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História da energia nuclear: o poder do átomo e seus riscos

Poucas tecnologias tiveram um impacto tão grande no mundo moderno quanto a energia nuclear. Nascida das descobertas que revelaram a quantidade de energia contida nos átomos, ela transformou a ciência, a geração de eletricidade e até a geopolítica mundial, sendo uma das inovações ao mesmo tempo mais influentes e debatidas do último século.

Da descoberta da radioatividade aos reatores que abastecem cidades inteiras, a trajetória da energia nuclear é marcada por avanços, tragédias e controvérsias. A seguir, conheça como essa tecnologia surgiu, evoluiu e se tornou uma peça importante nas discussões sobre o futuro da energia.

O que é energia nuclear?

A energia nuclear é a energia liberada a partir do núcleo dos átomos, em procedimentos realizados dentro de usinas nucleares. A obtenção dessa energia é feita principalmente por um processo conhecido como fissão nuclear.

Tanto a fusão quanto a fissão nuclear nascem pela modificação do núcleo do átomo, que permite uma grande produção energética através de calor e uma reação em cadeia controlada em laboratório.

Mais usada como processo na produção de energia por ser um processo mais consolado e consolidado, a fissão acontece quando o núcleo atômico se divide em partículas menores. Já a fusão nuclear ocorre quando dois ou mais núcleos se unem para produzir um novo elemento.

A descoberta do átomo

A ideia por trás da energia nuclear é bastante antiga. Filósofos gregos da Antiguidade, como Demócrito de Abdera, citavam o átomo como o "elemento elementar" de toda a matéria.

Porém, só em 1803 o pesquisador John Dalton retoma essas ideias com mais embasamento na teoria atômica, sobre como átomos de um mesmo elemento são iguais entre si. Outro avanço importante veio em 1834 as leis de eletrólise, de Michael Faraday, indicando que os átomos transportavam cargas elétricas.

Em 1895, Wilhelm Roentgen descobre uma radiação que, ao mesmo tempo, atravessava e era parcialmente absorvida por um material. Esse fenômeno ativava algumas substâncias, deixava marcas em placas fotográficas e aumentava a condutividade do ar — fenômeno batizado de raios-X pelo aspecto misterioso.

Já nesse período, pesquisadores notaram que os sais de outro material, o urânio, tinham comportamentos parecidos. Infelizmente, muitos desses pioneiros só descobriram que a radiação tinha efeitos danosos para saúde por terem entrado em contato direto com os elementos.

Como surgiu a energia nuclear moderna

Foi em 1929 que o italiano Enrico Fermi apresentou os princípios da fissão nuclear, seguido por outros estudos que notaram como o efeito dos neutros podia ser modificado para ficar mais lento.

Isso acontecia tendo uma substância moderadora para gerar reações nucleares eficientes, como hidrogênio, carbono ou deutério. Esse processo, a termalização de nêutrons, é uma das chaves de um reator nuclear e rendeu um prêmio Nobel para Fermi.

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Fermi durante uma aula demonstrativa. (Imagem: Wikimedia Commons/Smithsonian Institution)

Já em 1939, o trio Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman faz outra descoberta importante: a fissão do núcleo do urânio, controlada para gerar uma quantidade enorme de energia.

O papel do Projeto Manhattan

O governo dos Estados Unidos sabia da possibilidade de uso da energia nuclear em bombas de altíssima capacidade de destruição: Albert Einstein escreveu uma carta sobre as descobertas da fissão e alertando sobre a possibilidade dessas armas serem inventadas primeiro pela Alemanha nazista.

A preocupação foi o embrião do projeto atômico militar dos EUA, que em 1940 injeta verba no chamado Projeto Manhattan, com o objetivo de construir uma bomba com a tecnologia. Os EUA entram oficialmente na Segunda Guerra Mundial após o ataque a Pearl Harbor e os resultados começam a sair.

A corrida durante a Segunda Guerra

Em 2 de dezembro de 1942, entra em operação o primeiro reator nuclear, com uma reação em cadeia autossustentável inédita para gerar energia. Ele foi construído na Universidade de Chicago, debaixo das arquibancadas de um campo e sob supervisão de Fermi.

