Visualização de leitura

O maior comprador de bitcoin está falando em vender — isso é um sinal que você também precisa mudar

A empresa que mais comprou Bitcoin no mundo nos últimos anos sinalizou, na última divulgação de resultados, que pode vender parte da reserva.

É contra-intuitivo o suficiente para parar qualquer um. A Strategy, com mais de 815 mil BTC em tesouraria e uma tese construída integralmente ao redor do ativo, falando em vender? É o fim da tese?

Nesta edição, exploramos a dinâmica por trás desse movimento e como ela se conecta a uma forma mais eficiente de investir em criptoativos. Antes de chegar lá, atualizamos a leitura técnica do Bitcoin — que vem se recuperando desde os fundos de abril e já opera próximo dos US$ 81 mil — além do cenário macro, que segue construtivo, atuando silenciosamente por baixo do ruído diário do mercado. Também analisamos o avanço do Clarity Act no Senado americano, uma proposta que pode acelerar a consolidação das criptomoedas como uma classe de ativos legítima e cada vez mais integrada ao sistema financeiro tradicional.

Análise Gráfica

Fonte: Empiricus Cripto

O gráfico acima combina dois elementos. À direita, o modelo de densidade distribui o histórico de negociação por nível de preço — não por tempo. As regiões mais densas indicam onde o mercado concentrou volume ao longo dos últimos meses e funcionam como zonas naturais de suporte e resistência quando o preço retorna àquele nível. O cone projetado à esquerda indica a faixa esperada de oscilação para os próximos sete dias, com base na volatilidade realizada dos últimos 30 dias.

O Bitcoin está sendo negociado próximo de US$ 81.400. A tendência de alta desde os fundos de março e abril segue em voga, ainda, sem sinais de esgotamento. É um processo gradual, com cada semana de fechamento no positivo consolidando a estrutura.

A próxima zona de resistência relevante fica em torno de US$ 84.500. Abaixo do preço atual, os principais suportes estão em US$ 78.400 e US$ 77 mil. Para os próximos sete dias, o cone de volatilidade projeta com um intervalo de 68% de probabilidade do ativo ficar entre US$ 77.400 e US$ 85.500.

No consolidado, seguimos com viés otimista.

O velho ditado continua valendo: em time que está ganhando, não se mexe

O pano de fundo macro não mudou do que acompanhamos nas últimas semanas.

Os juros reais americanos seguem em queda. Não porque o Federal Reserve cortou taxas, o banco central ficou parado, mas porque as expectativas de inflação de curto prazo subiram enquanto os juros nominais permaneceram relativamente estáveis. Quando isso acontece, os juros reais caem, a renda fixa perde atratividade relativa e o capital começa a buscar retorno em outros lugares.

A isso se soma a compressão simultânea da volatilidade em múltiplas classes de ativos. O VIX (bolsas americanas), o MOVE Index (Treasuries) e a volatilidade cambial seguem em níveis baixos simultaneamente. Um choque macro não estressa um único mercado, ele costuma aparecer quando ações, bonds e câmbio oscilam com violência ao mesmo tempo.

O oposto também é verdade, quando a volatilidade cai em bloco, como agora, o sistema inteiro sinaliza ausência de estresse. Vale notar que mesmo com o petróleo voltando a subir por tensões geopolíticas, os mercados não reagiram como faziam no passado, quando crude up significava automaticamente juros mais altos e bolsas pressionadas. O choque existe, mas o mercado o interpreta como um risco localizado de oferta, não como uma ameaça inflacionária estrutural e enquanto esse mecanismo de transmissão não se reativar, o regime segue favorável.

Quando a volatilidade cai em conjunto dessa forma, o sistema financeiro aumenta exposição ao risco de forma “mecânica”. Fundos quantitativos e estratégias institucionais de alocação são calibrados por volatilidade: quando ela recua, esses modelos permitem posições maiores. O resultado prático é mais capital migrando para ativos de risco.

O resultado aparece nos fluxos. Desde o começo de abril, os ETFs de Bitcoin acumularam mais de US$ 3,7 bilhões em entradas líquidas. Ativos de risco estão subindo em bloco e criptoativos estão nessa cesta.

Strategy: quando a maior compradora de BTC fala em vender

A Strategy é a maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, com mais de 818 mil BTC em tesouraria, o equivalente a quase 4% de toda a oferta que existirá. Não é um nome novo: a empresa acelerou sua acumulação justamente durante os meses de maior ruído geopolítico, e foi esse fluxo, junto com os ETFs e outras Digital Asset Treasuries (empresas que adotaram BTC como reserva estratégica de balanço), que sustentou o preço do Bitcoin durante o período de maior incerteza. E é o mesmo fluxo que vem impulsionando a recuperação até os patamares atuais.

O que chama atenção foi sua última divulgação de resultados, a empresa sinalizou a possibilidade de vender parte da reserva. A pergunta natural: por quê?

A resposta está na evolução da estrutura de capital da Strategy e revela mais sobre o estágio de maturidade do mercado do que sobre qualquer mudança de convicção.

O modelo original da Strategy era relativamente simples: captar dinheiro no mercado, comprar Bitcoin e esperar sua valorização. O problema é que Bitcoin não gera fluxo de caixa, enquanto grande parte dessas compras foi financiada com dívida tradicional, que possui vencimentos entre 2027 e 2032. Isso criava um risco importante, se o BTC estivesse em baixa quando essas dívidas começassem a vencer, a empresa poderia ser obrigada a vender reservas em um momento desfavorável.

Foi justamente para reduzir essa fragilidade que surgiu o STRC, um novo tipo de ação preferencial perpétua emitida pela Strategy. Diferente de uma dívida comum, ela não possui vencimento. Ou seja: a empresa não precisa devolver o principal em uma data específica. Em vez disso, os investidores recebem dividendos recorrentes e podem negociar suas ações livremente no mercado secundário.

Na prática, a Strategy está tentando transformar uma estrutura baseada em dívida de prazo definido em uma base de capital mais permanente e flexível.

E é aí que entram as possíveis vendas parciais de BTC. Elas não representam abandono da tese. Fazem parte da administração financeira do modelo. A empresa pode emitir ações, pagar dividendos e, eventualmente, vender pequenas parcelas de Bitcoin para equilibrar sua estrutura de capital.

Ainda assim, o ponto mais importante é outro: até a maior empresa do mundo focada em comprar e segurar Bitcoin precisou evoluir sua estratégia. O mercado amadureceu. Hoje, não basta apenas acumular ativos. É preciso administrar liquidez, risco, fluxo de caixa e timing de mercado.

Esse movimento ajuda a explicar uma mudança mais ampla no próprio mercado cripto. Nos ciclos anteriores, simplesmente comprar Bitcoin e carregar posição já era suficiente para gerar retornos extraordinários. Mas, à medida que o setor se institucionaliza, cresce também a diferença entre uma gestão passiva e uma gestão ativa.

Cada vez mais, os grandes participantes buscam otimizar exposição, aumentando risco quando o ambiente é favorável, reduzindo posição em momentos de deterioração e tentando capturar os fluxos que lideram cada etapa do ciclo.

É exatamente essa lógica que orienta a Carteira Crypto Momentum: uma estratégia de gestão ativa construída para buscar retornos acima do próprio Bitcoin. A proposta não é substituir o BTC, mas reconhecer que, em um mercado mais sofisticado, existe uma camada adicional de oportunidade para quem consegue navegar os ciclos de forma mais dinâmica.

E os resultados iniciais ajudam a ilustrar isso. Durante seu primeiro mês de operação, a carteira entregou 128% do retorno do Bitcoin, aproveitando justamente um ambiente macro que continua favorável para ativos de risco e para o mercado cripto como um todo.

Fonte: Empiricus Cripto

Micro — Clarity Act: o trilho institucional se abre

O Clarity Act, projeto de lei que propõe estrutura regulatória clara para criptoativos nos Estados Unidos, voltou a chamar atenção esta semana.

O contexto: por anos, dois órgãos reguladores americanos (a SEC e a CFTC) disputaram jurisdição sobre criptoativos, criando incerteza jurídica crônica. Qualquer gestora que quisesse construir produto cripto encarava o risco de ver aquela linha de negócio declarada ilegal por uma mudança de interpretação regulatória. O Clarity Act propõe resolver isso: divide a supervisão de forma clara, cria regras específicas para stablecoins, exchanges e DeFi, e abre caminho para que ativos saiam da zona cinzenta.

