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Vai precisar do dinheiro em até 60 dias? Veja qual aplicação vale mais, do Tesouro Reserva ao CDB

Você não quer, simplesmente, deixar o dinheiro parado na conta, sem render nada. Mas já sabe que vai ter que usar uma parte ou a totalidade em menos de um mês. E, mesmo se conseguir segurar um pouco dos recursos, vai acabar recorrendo a essa sobra antes de 60 dias.

Em certos momentos da vida, nós nos deparamos com períodos em que o saldo está contado e precisamos usar os recursos no curtíssimo prazo. Nesse caso, o que vale mais: investir em Tesouro Selic, Tesouro Reserva ou CDB a 100% do CDI? Ou até mesmo manter o dinheiro na poupança?

Como essa visão de curto prazo abrange investimentos com liquidez diária e retornos atrelados à Selic ou ao CDI, é preciso incluir nessa lista outro produto que vem ganhando relevância nas carteiras nos últimos dois anos: os ETFs (fundos passivos) de renda fixa atrelados a índices que seguem alguma dessas duas referências de ativos conservadores.

Todos os produtos, com exceção da poupança, que tem um sistema de remuneração próprio, apresentam retornos brutos muito próximos porque ou rendem a variação da taxa básica de juros ou do certificado de depósito interfinanceiro (CDI), que, por sua vez, segue de perto a Selic.

Então o que faz a diferença entre esses produtos de renda fixa? É essencialmente o custo. No caso, a soma dos descontos relativos à tributação e às taxas embutidas.

Mesmo em prazos muito curtos, como em duas semanas ou um mês, os retornos podem ser significativamente diferentes quando comparamos os desempenhos.

Por exemplo, o Tesouro Selic, o Tesouro Reserva e os CDBs sofrem a incidência de um IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) regressivo sobre o rendimento ao longo de 30 dias. Quer dizer, se você resgatar a aplicação em menos de um mês, está sujeito à incidência do tributo.

IOF é o ‘vilão’ até a terceira semana

Quem precisar sacar o dinheiro menos de 23 dias após aplicá-lo encontra no IOF o principal custo. Isso porque a regra desse imposto sobre o retorno da renda fixa coloca um pedágio que cai um pouquinho diariamente até zerar no 30º dia.

Se você, por exemplo, tiver de resgatar um CDB já no dia seguinte, o IOF sozinho vai reter 96% do retorno. Isso significa que, junto com o Imposto de Renda de 22,5% o investidor praticamente não vai obter nenhum ganho.

Se o investidor tirar o dinheiro duas semanas após aplicá-lo no título público ou no certificado bancário, por exemplo, o IOF será de 46% sobre o retorno obtido.

Após 24 dias, esse imposto recua para 20%, abaixo, portanto, dos 22,5% do IR. Vamos falar sobre o imposto de renda mais para a frente.

Já os ETFs e a poupança estão livres da cobrança de IOF. E a caderneta, além disso, também está isenta de IR.

IR pode ser vantagem competitiva para ETFs

Os ETFs contam com uma tabela própria de IR, que também segue uma lógica regressiva. As alíquotas partem de 25% e recuam até 15%.

O IR é definido pelo prazo médio de “rebalanceamento” da carteira, ou seja, a duração média dos títulos na carteira. Quanto mais longo, menor a cobrança.

Índices com prazos médios acima de 720 dias (2 anos) se beneficiam do IR de 15%. No mercado, boa parte dos ETFs de renda fixa pós-fixados se enquadra nessa situação.

Para o investidor, na prática, significa que não importa por quanto tempo a aplicação nas cotas tenha sido feita, seja um dia ou vários anos, o IR será sempre o mesmo.

No caso do Tesouro Direto ou dos CDBs, o IR segue outra tabela regressiva, a que incide sobre todos os produtos de renda fixa.

Esse modelo parte de 22,5%, quando o investidor resgata a aplicação em até 180 dias ou seis meses, e chega aos 15% após dois anos sem mexer nos recursos. Portanto, no curtíssimo prazo, “não tem choro nem vela”: a mordida do leão vai ser sempre a maior.

Desconto dobrado em duas semanas

Agora vamos supor um investimento inicial de R$ 10 mil.

Em um prazo de duas semanas, os impostos – IOF e IR – vão reduzir o ganho quase pela metade ou em R$ 23.

Nesse período, quem investiu em Tesouro Direto pós-fixado e em CDBs que rendem 100% do CDI vão resgatar R$ 21 líquidos, descontando IOF, IR e eventuais taxas.

Já os ETFs que seguem índices pós-fixados oferecem quase o dobro em termos de retornos. As remunerações alcançam entre R$ 38 e R$ 43, dependendo da faixa de imposto de renda.

Esse retorno também já considera o desconto da taxa de administração dos fundos de índice negociados na bolsa, em torno de 0,2% ao ano.

A poupança, por outro lado, não rende nada. Isso porque, embora isenta de IOF e IR, a caderneta só remunera após 30 dias em que o dinheiro fica depositado.

Em um período mais amplo, de 29 dias, por exemplo, o IOF já está zerado. Nesse caso, os rendimentos do Tesouro Direto e de CDBs se aproximam dos ETFs com 15% de IR e superam os ETFs com 25% de IR.

O retorno líquido de impostos e taxas do Tesouro Selic e do Tesouro Reserva e de certificados bancários alcança R$ 82 nesse intervalo.

No caso dos ETFs, os fundos com IR mais baixo vão a R$ 89. Já aqueles com imposto de 25% apresentam um ganho de R$ 79.

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Poupança na lanterna

Em 60 dias, apesar de ainda ficar na lanterna na comparação de rendimentos, a poupança já se mostra competitiva. Os retornos líquidos dos títulos públicos e dos bancários, por exemplo, vão a R$ 171.

Já no caso dos ETFs, as remunerações alcançam entre R$ 164 e R$ 186, de acordo com a alíquota de IR.

A caderneta entrega R$ 134 de ganho em dois meses. É bom lembrar que a poupança tem uma fórmula de rendimento própria.

O produto tem uma taxa fixa de 0,5% ao mês acrescida da variação da taxa referencial (TR), atualmente em 0,17% mensal, o que eleva seu retorno para 0,67% a cada 30 dias.

Caderneta atrai pela simplicidade

Apesar de render significativamente menos, a caderneta protege o dinheiro da inflação. Além disso, para quem usa os recursos no curtíssimo prazo, a simplicidade operacional ajuda.

A poupança funciona como uma conta qualquer e, quase sempre, está conectada com a própria conta-corrente bancária do investidor. O dinheiro, portanto, pode ser transferido a qualquer momento de uma para outra, mesmo de madrugada ou aos fins de semana.

