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Impacto não será traumático para municípios, garante mentor da reforma tributária

A reforma tributária que entrou em vigor este ano  —e que se estenderá até 2033 — não provocará perdas relevantes de receita aos municípios brasileiros. A garantia foi dada nesta quinta-feira (23) pelo economista Bernard Appy, que foi secretário Extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda — órgão que elaborou a proposta votada no Congresso. Em seminário promovido pelo Instituto de Economia (IE) da Unicamp em parceria com a Prefeitura de Campinas — que reuniu representantes de municípios da região —, Appy afirmou que o novo modelo traz grandes vantagens na comparação com o sistema anterior. 

“Com certeza não haverá nenhum impacto traumático sobre a arrecadação dos municípios. Isso posso garantir”, afirmou ele a uma plateia de estudantes, professores e secretários de finanças de mais de uma dezena de municípios paulistas, que lotou o auditório Zeferino Vaz. “No curto prazo, não haverá nenhuma perda relevante, e, no longo prazo, será preciso pensar em alternativas, mas que não sejam voltar para o sistema tributário atual, que é muito ruim”, disse. 

Bernard Appy: novo sistema reduzirá desigualdades
Bernard Appy: novo sistema reduzirá desigualdades

Segundo Appy, o novo sistema reduzirá desigualdades. “Hoje, no Brasil, há casos de municípios em que a diferença de receita per capita de ISS e quota parte do ICMS chega a 200 vezes. Com a reforma, isso cairá para 15 vezes”, diz. 

A reforma começou, na prática, este ano, como uma espécie de teste, antes da substituição definitiva de cinco tributos. Desse total, três são federais: o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é administrado pelos estados; e o Imposto sobre Serviços (ISS), pelos municípios. 

A reforma prevê que esses cinco tributos começarão a ser extintos em 2027, mas haverá uma alíquota de teste em 2026. O PIS, a Cofins e o IPI darão origem à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O ICMS e o ISS darão origem ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A soma da CBS e do IBS resultará no IVA Dual.

Neste ano de 2026, haverá uma alíquota de teste de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, que serão deduzidas dos tributos atuais. A partir de 2027, os cinco tributos sobre o consumo serão gradualmente extintos, enquanto as alíquotas de CBS e de IBS subirão.

Evento contou com público massivo; a reforma prevê que cinco tributos começarão a ser extintos em 2027
Evento contou com público massivo; a reforma prevê que cinco tributos começarão a ser extintos em 2027

Situação dos municípios

O prefeito de Campinas,  Dario Saadi, disse que os municípios estão preocupados com a reforma. De acordo com ele, as prefeituras assumiram encargos que antes eram atribuições das esferas estadual ou federal. “Hoje temos responsabilidade até com a segurança. A criação das Guardas Municipais mostra isso. Os gastos com o transporte coletivo são cada vez maiores e, cada vez mais, cobertos pelos cofres municipais. Isso sem contar com aumentos progressivos nas despesas com a saúde. Hoje 90% dos programas sociais são mantidos pelas prefeituras”, reclamou. “Quem vai garantir que os municípios conseguirão manter uma arrecadação que seja capaz de fazer frente a esses encargos?”, questionou.

Financiamento das universidades públicas

Bernard Appy lembrou no seminário que a reforma também definiu a fonte de financiamento das universidades públicas. “As universidades públicas, como é o caso das estaduais paulistas, são financiadas por uma parte da receita do ICMS. A emenda constitucional 132, que introduziu a reforma tributária,  mantém essa vinculação, tendo como base o IBS estadual, que substituirá o ICMS. Portanto, na prática, a reforma tributária não afeta o financiamento das universidades”, disse ele.

O pró-reitor de Desenvolvimento Universitário da Unicamp, Fernando Sarti, reconhece que as receitas que estavam vinculadas ao ICMS antes da reforma permanecem vinculadas, mas lembra que isso não é suficiente. Para Sarti, é preciso discutir a alíquota e a previsão do financiamento em lei específica. 

O pró-reitor de Desenvolvimento Universitário, Fernando Sarti: é preciso discutir a alíquota e a previsão do financiamento em lei específica
O pró-reitor de Desenvolvimento Universitário, Fernando Sarti: é preciso discutir a alíquota e a previsão do financiamento em lei específica

“Hoje temos 9,57% do ICMS , mas precisaremos negociar. O que nos preocupa é que poderemos ter perdas significativas. Manter a vinculação ajuda, mas o que nos deixaria mais tranquilos é ter uma sinalização sobre a alíquota e a constitucionalização da medida, já que, hoje, dependemos de lei orçamentária que, a cada ano, precisa ser aprovada na Assembleia Legislativa”, argumenta. “Sem dúvida, a vinculação é uma garantia, mas não é suficiente”, advertiu. 

O encontro contou também com a presença do 1° vice-presidente do Comitê Gestor do IBS e secretário de Finanças de São Paulo, Luis Felipe Vidal Arellano; da secretária da Fazenda do Rio de Janeiro, Andrea Riechert Senko, do presidente do Fórum de Secretárias e Secretários municipais de Fazenda e Finanças da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e secretário de Finanças de Campinas, Aurílio Caiado, e do professor do IE Geraldo Biasoto Jr. O seminário teve ainda, as presenças do diretor do IE, Celio Hiratuka e da secretária  de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas, Adriana Flosi.

Foto de capa:

O seminário, promovido pelo Instituto de Economia (IE) da Unicamp em parceria com a Prefeitura de Campinas, reuniu representantes de municípios da região
O seminário, promovido pelo Instituto de Economia (IE) da Unicamp em parceria com a Prefeitura de Campinas, reuniu representantes de municípios da região

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Aborto legal é direito à dignidade para vítimas de violência sexual

Aborto legal é direito à dignidade para vítimas de violência sexual

OMS preconiza informações sobre interrupção da gravidez e atendimento seguro às mulheres

A assistente social Bárbara Regina Daolio está preparada para receber as mais diversas situações no Ambulatório de Violência Sexual do Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti – Caism Unicamp, mas alguns dias são mais difíceis que outros: “A pessoa mais jovem que eu atendi foi uma menina de 10 anos. Ela ficou grávida de um conhecido da família, que vivia no mesmo ambiente. A criança nem entendia o que, de fato, estava acontecendo”, lamenta.

O Código Penal Brasileiro permite a realização do aborto em três situações: gravidez decorrente de estupro e estupro de vulnerável (o que inclui relações sexuais com menores de 14 anos), risco de morte para a mulher em decorrência da gestação, e casos de anencefalia fetal.

A assistente social Bárbara Regina Daolio: revolta em se reconhecer como vítima
A assistente social Bárbara Regina Daolio: revolta em se reconhecer como vítima

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os sistemas de saúde de cada país devem se adequar e garantir informações sobre os casos em que a interrupção da gravidez seja permitida e possibilitar atendimento humanizado e digno às mulheres nessa condição antes, durante e depois do aborto.

Para José Paulo de Siqueira Guida, professor do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e coordenador do Ambulatório de Violência Sexual do Caism, oferecer esse procedimento, amparado pela lei, é um ato de respeito ao ser humano. “É constante vermos medidas para tentar impedir [a prática do aborto nas situações previstas em lei], mas aqui nós buscamos entender que isso não é uma questão política, mas um direito humano da nossa paciente”, diz ele. “Não me coloco como uma pessoa a favor do aborto; ninguém é a favor disso. O que buscamos fazer é reduzir os danos de algo que foi muito ruim, como a violência sexual, e a partir disso buscar meios para que a pessoa volte à sua vida normal”, aponta o médico.

O professor José Paulo de Siqueira Guida, coordenador do Ambulatório de Violência Sexual do Caism: direito humano da paciente
O professor José Paulo de Siqueira Guida: direito humano da paciente

Guida ressalta a importância de um debate honesto sobre o tema: “Temos que ser pragmáticos. Muitas pessoas são contra o aborto, mas não veem problema em minimizar a violência sexual. O aborto [fora dos casos previstos na legislação] é proibido no Brasil, mas ele é realizado. Se você tiver dinheiro, faz com segurança em clínicas particulares de bairros nobres. Se não tiver, recorre a locais clandestinos, e a chance de morrer existe. Isso é algo muito linear: quem tem dinheiro não morre”, afirma.

O coordenador do Ambulatório de Violência Sexual do Caism informa que as pacientes de 12 e 13 anos de idade, por exemplo, são vítimas habituais de abuso familiar (por pai ou padrasto), sem distinção de classe social. “Eu, particularmente, acho que crimes sexuais são falhas muito graves de caráter. Como é possível uma pessoa achar que tem poder sobre outro corpo? Sempre é uma história difícil”, afirma.

Gestação

Daolio também vê com preocupação o aumento do número de atendimentos de mulheres agredidas durante a gestação. “Cada pessoa chega aqui de uma forma, mas o que percebemos em todas elas é a sensação de culpa. Existe a revolta em se reconhecer enquanto vítima de uma violência que ela não provocou. Mas a sociedade questiona muito a roupa usada, o fato de a mulher sair à noite e consumir bebida alcoólica, por exemplo. Sempre procuramos trabalhar na responsabilização do agressor e não na culpabilização da vítima”, esclarece a profissional.

fechamento para retranca

Atendimento multidisciplinar oferece espaço protegido para as mulheres

Lidar com a saúde da mulher requer um trabalho multidisciplinar que garanta atendimento rápido, orientação, discrição e, tão importante quanto, afeto. José Paulo Guida mostra que o hospital oferece um espaço protegido para receber as pacientes.

“Fazemos a prevenção de HIV e das diversas infecções transmissíveis; prevenir gravidez e possíveis agravos também. A saúde mental é um ponto importante. E quanto mais rápido essa mulher chega, maior é a chance de a gente intervir rapidamente e evitar complicações”, afirma o médico.

Nos casos que envolvem violência, a atuação é feita com bastante cuidado e respeito à história de cada paciente. Até mesmo um momento de troca de experiências é incentivado. Muitas vezes, esse ambiente permite que situações internalizadas apareçam. “A gente tem buscado fazer algum tipo de interação de grupo, e essa troca entre as mulheres fortalece demais essa liberdade para falar”, afirma o médico. “Os residentes e alunos de graduação são treinados para perguntar ativamente. São mulheres que chegam com alguma lesão que pode ser a ponta do iceberg”, acrescenta Guida.

Boletim de Ocorrência

O registro de boletins de ocorrência é incentivado como uma forma de garantir direitos à paciente, mas isso não é obrigatório para nenhuma forma de atendimento. O prontuário é um meio de prova que pode ser utilizado após ordem judicial, e o Caism conta com toda uma cadeia de custódia para garantir a validade jurídica dos elementos colhidos nos atendimentos iniciais. “O laudo da agressão é uma prova muito consistente. Já houve casos em que agressores acabaram sendo condenados em função de material que foi coletado. Enfim, o registro do BO por aqui pode ser mais um canal de proteção”, opina o médico.

fechamento da retranca
fechamento da retranca

Distância e deslocamento são desafios para as mulheres mais vulneráveis

Guida aponta um desafio que o Caism tentará enfrentar de forma mais efetiva a partir de agora: a distância física do hospital em relação aos bairros mais carentes de Campinas e região.

A questão é fundamental porque é na periferia que está a maior parte dos registros – e consequente, maior subnotificação – dos casos de violência contra a mulher.

“A gente sabe que Campinas é uma cidade muito grande e que, talvez, as mulheres em maior vulnerabilidade estejam em locais mais distantes do distrito de Barão Geraldo, onde o Caism está localizado. A distância é um impeditivo para elas. Sair de um lugar tão distante é difícil. O ideal, realmente, é que as políticas sejam descentralizadas”, avalia Guida.

O médico afirma que representantes do Caism têm mantido conversas com diversas Prefeituras para que haja um atendimento inicial mais assertivo nas Unidades Básicas de Saúde. “A mulher que chega aqui no Caism é aquela que conseguiu superar uma barreira, que passou pelo estupro, pela violência sexual. Ela teve coragem de chegar até aqui. Não é uma decisão fácil. Talvez mulheres mais vulneráveis ainda não estejam chegando, e a gente precisa pensar de que forma podemos fazer isso. O caminho mais adequado seria conseguirmos treinar mais gente para atender mais locais. Estamos falando do estado de São Paulo inteiro”, afirma.

Por outro lado, Guida lembra que há mulheres que não têm coragem de ir a unidades perto da suas casas porque temem encontrar conhecidos do bairro que trabalhem ali, ou serem vistas por algum vizinho que faça comentários. “Por isso, temos essa missão de não colocar barreiras no atendimento”, comenta o médico, fortalecendo o compromisso assumido há 40 anos pelo Caism de ser um território livre e seguro no atendimento à mulher. 

fechamento da retranca
Fachada do Caism

Homens trans e mulheres lésbicas são alvos do chamado ‘estupro corretivo’

Homens trans têm procurado o Caism em busca de atendimento após serem vítimas de violência. De acordo com Guida, em alguns casos esses pacientes são vítimas do chamado “estupro corretivo”, ato criminoso cometido para tentar controlar o comportamento sexual ou social da vítima. Mulheres lésbicas também são alvo. O desafio do hospital é ser uma referência de empatia e segurança para todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou expressão de gênero. “A questão do estupro corretivo tem surgido tanto para homens trans quanto para mulheres lésbicas. É muito cruel”, lamenta o médico.

Outra preocupação do médico é com as mulheres transexuais, cuja presença no Caism é mais reduzida. “Recebemos poucas mulheres trans e sabemos que essa é uma população extremamente vulnerável. A expectativa de vida de uma mulher trans no Brasil é de 35 anos devido à violência. Essas mulheres não têm chegado aqui, e a gente não sabe onde elas são atendidas”, comenta o coordenador do Ambulatório.


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Lidar com a saúde da mulher requer um trabalho multidisciplinar que garanta atendimento rápido, orientação, discrição e, tão importante quanto, afeto
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Pioneira da análise do discurso no Brasil, Eni Orlandi recebe título de professora emérita da Unicamp

Base cultural, identidade e sensação de pertencimento. A língua une, constrói a realidade de um povo e se transforma com o passar do tempo. Ela é viva. Nesse campo, a linguista Eni de Lourdes Puccinelli Orlandi é reconhecida como uma das principais responsáveis pela consolidação da análise de discurso no Brasil. Nascida em 1942, na cidade de São Paulo, a pesquisadora construiu uma trajetória acadêmica marcada pelo pioneirismo e pela articulação entre linguagem, sociedade e ideologia. Em uma cerimônia realizada no auditório do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), na quarta-feira (15), ela foi homenageada com o título de professora emérita da Unicamp.

O reitor Paulo Cesar Montagner foi o responsável pela entrega do diploma à professora. Para ele, títulos eméritos, como o conferido à professora Orlandi, reforçam o papel da Unicamp na valorização de trajetórias acadêmicas que impulsionaram decisivamente o desenvolvimento científico e a formação do pensamento crítico no país. “É importante valorizar aqueles que contribuíram para a construção da história da instituição. Iniciativas como a concessão de títulos honoríficos representam não apenas uma homenagem individual, mas também o reconhecimento coletivo de trajetórias que fortaleceram a produção científica e intelectual. São pessoas que engrandecem o nome da universidade e que, neste momento, tornam-se verdadeiros embaixadores da Unicamp”, afirmou o reitor.

O reitor Paulo Cesar Montagner presidiu a cerimônia de entrega do título
O reitor Paulo Cesar Montagner presidiu a cerimônia de entrega do título

O coordenador-geral da Universidade, Fernando Coelho, também prestigiou a cerimônia. Ele destacou o caráter simbólico do título de emérito, que classificou como um dos mais altos níveis de reconhecimento acadêmico. “A honraria celebra não apenas a excelência na produção científica, mas também a capacidade de formar gerações de novos pesquisadores e consolidar campos de conhecimento”, disse.

Silêncio

Formada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara, em 1964, a professora Orlandi concluiu o mestrado e o doutorado em Linguística pela USP, com parte de sua formação realizada também na Universidade de Paris/Vincennes. Já percorrendo a carreira acadêmica, em 1979 ela se transferiu para a Unicamp, onde desenvolveu grande parte de sua produção intelectual.

Na Universidade, ela foi responsável por introduzir no país a análise de discurso de base materialista, inspirada nos trabalhos do filósofo francês Michel Pêcheux. Também fundou o Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb), consolidando um espaço interdisciplinar dedicado à investigação das relações entre linguagem e cidade. Mesmo após sua aposentadoria, em 2002, continuou atuando como professora colaboradora e pesquisadora.

Com uma produção extensa, que inclui 14 livros autorais, participação em 28 obras coletivas e 133 artigos em periódicos científicos, a pesquisadora também se destacou ao aprofundar o estudo do silêncio na linguagem. Em 1993, recebeu o Prêmio Jabuti na área de Ciências Humanas pelo livro As formas do silêncio, no qual define o silêncio como elemento constitutivo do discurso, fundamental para a produção de sentido. Para Orlandi, o silêncio não representa ausência, mas sim uma dimensão simbólica que permite a interpretação e a abertura do dizer.

