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Nvidia: ações quebram recorde e fazem valor de mercado voltar aos US$ 5 trilhões

As ações da Nvidia fecharam em alta recorde nesta sexta-feira (24) pela primeira vez desde outubro, empurrando o valor de mercado da empresa para além dos US$ 5 trilhões (R$ 25 trilhões) mais uma vez, em meio ao movimento dos investidores em direção ao setor de chips de inteligência artificial (IA) antes dos resultados das grandes empresas de tecnologia na próxima semana.

As ações subiram 4,3% para fechar a US$ 208,27 (R$ 1.043,08). A Nvidia acumula alta de mais de 14 vezes desde o final de 2022, impulsionada pela crescente demanda por serviços e modelos de IA. As unidades de processamento gráfico (GPUs, na sigla em inglês) da Nvidia são utilizadas por Google, Microsoft, Meta e Amazon, bem como pelos desenvolvedores de modelos de IA OpenAI e Anthropic.

O movimento de sexta foi provocado pelos resultados melhores que o esperado da Intel, divulgados na quinta-feira (23). A fabricante de chips havia sido amplamente deixada de fora do mercado de IA até recentemente. As ações da Intel dispararam 24%, seu melhor desempenho desde 1987.

A AMD, que compete com Nvidia e Intel, saltou 14%, enquanto a fabricante de chips para dispositivos móveis Qualcomm subiu 11%. Os investidores vinham se afastando das ações de tecnologia de grande capitalização conforme os preços do petróleo disparavam devido à guerra no Irã e às interrupções da cadeia de suprimentos que se seguiram.

Logo da Nvidia em um chip
Resultados das concorrentes animaram os investidores da Nvidia – Imagem: alexgo.photography/Shutterstock

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Setor de tecnologia volta ao foco

Amplos segmentos da tecnologia voltaram a favor recentemente, com a demanda por infraestrutura de IA não mostrando sinais de desaceleração. O Nasdaq agora sobe 15% em abril, caminhando para seu melhor mês desde abril de 2020.

A Nvidia enfrenta crescente competição em IA. A Alphabet, grande cliente da Nvidia, anunciou novos chips que tentarão competir com as ofertas da Nvidia quando ficarem disponíveis para clientes em nuvem ainda este ano.

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O plano da dona do TikTok para driblar os EUA e usar chips de IA potentes da Nvidia

A ByteDance, empresa dona do TikTok, estabeleceu uma rota logística e jurídica para contornar o bloqueio tecnológico dos Estados Unidos e usar GPUs Nvidia Blackwell (B200), considerados os “motores” mais potentes da inteligência artificial (IA) atual. É o que o Wall Street Journal revelou na quinta-feira (12).

A manobra é basicamente montar data centers fora da China. Isso porque o fornecimento direto dos processadores ao território chinês é proibido por Washington sob justificativa de segurança nacional.

O plano foca na instalação de aproximadamente 36 mil chips em data centers localizados na Malásia, operados em parceria com a Aolani Cloud. Como a Aolani é uma parceira certificada da Nvidia no Sudeste Asiático, ela possui acesso prioritário ao hardware. 

Na prática, a empresa vai servir como ponte para a ByteDance competir com empresas como OpenAI e Google no desenvolvimento de modelos de linguagem.

Parceria da ByteDance garante hardware topo de linha da Nvidia para data centers

A complexa operação logística para viabilizar esse projeto envolve a compra de servidores da Aivres, empresa especializada em montar os sistemas que abrigam a tecnologia da Nvidia. 

Estima-se que o investimento total apenas para a infraestrutura na Malásia ultrapasse os US$ 2,5 bilhões (aproximadamente R$ 13 bilhões).

Esses sistemas funcionam como grandes “cérebros eletrônicos” capazes de processar volumes massivos de dados em frações de segundo.

Logo da ByteDance em um smartphone em cima do teclado de um notebook
(Imagem: rafapress/Shutterstock)

O apetite por expansão não se limita ao território malaio. A ByteDance já negocia infraestruturas similares na Indonésia, onde planeja instalar mais de 7 mil chips B200, além de avaliar mercados na Coreia do Sul, Austrália e Europa

Paralelamente, a ByteDance reforça sua presença técnica no Ocidente com a abertura de mais de 100 vagas para especialistas em IA em seus escritórios de San Jose e Seattle, nos Estados Unidos. 

Essa movimentação garante que a empresa chinesa mantenha talentos próximos ao polo de inovação americano, enquanto o hardware opera em jurisdições mais flexíveis.

Essa infraestrutura externa sustenta o ecossistema de produtos da empresa, que hoje já gera cerca de 25% de sua receita fora da China. 

Atualmente, a ByteDance detém cinco dos 50 aplicativos de IA voltados ao consumidor mais populares do mundo. Entre eles, estão: o chatbot Dola, o assistente escolar Gauth e o modelo de vídeo Seedance, que gera cenas realistas a partir de textos. 

Sem o acesso aos chips da Nvidia, a capacidade de resposta e a evolução dessas ferramentas seriam severamente limitadas pela falta de potência de processamento.

A viabilidade jurídica da operação repousa numa brecha nas regras de exportação de Washington: as normas impedem a venda dos chips para a China, mas não proíbem que empresas chinesas utilizem o poder de processamento desses chips em “nuvens” localizadas em países terceiros. 

Um porta-voz da Nvidia confirmou ao WSJ que as diretrizes permitem que infraestruturas de processamento remoto sejam construídas e operadas por parceiros fora das nações controladas, desde que os equipamentos não cruzem as fronteiras restritas.

Para assegurar a conformidade, a Aolani Cloud enfatiza que seus clientes, como a ByteDance, não detêm a propriedade física dos chips, mas apenas alugam o poder de processamento por meio de contratos de serviço. 

Essa estrutura permite que a companhia avance em sua meta de “alcançar o cume mais alto” da IA, conforme definido pelo CEO Liang Rubo, apesar das tensões geopolíticas entre Pequim e Washington.

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