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Spotify anuncia selo de verificação para artistas contra músicos de IA

Artistas humanos vão ganhar verificação no Spotify. Plataforma quer combater boom de conteúdos enganosos feitos por IA (Imagem: Fath/Unsplash)
Resumo
  • O Spotify implementou um selo de verificação para artistas reais, como parte de suas medidas para combater conteúdos criados por inteligência artificial (IA).
  • O selo de verificação será concedido apenas a artistas humanos que atendam a certos critérios, como engajamento e ouvintes recorrentes, além de movimentações na conta que comprovem sua identidade.
  • A medida visa reduzir a confusão entre artistas reais e aqueles criados por IA, que têm feito sucesso em plataformas de música.

O Spotify anunciou uma nova medida para combater artistas criados do zero com inteligência artificial: um selo de verificação para seus músicos e bandas reais. A ideia é frear o aumento de conteúdos de baixa qualidade publicados na plataforma feitos inteiramente por IA.

Agora, apenas artistas humanos terão selos de verificação, mas serão necessários outros critérios para garantir essa identidade. Entre eles, estão engajamento e ouvintes recorrentes, além de movimentações na conta, como datas de shows, identificações que comprovem que se trata de um ser humano, entre outros exemplos.

Vale lembrar que a empresa já havia falado sobre o assunto em 2025, quando anunciou o reforço das medidas para identificação de conteúdos feitos por IA. Segundo o comunicado, o problema das IAs envolve o uso de deepfakes na voz, monetização via spam e melhorias na identificação do que é feito com IA ou não. A nova verificação chega como um reforço para essas medidas, que seguem em vigor.

Foto de uma pessoa utilizando um notebook, usando um fone branco, com uma ilustração de um app de música na tela do aparelho
Artistas gerados por IA passam imperceptíveis para o público (imagem: rawpixel/freepik)

Artistas de IA confundem usuários e muitas vezes fazem sucesso

O problema de artistas criados inteiramente por IA não é exclusivo do Spotify: a Deezer publicou um levantamento em 2025 em que 97% dos usuários não souberam responder quais músicas eram feitas por inteligência artificial ou não, e mais da metade das pessoas se mostraram incomodadas por isso. Além disso, 44% dos novos conteúdos que chegam à plataforma diariamente são criados por IA. A Deezer, inclusive, avisa ao usuário quando um conteúdo é feito por IA.

No Spotify, apesar das poucas informações sobre o quantitativo de músicas feitas por IA, também há meios de identificar se um conteúdo é gerado ou não por IA, graças às atualizações anunciadas ainda em 2025. Ainda assim, nem todo artista tem essa página devidamente atualizada, algo que será exigido agora com o novo selo de verificação.

Alguns casos têm sido apontados como exemplos de artistas feitos inteiramente por IA que fizeram sucesso entre os ouvintes do Spotify e chegaram a boas posições nos charts de mais streams. Segundo o site alemão Deutsche Welle, a banda country Breaking Rust teve a música mais ouvida em novembro de 2025 na lista da Billboard para o estilo, enquanto o grupo Velvet Sundown alcançou 1 milhão de ouvintes mensais antes de revelar sua produção como IA.

Captura de tela do aplicativo Deezer em um smartphone. A tela exibe a página de um álbum com uma capa de arte futurista. Sobreposta, uma caixa de notificação preta com o título "Conteúdo gerado por IA" e o texto "Algumas faixas deste álbum podem ter sido criadas utilizando inteligência artificial." Ao fundo, um grafismo roxo abstrato.
Deezer aponta 44% dos novos conteúdos da plataforma como IA (imagem: divulgação/Deezer)

Medidas contra uso de IA de forma enganosa são tendência

Algumas formas de mitigar a confusão entre o que é real ou criado inteiramente com IA têm aparecido no mercado de tecnologia nos últimos meses.

Além da novidade anunciada pelo Spotify, Tinder e Zoom fecharam um acordo recente com a World, empresa cofundada por Sam Altman, da OpenAI, que faz reconhecimento de Íris em usuários. O objetivo aqui é impedir golpes online, principalmente em trocas de relacionamento.

Outra medida que chamou atenção recentemente envolveu a cantora Taylor Swift, que entrou com pedidos de registro de marca para sua voz e imagem.