O projeto passou na Câmara em julho de 2025 com 294 votos a favor — placar incomum num Congresso polarizado. Ficou parado no Senado por um impasse sobre stablecoins, a questão era se essas moedas digitais poderiam oferecer rendimento, o que os bancos tradicionais interpretavam como concorrência direta. Nas últimas semanas, um compromisso bipartidário desbloqueou esse nó. A solução protege os bancos, mas preserva os modelos de negócio cripto baseados em utilidade real. Agora, a votação de markup no Comitê Bancário do Senado está prevista para a semana de 11 de maio.

Este é o marco regulatório mais aguardado pelo mercado e o impacto prático de uma aprovação vai além de uma vitória política. Mais clareza jurídica significa menos atrito para gestoras, corretoras, bancos e até empresas de tecnologia construírem produtos cripto. A discussão deixa de ser “se” grandes instituições participarão e passa a ser “por qual trilho” — e quantos estarão disponíveis.

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Tudo certo e nada resolvido no Oriente Médio: mesmo assim, mercados (e Bitcoin) avançam

O conflito no Oriente Médio ainda não foi resolvido. O Estreito de Ormuz segue operando bem abaixo do norma, e o alívio geopolítico permanece incompleto. Mesmo assim, os mercados avançaram nos últimos dias. 

Por baixo do ruído, dois movimentos estão moldando o que acontece com o Bitcoin: a liquidez global voltou a se expandir, impulsionada pela queda dos juros reais, e o capital institucional não parou de comprar – nem nos momentos de maior estresse. 

Nesta edição, analisamos esses dois vetores, e o que eles significam para o seu portfólio.

Tudo certo, nada resolvido na guerra no Oriente Médio

Donald Trump prorrogou o cessar-fogo com o Irã por prazo indefinido e, no papel, o cenário-base de normalização gradual segue como o mais plausível, o suficiente para sustentar o bom humor dos mercados. Ainda assim, a evolução diplomática ainda não se traduziu plenamente na prática. 

Desde o início do conflito, o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz — responsável por cerca de um quinto do petróleo global — saiu de algo próximo de 100 navios por dia para níveis próximos de zero e, desde então, apesar dos últimos avanços, a recuperação foi apenas marginal. A trégua não se traduziu em retomada do tráfego. 

Fonte: BTG Pactual

Cada semana adicional com Ormuz operando abaixo do normal aumenta a probabilidade de que um choque inicialmente temporário assuma um caráter mais duradouro. Nesse contexto, o prêmio de risco em energia permanece elevado, a visibilidade de médio prazo segue reduzida, e o equilíbrio do mercado continua frágil. Enquanto o fluxo não apresentar melhora relevante, qualquer leitura de alívio geopolítico permanece incompleta. 

Apesar disso, os mercados voltaram a avançar rapidamente, reflexo de uma dinâmica de rotação. 

O que move os mercados no momento? 

As bolsas dos Estados Unidos já superaram os níveis anteriores ao conflito, e voltaram a alcançar novas máximas históricas. Os spreads de crédito recuaram, e empresas com maior alavancagem — normalmente as primeiras a sofrer quando a liquidez aperta — passaram a subir de forma consistente. Quando esse tipo de ativo performa, temos um sinal de que a liquidez está expandindo, um terreno fértil para ativos de risco. 

Boa parte dessa leitura passa pela própria aritmética dos juros nos EUA. O choque de energia mantém a inflação pressionada na margem, e isso vem sendo incorporado nas expectativas. Em um cenário mais tradicional, esse movimento seria suficiente para gerar preocupação com aperto monetário adicional. Mas não é o que está acontecendo. 

A inflação sobe, mas não o bastante para deslocar de forma relevante a trajetória esperada de juros nominais. O resultado dessa combinação aparece não no headline, mas na variável intermediária: os juros reais. 

Com inflação implícita mais alta e juros nominais relativamente estáveis, o juro real recua. E essa compressão funciona, na prática, como um afrouxamento indireto das condições financeiras. Não há corte formal por parte do Federal Reserve (Banco Central dos EUA), mas o efeito econômico se aproxima disso, e a taxa de desconto dos ativos diminui. 

Isso altera o jogo. Com a queda dos juros reais, a renda fixa perde atratividade relativa. Não porque deixou de render, mas porque rende menos em termos reais, abrindo espaço para outros ativos. Nesse contexto, o Bitcoin acaba se beneficiando

A divulgação dos últimos dados macro reforça essa leitura. Os indicadores de atividade vieram acima do esperado, com destaque para o consumo das famílias americanas, que segue resiliente e afasta, ao menos por ora, o risco de uma desaceleração mais brusca. Com crescimento ainda sustentado e o crédito funcionando, o incentivo para posições defensivas diminui, e o capital volta a avançar ao longo da curva de risco. 

A leitura, portanto, é de um regime construtivo, com espaço para continuidade do movimento. Ao mesmo tempo, esse avanço se apoia em pilares que não são totalmente sólidos, o que exige cautela e reforça que o processo dificilmente será linear. 

O mercado não reage apenas ao nível das variáveis, mas à forma como elas evoluem ao longo do tempo. Em períodos mais estáveis, os preços tendem a oscilar dentro de faixas relativamente bem definidas. Quando essa dinâmica se rompe — como nas sequências recentes de alta — o que entra em jogo não é apenas a direção, mas a possibilidade de mudança de regime. 

Em cenários mais sensíveis, como o atual, estratégias capazes de identificar a rotação de fluxos e agir de forma tática ganham ainda mais relevância. Para quem busca capturar esse movimento de forma automática e sem custo, existe uma solução que já mencionamos na última edição — e que vem entregando cerca de 15% de performance adicional em relação ao BTC.

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Comprando Bitcoin ao som dos canhões 

À medida que o Bitcoin retoma a alta, o fluxo que sustenta esse movimento é, em grande medida, institucional. Foram os institucionais que absorveram a volatilidade ao longo das semanas mais difíceis do conflito sem recuar, e eles é quem respondem pela maior parte da performance de preço que nos trouxe até aqui. 

Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin do mundo, reportou, em 20 de abril, uma posição de 815.061 BTC em tesouraria. Desde o início de março, a empresa adicionou mais de 94 mil BTC — acelerando a acumulação justamente no período de maior ruído geopolítico. Não é um caso isolado: as chamadas Digital Asset Treasuries, empresas que adotaram o Bitcoin como reserva estratégica de balanço, somam agora 49 instituições ao redor do mundo, com cerca de 5,7% de toda a oferta circulante do ativo, reforçando seu papel como fonte estrutural. 

Os ETFs de Bitcoin à vista seguem nessa mesma linha. O saldo líquido de entradas desde o começo de março já passa de US$ 3,5 bilhões, e vem ficando ainda mais robusto em abril. 

Fonte: Farside

Além disso, grandes bancos passaram a estruturar produtos próprios para oferecer exposição ao Bitcoin diretamente aos seus clientes. Isso confirma que a demanda existe e foi validada, e que a distribuição, que coloca o ativo nas mãos do investidor final, está mudando de forma relevante. Quando o Bitcoin passa a ser acessível dentro da plataforma do próprio banco do cliente, sem que ele precise migrar para uma corretora especializada, o alcance potencial da demanda cresce, impulsionado pela escala e capilaridade dessas instituições. 

O Morgan Stanley foi o primeiro a dar esse passo: em 8 de abril, lançou o MSBT, o primeiro produto cripto de uma gestora afiliada a banco nos Estados Unidos, e o lançamento rapidamente se tornou o mais bem-sucedido nesse formato na história da instituição. Dias depois, o Goldman Sachs protocolou na SEC o seu próprio ETF ligado ao Bitcoin. 

Ambos os movimentos reforçam a institucionalização do setor e fortalecem o médio/longo prazo. No conjunto da obra, seguimos com prospectos positivos, ainda que com ressalvas, dada a fragilidade do momento atual.