Essa facilidade de operar 24 horas em sete dias na semana é oferecida atualmente apenas por dois tipos de produtos: o Tesouro Reserva, que, por enquanto, está restrito aos correntistas do Banco do Brasil; e por CDBs com liquidez 24×7, que são minoria entre os certificados bancários e podem apresentar retornos abaixo de 100% do CDI, como contrapartida para oferecer essa liquidez instantânea.

Já no caso do Tesouro Selic, o investidor só pode resgatar o dinheiro no horário de funcionamento da plataforma Tesouro Direto, entre 9h30 e 18h, em dias úteis. Além disso, se o pedido de saque for feito após as 13h, o dinheiro só cai na conta no dia útil seguinte.

Nesse caso, quem fez a solicitação depois das 13h em uma sexta-feira vai receber apenas na segunda-feira, desde que não seja um feriado.

Os ETFs pós-fixados também enfrentam limitação semelhante. A liquidação do resgate de cotas só ocorre um dia depois do pedido (o chamado D+1). E aqui também vale a regra do dia útil. O horário para a operação segue o da bolsa, entre 10h e 17h.

Para muitas pessoas físicas, a poupança acaba sendo utilizada mais como uma conta bancária remunerada e menos como um produto de acumulação de patrimônio.

Com a chegada do Tesouro Reserva, a tendência é que parte significativa dos recursos migre da caderneta para a opção do Tesouro Direto, assim que ela ficar disponível para clientes de todas as instituições financeiras.

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Tesouro Direto: por que IPCA+ 8% e juro nominal de quase 15% seguem nos preços do mercado

Desde o início da Guerra do Irã, no fim de fevereiro, a volatilidade virou rotina no mercado de juros, com impacto relevante sobre o investimento em renda fixa.

A má notícia é que mesmo com o anunciado fim do conflito nesta semana, o sobe-e-desce das taxas e dos preços dos títulos deve persistir diante de um conjunto de fatores domésticos e diante do “legado” inflacionário global dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país do Oriente Médio.

As taxas de juros na plataforma do Tesouro Direto alcançaram patamares que os investidores não viam desde a crise de confiança fiscal no fim de 2024 e no início de 2025, quando o dólar passou de R$ 6,20.

E, antes disso, os títulos públicos só haviam flertado com a marca dos 15% ao ano, no caso dos prefixados, ou apresentado retornos acima de IPCA mais 8%, uma década atrás. Foi entre 2015 e 2026, quando o país enfrentou uma das mais prolongadas crises econômicas da história.

As oscilações têm sido tão fortes que o Tesouro Direto entrou em “circuit break” em várias ocasiões ao longo desta semana. A última paralisação das negociações por causa da volatilidade exagerada ocorreu na quinta-feira (18) no início da tarde, em um momento em que o Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, chegou a bater seu recorde de taxa mais elevada com IPCA+ 8,51% ao ano.

Por volta de 9h30, esse papel estava sendo negociado a IPCA+ 8,44%. O Tesouro IPCA+ 2040 tinha retorno de 7,50%, enquanto o papel atrelado à inflação com vencimento em 2050 apresentava rendimento de 7,16%.

O Tesouro Prefixado 2029 chegou a 14,81% e está no maior nível desde, pelo menos, 2022. O mesmo ocorre com o Tesouro Prefixado 2032, com uma taxa nominal de 14,79% ao ano, que apresenta o retorno mais elevado desde início de 2025, desconsiderando os picos no início da semana.

Na renda fixa, quando as taxas sobem, isso significa que os preços em reais dos papéis caíram. Isso ocorre porque os títulos negociados antes do vencimento no chamado mercado secundário sofrem a chamada marcação a mercado.

Nesse caso, os preços de compra e venda vão variar conforme as condições do momento e podem apresentar grandes descontos em relação ao valor original, como no cenário atual.

Dinâmica do Tesouro Direto

Se o detentor do título precisa vendê-lo agora e a taxa original é menor do que aquela pedida nas negociações no mercado secundário, na prática, vai ter aceitar um desconto sobre o preço que pagou para conseguir repassar o papel: ou seja, vender com prejuízo.

Por isso, para quem tem Tesouro Prefixado ou IPCA+ e pode manter os recursos aplicados nos próximos meses, o melhor é evitar vendê-los em um momento no qual a volatilidade é muito elevada. Quem pode carregar os ativos até o vencimento vai receber exatamente o que contratou.

A lógica muda para quem pode aplicar no longo prazo e tem maior tolerância ao sobe-e-desce das taxas e dos preços. Os retornos estão, como apontado acima, em patamares elevados e o investidor pode travar uma remuneração historicamente alta por vários anos.

Juros mais altos por mais tempo

Existem vários motivos pelos quais os juros longos têm subido. O aumento das taxas no Tesouro Direto é um reflexo da perda de referência sobre a inflação futura. Os economistas chamam esse processo de “desancoragem de expectativas”.

Na prática, a desancoragem mostra que o mercado prevê mais inflação no futuro e começa a perder a confiança de que a política monetária executada pelo Banco Central vai conseguir controlar o nível de preços que vem pela frente. Diante disso, investidores passam a reajustar as expectativas e as taxas sobem.

O mais recente boletim Focus, que mostra as projeções das instituições financeiras sobre inflação, juros, câmbio e PIB, trouxe pela 14ª vez seguida um ajuste para cima do IPCA esperado ao fim de 2026.

O mercado já enxerga uma inflação de 5,3% quando o ano terminar. É um nível bem acima da meta de inflação de 3% do BC e também significativamente superior ao teto da meta, que prevê uma tolerância de 1,5 ponto percentual além do centro da meta, portanto, até 4,5%.

O Focus mostra ainda que as casas de análise veem a inflação em 4,10% no fim de 2027, na quarta revisão seguida do IPCA. É um patamar que já se aproxima do teto da meta.

Esse cenário no qual expectativas de inflação futura apresentam uma desancoragem cada vez maior se junta a outras incertezas, como pressões crescentes de altas de preços, choques de oferta e alta demanda do consumo interno, aquecido pelas injeções de recursos em um ano eleitoral.

Diante desse conjunto de incertezas, o mercado já enxerga zero espaço para o BC continuar a cortar juros.

O consenso enxerga uma pausa ou mesmo o fim do ciclo de queda da Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A perspectiva inclui um juro básico mais alto por mais tempo ou, eventualmente, a possibilidade de a autoridade ter de subir a taxa no fim do ano.

