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Macro IA: Inteligência artificial da Empiricus busca criptomoedas que podem valorizar seu dinheiro em até 480 vezes; confira

Agosto marcou a recuperação do bitcoin (BTC), depois de um longo período de baixa volatilidade. A principal moeda digital do mercado, registrou alta acumulada de 26,81% no mês anterior.

“A valorização tem sido sustentada por uma demanda crescente no mercado à vista, sobretudo por investidores institucionais”, explica Luis Kuniyoshi, especialista do departamento de criptomoedas da Empiricus Research. O mês anterior foi o melhor de captação dos ETFs de bitcoin desde julho de 2025. No período, entraram US$ 3,54 bilhões líquidos. “Essa demanda efetiva no mercado à vista diminui o risco de uma reversão tão intensa quanto foi o movimento de alta”, afirma o especialista.

Na visão do especialista da casa, a tendência de alta do bitcoin pode se manter nos próximos meses. E o melhor: o movimento pode se espalhar para outras moedas menores.

O Macro IA, sistema automatizado de trade desenvolvido pela Empiricus, encontrou dez criptomoedas que podem disparar no curto prazo e multiplicar o capital inicial em até 480 vezes.

Conheça mais detalhes sobre a estratégia do Macro IA

Durante o período de estabilidade do mercado de cripto, a Empiricus adotou uma postura defensiva, com suas posições em caixa. Ou seja, o dinheiro estava guardado, protegido da volatilidade, no aguardo de uma boa oportunidade para usá-lo.

E para o Macro IA, este momento chegou. A ferramenta, criada por Valter Rebelo, head de ativos digitais da casa, identificou dez criptomoedas com alto potencial lucrativo.

A mudança de estratégia aconteceu após a retomada do bitcoin a patamares que podem sustentar novas altas no curto prazo. Essa não é a primeira vez que o departamento de criptomoedas da Empiricus detecta esse tipo de oportunidade. Em períodos anteriores, as recomendações da casa chegaram a valorizar mais de 300 vezes.

Apesar de retornos passados não serem garantia de retornos futuros e o mercado de criptomoedas ser volátil, a equipe acredita que o ciclo de alta abre uma oportunidade para investir em cripto. 

A ferramenta projeta três cenários possíveis:

  • Cenário conservador: de R$ 3 mil até R$ 10 mil;
  • Cenário moderado: de R$ 3 mil até R$ 120 mil;
  • Cenário ideal: de R$ 3 mil até R$ 1,2 milhão.

E o melhor, o Macro IA executa as operações de compra e venda de forma automatizada, sem demandar nenhuma ação por parte do investidor. 

Confira como se inscrever em evento gratuito de lançamento do Macro IA

Se você ficou interessado, no dia 14 de setembro, às 19h, o Macro IA será apresentado para o mercado em um evento gratuito.

Durante o evento, Rebelo vai explicar com mais detalhes como a ferramenta funciona e quais são as dez criptomoedas que podem valorizar até 480 vezes.

A participação no evento é gratuita, mas precisa de inscrição prévia. Para reservar seu lugar, basta clicar no botão abaixo:

QUERO CONHECER O MACRO IA E AS 10 CRIPTOMOEDAS

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Em cenário de ruptura, fiscal pode derrubar o Ibovespa abaixo dos 107 mil pontos e elevar o dólar acima dos R$ 7, apontam analistas 

Juros perto de 20% ao ano, dólar acima de R$ 7 e Ibovespa abaixo dos 107 mil pontos. Esse é um dos possíveis cenários para o Brasil caso o país não consiga fazer um ajuste fiscal crível em 2027 e enfrente uma “ruptura de confiança”, segundo analistas da Empiricus e do BTG Pactual. 

No relatório “E se o Governo não ajustar as contas públicas”, os especialistas avaliam os impactos que o abandono das regras fiscais, a expansão do gasto público e a perda de credibilidade monetária poderiam provocar sobre os mercados e a economia brasileira. 

Com as eleições de 2026 cada vez mais perto, o investidor busca a resposta para a seguinte pergunta: “se o presidente eleito não for capaz de endereçar o problema fiscal e frear a trajetória crescente da dívida pública, onde eu deveria investir o meu dinheiro?“. 

Onde investir caso governo não ajuste o fiscal? Veja agora como você pode se posicionar diante de uma possível crise

Aumento das receitas e contenção dos gastos não resolvem problema, afirmam analistas 

A dívida bruta do governo alcançou 82,5% do PIB nos últimos 12 meses até julho de 2026, segundo dados do Banco Central.  

De acordo com o relatório, a estabilização da dívida exigiria do próximo governo um superávit primário próximo de 2,1% do PIB. Hoje, o Brasil possui um déficit primário de 0,67% do PIB.  

Na prática, isso significaria uma melhora aproximada de 2,7 a 3 pontos percentuais para se equilibrar as contas públicas. 

Fato é que, segundo os analistas, esse ajuste não seria factível apenas via aumento de receitas ou congelamento de novos gastos. E sem um endereçamento claro da questão, a percepção do mercado começa a se deteriorar. 

“O choque surgiria quando os investidores passassem a incorporar a percepção de que, sem mudanças nas despesas obrigatórias e sem superávits primários recorrentes, a dívida pública não será estabilizada em horizonte razoável”, explicam. 

Analistas revelam como investidores podem alocar seus recursos diante do agravamento da crise fiscal; saiba mais aqui

Da adversidade a ruptura: o que aconteceria se Brasil mergulhasse na crise fiscal? 

Para entender os efeitos do aprofundamento da crise fiscal nos juros, câmbio e bolsa, os analistas desenharam três cenários possíveis, que levam em consideração projeções econômicas, dados históricos e diferentes hipóteses. 

E que, portanto, devem ser interpretadas como um exercício de estresse e reprecificação, e não como projeções pontuais.  

  1. Cenário adverso 

Em uma conjuntura em que a confiança do mercado se enfraquece, mas não chega a ser perdida, o governo ainda conseguiria cumprir parte das metas fiscais recorrendo a receitas temporárias, abatimentos e aperto nos gastos discricionárias. 

O resultado primário efetivo permaneceria deficitário e a dívida avançaria para perto de 90% do PIB. Nesse caso, o contrato de DI jan/2031, que forma a curva de juros futuros, o dólar e a bolsa passariam a ser pressionados: 

Tabela: Sensibilidade sobre os juros, câmbio e bolsa. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

Nesse patamar, “o diferencial de juros ainda ofereceria algum suporte ao real, enquanto exportadoras e empresas pouco alavancadas funcionariam como proteção relativa”, ressaltam os analistas no documento. 

  1. Cenário severo 

Já o cenário severo pressupõe que o mercado abandone a hipótese de estabilização da dívida, o que levaria a uma reprecificação ampla dos ativos. Aqui, o dólar poderia passar dos R$ 6,60, enquanto o Ibovespa encostaria nos 116 mil pontos:  

Tabela: Sensibilidade sobre os juros, câmbio e bolsa. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

“A dívida caminharia para 95% do PIB e, posteriormente, para 100%, enquanto o Banco Central teria de interromper cortes ou retomar o aperto monetário. A queda da bolsa refletiria tanto uma taxa de desconto maior quanto revisões negativas dos lucros”, destaca o relatório. 

  1. Cenário de ruptura 

Esse seria o cenário mais extremo: exigiria flexibilização profunda do arcabouço, desancoragem inflacionária e ambiente externo desfavorável. 

Neste ponto, a curva de juros futuros (DI jan/2031) poderia chegar a 20%, o dólar alcançar o patamar dos R$ 7,50 e a bolsa amargar uma queda profunda, aos 89 mil pontos: 

Tabela: Sensibilidade sobre os juros, câmbio e bolsa. Fonte: bigdata.com, Empiricus e Bloomberg. 

“O risco mais provável não seria um calote clássico, pois a dívida é majoritariamente emitida em reais e o país possui reservas. O dano ocorreria por inflação mais alta, juros reais persistentes, repressão financeira e destruição gradual do valor dos ativos domésticos“, afirmam os analistas no relatório. 

EMPIRICUS+: VEJA COMO ACESSAR O RELATÓRIO COMPLETO AQUI 

Exterior, metais, crédito e mais: os ativos para se proteger caso governo não ajuste o fiscal 

Para os analistas, o mercado não precisa esperar uma crise de financiamento para impor custos. A percepção de que o problema continuará já pode elevar o juro neutro, enfraquecer o câmbio e reduzir os múltiplos da bolsa. 

Diante disso, o investidor deve priorizar uma estratégia de investimentos direcionada para uma diversificação internacional, liquidez e ativos alternativos de proteção. 

No relatório completo (leia aqui), os analistas revelam em quais ativos investir para montar uma carteira capaz de amortecer os efeitos da crise fiscal. A estratégia leva em consideração classes e ativos como: 

  • Internacional: quatro ações com qualidade, crescimento e exposição ao dólar; 
  • Renda Fixa Global: quatro ETFs com exposição ao Tesouro dos EUA; 
  • Metais e Estruturados: ativos que buscam diversificação e assimetria; 
  • Caixa e crédito: debêntures e fundos com carrego, liquidez e renda; 
  • Proteção: ativos defensivos na abertura da curva e queda da bolsa; 

É importante ressaltar que os analistas da Empiricus e do BTG Pactual são especialistas do mercado financeiro e construíram esse portfólio de investimento sob medida a possível crise que o Brasil pode enfrentar.  

Caso você queira ler a tese completa do relatório e acessar a lista dos ativos, basta fazer seu cadastro no Empiricus+, assinatura que dá acesso a todas as recomendações de investimentos dos analistas da Empiricus.  

Ao se cadastrar, você garante 30 dias gratuitos de acesso aos relatórios, recomendações e cursos produzidos pelos analistas da casa. Cadastre-se no botão abaixo, é rápido e simples: 

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Ibovespa hoje: Estados Unidos e Irã retomam ataques e petróleo volta a superar os US$ 90; veja destaques desta segunda (31)

A retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã recoloca o risco geopolítico no centro dos mercados, ainda que, por enquanto, a reação permaneça relativamente contida. Forças americanas atingiram lançadores iranianos na Ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, e Teerã respondeu com mísseis e drones, enquanto Donald Trump ampliou as ameaças contra a Ilha Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano.

O Brent voltou a superar US$ 90, refletindo o risco de nova deterioração da oferta, ao mesmo tempo em que sanções e bloqueios seguem pressionando a economia iraniana. A tensão também expõe os limites da Organização para Cooperação de Xangai, já que China e Rússia mantêm apoio majoritariamente retórico ao Irã, apesar do peso econômico e geopolítico crescente do bloco.

No campo macroeconômico, o payroll de agosto ganha importância adicional após o tom mais duro de Kevin Warsh em Jackson Hole, que reforçou as apostas em uma alta de juros pelo Fed já em setembro. Esse cenário contrasta com a expectativa de continuidade do ciclo de cortes da Selic no Brasil e aumenta a sensibilidade dos mercados emergentes a uma eventual combinação de petróleo mais caro, dólar forte e juros americanos mais elevados.

Na Europa, a deterioração fiscal da França segue pressionando os rendimentos soberanos, enquanto, na China, o PMI industrial melhorou para 49,8 em agosto, embora ainda permaneça em território de contração. O quadro global, portanto, continua marcado por uma combinação de risco geopolítico, pressão fiscal e incerteza monetária, com potencial para manter elevada a volatilidade entre moedas, juros e bolsas.

· 00:53 — O espaço para cortar juros fica mais estreito

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sexta-feira em alta de 0,30%, aos 175.665 pontos, acumulando o oitavo pregão consecutivo de valorização e um ganho de 2,71% na semana, enquanto o dólar avançou 0,66%, para R$ 5,19, por conta da fala de Kevin Warsh em Jackson Hole. Na agenda, as atenções se voltam para o PLOA de 2027, que prevê superávit oficial de 0,5% do PIB, mas resultado efetivo entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões após as exclusões permitidas pela legislação.

Embora o governo afirme que não dependerá da aprovação de novas medidas de arrecadação e estime uma economia de cerca de R$ 100 bilhões com ações já adotadas, o avanço próximo de 20% das despesas discricionárias aumentou a cautela do mercado. Ao mesmo tempo, a inadimplência das pessoas físicas subiu para 7,8% em julho, maior nível desde 2009, reforçando os sinais de pressão sobre as famílias em um ambiente marcado por juros elevados, atividade mais fraca e alto nível de endividamento.

No campo político e monetário, a campanha eleitoral ganha intensidade, com Lula e Flávio Bolsonaro ampliando a interlocução com o setor privado e reforçando seus respectivos discursos econômicos, enquanto Congresso e TSE concentram pautas relevantes ao longo da semana. Para os mercados, porém, a principal tensão está na combinação entre um Federal Reserve mais duro e um Banco Central brasileiro inclinado a dar continuidade ao ciclo de cortes da Selic.

O Caged de julho, com criação de apenas 58,6 mil vagas, fortaleceu a expectativa de uma nova redução de 25 pontos-base em setembro, mas uma eventual alta dos juros americanos, somada às incertezas fiscais e eleitorais, pode limitar a extensão desse movimento no Brasil. Essa divergência já aparece na curva de juros, com alívio nos vencimentos mais curtos e maior pressão na ponta longa, evidenciando que o espaço para a flexibilização monetária dependerá não apenas da desaceleração da atividade, mas também da condução do Fed, da credibilidade da política fiscal e da evolução do cenário eleitoral.

· 01:49 — A fala de Warsh

Kevin Warsh reforçou, em Jackson Hole, uma postura mais firme no combate à inflação, deixando claro que a meta de 2% permanece no centro das prioridades do Federal Reserve. Na avaliação do dirigente, os avanços recentes nos preços ainda não representam uma melhora suficientemente consistente das tendências subjacentes.

Embora tenha evitado sinalizar de forma explícita uma alta de juros já em setembro, Warsh sugeriu que a política monetária atual pode não estar suficientemente restritiva e afirmou que o Fed ainda terá “trabalho a fazer” caso a inflação não continue convergindo em direção à meta. Ao mesmo tempo, defendeu maior discrição na comunicação da autoridade monetária, criticando o excesso de forward guidance e preservando maior flexibilidade para ajustar a política conforme a evolução dos dados.

A reação dos mercados foi imediata. A probabilidade implícita de uma alta de 25 pontos-base na reunião de setembro aumentou, enquanto o rendimento do Treasury de dois anos avançou de 4,24% para até 4,36%. O dólar se fortaleceu e as bolsas recuaram, com impacto mais intenso sobre empresas de tecnologia, tradicionalmente mais sensíveis ao custo de capital.

O Nasdaq caiu 0,5%, o S&P 500 recuou 0,25% e as ações da Nvidia perderam 4,6%, devolvendo boa parte dos ganhos registrados após a divulgação de seus resultados. A leitura predominante foi de que o Fed voltou a colocar de forma mais concreta sobre a mesa a possibilidade de novas altas de juros, ainda que a decisão siga condicionada aos dados de inflação e atividade.

Apesar do tom mais restritivo, Warsh também ressaltou a resiliência da economia americana e avaliou positivamente sua capacidade de absorver choques, sugerindo que o Fed ainda dispõe de espaço para priorizar o combate à inflação sem comprometer imediatamente a atividade. Essa leitura encontra respaldo na temporada de resultados: com 97% das empresas do S&P 500 já tendo divulgado seus números do segundo trimestre, o crescimento dos lucros chegou a 52%, o ritmo mais forte desde a recuperação pós-pandemia de 2021.

Para o mercado acionário, esse ponto é relevante porque resultados corporativos robustos podem amortecer parte do impacto de juros mais altos, embora o ambiente continue mais desafiador para ativos de maior duração e setores mais dependentes de expectativas de crescimento futuro.

· 02:34 — Semana com dados de emprego

Aliás, Wall Street entra em setembro com o relatório de empregos de agosto como principal referência macroeconômica, com expectativa de criação de 58 mil vagas, desemprego estável em 4,1% e alta de 0,3% nos salários, dados que podem influenciar as apostas para a próxima decisão do Federal Reserve.

Ao mesmo tempo, a temporada de resultados mantém a inteligência artificial no centro das atenções, com balanços de Dell Technologies, Broadcom, Snowflake, Hewlett Packard Enterprise, Palo Alto Networks, MongoDB, Zscaler e Ciena, enquanto a Tesla realiza o lançamento do Cybercab em Austin.

A semana também será marcada pela estreia de John Ternus como CEO da Apple e pela divulgação do Livro Bege do Fed, em um ambiente em que emprego, inflação e a força dos investimentos em IA seguem como principais vetores para a precificação dos mercados.

· 03:22 — Interesse americano

Donald Trump anunciou um acordo pelo qual os Estados Unidos passariam a controlar, por meio de uma parceria com o setor privado, mais de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela, o equivalente a cerca de um quinto do total do país. Segundo o plano, uma empresa privada liderada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt teria direitos sobre os campos por 100 anos e se tornaria uma das maiores detentoras corporativas de reservas comprovadas de petróleo do mundo.

Trump argumenta que o arranjo reforçaria a segurança energética dos Estados Unidos e contribuiria para a recomposição da Reserva Estratégica de Petróleo em um momento de maior restrição da oferta global, em meio à guerra com o Irã. Parte da operação, no entanto, ainda depende de autorizações do Congresso e enfrenta questionamentos políticos e jurídicos.

Do lado venezuelano, a presidente interina Delcy Rodríguez afirma que o acordo poderá atrair dezenas de bilhões de dólares em investimentos, gerar empregos, ampliar a arrecadação e contribuir para a modernização de uma infraestrutura petrolífera bastante deteriorada. Ainda assim, o projeto enfrenta resistência de diferentes grupos políticos nos dois países e levanta dúvidas sobre sua sustentabilidade caso haja uma mudança de governo ou uma eventual revisão dos contratos.

Além disso, o impacto sobre a oferta global de petróleo e sobre os preços da gasolina tende a ser limitado no curto prazo, uma vez que a recuperação da capacidade produtiva venezuelana exigirá investimentos expressivos e provavelmente levará anos para se materializar.

· 04:15 — Novas hostilidades

A retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã recoloca o petróleo no centro da precificação dos mercados globais. Após uma semana de forte queda, favorecida pela melhora parcial do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, o Brent voltou a superar os US$ 90 diante de novos ataques americanos, da retaliação iraniana e de incidentes envolvendo embarcações na região.

Para os mercados, o principal risco está em uma escalada mais prolongada, capaz de voltar a restringir a oferta de energia e reacender pressões inflacionárias justamente em um momento em que os bancos centrais buscam calibrar com cautela os próximos passos. Nesse ambiente, um petróleo mais caro tende a elevar as expectativas de inflação, pressionar os juros de longo prazo e pesar sobre ativos mais sensíveis ao custo de capital, além de ampliar a volatilidade em moedas e bolsas de países mais dependentes da importação de energia.

A tensão também amplia a dimensão geopolítica do choque. A Índia, que aumentou significativamente as compras de petróleo russo para compensar a menor disponibilidade de oferta no Oriente Médio, passa agora a enfrentar pressão crescente de Washington, incluindo a ameaça de novas sanções e tarifas contra países que continuem sustentando a demanda por petróleo de Moscou. Esse movimento coloca à prova a tradicional estratégia indiana de preservar sua autonomia entre Rússia e EUA e adiciona uma nova camada de incerteza às cadeias globais de energia e comércio.

Para os mercados, a consequência é um ambiente em que o risco deixa de estar concentrado apenas no preço do barril e passa a envolver também fluxos comerciais, sanções, moedas e movimentos de realocação de capital entre diferentes regiões.

· 05:07 — Nvidia: o banco central da inteligência artificial

A Nvidia (B3: NVDC34 | Nasdaq: NVDA) vem consolidando uma posição que vai muito além da fabricação de chips, atuando cada vez mais como uma espécie de “banco central da IA”. Além de fornecer a infraestrutura computacional que sustenta boa parte do avanço da inteligência artificial, a companhia passou a utilizar seu próprio balanço para acelerar a expansão do ecossistema, com US$ 95,6 bilhões em participações acionárias e cerca de US$ 108,5 bilhões em garantias ligadas principalmente à construção de data centers.

Investimentos em empresas como Intel, CoreWeave e Nebius, além de iniciativas para financiar clientes e ampliar a capacidade computacional disponível, ajudam a proteger a demanda futura por seus produtos e fortalecem sua posição estratégica justamente quando grandes clientes, como a OpenAI, buscam desenvolver alternativas próprias. O principal elemento construtivo permanece sendo o crescimento: a Nvidia projeta avanço de aproximadamente 70% da receita no próximo ano, muito acima dos 45% anteriormente esperados pelo mercado.

Para os BDRs NVDC34, essa transformação reforça uma tese que já não depende apenas do ciclo tradicional de semicondutores. A Nvidia tornou-se uma exposição mais ampla ao crescimento da própria infraestrutura de IA, combinando liderança tecnológica, um ecossistema de software difícil de replicar e capacidade financeira para estimular clientes, fornecedores e novas plataformas. A estratégia não é isenta de riscos, especialmente pelo tamanho crescente dos investimentos, garantias e potenciais conflitos decorrentes do financiamento do próprio ecossistema, mas a geração de caixa e o ritmo de expansão permitem que a companhia faça essas apostas sem deixar de remunerar seus acionistas. Para o investidor brasileiro, os BDRs seguem oferecendo uma forma direta de participar dessa expansão estrutural da IA, com a vantagem adicional da exposição ao dólar, embora o elevado nível de expectativas continue exigindo disciplina de preço e horizonte de longo prazo.

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Especialização em inteligência artificial chega ao mercado; primeiros alunos terão mentoria exclusiva 

Acaba de chegar ao mercado a Especialização Executiva Certificada em Inteligência Artificial, nova formação da Empiricus Research, uma das principais casas de análise financeira do Brasil. 

A especialização foi criada para preparar profissionais para as transformações geradas pela IA e ensinar como utilizar a tecnologia de forma estratégica para ganhar relevância e se destacar no mercado de trabalho. 

Quem encabeça a mentoria é Alex Hisatomi, diretor de Data Analytics da Empiricus. Com mais de 20 anos de experiência em tecnologia, Hisatomi já passou por empresas como Apple, Cogna, Santander e Bradesco.  

Para além de todo seu conhecimento em análise de dados, Alex também é um exemplo vivo de como a expertise em inteligência artificial pode ser um trunfo quando se quer progredir na carreira. 

Somente nos últimos cinco anos, o diretor da Empiricus conseguiu triplicar o próprio salário com a implementação de novos projetos em IA e automatização de áreas da empresa.  

A partir de agora, qualquer brasileiro que deseja entender esse universo, desde o básico até o avançado, poderá fazer isso com ajuda da nova especialização da Empiricus.  

EU QUERO SAIR NA FRENTE E ME ESPECIALIZAR EM IA 

Conheça os cinco pilares da especialização em IA; primeiros alunos terão mentoria exclusiva 

A proposta da especialização é ampliar o conhecimento em inteligência artificial não apenas entre profissionais, mas também dentro das empresas que buscam automatizar processos e transformar a forma como seus negócios funcionam. 

E não é preciso chegar com conhecimento prévio. Pelo contrário. 

A formação parte do zero e conduz o aluno, passo a passo, pelos principais conceitos e ferramentas de IA, até a aplicação prática. Para isso, a especialização está estruturada em cinco pilares: 

1. Curso técnico: módulos que vão do básico ao avançado e ensinam, na prática, como operar tecnicamente as principais ferramentas de inteligência artificial. 

2. Cases práticos: o aluno terá contato com casos reais de uso da IA em diferentes áreas e entenderá como adaptar essas aplicações à sua própria realidade profissional. 

3. Acelerador de carreiras: depois de desenvolver conhecimento técnico e prático, o aluno contará com um ambiente para apresentar seu trabalho e aumentar suas possibilidades de contratação. 

4. Acelerador de negócios: os primeiros alunos terão uma mentoria exclusiva com Alex para transformar uma ideia em projeto e colocá-la em prática em poucos dias. 

5. Certificação de Especialista 1% em IA: uma certificação criada para reconhecer a especialização e ajudar o aluno a abrir portas para oportunidades no mercado de trabalho. 

Além disso, a formação também foi pensada para alcançar profissionais de diferentes áreas, como mercado financeiro, marketing, jurídico, entre outras. Por isso, a formação contará com as especificidades de cada profissão. 

E, para garantir a profundidade dessa experiência, a proposta é trabalhar com uma turma reduzida, formada por profissionais realmente interessados em aprender, aplicar e explorar todo o potencial da inteligência artificial. 

Ou seja, quem realmente quiser sair na frente de outros profissionais e se preparar para essa nova era da IA, precisa garantir a sua vaga o quanto antes.

Quer sair na frente de outros profissionais do mercado? Veja como garantir sua vaga na formação em IA agora 

Hoje (31), às 19h, Alex Hisatomi, diretor de data analytics da Empiricus, virá a público apresentar mais detalhes da Especialização Executiva Certificada em Inteligência Artificial. 

Durante o lançamento, o diretor da Empiricus vai explicar a importância da especialização e mostrar como brasileiros de diferentes perfis podem usar a inteligência artificial para impulsionar a carreira ou alavancar seus próprios negócios. 

No fim das contas, a escolha é simples: acompanhar a revolução tecnológica ou ficar para trás. 

Caso queira ser avisado em primeira mão sobre a especialização e garantir sua vaga na formação, basta clicar neste link aqui ou no botão abaixo, é simples e rápido: 

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Ibovespa em queda, resposta do Brasil ao ‘tarifaço’ de Trump e IPO da Anthropic no radar do mercado; veja destaques desta sexta (14)

Os mercados globais operam sem direção única nesta sexta-feira, divididos entre o alívio proporcionado por sinais mais benignos de inflação nos Estados Unidos e a renovação das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. A combinação de leituras mais moderadas do CPI e do PPI reduziu a percepção de urgência por um novo aperto monetário pelo Federal Reserve e ajudou o S&P 500 a renovar suas máximas históricas, enquanto os futuros americanos permanecem próximos da estabilidade.

Na Ásia, o destaque foi o Kospi, da Coreia do Sul, impulsionado pelo bom desempenho do setor de semicondutores, enquanto o Nikkei, do Japão, também avançou e as bolsas chinesas apresentaram comportamento mais contido. Na Europa, os principais índices oscilam próximos da estabilidade após a confirmação de crescimento do PIB da Zona do Euro no segundo trimestre.

Nos Estados Unidos, as atenções se concentram agora sobre os dados de vendas no varejo e de confiança do consumidor, importantes para avaliar a resiliência do consumo em um contexto no qual os salários reais permanecem pressionados. A principal fonte de risco, contudo, continua sendo o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O petróleo voltou a subir nesta manhã, embora os mercados ainda não precifiquem uma mudança decisiva no cronograma de reabertura da rota.