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Bitcoin (BTC) em alta: a estratégia para buscar retornos acima da média com criptomoedas

Após cinco semanas ininterruptas de ameaças e recuos, o conflito no Oriente Médio aparenta já ter deixado seu pico para trás. O cenário-base agora é de normalização — ainda que sujeito a tropeços ao longo do caminho.

Sem esse fator exógeno pesando sobre os mercados e com uma economia norte-americana ainda resiliente, o capital está voltando a fluir para ativos de maior risco. No front institucional, grandes bancos passam a oferecer criptomoedas diretamente aos seus clientes — reforçando a maturidade e crescimento de demanda pelo setor.

Tudo isso está convergindo para uma tendência de alta do Bitcoin e do mercado como um todo.

Quem investe em cripto conhece bem a frustração: ver o mercado subir enquanto a carteira fica parada, presa em ativos que prometiam mas não entregaram. Nesta edição, aproveitamos o timing para mostrar como evitar exatamente isso — e como extrair o máximo deste momento por meio de uma estratégia simples, sistemática, que pode ser aplicada de forma automática e gratuita.

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O que sustenta o novo movimento de alta

O momento atual pode ser resumido de forma simples: o dinheiro não sumiu — ele está voltando a se mover.

No macro, o debate deixou de ser sobre falta de liquidez e passou a ser sobre para onde ela está indo. As bolsas americanas voltaram a mostrar força nas últimas semanas, com recuperação relativamente rápida após o estresse de março, enquanto o crédito segue funcionando sem sinais de ruptura. Os spreads continuam longe de níveis típicos de estresse sistêmico, o que indica que o mercado não está precificando um cenário de deterioração econômica profunda.

Isso muda completamente a leitura. Quando a liquidez realmente desaparece, o mercado responde com desorganização e quedas abruptas, não é o quadro atual. O que vimos foi um movimento de cautela: o capital ficou temporariamente mais defensivo, em resposta ao conflito, mas sem sair do sistema. Com a estabilização do cenário, esse mesmo capital começa a se reposicionar de forma gradual, voltando a assumir risco e a buscar ativos sensíveis ao crescimento.

Com menos pressão no macro e o crédito ainda funcional, o incentivo para permanecer em posições excessivamente conservadoras (renda fixa) diminui. O resultado é um reposicionamento progressivo em busca de retorno e convexidade — e é justamente esse tipo de fluxo que historicamente sustenta movimentos mais consistentes em ativos como o Bitcoin.

Do lado institucional, o movimento acelerou de forma clara, com destaque para a entrada direta de grandes bancos e instituições na oferta de produtos ligados a cripto. O Morgan Stanley lançou o MSBT, seu ETF de Bitcoin à vista, que rapidamente se tornou um dos lançamentos mais bem-sucedidos da casa. O Goldman Sachs passou a estruturar produtos relacionados ao Bitcoin para clientes institucionais. A Charles Schwab — com mais de 30 milhões de clientes — liberou negociação direta de Bitcoin e Ethereum. E a NYSE (New York Stock Exchange) reforçou apoio à infraestrutura cripto.

Esse movimento faz diferença principalmente na distribuição. Quando essas instituições passam a oferecer cripto dentro das suas plataformas, o acesso deixa de ser nichado e passa a ser integrado ao sistema financeiro tradicional, ampliando de forma relevante o alcance e a demanda potencial pelo setor.

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A diferença entre ganhos comuns e ganhos extraordinários

O Bitcoin acima dos US$ 75 mil chama atenção, mas não é onde está a principal assimetria. Em ciclos como o atual, o BTC tende a liderar o movimento, funcionando como porta de entrada de fluxo. À medida que o mercado ganha tração e a liquidez se espalha, o capital começa a buscar ativos com maior potencial de valorização relativa — e é nesse momento que surgem as distorções mais interessantes.

Dentro desse mercado correlacionado, existe uma camada de diferenciação que passa a ser determinante para o desempenho do portfólio. Algumas altcoins conseguem performar muito acima do Bitcoin. Um protocolo DeFi que começa a acumular receita real, uma rede de segunda camada com crescimento expressivo de usuários, um token de infraestrutura ligado ao boom de inteligência artificial. Esses catalisadores criam janelas de valorização que vão muito além do movimento geral do mercado — e é nesse tipo de dinâmica que o momentum se mostra uma das abordagens mais consistentes.

A lógica é respaldada por décadas de pesquisa: ativos que estão se valorizando tendem a continuar se valorizando. Quando uma altcoin mostra força relativa superior à do Bitcoin, algo muda na dinâmica daquele ativo. Pode ser um fundamento novo sendo precificado, uma narrativa ganhando tração — em muitos casos, é justamente essa combinação que sustenta o movimento.

Através de indicadores e modelos que ponderam quais fatores são mais eficazes em cada regime de mercado, uma carteira gerida com essa lógica observa quais ativos já estão subindo e com que intensidade — ajustando as posições de acordo. Para evitar que a volatilidade comprometa o capital nos momentos de estresse, a exposição total também é calibrada dinamicamente: mais conservadora quando há turbulência, mais aberta ao risco quando o ambiente melhora.

Em cripto, as narrativas surgem e desaparecem com velocidade. Projetos que parecem revolucionários podem passar meses andando de lado ou acumulando perdas — e, por isso, a disciplina se torna decisiva. Ao reduzir exposição em ativos que perdem força, a estratégia evita carregar posições em tendência de queda e limita drawdowns prolongados, um dos maiores destruidores de capital nesse mercado.

Se você já investe em cripto há algum tempo, provavelmente já passou por isso: segurar uma tese “promissora” enquanto o preço simplesmente não responde.

Em nossa leitura, momentum não é apenas uma ferramenta complementar, é uma das engrenagens centrais para navegar esse tipo de mercado com consistência.

Esse tipo de estratégia pode ser aplicado de diferentes formas. Para quem tem mais experiência, é possível construir e monitorar a carteira manualmente, mas exige tempo, disciplina e acompanhamento constante. Para quem está começando ou simplesmente não quer perder o timing, existe uma alternativa mais direta, a Empiricus Crypto Momentum: uma carteira gerida de forma automática e disponível com um clique, que atualmente está com uma performance duas vezes melhor do que o próprio BTC.

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Criptomoedas: como lucrar em qualquer cenário de mercado

Depois de cinco semanas de conflito entre ameaças e recuos, chegou o anúncio que o mercado aguardava. Na última terça-feira, Donald Trump declarou pelas redes sociais um cessar-fogo entre os EUA e o Irã, mediado por Paquistão e China. O Estreito de Ormuz, a passagem por onde circula cerca de um quinto de todo o petróleo do mundo, seria reaberto.

Ainda que frágil, o mercado recebeu a notícia com otimismo. Bolsas americanas subiram, criptoativos foram junto, o petróleo e o dólar recuaram. O acordo tem asteriscos — horas depois, Israel atacou o Líbano em larga escala, o Hezbollah respondeu e o Irã acusou violação — mas ainda assim sinaliza um caminho, ainda que tortuoso, rumo à normalização.

Nesta edição, destrinchamos o que esse cessar-fogo significa para os ativos de risco, como está se refletindo no regime macro e encerramos com o que importa para o portfólio neste momento: como gerar retorno quando o mercado não escolhe uma direção.

De olho nos últimos acontecimentos

Após semanas operando comprimido na região dos US$ 68 mil, o Bitcoin testa as proximidades dos US$ 72 mil com o anúncio do cessar-fogo.

O nível dos US$ 68 mil segue como o principal ponto de referência técnica no curto prazo. Enquanto o BTC se mantiver acima dessa faixa, o viés é de recuperação. O que torna o momento mais complexo é que o próximo gatilho não está no gráfico, está nos desdobramentos do acordo.

Fonte: Empiricus Cripto

O gráfico combina três elementos: a evolução recente do preço, um cone de volatilidade baseado nos últimos 30 dias, que projeta as faixas prováveis de negociação no curto prazo, e o perfil de mercado, que mostra onde houve maior concentração de volume, indicando os níveis de suporte e resistência mais relevantes.

O que chama atenção é a baixa densidade de volume entre os US$ 68 mil e a faixa dos US$ 80 mil. Isso significa menos resistência intermediária e, na prática, potencial para deslocamentos mais rápidos de preço nessa direção, caso o cenário externo seja mantido. Ou seja, do lado técnico, um leve viés de alta.