O próprio Copom reconheceu essas dificuldades no comunicado que acompanhou a decisão de juros na quarta-feira (17), quando cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, e pressões no mercado de trabalho”, pontuou a autoridade.

No entanto o mesmo comunicado do Copom trouxe, na visão de boa parte do mercado, a mensagem implícita de que a atual composição da diretoria do Banco Central pode ser mais leniente com as expectativas desancoradas de inflação, o que acaba autoalimentando o processo de perda de credibilidade do mercado no cumprimento do combate do trabalho de política monetária.

Se a taxa básica permanecer em 14,25% até o início do próximo ano, o juro real, ou seja, a parcela do retorno acima da inflação, pode se manter em quase 9%, considerando a projeção do IPCA de 5,3% para o fim de 2026 do Focus.

Mesmo para 2027, as expectativas seguem desafiadoras: a pesquisa do BC mostra que o mercado vê a Selic em 12% ao ano, com um IPCA de 4,10%. Isso representa um juro real de 8%. Sim, o custo de oportunidade, ou seja, o rendimento no curto prazo da aplicação mais segura do mercado, pode continuar em IPCA+ 8% brutos ao ano.

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Com o fim da Guerra do Irã, como ficam os investimentos? O que esperar da renda fixa e de ações

A reação positiva dos mercados no Brasil neste começo de semana diante do fim da Guerra do Irã, com queda do dólar e alta da bolsa, acompanha um movimento global. No curto prazo, a redução dos preços do petróleo vai ajudar o câmbio, reduzir a pressão inflacionária e melhorar as perspectivas para setores mais sensíveis aos juros. Mas, no médio prazo, o cenário não vai ser o mesmo de antes do conflito.

A tendência é que a bolsa retome o rumo das altas com ajuda de setores que se beneficiam desse cenário mais otimista, como varejo, construção civil, shopping centers e ações de companhias de menor porte, as small caps – ainda que o Ibovespa fique pressionado pela correção das ações da Petrobras, que respondem por 12% do índice e, com o fim da guerra, perde 4% nesta segunda-feira (15).

Juros futuros

Os juros futuros também caem, dado que passam a embutir menos prêmio de risco diante da perspectiva de alívio sobre os preços globais de energia. Isso significa que quem aproveitou os momentos mais críticos para aplicar em títulos com taxas elevadas, como IPCA + 8% ao ano ou um prefixado acima de 14% anuais, verá seu saldo em reais na carteira aumentar.

Mas a janela dos juros em patamares historicamente elevados ainda está aberta. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, ainda está com taxa acima de 8% ao ano, enquanto os papéis prefixados se mantêm acima de 14% ao ano.

Isso significa que, mesmo com o fim da guerra, a volatilidade dos títulos atrelados à inflação e dos prefixados deve se manter ao longo dos próximos meses. As incertezas continuam elevadas no lado doméstico, com ameaças de novas tarifas dos EUA e diante da aproximação das eleições.

Portanto, o investidor que busca travar os rendimentos deve estar preparado para o sobe-e-desce de taxas e preços de títulos. Por outro lado, quem pode manter os recursos aplicados no longo prazo, no mínimo até 2027, vai se beneficiar do juros nos maiores níveis em vários anos.

Na plataforma Tesouro Direto, os efeitos do acordo entre Estados Unidos e Irã sobre a guerra têm se traduzido em queda expressivas de taxas. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, saiu de 14,97% no pico da semana passada, visto da quarta-feira (10), para 14,32% nesta segunda-feira (15). Esse recuo de taxas representa um ganho de 1,57% no valor do papel em uma semana.

O Tesouro IPCA+ 2032 também apresentou ganhos no seu valor com o recuo de taxas. O título saiu de um pico de inflação mais 8,36% no momento mais tenso da semana anterior para os atuais IPCA + 8,04%, com tendência de queda. A variação representou uma alta de 2,1% no saldo em reais.

No IPCA+2040, mais longo e, portanto, mais sensível a mudanças de taxa, a alta no saldo é de 6%.

Bolsa na berinda

A questão é o que vem depois desse alívio imediato. Mesmo que a guerra tenha durado pouco menos de quatro meses, o mundo já não é mais o mesmo de antes de fevereiro deste ano, quando eclodiu.

O movimento de diversificação internacional voltou a perder força entre abril e maio. Os investidores globais registraram só em maio vendas líquidas de R$ 13 bilhões na bolsa brasileira.

Ainda que o saldo no ano ainda seja positivo em R$ 43 bilhões, em maio e início de junho mais de R$ 22 bilhões deixaram o mercado acionário local.

E o que isso significa para os investidores? No caso da bolsa, o novo mundo pós-guerra pode manter ventos contrários ao movimento de entrada de recursos que sustentou várias quebra de recordes do Ibovespa no primeiro trimestre.

O momento, portanto, é ajustar estratégias. Uma forma de se precaver de oscilações mais intensas da bolsa daqui para a frente é se tornar mais seletivo na escolha dos papéis.

O setor de “utilities”, por exemplo, eleva o lado defensivo da carteira de renda variável. O nome em inglês se refere às empresas de utilidade pública, como saneamento e energia elétrica. Esse setor inclui nomes como Sabesp, Axia, Copel e Eneva.

São, em geral, negócios mais estáveis e com receitas previsíveis por serem reguladas. Grande parte das companhias também costuma aparecer com frequência nas listas de maiores pagadoras de dividendos.

Setor de tecnologia volta a decolar

Um dos principais ventos contras para a renda variável vem da retomada da “força gravitacional” das ações de tecnologia, em especial aquelas ligadas à cadeia de inteligência artificial. O repique recente ocorre em meio às notícias sobre novas ofertas iniciais de ações trilionárias.

O IPO da SpaceX, do bilionário Elon Musk, movimentou US$ 75 bilhões e levou a fabricante de foguetes e operadora do sistema de internet via satélite Starlink a um valor de mercado de US$ 1,75 trilhão.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, deve ser a próxima. A companhia pode captar US$ 60 bilhões em uma abertura de capital no segundo semestre. Esse volume de recursos colocaria a companhia no seleto clube do trilhão, com um “valuation” de US$ 1 trilhão.

Outro mega IPO no horizonte é o da Anthropic, rival da OpenAI e dona da plataforma Claude.

As narrativas de inovação disruptiva — IA, computação avançada, infraestrutura espacial, defesa tecnológica — têm levado boa parte do dinheiro internacional de volta à órbita do mercado americano.