Eni Orlandi com as madrinhas Cláudia Pfeiffer (à esquerda) e Mônica Zoppi (à direita)
Eni Orlandi com as madrinhas Cláudia Pfeiffer (à esquerda) e Mônica Zoppi (à direita)
Eni Orlandi com as madrinhas Cláudia Pfeiffer (à esquerda) e Mônica Zoppi (à direita)

Além da produção teórica, sua trajetória é marcada pela formação de um grande número de pesquisadores. Ela orientou dezenas de dissertações e teses, contribuindo para a expansão da análise de discurso no Brasil e na América Latina. Entre esses pesquisadores que contribuem para a multiplicação e consolidação do legado da mais nova professora emérita da Unicamp está Mônica Graciela Zoppi Fontana, diretora associada do IEL, uma das madrinhas de Orlandi no evento. “Cheguei ao Brasil para fazer minha pós-graduação; sou formada na Universidade de Buenos Aires, na Argentina, onde nasci. Desde o primeiro semestre eu fui aluna da professora Eni Orlandi. Depois, participei dos projetos de pesquisa e fui sua colega no departamento. É uma imensa honra e alegria estar nesse momento homenageando a professora que, para mim, é um exemplo e sempre será. Este reconhecimento institucional é muito importante pelo trabalho que ela tem feito e pela enorme formação de pesquisadores e pesquisadoras que estão atuando hoje em todo o Brasil graças ao seu trabalho”, disse Fontana.

Outra madrinha foi Cláudia Castellanos Pfeiffer, pesquisadora do Labeurb. “Estou muito emocionada neste momento de reconhecimento. Faço parte de um grupo enorme de pesquisadores formados por Eni Orlandi. É a valorização da trajetória de alguém que tem uma contribuição acadêmica em muitas dimensões”, ressaltou. 

Na Universidade, a professora emérita foi responsável por introduzir no país a análise de discurso de base materialista, inspirada nos trabalhos do filósofo francês Michel Pêcheux
Na Universidade, a professora emérita foi responsável por introduzir no país a análise de discurso de base materialista, inspirada nos trabalhos do filósofo francês Michel Pêcheux

Redes sociais

Pouco antes do início da cerimônia, onde fez seu discurso oficial de agradecimento, a pesquisadora comentou sobre as transformações contemporâneas no campo da linguagem, especialmente diante do impacto das redes sociais. Segundo ela, as mudanças são profundas e afetam diretamente as formas de significação e interação social. “A linguagem está em constante transformação, e isso altera o modo como as pessoas vivem e se relacionam”, explicou.

Para Orlandi, essas transformações não devem ser classificadas como positivas ou negativas, mas compreendidas como parte de processos históricos e sociais mais amplos. Nesse contexto, ela destacou o papel central das novas gerações na renovação da linguagem. “Os jovens são agentes fundamentais dessas mudanças, apropriando-se da linguagem de maneiras diferentes e impulsionando novas formas de expressão”, concluiu a mais nova embaixadora da Unicamp.

Presenças

Também estiveram presentes à cerimônia o professor Eduardo Roberto Junqueira Guimarães, marido de Eni Orlandi e coordenador do Labeurb, Petrilson Alan Pinheiro, diretor do IEL, o professor Lauro José Siqueira Baldini, padrinho da homenageada, Angela de Noronha Bignami, secretária-geral da Unicamp e o professor emérito Carlos Vogt, reitor entre 1990 e 1994, ex-diretor do IEL e atual coordenador do Laboratório em Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), além de diversos outros integrantes da comunidade acadêmica e alunos que tiveram suas carreiras e vidas impactadas pelo trabalho de Eni Orlandi.

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A cerimônia contou com integrantes da comunidade acadêmica e alunos que tiveram suas carreiras e vidas impactadas pelo trabalho de Eni Orlandi
A cerimônia contou com integrantes da comunidade acadêmica e alunos que tiveram suas carreiras e vidas impactadas pelo trabalho de Eni Orlandi

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Pesquisa da Unicamp dá origem a memorial nacional sobre a pandemia

A partir de uma pesquisa que nasceu na Unicamp, os anos da pandemia, que tanto alteraram a vida coletiva e deixaram marcas profundas na história recente, foram preservados na plataforma Memorial Digital da Pandemia de Covid-19, lançado neste 7 de abril, Dia Mundial da Saúde. O portal reúne, organiza e disponibiliza registros científicos, institucionais, culturais e sociais produzidos ao longo da crise sanitária no Brasil. Mais do que um site de consulta, o projeto consolida uma política pública de memória.

A trajetória que desemboca no lançamento do memorial começou ainda nos primeiros meses de 2020, quando a pandemia impôs uma experiência inédita de perdas, isolamento, cuidado coletivo e reorganização da vida cotidiana. No Centro de Humanidades Digitais (CHD) da Unicamp, uma pergunta passou a orientar a pesquisa coordenada pelo professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e atual coordenador do Arquivo Público do Estado de São Paulo, Thiago Nicodemo: como preservar as fontes que, no futuro, permitiriam contar a história da pandemia?

O professor Thiago Nicodemo: ideia começou como investigação acadêmica
O professor Thiago Nicodemo: ideia começou como investigação acadêmica

“O projeto nasceu na Unicamp, literalmente em um fundo de garagem”, lembra Nicodemo. Uma ideia que começou como investigação acadêmica mobilizou estudantes e pesquisadores da Universidade e, seis anos depois, se transformou em uma infraestrutura pública de preservação digital. “Percebemos que, no meio das catástrofes, grupos sociais se articulam para produzir e armazenar memórias sobre sua identidade.”

Desde 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o estado de pandemia, milhões de pessoas em todo o mundo passaram a registrar suas experiências diante de um acontecimento tão incerto quanto traumático. No Brasil, esse movimento também se fez presente: a população documentou o cotidiano do isolamento, as perdas, as formas de cuidado, a mobilização coletiva e as desigualdades aprofundadas pela crise sanitária.

Foi a partir dessa realidade que o CHD passou a mapear as múltiplas formas de registro. “Eu percebi que havia um grande fenômeno da memória no mundo contemporâneo”, destaca Nicodemo. Dessa reflexão surgiu o Coronarquivo, projeto desenvolvido pelo CHD como um “arquivo de arquivos” dedicado a mapear iniciativas de memória da pandemia em todo o país.

Ao longo da pesquisa, foram identificadas mais de 120 iniciativas, envolvendo universidades, museus, escolas, coletivos, movimentos sociais, comunidades indígenas, associações de moradores e organizações da sociedade civil. O trabalho revelou um fenômeno significativo: grande parte das memórias da pandemia estava sendo produzida fora dos arquivos públicos tradicionais. Fotos, vídeos, relatos, mensagens, postagens em redes sociais e documentos diversos passaram a ser organizados por grupos comunitários, pesquisadores e cidadãos comuns, frequentemente de forma voluntária e criativa.

“O potencial disso é infinito, porque nos permite criar soluções de memória que deem conta da escala e da diversidade do mundo digital”, afirma Nicodemo. Segundo ele, o projeto articula uma dimensão clássica das humanidades com a experimentação tecnológica e a resolução de problemas sociais concretos. “É ciência, porque resolve um problema real, existente na sociedade.”

Preservar essas memórias é também uma forma de enfrentar a cultura brasileira do esquecimento
Preservar essas memórias é também uma forma de enfrentar a cultura brasileira do esquecimento
Preservar essas memórias é também uma forma de enfrentar a cultura brasileira do esquecimento

Solução de memória

Mais do que um repositório de documentos, o memorial oferece acesso gratuito a depoimentos, entrevistas, produções artísticas, fotografias, mapas, registros sonoros e filmográficos, documentos normativos, publicações científicas e referências bibliográficas relacionadas à pandemia, além de permitir a incorporação contínua de novas coleções.

Essa abundância de registros, no entanto, também evidenciou um problema central: a fragilidade do ambiente digital. Computadores quebram, HDs deixam de funcionar, senhas são esquecidas, plataformas deixam de existir e formatos se tornam obsoletos.

“Sem infraestrutura adequada, uma parte significativa dessa memória corria o risco de desaparecer”, ressalta. “O projeto não é apenas um repositório. É uma solução de memória.”

O acervo contempla documentos formais e informais, individuais e coletivos, relacionados às diferentes experiências da Covid-19 no Brasil. Estão presentes registros produzidos por povos indígenas, comunidades periféricas, movimentos sociais e grupos historicamente marginalizados, tornando visíveis dimensões muitas vezes apagadas da crise sanitária, como desigualdade social, racismo, violência de gênero e violações de direitos.

Para Nicodemo, preservar essas memórias é também uma forma de enfrentar a cultura brasileira do esquecimento. “O Brasil tem uma tradição de não processar suas feridas”, afirma. “Foi assim com a ditadura, foi assim com a escravidão, e há o risco de acontecer o mesmo com a pandemia. O memorial é parte do processo de reconhecimento e elaboração do que aconteceu.”

Segundo ele, embora exista um certo esgotamento social em relação ao tema, consequência dos anos em que a pandemia ocupou integralmente o cotidiano, o trabalho de memória continua sendo indispensável. “É um evento que matou 700 mil pessoas no país e não pode ser subestimado”, diz. “A memória é um trabalho terapêutico para quem foi diretamente envolvido, mas também é uma responsabilidade coletiva.”

Desde 2021, a equipe do CHD também vem realizando entrevistas de história oral com responsáveis por arquivos digitais sobre a Covid-19 no Brasil e outros países da América Latina, ampliando o escopo da pesquisa e consolidando uma rede internacional de preservação.

Os resultados desse percurso foram sistematizados em diversos artigos acadêmicos e no livro Por uma história da Covid-19: iniciativas de memória da pandemia no Brasil, organizado por Ian Kisil Marino, pesquisador do projeto, e por Nicodemo, publicado em 2023.

Em 2024, Marino defendeu, no IFCH, a tese “Arquivando a pandemia: transformação digital e luta pela memória na América Latina”, para a obtenção do título de doutor em História, na área de Dinâmicas e Linguagens Políticas. No mesmo ano, Nicodemo defendeu a tese de livre-docência “Arquivo Digital: história e memória diante dos desafios do século XXI”, também no IFCH.

O projeto não é apenas um repositório. É uma solução de memória
O projeto não é apenas um repositório. É uma solução de memória

Dimensão institucional

A partir de 2024, a iniciativa ganhou dimensão institucional. Em março daquele ano, o Ministério da Saúde realizou, em Brasília, o Seminário Memorial da Pandemia de Covid-19, marco importante para a formalização do projeto.

O encontro resultou na assinatura de um memorando de entendimento entre os ministérios da Saúde e da Cultura, consolidando a criação do memorial no Centro Cultural do Ministério da Saúde.  A iniciativa do CHD contou ainda com a parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Entre 2024 e 2025, o diálogo entre as instituições levou à construção do modelo. Para o professor, a experiência também projeta novos caminhos para a Universidade. “Tecnologia não é algo fora das humanidades. Ela precisa estar dentro desse campo, de forma crítica e experimental”, afirma. “Isso tensiona o papel da Universidade para o futuro.”

O modelo já desperta interesse para outras aplicações, como a preservação de memórias relacionadas a guerras, mudanças climáticas e saberes tradicionais de comunidades indígenas em diferentes países. “É uma área híbrida de conhecimentos que a sociedade demanda cada vez mais”, afirma. “A Universidade precisa formar gente nesses saberes híbridos.”

Além do ambiente digital, o projeto prevê ações de difusão, como exposições itinerantes em diferentes capitais e uma mostra permanente no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro.

No site, já está disponível uma mostra fotográfica com imagens em preto e branco produzidas pelo fotojornalista e historiador Carlos Erbs Jr., que ilustram essa reportagem. O fotógrafo acompanhou a crise sanitária desde os primeiros momentos e percorreu as ruas do Rio de Janeiro para registrar os efeitos das medidas de isolamento social, as ações de órgãos públicos, iniciativas da sociedade civil, os gestos de solidariedade e a tensão vivida pelos profissionais da linha de frente. As fotos integram o livro Vidas importam – Memória visual da pandemia COVID-19 no Rio de Janeiro (Editora iVentura, 2021).

O acervo contempla documentos formais e informais, individuais e coletivos, relacionados às diferentes experiências da Covid-19 no Brasil
O acervo contempla documentos formais e informais, individuais e coletivos, relacionados às diferentes experiências da Covid-19 no Brasil
O acervo contempla documentos formais e informais, individuais e coletivos, relacionados às diferentes experiências da Covid-19 no Brasil

Serviço:
Lançamento do Memorial Digital da Pandemia de Covid-19
Data: 7 de abril de 2026
Horário: 16h30
Local: Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS)
Praça Marechal Âncora, 95 – Centro, Rio de Janeiro (RJ)

Conheça o site.

Foto de capa:

O memorial oferece acesso gratuito a depoimentos, entrevistas, produções artísticas, fotografias, mapas, registros sonoros e filmográficos, documentos normativos, publicações científicas e referências bibliográficas relacionadas à pandemia
O memorial oferece acesso gratuito a depoimentos, entrevistas, produções artísticas, fotografias, mapas, registros sonoros e filmográficos, documentos normativos, publicações científicas e referências bibliográficas relacionadas à pandemia


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Consu aprova título de Professor Emérito ‘Post Mortem’ a Lauro Kubota e a Oswaldo Luiz Alves

Órgão máximo de deliberação da Unicamp, o Conselho Universitário (Consu) aprovou, nesta terça-feira (31), a concessão do título de Professor Emérito “Post Mortem” a dois professores do Instituto de Química (IQ). O Departamento de Química Orgânica indicou Oswaldo Luiz Alves, e o Departamento de Química Analítica, Lauro Tatsuo Kubota.

O professor Lauro Kubota nasceu em 20 de junho de 1964 em Goioerê, no estado do Paraná. Ele foi referência no Brasil na área de Química Analítica, especialmente em Eletroquímica, Biossensores, Dispositivos de Análise e Materiais Avançados para Sensoriamento. Suas linhas de pesquisa alinhavam inovação (novos materiais, plataformas de baixo custo, dispositivos portáteis) com aplicações relevantes. Sua produção científica alcançou alta visibilidade, tendo recebido mais de 24 mil citações (índice h = 85) no Google Scholar. Em 2025, integrou a lista dos 106 cientistas mais influentes do mundo.

Concluiu a graduação em Química na Universidade Estadual de Londrina-PR em 1986. Em 1993, obteve o doutorado em Química pela Unicamp. Após estágio de pós-doutorado na Lund University, na Suécia, e um período como docente na Faculdade de Ciências da Unesp-Bauru, ingressou na Unicamp em 1994 como professor assistente.

“Sua preocupação com a democratização do acesso à tecnologia, por exemplo, com plataformas em papel ou dispositivos portáteis de baixo custo para análise, engajou suas equipes em projetos com grande alcance social. Esse fator coloca em clara evidência a atuação de um professor que não apenas produziu ciência de qualidade, mas também contribuiu para formar pessoas e impactar o meio social”, diz o relatório elaborado pela comissão especial constituída para analisar a proposta de entrega da honraria e que contou com os professores Fernando Galembeck, José Geromel e Mário Saad. Kubota faleceu no dia 4 de outubro de 2024, aos 60 anos de idade.

O professor Oswaldo Luiz Alves
O professor Oswaldo Luiz Alves
O químico Lauro Tatsuo Kubota
O químico Lauro Tatsuo Kubota

Trajetória marcada pela inovação

Primeiro estudante negro do curso de Química da Unicamp, Oswaldo Luiz Alves construiu uma trajetória marcada pela inovação.

Sua atuação em inovação tecnológica resultou no depósito de 31 patentes, uma delas licenciada para a indústria. Destaca-se aqui o fato de que sua primeira patente foi depositada junto ao INPI em 1991, antes do início do movimento de inovação tecnológica na academia e da constituição, pela Unicamp, de sua Agência de Inovação, ocorrida em 2003.

Devido às suas conquistas nessa área, Oswaldo recebeu várias vezes da INOVA o Prêmio “Inventores Unicamp” – em 2009, 2011, 2017, 2018, 2020 e 2021, sendo o de 2011 na categoria “Tecnologia Absorvida pelo Mercado”.

“A Unicamp teve o privilégio de contar, por várias décadas, com um educador e cientista da grandeza de Oswaldo Luiz Alves, pesquisador exemplar que deixou sua marca na ciência brasileira e mundial e cuja carreira se notabilizou não somente por grandes conquistas científicas, mas também por sua personalidade generosa e afetuosa, sempre pronta a acolher e inspirar as gerações mais jovens”, diz o relatório da comissão especial, formada pelos professores Álvaro Crósta, Christiano Lyra Filho e Everardo Magalhães Carneiro.

“Acima de tudo, Oswaldo Luiz Alves foi um ser humano digno e ético que valorizou a importância da ciência, da cultura e das artes – grande apreciador da música que era, em especial do jazz – na formação das pessoas, além de se dedicar à inclusão acadêmica e social de pessoas oriundas de realidades historicamente excludentes”, continua o relatório.

Oswaldo Luiz Alves morreu em julho de 2021 em consequência de problemas cardíacos.

Foto de capa:

Sessão ordinária do Conselho Universitário realizada nesta terça-feira (31) aprovou os títulos de professores eméritos 'post-mortem'
Sessão ordinária do Conselho Universitário realizada nesta terça-feira (31) aprovou os títulos de professores eméritos ‘post-mortem’

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Unicamp tem nove cursos em ranking dos melhores do mundo

Nove cursos oferecidos pela Unicamp estão na lista dos 100 melhores do mundo em suas respectivas áreas, segundo o ranking da consultoria britânica Quacquarelli Symonds (QS) divulgado nesta quinta-feira (26). Três desses cursos aparecem entre os 50 melhores das suas especialidades: Odontologia (26º lugar), Engenharia de Petróleo (38º) e Antropologia (42º) (veja a lista completa no quadro abaixo).

O pró-reitor de Desenvolvimento Universitário, Fernando Sarti: liderança no cenário brasileiro e destaque no âmbito internacional
O pró-reitor de Desenvolvimento Universitário, Fernando Sarti: liderança no cenário brasileiro e destaque no âmbito internacional

O ranking da QS identifica as melhores universidades do mundo em áreas específicas de estudo e avalia o desempenho das universidades em cinco grandes áreas do conhecimento: Artes e Humanidades, Engenharia e Tecnologia, Ciências da Vida e Medicina, Ciências Naturais, e Ciências Sociais e Administração. Essas áreas são subdivididas em 55 disciplinas.