Análise macro

O ponto de partida é entender em qual regime os ativos estão operando. A inflação atual não é consequência de demanda aquecida, é um choque de oferta vindo da energia. Petróleo caro por conta do conflito encarece custos, pressiona a inflação de curto prazo e tira o Federal Reserve da jogada: sem espaço para cortar juros, o banco central mantém a postura dura.

Os dados de inflação de março, divulgados na sexta-feira (10/04), ilustram bem essa tensão. A inflação cheia, que inclui energia e alimentos, acelerou de forma expressiva, refletindo diretamente o choque do petróleo. Já o núcleo da inflação, o core, que exclui esses componentes voláteis e mede se o choque está se espalhando para salários e serviços, veio mais comportado do que o esperado. Por ora, o fogo ficou contido. Mas um mês não é tendência, os próximos releases vão dizer se isso se sustenta ou se os custos de energia começam a migrar para o resto da economia.

Do lado do crescimento, os sinais recentes apontam para resiliência. O mercado de trabalho surpreendeu positivamente, e os spreads de crédito, a diferença entre os juros que empresas pagam para se financiar e os títulos do governo, usada como termômetro da saúde financeira do setor privado, voltaram a cair. Quando os spreads recuam, o mercado está sinalizando que não vê risco sistêmico no horizonte, nos afastando do cenário de estagflação. A leitura mais precisa é de desaceleração sem ruptura.

Esse ambiente quebra uma das correlações mais antigas da lógica de investimento, a ideia de que, quando ações caem, os títulos de renda fixa sobem e amortecem o tombo. Em 2022, isso deixou de funcionar pela primeira vez em décadas. Ações caíram. Bonds também caíram. Os prejuízos nos portfólios tradicionais chegaram a ser comparáveis aos de 2008, não porque houve uma crise financeira, mas porque a inflação forçou os juros para cima, e juros altos derrubam o preço dos títulos. O ativo que deveria proteger virou mais um vetor de perda. Hoje, a lógica é semelhante.

A grande questão, em resumo, é que, se a inflação permanecer controlada, ou seja, se o núcleo não se disseminar de forma mais persistente pela economia, os ativos de risco encontram espaço para reagir. Isso ocorre porque o ambiente de liquidez, embora pressionado, segue suficientemente acomodativo para sustentar o crescimento, evitando um aperto mais severo das condições financeiras.

Ações e criptoativos, que são altamente sensíveis a liquidez e apetite a risco, tendem a capturar esse movimento. Não porque o ruído macro tenha desaparecido, mas porque a economia continua avançando e o sistema ainda tem capacidade de absorver choques. Nesse contexto, quando o mercado percebe que o pessimismo se deslocou além do necessário, os movimentos de reversão tendem a ocorrer de forma rápida e desproporcional.

Como gerar retorno quando o mercado não decide

Acima, descrevemos um cenário com potencial de desfecho mais otimista — impulsionado pelo cessar-fogo e pelos sinais de resiliência econômica. Mas nada está decidido. Apesar de estarmos numa posição melhor do que algumas semanas atrás, ainda estamos num momento de indecisão.

Muito ruído, pouca direção, esse é o ambiente que mais testa o investidor. E também o que mais traz prejuízo para quem não tem estratégia. A boa notícia é que, com a abordagem certa, ainda é possível ganhar dinheiro nesse tipo de cenário.

O primeiro passo é ter caixa. Não como falta de posicionamento, mas como ferramenta ativa. Caixa é a capacidade de agir quando os outros estão paralisados e em momentos de ruído elevado, essa optionalidade vale muito.

O segundo é olhar para as altcoins com mais critério do que o habitual. Nesse contexto, o que interessa são ativos que estão formando estrutura própria, ou seja, que conseguem fazer máximas e mínimas progressivamente mais altas independente do movimento do Bitcoin. Quando uma moeda performa dessa forma num ambiente adverso, ela está sinalizando força relativa.

Além disso, faz sentido manter exposição a ativos com perfil de proteção. O ouro é um ótimo exemplo, ainda mais num ambiente em que a inflação pressiona e os títulos de renda fixa deixam de cumprir o papel de hedge, o metal precioso historicamente retoma relevância como reserva de valor.

E para quem opera com mais sofisticação, vale lembrar que cenários de queda também geram oportunidade. Através do mercado de futuros, é possível montar posições vendidas, os chamados shorts. Se trata de ter ferramentas para capturar retorno em qualquer direção.

Consolidar tudo isso em uma estratégia coerente não é simples e é justamente o que o SOROS, nosso sistema proprietário de alocação, busca fazer. O modelo opera em qualquer regime: captura alta quando o mercado sobe, protege o portfólio via shorts quando o mercado cai e, mesmo quando o dinheiro está em caixa, gera yield dolarizado, ou seja, o capital parado continua trabalhando, gerando renda em dólar enquanto aguarda o próximo movimento. Num ambiente como o atual, em que nada está decidido, ter uma estratégia que funciona nas três situações deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade.

Por isso, nesta segunda-feira, vamos lançar uma versão atualizada do Soros 50X. Um sistema pensado para identificar ativos que podem ganhar na alta e na baixa… e quando o mercado estiver lateralizado, rentabilizar o caixa em dólar.

Para saber como testar, basta se cadastrar gratuitamente aqui.

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Imposto de Renda (IR) de criptomoedas, guerra no Oriente Médio, e o Bitcoin com os dias contados

Abril chegou — e com ele, duas frentes nas quais o investidor em criptomoedas não pode ignorar: o Leão do Imposto de Renda bate à porta, e o Oriente Médio continua dando as cartas no mercado. 

Nesta edição, cobrimos os dois. Começamos pelas obrigações fiscais — um resumo do que o investidor em cripto precisa saber antes que o prazo de declaração aperte. Na sequência, destrinchamos o cenário de mercado: como o conflito se tornou o principal driver de preço do Bitcoin, os dois caminhos pelos quais ele o afeta, e o que os fluxos institucionais revelam. E encerramos com um alerta que voltou às manchetes esta semana: o paper do Google sobre computação quântica, e o que ele significa para a segurança do Bitcoin no longo prazo. 

Criptomoedas em dia com o Leão 

Sabemos que, por se tratar de um mercado relativamente novo, a tributação de criptoativos ainda gera dúvidas. Ainda assim, a regra é clara: assim como em qualquer outra classe de investimento, operar com criptomoedas envolve obrigações fiscais que não devem ser negligenciadas. Entender como declarar esses ativos corretamente é fundamental para manter a regularidade com a Receita Federal e evitar problemas futuros. 

Por isso, abrimos esta edição com um conteúdo dedicado exclusivamente a esse tema — algo essencial para qualquer investidor em cripto. Se você quer entender os detalhes completos — incluindo as regras para cada tipo de operação, os códigos corretos para cada ativo e os erros mais comuns dos investidores — disponibilizamos o material completo no link abaixo

De olho nos últimos acontecimentos 

O Oriente Médio segue como o principal driver de preço do mercado cripto, e há dois mecanismos pelos quais o conflito afeta o Bitcoin de forma direta. 

O primeiro passa pelo petróleo. Um conflito prolongado na região é, antes de tudo, um choque de oferta energética: o petróleo caro encarece a energia, e energia cara alimenta a inflação. Com a inflação resiliente, o Federal Reserve (Fed) não tem espaço para afrouxar a política monetária.  

Como resultado, os dois cortes de juros que estavam precificados para este ano foram retirados do cenário-base. Ainda assim, há um ponto relevante no radar: a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Fed. Uma mudança de liderança — potencialmente mais sensível às pressões políticas — pode, à frente, alterar o tom da política monetária, se amparado por um ambiente macro mais benigno, com arrefecimento do conflito e normalização dos choques recentes. 

Por ora, no entanto, o quadro permanece claro: juros elevados por mais tempo, o que continua impondo restrições adicionais aos ativos de risco. 

O segundo canal é mais direto e operacional. O petróleo mais caro encarece a energia — principal custo da mineração de Bitcoin. Com o preço do ativo em queda desde outubro, enquanto os custos sobem, as margens dos mineradores ficam comprimidas. 