O impacto inflacionário da guerra, por sua vez, vai além do petróleo bruto: a valorização dos derivados, a redução da capacidade de refino na região do Golfo e o custo da energia incorporado ao transporte, à produção e ao comércio internacional tornam a transmissão para os preços ao consumidor mais ampla e difícil de mensurar. Dessa forma, o cenário combina algum alívio no campo monetário com um risco energético ainda relevante, mantendo petróleo, inflação, consumo e política do Fed entre os principais vetores para os mercados nas próximas semanas.

· 00:52 — Complicação fiscal começa a falar mais alto

O mercado brasileiro segue sob pressão, com o Ibovespa acumulando oito sessões consecutivas de queda e encerrando o último pregão aos 167.101 pontos, recuo de 0,23% no dia e de 6,12% desde 3 de agosto. O movimento contrasta com o desempenho positivo de Wall Street e reflete, sobretudo, a combinação entre a maior percepção de risco eleitoral, a deterioração do quadro fiscal e a forte saída de capital estrangeiro.

Apenas em agosto, os investidores não residentes retiraram R$ 11,9 bilhões da bolsa brasileira, intensificando a pressão sobre as ações e o câmbio, com o dólar encerrando o pregão próximo de R$ 5,19. Sob a ótica técnica, o rompimento dos suportes de 172.200 e 168.100 pontos reforçou a tendência de baixa do índice.

O ambiente político também ganhou uma nova fonte de incerteza com a abertura do processo para uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta à tarifa de 25% imposta sobre produtos brasileiros. Embora o governo tenha sinalizado preferência pela via diplomática e iniciado consultas com Washington, a possibilidade de adoção de contramedidas acrescenta mais um elemento de volatilidade aos ativos domésticos.

No campo econômico, os dados de atividade reforçam a percepção de desaceleração ao final do segundo trimestre. Embora a Pesquisa Mensal do Comércio tenha surpreendido positivamente em relação às expectativas, sua composição foi menos favorável, com apenas 40% dos segmentos registrando crescimento, enquanto veículos e materiais de construção apresentaram retrações relevantes. O varejo restrito recuou 0,4% no 2T26, após avanço de 1,2% no primeiro trimestre, enquanto o varejo ampliado caiu 1,0%, depois de crescer 1,1% no período anterior. Os números permanecem compatíveis com um cenário de desaceleração do PIB para 0,4% no trimestre e crescimento de 2,0% em 2026.

Esse quadro se soma a uma situação fiscal ainda delicada: medidas recentes aprovadas pelo Congresso ampliaram benefícios, criaram novas exceções às metas fiscais e tornaram mais difícil o controle das despesas. Embora o PLP dos Combustíveis possa abrir cerca de R$ 10 bilhões de espaço no Orçamento de 2027, o impacto é considerado limitado diante de uma necessidade de ajuste estrutural estimada entre R$ 300 bilhões e R$ 350 bilhões.

Com a proximidade das eleições e as dúvidas sobre a capacidade do próximo governo de produzir superávits primários consistentes e rever a estrutura de despesas obrigatórias, o risco fiscal vem se traduzindo em prêmios mais elevados, maior volatilidade e pressão sobre os ativos brasileiros. Sobre esse tema, publicamos recentemente dois relatórios complementares: um analisando o cenário em caso de ajuste fiscal (clique aqui) e outro discutindo as possíveis consequências caso esse ajuste não ocorra (clique aqui). Vale a leitura.

· 01:46 — Alívio

O ambiente externo encontrou algum alívio nos dados de inflação de julho nos Estados Unidos. O CPI desacelerou para 3,4% em 12 meses, enquanto o PPI permaneceu praticamente estável na margem e recuou de 5,5% para 4,7% na comparação anual, favorecido pela queda de 3,1% nos custos de energia. A leitura reduziu a percepção de urgência por uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em setembro e contribuiu para sustentar o apetite por risco: o S&P 500 avançou 0,7% e registrou seu 27º fechamento recorde no ano, enquanto o Nasdaq subiu 0,8%.

Ainda assim, o quadro está longe de ser inteiramente benigno. O núcleo do PCE deve apresentar uma moderação bem mais lenta, com projeção de permanência em 3,3%, mantendo em aberto o debate sobre a persistência da inflação e colocando petróleo, mercado de trabalho e os próximos dados de consumo no centro das atenções.

Ao mesmo tempo, os investidores começam a observar com mais cuidado a interação entre inflação e situação fiscal. O Tesouro americano vendeu US$ 25 bilhões em títulos de 30 anos a um rendimento de 5,216%, o maior desde 2001, refletindo a exigência de um prêmio mais elevado para financiar déficits ainda expressivos.

Dentro do Fed, a comunicação permanece dividida: Beth Hammack reiterou a defesa de juros mais altos diante de uma inflação que segue acima da meta, enquanto Tom Barkin adotou um tom mais equilibrado, reconhecendo que parte das pressões pode ter caráter temporário.

Dessa forma, embora CPI e PPI tenham reduzido o risco imediato de um novo aperto monetário, a trajetória futura dos juros continuará condicionada à persistência da inflação, à evolução das expectativas dos consumidores e ao crescente prêmio fiscal incorporado aos Treasuries de longo prazo.

· 02:37 — Gargalos

O fechamento do Estreito de Ormuz reforça um risco estrutural cada vez mais relevante para o comércio global: os gargalos marítimos, ou chokepoints, podem produzir impactos econômicos muito maiores do que os próprios volumes de tráfego sugerem. O ponto central está na capacidade de redirecionar embarcações e preservar o acesso aos portos quando essas rotas sofrem interrupções. Nesse sentido, corredores como os estreitos de Malaca e de Taiwan podem representar riscos ainda mais relevantes, enquanto desvios logísticos, como os observados no Mar Vermelho, já demonstraram potencial para multiplicar os custos de frete.

A vulnerabilidade não decorre apenas da geopolítica. Fatores climáticos também exercem pressão crescente sobre essas rotas, como mostram as restrições no Canal do Panamá associadas ao El Niño e os fechamentos temporários de importantes portos asiáticos provocados por tufões. Para as empresas, a principal lição é clara: diversificar fornecedores não é suficiente se todos eles continuarem dependentes dos mesmos corredores marítimos.

No Oriente Médio, esse risco permanece particularmente elevado. Os Estados Unidos sinalizaram que podem manter por tempo indeterminado o bloqueio naval ao Irã e ampliar o isolamento econômico do país, enquanto Donald Trump ameaça impor tarifas de 25% a países que continuarem negociando com Teerã. Do lado iraniano, o governo busca alternativas financeiras e reforça sua posição em relação ao controle de Ormuz, ao mesmo tempo que novos ataques a embarcações e a atuação dos houthis mantêm elevada a tensão regional.

Embora o petróleo tenha recuado mais de 2% ontem, pressionado pelo aumento dos estoques americanos e por projeções mais fracas para a demanda global, o tráfego pelo estreito continua reduzido e o risco de uma nova escalada permanece relevante. Assim, a recente queda das cotações não elimina o prêmio geopolítico embutido nos preços nem afasta a possibilidade de novos choques sobre energia, fretes e inflação global.

· 03:28 — Dinâmica de infraestrutura

As Big Techs seguem ampliando os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, com o Goldman Sachs estimando que os gastos globais possam superar US$ 1 trilhão neste ano. Esse movimento beneficia uma ampla cadeia de fornecedores, de chips e data centers a equipamentos de rede, fibra óptica e sistemas de energia.

Os resultados recentes confirmam que a demanda permanece forte, com empresas como Cisco, Coherent, Applied Optoelectronics, Nebius e Corning registrando crescimento relevante em pedidos e receitas ligadas à IA. Ainda assim, casos como Cisco e Cerebras mostram que pedidos robustos nem sempre se convertem imediatamente em faturamento, margens ou lucros, especialmente diante dos prazos de fabricação, implementação e reconhecimento de receita.

A principal mudança, portanto, está na régua utilizada pelo mercado para avaliar essas companhias. Durante boa parte do boom da IA, bastava comprovar crescimento de demanda, capex elevado e carteiras de pedidos robustas; agora, os investidores passam a exigir também velocidade de execução, preservação de margens e conversão eficiente dessa demanda em resultados financeiros.

Isso significa que empresas capazes de transformar rapidamente pedidos em receita e lucro tendem a ser premiadas de maneira diferente daquelas cuja carteira de encomendas cresce mais rápido do que sua capacidade de entrega.

· 04:16 — Um IPO gigante

A Anthropic pode protagonizar um dos maiores IPOs da história, com investidores projetando uma avaliação de US$ 2 trilhões em sua estreia na bolsa, potencialmente acima dos US$ 1,77 trilhão atribuídos recentemente à SpaceX.

A tese se apoia no crescimento acelerado das receitas, que poderiam chegar a até US$ 120 bilhões em base anual até o fim de 2026, cerca de dez vezes o patamar do início do ano. Alguns investidores chegam a defender uma avaliação de US$ 3 trilhões caso esse ritmo se sustente, tomando como referência múltiplos elevados observados em outras empresas ligadas à inteligência artificial.

O entusiasmo, porém, vem acompanhado de riscos relevantes. Os modelos da Anthropic seguem caros em relação a alternativas concorrentes, o que pode limitar a adoção corporativa, enquanto disputas com o governo americano e restrições temporárias de exportação já afetaram clientes e o crescimento da receita. Ao mesmo tempo, a companhia busca reduzir custos e ampliar sua independência tecnológica, inclusive por meio de uma possível aquisição da Decart por US$ 6 bilhões, movimento que poderia melhorar a eficiência no treinamento de modelos e abrir caminho para o desenvolvimento de chips próprios, aumentando a competição com empresas como a Nvidia.

· 05:03 — Fiscal frágil, renda como proteção

O problema fiscal brasileiro segue como um dos principais focos de fragilidade estrutural da economia e, como discutimos em nosso relatório mais recente, não pode ser tratado como uma questão secundária. A combinação entre crescimento persistente das despesas, dificuldade de geração de superávits e avanço do endividamento mantém elevados os prêmios de risco, pressiona os juros de longo prazo e reduz a capacidade do país de sustentar ciclos mais duradouros de crescimento.

Em algum momento, esse desequilíbrio precisará ser enfrentado de maneira crível, por meio de medidas capazes de estabilizar a trajetória da dívida e reconstruir a confiança dos investidores. Até que isso aconteça, a prudência continuará sendo indispensável na alocação de capital no Brasil. Foi sobre esse tema que nos debruçamos em nosso relatório mais recente (clique aqui para conferir).

Nesse ambiente, para além das recomendações de diversificação e proteção que temos defendido, a parcela do patrimônio que permanece investida no mercado brasileiro deve privilegiar, sobretudo, qualidade, previsibilidade e geração de renda. Empresas sólidas, com balanços robustos, boa capacidade de geração de caixa e histórico consistente de distribuição de proventos, oferecem uma camada adicional de resiliência diante de um cenário fiscal ainda incerto. É justamente nesse contexto que a nossa carteira recomendada e automatizada Renda Extra se encaixa como uma luva: uma seleção estruturada para combinar boas empresas, geração recorrente de renda e maior previsibilidade, atributos especialmente valiosos enquanto o país atravessa um período que ainda exige cautela.

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Cyrela (CYRE3): Expansão das margens e geração de caixa são destaques do 2T26; ações valem a pena?

Nesta quinta-feira (13), a Cyrela (CYRE3) divulgou seus resultados referentes ao 2º trimestre de 2026 (2T26). Os principais destaques ficaram por conta da expansão das margens e da forte geração de caixa no período.

Conforme antecipado na prévia operacional, a companhia lançou 20 empreendimentos, totalizando R$ 3,84 bilhões em VGV na participação Cyrela e excluindo permutas, crescimento de 34% frente ao 2T25 e de 120% em relação ao trimestre anterior. As vendas líquidas somaram R$ 2,56 bilhões, avanço de 14% na comparação anual e de 18% frente ao 1T26.

A VSO em 12 meses recuou para 42,8%, ante 51,4% no 2T25 e 44,7% no trimestre anterior. Já a VSO dos lançamentos ficou em 32%, indicando absorção razoável diante da forte aceleração do volume lançado.

Na demonstração financeira, a receita líquida alcançou R$ 2,48 bilhões, crescimento de 18% frente ao 2T25 e de 23% na comparação trimestral.

Rentabilidade e geração de caixa são destaques do 2T26

A rentabilidade foi uma boa notícia: a margem bruta atingiu 37,3%, aumento de 2,4 p.p. na comparação anual. Segundo a companhia, a evolução foi impulsionada pela melhora da rentabilidade da Vivaz e pelo aumento da participação do segmento econômico na receita. A tendência é que esse cenário continue no curto prazo, sinalizado pela estabilidade da margem a apropriar.

Por outro lado, assim como observado em outros resultados do setor, as despesas comerciais saltaram no trimestre, com alta de 30% na comparação anual, para R$ 294 milhões.

Na última linha, o lucro líquido atingiu R$ 452 milhões, alta de 16% frente ao 2T25 e de 52% em relação ao trimestre anterior, com margem líquida de 18,2%. O ROE dos últimos 12 meses encerrou o período em 20,9%.

A geração de caixa foi outro destaque, atingindo R$ 272 milhões no trimestre. Com isso, a dívida líquida ajustada recuou de R$ 2,18 bilhões para R$ 1,91 bilhão no trimestre, levando a relação dívida líquida/patrimônio líquido ajustado de 19,6% para 16,5%.

Cyrela (CYRE3): vale a pena comprar ações agora?

De forma geral, o 2T26 apresentou uma leitura positiva, com aceleração de receita, recuperação de margens e forte geração de caixa. Inclusive, o caixa da companhia deve ser reforçado com a venda extraordinária de ativos non-core, anunciada na última semana.

Com isso, cresce a possibilidade de uma remuneração adicional aos acionistas, incluindo dividendos. Negociando a um múltiplo P/B de 0,8 vez, as ações de CYRE3 permanecem entre as recomendações da Empiricus.

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Esta inteligência artificial pode buscar até R$ 214 mil na ‘3ª onda das nanocoins’; entenda

O ano não tem sido fácil para o mercado de criptomoedas. O bitcoin, principal ativo do segmento, caiu cerca de 28% em 2026. É hora de fugir dos ativos digitais?

Na visão de especialistas do segmento, a resposta é não. Isso porque o mercado cripto pode ter atingido o preço de fundo do bear market, e uma janela para comprar nanocoins a preços atrativos pode se abrir neste exato momento.

Exatamente por isso, a Empiricus desenvolveu o Nano IA, uma inteligência artificial que atua de forma automatizada no mercado de criptomoedas, em busca de nanocoins que podem valorizar até 214 vezes, em média.

Por que a ‘3ª onda das nanocoins’ pode estar a caminho

Dados do departamento de criptomoedas da Empiricus Research mostram que em cenários de bear market anteriores — como são conhecidos os momentos de desvalorização ou pessimismo no mercado —, o espaço para queda se torna limitado depois que o ponto mais baixo foi atingido.

E a chance de uma disparada logo em seguida é muito alta, especialmente para as chamadas nanocoins. Essas moedas possuem um baixo valor de mercado, inferior a US$ 1 bilhão, e têm alto potencial de valorização.

Os pontos do gráfico acima destacam datas nas quais o Bitcoin (BTC), principal criptomoeda do mercado, atingiu seu preço de fundo em fase de bear market: quando a linha azul encontra a linha marrom, a tendência é que o preço aumente expressivamente logo em seguida.

Segundo os dados, podemos estar na 3ª onda das nanocoins, já que as linhas se encontraram novamente. Por isso, este pode ser um bom momento para investir.

Para auxiliar os investidores que querem aproveitar este cenário, surgiu o Nano IA, uma inteligência artificial desenvolvida por Luis Kuniyoshi, pesquisador e vice-diretor do departamento de criptomoedas da Empiricus Research.

A ferramenta busca três categorias de moedas:

  • Nanocoins de inteligência artificial com potencial de até 5.200% de lucro;
  • Nanocoins especulativas com potencial de lucro de até 30.000% e
  • Nanocoins ultra especulativas, que podem valorizar até 257.000%.

O Nano IA é responsável por identificar as melhores oportunidades e executar as operações de forma automatizada. A inteligência artificial está programada para buscar até R$ 214 mil de retorno, a partir de um investimento inicial de R$ 1 mil.

Apesar de retornos passados não serem garantia de retornos futuros e as criptomoedas serem ativos de risco, o protótipo do Nano IA já conseguiu um retorno de 87,6% em uma operação realizada entre os dias 8 e 10 de julho.

Veja como participar de evento gratuito de lançamento do Nano IA

Se você ficou interessado, no dia 24 de agosto, às 19h, o Nano IA será apresentado para o mercado em um evento gratuito.

Durante o evento, Kuniyoshi vai explicar com mais detalhes como a ferramenta pode buscar até R$ 214 mil.

A participação no evento é gratuita, mas precisa de inscrição prévia. Para reservar seu lugar, basta clicar no botão abaixo:

QUERO CONHECER A IA QUE PODE BUSCAR ATÉ R$ 214 MIL

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Moura Dubeux (MDNE3): Resultados do 2T26 reforçam boa dinâmica financeira da empresa

Nesta quarta-feira (12), a Moura Dubeux (MDNE3) divulgou seus resultados referentes ao 2T26, mantendo uma boa dinâmica financeira. Os números vieram ligeiramente acima das nossas estimativas, especialmente nas linhas finais.

Conforme antecipado na prévia operacional, a companhia lançou seis projetos, totalizando R$ 1,01 bilhão em VGV líquido (%MD), retração de 45,7% frente ao 2T25. No semestre, porém, os lançamentos somaram R$ 2,32 bilhões, crescimento de 2,5% na comparação anual.

Destaques do 2T26 da Moura Dubeux

As vendas e adesões líquidas atingiram R$ 1,02 bilhão, retração de 14,7% na comparação anual e praticamente estabilidade frente ao 1T26. O desempenho continuou sustentado principalmente pelos condomínios, que representaram 64% das vendas brutas na participação da companhia. A VSO trimestral ficou em 20,9%, enquanto o indicador em 12 meses permaneceu em patamar saudável, de 51,1%.

No âmbito financeiro, a receita líquida alcançou R$ 731 milhões, crescimento de 10% frente ao 2T25 e de 16,5% em relação ao trimestre anterior. A margem bruta atingiu 38,6%, expansão de 5,3 p.p. na comparação anual, enquanto a margem bruta ajustada chegou a 40,2%. Segundo a companhia, parte importante dessa evolução veio da maior contribuição do modelo de condomínio e do reconhecimento do fee de comercialização de terrenos dos projetos Casa Macedo, Moura Dubeux Plaza e Salvador 220.

O EBITDA ajustado alcançou R$ 179 milhões, alta de 34,7% frente ao 2T25, com margem de 24,5%, expansão de 4,5 p.p. na comparação anual. Por outro lado, as despesas comerciais e administrativas apresentaram crescimento relevante no período, refletindo, entre outros fatores, maiores gastos com comissões e expansão da estrutura da companhia.

Na última linha, o lucro líquido atingiu R$ 174 milhões, novo recorde trimestral e crescimento de 44,6% frente ao 2T25. Além do avanço operacional, o resultado foi favorecido por um resultado financeiro líquido positivo de R$ 34,7 milhões. A margem líquida alcançou 23,8%, enquanto o ROAE dos últimos 12 meses ficou em 28%.

MDNE3: evolução financeira e qualidade operacional

Em relação à estrutura de capital, a Moura Dubeux encerrou junho dívida líquida de apenas R$ 56 milhões, equivalente a 2,5% do patrimônio líquido. A companhia apresentou geração de caixa de R$ 27 milhões no trimestre, influenciado pela alienação de recebíveis, revertendo o consumo observado no 1T26.

De forma geral, os resultados do 2T26 reforçam a boa evolução financeira da Moura Dubeux, com expansão de margens e novo recorde de lucro. Mantemos uma leitura positiva sobre a qualidade operacional de MDNE3, que negocia a apenas 3,5 vezes os seus lucros projetados para 2027.

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Ibovespa sente pressão pela saída de capital estrangeiro, enquanto CPI dos EUA mostra alívio na inflação; veja destaques desta quinta (13)

Os mercados globais operam sem direção única nesta quinta-feira, com as ações de tecnologia e inteligência artificial oferecendo sustentação às bolsas, enquanto a inflação mais branda nos Estados Unidos ajuda a aliviar parte das preocupações em relação aos próximos passos do Federal Reserve.

O principal destaque vem da Ásia, especialmente da Coreia do Sul. No Japão, o Nikkei também avançou, enquanto China e Hong Kong encerraram o pregão no campo negativo. Na Europa, os índices operam de forma mista, refletindo uma combinação de dados econômicos relativamente resilientes, como o crescimento de 0,4% do PIB britânico no segundo trimestre, e novas pressões inflacionárias, como a aceleração do CPI espanhol para 3,6%.

Nos Estados Unidos, os futuros avançam moderadamente antes da divulgação do PPI, que será importante para calibrar as expectativas de juros após o alívio proporcionado pelo CPI. A geopolítica, porém, continua sendo uma fonte relevante de risco. O impasse entre EUA e Irã em torno do Estreito de Ormuz permanece sem avanços significativos, enquanto Washington volta a intensificar a pressão econômica sobre Teerã.

· 00:56 — Atividade levemente mais forte

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, acumulando a sétima sessão consecutiva de perdas e a pior sequência em cerca de um ano. A pressão continua vindo principalmente da redução da exposição de investidores estrangeiros aos ativos brasileiros, em meio ao aumento da cautela com o processo eleitoral e seus possíveis desdobramentos fiscais.

Mais de R$ 7 bilhões deixaram a bolsa em agosto até o dia 10, enquanto bancos e Petrobras figuraram entre as principais contribuições negativas para o índice. O dólar também avançou, aproximando-se de R$ 5,18, refletindo tanto o fortalecimento global da moeda americana quanto a deterioração do humor doméstico e os relatos de maior demanda de investidores estrangeiros por proteção.

No campo macroeconômico, os dados recentes ainda apontam para uma perda gradual de fôlego da atividade. A Pesquisa Mensal de Serviços avançou 0,4% no segundo trimestre, mas mostrou sinais de enfraquecimento no encerramento do período e deixou um carregamento praticamente nulo para o terceiro trimestre, enquanto os serviços prestados às famílias apresentaram desempenho mais fraco na margem. A Pesquisa Mensal do Comércio de junho, por sua vez, surpreendeu na direção oposta, registrando aceleração em relação ao mês anterior e desempenho acima das expectativas.

Ainda assim, mantemos a perspectiva de um novo corte de 25 pontos-base na Selic em setembro, embora a proximidade das eleições, os riscos fiscais e a saída de capital estrangeiro continuem limitando uma recuperação mais consistente dos ativos domésticos.

· 01:42 — Inflação alivia, mas o Fed ainda não está livre para cortar

Nos Estados Unidos, Wall Street encerrou a sessão anterior em leve alta, apoiada por uma leitura considerada benigna do CPI de julho e por resultados positivos de empresas ligadas à inteligência artificial. A inflação ao consumidor registrou alta de 0,1% no mês e de 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% na comparação mensal e 2,5% na anual, reforçando a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve em setembro.

Ainda assim, a composição do indicador não confirmou um processo de desinflação disseminado, uma vez que os preços de bens mostraram alguma pressão e parte do alívio observado nos serviços esteve concentrada em componentes mais voláteis. Nesse contexto, as atenções se voltam agora para o PPI de julho, especialmente para os componentes que entram diretamente no cálculo do núcleo do PCE, principal referência de inflação acompanhada pelo Fed, além dos pedidos semanais de seguro-desemprego e das falas de Beth Hammack e Tom Barkin.

O pano de fundo fiscal também vem ganhando relevância crescente. O governo americano registrou déficit de US$ 432 bilhões em julho, recorde para o mês, elevando o rombo acumulado nos dez primeiros meses do ano fiscal para US$ 1,799 trilhão, valor superior ao registrado em todo o ano de 2025. Esse cenário ajuda a explicar por que, apesar do alívio observado na ponta curta da curva dos Treasuries após a divulgação do CPI, os rendimentos dos títulos de prazo mais longo continuam pressionados.

Assim, embora os dados de inflação tenham reduzido a urgência de uma nova alta de juros em setembro, a decisão do Federal Reserve permanece em aberto e dependerá das próximas leituras de PPI, PCE, CPI e payroll, além das sinalizações que surgirem durante o simpósio de Jackson Hole.

· 02:34 — Sem perspectiva

A disputa em torno do Estreito de Ormuz permanece sem solução, com Estados Unidos e Irã trocando acusações sobre o descumprimento das condições acordadas anteriormente e reivindicando controle sobre uma das principais rotas globais de petróleo e gás. O número de travessias caiu para o menor nível em três semanas, enquanto Teerã mantém a reabertura condicionada ao fim do bloqueio a seus portos, à suspensão das sanções e a outras concessões por parte de Washington.

Diante da perspectiva de um conflito prolongado e intermitente, ganha força a expectativa de que o Brent permaneça na faixa intermediária de US$ 80 por barril ao longo do restante de 2026. Ainda assim, os preços podem recuar gradualmente à medida que os exportadores ampliem rotas alternativas, os estoques globais elevados ajudem a amortecer o choque de oferta e a demanda chinesa permaneça moderada.

Ao mesmo tempo, a crise vem acelerando uma reorganização estrutural das rotas energéticas. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão expandindo oleodutos capazes de reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, enquanto a China avalia alternativas como a Rota do Mar do Norte. Apesar desses esforços, os riscos continuam elevados: a Agência Internacional de Energia (AIE) estima um déficit global de 1,8 milhão de barris por dia neste trimestre, mais que o dobro do projetado anteriormente, enquanto o Irã vem sinalizando preparação para um confronto prolongado.

A retomada das tensões também começa a produzir efeitos em outras frentes, com novas pressões sobre energia, fertilizantes e preços globais de alimentos, revertendo parte da tendência desinflacionária observada nos meses anteriores.

· 03:28 — Transformação econômica

As importações chinesas evidenciam como a inteligência artificial vem assumindo um papel cada vez mais relevante na transformação econômica do país. Bens ligados ao ecossistema de IA, como semicondutores, computadores, equipamentos de armazenamento e redes, processadores e chips de memória, responderam por quase metade do crescimento recente das importações, refletindo a forte integração das empresas chinesas às cadeias globais de tecnologia.

Em contraste, as importações de energia, mais diretamente relacionadas à dinâmica da economia doméstica, seguem em queda em valor na comparação anual, mesmo diante dos choques recentes de preços e oferta provocados pelas tensões no Oriente Médio.

Esse avanço, no entanto, traz consigo um desafio relevante: a disponibilidade de energia. Os provedores chineses de serviços de dados já consomem 45% mais eletricidade do que há um ano, ritmo muito superior ao crescimento de 6,9% do consumo nacional, o que amplia a pressão sobre a infraestrutura elétrica e torna mais complexos os esforços de descarbonização.

