Sete PMs são indiciados pela morte de agricultor em Pelotas
Sete policiais militares foram indiciados pela Polícia Civil pela morte do agricultor Marcos Nörnberg, ocorrida em janeiro durante uma operação da Brigada Militar em Pelotas, na região Sul do RS. Quatro deles, apontados como autores dos disparos, foram indiciados por homicídio doloso, com dolo eventual, e tentativa de homicídio contra Raquel Nörnberg, viúva do agricultor. Outros três, do serviço de inteligência, foram indiciados como partícipes pelos mesmos crimes.
Entre os quatro policiais que atiraram estão dois sargentos e dois soldados. Os crimes foram qualificados pelo uso de arma de calibre restrito. A conclusão do inquérito foi apresentada nesta quarta-feira (9), em Porto Alegre.
A Polícia Civil concluiu que a tese de legítima defesa apresentada pelos policiais não se sustenta diante dos elementos reunidos na investigação. Ao todo, 24 policiais militares foram investigados individualmente, do comandante da unidade aos soldados que participaram da ação.
A dinâmica dos disparos foi um dos principais pontos da apuração. A perícia identificou que o primeiro tiro partiu de um fuzil utilizado pelos policiais. Depois, foram constatados ao menos outros 18 disparos de fuzil e um de carabina, arma que pertencia a Marcos. Dois ruídos inicialmente apresentados como possíveis tiros não foram identificados dessa forma pelos peritos.
O inquérito utilizou mais de 20 exames feitos pelo IGP (Instituto-Geral de Perícias), incluindo necropsia, análises balísticas, de áudio, de imagem e laboratoriais, além de uma reprodução simulada. A investigação também confrontou as versões de 12 policiais e de Raquel com imagens de videomonitoramento e os resultados dos exames.
A apuração analisou ainda como os policiais chegaram à propriedade errada. A equipe buscava integrantes de uma quadrilha após receber informações de pessoas presas no Paraná. A Polícia Civil concluiu que os áudios usados para indicar o endereço não eram compatíveis com o sítio da família Nörnberg e atribuiu aos três policiais do serviço de inteligência participação na definição equivocada do local.
A investigação não atribuiu ao comandante da unidade participação no resultado. A Polícia Civil entendeu que as decisões de efetuar os disparos foram individuais e tomadas pelos policiais que atiraram.
O caso Nörnberg
Marcos Nörnberg foi morto na madrugada de 15 de janeiro dentro de casa, na Estrada da Cascata, em Pelotas. Ele foi atingido por pelo menos sete tiros disparados por policiais militares durante a entrada da equipe na propriedade.
A conclusão da Polícia Civil diverge da apresentada pela Brigada Militar em abril. Na investigação interna, a corporação concluiu que a atuação dos policiais envolvidos não configurou crime, embora o então comandante-geral, Cláudio Feoli, tenha reconhecido um “grande equívoco” na operação.
Raquel Nörnberg afirmou considerar justo o resultado da investigação e disse que esperava que a análise dos elementos esclarecesse o que ocorreu naquela noite.
O inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar as conclusões da Polícia Civil e decidir quais medidas judiciais adotar.
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