Juros das Treasuries

Outra mudança trazida pela guerra diz respeito ao nível dos juros de longo prazo americanos. Antes do conflito, a Treasury de 10 anos, principal referência nesse mercado, negociava a taxas levemente abaixo de 4% ao ano. No cenário atual, o retorno tem variado entre 4,4% e 4,5% anuais. Na manhã desta segunda feira, com o acordo de cessar-fogo digerido pelo mercado, a taxa operava em leve queda, a 4,45%.

O título mais longo do Tesouro americano, a Treasury de 30 anos, chegou a tocar o maior nível em 19 anos no fim de maio, aos 5,196%. Nesta segunda-feira (15), a taxa permanece perto de 5% ao ano, aos 4,994%. O rendimento atual se mantém no maior nível desde julho de 2007.

Na renda fixa, quando as taxas sobem significa que os preços dos títulos caíram. Com as altas atuais, a remuneração das Treasuries volta a patamares historicamente elevados. O avanço dos retornos passa a atrair mais capital ao mercado dos EUA e fortalece o dólar globalmente.

A alta das taxas vem a reboque das preocupações com a escalada da inflação global. A percepção é que a alta de preços criada pelo conflito não vai desaparecer automaticamente.

Há uma aceleração inflacionária “contratada” e espalhada pelas cadeias globais: fretes marítimos mais caros, seguros elevados, custos energéticos ainda represados e uma normalização da oferta de óleo e gás que ainda deve levar alguns meses. Mesmo com o petróleo em queda, parte desse choque vai contaminar os índices ao longo dos próximos trimestres e tirar a visibilidade futura da inflação.

E isso muda tudo nos mercados. Se antes da guerra os bancos centrais globais ainda administravam ciclos de cortes de juros, agora o caminho se inverteu: o Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa em 0,25 ponto percentual e outros BCs, como o Bando da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ), já começam a sinalizar a possibilidade de subir as taxas nas próximas reuniões.

Volatilidade em alta na renda fixa brasileira

No médio prazo, portanto, a renda fixa brasileira pode ver a volatilidade voltar ao mercado de juros prefixados e atrelados à inflação. Se nesta segunda-feira predomina o alívio, daqui a alguns meses, no entanto, tudo pode mudar.

A perspectiva de freio no ciclo de queda de juros aqui e uma guinada lá fora vai afetar as taxas locais. Isso porque, diante das incertezas sobre as decisões dos BCs, os preços vão oscilar ao sabor do noticiário e das preocupações de investidores.

Para o investidor brasileiro, o importante é ter sangue frio. Quem aproveitou para travar taxas historicamente elevadas em títulos IPCA+, por exemplo, tende a ganhar com o chamado “carrego”, ou seja, pelo fato de manter o papel em carteira por um tempo mais prolongado ou até o vencimento.

Há, por exemplo, perspectiva de ganhos se a inflação subir mais do que o esperado. Mas também com uma queda de taxas em um cenário mais favorável. Quem tem mais tolerância ao risco pode, inclusive, aproveitar os momentos de estresse para travar novas taxas.

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Viajar, estudar e até apostar em bet: a visão de milhões de brasileiros sobre o que é investir

O que é investir? Muitos podem pensar em títulos de renda fixa, ações, poupança ou até criptoativos, mas uma nova pesquisa mostra que milhões de brasileiros adotam uma definição bem mais abrangente sobre o tema. Para uma parcela significativa da população, viajar, estudar, comprar a casa própria e até fazer apostas online podem ser classificados como investimentos.

Os dados são parte da 9ª edição do Raio-X do Investidor 2026, pesquisa recém-divulgada pela Anbima, associação que representa entidades e empresas do mercado de capitais no Brasil, em parceria com o Datafolha. Foram entrevistadas 5.832 pessoas de todas as classes sociais e nas cinco regiões do país, entre 4 e 21 de novembro de 2025, com margem de erro de 1 ponto percentual.

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Segundo o levantamento, um em cada quatro brasileiros – 24% dos entrevistados – afirmaram ter investido ao longo de 2025. Mas apenas 10% em aplicações financeiras propriamente ditas. A aparente contradição, na verdade, reflete essa visão mais flexível do que muitos brasileiros consideram como investimentos.

Do total da amostra, outros 9% citaram, por exemplo, que “investiram” na compra de um bem durável, como carro ou imóvel, enquanto outra parcela incluiu viagens, educação dos filhos, intercâmbio e até gastos com saúde. Uma fatia de 4% também citou empreendimentos e negócios.

A pesquisa revela ainda, sem especificar um período pré-determinado, que 5% dos brasileiros, o equivalente a cerca de 7,8 milhões de pessoas, diz investir, mas sem utilizar nenhum produto financeiro. E quase a metade desse conjunto que afirma não fazer aplicações financeiras, ou 44%, apenas deixa o dinheiro guardado em casa.

A renda é um fator importante nessa visão. Isso porque a ideia de risco financeiro, ou seja, de obter um retorno menor do que poderia alcançar ou até amargar um prejuízo, passa a fazer sentido mesmo para quem já construiu um patrimônio e tem sobra de recursos após os gastos com educação, saúde e lazer.

“É uma pessoa que já tem o dinheiro para viajar, comprar carro ou imóvel e então a relação risco-retorno tem a ver com o CDI e a rentabilidade de produtos financeiros”, diz o consultor financeiro e conselheiro do Instituto Planejar, Carlos Castro. Para quem tem menos renda, “a prioridade não é se o investimento vai bater o CDI, mas se ele vai ter o dinheiro para fazer a viagem ou comprar o carro”.

A escritora e planejadora financeira Wanessa Guimarães acrescenta ainda que os brasileiros têm uma tendência de buscar retornos mais imediatos devido ao histórico de períodos com juros muito elevados. “É uma herança de décadas de rendimentos altos com pouco esforço.”

Os investidores ainda consideram a ideia de retorno como algo além do plano financeiro. “Quando a pessoa fala de escola dos filhos, pensa em entrega de capital humano, na casa, em um investimento tangível, na viagem, em retorno de bem-estar”, explica.

Caixinhas e poupança viram conceitos

Outra aparente contradição vem da citada preferência pela poupança como principal instrumento de investimentos. Um total de 22% apontou a tradicional caderneta entre os produtos que utiliza para aplicar seus recursos.

Por outro lado, uma parcela equivalente a um terço desse contingente, de 7%, citou que investe em títulos privados, que incluem os CDBs mas também letras de crédito imobiliário (LCI), do agronegócio (LCA), certificados de recebíveis imobiliários (CRI), do agronegócio (CRA) e debêntures.

No entanto em valores o quadro é o inverso: enquanto a poupança atualmente tem um estoque de pouco mais de R$ 1 trilhão, os CDBs alcançam R$ 2,8 trilhões, segundo dados do Banco Central.

O superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, Marcelo Billi, explica que, durante a pesquisa, foi possível perceber que muitos entrevistados confundiam algumas aplicações com a caderneta. “Muita gente mencionou como poupança dinheiro guardado em ‘caixinhas’ de bancos digitais.” E a maior parte das “caixinhas” é, justamente, baseada em CDBs.

“A caixinha é justamente uma maneira de juntar o produto financeiro com a solução do problema, porque dá um nome da vida real para essa aplicação, tipo a caixinha da viagem”, diz Billi. “Quando uma instituição oferece um ‘fundo DI‘, isso é muito imaterial para a pessoa.”

Castro, da Planejar, lembra que até o Tesouro Direto tem buscado se aproximar mais da “vida real”, com nomes menos complicados para os títulos. “O Tesouro começou a se conectar com o investidor do varejo quando criou Renda A+, o Educa+ e agora vai ter também o Reserva Financeira.”

Bets como atalho

A chegada das plataformas de apostas online, conhecida como bets, também teve impacto no universo das aplicações financeiras. Cerca de 20% dos entrevistados disseram considerar as bets como uma forma de investimento. E os dados deixam claras as explicações por trás da visão.

A maior motivação, segundo quem aposta, vem da chance de ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade. Esse tem sido o principal objetivo para 39% dos apostadores, enquanto a possibilidade de obter uma grande quantidade de dinheiro aparece em seguida com 37% das respostas.

“É que, na lógica de muita gente, se tem possibilidade de ganhar algo, essa pessoa considera um retorno, portanto parece ser um investimento”, afirma Guimarães. “Esse tipo de pensamento faz parte de uma espécie de lógica curto-prazista, de querer ganhar dinheiro rápido.”

O Rio-X do Investidor mostra ainda que uma parcela significativa tem problemas com descontrole financeiro nas apostas.

Um grupo que representa 39% de quem declarou fazer apostas online foi classificado como tendo risco moderado ou alto risco para o vício no jogo. A pesquisa usou a metodologia internacional Problem Gambling Severity Index (PGSI) para essa medição.

E as apostas online concorrem diretamente com os investimentos tradicionais. A pesquisa indica que 17% dos brasileiros acessaram plataformas e aplicativos de bets no ano passado.

Outro levantamento, da consultoria Tendências junto com a Peers Consulting + Technology, revela que apenas as empresas autorizadas pelo governo no mercado de apostas online registraram uma receita bruta estimada em R$ 37 bilhões em 2025 – e que mais de 25 milhões de pessoas realizaram apostas.

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Volatilidade no Tesouro Direto: título prefixado supera 14% ao ano e IPCA+ flerta com 8%

O Tesouro Direto tem três “marcas psicológicas” que, quando atingidas, deixam mais evidentes a percepção de que o mercado passa por momento de maior estresse, diante do aumento das incertezas. Isso sob a ótica de investidores.

No caso dos títulos Tesouro Prefixado 2032, trata-se do patamar de 14% ao ano.

Para o Tesouro IPCA+ 2032, o papel mais curto desse tipo oferecido na plataforma, é o nível de retorno de 8% ao ano acima da inflação.

E, para o produto mais longo atrelado à inflação, o Tesouro IPCA+ 2050, um retorno de 7% ao ano.

Desses três títulos, dois já superaram esses patamares nesta sexta-feira e um está bem perto disso.

O Tesouro Prefixado 2032 terminou a sexta-feira (13) em 14,25% ao ano, após o Tesouro Direto acionar o “circuit breaker”, um mecanismo que paralisa as negociações quando a volatilidade fica muito elevada.

Esse nível foi alcançado pela última vez em abril de 2025.

Já o Tesouro IPCA+ 2050 alcançou a taxa de 7% ao ano e igualou a máxima do ano. A versão 2032 alcançou 7,93%, a um passo dos 8%, e no maior nível desde sua estréia na plataforma em fevereiro deste ano.

A alta das taxas de juros ocorre em momento de aumento das preocupações no mercado com a inflação. Se até fevereiro a avaliação era a de que a economia estava em processo de desaceleração da alta de preços, a partir deste mês de março a percepção deu uma guinada.

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No mês passado, as taxas atingiram as mínimas do ano. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, chegou a 6,73%, muito perto do menor patamar em pelo menos dois anos.

Já o Tesouro Prefixado 2032 alcançou 13,23% ao ano, também bem perto da mínima em dois anos. No caso desse título, a última vez em que a taxa passou de 14% foi em julho de 2025.

E, não por acaso, as taxas se movem por motivos semelhantes ao de agora, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã pela primeira vez, antecedendo o quadro atual de guerra. As cotações mais altas do petróleo representam uma ameaça relevante para a inflação no Brasil e no mundo.

No Tesouro Direto, taxas mais altas significam que o valor dos papéis cai. O investidor que tem esses títulos na carteira percebe esse efeito, porque o saldo em reais passa a diminuir.

A volatilidade dos títulos mais longos, ou seja, de prazos de vencimentos que podem ser de anos ou até décadas, costuma aumentar em momentos de estresse nos mercados. Esses papéis são muito sensíveis a mudanças macroeconômicas e eventos geopolíticos que afetem as perspectivas de inflação e juros.

De qualquer modo, é importante o detentor dos títulos lembrar que vender em momentos de estresse pode significar realizar o prejuízo que, por enquanto, está só na tela do computador ou celular.

Se o cenário melhorar, as taxas podem voltar a recuar – e os preços dos títulos subirem novamente.

Taxas mais altas – e as atuais estão em um nível historicamente elevado – podem também ser uma oportunidade de “travar” retornos considerados atrativos por muitos anos, se o investidor levar os títulos até o vencimento. Isso porque, nesse caso, sempre valem as condições contratadas ao adquirir o papel.

A forte oscilação vista neste momento, que remetem até à renda variável, deve-se ao efeito da chamada marcação a mercado, ou seja, da variação diária dos preços dos papéis.

A marcação a mercado reflete o quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo ativo naquele momento. E essa avaliação é afetada por vários fatores, como as perspectivas para inflação, juros, câmbio ou questões geopolíticas.

Em momento de alta volatilidade, que atinge de maneira mais acentuada os títulos com prazos mais longos, o melhor a fazer é evitar entrar em ondas de vendas.

Desde o início do conflito, o Tesouro Prefixado 2032 já perdeu 3,30% em termos de preços. Mas ainda acumula uma alta de 20% no ano.