O movimento tem como ideia evitar que suas características sejam usadas comercialmente por meio de inteligências artificiais, que podem trazer características de artistas reais em suas criações. A preocupação está alinhada com a medida tomada pelo Spotify, que também cita o uso de sons registrados sem autorização como um dos problemas da presença desenfreada de conteúdos feitos por IA na plataforma.

Spotify anuncia selo de verificação para artistas contra músicos de IA

YT Saver possui ferramenta de download de música direto no Spotify (imagem: rawpixel/freepik)
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Deezer libera retrospectiva de 2025 e ranking de artistas no Brasil

Montagem de múltiplas telas de smartphone exibindo o resumo musical anual "My Deezer Year 2025". As telas são em grande parte roxas ou amarelas e focam em estatísticas pessoais, como tempo de escuta, artistas mais ouvidos, playlists e um Deezer Quiz. O destaque é a tela central com o título "MY DEEZER YEAR 2025" cercado por balões de coração roxos. O logotipo do Deezer está centralizado abaixo da montagem.
Deezer tem retrospectiva inspirada em comédias românticas (imagem: divulgação)
Resumo
  • A Deezer lançou o My Deezer Year 2025, com estatísticas personalizadas e quiz interativo, destacando o domínio do sertanejo no Brasil.
  • Henrique & Juliano lideraram o ranking de artistas mais ouvidos, enquanto o Grupo Menos É Mais teve a música mais ouvida, “Coração Partido”.
  • Marília Mendonça liderou entre as artistas mulheres, seguida por Lady Gaga e Lauana Prado.

A plataforma de música Deezer liberou nesta segunda-feira (1º) o My Deezer Year 2025, que, assim como o Wrapped do Spotify, compila as estatísticas de consumo de música e podcasts dos usuários ao longo do ano. Nesta edição, a empresa apostou em uma narrativa gamificada inspirada em filmes de comédia romântica.

A funcionalidade segue a tendência das plataformas de streaming de transformar dados de audiência em conteúdo compartilhável para redes sociais.

Desta vez, a interface guia o usuário por “cenas” baseadas nos hábitos de escuta, como o “primeiro encontro” (artistas mais ouvidos) o “felizes para sempre” (para as faixas mais reproduzidas). No app, o My Deezer Year pode ser encontrado na aba “Explorar”.

Quatro capturas de tela sequenciais de um recurso de Teste de Compatibilidade Musical do Deezer. A primeira tela pergunta: "Vocês são almas gêmeas musicais?". As telas subsequentes mostram o processo do quiz, onde o usuário reage a músicas (polegar para cima/baixo), e o resultado em uma tela amarela destacando uma pontuação de afinidade de "37%" e o texto "Sheldon + Yoann = Almas gêmeas musicais".
Usuários podem criar quizes (imagem: reprodução)

A Deezer também inclui o Music Quiz, um teste de afinidade para ser compartilhado com amigos. Nela, o usuário pode montar perguntas sobre os hábitos de consumo para que terceiros tentem adivinhar. Os amigos não precisam ser assinantes do Deezer para criar ou responder o quiz.

Globalmente, o streaming informou que seus assinantes ouviram, em média, mais de 122 horas de música em 2025. O consumo médio abrangeu 691 faixas diferentes de 402 artistas. A plataforma também destacou o comportamento de descoberta, com uma média de 357 novas músicas reproduzidas por pessoa ao longo do período.

O que o brasileiro mais ouviu?

Três cartões coloridos (amarelo, roxo e vermelho) de estatísticas do "My Deezer Year 2025" contra um fundo preto. Cada cartão destaca o conteúdo mais ouvido de um usuário: o Álbum com mais streams 2025 ("Manifesto Musical 2"), a Música com mais streams 2025 ("Coração Partido (Corazón Partío)") e o Artista com mais streams 2025 ("Henrique & Juliano"). O logotipo do Deezer está centralizado na parte inferior.
Sertanejo lidera ranking de consumo de música no Deezer (imagem: divulgação/Deezer)

Os dados locais reforçam a força de gêneros tradicionais no país. A dupla Henrique & Juliano liderou o ranking geral de artistas mais ouvidos, além de emplacar o álbum mais executado (Manifesto Musical 2) e a segunda música mais tocada (Última Saudade).

