Morning Call - 09/09/2026 - Especial Guerra no Oriente Médio
Morning Call - 09/09/2026 - Especial Guerra no Oriente Médio
Agenda de Indicadores:
9:15 – USA – Variação Semanal de Empregos Privados ADP
**12:00 – EUA – Tesouro anuncia o volume máximo planejado para a operação de recompra de títulos de longo prazo – com potencial impacto sobre os rendimentos dos Treasuries e a curva de juros americana.
13:00 – USA – Perspectiva Energética de Curto Prazo
14:00 – USA – Leilão de T-Note de 10 anos
17:30 – USA – Estoques de Petróleo Bruto Semanal API
Agenda de Corporativa:
14:00 – USA – Apple realiza seu tradicional evento anual de lançamento de produtos, com destaque para a nova geração do iPhone e expectativa para a apresentação do primeiro modelo dobrável da companhia, uma das maiores mudanças no design do smartphone em anos.
Brasil
Acompanhe o Pré-Market de NY:
Ativos brasileiros negociados na ActivTrades
O trade eleitoral continuará no radar dos mercados nos próximos dias, com uma nova sequência de pesquisas podendo provocar ajustes na precificação dos ativos brasileiros. A AtlasIntel divulga amanhã um novo levantamento nacional, acompanhado de pesquisas estaduais, enquanto Datafolha e Veritá apresentam novas rodadas na sexta-feira.
Estados Unidos
Os futuros dos principais índices de Nova York —
A guerra entre Estados Unidos e Irã, que entra em seu sétimo mês, voltou a ocupar o centro das atenções diante do risco crescente de expansão do conflito pela região. Para Wall Street, a principal preocupação continua sendo o impacto sobre o petróleo e, consequentemente, sobre a trajetória da inflação americana.
A disparada da energia ocorre em um momento particularmente delicado para o Federal Reserve. O presidente Kevin Warsh tem reforçado o controle da inflação como prioridade da autoridade monetária, enquanto o mercado permanece dividido sobre a necessidade de uma nova alta dos juros já na próxima semana.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, os traders atribuem atualmente 60,4% de probabilidade a um aumento de 25 pontos-base na reunião de setembro.
Para estrategistas do Morgan Stanley liderados por Mike Wilson, a combinação entre petróleo e juros mais elevados representa o principal risco de curto prazo para as ações americanas. O banco também destaca que a redução significativa das reservas estratégicas limita a capacidade de utilizar novos estoques públicos para amortecer uma eventual escalada dos preços da commodity.
Apesar do ambiente de maior aversão ao risco, as empresas de tecnologia apresentam maior resistência. O tema da inteligência artificial continua atraindo recursos e ajuda a compensar parte das preocupações macroeconômicas.
No pré-mercado, Qualcomm, Arm Holdings e Nvidia avançam entre 0,2% e 1,7%, mantendo as fabricantes de semicondutores entre as poucas áreas de força da sessão.
Outro ponto importante estará no mercado de títulos. O Tesouro americano deve anunciar ainda nesta quarta-feira os detalhes de seu programa de recompra, semanas depois de indicar que ampliaria as aquisições de títulos de longo prazo para ajudar a conter a pressão sobre os rendimentos.
Analistas do JPMorgan destacam que os traders buscarão principalmente informações sobre o volume das compras. Uma reação significativa nos Treasuries poderá se transmitir rapidamente para Wall Street, já que rendimentos elevados aumentam a atratividade dos títulos considerados livres de risco e reduzem o prêmio relativo oferecido pelas ações.
Ainda assim, o principal teste para as expectativas de juros virá dos dados de inflação. O Índice de Preços ao Produtor (IPP) será divulgado na quinta-feira, seguido pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na sexta-feira.
Guerra EUA e Irã
A guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a escalar após cerca de um mês de relativa calmaria, com uma sequência de ataques envolvendo petroleiros, bases militares e rotas estratégicas de energia. O conflito começa a se espalhar para outros países da região e já provoca uma forte redução no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Na terça-feira, os Estados Unidos afirmaram ter destruído cinco petroleiros iranianos. Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, a operação foi uma resposta a duas tentativas iranianas de atingir um navio de guerra americano com mísseis balísticos nos dois dias anteriores. Nenhum militar americano ficou ferido.
