a uma base de fabricantes mais estreita do que sugere.
A fila da Anvisa não terminou. Dos 24 medicamentos do edital aberto em agosto de 2025, 11 tiveram análise concluída e seis foram aprovados. Nenhum dos dois bancos incorpora os processos restantes às suas contas, e é a velocidade dessas aprovações que decide em que ritmo a queda de preço chega à margem do varejo.
Regra definida pela Anvisa ao registrar cinco novos medicamentos do tipo não permite troca automática de um remédio por uma opção genérica mais barata (Foto: Carsten Snejbjerg/Bloomberg)
O trabalho híbrido tradicional está evoluindo na América Latina para um modelo 100% flexível, no qual a prioridade não é mais definir quantos dias se vai ao escritório, mas qual é o sentido real de ir e o que as empresas ganham com isso, de acordo com um estudo divulgado com exclusividade à Bloomberg Línea pelo WeWork.
“O modelo híbrido está até começando a ficar um pouco mais no passado”, disse à Bloomberg Línea Claudio Hidalgo, presidente para a América Latina da empresa de espaços de coworking WeWork. “Antes da pandemia, éramos 100% presenciais e passamos depois para 100% remoto; em seguida, a situação começou a se estabilizar no meio-termo e passou-se a falar do espaço híbrido. Estamos caminhando para uma flexibilidade que vai além do modelo híbrido”.
O estudo de Tendências Trabalhistas 2026-2027 do WeWork, em parceria com a Michael Page, mostra uma evolução de um esquema “binário” — baseado em estar ou não estar no escritório — para um em que as atividades que realmente exigem presença física têm maior importância.
Do total da amostra nos cinco países analisados na América Latina, 36,88% trabalham em um modelo 100% presencial, abaixo dos 48% do relatório do ano passado.
Enquanto isso, 38,43% dos entrevistados atuam em um modelo híbrido.
O relatório reflete a preferência predominante por modelos flexíveis que equilibram o trabalho presencial com o trabalho remoto.
45,41% preferem ir ao escritório três ou mais dias por semana, enquanto os 54,59% restantes preferem ir apenas um ou dois dias.
“Não é mais uma questão de dias, estamos falando até mesmo de horas”, comentou o presidente do WeWork para a América Latina. “As pessoas talvez venham trabalhar nos escritórios na segunda-feira, das 15h às 18h, na terça-feira, das 11h às 17h, na quarta-feira talvez não venham, e assim por diante”.
De acordo com os autores do relatório, elaborado a partir de uma pesquisa com cerca de 3.000 pessoas distribuídas entre México, Argentina, Chile, Colômbia e Peru, o escritório faz sentido quando permite atividades que exigem interação, como reuniões, colaboração, troca de ideias ou encontros com equipes específicas.
Assim, o estudo do WeWork e da Michael Page aponta que o trabalho tenderá a se organizar em torno da vida das pessoas, e não simplesmente em torno da presença física no escritório.
“O que começamos a perceber com o estudo é que as pessoas estão valorizando o motivo pelo qual vêm ao escritório, o propósito individual. Para que vou até lá?”, observou Hidalgo. “Começa a haver uma mistura entre as prioridades individuais e as da empresa, e começamos a transitar um pouco mais do modelo híbrido para o flexível.”
O setor terciário registrou a maior participação no estudo do WeWork e da Michael Page, concentrando 52% da amostra.
Esse setor abrange atividades voltadas à prestação de serviços, tais como comércio, transporte, turismo, educação, saúde e serviços financeiros e administrativos.
Em segundo lugar, o setor secundário representou 32%, com foco principalmente na transformação de matérias-primas em produtos acabados e semiacabados, como a manufatura, a indústria alimentícia e a construção civil.
Já o setor primário, dedicado à extração de recursos naturais, contribuiu com 11% da amostra.
Repensando o propósito
Hidalgo explicou que a flexibilidade no trabalho também implica repensar o propósito dos espaços de trabalho.
Ele destacou que, se um funcionário se desloca até um escritório apenas para realizar as mesmas videochamadas e tarefas que poderia fazer de casa, a presença física perde o sentido.
O deslocamento, o tempo gasto no trajeto e as mudanças na rotina pessoal representam custos que os trabalhadores agora valorizam mais.
“O que se busca é que o espaço para o qual as pessoas vão permita realizar um trabalho diferente daquele que poderiam fazer de casa, além de simplesmente abrir o computador e se conectar a uma videochamada. Porque, do contrário, o colaborador acaba se perguntando: para que vim ao escritório?”, destacou. “O subconsciente diz ao colaborador — e, de fato, o estudo indica isso — que quem fica em casa é mais produtivo”.
Repensando os espaços físicos
Hidalgo destacou que a evolução em direção a uma maior flexibilidade também obriga as empresas a repensarem seus espaços físicos.
Por isso, ele indica que os escritórios devem se transformar em ambientes orientados à colaboração, interação e criatividade, com espaços abertos, áreas de convivência e ambientes adaptados às novas expectativas dos pofissionais.
“Então, as empresas devem adequar os espaços de forma que permitam essa flexibilidade. Caso contrário, as expectativas de flexibilidade dos colaboradores não se alinharão com a infraestrutura dos escritórios”, observou.
Portanto, busca-se “espaços abertos, colaborativos, lugares para caminhar, tomar um café, poder me movimentar durante o dia e não ficar em frente ao computador”.
Ele destacou que as novas gerações têm demandas diferentes, desde espaços mais colaborativos até escritórios adaptados para pets e outros serviços associados ao bem-estar.
“Não se trata apenas do tipo de setor”, afirmou Claudio Hidalgo. “As novas gerações também estão mudando as expectativas sobre como devem ser os espaços físicos de trabalho, e adaptá-los implica um investimento significativo para as empresas”.
O executivo afirmou que os espaços do WeWork foram concebidos desde o início sob um modelo flexível, por isso não exigiram transformações estruturais para se adaptarem às novas tendências de trabalho.
No entanto, ele explicou que a empresa ajustou sua oferta ao longo do tempo, incorporando salas de jogos, áreas de descanso, salas de maternidade e prédios pet friendly na maioria de suas unidades na América Latina, em resposta às necessidades dos usuários e de diversos setores.
O trabalho 100% presencial perde espaço
O retorno a um modelo 100% presencial parece cada vez menos provável nos países da América Latina, de acordo com o estudo “Tendências Trabalhistas 2026-2027”.
Hidalgo explicou que o fluxo de usuários nos espaços do WeWork na região passou de 100% remoto durante a pandemia para um ponto de estabilização próximo a 50% de presença presencial.
“E não mudou muito desde então, ou seja, quase 50% das pessoas vêm constantemente ao escritório, frequentam os espaços de trabalho, mas a chance de voltar a ser 100% presencial é muito pequena”, observou. “Acredito que esse equilíbrio já se estabilizou” em favor da flexibilidade e do modelo híbrido, observou o executivo.
De acordo com os resultados do estudo, 59,9% da amostra optaria por um modelo híbrido.
E a preferência por modelos 100% remotos ou remotos com presença opcional permanece estável, representando 20,29% da amostra.
O executivo destacou que fatores como tempo de deslocamento, mobilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional alteraram a percepção sobre o trabalho presencial.
Em cidades com maiores problemas de congestionamento, essa tendência ganha relevância.
A inteligência artificial está se consolidando como uma ferramenta do dia a dia entre os funcionários de escritório na América Latina, embora as empresas ainda estejam avançando lentamente em sua incorporação formal, de acordo com o relatório.
O presidente do WeWork para a América Latina estima que cerca de 95% dos profissionais do setor de escritório utilizam ferramentas de inteligência artificial para auxiliar em suas tarefas diárias.
“Eles não estão encarando isso como algo que vai substituí-los, mas sim como algo que facilita seu trabalho e os torna mais produtivos”, afirmou.
No entanto, ele esclareceu que a maioria não as vê como um substituto para seu trabalho, mas sim como um mecanismo para aumentar sua produtividade e facilitar as atividades cotidianas.
Em contrapartida, ele destacou que menos de 20% das empresas implementaram políticas, ferramentas, processos ou programas de capacitação para integrar a inteligência artificial no trabalho cotidiano.
Na sua opinião, essa lacuna representa uma oportunidade perdida para melhorar a produtividade na América Latina, uma região que historicamente tem enfrentado atrasos nesse indicador. “Aqui temos uma oportunidade gigantesca e precisamos que as empresas possam acelerar a implementação real”.
Claudio Hidalgo, presidente da WeWork para a América Latina, afirma que o trabalho está se aproximando de um formato que prioriza presença nas atividades que realmente necessitam dela. (Foto: Jason Alden/Bloomberg)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
De olho no mercado de armazenagem e logística (dentro das operações das empresas, a chamada intralogística), a Intralog quer crescer para além da sua controladora, a gigante JSL. Uma das avenidas de potencial de crescimento mapeadas pela companhia é a expansão na América Latina.
“O modelo de expansão vai depender do projeto. Só vamos [para outro país] se fizer sentido para o cliente e se for para fazermos melhor do que ele já faz”, disse o CEO da Intralog, Brunno Matta, em entrevista à Bloomberg Línea.
O executivo chegou há apenas três meses no grupo. Ele passou os últimos oito anos trabalhando em Cingapura, na Ceva Logistics (subsidiária da gigante da navegação CMA CGM), considerada uma das maiores empresas do mundo neste ramo.
Matta chega com o desafio de expandir a Intralog como uma empresa independente, apesar das sinergias óbvias que a JSL traz para as operações. “É independência, não isolamento”, diz.
Os futuros das ações dos EUA operam em alta nesta quinta-feira (30), depois que o balanço da Microsoft reforçou a confiança dos investidores de que as apostas bilionárias em inteligência artificial começam a dar retorno.
- Bradesco prepara aumento de capital. O banco propôs uma capitalização de até R$ 10 bilhões, com compromisso de até R$ 8 bilhões dos acionistas controladores. Os recursos visam reforçar a estratégia de transformação digital do Bradesco e acelerar a redução da defasagem tecnológica em relação aos concorrentes.
- EUA ampliam ofensiva contra o Irã. As forças americanas lançaram uma nova onda de ataques contra alvos iranianos em resposta ao ataque com mísseis de Teerã contra uma base dos EUA na Jordânia. A escalada do conflito voltou a dar impulso aos preços do petróleo, com o Brent superando US$ 91 por barril.
- Ações da Adidas sob pressão. Os papéis da fabricante alemã caíram 18% após a empresa reportar lucro operacional abaixo das estimativas no segundo trimestre, pressionado por gastos de € 212 milhões, principalmente com campanhas de marketing ligadas à Copa do Mundo.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
De olho no mercado de armazenagem e logística (dentro das operações das empresas, a chamada intralogística), a Intralog quer crescer para além da sua controladora, a gigante JSL (JSLG3). Uma das avenidas de potencial de crescimento mapeadas pela companhia é a expansão na América Latina.
“O modelo de expansão vai depender do projeto. Só vamos [para outro país] se fizer sentido para o cliente e se for para fazermos melhor do que ele já faz”, disse o CEO da Intralog, Brunno Matta, em entrevista à Bloomberg Línea.
O executivo chegou há apenas três meses no grupo. Ele passou os últimos oito anos trabalhando em Cingapura, na Ceva Logistics (subsidiária da gigante da navegação CMA CGM), considerada uma das maiores empresas do mundo neste ramo.
Matta chega com o desafio de expandir a Intralog como uma empresa independente, apesar das sinergias óbvias que a JSL traz para as operações. “É independência, não isolamento”, diz.
A Intralog nasceu da união da TPC – empresa de armazenagem da Bahia, comprada pela JSL em 2021 por R$ 288,6 milhões – com as operações de intralogística de sua controladora. Possui uma receita bruta anual de R$ 2,3 bilhões e atua, hoje, em 14 estados com quase 18 mil funcionários.
Atualmente, a Intralog tem uma carteira de 87 clientes de grande porte, como Petrobras (PETR3, PETR4), Natura (NATU3), Suzano (SUZB3) e Unilever.
A principal avenida de crescimento para a Intralog é aumentar o número de contratos dentro dos clientes já existentes. Matta enxerga ainda potencial de expansão dentro da carteira de logística da JSL – o chamado cross-selling.
Como táticas, a Intralog aposta principalmente em soluções customizadas que envolvam padronização, novas tecnologias (incluindo IA), além de um foco significativo na gestão de dados.
A operação da Intralog é mais voltada para locação de ativos (armazéns e equipamentos), contudo, os projetos são desenhados de acordo com a necessidade dos clientes. “Nosso modelo é asset light, muito mais voltado para o aluguel”, diz. Essa virada está ocorrendo também na controladora JSL, que vem apostando mais na locação de caminhões.
Neste contexto, o cenário de juros elevados tende a ter um impacto reduzido na companhia. “Costumamos dizer aqui no grupo que os juros fazem parte do preço, conseguimos precificar de forma assertiva”, diz.
Empresa de porte global
A Intralog considera como suas principais concorrentes no Brasil as multinacionais DHL, a Ceva, a KN (Kuehne+Nagel) e a ID Logistics. Matta pondera que a companhia tem todos os ingredientes nas mãos para ser uma empresa nacional com porte global, em um mercado potencial de R$ 415 bilhões, segundo levantamento da ILOS Consultoria.
“Temos muito a conquistar no Brasil, mas isso vai acabar expandindo para outros países, porque nossos clientes que são multinacionais querem fornecedores regionais fortes.”
No último dia 17 de julho, a JSL informou por meio de fato relevante que espera atingir receita bruta de R$ 21,4 bilhões em 2030, uma projeção de crescimento médio anual de 14% ao ano (a partir de 2025).
Ainda no documento, a JSL afirmou que a reorganização dos negócios em empresas independentes “fortalece a capacidade de execução da estratégia da companhia ao conferir eficiência operacional e agilidade comercial”.
Com base na estimativa de receita bruta, a JSL projeta alcançar uma geração de caixa (medida pelo Ebitda) de R$ 3,7 bilhões em 2030.
Sobre um possível IPO, Matta afirma que este não é um foco nem um objetivo da Intralog. “O grupo Simpar que vai avaliar, eventualmente, um IPO. Vamos analisar se faz sentido e se há janela para tanto.”
A Dasa (DASA3), dona dos laboratórios Delboni, Lavoisier, Pasteur e Salomão Zoppi, entre outros, avalia de três a quatro regiões para a possível expansão do Alta Diagnósticos, em praças onde diz identificar demanda potencial e oferta limitada de serviços premium de medicina diagnóstica.
Em nota enviada à Bloomberg Línea, a companhia afirma que o número se refere a localidades sob análise e não corresponde necessariamente à quantidade de unidades que serão abertas. Atualmente a marca premium está presente em São Paulo e Rio de Janeiro.
“Por questões de estratégia comercial, não divulgamos as localidades sob análise, nem cronogramas ou investimentos associados a potenciais expansões”, diz o texto da empresa.
Ainda segundo a nota, eventuais aberturas ocorrerão apenas em localidades com fundamentos sólidos e taxas de retorno atrativas, condicionadas ao resultado das análises em andamento.
O intervalo de três a quatro regiões em estudo veio a público em relatório do BofA (Bank of America) Global Research, que descreve a expansão do Alta como seletiva e integralmente autofinanciada, sem impacto na alavancagem.
O documento, publicado em 23 de julho e assinado pelos analistas Flavio Yoshida e Mirela Oliveira, do Merrill Lynch no Brasil, mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 5,00 para uma ação cotada a R$ 2,85 na data da publicação.
O relatório resultou de reunião do banco com Rafael Bossolani, CFO da Dasa, Lício Cintra, CEO da Rede Américas, Vivianne Valente, CFO da joint venture, e a equipe de RI (relações com investidores).
Segundo o texto, foi a primeira conversa de Cintra com investidores desde que assumiu o cargo.
Sobre o negócio de diagnósticos, os analistas escrevem que a administração da Dasa vê espaço para elevar margem por ocupação, produtividade e otimização de processos, com meta de eliminar a diferença de cerca de 300 pontos-base ante o principal concorrente, identificado nas conclusões do documento como o Fleury (FLRY3).
A concentração de clientes aparece como atributo estrutural favorável. O banco registra que nenhum pagador responde por mais de 13% da receita e que o maior bloco vem do atendimento particular, o que classifica como um positivo estrutural.
Três alavancas de crescimento
Na Rede Américas, o relatório lista três alavancas de criação de valor. Na primeira, reprecificação, o documento atribui a Cintra a informação de que, antes da joint venture, os reajustes com operadoras rodavam entre 30% e 50% da inflação, em razão da alavancagem elevada, e passaram a dois dígitos depois da combinação de ativos, ainda abaixo dos pares.
Segundo os analistas, o executivo vê espaço para recuperação gradual por via negociada com as fontes pagadoras.
Na segunda (sinergias operacionais), os números apresentados na reunião indicam que a rede partiu de quatro sistemas hospitalares, mais de 15 versões, dois ERPs (sistemas integrados de gestão empresarial) e mais de 80 sistemas satélites, total já reduzido a menos de 50, com meta de um ERP e dois sistemas hospitalares até dezembro de 2027.
Para os analistas, a simplificação é o principal marco operacional do grupo, com ganhos esperados em despesas administrativas, ciclo de receita e redução de glosas, termo usado no setor para os valores que as operadoras negam pagar ao prestador sob alegação de erro ou divergência de cobrança.
Na terceira, o documento aponta prioridade para São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, sem ancorar a expansão nos hospitais de margem mais alta, Samaritano e Nove de Julho, de modo a preservar portfólio em diferentes faixas de preço.
O relatório registra que Porto e Amil venderam cerca de 80% dos novos planos ancorados na Rede Américas, que a Amil representa aproximadamente 35% da receita total e que o grupo optou por manter posicionamento multioperadora.
As unidades HBA e AMO seguem geradoras de caixa, o que, na avaliação do banco, permite desinvestimento apenas em condições adequadas.
A meta de unificação de sistemas até dezembro de 2027, descrita no relatório como principal marco operacional do grupo, é o parâmetro datado mais claro para acompanhar o plano de sinergias. Sobre o Alta, a Dasa afirma não divulgar cronogramas.
Unidade do Alta Diagnósticos, marca premium de medicina diagnóstica da Dasa: companhia avalia de três a quatro regiões para possível expansão, sem divulgar localidades, cronogramas ou investimentos associados
O Santander Brasil teve mais um resultado desafiador em seu balanço do segundo trimestre deste ano. A rentabilidade voltou a cair, com o ROE em 12,5%, em sua segunda queda consecutiva e bem abaixo dos 20% – patamar que se tornou referência frequente no setor e que não é atingido pelo Santander desde 2021.
O novo CFO do banco, Carlos Muñiz, defendeu, no entanto, que o cenário não deve se prolongar por muito tempo.
“Provavelmente no ano que vem vamos voltar a patamares mais razoáveis de rentabilidade. O grupo vai nos cobrar isso”, afirmou em teleconferência com analistas nesta quarta-feira (29).
Muñiz assumiu o cargo em maio, após a saída de Gustavo Alejo, que foi para a XP. O executivo espanhol tem 20 anos de atuação no Grupo Santander e, até então, ocupava a diretoria financeira global do segmento Santander Corporate & Investment Banking.
O CFO conduziu a teleconferência de resultados ao lado de Camila Toledo, diretora de relações com investidores. O novo CEO do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, ex-B3, assumiu o posto no mês passado e não participou da divulgação.
O Santander Brasil enfrenta o desafio de rentabilidade desde o pós-pandemia, quando a maior exposição a linhas de crédito arriscadas deixou o resultado mais sensível aos juros altos e à inflação.
O momento também expõe uma disparidade crescente com a matriz. O Santander se tornou o banco mais valioso da zona do euro por valor de mercado, com lucro recorde no primeiro semestre. O grupo espanhol registrou lucro líquido atribuível de € 3,52 bilhões no segundo trimestre, acima dos € 3,33 bilhões esperados no consenso Bloomberg.
A estratégia do Santander Brasil para recompor a rentabilidade passa por uma mudança no mix de crédito para uma estratégia mais conservadora.
O banco vem reduzindo a exposição a linhas mais arriscadas e ampliando a participação de operações com maior spread, sobretudo voltadas à alta renda. A consequência esperada seria uma normalização gradual do indicador de perdas com devedores duvidosos – o que ainda não se confirmou.
A provisão para devedores duvidosos (PDD) avançou 20,6% na comparação trimestral e 11,5% em 12 meses, para R$ 7,654 bilhões. A combinação entre margem pressionada e PDD em alta foi apontada por analistas como um dos principais detratores do balanço.
“A mudança de mix, num primeiro momento, pressiona o resultado. Há impacto [negativo] na receita, e ainda tem a PDD elevada. Mas, ao longo do tempo, esperamos colher os benefícios dessa estratégia”, disse Camila Toledo aos analistas. A expectativa do banco é que a receita volte a crescer a partir de 2027.
Os executivos reforçaram que, mesmo com as mudanças, o banco ainda mantém 40% da base de clientes pessoa física na baixa renda e que pretende reduzir essa fatia – sem citar projeções. Muñiz citou como exemplo da estratégia a queda de 30% na carteira de clientes com renda mensal inferior a R$ 4 mil nos últimos 12 meses.
“Os números começam a provar que fizemos a escolha correta. Temos uma diferença de mais de 10 pontos nos níveis de satisfação entre quem já assinou e quem ainda não assinou o programa. Será uma das nossas principais alavancas na alta renda”, afirmou.
As units do Santander Brasil (SANB11) operavam em forte queda de 6,5% por volta das 12h30. No ano, os papéis acumulam baixa de 23,10% contra alta de 9,18% do Ibovespa no mesmo período.
Estratégia do Santander Brasil para recompor a rentabilidade passa por uma mudança no mix de crédito para uma estratégia mais conservadora (Foto: Bloomberg)
O Ministério de Portos e Aeroportos prevê realizar em dezembro o leilão de repactuação da concessão do Aeroporto de Brasília, que passará a incorporar dez aeroportos regionais ao contrato atual. Em abril, a pasta havia indicado que o certame poderia ocorrer em novembro.
A concessionária Inframerica, formada por Corporación América Airports (51%) e Infraero (49%), administra o terminal de Brasília desde 2012. A concessão ficou deficitária após a crise econômica, a pandemia e a demanda aquém do esperado.
Em vez de relicitar a operação, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o governo optaram por repactuar a concessão, com outorga variável de 5,9% da receita bruta, R$ 557 milhões de entrada e dez aeroportos regionais.
O aeroporto da capital federal é o terceiro mais movimentado do país, atrás apenas de Guarulhos e Congonhas, em São Paulo. Em 2025, foram 157.135 pousos e decolagens, 6,2% a mais que no ano anterior, segundo dados da Aeronáutica.
A maior parte do movimento vem de voos comerciais, que somaram 116.404 operações e cresceram 7% no ano passado. A aviação geral, formada por jatinhos e aeronaves particulares, teve 31.838 operações, com alta de 8,5%. Já os voos militares caíram quase 9%, para 8.893.
