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Copom corta Selic para 14,75%, mas sinaliza cautela com guerra no Oriente Médio

Crédito: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual e levou os juros básicos para 14,75% ao ano. No comunicado da decisão, o BC (Banco Central) afirmou que o ambiente externo ficou mais incerto com o agravamento dos conflitos no Oriente Médio.

De acordo com o BC, esse cenário elevou a volatilidade de preços de ativos e commodities e exige cautela de países emergentes. O comitê também apontou risco para a inflação no Brasil por causa de efeitos sobre a cadeia global de suprimentos e os preços de commodities.

No cenário doméstico, o BC afirmou que a atividade econômica segue em moderação, como esperado, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência. A autoridade monetária também disse que a inflação cheia e os núcleos tiveram algum arrefecimento, mas continuam acima da meta.

As expectativas de inflação medidas pela pesquisa Focus ficaram em 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027. A projeção do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, ficou em 3,3%.

Cenário adverso

O Banco Central afirmou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio. Entre os fatores de pressão, o comitê citou desancoragem das expectativas, inflação de serviços mais resistente e possível impacto maior de políticas econômica interna e externa, com reflexo cambial. Entre os vetores de alívio, apontou desaceleração mais forte da atividade doméstica, perda de ritmo da economia global e queda das commodities.

No comunicado, o Copom afirmou que iniciou um ciclo de calibração da política monetária depois de um período prolongado de juros em patamar contracionista. Segundo o comitê, isso abriu espaço para ajustes graduais, sem abandonar o objetivo de convergência da inflação.

O BC também indicou que os próximos passos dependerão de novas informações sobre a extensão do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços. O comitê afirmou que vai manter serenidade e cautela na condução da política monetária.

Críticas do setor produtivo e centrais sindicais

A decisão recebeu críticas de entidades do setor produtivo e de centrais sindicais, que consideraram o corte correto, mas insuficiente.

O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, afirmou que a decisão era esperada, mas que a redução veio abaixo da expectativa anterior de 0,5 ponto por causa do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã e da pressão sobre o petróleo. Ele também defendeu política fiscal mais austera como condição para juros estruturalmente mais baixos.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) avaliou que a redução não interrompe a desaceleração da atividade nem alivia de forma relevante o endividamento. Já a Fecomércio-SP afirmou que o ciclo de queda começou, mas com intensidade ainda incerta.

Na mesma linha, Contraf-CUT e Força Sindical disseram que o corte é pequeno diante do peso das dívidas e da necessidade de estimular consumo e emprego.

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Mercado estima redução da Selic em 0,25 ponto esta semana

Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz, nesta semana, nova reunião para decidir sobre a taxa básica de juros, a Selic, e a previsão do mercado financeiro é que ela seja reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A expectativa está no boletim Focus desta segunda-feira (16), pesquisa divulgada semanalmente pelo BC com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

A Selic, definida atualmente em 15% ao ano, é o principal instrumento da autarquia para alcançar a meta de inflação. Apesar do recuo da inflação e do dólar, o Copom não interferiu nos juros pela quinta vez seguida, na última reunião, no fim de janeiro.

A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano. Em ata, o colegiado confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, marcada para esta terça (17) e quarta-feira (18), caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos.

Na semana passada, o mercado estimava um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, mas o aumento das expectativas de inflação mudou este cenário. Entre as razões para esta revisão está o impacto econômico da guerra no Irã, com o aumento no preço do petróleo pressionando a inflação futura.

Da mesma forma, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica, até o final de 2026, foi elevada nesta edição do boletim Focus, com a previsão de redução passando de 12,13% ao ano para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida; isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a Taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Inflação

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência oficial da inflação no país – passou de 3,91% para 4,1% em 2026. Para 2027, a projeção da inflação permaneceu em 3,8%. Para 2028 e 2029, as previsões são de 3,5%, para ambos os anos.

Apesar da alta, a estimativa para a variação de preços em 2026 se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Em fevereiro, a alta dos preços em transportes e educação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,7%, uma aceleração diante do registrado em janeiro, 0,33%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado levou o IPCA a acumular alta de 3,81% em 12 meses.

PIB e câmbio

Já a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano variou de 1,82% para 1,83%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.

Nesta edição do boletim Focus, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,47.

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