Embora fontes como carvão, gás natural e energia solar permitam expandir a capacidade de geração com maior rapidez, os centros de dados exigem fornecimento contínuo e confiável. Ao mesmo tempo, grande parte do potencial de geração de energia limpa está localizada longe dos principais polos tecnológicos do país, como Guangdong, Jiangsu, Zhejiang, Xangai e Pequim, criando um desafio adicional para sustentar a expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

· 04:15 — Postura firme

No Japão, cresce a expectativa de que o Banco do Japão adote uma postura mais firme para conter a fraqueza persistente do iene. O governo de Sanae Takaichi estaria mais receptivo a uma alta de juros já em setembro ou outubro, em sintonia com a preocupação do BOJ de que a desvalorização cambial alimente a inflação e com o esforço conjunto de Japão e Estados Unidos para sustentar a moeda.

O desafio é que um aperto monetário mais rápido pode pressionar uma economia ainda frágil, especialmente diante da queda dos gastos das famílias, obrigando governo e banco central a equilibrar estabilidade cambial e preservação do crescimento.

Na Ásia, o desempenho das ações de tecnologia segue bastante desigual. O Kospi acumula forte recuperação desde a mínima de julho, apoiado pela retomada do entusiasmo com empresas de hardware ligadas à inteligência artificial e pela continuidade dos elevados investimentos das Big Techs.

Na China, a Lenovo disparou após reportar crescimento de 43% na receita trimestral, reforçando o otimismo com a demanda associada à IA. Em sentido oposto, a Tencent caiu após mais que dobrar seus gastos com inteligência artificial, evidenciando que a corrida tecnológica também vem acompanhada de custos crescentes e maior pressão sobre a rentabilidade no curto prazo.

· 05:09 — Crescimento, rentabilidade e valuation atrativo

A Direcional (DIRR3) entregou mais um trimestre robusto no 2T26, reforçando a consistência operacional observada nos últimos períodos. Os lançamentos somaram R$ 2,1 bilhões em VGV, alta de 8% em relação ao 2T25 e mais que o dobro do volume do trimestre anterior, enquanto as vendas líquidas alcançaram R$ 1,65 bilhão, praticamente estáveis na comparação anual e 5% acima do 1T26.

Na demonstração financeira, a receita líquida atingiu recorde de R$ 1,28 bilhão, avanço de 20% em 12 meses, e chegou a R$ 1,60 bilhão quando consideradas também as SPEs não consolidadas. A rentabilidade permaneceu elevada, com margem bruta ajustada de 42,8%, 110 pontos-base acima do ano anterior, enquanto a receita a apropriar cresceu 21%, para R$ 4,1 bilhões, oferecendo boa visibilidade para os próximos trimestres.

Mesmo com o aumento das despesas comerciais, o EBITDA ajustado avançou 27%, para R$ 348 milhões, com margem de 27,2%, e o lucro líquido operacional cresceu 10%, para R$ 202 milhões. O ROE anualizado de 35% continua colocando a Direcional entre as companhias mais rentáveis do setor.

A qualidade do trimestre também aparece na geração de caixa e na evolução da estrutura de capital. A companhia gerou R$ 130 milhões em caixa no período e, mesmo excluindo cessões de recebíveis, operações societárias e efeitos ligados aos repasses da Caixa Econômica Federal, apresentou geração operacional positiva de R$ 80 milhões. Com isso, a dívida líquida recuou para R$ 492 milhões, equivalente a apenas 18% do patrimônio líquido.

Em nossa leitura, os números reforçam uma tese construtiva para DIRR3, sustentada por crescimento, margens elevadas, alta rentabilidade e desalavancagem. Após a pressão recente sobre as ações, o anúncio de um programa de recompra de até 32 milhões de papéis também sinaliza confiança da administração na geração de valor. Negociando a cerca de 5,5 vezes o lucro projetado para o próximo ano, DIRR3 permanece com valuation atrativo diante da qualidade operacional apresentada e do potencial de continuidade dos resultados.

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Direcional (DIRR3): Números do 2T26 mantém ritmo de crescimento e consistência operacional da empresa; veja análise

Na última terça-feira (11), a Direcional (DIRR3) divulgou seus resultados referentes ao 2T26, mantendo o bom ritmo de crescimento observado nos últimos trimestres.

Conforme antecipado na prévia operacional, os lançamentos totalizaram R$ 2,1 bilhões em VGV (R$ 1,6 bilhão na participação da companhia), crescimento de 8% frente ao 2T25 e mais que o dobro do volume registrado no trimestre anterior. As vendas líquidas atingiram R$ 1,65 bilhão (R$ 1,37 bilhão na % Companhia), praticamente estáveis na comparação anual e 5% acima do 1T26. A VSO consolidada ficou em 23%, com 24% na Direcional e 21% na Riva.

Na demonstração financeira, a receita líquida atingiu novo recorde de R$ 1,28 bilhão, avanço de 20% frente ao 2T25 e de 10% na comparação trimestral. Considerando também as SPEs não consolidadas, a receita líquida total chegou a R$ 1,60 bilhão, enquanto o indicador acumulado em 12 meses superou R$ 6 bilhões.

Rentabilidade é destaque no 2T26 da Direcional

A rentabilidade permaneceu como um dos principais destaques. A margem bruta ajustada atingiu 42,8%, praticamente estável frente ao 1T26 e 110 bps acima do ano anterior. Olhando para frente, a receita a apropriar alcançou R$ 4,1 bilhões, avanço de 21% em 12 meses, enquanto a margem REF ficou em 43,9%, abaixo dos 44,9% do 2T25, mas ainda em patamar elevado.

As despesas comerciais cresceram 33% na comparação anual, refletindo o maior volume de lançamentos e esforços comerciais, além do impacto dos distratos. Com isso, o Ebitda ajustado alcançou R$ 348 milhões, crescimento de 27% em relação ao 2T25, com margem de 27,2%.

Na última linha, o lucro líquido operacional atingiu R$ 202 milhões, avanço de 10% na comparação anual e praticamente estável frente ao trimestre anterior. O ROE anualizado ficou em 35%, mantendo a companhia entre os melhores níveis de rentabilidade do setor.

A geração de caixa também foi destaque, alcançando R$ 130 milhões no trimestre. Mesmo desconsiderando cessões de recebíveis, operações societárias e efeitos relacionados aos repasses da Caixa Econômica Federal, a geração de caixa operacional foi positiva em R$ 80 milhões. Com isso, a dívida líquida caiu para R$ 492 milhões, levando a relação dívida líquida/PL para 18% no trimestre.

DIRR3: recomendação de compra

De forma geral, os resultados do 2T26 reforçam a consistência operacional da Direcional, com crescimento de receita, manutenção de margens elevadas e melhora projetada para a estrutura de capital.

Em nossa visão, assim como outros players do setor, o papel foi exageradamente pressionado na última janela. Não a toa, a companhia anunciou um novo programa de recompra, com potencial de aquisição de até 32 milhões de ações.

Negociando a um múltiplo P/L de 5,5 vezes para o próximo ano, as ações de DIRR3 seguem em patamar de compra atrativo.

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Ibovespa hoje: Quadro fiscal e volatilidade eleitoral colocam índice sob pressão; veja mais destaques desta quarta (12)

Os mercados globais operam em leve alta nesta quarta-feira, em compasso de espera pela divulgação do CPI de julho nos Estados Unidos, indicador central para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve. Os futuros de Nova York avançam, com destaque para o Nasdaq 100, enquanto as bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente em alta, lideradas pelo Kospi, beneficiado pela valorização das ações de semicondutores e por resultados corporativos que reforçaram a confiança na continuidade dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.

Na Europa, o movimento é mais moderado, com os investidores também atentos aos indicadores de inflação. A geopolítica, por sua vez, continua sendo o principal foco de risco. Apesar de Paquistão e Catar sinalizarem avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã envolvendo o Estreito de Ormuz, novos ataques no Bab-el-Mandeb e no Golfo de Omã mostram que o cenário permanece frágil, enquanto Teerã condiciona a reabertura do estreito a concessões mais amplas por parte de Washington.

· 00:57 — Sob pressão

No Brasil, o Ibovespa encerrou a terça-feira em forte queda de 2,50%, aos 167.875 pontos, menor nível de fechamento desde 20 de janeiro, acumulando a sexta sessão consecutiva de perdas. O movimento refletiu uma combinação de maior aversão ao risco global, saída de capital estrangeiro, preocupações com o quadro fiscal e aumento da volatilidade eleitoral.

Um banco americano reduziu a recomendação para ações brasileiras de overweight para neutra, citando justamente o ambiente político como fator de cautela, enquanto os bancos estiveram entre as principais pressões negativas sobre o índice. A proximidade do início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto, também aumenta a sensibilidade do mercado a alianças partidárias, pesquisas e sinais sobre a condução fiscal futura.

No campo macroeconômico, como disse ontem, a ata do Copom reforçou que a desaceleração da atividade, do mercado de trabalho e da inflação justificou o corte da Selic de 14,25% para 14%, mantendo aberta a possibilidade de nova redução de 25 pontos-base em setembro, embora expectativas desancoradas, inflação de serviços elevada e riscos fiscais recomendem cautela. O IPCA avançou 0,07% em julho, desacelerando para 4,44% em 12 meses, mas com composição menos favorável do que o esperado, especialmente em serviços, apesar da deflação de alimentos e da queda do índice de difusão.

Já a Pesquisa Mensal de Serviços mostrou estabilidade de 0,0% em junho, após recuo de 0,2% em maio, enquanto o crescimento anual acelerou de 0,7% para 2,0%, sinalizando uma atividade ainda resiliente, mas sem avanço na margem. Em conjunto, os dados reforçam a perspectiva de continuidade gradual do ciclo de cortes, mas ainda sem espaço para uma flexibilização mais agressiva da política monetária.

· 01:42 — Digerindo a inflação

Nos Estados Unidos, o CPI americano de julho é o principal destaque desta quarta-feira e deverá ser determinante para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve. O consenso aponta para alta de 0,1% no índice cheio e de 0,2% no núcleo, levando as taxas acumuladas em 12 meses para 3,4% e 2,5%, respectivamente. Uma leitura em linha com as expectativas reforçaria a percepção de menor persistência inflacionária, mas dificilmente encerraria o debate sobre a decisão de setembro, sobretudo porque o núcleo do PCE deve permanecer próximo de 3,3% ao ano.

O mercado chega à divulgação em compasso de espera, após quedas de 0,3% no Dow Jones e no S&P 500 e de 0,6% no Nasdaq, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 e 10 anos recuaram para 4,22% e 4,68%, respectivamente. O principal risco continua sendo uma surpresa altista na inflação, especialmente no setor de serviços, em um contexto no qual o petróleo voltou a se aproximar de US$ 90 por barril diante das dificuldades nas negociações entre Estados Unidos e Irã e das persistentes restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz.

No mercado de trabalho, a queda da taxa de participação na força de trabalho também merece atenção. O indicador recuou para 61,4% em julho, refletindo principalmente a aposentadoria de trabalhadores mais velhos e políticas migratórias mais restritivas, fatores que reduzem a oferta disponível de mão de obra e podem ampliar, ao longo do tempo, o papel da tecnologia e da inteligência artificial na sustentação dos ganhos de produtividade.

Ao mesmo tempo, o índice de confiança das pequenas empresas da NFIB avançou para 99,8, acima das expectativas, acompanhado por uma melhora nos planos de contratação. O resultado sugere que a fraqueza recente na criação de vagas ainda não representa uma deterioração disseminada da demanda por trabalhadores. No campo político, as primárias realizadas no Upper Midwest produziram resultados mistos entre as alas moderada e progressista do Partido Democrata, além de um desempenho desigual entre os candidatos apoiados por Donald Trump, mantendo em aberto disputas estaduais e legislativas importantes às vésperas das eleições de novembro.

· 02:39 — Disrupção estrutural

O governo Trump projeta que as interrupções no fornecimento de petróleo provocadas pela guerra com o Irã alcancem cerca de 600 mil barris por dia até o fim de 2027, em um contexto de persistentes restrições aos embarques pelo Estreito de Ormuz. Segundo a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (EIA), o fluxo de petróleo pela região caiu para uma média de 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre, ante 21,6 milhões no último trimestre de 2025.

Os efeitos dessa disrupção já aparecem nas projeções de preços: a agência elevou suas estimativas para a gasolina e o diesel em 2026 e também revisou para cima a expectativa para os preços da gasolina ao consumidor em 2027. Embora sinais de avanço nas negociações tenham proporcionado algum alívio momentâneo, o petróleo americano voltou a superar US$ 83 depois que o Irã reiterou que manterá o estreito fechado até que suas exigências sejam atendidas.

Até aqui, o mercado global de petróleo conseguiu absorver uma parcela relevante desse choque graças à combinação de demanda mais fraca, aumento da produção em outras regiões e utilização de estoques, fatores que evitaram uma escalada ainda mais intensa dos preços. O ponto de atenção é que essa margem de segurança vem diminuindo.

Como destacam Jean-Marc Natal e Azim Sadikov, em artigo recente do FMI, uma precificação inadequada do risco geopolítico no mercado de energia pode tornar a economia global mais vulnerável a novos choques. Isso ocorre porque preços que não refletem plenamente os riscos existentes reduzem os incentivos para novos investimentos e para a expansão da capacidade de oferta, deixando o sistema energético menos preparado para absorver futuras rupturas.

· 03:24 — Ajuste de política econômica

O Japão atravessa um momento relevante de ajuste em sua política econômica, marcado pela divergência entre Scott Bessent e a primeira-ministra Sanae Takaichi em relação aos próximos passos do Banco do Japão. Enquanto o secretário do Tesouro dos Estados Unidos defende juros mais elevados como forma de oferecer maior sustentação ao iene, que voltou a se aproximar do patamar de 160 por dólar, Takaichi resiste a um aperto monetário mais agressivo, diante do risco de comprometer o ritmo de crescimento da economia.

Ao mesmo tempo, seu governo busca enfrentar um problema estrutural do país: o elevado volume de caixa acumulado pelas grandes empresas. A estratégia pretende direcionar parte desses recursos para investimentos domésticos, pesquisa e setores considerados estratégicos, como inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura digital, dando continuidade às iniciativas de governança corporativa e maior eficiência na alocação de capital promovidas nos últimos anos.

A aproximação entre Japão e Estados Unidos também vem se aprofundando no setor de energia. Após a crise no Estreito de Ormuz, o Japão ampliou de maneira significativa as importações de petróleo americano, cuja participação nas compras externas do país passou de 3,8% em 2025 para mais de 30% em junho, em meio a uma estratégia de diversificação de fornecedores e recomposição dos estoques.

Takaichi também sinalizou a intenção de armazenar petróleo dos Estados Unidos e ampliar a cooperação bilateral para estimular a produção americana, enquanto Washington vem utilizando sua Reserva Estratégica de Petróleo para ajudar a aliviar pressões sobre o mercado global. O resultado é uma relação econômica cada vez mais integrada, combinando coordenação em torno do câmbio, incentivos ao investimento corporativo e uma cooperação energética mais estreita.

· 04:15 — Redução de dependência

Washington vem intensificando os esforços para reduzir a dependência da China em cadeias estratégicas de suprimentos, especialmente no segmento de terras raras. Nesse contexto, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos anunciou um financiamento de US$ 400 milhões para a australiana Sunrise Energy Metals, projeto que deverá viabilizar a primeira mina primária de escândio do mundo.

O início da produção está previsto para o fim de 2028, e o acordo concede ao governo americano direito de preferência sobre parte da oferta. O escândio, assim como outros elementos classificados como terras raras, desempenha papel estratégico em setores como defesa, indústria aeroespacial, semicondutores, energia e inteligência artificial, o que amplia sua relevância tanto econômica quanto geopolítica.

O governo Trump também vem adotando medidas para acelerar o licenciamento de novos projetos, ampliar o financiamento destinado ao processamento e ao refino de minerais críticos e, em alguns casos, realizar investimentos diretos em empresas do setor. O movimento sinaliza uma política industrial mais assertiva, voltada à reconstrução da capacidade mineral dos Estados Unidos e à redução de vulnerabilidades em cadeias consideradas essenciais.

Esse apoio governamental pode criar oportunidades relevantes para empresas expostas à mineração e ao processamento desses materiais. Ainda assim, o setor permanece sujeito a riscos importantes, como elevada necessidade de capital, desafios operacionais, volatilidade nos preços das commodities e forte dependência de políticas públicas, incentivos e condições estabelecidas pelo governo.

· 05:08 — MedTech: fundamentos em recuperação e espaço para reprecificação

O setor de equipamentos médicos (MedTech) reúne uma combinação atraente de fundamentos em recuperação e valuations ainda deprimidos após anos de desempenho mais fraco. A estabilização do volume de procedimentos, a correção de gargalos operacionais, o lançamento de novos produtos e o envelhecimento da população contribuem para uma perspectiva mais construtiva para o segmento.

Nesse contexto, o ETF iShares U.S. Medical Devices (IHI) oferece exposição diversificada às principais empresas do setor e pode se beneficiar de uma eventual reprecificação à medida que o mercado passe a reconhecer com maior clareza a melhora operacional e a resiliência estrutural da demanda por equipamentos e tecnologias médicas.

A tese também ganha força diante da transformação mais ampla em curso nos setores de saúde e oncologia, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, de diagnósticos mais sofisticados e de terapias cada vez mais direcionadas. A IA tende a reduzir custos de pesquisa e desenvolvimento, acelerar processos clínicos e ampliar oportunidades em áreas como diagnóstico precoce, imunoterapia, terapias-alvo e dispositivos médicos de maior complexidade. Para o investidor brasileiro, essa exposição pode ser acessada pela B3 por meio do BDR BIHI39, oferecendo uma alternativa prática de diversificação internacional e participação em uma tendência estrutural de longo prazo dentro do setor de saúde.

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Barrick Mining (BARR34): Forte produção, ouro em alta e acordos pautaram resultados do 2T26

Nesta manhã (10), a Barrick Mining (B3: BARR34 | NYSE: B) divulgou os resultados do 2T26, com desempenho operacional forte, beneficiado também pelo aumento do preço do ouro ao longo do último ano. Ainda assim, a ação recuou cerca de 5% no pregão estendido, com o mercado mais atento à alta dos custos.

A receita totalizou US$ 5,29 bilhões, alta de 44% na comparação anual e acima do consenso de cerca de US$ 5,1 bilhões. O avanço foi impulsionado principalmente pelos preços mais elevados do ouro e do cobre, que atingiram médias de US$ 4.417/oz para o ouro (+34%) e US$ 6,15/lb para o cobre (+41%).

Além disso, a maior produção de ouro, de 796 mil onças, acima da faixa de guidance de 730 mil a 770 mil onças, e a produção de cobre, de 56 mil toneladas (-5% a/a), em linha com o plano, também contribuíram para o avanço da receita.

Custos de produção e vendas de ouro e cobre no 2T26

Do lado dos custos, a disciplina operacional manteve os indicadores dentro do guidance do ano, mas a pressão inflacionária ficou evidente. O custo de vendas do ouro subiu para US$ 1.993 por onça, ante US$ 1.654 no 2T25, enquanto o custo total de sustentação da produção (AISC) avançou 11% a/a, para US$ 1.866 por onça, puxado por royalties maiores devido ao preço do metal, combustível mais caro e menor teor em parte das operações. No cobre, o AISC avançou 36% a/a, para US$ 3,95 por libra.

Com os preços das commodities mais elevados, a margem EBITDA ajustada atribuível atingiu 60%, um forte avanço de 5 p.p. em relação ao mesmo período do ano passado.

Na linha final, o lucro líquido da Barrick somou US$ 1,22 bilhão (+50% a/a). O lucro líquido ajustado foi de US$ 1,36 bilhão, equivalente a um lucro por ação ajustado de US$ 0,82, alta de 74% na comparação anual. Frente ao consenso, o número ficou em linha com a estimativa mais citada, de cerca de US$ 0,81, e marginalmente abaixo de outras projeções próximas de US$ 0,84, o que ajuda a explicar as manchetes de miss e a reação cautelosa do mercado.

A Barrick também seguiu gerando valor aos acionistas. A companhia declarou dividendo trimestral de US$ 0,175 por ação e recomprou US$ 1,21 bilhão em ações no trimestre, elevando a devolução total aos acionistas para US$ 1,50 bilhão (+242% a/a).

Para 2026, a companhia manteve o guidance de produção e custos. A previsão de produção de ouro permanece entre 2,90 milhões e 3,25 milhões de onças, enquanto a de cobre fica entre 190 mil e 220 mil toneladas. No ouro, o custo de vendas projetado ficou entre US$ 1.870 e US$ 2.070 por onça, com AISC entre US$ 1.760 e US$ 1.950 por onça. No cobre, o AISC ficou entre US$ 3,45 e US$ 3,75 por libra.

Já o guidance de investimentos de capital atribuível foi reduzido para US$ 3,8 bilhões a US$ 4,2 bilhões, ante US$ 4,0 bilhões a US$ 4,45 bilhões anteriormente, refletindo principalmente o menor dispêndio no projeto Reko Diq, mina de cobre e ouro da Barrick no Baluchistão, no Paquistão, considerado um dos maiores depósitos ainda não desenvolvidos do mundo.

Além disso, a Barrick fechou um acordo com a Newmont para ampliar a joint venture Nevada Gold Mines. O acordo adiciona três ativos ao complexo, que terá quase 100 milhões de onças, e garante à Barrick US$ 1,95 bilhão em caixa, além do consentimento para o IPO norte-americano.

Barrick Mining (BARR34): Vale a pena investir nas ações?

Entre os pontos positivos dos resultados, estão a produção de ouro acima do plano pelo terceiro trimestre seguido, o forte crescimento de receita e lucro impulsionado pelo ciclo de preços, a redução do guidance de investimentos de capital atribuível para US$ 3,8 bilhões a US$ 4,2 bilhões, ante US$ 4,0 bilhões a US$ 4,45 bilhões, e, sobretudo, o acordo com a Newmont.

Do lado negativo, o que pesou na avaliação do mercado foi a alta dos custos unitários, o aumento do custo de produção do cobre e um lucro por ação ajustado que não superou de forma clara o consenso mais otimista. Parte das casas também segue atenta à execução do IPO e à revisão de projetos como Reko Diq, que está por trás da redução do orçamento de capital. Esses pontos devem continuar no centro da narrativa da companhia ao longo do segundo semestre.

Ainda assim, o ouro segue sendo uma das melhores formas de proteção em momentos de conflito e maior tensão. Nesse contexto, o investimento em uma mineradora que reforça sua tese operacional no ciclo do ouro, com produção acima do plano e resultados impulsionados pelos preços, continua servindo como uma luva no cenário atual.

Negociada atualmente a cerca de 10x os lucros projetados para os próximos 12 meses, a Barrick Mining (B3: BARR34 | NYSE: B) segue sendo uma das principais teses da carteira Ações Internacionais.

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Ibovespa na semana: IPCA de julho, ata do Copom e possível reabertura do Estreito de Ormuz no radar dos mercados; veja destaques

Os mercados globais iniciam a semana em tom misto, com o Oriente Médio novamente no centro das atenções. O Irã descartou, por enquanto, negociações diretas com os Estados Unidos e reiterou que a reabertura do Estreito de Ormuz dependerá do cumprimento de novas condições por Washington, enquanto Donald Trump sinalizou disposição para aguardar que a pressão econômica leve Teerã a moderar sua postura.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, apoiadas pelo payroll mais fraco dos Estados Unidos e pela recuperação das ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial. Na China, a inflação veio abaixo das expectativas: o CPI desacelerou para 0,5% em julho na comparação anual, enquanto o PPI avançou 3,5%, também abaixo do consenso, refletindo principalmente o alívio dos preços de energia. No Japão, a ata do Banco do Japão revelou maior preocupação com os riscos inflacionários e uma discussão mais aberta sobre uma eventual aceleração da normalização monetária, especialmente diante da fraqueza do iene, dos custos de energia e dos investimentos relacionados à inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, as atenções agora se voltam para o CPI de julho, que será divulgado na quarta-feira e deverá desempenhar papel importante na recalibragem das expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

· 00:51 — Inflação e ata Copom ditam o ritmo da semana

No Brasil, o Ibovespa recuou 1,73% na sexta-feira, aos 172.513 pontos, acumulando queda de 3,08% na semana, pressionado por balanços corporativos mais fracos e pela preferência global por ações de tecnologia. O movimento contrastou com o câmbio, já que o dólar caiu 0,46%, para R$ 5,08.

No Boletim Focus desta segunda-feira, as projeções mostraram pouca alteração: o IPCA de 2026 passou de 5,03% para 5,02%, enquanto as estimativas para 2027 e 2028 permaneceram em 4,22% e 3,80%, respectivamente. Para a Selic, o mercado manteve as projeções de 13,75% ao fim de 2026, 12% em 2027 e 10,50% em 2028.

Com isso, as atenções agora se voltam para o IPCA de julho e para a ata do Copom, ambos divulgados nesta terça-feira. A expectativa é de desaceleração da inflação mensal de 0,16% para 0,03%, levando a taxa em 12 meses de 4,64% para 4,40%, novamente abaixo do teto da meta, embora os serviços sigam como ponto de atenção. A ata da última reunião do Copom, amanhã, deverá oferecer mais detalhes sobre o corte da Selic para 14% e sobre a possibilidade de nova redução em setembro, além da avaliação do Banco Central sobre mercado de trabalho, atividade e expectativas de inflação. Na bolsa, a temporada de resultados também segue intensa, com Embraer e JBS nesta segunda-feira e, nos próximos dias, B3, Banco do Brasil, CSN e Braskem.

· 01:46 — Depois do emprego, a inflação

O mercado americano inicia a semana com a inflação novamente no centro das atenções, após um payroll de julho significativamente mais fraco do que o esperado. A economia destruiu 23 mil vagas no mês, ante a expectativa de criação de 80 mil postos, enquanto os dados de maio e junho foram revisados para baixo em 103 mil vagas. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, mas o movimento refletiu uma redução da força de trabalho, enquanto o setor privado criou apenas 30 mil postos.

O relatório reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode adotar uma postura menos cautelosa e reduziu as apostas em uma alta de juros já em setembro, aumentando ainda mais a importância do CPI de julho, divulgado na quarta-feira.

A expectativa é de um relatório benigno, com avanço de 0,1% no CPI cheio e de 0,2% no núcleo. Na quinta-feira, será divulgado o PPI, que mede os preços ao produtor, enquanto os dados de vendas no varejo serão conhecidos na sexta-feira. A queda dos preços dos combustíveis deve contribuir para aliviar o índice cheio, embora ainda existam pressões vindas de outros componentes de energia, dos preços de importação e de determinados serviços.

O desafio permanece delicado: de um lado, o enfraquecimento do mercado de trabalho favorece a manutenção dos juros; de outro, uma inflação acima das expectativas poderia reacender o debate sobre novas altas e reforçar os riscos de um cenário de crescimento mais lento com preços elevados.