Quando essa margem desaparece, o ajuste é inevitável. Para manter as operações, especialmente os mineradores menores, a saída é recorrer às próprias reservas de Bitcoin — o que significa venda e pressão adicional de oferta sobre o ativo. 

À medida que o cenário se deteriora, isso se reflete de maneira muito clara nos fluxos institucionais, tanto nos ETFs quanto nas empresas que acumulam Bitcoin em seus tesouros corporativos, as chamadas DATs.  

No gráfico abaixo, você pode acompanhar como o preço do Bitcoin e os fluxos de capital para os ETFs caminharam juntos ao longo do mês. No início de março, os fluxos voltaram ao positivo — um sinal animador de retorno do interesse institucional. Depois, com a escalada do conflito, essa demanda foi arrefecendo e se transformou em resgates, o que pesou diretamente na movimentação do preço. 

Fonte: Farside

Como resultado, o Bitcoin cedeu abaixo dos US$ 68 mil, nível que concentrou alto volume de negociações nos últimos meses e funcionou como principal suporte técnico. Abaixo desse patamar, a probabilidade de volatilidade adicional para baixo aumenta.  

A resolução — ou não — do conflito é a variável que determina o que vem a seguir. 

Google alerta: Bitcoin está com os dias contados, e são menos do que o mercado antecipava 

Esta semana, o debate sobre computação quântica voltou ao centro das atenções quando o time do Google divulgou um estudo que é, essencialmente, um aviso antecipado: há um risco que representa uma ameaça real à segurança das redes de criptomoedas, e que pode chegar antes do que o mercado imaginava

O ponto central está no tipo de criptografia que protege o Bitcoin. A rede depende de um sistema chamado criptografia de curvas elípticas — o ECC, da sigla em inglês — que garante que apenas o dono de uma carteira possa autorizar transações.

O problema é que esse sistema pode ser quebrado por computadores quânticos suficientemente poderosos (que ainda não existem). O que o Google trouxe de novo é que avanços recentes permitiram reduzir o poder computacional necessário para esse tipo de ataque em até 20 vezes em relação às estimativas anteriores. 

O debate que isso reacende vai além da tecnologia. O verdadeiro desafio para o Bitcoin está na sua própria natureza: por ser descentralizado, qualquer mudança de protocolo, inclusive uma atualização de segurança, exige consenso amplo de toda a rede. É um processo moroso por design, muito diferente do que aconteceria em um sistema centralizado, onde uma decisão técnica pode ser implementada de cima para baixo em questão de dias. 

Esse pode ser um dos pontos de inflexão que definirão se o ativo consegue se adaptar ou não diante de ameaças existenciais. É um risco de prazo mais alongado, há tempo para adaptações, mas que merece ser acompanhado de perto.  

Vale um adendo importante: isso não significa o fim das criptomoedas! A criptografia pós-quântica já existe e pode ser implementada em redes blockchain — a questão está em quão ágil esse processo será. E aqui, cada rede tem suas próprias características: algumas são mais ágeis para absorver mudanças de protocolo, outras não.  

Essa diferença pode, inclusive, abrir espaço para novas oportunidades — ativos que consigam se adaptar mais rápido tendem a sair na frente. Estaremos monitorando esses fatores de perto, tanto os riscos para o Bitcoin quanto as oportunidades que podem surgir nesse novo cenário.

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O que a manutenção nos juros dos EUA, e um novo movimento regulatório, significam para o mercado de criptomoedas

A semana que se passou foi carregada em eventos macro. O conflito no Oriente Médio continua no centro das atenções: não apenas pela questão bélica, mas pelas distorções que tem gerado na economia, e que terminaram por impactar as decisões de política monetária ao redor do globo. 

Os quatro maiores bancos centrais do planeta reuniram seus comitês na mesma semana: Federal Reserve, Banco Central Europeu, Bank of England e Bank of Japan. O veredito, sem exceção, foi o mesmo: pausa. Com a inflação pressionada pela energia e sem perspectiva clara de alívio no conflito, qualquer movimento nos juros torna-se uma decisão de risco, dado que o impacto ainda é difícil de calcular. 

Nesta edição, destrinchamos como essa dinâmica afeta os criptoativos, o que saiu da reunião do FOMC — o comitê de política monetária dos EUA, cuja decisão é a que mais pesa sobre o segmento e acaba por influenciar as demais — e um movimento regulatório que o mercado aguardava há anos. 

De olho no gráfico: bitcoin (BTC) em reversão à média

O bitcoin (BTC) chegou a testar a resistência dos US$ 76 mil na terça-feira (17), nível que já havia funcionado como teto no início de março. A rejeição foi rápida.

No rastro das bolsas americanas — pressionadas pelo PPI acima do esperado e pelo tom mais cauteloso do Fed — o ativo recuou, agora lutando para ficar acima da faixa dos US$ 70 mil

O momentum da semana veio sustentado por entradas via ETFs de bitcoin listados nos EUA e compras sistemáticas da Strategy (MSTR), empresa que adota o bitcoin como principal reserva de valor em seu balanço.

Ainda assim, nosso modelo proprietário de análise topológica, que tenta identificar a “forma” do mercado para distinguir regimes de tendência de lateralização, aponta que o ativo segue em regime de reversão à média, sem força suficiente para um movimento direcional expressivo no curto prazo.

Fonte: Farside

O mercado de derivativos corrobora essa leitura. Os dados mostram que há pouca alavancagem acumulada, ou seja, poucos investidores estão apostando com dinheiro “emprestado” — o que reduz o risco de liquidações em cascata e movimentos bruscos de preço

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De olho nos juros: FOMC mantém taxa nos EUA entre 3,5% e 3,75%

Na quarta-feira, o FOMC manteve a taxa de juros norte-americana entre 3,50% e 3,75%. A decisão em si não moveu nada, e há uma razão para isso.

Quando uma expectativa se torna amplamente compartilhada, dizemos que ela já está embutida nos preços antes de acontecer. A manutenção estava tão precificada que sua confirmação foi quase ignorada. O que o mercado buscou foi o que viria depois: o guidance, que chegou em duas formas.

A primeira, foram os relatórios publicados junto com a decisão. O dot plot, diagrama onde cada membro do comitê registra onde acredita que os juros devem estar ao longo dos próximos anos, mostrou divisão: sete membros não veem cortes em 2026, e outros sete veem apenas um.

Não é um comitê alinhado, é um comitê que genuinamente não sabe (reflexo. em boa parte. da imprevisibilidade de uma guerra). As projeções econômicas reforçaram isso: inflação revisada para cima, crescimento revisado levemente para cima também. A economia não está quebrando, o que tira a urgência de cortar os juros. Mas a inflação tampouco está domada. 

A segunda forma foi Jerome Powell, presidente do Fed, na coletiva de imprensa. Quando questionado sobre a solidez das projeções, foi direto: admitiu ter “pouca convicção” nelas. O motivo é o conflito no Oriente Médio. Ninguém sabe quanto tempo vai durar, até onde o petróleo pode ir, nem como isso vai se propagar pelos preços ao longo dos próximos meses. 

O cenário que se desenha é o que o mercado chama de “higher for longer“, juros elevados por mais tempo. O Fed não vai cortar enquanto a inflação não mostrar sinais claros de melhora, e quanto mais o conflito se prolonga, mais ela tende a persistir. Para ativos de risco, isso significa um ambiente macro de menor liquidez e maior custo de oportunidade — ao menos enquanto o quadro não mudar. 

O mapa regulatório pelo qual o setor esperava

Em meio à pressão macroeconômica, a semana trouxe um movimento pelo qual o mercado cripto aguardava há anos

Na segunda-feira (16), SEC e CFTC publicaram conjuntamente um documento de 68 páginas que representa a primeira taxonomia formal do mercado cripto nos Estados Unidos, uma espécie de mapa oficial que classifica os diferentes tipos de ativos digitais, e define quem regula o quê.

A conclusão central é que a maioria dos criptoativos não é considerada valor mobiliário, e passa a ser tratada como commodity digital, sob jurisdição principalmente da CFTC.  