O processo de repactuação está na fase de consulta pública do edital, segundo a assessoria de comunicação da pasta.
A medida amplia o modelo já testado no Galeão, no Rio de Janeiro, e cria uma alternativa de gestão para terminais de menor porte que hoje têm dificuldade de atrair investimento isolado.
Os aeroportos incluídos são Juína, Cáceres e Tangará da Serra, em Mato Grosso; Alto Paraíso de Goiás e São Miguel do Araguaia, em Goiás; Bonito, Dourados e Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul; Ponta Grossa, no Paraná; e Barreiras, na Bahia.
O gatilho da repactuação é o modelo adotado desde a concessão do Galeão, em que o operador de um hub maior assume terminais regionais deficitários como forma de viabilizar sua operação conjunta.
Paralelamente, a pasta conduz estudos técnicos para uma segunda etapa do programa AmpliAR, voltado à gestão de aeroportos de menor porte, que deve trazer um novo conjunto de terminais além dos dez já definidos para Brasília.
Há hoje um cenário de crescimento consistente da aviação doméstica. O Brasil saiu de 98 milhões de passageiros em 2022 para quase 130 milhões em 2025, com 44,3 milhões registrados nos quatro primeiros meses de 2026.
Entre janeiro e maio, foram mais de 42 milhões de passageiros em rotas domésticas, alta de 5,6% ante o mesmo período do ano anterior, com Norte e Nordeste puxando o crescimento, segundo o ministério.
O aumento de cerca de 50% no preço do querosene de aviação pressiona a estrutura de custos das companhias aéreas, mas o ministério afirma que o principal desafio dos aeroportos regionais não é a saturação da infraestrutura, e sim a ampliação da oferta de voos e da conectividade entre as regiões atendidas.
Outra frente de repactuação em curso é o aeroporto de Viracopos, em Campinas, cujo acordo está em negociação no Comitê de Autocomposição conduzido pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
Diferentemente do modelo de Brasília, essa via não prevê abertura de leilão concorrencial. Os leilões aeroportuários, segundo o ministério, permanecem abertos à participação de investidores nacionais e estrangeiros sem restrições.
Análise do setor
Para o setor de aviação geral, a ampliação do modelo de repactuação é lida como pré-requisito de qualquer política de aviação regional, e não como consequência dela.
A avaliação é de Flávio Pires, presidente da ABAG (Associação Brasileira de Aviação Geral), para quem o desenho do AmpliAR responde a uma limitação de caixa do poder público na manutenção de terminais de menor porte.
“O governo não tem competência para cuidar, não tem braço, não tem dinheiro, não tem recurso”, disse Pires à Bloomberg Línea.
A ordem dos fatores é o ponto de atenção apontado por ele. Antes de operar malha regional, esses aeroportos precisam ter terminal de passageiros, estacionamento, sanitários e separação entre áreas de carga e de embarque, além de sinalização horizontal, cerca perimetral e auxílio meteorológico em funcionamento, itens que afetam diretamente a segurança operacional. “O berço vem primeiro que o bebê”, disse.
O interesse da aviação de negócios nesse pacote é direto. A maior parte dos terminais regionais incluídos em programas de repactuação hoje não recebe voos das grandes companhias aéreas Latam, Gol ou Azul, e é utilizada sobretudo por aeronaves executivas, agrícolas e de táxi aéreo, o que faz com que o investimento em infraestrutura destinado à aviação comercial se converta em ganho operacional para o segmento privado.
Pires também avalia que a seleção dos terminais precisa observar vocação econômica local, com prioridade para destinos turísticos e regiões de maior concentração de negócios e industrialização, sob risco de replicar aeroportos ociosos.
Sobre quem deve assumir os ativos, a leitura da ABAG é de predominância do capital estrangeiro, com operadores como Aena, Fraport, Zurich Airport e Vinci Airports, movimento reforçado pela saída da Motiva, ex-CCR, do negócio aeroportuário.
A companhia vendeu toda a sua operação de 20 aeroportos, sendo 17 no Brasil, para a mexicana Aeropuerto de Cancún, subsidiária do Grupo Aeroportuario del Sureste, em transação de R$ 11,5 bilhões anunciada em novembro de 2025 e aprovada pela diretoria colegiada da Anac em 12 de junho de 2026.
Procurada pela reportagem, a suíça Zurich Airport International, que opera no Brasil os aeroportos de Florianópolis, Vitória, Macaé e Natal e detém 25% do consórcio BH Airport, responsável por Confins, respondeu que não comenta eventual participação em oportunidades específicas ou avaliações de mercado em andamento.
“O que podemos dizer é que o Brasil segue sendo um mercado estratégico e prioritário para o grupo, e continuamos acompanhando oportunidades alinhadas à nossa estratégia de longo prazo e aos nossos critérios de investimento”, disse a companhia, por meio de sua assessoria de imprensa.
A operadora foi a finalista derrotada no leilão do Galeão, em março, quando subiu o lance oito vezes em viva-voz contra a espanhola Aena.
Controlada pelo governo da Espanha e administradora de 17 aeroportos brasileiros, entre eles Congonhas, o bloco de seis terminais do Nordeste e os 11 de São Paulo, Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul, a Aena não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.
A companhia venceu em março o leilão de venda assistida do Galeão, por R$ 2,9 bilhões, e prevê assumir a operação do terminal carioca no segundo semestre, o que elevará sua rede a 18 ativos no país.
Também não respondeu de imediato a francesa Vinci Airports, concessionária de Salvador e dos sete aeroportos do bloco Norte, entre eles Manaus.
A alemã Fraport, subsidiária integral da operadora do aeroporto de Frankfurt e responsável por Fortaleza e Porto Alegre, informou que não vai se manifestar sobre o tema. Em setembro, a concessionária assume também o Aeroporto Regional de Jericoacoara, incluído em seu contrato pelo Programa AmpliAR.
Investimento de R$ 17 bi em infraestrutura
O pacote de investimentos em infraestrutura de transportes para 2026 soma cerca de R$ 17 bilhões entre portos, aeroportos e hidrovias, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos.
Na área aquaviária, a pasta avança na concessão da Hidrovia do Paraguai, que prevê viabilizar a navegabilidade em pouco mais de 600 quilômetros do Tramo Sul do rio, com potencial para uso turístico além do transporte de cargas.
Aeroporto de Brasília, cuja concessão deve incorporar dez terminais regionais em leilão previsto para dezembro, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Pouco mais de ano após a aquisição pelo grupo italiano Almaviva, a Tivit espera acelerar o crescimento de sua operação no Brasil em um patamar de dois dígitos em 2026, puxado pela maior demanda por serviços ligados à transformação digital e à cibersegurança.
Segundo Valdinei Cornatione, CEO da Tivit para o Brasil, parte do crescimento vem da adição de novos clientes relevantes e de uma expansão do cross-sell - isto é, a venda de novos serviços para os clientes que já são da base.
A Tivit Brasil encerrou o ano passado com cerca de 800 clientes entre aqueles que contratam um portfólio mais completo de serviços, segundo o executivo, uma base que aumentou em cerca de 100 novos clientes no período.
“Quando você conquista um new logo, você abre a porta para oferecer um portfólio muito mais completo. Você tem o upsell, mas tem um cross-sell futuro”, disse Cornatione, se referindo ao termo usado internamente para descrever novos clientes. A Tivit afirma ter entre seus clientes de 80% a 90% das maiores companhias do país.
O executivo, que trabalha na Tivit há quase 30 anos, assumiu a liderança no Brasil em outubro do ano passado, se reportando a Marco Tripi, CEO global do grupo Almaviva, que adquiriu o controle da empresa brasileira em junho do ano passado do fundo americano Apex.
A companhia de tecnologia brasileira registrou no ano passado uma receita líquida de R$ 2,2 bilhões, o que representa um crescimento de 12% sobre o resultado anterior.
Segundo Cornatione, a expansão foi possibilitada em parte por uma reorganização interna do time comercial.
Uma das mudanças implementadas foi a designação de líderes responsáveis por atender clientes em sete segmentos específicos: manufatura, serviços, saúde e seguros, utilities, óleo e gás, finanças e governo.
Isso possibilitou aos líderes estarem mais próximos dos clientes e de executivos C-Level tomadores de decisão, segundo ele, para conhecer melhor as necessidades e direcionar as demandas para as áreas específicas dentro da Tivit.
Antes, as lideranças eram divididas principalmente de acordo com as três unidades de negócio da Tivit (cloud, digital e cibersegurança).
“A gente queria ditar a necessidade do cliente. Não pode. A necessidade do cliente é ele que traz. Como eu vou suportar a necessidade do cliente de uma forma mais consultiva com todo o portfólio que eu tenho? Esse foi um grande diferencial”, afirmou.
As mudanças fazem parte de um movimento mais amplo nas operações da Tivit. Desde a aquisição, a Tivit mudou de sede para um novo edifício na avenida Rebouças em São Paulo, onde também estão outras empresas do grupo no Brasil.
Outros processos internos foram revistos para dar mais liberdade para a tomada de decisões por parte da liderança brasileira. Ao mesmo tempo, o grupo italiano busca estar mais próximo para ajudar na operação no dia a dia.
Olhando para frente, a expectativa é manter a estratégia de crescimento nas áreas de cibersegurança, transformação digital e cloud, segundo Cornatione.
“É um momento importante na história da Tivit. Não é um recomeço, mas é como se fosse isso. É um reposicionamento bem estruturado de como a gente quer trabalhar os próximos anos e continuar essa história”, afirmou o executivo.
O retorno do preço do petróleo acima dos US$ 100 por barril voltou a colocar sob pressão a inflação e o crescimento mundial. A esse risco, somam-se agora um comércio internacional fragmentado e um episódio do El Niño que pode se tornar um dos mais intensos das últimas décadas.
A combinação desses três elementos não significa que o cenário mais adverso venha a se concretizar, mas aumenta a probabilidade de novos choques de oferta capazes de se refletir nos preços da energia, dos alimentos e do transporte.
A preocupação não se deve apenas ao efeito individual de cada um deles, mas à possibilidade de que eles coincidam em um momento em que a inflação ainda permanece acima das metas de vários bancos centrais.
Henry Allen, analista do Deutsche Bank, alertou que “um episódio muito intenso do El Niño representaria mais um choque negativo na oferta, em um momento em que a economia mundial tem margem limitada para absorver tal impacto”.
O relatório acrescenta que essa ameaça ganha maior relevância, pois coincide com as tensões no setor energético decorrentes do conflito no Oriente Médio e com as pressões que as cadeias globais de abastecimento ainda enfrentam.
Os analistas concordam que o petróleo representa hoje o risco mais imediato, enquanto as tarifas parecem ter perdido a capacidade de alterar o cenário, apesar dos anúncios da semana passada, e o El Niño surge como um fator capaz de ampliar as pressões sobre os alimentos, a energia e a inflação nos próximos meses.
Petróleo volta a ser risco
O Brent voltou a ultrapassar os US$ 100 por barril na última quinta-feira, depois que os ataques dos houthis contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho aumentaram o temor de novas interrupções no abastecimento. Essa escalada abriu uma nova frente para o mercado, que já lidava com as restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz e com uma oferta cada vez mais escassa.
Embora a maioria das projeções não preveja que o preço do petróleo se mantenha em US$ 120 por barril, vários bancos de investimento consideram que uma prolongação do conflito, acompanhada de danos à infraestrutura energética, poderia levar o mercado de volta a esse nível.
Para Ziad Daoud, analista da Bloomberg Economics, “uma nova espiral poderia afetar uma parte ainda maior da infraestrutura energética e das rotas de exportação da região”. Segundo seus cálculos, “em um cenário extremo, uma interrupção generalizada dos fluxos de petróleo do Oriente Médio poderia elevar o preço do petróleo bruto para US$ 120 por barril”.
A Bloomberg Economics estima que entre 8 e 10 milhões de barris por dia ainda possam chegar ao mercado por rotas diferentes do Estreito de Ormuz, mas alerta que o maior risco agora se concentra em infraestruturas como o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e em corredores alternativos como Bab el-Mandeb.
A empresa estima que uma interrupção simultânea de várias dessas rotas elevaria o preço em cerca de US$ 29 por barril em relação aos níveis atuais.
As consequências iriam muito além do mercado de energia. Um petróleo mais caro elevaria os custos do transporte, dos combustíveis, dos fertilizantes e de parte das cadeias de abastecimento, ao mesmo tempo em que dificultaria o processo de desinflação que várias economias desenvolvidas começavam a consolidar.
Warren Patterson, responsável pela estratégia de commodities do ING, afirmou que “se essas interrupções no abastecimento continuarem durante o mês de agosto, acredito que seja apenas uma questão de tempo até atingirmos US$ 120 por barril”.
Essa avaliação se baseia em um mercado com estoques comerciais mais baixos, uma Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos mais reduzida e uma capacidade limitada de compensar interrupções prolongadas.
Enquanto o petróleo voltou a ocupar o centro das preocupações, o risco associado às tarifas parece ter perdido intensidade do ponto de vista macroeconômico, embora continue redefinindo o panorama comercial.
A nova estrutura anunciada pelo governo dos Estados Unidos na semana passada estabelece tarifas entre 10% e 12,5% para a maioria de seus principais parceiros comerciais.
Na América Latina, Argentina, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México e Trinidad e Tobago ficaram com uma tarifa de 10%, ao passo que Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guiana, Nicarágua, Peru, Uruguai, Venezuela, Bahamas e República Dominicana enfrentarão uma tarifa de 12,5%.
Apesar dessas mudanças, o UBS considera que o efeito agregado será reduzido, pois a maior parte do impacto inflacionário associado às tarifas já foi repassada aos preços dos bens. A instituição espera que a recente desaceleração da inflação dos bens continue durante o restante do ano e contribua para um processo adicional de desinflação subjacente.
O Goldman Sachs chegou a uma conclusão semelhante. O banco calculou que a nova estrutura tarifária deixará a alíquota efetiva das tarifas dos Estados Unidos praticamente inalterada e mantém sua expectativa de que esse indicador permaneça estável até o final de 2026. Alguns países registrarão ajustes individuais, mas a modificação agregada é limitada.
Isso não significa que o comércio internacional tenha deixado as tensões para trás. As novas tarifas consolidam um ambiente de maior fragmentação comercial e obrigam as empresas e as cadeias produtivas a continuar se adaptando a um esquema de custos diferente, mesmo que o impacto adicional sobre a inflação seja menor do que o observado após os primeiros anúncios comerciais.
Enquanto os mercados acompanham de perto a evolução do conflito no Oriente Médio, vários analistas identificam um risco adicional que poderia ganhar força durante o segundo semestre: um episódio do El Niño que, segundo as previsões, está entre os mais intensos desde meados do século passado.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima uma probabilidade de 81% de que, entre outubro e dezembro, ocorra um evento muito intenso, e uma probabilidade de 97% de que essas condições se mantenham até o início de 2027.
Allen destacou que “um episódio muito intenso do El Niño significa que é mais provável que ele altere simultaneamente os padrões de chuva e temperatura em várias regiões”.
O analista acrescentou que “um choque alimentar moderado pode ser absorvido por meio de estoques, importações ou substituição, mas um choque de grande magnitude que se espalhe por vários países não pode ser absorvido com a mesma facilidade”.
O ING considera que parte da preocupação em torno do El Niño foi exagerada quando se analisa a produção agrícola mundial. Patterson e Thijs Geijer afirmam que “o impacto do El Niño sobre a produção agrícola mundial é bastante limitado”, embora alertem que a região da Ásia-Pacífico enfrenta uma exposição consideravelmente maior.
O relatório identifica riscos para o trigo australiano, o óleo de palma da Indonésia e da Malásia, o açúcar da Índia e da Tailândia, o arroz e a aquicultura asiática. Além disso, o relatório lembra que as restrições à pesca da anchoveta no Peru já provocaram um aumento superior a 75% nos preços da farinha de peixe, um dos principais insumos para a alimentação de peixes e camarões.
Para o Deutsche Bank, o alcance do fenômeno vai além dos alimentos. O relatório identifica possíveis impactos sobre a geração hidrelétrica, o transporte marítimo, as cadeias de suprimentos e a estabilidade macroeconômica de vários mercados emergentes.
O período de 2023 e 2024 fez com que o Canal do Panamá registrasse seu terceiro ano mais seco já registrado, o que obrigou a restrição do tráfego de navios por uma via que movimenta cerca de 5% do comércio marítimo mundial, lembra o Deutsche Bank.
O que esses riscos significam para a América Latina?
A combinação de preços mais altos do petróleo, um comércio internacional fragmentado e um episódio intenso do El Niño representa um desafio específico para a América Latina, pois seus efeitos não serão uniformes entre os países.
A Cepal considera que a região se encontra em uma posição relativamente mais favorável do que a Europa ou a Ásia, devido à presença de exportadores de hidrocarbonetos, a uma exposição comercial limitada ao Golfo Pérsico e a um mix energético com elevada participação de energias renováveis. No entanto, essa visão regional oculta diferenças importantes.
Em um cenário em que o preço do Brent se aproxima de US$ 115 por barril, o órgão estima que exportadores como Guiana, Trinidad e Tobago, Equador, Colômbia e Brasil melhorariam sua balança comercial. Em contrapartida, os países caribenhos importadores de energia enfrentariam uma deterioração equivalente a 1,3 ponto do PIB, enquanto a América Central, o Haiti e a República Dominicana registrariam um impacto negativo próximo a 2,4 pontos do PIB.
O Deutsche Bank alerta que o impacto é maior nas economias emergentes, onde os alimentos podem representar até um terço dos gastos das famílias, em comparação com os 8% do IPC dos Estados Unidos.
O relatório lembra que uma parte significativa do consumo nesses países é destinada a alimentos; por isso, qualquer aumento nos preços tem um efeito mais imediato sobre a inflação e o poder de compra.
O ING acrescenta que, embora o impacto global sobre a produção agrícola provavelmente seja limitado, as alterações regionais podem provocar restrições comerciais, mudanças nas cadeias de abastecimento e novas pressões sobre determinados produtos agrícolas.
Essa possibilidade ganha maior relevância quando o mercado de energia continua sob pressão e o comércio mundial opera em um contexto de maiores barreiras.
A evolução do conflito no Oriente Médio, a evolução dos preços do petróleo e a intensidade final do El Niño determinarão se esses três fatores permanecerão como riscos independentes ou acabarão se reforçando mutuamente. Essa interação marcará boa parte da trajetória da inflação, das matérias-primas e das perspectivas econômicas para a América Latina nos próximos meses.
O Santander Brasil (SANB11) apresentou seu segundo resultado consecutivo abaixo do esperado em 2026.
A operação brasileira do banco espanhol registrou lucro líquido de R$ 3,014 bilhões – queda de 17,6% na comparação anual e de 20,4% frente ao resultado do primeiro trimestre.
O saldo ficou abaixo das estimativas de mercado compiladas pela Bloomberg, que estimavam lucro médio de R$ 3,487 bilhões.
Os analistas, no entanto, já estimavam que o Santander teria um novo trimestre desafiador pressionado por provisões e redução de margem.
Segundo o banco, o cenário macroeconômico desafiador para o crédito foi um dos principais detratores da linha de provisões. O montante destinado às provisões para devedores duvidosos (PDD) subiu 20,6% no trimestre e 11,5% no ano, para R$ 7,654 bilhões.
“A dinâmica reflete um ambiente de crédito ainda desafiador, com efeitos mais concentrados em carteiras específicas, incluindo empresas, agronegócio e segmento massivo, bem como alguns efeitos pontuais, como a mudança na regra de baixa para prejuízo e alguns reforços de provisão para casos do atacado”, informou o banco em comunicado.
O resultado foi pressionado também pela redução nas margens.
A margem financeira bruta somou R$ 15,341 bilhões, com recuo de 0,4% na comparação anual e de 3% em três meses.
O impacto veio em parte da margem com clientes, que somou R$ 16,1 bilhões – redução 3,2% na comparação trimestral – devido à menor representatividade do setor de baixa renda, segundo o banco.
Já a margem com o mercado manteve saldo negativo, totalizando perda de R$ 718 milhões, mas com melhora frente à baixa de $ 771 milhões negativos no trimestre anterior. O indicador, segundo o banco, foi beneficiado pela “maturação do portfólio e maior acumulação de títulos atrelados à inflação”.
Desafio em rentabilidade
O balanço do segundo trimestre afasta o banco da meta de recuperação de rentabilidade projetada para 2028. O ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio), principal métrica de rentabilidade do setor bancário, caiu pelo segundo trimestre consecutivo.
O indicador atingiu 12,5% no segundo trimestre, queda de 3,4 ponto percentual (p.p.) frente ao mesmo período do ano passado e de 3,8 p.p. contra o primeiro trimestre deste ano.
Este é o primeiro resultado do Santander Brasil sob o comando do novo CEO, Gilson Finkelsztain, que deixou o comando da B3 para assumir a operação do banco no início de julho.
Mario Leão, que liderou o Santander até o trimestre anterior, passou onze anos na companhia, cinco deles como CEO e membro do conselho de administração. Ele assumiu o cargo atual em 2022 no lugar de Sergio Rial.
No acumulado do ano, as units do Santander (SANB11) recuam 17,97%, contra alta de 9,12% do Ibovespa.
Sede do Santander Brasil em São Paulo, em foto de 2012: operação do banco espanhol no país ficou com lucro abaixo dos R$ 3,487 bilhões previstos pelo consenso de analistas pela Bloomberg (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A VTEX tem buscado se estabelecer como uma plataforma digital capaz de atender grandes operações corporativas em suas vendas B2B, superando a percepção histórica de ser uma fornecedora de tecnologia voltada prioritariamente ao varejo que se conecta ao consumidor final.
Nesse movimento, a multinacional brasileira de tecnologia, listada na Bolsa de Valores de Nova York desde 2021, elegeu sua divisão B2B como uma das principais apostas para crescer.
Sob o comando do italiano Massimo Enea, executivo que está há cinco anos na companhia, a unidade B2B conta neste ano com os maiores times de engenharia e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na operação brasileira.
Em entrevista à Bloomberg Línea, Enea diz que vê dois elementos na busca dos clientes pela digitalização de suas vendas B2B. “Em primeiro lugar, há uma vontade de melhorar os processos. Em segundo, o que para mim é o verdadeiro driver de toda a digitalização das indústrias, o cliente na ponta já está fazendo as suas pesquisas online”, afirma.
Os futuros das ações dos Estados Unidos operam em leve alta nesta quarta-feira (29) antes da divulgação dos resultados da Meta Platforms e da Microsoft e da decisão de política monetária do Federal Reserve.
- Moraes cobra explicações sobre vídeo de IA. O ministro do STF deu 48 horas para a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro esclarecer o uso de um vídeo gerado por inteligência artificial exibido na convenção do PL, segundo informações da Folha de S. Paulo. Moraes afirmou que poderá rever a prisão domiciliar.
