Visualização de leitura

Data centers de IA vão consumir 70% dos chips de memória

Diversos pentes de memória RAM
Data centers de IA vão consumir 70% dos chips de memória (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)
Resumo
  • Data centers de IA devem demandar 70% dos chips de memória produzidos em 2026, gerando escassez;
  • Problema da escassez afeta memórias RAM, SSDs e até discos rígidos, impactando produção de eletrônicos e elevando custos;
  • Micron prevê que crise no mercado de memórias durará até 2028.

A demanda por memórias realmente está maior do que a oferta, cenário que resulta em dificuldade de aquisição desse tipo de componente e, principalmente, em preços elevados. Alimentando essa situação de escassez estão as aplicações de IA, que exigirão até 70% da produção de chips de memória em 2026.

É o que aponta o Wall Street Journal. Trata-se de uma estimativa que preocupa, mas, a essa altura, já não surpreende: o número de aplicações de inteligência artificial cresce em um ritmo tão acelerado que as empresas do setor estão investindo cada vez mais na construção de data centers para executá-las.

O efeito disso é a escassez não só de memórias RAM, mas também de chips de SSDs e até de discos rígidos.

Mas, sim, a situação é mais crítica no segmento de memória RAM. Esse tipo de componente não equipa somente computadores e celulares. TVs, dispositivos vestíveis, alto-falantes inteligentes e sistemas automotivos, por exemplo, também demandam esse tipo de componente. Logo, todo o setor de eletroeletrônicos pode ser impactado por preços mais altos.

Não é só uma questão de repassar os custos com memórias RAM para os consumidores. A escassez de chips também atrasa a produção de equipamentos eletrônicos, aumentando o risco de determinados produtos também ficarem escassos nas prateleiras. Quando isso acontece, não raramente, esses produtos ficam mais caros.

Tem mais. É comum que equipamentos eletrônicos utilizem tecnologias de memória mais antigas, que tendem a ser mais baratas. O problema é que os fabricantes priorizam a produção de memórias mais modernas, como DDR5 e HBM, que oferecem margens de lucro maiores, movimento que também contribui para a crise.

Novamente, não há surpresa aqui: aplicações de IA demandam tanto desempenho que a infraestrutura destinada a elas requer justamente tecnologias de memória RAM mais sofisticadas.

Ilustração que mostra um celular e um notebook ao lado de uma moeda para representar um aumento de preços desses produtos
Escassez de memória deve aumentar preços de eletrônicos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Wall Street Journal não exagera, portanto, ao sinalizar que estamos diante de um cenário cuja gravidade pode ser comparada aos atrasos de produção no período da pandemia de covid-19.

Consequência: o mercado viu os preços de memórias dispararem 50% somente no último trimestre do ano passado. O setor de semicondutores fechou 2025 com lucro recorde. A Counterpoint Research estima que haverá um aumento adicional entre 40% e 50% nos preços até o fim do primeiro trimestre de 2026.

Micron prevê que crise da memória durará até 2028

Três companhias respondem por mais de 90% da produção atual de chips de memória RAM: SK Hynix, Samsung e Micron. Esta última revelou, recentemente, que os preços das memórias não devem melhorar antes de 2028.

A solução para o problema passa pelo aumento de produção. Para tanto, Micron e outras empresas do setor estão investindo em novas fábricas de memórias. Mas aí vem um novo problema: leva tempo para essas unidades serem construídas e entrarem em operação.

Data centers de IA vão consumir 70% dos chips de memória

Memórias RAM (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Aumento de preço da memória RAM (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
  •  

Preços de memória RAM só devem melhorar em 2028, prevê Micron

Ilustração de uma mão segurando dois pentes de memória RAM. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Preços de memória RAM só devem melhorar em 2028, prevê Micron (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Micron prevê que preços de memória RAM só devem baixar em 2028 devido à alta demanda de aplicações de inteligência artificial;
  • Micron descontinuou marca Crucial, mas continua fornecendo memória para fabricantes como Asus e Dell, explica executivo da empresa;
  • Construção de novas fábricas pela Micron faz parte da solução, mas não terá efeito sobre o mercado antes de 2028.