O documento lista ativos nessa categoria como: Bitcoin, Ethereum, Solana, XRP, Cardano, Chainlink, Avalanche, Polkadot, Dogecoin, Litecoin, Stellar, Hedera e Algorand. Estes são os principais ativos do mercado, representando cerca de 85% do volume negociado nas exchanges por market cap

Para se ter ideia, alguns podem ser convertidos entre si de forma direta e instantânea pela nova funcionalidade de Conversão Direta de Criptoativos do BTG Pactual, que permite migrar entre posições sem a necessidade de duas operações separadas – mais um ponto positivo para a “institucionalização” do mercado. 

O que ainda continua sendo “security“? Ativos que representam instrumentos financeiros tradicionais em formato digital, como ações tokenizadas e títulos de dívida tokenizados. Se o ativo existe para replicar algo que já existe no mercado tradicional, continua sob as regras da SEC. Se é nativo do universo cripto, cai na nova classificação. 

Historicamente, SEC e CFTC disputavam jurisdição sobre os mesmos ativos, criando um limbo em que ninguém sabia ao certo a quem recorrer. O documento formaliza a divisão de responsabilidades e sinaliza o fim da chamada “regulation by enforcement“, prática em que os reguladores atuavam processando empresas em vez de publicar regras claras.

Com a CFTC, agência historicamente mais pragmática e menos agressiva que a SEC, assumindo o papel central, o ambiente para inovar e atrair capital institucional muda de patamar. 

O que isso muda na prática? Exchanges podem listar SOL, ADA e outros sem risco de processo da SEC, o que havia travado sua adoção nas maiores plataformas americanas. Para bancos e gestoras, a classificação entrega o parecer jurídico que os departamentos de compliance precisavam para aprovar custódia.

O pipeline de ETFs também se beneficia: com ADA, LINK, AVAX e DOT agora classificados, pedidos de ETFs spot têm caminho regulatório mais claro. Há mais de 126 pedidos aguardando análise na SEC. 

O documento é uma interpretação regulatória, não lei — e uma administração futura poderia revertê-la. É por isso que o Clarity Act continua sendo peça fundamental: ele transformaria essa interpretação em legislação permanente.

O problema é que o projeto segue parado no Senado desde julho de 2025. Abril é o deadline crítico: se não avançar no comitê até lá, as chances de aprovação em 2026 caem de forma relevante, com o calendário legislativo sendo tomado pelas eleições de meio de mandato (midterms) a partir do segundo semestre. 

O contraste da semana é claro: bancos centrais hesitando entre inflação e crescimento, jogando para frente qualquer afrouxamento. Reguladores entregando o mapa que o setor aguardava. Sob outra perspectiva, o que temos é preço e fundamento divergindo, enquanto o cenário macro ofusca avanços expressivos do lado institucional e regulatório.

O mercado cripto opera hoje com um market cap nos mesmos níveis de 2021, quando não havia nenhuma regulação clara, nenhum ETF aprovado e nenhum banco central discutindo o setor. O pano de fundo mudou radicalmente; o preço, ainda não. Em um momento de alívio, essa pressão represada pode se manifestar com mais intensidade. 

Mineração de Bitcoin: o que é, e como funciona? | Crypto Direto ao Ponto #5 

Você já ouviu falar que o Bitcoin é “minerado”, mas nunca entendeu exatamente como isso funciona? Neste episódio do Crypto Direto ao Ponto, a especialista em criptomoedas Heloisa Mendonça, da Empiricus, explica de forma simples e direta. Assista aqui:

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É hora de comprar bitcoin (BTC)? Mesmo com alta na última semana, ainda há riscos de médio prazo

À medida que o bitcoin (BTC) se institucionalizou, com a aprovação dos ETFs e empresas listadas carregando BTC em caixa, a criptomoeda pagou o preço desse amadurecimento: passou a ser negociada em maior sincronia com ações de tecnologia nas carteiras de grandes investidores. 

Como resultado, quando o setor de softwares entrou em “colapso narrativo”, arrastado pelo medo de que a inteligência artificial (IA) tornaria plataformas inteiras obsoletas, o bitcoin foi junto. Não porque seus fundamentos mudaram, mas porque os mesmos gestores que venderam software, também venderam BTC na mesma tacada. 

Agora, pela primeira vez em meses, essa dinâmica dá sinais de reversão: o bitcoin começa a ganhar momentum frente a pares importantes, como o S&P 500 e o ouro, depois de um longo período perdendo terreno em termos relativos. 

Nesta edição, especulamos sobre a pergunta de ouro: “é um bom momento para comprar bitcoin?”

Além disso, abordamos o risco de médio prazo, que ainda permanece no radar, e os dois avanços regulatórios desta semana que podem mudar o jogo para o mercado cripto. 

De olho nos últimos acontecimentos do mercado de criptomoedas

O bitcoin (BTC) segue formando fundos progressivamente mais altos. Com suporte na região dos US$ 68 mil e resistência próxima aos US$ 76 mil, o ativo opera em um intervalo que, até agora, tem sido respeitado. E, no curtíssimo prazo, as probabilidades se inclinam para o upside

O principal catalisador é o setor de softwares voltando a ganhar força (dinâmica que exploramos na edição passada, e que segue se perpetuando). E o bitcoin, que havia sido castigado pela correlação, passa a se beneficiar dela, no sentido contrário. 

O resultado é o que vemos agora: BTC voltando a performar melhor que pares importantes (S&P 500 e ouro), sugerindo que está descontado em relação a eles e começando a apresentar uma assimetria de risco, no mínimo, interessante. 

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O horizonte de médio prazo, no entanto, ainda guarda um desafio de peso 

O vetor principal nessa janela de tempo é o conflito no Oriente Médio, em especial seus efeitos colaterais sobre o preço da energia

No centro dessa tensão, está um corredor de 33 quilômetros entre o Irã e Omã: o Estreito de Ormuz é a passagem marítima por onde transita cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, pouco mais de 21 milhões de barris por dia.

Cada barril exportado pela Arábia Saudita, pelos Emirados Árabes, pelo Kuwait e pelo Iraque passa por lá. O que o torna, em essência, a maior torneira de energia do planeta. Quando um conflito ameaça esse canal, o mercado não espera: o preço do petróleo sobe, e isso não é um problema isolado. A alta encarece frete, produção industrial, insumos agrícolas e, em algum momento, chega ao consumidor.  

Quando isso acontece, a inflação, que parecia domesticada, volta a mostrar as garras. E o Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, se vê em um beco sem saída. 

De um lado, o mercado de trabalho nos EUA dá sinais de fraqueza, o que, em condições normais, pediria por um corte de juros, historicamente favorável ao BTC.

Mas cortar juros com petróleo nas alturas seria como jogar lenha na fogueira inflacionária, e não cortá-los arrisca aprofundar o enfraquecimento da economia. Essa combinação tem nome: estagflação. Foi o pesadelo dos anos 1970, e é o cenário que seguimos monitorando com mais atenção no médio prazo. 

Há ainda um efeito mais particular, mas igualmente relevante, que atinge o bitcoin por dentro. Minerar Bitcoin consome energia de forma intensiva. Quando o custo da energia sobe, a margem dos mineradores encolhe e, em situações de aperto, os menores, ou os mais alavancados, são forçados a vender BTC para pagar as contas.

Isso é o que o mercado chama de capitulação de mineradores, uma pressão adicional de venda que se soma ao ambiente já desafiador. 

O ponto é que o cenário atual pede leituras diferentes, dependendo de quem está do outro lado da tela. 

Para quem busca trades táticos ou investe com horizonte de longo prazo, o momento se mostra favorável: o BTC está ganhando momentum e segue com desconto significativo em relação à sua última máxima histórica. A assimetria, nesse contexto, joga a favor. 

Para quem gerencia ativamente um portfólio cripto, o recado é outro. As semanas e meses à frente carregam imprevisibilidade suficiente para justificar cautela. A título de exemplo, as carteiras gerenciadas pelo SOROS, nosso sistema proprietário de alocação, entregam performance acima do BTC ao longo de 2026, com a maior parte do portfólio em caixa e bitcoin, complementada por posições específicas em altcoins selecionadas por características idiossincráticas. 

Vale lembrar: quedas não são necessariamente ruins. Para quem tem caixa, elas são oportunidades. E quando o momento de entrar em altcoins chegar, você vai querer estar por dentro.