- EUA interceptam ataque iraniano. Os Estados Unidos afirmaram ter interceptado mísseis lançados pelo Irã contra bases militares americanas no Oriente Médio, enquanto Teerã disse ter atacado em resposta a ações “agressivas”. A escalada elevou os temores de retomada de um conflito em larga escala.
- Telefónica eleva meta de geração de caixa. A operadora registrou Ebitda ajustado de € 2,9 bilhões no segundo trimestre, em linha com as estimativas do mercado, e elevou a projeção de crescimento do fluxo de caixa para mais de 3% até 2026, impulsionada pelo desempenho na Espanha e do Brasil.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
A VTEX (VTEX) tem buscado se estabelecer como uma plataforma digital capaz de atender grandes operações corporativas em suas vendas B2B, superando a percepção histórica de ser uma fornecedora de tecnologia voltada prioritariamente ao varejo que se conecta ao consumidor final.
Nesse movimento, a multinacional brasileira de tecnologia, listada na Bolsa de Valores de Nova York desde 2021, elegeu sua divisão B2B como uma das principais apostas para crescer.
Sob o comando do italiano Massimo Enea, executivo que está há cinco anos na companhia, a unidade B2B conta neste ano com os maiores times de engenharia e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na operação brasileira.
Em entrevista à Bloomberg Línea, Enea diz que vê dois elementos na busca dos clientes pela digitalização de suas vendas B2B. “Em primeiro lugar, há uma vontade de melhorar os processos. Em segundo, o que para mim é o verdadeiro driver de toda a digitalização das indústrias, o cliente na ponta já está fazendo as suas pesquisas online”, afirma.
Segundo o executivo, os negócios no segmento B2B começaram de forma orgânica dentro da companhia, quando os próprios clientes no B2C buscavam a VTEX para usar a plataforma em seus canais voltados a vendas corporativas.
A área passou a receber mais atenção e investimentos em 2024 e, desde abril deste ano, começou a ser liderada por Enea, quando a companhia decidiu contar com duas presidências localmente. A operação B2C ficou sob o comando de Michel Tauil, empreendedor e ex-CEO da marca de moda praia BlueMan.
Hoje a divisão B2B representa uma participação de um dígito médio na receita e cresce em um ritmo muito mais acelerado do que as outras áreas, segundo dados da companhia.
Quando somada às áreas VTEX Ads, mercados global e CX Platform, o braço B2B representa 15% da receita total, que atingiu US$ 240,5 milhões em 2025, alta de 6,1% em dólar. A VTEX opera atualmente em 44 países e o Brasil é o principal mercado, respondendo por 57,7% do total.
Para avançar no segmento B2B, a estratégia imediata passa por dar visibilidade a contratos complexos que a empresa operava sem divulgação pública, segundo Enea. “Temos vários cases que nunca publicamos”, diz.
O executivo cita a operação da Stanley Black&Decker, que hoje utiliza a VTEX para processar 100% dos pedidos de sua força de vendas no Brasil, na Índia e na Coreia do Sul, além de projetos com a Electrolux, com quem desenvolveu uma estrutura para facilitar a compra de peças por assistências técnicas, reduzindo os prazos de 20 para cinco dias.
As conversas, em geral, são iniciadas com os times de vendas das companhias para identificar as principais necessidades, antes dos contatos com a área de tecnologia, uma diferença em relação ao que acontece no mercado B2C.
Globalmente, a VTEX liderada por Mariano Gomide e Geraldo Thomaz, cofundadores e co-CEOs, tem 2.200 clientes ativos em 44 países, como Carrefour, Colgate, KitchenAid, Lindt, Whirlpool e Electrolux.
Influência da IA
Um dos fios condutores nesse processo é a inteligência artificial. De acordo com dados da consultoria Gartner, até 2028, 90% das compras B2B serão intermediadas por agentes de IA, direcionando mais de US$ 15 trilhões em gastos B2B por meio de plataformas de intercâmbio de agentes de IA.
Segundo Enea, as novas tecnologias desenvolvidas para o setor com o IA buscam multiplicar o trabalho do vendedor, e não diminuir o número de profissionais.
No último VTEX Day, evento anual da companhia, foi apresentado, por exemplo, a ferramenta PDF to Order, que usa inteligência artificial para converter arquivos PDF em pedidos de forma automática, eliminando processos manuais.
Na edição, também foi lançado o VTEX AI Workspace, ambiente para a criação de agentes nativos para automatizar processos críticos como gestão de catálogo, merchandising, buscas e promoções.
“O que falamos aqui dentro é sobre a transformação dos papéis. O vendedor não vai deixar de existir. Provavelmente, esse vendedor do futuro será um grande gestor de agentes outbound ou de agentes de pipeline.”
Enquanto este momento não chega, a vertical B2B da VTEX quer ancorar as estratégias de crescimento, para além do branding, na conquista da conta de clientes que estão na base B2C.
Outro caminho é encontrar novos clientes fora de São Paulo, principalmente para expandir os setores de atuação, como o agro (no interior do estado e no Centro-Oeste) e a indústria têxtil, com alta penetração em parte do Sul e do Nordeste.
“O B2B é muito capilarizado no Brasil. A partir de parcerias e do nosso trabalho regional, acreditamos que iremos conseguir cada vez mais clientes”, disse o executivo italiano, listando as viagens que tem feito por diversos estados, em especial no Nordeste e no Sul.
A companhia tem atraído parceiros para novos produtos na plataforma, com a oferta de crédito para facilitar as vendas que hoje conta com quatro instituições. Segundo o executivo, a empresa não terá uma operação própria.
Prédios de escritório em São Paulo: De acordo com dados da Gartner, até 2028, mais de US$ 15 trilhões em gastos B2B serão feitos por meio de plataformas de intercâmbio de agentes de IA. (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)
O cliente que paga a conta de celular antes de usar, com recarga, mudou de operadora entre abril e junho. A Vivo, marca da Telefônica Brasil (VIVT3), ganhou mais clientes desse tipo do que perdeu na comparação com o trimestre anterior, algo que não acontecia desde o fim de 2023, e encerrou junho com 31,9 milhões de linhas pré-pagas.
Já a concorrente TIM (TIMS3) teve uma redução de 660.000 linhas no segmento e fechou o trimestre com 28,2 milhões, perda maior que a do começo do ano e que a do mesmo período de 2025.
A disputa se dá na ponta mais barata do mercado. Na Vivo, o pré-pago responde por 13% do faturamento com telefonia móvel ante 87% dos planos pós-pagos, fatia que ganhou um ponto percentual em 12 meses.
Na TIM, a base de clientes com plano mensal já supera a de recarga em cerca de 5,5 milhões de linhas.
A Vivo não divulgou quantos clientes de recarga ganhou no trimestre, apenas que o saldo voltou a ser positivo. A base encolheu 6,1% em 12 meses, e sua fatia desse mercado diminuiu no mesmo intervalo, de acordo com dados atribuídos pela operadora à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
A receita do pré-pago, que chegou a ter queda anual de 10,6% no ano passado, recuou 1,3% agora, sustentada por um gasto mensal maior de cada cliente.
A TIM descreve o mesmo cenário do lado de quem perdeu. A operadora atribui o desempenho à disputa por preço e à queda na frequência com que o cliente volta a recarregar, mas afirma que a receita do segmento caminha para se estabilizar de um trimestre para o outro.
“Apesar do recuo, a linha segue em trajetória de estabilização trimestral frente aos níveis observados no final de 2025”, informou a companhia em seu relatório financeiro.
A terceira grande operadora do país fechou o quadro. O JPMorgan registra que a América Móvil, dona da Claro, teve seu pior trimestre desde 2021 no faturamento com telefonia móvel no Brasil, o mesmo que ocorreu com a TIM.
Para o banco, a repetição do padrão em duas das três maiores pode indicar “saturação de crescimento de receita no mercado”. “A Vivo foi a única operadora a não apresentar deterioração”, escreveu o JPMorgan.
Parte da explicação está no calendário comercial do semestre. A TIM atribuiu o trimestre fraco ao “ambiente competitivo aquecido pelo Dia das Mães e pela Copa do Mundo”, conforme o relatório do JPMorgan, dois eventos que concentraram promoções agressivas de todas as operadoras nas mesmas semanas. Foi um período de aquisição cara para o setor inteiro.
Nos planos pós-pagos, onde está a maior parte da receita, a distância entre as duas operadoras ficou maior. A Vivo registrou 786 mil clientes líquidos no trimestre ante 247 mil da TIM, que havia adicionado 451 mil um ano antes. O faturamento móvel subiu 6,6% na primeira, para R$ 10,2 bilhões, e 4,6% na segunda, o pior desempenho desde o fim de 2021.
A diferença chegou à última linha do balanço. A Vivo reportou lucro líquido de R$ 1,572 bilhão, alta de 17% em 12 meses, sustentado pelo que a companhia chamou de “sólido desempenho” na conversão de receita em resultado.
A TIM registrou R$ 1,036 bilhão, avanço de 6,2%, e destacou uma marca própria.
“O lucro líquido normalizado atingiu o maior patamar já observado para um segundo trimestre”, informou a TIM, referindo-se ao resultado descontado de ganhos e despesas que não se repetem.
Visão do sell-side
Os bancos que acompanham o setor anteciparam a reação do mercado. O Citi batizou sua análise da TIM de “Sem inspiração” e a da Telefônica Brasil de “Morna”, enquanto o JPMorgan classificou o desempenho móvel da Vivo como sólido, ainda que abaixo do que esperava em rentabilidade.
Nesta terça-feira (28), a ação da Vivo recuava 7,06%, cotada a R$ 33,44, por volta das 14h (horário de Brasília), enquanto o papel da TIM desvalorizava 7,30%, negociado a R$ 19,93 no mesmo horário.
As recomendações, porém, mantêm uma inversão curiosa. O JPMorgan classifica a TIM como neutra e a Telefônica Brasil como underweight, indicação de exposição abaixo da média do mercado, dizendo manter preferência relativa pela primeira. O Citi também está em neutro para a TIM, com preço-alvo de R$ 24,00 para os próximos 12 meses.
Em meio à disputa dos bancos pela chamada principalidade dos clientes, o Nubank (NU) decidiu adotar uma estratégia voltada especificamente para o público de renda média.
O novo segmento, batizado de Croma, ficará entre a conta tradicional do Nubank e a área destinada à alta renda, chamada de Ultravioleta, segundo disseram executivos da fintech durante apresentação a jornalistas nesta terça-feira (28).
De acordo com o Nubank, a iniciativa mira clientes com renda acima de R$ 5.000 por mês que estão em fase de formação de patrimônio e buscam ampliar o uso de produtos de crédito e investimentos.
A adesão não terá custo para clientes tiverem gastos de ao menos R$ 4.000 por mês no cartão de crédito ou mantiverem R$ 30.000 investidos no Nubank. Nos demais casos, a mensalidade será de R$ 39.
O Nubank não divulgou metas para a nova base de clientes, mas, segundo Tulio Oliveira, vice-presidente do Nubank Croma e do Nubank Ultravioleta, a expectativa é ampliar a principalidade - isto é, quando o cliente usa um banco específico para a maioria de suas transações -, que hoje alcança cerca de 30% dos consumidores.
“Nosso objetivo é fazer produtos que os clientes amam e que, por consequência, façam com que tragam a principalidade para cá”, afirmou Oliveira a jornalistas.
Para atrair clientes, o Nubank oferecerá benefícios como cartão Mastercard Platinum com cashback de 0,8% ou acúmulo de 1,4 ponto a cada US$ 1 gastos no crédito.
O segmento também oferecerá 5% de cashback em assinaturas de 28 plataformas de streaming, música, mobilidade, delivery, compras e serviços online, entre elas Netflix, Spotify, Clube iFood e Uber One.
Segundo Oliveira, pesquisas realizadas pelo banco indicaram que essas categorias concentram os benefícios mais valorizados pelo público-alvo. O programa benefícios Nubank+, que atendia esses clientes, será descontinuado.
Concorrência com demais bancos
A estratégia segue a linha adotada por outros bancos, incluindo Itaú, Bradesco, Santander Brasil, Inter, C6 Bank, entre outros, para aprofundar o relacionamento com clientes unindo benefícios a uma da oferta de investimentos e crédito – considerado o principal motor de relacionamento financeiro.
A decisão do Nubank ocorre após a fintech ter anunciado um acordo para adquirir o Banco Porto Real, com o objetivo de obter uma licença bancária no Brasil e atender uma mudança regulatória do Banco Central.
Fundado em 2013, o Nubank tem cerca de 115 milhões de clientes no país, segundo a empresa. A fintech é uma das 10 maiores instituições do país em valor de ativos totais.
De acordo com os executivos, os clientes do Croma passarão a receber ofertas de crédito personalizadas, substituindo o modelo hoje padronizado para toda a base.
Na área de investimentos, o segmento contará com duas novas Caixinhas. A Caixinha Turbo Croma renderá 120% do CDI, nos mesmos moldes da opção já disponível para clientes Ultravioleta. Já quem ainda não investe no Nubank terá acesso a um CDB com rendimento de 130% do CDI, limitado a R$ 10 mil por até três meses.
Segundo João Avelino, diretor de produto do Nubank, as condições de crédito serão adaptadas ao perfil de cada cliente para incentivar a concentração do relacionamento financeiro na instituição.
“Queremos garantir que estamos crescendo com esse cliente. Sabemos que crédito é uma necessidade importante para muitos, então as soluções estarão mais adequadas em termos de condições personalizadas, para que esses clientes possam concentrar a vida financeira inteira aqui”, afirmou Avelino na mesma entrevista.
O segmento será disponibilizado de forma gradual a partir desta terça-feira e deve alcançar todos os clientes elegíveis até o final de agosto. Segundo o banco, o segmento será oferecido com base em análise de crédito, à semelhança do que é feito para o Ultravioleta.
-- Reportagem atualizada às 15h35 para incluir mais informações sobre os critérios de elegibilidade ao segmento
A estratégia segue a linha adotada por outros bancos para aprofundar o relacionamento com clientes, unindo benefícios a uma da oferta de investimentos e crédito. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)
O Brasil pode deixar de apenas responder às exigências ambientais de seus compradores para assumir um papel mais relevante na definição de padrões para o comércio internacional de soja e carne bovina livres de desmatamento.
É o que atesta o estudo Rastreando a responsabilidade: fortalecimento do monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil, conduzido pela World Resources Institute (WRI), instituição sem fins lucrativos, financiada por governos e fundações filantrópicas globais, como Bezos Earth Fund, AKO Foundation.
“Mais do que responder a exigências externas, é uma oportunidade para o Brasil transformar a transparência e a confiabilidade em pilar de estratégia de desenvolvimento”, disse Mariana Oliveira, diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra do WRI Brasil, em entrevista à Bloomberg Línea.
Oliveira é uma das autoras do estudo, que reúne pesquisadores ligados ao WRI Brasil, BVRio, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Principles for Responsible Investment, WRI China e Proforest.
“O Brasil tem condição de participar e fazer essa transformação, não apenas como para seguir fornecendo commodity, mas como ser protagonista nessa construção de cadeias de produção e comércio mais resiliente, competitivo e sustentável”, afirmou Oliveira.
A soja e a carne bovina responderam juntas por mais de 60% do valor das exportações do agronegócio do país em 2024, segundo dados da Comex citados pelo estudo. Ao mesmo tempo, as duas atividades são algumas das que mais exercem pressão sobre a vegetação nativa, especialmente na Amazônia e no Cerrado, segundo o estudo.
O levantamento do WRI analisou 21 iniciativas de monitoramento — dez voltadas à soja e 11 à pecuária —, entre protocolos comerciais, acordos voluntários, plataformas públicas, certificações e recomendações multissetoriais.
O estudo comparou as iniciativas em seis dimensões, que incluem rastreabilidade, controle do desmatamento e da conversão, embargos ambientais, sobreposição com áreas protegidas, conformidade ambiental e ocorrência de trabalho análogo à escravidão.
Segundo o levantamento, o Brasil possui um importante aparato legal, como o Código Florestal, e dispõe de bases oficiais, como o Cadastro Ambiental Rural, o CAR, o Prodes e o Deter, além de plataformas estaduais e fontes complementares de monitoramento. O desafio, no entanto, é integrar essas informações e estabelecer critérios comparáveis mais claros.
Entre as práticas destacadas estão o Protocolo de Monitoramento de Fornecedores de Gado da Amazônia e o Protocolo Verde de Grãos do Pará. Os dois verificam autorizações para supressão de vegetação, documento usado para avaliar se a retirada foi legalmente autorizada.
As plataformas SeloVerde de Pará, Minas Gerais e Maranhão também são apontadas como experiências relevantes por combinarem dados ambientais com informações sobre infrações, regularização e, em alguns casos, notas fiscais. Juntas, cobrem aproximadamente 1,3 milhão de imóveis rurais, equivalentes a cerca de 20% dos registros do CAR.
Falta de integração entre as iniciativas
Apesar da infraestrutura disponível, as iniciativas adotam diferentes datas de corte, unidades de monitoramento, limites para detecção de desmatamento, mecanismos de auditoria e regras para bloqueio ou reinserção de fornecedores.
“Apesar dessas boas iniciativas, o cenário é fragmentado e, portanto, apresenta algumas inconsistências. E isso pode, sim, comprometer a credibilidade de algumas dessas cadeias produtivas”, afirmou Mariana.
A data de corte é definida a partir de quando um desmatamento ou uma conversão passa a ser considerado pelo sistema. Parte dos mecanismos está vinculada ao marco de julho de 2008, associado à aplicação do Código Florestal, enquanto outros usam dezembro de 2020, data adotada pela regulamentação antidesmatamento da União Europeia.
Na prática, uma área desmatada entre esses dois marcos pode receber tratamentos diferentes conforme a iniciativa ou o mercado comprador.
O estudo separa, por isso, dois níveis de exigência. O primeiro reúne critérios destinados a verificar o cumprimento da legislação brasileira.
O segundo acrescenta compromissos mais amplos para cadeias livres de desmatamento e conversão. Uma produção considerada legal no Brasil não necessariamente atende às condições adicionais estabelecidas por determinados compradores internacionais.
Há diferenças também na área examinada. Algumas iniciativas de soja monitoram apenas o talhão cultivado, enquanto outras avaliam todo o imóvel registrado no CAR. O estudo recomenda usar a propriedade rural como unidade de monitoramento e eventual bloqueio, porque irregularidades podem ocorrer fora da área plantada.
Na pecuária, a principal lacuna é a cobertura dos fornecedores indiretos. As auditorias relacionadas ao TAC da Carne e ao Compromisso Público da Pecuária concentram-se nos fornecedores diretos, deixando etapas anteriores mais expostas ao risco de desmatamento.
A recomendação é começar com ferramentas disponíveis, como as Guias de Trânsito Animal e protocolos para fornecedores indiretos, e avançar gradualmente para a identificação individual dos animais.
O estudo reconhece, porém, que o custo e a complexidade técnica ainda limitam a adoção desse modelo em grande escala.
O WRI propõe consolidar as práticas mais consistentes em uma referência comum. A ideia é harmonizar os requisitos em um modelo gradual para empresas, governos e compradores.
As dez recomendações incluem o uso de bases oficiais e cientificamente validadas, auditorias independentes, cobertura de todos os biomas, controle de fornecedores indiretos e procedimentos de remediação.
O produtor bloqueado poderia voltar à cadeia após medidas verificáveis, como correção das irregularidades, restauração da área e compromisso de não realizar novas conversões.
A China ocupa posição central dessa proposta. Em 2023, recebeu 74% da soja exportada pelo Brasil, em operações de US$ 38,6 bilhões. As vendas brasileiras de carne bovina ao mercado chinês alcançaram 1,33 milhão de toneladas em 2024. A escala do comércio permitiria que uma referência bilateral tivesse efeitos além da relação entre os dois países.
A adoção, contudo, dependerá de incentivos econômicos, dados confiáveis, capacidade institucional e adesão de empresas e governos. Para Oliveira, a rastreabilidade deve ser tratada como infraestrutura econômica, e não apenas como custo regulatório.
“Eles não são somente instrumentos de controle, nem devem ser vistos como uma resposta a exigências regulatórias. Mas eles são parte dessa infraestrutura econômica essencial”, afirmou.
Segundo Oliveira, ao demonstrar onde e em quais condições produzem, as empresas podem reduzir riscos, atrair investimentos e transformar a rastreabilidade em vantagem competitiva.
Estudo do WRI aponta que a falta de integração entre sistemas de monitoramento ainda limita a rastreabilidade nas cadeias de soja e carne bovina. (Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg)
A inteligência artificial ocupa uma posição cada vez mais central nas estratégias de crescimento das empresas brasileiras. Segundo a nova edição do CEO Outlook, da consultoria EY-Parthenon, 72% dos CEOs do país pretendem ampliar os investimentos em IA, enquanto os demais 28% planejam manter os aportes no patamar atual.
“A IA está migrando de iniciativas pontuais para aplicações que impactam diretamente a tomada de decisão, produtividade, experiência do cliente e geração de receita. Tudo indica que será um tema que ganhará ainda mais espaço”, afirmou Leandro Berbert, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon, em entrevista à Bloomberg Línea.
O avanço da tecnologia ocorre em um ambiente de confiança dos executivos nos caminhos para inovação. Nove em cada dez CEOs se dizem otimistas em relação aos investimentos em tecnologias emergentes — sendo 36% muito otimistas e 54% um tanto otimistas.
O levantamento, adiantado com exclusividade à Bloomberg Línea, ouviu 50 CEOs de empresas de diferentes setores no Brasil entre março e abril de 2026, com predominância de grandes companhias.
Entre os participantes, 28% representam organizações com receita anual entre US$ 5 bilhões e US$ 9,9 bilhões. A amostra reúne executivos dos setores de consumo e saúde, serviços financeiros, indústria e energia, infraestrutura e tecnologia, mídia e telecomunicações.
A pesquisa mostra que os impactos associados à IA já são percebidos em diferentes áreas das companhias brasileiras. Operações principais ou produção, atendimento e experiência do cliente, e estratégia e tomada de decisões aparecem empatados como as funções mais impactadas, com 42% das respostas cada.
Na sequência, estão cadeia de suprimentos e compras (38%), inovação de produtos ou serviços e vendas e marketing (26% cada), finanças e gestão de riscos (24%) e recursos humanos e gestão da força de trabalho (22%).
“A pesquisa mostra que os CEOs estão atribuindo importância crescente à IA. No Brasil, 84% dos CEOs acreditam que a qualificação da força de trabalho em inteligência artificial será determinante para definir os líderes de mercado do futuro”, disse Berbert.
Nos próximos três anos, os CEOs esperam que a IA transforme principalmente suas estratégias de força de trabalho. A prioridade mais citada é ampliar as contratações para funções ligadas à inteligência artificial, dados e áreas digitais, mencionada por 22% dos executivos.