Quando os preços das memórias RAM voltarão a patamares aceitáveis, digamos assim? De acordo com a Micron, não deveremos ver melhorias significativas nesse cenário antes de 2028. A companhia vem investindo em novas fábricas para aumentar a produção de módulos, mas essa não é uma solução com efeito imediato.

Sanjay Mehrotra, CEO da Micron, já havia sugerido que a escassez de memória RAM não seria resolvida neste ano. Agora, bem no começo de 2026, Christopher Moore, vice-presidente de marketing para clientes da companhia, deu uma entrevista ao WCCFTech em que forneceu previsões mais claras sobre a atual crise.

A entrevista veio na esteira de uma decisão que irritou ou decepcionou muitos consumidores: em dezembro de 2025, a Micron Technology anunciou o fim da Crucial, marca especializada em módulos de RAM e SSDs para computadores domésticos.

Dado o atual cenário, muita gente entendeu que a Micron decidiu abandonar o varejo para atender aos segmentos corporativos, especialmente no âmbito da inteligência artificial.

A demanda atual por IA é tão grande que as empresas do setor têm implementado servidores em ritmo acelerado, fazendo a demanda por RAM ser maior do que a oferta. O efeito não poderia ser outro: preços de módulos de memória nas alturas.

Mas, na entrevista, Moore tratou de explicar que, pelo menos com relação à Micron, essa impressão não é precisa: “eu nunca diria a uma pessoa sobre o que pensar ou que ela está errada, mas o nosso ponto de vista é o de que estamos tentando ajudar os consumidores em todo o mundo”, completou.

O executivo explicou que a Micron tem feito isso por meio de canais diferentes, dando como exemplo que, apesar de a Crucial ter sido descontinuada, a empresa continua fornecendo módulos de memória para fabricantes como Asus e Dell, que atendem ao segmento doméstico.

Módulos de memória RAM da marca Crucial
Micron anunciou no fim de 2025 que abandonaria marca de memórias e SSDs Crucial (imagem: divulgação/Micron)

Micron não pode ignorar o setor corporativo, diz executivo

Apesar de a Micron continuar fornecendo memória para fabricantes de PCs, Christopher Moore explicou que a companhia não pode ignorar os segmentos corporativos e de data center que, antes, respondiam por cerca de 30% da demanda, mas, hoje, requerem entre 50% e 60% desse mercado. Quanto a isso, o executivo disse o seguinte:

Este não é um problema da Micron, é um problema do setor, onde nós e nossos pares ou concorrentes estamos correndo para atender a esses segmentos o máximo possível, e simplesmente não há oferta suficiente para todos.

É uma situação realmente lamentável. Mas acho muito importante que as pessoas entendam que ainda estamos atendendo ao mercado doméstico.

Christopher Moore, vice-presidente de marketing da Micron

A principal solução para o problema da escassez está no aumento da produção. A Micron tem investido em novas fábricas, mas Moore alerta que o plano de expansão da companhia não deve ter efeito sobre o mercado pelo menos até 2028, visto que a construção das fábricas e os consequentes acertos com clientes não ocorrem da noite para o dia.

É claro que a Micron não fala por toda a indústria. Existe a possibilidade, por exemplo, de empresas chinesas absorverem parte da demanda por memória e, assim, ajudarem a resolver o problema da escassez em um prazo menor. Mas, por ora, tudo indica que 2026 e 2027 ainda serão anos com demanda acima da oferta para o setor.

Não que as empresas que fabricam memória estejam descontentes com esse cenário. Recentemente, Samsung, SK Hynix e Micron registraram lucros recordes em razão da grande demanda por RAM.