Bônus: Mastercard no universo cripto 

Se o curto prazo é dominado pelo momentum, e o médio prazo é dominado pelo macro, o longo prazo pertence à regulação. E a cada semana, ela avança. 

Na última quarta-feira (11), dois dos órgãos reguladores mais importantes dos EUA, SEC e CFTC, anunciaram um memorando histórico de cooperação.

Durante anos, as duas agências disputaram a jurisdição sobre os criptoativos, criando um ambiente difuso no qual ninguém sabia ao certo qual regulador consultar. O memorando não resolve tudo da noite para o dia, mas o sinal é inequívoco: o ambiente regulatório caminha em direção à clareza

A clareza regulatória tem uma consequência direta: abre espaço para que grandes instituições entrem no jogo. Não por acidente, um exemplo disso surgiu nessa mesma semana…  

A Mastercard, uma das maiores redes de pagamentos do mundo, lançou o Crypto Partner Program, iniciativa global que reúne mais de 85 empresas nativas de cripto, provedores de pagamento e instituições financeiras. O objetivo, segundo eles mesmos, é criar um ecossistema colaborativo para aplicar ativos digitais em necessidades práticas: remessas internacionais, transferências corporativas e movimentação de capital global. 

O detalhe que merece atenção não é só o produto em si, mas o que isso representa. Movimentos institucionais como esse tendem a gerar efeito de rede: quanto mais players relevantes entram, mais o ecossistema se torna atraente para o próximo.

Para o setor como um todo, o ritmo da evolução regulatória e legitimação da blockchain são os principais diferenciais para que cripto ganhe momentum frente aos outros ativos de risco. Indo direto ao ponto, mantemos bons prospectos para cripto em 2026

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Em tempos de guerra, precisamos de um mercado que nunca dorme

Caro leitor, 

Nessa semana, o mercado de criptomoedas esteve em evidência – de uma forma que poucos esperavam. Não por causa de um novo recorde de preço ou anúncio regulatório, mas porque, em um momento de crise geopolítica, foi o único sistema financeiro funcionando

Quando Donald Trump anunciou o ataque dos Estados Unidos ao Irã às 4h30 de um domingo, bolsas norte-americanas estavam fechadas, futuros parados, câmbio global sem liquidez. Quem queria algum vislumbre de como o mercado reverberaria os acontecimentos, ou até mesmo tentar se antecipar, tinha uma única alternativa disponível: cripto. E foi exatamente para lá que o mundo olhou. 

Nesta edição, vamos destrinchar o que esse episódio revela sobre o papel crescente da infraestrutura on-chain, o que o bitcoin (BTC) está sinalizando tecnicamente após o rompimento dessa semana, e o dado que colocou o Fed (Federal Reserve) em uma posição desconfortável. 

Expresso Macro

Uma das perguntas mais interessantes da semana foi por que o bitcoin (BTC) conseguiu sustentar uma recuperação mesmo em meio a tanto ruído geopolítico. A resposta vem de um tema que acompanhamos juntos nas últimas semanas: a rotação dentro do setor de tecnologia norte-americano

Aos que não se recordam ou não acompanharam, em essência, o bitcoin apresenta alta correlação com o setor de software dos EUA, o que significa que, quando o segmento sofre, o BTC sofre junto.

Nesse contexto, nas últimas semanas, os mercados passaram por uma rotação setorial, impulsionada pela reavaliação de quais segmentos capturam o retorno econômico da inteligência artificial (IA).

O consenso convergiu para a visão de que hardware (semicondutores e infraestrutura física) é insubstituível no ciclo de desenvolvimento de IA, enquanto empresas de software estariam sujeitas à perda de receita caso soluções baseadas na tecnologia viessem a substituir plataformas consolidadas. Como materialização dessa narrativa, empresas de hardware subiram na bolsa, enquanto software ficou no banco dos réus.  

O detalhe importante é que tanto o índice S&P 500 quanto o Nasdaq Composite ficaram próximos das máximas históricas durante todo esse período – evidência de que o movimento não foi uma fuga generalizada do risco. 

O que começou a mudar no início de março foi a velocidade de tudo isso. O mercado havia precificado uma substituição rápida e ampla do software pela IA, mas a realidade operacional das empresas não sustenta esse ritmo.

Implementar IA em ambiente corporativo envolve compliance, auditorias, integração com sistemas legados e contratos de longo prazo que não se rescindem da noite para o dia.

A própria Anthropic reforçou esse ponto, ao destacar que suas ferramentas foram desenvolvidas para ampliar o que os softwares já fazem, não para substituí-los. A inteligência artificial, no estágio atual, é mais potencializadora do que substituta

Conforme essa percepção se dissemina, a pressão sobre o setor arrefece. E o Bitcoin, que havia sido castigado pela correlação, passa a se beneficiar no sentido contrário. O que temos agora é um movimento de recuperação em meio ao ruído geopolítico, além dos dados de emprego nos EUA (payroll) mais fracos, divulgados na última sexta-feira (6).

Porém, a duração do atual conflito geopolítico será determinante para o destino final dos preços.  

No curtíssimo prazo, temos nosso modelo proprietário apontando para um regime “risk-on” em conjunto com um setor de softwares excessivamente descontado em relação ao resto das empresas de tecnologia, o que sugere maiores probabilidades do BTC se valorizar

De olho no gráfico: bitcoin (BTC)

Durante a semana, o BTC rompeu o canal de lateralização no qual oscilava desde o início de fevereiro. O movimento chama a atenção justamente por acontecer em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, tipo de contexto que, historicamente, costuma pressionar ativos de risco para baixo. 

O ponto mais importante agora é entender se essa recuperação representa uma mudança duradoura no comportamento do preço, ou apenas um rompimento ainda sem sustentação. Para que possamos falar com mais convicção sobre uma retomada de tendência de alta, dois sinais precisam aparecer: o preço se mantendo acima dos US$ 70 mil e a formação de fundos progressivamente mais altos, indicando que os compradores estão, de fato, assumindo o controle. 

Essa confirmação ainda não chegou. E na última sexta-feira (6), o BTC voltou a sofrer pressão após a divulgação dos dados do mercado de trabalho nos EUA, que vieram abaixo das expectativas. O problema não é só o número fraco em si: é o que ele representa para o Fed. 

Fonte: TradingView

Em uma situação de rotina, um dado fraco de emprego costuma sinalizar desaceleração econômica, o que abre espaço para o Banco Central cortar juros e estimular a atividade.

O problema é que os custos seguem subindo ao mesmo tempo. A guerra no Oriente Médio pressiona o petróleo, e petróleo mais caro encarece o frete, a produção, os insumos: tudo isso se transmite para o preço final dos produtos.

Cortar juros, nesse ambiente, arrisca jogar lenha na fogueira inflacionária. Não cortá-los pode aprofundar o enfraquecimento do mercado de trabalho. Como resultado, isso tende a fazer com que o Fed demore mais para cortar, ao menos enquanto o conflito se estender.

Do lado quantitativo, porém, o sinal mais relevante desta semana veio positivo. Um dos nossos modelos proprietários, desenvolvido para capturar mudanças de regime de longo prazo e distinguir viradas estruturais de ruídos pontuais, migrou de “risk-off” para “risk-on” no início de março.

Para contextualizar o peso desse sinal: desde o início de janeiro, o modelo operava no vermelho, uma leitura coerente com a deterioração observada ao longo de todo o período de queda, e que permitiu que as carteiras gerenciadas pelo SOROS se protegessem de cerca de 20% de queda

A inversão agora não é trivial. Vale ressaltar que isso não elimina a possibilidade de correções no curto prazo. O modelo captura tendências, não candles isolados, mas é um indicativo que merece atenção. 

Enquanto você dorme, alguém está trabalhando

Voltemos ao domingo passado de madrugada. 

Eram 4h30 da manhã do último domingo (1) quando o presidente Trump anunciou o ataque norte-americano ao Irã. Em anos anteriores, investidores que quisessem avaliar o impacto nos mercados teriam que esperar até as 18h de domingo, horário em que os futuros norte-americanos reabrem. Quase 16 horas de silêncio, sem preço, sem formação de mercado, sem nenhuma forma de agir. 

Esse domingo foi diferente. 