Requalificação dos funcionários atuais e redesenho de funções para integrar capacidades humanas e IA aparecem em seguida, ambas com 20%.
Mudança na distribuição geográfica da força de trabalho foi apontada por 18%, seguida pelo aumento do uso de talentos temporários ou externos (16%). Apenas 4% citaram redução de contratações em determinadas funções.
O avanço da inteligência artificial ocorre em paralelo à principal preocupação dos executivos para os próximos 12 meses: a segurança digital.
Segundo Berbert, o avanço da adoção de IA nas empresas amplia também a exposição a riscos. “À medida que as empresas aceleram a adoção de IA, aumentam também as preocupações relacionadas à governança, qualidade dos dados, privacidade, riscos regulatórios e exposição cibernética”, afirma.
Ameaças à cibersegurança e à privacidade de dados lideram a lista de riscos para os negócios, citadas por 26% dos CEOs brasileiros. O tema superou tensões geopolíticas, instabilidade e conflitos, que ficaram com 16% das respostas, além da incerteza regulatória ou política (14%) e das interrupções no comércio e nas cadeias de suprimentos (12%).
Volatilidade macroeconômica – que engloba inflação, juros e desaceleração do crescimento – e acesso restrito a capital foram mencionados por 10% dos entrevistados cada. Escassez de talentos e lacunas de competências aparecem com 6%.
“O que era visto como um tema operacional passou a ser percebido como um risco estratégico para crescimento, reputação e continuidade dos negócios”, diz Berbert.
A pesquisa também mostra que os CEOs mantêm disposição para realizar transações corporativas nos próximos 12 meses. Nenhum dos entrevistados afirmou que pretende permanecer inativo em operações desse tipo.
As joint ventures lideram as intenções, citadas por 52% dos executivos, seguidas de perto por fusões e aquisições, com 50%. Desinvestimentos aparecem com 32% das respostas, enquanto alianças estratégicas somam 24%.
Vendas estratégicas para patrocinadores financeiros, como fundos de private equity, foram mencionadas por 14%, e ofertas públicas iniciais (IPOs) de subsidiárias ou unidades de negócios, por 12%.
Segundo Berbert, o principal fator por trás desse apetite é a busca por crescimento com menor consumo de capital e menor risco de execução, em um ambiente marcado por volatilidade econômica e custo de financiamento elevado.
“Alianças estratégicas e joint ventures permitem acessar novas capacidades, mercados e tecnologias de forma mais rápida e flexível do que investimentos orgânicos tradicionais”, disse.
Entre os CEOs que planejam realizar fusões e aquisições, todos esperam ampliar o apetite por negócios em relação a 2025. A maioria (64%) prevê um aumento moderado, enquanto 36% esperam uma expansão significativa.
“Os resultados mostram que os CEOs continuam comprometidos com investimentos que apoiem o crescimento e a transformação dos negócios, mas com uma abordagem cada vez mais criteriosa diante do cenário de incertezas”, afirmou.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
“Gosto de entrar em categorias onde a competição é maior, porque ataco as fraquezas dos meus concorrentes.”
É assim que o empresário João Adibe, CEO da Cimed, descreve a estratégia do grupo farmacêutico brasileiro em seu plano para atingir R$ 10 bilhões em faturamento até 2030.
A companhia, que começou com 12 produtos há 49 anos, hoje possui mais de 600 em seu portfólio. Para continuar em crescimento, Adibe entende que o caminho passa por disputar mercado em categorias dominadas por gigantes globais do consumo, como Unilever e P&G.
A Cimed deve faturar cerca de R$ 5 bilhões em 2026 com produtos que vão de gel dental a suplementos. No entanto, Adibe relata que hoje a companhia enfrenta um gargalo para expandir a produção: a elevada taxa de juros. “Como você investe em aumento de capacidade com essa Selic?”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.
Os futuros das ações dos EUA operam sem direção única nesta terça-feira (28), com a queda dos papéis de fabricantes de chips sendo parcialmente compensada pela migração de investidores para outros setores do mercado.
- Arábia Saudita redireciona exportações. A Saudi Aramco passou a ampliar embarques pelo porto egípcio de Sidi Kerir, no Mediterrâneo, diante da redução do tráfego no terminal saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, após novos ataques dos houthis a navios na região.
- Unilever eleva projeções. A fabricante anglo-holandesa passou a projetar que o avanço anual ficará na parte superior da faixa de 4% a 6%. O desempenho foi impulsionado por marcas como Dove e Cif, com recuperação no Brasil e crescimento nos EUA.
- Futuro da Venezuela. As negociações políticas na Venezuela, apoiadas pelos EUA e que têm como objetivo final traçar um caminho para futuras eleições, terão início ainda no próximo sábado, em Caracas, mas já enfrentam resistência de parte da oposição e de setores do chavismo.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
“Gosto de entrar em categorias onde a competição é maior, porque ataco as fraquezas dos meus concorrentes.”
É assim que o empresário João Adibe, CEO da Cimed, descreve a estratégia do grupo farmacêutico brasileiro em seu plano para atingir R$ 10 bilhões em faturamento até 2030.
A companhia, que começou com 12 produtos há 49 anos, hoje possui mais de 600 em seu portfólio. Para continuar em crescimento, Adibe entende que o caminho passa por disputar mercado em categorias dominadas por gigantes globais do consumo, como Unilever e P&G.
A Cimed deve faturar cerca de R$ 5 bilhões em 2026 com produtos que vão de gel dental a suplementos. No entanto, Adibe relata que hoje a companhia enfrenta um gargalo para expandir a produção: a elevada taxa de juros. “Como você investe em aumento de capacidade com essa Selic?”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.
Com a operação rodando no limite, em cerca de 800 milhões de caixas de remédios por ano, Adibe afirma que investir em aumento de capacidade produtiva levaria a um problema de retorno do capital.
“Se eu criar uma fábrica nova hoje, vou me alavancar e o juro atual não paga o lucro que eu tenho. Sou contra um país de 1% [de Selic], mas tenho que fazer escolhas. Não adianta aumentar preço porque a população não compra, temos que calibrar o tempo inteiro e não vamos perder market share”, observa.
Cerca de 90% do custo de matéria-prima da Cimed é em dólar, o que encarece ainda mais a operação. “Desde 2019, o dólar chegou a R$ 5 e nunca mais baixou. Mas fazemos hedge a cada seis meses, não ficamos em uma montanha russa.”
No final de março, a Fitch Ratings rebaixou de ‘AA+(bra)’ para ‘AA(bra)’ a classificação Nacional de Longo Prazo da Cimed.
Em comunicado, a agência informou que o rebaixamento reflete a percepção sobre o aumento do risco de crédito da farmacêutica brasileira, diante da dinâmica competitiva dos setores onde a companhia atua e da “expectativa de um novo patamar de rentabilidade da empresa nos próximos anos, após desempenho operacional mais fraco reportado em 2025”.
A Fitch observou ainda que a exposição aos segmentos de medicamentos genéricos e consumer health “pressiona repasses de preços e margens e se caracteriza por forte concorrência”. Por outro lado, a agência manteve “perspectiva estável” para a companhia com base na expectativa de crescimento gradual nos próximos anos.
Adibe esclarece que o rebaixamento da Fitch ocorre em um cenário de pressão para todo o varejo brasileiro. “É a primeira vez na história que o setor cresce menos de dois dígitos.” Ele também afirma que houve mudanças de tributos no setor farmacêutico, o que obrigou a Cimed a alterar o planejamento financeiro e tributário.
“Nosso faturamento cresceu 40% no primeiro semestre em relação ao ano passado, em um desempenho puxado por todos os indicadores”, diz o executivo, destacando que os resultados (auditados pela KPMG) de geração de caixa e endividamento estão muito superiores ao mesmo intervalo de 2025.
“O risco de endividamento que a Fitch apontou no relatório está totalmente equacionado. Nunca deixamos de entregar aquilo que era o combinado.”
Desenvolvimento de portfólio
Adibe conta que enfrentou resistência ao apresentar a proposta de entrar no segmento de bens de consumo. “Sim, me chamaram de ‘louco’. Nosso DNA é farmacêutico e, em uma empresa de consumo, uma tendência nasce e desaparece em 18 meses. O remédio é eterno”, avalia.
Neste contexto, o executivo afirma que, para ele, as ideias de produtos surgem “caminhando pela rua”.
“Tem que ter novidade, história e precisa entregar [resultado], não pode ser enganação. Se não o consumidor não compra de novo, eu preciso de recorrência”, diz.
Hoje, na Cimed, o medicamento representa 70% do faturamento e o restante vem de bens de consumo. A meta é atingir 50/50. “O maior desafio é criar o hábito de um produto novo. Por que o cliente vai trocar o desodorante, o creme dental, o xampu? Tem que ser uma opção agradável, diferente”, diz.
Adibe está confiante que a Cimed pode ganhar participação de mercado mesmo em um setor dominado por gigantes globais. “Acreditamos que é possível proporcionar uma experiência de produto diferente.”
Na visão do executivo, o país está dividido em dois níveis. “Atualmente, 20 milhões vivem e 180 milhões sobrevivem, substituindo itens.” Neste cenário, ele acredita que somente as marcas que navegarem bem na “pirâmide social” vão sobreviver.
Ele cita como tática a recém-lançada linha de desodorantes que possui o aerossol, que custa R$ 20, roll-on (R$ 12) e, em breve, a versão em creme, que deve custar R$ 5. “Consigo atender todos os públicos com a mesma marca. Queremos vender para os 180 milhões.”
Em paralelo, a empresa aposta em um modelo de distribuição próprio, com 26 centros (CDs) espalhados pelo país, um em cada estado. “Assim, conseguimos dar maior rentabilidade ao varejo. Sem isso, os varejistas não conseguem prosperar”, diz.
A companhia investiu R$ 150 milhões para entregar dois novos CDs para atender à transformação do portfólio. “Tivemos que fazer isso a toque de caixa. Como o mix de produtos mudou, o tamanho das embalagens também, o que altera as margens.”
Nos últimos anos, a empresa lançou novas marcas dentro do portfólio, como João e Maria, voltada para bebês, e Lavitan, de suplementos, e tem uma equipe dedicada a lançamentos da Carmed, que expandiu do hidratante labial para outros itens, como creme dental.
Agora, a companhia tem no cronograma lançamentos de produtos como um bronzeador com proteção solar, além de trabalhar na molécula para uma versão de “caneta emagracedora”, que na avaliação de Adibe pode custar até R$ 100. “A aprovação depende da Anvisa, mas é possível ter o medicamento em um ou dois anos”, estimou.
Sucessão e suporte ao crescimento
Adibe não enxerga, por ora, janela para abertura de capital. Ele afirma que o Fundo Soberano de Cingapura (GIC), que entrou no capital da Cimed no ano passado, não coloca pressão sobre um eventual IPO. “Tive a felicidade de ter um dos melhores parceiros que eu poderia ter, não só pelo valuation, mas pela visão de Brasil, governança. Tem sido um grande aprendizado”, opina.
O GIC entrou na Cimed comprando uma fatia de 5%, de olho no restrito mercado de saúde do Brasil, após nove meses de negociações, relata. Posteriormente, o fundo adquiriu participação adicional de 6%. “O GIC queria mais, mas não deixei, porque é preciso ir passo a passo em uma sociedade.”
Ele comenta que, embora ainda haja resistência de investidores acerca de empresas familiares no Brasil, o GIC buscou entender a atuação da próxima geração na Cimed. “Eles avaliaram que nossos filhos têm muito mais preparo, já que entraram em estruturas maiores. Saber quem são os sucessores foi crucial para a entrada do fundo.”
Adibe é filho do fundador da Cimed, o empresário João de Castro Marques, que faleceu em 2022.
Além do IPO, Adibe não vê, por enquanto, horizonte para aquisições, devido à expectativa de retorno do investimento. A última ocorreu em fevereiro, com a compra da IceFresh, de creme dental. “Olhamos M&As24 horas, mas a conta não fecha. Acho que seria muito mais fácil, hoje, fazer uma fusão.”
Enquanto isso, a empresa investe pesado em marketing. Pela terceira vez consecutiva, a Cimed patrocinou a Copa do Mundo da Fifa. “Existia um paradigma que, em dias de jogos da seleção brasileira, o varejo despenca. Nós conseguimos ter os melhores resultados de vendas no varejo justamente nessas datas.”
A estratégia incluiu anúncios e campanhas em programas de TV para levar o consumidor à farmácia com a proposta “compre 1, leve 2” nas linhas participantes.
Ele quer ampliar o poder das redes sociais da empresa e da família - somente o perfil de Adibe no Instagram soma 5,6 milhões de seguidores - para criar histórias que tragam mais engajamento e vendas. Segundo o executivo, a Copa rendeu três bilhões de visualizações com a marca Cimed, incluindo as menções à empresa em perfis pessoais da família.
Para aproveitar o êxito da Copa, a Cimed vai iniciar uma campanha em agosto com a mesma estratégia, batizada de “Semanão de ofertas”. O plano é oferecer os produtos de linhas selecionadas em dobro nos dez primeiros dias de cada mês. “É quando o varejo está aquecido”, frisa.
Maior operadora de multifamily do Brasil, a proptech REdoor (ex-Tabas) irá licenciar seu software de gestão imobiliária para terceiros como parte de uma estratégia para ampliar as receitas e reposicionar o negócio.
A mudança ocorre poucos meses após a aquisição da proptech pela Brookfield, gestora canadense com atuação global no mercado imobiliário, concluída em março deste ano.
Segundo o CEO Leonardo Morgatto, a nova controladora avaliou que o software, desenvolvido originalmente para apoiar a gestão do próprio portfólio da empresa, poderia ser licenciado para outros operadores do setor.
“Entendemos que a tecnologia foi o ativo de maior valor que construímos nos últimos seis anos e que ela representa nossa principal frente de crescimento daqui para frente”, afirmou Morgatto em entrevista à Bloomberg Línea.
A decisão também levou à mudança de marca da companhia. A antiga Tabas passou a se chamar REdoor – nome da plataforma de software que agora será comercializada para terceiros.
De acordo com o executivo, o software reúne em um único sistema funções normalmente oferecidas por diferentes fornecedores, como captação de inquilinos, gestão de contratos, CRM e cobrança. “Criamos um software end-to-end, enquanto os concorrentes normalmente são especializados”, disse.
A solução da REdoor é aplicada sobretudo ao portfólio de multifamily da própria Brookfield no Brasil, que responde por cerca de 75% a 80% dos ativos operados pela proptech.
A expectativa da REdoor é que a receita da nova divisão de SaaS supere o faturamento da operação de multifamily em cerca de quatro anos. Segundo o executivo, a projeção considera o potencial de escala do modelo de licenciamento, que exige uma estrutura operacional menor do que a gestão direta de imóveis.
“Com o licenciamento de software, poderíamos fazer o onboarding de mais de 10 mil unidades por mês, por exemplo”, disse o CEO. Atualmente, a REdoor tem 3,5 mil unidades sob gestão e pretende fechar o ano de 2026 com 5 mil.
A médio prazo, a proptech mira ampliar o licenciamento para mais operadores de multifamily e também para outros segmentos que administram imóveis, como coworking, student housing e hotelaria.
A empresa atualmente conta com dois contratos ativos de licenciamento do software no Brasil e negocia novas parcerias, incluindo clientes fora do país, segundo Morgatto.
A expectativa é que a internacionalização da plataforma auxilie no ganho de escala, já que o segmento multifamily não chega a 0,1% do mercado de aluguéis brasileiro segundo dados da consultoria Newmark. Nos Estados Unidos, o modelo responde por aproximadamente 47% de todo o mercado de locação residencial.
Para dar andamento à estratégia internacional, a REdoor pretende utilizar a rede de relacionamentos da Brookfield para facilitar a aproximação com operadores de outros países – embora isso não signifique a adoção automática da plataforma pelas empresas ligadas à gestora.
“Não é um software que vai ser implementado de maneira global [nas operações de multifamily da Brookfield]”, afirmou o CEO. “Somos uma empresa independente e vamos buscar essas parcerias de maneira independente.”
Edifício Renata, no centro de São Paulo, operado pela REdoor: antiga Tabas passou a se chamar REdoor – nome da plataforma de software que agora será comercializada para terceiros.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A operação da Intel na América Latina vive um momento positivo apesar das turbulências que afetaram a matriz nos últimos anos, de acordo com o novo chefe da fabricante de chips para a região, o brasileiro João Bortone.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo afirmou que a penetração da marca no Brasil e nos demais países da América Latina chega a superar a de mercados mais maduros, como a Europa, onde a competição é mais acirrada.
“O negócio continua sendo saudável e continua em crescimento. Poderia ser mais? Poderia. Mas a questão de supply também nos afeta, logo que não conseguimos suprir 100% de um mercado no momento”, disse Bortone, sem abrir números.
Bortone, que assumiu a operação latino-americana há pouco mais de três meses em sua segunda passagem na empresa, chegou em um momento de dicotomia entre a necessidade de crescer da companhia e a escassez de chips no mercado.
“Do lado de PCs, temos trabalhado bastante e talvez consigamos uma normalização no curto prazo. Diria que a situação no segundo semestre pode melhorar um pouco”, afirmou o executivo.
As ações globais sobem nesta segunda-feira (27), enquanto o petróleo cai com a redução das hostilidades no Oriente Médio, em um início de semana marcado por balanços corporativos e decisões de política monetária.
- Brasil reage a declarações de Milei. O governo brasileiro convocou seu embaixador na Argentina e o representante argentino em Brasília para consultas após o presidente Javier Milei ter atacado o presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes durante ato de campanha do candidato Flávio Bolsonaro.
- EUA e Irã mantêm pausa nos ataques. A ausência de novos confrontos pelo terceiro dia consecutivo no Oriente Médio reduziu a cautela dos investidores, derrubou o preço do petróleo e impulsionou bolsas globais, enquanto o presidente Donald Trump sinalizou espaço para negociações diplomáticas.
- Nvidia negocia apoio à OpenAI. A fabricante de chips discute oferecer uma garantia de até US$ 250 bilhões para ajudar a OpenAI a alugar capacidade em um megadata center de US$ 500 bilhões que o SoftBank planeja construir em Ohio, segundo fontes que falaram com a Bloomberg News.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
A Argentina recebeu, entre janeiro e maio deste ano, quase 1,19 milhão de turistas residentes em países não vizinhos, um aumento de 39% em relação aos mesmos cinco meses de 2023, quando o diferencial cambial ultrapassava 200% e sair para jantar em Buenos Aires era extremamente barato para qualquer visitante que chegasse com dólares ou euros.
Os dados são provenientes das Estatísticas de Turismo Internacional (ETI) do Indec e sugerem que a Argentina não precisa ser tão barata em dólares para atrair turistas norte-americanos, europeus ou asiáticos.
A Secretaria de Turismo, liderada por Daniel Scioli, informou que, entre janeiro e junho, o turismo de pessoas residentes em países não vizinhos atingiu um recorde histórico de 1,43 milhão de pessoas.
O pico anterior havia ocorrido em 2019 (1,38 milhão), enquanto em 2023 foram 1,17 milhão os turistas com as mesmas características que entraram na Argentina durante o primeiro semestre.
Por outro lado, a própria Secretaria destacou que o turismo não fronteiriço representa hoje 46% do total, contra 33% no primeiro semestre de 2023.
Esse fenômeno contrasta com o que ocorre com os turistas de países vizinhos, cujo fluxo ficou 29% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2023 — período em que, devido à diferença cambial promovida pelo governo de Alberto Fernández, a dinâmica tornava extremamente barato o consumo em supermercados, entretenimento e gastronomia para quem cruzava a fronteira com pesos chilenos, guaranis, bolivianos, dólares ou reais.
Os números por região
O crescimento do turismo não fronteiriço ocorreu em todos os mercados de origem, mas o aumento mais acentuado em relação a 2023 foi o da categoria “resto do mundo”, que inclui turistas da Ásia, Oriente Médio, África e Oceania, que quase dobrou.
De acordo com os dados das ETI do Indec, o número passou de 65.800 visitantes entre janeiro e maio de 2023 para 127.000 no mesmo período de 2026, um aumento de 93%.
A Europa contribuiu com o maior volume absoluto, com 458.400 turistas, contra 330.300 em 2023, um aumento de cerca de 39%.
Os Estados Unidos e o Canadá somaram 329.200, 29,5% a mais do que há três anos. E o restante da América cresceu 34,7%, chegando a 270.200 visitantes.
A Secretaria de Turismo atribuiu o forte crescimento à desregulamentação do “céu aberto”, que possibilitou mais voos internacionais, e à simplificação da concessão de vistos para cidadãos da China, Índia e República Dominicana, que agora podem entrar na Argentina com seu visto dos Estados Unidos, sem a necessidade de solicitar um visto adicional nem pagar outra taxa.
Também foi mencionado o lançamento de novas rotas aéreas, como o voo da China com escala na Nova Zelândia, que conectou diretamente o gigante asiático à Argentina. Atualmente, trata-se do trecho mais longo do mundo.
Por fim, destacaram a eficácia das diferentes campanhas de promoção internacional impulsionadas pelo Instituto Nacional de Promoção Turística (Inprotur).
“Conseguimos essa chegada histórica de turistas entre janeiro e junho deste ano”, disse Daniel Scioli à Bloomberg Línea.
Campanhas internacionais de promoção
O Inprotur informou que, desde o final de setembro de 2025, está em andamento a campanha “Freedom Lives Here” (“A liberdade mora aqui”, em tradução livre), divulgada em nove idiomas e voltada para mais de 18 mercados internacionais, entre eles Estados Unidos, Colômbia, Peru, México, Itália, Espanha, Alemanha, Reino Unido, França, Países Baixos, Austrália, Nova Zelândia, Índia e China.
Desde o seu lançamento, a campanha acumulou 400 milhões de impressões e alcançou mais de 250 milhões de usuários únicos, uma média de 24 milhões por mês.
A campanha é veiculada por meio do Google Ads e da Meta, e será ampliada em breve para outras plataformas, precisaram. Seu foco é posicionar a Argentina como um destino “livre e seguro”, o que o órgão identifica como uma das principais demandas do turista internacional.
Além da subcampanha mais recente, chamada “Grandeza”, o Inprotur também destacou parcerias comerciais com companhias aéreas e agências de turismo online, como Expedia e Decolar, que ajudam a promover o destino em escala global.
Segundo Paula Cristi, gerente geral da Decolar para a Argentina e o Uruguai, “a melhoria na conectividade aérea internacional, com novas rotas, mais companhias aéreas chegando ao nosso país e um aumento na frequência dos voos, ampliou as opções para viajar para a Argentina a partir da Europa, dos Estados Unidos e de outros mercados de longa distância”, disse à Bloomberg Línea.
A executiva destacou que o turista de longa distância planeja com maior antecedência, permanece mais noites no destino e visita vários pontos do país, o que gera um maior impacto econômico em toda a cadeia turística.