“A Unicamp possui nove disciplinas no ranking das 100 melhores do mundo, o que revela sua posição de liderança no cenário brasileiro e de destaque no cenário internacional”, disse o pró-reitor de Desenvolvimento Universitário, Fernando Sarti.

Os resultados gerais da Unicamp mostram que a área de Engenharia e Tecnologia mantém a melhor classificação (112ª posição) e a maior pontuação (73,9, de um máximo de 100) dentro da universidade, considerando a média ponderada de todos os indicadores avaliados. A Engenharia de Petróleo é um dos destaques da área, na 38ª posição entre os 100 melhores cursos mundiais dessa área, enquanto Engenharia Química aparece na 79ª colocação.

Entre as cinco grandes áreas abrangidas no ranking, Ciências Naturais também se destaca, com nota 73,5, em 156º lugar no seu ranking (veja dados gerais no quadro abaixo).

O curso de Antropologia oferecido pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas aparece em 42º da lista do ranking QS
O curso de Antropologia oferecido pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas aparece em 42º da lista do ranking QS

Em outras áreas a Universidade registrou avanços. Línguas Modernas (que agrupa cursos de idiomas e literaturas, dentro da área de Artes e Humanidades) saltou da 90ª posição no ranking de 2025 para a 75ª nesta edição.

Na área de Ciências Sociais, Antropologia deu um salto significativo, saindo da faixa dos 51-100 melhores colocados em 2025 para a 42ª posição mundial em 2026. Em Ciências Naturais houve uma melhora expressiva em Matemática (da 122ª para a 88ª posição), Física e Astronomia (ambas agora na 126ª posição).

Metodologia

Os rankings são calculados com base em cinco indicadores principais, cujos pesos variam conforme a disciplina: reputação acadêmica, reputação entre empregadores, citações por artigo, impacto da pesquisa e rede internacional de pesquisa.

O peso de cada indicador utilizado varia de acordo com a área e a disciplina avaliada.

Para esta edição, a QS analisou a reputação e a produção científica de 6.277 instituições em todo o mundo, 1.074 a mais do que no ranking de 2025, confirmando a crescente importância dada a classificações desse tipo.

O assessor docente da PRDU, Renato Garcia: crescimento do número de universidades participantes
O assessor docente da PRDU, Renato Garcia: crescimento do número de universidades participantes

A avaliação partiu de informações de 16,4 milhões de artigos acadêmicos (base Scopus), e nas avaliações de 151 mil acadêmicos e aproximadamente 100 mil empregadores de todo o mundo.

“Um dos grandes destaques desta classificação é que a Unicamp permanece nas posições de liderança entre as 200 melhores universidades do mundo em todas as grandes áreas do conhecimento, mesmo com o crescimento do número de universidades participando deste ranking”, disse o assessor docente da Pró-Reitoria de Desenvolvimento Universitário (PRDU), Renato Garcia.

Quadro 1 (Fonte QS):

Cursos/áreas da unicamp no top 100 mundial

Quadro 2:

Quadro com resultados gerais da Unicamp

Foto de capa:

O curso de Odontologia aparece entre os 50 melhores das suas especialidades; classificação em 26º lugar
O curso de Odontologia aparece entre os 50 melhores das suas especialidades; classificação em 26º lugar

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Ministra das Mulheres reforça importância da educação no enfrentamento à violência de gênero

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta sexta-feira (20), na Casa Laudelina de Campos Melo, na Vila Padre Anchieta, em Campinas, do lançamento da cartilha “Maternagem e o Mundo do Trabalho: conheça seus direitos”, produzida pela Associação de Docentes da Unicamp (Adunicamp) em parceria com a LBS Advogadas e Advogados. A publicação reúne informações sobre direitos trabalhistas e políticas de proteção social para “pessoas que gestam, maternam e exercem o cuidado”.

Lopes ressaltou o caráter inclusivo da cartilha, resultado de um processo coletivo que envolveu docentes, pesquisadoras, diversos coletivos da Universidade e profissionais do Direito. “A publicação está muito completa, porque se dirige a todas as mulheres: idosas, com deficiência, quilombolas, indígenas, trans. É um material muito bem elaborado, com linguagem simples e acessível. Queremos que o Brasil conheça essa cartilha e que ela chegue às escolas, para que desde cedo se compreenda a relação entre maternagem, trabalho e prevenção da violência”, afirmou.

A ministra das Mulheres Márcia Lopes: "Queremos que o Brasil conheça essa cartilha e que ela chegue às escolas"
A ministra das Mulheres Márcia Lopes: “Queremos que o Brasil conheça essa cartilha e que ela chegue às escolas”

A ministra, que é professora aposentada da Universidade Estadual de Londrina (UEL), reforçou que o enfrentamento à violência contra a mulher exige ações integradas, mas tem na educação seu eixo estruturante. “Nós precisamos investir na prevenção. E a prevenção começa na formação, na escola, na universidade”, afirmou. “Precisamos investir na formação para romper ciclos históricos de machismo e misoginia.”

Para Lopes, “a violência não nasce do nada. A maternagem, como está na cartilha, não é algo isolado, é um processo político, histórico e social. Se conseguirmos levar esse conteúdo para as escolas, para as comunidades, para os espaços de formação, vamos transformar essa realidade”.

A ministra ressaltou o papel da universidade pública na construção e difusão de políticas voltadas aos direitos das mulheres. “As instituições de ensino superior têm responsabilidade direta nesse processo, a partir da integração entre ensino, pesquisa e extensão. No ensino, os currículos precisam incorporar o tema dos direitos das mulheres e da violência de gênero. Na pesquisa, a universidade tem potencial para produzir conhecimento que responda às realidades locais. E, na extensão, ela precisa estar inserida na vida da comunidade.”

O Ministério das Mulheres tem intensificado suas mobilizações e, no próximo dia 25, promoverá um encontro nacional entre universidades e institutos federais com o objetivo de implementar políticas de prevenção e acolhimento para estudantes e servidoras. A proposta inclui medidas como núcleos de apoio, ampliação de direitos e inserção dos temas de gênero nos currículos acadêmicos. “Se, daqui a alguns anos tivermos profissionais de todas as áreas formados com outra visão, certamente essa realidade de banalização da violência vai se modificar”, afirmou.

Lançamento da cartilha ocorreu nesta sexta-feira (20), na Casa Laudelina de Campos Melo, na Vila Padre Anchieta
Lançamento da cartilha ocorreu nesta sexta-feira (20), na Casa Laudelina de Campos Melo, na Vila Padre Anchieta
Lançamento da cartilha ocorreu nesta sexta-feira (20), na Casa Laudelina de Campos Melo, na Vila Padre Anchieta

Lançamento da cartilha ocorreu nesta sexta-feira (20), na Casa Laudelina de Campos Melo, na Vila Padre Anchieta

Inclusão e compromisso social

A professora Silvia Gatti, presidente da Adunicamp e uma das organizadoras da cartilha, destacou o caráter coletivo e o compromisso social da iniciativa. “A maternagem amplia o entendimento do que é ser mãe. Há mulheres que não tiveram filhos, mas exercem o cuidado. Essa cartilha nasce desse olhar mais abrangente”, afirmou.

Para ela, o principal desafio agora é garantir a circulação do material, que também está disponível online. “Não queremos uma cartilha na prateleira. Queremos que ela chegue às periferias, às mulheres que muitas vezes não têm acesso à internet. Vamos promover encontros ao longo do ano para discutir esses direitos.”

A professora Silvia Gatti
A professora Silvia Gatti
A professora Maria José Mesquita
A professora Maria José Mesquita
A advogada Luciana Barreto
A advogada Luciana Barreto

A tiragem inicial contou com apoio do Ministério das Mulheres, sindicatos e da própria Unicamp, com previsão de ampliação. “É uma construção em andamento. Quanto mais diversidade incorporarmos, mais completa ela será”, disse.

A professora Maria José Mesquita, do Instituto de Geociências (IG), também uma das organizadoras da cartilha, explicou que o projeto nasceu de uma parceria entre a Unicamp e a LBS Advogadas e Advogados. “Começamos com reuniões abertas e fomos ampliando o grupo. Discutimos desde o nome — optamos por ‘maternagem’ por ser mais amplo — até incluir diferentes experiências: mulheres indígenas, mães de crianças trans, maternidade no cárcere, população em situação de rua”, relatou.

Segundo ela, os encontros também deram espaço para relatos de violência, incorporados de forma anônima na publicação. “Foi uma construção muito rica, que reflete a complexidade dessas experiências.”

A estudante de Ciências Sociais Luara Souza
A estudante de Ciências Sociais Luara Souza

Uma das autoras, a advogada Luciana Barreto, explicou que a proposta inicial era produzir um material sobre direitos trabalhistas, mas o projeto foi ampliado ao longo do processo. “A CLT é muito pouco diante das necessidades das pessoas que gestam. A cartilha aborda também violência obstétrica, trabalho informal, mulheres trans e mulheres em situação de rua, entre outras realidades”, afirmou. Segundo ela, o objetivo é garantir que a informação chegue a quem precisa. “Um direito escrito não significa que ele é cumprido. Por isso, a cartilha precisa estar na mão das mulheres.”

As ilustrações da cartilha foram desenvolvidas pela estudante Luara Souza, do curso de Ciências Sociais e ativista do Núcleo de Consciência Trans da Unicamp, que definiu o processo como uma experiência coletiva. “Foi um momento de troca muito sensível. A partir dos relatos e das conversas, consegui traduzir em imagens o que é a maternagem como prática social”, explicou.

Ao todo, são dez ilustrações, além da capa, inspirada na ideia de que o cuidado é uma responsabilidade compartilhada. “A maternagem não pode ser solitária. É uma prática que envolve toda a sociedade.”

Acesse a versão online da cartilha “Maternagem e o Mundo do Trabalho: conheça seus direitos

O simbolismo da Casa Laudelina de Campos Melo

A escolha da Casa Laudelina de Campos Melo como local do lançamento da cartilha foi simbólica para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes. “Estar aqui é uma emoção, pelo que representou essa mulher aguerrida e pelo que representa esse grupo de mulheres resistentes, que ocupam esse espaço com legitimidade”, disse.

Laudelina de Campos Melo (1904-1991), natural de Poços de Caldas (MG), foi uma pioneira líder sindical e ativista negra. Ao se mudar para Campinas, nos anos 1950, criou a primeira escola de balé e piano voltada a crianças negras e também o concurso Pérola Negra, primeiro baile de gala nacional onde mulheres negras eram as protagonistas. Na década de 1980, com a promulgação da atual Constituição, criou em Campinas o primeiro sindicato das empregadas domésticas do Brasil.

Da esquerda para a direita, a secretária municipal de Políticas para as Mulheres de Campinas, a direigente da Casa Laudelina de Campos Melo, Cleusa Silva e a ministra Márcia Lopes
Da esquerda para a direita, a secretária municipal de Políticas para as Mulheres de Campinas, a dirigente da Casa Laudelina de Campos Melo, Cleusa Silva e a ministra Márcia Lopes

Cleusa Silva, dirigente da Casa Laudelina de Campos Melo, que está sendo reestruturada em um imóvel público no Conjunto Habitacional Padre Anchieta, destacou que a presença da ministra também simboliza um processo histórico. “Assumimos o compromisso de não deixar essa história desaparecer. Este espaço será um centro de memória, formação e fortalecimento das mulheres”, comentou.

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres de Campinas, Alessandra Herrmann, também apontou a importância do evento. “É um espaço que já foi muito potente e que precisa ser reativado. A presença do Governo Federal, do município e da sociedade civil é fundamental para isso.”

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Documentário ‘Nãsêpôtiti, rio, terra e luta Panará’ inicia nova temporada de exibições

O mês de março de 2026 dá continuidade à temporada de exibições do documentário Nãsêpôtiti, rio, terra e luta Panará, produzido pela Associação Iakiô e pela Secretaria Executiva de Comunicação (SEC) da Unicamp. No dia 25, às 14h, o clube Geo Leitura, do Instituto de Geociências (IG), apresentará o documentário e fará, em seguida, uma roda de conversa com os realizadores da SEC, com a perspectiva de que membros da Associação Iakiô participem de modo remoto. Um dia depois, a exibição será feita no Museu da Cidade (Parque Taquaral), retomando a programação cancelada em 2025 por problemas estruturais, provocados por uma forte chuva. Dia 7 de abril, às 14h30, o documentário também será apresentado na Casa do Lago, integrando a mostra audiovisual Entre Territórios: memória, presença e resistência, que será realizada nos dias 6 e 7 de abril, dentro da programação de cinema da Diretoria de Cultura (DCult) da Unicamp.

Em dezembro de 2025, o documentário também foi lançado na aldeia Panará Nãsêpôtiti, em Altamira, no Pará, onde foi apresentado pela professora Cassiana Montagner, coordenadora do Laboratório de Química Ambiental do Instituto de Química (IQ). Montagner lidera a pesquisa interdisciplinar sobre a contaminação das águas do rio Iriri, afluente do rio Xingu, que banha o território Panará. Em 2023, foi convidada pela Associação Iakiô a integrar a pesquisa iniciada pela geógrafa e doutoranda do IG Zaira Moutinho, que exigia a análise química da água do rio Iriri. Moutinho estuda os impactos do avanço dos grandes conglomerados agrícolas nos recursos hídricos, monitorando o uso e ocupação do solo e as consequências da aplicação de agrotóxicos nas propriedades cada vez mais próximas da terra indígena. As mortandades de peixes no rio Iriri têm sido associadas à contaminação das águas, supostamente provocada pelo manejo inadequado desses produtos.

A pesquisa, até 2025 cofinanciada pela ONG Conservação Internacional-Brasil, sofreu um forte golpe em dezembro passado, quando foi anunciado o fim do repasse de recursos por parte de uma das empresas patrocinadoras, a HP. Este e outros projetos de pesquisa abrangendo a fauna e a flora do território indígena Panará, realizados por pesquisadores  da Universidade Federal do Pará (UFPA), precisaram ser interrompidos, afetando, inclusive, o pagamento de bolsas para os jovens Panará que faziam a observação e a coleta de dados na floresta.

A exibição do documentário na Unicamp e fora dela é agora um importante instrumento para fazer ecoar a história do povo Panará, permeada desde sempre pelas ameaças e pelos desafios perpetrados pelos não indígenas, seja por meio do garimpo, da agricultura ou da pecuária. Além disso, persiste a necessidade de aprofundar a pesquisa no rio Iriri, para identificar as causas dos vários episódios de mortandade de peixes e demais problemas que a aproximação com as grandes fazendas do agronegócio impõe.  

O documentário Nãsêpôtiti, rio, terra e luta Panará é resultado de um pedido do líder Akã Panará para que as ameaças ao território indígena e sua cultura chegassem ao maior número possível de pessoas, principalmente às autoridades governamentais. A narrativa é  dividida em 8 capítulos e apresenta, por meio dos depoimentos de anciãos e anciãs, as transformações sofridas pelo rio Iriri e as consequências para a cultura e a vida nas aldeias. O documentário tem ainda a participação das pesquisadoras da Unicamp, de ex-membros da Associação Iakiô e de um dos diretores do Instituto Socioambiental.  

Nãsêpôtiti, rio, terra e luta Panará

Dia 25/03 (quarta-feira), às 14 horas – Auditório Milton Santos – Instituto de Geociências (IG) da Unicamp.
Dia 26/03 (quinta-feira), às 19 horas – Museu da Cidade – Av. Dr. Heitor Penteado, 2.145, Parque Taquaral, Campinas.
Dia 07/04 (terça-feira), às 14h30 – Casa do Lago – Unicamp – Mostra audiovisual Entre Territórios: memória, presença e resistência.


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Agricultura orgânica é resposta para insegurança alimentar e mudanças climáticas, aponta ministra Marina Silva

A agricultura orgânica é a resposta brasileira para minimizar dois dos maiores desafios enfrentados pelo mundo nas últimas décadas: a insegurança alimentar e as mudanças climáticas. Essa é a percepção de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, que participou da abertura do 1º Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, organizado pelo Instituto Brasil Orgânico (IBO) com apoio da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), da Unicamp. O evento acontece até quinta-feira (19) no Centro de Convenções da Universidade.

“A agroecologia e a cultura orgânica são promotores de processos regenerativos da Terra; de preservação da biodiversidade. Ao mesmo tempo, são altamente necessários ao combate à desigualdade”, afirmou a ministra. “Nosso maior ativo é o clima equilibrado. Sem isso, o que eu vou fazer com a tecnologia e com essa quantidade de terra? Isso só se resolve com o enfrentamento da mudança do clima, e vocês, produtores orgânicos, também são uma solução. Os produtos que vêm da agricultura orgânica são mais resilientes aos processos de mudança do clima”, reforçou ela.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima destacou a importância da agricultura orgânica para minimizar os desafios da insegurança alimentar e as mudanças climáticas
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima destacou a importância da agricultura orgânica para minimizar os desafios da insegurança alimentar e as mudanças climáticas
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima destacou a importância da agricultura orgânica para minimizar os desafios da insegurança alimentar e as mudanças climáticas

A ministra também apontou que incentivar políticas de financiamento, assistência técnica e suporte podem resultar em uma maior produção e, consequentemente, em alimentos chegando à mesa com preços mais acessíveis. “É muito importante que haja políticas públicas, de assistência técnica e crédito acessível para que essa produção chegue à mesa das pessoas por um preço cada vez menor. Quando você tem o suporte para alavancar essas atividades, o desdobramento é reduzir os custos. Mesmo assim, hoje já é bastante acessível. Existe, às vezes, uma tentativa de dizer que a agricultura orgânica é só de elite, mas não. É possível diminuir os custos dessa produção e ampliar o acesso”, disse.

