Aldo Mellender de Araújo recebe título de professor emérito da UFRGS
Possivelmente, quando o jovem estudante Aldo Mellender de Araújo ingressou no curso de graduação em História Natural na UFRGS, em 1962, não imaginou que ali começava, nos espaços desta Universidade, uma vida feliz dedicada à pesquisa e ao ensino que soma mais de 60 anos e ainda prossegue, mesmo após a aposentadoria, embalada pelo entusiasmo que caracteriza os grandes pesquisadores e professores. Essa longa e rica trajetória teve seus marcos lembrados com emoção e leveza na cerimônia do Conselho Universitário desta quinta-feira, 26 de março, de outorga do título de professor emérito a Aldo, proposto pelo Instituto de Biociências e aprovado no ano passado (Parecer 174/2025 e Resolução 225/2025). Colegas e ex-colegas, alunos e ex-alunos, amigos e familiares estiveram presentes na sessão presidida pelo vice-reitor Pedro Costa, acompanhado na mesa pelo homenageado, pela diretora do Instituto de Biociências Livia Kmetzsch e pela professora Karen Luisa Haag, oradora da cerimônia.
Aldo Mellender de Araújo graduou-se em História Natural em 1967 e em 1973 doutorou-se em Genética (com uma tese em Genética Humana – “Estrutura Populacional e Malformações Congênitas na População de Porto Alegre”), também pela UFRGS. Esse começo na pesquisa foi lembrado por ele na cerimônia, quando contou como conquistou a oportunidade de, em 1965, atuar como estudante de iniciação científica no então Laboratório de Genética sob orientação do professor Francisco Mauro Salzano (também professor emérito da UFRGS, falecido em 2018). Aldo revelou que ao final da entrevista de seleção Salzano lhe disse: “acho que vamos nos dar muito bem”. De fato, os dois pesquisadores tornaram-se colegas e amigos.
Depois do doutorado, Aldo optou por dedicar-se ao tema da Evolução Biológica e foi para a Universidade de Liverpool fazer pós-doutorado em Genética Ecológica, uma área emergente da biologia nos anos de 1970. Desse período no Reino Unido, Aldo guarda boas lembranças, não só das atividades das pesquisas de campo, mas também das pessoas que conheceu. Na sua fala na cerimônia, fez questão de compartilhar algumas dessas vivências. Nos anos 90, Aldo ampliou sua atuação, dedicando-se também ao estudo de história e filosofia da ciência e vindo a criar um grupo interdisciplinar de estudos nessa área na UFRGS. Sua produção científica ao longo de todos esses anos está presente em publicações nacionais e internacionais e são referência para pesquisadores.
A caminhada e os feitos da carreira do homenageado desde a década de 1960 até o presente foram lembrados pela oradora em seu discurso (acesso à integra do discurso neste link), mas a professora Karin preferiu enfatizar as lições que a longa convivência como aluna, orientanda e colega com Aldo lhe proporcionou. Ela listou ensinamentos que extrapolam a genética: todas as pessoas têm o mesmo valor no espaço do pensamento científico; a qualidade do pensamento científico exige pausas, silêncio e tempo de elaboração; devemos ser cuidadosos com os modismos científicos; e o ceticismo necessário não significa conservadorismo intelectual. Ao elencar essas lições, Karin disse que Aldo soube combinar as qualidades para formar pensadores críticos e que ela teve o privilégio de ser formada intelectualmente por ele. Por fim, afirmou que Aldo ensinou novos pesquisadores a “como estar na ciência: com rigor, com humildade, com liberdade intelectual e com humanidade”.
Ao usar a palavra, Aldo fez uma fala informal e agradecida, evidenciando uma imensa satisfação pelo que construiu e continua a construir na UFRGS, na ciência e na vida. “Desde meu primeiro dia na UFRGS, em 1962, me senti feliz na Universidade”, afirmou.
O vice-reitor Pedro Costa salientou a importância de cerimônias de outorga de título de professor emérito, que, segundo ele, são ritos formais que são também reveladores do que significa construir uma universidade e fazer ciência, algo que envolve colaboração e redes de pessoas. Pedro agradeceu a dedicação de Aldo à UFRGS: “momentos como esse só são possíveis com trajetórias como a sua”.
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