Ela afirmou, além disso, que a Argentina se consolida como uma alternativa atraente na América do Sul para viagens de longo alcance, em um contexto em que os viajantes buscam maximizar o valor de suas férias.
Fator preço
Uma pessoa que trabalha no setor e pediu para permanecer anônima acrescentou outro elemento à análise desse recorde histórico: embora a Argentina opere com uma taxa de câmbio que muitos consideram desatualizada, há destinos nos Estados Unidos que são muito caros e, em comparação com eles, a Argentina consegue competir em termos de preço. Na opinião dela, isso funciona como um fator adicional que inclina a balança a favor do país.
Os dados sugerem que a competitividade turística da Argentina não depende exclusivamente da taxa de câmbio, mas de uma combinação de conectividade, promoção, simplificação de trâmites e uma relação preço-experiência que, mesmo sem o subsídio implícito que a diferença de de câmbio oferecia, continua atraente para o turista de longa distância, acrescentou a mesma pessoa.
O impacto econômico das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ser “limitado”, segundo relatório do Goldman Sachs assinado pelo economista Alberto Ramos e divulgado nesta sexta-feira (24).
O banco estima que a tarifa de 25%, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, incide sobre cerca de um quarto das importações dos Estados Unidos provenientes do Brasil, o equivalente a US$ 10,2 bilhões, ou 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Considerando esse pacote em conjunto com tarifas anteriores impostas pelo governo Trump sobre setores como metais e veículos e peças, o Goldman Sachs projeta a taxa tarifária efetiva geral dos Estados Unidos sobre as importações do Brasil em 16,8%.
Segundo o banco, esse patamar é o segundo mais alto entre os parceiros comerciais dos Estados Unidos, atrás apenas da China.
O cálculo do banco incorpora a tarifa de 12,5% relacionada a alegações de trabalho forçado, também baseada na Seção 301, que substitui a tarifa de 10% da Seção 122, expirada em 24 de julho.
O Goldman Sachs não projeta retaliação do Brasil antes da eleição presidencial de outubro. Uma eventual resposta após o pleito, segundo o banco, tenderia a ser “moderada e limitada”, de acordo com texto assinado pelo diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina.
Enquanto isso, o banco espera que o governo brasileiro ofereça linhas de crédito aos setores e indústrias exportadoras mais afetados pelas tarifas.
De acordo com dados de 2025 usados pelo Goldman Sachs, as exportações do Brasil aos Estados Unidos equivalem a 1,7% do PIB brasileiro, o segundo menor percentual entre os países latino-americanos analisados pelo banco, à frente apenas da Argentina (1,3%).
O México lidera o grupo, com exportações aos EUA equivalentes a 29,0% do PIB, seguido por Equador (7,2%), Chile (5,3%), Colômbia (3,9%) e Peru (3,2%). A média do conjunto de sete países da América Latina considerados pelo banco é de 10,5% do PIB.
Apesar do peso menor das exportações aos EUA em relação ao PIB, o Brasil apresenta a maior taxa tarifária efetiva entre os países latino-americanos analisados pelo Goldman Sachs: 16,8%.
Em comparação, a taxa efetiva do México é de 7,2%, a do Peru é de 8,5%, a do Chile e da Colômbia é de 6,1% cada, a da Argentina é de 7,1% e a do Equador é de 4,4%. A média do grupo de sete países é de 7,3%.
Tarifas ‘em camadas’
A tarifa de 25% entrou em vigor em 22 de julho, após um ano de investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).
O órgão concluiu que práticas brasileiras relacionadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais concedidas a países como México e Índia, fiscalização anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal prejudicam trabalhadores e empresas americanas.
Café, suco de laranja, carne bovina, terras raras, metais selecionados, fertilizantes, produtos farmacêuticos e peças de aeronaves ficaram fora da lista de produtos taxados.
Em relatório de 16 de julho, o Goldman Sachs havia calculado que essas exceções cobrem US$ 2,1 bilhões adicionais em importações dos Estados Unidos vindas do Brasil, reduzindo para 26% a parcela das importações brasileiras sujeita à tarifa de 25%, ante 31% previstos na versão preliminar de junho.
Essa mesma tarifa de 25% substitui a alíquota de 50% imposta pelo governo Trump sobre uma ampla gama de produtos brasileiros no ano passado, composta por uma tarifa recíproca de 10% e uma tarifa adicional de 40%. Essas tarifas, baseadas na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro.
Após a entrada em vigor da tarifa de 25%, os Estados Unidos anunciaram um segundo pacote decorrente de investigação sobre a falha de cerca de 60 economias em impedir o trabalho forçado em cadeias de suprimentos.
O Brasil foi incluído no grupo de países taxados em 12,5%, junto com dezenas de outras economias, enquanto cerca de dez parceiros comerciais dos Estados Unidos considerados como tendo adotado proibições ao trabalho forçado ficaram sujeitos a uma taxa de 10%.
Essa tarifa entrou em vigor nesta sexta (24), mesma data em que expirou a tarifa global de 10% da Seção 122 imposta pelos Estados Unidos após a Suprema Corte derrubar o tarifaço anterior de Donald Trump contra o Brasil.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Os negócios do vinho no mundo vivem uma das piores crises da história, mas nem todas as vinícolas sofrem tanto ou da mesma forma. Com mudanças de hábitos, aquecimento global e pressão por causa de embates geopolíticos, o consumo se torna cada vez menor.
Apesar desse cenário de retração global, a italiana Piccini, fundada em 1882 na Toscana, tem feito o caminho inverso. O grupo familiar passou de um faturamento de US$ 160 milhões em 2022 para US$ 181 milhões em 2025, alta de quase 15%, com cerca de 70% da receita vinda do mercado externo.
O avanço é resultado de uma estratégia que vai contra o que muitas das empresas do setor têm feito no mundo. Enquanto boa parte dos produtores responde à crise apostando na premiumização, com vinhos mais caros e em menor volume, Mario Piccini, presidente e membro da quarta geração da família à frente do grupo, defende o oposto.
Para ele, o setor afastou o consumidor ao transformar a bebida em algo complexo, caro e difícil. “Nos últimos 20 anos, o vinho se tornou complicado demais. Para beber uma taça de vinho, você precisa ser enólogo, e isso está errado”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.
A estratégia para crescer, contou, parte de um produto de bom custo-benefício, com rótulo e mensagem de leitura fácil, voltado também às gerações mais jovens.
Os futuros das ações dos Estados Unidos operam em leve alta nesta sexta-feira (24), após registrarem, na véspera, a maior queda do mês, enquanto o petróleo Brent recua para abaixo de US$ 100 por barril.
- Novas tarifas dos EUA. O governo Trump implementou novas tarifas de 10% a 12,5% sobre importações da maioria de seus parceiros comerciais, com base em uma investigação sobre trabalho forçado nas cadeias de suprimentos. O Brasil foi taxado em 12,5%.
- Mar Vermelho em alerta. Ataques dos houthis elevam os riscos para a navegação na região e levam armadores a rever rotas entre a Arábia Saudita e a Ásia. Enquanto alguns petroleiros seguem por Bab el-Mandeb com os transponders desligados, outros optam pelo desvio via o Canal de Suez.
- Volkswagen sob pressão. A montadora reduziu sua projeção para 2026 e passou a prever queda de até 3% na receita, refletindo a forte retração das vendas na China e o avanço das montadoras chinesas na Europa. A revisão reforça a pressão sobre o CEO Oliver Blume para acelerar o plano de reestruturação.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
Em uma das farmácias mais exclusivas do Brasil, instalada dentro de um condomínio de milionários no interior de São Paulo, o cliente que se aproxima do balcão raramente está doente.
Ele chega depois do médico, com exames em dia, em busca de longevidade, dermocosméticos importados e canetas emagrecedoras, um retrato de como funciona o varejo farmacêutico nos endereços de renda mais concentrada do país.
O fenômeno importa porque inverte a lógica do setor. Enquanto nas redes tradicionais os medicamentos respondem por 60% a 70% do faturamento, na operação voltada ao público de altíssima renda a proporção se inverte, com 60% da receita vinda de dermocosméticos, perfumaria e itens sem prescrição e apenas 40% de remédios.
“Muitas vezes, ele nem está doente. Já fez exames, já passou pelo médico, já fez um trabalho preventivo. Ele vai à farmácia em busca de longevidade e estilo de vida”, afirmou Leonardo Diniz Jorge, sócio-diretor do Grupo DI, controlador das redes Drogaria Iguatemi e Discover, à Bloomberg Línea.
Poucas famílias conhecem esse cliente há tanto tempo. Segunda geração à frente do negócio, que divide com a irmã Karina desde 2021, Diniz Jorge herdou uma trajetória iniciada na distribuição de medicamentos e consolidada no térreo do primeiro shopping center do país, o Iguatemi, inaugurado em 1966 na então Rua Iguatemi, atual Avenida Brigadeiro Faria Lima, onde a drogaria adquirida pela família opera há quase 60 anos como precursora do modelo de farmácia de shopping.
O laboratório mais recente desse aprendizado é o Complexo Boa Vista, da JHSF (JHSF3), em Porto Feliz, a 100 km da capital, formado pelos condomínios Fazenda Boa Vista e Boa Vista Estates e pelo Boa Vista Village, que concentra o centro social e comercial, com campo de golfe, hotel e piscina de ondas.
O grupo abriu a primeira loja durante a pandemia dentro do condomínio Fazenda Boa Vista, área restrita a moradores, convidados e hóspedes.
A segunda unidade, sob a bandeira Discover, ocupa 150 metros quadrados no CJ Boa Vista Village, o mall de 15 mil metros quadrados de área bruta locável que a JHSF abriu ao público em 31 de maio e que estende a marca Cidade Jardim ao interior paulista, com cerca de 100 operações que incluem Loro Piana, Louis Vuitton e a Galapagos Capital Art House, além do anúncio de uma futura unidade do Hospital Israelita Albert Einstein.
“Nos posicionamos ali porque entendemos que aquele espaço vai se tornar um hub premium”, disse Diniz Jorge, ao projetar demanda também de moradores de cidades vizinhas como Sorocaba, Porto Feliz e Boituva, além do paulistano que passa o dia no complexo.
A diferença central desse cliente, segundo o sócio-diretor, está na disponibilidade para consumir. Na segunda residência, longe do trânsito da capital, o frequentador examina produtos com calma e aceita tíquetes mais altos, comportamento que o grupo batizou de smart luxury, combinação de dermocosméticos com respaldo científico e pequenas indulgências.
“O tempo, hoje, é o maior luxo. Quem tem saúde e tempo consegue comprar um produto de valor agregado mais alto, porque tem tempo para examinar”, afirmou o executivo.
O sortimento reflete essa visão. A companhia afirma trabalhar com algo entre 3.000 e 5.000 itens diferentes de dermocosméticos, volume que considera o maior do varejo farmacêutico brasileiro na categoria, incluindo marcas de nicho difíceis de encontrar no país, caso da francesa Filorga, além de lançamentos negociados em primeira mão com a indústria.
A curadoria se estende à marca própria NuSpace, que ocupa nichos identificados pela equipe, de ceras capilares produzidas no Brasil a preços menores que as importadas até acessórios de cabelo inspirados em tendências globais, como como o elástico de cabelo da Kknekki, marca criada na Coreia do Sul e hoje controlada pela norueguesa Bon Dep, popularizado pelo atacante Erling Haaland.
Motor da operação
As canetas emagrecedoras à base de GLP-1 (Glucagon Like Peptide-1), hormônio que regula apetite e glicemia, são outro motor da operação. De cada dez unidades vendidas, nove são Mounjaro, do laboratório Eli Lilly, e uma se divide entre Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk. Segundo o sócio-diretor, o público de alta renda seguirá fiel às marcas originais mesmo com a chegada de similares.
Ele projeta que as versões orais dos emagrecedores, já lançadas no Reino Unido, cheguem às farmácias brasileiras até o fim do ano.
O executivo observa ainda uma mudança de comportamento entre os clientes que iniciam o tratamento, com reflexo direto em outras categorias da loja.
“Depois que a pessoa começa o tratamento, o cuidado aumenta. Ela deixa de se alimentar em excesso e consome até menos bebida alcoólica, porque o produto tem esse fator comprovado”, disse Diniz Jorge.
O efeito mais visível aparece na proteína. O volume de vendas da categoria, que reúne whey protein, barras, cafés e outras suplementações, cresce mais de 80% em relação ao ano passado.
A rede lançou snacks proteicos, prepara para julho a estreia de água com proteína e passou a tratar o segmento como categoria própria, não mais como subdivisão de suplementação.
“Toda hora aparece uma reportagem sobre proteína, e parece até exagero, mas não é. A indústria da proteína vai mudar o mercado”, afirmou o executivo.
O canal digital acompanha o movimento. Site, aplicativos e o concierge por WhatsApp batizado DI For You já respondem por 18% a 20% do faturamento do grupo.
A entrega dentro dos condomínios do Complexo Boa Vista ainda depende de autorização das administrações, mas está em estudo, com previsão de início até o fim do ano, priorizando as temporadas de férias, quando a população local aumenta.
“O shampoo acabou quando a pessoa estava entrando no banho. É muito mais fácil pedir e receber do que ir até a loja”, disse o sócio-diretor, ao descrever a demanda por conveniência mesmo entre vizinhos da farmácia.
Nova unidade em Moema
A relação com a JHSF vai além do interior. Das cinco lojas Discover, uma opera no CJ Shops Jardins, mall da incorporadora nos Jardins, em São Paulo, o que coloca o grupo em dois ativos do ecossistema de luxo da JHSF.
A escolha da bandeira foi deliberada: a companhia reserva o nome Drogaria Iguatemi aos empreendimentos ligados ao grupo Iguatemi, rival direto da JHSF nos shoppings de luxo, e usa a Discover nos demais endereços para evitar confusão ao consumidor.
No CJ Boa Vista Village, não há cláusula de exclusividade, mas o Grupo DI é, por ora, a única farmácia do mall.
A experiência no interior alimenta o novo ciclo de expansão da companhia, que hoje soma dez lojas entre São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, sendo seis Drogaria Iguatemi e quatro Discover, marca criada há dez anos. A 11ª unidade, prevista para agosto em Moema, na zona sul da capital paulista, virá sob a bandeira Drogaria Iguatemi e ocupará o ponto onde funcionou por quatro décadas a perfumaria Baeté.
Com investimento de até R$ 2 milhões por loja, um plano que intercala shoppings e pontos de rua icônicos e a convicção, repetida por consultores do setor, de que o luxo não retrocede, o grupo aposta que os enclaves de altíssima renda no interior paulista serão a próxima fronteira do varejo farmacêutico premium.
Loja da Discover no CJ Boa Vista Village, em Porto Feliz (SP): única farmácia do mall da JHSF, que reúne marcas como Loro Piana e Louis Vuitton, tem 150 m² voltados a dermocosméticos, suplementação e wellness (Foto: Divulgação)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Como convencer o cliente acostumado a marcas como Mercedes-Benz, BMW e Volvo a experimentar um carro chinês é o grande desafio da Denza, montadora do segmento premium controlada pela BYD.
Hoje com apenas um modelo à venda no mercado brasileiro - o SUV híbrido B5 -, a empresa planeja ampliar a rede de distribuição dos atuais cinco pontos de venda no país para 22 até o final do ano.
“A Denza não pode ter pressa, mas precisa ter presença”, disse o diretor da marca no Brasil, Werner Schaal, em entrevista à Bloomberg Línea.
O B5 tem preços a partir de R$ 405.000 e R$ 449.000, dependendo da versão. No primeiro semestre, a montadora emplacou 1.352 unidades do modelo, segundo dados da Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias do país.
“O B5 é uma quebra de paradigma no segmento premium. Em apenas sete meses, já superou marcas consolidadas”, disse o executivo.
As ações globais operam em queda nesta quinta-feira (23) à medida que a preocupação com os gastos cada vez maiores em inteligência artificial superou o impacto de um balanço trimestral sólido da Alphabet.
- Flávio Bolsonaro nega irregularidades. O candidato à Presidência afirmou que seu escritório de advocacia manteve uma relação comercial regular com a Contabil Correa e negou ter recebido recursos ligados ao Banco Master, após reportagens apontarem notas fiscais emitidas para empresas associadas ao caso.
- Nestlé vende metade de divisão de águas. A companhia suíça fechou acordo para criar uma joint venture com a Platinum Equity, dona de marcas como Perrier e S.Pellegrino, como parte da estratégia de focar em negócios principais. O anúncio ocorreu junto com a divulgação do balanço do primeiro semestre da companhia.
- Ford e Geely concordam em compartilhar fábrica. A montadora chinesa firmou acordo para usar uma linha ociosa da fábrica da Ford em Almussafes, na Espanha, segundo fontes a par do assunto que falaram com a Bloomberg News. O anúncio deve ser feito pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez nesta quinta-feira.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
Como convencer o cliente acostumado a marcas como Mercedes-Benz, BMW e Volvo a experimentar um carro chinês é o grande desafio da Denza, montadora do segmento premium controlada pela BYD.
Hoje com apenas um modelo à venda no mercado brasileiro - o SUV híbrido B5 -, a empresa planeja ampliar a rede de distribuição dos atuais cinco pontos de venda no país para 22 até o final do ano.
“A Denza não pode ter pressa, mas precisa ter presença”, disse o diretor da marca no Brasil, Werner Schaal, em entrevista à Bloomberg Línea.
O B5 tem preços a partir de R$ 405.000 e R$ 449.000, dependendo da versão. No primeiro semestre, a montadora emplacou 1.352 unidades do modelo, segundo dados da Fenabrave, entidade que reúne as concessionárias do país.
“O B5 é uma quebra de paradigma no segmento premium. Em apenas sete meses, já superou marcas consolidadas”, disse o executivo.
O modelo é equipado com dois motores elétricos e um motor 1.5 turbo a combustão e tração nas quatro rodas (4×4), muito utilizada em trilhas e terrenos off-road. A promessa é de uma autonomia total combinada de até 1.200 quilômetros. Somente no modo elétrico, a estimativa é de aproximadamente 75 a 100 km.
Schaal diz que o concorrente natural do B5, que tem a aparência de um jipe grande, é a Defender, da Land Rover. O modelo da marca britânica custa a partir de R$ 800.000, em média, no Brasil.
Para o executivo, contudo, o B5 consegue oferecer um nível de tecnologia embarcada elevado, com 16 modos de condução, mais de 600 cv de potência, além do posicionamento de preço.
“É um carro que consegue oferecer tecnologia, conforto, sofisticação e ser um off-road com preço interessante para o brasileiro.”
Embora o modelo britânico seja um concorrente natural em termos de características técnicas, Schaal afirma que o B5 tem atraído consumidores de outras categorias. Ele cita como exemplos os compradores da X3, da BMW, ou GLC, da Mercedes. “Estes clientes vêm de categorias que não são tão comparáveis com o B5.”
A chegada do esportivo Z9 GT ao mercado brasileiro está confirmada para o segundo semestre, com preço a partir de R$ 650.000, bem como da D9, uma multi-purpose van (MPV), ou veículo grande de diferentes usos, com características de luxo. O modelo atende desde empresas de transporte executivo até famílias grandes. O preço ainda não foi divulgado.
Atualmente, o principal concorrente do D9 é a Carnival, da Kia, que tem preço sugerido a partir de R$ 684.990. Com acessórios e blindagem (algo que, segundo lojistas, é a prática mais comum no mercado brasileiro), o modelo da marca coreana pode chegar a R$ 850.000.
“O que posso garantir é que o D9 entrega muito mais tecnologia, conforto e luxo interno. É um carro bem acima do Kia Carnival nesses aspectos”, disse Schaal.
Ele acrescenta que o Z9 chegará com a tecnologia flash charge, de carregamento ultrarrápido, que segundo o executivo é tão rápido quanto abastecer no tanque de combustível. “Esses atributos são uma disrupção no mercado brasileiro, ainda não existe essa tecnologia disponível [para o consumidor] no país.”
A Denza foi criada em 2010 por meio de uma joint venture (50/50) entre a BYD e a Mercedes para desenvolver veículos elétricos premium. Posteriormente, a chinesa comprou a totalidade da Denza e iniciou um plano de expansão internacional, começando pelos mercados do Brasil e do México.
Agora, a montadora está chegando à Europa, Oriente Médio e Austrália. “Ter a BYD por trás ajuda, mas a Denza tem vida própria e identidade própria. Trazemos as tecnologias mais inovadoras”, diz Schaal.
Pop-ups e produção local
Além das concessionárias, a Denza trabalha com operações pop-up em shopping centers. Segundo o executivo, o conceito envolve uma atividade preliminar para ativar o mercado enquanto a concessionária está para ser entregue.
“É um pré-atendimento por um período determinado. A pop-up tem que ser algo temporário, não permanente”, diz.
Ele destaca que o objetivo da Denza é figurar entre as líderes do segmento premium no Brasil. Embora não tenha uma meta definida de vendas, Schaal afirma que a montadora avalia produzir eventualmente em território brasileiro.
“Estamos avaliando, sem dúvida, é algo que está no nosso radar. Ainda não está confirmado, mas a fábrica [da BYD] é enorme e, se isso fizer sentido, vamos avaliar com certeza”, diz.
A América Latina e o Caribe passaram de ter apenas três países de alta renda em 1987 para 19 em 2025, embora esses resultados ainda escondam profundas ineficiências em suas economias, de acordo com a classificação atualizada do Banco Mundial.
O avanço refletiria principalmente o desempenho de pequenos países do Caribe, em meio a fenômenos como o boom da exploração de hidrocarbonetos, e de economias de menor porte no restante da região.
No Caribe, a renda alta costuma ser explicada pelo turismo, pelos serviços financeiros, pela energia em alguns casos e por economias pequenas nas quais certos setores externos têm grande peso na renda per capita.
Enquanto isso, as grandes economias da região continuam presas na chamada “armadilha da renda média”, com desafios persistentes em termos de produtividade, investimento e institucionalidade.
A classificação do Banco Mundial é atualizada anualmente com base nas estimativas do rendimento nacional bruto (RNB) per capita do ano civil anterior.
O relatório agrupa as economias em quatro categorias: de baixa renda, de renda média-baixa, de renda média-alta e de alta renda.
A edição deste ano inclui 218 países e servirá como referência mundial até o final de junho de 2027.
“Se considerarmos a população, a América Latina continua teimosamente na categoria de renda média. O número aumenta, mas a massa não se move”, falou à Bloomberg Línea o economista do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), Jonathan Fortun.
E “vale lembrar que o limiar do Banco Mundial é relativo e nominal. Trata-se de um nível de renda per capita em dólares que é reajustado para cima a cada ano, cerca de 2% a 3% ao ano, de modo que ultrapassá-lo é uma corrida contra um alvo móvel”, destacou o economista do IIF.
Nesse sentido, ele explica que é possível ultrapassar o limite por meio de uma valorização real ou de um choque nos termos de troca, sem que haja um único ponto a mais de produtividade por trás disso.