Ao mesmo tempo, o pano de fundo corporativo permanece construtivo. Com a maior parte da temporada de resultados já divulgada, 86% das empresas do S&P 500 superaram as expectativas, com lucros, em média, cerca de 29% acima do previsto, contribuindo para sustentar as bolsas em níveis recordes. Nesta semana, o foco volta a se concentrar nos setores de tecnologia e inteligência artificial, com a divulgação de resultados de empresas como CoreWeave, Super Micro Computer, Cisco e Applied Materials, além de eventos relacionados à infraestrutura de IA.

A combinação entre um CPI benigno e resultados sólidos no setor poderia prolongar o bom momento das ações, enquanto uma surpresa inflacionária ou números decepcionantes entre empresas ligadas à inteligência artificial tenderiam a elevar novamente a volatilidade.

· 02:31 — Possível reabertura

A reabertura rápida do Estreito de Ormuz permanece incerta, apesar dos avanços nas negociações entre Irã e Omã sobre novas rotas de navegação. Teerã afirma que as conversas estão em estágio final, mas condiciona a liberação integral da passagem a uma série de concessões por parte dos Estados Unidos, incluindo compensações pelos danos causados pela guerra, retirada de ameaças militares, fim do bloqueio naval, levantamento de sanções e liberação de ativos congelados.

Donald Trump, por sua vez, sinalizou preferência por limitar a exposição militar direta e intensificar a pressão econômica, apostando que a deterioração das condições internas no Irã possa levar o regime a moderar suas exigências. Enquanto isso, o bloqueio continua afetando uma das principais rotas energéticas do mundo (cerca de um quarto do comércio marítimo de petróleo e por aproximadamente um quinto do gás natural).

As tensões regionais, no entanto, permanecem elevadas e dificultam uma solução mais abrangente. Os houthis atacaram a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, poucos dias depois de Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmarem um pacto de defesa mútua, enquanto os Estados Unidos mantêm operações de bloqueio e fiscalização marítima na região. Paralelamente, Benjamin Netanyahu rejeitou o plano de paz para Gaza apoiado por Trump, ampliando as divergências entre Washington e o governo israelense.

O quadro reforça que, embora ainda exista espaço para acordos pontuais relacionados à navegação, uma normalização mais duradoura do Oriente Médio permanece distante, mantendo elevado o prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços do petróleo e aos mercados globais.

· 03:27 — Nova aliança militar

Turquia, Arábia Saudita e Paquistão assinaram um acordo tripartite de defesa mútua, pelo qual um ataque contra qualquer um dos três países será considerado um ataque aos demais. Firmado em Meca, o pacto reúne capacidades militares e estratégicas relevantes, incluindo o segundo maior exército da OTAN, pertencente à Turquia, o arsenal nuclear do Paquistão e o peso financeiro e geopolítico da Arábia Saudita.

O movimento ocorre em meio à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e reflete uma tentativa de fortalecer uma nova arquitetura regional de segurança liderada por potências de maioria sunita, em um ambiente de maior desconfiança tanto em relação ao avanço iraniano quanto à postura de Israel e à previsibilidade do apoio americano.

· 04:14 — Muita volatilidade

A forte valorização das ações coreanas, seguida por uma correção relevante ao longo deste ano, reforçou os riscos associados ao excesso de alavancagem e parece ter servido de alerta para as autoridades chinesas. Em meio ao entusiasmo com empresas ligadas à inteligência artificial, investidores ampliaram sua exposição ao mercado acionário local, mas parte desse movimento foi revertida após a correção observada em julho.

O saldo das operações com margem recuou de mais de 3 trilhões de yuans no fim de junho para 2,6 trilhões de yuans no fim de julho. Paralelamente, corretoras como Citic Securities e East Money passaram a adotar exigências mais rigorosas para clientes interessados em crédito, derivativos e novas posições alavancadas.

A estratégia das autoridades chinesas parece buscar um equilíbrio delicado: preservar o dinamismo das empresas de inteligência artificial, consideradas estratégicas para o país, sem permitir que esse movimento resulte na formação de uma bolha alimentada por alavancagem excessiva. As novas restrições atingem principalmente investidores com contas abertas recentemente ou com histórico recorrente de chamadas de margem, em uma tentativa de reduzir os riscos de instabilidade financeira.

Embora parte dessas pressões tenha diminuído após a correção recente, o tema deve permanecer no radar dos reguladores, sobretudo diante da concentração de posições alavancadas em determinados segmentos do mercado.

· 05:09 — IA mais poderosa, riscos mais reais

Pesquisadores utilizaram o modelo de inteligência artificial Evo para projetar sequências genéticas inéditas a partir de padrões identificados em mais de 9 trilhões de nucleotídeos. O sistema gerou cerca de 700 mil combinações genômicas potenciais, das quais 285 foram testadas por cientistas de Stanford e do Arc Institute, resultando em 16 vírus inéditos.

O avanço pode abrir aplicações relevantes na medicina e na pesquisa científica, como o desenvolvimento de vírus modificados para combater bactérias resistentes ou tratar doenças genéticas. Ao mesmo tempo, porém, amplia as preocupações de segurança e de uso inadequado da tecnologia.

Paralelamente, modelos avançados de IA vêm demonstrando capacidades cada vez mais sofisticadas no campo da cibersegurança. Durante testes, sistemas da Meta, Anthropic e OpenAI conseguiram acessar ambientes externos ou contornar determinadas barreiras de segurança, em alguns casos aproveitando falhas na própria configuração dos experimentos. A velocidade com que esses agentes conseguem executar tarefas que antes exigiam semanas de trabalho humano evidencia tanto o potencial da inteligência artificial para fortalecer as defesas digitais, quanto o risco de ampliar significativamente a escala e a velocidade de eventuais ataques cibernéticos.

Esses episódios vêm acelerando o debate sobre mecanismos de controle e regulação de sistemas avançados de inteligência artificial. Nos Estados Unidos, legisladores discutem propostas que exigiriam mecanismos capazes de interromper modelos que apresentem comportamentos considerados perigosos, enquanto empresas e autoridades aumentam a atenção dedicada aos testes de segurança antes do lançamento de novos sistemas.

Em conjunto, os avanços observados na biologia computacional e na cibersegurança revelam uma característica central da atual evolução da IA: as mesmas capacidades capazes de gerar ganhos científicos e econômicos expressivos também exigem salvaguardas cada vez mais robustas à medida que os modelos se tornam mais autônomos e poderosos.

Para investidores atentos a esse tema, o segmento oferece caminhos relativamente claros de exposição. ETFs como o Global X Cybersecurity ETF (BUG) e o First Trust Nasdaq Cybersecurity ETF (CIBR) reúnem empresas líderes em defesa digital, com receitas recorrentes, presença global e crescente incorporação de inteligência artificial em seus modelos de negócio. No Brasil, o BBUG39 surge como uma alternativa local de acesso ao setor. Ainda assim, a cautela permanece fundamental: investimentos temáticos, por mais promissores que possam parecer, devem ocupar uma parcela limitada e adequadamente dimensionada da carteira. Uma alocação entre 1% e 2,5% do portfólio por tema, e de no máximo 5% considerando a soma de todos os temas específicos, tende a ser suficiente para capturar parte desse potencial de crescimento sem comprometer a diversificação. Segurança, afinal, também começa pela disciplina na estratégia de alocação.

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Três perguntas separam vencedores de perdedores no mercado de criptomoedas, e nós temos as respostas

Esta edição não é sobre o que aconteceu nos últimos dias. É sobre uma pergunta que antecede qualquer notícia: o que, exatamente, você está carregando quando compra um criptoativo?

Quase todo investidor chega ao mercado pela mesma porta: “qual moeda eu compro?”. É a pergunta mais natural e, sozinha, a menos útil. Existem outras duas que explicam a maior parte do resultado de uma carteira: em que momento você está comprado, e qual tamanho a posição ocupa no portfólio.

Reunimos essas três perguntas — quando, o que e quanto — em um relatório especial, com dados de janeiro de 2018 a julho de 2026. Aqui, o resumo do que ele mostra. O material completo, com o passo a passo da análise, está no fim desta edição.

Todo criptoativo está em algum ponto da mesma régua

Existem milhares de criptoativos negociados hoje, e analisá-los um a um é inviável. Quase todos, porém, cabem em uma régua com três referências — e o lugar que cada um ocupa nela antecipa boa parte do comportamento do preço.

Em um extremo está o Bitcoin: emissão limitada, previsível e que ninguém altera unilateralmente. Como não paga juros, dividendo nem aluguel, todo o valor está no futuro distante — por isso ele reage tanto a juros e a liquidez global. No meio estão os tokens de projeto, que são capital de risco com marcação a mercado minuto a minuto. No outro extremo, as memecoins, onde não há tese a analisar: o preço é a atenção que o ativo captura, e o ganho de um participante é a perda de outro.

A régua tem uma função prática: ela define qual pergunta faz sentido fazer. Diante do Bitcoin, pergunta-se sobre juros, liquidez e adoção institucional. Diante de um token, sobre receita, concorrência e mecanismo de captura de valor. Usar o critério errado para o ativo errado é a origem de boa parte das frustrações de quem está começando.

No agregado, o mercado perde para o Bitcoin

A intuição mais difundida é a de que, se o Bitcoin já subiu muito, o retorno maior estaria nas moedas menores. Oito anos e meio de dados contam outra história: desde janeiro de 2018, o Bitcoin subiu 265% e uma cesta com as 100 maiores altcoins caiu 34%.

E há um segundo fato, tão importante quanto o primeiro: as duas curvas sobem e descem praticamente juntas, com correlação de 0,83 numa escala em que 1 é sincronia perfeita. Ou seja, a diversificação não trouxe retorno adicional, muito menos trouxe proteção.

Quando se decompõe esse retorno, aparece o motivo. Cerca de 69% da variação das altcoins é explicada pelo próprio Bitcoin. O que sobra — aquilo que seria mérito do projeto — é negativo: −0,19% por semana no agregado. Parece pouco, mas ao longo de 446 semanas essa diferença mínima vira o abismo entre +265% e −34%. Na média, comprar altcoin é acompanhar o Bitcoin com uma taxa embutida.

Fonte: Coingecko

A causa é estrutural, não moral. O token típico não dá direito a fluxo de caixa nem a participação, então não existe um valor de referência para o qual o preço convirja quando o entusiasmo passa. E a emissão contínua para fundadores, investidores iniciais e equipe cria um vendedor estrutural: a cada mês chegam ao mercado unidades novas nas mãos de quem pagou muito menos — ou nada — por elas.

Isso muda a pergunta que o investidor precisa fazer. Não é “esta tecnologia é boa?” — muitas são. É “o valor que esta tecnologia gera chega até o token que estou comprando?”. Quando chega, o ativo descola: num ano em que o Bitcoin caiu 47%, HYPE subiu 154% por exemplo, sustentado por recompra com receita própria e utilidade comprovada. As exceções existem, e o que as separa é justamente esse mecanismo.

Quando, o que e quanto?

Se 69% do retorno vem do fator de mercado, é esse fator que precisa ser administrado — e administrar não é prever, é ter uma regra explícita.

Quando comprar. No relatório, testamos a regra mais simples de todas: ao fim de cada dia, comparar o retorno do Bitcoin nos últimos 30 dias com o do S&P 500. Se o Bitcoin estiver à frente, mantém-se a posição; se estiver atrás, fica-se em caixa.

A escolha do S&P 500 não é arbitrária. Ele reúne as 500 maiores empresas listadas na bolsa americana e funciona como termômetro do apetite por risco: quando o índice sobe, em geral é sinal de que o ambiente macroeconômico está favorável a ativos de risco. O Bitcoin, por sua vez, guarda uma correlação relevante com ele, porque ambos respondem à mesma variável de fundo — a liquidez global. Comparar um ao outro é, na prática, perguntar se o dinheiro está fluindo para o risco e se o Bitcoin está na frente ou atrás dessa onda.

O resultado do teste é simples de descrever. Seguindo a regra, o investidor teria obtido praticamente o dobro de retorno para o mesmo tanto de sobressalto que precisou aguentar pelo caminho. E a maior queda da estratégia, do topo até o fundo seguinte, encolheu de 82% para 39%. O segundo número talvez seja o mais importante: uma perda de 82% expulsa quase qualquer investidor da posição no pior momento possível — 39% dói, mas é suportável. O exercício não inclui custos nem impostos, e retornos passados não garantem rentabilidade futura.

Fonte: base de dados própria (Bitcoin) e Yahoo Finance (S&P 500); reconstrução do exercício publicado em “O que você carrega quando compra cripto”, BTG Pactual & Empiricus Research. Sem custos de transação e com execução no dia seguinte ao sinal. Exercício ilustrativo, não é recomendação. Dados até 5 de agosto.

O que comprar. Três filtros, nesta ordem: liquidez, porque performance no gráfico não vira dinheiro na conta se não houver comprador do outro lado; representação, que é o mecanismo de captura de valor; e evidência, que é o retorno ajustado ao risco frente ao Bitcoin — a referência não é o dólar nem o real, é o ativo que você carregaria sem esforço nenhum. Critério definido depois de olhar para os nomes não é critério, é justificativa.

Quanto comprar. Esta é a pergunta mais negligenciada e a que mais destrói patrimônio. O erro comum é dimensionar pela convicção, que é máxima depois de uma alta forte e mínima depois de uma queda forte. O critério correto é a oscilação: quanto você topa ver o portfólio variar em um dia normal? Meio por cento? Um? Se o ativo oscila 4% ao dia e você aceita 1% na carteira, a posição compatível é de cerca de um quarto do portfólio — e cai pela metade se a volatilidade dobrar, sem que nada tenha mudado na tese.

Escreva a regra antes de precisar dela

No fim das contas, investir em cripto é muito mais uma questão de gerenciamento de risco do que de acertar qual token vai ser o vencedor do ciclo. E gerenciar risco de forma eficiente exige sistema: regras bem definidas, escritas antes, e que façam sentido para o mercado em que você está.

Isso vale ainda mais em cripto, um ambiente em que as narrativas são voláteis e as coisas vão e vêm muito rápido. A narrativa da moda hoje pode não existir daqui a seis meses. Ter uma regra é justamente o que permite verificar, na medida certa, se aquela hipótese está se confirmando ou não — em vez de sustentar uma tese apenas porque você acredita nela. É essa verificação, repetida ao longo do tempo, que faz diferença no longo prazo.

O erro mais caro, portanto, não é escolher o token errado. É carregar o mercado às cegas: sem regra de entrada, sem tamanho definido e sem saber de onde vem o retorno que se espera receber. Um processo escrito em um dia calmo é o que resta de racional em um dia de pânico.

Se você quer ver tudo isso de forma muito mais aprofundada, o relatório completo está disponível na plataforma do BTG Pactual. Lá colocamos bem mais dados, os gráficos de cada uma das análises e o detalhamento dessas regras — inclusive como usá-las na prática para montar um portfólio de criptoativos e administrá-lo de forma mais eficiente.

Clique aqui para acessar o relatório completo.

Executar esse processo todos os dias, porém, exige rotina, dados e disciplina. É exatamente o que a Carteira Crypto Momentum sistematiza: timing por regra de tendência, seleção por momentum entre os ativos líquidos e alocação por volatilidade, com caixa como parte legítima da carteira — sem exigir do investidor acompanhamento de telas nem decisão tomada no calor do momento. Desde o lançamento, em maio de 2026, o excesso acumulado sobre o Bitcoin é de +10,3 pontos percentuais — retornos passados não garantem rentabilidade futura, mas mostram o método funcionando fora do papel. Conheça a Carteira Crypto Momentum.

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Ibovespa hoje: Decisão do Copom sobre a Selic e renovação do entusiasmo com a inteligência artificial; confira destaques desta quarta (5)

Os mercados globais operam em tom positivo, sustentados pela expectativa de um acordo provisório para a reabertura do Estreito de Ormuz, pela recuperação das ações de tecnologia e por resultados corporativos favoráveis. Estados Unidos, Irã e Omã estariam próximos de anunciar um entendimento inicial, com duração de 60 dias, para restabelecer a navegação na região, enquanto Donald Trump afirmou que as conversas vêm avançando de forma construtiva.

No campo econômico, os índices de gerentes de compras, conhecidos como PMIs, indicaram uma recuperação mais disseminada na Europa. O setor de serviços da zona do euro voltou a crescer em julho, com o indicador avançando para 51,7 pontos, ao mesmo tempo que o Reino Unido retomou a expansão e a Alemanha se aproximou da estabilidade. Na China, em contrapartida, o PMI de serviços desacelerou para 50,4 pontos, refletindo o enfraquecimento da demanda doméstica.

Nos Estados Unidos, os principais destaques da agenda serão o relatório ADP e os indicadores do setor de serviços, relevantes para calibrar as expectativas em torno do payroll de sexta-feira e dos próximos passos do Federal Reserve. No Brasil, as atenções estarão concentradas na decisão do Copom, que deverá reduzir a Selic em 25 pontos-base, para 14% ao ano. A queda do petróleo e os sinais de desaceleração da atividade reforçam o espaço para o corte, mas o mercado acompanhará sobretudo a comunicação sobre setembro, diante das persistentes incertezas fiscais e eleitorais.

· 00:51 — O corte vem, mas e depois?

No Brasil, o Ibovespa encerrou a terça-feira praticamente estável, com leve queda de 0,06%, aos 177.895 pontos, após alternar entre ganhos e perdas ao longo do pregão. A expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã chegou a impulsionar o índice, mas a queda do petróleo para abaixo de US$ 80 por barril pressionou as ações da Petrobras, que recuaram 1,28%, e limitou o desempenho da bolsa.

Nesta quarta-feira, as atenções se concentram na decisão do Copom, para a qual se espera um corte de 25 pontos-base na Selic, de 14,25% para 14,00% ao ano. A inflação corrente mais benigna e os primeiros sinais de desaceleração da atividade e do mercado de trabalho abrem espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização, embora os riscos fiscais, as expectativas de inflação ainda elevadas e as incertezas externas recomendem cautela.

A retração de 1,8% da produção industrial em junho e a queda do petróleo reforçariam o argumento a favor da redução dos juros, mas a piora da percepção fiscal manteve a curva de juros futuros pressionada. Assim, o mercado acompanhará principalmente o tom do comunicado e eventuais indicações sobre a possibilidade de um novo corte em setembro.

· 01:48 — Bom começo de mês

Os mercados americanos mantiveram a trajetória de alta no início de agosto, sustentados por resultados corporativos robustos, pela expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã e pela renovação do entusiasmo em torno da inteligência artificial. O Dow Jones superou, pela primeira vez, a marca de 54 mil pontos, o S&P 500 renovou sua máxima histórica e o Nasdaq avançou 2,6%.

Entre os principais destaques, a Palantir registrou crescimento de 93% na receita e elevou sua projeção para o ano, enquanto a Caterpillar reportou expansão de 48% nas vendas de equipamentos de geração de energia, impulsionadas sobretudo pela demanda dos data centers. Em conjunto, esses números reforçam a percepção de que os investimentos de IA permanecem disseminados e ainda estão distantes do pico.

No mercado de trabalho, os dados apontam para um cenário relativamente equilibrado, mas ainda marcado por baixo dinamismo. O relatório JOLTS mostrou a existência de 7,4 milhões de vagas em junho, enquanto a relação entre postos em aberto e trabalhadores desempregados permaneceu estável em 1,0 pelo quarto mês consecutivo. A demanda por contratações continua moderada, embora as pequenas empresas ainda respondam por uma parcela relevante das oportunidades.

Agora, as atenções se voltam para a divulgação do ADP, do ISM de serviços e do relatório oficial de empregos de julho, que deve indicar a criação de 100 mil vagas e a manutenção da taxa de desemprego em 4,2%. Ainda assim, dirigentes do Federal Reserve continuam alertando para os riscos inflacionários, com Jeff Schmid avaliando que a política monetária talvez ainda não esteja suficientemente restritiva.

· 02:34 — O sétimo

Andy Burnham assumiu o cargo de sétimo primeiro-ministro britânico em dez anos, com uma agenda intervencionista que prevê a construção de moradias sociais, renacionalizações e maior participação do Estado no planejamento industrial. A implementação dessas propostas, contudo, esbarra na limitada margem fiscal do Reino Unido e no risco de uma reação adversa do mercado de títulos, preocupação que já começou a aparecer após as nomeações para o novo gabinete.

Entre elas, destacou-se a escolha de John Healey para o Ministério da Fazenda, interpretada também como um sinal de possíveis aumentos nos gastos com defesa. Os títulos públicos britânicos continuam oferecendo os rendimentos mais elevados entre os países do G7, refletindo um prêmio de risco persistente, enquanto o avanço das despesas sociais reduz o espaço disponível para novas políticas discricionárias.

Ao mesmo tempo, a carga tributária já se encontra no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial, deixando Burnham diante de um desafio: financiar uma agenda ambiciosa sem elevar ainda mais os impostos nem comprometer a confiança dos investidores.

· 03:23 — Você conhece a “chipiflação”

O avanço acelerado da inteligência artificial vem provocando uma espécie de “chipflação”, isto é, uma pressão de alta sobre os preços dos semicondutores. Isso ocorre porque os fabricantes passaram a priorizar componentes destinados a data centers e servidores, que oferecem margens mais elevadas, em detrimento daqueles utilizados em computadores, smartphones e eletrodomésticos.

Essa mudança reduz a oferta disponível para o mercado de consumo, encarece os chips e já começa a aparecer tanto nos custos de importação quanto nos índices de inflação dos Estados Unidos. O próprio Federal Reserve reconhece que a expansão da infraestrutura de IA pode manter pressões adicionais sobre os preços dos eletrônicos e da energia, enquanto pesquisas empresariais indicam uma elevação mais intensa dos custos justamente entre os fabricantes mais dependentes desses componentes.

· 04:11 — A diferença chinesa

Apesar da guerra e das projeções que apontavam para o petróleo entre US$ 150 e US$ 200 por barril, o mercado tem tratado a interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz como um choque administrável. Parte dessa resiliência decorre dos Estados Unidos, atualmente o maior produtor mundial, que ampliaram a extração e recorreram à Reserva Estratégica de Petróleo para compensar a redução da oferta. Ainda assim, o principal fator de contenção dos preços está na China, maior compradora do petróleo que transita pela região. As importações chinesas recuaram de uma média de 11,6 milhões de barris por dia em 2025 para cerca de sete milhões em junho.

A China conseguiu reduzir sua vulnerabilidade ao combinar reservas superiores a 1,4 bilhão de barris, aumento da produção doméstica, substituição de petróleo e gás por carvão em parte da indústria química, investimentos em hidrogênio verde e ampla adoção de veículos elétricos. Essa capacidade de ajustar o consumo levou analistas a classificarem o país como a “Opep da demanda”. Ao manter as importações em níveis reduzidos e recorrer aos próprios estoques, Pequim pode preservar o ritmo de crescimento e limitar a pressão sobre os preços globais por vários meses. Assim, mesmo diante do conflito, uma crise energética chinesa parece pouco provável.

· 05:08 — SpaceX e a Nova Infraestrutura da Economia Espacial

A SpaceX superou as expectativas em seu primeiro balanço após o IPO, ao registrar receita de US$ 7,8 bilhões no segundo trimestre, alta de 92% na comparação anual e acima dos US$ 6,81 bilhões projetados pelo mercado. Os três segmentos da companhia apresentaram receitas superiores ao consenso. A divisão de Conectividade foi a única a operar com lucro, alcançando receita de US$ 4,29 bilhões e resultado operacional positivo de US$ 1,66 bilhão, impulsionado principalmente pela Starlink.

Já as áreas de Espaço e inteligência artificial registraram prejuízos operacionais de US$ 542 milhões e US$ 1,26 bilhão, respectivamente, embora a perda da divisão de IA tenha ficado significativamente abaixo da estimativa de US$ 2,39 bilhões (o que ajuda a explicar o motivo da queda das ações). Ainda assim, os números reforçam a percepção de que a exploração espacial começa a se consolidar como uma indústria economicamente relevante, apoiada por receitas recorrentes provenientes de conectividade, serviços de lançamento, defesa e infraestrutura digital.

O principal ponto de atenção permanece na intensidade dos investimentos. O Capex, ou investimento em ativos e infraestrutura, alcançou US$ 18,4 bilhões no trimestre, ante US$ 10,1 bilhões no primeiro trimestre e US$ 2,8 bilhões um ano antes. Desse total, aproximadamente US$ 15,8 bilhões foram destinados à expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Embora esse ritmo pressione a geração de caixa e ajude a explicar a reação negativa das ações após o fechamento, ele também evidencia a escala da infraestrutura que está sendo construída. O desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, constelações de satélites, capacidade computacional e sistemas de comunicação exige volumes elevados de capital e longos prazos de maturação, mas pode reduzir o custo de acesso ao espaço e ampliar o mercado para novas aplicações.

Com um valuation próximo de 40 vezes a receita e superior a 100 vezes o Ebitda ajustado, a empresa ainda depende de uma execução muito precisa. De qualquer forma, o crescimento das receitas sugere que parte dessa transformação já começa a ganhar tração comercial.

A estratégia de longo prazo inclui ampliar a Starlink, avançar no desenvolvimento da Starship, construir infraestrutura de inteligência artificial e ingressar de forma mais ampla no mercado de telefonia móvel, combinando redes de satélites com infraestrutura terrestre. A gestão indicou a possibilidade de alcançar receita recorrente anual de US$ 100 bilhões até o fim de 2026, capacidade de computação de IA de 10 gigawatts até 2027 e, em um cenário bastante ambicioso, vendas de US$ 1 trilhão em 2029.

Embora essas projeções devam ser avaliadas com cautela, elas ilustram o potencial de uma indústria que deixa de depender exclusivamente de contratos governamentais e passa a atuar também em conectividade, computação, mobilidade, defesa e serviços comerciais. Para o setor de exploração espacial como um todo, o balanço reforça uma leitura construtiva: os investimentos continuam elevados e a volatilidade deve permanecer, mas a expansão das receitas e das aplicações econômicas indica que o espaço começa a se transformar em uma plataforma de infraestrutura cada vez mais relevante.

Nesse contexto, o Global X Space Tech ETF (Nasdaq: ORBX | B3: ORBX39) oferece uma forma diversificada de exposição à cadeia espacial, reunindo empresas ligadas a sistemas de lançamento, foguetes reutilizáveis, componentes, softwares, transporte orbital, comunicações por satélite, análise de dados e exploração espacial.

O fundo reúne 37 companhias, possui taxa de administração de 0,50% e mantém exposição predominantemente aos Estados Unidos, combinando empresas mais consolidadas com negócios ainda em fase de expansão. Trata-se de uma tese estruturalmente promissora, mas também intensiva em capital e sujeita a elevada volatilidade, dependência de contratos públicos, riscos tecnológicos e longos períodos de maturação. Por essa razão, enxergamos o ORBX como uma posição temática e complementar dentro de uma carteira diversificada, voltada à captura do crescimento de longo prazo da economia espacial.