Preços de memória RAM só devem melhorar em 2028, prevê Micron

Saiba como o dual channel ou single channel influenciam no desempenho de um computador (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
  •  

Escassez de memória RAM leva fabricantes a lucros recordes

Preço de kits DDR5 de 32 GB saltou para mais de R$ 3.200 no Brasil (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A escassez de RAM impulsionou lucros recordes para as principais fabricantes de memória no mundo.
  • No Brasil, o preço de kits de 32 GB de memória RAM aumentou até 270% em menos de seis meses, devido à alta demanda de IA e custos de importação.
  • A previsão é que o preço médio da memória RAM suba até 33% em 2026, com a escassez persistindo.

O mercado global de semicondutores fechou 2025 com o preço nas alturas. A pressão veio da oferta restrita de componentes e, sobretudo, da escassez de RAM impulsionada pela demanda da indústria de IA. As principais fabricantes de memória, porém, comemoram: os resultados financeiros das empresas superam marcas históricas.

A Samsung Electronics, líder mundial no segmento, divulgou um lucro operacional estimado entre 19,9 e 20,1 trilhões de won coreanos (aproximadamente R$ 74,3 bilhões) para o quarto trimestre de 2025.

O salto é significativo quando comparado ao mesmo período de 2024, momento em que a empresa registrou 6,4 trilhões de won (R$ 24 bilhões). O resultado foi tão positivo que a Samsung ofereceu aos funcionários, como bônus de desempenho, cerca de 43% e 48% dos salários anuais.

A tendência de valorização não se restringe à Samsung. A SK Hynix reportou seu “melhor desempenho trimestral de todos os tempos” no terceiro trimestre de 2025. Com lucro operacional de 11,3 trilhões de won (cerca de R$ 41,8 bilhões), a fabricante atribuiu o sucesso ao aumento nos investimentos em infraestrutura de IA.

Já a Micron, que recentemente optou por deixar de vender memórias diretamente para o consumidor final para focar no fornecimento a outras empresas (B2B), está colhendo frutos da crise. O lucro líquido da companhia subiu de US$ 1,8 bilhão (R$ 10 bilhões) no início de 2025 para US$ 5,2 bilhões (R$ 28,1 bilhões) — o maior fluxo de caixa livre da história da empresa, segundo o CEO Sanjay Mehrotra.

Por que os preços da memória RAM subiram tanto?

Diversos pentes de memória RAM
Fábricas priorizam atender demanda de servidores de IA (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

No varejo brasileiro, a leitura desses relatórios financeiros bilionários é acompanhada por um choque de realidade. Enquanto no mercado internacional o preço de um kit de 32 GB de DDR5-6000 subiu para cerca de US$ 340 (R$ 1.825) em janeiro de 2026, o impacto por aqui foi multiplicado pelo câmbio e taxas de importação.

Em agosto de 2025, um kit de entrada de 32 GB DDR5 podia ser encontrado em lojas nacionais por aproximadamente R$ 850. Atualmente, o mesmo produto não sai por menos de R$ 3.200 em grandes varejistas — mais de 270% de alta em menos de seis meses.

Essa escalada de preços tem duas causas principais, ambas ligadas à IA generativa. A primeira são projetos colossais como o Stargate, da OpenAI, que demandam volumes massivos de DRAM para servidores. Segundo analistas, essa demanda pode consumir até 40% da produção mundial, deixando o mercado de PCs domésticos com o que resta de estoque.

A segunda causa é técnica. A fabricação de Memória de Alta Largura de Banda (HBM), essencial para as GPUs da Nvidia usadas em data centers, ocupa cerca de três vezes mais espaço em um wafer de silício do que a mesma quantidade de memória DDR5 comum. Como as fabricantes estão priorizando a HBM devido às margens de lucro superiores, a oferta de memórias para consumidores finais foi drasticamente reduzida.

Panorama para 2026

Analistas do Bank of America indicam que o alívio não deve chegar tão cedo. A previsão é que o preço médio de memória RAM suba até 33% ao longo de 2026.

Contudo, o setor permanece atento ao boom da IA. Caso a demanda por serviços de inteligência artificial apresente uma desaceleração, as fabricantes podem enfrentar um novo ciclo de excesso de oferta, similar ao ocorrido em 2023.