Em sua fala de abertura, a ministra lembrou que, nesta semana, o governo federal lançou o Plano Nacional sobre Mudanças do Clima, que contará com um orçamento de R$ 27,5 bilhões. Ela ainda mencionou o Plano Nacional de Transformação Ecológica, de 2023, iniciativa do Ministério da Fazenda em parceria com outras pastas. “As mudanças climáticas precisam ser protagonistas na questão eleitoral este ano. No Brasil, onde temos seca na Amazônia e chuva demais no Rio Grande do Sul, cada vez mais os sistemas alimentares podem ser comprometidos, a segurança energética também. A população tem que ficar muito atenta a quem vai debater o tema da mudança climática com o compromisso de fazer o enfrentamento”, comentou. “As mudanças climáticas são um problema em todos os níveis, tanto para a segurança alimentar quanto para a questão energética, além de trazer riscos às nossas próprias vidas. No Brasil, com 8 milhões de quilômetros quadrados, tem lugar para todo mundo, desde que seja algo sustentável. O que não podemos é continuar comprometendo as condições em que a vida nos foi dada”, completou a ministra.

O 1º Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, organizado pelo Instituto Brasil Orgânico (IBO) com apoio da Feagri
O 1º Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, organizado pelo Instituto Brasil Orgânico (IBO) com apoio da Feagri
O 1º Congresso Técnico-Científico de Agricultura Orgânica, organizado pelo Instituto Brasil Orgânico (IBO) com apoio da Feagri acontece até dia 19

O papel da Ciência

Ao final, Marina Silva ressaltou o papel da Ciência e da pesquisa como parceiras na busca por políticas públicas que protejam de fato a população. “Cada vez mais, vamos precisar fazer políticas públicas a partir de dados e evidências. Tanto aqueles que são aportados pela academia, que vêm da pesquisa básica e aplicada, quanto aqueles que vêm da observação das pessoas, sejam agricultores familiares, populações tradicionais, pescadores e coletores, como temos em várias regiões do Brasil. Sem conhecimento é impossível, nestes tempos tão incertos e com tantos desafios, diminuir recursos e esforços para alcançar os melhores resultados. No Ministério, nós sempre fizemos política pública com base em dados e evidências. Seja em relação a desmatamentos, enfrentamento à desertificação ou resíduos sólidos, todas as nossas políticas têm um lastro técnico-científico de diferentes setores”, afirmou.

Política de Sustentabilidade

O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, também esteve presente representando o reitor Paulo Cesar Montagner. Segundo ele, o evento acontece em um momento muito importante para a Universidade. “Estamos implementando a nossa política de sustentabilidade agora. Pensar em agricultura orgânica é discutir uma perspectiva de futuro, e esse é o papel da universidade pública: conversar com a sociedade”, comentou.

Roberto Donato, diretor executivo de Sustentabilidade da Unicamp, também enalteceu essa troca de ideias. “Temos aqui uma oportunidade de fazer uma discussão séria sobre um tema sensível para a sociedade brasileira, que é a produção de alimentos com qualidade, saúde e de forma ambientalmente correta”, apontou.

O ator Marcos Palmeira: laços entre produtores
O ator Marcos Palmeira: laços entre produtores

Produtor orgânico

O congresso ainda recebeu o ator Marcos Palmeira, também produtor orgânico destacado. “Meu interesse de estar aqui é criar laços entre os produtores. Um evento como este mostra a nossa dimensão, estimula a chegada de mais interessados”, disse. “Aqui, a gente fala sobre alimentar o mundo realmente. É importante que todos os envolvidos com o agro no Brasil venham procurar pesquisas que minimizem o uso de insumos químicos em sua produção. Espero que isso se popularize, com mais produtores e consumidores; que esta sala fique pequena no ano que vem. Temos um orgulho enorme das universidades públicas”, completou.

Economia verde 

O  “Congresso Técnico Científico de Agricultura Orgânica” tem como meta reunir, debater e disseminar trabalhos científicos e técnicos desenvolvidos por instituições de referência como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), universidades, institutos estaduais de pesquisa e profissionais do setor. O evento surge como uma iniciativa para ampliar a visibilidade e o protagonismo do setor na agenda da economia verde.

Foto de capa:

Durante a abertura do evento, a ministra Marina Silva recebeu vários presentes do público presente
Durante a abertura do evento, a ministra Marina Silva recebeu vários presentes do público presente

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Cientistas discutem novas técnicas para enfrentar o câncer

Cientistas brasileiros e estrangeiros de diversas áreas se reúnem nesta semana na Unicamp para discutir novas técnicas e abordagens contra o câncer, uma doença que deve registrar 781 mil novos casos por ano no Brasil até 2028, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (INC) no início de fevereiro.

O 3º Congresso CancerThera acontece nesta quinta e sexta (dias 12 e 13) no auditório da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), com a participação de especialistas em áreas como medicina, química e física, entre outras. Neste ano, o tema do encontro é “Os desafios da pesquisa translacional no Teranóstico em câncer”. Teranóstico é a junção de conceitos de terapia e diagnóstico, e a ideia é debater formas de levar os avanços obtidos em pesquisa acadêmica até o paciente.. 

De acordo com hematologista Carmino de Souza, pesquisador responsável pelo  Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) CancerThera e presidente do Congresso, o encontro abre espaço para o debate sobre os mais recentes avanços no desenvolvimento de radiofármacos e metalofármacos (medicamentos de precisão nos quais as propriedades físico-químicas de um metal são usadas para realizar tarefas moleculares). Além disso, o seminário vai discutir estratégias diagnósticas e terapêuticas inovadoras para os cuidados de pacientes oncológicos.

Neste ano, o tema do encontro é “Os desafios da pesquisa translacional no Teranóstico em câncer”
Neste ano, o tema do encontro é “Os desafios da pesquisa translacional no Teranóstico em câncer”

“A função do Congresso é dar oportunidade para que todos os envolvidos no Cepid possam ver as atividades de pesquisa que estão sendo desenvolvidas e os respectivos resultados. Alguns são preliminares, outros, mais definitivos”, disse Souza.

“Não estamos falando apenas de irradiação. No casos de câncer de pele, por exemplo, a gente praticamente não falou de irradiação no sentido nuclear. Nós falamos de fotodinâmica, falamos de novos fármacos, falamos de metais”, observa. A fotodinâmica é uma técnica medicinal que utiliza a interação entre luz e um fármaco sensível à luz para destruir células doentes de forma extremamente precisa.

“Quando você conhece o inimigo e sabe quantos são, onde estão e aonde vão, você escolhe as armas com as quais vai lutar”, afirma. “No câncer é a mesma coisa”, argumenta.

Carmino de Souza diz que o seminário também discutirá a chamada “medicina personalizada”, na qual o tratamento é individualizado com base em características próprias de cada organismo.

Cepid CancerThera

Instalado na Unicamp em maio de 2023, o Centro de Inovação em Câncer com Ênfase em Metais e Teranóstico (CancerThera) tem como tarefa desenvolver atividades de pesquisa, inovação e difusão do conhecimento para a criação de novos fármacos e radiofármacos baseados em metais para diagnóstico e tratamento do câncer, incluindo novos usos para radiofármacos já conhecidos.

Além disso, o centro agrega pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, incluindo oncologia clínica, onco-hematologia, química, medicina nuclear, farmácia, estatística, biologia e física, adotando um modelo inovador no país para se transformar numa instituição de classe mundial no estudo do câncer.

Tipos de câncer mais incidentes

Homens

Próstata (30,5%) – Cólon e reto (10,3%) – Pulmão (7,3%) – Estômago (5,4%) – Cavidade oral (4,8%)

Mulheres

Mama (30,0%) – Cólon e reto (10,5%) – Colo do útero (7,4%) – Pulmão (6,4%) – Tireoide (5,1%)

Fonte: INC

Alerta

➔  781 mil novos casos de câncer estimados por ano no Brasil em cada ano do triênio 2026-2028.

➔  518 mil casos anuais da doença, excluídos os tumores de pele não melanoma.

➔  O câncer se aproxima das doenças cardiovasculares como principal causa de mortes no Brasil. 

Foto de capa:

Doença deve registrar 781 mil novos casos por ano no Brasil até 2028
Doença deve registrar 781 mil novos casos por ano no Brasil até 2028

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Cepagri amplia acesso a dados meteorológicos em tempo real

Dados meteorológicos atualizados em tempo real, imagens de satélite interativas e novas ferramentas de monitoramento climático facilitam cada vez mais o acesso da população às informações sobre o clima. No novo site do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, as novas tecnologias permitem que o público tenha informações mais precisas sobre, por exemplo, temperatura, precipitação, velocidade do vento, umidade relativa do ar e fenômenos como El Niño e La Niña. Visite o site

O site, um dos mais antigos da Unicamp, foi lançado em 1995 e passou por diversas reformulações ao longo de mais de 30 anos, destaca a coordenadora-associada do Cepagri, Renata Ribeiro Gonçalves. “Com as atualizações, melhoramos a navegação e ampliamos o acesso público aos dados produzidos”, destaca.

Uma das novidades da nova versão é a integração com a plataforma Labsat, que permite visualizar imagens de satélite com diferentes camadas de informação. “Antes, a plataforma tinha imagens sem interação. Agora, o usuário pode interagir e analisar diferentes informações”, explica Gonçalves, que ressalta que as imagens são geradas a partir de dados de um satélite geoestacionário que monitora cerca de um terço do planeta, incluindo toda a América do Sul. “É possível mapear, por exemplo, focos de incêndio, temperatura da superfície, temperatura do oceano e quantidade de raios”, afirma.

 A coordenadora-associada do Cepagri, Renata Ribeiro Gonçalves: imagens de radar meteorológico em tempo real
A coordenadora-associada do Cepagri, Renata Ribeiro Gonçalves: imagens de radar meteorológico em tempo real

Há também gráficos inéditos, que mostram variações nas últimas 24 horas, nos últimos 15 dias e dados históricos dos últimos 30 anos. “É possível escolher períodos determinados e analisar médias históricas”, exemplifica Gonçalves. De acordo com a coordenadora, a previsão é atualizada todos os dias e, se houver mudanças mais significativas, a atualização pode ocorrer mais de uma vez ao dia. “Essas previsões são feitas e assinadas pelos meteorologistas”, ressalta.

Nos próximos meses, o site também deverá incorporar uma plataforma com imagens de radar meteorológico em tempo real, projeto em parceria com a Agência Metropolitana de Campinas (Agemcamp) e a Defesa Civil. “O radar permite saber exatamente onde está chovendo e qual a intensidade da precipitação. Se houver uma tempestade muito forte, com cerca de meia hora de antecedência já será possível prever e acompanhar o deslocamento”, explica. Segundo a coordenadora, a ferramenta deverá contribuir para a emissão de alertas meteorológicos e para o monitoramento de eventos extremos. O radar, instalado em 2024 no Museu Exploratório de Ciências da Unicamp, entrou em operação em dezembro passado.

Gonçalves ressalta que o site é utilizado por diversos públicos, desde pesquisadores até profissionais de setores que dependem das condições climáticas, como agricultura, por exemplo. “Essas informações são de acesso gratuito para a população e também podem apoiar pesquisas científicas.”

O novo portal levou cerca de um ano e meio para ficar pronto, em um trabalho conjunto com a Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (Cocen). “O trabalho foi feito em parceria com a nossa coordenadoria e o desenvolvedor Derivaldo Reis de Sousa, da equipe de tecnologia da informação. A gente passava as demandas e ele desenvolvia”, relata Gonçalves, que destaca que a plataforma continuará sendo atualizada conforme novas ferramentas e demandas surgirem. “É um site que vai estar em constante atualização, porque as informações meteorológicas mudam o tempo todo e também existem demandas da imprensa, do turismo, dos aeroportos e de outros setores.”

Além de fornecer dados climáticos para o público em geral, o Cepagri desenvolve pesquisas em diferentes áreas, incluindo o uso de inteligência artificial (IA) aplicada à análise de dados ambientais. “Utilizamos técnicas de IA para cruzar informações como dados sobre clima, índice de vegetação e ocorrência de incêndios. Isso permite identificar relações e gerar resultados mais precisos”, diz.

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Cepagri amplia acesso a dados meteorológicos em tempo real
As novas tecnologias permitem que o público tenha informações mais precisas

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Ana Frattini, da fábrica ao sistema de CT&I

Não será desta vez que uma mulher vai assumir a Diretoria Científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O engenheiro agrônomo Marcio de Castro Silva Filho, no cargo desde abril de 2023, foi nomeado para um novo mandato de três anos por meio de decreto publicado nesta quarta-feira (11). Ele encabeçava a listra tríplice encaminhada pelo Conselho Superior da Fapesp ao governador Tarcísio de Freitas, na qual constava também o nome da engenheira química Ana Maria Frattini Fileti, primeira mulher a ser indicada, e do físico Luiz Nunes de Oliveira. “Permaneço feliz na Unicamp”, afirma Frattini, que completará em abril dois anos à frente da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Universidade.

O vínculo de Frattini com a Unicamp é antigo: remonta à primeira metade da década de 1980, quando a hoje professora titular da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) se tornou aluna do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca). Foi ali, no Cotuca, que a então jovem estudante descobriu a sua inclinação para o setor industrial. “Percebi, ao estagiar em uma fábrica de refrigerantes, que queria trabalhar com engenharia mecânica ou química”, relembra. “Não queria ficar restrita à indústria de alimentos, que era a área do meu curso técnico. Mesmo sendo adolescente, foi uma escolha muito lúcida.”

Frattini começou a sua trajetória na FEQ como aluna de graduação. Embora houvesse poucas mulheres na turma, ela se sentia à vontade entre os colegas e professores. “Eu não via nenhuma hostilidade dentro da academia”, afirma. Nas indústrias em que realizou estágios, contudo, a situação era bem diferente. “Os ambientes eram muito masculinos. Isso nunca foi um problema para mim, mas havia falta de respeito e de confiança. Em contatos com fornecedores, sempre achavam que eu era a secretária do engenheiro.”

As dificuldades enfrentadas durante os estágios fizeram Frattini optar por permanecer na FEQ depois de formada. Matriculou-se no mestrado e depois no doutorado, durante o qual desenvolveu um software para controle de processos químicos baseado em inteligência artificial – algo tão novo para a época que alguns periódicos relutaram em publicar os resultados do trabalho. “As revistas me pediam para explicar por que eu não havia usado a matemática clássica”, recorda.

Filha e sobrinha de mestres da tradicional escola campineira Culto à Ciência, Frattini nunca havia pensado em seguir a carreira do pai e da tia, mas acabou tomando gosto, durante a pós-graduação, pela arte de transmitir conhecimento. Prestou concurso, foi aprovada e tornou-se docente da FEQ. Suas pesquisas com inteligência artificial não demoraram a chamar a atenção de indústrias interessadas em aumentar a eficiência de seus processos produtivos. “O status de professora da Unicamp deu legitimidade ao meu trabalho”, afirma.

Frattini desenvolveu numerosos projetos em parceria com empresas nas últimas décadas, os quais renderam patentes e contratos de licenciamento de tecnologia para a Unicamp, além de reconhecimento interno e externo para a docente. Homenageada com o Prêmio Inventor Petrobras 2020 pelo desenvolvimento de um sistema ultrassônico de monitoramento de escoamentos bifásicos para processos industriais, ela foi convidada no ano seguinte a ocupar o cargo de diretora-executiva da Agência de Inovação da Unicamp (Inova), o qual deixou em abril de 2024 para assumir o comando da PRP.

Nesta entrevista ao Jornal da Unicamp, Frattini traça um panorama do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação, relata suas experiências na administração universitária e explica de que forma a presença de mulheres em posições de liderança no mundo acadêmico pode contribuir para aumentar a participação feminina na pesquisa.

Ana Frattini começou sua trajetória na FEQ como aluna de graduação, e as dificuldades enfrentadas durante os estágios a fizeram optar por permanecer na Universidade depois de formada
Ana Frattini começou sua trajetória na FEQ como aluna de graduação, e as dificuldades enfrentadas durante os estágios a fizeram optar por permanecer na Universidade depois de formada

Jornal da Unicamp (JU)Com base em sua experiência como diretora executiva da Inova e em seu longo histórico de parcerias de pesquisa com o setor produtivo, que avaliação a sra. faz do sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação?

Ana Frattini – O Brasil sempre aparece entre o 11° e o 15° lugar nos rankings internacionais de produção científica. Nos rankings de inovação, no entanto, o país cai para a 50ª posição. Isso significa que não conseguimos converter a pesquisa científica em inovação para a indústria ou para a sociedade. A Unicamp se distancia das universidades brasileiras no que se refere ao contato com empresas (públicas ou privadas), mesmo quando consideramos apenas a realidade de São Paulo, que é um Estado diferente dos demais. Por existir uma ampla relação de confiança universidade-empresa construída ao longo dos anos, o contato aqui é muito mais intenso. Nós transferimos de 25 a 35 tecnologias por ano. Não é pouca coisa. Este é um exemplo de colaboração efetiva para o alcance da soberania tecnológica do país.

JU – Por que a Unicamp está tão à frente das demais universidades brasileiras nos indicadores de inovação?

Ana Frattini – Durante um bom tempo, a pressão sobre as universidades era para que houvesse publicações científicas, além da formação de recursos humanos. Agora, já existe a compreensão na sociedade de que produzir artigos ou qualquer outro material escrito é fundamental, mas não suficiente. As pessoas querem que o conhecimento gerado na academia ajude a melhorar a vida delas e a resolver problemas regionais, como o da desigualdade social, e mundiais, como o da mudança climática. A pressão externa por indicadores diferentes vai aproximar as universidades de fora do Estado de São Paulo do ecossistema de inovação, mas isso não acontecerá de uma hora para a outra, porque a cultura da produção científica foi muito forte nos últimos 20 anos. Na Unicamp, a mudança de cultura está mais madura. Já possuímos um portfólio de mais de 1.300 patentes. Não deixamos de fazer pesquisa básica, mas os pesquisadores que se dedicam a essa atividade, que é muito importante, não veem com maus olhos os colegas que querem gerar novas tecnologias, colocar produtos no mercado ou elaborar novas políticas públicas.