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Ibovespa hoje: Início da reunião do Copom e balanço do Itaú (ITUB4) no centro das atenções do mercado; veja mais destaques desta terça (4)

Os mercados globais operam em terreno positivo, sustentados pela recuperação das ações de tecnologia e pelas expectativas em torno da temporada de resultados, embora a incerteza geopolítica permaneça elevada. Donald Trump afirma que as negociações com o Irã estão em andamento e classificou a proposta americana como uma “última chance”. Na agenda econômica, o principal destaque nos Estados Unidos será a divulgação do relatório JOLTS, acompanhada pelos dados da balança comercial e das encomendas à indústria.

No Japão, as atenções permanecem voltadas às políticas fiscal e monetária, após Sanae Takaichi avançar com a proposta de redução do imposto sobre alimentos. A temporada de balanços também ganha intensidade, com os resultados de Caterpillar, McDonald’s, HSBC, BP, AMD e, sobretudo, o primeiro balanço da SpaceX desde sua abertura de capital. No Brasil, o foco estará na produção industrial, no início da reunião do Copom e nos resultados de Itaú, Gerdau e outras companhias após o fechamento.

· 00:57 — O corte que o fiscal ainda limita

No Brasil, o Ibovespa encerrou a segunda-feira praticamente estável, aos 178 mil pontos, em um pregão marcado por forças opostas. A queda dos juros futuros ofereceu algum suporte ao mercado acionário, mas o recuo das principais empresas ligadas a commodities impediu um avanço mais consistente.

As ações da Petrobras caíram 0,85%, acompanhando a baixa do petróleo após a trégua temporária entre Estados Unidos e Irã, enquanto a Vale recuou 2,15%, pressionada pela desvalorização do minério de ferro e pelas dúvidas persistentes em relação à demanda chinesa. Em contrapartida, a valorização dos grandes bancos ajudou a limitar as perdas do índice.

Nesta terça-feira, as atenções se concentram no início da reunião do Copom, na divulgação da produção industrial de junho e no balanço do Itaú Unibanco. A expectativa amplamente majoritária é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14% ao ano, mas o foco do mercado estará sobretudo na comunicação do Banco Central sobre os próximos passos. A melhora recente da inflação, a desaceleração da atividade e a queda do petróleo abriram espaço para a discussão de uma nova redução da taxa, para 13,75% em setembro, cenário que já passou a ser incorporado pelo Boletim Focus.

Ainda assim, expectativas de inflação acima da meta, riscos fiscais e incertezas eleitorais recomendam cautela. No campo das contas públicas, a Instituição Fiscal Independente estima que o governo poderá ultrapassar a Regra de Ouro em R$ 288 bilhões em 2026, reforçando as preocupações com a qualidade do ajuste e com a trajetória da dívida pública. Em síntese, a deterioração fiscal mantém elevado o prêmio de risco, restringe o espaço para cortes mais profundos de juros e torna os ativos brasileiros mais vulneráveis a qualquer perda adicional de confiança.

· 01:43 — Lucros e indústria reacendem Wall Street

Os mercados americanos iniciaram agosto em forte alta, com o Dow Jones renovando sua máxima histórica, o S&P 500 avançando 1,5% e o Nasdaq registrando ganho de 2,1%. O movimento foi liderado pelas “Magnificent Seven”, que acrescentaram US$ 1,77 trilhão em valor de mercado ao longo de três pregões, enquanto a Amazon superou, pela primeira vez, a marca de US$ 3 trilhões.

O ambiente positivo, contudo, não ficou restrito ao setor de tecnologia. A queda dos preços do petróleo, o recuo dos rendimentos dos títulos públicos e uma temporada de balanços acima das expectativas sustentaram uma valorização mais disseminada entre os setores. O crescimento dos lucros das empresas do S&P 500 caminha entre 35% e 40%, acima das projeções iniciais, acompanhado por aumento dos investimentos, expansão das carteiras de pedidos e maior visibilidade sobre receitas futuras, sobretudo entre as grandes companhias de tecnologia e computação em nuvem.

A melhora também se estendeu à indústria americana. O PMI industrial do ISM avançou para 55,6 pontos em julho, alcançando o maior nível desde maio de 2022 e marcando o sétimo mês consecutivo de expansão. A produção, as novas encomendas e o emprego apresentaram evolução positiva, impulsionados pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, pela demanda dos setores aeroespacial e de defesa e pela recomposição dos estoques.

Ainda assim, a trajetória dos custos e da inflação continua exigindo cautela. O cenário também permanece sujeito a riscos, especialmente às tensões no Estreito de Ormuz, à possibilidade de uma nova pressão sobre os preços do petróleo e à divulgação dos próximos dados do mercado de trabalho. John Williams avaliou que a política monetária está bem-posicionada, mas ressaltou que o Federal Reserve poderá agir caso os próximos indicadores não confirmem a continuidade do processo de desinflação.

· 02:39 — Fusão diferenciada

A possível fusão entre AstraZeneca e Bristol Myers Squibb surpreendeu o mercado e foi recebida com cautela pelos investidores, levando as ações da companhia britânica a recuarem cerca de 7%. Caso a operação avance, a empresa resultante poderá alcançar valor de mercado próximo de US$ 400 bilhões e se tornar a quarta maior farmacêutica do mundo.

O movimento causa estranhamento porque a AstraZeneca atravessa uma fase de forte crescimento e elevada capacidade de inovação, enquanto a Bristol Myers enfrenta a perspectiva de desaceleração nos próximos anos, à medida que expiram as patentes de alguns de seus medicamentos mais relevantes.

Ainda assim, a combinação poderia ampliar de forma significativa a presença da AstraZeneca nos Estados Unidos e criar o maior portfólio de medicamentos contra o câncer da indústria. Uma transação dessa dimensão, no entanto, provavelmente seria submetida a uma análise rigorosa por parte das autoridades antitruste.

· 03:28 — Coordenação

Como comentei ontem neste espaço, os Estados Unidos e o Japão realizaram uma rara intervenção coordenada para sustentar o iene, na primeira ação conjunta desse tipo desde 1998. Embora Donald Trump tenha descrito a iniciativa como um gesto de amizade, a participação americana também responde a interesses próprios: reduzir o risco de que o Japão venda parte de suas reservas de Treasuries para financiar novas intervenções, limitar a vantagem competitiva proporcionada por uma moeda excessivamente depreciada e ampliar o poder de negociação de Washington em questões comerciais e estratégicas. A operação contribuiu para a valorização do iene, mas parte dos ganhos já foi devolvida, e o patamar de 155 ienes por dólar surge como um teste importante para avaliar a sustentabilidade do movimento.

Ainda assim, a intervenção tende a oferecer apenas um alívio temporário caso não seja acompanhada por mudanças nos fundamentos da economia japonesa. Uma recuperação mais duradoura da moeda dependerá de maior disciplina fiscal no Japão e de uma normalização monetária mais firme por parte do Banco do Japão, capaz de reduzir o diferencial de juros que alimenta as operações de carry trade.

Taxas mais elevadas no país diminuiriam o incentivo para tomar recursos em ienes e direcioná-los a ativos estrangeiros de maior rendimento. Scott Bessent afirmou que os Estados Unidos poderão voltar a atuar, mas o comportamento recente da moeda reforça uma conclusão conhecida: intervenções cambiais podem ganhar tempo, mas não substituem os ajustes estruturais necessários.

· 04:14 — Reduzindo a distância

A inteligência artificial chinesa vem reduzindo rapidamente a distância que ainda a separa do Vale do Silício, combinando desempenho tecnológico cada vez mais avançado com custos mais competitivos. O Alibaba reforçou esse movimento com o Qwen3.8-Max, seu modelo mais sofisticado até o momento, que parece igualar ou até superar o Claude 3.5 Sonnet, da Anthropic. Na mesma direção, o Kimi K3, da Moonshot AI, apresentou resultados comparáveis aos de soluções americanas mais caras, apesar de ter sido desenvolvido com um orçamento significativamente menor.

Essa sequência de lançamentos mostra que a China já não se limita a oferecer alternativas de baixo custo, mas dispõe de modelos capazes de competir em tarefas de raciocínio, programação e execução de atividades complexas, ampliando a pressão competitiva sobre a OpenAI e outras empresas dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a disputa tecnológica assume contornos cada vez mais geopolíticos e relacionados à segurança nacional. Autoridades chinesas demonstram preocupação com o possível uso ofensivo do Mythos, da Anthropic, e de outros modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos, sobretudo em operações cibernéticas.

Esse receio acrescenta uma nova camada de tensão à relação entre Pequim e Washington, especialmente às vésperas de uma possível reunião entre Xi Jinping e Donald Trump. A corrida pela liderança em inteligência artificial, portanto, deixa de ser apenas uma competição empresarial e passa a ocupar uma posição central na rivalidade estratégica entre as duas maiores potências globais.

· 05:06 — Palantir e a Nova Fronteira da Defesa Digital

A Palantir apresentou resultados acima das expectativas, impulsionados pela forte expansão de seu segmento comercial nos Estados Unidos, cujas receitas avançaram 149% na comparação anual. A receita total cresceu 93%, para US$ 1,9 bilhão, enquanto o lucro ajustado alcançou US$ 0,41 por ação.

A companhia vem se consolidando como uma plataforma relevante para integrar dados dispersos, organizar informações e aplicar diferentes modelos de inteligência artificial à resolução de problemas concretos. A aceleração da demanda levou a empresa a projetar uma receita entre US$ 2,16 bilhões e US$ 2,164 bilhões para o próximo trimestre, além de elevar sua estimativa para 2026 para aproximadamente US$ 8,15 bilhões, reforçando a perspectiva de crescimento robusto e progressivamente mais diversificado.

A leitura também permanece construtiva para a indústria de defesa, sobretudo para empresas expostas à digitalização, à análise de dados e à inteligência artificial. As receitas governamentais da Palantir cresceram 90%, evidenciando que a modernização tecnológica das forças armadas e das agências públicas continua ganhando prioridade.

Ao mesmo tempo, o avanço do segmento comercial mostra que tecnologias originalmente desenvolvidas para ambientes de defesa estão encontrando aplicações cada vez mais amplas no setor privado, o que expande o mercado potencial da companhia e reduz sua dependência de contratos públicos. Esse caráter de uso dual tende a sustentar investimentos de longo prazo em software, automação, segurança e inteligência operacional em diferentes elos da cadeia de defesa.

Essa tendência continua criando oportunidades em empresas ligadas aos segmentos de defesa, aeroespacial e segurança nacional. ETFs temáticos, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), oferecem formas eficientes de capturar esse movimento por meio de uma exposição diversificada a companhias que tendem a se beneficiar do aumento estrutural dos gastos militares.

No mercado brasileiro, alternativas como o BDR do iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BAER39) e o SHLD39 cumprem função semelhante, permitindo acesso simplificado à temática. Ainda assim, como em qualquer tese temática, a disciplina de alocação permanece essencial. Exposições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo de 5% para aos temas mais disruptivos e estressados, tendem a oferecer um equilíbrio adequado entre potencial de retorno, diversificação e controle de risco, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.

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Vinci Shopping Centers (VISC11): fundo imobiliário dá mais um passo na renovação de seu portfólio; vale a pena comprar?

O Vinci Shopping Centers (VISC11) assinou um Memorando de Entendimentos para a potencial venda de participações em nove shopping centers, pelo valor indicativo de aproximadamente R$ 573 milhões — cerca de 10% acima do valor de laudo dos ativos envolvidos e equivalente a R$ 11,4 mil por m². 

A transação contempla participações no Prudenshopping, Shopping Granja Vianna, Boulevard Shopping Rio, Center Shopping Rio, Natal Shopping, Shopping Crystal, Shopping Tacaruna, Via Sul Shopping e West Shopping. 

Shopping Localização Participação Objeto da Transação Participação VISC11 Remanescente 
Prudenshopping Presidente Prudente, SP 15,00% 73,00% 
Shopping Granja Vianna Cotia, SP 15,00% 20,00% 
Boulevard Shopping Rio Rio de Janeiro, RJ 40,00% 0,00% 
Center Shopping Rio Rio de Janeiro, RJ 7,50% 0,00% 
Natal Shopping Natal, RN 20,00% 0,00% 
Shopping Crystal Curitiba, PR 17,50% 0,00% 
Shopping Tacaruna Recife, PE 10,00% 0,00% 
Via Sul Shopping Fortaleza, CE 45,00% 0,00% 
West Shopping Rio de Janeiro, RJ 7,50% 0,00% 

As participações representam aproximadamente 11% do NOI consolidado do fundo. Entre as posições remanescentes, o fundo manterá participações de 73% no Prudenshopping e de 20% no Shopping Granja Vianna. 

A aquisição será realizada por meio de um fundo imobiliário com duas subclasses de cotas, sendo 80% seniores e 20% subordinadas. A oferta das cotas seniores poderá alcançar R$ 464 milhões, com volume mínimo de R$ 100 milhões, enquanto o VISC11 subscreverá a totalidade das cotas subordinadas do veículo. 

Com isso, o VISC11 preservará exposição ao desempenho futuro dos ativos, embora seu recebimento permaneça subordinado à remuneração e à amortização da classe sênior. A TIR nominal alvo das cotas subordinadas é de 17% ao ano, enquanto o excedente mensal ficará retido no veículo durante os três primeiros anos e deverá ser repassado ao VISC11 a partir do quarto ano. 

O fundo comprador terá duração de cinco anos, prorrogável por mais um, período em que os ativos poderão ser vendidos a terceiros. Caso ainda existam empreendimentos no portfólio ao término desse prazo, o VISC11 deverá recomprá-los por um valor suficiente para a amortização integral das cotas seniores, podendo realizar uma nova emissão de cotas pelo valor patrimonial. 

O pagamento será dividido em quatro etapas: 

  • 50% no fechamento da transação; 
  • 20% em até seis meses, corrigidos pelo IPCA durante o período; 
  • 20% em até 12 meses, corrigidos pelo IPCA durante o período; e 
  • 10% em até 60 meses, corrigidos pelo IPCA durante o período. 

Caso a captação do fundo comprador supere o volume-base da oferta, a operação poderá incluir participações no Ilha Plaza Shopping e/ou no Madureira Shopping. As fatias adicionais dependerão do montante efetivamente captado no lote adicional. 

Em termos financeiros, a gestão estima uma geração de caixa líquido de aproximadamente R$ 346 milhões. O ganho de capital bruto deverá alcançar cerca de R$ 60 milhões e, após as despesas relacionadas à quitação antecipada de dívidas dos ativos envolvidos na transação, o ganho líquido é estimado em R$ 35 milhões, equivalente a R$ 1,21 por cota. 

Considerando o NOI dos últimos 12 meses dos ativos envolvidos, a transação apresenta um cap rate estimado de 7,5% – patamar que consideramos adequado para a venda. Além do preço 10% superior ao valor de laudo dos ativos, a gestão aponta para um portfólio remanescente mais produtivo, enquanto a subscrição das cotas subordinadas permite ao VISC11 preservar exposição a uma eventual valorização futura dos ativos alienados. 

Vinci Shopping Centers (VISC11): FII vale a pena após anúncio?

De modo geral, avaliamos o anúncio como positivo para o VISC11. A operação representa um avanço relevante na estratégia de reciclagem sinalizada pela gestão desde o início do ano, ao destravar valor no portfólio e reforçar o caixa do fundo para o cumprimento de suas obrigações financeiras nos próximos anos. 

Além do MoU de venda, o VISC11 concluiu a conversão de sua exposição ao Midway Mall, em Natal (RN). O fundo transformou o CRI do qual era credor em participação adicional no empreendimento, elevando sua fatia de 0,95% para 12,43%.  

Considerando os investimentos realizados e as obrigações futuras assumidas, o desembolso total para a aquisição da participação soma R$ 200 milhões. Desse montante, R$ 99,8 milhões serão pagos em quatro parcelas anuais de aproximadamente R$ 25 milhões, corrigidas pelo IPCA. A gestão estima um cap rate de 9,2% sobre o orçamento de 2026, considerando as parcelas trazidas a valor presente.  

O Midway Mall é um dos principais shopping centers de Natal, com cerca de 300 lojas e posição de destaque no mercado regional. Ao final do primeiro semestre de 2026, o empreendimento registrava crescimento de 13% no NOI caixa em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando a atratividade operacional do ativo e seu potencial de geração de valor. 

Em nossa visão, a conclusão da transação também é positiva para a tese ao ampliar a exposição do fundo a um ativo relevante, com desempenho operacional consistente, e aquisição realizada a um cap rate atrativo de 9,2%.  

Dessa forma, as cotas do VISC11 permanecem entre as recomendações da Empiricus. 

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Ibovespa hoje: Alívio no cenário geopolítico em semana de Copom e primeiro balanço da SpaceX (SPCX34); veja destaques desta segunda (3)

Os mercados globais iniciaram a semana em tom de alívio, sustentados pela expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. Donald Trump afirmou ter suspendido uma nova ofensiva militar após pedidos de aliados do Golfo e indicou que as conversas poderiam avançar em torno da reabertura do Estreito de Ormuz e da limitação do programa nuclear iraniano. Teerã, contudo, negou a existência de negociações diretas e imediatas com Washington, informando que mantém apenas tratativas com Omã para a definição de uma nova rota de navegação.

A possibilidade de uma solução diplomática reduziu, ao menos temporariamente, o risco de uma nova escalada e pressionou os preços do petróleo, embora os incidentes marítimos registrados na região mantenham o cenário cercado de incertezas. A Opep+ também contribuiu para a queda das cotações ao confirmar um aumento de aproximadamente 188 mil barris por dia na produção a partir de setembro, concluindo a reversão dos cortes voluntários iniciados em 2023.

Outro destaque foi a confirmação de uma intervenção cambial coordenada entre Estados Unidos e Japão para sustentar o iene, a primeira operação conjunta desse tipo em 15 anos. A participação americana ampliou a credibilidade da medida e provocou uma valorização relevante da moeda japonesa, embora parte desse movimento tenha sido devolvida ao longo do pregão.

· 00:53 — Questões internas

No Brasil, com o alívio momentâneo das tensões geopolíticas, as atenções se voltam para uma agenda doméstica intensa, liderada pela decisão do Copom na quarta-feira. O mercado atribui probabilidade integral a um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14% ao ano, mas permanece dividido quanto aos passos seguintes: parte dos investidores espera uma pausa, enquanto outra parcela ainda considera possível uma nova redução em setembro, que levaria a taxa básica para 13,75%.

A desaceleração da inflação, o IPCA-15 próximo de zero e os sinais de arrefecimento da atividade econômica reforçam a perspectiva de flexibilização monetária. Ainda assim, o quadro fiscal, o ambiente eleitoral e os riscos externos continuam limitando o espaço para um ciclo de cortes mais acelerado. Na última semana, o Ibovespa avançou 2,27% e encerrou a sexta-feira aos 177.999 pontos, enquanto o dólar fechou cotado a R$ 5,06 e acumulou queda de 1,81% no mês.

A temporada de balanços também ganha força, com Itaú Unibanco, Bradesco e Petrobras entre os principais destaques e uma ampla concentração de divulgações entre terça e quinta-feira. Paralelamente, a trajetória da dívida pública voltou ao centro das preocupações. A dívida bruta alcançou 81,9% do PIB em junho, o maior nível em mais de cinco anos, enquanto o custo médio da Dívida Pública Federal subiu para 12,68% ao ano.

O setor público também registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões, resultado pior que o esperado e pressionado principalmente pelo desempenho dos governos regionais. A combinação entre juros elevados, incerteza fiscal e aumento do prêmio de risco encarece o financiamento do governo e tende a exigir revisões mais negativas para a trajetória da dívida ao final de 2026.

· 01:49 — Agenda dominada

Nos Estados Unidos, a agenda da semana será dominada pelos dados do mercado de trabalho, que poderão ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve. O relatório oficial de empregos de julho, previsto para sexta-feira, deve mostrar a criação de 88 mil vagas, ante 57 mil em junho, com a taxa de desemprego permanecendo estável em 4,2%.

Antes disso, os investidores acompanharão o PMI industrial do ISM, o relatório JOLTS sobre vagas em aberto, a pesquisa ADP, o índice de serviços do ISM, a pesquisa do Fed sobre as condições de crédito e o levantamento de expectativas do consumidor conduzido pelo Fed de Nova York. Esses indicadores serão analisados à luz da reunião de julho do FOMC, interpretada pelo mercado como relativamente favorável a uma política monetária mais flexível, apesar dos votos de Lorie Logan, Beth Hammack e Neel Kashkari por uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros. A inflação vem apresentando sinais mais benignos, com menor pressão decorrente das tarifas e desaceleração dos custos de moradia, enquanto o mercado de trabalho permanece pouco aquecido.

A temporada de balanços seguirá como outro importante vetor para os mercados, sobretudo pela busca de evidências de que os elevados investimentos em inteligência artificial estão, de fato, se convertendo em crescimento de receitas, preservação de margens e geração de caixa. Entre os principais destaques da semana estão o primeiro balanço da SpaceX após sua abertura de capital, além dos resultados de Palantir, AMD, Disney, Uber, Eli Lilly, Airbnb e ConocoPhillips.

Após as entregas positivas de Microsoft e Amazon, que reforçaram a percepção de que a demanda por serviços de nuvem e inteligência artificial ainda supera a capacidade disponível, os investidores acompanharão com atenção os planos de investimento das empresas de semicondutores e tecnologia, o desempenho do consumo e a evolução dos gastos empresariais fora do universo de IA, que voltaram a ganhar força no segundo trimestre.

· 02:32 — Lucros fortes, mas mercado mais seletivo

A temporada de resultados do segundo trimestre nos Estados Unidos vem apresentando um desempenho amplamente positivo. Até 31 de julho, 61% das empresas do S&P 500 já haviam divulgado seus números, com 86% superando as estimativas de lucro por ação e 77% registrando receitas acima do consenso. O crescimento combinado dos lucros alcançou 47,4% na comparação anual, enquanto as receitas avançaram 14,1%.

Ainda assim, os dados agregados foram influenciados por ganhos extraordinários registrados por Alphabet e Amazon, relacionados a participações em empresas de inteligência artificial. Excluindo essas duas companhias, o crescimento dos lucros recuaria para 28,8%, permanecendo, contudo, em patamar robusto. A força da temporada também se mostra disseminada, já que dez dos onze setores apresentam expansão dos resultados, com destaque para energia, serviços de comunicação, consumo discricionário, tecnologia e materiais.

Entre as grandes companhias de tecnologia, o mercado passou a avaliar com maior rigor a capacidade de converter os elevados investimentos em inteligência artificial em crescimento de receita, preservação de margens e geração de caixa. Microsoft e Amazon apresentaram as entregas mais convincentes até aqui, sustentadas pela forte expansão de Azure e AWS, por uma demanda ainda superior à capacidade disponível e por boa visibilidade contratual.

A Meta manteve um crescimento robusto em publicidade, mas a forte elevação dos investimentos pressionou o fluxo de caixa livre. A Apple, por sua vez, demonstrou resiliência no consumo de tecnologia, com avanços expressivos nas receitas de iPhone, Mac e serviços. O setor financeiro também apresentou resultados favoráveis, com os grandes bancos superando as projeções, recuperação das receitas de negociação de ativos e de banco de investimento, melhora sequencial da margem financeira e qualidade de crédito ainda saudável.

A mensagem geral permanece construtiva, embora a temporada também reforce o aumento da seletividade do mercado. O consenso projeta crescimento dos lucros de 27,4% no terceiro trimestre, de 25,2% no quarto e de 29,1% no conjunto de 2026, enquanto o S&P 500 negocia a aproximadamente 19,6 vezes os lucros esperados para os próximos 12 meses. O índice não parece excessivamente caro diante da expansão projetada, mas oferece pouca margem para frustrações, revisões negativas de projeções ou investimentos que não apresentem retorno claro. Para o investidor, o ponto central deixa de ser apenas a exposição à inteligência artificial e passa a ser a capacidade de cada companhia de transformar essa tecnologia em crescimento recorrente, margens sustentáveis e geração consistente de caixa.

· 03:25 — Primeiro balanço

A SpaceX divulga nesta terça-feira seu primeiro balanço desde a abertura de capital, em um momento marcado por elevada incerteza em torno das projeções e por um potencial significativo de volatilidade para as ações. Avaliada em aproximadamente US$ 1,4 trilhão, a companhia atua em três grandes frentes de negócios: lançamentos espaciais, conectividade por meio da Starlink e inteligência artificial. Estima-se receita trimestral de US$ 6,9 bilhões e EBITDA, medida de geração operacional de resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização, de US$ 2,1 bilhões.

Ainda assim, as atenções deverão se concentrar especialmente na divisão de IA, que registrou receita de US$ 818 milhões, prejuízo operacional de US$ 2,5 bilhões e investimentos de US$ 7,7 bilhões no primeiro trimestre. Além do desempenho da Starlink e dos avanços no desenvolvimento do Starship, os investidores buscarão informações sobre os contratos de data centers com Anthropic e Google, as perspectivas da área de inteligência artificial para 2026 e 2027 e os planos de testar satélites em órbita.

Paralelamente, voltaram a ganhar força as especulações sobre uma possível aquisição da Tesla pela SpaceX, após o Wall Street Journal informar que executivos da montadora teriam sido orientados a preparar a separação de suas operações na China, embora Elon Musk tenha negado a notícia. Uma eventual combinação poderia reunir os diferentes negócios do empresário em uma única companhia de capital aberto, mas enfrentaria obstáculos relevantes, sobretudo em razão da exposição da SpaceX ao governo americano e da expressiva presença industrial e comercial da Tesla no mercado chinês.

O momento também seria importante do ponto de vista financeiro, uma vez que os primeiros períodos de restrição à venda das ações da SpaceX começam a expirar logo após a divulgação do balanço, ampliando a oferta potencial de papéis no mercado. Caso uma transação por meio de troca de ações esteja efetivamente em análise, realizá-la antes de uma eventual pressão vendedora sobre os papéis poderia ser mais favorável para a companhia.

· 04:11 — Mão amiga

Estados Unidos e Japão realizaram sua primeira ação coordenada em 15 anos para sustentar o iene, que havia recuado ao menor nível em quatro décadas frente ao dólar. A operação envolveu a compra da moeda japonesa pelo Tesouro americano, executada pelo Federal Reserve, e também contou com sinais de coordenação por parte da Coreia do Sul. O movimento contribuiu para a valorização do iene e foi apresentado por Donald Trump como um gesto de amizade.

Ainda assim, Washington também tinha interesses próprios na iniciativa, entre eles reduzir o risco de que o Japão precisasse vender títulos do Tesouro americano para financiar uma intervenção cambial e amenizar as críticas ao ganho de competitividade dos exportadores japoneses proporcionado por uma moeda excessivamente depreciada.

Para o governo de Sanae Takaichi, a intervenção ocorre em um momento político e econômico delicado, já que um iene mais forte pode ajudar a aliviar o custo de vida e reduzir a pressão sobre seus planos fiscais. Em contrapartida, os Estados Unidos podem buscar maior alinhamento do Japão em temas como defesa, investimentos e política externa.