Por ora, as empresas trabalham com a expectativa de que a escassez persistirá além de 2026, mantendo os preços — e lucros — em patamares elevados.

Escassez de memória RAM leva fabricantes a lucros recordes

Aumento de preço da memória RAM (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Memórias RAM (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)
  •  

Escassez de RAM vai perdurar além de 2026, diz Micron

Diversos pentes de memória RAM
Não é possível aumentar a produção no mesmo ritmo da demanda (foto: Everton Favretto/Tecnoblog)
Resumo
  • A escassez de RAM e armazenamento persistirá além de 2026 devido à alta demanda por data centers de IA, segundo o CEO da Micron, Sanjay Mehrotra.
  • A Micron, Samsung e SK Hynix alertam para a dificuldade em expandir rapidamente a produção, resultando em aumento de preços de DRAM e NAND.
  • A escassez impacta eletrônicos, com Dell, Lenovo e Samsung prevendo aumento de preços, e a TrendForce prevendo redução de memória em dispositivos até 2026.

Sanjay Mehrotra, CEO da Micron, disse que o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de memória provavelmente vai durar anos e não apenas meses, devido a uma procura cada vez maior da indústria de inteligência artificial.

A Micron é uma das principais fabricantes desse setor, produzindo RAM, memórias flash e SSDs. Ela não é a única a alertar que os produtos continuarão em falta: Samsung e SK Hynix também fizeram sinalizações no mesmo sentido.

Por que está faltando memória RAM?

Em uma chamada com investidores, Mehrotra disse que a construção acelerada de data centers de IA fez as fabricantes revisarem para cima as previsões de demanda. A questão é que a produção não consegue acompanhar o ritmo.

“Nos últimos meses, os planos de construção de data centers de IA dos nossos clientes levaram a um aumento acentuado nas previsões de demanda por memória e armazenamento”, explicou o executivo. “Acreditamos que a oferta agregada da indústria permanecerá substancialmente abaixo da demanda em um futuro próximo.”

“Juntos, esses fatores de demanda e oferta estão levando a condições apertadas no fornecimento de DRAM e NAND, e nossa previsão é de que essa dificuldade persista além de 2026”, avalia. “Apesar dos esforços significativos, estamos desapontados por não atender nossos consumidores em todos os segmentos.”

Preço da memória RAM deve encarecer smartphones e PCs em 2026 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Como nota o site Dexerto, expandir a produção não é tão simples, já que construir uma fábrica e colocá-la em atividade demora muito tempo.

Além disso, existem dúvidas sobre o futuro: se a procura cair, o que fazer com as instalações ociosas? Algumas empresas já admitem que sua prioridade é a margem de lucro a longo prazo, rejeitando a ideia de expandir a produção de modo agressivo e arcar com possíveis prejuízos.

Escassez impacta diversos setores

A alta demanda por memória e armazenamento vem causando mudanças significativas na indústria de eletrônicos de diversas categorias. No varejo, a própria Micron tirou do mercado a marca Crucial, voltada a consumidores finais. A justificativa é concentrar recursos nos grandes clientes corporativos e seus data centers.

Empresa cita crescimento da IA como motivo para encerrar divisão de consumo (imagem: divulgação/Micron Technology)

Em abril de 2025, meses antes da crise tomar contornos mais dramáticos, a empresa também tomou a decisão de subir os preços de DRAM e flash NAND.

Com componentes mais caros, computadores e celulares sofrerão as consequências. Segundo fontes da indústria, Dell e Lenovo já começaram a avisar seus clientes sobre o aumento de preços. A Samsung segue a mesma trajetória e já avisou que os aumentos no Brasil podem chegar a 20%.

A consultoria TrendForce também prevê que os eletrônicos ficarão mais fracos em 2026. Com memórias mais caras, as marcas devem reduzir a quantidade em notebooks e smartphones, visando segurar os preços e não afugentar os consumidores.

Mesmo assim, medidas do tipo devem apenas reduzir os danos. A empresa de pesquisas Counterpoint prevê que o mercado de celulares encolherá 2,1% em 2026.