Já o primeiro teste da bomba atômica de plutônio acontece em 16 de julho de 1945, no deserto de Alamogordo, no estado do Novo México. Esse teste é retratado no filme Oppenheimer, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2024 e dirigido por Christopher Nolan.

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Cillian Murphy como Oppenheimer. (Imagem: Divulgação/Universal)

O avanço culmina nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, lançamento das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki, no Japão. Foi o primeiro uso militar da tecnologia nuclear e o resultado foi cerca de 240 mil mortes diretas, em uma das maiores tragédias do século XX.

Com a guerra encerrada, os EUA viram uma potência nuclear e, ao mesmo tempo, passam a estipular regras pra evitar o uso bélico da tecnologia. Eles criam a Comissão da Energia Atômica para controlar o desenvolvimento de energia nuclear e explorar usos pacíficos, enquanto os soviéticos recusam a ideia — na época, ambos os lados da Guerra Fria iniciaram o desenvolvimento da Bomba H, de hidrogênio, que seria ainda mais poderosa.

A energia nuclear fora das guerras

Na década de 1950, as pesquisas se direcionam para o uso civil da tecnologia, principalmente em geração de eletricidade e propulsão de veículos. Idaho, nos Estados Unidos, é lar do primeiro reator nuclear em teste que produz eletricidade.

O primeiro submarino nuclear nasce nessa época: é o USS Nautilus, de 1954. Além disso, uma pequena cidade chamada Arco passa a ter um sistema de eletricidade totalmente dependente da energia nucelar.

O cenário brasileiro

O programa nuclear brasileiro começa com a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear em 1956 para desenvolver técnicas, conhecimentos e pesquisa. O almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, então presidente do CNPq, representou o país em reuniões da ONU sobre o tema.

A partir da década de 1960, o projeto da usina Angra 1 começa junto com a inauguração de outros locais parecidos ao redor do mundo. Após um longo período de construção, só em 1982 teve início a operação comercial do local.

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Angra 2. (Imagem: Divulgação/Eletronuclear)

Em 2001, começa a operar comercialmente a Angra 2, segunda usina brasileira dessa energia. Por outro lado, a Angra 3 segue há décadas só como um projeto e em fase de construção, com a obra já paralisada por vários motivos.

O desenvolvimento da energia nuclear

Em 1970, mais de 45 países assinam o Tratado de Não Proliferação Nuclear, um acordo de comprometimento em não transferir armas nucleares entre si ou colaborar em sua fabricação, promovendo o desarmamento nuclear e o uso energético da tecnologia.

Era um momento de busca por alternativas em combustíveis após a primeira grande crise do petróleo, que trouxe problemas pra um mundo bastante dependente dos combustíveis fósseis.

Espanha e França fizeram a mudança de chave nessa época, passando a investir bastante em energia nuclear. Já na década de 1980, a energia nuclear passa o gás natural e até as hidrelétricas em fornecimento nos EUA, com mais de 100 usinas funcionando.

Acidentes e falhas

Ao longo dos anos, porém, a tecnologia sofre baques na reputação por incidentes graves que mostraram os riscos em lidar com esses materiais.

  • O pior acidente na história das usinas nucleares dos EUA foi o de Three Mile Island, em 1979, após falhas no sistema e erros humanos que geraram radiação nas redondezas;
  • Em 26 de abril de 1986, ocorre a explosão de um reator da usina de Chernobyl, território hoje da Ucrânia, que levou a muitas vítimas diretas ou indiretas da radiação. Foi nesse momento que a opinião global sobre energia nuclear começou a mudar;
  • Já o Brasil passou em setembro de 1987 pelo caso do césio-137 em Goiânia — não um acidente em usina, mas causado pelo gerenciamento incorreto de materiais radioativos;
  • Um dos últimos casos de larga escala foi o de 2011 em Fukushima, no Japão, com reatores falhando após um tsunami. Houve emissão de radiação e evacuação em massa da região.

A expansão em novos mercados

A China foi aos poucos também se transformando em um polo da energia nuclear. Eles começam a apostar no setor na década de 1990 e inauguram na época a primeira usina nuclear local de grande escala, a Guangdong-1.

Atualmente, a expansão da China continua firme: em 2019, ela já tinha 45 reatores funcionando e outras dezenas aprovados para as décadas seguintes. A tecnologia é vista atualmente também como uma possível solução para a alta demanda energética de data centers, em especial aqueles que processam serviços de inteligência artificial (IA).