O Tesouro IPCA+ 2032 recua 2% nas duas semanas do conflito no Oriente Médio. Mas, mesmo com essa queda, no ano, o papel está no “zero a zero”.

Já o Tesouro IPCA+ 2050 apresenta uma perda de 4,8% desde quando eclodiu a guerra no Irã até o momento. Mas em 2026, ainda acumula uma alta de 2,2%.

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Volatilidade no Tesouro Direto aumenta: saiba como lidar com o sobe desce das taxas

Os títulos do Tesouro vêm demonstrando alta volatilidade em meio à guerra no Oriente Médio e à brusca mudança de humor do mercado nas últimas semanas. E isso reforça uma mensagem para o investidor desses produtos, que são justamente os mais conservadores: para evitar perdas é hora de ter sangue frio e paciência.

O investidor precisa lembrar que vender o título neste momento significa embolsar aquilo que o mercado estiver pagando por ele.

Ou seja, ver eventuais perdas na carteira por causa da instabilidade no mercado e decidir se desfazer do título é deixar na mesa a rentabilidade contratada, já que nada muda para quem carregar o papel até o vencimento. O que foi acordado na hora da compra continua valendo se o investimento for mantido.

Na iminência de cortes da Selic, manter os títulos em mãos é uma grande chance de ter ganhos porque a remuneração deles acompanha a taxa básica e também cede. E aí, na dinâmica da renda fixa, os preços dos papéis sobem. É preciso ressaltar que o Banco Central se reúne na semana que vem e deve cortar os juros em 0,25 ou 0,50 ponto percentual, segundo a expectativa majoritária do mercado.

E quem não tem esses investimentos na carteira ainda encontra uma boa janela para se posicionar e lucrar com esse movimento. Afinal, é um momento oportuno para travar uma taxa maior antes de a Selic começar a ser reduzida, o que pode ser uma grande vantagem se levar o título até o vencimento.

Para se ter uma ideia do tamanho da instabilidade no mercado, no dia 26 de fevereiro, logo antes dos primeiros ataques dos EUA ao Irã e da morte do líder supremo do país, Ali Khamenei, o Tesouro Prefixado com vencimento em 2029 custava R$ 715,98 e estava pagando uma taxa de 12,59%.

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Depois do estouro do conflito, a taxa desses títulos disparou – e, reforçando, o preço desabou. No última sexta-feira (6), a taxa atingiu um pico de 13,33%. E o preço, foi para o fundo, em R$ 704,98. O mesmo comportamento aconteceu com outros vencimentos e em outros títulos, como os indexados à inflação.

De lá para cá, os títulos já tiveram uma recuperação das perdas recentes: o mesmo papel prefixado para 2029 subiu para R$ 710,38, enquanto a taxa foi a 13,06%.

Vale lembrar que a expectativa é de que a taxa básica continue a cair ao longo do ano e atinja os 12,25% no fim de 2026, também na leitura da maioria dos economistas.

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Tesouro Direto: taxas dos títulos IPCA+ recuam e voltam para perto das mínimas do semestre

O Banco Central evitou sinalizar qualquer chance de um corte da Selic já em janeiro de 2026. Mas, mesmo assim, as taxas do Tesouro Direto passaram a cair depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a taxa básica em 15% ao ano na quarta-feira (10).

Nesta sexta-feira (12), os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+, voltaram a cair. Agora estão em patamares mais próximos das mínimas vistas antes dos ruídos políticos contaminarem os mercados e fazerem os retornos desses papéis retomarem ao nível de 8% ao ano.

O Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, saiu de 7,98% de juro acima da inflação vista na super quarta-feira (10) da política monetária para 7,79% nesta sexta-feira (12). O Tesouro IPCA+ 2040, que chegou a 7,01% no dia do Copom, voltou para 6,87% ao ano. E o papel mais longo da plataforma Tesouro Direto, o IPCA+ 2050, está com rendimento de inflação mais 6,88% contra 7,02% visto pouco antes da decisão de juros.

As mínimas anteriores ao episódio do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro foram alcançadas entre fim de novembro e início do mês. O Tesouro IPCA+ 2029 chegou a 7,64% ao ano em 4 de dezembro. O Tesouro IPCA+ 2040 no mesmo dia chegou a 6,82%. E o Tesouro IPCA+ 2050 foi negociado a 6,78% no mesmo dia.

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Menos política e mais visão sobre juros

Mas o que mudou de lá para cá? Em primeiro lugar, o ruído politico arrefeceu. Ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenha reafirmado sua pré-candidatura como o escolhido do próprio pai, os investidores passaram a considerar o evento mais como uma jogada para tentar aprovar uma anistia ao ex-presidente no Congresso. Ou seja, os nomes na futura corrida presidencial ainda não estão definidos.

Mas o fator mais importante veio mesmo do cenário para juros. Ainda que o Copom tenha evitado alimentar expectativas para um corte de taxas no início do próximo ano, o mercado entendeu que o ciclo de reduções está mais perto do que nunca. Mesmo se o BC não baixar em janeiro, a visão é a de que a primeira diminuição da Selic não passa de março.

E tem mais: diante de um juro real no maior patamar em 10 anos, combinado a uma inflação que mostra estar controlada, à convergência de expectativas para o cenário vislumbrado pelo Copom no horizonte relevante – que vai até o segundo trimestre de 2027 – e sinais claros de desaceleração da atividade, os investidores veem crescentes possibilidade de a autoridade ter de acelerar o passo nos cortes.

Mercado vê cortes mais amplos

O último boletim Focus do BC, que reúne projeções para indicadores como Selic, IPCA, PIB e câmbio, mostra a mediana de estimativas do mercado para a taxa de juros no fim de 2026 em 12,25% ao ano. Isso representa uma queda de 2,75% no ano que vem. Se o Copom optar por iniciar o ciclo com um corte de 0,25 ponto percentual teria de realizar reduções de 0,50 ponto em, ao menos, metade das oito reuniões no ano.

Esse, por exemplo, é o cenário base do Citi. O economista-chefe do banco no Brasil, Leonardo Porto, enxerga o Copom cortando  0,25 ponto já a partir de janeiro e acelerando posteriormente para ajustes de 0,50 pp. Isso até que a Selic alcance 12% no fim do próximo ano.

Já existem casas, como o Itaú, que começam a ver espaço para o juro cair a 11% ao ano no fim de 2026. Nesse caso, o banco central teria de realizar cortes de 0,5 ponto percentual em todas as reuniões do ano que vem, começando já em janeiro.

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Valor dos títulos IPCA+ passa por altas comparáveis à do Ibovespa

Os juros do Tesouro IPCA+ passa por uma baixa fora do comum. Queda do juro significa alta no preço. E no saldo de quem tem os títulos na carteira.