A pró-reitora de Pesquisa foi também diretora da Agência de Inovação da Unicamp
A pró-reitora de Pesquisa foi também diretora da Agência de Inovação da Unicamp

JU – Que aspectos a sra. destacaria de sua gestão na Inova?

Ana Frattini – O reitor Antonio Meirelles me convidou para dirigir a Agência de Inovação justamente porque eu sabia conversar com empresas. A Inova, que foi criada em 2003, já tinha atingido um bom nível de maturidade, mas havia a necessidade, apontada por um estudo da Procuradoria Geral da Universidade, de transferir a gestão administrativa da agência para a Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). Fui incumbida de implementar essa mudança. Padronizamos os contratos de todos os profissionais da Inova e fizemos um planejamento para as diferentes equipes de trabalho, estabelecendo ações e metas específicas para cada uma delas. O plano está vigente até hoje e recebe pequenos ajustes sempre que necessário. Algumas metas tiveram de ser ampliadas, porque os docentes da Unicamp já entenderam como funciona o sistema de inovação. Os números de patentes requeridas e de convênios com empresas aumentaram nos últimos anos, e há mais dinheiro da iniciativa privada entrando na Universidade.

JU – A sra. deixou a diretoria executiva da Inova, em 2024, para substituir o professor João Marcos Travassos Romano no comando da PRP. Como foi a sua adaptação à nova função?

Ana Frattini – Quando cheguei à PRP, com o meu pensamento de engenheira e de ex-diretora da Inova, precisei estudar um pouco para compreender como as áreas mais tecnológicas, que eu conheço melhor, poderiam se inter-relacionar com as pesquisas fundamentais, com as pesquisas das ciências humanas. Hoje eu entendendo perfeitamente que o nosso Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (Hids), por exemplo, deve ser um laboratório vivo não apenas para testar os protótipos de equipamentos e novas tecnologias de produção de energia limpa, mas também para que os pesquisadores das ciências humanas avaliem o possível impacto dessas inovações sobre a sociedade. Por mais que uma tecnologia seja eficiente e dê lucro, ela não pode ser instalada em um determinado local se isso prejudicar a população ou o meio ambiente daquela região. Aprendi a olhar as coisas de forma mais ampla aqui na PRP, incluindo também toda a diversidade de atuações da área da saúde.

JU – Quais foram as principais realizações da PRP nestes seus quase dois anos de atuação como pró-reitora?

Ana Frattini – Desde que cheguei à PRP, estamos fazendo um diagnóstico das ações necessárias para que a Unicamp continue a ser reconhecida como uma universidade forte em pesquisa. Manter-se no topo é algo que depende de organização. Um dos primeiros pontos que chamaram a minha atenção foi um estudo da PRP e do SBU [Sistema de Bibliotecas da Unicamp], que havia acabado de ser divulgado, mostrando que a produção científica da Unicamp era predominante masculina. Fomos investigar por que isso acontecia e constatamos que o percentual de mulheres na docência diminuía nos níveis mais altos da carreira, embora fosse similar ao de homens no nível de entrada. Ou seja: as mulheres estavam ficando pelo caminho. Decidimos, então, lançar o edital “Mais Mulheres na Pesquisa” para fortalecer os grupos de pesquisa com liderança feminina. Vamos mantê-lo como um edital em linha pelo tempo que for necessário. Também identificamos a necessidade de facilitar o acesso dos estudantes que entram na Unicamp pelo Vestibular Indígena ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), que é muito concorrido. Lançamos um edital específico para esses alunos. Os contemplados estão recebendo apoio financeiro para desenvolverem pesquisas relacionadas às suas respectivas comunidades de origem. O lançamento desses dois editais foi possível porque, em uma ação conjunta com a PRDU [Pró-Reitoria de Desenvolvimento Universitário], conseguimos aumentar em 50% o valor do orçamento do Faepex [Fundo de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão]. Eu destacaria, ainda, o diagnóstico de que era preciso padronizar o modo de operação dos diferentes escritórios de apoio institucional à pesquisa existentes na Universidade. Preparamos e emitimos uma resolução para orientar as equipes dos escritórios com relação às atividades que se esperam desses órgãos. Isso forneceu um arcabouço jurídico para embasar as respostas dos funcionários às demandas que eles recebem dos docentes.

Ana Frattini: Unicamp continue a ser reconhecida como universidade forte em pesquisa
Ana Frattini: ações para que a Unicamp continue a ser reconhecida como universidade forte em pesquisa

JU – Que outras ações a sra. gostaria de implementar no âmbito da PRP?

Ana Frattini – Estamos pedindo que os coordenadores de pesquisa sejam os nossos facilitadores em suas respectivas unidades no que se refere à promoção da cultura do compartilhamento de espaços e equipamentos, muito forte no exterior. Durante muito tempo, investiram-se dinheiro e recursos humanos para que cada professor trabalhasse no seu próprio nicho. Agora, vemos que a pesquisa dá melhores frutos quando é feita de forma multidisciplinar. A cultura do isolamento não nos permite estar na fronteira dos conhecimentos. Queremos que o compartilhamento seja cada vez mais bem aceito pelos nossos grupos de pesquisa porque acreditamos que este seja o futuro da universidade, além de ser uma forma de otimizar os recursos. Não faz sentido replicar equipamentos em diferentes unidades, muito menos em dois ou mais laboratórios de pesquisa de uma mesma unidade. Precisamos atuar fortemente para que as pessoas compreendam que este é um momento de dinheiro mais curto e investimentos menores. Precisamos aproveitar melhor o que temos, de forma institucional, tanto em termos de equipamentos como de recursos humanos, senão não conseguiremos suprir as necessidades de todos. Esta é a minha visão de futuro para o curto prazo.

JU – Como a sra. vê a presença das mulheres no sistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação atualmente? Em que medida o aumento do número de mulheres em cargos estratégicos pode ajudar a ampliar a participação feminina na pesquisa?

Ana Frattini – As mulheres estão cada vez mais bem representadas. Hoje, várias universidades têm reitoras. Está havendo uma mudança cultural, mas, como no caso da inovação, as coisas acontecem de forma mais natural em alguns lugares do que em outros. Vai levar um tempo até que as mulheres sejam ouvidas facilmente em qualquer fórum. Não sou estudiosa do assunto, mas vejo que as mulheres ainda são muito críticas em relação a elas mesmas e às colegas. Sempre nos perguntamos se deveríamos ocupar a posição que ocupamos, se merecíamos receber este convite ou aquela indicação, se estamos no caminho certo, se não exageramos nisto ou naquilo… Aqui mesmo, na PRP, eu relutei em lançar o edital “Mais Mulheres na Pesquisa”, porque não queria dar a entender que estivesse legislando em causa própria. Foi preciso que um assessor insistisse que o edital era necessário para resolver um problema real, que já estava diagnosticado. Estando no alto escalão da administração universitária ou de agências de fomento, temos de mostrar que precisamos deixar de ser tão críticas conosco e que as mulheres devem se posicionar mais na liderança dos grupos de pesquisas. Podemos estar onde quisermos, e não deve haver sofrimento em caso de manifestação de desconfiança sobre o nosso trabalho. Não gosto de embates, nem de enfrentamento. Apenas reflito, e as minhas respostas vêm sempre com ações. Pode ter sido uma coincidência, mas quando deixei a Inova, havia mais engenheiras procurando a agência, mais mulheres interessadas em estagiar ou trabalhar lá. Espero que este efeito se multiplique pela Universidade, estando na posição que hoje ocupo.

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A engenheira química Ana Maria Frattini Fileti, primeira mulher a ser indicada para o cargo de diretora científica da Fapesp
A engenheira química Ana Maria Frattini Fileti, primeira mulher a ser indicada para a Diretoria Científica da Fapesp

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‘A fome não é um problema de produção, mas de acesso’, aponta José Graziano, idealizador do Fome Zero

Safras recordes não são, necessariamente, a solução para acabar com a fome ou oferecer uma dieta saudável no prato da população em geral. No Brasil, a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) aponta que 6,4 milhões de pessoas ainda enfrentam insegurança alimentar grave diariamente, mesmo com 292,5 milhões de toneladas de grãos colhidas em 2024. O economista e filósofo indiano Amartya Sen, ganhador do Nobel de Ciências Econômicas em 1998, já alertava sobre a questão. Essa incômoda marca foi um dos destaques da palestra do engenheiro agrônomo, doutor em Economia e professor emérito da Unicamp, José Graziano da Silva, intitulada “Combate à fome e desperdício de alimentos”. Ao lado de outros especialistas da área, ele participou do “1º Fórum de Engenharia de Alimentos da Unicamp”, realizado pela Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), nesta terça-feira (10).

O evento, direcionado para a comunidade acadêmica e para integrantes de instituições públicas, serviu para debater temas como a fome e o desperdício. As mudanças climáticas e seus impactos na cadeia produtiva, o papel da alimentação na promoção da saúde e a importância do processamento de alimentos no desenvolvimento da humanidade também estiveram em pauta.

Da esquerda para a direita, o ex-reitor Antonio Meirelles, a pró-reitora de Pós-Graduação, Cláudia Morelli e o diretor da FEA, Anderson de Souza Sant'Ana: Primeira edição do Fórum tratou do combate à fome e desperdício de alimentos
Da esquerda para a direita, o ex-reitor Antonio Meirelles, a pró-reitora de Pós-Graduação, Cláudia Morelli e o diretor da FEA, Anderson de Souza Sant’Ana: Primeira edição do Fórum tratou do combate à fome e desperdício de alimentos

Graziano, que foi um dos idealizadores do Programa Fome Zero – implantado em 2003 como uma iniciativa focada em agricultura familiar, educação nutricional e transferência de renda como forma de combater um problema crônico brasileiro –, afirmou que não basta apenas o sucesso no campo. De acordo com o pesquisador, é preciso investir em uma diversidade maior de produtos que realmente tragam nutrição saudável no dia a dia e que as pessoas possam comprar. “No Brasil, temos recorde atrás de recorde e continuamos com números assustadores da fome. Isso não é um problema de produção, mas de acesso. No caso da dieta saudável, temos um cenário ainda pior. Uma região que é o grande celeiro do mundo, como a América Latina, deveria ter um cardápio barato, mas não tem. Paradoxalmente, os latino-americanos têm uma das dietas saudáveis – que incluem frutas, verduras e legumes – com um dos custos mais altos do mundo.”

A transformação desse cenário – continuou Graziano – passa por uma nova mentalidade, e o meio acadêmico tem função estratégica nisso. “A universidade tem esse papel social, não apenas de formar pessoas que vão trabalhar nesses temas, mas também de aportar soluções. Muitas das políticas públicas desse país surgiram de iniciativas gestadas aqui na Unicamp, começando até mesmo pelo Fome Zero”, salientou. “Cada vez mais, precisamos envolver e complementar a formação técnica com essa responsabilidade social. Um seminário como esse da FEA vai nessa linha, já que o propósito é exatamente ajudar a chamar a atenção de alunos e professores, que transmitem esses conhecimentos”, acrescentou.

O evento foi direcionado para a comunidade acadêmica e para integrantes de instituições públicas
O evento foi direcionado para a comunidade acadêmica e para integrantes de instituições públicas

Desafios nacionais e mundiais

A professora Cláudia Vianna Maurer Morelli, pró-reitora de Pós-graduação, representante do reitor Paulo Cesar Montagner no evento, também destacou o papel da Universidade como difusora de novas formas de atuar perante os desafios nacionais e mundiais. “Atualmente, temas como fome, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida são essenciais. E a Unicamp é uma das universidades que mais fomentam políticas públicas no país.”

Já o ex-reitor da Unicamp e docente da FEA, Antonio José de Almeida Meirelles, abordou os “Marcos no processamento de alimentos no desenvolvimento da humanidade”. Segundo Meirelles, num país que possui uma agricultura forte e produz muitos alimentos – tanto na agroindústria como na agricultura familiar –, é preciso pensar em alimentos que, cada vez mais, dialoguem com a saúde. “Isso coloca necessidades e desafios para a Engenharia de Alimentos, para o processamento e a industrialização crescentes. Temos uma variedade grande de produtos para pessoas que têm algum tipo de restrição, por exemplo, e essa é uma preocupação que precisa estar cada vez mais presente, até pelo envelhecimento da população. Para nosso país, é uma grande oportunidade.”

Temas urgentes e estruturais

Anderson de Souza Sant’Ana, diretor da FEA, ressaltou que é importante construir um espaço dedicado a discutir temas que são, ao mesmo tempo, urgentes e estruturais para o Brasil. “Nossa pauta vai muito além da Engenharia, da Ciência e da Tecnologia de Alimentos. Essas áreas são importantes para a soberania, a saúde e o futuro da nossa sociedade.”

Sant’Ana lembrou ainda que, historicamente, a Engenharia de Alimentos sempre foi vista sob uma ótica estritamente industrial. No entanto, os desafios contemporâneos exigem um outro papel de protagonismo. “Devido ao seu caráter multidisciplinar, a Engenharia de Alimentos deve se apropriar desses problemas reais do país. É fundamental que esses temas discutidos no fórum se tornem pontos centrais nos currículos de graduação e pós-graduação. Precisamos formar profissionais que não apenas dominem o processamento, mas que também compreendam o alimento como um vetor de saúde pública e desenvolvimento social.”

Professor UFABC Arilson da Silva Favareto: desigualdades no mundo
Professor UFABC Arilson da Silva Favareto: desigualdades no mundo

Mudanças climáticas

Também como palestrante, o professor da UFABC Arilson da Silva Favareto abordou o tema “Como as mudanças climáticas poderão impactar na cadeia produtiva de alimentos”. De acordo com Favareto, aprimorar a relação entre a forma de produzir e distribuir alimentos e a conservação ambiental é um dos grandes desafios mundiais. “É um assunto tão importante quanto o combate ao aumento das desigualdades no mundo, a ameaça à paz e a defesa da democracia. Temas incontornáveis que são enfrentados pela nossa geração e serão encarados pelas próximas também”, apontou.

O fórum contou ainda com a presença do professor Licio Augusto Velloso, que tratou sobre o “Papel dos alimentos e da alimentação na promoção à saúde”, reforçando a mentalidade de aliar produção, acesso, responsabilidade social e preocupação com o bem-estar da população. Ao final, os presentes debateram os assuntos abordados.

Aula Magna na Feagri

A Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) realiza, no próximo dia 18, a partir das 9h30, a 1ª Aula Magna de seu programa de pós-graduação. Na ocasião, o professor Graziano falará sobre “O que ainda falta no Brasil depois de sair do Mapa da Fome”. 

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José Graziano afirmou que não basta apenas o sucesso no campo é preciso investir em uma diversidade maior de produtos
José Graziano afirmou que não basta apenas o sucesso no campo é preciso investir em uma diversidade maior de produtos

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Ministério credencia HC para diagnóstico de doenças raras em pacientes com deficiência intelectual

O Hospital de Clínicas da Unicamp é a única entidade no estado de São Paulo, credenciada pelo Ministério da Saúde, que passa a ofertar no SUS coletas para um exame genético inovador e de alta tecnologia para a confirmação do diagnóstico de doenças raras em pacientes com deficiência intelectual (PCDT 572). Trata-se do Sequenciamento Completo do Exoma (WES), capaz de atender até 90% dos pacientes que precisam do laudo em até 90 dias da chegada da amostra. Os laudos serão realizados em laboratórios credenciados no Rio de Janeiro.

“Na realidade, o HC já está realizando as coletas de exoma para investigação desde o final de janeiro, após treinamento da equipe da genética, incluindo docentes, médicos assistentes e médicos residentes, seguindo todas as orientações do ministério. Estamos em via de receber o resultado das amostras investigadas nos laboratórios do Instituto Nacional de Cardiologia no RJ para análise e emissão dos primeiros laudos”, informa o coordenador no HC, professor Carlos Steiner (foto), da Genética Médica.

Segundo Steiner, embora o exame de sequenciamento completo do exoma possa ser disponibilizado para a investigação genética de todas as doenças raras, neste momento, está sendo oferecido apenas para a investigação etiológica da deficiência intelectual, contemplada no PCDT 572. “O projeto piloto embasará estudos para o futuro se incluir outras doenças”, comenta.

O coordenador do projeto no HC, Carlos Steiner: projeto piloto
O coordenador do projeto no HC, Carlos Steiner: projeto piloto

São Paulo está entre as 11 unidades federativas contempladas pelo projeto-piloto do Ministério da Saúde. O exame enfrenta um dos principais gargalos vividos pelas famílias: a demora na confirmação diagnóstica. Com a nova oferta, o resultado será entregue em até seis meses (antes, a espera podia chegar a sete anos). A redução é de 93% no tempo de espera.

As amostras coletadas nos estados serão enviadas para dois laboratórios públicos no Rio de Janeiro: o Instituto Nacional de Cardiologia (INC), que opera em fase piloto desde outubro de 2025; e a Fiocruz, cuja estrutura deve estar concluída até o fim de maio. A iniciativa do ministério terá capacidade para atender 100% da demanda nacional pelo exame, o equivalente a 20 mil diagnósticos por ano.

Pelo projeto Piloto, o laboratório do INC já recebe amostras de 13 serviços habilitados em 10 estados e no Distrito Federal: Bahia, Rio de Janeiro, Goiás, Pará, Pernambuco, Paraná, Minas Gerais, Ceará, São Paulo e Mato Grosso. O projeto registra taxa de sucesso de 99% nas coletas e já emitiu 175 laudos.