Só que nem todas as notícias foram boas para o setor nos últimos anos. Em março de 2017, a companhia nuclear Westinghouse, que era um braço da Toshiba, declara falência por custos elevados na construção de novas usinas — um baque para uma das maiores representantes do setor.

Quais são os benefícios da energia nuclear?

Quem é a favor dessa tecnologia defende a eficiência da energia nuclear: ele tem uma alta densidade, o que significa que uma pequena quantidade de substâncias pode gerar uma enorme quantidade de energia. A geração dos materiais do processo é também vista como uma vantagem pela constância: ela independe de fatores como clima e tem grande durabilidade.

Outro ponto significativo é o de sustentabilidade. Apesar dos riscos de acidentes e do descarte irregular das substâncias fora de uso, a energia nuclear não envolve poluição por combustíveis fósseis por não emitir dióxido de carbono durante a geração de eletricidade. Além disso, as usinas ocupam menos espaço do que grandes parques solares ou eólicos, sem também promover mudanças significativas no ecossistema como a construção de barragens em hidrelétricas.

Quais as vantagens e desvantagens da energia solar, que também é uma alternativa moderna para gerar eletricidade? Entenda melhor sobre o assunto!

© Schroptschop/GettyImages

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Bolsas de nicotina são a nova estratégia da Philip Morris no Brasil

Ruas limpas, ar fresco e uma contagem regressiva para fazer história na saúde pública: a Suécia está prestes a se tornar oficialmente o primeiro país do mundo considerado “livre de fumaça” pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reduzindo sua taxa de fumantes para menos de 5%.

O segredo por trás desse fenômeno escandinavo não está na abstenção da nicotina, mas em uma mudança radical de comportamento. Pelas calçadas de Estocolmo, o cigarro tradicional foi quase extinto, substituído nos bolsos e bolsas por pequenas latas redondas e coloridas. Trata-se do mercado consumidor do snus (tabaco oral) e dos nicotine pouches (bolsas de nicotina sem tabaco), uma categoria liderada globalmente pela marca Zyn.

Essa engrenagem sueca, no entanto, é mais do que um traço cultural nórdico. Ela se transformou no principal laboratório e vitrine comercial da Philip Morris International (PMI). Com a venda de cigarros tradicionais em declínio global, a maior empresa de tabaco do mundo mira mercados protegidos e populosos para introduzir seus novos produtos à base de nicotina. E o Brasil é o alvo principal desse novo xadrez corporativo.

O lobby da nicotina no Brasil

Atualmente, a comercialização de qualquer produto de nicotina por via oral ou eletrônica que não seja voltado para a cessação médica é proibida no mercado brasileiro por resoluções da Anvisa. Isso inclui vapes (os famosos “cigarros eletrônicos”) e os dispositivos de tabaco aquecido, pouco conhecidos no Brasil, mas também fabricados pela PMI como um produto de redução de danos no consumo de nicotina.

Para romper essa barreira regulatória, a estratégia da PMI passa por pautar a imprensa internacional e gerar debate público no país, de olho na criação de uma forte corrente de lobby junto ao Poder Legislativo em Brasília.

A argumentação da companhia para forçar uma abertura de mercado é puramente pragmática. De acordo com o Vice-Presidente de Comunicação Global da PMI, Tommaso Di Giovanni, decretos proibicionistas falham em extinguir a demanda dos usuários. O executivo defende que a proibição retira o controle sanitário do Estado e entrega um mercado bilionário diretamente para as mãos do crime organizado.

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Tommaso Di Giovanni, Vice-Presidente de Comunicação Global da PMI. (Fonte: PMI/Divulgação)

Do ponto de vista tributário, a fabricante busca usar o debate da Reforma Tributária brasileira para defender alíquotas proporcionais ao risco de cada produto. A tese comercial é que o cigarro tradicional deve sofrer tributações punitivas, enquanto as alternativas sem combustão precisariam de impostos reduzidos para incentivar financeiramente a migração do consumidor para opções menos nocivas.