O IPCA+ 2040, uma boa referência por não ser um título nem tão curto mas nem tão longo, chegou na manhã desta quarta à menor taxa no ano: 6,86%(de juro real, acima da inflação). Abaixo dos 6,88% da últma mínima, que aconteceu em julho.

E foi rápido. Até outro dia, em 14 de outubro, a taxa estava em 7,44% (o último pico recente). Cai o juro sobre o preço. O preço unitário do título subiu de R$ 1.583 para R$ 1.737. Alta de 9,5%.

Quanto mais longo o vencimento, mais volátil o título. Ou seja: as altas e baixas vêm mais bruscas. Como o momento é de alta, temos que IPCA+2050 sobe ainda mais: 10,7%.

São números comparáveis aos 13% que o Ibovespa subiu no mesmo intervalo, em pleno rali.

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O juro de longo prazo no país tem reagido tanto aos sinais do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), quanto aos dados de inflação no Brasil que alimentam as expectativas sobre cortes de juros. Lá fora integrantes do Fed, incluindo o presidente Jerome Powell, reforçaram nas últimas semanas as indicações sobre uma potencial redução de 0,25 ponto percentual na reunião de 9 e 10 de dezembro.

A ferramenta CME FedWatch, que acompanha as apostas de investidores nos rumos da política monetária dos EUA, mostra que 89,2% do mercado enxerga um corte de juros pelo Fed na semana que vem.

Nesta quarta-feira, o relatório da empresa ADP, que na falta do “payroll” oficial tem ajudado a jogar luz sobre a evolução do mercado de trabalho privado, mostrou um saldo líquido negativo, com fechamento de 32 mil postos de trabalho em novembro. Como o Fed reforçou em sua comunicação que o foco dos atuais cortes têm sido as preocupações com o enfraquecimento do emprego nos EUA, os dados aumentaram as expectativas de redução de juros na próxima semana.

Nesta semana, está programada a divulgação na sexta-feira do índice de preços de despesas de consumo pessoal, o PCE na sigla em inglês, o referencial de inflação preferido do Fed. O número a ser conhecido, referente a setembro, foi adiado por mais de um mês. No entanto, o dado ganha significado especial devido ao momento da publicação: às vésperas da reunião da autoridade americana.

No Brasil, o BC procurou afastar a esperança de um corte já na semana que vem. No entanto, os números de inflação têm reforçado a perspectiva de quem o início do ciclo de cortes da Selic se aproxima. O mercado trabalha com uma expectativa de redução dos juros a partir do primeiro trimestre de 2026. O boletim Focus, do BC, que reúne as projeções de instituições que atuam no mercado financeiro, mostra que a medida das estimativas coloca a taxa básica em 12% ao ano no fim de 2026.

Trata-se de uma redução de três pontos percentuais comparado ao nível atual de 15% ao ano. Isso significa que, se o Comitê de Política Monetária (Copom) cortasse os juros desde a primeira reunião no ano que vem, entre 27 e 28 de janeiro, teria de reduzir a Selic em todos os oito encontros do ano e em um ritmo maior do que 0,25 ponto.

Além disso, o Focus mostra que as expectativas sobre a inflação futura mantêm o rumo de convergência para a meta do BC de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O relatório coloca a mediana das projeções do IPCA de 2025 em 4,43%, portanto, já dentro do intervalo da meta da autoridade.

Em um mês, a estimativa caiu de 4,55% para o patamar atual. No entanto, o ritmo dessa evolução ainda permanece moderado. O relatório mostra que o mercado só enxerga uma convergência para o centro da meta a partir de 2028, quando o IPCA fecharia em 3,5%.

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Debêntures incentivadas estão pagando menos que o Tesouro Direto, mas ainda valem a pena

A recente corrida por debêntures incentivadas fez o preço delas disparar no mercado. Na renda fixa, a regra é simples: se o preço sobe, as taxas de remuneração caem.

E elas caíram muito, a ponto de ficarem abaixo dos títulos do Tesouro.

Aí você se pergunta: se eu corro mais risco em um papel privado, por que aceitaria ganhar menos do que num título público, intrinsecamente mais seguro? A resposta está no imposto: a isenção cria um abismo entre papéis tributados e os isentos no resultado líquido – o único resultado que importa.

A busca pelos isentos disparou quando a Medida Provisória 1.303, que alterava as regras de IR para várias aplicações financeiras, colocou a isenção em dúvida. Para não perder o benefício, que terminaria a partir de 2026, muita gente comprou debêntures incentivadas. Com a demanda lá em cima, deu-se o fenômeno que falamos aqui: preços lá em cima, e taxas lá embaixo.

Investidores exigem uma taxa extra para comprar títulos privados. É o chamado “prêmio” na comparação com os títulos públicos. E ele ficou negativo contra as NTN-Bs (popularmente conhecidas como Tesouro IPCA+). Em setembro, o Idex-Infra, indicador criado pela gestora JGP que acompanha os prêmios das debêntures incentivadas, fechou em -0,32 ponto percentual.

Ou seja: título privado pagando menos que título público.

Mas quando você coloca a isenção de imposto na mesa, essa realidade muda. As debêntures incentivadas, criadas para financiar projetos de infraestrutura, não pagam IR sobre o rendimento. Os títulos do Tesouro pagam. A alíquota que começa em 22,5% para aplicações até 180 dias e cai para 15% nos prazos mais longos, acima de 720 dias.

Para comparar de verdade, então, é preciso levar isso em conta. Vamos aos números.

Em março de 2025, a Ecovias Raposo Castello fez uma emissão de debênture incentivada a IPCA + 8,17% ao ano, isenta de IR. Para um Tesouro IPCA+ “empatar” com essa rentabilidade líquida, ele precisaria pagar IPCA + 9,62%. Esse é o tamanho do imposto.

Essa debênture da Ecovias que escolhemos para o exemplo tem vencimento em 2029. Um Tesouro IPCA+ de mesmo prazo está pagando, hoje, IPCA + 7,86%. Ou seja, substancialmente menos em termos líquidos – os únicos que importam, não custa repetir.

Em suma: num cenário em que as debêntures incentivadas estão pagando só um pouco abaixo das NTN-Bs, como o de hoje, o fato é que elas seguem pagando um bom prêmio de risco.

Não fazem mais do que a obrigação, afinal.

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Até quando o Tesouro Direto vai continuar a oferecer as maiores taxas em 10 anos?