A Guiana é um caso excepcional devido ao “boom” petrolífero que multiplicou sua renda per capita em poucos anos, embora, para Fortun, seja “mais um salto contábil do que desenvolvimento”.
Emanoelle Santos, analista de mercados do aplicativo de investimentos XTB, afirma que o avanço da América Latina e do Caribe no ranking de renda do Banco Mundial reflete uma combinação de crescimento, estabilização macroeconômica, abertura comercial, expansão do turismo, desenvolvimento de serviços financeiros e melhoria da renda per capita em várias pequenas economias do Caribe.
“A região superou parte da deterioração dos anos 80, quando a inflação, a dívida e a instabilidade cambial limitavam a convergência”, afirmou Santos à Bloomberg Línea. “Mas o dado deve ser interpretado com cautela, pois o Banco Mundial classifica economias, não apenas países soberanos; por isso, nesse avanço, aparecem territórios caribenhos com baixa população, alta exposição ao turismo, serviços offshore ou vínculos institucionais com economias desenvolvidas”.
Em outras palavras, a região tem mais economias de alta renda do que há quatro décadas, mas isso não significa que tenha superado suas lacunas estruturais.
A produtividade, a informalidade, o investimento e a qualidade institucional continuam marcando uma diferença importante entre os países que conseguiram convergir e aqueles que ficaram para trás.
Países de alta renda na América Latina
Na região, os países mais bem posicionados incluem o Chile, o Uruguai, o Panamá e a Costa Rica, que entrou na categoria de economias de alta renda no relatório do ano passado.
Esses países têm em comum uma estabilidade macroeconômica e institucional sustentada ao longo dos anos, bem como políticas econômicas que mantiveram sua credibilidade apesar das mudanças de governo.
Além disso, esses países conseguiram se integrar com sucesso à economia global ao se especializarem em setores específicos.
Por exemplo, o Panamá consolidou um polo logístico e financeiro em torno do Canal, enquanto a Costa Rica atraiu investimentos estrangeiros em dispositivos médicos e em serviços de alto valor.
Por sua vez, o Chile combinou sua liderança na produção de cobre com uma política fiscal responsável e uma economia aberta.
E o Uruguai fortaleceu suas instituições e desenvolveu um sólido complexo agroexportador e de serviços.
“Nenhum deles tentou fazer de tudo. Escolheram um caminho e defenderam as instituições em torno desse caminho, tendo a abertura como disciplina competitiva”, indicou Fortun. “O tamanho reduzido ajuda, porque a matemática da média é mais favorável, embora o ingrediente que realmente os distingue seja a credibilidade transformada em previsibilidade”.
Para Emanoelle Santos, outro elemento comum a esses países é a capacidade de manter receitas em dólares ou de alto valor agregado com maior estabilidade macroeconômica do que a média regional.
“O padrão não é idêntico em todos, mas há uma ideia comum de estabilidade, abertura, serviços exportáveis e capacidade de atrair capital, o que permite elevar a renda per capita mais rapidamente do que em economias dependentes de setores informais ou de baixa produtividade”, observou.
De qualquer forma, embora uma renda per capita mais elevada geralmente esteja associada a melhorias na educação, saúde, infraestrutura e redução da pobreza, o bem-estar depende também de como esse crescimento é distribuído e da capacidade de gerar aumentos sustentáveis na produtividade.
“Existem países classificados como de alta renda que ainda apresentam desigualdades significativas ou desafios estruturais”, comentou a este veículo Paula Chaves, analista de mercados da Greyhound Trading. Por isso, “a classificação do Banco Mundial é uma referência econômica muito útil, mas, por si só, não resume o nível de desenvolvimento ou a qualidade de vida de uma sociedade”.
Países como Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Honduras e Haiti pertencem tecnicamente ao grupo de renda média-baixa.
“O que mantém esse grupo na parte inferior é sempre semelhante. Instituições enfraquecidas e credibilidade política perdida, em uma base que depende de uma commodity ou de remessas e que pouca poupa e investe. Nos casos mais graves, soma-se um regime macroeconômico que acabou consumindo suas próprias reservas”, disse Fortun.
Ele se refere ao caso específico da Bolívia, um país que defendeu uma taxa de câmbio fixa por quatorze anos, muito além do ponto em que as reservas deixaram de ser adequadas.
De acordo com dados fornecidos pelo IIF, as reservas bolivianas estão em cerca de US$ 3,5 bilhões, mas apenas uma fração mínima é líquida em moeda estrangeira e o restante é ouro monetário, grande parte já vendida a termo.
Enquanto isso, as exportações de gás caíram cerca de 75% desde 2017, à medida que os campos se esgotaram e o contrato com a Argentina chegou ao fim, e os hidrocarbonetos passaram de mais da metade das exportações para cerca de um décimo.
O déficit fiscal ampliou-se para mais de 12% do PIB, financiado pelo banco central, e a dívida pública quase dobrou, ultrapassando 100% do PIB.
“Um país passa uma década transformando uma bonança de commodities em consumo e em uma âncora nominal defendida, e quando a bonança chega ao fim, não há base produtiva por baixo. A Venezuela é o mesmo roteiro, mas escrito com mais violência”, comentou Fortun.
O tamanho do mercado, por si só, não garante a obtenção de rendas elevadas, segundo Paula Chaves, da Greyhound Trading.
De fato, as grandes economias da região costumam enfrentar desafios estruturais muito mais complexos.
“São economias com um enorme potencial, mas precisam acelerar reformas que aumentem a produtividade para poderem convergir para níveis de renda próprios de países desenvolvidos”, comentou Chaves.
Para as grandes economias da região, como Brasil, México, Argentina, Colômbia e Peru, o tamanho da população torna mais difícil elevar a renda média.
Segundo Fortun, “aumentar a renda média de 213 milhões de brasileiros ou de mais de 130 milhões de mexicanos exige uma produtividade de base ampla que nenhum nicho pode substituir”.
A maioria desses países continua enfrentando a chamada “armadilha da renda média”.
Depois de aproveitar o boom das matérias-primas e a migração da mão de obra do campo, elas não conseguiram impulsionar suficientemente a produtividade, a inovação e o capital humano.
“Essas economias esgotaram os ganhos fáceis, o deslocamento de mão de obra do setor agrícola e o superciclo das commodities, sem construir, posteriormente, o motor de inovação e capital humano que distingue a renda média-alta da alta”, acrescentou o economista do IIF.
Há ainda altos níveis de informalidade, baixo investimento e episódios de instabilidade macroeconômica, fatores que mantêm esses países presos no nível de renda média.
“O grande mercado interno, paradoxalmente, reduz a pressão para competir no exterior, de modo que as empresas se otimizam para o lucro local antes de se voltarem para o mercado global”, analisou Fortun. “E como o patamar continua subindo, permanecer estagnado em termos de produtividade equivale a retroceder em termos relativos. A armadilha da renda média é, no fundo, uma armadilha de produtividade”.
De acordo com Emanoelle Santos, da XTB, para que grandes economias como Brasil, México, Colômbia, Peru ou Argentina deem o salto, não basta um bom ciclo de commodities ou uma valorização temporária de suas moedas.
Na opinião dela, são necessários vários anos de crescimento real da renda per capita, inflação controlada, maior investimento, estabilidade cambial e uma melhora visível na produtividade.
Também são necessários maior segurança jurídica, melhor educação técnica, mais concorrência, profundidade financeira e regras fiscais confiáveis.
Alguns países podem se aproximar desse limiar devido a fatores cíclicos, como os preços das commodities ou a taxa de câmbio, mas manter-se em níveis elevados de renda exige algo mais difícil: crescer de forma sustentável sem perder a estabilidade macroeconômica nem depender de um único motor externo.
Apesar do aumento no número de países de alta renda, região ainda enfrenta a "armadilha da renda média": grandes economias não conseguem elevar produtividade e investimentos. (Foto: Shutterstock)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Após a pandemia transformar a relação entre empresas e espaços de trabalho, a consultoria global JLL vê oportunidades importantes no mercado latino-americano, com destaque para cinco países.
Do Brasil ao México, o presidente da divisão de Work Dynamics para a América Latina da JLL, Washington Botelho, identifica desafios para todos os mercados, mas oportunidades únicas.
“A transformação do mercado de escritórios não é um evento único, mas um processo contínuo. As empresas que conseguirem navegar por essa transformação, criando ambientes que atraiam talentos e gerando receita recorrente previsível, serão as vencedoras”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.
Botelho, que também foi nomeado recentemente CEO para a JLL no Brasil, vê oportunidades em cinco mercados: México, Brasil, Chile, Colômbia e Costa Rica. Adicionalmente, o executivo está otimista para Porto Rico, que embora seja um território dos Estados Unidos, também integra o escopo de cobertura de seu trabalho.
As ações globais operam em queda nesta quarta-feira (22), enquanto os investidores aguardam o balanço da Alphabet, em busca dos sinais mais claros sobre se os investimentos das gigantes de tecnologia em inteligência artificial estão gerando retorno.
- Disputa pelo comando do conselho da Vale. Os acionistas da mineradora votam nesta quarta-feira para eleger o novo presidente do conselho, após a renúncia de Daniel Stieler em meio a uma disputa entre grupos de investidores. A eleição será entre Marcelo Gasparino e Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira.
- Santander supera estimativas. O banco espanhol registrou lucro líquido de € 3,52 bilhões no segundo trimestre, acima da expectativa do mercado, com impulso da incorporação do banco britânico TSB. O Santander indicou que não prevê novas grandes aquisições no curto prazo.
- Mitsubishi e Sony criam JV de IA industrial. As empresas japonesas anunciaram uma joint venture para oferecer serviços de automação industrial que combinam inteligência artificial e sensores de imagem. A nova empresa, chamada de Advanced Vision Solutions, começará a operar em outubro.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
Após a pandemia transformar a relação entre empresas e espaços de trabalho, a consultoria global JLL vê oportunidades importantes no mercado latino-americano, com destaque para cinco países.
Do Brasil ao México, o presidente da divisão de Work Dynamics para a América Latina da JLL, Washington Botelho, identifica desafios para todos os mercados, mas oportunidades únicas.
“A transformação do mercado de escritórios não é um evento único, mas um processo contínuo. As empresas que conseguirem navegar por essa transformação, criando ambientes que atraiam talentos e gerando receita recorrente previsível, serão as vencedoras”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.
Botelho, que também foi nomeado recentemente CEO para a JLL no Brasil, vê oportunidades em cinco mercados: México, Brasil, Chile, Colômbia e Costa Rica. Adicionalmente, o executivo está otimista para Porto Rico, que embora seja um território dos Estados Unidos, também integra o escopo de cobertura de seu trabalho.
Ele explicou que as mudanças decorrentes da pandemia obrigaram as empresas a redesenhar seus espaços, redefinir suas estratégias de ocupação e, principalmente, repensar como atraem e retêm talentos.
No caso do México, o maior mercado para a JLL na região, o desempenho do segmento de escritórios é resultado de uma combinação de fatores estruturais e geopolíticos.
“A proximidade com os Estados Unidos é determinante. As empresas multinacionais têm buscado produzir mais perto de seus mercados consumidores e o México se tornou estratégico. A indústria de manufatura, em particular, viu investimentos massivos”, relata.
O fenômeno, conhecido como “nearshoring”, ocorre em um cenário de reconfiguração das cadeias globais diante de tensões geopolíticas principalmente entre Estados Unidos, China e Rússia.
Em comparação ao Brasil - que segundo Botelho possui complexidades e burocracias significativas - o México oferece um ambiente de negócios mais atrativo. “Fazer negócios no México é mais fácil”, destacou. Em sua avaliação, o mercado mexicano enfrenta menos burocracia e impostos reduzidos.
Como desafio, ele explicou que o México recentemente revisou sua legislação trabalhista, impedindo algumas práticas de terceirização.
“Embora isso tenha impactado custos operacionais, o mercado permanece competitivo. A cultura de negócios também é mais voltada para o trabalho presencial.”
O gigante territorial
O executivo apontou que o Brasil é o país que mais recebeu investimentos em real estate nos últimos anos. No entanto, o mercado brasileiro enfrenta obstáculos econômicos e de legislação que limitam seu potencial.
“O Brasil continua mantendo instituições fortes, o que atrai recursos. O desafio é tornar o país menos complexo, com redução de impostos, para assegurar que esse dinheiro de fato vire investimento de médio e longo prazos”, disse.
E acrescentou que a taxa básica de juros elevada coloca o investidor em um dilema. “No Brasil, você tem que decidir se investe em um projeto imobiliário ou coloca seu dinheiro em renda fixa ganhando 12% a 13%”, pondera.
Por outro lado, diante do enorme potencial em energia renovável, o Brasil pode se tornar um polo global de data centers para o avanço da Inteligência Artificial, que demandará volumes cada vez mais expressivos de energia.
“Os quatro mercados potenciais de investimentos em data centers [na região] são Brasil, Chile, Colômbia e México, sendo que o Brasil representa quase que a totalidade. Há investimentos nos outros, mas os maiores são efetivamente no mercado local.”
Relevância e incertezas
Botelho afirmou que, embora a Argentina não esteja entre os maiores potenciais da região no segmento de escritórios atualmente, o país segue relevante em termos de transações. “Eu sempre olho para a Argentina, mas não como um foco, porque o país gera muito volume.”
Ele esclareceu que ainda existe muita incerteza sobre o futuro da economia do país. “A perda de valor [da moeda] e o custo de vida elevado na Argentina persistem. Foram muitos anos de economia deprimida.”
Neste contexto, o executivo avaliou que ainda há oportunidades de compra e venda. Sob essa lógica, quando a economia está em expansão, a venda acelera, ao passo que em uma economia deprimida os preços baixos incentivam outros tipos de transações imobiliárias.
Já o Chile é conhecido pelo mercado financeiro e de serviços robustos, enquanto o setor imobiliário colombiano vem ganhando destaque. “A Colômbia tem um mercado interno expressivo e agora as expectativas indicam que o crescimento econômico será positivo”, afirmou.
Além de transações, a consultoria aposta no crescimento do negócio de serviços (facilities management) entre os clientes de sua carteira.
“A JLL, com sua presença em todos esses mercados, está bem posicionada para capturar as oportunidades. O mercado é grande o suficiente para todos os players, desde que entendam que o futuro dos escritórios não é sobre espaço, é sobre pessoas”, disse Botelho.
Segundo o presidente da divisão de Work Dynamics para a região da consultoria, o Brasil é o país que mais recebeu investimentos em real estate nos últimos anos
O Grupo Porto (PSSA3) e a Unimed Recife, apontados pela Oncoclínicas (ONCO3) como fontes de risco em sua recuperação extrajudicial (RE, forma de renegociar dívidas com aval judicial, sem falência), já reduzem na prática a dependência da rede de oncologia, direcionando pacientes para prestadores concorrentes, segundo pessoas a par da situação ouvidas pela Bloomberg Línea. Elas pediram anonimato porque o assunto é privado.
Das 74 páginas da petição de RE protocoladas pela companhia em 13 de julho na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, 20 tratam da disputa com a Unimed Recife e 15 da relação com a Porto Seguro, vertical do Grupo Porto, o equivalente a quase metade do documento dedicado a apenas dois parceiros.
O Grupo Porto notificou a Oncoclínicas em 21 de maio pedindo a rescisão do acordo de investimento firmado em dezembro de 2022, com dois argumentos: uma cláusula que autoriza o rompimento em caso de pedido de recuperação e o alegado descumprimento de índice de nível de serviço na entrega de medicamentos de quimioterapia oral, abaixo de 85% entre fevereiro e abril.
Procurado, o Grupo Porto não se pronunciou oficialmente sobre a relação com o parceiro. A Unimed Recife, em nota enviada à Bloomberg Línea, afirmou que suas ações têm respaldo de decisão judicial favorável à cooperativa, sem endereçar diretamente a acusação de ter extrapolado os limites de uma liminar.
De acordo com uma pessoa a par das discussões entre as duas empresas, o desvio de pacientes começou de forma gradual, antes mesmo da notificação formal, à medida que a Oncoclínicas deixava de cumprir volumes mínimos combinados.
Em alguns casos, segundo essa pessoa, médicos da própria rede credenciada da seguradora se recusaram a atender pacientes redirecionados para unidades da Oncoclínicas com falta de medicamentos, o que empurrou ainda mais volume para fora da rede.
Os números citados na petição confirmam o relato. A Oncoclínicas atendeu 8,7 mil beneficiários da Porto Seguro em quimioterapia e radioterapia em 2025, com 4,4 mil efetivamente tratados. Em 2026, os números caíram para 7,5 mil atendidos e 3,7 mil tratados.
Apesar da migração, a Porto Seguro não decidiu zerar a relação com a Oncoclínicas, segundo a mesma pessoa. A seguradora hoje recebe ofertas de outras redes hospitalares para absorver o volume, algumas no mesmo patamar de preço da Oncoclínicas, e mantém pacientes em tratamento ativo dentro da rede, processando pagamentos e faturas relativas a esses casos.
A porta para uma eventual retomada nos termos originais permanece aberta, condicionada à recomposição da qualidade e do cumprimento contratual pela Oncoclínicas, mas não há, segundo a fonte, qualquer conversa em andamento sobre um novo aporte de capital.
Liminar obtida pela Unimed Recife
Com a Unimed Recife, o mecanismo é outro, mas o resultado se parece. A cooperativa obteve em junho, na Justiça de Pernambuco, liminar para assumir emergencialmente parte dos atendimentos oncológicos sob alegação de crise assistencial. A partir da decisão, a Unimed Recife comunicou a médicos e beneficiários que passaria a gerir integralmente os serviços, com os tratamentos de infusão voltando a ser realizados em unidades próprias da cooperativa.
A Oncoclínicas contesta esse alcance. A petição argumenta que a liminar pernambucana não rescindiu o acordo de parceria, não transferiu a propriedade dos bens da rede nem autorizou redirecionar todos os pacientes indistintamente. Ainda assim, o documento relata bloqueio de autorizações mesmo para pacientes com infusões já agendadas e medicamentos em estoque, além de exigência de acesso a prontuários dos 1.669 pacientes das quatro unidades da rede no Recife, que extrapola as duas unidades que a decisão judicial de fato abrangia.
Há também uma disputa financeira que antecede a liminar. A Unimed Recife descontou unilateralmente R$ 8,47 milhões dos repasses devidos à Oncoclínicas sob a rubrica de descontos de liminar, valores referentes a tratamentos que a rede prestou por determinação judicial em ações movidas por beneficiários contra a própria cooperativa.
Em maio, a Unimed Recife reconheceu por escrito ter acumulado glosas, termo usado no setor de saúde para os valores que a operadora nega pagar ao prestador sob alegação de erro ou divergência na cobrança, desde fevereiro de 2024, pagando R$ 3,47 milhões dos R$ 7,4 milhões cobrados pela rede.
A perda potencial de medicamentos reforça a urgência do pedido. Mais de R$ 4 milhões em insumos oncológicos comprados especificamente para pacientes da Unimed Recife estão parados nas unidades do Recife, sujeitos a prazo de validade, e podem ser descartados sem uso caso as autorizações continuem bloqueadas.
Os dois casos convergem para o mesmo pedido de proteção judicial. A Oncoclínicas quer que a Justiça impeça operadoras de saúde de usar o pedido de recuperação, ou a impossibilidade momentânea de pagar dívidas nos termos originais, como justificativa para descredenciamento, rescisão contratual ou redirecionamento de pacientes. As operadoras respondem por 98% do faturamento da rede, segundo a petição.
Operações e qualidade
Procurada, a Oncoclínicas afirmou, em nota, que segue comprometida com a continuidade da assistência aos pacientes e que a recuperação extrajudicial em curso tem como objetivo fortalecer a sustentabilidade financeira da companhia, preservando operações e qualidade de atendimento.
A rede disse ainda que qualquer eventualidade identificada será prontamente atendida, com adoção de medidas cabíveis para assegurar a continuidade dos tratamentos.
A companhia afirmou manter relacionamento contínuo com fornecedores estratégicos e disse conduzir as negociações da recuperação extrajudicial dentro dos parâmetros legais e das cláusulas de confidencialidade aplicáveis, razão pela qual não comenta detalhes de tratativas específicas com credores ou parceiros comerciais. Segundo a rede, a empresa entrou em uma nova etapa do processo de reestruturação, com plano de execução voltado à estabilização operacional, conduzido em conjunto com o corpo clínico.
Mensagens internas vistas pela Bloomberg Línea, no entanto, sugerem que o problema de desabastecimento não fica restrito ao Recife. Em conversa datada de 14 de julho, um parceiro da companhia relata dificuldades semelhantes em Belo Horizonte e Goiânia.
“No Cebrom [Centro Brasileiro de Radioterapia, Oncologia e Mastologia] , em Goiânia, continuamos tendo problemas diários com desabastecimento de medicações e remarcação de ciclos, o que gera desgastes e perda de ciclos. Precisamos de uma solução”, diz uma mensagem.
No mesmo dia, a mesma fonte escreveu que a companhia “tem perdido pacientes e encaminhadores” e comentou o andamento das negociações com credores, informando que a Oncoprod, maior credora da rede e distribuidora de medicamentos, ainda não havia aderido aos 37% de credores que assinaram o plano de recuperação, mas que a equipe jurídica da companhia avalia como provável um acordo, dado que a Oncoclínicas é a maior cliente da fornecedora.
Entre os concorrentes que absorvem esse volume está a Rede D’Or (RDOR3), maior rede de saúde da América Latina, que ampliou infusões de quimioterapia de 63 mil para 73 mil em um ano, enquanto a Oncoclínicas caiu de 174 mil para 133 mil, segundo um relatório do BTG Pactual.
O Fleury (FLRY3) também disputa esse espaço com a Croma Oncologia, joint venture com a Atlântica Hospitais, controlada pelo Bradesco (BBDC4), e a Beneficência Portuguesa. A Rede Américas, joint venture entre Dasa (DASA3) e Amil que nasceu com 30 centros oncológicos e hoje é a segunda maior rede hospitalar do país, também compete por esse espaço.
Rede de oncologia diz que segue comprometida com a continuidade da assistência aos pacientes (Foto: Divulgação)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
O impacto da inteligência artificial no comércio eletrônico promete ser revolucionário. Não porque vai impulsionar resultados e fazer com que as companhias consigam vender mais, mas porque vai mudar a forma como o consumidor interage com as lojas hospedadas na internet. Não se trata mais do “quanto”, mas do “como”.
No começo dos anos 2000, com a popularização da internet, o varejo passou por sua transformação mais profunda. As empresas precisaram encontrar um espaço virtual para não perderem consumidores. Os clientes queriam fazer compras no conforto de seus lares. Quem entendeu o recado, criou um império. Casos de Amazon e Mercado Livre.