O perigo da nicotina e o papel do Estado

A grande aposta científica da indústria para legitimar as bolsas de nicotina baseia-se na separação entre a substância que causa o vício e o processo que gera as doenças. “As pessoas fumam pela nicotina, mas morrem pelo alcatrão”, resume a literatura corporativa que serve de base para os materiais de relações públicas da empresa.

Segundo a Diretora de Assuntos Científicos da PMI, Gizelle Baker, a fumaça gerada pela combustão do tabaco aceso libera mais de 6 mil substâncias químicas, sendo cerca de uma centena delas catalogadas como cancerígenas. O Zyn, por sua vez, utiliza nicotina de grau farmacêutico extraída quimicamente, idêntica à pureza encontrada em chicletes e adesivos de cessação vendidos em farmácias, eliminando o fogo da equação.

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Gizelle Baker, Diretora de Assuntos Científicos da PMI. (Fonte: PMI/Divulgação)

Contudo, autoridades médicas brasileiras e agências de saúde internacionais mantêm o ceticismo e alertam para o tom duvidoso dessa narrativa. Embora o risco de câncer de pulmão caia significativamente sem a queima do tabaco, a nicotina está longe de ser uma substância inofensiva.

Ela continua sendo uma droga neuroestimulante com altíssimo poder de dependência química severa, que provoca impactos imediatos no sistema cardiovascular, eleva a frequência cardíaca, contrai os vasos sanguíneos e aumenta a pressão arterial, atuando como um gatilho para infartos e AVCs.

Diante desse cenário complexo, o debate caminha para uma encruzilhada: a proibição total e a liberação irrestrita parecem caminhos igualmente problemáticos. É aí que ganha força uma visão mais equilibrada, que entende que a saída ideal pode não ser o banimento às cegas, mas sim a permissão de venda sob um controle estatal severo.

A regulação rígida do Estado — definindo dosagens máximas, regras de publicidade e locais de venda — surge como a única ferramenta capaz de garantir a segurança do consumidor adulto, sufocar o crime organizado e, ao mesmo tempo, evitar os abusos de um mercado sem freios.

Por trás do selo científico da PMI, há uma contradição mercadológica evidente: a corporação assume que não tem interesse em ver seus clientes abandonarem a substância. O modelo de negócios da maior empresa de tabaco do mundo não prevê a cura do vício, mas sim a migração do usuário para um novo formato de consumo que o mantenha fisgado economicamente — e de forma vitalícia — à marca. Daí a necessidade indispensável de um controle do Estado para ditar as regras do jogo.

Apelo aos jovens: bolsas de nicotina como porta de entrada?

O design e a estética do produto são os pilares que transformaram as bolsas de nicotina em um fenômeno bilionário de consumo. O CEO da Swedish Match e Presidente de Produtos Orais da PMI, Nick Ricketts, explica que o maior desafio em mercados como o Brasil é a quebra mecânica do ritual de fumar, já que o consumidor não está acostumado com o uso de substâncias sob o lábio. Para a indústria, a inclusão de sabores agradáveis (como menta, mentol e combinações de frutas) cumpriria apenas um papel pedagógico de “segurar a mão” do fumante adulto durante o período de adaptação.

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Nick Ricketts, CEO da Swedish Match e Presidente de Produtos Orais da PMI. (Fonte: PMI/Divulgação)

Essa justificativa corporativa, no entanto, desmorona diante do óbvio apelo estético do produto para o público jovem e para não fumantes. Com latas coloridas que lembram embalagens de pastilhas com sabores de chiclete e uma discrição total que permite o uso em salas de aula ou escritórios sem ser detectado, o Zyn se tornou um sucesso nas redes sociais no exterior.

Longe de ser um mero “substituto de menor dano para fumantes”, os sachês atuam como um iniciador de vício perfeito, com velocidade de absorção rápida pela mucosa bucal, atraindo uma geração inteira que rejeitava o cheiro do cigarro comum, mas que agora é capturada pela “nicotina gourmetizada”.

Os argumentos da Anvisa contra os sachês de nicotina

A Anvisa sustenta seu veto por meio da Resolução RDC nº 855/2024, que proibiu o comércio de produtos alternativos de nicotina no país. Respaldada pelo “Princípio da Precaução”, a agência alerta que a ausência de fumaça não anula a toxicidade: a rápida absorção bucal da substância provoca vasoconstrição e sobrecarrega o sistema cardiovascular, elevando riscos de hipertensão.