Ainda assim, a ação cambial tende a produzir apenas um alívio temporário caso não seja acompanhada por medidas mais estruturais. Por isso, as atenções agora se voltam para o Banco do Japão e para a possibilidade de uma elevação dos juros em setembro, sobretudo se esse movimento ocorrer de forma coordenada com o Federal Reserve.

· 05:06 — Eli Lilly e a Próxima Fronteira dos GLP-1

A Eli Lilly permanece no centro de uma das teses mais relevantes da indústria farmacêutica: a expansão dos medicamentos da classe GLP-1. Atualmente associados sobretudo ao tratamento de diabetes e obesidade, esses produtos podem ampliar de forma significativa seu mercado potencial à medida que novas indicações terapêuticas sejam incorporadas, incluindo apneia do sono, doenças cardiovasculares, doença hepática gordurosa, dependência de substâncias e até Parkinson.

A combinação entre demanda crescente, capacidade produtiva ainda limitada e elevado poder de precificação cria uma dinâmica semelhante à observada no segmento de inteligência artificial, com potencial para sustentar taxas robustas de crescimento por vários anos.

A companhia já ocupa uma posição dominante, com cerca de 60% do mercado de medicamentos injetáveis, e vem ampliando rapidamente sua capacidade de geração de receitas e lucros. Para este ano, a expectativa é de faturamento próximo de US$ 31 bilhões, o que representaria crescimento de 36%, enquanto as projeções indicam que esse montante poderá dobrar até 2030.

Segundo algumas estimativas o mercado global de GLP-1 para diabetes e obesidade pode alcançar US$ 190 bilhões em 2035, impulsionado pelo aumento da penetração entre pacientes, pela ampliação da cobertura oferecida pelos planos de saúde e pela inclusão gradual desses tratamentos em programas públicos, como o Medicare.

Embora a concorrência deva se intensificar, especialmente com o avanço de medicamentos em comprimidos desenvolvidos por rivais como a Novo Nordisk, esse novo formato tende a contribuir para a expansão do mercado, e não necessariamente para a substituição dos tratamentos injetáveis. Para a Eli Lilly, o cenário combina liderança comercial, crescimento acelerado, ampliação das indicações terapêuticas e exposição a um mercado ainda pouco penetrado. Essa combinação sustenta uma visão construtiva para as ações LLY e, em especial, para o BDR LILY34, que oferece ao investidor brasileiro acesso a uma companhia bem posicionada para participar de uma das transformações estruturais mais importantes da indústria farmacêutica global.

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Direcional (DIRR3): consistência é destaque em prévia operacional do 2T26; ações valem a pena agora?

Na noite da quarta-feira (8), a Direcional (DIRR3) divulgou a prévia operacional do 2º trimestre de 2026 (2T26), mantendo a consistência observada nos últimos trimestres. Os números vieram próximos das nossas projeções, com destaque para a geração de caixa e para a manutenção de uma VSO saudável, apesar de um trimestre marcado por fatores pontuais que impactaram a conversão de vendas. 

No período, a Direcional lançou R$ 2,1 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), sendo R$ 1,6 bilhão na participação da companhia, avanço de 8% em relação ao 2T25 e mais que o dobro do registrado no 1T26. O mix permaneceu concentrado na marca Direcional (62%), enquanto a Riva respondeu por 38% dos lançamentos.

Vale destacar também a contribuição dos dois primeiros projetos desenvolvidos em parceria com a Moura Dubeux (MDNE3), localizados em Fortaleza e Natal, reforçando o avanço da estratégia de expansão no Nordeste. 

As vendas líquidas totalizaram R$ 1,7 bilhão no trimestre (R$ 1,4 bilhão na % Companhia), praticamente estáveis em relação ao 2T25 (-1%) e 5% superiores ao 1T26. Apesar de ligeiramente abaixo das estimativas do mercado, o desempenho permaneceu sólido diante do maior volume de distratos observado em algumas praças e da desaceleração das conversões nas últimas semanas do trimestre, coincidindo com o período da Copa do Mundo, segundo a administração.

A velocidade de vendas (VSO) encerrou o trimestre em 23%, com 24% na Direcional e 21% na Riva, patamar ainda elevado para o setor. 

Na frente financeira, a companhia reportou geração de caixa contábil de R$ 130 milhões. Desconsiderando os efeitos extraordinários relacionados à cessão de recebíveis, às operações societárias e às alterações operacionais da Caixa Econômica Federal nos repasses, a geração de caixa operacional foi de R$ 80 milhões. 

Direcional (DIRR3): vale a pena comprar ações pós-resultados do 2T26?

De forma geral, seguimos vendo a Direcional (DIRR3) bem-posicionada para capturar a demanda do segmento econômico, sustentada por disciplina operacional, crescimento consistente e fundamentos sólidos. 

As ações das incorporadoras registraram queda relevante nos últimos pregões, interrompendo o forte desempenho relativo observado nos dois meses anteriores. Nossa leitura é que o movimento recente reflete, em grande parte, uma combinação de realização de lucros após a forte valorização recente e de prévias operacionais com leitura mais mista, mais do que uma mudança estrutural na tese das incorporadoras voltadas ao segmento econômico. 

O ambiente segue exigindo seletividade, especialmente diante de múltiplos que já haviam se expandido em algumas companhias. Nesse contexto, seguimos vendo a Direcional (DIRR3) como uma das alternativas mais interessantes do setor. Negociando próxima de 6 vezes o lucro estimado para 2027, DIRR3 permanece entre as principais recomendações da Empiricus. 

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Ibovespa hoje: Fim do cessar-fogo no Oriente Médio pressiona bolsas e petróleo sobe; veja destaques desta quarta (8)

Os mercados globais amanheceram em forte aversão a risco após Donald Trump afirmar que o cessar-fogo provisório com o Irã “acabou” e classificar as negociações como perda de tempo. A declaração veio depois de novos ataques americanos contra mais de 80 alvos iranianos, em resposta a ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, e da revogação da isenção que permitia a venda de petróleo iraniano. O movimento reacendeu os temores de interrupção no fornecimento global de energia. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos públicos avançaram, refletindo a preocupação dos investidores com um novo impulso inflacionário.

Além da geopolítica, o setor de semicondutores voltou a pesar lá fora. A queda se intensificou após os resultados da Samsung, comentado ontem por aqui, alimentarem dúvidas sobre a sustentabilidade dos valuations elevados das empresas ligadas à inteligência artificial. Na Ásia, o Kospi entrou em mercado de baixa técnico, enquanto as ações chinesas negociadas em Hong Kong reagiram positivamente, apoiadas por valuations mais baixos relativamente e por notícias envolvendo o desenvolvimento de chips próprios de IA por empresas locais. A agenda do dia ainda inclui a divulgação da ata do FOMC, em um momento de reavaliação dos riscos para inflação e juros.

· 00:57 — Ibovespa sente geopolítica, tarifa americana e ruídos eleitorais

No Brasil, o Ibovespa chegou a operar em alta na manhã de ontem, apoiado pela rotação de portfólios no exterior em um dia de queda para ações ligadas à inteligência artificial, mas perdeu força com a piora do cenário geopolítico. A retomada das tensões no Oriente Médio impulsionou o petróleo, fortaleceu o dólar e pressionou ativos tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, voltamos a ver pressão negativa.

Na agenda comercial, o segundo dia da audiência pública do USTR manteve em foco a possibilidade de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro reforçou a estratégia de manter as negociações abertas até a decisão americana, prevista para 15 de julho, enquanto representantes do setor produtivo defenderam a retirada da sobretaxa e contestaram os fundamentos da investigação. Flávio Bolsonaro, por sua vez, usou sua participação para criticar o governo Lula, pedir que a decisão sobre as tarifas fosse adiada para depois das eleições e argumentar que uma taxação imediata poderia favorecer politicamente o atual presidente do Brasil.

Ainda no campo eleitoral, a campanha de Flávio Bolsonaro enfrentou novos ruídos após integrantes de sua coordenação participarem de um evento em Washington com Marco Rubio e empresários brasileiros sem comunicação prévia aos aliados. O episódio gerou desconforto dentro da campanha, especialmente entre setores mais radicais do bolsonarismo, que brigam por protagonismo. Essa divisão interna tende a enfraquecer a oposição e pode aumentar as chances de reeleição do incumbente.

· 01:42 — Em busca de um maior detalhamento

Nos Estados Unidos, os mercados fecharam em queda ontem, pressionados principalmente pela realização de lucros nas ações de tecnologia e semicondutores. O Nasdaq recuou 1,2%, o S&P 500 caiu 0,5% e o Dow Jones perdeu 0,3%. Ainda assim, a leitura interna do pregão foi menos negativa do que os índices sugerem: seis dos 11 setores do S&P 500 encerraram em alta, com destaque para energia, que avançou 3%, enquanto 56% das ações do índice fecharam no campo positivo. O principal peso veio dos semicondutores após os resultados da Samsung. Embora os números tenham sido fortes, como pude comentar melhor na terça-feira, vieram apenas moderadamente acima das expectativas, o que acabou provocando uma realização de lucros no setor.

No fim do dia, a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano reforçou o tom de cautela. O movimento ocorreu depois dos americanos revogarem as isenções às sanções ao petróleo iraniano, em resposta a ataques contra navios comerciais. A agenda conta com a divulgação da ata do FOMC, referente à primeira reunião de Kevin Warsh. O mercado buscará sinais sobre a postura do Fed diante da inflação persistente e da preferência de Warsh por uma comunicação com menor uso de forward guidance e da possibilidade de uma alta de 25 ponto nos juros até outubro. Tudo isso ocorre em um ambiente de economia resiliente, mercado de trabalho estável e queda dos preços de energia, que pode aliviar a inflação nos próximos meses.

· 02:38 — Novos episódios de tensão

A tensão no Estreito de Ormuz voltou a se intensificar após três petroleiros serem atingidos, incluindo o Al Rekayyat, carregado com gás natural liquefeito, que sofreu um incêndio na casa de máquinas depois de ser atingido por um drone. O Catar responsabilizou o Irã pelo ataque, enquanto um navio de bandeira saudita, possivelmente o superpetroleiro Wedyan, também registrou avarias próximo à costa de Omã.

O episódio ocorre em meio ao colapso do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, depois que Trump declarou o acordo “encerrado”, Teerã atacou bases americanas no Bahrein e no Kuwait, e Washington revogou a licença que autorizava exportações de petróleo iraniano, mantendo apenas um período de transição até 17 de julho para a liquidação das operações já contratadas.

O ponto mais sensível é que o Irã parece tentar ampliar seu controle sobre a navegação em Ormuz, possivelmente por meio do lançamento de minas para direcionar o tráfego comercial para mais perto de sua costa. Caso as alegações americanas sejam verdadeiras, isso daria a Teerã maior capacidade de monitorar embarcações, impor condições de passagem e até cobrar taxas, em uma disputa direta com os Estados Unidos pelo controle da rota. Como o Estreito segue operando abaixo do normal, enquanto exportadores de energia ainda tentam restabelecer plenamente o fluxo por essa via estratégica, os mercados reagiram de forma imediata: o petróleo subiu mais de 5% nesta manhã, acima de US$ 78 por barril, e o Departamento de Defesa dos EUA anunciou novos ataques de represália.

A leitura segue dividida. Os pessimistas enxergam excesso de confiança na ideia de uma distensão permanente entre Washington e Teerã, já que ainda há confrontos semanais, divergências sobre o controle de Ormuz, pouco avanço na questão nuclear e tensões não resolvidas no Líbano. Os otimistas, por outro lado, argumentam que nenhum dos lados parece interessado em retomar uma guerra em larga escala e que a oferta global de petróleo ainda pode se expandir, apoiada pelo aumento da produção da Opep+, pela recuperação gradual do tráfego em Ormuz e pela produção robusta nos Estados Unidos e na Venezuela. No balanço, o caminho para um acordo duradouro segue arriscado e irregular, mas a relutância de Trump em reabrir totalmente as hostilidades sugere que esta nova rodada de confrontos tende a permanecer contida, ainda que acompanhada de volatilidade elevada para energia e ativos globais.

· 03:21 — Possível virada na Europa

Marine Le Pen confirmou que pretende disputar a eleição presidencial francesa de 2027 pela quarta vez, após o Tribunal de Apelação de Paris manter sua condenação por uso indevido de recursos do Parlamento Europeu, mas reduzir seu período de inelegibilidade. Como parte da punição efetiva já foi cumprida, a decisão abre caminho para sua candidatura nas eleições presidenciais do ano que vem, embora ela ainda deva recorrer à mais alta corte da França e possivelmente tenha de usar tornozeleira eletrônica. Apesar do desgaste jurídico, o Reagrupamento Nacional segue na liderança das pesquisas, e a indefinição sobre quem representará o partido (Le Pen ou Jordan Bardella) não parece alterar de forma significativa sua força eleitoral.

A principal diferença entre os dois está no perfil político. Bardella, mais jovem, apresenta bom desempenho nas pesquisas, mas sua idade e menor experiência podem ser exploradas pelos adversários. Le Pen, por sua vez, aos 57 anos e com três campanhas presidenciais no currículo, é vista por alguns rivais como uma candidata mais testada e menos propensa a erros. O caso se insere em um movimento mais amplo da direita europeia, no qual lideranças como Le Pen, na França, e Nigel Farage, no Reino Unido, enfrentam pressões políticas, mas buscam transformar esses episódios em combustível, apresentando-se como alvos de perseguição institucional.

 · 04:13 — Desdobramentos do encontro da OTAN

A cúpula da OTAN em Ancara está acontecendo em um momento de forte tensão dentro da aliança, com Donald Trump pressionando os países europeus a elevarem seus gastos militares e assumirem maior responsabilidade pela própria segurança. Reino Unido, França e Alemanha lançaram uma iniciativa de US$ 50 bilhões para desenvolver armas de longo alcance sem a participação dos Estados Unidos, com o objetivo de reduzir a defasagem em relação à Rússia nessa área. Ao mesmo tempo, os aliados discutem a meta de destinar 5% do PIB à defesa, enquanto a Europa tenta se preparar para uma eventual redução da presença militar americana no continente.

A cúpula também é marcada por negociações paralelas relevantes. Trump sinalizou que pode reverter a proibição da venda de caças F-35 à Turquia e voltou a defender a aquisição da Groenlândia, elevando atritos com aliados europeus. O encontro também deve tratar do apoio à Ucrânia, da reorganização da defesa europeia, de grandes contratos militares e de temas regionais envolvendo Turquia, Síria e segurança no Oriente Médio. No conjunto, a OTAN tenta demonstrar unidade, mas enfrenta uma combinação delicada de pressão americana, guerra na Ucrânia, crise com o Irã e disputas internas sobre financiamento, liderança e prioridades estratégicas.

· 05:06 — Alphabet e as múltiplas fronteiras do futuro americano

A inteligência artificial deve continuar como uma das principais forças capazes de moldar a economia americana nas próximas décadas, ainda que seja difícil antecipar quais empresas dominarão esse novo ciclo. OpenAI e Anthropic aparecem como protagonistas naturais, enquanto a Amazon segue bem-posicionada por meio de seu enorme negócio de nuvem, essencial para atender à demanda crescente por computação e armazenamento. Ao mesmo tempo, a disputa por energia ganha importância estratégica, impulsionada pela expansão dos data centers e pela eletrificação da economia, abrindo espaço tanto para gigantes tradicionais, como Exxon Mobil e Chevron, quanto para startups de fusão nuclear. Em saúde, empresas como Johnson & Johnson seguem estruturalmente relevantes, dada a natureza resiliente da demanda por medicamentos, tratamentos e inovação médica.

Nesse cenário de longo prazo, a Alphabet parece uma das empresas mais bem posicionadas para atravessar as próximas grandes transformações tecnológicas. Além da força de suas operações em busca, nuvem e smartphones, a companhia permanece competitiva em inteligência artificial com os modelos Gemini, tem exposição indireta relevante a Anthropic e SpaceX, avança em computação quântica e conta com a Waymo como uma das principais apostas globais em veículos autônomos. A combinação entre negócios maduros, geração robusta de caixa e exposição a múltiplas frentes de inovação torna a tese construtiva para Alphabet, negociada na Nasdaq sob o ticker GOOGL e acessível no Brasil via BDR GOGL34.

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Ibovespa hoje: SpaceX, Microsoft e Samsung nas manchetes e negociações do tarifaço dos EUA continuam; confira destaques desta terça (7)

Os mercados globais operam com cautela nesta terça-feira, pressionados por uma nova realização em ações de tecnologia e semicondutores, movimento que começou na Ásia e se espalhou para a Europa. A Coreia do Sul concentrou as maiores perdas, com o Kospi recuando 4,9%, enquanto Samsung e SK Hynix caíram de forma expressiva. No caso da Samsung, mesmo um lucro robusto não foi suficiente para impressionar investidores já acostumados a números elevados no ciclo da inteligência artificial.

O movimento reforça a percepção de que o rali ligado à IA pode ter avançado rápido demais, levando os mercados a reavaliar valuations, crescimento de lucros e a sustentabilidade dos investimentos em capital no setor de semicondutores. Nos Estados Unidos, os futuros operam de forma mista, com o Nasdaq sob pressão, enquanto investidores aguardam a ata do Fed, amanhã, novos discursos de dirigentes e, mais adiante, sinais adicionais sobre inflação, juros e atividade econômica.

No campo geopolítico, a tensão voltou a subir no Oriente Médio após relatos de ataques iranianos contra embarcações no Estreito de Ormuz, incluindo um navio de GNL do Catar atingido por um projétil próximo à costa de Omã. Ainda assim, a reação do petróleo foi moderada, já que os fluxos pela rota aprovada pelo Irã não parecem ter sido afetados, enquanto a oferta global segue em recomposição, apoiada pelo aumento de produção da Opep+ e pela maior competição entre exportadores.

Em paralelo, a cúpula da Otan em Ancara começa sob pressão de Donald Trump para que os países-membros elevem seus gastos militares, com foco na meta de 5% do PIB em defesa e no desafio fiscal de financiar o maior esforço militar desde a Guerra Fria.

· 00:57 — Ibovespa descola do alívio externo

No Brasil, o Ibovespa destoou ontem do alívio observado no câmbio e nos juros futuros e encerrou a segunda-feira em queda de 0,93%, retornando ao patamar dos 172 mil pontos. O pregão teve volume reduzido e perdas disseminadas entre as ações. O movimento refletiu a rotação global de fluxo para ações de tecnologia nos Estados Unidos, em detrimento de papéis de valor e blue chips locais.

Na direção oposta, o dólar recuou para R$ 5,1320, com o real entre as moedas emergentes de melhor desempenho, enquanto os juros futuros fecharam em leve queda, acompanhando o alívio dos Treasuries, a baixa do petróleo e a melhora marginal nas expectativas de inflação do Focus. O boletim interrompeu uma sequência de deterioração ao reduzir a mediana para o IPCA de 2026 de 5,33% para 5,30%, embora as projeções para a Selic sigam elevadas. Agora, o foco do mercado se volta ao IPCA de junho, na sexta-feira, dado que deve ajudar a definir se há espaço para mais um corte da Selic em agosto, ainda que a taxa básica deva permanecer em patamar bastante restritivo.

Na agenda do dia, a audiência pública do USTR, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, sobre práticas comerciais brasileiras terminou na segunda-feira sem mudanças na investigação, mas deixou uma impressão relativamente positiva entre representantes do setor privado por ter assumido um tom mais técnico do que político.

Entidades brasileiras e empresas americanas argumentaram que uma eventual tarifa de 25% sobre produtos do Brasil poderia prejudicar os próprios Estados Unidos, ao encarecer insumos, matérias-primas e bens utilizados pela indústria americana, reduzir a competitividade das empresas locais e abrir espaço para fornecedores asiáticos, especialmente chineses. O tema segue no radar nesta terça-feira, com novos painéis e a participação de Flávio Bolsonaro.

E por falar nisso, no campo político, o Partido Liberal marcou para 25 de julho, em São Paulo, a convenção nacional que oficializará a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A escolha da capital paulista é estratégica, tanto por São Paulo concentrar o maior colégio eleitoral do país quanto pela possibilidade de aproximação com o palanque de Tarcísio de Freitas. Flávio pretende transferir o QG da campanha para o estado a fim de alinhar sua agenda à do governador. Aliados veem uma eventual vitória de Tarcísio no primeiro turno como uma demonstração de força da direita, embora também reconheçam que esse cenário pode trazer desafios no segundo turno, especialmente em relação ao engajamento do eleitorado.

· 01:42 — Tecnologia retoma liderança com Fed e inflação no radar

O setor de tecnologia voltou a liderar os mercados no início da semana, com as ações ligadas à inteligência artificial buscando recuperar parte das perdas recentes. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,3% e renovou sua máxima de fechamento pela 21ª vez em 2026, enquanto o S&P 500 avançou 0,7% e o Nasdaq ganhou 1,1%. As fabricantes de chips ainda não recuperaram integralmente a queda da semana anterior, mas puxaram a alta do pregão em um ambiente marcado por dados econômicos resilientes, resultados corporativos positivos, expectativas de inflação em queda e investidores ainda cautelosos. O petróleo seguiu em baixa, ajudando a reduzir as pressões inflacionárias, enquanto o ouro atingiu o maior nível em duas semanas.

No campo monetário, Christopher Waller, membro do Fed, defendeu o uso do forward guidance, isto é, a orientação futura sobre os possíveis caminhos da política monetária. A posição contrasta com a postura mais recente de Kevin Warsh, que retirou esse tipo de sinalização do comunicado do FOMC. Waller reconheceu que a ferramenta pode ser útil em determinadas circunstâncias, embora também tenha sido problemática em 2021, quando contribuiu para atrasar a reação do Fed à alta da inflação. A agenda inclui a balança comercial de maio, em um momento em que os dados de comércio ganharam maior relevância política por causa das tarifas, além da pesquisa de expectativas de inflação do Fed de Nova York, para medir a percepção dos consumidores sobre os preços, ainda que não haja sinais de mudança no consumo.

· 02:39 — Susto com Samsung?

As ações da Samsung recuaram de forma expressiva, apesar de a companhia ter reportado forte avanço no lucro operacional, impulsionado pelo boom dos chips de memória. O resultado preliminar veio acima das expectativas, mas não foi suficiente para impressionar os investidores, especialmente depois da forte valorização dos papéis nos últimos 12 meses e diante da ausência de projeções futuras mais detalhadas, que só serão divulgadas com os resultados completos. A queda também refletiu um movimento mais amplo de realização em tecnologia na Ásia, de maneira generalizada, com pressão sobre nomes como SK Hynix e sobre o índice Kospi, em meio ao receio de que o rali associado à inteligência artificial tenha avançado demais.

Ainda assim, essa leitura não aponta necessariamente para a formação de uma bolha. O ponto central é saber se os lucros gerados pela demanda por IA em empresas como Samsung, SK Hynix e Micron serão sustentáveis ao longo do tempo. Embora os valuations de longo prazo pareçam elevados, as métricas projetadas para os próximos 12 meses são menos alarmantes e refletem expectativas de crescimento dos lucros. O mercado segue tentando avaliar se o aumento do nível de capex para as proporções atuais, a expansão de capacidade e a concorrência no setor de semicondutores serão compatíveis com os resultados esperados. Por isso, uma queda pontual nas ações da Samsung não responde, sozinha, à pergunta mais importante: se a inteligência artificial será capaz de entregar ganhos duradouros de produtividade e crescimento.

· 03:24 — Adiar pode ser uma escolha ruim

Como já conversamos neste espaço num passado recente, a OpenAI estaria avaliando adiar seu IPO para o próximo ano, mas essa decisão pode trazer riscos caso a janela para novas aberturas de capital se feche antes de a companhia chegar ao mercado. Para muitos investidores nos EUA, tanto a OpenAI quanto a Anthropic deveriam aproveitar o momento ainda favorável para listar suas ações, já que não há garantia de que os investidores continuarão dispostos a absorver centenas de bilhões de dólares em novas emissões. Além de permitir a captação de recursos, a abertura de capital das duas empresas aumentaria a transparência sobre suas finanças e ofereceria ao mercado referências mais claras para avaliar o setor de inteligência artificial.

A listagem de OpenAI e Anthropic também ajudaria a preencher uma lacuna importante: hoje, há poucas empresas de capital aberto com exposição pura à IA, o que dificulta a construção de parâmetros de valuation e alimenta preocupações sobre uma possível bolha no setor. O boom da IA vive um momento decisivo, marcado por valuations elevados e forte volume de investimentos em infraestrutura. A dúvida é se OpenAI e Anthropic conseguirão acessar o mercado antes que o apetite diminua.

· 04:11 — Novos cortes

A Microsoft anunciou cortes equivalentes a 2,1% de sua força de trabalho global, cerca de 4.800 cargos, com impacto desproporcional sobre a divisão Xbox. A área de games perdeu 1.600 funcionários de imediato e deve cortar outros 1.250 ao longo do ano, atingindo aproximadamente 20% da equipe. A decisão ocorre em um momento de incerteza para o negócio de videogames da companhia, em que ainda não está claro como será a próxima geração de consoles, ou mesmo se haverá uma nova geração nos moldes tradicionais.

O movimento reflete a dificuldade da Microsoft em conciliar as elevadas expectativas dos investidores com a realidade econômica da divisão de jogos, que opera com margens muito inferiores às de negócios comparáveis de plataformas e publicação. A própria liderança do Xbox reconheceu que a operação “não é saudável”, enquanto o Game Pass, com 30 milhões de assinantes, permanece distante da meta projetada de 77 milhões. Em um ambiente no qual a inteligência artificial concentra boa parte do entusiasmo do mercado, a divisão de games parece enfrentar limites mais evidentes de escala, rentabilidade e crescimento.

· 05:03 — SpaceX no Nasdaq-100: a nova fronteira da economia espacial

A SpaceX recebeu avaliações otimistas de ao menos seis corretoras de Wall Street após o encerramento do período de silêncio do pós-IPO. O movimento ocorre em um momento importante para a companhia de Elon Musk, que passa a integrar o Nasdaq-100 nesta terça-feira, apenas duas semanas após sua oferta pública inicial. A inclusão acelerada foi viabilizada por uma mudança nas regras da Nasdaq para empresas de ala capitalização, reforçando a relevância crescente das companhias associadas à inteligência artificial e à infraestrutura tecnológica no mercado acionário. Ainda assim, o ambiente para o setor de tecnologia ficou mais cauteloso, depois que os resultados da Samsung frustraram investidores e pressionaram os futuros americanos.

A entrada da SpaceX no Nasdaq-100 deve gerar compras obrigatórias por parte de fundos passivos que replicam o índice, como o ETF QQQ, da Invesco, incorporando automaticamente a ação às carteiras de milhões de investidores. Como a companhia ingressa com peso equivalente a cerca de 0,75% do índice, e aproximadamente US$ 800 bilhões estão atrelados ao Nasdaq-100, as estimativas apontam para compras entre US$ 4,3 bilhões e US$ 6 bilhões em ações. O principal ponto de atenção é que menos de 5% dos papéis da SpaceX estão disponíveis para negociação pública, o que pode ampliar a volatilidade no curto prazo. Por outro lado, cerca de 20% das ações devem ser liberadas após a divulgação do primeiro balanço da companhia, movimento que tende a reduzir parte dessa pressão técnica gradualmente ao longo do tempo.