O grande problema está no segmento de entrada, aquele com preços abaixo de US$ 200. Como a margem de lucro é menor nessa categoria, qualquer variação nos custos tem grande impacto. Para as empresas, as opções devem ser aumentar o preço final, correndo o risco de afastar consumidores, ou reduzir a produção.

Com informações do Dexerto

Escassez de RAM vai perdurar além de 2026, diz Micron

Memórias RAM (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Aumento de preço da memória RAM (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
  •  

Memória RAM Crucial sai do mercado após quase 30 anos

Empresa cita crescimento da IA como motivo para encerrar divisão de consumo (imagem: divulgação/Micron Technology)
Resumo
  • A Micron encerrará as vendas de memória Crucial até fevereiro de 2026 para focar em data centers de IA.
  • A decisão visa atender à crescente demanda por memória de alta largura de banda para chips de IA.
  • A escassez de componentes e a inflação elevam os preços de memória RAM, impactando consumidores e empresas.

A Micron Technology anunciou oficialmente nesta quarta-feira (3) que deixará o mercado de memórias para o consumidor final a partir de 2026. A decisão encerra 29 anos da marca Crucial, subsidiária da empresa responsável pela venda de memória RAM e SSDs para o varejo.

A empresa justificou a mudança estratégica citando a necessidade de realocar recursos para atender à demanda explosiva por componentes para data centers voltados à inteligência artificial. A construção massiva de novas infraestruturas de processamento de dados criou uma procura sem precedentes por memória de alta largura de banda (HBM), essencial para chips de IA fabricados por empresas como Nvidia e AMD.

Relatórios do setor indicam que somente o projeto de supercomputador Stargate, da OpenAI, poderia consumir sozinho quase 40% da produção global de memórias, drenando a capacidade industrial que anteriormente abastecia o mercado de PCs domésticos.

“O crescimento impulsionado pela IA nos data centers levou a um aumento na demanda por memória e armazenamento. A Micron tomou a difícil decisão de sair da divisão de produtos de consumo da Crucial para melhorar o fornecimento e o suporte aos nossos maiores clientes estratégicos em segmentos de crescimento mais rápido.”

Sumit Sadana, vice-presidente executivo e diretor de negócios da Micron

O que acontece com garantias e suporte?

Suporte e garantia continuam valendo para memórias ou SSDs da Crucial (imagem: divulgação/Micron Technology)

Em comunicado oficial, a gigante de semicondutores informou que continuará enviando produtos da marca Crucial para distribuidores e varejistas até fevereiro de 2026. A empresa assegurou que honrará todas as garantias dos produtos já comercializados e trabalhará com seus parceiros durante o período de transição. Os funcionários afetados pelo fechamento da divisão de consumo deverão ser realocados para outras funções.

Escalada de preços e impacto no mercado

O anúncio ocorre em um cenário de inflação nos preços e escassez de componentes. Para o consumidor final, o impacto já é visível no bolso: um kit padrão de 32 GB de memória RAM DDR5, que podia ser encontrado em promoções no Brasil por cerca de R$ 850 em agosto de 2025, agora dificilmente é visto por menos de R$ 2.800. Kits de maior capacidade ou com frequências mais altas sofreram reajustes ainda maiores, tornando o upgrade proibitivo para parte dos usuários domésticos.

A escassez já obriga outras empresas do setor a tomarem medidas drásticas de contenção. A fabricante de notebooks modulares Framework, por exemplo, suspendeu a venda de pentes de memória RAM avulsos no final de novembro. A medida foi adotada para garantir que haja estoque suficiente para continuar vendendo seus computadores.

Gerry Chen, gerente geral de memórias do TeamGroup, projeta um cenário desafiador para o futuro próximo. Segundo o executivo, a situação pode piorar no primeiro semestre de 2026, momento em que os estoques remanescentes nos distribuidores se esgotarão. A previsão é que as restrições de fornecimento persistam até o final de 2027.

Memória RAM Crucial sai do mercado após quase 30 anos

  •