Os fundamentos médicos estão no Relatório de Análise de Impacto Regulatório (AIR) da autarquia. O documento aponta que o uso recreativo estimula o consumo contínuo de altas dosagens. O corpo técnico adverte que a exposição precoce à nicotina causa danos severos ao desenvolvimento do córtex pré-frontal em jovens, afetando a atenção e o controle de impulsos, além de desencadear crises de ansiedade.

Por fim, notas técnicas do INCA e do Ministério da Saúde reforçam que liberar o produto para combater o contrabando ameaça o histórico controle do tabagismo no país. Para as autoridades, a verdadeira redução de danos já ocorre no SUS com adesivos e gomas terapêuticas de doses decrescentes voltadas à cura. Chancelar o Zyn significaria normalizar o consumo e repassar ao Estado o custo de tratar novos dependentes.


O espelho do contrabando na Europa e a pressão fiscal

Para alertar os parlamentares e formuladores de políticas públicas no Brasil, a PMI passou a utilizar dados recentes do mercado europeu para demonstrar que banir o produto gera graves efeitos colaterais de segurança pública.

O foco principal é a Alemanha, onde as bolsas de nicotina foram banidas após tribunais locais classificarem o produto na categoria de alimentos. Um levantamento exclusivo encomendado pela PMI à agência de pesquisas Ipsos revelou que, apesar da proibição de vendas na Alemanha, as bolsas de nicotina continuam amplamente disponíveis sob o balcão em 15,8% dos comércios varejistas do país. O dado mais alarmante da pesquisa mostra que 13,6% de todas as latas de Zyn coletadas em território alemão eram falsificadas.

O Diretor de Prevenção ao Mercado Ilegal da PMI na Europa, Klaus Berg, utiliza esse cenário como um alerta direto para as fronteiras brasileiras. O executivo, que é ex-oficial de inteligência do exército francês, afirma que o crime organizado possui uma velocidade de adaptação logística superior à das agências reguladoras. Sem regras claras e controle de mercado, o contrabando passa a fornecer produtos falsificados com dosagens perigosas e sem pagar impostos.

Pragmatismo de mercado contra barreiras sanitárias

Em suas campanhas globais, a indústria do tabaco exibe gráficos que atacam diretamente a eficácia das políticas restritivas aplicadas em países como Turquia e Brasil. Segundo as métricas apresentadas pela corporação, nações que proíbem terminantemente os produtos alternativos sem fumaça registram uma estagnação na queda das taxas de tabagismo nas últimas décadas.

No Brasil, o número de fumantes voltou a crescer após quase duas décadas de queda contínua, segundo dados do Ministério da Saúde. A proporção de adultos fumantes saltou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, representando um aumento de 25% em apenas um ano.

Apesar disso, o contraponto a essa leitura, defendido por sanitaristas nacionais, aponta que o Brasil se tornou uma das principais referências mundiais no combate ao fumo justamente por sua postura rigorosa de proibições, restrições publicitárias e suporte médico via SUS. Esse aumento seria devido, justamente, à popularização de cigarros eletrônicos, cigarros de palha e outras “maneiras de fumar”, que atraem principalmente os mais jovens e impulsionaram a retomada do consumo. A introdução de uma nova categoria recreativa saborizada é vista pelas autoridades brasileiras como um risco de retrocesso histórico para os índices de saúde do país.

O destino do Zyn e das bolsas de nicotina em solo nacional não será selado por consensos médicos imediatos, mas sim pelo embate direto que se desenha nos bastidores de Brasília. De um lado, o rigor técnico da Anvisa tenta blindar a população; do outro, uma das maiores indústrias do planeta movimenta suas peças de comunicação e influência fiscal para provar que a redução de danos é um caminho sem volta para a saúde, para os negócios e para o mercado.

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China sai na frente dos EUA e aprova venda de chips cerebrais

A China deu um passo importante rumo à liderança global em interfaces cérebro-computador (BCI) ao se tornar o primeiro país a aprovar o implante cerebral de uso comercial. A autorização de reguladores locais para o dispositivo da Neuracle Medical Technology foi concedida recentemente.

Destinada a pacientes com paralisia causada por lesões graves na medula espinhal cervical, a tecnologia liberada pelas autoridades chinesas conecta o sistema nervoso a equipamentos externos. Assim, essas pessoas podem recuperar parte dos movimentos das mãos, em determinados casos.