Nos meses de março e abril, outros 23 serviços serão habilitados, contemplando também Espírito Santo, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Norte. A previsão é que, até o fim de 2026, os dois laboratórios operem em plena capacidade, garantindo atendimento a todas as famílias elegíveis.

Como funciona o exame

Fundamental para confirmar o diagnóstico de doenças raras genéticas, o Sequenciamento Completo do Exoma analisa regiões do DNA onde se concentram a maioria das mutações genéticas, a partir de amostras de sangue ou saliva.

O exame também contribui para a confirmação diagnóstica de doenças identificadas no teste do pezinho (triagem neonatal), como fibrose cística, fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme, outras hemoglobinopatias e hiperplasia adrenal congênita.

O ministro da Saúde também anunciou que a rede especializada do SUS voltada ao tratamento de doenças raras será ampliada em 120%
O ministro da Saúde também anunciou que a rede especializada do SUS voltada ao tratamento de doenças raras será ampliada em 120%

Diagnóstico precoce

Além de proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes, o diagnóstico precoce permite a indicação de tratamentos mais adequados e personalizados, aumentando as chances de melhores desfechos clínicos.

No caso da fibrose cística, por exemplo, além da ampliação do diagnóstico precoce, o SUS oferta, desde 2023, medicamento específico para o tratamento da doença, reforçando a linha de cuidado e o acesso à terapia inovadora.

Com a confirmação diagnóstica, mais pessoas poderão acessar terapias disponíveis na rede pública, garantindo tratamento oportuno, redução de complicações e melhora na expectativa e na qualidade de vida.

Ampliação da rede especializada

Na quinta-feira, dia 26/2, o ministro da Saúde também anunciou que a rede especializada do SUS voltada ao tratamento de doenças raras será ampliada em 120%. Para isso, foram destinados R$ 44 milhões para habilitar 11 novos serviços em quatro regiões do país.

Com a expansão, o número de serviços especializados passará de 23, em 2022, para 51 unidades em hospitais públicos e filantrópicos.

“Com a ampliação para 51 serviços especializados, vamos mais que dobrar a rede existente e consolidar a maior rede pública de diagnóstico e cuidado de doenças raras do mundo. É o Estado brasileiro assumindo a responsabilidade de garantir o acesso próximo de onde as pessoas vivem”, afirmou Alexandre Padilha.

O investimento federal assegura estrutura adequada, equipes multiprofissionais e atendimento contínuo aos pacientes.

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Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos acontece em setembro na Unicamp

Entre 1 e 11 de setembro de 2026 ocorre, em Campinas, a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos (ESPCA em Microplásticos), voltada à formação de pesquisadores(as) em início de carreira para enfrentar os desafios da poluição plástica por meio da investigação científica, do pensamento crítico e de políticas públicas baseadas em evidências. Durante a formação, 50 participantes brasileiros e 50 de outros países terão a oportunidade de conviver de maneira intensiva com cientistas e formuladores de políticas públicas de diversas regiões do Brasil e do mundo, referências na área, participando de aulas teóricas e práticas, sessões de pôsteres e projetos curtos sob mentoria desses especialistas.

As inscrições se iniciam em 20 de março, através de formulário próprio a ser divulgado no site da ESPCA em Microplásticos. O público-alvo são estudantes de mestrado e doutorado, além de pós-doutorandos e pesquisadores em início de carreira, vinculados a instituições brasileiras e internacionais e com formação em um conjunto abrangente de disciplinas relacionadas à temática. Para participar, os candidatos precisam apresentar uma série de documentos, dentre eles uma carta de intenções, um resumo do projeto de pesquisa que desenvolvem, uma carta de recomendação de seu orientador e o histórico acadêmico, além de atestar proficiência em inglês, língua oficial do evento. Os selecionados receberão apoio financeiro que inclui transporte, acomodação, alimentação e seguro-viagem (para participantes provenientes do exterior).

A Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos é voltada à formação de pesquisadores(as) em início de carreira para enfrentar os desafios da poluição plástica
A Escola São Paulo de Ciência Avançada em Microplásticos é voltada à formação de pesquisadores(as) em início de carreira para enfrentar os desafios da poluição plástica

A organização da Escola, que acontece nas dependências da Unicamp, é uma parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os grupos de pesquisa responsáveis pela organização são o Laboratório de Química Ambiental (LQA), da Unicamp, e o Grupo de Pesquisa em Poluição Plástica (GPPP), da UFSCar.

Objetivos e critérios de seleção

A Escola apostará na interdisciplinaridade e na visão integrada, com atividades divididas em quatro eixos de estudo: polímeros e suas substâncias químicas adicionadas; interações superficiais entre plásticos, aditivos e poluentes ambientais; impactos ecotoxicológicos; e debate público e ações viáveis baseadas em evidências e voltadas à formulação de políticas regulatórias.

Walter Waldman, docente na UFSCar e vice-coordenador da Escola, explica que esses eixos abrangem em seu conjunto a amplitude e a complexidade do problema da poluição plástica, fornecendo uma visão multidimensional a respeito desses materiais e seus efeitos no ambiente. Essa visão, afirma o docente, é particularmente relevante no contexto do Tratado Internacional sobre Poluição Plástica, o qual, uma vez implementado, será estratégico para o meio ambiente, a saúde, o comércio e a bioeconomia.

A coordenadora da ESPCA em Microplástico, Cassiana Montagner: enfrentamento de problemas reais
A coordenadora da ESPCA em Microplástico, Cassiana Montagner: enfrentamento de problemas reais

Microplásticos possuem um extraordinário potencial de transporte pelo ar, pela água e pelo solo, e pesquisas recentes os têm encontrado até mesmo em lugares bastante remotos como topos de montanhas e grandes desertos. Cassiana Montagner, docente na Unicamp e coordenadora da ESPCA em Microplásticos, detalha que, além do compartilhamento de conhecimentos analíticos, técnicos, práticos, laboratoriais e de campo, a Escola também será fundamental para atuar justamente no enfrentamento de problemas reais relacionados a essa presença marcante dos plásticos no ambiente. “A ESPCA em Microplásticos pretende abarcar áreas estratégicas de pesquisa e trabalhar com a expertise de cada convidado e participante, tendo como norte a formação de uma base sólida de articulação mundial capaz de responder aos desafios que a poluição por esses materiais traz para a biodiversidade e a vida em todas as suas formas.”

Walter Waldman complementa que o processo seletivo buscará proporcionar o máximo possível de diversidade global e regional na seleção dos participantes. “Essa representatividade nos garantirá a formação de uma rede nacional e internacional de pesquisa sobre microplásticos, fazendo do Brasil um ator fundamental nas discussões sobre regulação.” A equidade de gênero e raça também será um dos critérios de seleção.

Montagner e Waldman, junto com Evaldo Espíndola, docente na Universidade de São Paulo (USP), são pesquisadores principais no projeto apelidado de Plast-Agrotox, que estuda os destinos e impactos de microplásticos e agrotóxicos em matrizes aquáticas e terrestres, também financiado pela Fapesp, na modalidade de Projeto Temático. “Estamos em um momento de nossas pesquisas, tanto no Plast-Agrotox quanto em outros projetos nacionais e internacionais, em que muitos resultados importantes a respeito da ocorrência, dos destinos, do comportamento e dos efeitos de microplásticos começam a aparecer”, afirma Montagner, coordenadora do Plast-Agrotox. Ela acrescenta que, do ponto de vista analítico, a área é muito desafiadora, e é nesse sentido que a ESPCA em Microplásticos trará avanços bastante significativos. “Passaremos duas semanas imersos em perspectivas e metodologias de pesquisa sobre microplásticos, em seus diferentes aspectos. Esse aprofundamento irá dar suporte aos novos pesquisadores e às lideranças jovens na área. Isso nos ajudará a impulsionar a pesquisa nacional”, conclui.

Acesse o site da ESPCA em Microplásticos para mais informações.

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Dia Internacional da Mulher inspira variada programação de atividades

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é tema de uma extensa programação na Unicamp, que se estende ao longo do mês, com palestras, oficinas, homenagens, rodas de conversa e feira de empreendedorismo, entre outras atividades, a fim de contribuir para a reflexão, a formação e a mobilização da comunidade.

A Pró-Reitoria de Graduação (PRG), a Comissão Assessora de Gênero e Sexualidade da Diretoria Executiva de Direitos Humanos (DEDH) e o Núcleo de Estudos de Gênero Pagu divulgaram uma agenda integrada de atividades, que reúne programações de diversos institutos, com a mensagem de que “o compromisso com a equidade de gênero se sustente para além da data”.

Temas como saúde mental, trabalho, maternidade, sexualidade e autocuidado serão debatidos nesta quarta-feira (4), na Faculdade de Educação (FE), na programação do Mulheres em Roda, a partir das 14h30, com a psicóloga Karen Batista, do Centro de Saúde da Comunidade (Cecom). Já na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) a Semana Mulheres em Foco segue até sexta-feira, com diversas palestras e oficinas.

O coletivo Mulheres em Luta, que reúne trabalhadoras da Unicamp, também promove uma série de atividades. Nesta quarta-feira, no Teatro de Arena, ao meio-dia, o debate é sobre violência de gênero na política. A programação continua no Centro de Saúde da Comunidade (Cecom), às 14h30, com uma palestra da médica Bia Bracco sobre a saúde ginecológica de mulheres cis e trans, homens trans, lésbicas, bissexuais e pessoas não-binárias.

O coletivo de Mulheres em Luta e o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp promovem a atividade "Ficha-limpa na Universidade", no dia 5/3, ao meio-dia
O coletivo de Mulheres em Luta e o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp promovem a atividade “Ficha-limpa na Universidade”, no dia 5/3, ao meio-dia

Na quinta-feira (5), também no Teatro de Arena, ao meio-dia, o tema é “Ficha-limpa na Universidade”. Na sexta-feira, no mesmo horário, a palestra “Gênero e Violência no Trabalho” será realizada no Salão Nobre da Faculdade de Educação (FE). A programação do coletivo termina com uma feira solidária durante a tarde, com a confraternização Celebrar para Existir, a partir das 18h, com shows de Elan e Vivi, no Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU).

Na sexta-feira (6), o Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) realiza o evento “Celebrando o 8 de Março: Elas por elas, vozes que transformam”, a partir das 8h, com a proposta de refletir e dialogar a respeito da representatividade de gênero no ambiente acadêmico e científico. O evento também pretende dar visibilidade a iniciativas que buscam ampliar a inclusão e fortalecer a presença feminina em espaços de decisão, pesquisa e liderança, além de incentivar o protagonismo de mulheres na pesquisa e na pós-graduação.

Também na sexta-feira, na Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC), o evento WIE Talks, no auditório do Laboratório de Potência (Lepo), vai contar com a palestra “Trajetórias de Impacto: Mulheres na Ciência, Tecnologia e Indústria”, a partir das 16h.

Durante a próxima semana, a programação que celebra as mulheres continua em diversos institutos da Universidade. Já na segunda-feira (dia 9) a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) promove, entre 11h e 15h, no pátio central, feira e exposição com mulheres empreendedoras. Na terça-feira (dia 10), na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM), às 17h, será realizado um evento para debater a importância da data e sobre como transformar essa conversa em atitudes.

Também na terça-feira, no Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW), a partir das 14h, haverá encontro e roda de conversa com o tema “Entre forças e delicadezas, a pluralidade de ser mulher”. Na quarta-feira (dia 11), às 12h30, o IFGW promove um “pastel meeting” especial com a roda de conversa “Jornada pela Ciência: Perspectivas femininas estratégias em um mundo em transformação”, onde serão servidos pastéis e refrigerante.

Ainda na quarta-feira, o Instituto de Computação (IC) terá, a partir do meio-dia, um encontro das mulheres do instituto sobre a representatividade feminina na área e uma homenagem para a professora Cecília Rubira, que faleceu em janeiro. Na Biblioteca do Instituto de Química (IQ), às 14, mulheres que se destacaram e foram premiadas em 2025 serão celebradas em um encontro.

Já no dia 20, na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), será realizada a segunda edição do evento “Dia Delas”, com aula de yoga e palestras sobre cuidados com a pele e educação financeira, entre outras atividades.

Confira a programação completa.

Foto de capa:

Dia Internacional da Mulher inspira variada programação de atividades
A Pró-Reitoria de Graduação (PRG), a Comissão Assessora de Gênero e Sexualidade da Diretoria Executiva de Direitos Humanos (DEDH) e o Núcleo de Estudos de Gênero Pagu organizaram a divulgação da programação

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Sinfônica e estudantes de Canto Popular apresentam ‘Milton, Coração do Brasil’

“Todo artista tem de ir aonde o povo está”. O espírito da clássica canção segue mais vivo do que nunca na Orquestra Sinfônica da Unicamp, que volta aos palcos do Teatro de Arena da universidade nesta segunda-feira (2), em um espetáculo gratuito, a partir das 19h. Já na terça-feira (3), às 20h, é a vez do Teatro Municipal “Losso Netto”, em Piracicaba, receber a apresentação também aberta ao público. O concerto “Milton, Coração do Brasil”, é recheado com as obras imortais do cantor e compositor Milton Nascimento, que receberam novos arranjos especialmente para estas apresentações. Em abril do ano passado, Milton recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Unicamp.

A Orquestra será regida pela maestrina Cinthia Alireti, que também assina a direção artística. Fazendo da cultura uma ponte de integração e transformação, os concertos contam com a participação de docentes e alunos do curso de Canto Popular do Instituto de Artes (IA) da Unicamp.

Concerto conta com obras imortais de Milton Nascimento, que receberam novos arranjos
Concerto conta com obras imortais de Milton Nascimento, que receberam novos arranjos

A direção de voz e roteiro é da professora Regina Machado, docente do Departamento de Música do IA. A coordenação de arranjos – desenvolvidos pelos alunos de pós-graduação em Música – é de Paulo Tiné. José Alexandre no contrabaixo, Leandro Barsalini na bateria e Theo Alves na guitarra são os instrumentistas convidados. As apresentações fazem parte da celebração dos 60 anos da Unicamp.

“É o encontro da tradição europeia, baseada na orquestra, com a rica diversidade da grande música popular brasileira. O espetáculo ainda valoriza a integração da comunidade acadêmica com a sociedade. Estão todos convidados a participar. É uma porta aberta para todos que quiserem viver essa experiência”, afirma a professora.

As apresentações fazem parte do projeto Palco DCult, ação cultural organizada pela Diretoria de Cultura (DCult), órgão da Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (Proeec).

A docente do IA Regina Machado
A docente do IA Regina Machado
A maestrina Cinthia Alireti
A maestrina Cinthia Alireti

Educação

Desde 1982, ano de sua fundação, a Orquestra Sinfônica da Unicamp tem como um de seus principais objetivos projetar e realizar performances artísticas que vão desde concertos a espetáculos multimídia, de óperas a gravações, com importante e significativo destaque aos programas de educação e formação de público.

Confira vídeo da apresentação realizada em setembro/2025

Serviço:

Concerto: “Milton, Coração do Brasil”
Dia: 2 de março
Hora: 19h
Local: Teatro de Arena Unicamp
Endereço: Rua Elis Regina, s/nº, Praça do Ciclo Básico

Piracicaba/SP
Dia: 3 de março
Hora: 20h
Local: Teatro Municipal Dr. Losso Netto
Endereço: Av. Independência, 277 – Alto, Piracicaba

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Caminhada e clima de festa nas boas-vindas da Calourada 2026 

Caminhada teve início na Praça da Paz e seguiu até o Ginásio Multidisciplinar
Caminhada teve início na Praça da Paz e seguiu até o Ginásio Multidisciplinar

A Unicamp recebeu na manhã desta segunda-feira (23 de fevereiro) os calouros de 2026 com uma caminhada que começou na Praça da Paz e terminou no Ginásio Multidisciplinar, no campus de Barão Geraldo. Durante o percurso, houve muita confraternização com os veteranos e clima de festa para os ingressantes, que ganharam um kit de boas-vindas com uma camiseta, uma caneca e um vale-refeição para seu primeiro almoço no Restaurante Universitário, além de muita informação sobre a Universidade. 

O coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, ressaltou que este é um dos momentos mais importantes do ano na Universidade. “É um dia importantíssimo, porque marca o início de um ano letivo em que completamos 60 anos de existência. É, portanto, um dia de festa”, disse ele na cerimônia de recepção no Ginásio Multidisciplinar. “Quero que vocês saibam que estão chegando a uma das melhores universidades públicas do país e uma das mais importantes da América Latina. Aproveitem”, acrescentou.

Da esquerda para a direita, o coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, a pró-reitora de Graduação, Mônica Cotta e o coordenador da Comvest, José Alves: clima de festa
Da esquerda para a direita, o coordenador-geral da Unicamp, Fernando Coelho, a pró-reitora de Graduação, Mônica Cotta e o coordenador da Comvest, José Alves: clima de festa

O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner deu as boas-vindas aos estudantes “de todos os campi” e fez uma exortação. “Desfrutem. A Unicamp é uma universidade pública. Fortíssima na pesquisa, tem ensino de excelência e grandes programas de extensão, Portanto, vivam intensamente a experiência de viver numa universidade”, disse ele.

Segundo o coordenador-geral, nos últimos anos, a Unicamp tem avançado em muitas direções, seja nas diferentes formas de acesso, na implementação de programas cada vez mais vigorosos de inclusão e permanência e na busca pela excelência acadêmica, “sempre pensando na diversidade e na integração”. Ele também agradeceu aos pais de alunos, “que confiaram seus filhos à Universidade”.