Em síntese, o evento reforça a consolidação da exploração espacial como uma das próximas grandes fronteiras estruturais do mercado. A companhia combina liderança em lançamentos, escala operacional, capacidade de inovação e exposição a temas de longo prazo, como satélites, conectividade global, defesa, infraestrutura orbital e inteligência artificial aplicada. Naturalmente, a volatilidade deve permanecer elevada no curto prazo, sobretudo diante da baixa quantidade de ações em circulação e dos fluxos técnicos associados à inclusão no índice. Ainda assim, para investidores dispostos a conviver com oscilações, a SpaceX, negociada na Nasdaq sob o ticker SPCX e acessível no Brasil via BDR SPCX34, passa a representar uma das formas mais diretas de exposição à nova economia espacial, um mercado ainda em estágio inicial, mas com potencial relevante de expansão nas próximas décadas.

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BTG Pactual abre inscrições para programa de formação de assessores de investimento; participe

Se você está em busca de uma porta de entrada para o mercado financeiro ou da oportunidade de fazer uma transição de carreira, precisa saber que o BTG Pactual abriu inscrições para o BTG Evolution. Trata-se do programa de formação de Assessores de Investimentos, promovido pelo banco de investimentos.

O objetivo é capacitar recém-formados, universitários no final da graduação e profissionais em transição de carreira para construir uma trajetória sólida no mercado financeiro.

Diferentemente de outros programas de formação de assessores, a proposta do BTG Pactual não é simplesmente oferecer um curso que ajude esses profissionais a conseguirem uma certificação. A intenção é trazer os candidatos para o dia a dia do banco e ensiná-los como ser um assessor.

As inscrições seguem abertas até 22 de julho e a primeira fase da formação acontecerá no dia 1 de agosto em um evento presencial. Veja a seguir como vai funcionar o programa.

BTG Evolution: conheça os pré-requisitos e todas as etapas do programa

O BTG Evolution é voltado a profissionais recém-formados ou com graduação concluída em até três anos, em qualquer área de conhecimento. O programa também é para universitários no último semestre de graduação em Economia, Administração ou áreas correlatas. Não é necessária experiência prévia, contudo, a certificação CPA-20 (atual C-Pro R) é obrigatória.

Assim, o programa de formação de assessores de investimentos do BTG Pactual foi elaborado em seis etapas:

  • Período de inscrições (22/06 a 22/07) – neste link;
  • Convite para o Evento (28/07 a 30/07);
  • Evento Presencial + Case técnico (01/08);
  • Conversa com Líderes (03/08 a 07/08);
  • Propostas (10/08 a 11/08);
  • Formação B2C (duração de 3 a 6 meses): Entrada prevista para 24/08.

No dia 1º de agosto os candidatos vão ter o primeiro contato com o universo de assessoria do BTG Pactual. Na ocasião, os participantes vão entender quais os caminhos possíveis para construir uma carreira na área, por meio de conversas com especialistas do banco.

Ao final dessa experiência, ainda durante o evento, os participantes vão resolver um case técnico. O desafio será baseado em situações reais do dia a dia de um assessor de investimentos e os candidatos vão poder colocar em prática suas habilidades analíticas e conhecimentos.

Os participantes que preformarem melhor nessa fase serão selecionados para ingressar na Assessoria Digital e podem ser promovidos para o time de Relacionamento ao final de três meses.

Assim, os candidatos que avançarem na trilha do programa terão três meses de experiência dentro do BTG Pactual. Nesse período, eles vão seguir os mesmos objetivos que um assessor do banco e terão formação técnica e prática por meio de:

  • Treinamentos;
  • Simulações e roleplays reais;
  • Feedbacks individuais;
  • Acompanhamento de performance;
  • Mentoria com líderes de mercado.

BTG EVOLUTION: SAIBA COMO DAR O PRÓXIMO PASSO NA SUA CARREIRA

Por que participar do BTG Evolution?

A profissão assessor de investimentos está ganhando cada vez mais espaço no Brasil. De acordo com dados da ANCORD (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), em maio, o país contava com mais de 27 mil profissionais certificados. Destes, 20 mil já estavam vinculados a alguma instituição financeira.

Na prática, estamos falando de um crescimento de 3,6% em 12 meses, que reforça a procura por serviços especializados de investimento, mas que ainda esta longe de atender à demanda crescente do mercado.

Nesse sentido, o BTG Evolution pode ser uma porta para o desenvolvimento acelerado na carreira de assessor de investimentos, com acesso direto a especialistas e a oportunidade de efetivação em um dos times mais estratégicos do BTG Pactual.

O profissional ainda poderá contar com a estrutura robusta do maior Banco de Investimentos da América Latina com acesso à um portfólio amplo de produtos internos e ativos externos, selecionados rigorosamente.

Outro diferencial são as plataformas que dão suporte ao trabalho diário e permitem:

  • Gestão de carteiras;
  • Acompanhamento do mercado em tempo real;
  • Análise de riscos e oportunidades;
  • Tomada de decisão com mais agilidade e precisão.

Por fim, os assessores de investimento vinculados ao BTG Pactual contam com uma jornada de formação contínua que inclui cursos, workshops, trilhas focadas em comunicação, liderança, gestão do tempo e competências comportamentais.

O BTG Evolution é o primeiro passo para quem deseja desenvolver uma carreira de sucesso como assessor de investimentos, dentro do BTG Pactual.

Por isso, se você está em busca da sua primeira oportunidade no mercado ou deseja fazer uma transição de carreira, garanta a sua vaga no evento de lançamento e esteja entre os primeiros a entrar nessa trilha de formação:

BTG EVOLUTION: INSCREVA-SE E TENHA A CHANCE DE MUDAR A SUA CARREIRA

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Moura Dubeux (MDNE3) prevê ritmo de vendas saudável em trimestre de base comparativa exigente; veja o que esperar do 2T26 da companhia

Nesta segunda-feira (6), a Moura Dubeux (MDNE3) divulgou a prévia operacional do 2T26, mantendo indicadores operacionais saudáveis. Os números vieram próximos das expectativas, com destaque para o ritmo de vendas e a geração de caixa.

No período, a companhia lançou seis projetos, totalizando R$ 1,0 bilhão em VGV líquido (%MD), retração de 45,7% na comparação anual.

Resultados da Moura Dubeux satisfazem mesmo em menor volume

Apesar da menor atividade, a absorção permaneceu satisfatória, com VSO trimestral de lançamentos de 51,5%, evidenciando a boa receptividade dos empreendimentos apresentados ao mercado. Vale citar que parte dos empreendimentos foi lançada no final do trimestre; portanto, o indicador ainda reflete um período de vendas curto.

No total, as vendas líquidas da Moura Dubeux atingiram R$ 1,02 bilhão (%MD) no trimestre, praticamente estáveis em relação ao trimestre anterior (-1,8%) e 14,9% inferiores ao 2T25. O desempenho foi sustentado principalmente pelo segmento de condomínios, que respondeu por cerca de dois terços do volume comercializado, enquanto o indicador de VSO consolidado encerrou o período em 20,9% no trimestre e 51,1% na janela de doze meses, permanecendo em patamar resiliente.

Na parte financeira, a companhia destacou a geração de caixa positiva de R$ 28 milhões, revertendo o consumo de R$ 122 milhões registrado no 1T26. O resultado foi favorecido pela antecipação de aproximadamente R$ 153 milhões em recebíveis relacionados a taxas de comercialização de terrenos, operação inédita para a companhia e que, segundo a administração, envolve ativos já performados, de curta duração e baixo risco de inadimplência. Ainda que se trate de um efeito não recorrente, a transação contribuiu para reduzir a pressão sobre o fluxo de caixa em um momento de forte expansão operacional.

De forma geral, a prévia do 2T26 reforçou o bom momento da Moura Dubeux, especialmente no segmento de condomínios, que segue apresentando boa performance no Nordeste. Embora o menor volume de lançamentos tenha levado a uma desaceleração natural na comparação anual, os indicadores de vendas continuam sólidos, e a geração de caixa representa um sinal positivo. Negociando próximo de 4 vezes o lucro estimado para 2027, a ação MDNE3 permanece entre as recomendações da Empiricus.

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BTG Pactual lança Research Ideas para conectar análises de mercado à execução automatizada de operações

Transformar uma análise de mercado em uma operação executada nem sempre é uma tarefa simples. Muitas vezes, o investidor precisa interpretar relatórios, definir parâmetros de entrada e saída e acompanhar constantemente a posição para que a estratégia seja seguida corretamente.

Foi pensando em facilitar o acesso a diferentes estratégias de investimento que o BTG Pactual acaba de lançar o Research Ideas, uma ferramenta gratuita que conecta análises produzidas pelo time de Research do banco à execução automatizada de operações na Bolsa de Valores.

A proposta é reunir, em um único ambiente, a oportunidade de investimento, a tese de mercado e a execução operacional da estratégia. Dessa forma, o investidor consegue entender os fundamentos por trás de cada recomendação e implementar a operação de maneira simples, sem precisar recorrer a plataformas externas ou realizar configurações mais complexas.

Segundo Ricardo Hessel, diretor executivo de IT do BTG Pactual, o objetivo é aproximar análise e execução. “O cliente encontra a tese de investimento, define o valor que deseja aplicar e a execução acontece de forma automatizada”, explica.

Conheça os recursos do Research Ideas

Hessel explica que o Research Ideas reúne oportunidades selecionadas pelo time de Research do BTG Pactual e as apresenta de forma estruturada ao investidor. Além da recomendação, a plataforma disponibiliza os fundamentos da tese, análises de suporte, potencial de ganho, risco estimado e demais informações relevantes para a tomada de decisão.

Em geral, quando o cliente deseja realizar uma operação de swing trade, long&short e até mesmo opções, ele contrata na corretora uma plataforma para operacionalizar toda a estratégia.

Contudo, por meio do Research Ideas, a operação é montada de forma automatizada, em uma única plataforma, para que o cliente não precise “contratar uma plataforma terceira, nem ter algum outro tipo de assinatura para conseguir operacionalizar isso”, pontua Ricardo Hessel.

Atualmente, a ferramenta conta com estratégias de swing trade, permitindo que investidores acompanhem operações com horizonte de curto e médio prazo de forma automatizada. “Após escolher uma oportunidade, basta informar o valor que será destinado à estratégia”, explica o diretor executivo de IT do BTG Pactual.

A partir daí, a tecnologia assume a execução operacional. Entradas, saídas, stop gain e stop loss são monitorados automaticamente de acordo com os parâmetros definidos para cada operação.

Para Bruno Henriques Lima, diretor executivo de Research do BTG Pactual, a ferramenta contribui para aproximar investidores das ideias produzidas pela equipe de análise. “A gente acredita que é uma forma de deixar o processo muito mais fluido entre ter uma ideia, entender os fundamentos por trás dela e, se fizer sentido, conseguir adotá-la rapidamente”, afirma.

Veja como automatizar operações com o Research Ideas

Atualmente, o acesso ao Research Ideas acontece dentro do próprio ecossistema do BTG Pactual, através do BTG Content, a plataforma de publicações do banco. Também é possível acessar por meio do BTG Trader Desk, a plataforma proprietária desenvolvida exclusivamente para os clientes.

De acordo com Ricardo Hessel, os próximos passos é disponibilizar o Research Ideas tanto no aplicativo do BTG Investimentos, quanto no home broker. Além disso, ao longo dos próximos meses, a equipe espera incluir outras estratégias de investimento de forma automatizada na ferramenta. Entre elas, long&short e derivativos.

Para aqueles que já são clientes e desejam acessar a ferramenta por meio do BTG Content , basta entrar na plataforma. Então, no menu, selecionar “Research Ideas”. Assim, você será direcionado para as recomendações ativas.

Fonte: BTG Content

No Content, você confere todos os detalhes da operação: a tese, direcional (compra ou venda), potencial de ganho e perda, os riscos, entre outros. Além disso, pode investir na estratégia com apenas um clique, desde que o seu perfil de investidor seja compatível com a operação sugerida.

Já para aqueles que preferem acessar o Research Ideas por meio do BTG Trader Desk, o primeiro passo é acessar a conta de investimentos no desktop e ativar gratuitamente a plataforma.
Fonte: Plataforma BTG Trader Desk

Depois de instalar o BTG Trader, na aba “Negociação” você vai encontrar a opção “Research Ideas”. Ao clicar, abrirá uma nova janela com todas as recomendações disponíveis.

Fonte: Plataforma BTG Trader Desk

Assim como no BTG Content, por meio do Trader Desk é possível navegar pelas estratégias disponíveis e consultar os detalhes da tese de investimento. Por fim, basta definir o valor que deseja investir e confirmar a operação.

Fonte: Plataforma BTG Trader Desk

A partir daí, todo o processo é feito de forma automatizada. Ou seja, se a recomendação atingir o lucro esperado ou se chegar no limite de perda, a operação será automaticamente encerrada. Esse mecanismo facilita a vida do investidor e evita que a emoção tome conta, levando a resultados indesejados.

Hessel ainda aponta que, por fazer parte de um ecossistema integrado, o investidor pode conectar as operações realizadas por meio do Research Ideas com outros serviços. Um exemplo é a Calculadora de IR, que também é gratuita e “ajuda o cliente a operacionalizar esse acompanhamento do pagamento de imposto sobre as operações.”

Tenha acesso ao Research Ideas e outras soluções do BTG Pactual: abra sua conta gratuita

Segundo Bruno Henriques Lima, o lançamento do Research Ideas representa mais um passo do BTG Pactual na integração entre conteúdo, tecnologia e investimentos.

Ao reunir análises produzidas por especialistas, automação operacional e acompanhamento em tempo real em uma única experiência, a ferramenta busca tornar o acesso a estratégias de mercado mais simples e eficiente.

Se você ainda não é cliente do BTG Pactual, mas deseja conhecer o Research Ideas e saber como acompanhar oportunidades de investimento e executar estratégias de maneira prática, basta fazer o seu cadastro gratuito.

Você não paga nada para se tornar cliente do maior Banco de Investimentos da América Latina. Com alguns cliques é possível abrir a sua conta gratuita no BTG Pactual e ter acesso ao Research Ideas. Você ainda pode acessar outras ferramentas disponibilizadas pelo banco para tornar o seu dia a dia mais prático e levar os seus investimentos para o próximo nível.

Então, se você quer conhecer esta e outras funcionalidades oferecidas pelo BTG Pactual, clique no botão abaixo e abra a sua conta gratuita:

ABRA SUA CONTA GRATUITA NO BTG PACTUAL

“Este material não tem relação com objetivos específicos de investimentos, situação financeira ou necessidade particular de qualquer destinatário específico, não devendo servir como única fonte de informações no processo decisório do investidor que, antes de decidir, deverá realizar, preferencialmente com a ajuda de um profissional devidamente qualificado, uma avaliação minuciosa do produto, incluindo suas características, prazos, liquidez e respectivos riscos face a seus objetivos pessoais e à sua tolerância a risco (“Suitability”).”

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Fim do conflito no Oriente Médio e novo comando no Fed: seria esse um bom momento para comprar Bitcoin?

O arrefecimento das tensões no Oriente Médio devolveu o apetite por risco aos mercados globais e levou as bolsas norte-americanas novamente às máximas históricas. Para quem investe em criptomoedas, no entanto, ficou a desconfortável sensação de não ter sido convidado para a festa. 

Essa divergência não aconteceu por acaso. O Bitcoin (BTC) segue preso às suas próprias fragilidades: saídas persistentes dos ETFs, mineradoras assumindo uma postura mais vendedora e sinais crescentes de desconfiança em relação às empresas que se tornaram algumas das maiores compradoras do ativo neste ciclo. São fatores que pedem cautela e fazem contraponto à melhora do ambiente geopolítico. 

Ao mesmo tempo, o BTC está cerca de 50% abaixo do topo registrado em outubro. É justamente quando a queda começa a incomodar que surge a pergunta que compõe o título desta edição: depois de uma correção dessa magnitude, faz sentido comprar agora? A resposta depende menos do preço isoladamente e mais do perfil, do horizonte e da estratégia de quem está fazendo a pergunta. 

Nesta edição, analisamos o que mudou — e o que não mudou — com a estreia de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve (Fed), porque a faixa atual voltou a despertar interesse do ponto de vista técnico e porque os fundamentos ainda exigem prudência. 

Reescrevendo as regras do jogo 

Além do acordo firmado entre Irã e Estados Unidos, o mercado acompanhou de perto a primeira reunião do Federal Reserve sob o comando de Kevin Warsh. O FOMC, comitê responsável pela definição dos juros nos Estados Unidos, manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%, como amplamente esperado.

Ainda assim, o tom da reunião esteve longe de oferecer alívio aos mercados. A comunicação foi mais dura, com viés hawkish, e veio acompanhada de mudanças relevantes na forma como o banco central pretende orientar os investidores. 

Nos últimos anos, o mercado se acostumou a examinar cada frase do Fed em busca de pistas sobre seus próximos passos, prática conhecida como forward guidance. Warsh rompeu com essa tradição: não ofereceu um roteiro para os próximos meses, evitou apresentar sua própria projeção para os juros e reduziu a importância do dot plot — o gráfico em que cada dirigente indica onde acredita que a taxa estará no futuro. 

Em tese, essa postura dá ao Fed mais liberdade para reagir aos dados econômicos. Para o mercado, porém, ela reduz a visibilidade sobre a trajetória do “preço do dinheiro” e sobre a própria função de reação do Banco Central. Quando os investidores compreendem menos sobre como as decisões serão tomadas, passam a carregar uma camada adicional de incerteza e, consequentemente, exigem um prêmio maior para permanecer em ativos de risco. 

Essa mudança também pesou sobre a performance dos mercados, sobretudo porque veio acompanhada de um pano de fundo que já era pouco favorável. A reunião não provocou uma queda relevante dos juros reais, não ampliou a liquidez do sistema e tampouco enfraqueceu o dólar de maneira estrutural. Além disso, a inflação cheia permanece em 4,2%, ainda distante da meta de 2%. 

Para o Bitcoin, isso significa continuar inserido em um ambiente de incerteza e juros mais altos por mais tempo, combinação que aumenta sua dependência de entradas de capital e de catalisadores próprios para sustentar uma recuperação. 

O Bitcoin voltou a uma zona decisiva 

Do ponto de vista técnico, o cenário melhorou. O Bitcoin recuou até uma região que, em ciclos anteriores, coincidiu com o encerramento das principais quedas: a média de preço paga pelos investidores ao longo dos últimos quatro anos. Agora, o ativo flutua em torno desse nível. 

Movimentos semelhantes ocorreram no fim de 2018, durante o choque de março de 2020 e na formação do fundo de 2022. 

A profundidade da correção também merece atenção. Desde o pico próximo dos US$ 126 mil, o Bitcoin chegou a acumular uma queda de aproximadamente 50%. É um movimento expressivo, apesar de ainda inferior aos recuos entre 76% e 84% observados no encerramento de ciclos anteriores. 

A ressalva é que permanecer nessa região não significa que um piso definitivo tenha sido estabelecido. A melhora técnica torna os preços mais interessantes, sobretudo para quem investe com horizonte mais longo, mas ainda não confirma o início de uma nova tendência de alta. 

Nesta fase, o maior risco não está necessariamente em deixar de acertar o fundo exato, mas em perseguir cada repique como se a virada já estivesse consolidada. 

Cada ativo que carregue a própria cruz 

A melhora do ambiente geopolítico retirou uma fonte importante de pressão dos mercados, mas não resolveu os problemas específicos do Bitcoin. O ativo ainda enfrenta saídas dos ETFs, vendas por parte das mineradoras e sinais de desgaste entre as empresas que construíram grandes tesourarias em cripto. Em conjunto, esses fatores ajudam a explicar por que o Bitcoin não acompanhou o avanço das bolsas norte-americanas. 

A inteligência artificial (IA) segue disputando capital 

O Bitcoin passou a disputar dinheiro, energia e atenção com uma das principais teses de investimento dos últimos anos: a inteligência artificial. Essa concorrência não significa que o capital institucional tenha abandonado os ativos digitais, mas mostra que, diante de uma alternativa com maior momentum e resultados mais tangíveis, parte dos investidores preferiu trocar de mesa. 

A inteligência artificial já faz parte do cotidiano, seus produtos são utilizados em larga escala e seus avanços podem ser acompanhados quase em tempo real. Isso torna a tese mais fácil de compreender e defender, especialmente diante de um Bitcoin que atravessa um período de poucos catalisadores próprios. Essa mudança aparece tanto nos fluxos dos ETFs quanto na estratégia das próprias mineradoras. 

Os ETFs de Bitcoin perderam fôlego 

Entre meados de maio e o início de junho, os ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos registraram sua pior sequência de resgates desde o lançamento, em 2024. Foram treze pregões consecutivos de saídas, somando aproximadamente US$ 4,4 bilhões. 

No mesmo período, as ações ligadas à inteligência artificial avançaram com força. O capital institucional não desapareceu, mas encontrou uma alternativa mais atraente no curto prazo. 

Treze pregões consecutivos de saídas dos ETFs de Bitcoin 

Fonte: Farside Investors

As mineradoras estão mudando de lado 

As mineradoras também deixaram de exercer o mesmo papel de sustentação observado em outros momentos do ciclo. Empresas que antes conseguiam manter parte relevante dos Bitcoins produzidos passaram a vender suas reservas com maior frequência. 

A compressão das margens passa, antes de tudo, pelo halving, evento programado que ocorre aproximadamente a cada quatro anos e reduz pela metade a quantidade de Bitcoin recebida por bloco. Com menos BTC entrando no caixa e um preço que também não tem colaborado, a receita das mineradoras fica pressionada. Ao mesmo tempo, os custos com energia, equipamentos e manutenção continuam elevados, comprimindo ainda mais a rentabilidade do setor. 

Diante desse aperto, vender parte da produção e das reservas deixou de ser apenas uma escolha e passou a ser uma necessidade para muitas empresas. A pressão aumenta com a corrida pela inteligência artificial: algumas mineradoras perceberam que sua infraestrutura energética e seus centros de processamento podem gerar retornos mais atraentes quando direcionados aos data centers. 

Para manter as operações e financiar essa transição, o setor já vendeu mais de 15 mil Bitcoins. Assim, agentes que antes funcionavam como acumuladores estruturais passaram a adicionar oferta em um momento de demanda mais fraca. 

As tesourarias de cripto começaram a despertar dúvidas 

Outro ponto de atenção são as DATs, empresas que levantam dinheiro no mercado para comprar e manter criptoativos em caixa. Durante boa parte do ciclo, elas funcionaram como uma fonte importante de demanda. Esse movimento, porém, perdeu força: o valor de seus ativos caiu de aproximadamente US$ 220 bilhões para US$ 140 bilhões, e poucas companhias ainda conseguem captar novos recursos com facilidade. 

A maior delas é a Strategy, de Michael Saylor. Seu modelo consiste, de forma simplificada, em emitir ações e outros papéis para levantar dinheiro e comprar mais Bitcoin. Enquanto o mercado confia nessa estratégia e aceita continuar financiando a empresa, o mecanismo se retroalimenta. 

O problema é que essa confiança começou a enfraquecer. Um dos sinais veio da Stretch (STRC), ação preferencial da Strategy que paga dividendos de 11,5% ao ano. Mesmo oferecendo esse retorno elevado, o papel caiu para perto de sua mínima histórica e passou a negociar abaixo do valor pelo qual foi emitido. 

Isso não significa que a Strategy esteja prestes a vender seus Bitcoins. Mostra, porém, que o mercado passou a questionar se esse modelo é sustentável no longo prazo. Caso a desconfiança aumente, a empresa pode encontrar mais dificuldade para captar dinheiro, reduzir suas compras e, em um cenário mais extremo, precisar vender parte das reservas para cumprir suas obrigações. 

Esse risco ainda não se concretizou, mas merece atenção. A Strategy foi o maior comprador marginal de Bitcoin dos últimos anos. Se ela deixasse de comprar — ou passasse a vender —, o mercado perderia uma fonte relevante de demanda e receberia uma nova pressão de oferta. Isso poderia provocar uma queda no preço, fragilizar outras empresas que adotaram a mesma estratégia e criar um efeito em cadeia. 

O futuro regulatório já não está mais tão “claro” 

O CLARITY Act é o principal projeto para encerrar a zona cinzenta regulatória do mercado cripto nos Estados Unidos, definindo com mais clareza as atribuições da SEC e da CFTC. A proposta avançou na Câmara e no Comitê Bancário do Senado, mas ainda precisa conciliar diferentes versões do texto, reunir 60 votos e resolver divergências sobre as salvaguardas exigidas pelos democratas. 

O impasse deixou de ser apenas técnico e passou a ser político. Com poucas semanas de atividade no Senado antes do recesso de agosto, o tempo joga contra. Cynthia Lummis, uma das principais defensoras do setor, alertou que, caso o projeto não seja aprovado neste ano, a discussão pode ficar fora da agenda até 2030. 

Por enquanto, portanto, a aprovação continua próxima de um cara ou coroa — importante demais para ser ignorada, mas incerta demais para ser tratada como cenário-base. 

Um risco distante, mas que entrou no radar 

A computação quântica ainda é um risco de cauda, com horizonte de vários anos, mas deixou de ser apenas uma discussão teórica. Uma máquina suficientemente avançada poderia, no futuro, reconstruir chaves privadas a partir de informações já expostas na blockchain, colocando em risco milhões de Bitcoins. 

Isso não significa que a rede esteja próxima de ser quebrada. O ponto de atenção está na velocidade dos avanços e no tempo necessário para migrar o Bitcoin para padrões de segurança resistentes à computação quântica. 

A inteligência artificial adiciona outra camada a essa discussão. Ela pode acelerar a pesquisa de novos materiais, o desenho de chips, a correção de erros e a busca por formas mais eficientes de operar computadores quânticos. Em outras palavras, a IA não quebra a criptografia do Bitcoin diretamente, mas pode encurtar o caminho até máquinas capazes de fazê-lo. 

O tema ganhou relevância porque estimativas recentes reduziram significativamente o número de qubits necessários para um ataque, enquanto instituições como BlackRock e Morgan Stanley passaram a mencionar esse risco nos prospectos de seus ETFs. A ameaça ainda não é imediata, mas, diante da combinação entre avanços quânticos e inteligência artificial, o relógio para preparar a transição pode correr mais rápido do que se imaginava. 

Vale a pena comprar Bitcoin agora?

Para quem ainda não investe em Bitcoin ou pretende aumentar sua exposição com um horizonte de prazo mais alongado, pelo menos 12 meses, as faixas atuais começam a oferecer pontos interessantes para novos aportes. 