O secretário de Estado Marco Rubio adotou um tom duro e afirmou que novas tentativas de atacar embarcações da Marinha americana serão respondidas com a destruição de mais petroleiros iranianos.
A resposta de Teerã veio pouco depois. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter lançado mísseis balísticos contra uma base utilizada pelas forças americanas próxima a Al Azraq, na Jordânia.
O Irã alegou ter provocado grandes danos, mas o governo jordaniano informou que suas defesas aéreas interceptaram 18 dos 20 mísseis lançados. Os outros dois caíram em áreas desabitadas e não houve registro de vítimas. Autoridades americanas também afirmaram que todas as tropas foram contabilizadas e que o ataque não causou danos relevantes.
Em nova escalada, a Guarda Revolucionária afirmou nesta quarta-feira ter atacado 10 navios — duas embarcações americanas e oito petroleiros — que tentavam atravessar uma área classificada pelo Irã como “proibida e insegura”.
Teerã também ameaçou petroleiros localizados em portos do Kuwait e do Bahrein. Além disso, um navio-tanque de gás natural liquefeito foi danificado no porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos.
Na semana anterior à retomada dos combates, em 30 de agosto, aproximadamente 8 a 9 milhões de barris de petróleo por dia atravessavam o estreito. Nos últimos dias, esse fluxo caiu para menos de 2 milhões de barris por dia. Isso representa uma redução superior a 75% em relação ao volume observado antes da nova escalada.
Outra frente de preocupação surgiu na terça-feira, quando os houthis lançaram uma ampla ofensiva contra a Arábia Saudita. Os ataques deixaram 73 pessoas feridas e provocaram incêndios em instalações petrolíferas.
O grupo, apoiado por Teerã e que controla grande parte das áreas povoadas do Iêmen, afirmou ter utilizado drones e mísseis contra uma base aérea saudita em Khamis Mushait e contra instalações de energia nas cidades de Abha, Najran e Jazan.
Os houthis já vinham utilizando sua posição no Iêmen para interromper periodicamente a navegação na entrada do Mar Vermelho. Agora, os ataques contra território saudita acrescentam uma nova frente de risco para a infraestrutura energética da região.
Europa
Os principais índices acionários da Europa —
O Euro Stoxx 50
As tensões aumentaram depois que forças Houthi, apoiadas pelo Irã, lançaram ataques contra diversas cidades da Arábia Saudita, ampliando o envolvimento de um dos principais aliados dos Estados Unidos na região e elevando o risco de uma expansão do conflito.
A reação mais imediata ocorre no mercado de energia. O Brent ultrapassou US$ 100 por barril pela primeira vez desde 24 de julho, enquanto as ações das empresas europeias do setor avançam cerca de 0,6%, destoando das perdas generalizadas nas bolsas.
Para a Europa, o choque representa um risco particularmente importante. A elevada dependência de energia importada faz com que o petróleo mais caro seja rapidamente transmitido para os custos das empresas e consumidores, podendo simultaneamente pressionar a inflação e enfraquecer a atividade econômica.
O movimento ocorre justamente às vésperas da decisão do Banco Central Europeu. Os traders consideram amplamente esperada uma nova alta dos juros nesta quinta-feira, mas a disparada recente do petróleo aumenta a incerteza sobre quanto tempo a política monetária precisará permanecer restritiva.
Além da decisão do BCE, os mercados acompanharão os indicadores de inflação dos Estados Unidos ainda nesta semana, que serão importantes para definir as expectativas para a próxima reunião do Federal Reserve.
Na Europa, os dados de inflação da Alemanha, também previstos para quinta-feira, ganham importância adicional. Além de oferecerem novas pistas sobre as pressões de preços na maior economia da região, os números serão divulgados em um momento no qual o novo choque de energia ameaça dificultar ainda mais o processo de desinflação.
Entre as empresas, a Fortum lidera os ganhos do STOXX 600, com alta de 9,6%, após o grupo energético finlandês fechar um contrato de fornecimento de energia de longo prazo com o Google.
O acordo está relacionado aos planos da gigante de tecnologia de investir pelo menos US$ 15,1 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial na Finlândia ao longo dos próximos dois anos.