Avanços promovidos pela IA

Menos agressiva que sistemas concorrentes, a tecnologia da Neuracle utiliza chip do tamanho de uma moeda implantado na membrana que envolve o cérebro, sem impactar diretamente o tecido cerebral. Isso leva à redução de riscos cirúrgicos.

  • O dispositivo capta os sinais neurais associados à intenção de movimentar as mãos, interpretando-os e enviando para uma luva robótica usada pelo paciente;
  • Ao receber os dados, a luva aciona os movimentos de abrir e fechar a mão, possibilitando recuperar parcialmente funções motoras para agarrar e manipular objetos;
  • Com a incorporação de modelos de inteligência artificial ao sistema, a decodificação dos sinais cerebrais tem se tornado ainda mais precisa;
  • Outras empresas chinesas estão testando BCIs aprimoradas com IA para recuperar movimentos de mais partes do corpo e também da fala.
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O sistema da Neuracle aprovado pelos reguladores chineses é para recuperar movimentos das mãos. (Imagem: Sladic/Getty Images)

Para usar o chip cerebral da Neuracle é necessário cumprir alguns requisitos. O paciente deve ter entre 18 e 60 anos e comprovar que convive com a paralisia há mais de um ano, mantendo a condição estável durante seis meses, no mínimo.

Além disso, a pessoa precisa apresentar pelo menos algum movimento na parte superior dos braços, mesmo não conseguindo segurar objetos com as mãos. Os primeiros dispositivos devem começar a ser vendidos em breve.

Mais opções em desenvolvimento

Com planos de aumentar os investimentos no setor, a China tem mais startups com chips cerebrais em estágio avançado de desenvolvimento, como a NeuroXess. Um de seus sistemas permitiu que um homem com lesão na medula controlasse eletrodomésticos com o pensamento.

Ela também desenvolveu um modelo de IA capaz de decodificar o mandarim em tempo real, identificando 300 caracteres por minuto. A tecnologia será integrada a mecanismos relacionados à recuperação da fala.

Já a Maschine Robot trabalha na criação de uma cadeira de rodas controlada pelo pensamento para pessoas com esclerose lateral amiotrófica (ELA). Com estreia prevista para junho, o sistema usa uma faixa de cabeça na captação da atividade cerebral e rastreamento ocular para identificar a direção.

Siga no TecMundo e confira os avanços mais recentes da Neuralink na área. A empresa de Elon Musk é uma das principais rivais das startups chinesas.

© wildpixel/Getty Images

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LeoLabs: conheça o site que mostra tudo o que está orbitando a Terra em tempo real

Uma plataforma desenvolvida pela empresa americana LeoLabs, permite visualizar em tempo real milhares de satélites que orbitam a Terra. A ferramenta, acessível gratuitamente pela internet, utiliza dados de rastreamento espacial para exibir a posição e a trajetória desses objetos em um globo terrestre 3D interativo.

Atualmente, estima-se que mais de 26 mil satélites artificiais estejam em órbita, desempenhando funções que vão desde telecomunicações e navegação até monitoramento climático e operações militares. Grande parte deles permanece invisível a olho nu, mas continua essencial para o funcionamento de tecnologias do dia a dia, como GPS, internet e transmissões de TV.

Como funciona a visualização em tempo real?

A plataforma da LeoLabs organiza essas informações em uma interface visual que permite ao usuário acompanhar o deslocamento dos satélites ao redor do planeta. Ao clicar em cada objeto, é possível acessar detalhes como data de lançamento, tipo de missão, operador responsável e previsão de órbita, transformando dados complexos em algo mais acessível.

Além disso, o sistema utiliza dados atualizados constantemente, o que garante uma representação bastante próxima da realidade. Isso inclui não apenas satélites ativos, mas também detritos espaciais. Com o aumento acelerado do número de lançamentos por empresas privadas, o espaço ao redor da Terra está se tornando mais 'congestionado'.