Hyperliquid, maior plataforma de contratos perpétuos descentralizados do mundo por volume, operou sem interrupção. E o destaque não foi a negociação de criptoativos, mas sim de petróleo bruto, ouro e outros ativos reais.

Quando a Bloomberg precisou reportar como o mercado de petróleo havia reagido ao ataque, o contrato de crude oil citado como referência de preço não era o da NYMEX ou o da ICE, mas sim o da Hyperliquid. Uma exchange descentralizada sendo usada como termômetro de commodities, em plena crise geopolítica

O ouro também encontrou seu caminho on-chain. O XAUT, versão tokenizada do ouro desenvolvida pela Tether, registrou um volume de 24 horas superior a US$ 300 milhões naquele domingo. 

Mercados preditivos como Kalshi e Polymarket bateram recordes. Por algumas horas, os mercados on-chain não eram uma alternativa ao sistema financeiro. Eram o próprio sistema financeiro

Parte do mercado interpreta esse movimento como um adiantamento: não uma reação ao passado, mas uma aposta sobre o futuro da infraestrutura financeira. 

A transição para mercados on-chain vinha sendo discutida como um processo que levaria, talvez, uma década. Algo que aconteceria pelas bordas, lentamente, sem que ninguém percebesse.

O último fim de semana comprimiu esse horizonte. Quando a crise chegou em um horário no qual o sistema tradicional estava de portas fechadas, o mercado não esperou, mas sim encontrou o caminho que estava disponível, colocando a eficiência da blockchain nos holofotes. 

Para ficar de olho, ativo da semana: HYPE

No fim de semana do ataque ao Irã, Hyperliquid foi colocada no centro da narrativa. 

Commodities figuram entre os poucos setores com performance positiva no cenário atual de desglobalização e reorganização das cadeias globais de suprimento.

Traders que querem operar esse movimento com alavancagem precisam de uma infraestrutura que as bolsas tradicionais não entregam da mesma forma: menos intermediários, menos capital imobilizado como colateral, liquidação transparente e um mercado que nunca dorme. Hyperliquid tem respondido a essa demanda, e o crescimento dos derivativos de commodities na plataforma reflete isso. 

O ambiente regulatório caminha na mesma direção. A CFTC anunciou, na última semana, a intenção de trazer os mercados de contratos perpétuos para o solo norte-americano no prazo de um mês. O presidente da agência foi direto: a gestão anterior havia empurrado essa liquidez para o exterior, e era necessário reverter esse movimento.

Para a Hyperliquid, hoje a maior plataforma de perpétuos descentralizados do mundo, construída justamente nesse mercado offshore, a abertura regulatória amplia significativamente a base de usuários potenciais. 

Destaques da semana

O bitcoin (BTC) é dinheiro ou apenas investimento?

Neste episódio da série Cripto Direto ao Ponto, eu explico. Assista clicando abaixo:

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Na contramão do preço do bitcoin (BTC), uma outra narrativa se sobressai 

Caro leitor,

Na quarta-feira (25), o bitcoin (BTC) disparou quase 10% em poucas horas. Redes sociais vibraram: “A virada chegou”, “O fundo está formado.” Se você acompanhou o movimento com aquela mistura de alívio e ceticismo — “será que é dessa vez?” —, esta edição foi feita para você. 

A resposta curta: ainda não é a hora. Mas o mecanismo por trás dessa alta conta uma história importante sobre como o mercado de criptomoedas funciona. E o cenário macro que cercou essa semana é mais revelador do que o próprio preço. 

Nesta edição, vamos destrinchar o que provocou o rali, a mudança de regime que está redesenhando as forças por trás dos mercados, e o que tudo isso significa para o portfólio nas próximas semanas. 

Falando sobre preço 

O bitcoin (BTC) encerrou a semana dentro da mesma faixa que acompanhamos desde o início de fevereiro: entre US$ 62 mil e US$ 70 mil. No começo da semana, o ativo se arrastava próximo à banda inferior, sem convicção de compradores e sem catalisadores visíveis. 

Na quarta-feira (25), esse quadro mudou de forma abrupta. Uma combinação de otimismo quanto à divulgação de resultados da Nvidia (NVDC34) e anúncios da Anthropic elevou o ânimo do mercado, e empurrou o bitcoin de volta para a região de US$ 69–70 mil em questão de horas. O movimento foi rápido e acompanhado por volume expressivo, mas o mecanismo por trás importa mais que o preço em si. 

A alta foi um short squeeze: depois de semanas de queda, o mercado havia acumulado um volume enorme de posições apostando na continuidade da baixa. Quando o sentimento virou, essas apostas foram liquidadas em cascata, forçando recompras que empurraram o preço ainda mais para cima.

Em 24 horas, estima-se que entre US$ 300 milhões e US$ 570 milhões em posições vendidas foram liquidadas. Não foi demanda nova entrando com convicção de alta: foi a eliminação forçada de um posicionamento excessivamente pessimista. Isto é uma alta pontual, mas não uma reversão de tendência. 

Sem um fechamento consistente acima dos US$ 70 mil e sem a formação de fundos progressivamente mais altos no gráfico, a leitura técnica não muda. Nossos modelos proprietários seguem apontando para uma continuação do regime de reversão à média. 

Fonte: TradingView

Na contramão do preço, uma narrativa se sobressai

Se o bitcoin está sofrendo as consequências de ser tratado como ativo de crescimento, parte do capital não está saindo do ecossistema cripto — mas sim encontrando um novo endereço dentro dele.

Os resultados recentes da Circle, empresa por trás da stablecoin USDC, contam uma história diferente. O negócio segue em forte aceleração, e os números do mercado explicam o porquê.

As transações em stablecoins atingiram US$ 35 trilhões em 2025. Para colocar em perspectiva, o PIB dos Estados Unidos, no mesmo ano, foi de aproximadamente US$ 29 trilhões. Ou seja, o volume de transações em stablecoins foi superior ao PIB norte-americano, em um único ano.

O detalhe que não está nas manchetes: menos de 1% desse volume representou pagamentos reais. O restante é trading, arbitragem e operações financeiras on-chain. Isso não é fraqueza — é o tamanho da oportunidade ainda não realizada. A economia de stablecoins está no início de sua expansão como infraestrutura de pagamentos do mundo real.

Para que essa transição aconteça em escala, porém, um gargalo precisa ser resolvido. E ele não tem nada a ver com preço ou regulação.

O ecossistema de stablecoins, hoje, funciona como uma cidade com estradas excelentes, mas sem documentos de identidade universais. Cada serviço — uma conta, um cartão, um envio internacional — exige que o usuário prove quem é do zero.

As verificações de identidade são repetidas para cada plataforma, cada país, cada produto. A composabilidade que tornou o DeFi poderoso quebra exatamente aí. O dinheiro flui livremente entre protocolos, mas a identidade fica presa em silos isolados.

Esse gargalo tem um custo mensurável. Instituições financeiras globais gastam entre US$ 200 bilhões e US$ 280 bilhões por ano em compliance — boa parte para re-verificar informações que já existem em outro silo.

Para plataformas stablecoin-nativas, esse custo chega a consumir 20–25% do orçamento operacional total. É a infraestrutura invisível que, resolvida, destrava o crescimento de toda a camada de cima.

Há um projeto atacando exatamente esse ponto cego, com produto em operação, receita recorrente comprovada e um lançamento público para a comunidade, marcado para a próxima quinta-feira (4). Reservamos o espaço do ativo da semana para ele.

Para ficar de olho: ativo surpresa na segunda-feira (2)

Nesta edição, abrimos mão do ativo da semana para reservar esse espaço para algo maior. Nesta segunda-feira (2), apresentaremos uma oportunidade em estágio embrionário — diretamente conectada ao gargalo que descrevemos acima. Uma janela de entrada que raramente se abre, com potencial de multiplicação de até 1.000 vezes.

Vamos liberar o acesso ao passo a passo para se posicionar. Se você quiser saber mais e tiver interesse, basta clicar no link abaixo:

Novidade no canal da Empiricus: histórias que mudaram as criptomoedas

Nesta semana, inauguramos um documentário para você, que quer entender o mercado de criptoativos em um contexto histórico, que vai muito além do preço. 

Para assistir ao primeiro episódio, basta clicar aqui:

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