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De Made in a Created in: os países do BRICS+ estão moldando uma nova economia criativa

Mesa de debate cinco participantes sentados, em um palco iluminado em tons de azul. Uma das pessoas está com microfone em mãos, fazendo uma intervenção. A tela ao fundo mostra o nome do evento “RICs – Russian International Creative Seasons” e o tema da discussão sobre IA, blockchain e novas economias. Flores decoram a parte frontal do palco.
Painel discute indústria criativa e tecnologia nos países do BRICS+ (imagem: divulgação)

Os países do BRICS+ podem se tornar centros de desenvolvimento de soluções criativas baseadas em tecnologias inovadoras. Essa é a avaliação de Vladislav Kreinin, vice-presidente sênior e diretor do departamento de marketing e comunicação do Sberbank, da Rússia.

Kreinin abriu uma sessão intitulada “Created in BRICS+”, que aconteceu no dia 9 de outubro durante o Fórum Internacional RICS, em São Petersburgo (Rússia). “Estamos prestes a passar da lógica do ‘Made in’ para a lógica do ‘Created in’ – para a criação de valor e significados em primeiro lugar”, comentou o executivo na abertura do debate.

Participantes de diversos países da aliança discutiram como a inteligência artificial, a blockchain e as indústrias criativas podem se tornar a base de uma nova estrutura econômica.

Uma mesa de discussão em um palco de evento, com cinco participantes sentados em poltronas, olhando para o público. Uma das pessoas fala ao microfone. Ao fundo, há uma tela grande com o título da sessão em russo e inglês sobre criatividade, inteligência artificial e blockchain no BRICS+. A plateia aparece desfocada na frente.
Evento aconteceu em outubro de 2025 na cidade de São Petersburgo (imagem: divulgação)

As indústrias criativas crescem em um ritmo 15% maior que os demais setores da economia, formando um mercado global de mais de US$ 1,6 trilhão. A nova economia supera a noção de capacidade de produzir bens físicos, voltando-se para a geração de ideias, conteúdos, design e códigos culturais.

Esse é um setor que já contribui com mais de 4% para o PIB mundial, número que tende a aumentar nos próximos anos. Para os países do BRICS+ – muitos dos quais têm sido historicamente vistos como exportadores de matérias-primas ou locais de produção –, essa é uma oportunidade para reformatar e mudar o seu papel na economia global.

Sber investe em tecnologia própria

Nos últimos anos, a Sber transformou-se em uma empresa de TI capaz de desenvolver seu próprio ecossistema de ferramentas de inteligência artificial e blockchain. A companhia conta com três redes neurais emblemáticas: GigaChat, Kandinsky e SymFormer. Juntas, elas formam um conjunto de soluções totalmente adequado às indústrias criativas.

O GigaChat é capaz de gerar texto, responder a perguntas e criar códigos de programação. Recentemente, ele ganhou a habilidade de criar apresentações por meio da análise de prompts e estruturação de conteúdos.

Já o Kandinsky gera imagens, animações e pequenos vídeos a partir dos pedidos em texto dos usuários. Por fim, o SymFormer é especializado em música, sendo capaz de processar descrições de texto e convertê-las em faixas de música, além de aperfeiçoar partituras e criar trilhas sonoras.

IA e humanos caminham juntos rumo ao futuro da arte

A colaboração entre a tecnologia e os seres humanos permite transformar em realidade produtos criativos marcantes para a comunidade global. Um exemplo disso é a primeira ópera do mundo concluída com a ajuda da IA: Mandrágora.

Mandrágora é baseada em uma ideia de Pyotr Tchaikovsky e Sergei Rachinsky. Ela foi recriada e concluída com a ajuda do compositor russo contemporâneo Pyotr Dranga e das redes neurais da Sber. O GigaChat escreveu o libreto, o SymFormer finalizou a música e o Kandinsky criou os efeitos visuais.

A ópera foi apresentada no Novo Palco do Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, em junho de 2025. Além disso, ela entrou no repertório do teatro, tornando-se uma obra artística de pleno direito e marcando uma nova etapa no desenvolvimento da síntese da arte e da tecnologia.

Blockchain pode ajudar indústria criativa

Não é somente a IA que pode fomentar o desenvolvimento de produtos criativos. A tecnologia blockchain pode contribuir em outra etapa do processo.

O Laboratório de Blockchain do Sberbank é responsável pela pesquisa das cadeias de blocos existentes, bem como pelo desenvolvimento de novos sistemas. As soluções usam como base a própria plataforma de blockchain da Sber, que permite a implementação de contratos inteligentes e a emissão e negociação de ativos digitais (DFA) sem programação.

Para as indústrias criativas, isso significa licenciamento transparente, controle da utilização de conteúdos e automatização dos pagamentos de royalties, formando novos modelos de colaboração.

“O ecossistema da Sber pode constituir a base para uma infraestrutura para as indústrias criativas interagirem”, sublinha Vladislav Kreinin, do Sberbank. “Isso vai desde a IA generativa e a blockchain até os serviços de proteção de propriedade intelectual e a promoção de conteúdos.”

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