O pagode também mostrou força expressiva. O Grupo Menos É Mais subiu da décima posição (em rankings anteriores) para a vice-liderança geral em 2025, desbancando nomes internacionais e outros sertanejos. O grupo também é dono da música mais ouvida do ano na plataforma no Brasil: Coração Partido (Corazón Partío).

Entre as artistas mulheres, a liderança permaneceu com Marília Mendonça, seguida pela cantora pop internacional Lady Gaga e pela sertaneja Lauana Prado. Ludmilla e Simone Mendes fecham o top 5.

Pedro Kurtz, Diretor de Música e Operações para as Américas da Deezer, destaca, no comunicado, a diversidade presente no “Top 10” nacional. Além dos líderes habituais, o executivo pontuou a presença do rock nacional com Charlie Brown Jr. na décima posição e a estreia do brega na lista com Natanzinho Lima em nono lugar.

Deezer libera retrospectiva de 2025 e ranking de artistas no Brasil

(imagem: reprodução/Deezer)
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97% dos ouvintes não conseguem identificar música feita por IA

Uma ilustração digital de um perfil de cabeça humana, formada por linhas e pontos luminosos azuis que simulam uma rede neural ou mapeamento digital. Ao lado direito, em letras brancas, a sigla "AI" (Inteligência Artificial). O fundo é escuro com leves pontos de luz. No canto inferior direito, o logo "tecnoblog".
IA dificulta distinguir músicas humanas de sintéticas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • 97% dos ouvintes não distinguem músicas feitas por IA das compostas por humanos.
  • Deezer implementou etiquetas para identificar músicas criadas por IA e excluiu essas faixas de playlists editoriais.
  • A proporção de faixas geradas por IA nas plataformas de streaming aumentou de 18% para 33% desde abril.

Uma pesquisa encomendada pela Deezer e conduzida pela Ipsos revelou que 97% das pessoas não conseguem distinguir músicas produzidas por inteligência artificial das compostas por artistas humanos. O estudo, que ouviu 9 mil participantes em oito países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e França, reforça as preocupações sobre o impacto da IA na criação e monetização da música.

Os dados indicam uma divisão de opiniões entre os ouvintes: enquanto 73% defendem que faixas feitas por IA sejam claramente identificadas nas plataformas, 45% gostariam de poder filtrá-las e 40% afirmam que evitariam esse tipo de conteúdo. Além disso, 71% disseram ter se surpreendido ao perceber que não conseguiram reconhecer a origem das canções.

O consumo de músicas geradas por IA

A pesquisa destaca o crescimento acelerado de conteúdos criados por inteligência artificial nas plataformas de streaming. Segundo a Deezer, atualmente são enviadas mais de 50 mil faixas geradas por IA por dia — cerca de um terço. Em abril, essa proporção era de apenas 18%.

Diante do avanço, a plataforma implementou medidas para aumentar a transparência: passou a incluir etiquetas que identificam músicas criadas por IA e retirou esse tipo de conteúdo das playlists editoriais e das recomendações automáticas. “Acreditamos firmemente que a criatividade é gerada por seres humanos e que eles devem ser protegidos”, declarou o CEO da Deezer, Alexis Lanternier, à agência Reuters.

Deezer
Deezer aponta dificuldade em diferenciar músicas feitas por IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Como o setor musical reage à popularização das faixas sintéticas?

O crescimento das músicas criadas por IA tem provocado tensões no mercado. Lanternier afirmou que a criação de modelos de remuneração diferenciados para faixas sintéticas ainda é um desafio complexo, mas destacou que a Deezer já começou a excluir reproduções falsas do cálculo de royalties.

Casos recentes reforçam a preocupação da indústria. A banda virtual The Velvet Sundown, criada por IA, chegou a conquistar mais de 1 milhão de ouvintes mensais no Spotify antes de sua origem artificial ser descoberta. Já o Universal Music Group firmou um acordo judicial com a startup Udio e anunciou planos para lançar uma ferramenta de criação musical com IA em 2026.

97% dos ouvintes não conseguem identificar música feita por IA

Cloudflare declara guerra a bots de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Deezer (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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