A pró-reitora de Graduação, Mônica Cotta, que acompanhou a caminhada, também destacou a importância da celebração. “Para quem está chegando, a recomendação que faço é: aproveite. A Universidade é um espaço maravilhoso, que dá liberdade para fazer e descobrir muitas coisas. Corram atrás, é uma oportunidade única. E eu também tenho uma palavra aos pais: que eles fiquem tranquilos, porque na Unicamp não temos trotes violentos e vamos fazer o nosso melhor para cuidar bem de todos os nossos estudantes.”

A concentração dos ingressantes aconteceu no Ginásio Multidisciplinar, onde receberam um kit de boas-vindas, além de muita informação sobre a Universidade
A concentração dos ingressantes aconteceu no Ginásio Multidisciplinar, onde receberam um kit de boas-vindas, além de muita informação sobre a Universidade

O coordenador da Comissão do Vestibular (Comvest), José Alves de Freitas Neto, diz que a festa de recepção é a coroação de um longo e complexo processo que começou com a inscrição para o vestibular. “Se a gente pensar nos 80 mil que fazem inscrição pelos processos próprios (da Universidade) e os mais de 100 mil pelo Provão Paulista, nós estamos falando de um processo que selecionou 3.600 alunos. Portanto, desejamos que esses selecionados tenham uma temporada de sucesso e de muito estudo, porque é importante para o aluno saber que está ocupando uma vaga numa universidade pública e tem de valorizar essa grande conquista”, afirmou.

Marcela Santander, assessora da Pró-Reitoria de Graduação (PRG) e responsável pelo  comitê organizador da calourada, enfatizou a importância de apresentar a Universidade aos novos alunos. “Mostramos que há toda uma estrutura pronta e que o estudante vai receber acolhimento em todos os momentos de sua trajetória acadêmica. Também reunimos todas as entidades estudantis para apresentar seus projetos e dar as boas-vindas, além de promover apresentações de esportes praticados na Universidade”, completou. 

Sonhos e expectativas

Natural de Feira de Santana, na Bahia, Enzo Machado chegou a Campinas há uma semana para se preparar para sua nova jornada. Calouro da Engenharia Elétrica, disse que sempre teve vontade de estudar na Unicamp. “Pesquisei antes sobre o curso e a Universidade, vi tudo o que ela oferece, e aumentou a vontade de vir para cá. Nestes primeiros dias, conheci bastante gente e já encontrei lugar para morar, mas ainda estou me estabelecendo. Agora, finalmente, as aulas vão começar”, afirmou. 

Da esquerda para a direita, Karina Vazo, Enzo Machado e Larissa Costa Amaral: nova jornada

Larissa Costa Amaral, que mora em Campinas e tem 20 anos, é caloura do curso de Midialogia e comemorou a realização de um sonho. “Eu tentei o vestibular antes, mas não passei. Estou muito feliz de ter conseguido. Era realmente o meu sonho fazer esse curso. Estou com muitas expectativas para conhecer um mundo novo.” 

Karina Vazo, de Jundiaí, caloura de Economia, contou que conheceu a Universidade durante o Unicamp de Portas Abertas (UPA). “Sempre quis estudar Economia na Unicamp e vim duas vezes na UPA, a primeira durante o Ensino Médio e a segunda já no cursinho pré-vestibular. As minhas expectativas são as melhores, quero curtir o curso e a Universidade. Vou continuar morando em Jundiaí e pegar o ônibus fretado”, contou. 

Grupo de aprovados no Profis: oportunidade
Grupo de aprovados no Profis: oportunidade

O grupo formado pelos estudantes Gabriely Muniz, Giovanna Laura, Ana Carolina Macena, Jaciel Lima e Lorraine Silva entrou no clima da comemoração. Aprovados no Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS) da Unicamp, curso superior gratuito de dois anos, voltado a alunos que concluíram o ensino médio em escolas públicas de Campinas, eles já fazem planos. No ProFIS, após o curso, os alunos podem ingressar na graduação da Unicamp sem vestibular. “Estamos com a mente aberta, queremos conhecer todos os cursos para decidir melhor”, afirmou Muniz. “Esse é o ponto positivo do ProFIS, essa oportunidade de a gente optar pelo curso certo para cada um”, completou Silva. 

Piracicaba e Limeira

No campus de Piracicaba, a Faculdade de Odontologia (FOP) também recebeu seus calouros nesta segunda-feira. Já no campus de Limeira, que recebe cerca de um terço dos ingressantes da Unicamp neste ano, as atividades de recepção serão nesta terça-feira, com atividades esportivas e culturais e estandes para informações e participação dos grupos estudantis. No período da manhã, haverá atividades na Faculdade de Tecnologia (FT) e, no período da tarde, a celebração será na Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA).

Durante o percurso, houve muita confraternização com os veteranos e clima de festa para os ingressante
Durante o percurso, houve muita confraternização com os veteranos e clima de festa para os ingressante
Durante o percurso, houve muita confraternização com os veteranos e clima de festa para os ingressante
Caminhada teve início na Praça da Paz e seguiu até o Ginásio Multidisciplinar com várias

Confira mais informações sobre a Calourada 2026.

Foto de capa:

Durante o percurso, houve muita confraternização com os veteranos e clima de festa para os ingressante
Durante o percurso, houve muita confraternização com os veteranos e clima de festa para os ingressantes

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Série de vídeos apresenta serviços da Universidade aos calouros

A recepção aos calouros que ingressam na Unicamp em 2026 começa na próxima segunda-feira (23). Mas antes disso, como parte das boas-vindas, quando a Universidade completa 60 anos, os alunos ingressantes já podem conferir nas redes sociais uma série de vídeos apresentando os serviços que a instituição oferece para facilitar a rotina dos estudantes.

Quanto custa e como é comer no Restaurante Universitário (RU) são informações apresentadas em um dos vídeos, que estão sendo publicados no Instagram e Youtube. Os conteúdos também incluem coisas que todo calouro e caloura precisa saber para facilitar seu dia a dia na Unicamp.

Além disso, os calouros também são informados sobre as bolsas e auxílios oferecidos através da política de permanência estudantil, que têm inscrições abertas até 10 de maio. Outro vídeo apresenta uma novidade deste ano: a entrega de um Kit Ingressante contendo uma camiseta, uma caneta, um “vale-bandejão” e uma sacola reutilizável.

Leia mais:

Unicamp se prepara para receber os calouros

Assista aos vídeos:

Como é comer no Restaurante Universitário

6 coisas que todo calouro (a) precisa saber

Prazo para solicitar bolsas e auxílios termina dia 10/3

Confira o kit Ingressante

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Projeto propõe pedagogia inovadora no ensino de lutas e artes marciais para crianças

O tatame como espaço de acolhimento a partir de uma pedagogia para o ensino de lutas mais inovadora, inclusiva e baseada no respeito mútuo. Este é o foco do projeto  “(Re)pensando os caminhos entre universidade e comunidade no campo das Lutas, Artes Marciais e Esportes de Combate: proposta de inovação no ensino de crianças baseada no Tactical Games Approach”, da Faculdade de Educação Física (FEF), aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) dentro do programa “Primeiros Projetos”.

Com duração de três anos, o projeto de extensão terá concessão de bolsas para um pesquisador de pós-doutorado, dois mestrandos e dois bolsistas de iniciação científica. A maior parte dos recursos, de pouco mais de R$ 600 mil, será destinada à formação desses pesquisadores, explica o professor da FEF e coordenador do projeto, Luiz Gustavo Bonatto Rufino, que é faixa-preta de jiu-jitsu.

Uma das ações centrais será o oferecimento de um curso de extensão gratuito para treinadores e professores de lutas que atuam com crianças, independentemente da modalidade ou da formação em Educação Física. “Após essa formação inicial, os pesquisadores acompanharão esses profissionais em seus próprios contextos de atuação, como academias, clubes e projetos sociais, fortalecendo a relação entre universidade e comunidade”, destaca Rufino.

“O objetivo não é a Universidade dizer o que deve ser feito, mas construir junto”, completa o professor, que ressalta que o projeto prevê “escuta ativa dos treinadores, valorizando seus saberes e experiências”. A proposta é reunir representantes de modalidades — como judô, jiu-jitsu, karatê, boxe e esgrima, entre outras — para fomentar a troca de experiências.

O coordenador do projeto, Luiz Gustavo Bonatto Rufino e a professora Mariana Simões Pimentel Gomes: oferecimento de um curso de extensão gratuito para treinadores e professores de lutas que atuam com crianças
O coordenador do projeto, Luiz Gustavo Bonatto Rufino e a professora Mariana Simões Pimentel Gomes: ensino de lutas baseado no respeito mútuo

Também integrante do projeto, a professora de educação física adaptada Mariana Simões Pimentel Gomes, igualmente faixa-preta de jiu-jitsu, enfatiza que o objetivo é construir alternativas pedagógicas que ampliem o acesso, valorizem a diversidade corporal e promovam experiências mais significativas para as crianças. “A ideia partiu da constatação de que o ensino tradicional das modalidades de luta ainda é marcado por modelos conservadores, hierarquizados e pouco inclusivos, voltados majoritariamente a um perfil específico de praticante”, explica.

A professora destaca que sua trajetória pessoal influenciou diretamente essa abordagem. Filha de um faixa-preta de jiu-jitsu e irmã de uma pessoa com deficiência, ela relata que desde cedo percebeu como o ensino das lutas era direcionado apenas a determinados corpos. “Eu queria ensinar de outra forma, romper com a ideia de que a luta é só para um tipo de pessoa”, afirma. Essa inquietação levou à criação, ainda na graduação, da escolinha de lutas da FEF, um projeto de extensão voltado a crianças da comunidade.

Rufino ressalta que sua experiência pessoal com o jiu-jitsu também foi determinante para sua trajetória acadêmica. Ele conta que iniciou a prática ainda criança, após enfrentar dificuldades de comportamento na escola, e que a modalidade teve impacto direto em sua formação pessoal e profissional. “As lutas me levaram à Educação Física e à universidade”, relata.

Jogos e táticas

Entre os principais eixos do projeto está a busca por ressignificar o ensino baseado apenas na repetição técnica de golpes por abordagens que valorizem jogos, situações-problema e princípios táticos comuns às diferentes lutas. “A ideia é que crianças compreendam, desde cedo, aspectos como movimentação, percepção do outro e tomada de decisão”, continua Rufino.

“Geralmente, a criança aprende um movimento e o repete muitas vezes. Depois, na hora da luta, não sabe quando realizar, como se movimentar ou como reagir ao oponente”, ressalta. “A alternativa apresentada é começar pela lógica da luta: entender que o alvo é móvel e que, ao mesmo tempo em que se ataca, também se é alvo.”

Estudantes participam de aula de lutas na FEF; uma das ações centrais do projeto é o oferecimento de um curso de extensão gratuito para treinadores e professores de lutas que atuam com crianças
Estudantes participam de aula de lutas na FEF; uma das ações centrais do projeto é o oferecimento de um curso de extensão gratuito para treinadores e professores de lutas que atuam com crianças

Ao transpor princípios estruturais das lutas para jogos e situações pedagógicas, o projeto busca tornar o aprendizado mais significativo. A ideia é ensinar desde o início conexões e compreensões que, tradicionalmente, só seriam adquiridas muitos anos depois — muitas vezes, apenas na faixa-preta. “Queremos formar praticantes mais conscientes, mais completos e mais autônomos sobre o que estão fazendo”, afirma.

Os docentes também chamam atenção para o alto índice de evasão nas modalidades de luta. Embora muitas pessoas iniciem a prática, poucas permanecem até níveis mais avançados. Para eles, isso está diretamente relacionado a modelos pedagógicos excludentes. “A história que se conta é a de quem chegou à faixa-preta, mas pouco se fala de quem ficou pelo caminho”, observa o professor.

Mais do que desempenho competitivo, o foco está na formação humana. O trabalho enfatiza consciência corporal, autoestima e inclusão. “Todo corpo é potente — seja gordo, magro, alto, baixo, feminino ou masculino. O tatame pode ser um espaço de descoberta e transformação”, destaca Gomes.

A professora enfatiza ainda a necessidade de combater práticas de intimidação, assédio e exclusão, especialmente em relação a mulheres, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência. “Ainda engatinhamos em muitas questões, especialmente de gênero e diversidade. Se você for a uma academia hoje, verá poucas mulheres proporcionalmente. E pessoas LGBTQIA+ muitas vezes não se sentem acolhidas. A luta precisa ser para todos — mas isso exige um olhar atento, não pode ser só discurso”, destaca.

“O tatame precisa ser um espaço de acolhimento, não de temor, assédio ou silenciamento. É possível aprender respeito sem medo. Nem todo mundo vai gostar de lutar, e está tudo bem. Mas todos devem ter o direito de experimentar e se sentir acolhidos”, completa.

Além da produção de artigos científicos, o projeto prevê a elaboração de um material didático voltado ao campo profissional. A expectativa é que esse material contribua para a continuidade das reflexões e das transformações propostas, mesmo após o término da pesquisa. “Publicamos muitos artigos, mas eles nem sempre chegam ao campo profissional. Por isso, o curso vai gerar um material didático em linguagem acessível, que permita interação com os profissionais. Queremos construir relações de diferentes formas e documentar isso para que outras pessoas possam continuar”, destaca a professora.

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Arte circense é tema de seminário internacional e espetáculos

A Unicamp recebe, de 19 a 25 de fevereiro, a Semana de Verão de Pesquisa Circense, um seminário internacional imersivo que espalhará a arte do circo pelo campus de Barão Geraldo. “Será uma semana inteira de atividades, e vamos circular bastante. Apesar de ser um evento fechado, queremos ter alguns momentos de interação com o público, para que as pessoas saibam o que está acontecendo”, adianta Marco Antonio Coelho Bortoleto, professor da Faculdade de Educação Física (FEF) e coordenador do Grupo de Pesquisa em Circo (Circus) da Unicamp, importante referência na área.

Segundo Bortoleto, a proposta do encontro surgiu a partir de um seminário promovido pelo Circus em dezembro de 2024. “A maioria dos congressos é realizada em poucos dias e com agendas muito cheias. A ideia foi criar um encontro diferente, mais intenso, com um grupo menor de pesquisadores reunidos por mais tempo para discutir temas de forma aprofundada”, explica.

O professor da FEF e coordenador do Grupo de Pesquisa em Circo, Marco Antonio Bortoleto: momentos de interação com o público
O professor da FEF e coordenador do Grupo de Pesquisa em Circo, Marco Antonio Bortoleto: momentos de interação com o público

O evento tem como eixo central a elaboração de uma carta de recomendações, que será construída coletivamente no último dia e tornada pública. O documento reunirá diretrizes e sugestões para o avanço da pesquisa e das políticas relacionadas ao circo, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Para isso, quatro grandes temas orientam as discussões: as escolas e processos de formação em circo; o papel dos festivais e eventos culturais; a dramaturgia circense; e o circo social, área que utiliza o circo como ferramenta de transformação social e na qual o Brasil tem destaque internacional.

De acordo com Bortoleto, a expectativa é que o documento reverbere em redes, instituições e organizações representadas pelos participantes. “Muitos deles atuam como representantes de associações, redes e centros de formação em seus países. A ideia é que esse material circule e ajude a orientar ações futuras”, afirma.

Com mais de 20 anos de atuação, o Circus conta com intensa produção acadêmica, com livros, artigos e orientações de mestrado e doutorado e atua na formulação de políticas públicas, em assessorias institucionais e em ações interdisciplinares que articulam arte, educação, saúde e assistência social.

Para o coordenador, o crescimento do interesse pelo tema é evidente. “Nunca houve tantas escolas, artistas e pesquisadores quanto hoje. Em um mundo cada vez mais tecnológico, o circo se destaca por reconectar as pessoas com o corpo, com a experiência direta e por dialogar com diferentes áreas do conhecimento. Pensamos o circo como arte, mas também como um campo que dialoga com educação, transformação social e saúde”, destaca.

O evento é realizado pela FEF, pelo Instituto de Artes e pela Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura
O evento é realizado pela FEF, pelo Instituto de Artes e pela Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura
O evento é realizado pela FEF, pelo Instituto de Artes e pela Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura

“Nosso trabalho é multidisciplinar e buscamos que seja transdisciplinar. Ao longo da semana, teremos palestras com profissionais de diversas áreas, como uma neurocientista que falará sobre a contribuição do circo para o desenvolvimento humano, além de representantes de redes internacionais de formação em circo. Temos pessoas das artes, da educação, da educação física, da assistência social e da saúde”, afirma. “A pesquisa em circo hoje tem muitas vertentes. É um cenário bastante promissor”, completa.

O evento, realizado pela FEF, pelo Instituto de Artes (IA) e pela Pró-reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (Proeec), selecionou 15 participantes. “Abrimos uma chamada pública, até porque o financiamento é público. A chamada foi divulgada em português, espanhol, inglês e francês. Distribuímos nas listas e nos espaços que conhecemos e, para nossa surpresa, tivemos 50 inscrições”, continua Bortoleto.

A coordenação organizou os participantes em três grupos. “O primeiro é formado por pesquisadores da Europa e da América do Norte, como Espanha, Canadá e Estados Unidos. Selecionamos cinco pesquisadores da América Latina e teremos cinco brasileiros, de diferentes regiões.”

No penúltimo dia do seminário, 24 de fevereiro, haverá uma performance na hora do almoço, em frente ao Restaurante Universitário. “Convidamos dois artistas para realizar essa apresentação. Além disso, em outros dois dias da semana iremos a eventos em Mogi Mirim e em São Paulo. Na Capital, vamos ao Centro de Memória do Circo, um dos melhores espaços de acervo sobre circo que temos para uma palestra aberta ao público”, completa.