A próxima revolução do comércio eletrônico vem impulsionada por inteligência artificial. A vantagem agora é que o consumidor não apenas não vai precisar se deslocar até uma loja física. Ele nem mesmo vai precisar fazer a compra. Tudo será feito por um agente autônomo.
Um relatório recente produzido pelo banco BTG Pactual ressalta que a “agentic AI”, como é chamada a tecnologia por trás dos agentes de inteligência artificial, representa o primeiro desafio realmente crível ao modelo que permeou durante mais de duas décadas.
As ações globais operam em alta nesta terça-feira (21), impulsionadas pela recuperação das fabricantes de chips, em uma sessão marcada também pela queda dos preços do petróleo, alta do ouro e estabilidade dos rendimentos dos Treasuries.
- Conflito no Oriente Médio. Os EUA ampliaram os ataques contra alvos militares do Irã após o presidente Donald Trump prometer retaliar pela morte de três soldados americanos. A ofensiva tem como foco instalações ligadas à capacidade militar iraniana e à atuação no Estreito de Ormuz.
- Canadá é alvo de novas tarifas. O governo Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. A medida, que mira itens como laticínios, cerveja e equipamentos de hóquei, elimina isenções previstas no acordo Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA).
- Impacto das mudanças climáticas. O avanço das ondas de calor transformou a adaptação climática em um desafio econômico para a Europa, onde as temperaturas sobem cerca de duas vezes mais rápido que a média global. Economistas alertam que governos terão de investir para evitar perdas no PIB.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
O impacto da inteligência artificial no comércio eletrônico promete ser revolucionário. Não porque vai impulsionar resultados e fazer com que as companhias consigam vender mais, mas porque vai mudar a forma como o consumidor interage com as lojas hospedadas na internet. Não se trata mais do “quanto”, mas do “como”.
No começo dos anos 2000, com a popularização da internet, o varejo passou por sua transformação mais profunda. As empresas precisaram encontrar um espaço virtual para não perderem consumidores. Os clientes queriam fazer compras no conforto de seus lares. Quem entendeu o recado, criou um império. Casos de Amazon e Mercado Livre.
A próxima revolução do comércio eletrônico vem impulsionada por inteligência artificial. A vantagem agora é que o consumidor não apenas não vai precisar se deslocar até uma loja física. Ele nem mesmo vai precisar fazer a compra. Tudo será feito por um agente autônomo.
Um relatório recente produzido pelo banco BTG Pactual ressalta que a “agentic AI”, como é chamada a tecnologia por trás dos agentes de inteligência artificial, representa o primeiro desafio realmente crível ao modelo que permeou durante mais de duas décadas.
“A inteligência artificial agêntica leva a agenda da transformação digital do varejo para um novo patamar”, disse Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail, em entrevista à Bloomberg Línea. “Porque ela não implica só em fazer coisas novas, como foi no caso do e-commerce e da digitalização até aqui, mas em redesenhar processos antigos.”
Não é como se a tecnologia de automação já não estivesse inserida no varejo online. Ferramentas atuais já permitem que o consumidor busque itens que deseja comprar na internet. Os links são enviados, e as empresas podem até patrocinar seus produtos para que eles sejam mais exibidos.
Dados da Bain & Company apontam que o tráfego gerado por plataformas de inteligência artificial generativa em sites de e-commerce aumentou quase 5.000% no último ano. A tendência é de que o número continue aumentando conforme a tecnologia avance.
Segundo uma pesquisa feita pela consultoria, 55% dos consumidores já utilizam as principais ferramentas do mercado para fazer a pesquisa dos produtos. A expectativa é de que os agentes de IA serão responsáveis por uma a cada quatro transações de comércio eletrônico no mundo. Isso deverá acontecer até 2030.
Quem não se adaptar, ficará para trás. Do mesmo jeito como o e-commerce impulsionou as empresas que apostaram na estratégia digital, quem não se incorporar IA em seus negócios nos próximos anos poderá ver suas vendas diminuírem drasticamente frente aos concorrentes que abraçaram a tecnologia.
“Teremos uma grande mudança em relação aos ganhos de produtividade, de eficiência e na maneira como as empresas se relacionam com os clientes”, afirmou Serrentino.
Mudança no capex
As transformações causadas por agentic AI não se limitam aos consumidores. Dados da consultoria Gartner apontam que até US$ 234 bilhões poderão migrar dos softwares corporativos em modelo Software-As-A-Service (SaaS) para soluções de inteligência artificial que usam agentes autônomos.
É o que o mercado vem chamando de “agentic arbitrage”. Se os agentes autônomos fazem compras, eles também poderão fazer os trabalhos que os funcionários que trabalham com esses softwares executam.
A consultoria estima que o valor equivale a cerca de 20% do mercado global de SaaS – o que representa um risco para as companhias que atuam neste setor. Se os agentes autônomos fazem compras, eles também poderão fazer os trabalhos que os funcionários que trabalham com esses softwares executam.
Isso porque o modelo de negócio das empresas deste segmento tem como chave a cobrança por licenças de acesso. Com agentes de IA assumindo cada vez mais fluxos de trabalho, as companhias poderão precisar de menos licenças. Isso irá gerar um impacto na receita das desenvolvedoras.
Tráfego gerado por plataformas de inteligência artificial generativa em sites de e-commerce aumentou quase 5.000% no último ano (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
Os fundos negociados em bolsa, conhecidos pela sigla ETF (exchange-traded funds, em inglês), tornaram-se uma das ferramentas mais utilizadas por investidores que buscam exposição a diferentes segmentos do mercado sem a necessidade de selecionar ativos individuais.
Esses instrumentos acompanham o desempenho de índices, setores ou classes específicas de ativos e oferecem alternativas tanto para perfis mais conservadores quanto para investidores dispostos a assumir mais risco.
De olho no segundo semestre de 2026, a Bloomberg Línea ouviu quatro especialistas de diferentes países da América Latina sobre quais ETFs de Wall Street consideram mais atrativos para diferentes perfis de investimento.
As respostas incluem desde fundos atrelados à renda fixa americana e aos principais índices acionários até apostas em inteligência artificial, semicondutores, cobre, urânio e empresas de menor capitalização.
Brian Rodríguez, analista sênior de mercado do grupo mexicano Monex, afirmou que há oportunidades para a segunda metade do ano tanto em setores defensivos quanto em segmentos mais agressivos do mercado americano.
Para um perfil conservador, ele destacou o setor de saúde como uma das principais alternativas. Segundo o analista, trata-se de um segmento mais defensivo do que tecnologia ou comunicações, com crescimento estrutural e menor sensibilidade ao ciclo econômico.
Embora tenha observado que a expectativa de crescimento dos lucros do setor de saúde é de apenas 2% — a menor entre os segmentos do mercado —, Rodríguez destacou que os valuations estão mais razoáveis do que as de outros setores, especialmente o de tecnologia, o que pode criar oportunidades.
Ele também citou o ETF XLI, ligado ao setor industrial, como uma opção para carteiras conservadoras. Segundo Rodríguez, o segmento tende a se beneficiar do aumento dos investimentos em infraestrutura e da construção de data centers voltados ao desenvolvimento da inteligência artificial.
O analista acrescentou que o setor industrial apresenta expectativa de crescimento dos lucros de 11% e avaliações mais atrativas em relação ao setor de tecnologia.
Como terceira alternativa para investidores conservadores, Rodríguez apontou o ETF XLF, ligado ao setor financeiro, devido à combinação de avaliações mais moderadas e crescimento mais equilibrado.
Para perfis mais arrojados, o analista destacou o ETF XLK, do setor de tecnologia, pelas elevadas expectativas de crescimento dos lucros. Também mencionou os ETFs de semicondutores SMH e SOX, com exposição a empresas como Nvidia, Broadcom e AMD.
Segundo Rodríguez, a tese de investimento para esse segmento continua baseada no crescimento da demanda por memória, chips e data centers, embora reconheça que as avaliações elevadas podem aumentar a volatilidade.
Por fim, ele citou o setor de comunicações como outra alternativa para investidores mais agressivos, em razão das expectativas de crescimento próximas de 20% e da exposição a empresas como Meta e Google. Ainda assim, alertou para a elevada concentração do segmento em poucas companhias.
Emanoelle Santos, analista de mercados da plataforma de investimentos XTB, no Chile, destacou o potencial dos ETFs de renda fixa americana de curto prazo, como o iShares Treasury Bond 0-1yr UCITS ETF e o iShares USD Treasury Bond 1-3yr UCITS ETF.
Segundo Santos, a estratégia desses instrumentos consiste em manter exposição ao dólar e aos títulos soberanos americanos de alta qualidade, reduzindo ao mesmo tempo a sensibilidade às oscilações de longo prazo dos juros.
Para uma exposição moderada à renda variável, ela citou ETFs amplos ligados ao mercado americano, como o Vanguard S&P 500 UCITS ETF e o iShares Core S&P 500 UCITS ETF, que permitem acompanhar o desempenho das maiores empresas dos Estados Unidos sem concentrar a carteira em um único setor.
Para perfis conservadores, a analista recomendou evitar exposição excessiva aos setores de tecnologia e semicondutores após a forte valorização impulsionada pela inteligência artificial, já que uma eventual frustração nos resultados das empresas pode elevar a volatilidade na segunda metade do ano.
Para investidores mais agressivos, Santos afirmou que o maior potencial está em ETFs ligados ao crescimento e a segmentos de maior beta, como o iShares NASDAQ 100 UCITS ETF, o Invesco EQQQ NASDAQ-100 UCITS ETF, o iShares S&P 500 Information Technology Sector UCITS ETF e o iShares MSCI Global Semiconductors UCITS ETF.
Esses instrumentos concentram exposição ao ciclo da inteligência artificial, software, chips, data centers e grandes empresas de crescimento, o que pode favorecer seu desempenho caso Wall Street mantenha o atual impulso.
Ela também citou o Invesco Russell 2000 UCITS ETF como alternativa para investidores que apostam em uma ampliação da alta para empresas menores, caso os juros se estabilizem e o apetite por risco aumente.
Ainda assim, Santos alertou que a margem para erros nesse segmento é menor, já que esses ETFs podem sofrer correções relevantes diante de uma alta dos rendimentos dos títulos, resultados abaixo do esperado das empresas de tecnologia ou redução do prêmio atualmente atribuído pelo mercado à inteligência artificial.
Juan Manuel Franco, economista-chefe do Grupo SBS, da Argentina, afirmou que investidores com maior tolerância ao risco encontram oportunidades em ETFs ligados a tendências estruturais, como inteligência artificial, transição energética e demanda por commodities.
Entre suas principais alternativas está o VanEck Semiconductor ETF (SMH), fundo ligado ao setor de semicondutores, considerado um insumo essencial para o desenvolvimento da inteligência artificial.
Franco observou que a indústria acumula uma forte valorização, mas avalia que, caso as expectativas de aumento da demanda por capacidade computacional e data centers se confirmem, os semicondutores podem continuar favorecidos.
No segmento de materiais, destacou o Global X Copper Miners ETF (COPX), composto por empresas ligadas ao cobre, metal considerado relevante para diversas aplicações industriais.
Também citou o Global X Uranium ETF (URA) como alternativa para investidores que apostam em maior demanda por urânio diante do crescimento das necessidades energéticas, incluindo aquelas relacionadas à operação de data centers.
Para quem pretende manter exposição ao setor de tecnologia, mas busca maior diversificação, Franco apontou o Invesco QQQ Trust (QQQ), que acompanha o índice Nasdaq 100.
Já para perfis mais conservadores, explicou que a ausência de BDRs de ETFs de renda fixa limita as opções disponíveis para investidores argentinos. Por isso, sugeriu concentrar os investimentos em fundos mais diversificados e voltados ao longo prazo, como o SPDR S&P 500 ETF Trust (SPY), baseado no S&P 500, e o SPDR Dow Jones Industrial Average ETF Trust (DIA), baseado no Dow Jones.
A equipe de advisory da corretora argentina PUENTE afirmou que o segundo semestre será marcado por um cenário global repleto de desafios, no qual as expectativas de bons resultados corporativos nos Estados Unidos e o avanço tecnológico convivem com avaliações elevadas e políticas monetárias ainda restritivas.
Nesse contexto, a instituição destacou que, ao avaliar alternativas de investimento em ETFs, é importante considerar, por questões de eficiência tributária, instrumentos no formato UCITS, registrados fora dos Estados Unidos.
Para perfis conservadores, a equipe recomendou priorizar setores voltados à redução da volatilidade e com capacidade de oferecer proteção diante de eventuais mudanças na política monetária ou de episódios geopolíticos.
Entre eles, destacam-se os setores industrial e de infraestrutura estratégica, beneficiados pelo processo de relocalização industrial; ETFs de alto dividendo com estratégia de valor, ligados a segmentos maduros como consumo básico, saúde e serviços financeiros estáveis; e o setor de defesa e segurança internacional, visto como uma alternativa de perfil contracíclico e de proteção estratégica.
Para investidores mais agressivos, a PUENTE apontou oportunidades em temas ligados à inteligência artificial e à infraestrutura tecnológica, aceitando maior volatilidade de curto prazo e avaliações mais elevadas em troca de potencial de crescimento.
Entre os segmentos destacados estão semicondutores e hardware avançado, pela exposição ao núcleo da cadeia de fornecimento de chips e componentes de última geração; infraestrutura para inteligência artificial e data centers, com foco em empresas que fornecem a infraestrutura física necessária, como sistemas de energia e conectividade; e cibersegurança, impulsionada pela crescente demanda por proteção digital.
Principais apostas incluem desde fundos atrelados à renda fixa americana e aos principais índices acionários até apostas em inteligência artificial | Fotógrafo: Michael Nagle/Bloomberg
O segundo semestre de 2026 deve marcar uma mudança de cenário para as moedas da América Latina. Depois de uma primeira metade do ano favorável para diversas divisas, o fortalecimento do dólar e as incertezas em torno da política monetária dos Estados Unidos voltarão a testar a resiliência da região.
Bancos como BBVA e Citi concordam que a América Latina continuará a contar com fatores de sustentação, como os diferenciais de juros e o desempenho de algumas commodities.
Ao mesmo tempo, alertam que o comportamento das moedas dependerá cada vez mais de fatores específicos de cada país, desde a disciplina fiscal até os processos eleitorais e a evolução de setores estratégicos, como mineração e energia.
Os analistas do BBVA avaliam que “os Estados Unidos são agora percebidos como uma economia mais resiliente e mais dinâmica, apoiada pela força de suas empresas de tecnologia”. Essa mudança de percepção levou o banco a revisar para cima suas projeções para o dólar.
Ainda assim, os bancos mantêm uma visão favorável para a região. “Continuamos construtivos, diante da resiliência do crescimento global, dos preços elevados das commodities, da diversificação das carteiras e do comércio, somados ao diferencial de juros (carry)”, destacaram os analistas.
Ao mesmo tempo, alertam que as diferenças entre os países devem ficar cada vez mais evidentes ao longo do segundo semestre.
O Brasil deve continuar entre as moedas mais sensíveis à combinação entre cenário político e contas públicas. O BBVA avalia que o elevado patamar dos juros e a condição do país como exportador de commodities seguem favorecendo o real, embora as eleições presidenciais e a deterioração fiscal possam reduzir parte do impulso observado na primeira metade do ano.
Nesse contexto, os analistas do banco afirmam que “as eleições de outubro serão um fator-chave”, enquanto a evolução das contas públicas continuará a exigir um prêmio de risco elevado. O BBVA projeta uma taxa de câmbio de R$ 5,40 por dólar no fim de 2026, estimativa mais conservadora do que o consenso compilado pela Bloomberg.
O Citi também aponta a inflação e a política fiscal como os principais fatores para o desempenho do real. Embora os juros elevados favoreçam as operações de carry trade e os preços mais altos do petróleo continuem dando suporte temporário à moeda, por meio de um maior superávit comercial, o banco avalia que esse efeito deve perder força.
O México enfrenta um conjunto diferente de desafios. O suporte ainda proporcionado pelos juros do Banco do México (Banxico) e pela integração comercial com os Estados Unidos passa a conviver com as incertezas em torno da renegociação do Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC) e com uma recuperação econômica que ainda mostra sinais de fragilidade.
“A divergência entre a precificação do mercado e os fundamentos sugere uma assimetria: o potencial adicional de valorização parece limitado, enquanto o risco de desvalorização pode ser mais significativo caso algum desses riscos se concretize.”
Analistas do BBVA
O BBVA projeta que o peso mexicano encerrará o ano em torno de MXN$ 17,80 por dólar. No Citi, Felipe Juncal avalia que a moeda continua sustentada pelo elevado nível dos juros do Banxico, mas aponta como principais riscos a renegociação do T-MEC, uma postura mais restritiva do Federal Reserve e um ambiente fiscal e político desafiador.
Seu cenário prevê uma taxa de câmbio de MXN$ 17,40 por dólar no fim do ano. O relatório do Citi acrescenta que “o cenário fiscal continua desafiador” e que “a consolidação fiscal exigirá disciplina nos gastos e uma melhora significativa da dinâmica de crescimento, que ainda não é visível”.
Na Colômbia, as atenções voltam a se concentrar na sustentabilidade das contas públicas. Os analistas avaliam que a confiança dos investidores dependerá da capacidade do governo de Abelardo de la Espriella de consolidar uma estratégia fiscal crível, enquanto o comportamento do petróleo continuará a influenciar o desempenho do peso.
O BBVA afirma que a vitória de De la Espriella “e as expectativas de maior crescimento e investimento podem abrir espaço para uma última rodada de valorização”, embora reconheça que boa parte desse otimismo já estaria precificada pelo mercado. O banco projeta o peso colombiano em COP$ 3.550 no fim de 2026.
O Citi prevê que o dólar avance de COP$ 3.431 para COP$ 3.584 no primeiro trimestre de 2027, refletindo os riscos fiscais e financeiros. Germán Cristancho, gerente de Pesquisa Econômica e Estratégia da Davivienda Corredores, também avalia que o peso pode continuar a se fortalecer no início do segundo semestre.
Segundo ele, esse movimento seria impulsionado pelo fluxo de recursos para ativos locais. Ainda assim, Cristancho projeta uma desvalorização posterior da moeda, em razão da deterioração fiscal, da queda do petróleo, do déficit comercial e do desalinhamento da taxa de câmbio em relação ao seu nível de equilíbrio. Sua estimativa aponta o dólar próximo de COP$ 3.600 no fim do ano.
O Chile mantém um perfil distinto. A evolução dos preços do cobre volta a ser o principal fator de sustentação do peso chileno, enquanto a política monetária dos Estados Unidos deve definir boa parte do comportamento do dólar nos próximos meses.
Os analistas do BBVA afirmam que ainda veem “potencial de valorização” para a moeda, apoiados pelos preços elevados do cobre e pela possibilidade de redução das posições vendidas acumuladas contra o peso. O banco projeta uma cotação de CLP$ 876 no fim de 2026.
O Citi também espera uma valorização gradual do peso chileno, impulsionada pelo processo de desinflação. Rodrigo Lama, CBO da Global66, aponta três variáveis decisivas para o segundo semestre: a trajetória da política monetária do Federal Reserve, a evolução dos preços do cobre e o comportamento do petróleo após a redução das tensões no Oriente Médio. Seu cenário-base prevê uma taxa de câmbio entre CLP$ 900 e CLP$ 920.
O Peru continua a se destacar pela estabilidade do sol. A combinação entre exportações de minério, elevadas reservas internacionais e a atuação estabilizadora do banco central mantém a moeda em uma posição relativamente sólida em comparação com outras divisas da região.
O BBVA afirma que “o Banco Central de Reserva do Peru (BCRP) buscará suavizar, mas não impedir, a valorização dos ativos locais”, ao mesmo tempo em que projeta uma taxa de câmbio de S/ 3,30 no fim de 2026.
Fernando Ruiz, CEO da Kambista, também avalia que o mercado acompanhará de perto tanto as decisões do Federal Reserve quanto a condução da política econômica do novo governo peruano.
“Também será importante acompanhar a evolução da ameaça do fenômeno El Niño, previsto para o fim deste ano, e como ele poderá provocar interrupções nas cadeias produtivas, danos à infraestrutura e pressões inflacionárias.”
Fernando Ruiz, CEO de Kambista
Argentina e o resto da região
A Argentina continua sendo o caso mais singular da região. Os analistas reconhecem a melhora dos fundamentos macroeconômicos, mas avaliam que o peso deve continuar a se desvalorizar de forma gradual.
O BBVA estima que “é provável que o regime cambial administrado revisado seja mantido, sem novos ajustes até depois das eleições de 2027”. Com base nesse cenário, o banco projeta uma taxa de câmbio de ARS$ 1.760 no fim de 2026.
O Citi alerta que “o governo tem enfrentado uma queda na confiança da população em razão da turbulência política provocada por investigações judiciais envolvendo altos funcionários e pelos pedidos da oposição para a abertura de uma investigação no Congresso”, fator que aumenta as incertezas apesar da melhora do quadro fiscal.
Federico Filippini, diretor de Pesquisa e Estratégia da Adcap, avalia que o Banco Central tem permitido uma maior formação de preços pelo mercado cambial e não prevê um ajuste desordenado da taxa de câmbio.
O Citi também projeta que o peso uruguaio continuará a se desvalorizar, para uma cotação de UYU$ 44,24 por dólar no fim de 2027. Patrizio Drago, da Adcap Uruguai, avalia que a trajetória do dólar dependerá da política monetária dos Estados Unidos e da estabilidade do cenário internacional. Ainda assim, estima que o peso uruguaio continuará com desempenho inferior ao de outras moedas da região em razão de fatores domésticos.
No Paraguai, Ingrid Herrera, gerente do Departamento de Economia da MF Inversiones, prevê um comportamento sazonal para a taxa de câmbio, diante da redução da entrada de divisas provenientes das exportações e do aumento da demanda por dólares para as importações de fim de ano. Suas estimativas apontam para uma cotação de Gs. 6.375 por dólar no encerramento do ano.
República Dominicana e Costa Rica compartilham um cenário de estabilidade cambial, com desvalorização moderada no fim do segundo semestre. O economista Juan Mejía atribui essa trajetória do peso dominicano ao comportamento das importações, aos preços do petróleo, à política monetária do Federal Reserve e do banco central local, além dos fluxos de turismo, remessas, investimento estrangeiro direto e exportações.
Na Costa Rica, o economista Daniel Suchar prevê um comportamento semelhante para o colón, mas alerta que a maior demanda sazonal por dólares por parte dos importadores pode provocar uma leve alta da taxa de câmbio, em um contexto no qual as decisões do Federal Reserve e a evolução dos preços das commodities também serão determinantes.
Apesar das diferenças entre as moedas, as projeções convergem para um mesmo ponto: o desempenho no segundo semestre será definido pela trajetória do dólar, pelas decisões do Federal Reserve, pelos preços das commodities e pela capacidade de cada economia de preservar a confiança dos investidores por meio de políticas fiscal e monetária críveis.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
O Inter quer transformar a infraestrutura de pagamentos internacionais construída nos últimos anos em uma de suas principais frentes de crescimento.