A bolsa subiu, o dólar caiu, mas o Tesouro Direto…continua o mesmo. A valorização que se viu em muitos ativos brasileiros não foi suficiente para abalar a posição super atrativa da renda fixa. Entretanto, esse período de juros nas máximas em uma década, que já dura quase um ano, pode estar com os dias, ou melhor, com os meses contados.

Quando o BC começar a sinalizar que o ciclo de cortes da Selic finalmente já está visível no seu horizonte, os juros longos tendem a recuar. Isso pode acontecer porque diante da perspectiva de queda de juros no curto prazo, mais recursos passam a migrar para a renda fixa longa e, com isso, o juro real passa a cair.

Por enquanto, quem quer aproveitar os maiores retornos desde 2016 ainda pode travar taxas muito atrativas. De fato, o tom mais duro na ata da última reunião de política monetária divulgada em 23 de setembro ampliou a incerteza sobre o início da queda da Selic e até levou a uma subida dos rendimentos no Tesouro Direto nos últimos dias. O movimento refletiu uma certa frustração de parte dos investidores que esperavam um corte já em 2025.

No caso dos títulos atrelados à inflação, os famosos IPCA+, as taxas seguem acima de 7% ao ano. Esse juro real – aquele que supera a variação da inflação – é um dos maiores dos últimos anos. O título Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, foi negociado nesta terça-feira (30) na plataforma Tesouro Direto, com uma remuneração de inflação mais 7,84%. O mesmo papel tinha preço de compra de IPCA mais 7,77% na sexta-feira (26).

Já o Tesouro IPCA+ 2040 rendia a variação da inflação acrescida de um juro real de 7,13% na terça-feira. Trata-se de uma pequena elevação ante os 7,06% vistos na sexta-feira.

Entre os títulos com retornos já predefinidos na largada, o Tesouro Prefixado 2028 tinha taxa nominal de 13,31% ao ano também nesta terça-feira. Na sessão anterior, o papel tinha rendimento de 13,23%. O Tesouro Prefixado 2032, por sua vez, apresenta no início desta semana um ganho de 13,66% ante 13,51% no fechamento anterior.

O efeito dos juros compostos no longo prazo nos níveis que podem ser travados atualmente faz o capital triplicar e até quintuplicar. Veja a simulação abaixo referente a uma aplicação de R$ 10 mil em títulos IPCA+. O valor no vencimento é o valor equivalente ao “dinheiro de hoje”, sem considerar a inflação. É claro que o valor nominal, aquele que vai aparecer no seu saldo no fim do prazo, será bem maior, porque vai carregar vários anos de IPCA. 

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Com a inflação atualmente em queda, os prefixados também se mostram bem vantajosos. O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, equivaleria a um rendimento de IPCA+ 8,5% neste ano. Isso se for considerada a projeção para o IPCA no fim de 2025 de 4,81%, segundo o boletim Focus.

O que explica esse juro ainda tão alto dos títulos públicos é que a última ata do Copom mostrou que o BC vai ser muito cauteloso para começar a reduzir os juros. E mesmo quando fizer isso, vai demorar muito tempo para que a Selic volte para um nível de um dígito – condição considerada fundamental para que a renda fixa de fato deixe de ser competitiva em relação à bolsa.

Retornos de dois dígitos a perder de vista

Para quem olha o médio e o longo prazos e consegue manter os recursos nos papéis até o vencimento, há uma oportunidade para travar taxas historicamente elevadas. Garantir uma taxa de juro real acima de 7% por 5 ou 10 anos, por exemplo, significa manter um retorno médio de dois dígitos durante todo esse tempo.

Essa conta leva em consideração que, mesmo se o BC conseguir alcançar a meta de 3% de inflação anual, o título rende, ao menos, 10% ao ano (IPCA de 3% + juro de 7%, numa conta simples). Se o IPCA médio no período estiver mais perto de 4%, o retorno nominal subiria para 11% ao ano. Se for um prefixado, o ganho será ainda maior, acima de 13% ao ano, de acordo com os retornos atuais.

Mas existem riscos. Se você precisar tirar o dinheiro da aplicação antes do tempo, vai ter de vender o papel nas condições de mercado. Isso significa que pode perder dinheiro se o momento estiver desfavorável.

Por exemplo, se você contratar um título público prefixado ou indexado à inflação de prazos mais longos, por exemplo, 10 anos, vai receber exatamente o que comprou quando a aplicação acabar. Mas até lá não pode vender. A questão é que esses papéis, embora sejam um produto de renda fixa, exibem um comportamento variável no dia a dia.

Funciona da seguinte maneira: pelos próximos 10 anos, dia após dia, os preços do título vão subir e descer de acordo com as expectativas sobre a Selic, a inflação, a situação fiscal do país e um outro tanto de variáveis. Essa atualização diária se chama marcação a mercado.

Se, hipoteticamente, ocorrer um cenário no qual as taxas reais subam ainda mais ,quem vender vai amargar um prejuízo. Na situação oposta, se os juros caírem, o título vai valorizar.

No curto prazo, Tesouro Selic segue imbatível

Quem não tem certeza de que consegue segurar os recursos até o vencimento, a melhor opção está no Tesouro Selic. Esse título traz um retorno atrelado à taxa básica de juros.

Em 2025, com a Selic em 15% ao ano e a inflação projetada para o fim do ano de 4,81%, o retorno desse papel equivale a IPCA+ 10,19%. “A melhor opção para este ano e, provavelmente, ao longo do próximo ainda é o Tesouro Selic”, afirma o fundador e estrategista-chefe da Casa do Investidor, Michael Viriato.

Segundo o Focus, o mercado estima que a Selic vai terminar 2026 na casa de 12%, ou seja, com um corte de 3 pontos percentuais, enquanto o IPCA ficará em 4,28%. Isso significa que, potencialmente, o Tesouro Selic pode terminar 2026 com uma taxa ainda muito atrativa, equivalente a IPCA+ 7,71%.

Para o curto prazo, o título pós-fixado, o chamado Tesouro Selic, continua sendo uma excelente opção. É que seu retorno acompanha o nível do juro básico definido pelo BC – que deve permanecer em 15% até o fim do ano, segundo estimativas do mercado. Ao longo de uma década, por exemplo, espera-se que a taxa recue, em algum momento, para patamares mais civilizados, em geral de um dígito.

No longo prazo, se a Selic cair para a casa de 9% ao ano e a inflação estiver em torno de 3%, que é a meta do BC, o retorno vai equivaler a IPCA+ 6%. A vantagem do Tesouro Selic é que você pode vender o papel com riscos muito menores, porque o papel vai trazer o retorno do juro pós-fixado acumulado até o dia do resgate.

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