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O LeoLabs é uma espécie de "Google Maps" da órbita baixa terrestre. (Imagem: Getty Images)


Ao mesmo tempo, esse tipo de plataforma ajuda a aproximar o público de um universo que normalmente parece distante. Visualizar, em tempo real, tudo o que está orbitando acima de nossas cabeças traz uma nova perspectiva sobre a tecnologia espacial. Continue explorando o TecMundo para descobrir outras ferramentas, curiosidades e inovações que estão moldando o presente e o futuro.

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'Carroll': astronauta da Artemis II nomeia cratera com nome da esposa falecida

Os astronautas do programa Artemis II viveram um emocionante momento após nomear uma cratera lunar na última segunda-feira (06). O “ponto brilhante na Lua” foi batizado de Carroll pela tripulação em homenagem à falecida esposa do comandante da missão, Reid Wiseman.

Pouco tempo após a tripulação quebrar o recorde de ponto mais distante da Terra já visitado por humanos, um vídeo compartilhado pela equipe mostra o momento de batismo da cratera. A referência do nome foi para Carroll Taylor Wiseman, que faleceu em decorrência de um câncer, em 2020.

Em contato com o controle da missão, o especialista Jeremy Hansen narrou que no início da jornada da Artemis, o grupo de astronautas sofreu um grande baque.

“E assim perdemos uma pessoa querida. Seu nome era Carroll, esposa de Reid, mãe de Katie e Ellie. E se você quiser encontrar este lugar, procure por Glushko, que fica a noroeste dali, na mesma latitude de Ohm, e é um ponto brilhante na Lua. Gostaríamos de chamá-lo de Carroll”, finalizou Hansen.

Após o contato do especialista, o controle da missão ficou alguns segundos em silêncio, enquanto o restante da tripulação se reuniu para abraçar o comandante Wiseman.

Em resposta, o controle confirmou a solicitação da equipe e confirmou a escolha pela “Cratera Carroll” durante a comunicação.

Cratera Carroll ainda não é oficial

Mesmo que os responsáveis na Terra e a equipe da Artemis II tenham chegado a um consenso, a Cratera Carroll ainda não é oficial. Assim como ocorre com qualquer formação lunar, os nomes precisam passar por uma aprovação da União Astronômica Internacional (UAI) e isso geralmente leva algum tempo até acontecer.

  • Durante a missão Apollo 8, o astronauta Jim Lovell propôs que uma montanha fosse batizada com o nome de sua esposa, Marilyn, mas a UAI só aceitou o nome em 2017;
  • Vale notar que a localização exata da cratera ainda não foi totalmente confirmada, mas fica entre as crateras Glushko e Ohm;
  • Os quatro astronautas da Artemis II já iniciaram a viagem de volta à Terra após o sobrevoo da Lua;
  • Em dado momento, o sinal dos tripulantes sofreu um apagão durante a visita ao lado oculto da Lua, mas já era algo previsto;
  • A missão também bateu o recorde de humanos no ponto mais distante em relação ao nosso planeta, com mais de 406 mil km longe da Terra;
  • Com a volta à Lua, é a primeira vez que os humanos chegam tão perto do satélite natural após mais de 50 anos.

O próximo passo da cápsula Orion é começar a sair da influência gravitacional da Lua e serão feitas pequenas correções nos motores. Na próxima quinta-feira (09), os astronautas passarão o último dia completo no espaço, até que finalmente retornem para a Terra no dia 10, em uma aterrissagem no Oceano Pacífico.

Aliás, a Artemis II usa um sistema O2O para enviar imagens em 4K do espaço, que usa comunicação óptica para transmitir dados em alta qualidade. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

© (Imagem: NASA/Divulgação)

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Conheça os drones capazes de fazer detecção de radiação

Estamos acostumados a ver drones empregados em alguns setores mais convencionais, como para capturar vídeos ou fotos do alto e monitorar a segurança de um evento, além de serem pilotados como uma atividades de lazer. Porém, existe uma função ainda pouco difundida para esses equipamentos com grande importância para a ciência.

Aos poucos, drones se transformam em alternativas para detectar radiação no ambiente, uma tarefa até então restrita para pessoas que integram equipes de investigação, pesquisa ou segurança.

Como mostra a série brasileira Emergência Radioativa, em alta na Netflix ao contar a história da tragédia envolvendo o Césio-137 em Goiânia, o contato com determinadas substâncias ou um alto índice de emissão de radiação traz consequências a curto e longo prazo para o corpo. Ou seja, a ajuda da tecnologia nesses casos é muito bem-vinda e pode até ajudar a salvar vidas que seriam prejudicadas por esse tipo de serviço.