Foto de capa:

A Semana de Verão de Pesquisa Circense acontece entre os dias 19 e 25 de fevereiro pelo campus de Barão Geraldo
A Semana de Verão de Pesquisa Circense acontece entre os dias 19 e 25 de fevereiro pelo campus de Barão Geraldo

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Terrae Didatica, revista editada no Instituto de Geociência, atinge conceito de excelência na Capes

A revista Terrae Didatica — editada no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp pelo docente Celso Dal Ré Carneiro, fundador da revista — atingiu o conceito A3 do Qualis Capes no novo sistema de avaliação das publicações científicas brasileiras, que entrou em vigor em 2025. A faixa A é reservada a periódicos de excelência. Trata-se de um importante reconhecimento, que atesta a qualidade da publicação e sua visibilidade. Além disso, o conceito obtido aumenta substancialmente as chances de a revista ser contemplada em editais concorridos do CNPq.

Lançada oficialmente em fins de 2005, a revista possui dois registros de ISSN: um para a versão impressa, que foi interrompida no final de 2016 por falta de recursos, e outro para a online, que sempre predominou nas consultas, devido à facilidade de acesso. Ao longo dos anos, a Terræ Didatica, editada ininterruptamente desde sua criação, ampliou a periodicidade e a quantidade de artigos científicos publicados. Entre 2005 e 2009, a revista publicou um número por volume; entre 2010 e 2013, passou a dois números por volume, alcançando três entre 2014 e 2017. Já em 2018, o periódico passou a ser trimestral, quando se fundiu com a Terræ, outra revista científica do IG. Desde que adotou o padrão contínuo de publicação, em 2019, a revista acelerou a difusão dos artigos aceitos. O número de publicações por volume é expressivo: foram 551 artigos e outras comunicações de 2005 até o final de 2025. Em pouco mais de 20 anos, a revista recebeu 794 contribuições. Isso significa que cerca de 30% das submissões foram rejeitadas por diferentes motivos.

O corpo de consultores editoriais Terrae Didatica é altamente qualificado, sendo formado por especialistas de diferentes áreas. “Essa característica, fundamental para que o material recebido seja avaliado da forma mais abrangente e isenta possível, exige tempo e dedicação dos consultores”, destaca Carneiro. “Agradecemos a todos eles pelo fato de colaborarem com a revista sem qualquer remuneração”, reforça. O periódico adota o regime duplo-cego, em que os autores desconhecem os nomes dos avaliadores durante a avaliação, e o avaliador tem dificuldade para identificar os autores. “Caso os pareceristas permitam ser identificados, os autores saberão os nomes de quem avaliou seus trabalhos. Muitas vezes eles agradecem pelas sugestões recebidas”, explica o editor-chefe. Esse trabalho “requer muita atenção aos detalhes, mas, ao mesmo tempo, exige um olhar de conjunto, para garantir que a revista permaneça aberta a quaisquer autores capazes de produzir trabalhos de boa qualidade, sem discriminação”, completa.

O professor Celso Dal Ré Carneiro, fundador da revista: periódico de excelência
O professor Celso Dal Ré Carneiro, fundador da revista: periódico de excelência

Historicamente, cerca de 20% dos trabalhos publicados a cada ano pela revista estão relacionados ao Programa de Pós-Graduação em Ensino e História de Ciências da Terra (PPG-EHCT) do IG. A proporção pode ser considerada saudável, pois representa uma endogenia relativamente modesta. No volume 21, publicado em 2025, 11 dos 47 trabalhos estão relacionados a professores, estudantes ou ex-alunos do PPG-EHCT. Além disso, a comunidade nacional aceita bem os campos e temas de interesse abordados pela revista, resultantes de pesquisas originais e inéditas, de cunho acadêmico ou técnico-profissional, nas áreas de Ciências da Terra, Geologia, Geografia, História da Ciência, Educação, Ensino e outros campos relacionados às Ciências do Ambiente. Terræ Didatica também tem veiculado em suas páginas informações e relatos das atividades do Fórum Nacional de Cursos de Geologia.

Carneiro lembra que muitos fatores interferem nas avaliações da Capes, como a regularidade e pontualidade da publicação; o devido respeito a prazos ágeis de publicação; a qualidade do corpo editorial; o rigor na avaliação; a atualidade das contribuições; a inexistência (ou baixíssima incidência) de erros de formatação ou ortografia; a diversidade de fontes de indexação; a abrangência do público-alvo; a baixa endogenia; os temas abordados. “O conceito A3 é meritório e, de certa forma, justo, prevalecendo para todas as áreas de avaliação da Capes, uma vez que a revista foi assim classificada pela área-mãe (Área 46-Ensino)”, afirma.

O cenário de coexistência das revistas comerciais e das revistas de acesso livre mudou com a internet. “As editoras comerciais tiveram de se adaptar, mas continuam a ‘vender’ o acesso à maioria dos artigos que publicam, enquanto ‘douram a pílula’ ao oferecer alguns deles no formato open-access”, comenta Carneiro. Terrae Didatica sempre se manteve no padrão de revistas de acesso livre (open-access journals). Foi uma das primeiras revistas que passaram a ser veiculadas pelo Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos (PPEC) da Unicamp, cuja proposta é abrigar, em uma única plataforma, todos os periódicos editados e produzidos no âmbito da Universidade. O PPEC, que é uma iniciativa da Coordenadoria Geral da Universidade (CGU) gerenciada pelo Sistema de Bibliotecas (SBU), sugere que as revistas organizem toda a sua publicação em modalidade contínua. A revista do IG opera somente por volume desde 2019, sem subdivisão em fascículos.

Origens de Terrae Didatica

Carneiro descreve como se deu, entre 2004 e 2005, a criação da revista. “Alguns anos depois da criação dos cursos de graduação em Geologia e Geografia da Unicamp, o professor Bernardino Figueiredo, que havia sido diretor do Instituto e sempre foi um entusiasta da ciência, reuniu um grupo de docentes dos quatro departamentos do IG com a finalidade de lançar uma revista que publicasse os resultados das pesquisas do Instituto. O projeto era ambicioso, pois todos os artigos deveriam ser redigidos em inglês e a distribuição seria nacional e internacional.” Assim surgiu a revista Terræ, que passaria a ocupar o lugar deixado pelos extintos Cadernos do IG, apesar dea proposta ter sido acolhida com algum ceticismo pelos docentes, pois a obtenção de recursos poderia dificultar sua publicação. “Graças ao apoio de ex-alunos, em pouco tempo a Petrobras se dispôs a publicar um anúncio na contracapa, gerando uma receita que equilibraria os orçamentos”, conta Carneiro.

Meses depois, Figueiredo lançou a ideia de uma outra publicação periódica, predominantemente em português, com a intenção de divulgar os trabalhos e pesquisas do IG no campo educacional. A denominação seria Terræ Didatica, para vincular uma revista à outra. Assim, em 2005, a revista foi criada, mesmo com recursos escassos, com a missão de ser um veículo de difusão e de intercâmbio de artigos educativos, materiais didáticos e recursos de ensino-aprendizagem que atendessem ao público das áreas ambiental e de Ciências da Terra.

Em 2018, ocorreu a fusão com a Terræ, o queampliou o espectro temático da publicação, até então restrito ao segmento educacional. “O novo perfil possibilita acolher artigos resultantes de pesquisas científicas, educacionais ou mistas e abre a alternativa de compor conjuntos temáticos com resultados de investigações relevantes no plano internacional”, destaca o editor-chefe. A revista aceita artigos inéditos resultantes de pesquisas científicas ou educacionais; sínteses, reflexões, relatos ou análises críticas de projetos e propostas relacionados às Ciências da Terra; números temáticos ou monográficos sintetizando resultados de um ou mais grupos de pesquisa, além de materiais didáticos originais e recursos de ensino, em meio eletrônico. Entre esses últimos, são aceitos textos de apoio, sínteses, aplicações práticas e experimentos educativos; análises de mapas e outros documentos das Geociências que divulguem ou abordem aspectos do conhecimento regional ou mesmo global; relatórios de projetos, workshops, simpósios, congressos e qualquer outra atividade relevante relacionada às Ciências da Terra; traduções de textos altamente relevantes para o avanço das Geociências; e relatos de pesquisas científicas, educativas e propostas de desenvolvimento de pesquisas inovadoras em qualquer área das Ciências da Terra.”

Convite

Carneiro convida os autores a submeterem suas contribuições, tal como no editorial da edição de 2026:

Terræ Didatica está aberta para acolher contribuições de excelente qualidade, sempre com foco nas Geociências ou em campos multidisciplinares de pesquisa geocientífica e/ou de aplicação geoeducacional. A revista consolidou-se perante a comunidade nacional e internacional das Ciências da Terra, sendo escolhida, tanto por pesquisadores mais jovens quanto pelos experientes, para divulgar resultados de investigações originais e inéditas. Esperamos expandir a penetração da revista em 2026, ao mesmo tempo em que reiteramos a confiança no valor inestimável da difusão de ciência de boa qualidade.”

Interessados em enviar artigos podem entrar em contato com o editor-chefe da revista pelo email cedrec@unicamp.br.

Foto de capa:

A revista foi lançada oficialmente em fins de 2005
A revista foi lançada oficialmente em fins de 2005

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Unicamp se prepara para receber os calouros

No ano em que completa seis décadas de existência, a Unicamp preparou uma festa especial para receber os calouros de 2026. A Pró-Reitora de Graduação (PRG) planejou uma série de atividades culturais, pedagógicas e de orientação,  nas quais os novos alunos terão oportunidade de conhecer colegas e professores, além de estabelecer contato com os órgãos de apoio da Universidade onde receberão informações sobre matrículas, bolsas, auxílios e programas de permanência estudantil. 

O programa de recepção aos calouros deste ano será realizado nos dias 23 e 24 de fevereiro e traz como novidade o Kit Boas Vindas, nome adotado pela PRG para um conjunto de ações voltadas aos ingressantes. 

A pró-reitora de Graduação, Mônica Cotta: projeto-piloto do kit boas vindas
A pró-reitora de Graduação, Mônica Cotta: projeto-piloto para reforço de conteúdo (Foto: Lúcio Camargo)

O  destaque do kit é um projeto-piloto em que a Universidade oferece apoio pedagógico aos novos alunos. Num trabalho conjunto com o Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc), a PRG preparou o curso de Pré-Cálculo (Rumo à Matemática). Trata-se de um curso de extensão na modalidade difusão produzido pelo Imecc, com apoio técnico do Grupo Gestor de Tecnologias Educacionais da Unicamp (GGTE) e da Escola de Extensão da Unicamp (Extecamp). O curso é gratuito e à distância, no horário que melhor convier ao aluno.

Segundo a PRG, o objetivo do curso é reforçar para o estudante os conteúdos de ensino médio que são pré-requisitos importantes para as disciplinas de matemática no ensino superior, em especial Cálculo I e Geometria Analítica e Vetores. 

A pró-reitoria avalia que, com isso, o estudante chegará à sala de aula mais bem preparado e com maior possibilidade de sucesso acadêmico, reduzindo os índices de retenção e evasão. 

O Kit Boas-Vindas traz, ainda, uma série de vídeos que apresentam a universidade aos estudantes e falam dos serviços que a instituição oferece.

Os calouros serão recebidos no Ginásio com a entrega do kit ingressante
Os calouros serão recebidos no Ginásio com a entrega do kit ingressante (Foto: Antonio Scarpinetti)

Engenharia Civil e Arquitetura

Como parte do programa de recepção aos calouros, a Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo (Fecfau) da Unicamp vai entregar um kit de desenho aos ingressantes. De acordo com a direção da unidade, o material tem como objetivo oferecer suporte adequado aos alunos para o desenvolvimento das disciplinas de desenho ao longo da graduação, contribuindo para a adaptação acadêmica e a qualificação do processo formativo desde o ingresso.

A entrega dos kits ocorrerá em 3 de março, às 19h, numa atividade organizada pela coordenação do curso. Segundo a direção, a medida evidencia o compromisso da Universidade com a permanência e o sucesso acadêmico dos estudantes.

Os novos alunos do curso de arquitetura vão receber também um kit desenho – composto por uma ecobag, um jogo de esquadros, um conjunto de canetas, lapiseira, um compasso e uma prancheta A3 com régua. O coordenador da Faculdade de Arquitetura, Rafael Urano, lembra neste ano a prova de habilidade específica – quando havia prova de desenho de criatividade, memória e desenho técnico (geométrico) –  foi retirada do vestibular. O coordenador ressaltou, no entanto, que grande parte do curso tem o desenho como um de seus principais fundamentos e é importante que o aluno tenha familiaridade com a matéria. A entrega do kit vai ocorrer no dia três de março.

Atividades da Calourada 2025; programa de acolhimento não registra há vários anos trotes violentos
Atividades da Calourada 2025; programa de acolhimento não registra há vários anos trotes violentos
Atividades da Calourada 2025; programa de acolhimento não registra há vários anos trotes violentos (Foto: Lúcio Camargo)

Primeiros dias

Pró-reitora de Graduação, a professora Mônica Cotta diz se lembrar até hoje dos primeiros dias na Unicamp, na primeira metade da década de 1980, quando foi aprovada no vestibular para o curso de Física. “Foi o início de uma jornada que mudou minha vida e espero que mude também a de cada aluno que passar por aqui”, disse a professora. “Porque a Unicamp não é apenas um curso de graduação. Trata-se de um espaço de vivência, de convivência, de pluralidade de ideias e de saberes”, acrescentou. “E a gente espera que você, novo aluno, venha para cá para aproveitar tudo isso.”

A pró-reitora lembrou que, ao longo dos anos, a Unicamp consolidou uma extensa rede de apoio ao estudante em áreas como moradia estudantil,  aprendizagem, carreira e apoio à saúde. O objetivo principal dessa rede, observou Cotta, é justamente garantir que o estudante consiga se manter na Universidade e concluir o curso.

A caminhada sai da praça da Paz em direção ao Ginásio Multidisciplinar; a concentração está marcada para as 8h30, no dia 23
A caminhada sai da praça da Paz em direção ao Ginásio Multidisciplinar; a concentração está marcada para as 8h30, no dia 23 (Foto: Antonio Scarpinetti)

Caminhada 

O programa de acolhimento aos novos alunos começa com uma caminhada promovida pela Diretoria de Esportes da Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura (Proeec). A caminhada sai da praça da Paz em direção ao Ginásio Multidisciplinar. A concentração está marcada para as 8h30.

Os calouros serão recebidos pelas baterias da Unicamp, no Ginásio, com mensagens de boas-vindas apresentadas pelo reitor Paulo César Montagner, pelo Coordenador-Geral da Universidade, professor Fernando Coelho, pela pró-reitora de Graduação, e por outros representantes da administração central da Universidade

No Ginásio acontecerá a entrega do Kit Ingressante – uma camiseta com a arte da Calourada e uma cor escolhida especialmente para o ano de ingresso; uma caneca para uso nos restaurantes universitários, onde não há mais copos plásticos, além de um “vale-bandejão” para a primeira refeição na Universidade. O kit conta ainda com uma sacola reutilizável, para carregar as peças com conforto.

A comissão organizadora da Calourada 2026 instalou no Ginásio um totem de foto para que cada aluno possa registrar seu primeiro dia na Universidade. Haverá ainda  estandes de grupos estudantis, divulgandoas atividades extracurriculares desenvolvidas por associações atléticas, centros acadêmicos e alunos veteranos..

A comissão organizadora lembra que cada curso prepara uma programação de recepção para apresentar seus espaços, incluindo coordenações, secretarias e direção. As comissões de recepção e os mentores de cada unidade ou curso farão contato com os calouros para garantir que cada novo aluno possa aproveitar as atividades.

Cada curso prepara programação para de recepção para apresentar seus espaços
Cada curso prepara programação para de recepção para apresentar seus espaços (Foto: Antonio Scarpinetti)

A PRG lembra que a Calourada é uma ação de acolhimento e, por conta disso, há vários anos não há registro de trotes violentos. Ainda assim, abriu um telefone para denúncias: (19) 3521-6000.

Almoço

A Universidade vai oferecer um almoço gratuito no Restaurante Universitário (RU), que fica em frente à Diretoria Acadêmica (DAC). O evento é uma ótima oportunidade para conhecer diferentes órgãos da Universidade, como a Prefeitura do Campus, a Secretaria de Vivência dos Campi (SVC), a Agência de Inovação da Unicamp (Inova), o Hemocentro, a Centro de Saúde da Comunidade (Cecom), os Sistemas de Bibliotecas, a Diretoria Executiva de Apoio e Permanência Estudantil (Deape) e muitos outros.

Ingressantes são recepcionados no campus de Piracicaba; ônibus de Piracicaba no dia 23 para caminhada
Ingressantes são recepcionados no campus de Piracicaba; ônibus de Piracicaba no dia 23 para caminhada (Foto: César Maia/FOP)

Piracicaba

A Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Unicamp, também terá uma programação especial para receber os novos alunos. Haverá ônibus de Piracicaba para Campinas no dia 23, mas os estudantes podem comparecer diretamente à praça da Paz para a caminhada. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail da Coordenadoria de Graduação – gradfop@unicamp.br.

Dia 24: Limeira

Os campi Limeira recebem cerca de um terço dos ingressantes da Unicamp neste ano. Por isso, as atividades de recepção da organização central acontecerão na própria cidade. Serão celebrações por campus, com totem de fotos para registrar o primeiro dia, atividades esportivas e culturais, estandes para informações e participação dos grupos estudantis.

No período da manhã, a comitiva de boas vindas passa pelo campus da Faculdade de Tecnologia (FT). No período da tarde a celebração se dá com os estudantes da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA).

Acesse para mais informações sobre a Calourada 2026.

Foto de capa:

Unicamp se prepara para receber os calouros
O programa de recepção aos calouros deste ano será realizado nos dias 23 e 24 de fevereiro (Foto: Antonio Scarpinetti)

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