Justiça da Alemanha proíbe TCL de usar sigla QLED em TVs

Resumo
- Justiça alemã concluiu que alguns modelos da TCL não possuem quantidade suficiente de pontos quânticos para justificar o termo QLED.
- Essa tecnologia combina pontos quânticos com um painel LCD e iluminação de LEDs.
- A Samsung introduziu as primeiras TVs QLED em 2017 e moveu o processo que resultou na decisão contra a TCL.
A Justiça da Alemanha proibiu a TCL de comercializar e promover algumas de suas televisões sob a sigla QLED. A decisão, resultado de um processo movido pela Samsung, afirma que os modelos em questão não possuem a estrutura e a performance de imagem que justificariam o uso do termo.
Segundo o portal Ars Technica, o tribunal concluiu que modelos como a série QLED870, vendida na Europa, aplicam apenas uma pequena quantidade de pontos quânticos em uma placa de difusão. A decisão aponta que o modelo adotado pela TCL não entrega a melhoria de reprodução de cor esperada pelos consumidores.
O que é uma tela QLED?

Para entender o que está em jogo na disputa, vale saber o que a sigla deveria significar. QLED (Quantum Dot Light-Emitting Diode) é uma tecnologia que combina pontos quânticos (QDs) com um painel LCD e uma iluminação traseira (backlight) de LEDs.
O funcionamento ocorre com a adição de uma camada de nanocristais semicondutores à estrutura tradicional do LCD. A luz azul emitida pelos LEDs ativa esses pontos quânticos, que reproduzem com precisão as cores do padrão RGB — vermelho, verde e azul — de acordo com seus tamanhos em escala nanométrica.
A Samsung foi pioneira ao lançar as primeiras TVs QLED em 2017, seguida pela LG, Sony e a própria TCL, que oferecem cores mais vibrantes e picos de brilhos mais altos a um preço mais acessível do que painéis OLED.
Samsung repercutiu análises negativas
Para embasar as acusações contra a TCL, a Samsung havia enviado à imprensa, há cerca de um ano, resultados de testes feitos pela certificadora londrina Intertek. A análise de modelos como 65Q651G, 65Q681G e 75Q651G revelou quantidades insuficientes de componentes químicos essenciais na fabricação de telas de pontos quânticos, como cádmio e índio.
Em comunicado após a vitória no tribunal alemão, a Samsung defendeu que os consumidores “nunca deveriam ter que questionar se estão recebendo a tecnologia que pensaram estar comprando”. Entretanto, a própria Samsung e outras fabricantes já foram criticadas por supostamente venderem aparelhos baseados em fósforo como se fossem QLED.
TCL tenta se consolidar no segmento premium

A decisão alemã agrava a situação jurídica da TCL em outros mercados. Tanto a TCL quanto a Hisense enfrentam processos semelhantes nos Estados Unidos sobre a legitimidade de suas TVs QLED. O precedente europeu pode influenciar as negociações ou fortalecer a visão dos consumidores de que os aparelhos não entregam o que prometem.
Para especialistas, a TCL tenta se posicionar nos EUA como alternativa confiável à Samsung e à LG no segmento premium — que levou, inclusive, a um acordo pela divisão de TVs da Sony —, e a publicidade negativa do processo pode atrapalhar esses planos.
Justiça da Alemanha proíbe TCL de usar sigla QLED em TVs