Como funcionam os drones que detectam radiação?

Drones usados para detecção de radiação possuem basicamente o mesmo formato tradicional de outros veículos aéreos não tripulados e em miniatura. Eles são compostos de hélices e motores elétricos que permitem a movimentação, além de sensores de geolocalização e estabilização no ar, como um gimbal.

O diferencial está na presença de sensores que são acoplados ao corpo desses drones e são capazes de fazer a medição de radiação no ambiente. Eles ajudam a identificar inclusive qual é o isótopo radioativo encontrado no ambiente, o que ajuda na criação de uma estratégia de contenção.

Essa avaliação a partir de drones é realizada de forma similar ao procedimento mais convencional, que utiliza os chamados contadores Geiger‑Müller. Esses monitores são capazes de detectar radiação ionizante usando um tubo de gás.

Se há radiação no ambiente e ela passa por esse tubo, uma descarga elétrica é gerada e produz "cliques" que são contabilizados pelo sensor. É essa sinalização sonora que é exibida em um mostrador e indica a quantidade de partículas radioativas presentes.

Além deles, os drones podem usar outros sensores, como detectores cintiladores (que usam cristais que "vibram" ao conato com radiação) e espectrômetros de raios‑gama, mais voltados para a identificação dos pontos específicos que são os picos de energia.

Drones fazem o mapeamento 3D e até geram mapas de calor em tempo real com o nível de radiação em turbinas. (Imagem: Reprodução/Flyability)


Para além de substituírem o trabalho humano por motivos de segurança, esses drones fazem ainda uma segunda tarefa que dificilmente conseguiria ser realizada simultaneamente por um operador de sensores.

Ao utilizarem GPS para se movimentar e por contarem normalmente com uma câmera que faz gravações de vídeo (e pode trazer até sensores de temperatura ou que "enxergam" bem no escuro), os drones podem combinar esses dados para gerar mapas detalhados do ambiente — não só mapeando locais internos e externos, mas também trazendo a variação da radiação em cada ponto.

Possíveis aplicações no mercado

Esses equipamentos especializados podem ser utilizados em diferentes situações, tornando o processo mais seguro e, em alguns aspectos, até otimizado em relação ao trabalho feito por um ser humano. Algumas das situações em que eles são úteis incluem:

  • Atuação em emergências nucleares e acidentes, como vazamentos em usinas, para mapear reatores e laboratórios possivelmente contaminados com radiação e ajudar na formulação de medidas de evacuação;
  • Inspeção de usinas, laboratórios e locais de descarte de lixo radioativo, para averiguar a segurança desses locais em relação às emissões de material radioativo e possíveis exposições a pessoas, animais e reservas de água;
  • Monitoramento de ambiente, solo e água em pesquisas, fornecendo informações importantes sobre a radioatividade em áreas de mineração, zonas que já passaram por algum desastre (como as imediações de Chernobyl, por exemplo).

Os drones especializados nessa função são feitos por companhias especializadas. Marcas como Flyability e Fly4Future são algumas das referências atuais nesse setor, com o modelo Elios 3 RAD Payload sendo uma das referências em qualidade dos sensores.

Porém, a utilização desses equipamentos não deve significar a substituição completa da atuação humana. Isso porque os sensores do drone podem não ser tão versáteis e avançados quanto os equipamentos de ponta da área, em especial pelas limitações de peso e tamanho que eles podem carregar.

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Além disso, a operação no ar pode gerar dados imprecisos em comparação com o nível de radiação a nível do solo. Relatórios de fiscalização e adequação legislativa, por exemplo, são atividades que exigem uma medição mais completa.

Apesar do alto nível de segurança e eficiência operacional que proporcionam, drones de detecção de radiação hoje ainda são vistos como auxiliares ou tecnologias de uso preliminar, com algumas situações ainda exigindo a atuação humana — já com a vantagem de maiores informações a respeito de eventuais riscos e uma análise do que esperar no local.

Como funciona o drone Shahed-136 usado pelo Irã em ataques recentes? Saiba tudo sobre esse equipamento militar!

© Webagentur Meerbusch/Pixabay

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