Depois de desenvolver uma plataforma para conectar brasileiros ao mercado americano, o banco mira na expansão do uso para atender clientes e empresas em diferentes mercados, em uma estratégia para se consolidar como uma instituição financeira regional.
Em entrevista à Bloomberg Línea, Cassio Segura, country manager do Inter nos Estados Unidos, e Ralf Boragina, head de cross-border do banco, explicaram o movimento. Segundo eles, a plataforma foi ampliada para, além de atender clientes brasileiros, servir também como infraestrutura para estrangeiros – sejam pessoas físicas, empresas ou instituições financeiras – que precisam processar pagamentos internacionais, mesmo sem presença operacional no Brasil ou nos Estados Unidos.
“O Banco Inter criou uma infraestrutura muito forte de processamento de pagamentos e recebimentos. Nós somos hoje o segundo maior emissor de remessas no ranking do Banco Central no Brasil, o que nos trouxe o diferencial competitivo no segmento de transações cross-border”, afirmou Segura..
Os futuros das ações dos EUA operavam em alta nesta segunda-feira (20), sinalizando uma trégua na liquidação que levou as ações de fabricantes de chips a um mercado de baixa, enquanto investidores voltam as atenções para a temporada de balanços das big techs.
- Tráfego no Estreito de Ormuz desacelera. A circulação de navios pelo Estreito de Ormuz ficou praticamente paralisada após ataques iranianos a embarcações na região. A Guarda Revolucionária Islâmica relatou que quatro embarcações desligaram seus transponders e tentaram atravessar o canal.
- Controle da Oncoclínicas. A gestora IG4 apresentou uma proposta para obter mais de 50% dos direitos de voto da Oncoclínicas, segundo pessoas a par do assunto que falaram com a Bloomberg News. A oferta prevê um aporte de cerca de R$ 500 milhões por meio de títulos conversíveis.
- Abra negocia compra de jatos da Embraer. A controladora da Gol está perto de fechar um pedido de até 20 aeronaves E2 da Embraer, segundo pessoas a par das negociações que falaram com a Bloomberg News. Representantes do Grupo Abra, da Gol e da Embraer não comentaram.
Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)
O Inter quer transformar a infraestrutura de pagamentos internacionais construída nos últimos anos em uma de suas principais frentes de crescimento.
Depois de desenvolver uma plataforma para conectar brasileiros ao mercado americano, o banco mira na expansão do uso para atender clientes e empresas em diferentes mercados, em uma estratégia para se consolidar como uma instituição financeira regional.
Em entrevista à Bloomberg Línea, Cassio Segura, country manager do Inter nos Estados Unidos, e Ralph Boragina, head de cross-border do banco, explicaram o movimento. Segundo eles, a plataforma foi ampliada para, além de atender clientes brasileiros, servir também como infraestrutura para estrangeiros – sejam pessoas físicas, empresas ou instituições financeiras – que precisam processar pagamentos internacionais, mesmo sem presença operacional no Brasil ou nos Estados Unidos.
“O Banco Inter criou uma infraestrutura muito forte de processamento de pagamentos e recebimentos, o que nos trouxe o diferencial competitivo no segmento de transações cross-border”, afirmou Segura.
A expansão é sustentada por uma infraestrutura construída desde 2022, quando o Inter adquiriu a americana USEND, uma instituição de serviços monetários (MSB, na sigla em inglês).
Desde então, a plataforma ganhou cobertura global e foi migrada para a nuvem, em um processo que, segundo os executivos, ampliou a capacidade de processamento e a estabilidade das operações.
Entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025, o volume financeiro movimentado pela plataforma cross-border aumentou aproximadamente 280%. No mesmo período, a quantidade de transações processadas cresceu cerca de 940%.
Para Boragina, essa atividade vai além da oferta tradicional de câmbio. “A maioria dos bancos faz câmbio, mas nem todos fazem cross-border”, afirmou. Segundo ele, o diferencial está na capacidade de realizar pagamentos e recebimentos internacionais de forma integrada e em escala.
A demanda por esse tipo de serviço também mudou de perfil.
Segundo Segura, as soluções internacionais deixaram de atender apenas brasileiros que vivem no exterior e passaram a atrair clientes que permanecem em seus países de origem, mas recebem renda, investem ou mantêm despesas em moeda estrangeira, movimento impulsionado pela disseminação do trabalho remoto e pela contratação de profissionais por empresas globais.
“Mesmo sem sair do Brasil, existe uma população imensa que investe e consome em outras moedas, ou que tem receita em outras moedas. Qualquer pessoa da América Latina pode ter uma conta nos Estados Unidos e acessar o mercado americano. Estamos democratizando o acesso dessas pessoas a um mercado mais global”, disse.
Atualmente, a plataforma atende dois perfis de clientes. No varejo, o Inter reúne cerca de 6 milhões de usuários com conta global, dos quais 1,1 milhão utilizam a estrutura para investir no mercado acionário americano.
No segmento corporativo, a operação processa pagamentos para agregadores, fintechs, bancos e instituições financeiras da Ásia, Europa e Oriente Médio que utilizam o banco para liquidar operações entre Brasil e Estados Unidos.
Embora os brasileiros ainda representem 99% da base de clientes do Inter nos Estados Unidos, a operação atende clientes de outras 16 nacionalidades. “O banco do nosso cliente também tem que estar borderless”, afirmou o country manager.
Para além dos EUA, o próximo passo da estratégia de expansão regional deve acontecer na Argentina, onde o Inter já tem uma conta global desde o ano passado.
Na avaliação dos executivos, a expansão para outros mercados também se apoia no conjunto de licenças regulatórias acumuladas pelo Inter nos Estados Unidos.
Além da corretora e da financeira voltada ao crédito imobiliário para estrangeiros, o banco controla uma licença de MSB, que sustenta a operação de pagamentos internacionais, e obteve recentemente uma licença bancária americana.
Na avaliação de Boragina, esse conjunto de licenças é um dos pilares para sustentar a expansão internacional do banco.
“O Inter está funcionando como uma multinacional brasileira, como um banco global brasileiro indo para fora e ocupando espaço”, afirmou.
-- Este texto foi alterado às 16 horas para informar que o Inter elevou em 280% seu volume financeiro desde 2022, e não triplicou como anteriormente informado.
A informação de que o Inter ficou foi o segundo maior emissor de remessas no ranking do Banco Central no Brasil entre janeiro e maio deste ano foi alterada para evitar imprecisão. O banco foi o segundo colocado em número de operações de transferência para o exterior no período.
Escritório do banco em Miami. Entre dezembro de 2022 e dezembro de 2025, o volume financeiro movimentado pela plataforma cross-border aumentou aproximadamente 280% (Foto: Divulgação)
A Copa do Mundo da FIFA 2026 chega ao fim neste domingo (19) com a final entre Argentina e Espanha, duas campeãs mundiais, às 16h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
O estádio recebe o duelo que decide o título da maior edição da história do torneio. Pela primeira vez, 48 seleções vão ter disputado 104 partidas, espalhadas por três países (Estados Unidos, México e Canadá) ao longo de 40 dias.
A Argentina, de Lionel Messi, busca o tetracampeonato mundial. Atual campeã após a conquista no Catar, em 2022, a seleção já havia levantado a taça em 1978, como sede, e em 1986, no México, com a geração de Diego Maradona.
Já a Espanha tem um único título mundial, conquistado em 2010, na África do Sul, e tenta agora chegar ao bicampeonato.
O Brasil, por sua vez, teve uma campanha de eliminação precoce. A seleção passou pelo Japão na fase de 16 avos de final, mas foi eliminada nas oitavas pela Noruega. Os dois gols da seleção norueguesa foram marcados pelo artilheiro Erling Haaland, prolongando o jejum de títulos mundiais do Brasil, que persiste desde 2002.
A edição de 2026 marcou uma virada no formato da competição. Com a expansão de 32 para 48 seleções, o torneio passou a incluir uma fase de 16 avos inédita, elevando o total de jogos e a duração. A mudança ampliou o acesso de seleções de confederações menores e reconfigurou as chaves eliminatórias.
A FIFA avalia elevar o número de seleções para 64 na próxima Copa.
Copa de ouro
Na terra do esporte como negócio de ouro, a Copa do Mundo de 2026 deve se tornar a edição mais lucrativa da história. A FIFA estima arrecadar cerca de US$ 8,9 bilhões com a competição.
Para o período entre 2023 e 2026, a entidade tem previsão de receita para um recorde de US$ 13 bilhões.
Nas cidades dos jogos, os preços dos ingressos dispararam e movimentaram plataformas de revenda. Estratégias como a “pausa para hidratação” geraram receitas adicionais com anunciantes.
A edição deu palco para seleções que nunca tinham participado do torneio, resultando em números ainda mais diversificados de receitas.
Se o poder de compra da comunidade LGBT+ fosse somado em escala global, seria a quarta economia mais poderosa do mundo, com um PIB de US$3,9 trilhões anuais, estima a LGBT Capital, empresa que assessora negócios que desejam entrar no mercado LGBT+. Para fins de comparação, o PIB dos três maiores PIBs do G7 são: Estados Unidos, com US$ 20,4 trilhões; Japão, com US$ 4,9 trilhões e Alemanha, com US$ 4 trilhões, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Entretanto, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as leis discriminatórias criminalizam relações consentidas entre pessoas do mesmo sexo em cerca de 77 países.
Atualmente, há poucos dados sobre o poder econômico do chamado mercado dopink money.
Mas o fundo da LGBT Capital assumiu a tarefa de compilar dados e calcular o impacto econômico que a comunidade tem sobre o mundo. Em 2020, a empresa publicou uma estimativa do quanto a população contribui para o PIB de diferentes países.
Levando em conta apenas os países da América Latina, a LGBT Capital estima que o PIB da comunidade é de US$ 96 bilhões no Brasil; US$ 66 bilhões no México; US$ 23 bilhões na Argentina; US$ 17 bilhões na Colômbia; US$ 15 bilhões no Chile; US$ 12 bilhões no Peru e US$ 3 bilhões no Uruguai.
Em dezembro de 2020, era possível registrar e operar uma organização da sociedade civil relacionada à orientação sexual em 33 países da América Latina e do Caribe, enquanto a liberdade de expressão em questões de orientação sexual foi garantida em 97% desses países. Essas questões foram as duas formas de expressar a aceitação da comunidade LGBTQ+ na região, segundo o relatório LGBTQ+ Worldwide da Statista.
Enquanto os desafios permanecem, a adoção de crianças por casais do mesmo sexo só é possível em 15% dos países da América Latina e do Caribe.
A maior aceitação social fez com que o pink money – o poder de compra da comunidade – se tornasse um nicho de mercado altamente valorizado pelas empresas. Isto incentivou o surgimento de vários produtos e serviços destinados a esse público.
Por exemplo, no México, o estudo El consumidor LGBT mexicano, preparado pela Nielsen em 2019, indica que 61% dos pesquisados estão dispostos a comprar marcas que apoiam essas causas.
Da mesma forma, 53% dos heterossexuais comprariam produtos de marcas comprometidas com a diversidade e a inclusão.
E no ambiente corporativo, as empresas perceberam que a criação de ambientes diversos compensa. Equipes diversas tomam melhores decisões 80% do tempo em comparação com as não diversas, de acordo com a plataforma de negócios Cloverpop.
Outros dados de uma pesquisa da Deloitte indicam que as empresas que alcançaram a inclusão plena melhoraram seu desempenho em 17% e se tornaram 20% mais inovadoras.
No entanto, ainda há desafios. 70% dos mexicanos LGBT empregados percebem que não recebem o mesmo tratamento que seus colegas heterossexuais, segundo uma pesquisa da Turing, unicórnio de Palo Alto que conecta talento tecnológico com empresas.
De acordo com o Índice de Igualdade LGBT, que identifica os países mais LGBT-friendly do mundo, a América Latina é ainda mais tolerante do que os países considerados mais desenvolvidos, como a Itália, que tem uma pontuação de 64 pontos em 100, enquanto a Argentina, por exemplo, tem uma pontuação de 82 pontos.
O Uruguai é o país com a maior tolerância à diversidade sexual, com um índice de 87 pontos, seguido pelo Brasil e Argentina, com 82; Belize, com 78; e México e Chile com 77. O Panamá é um dos países com a menor tolerância para a comunidade LGBT – sua pontuação é de 46.
--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.
De um castelo ameaçado pelas mudanças climáticas na Inglaterra a um parque natural com arte rupestre na Amazônia, estes locais fazem parte da lista de 2022 do World Monuments Fund (WMF), organização sem fins lucrativos que a cada dois anos elege 25 locais de “extraordinária importância” que enfrentam desafios e requerem proteção e assistência econômica imediata para sua preservação.
Os locais são indicados por indivíduos e organizações comunitárias de todo o mundo. Uma vez que as indicações são recebidas pelo WMF, elas são analisadas pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, bem como por um painel independente de especialistas em patrimônio internacional responsáveis pela seleção final. Para o ano de 2022, 225 indicações foram avaliadas.
A edição deste ano foca em locais que enfrentam desafios de mudanças climáticas, excesso ou falta de turismo, desastres naturais ou conflitos e sub-representação que leve à negligência.
Entre os locais escolhidos estão o Castelo de Hurst, uma fortaleza localizada na costa sul da Inglaterra que desabou parcialmente durante as tempestades de 2021. Há também os edifícios patrimoniais de Beirute atingidos por uma explosão em 2020. Da mesma forma, o cemitério Koagannu nas Maldivas também tem riscos associados com o clima.
“Pedimos ao mundo que apoie as comunidades e salve esses lugares de estrema importância cultural. Esses patrimônios são um recurso incrível para abordar as questões mais importantes que a sociedade enfrenta, bem como as necessidades locais de reconhecimento, acesso, participação e oportunidade econômica”, disse Bénédicte de Montlaur, presidente e CEO do WMF, em comunicado.
Confira a lista completa de 2022:
Estes são os três locais na América Latina
Teotihuacán – México
O WMF informa que as estruturas de Teotihuacán há muito enfrentam a deterioração por erosão e cristalização de sais solúveis, motivo pelo qual entrou na lista em 1998 e no ano 2000. Em 2004, o Templo de Quetzalcoatl foi incluído novamente na lista porque estava em estado de extrema deterioração.
Mas além da estrutura física do sítio arqueológico, a pressão do turismo e da expansão urbanapreocupam a organização pelo seu impacto nas comunidades do entorno. De acordo com o WMF, há moradores locais que não tiveram a oportunidade econômica que o turismo apresenta no local e que foram levados a oferecer serviços turísticos na economia informal, sem regulamentação.
Nesse sentido, a interrupção do turismo no início da pandemia de covid-19 acelerou o ritmo de invasão em uma área desprotegida do principal sítio que provavelmente abriga valiosos vestígios arqueológicos. Além disso, a construção de um novo aeroporto internacional a apenas 15 quilômetros de distância provavelmente gerará mais pressão turística e desenvolvimento na área.
Por que o local foi incluído na lista?
O local, segundo a organização, enfrenta desafios e oportunidades para estabelecer um modelo de gestão do turismo organizada, controlada, capaz de gerar benefícios sociais e que não comprometam ainda mais o valor arqueológico.
Paisagem cultural de Yanacancha-Huaquis – Peru
Este é um sítio arqueológico de origem pré-hispânica que se destaca por sua infraestrutura hídrica na qual as civilizações pré-incas (Yauyos) desenvolveram uma série de barragens, reservatórios e canais para desviar, filtrar e reter água de manancial e do derretimento de geleiras para irrigar de campos de altitude e campos mais baixos, bem como para consumo humano.
Quando a infraestrutura é mantida, o sistema proporciona uma gestão eficaz da água em uma grande paisagem montanhosa que afeta as comunidades da bacia do rio Cañete, segundo o WMF. Mas, infelizmente, segundo a organização, grande parte da infraestrutura foi abandonada, e os indígenas locais herdeiros desse patrimônio esqueceram as principais práticas de manutenção.
Por que o local foi incluído na lista?
A organização concentra-se na necessidade de esforços de reabilitação do local e no desenvolvimento de um plano de turismo sustentável que proporcione benefícios à comunidade local, minimizando o risco de perda desse patrimônio.
Parque Estadual de Monte Alegre – Brasil
Localizado na parte norte da Amazônia, no estado do Pará, o Parque Estadual de Monte Alegre abriga uma das maiores e mais antigas concentrações de arte rupestre da Bacia Amazônica. Existem muitos exemplos significativos em cavernas e abrigos rochosos em todo o Parque, incluindo a Roca Pintada, que foi ocupada pela primeira vez por humanos há cerca de 12 mil anos, tornando-se um dos locais ocupados mais antigos das Américas.
A área protegida no entorno de Monte Alegre foi criada em 2001 para cuidar do patrimônio ambiental e arqueológico da região. O Parque tornou-se a principal atração turística da área, constituindo uma nova fonte de renda local associada ao turismo para locais, que inclui visitas guiadas, restaurantes e transporte.
No entanto, apesar disso, segundo o WMF, a arte rupestre de Monte Alegre continua enfrentando uma série de ameaças ambientais e humanas, incluindo a degradação do ambiente florestal causada pela expansão da agricultura e pecuária no baixo Amazonas.
Além disso, em 2020 a pandemia reduziu o turismo na região, afetando a economia das comunidades locais.
Por que o local foi incluído na lista?
A organização ressalta que é necessário apoiar esforços para melhorar a proteção do parque, estabelecer estratégias para promover o turismo sustentável e garantir benefícios locais para as comunidades do entorno.
--Este texto foi traduzido por Bianca Carlos, localization specialist da Bloomberg Línea.
Desde o fim de 2025, quando os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval ao petróleo da Venezuela, a interceptação de navios em alto-mar deixou de se limitar aos petroleiros ligados à Rússia e passou a alcançar embarcações iranianas e venezuelanas, em um esforço ao qual autoridades europeias e indianas também aderiram.
Para John Calabrese, professor da School of Public Affairs da American University e pesquisador sênior não residente do Middle East Institute, em Washington, os episódios têm um fio condutor. A aplicação de sanções está saindo do sistema financeiro e se voltando ao espaço físico.
Calabrese descreveu o fenômeno em artigo acadêmico no qual usou o termo “navalização” (navalization) da guerra econômica para resumir a mudança. O principal motor da mudança, disse Calabrese, é “a quase exaustão das ferramentas exclusivamente financeiras”, uma vez que atores determinados como Rússia, Irã e Coreia do Norte desenvolveram sistemas paralelos para contornar as medidas.
Em entrevista por à Bloomberg Línea, ele detalhou o argumento e avaliou os riscos para países do Sul Global, incluindo o Brasil.
Durante a maior parte do período pós-Guerra Fria, as sanções funcionaram longe do mar, por meio da infraestrutura financeira global, que inclui a compensação em dólar, o sistema de mensagens bancárias Swift e os seguros marítimos. Esse arranjo foi corroído pela chamada frota fantasma, estimada em cerca de mil petroleiros, o equivalente a algo entre 17% e 18,5% da capacidade global de transporte de petróleo, segundo ele.
O risco, para o pesquisador, é que apreensões, inspeções e abordagens de embarcações passem a formar um conjunto de precedentes que outros países poderão usar como justificativa para suas próprias ações. Mesmo quando uma abordagem seja defensável em termos legais restritos, sua repetição pode enfraquecer a liberdade de navegação, explicou.
Calabrese fez uma ressalva sobre o alcance do argumento. “Não quero sugerir que a abordagem forçada de navios substituiu, ou que necessariamente venha a substituir, o uso de ferramentas financeiras”, explicou. “Minha percepção é que a interdição marítima será utilizada ao lado delas, e talvez aumente de frequência.”
Precedente venezuelano
O caso mais sensível para a América Latina está no Caribe.
Desde setembro de 2025, e até pouco antes de capturar o presidente Nicolás Maduro, o governo de Donald Trump combinou ataques letais contra barcos que acusou de transportar drogas, operações que destruíram dezenas de embarcações e mataram mais de cem pessoas, com o bloqueio a petroleiros que movimentam o petróleo venezuelano.
Calabrese separou as duas frentes. “O bloqueio ao petróleo venezuelano se encaixa diretamente no padrão de ‘navalização’. É a lógica de abordagem e inspeção aplicada a um novo conjunto de alvos”, disse. “Mas os ataques letais a barcos suspeitos de tráfico são uma categoria distinta e mais perigosa, porque aplicam força letal e o fazem sem o ato de interdição ou qualquer adjudicação.”
Para os governos da região, a recomendação foi direta. “De um ponto de vista puramente prudencial, os governos regionais provavelmente deveriam tratar a Venezuela como o precedente de abertura, e não como um episódio isolado”, afirmou. Uma vez que um governo normaliza a abordagem de navios como instrumento de sanções em um teatro, “o mesmo raciocínio jurídico parece se transferir para novos alvos”, disse.
Brasil na zona de risco
O Brasil, na avaliação de Calabrese, é um alvo de “segunda ordem”. A concentração das exportações de commodities transportadas por via marítima, caso do minério de ferro, da soja e do petróleo, e a posição de comprador de diesel e fertilizantes russos com desconto colocam o país “dentro da zona de risco”, mesmo sem ser alvo de sanções, avaliou.
Na prática, isso poderia significar custos maiores de frete, aumento de seguros de risco de guerra, atrasos em inspeções e até retenções de cargas brasileiras ou destinadas ao Brasil, disse.
Os vencedores desse sistema híbrido emergente, segundo ele, tendem a ser os países com marinhas de águas profundas e equipes jurídicas experientes para sustentar e defender suas ações.
“Os perdedores provavelmente serão os Estados menores e os armadores menores”, disse. O comércio de potências pequenas e médias ficaria mais exposto porque deixaria de contar com o “escudo” que a ordem do pós-guerra deveria oferecer.
O risco, para o professor, é cumulativo. Cada abordagem unilateral, mesmo quando defensável em seus próprios termos, alimenta um corpo crescente de precedentes, que atores com intenções malignas poderão citar para justificar suas próprias medidas coercitivas. “É possível vislumbrar um futuro em que a ‘autoajuda naval’ (naval self-help, no original) se torne a opção padrão", afirmou.
As instituições existentes, na visão dele, não estão preparadas para conter o processo.
A Organização Marítima Internacional não tem força para aplicar sanções, avaliou, e o Conselho de Segurança da ONU está paralisado.
“Não há tribunal compartilhado, nem autoridade de inspeção, nem mecanismo acordado para resolver disputas sobre o status de embarcações”, disse. Esse vácuo institucional, somado à exaustão das ferramentas financeiras e à ascensão de táticas sofisticadas de ofuscação, é o que, segundo Calabrese, nos trouxe até aqui.
Cada abordagem unilateral alimenta um corpo crescente de precedentes que pode justificar mais medidas coercitivas, segundo John Calabrese (Foto: Marcelo del Pozo/Bloomberg)