Isso não significa, porém, que seja o momento de entrar com todo o capital de uma só vez. No curto prazo, os fundamentos ainda abrem margem para uma nova correção, rumo à região dos US$ 50 mil em caso de perda da zona atual em torno dos US$ 60 mil. 

Por isso, a estratégia mais equilibrada passa por compras fracionadas. Dessa forma, o investidor começa a montar posição em uma região tecnicamente relevante, mas preserva capital para aproveitar preços mais baixos caso o cenário volte a se deteriorar. 

Em outras palavras, não é preciso acertar o fundo exato. O mais importante é construir a posição de maneira gradual, respeitando o horizonte de investimento e a possibilidade de novas oscilações pelo caminho.

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Selic: gestores da Faria Lima cravam juros altos por mais tempo, aponta pesquisa; confira

As expectativas para as taxas de juros permanecem tão firmes quanto alguns goleiros desta Copa do Mundo. Essa opinião foi coletada pela pesquisa da série Os Melhores Fundos de Investimentos, da Empiricus Research.

A pesquisa buscou entender a visão de 30 gestores de multimercados sobre o nível da taxa Selic, para os próximos três anos e no longo prazo.

Leitura da Selic para 2026 e 2027 piora

As opiniões dos gestores, que somam mais de R$ 160 bilhões de patrimônio líquido em suas estratégias da classe, estão representadas em dot plot (gráfico de pontos), como é possível observar abaixo.

O modelo de gráfico em dot plot é tradicionalmente usado nos EUA para representar as projeções de cada membro do FOMC para a taxa básica de juros dos EUA.

Analisando a percepção do Brasil, o analista Alexandre Alvarenga comenta: “O dot plot veio mais duro ao longo de toda a curva para a taxa brasileira. A mediana para 2026 subiu de forma relevante e sugere menos espaço para cortes no curto prazo.”

O gráfico aponta que predomina entre os gestores a percepção de uma Selic entre 14,00% e 14,25% ao final do ano.

Além disso, Alvarenga também nota que houve uma piora na leitura para 2027 e no longo prazo, indicando que o mercado passou a embutir uma Selic estruturalmente alta por mais tempo, em linha com uma inflação ainda desconfortável e maior cautela com a convergência do juro real.

“O descolamento em relação ao Boletim Focus reforça a mensagem de prêmio de risco mais elevado na precificação dos juros. O movimento não é só de revisão no curto prazo, mas também no longo prazo”, reforça Alvarenga.

Na segunda-feira (15), o Focus elevou a estimativa para a taxa Selic ao fim do ano de 13,50% para 13,75%.

“No Brasil, pioraram de forma clara as leituras sobre inflação e fiscal. A combinação de inflação ainda pressionada, dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e menor espaço para afrouxamento monetário manteve o ambiente mais difícil para ativos locais”, afirma o analista.

Além dos juros brasileiros, a pesquisa da Empiricus também se aprofundou na percepção dos gestores sobre os juros dos EUA e o pontos relevantes sobre o sentimento macroeconômico e a percepção do nível de risco.

“O dotplot americano ficou mais hawkish no médio prazo. A mediana para 2026 subiu de forma relevante, sugerindo menos cortes no horizonte próximo, enquanto 2027 e 2028 também avançaram, o que indica maior disposição do FOMC (Comitê de política monetária dos EUA) em manter a taxa acima do nível neutro por mais tempo”, comenta Alvarenga.

Diante dessa deterioração do quadro inflacionário, Alexandre Alvarenga e a equipe de analistas da Empiricus Research seguem diariamente se debruçando sobre os principais eventos e indicadores econômicos.

É com base nesses estudos que eles conseguem montar carteiras de investimento atualizadas para o investidor ter a chance de buscar lucros nesse cenário.

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Mesmo diante de um cenário ainda turbulento por fatores econômicos e geopolíticos, os analistas da Empiricus Research seguem buscando oportunidades de investimento. Seja na bolsa de valores ou em outras classes de investimento, o objetivo é que o investidor brasileiro consiga posicionar seu portfólio no panorama atual de forma a mitigar prejuízos e otimizar as chances de lucros.

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Pela trigésima-nona vez, ‘dessa vez é diferente’: e como ficam as criptomoedas?

O cenário macro pouco mudou desde nossa última edição. O Bitcoin segue em lateralização, testando a faixa dos US$ 60 mil, região técnica mais importante deste ciclo, defendida em fevereiro e novamente colocada à prova agora. 

No curtíssimo prazo, a queda foi aliviada por dois fatores: um CPI americano marginalmente melhor do que o esperado no núcleo, que reduziu parte da pressão imediata sobre os juros, e uma nova declaração de Donald Trump de que um acordo de paz com o Irã estaria próximo, reacendendo a expectativa de normalização gradual do Estreito de Ormuz e derrubando o petróleo. 

Mas o alívio ainda é frágil. Segundo levantamento da CNN, esta foi a 39ª vez que Trump afirmou que um acordo estaria próximo desde o início do conflito e, até aqui, nenhuma das promessas anteriores se concretizou. Ao mesmo tempo, a inflação segue acima da meta do Fed, enquanto o Banco Central Europeu elevou juros nesta semana pela primeira vez desde 2023. 

Nesta edição, explicamos por que esse conjunto ajuda a sustentar o Bitcoin acima dos US$ 60 mil no curto prazo, mas ainda não basta para falar em virada de tendência — e o que fazer com o portfólio nesse meio-tempo. 

Macro: alívio no petróleo, mas inflação ainda resistente 

No curtíssimo prazo, o principal alívio para os mercados veio do petróleo. O brent, principal referência internacional da commodity, voltou a recuar e segue formando fundos mais baixos. Esse movimento sugere que o mercado continua retirando parte do prêmio geopolítico incorporado desde a escalada no Oriente Médio. 

A leitura por trás desse ajuste é simples. Apesar dos percalços e da ausência de um acordo formal, o cenário-base ainda parece ser o de uma resolução gradual do conflito. A expectativa de normalização do Estreito de Ormuz reduz o risco de um choque prolongado de energia, o que ajuda a aliviar as expectativas de inflação e, por consequência, parte da pressão sobre os juros. 

Isso não elimina o risco geopolítico nem muda, sozinho, o pano de fundo macroeconômico. Mas ajuda a explicar por que os ativos de risco ganharam fôlego nos últimos dias — e por que o Bitcoin conseguiu, ao menos por ora, defender a região dos US$ 60 mil. 

Petróleo Brent — formação de fundos mais baixos 

Fonte: TradingView

Ainda assim, o quadro inflacionário segue desconfortável. O CPI americano de maio veio marginalmente melhor no núcleo, medida que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia. Mas a composição do dado ainda não foi suficiente para alterar a leitura de médio prazo. Componentes mais persistentes, como moradia e serviços médicos, seguem pressionados, enquanto o índice cheio permanece distante da meta de 2% do Federal Reserve. 

Um dado isolado ajuda a reduzir a pressão imediata sobre os juros, mas não resolve o problema. Enquanto a inflação continuar persistente, o mercado seguirá convivendo com a expectativa de juros altos por mais tempo e, no limite, com a discussão sobre novas altas. 

Essa dinâmica não está restrita aos Estados Unidos. Nesta semana, o Banco Central Europeu elevou os juros em 25 pontos-base, levando a taxa de depósito para 2,25% — a primeira alta desde 2023. O movimento refletiu a combinação de inflação ainda acima da meta, energia pressionada e risco de contaminação para componentes mais persistentes da economia. 

Em resumo, o alívio recente melhora o ambiente de curto prazo, mas ainda não muda o quadro principal. Liquidez global segue pressionada, e ainda há pouca visibilidade sobre quando as condições financeiras voltarão a melhorar de forma consistente. Para o Bitcoin e, por consequência, para o mercado cripto, esse segue sendo um dos fatores centrais a monitorar.

O que isso significa para o Bitcoin (BTC)?

Para o Bitcoin, a mensagem principal é que ainda há espaço para repiques, mas não há confirmação de uma nova tendência de alta. 

O ativo segue negociando em uma região decisiva. A faixa dos US$ 60 mil tem funcionado como ponto de defesa relevante e conversa com o antigo topo do ciclo de 2021, uma referência técnica importante para o mercado. Enquanto esse nível for preservado, o cenário mais provável continua sendo de lateralização, com movimentos alternados de recuperação e realização. 

É por isso que nossos modelos seguem apontando para um regime de reversão à média. Em vez de uma tendência clara, o Bitcoin ainda opera dentro de uma faixa ampla de preços. Nesses momentos, o risco não está apenas em cair, mas também em comprar repiques como se fossem o início de uma nova pernada de alta. 

Caso os US$ 60 mil sejam perdidos, o próximo suporte relevante aparece próximo dos US$ 50 mil. Com as informações disponíveis hoje, essa faixa aparece como uma candidata natural a marcar uma região de fundo caso a correção se aprofunde. 

Por isso, a postura recomendada segue sendo de cautela. Faz sentido manter caixa, reduzir exposição a ativos mais voláteis e concentrar a parte cripto da carteira em nomes de maior qualidade e liquidez, com o Bitcoin ocupando papel central. 

Para o investidor de longo prazo, porém, a região atual já começa a oferecer uma janela interessante para compras fracionadas. O Bitcoin foi um dos melhores ativos da última década e, para quem acredita no crescimento estrutural dos ativos digitais, momentos de estresse como o atual podem abrir boas oportunidades de entrada gradual. 

Para quem busca exposição a esse mercado, a carteira Crypto Momentum tem se mostrado, até o momento, uma opção ainda mais interessante que o próprio Bitcoin. A estratégia é tão simples quanto comprar BTC, mas conta com gestão ativa de risco e seleção criteriosa de ativos. Desde o lançamento, tem superado com consistência o Bitcoin. 

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Regulação: tão perto, mas tão longe 

No front regulatório, a semana trouxe um capítulo frustrante para o projeto mais importante do setor nos Estados Unidos. 

O Clarity Act — legislação que moderniza a estrutura regulatória de ativos digitais americana, cobrindo stablecoins, estrutura de mercado e tributação — travou em mais um impasse, dessa vez ético. Um grupo bipartidário tentou incluir no texto uma provisão que permitiria os procuradores-gerais estaduais processarem o Departamento de Justiça caso esse não aplicasse normas éticas relacionadas aos negócios cripto do próprio presidente Trump, estimados em US$ 2,3 bilhões. 

Os republicanos recuaram de imediato, alegando que a medida seria constitucionalmente problemática, e a reunião de negociação terminou sem acordo. 

O relógio corre contra o setor. Restam apenas 31 dias de sessão legislativa antes do recesso de agosto, prazo informal que o próprio mercado usa como referência. Se o projeto não avançar até lá, corre o risco de ser engolido pela agenda do segundo semestre, tipicamente dominada por disputas orçamentárias. 

O projeto segue bipartidário no espírito e tecnicamente avançado, tão perto quanto nunca esteve. Mas a política cripto nos EUA é inseparável da política americana em geral, e o desfecho das próximas semanas será decisivo. Hoje, os mercados de previsão atribuem 49% de chance para o Clarity Act ser sancionado ainda em 2026. Na prática, a probabilidade de aprovação se aproxima do resultado de jogar uma moeda para cima. 

Fonte: Polymarket

Diante dos impasses recentes e a corrida contra o tempo, nosso viés passa a ser neutro/pessimista. A legislação ainda pode avançar, mas o equilíbrio de probabilidades já não permite tratar a aprovação neste ano como cenário-base, o que reforça o momento de cautela.

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Ibovespa hoje: Copa do Mundo, conta fiscal para 2027, petróleo e IA voltam ao ‘radar’ de mercado

A escalada militar entre Estados Unidos e Irã voltou a ocupar o centro do cenário global após uma nova rodada de ataques americanos contra sistemas de vigilância, comunicação e defesa aérea iranianos, seguida por retaliações de Teerã contra instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait, Bahrein e Jordânia.

Apesar do aumento das tensões, declarações de Donald Trump indicando maior controle sobre o Estreito de Ormuz contribuíram para reduzir parte das preocupações imediatas com o abastecimento global de petróleo, favorecendo uma acomodação das cotações da commodity ao longo da manhã.

Ainda assim, o conflito permanece no radar dos investidores, dada sua capacidade de influenciar a inflação, o crescimento econômico e as decisões de política monetária em diferentes regiões do mundo, com novas ameaças envolvendo a tomada da Ilha de Kharg pelas forças americanas.

Na Europa, as atenções se concentram na decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 2,25% ao ano, em resposta às pressões inflacionárias associadas à alta dos preços de energia. Mais relevante do que a decisão em si será a comunicação da autoridade monetária sobre os próximos passos do ciclo de juros.

Os investidores buscam sinais que permitam avaliar se o BCE pretende dar continuidade ao aperto monetário ou adotar uma abordagem mais gradual diante de uma economia que já apresenta sinais de desaceleração, em um ambiente impactado pela guerra. Na agenda, o índice de preços ao produtor americano também chama a atenção.

00:52 — Bomba fiscal?

O ambiente doméstico continuou sendo influenciado pelo aumento da aversão ao risco global provocado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Nesse cenário, o Ibovespa recuou 0,70%, na última quarta (10), encerrando o pregão aos 168.619 pontos, em linha com o desempenho das principais bolsas internacionais. Já o dólar permaneceu praticamente estável, cotado a R$ 5,17.

A valorização do petróleo ajudou a limitar perdas mais expressivas no mercado acionário ao sustentar empresas ligadas ao setor de commodities. Notadamente, é possível assumir que a trajetória recente do real tem sido explicada principalmente por fatores domésticos, em especial riscos fiscais e políticos, enquanto os choques internacionais exerceram influência relativamente menor sobre o comportamento da moeda.

Em contrapartida, a curva de juros voltou a abrir, refletindo tanto o ambiente externo mais desafiador quanto as preocupações persistentes com inflação e juros elevados nos Estados Unidos.

Na frente econômica e fiscal, os investidores acompanharam com atenção a aprovação, pelo Senado, do projeto que amplia os mecanismos de renegociação de dívidas rurais com potencial utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal.

Embora o texto ainda precise retornar à Câmara dos Deputados, o Ministério da Fazenda alertou para impactos fiscais relevantes, estimados entre R$ 140 bilhões e mais de R$ 800 bilhões ao longo da próxima década, além de possíveis distorções na oferta de crédito ao agronegócio.

Ao mesmo tempo, os juros dos títulos públicos permaneceram pressionados pela combinação de déficits elevados, crescimento da dívida pública e custos de financiamento em patamares historicamente altos. A conta a ser paga inevitavelmente em 2027 fica cada vez maior.

Para completar, os dados do setor de serviços vieram acima das expectativas, reduzindo ainda mais o espaço para uma flexibilização da política monetária e reforçando a percepção de que o Banco Central deverá adotar uma postura cautelosa nas próximas decisões sobre a taxa de juros.

01:47 — Complicando a vida do Federal Reserve

Nos Estados Unidos, os mercados voltaram a enfrentar uma sessão de elevada volatilidade, com o Nasdaq recuando quase 2% e liderando as perdas em meio à continuidade da realização de lucros nas empresas ligadas à inteligência artificial e ao setor de semicondutores.

Parte desse movimento reflete uma natural rotação de capital após meses de forte valorização, mas também incorpora preocupações crescentes em relação à sustentabilidade dos investimentos em IA, à alta dos preços do petróleo e à perspectiva de juros elevados por mais tempo.

Embora o CPI de maio tenha mostrado uma desaceleração do núcleo da inflação na margem, o índice cheio acelerou para 4,2% em 12 meses, pressionado principalmente pelo avanço dos preços de energia em meio às tensões no Oriente Médio.

O resultado ajudou a reduzir os receios de uma deterioração inflacionária mais intensa no curto prazo, mas pouco alterou a percepção de que o Federal Reserve deverá manter uma postura cautelosa nos próximos meses. Com isso, as atenções do mercado se voltam agora para a divulgação do PPI, que veio acima do esperado nesta manhã, e para os componentes que influenciam o núcleo do PCE, principal indicador de inflação acompanhado pelo banco central americano.

No campo corporativo, a Oracle voltou a demonstrar a força da demanda por infraestrutura voltada à inteligência artificial, mas seus resultados não foram suficientes para sustentar o entusiasmo dos investidores.

O episódio reforça uma característica importante do atual estágio do ciclo: a tese estrutural de inteligência artificial permanece válida, mas os investidores passaram a exigir resultados cada vez mais robustos para justificar os níveis de valuation alcançados nos últimos meses, tornando o ambiente mais sensível a sinais de desaceleração.

02:34 — O interminável conflito

Os Estados Unidos voltaram a atacar alvos iranianos pelo segundo dia consecutivo, aprofundando a escalada militar no Oriente Médio e tornando ainda mais remotas as perspectivas de uma trégua duradoura no curto prazo.

A ofensiva teve como alvo sistemas de defesa aérea, radares, estruturas militares e redes de comunicação, enquanto Donald Trump intensificou a pressão sobre Teerã para que aceite um acordo capaz de prolongar o cessar-fogo e restabelecer a normalidade no Estreito de Ormuz.

Em resposta, o governo iraniano elevou o nível de prontidão de suas Forças Armadas, promoveu ataques contra as posições americanas na região e reiterou que não pretende negociar sob pressão militar.

O episódio reforça a percepção de que o cessar-fogo firmado em abril perdeu grande parte de sua efetividade, ampliando os riscos para a estabilidade regional e para o abastecimento global de energia.

Embora o cenário-base ainda contemple alguma normalização ao longo do tempo, os mercados passaram a trabalhar com a hipótese de preços estruturalmente mais elevados para a energia, tornando a evolução do conflito e seus potenciais impactos sobre a inflação global fatores centrais para a dinâmica dos ativos nas próximas semanas.

03:28 — Turbinando os investimentos

A China avalia investir cerca de US$ 295 bilhões nos próximos cinco anos na construção de uma rede nacional de data centers voltada à inteligência artificial. Um dos mais ambiciosos projetos de infraestrutura tecnológica já planejados pelo país.

A iniciativa pretende integrar centros de computação distribuídos pelo território chinês em uma única rede nacional, operada por empresas estatais de telecomunicações e apoiada em fornecedores domésticos, como a Huawei. Mais do que uma expansão de capacidade tecnológica, o projeto reflete a visão cada vez mais consolidada de Pequim de que poder computacional é um ativo estratégico, comparável à infraestrutura de energia, transporte ou telecomunicações, além de reforçar os esforços para reduzir a dependência de tecnologias dos Estados Unidos.

A estratégia concentra parte relevante dessa expansão em regiões de menor custo energético, como Mongólia Interior, Ningxia e Gansu, onde a disponibilidade de energia e espaço favorece operações de grande escala voltadas ao processamento de inteligência artificial.

O plano também acompanha a rápida evolução do ecossistema chinês de IA, que já reúne mais de 6.200 empresas e movimenta cerca de US$ 180 bilhões por ano. Em conjunto, esses investimentos evidenciam a disposição da China de consolidar uma infraestrutura tecnológica própria e disputar posições de liderança na próxima etapa da corrida global por inteligência artificial nos próximos anos.

04:16 — É dada a largada na Copa do Mundo

Paralelamente ao início da Copa do Mundo de 2026 nesta quinta-feira, a FIFA vem enfrentando críticas crescentes em razão de sua política de preços dinâmicos, que transformou esta edição na mais caras da história do torneio. Apesar da expectativa de forte demanda, cerca de 180 mil ingressos ainda permaneciam disponíveis no portal oficial de revenda, incluindo milhares de entradas para a partida de estreia da seleção dos Estados Unidos.

Desde a abertura das vendas, em outubro de 2025, os preços passaram por sucessivos reajustes, acumulando alta média de 35% na maioria dos jogos. Na final, os ingressos das categorias mais premium chegaram a aproximadamente US$ 33 mil, enquanto até mesmo as opções mais acessíveis custam mais de três vezes o valor observado na Copa do Mundo do Catar, em 2022, que já tinha sido considerada cara.

O resultado foi uma reação negativa de torcedores, especialistas e parte da imprensa esportiva, levantando questionamentos sobre até que ponto a busca por receitas adicionais comprometeu a acessibilidade do evento.

Sob a ótica financeira, contudo, a estratégia ainda pode se mostrar bem-sucedida. A FIFA projeta arrecadar cerca de US$ 11 bilhões com a Copa do Mundo de 2026, dos quais aproximadamente US$ 3 bilhões devem vir da venda de ingressos (mais de três vezes o montante obtido com bilheteria na edição anterior).

Ainda assim, a entidade enfrenta desafios reputacionais e regulatórios relevantes. A recente queda nos preços do mercado secundário sugere que a demanda pode não ter sido tão robusta quanto o esperado nos níveis inicialmente praticados, enquanto autoridades de alguns estados americanos já iniciaram investigações relacionadas a alegações de escassez artificial de ingressos e cobrança de preços excessivos.

O episódio ilustra o delicado equilíbrio entre maximizar receitas e preservar a experiência do torcedor no maior evento esportivo do mundo. Resta agora aproveitar os jogos ao longo das próximas semanas.

05:03 — Transporte de cargas

A Amazon acaba de dar mais um movimento estratégico que remete diretamente à fórmula responsável pelo sucesso da AWS: transformar uma infraestrutura originalmente desenvolvida para atender necessidades internas em uma plataforma de serviços escalável para terceiros.

Ao abrir sua operação de transporte de cargas fracionadas (LTL) para empresas externas, independentemente de elas utilizarem ou não seu marketplace, a companhia passa a competir diretamente com operadores tradicionais de logística apoiada em uma rede que reúne cerca de 80 mil caminhões, 24 mil contêineres e um elevado grau de automação.

A reação do mercado foi imediata, com quedas expressivas nas ações de empresas como Old Dominion e FedEx, refletindo a preocupação de que um setor historicamente protegido passe a enfrentar a mesma pressão competitiva que varejistas, empresas de tecnologia e provedores de infraestrutura digital já experimentaram após a entrada da Amazon.

Para os investidores, o episódio reforça uma das principais virtudes da companhia: a capacidade de extrair novas fontes de receita a partir de ativos já existentes, ampliando seu mercado endereçável sem a necessidade de investimentos proporcionais.

Mais do que o lançamento de um novo serviço, a iniciativa sinaliza o potencial surgimento de uma nova vertical de negócios baseada em logística, replicando a lógica que transformou a AWS em uma das operações mais rentáveis do grupo.

Embora o impacto financeiro imediato deva ser limitado diante da escala da Amazon, o movimento fortalece a tese de longo prazo ao aumentar a utilização de sua infraestrutura, ampliar a integração de seu ecossistema e abrir novas avenidas de crescimento.

Nesse contexto, seguimos enxergando a Amazon como uma das companhias mais bem posicionadas para capturar tendências estruturais ligadas à digitalização, logística, inteligência artificial e serviços empresariais.

Para o investidor brasileiro, as BDRs AMZO34 continuam oferecendo uma forma eficiente de acessar essa tese diretamente pela B3, com exposição a uma empresa que segue expandindo sua atuação para mercados cada vez maiores e mais estratégicos.

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Enquanto criptomoedas sangram, uma ação ligada ao setor dispara; por que será?

O mercado de criptomoedas está passando por algumas semanas difíceis. O Bitcoin (BTC) caiu abaixo de US$ 64 mil e chegou a atingir a marca de US$ 59,1 mil (um pouco abaixo da mínima de fevereiro) na semana passada, com US$ 1,8 bilhão em apostas alavancadas liquidadas em uma única sessão.

Mas enquanto o BTC despencava, a Galaxy Digital (Nasdaq: GLXY), empresa de serviços financeiros nativa do universo das criptomoedas, chegava a subir 30% no pico intraday da segunda-feira (8).

No último dia 5 de junho, o Morgan Stanley começou a encaminhar seus clientes de gestão de patrimônio em cripto para a Galaxy.

Clientes que já possuem BTC, ETH ou SOL agora podem entregar esses ativos à Galaxy, que cria novos ETPs (produtos negociados em bolsa) de cripto à vista, e os devolve diretamente para a conta de corretagem do cliente.

Fonte: Twitter | X

Tudo isso sem nenhuma promoção no meio, e é exatamente esse o objetivo

A venda gera um fato gerador de imposto, mas esta troca em espécie elimina completamente essa tributação.

As taxas, por si só, não vão impulsionar a receita da Galaxy, que cobra de 15 a 25 pontos-base por conversão. Mas cada corretora ou gestora que encaminha operações com criptomoedas para a Galaxy representa mais um passo para que a empresa se torne parte integrante do sistema financeiro tradicional, sempre que se tratar de criptomoedas.

Ou seja, a empresa topa abrir mão de receita agora para ganhar confiança e credibilidade, e converter isso em receita no futuro.

Além disso, seu CEO, Mike Novogratz, destacou no último fim de semana o potencial do Helios, campus de data centers para inteligência artificial (IA) da companhia situado no Texas. A aposta é ambiciosa: transformar o projeto no maior campus de data center único dos Estados Unidos, posicionando a Galaxy em um dos segmentos mais aquecidos do mercado global.

Os números ajudam a explicar o entusiasmo. A CoreWeave, uma das principais empresas de infraestrutura para IA, já garantiu toda a capacidade inicial de 800 MW (megawatts) do projeto por meio de um contrato de arrendamento de 15 anos. Sozinho, o acordo deve gerar mais de US$ 1 bilhão em receita anual para a Galaxy.

O campus possui 1,6 GW (gigawatts) de capacidade já aprovada, o dobro do volume contratado até agora, e potencial para alcançar 3,5 GW nas próximas fases de expansão.

Com a geração de energia já em andamento, a expectativa é que a receita do Helios comece a aparecer nos resultados do segundo trimestre da Galaxy. Na prática, o mercado está prestes a enxergar a empresa não apenas como ligada ao setor cripto, mas também como uma operação relevante de infraestrutura para IA.

Isso ajuda a explicar por que as ações GLXY vêm apresentando um comportamento mais próximo das empresas de inteligência artificial do que das tradicionais ações expostas ao mercado de criptomoedas.

Enfim, mesmo em um mercado pressionado, algumas empresas ligadas ao setor cripto continuam entregando resultados e atraindo a atenção dos investidores.


Variações semanais (20/05/26 a 10/06/26)

  • ₿ Bitcoin (BTC): US$ 61.793 | Var. -19,92%
  • ♦ Ethereum (ETH): US$ 1.631 | Var. -22,96%
  • 🟠 Dominância Bitcoin: 63,46% | Var. +4,60%
  • 🌐 Valor total do mercado cripto: US$ 2,1 tri | Var. -17,65%
  • 💵 Valor de mercado de stablecoins: US$ 316,058 bi | Var. -1,83%
  • 📊 Valor total travado (TVL) em DeFi: US$ 70,02 bi | Var +15,45%

*dados referentes ao fechamento em 10/06/26


Tópicos da semana

E o Bitcoin (BTC)?

– O Bitcoin (BTC) caiu abaixo de US$ 63 mil pela primeira vez desde fevereiro, em meio a uma forte pressão vendedora de investidores de longo prazo. Carteiras que não movimentavam fundos há mais de 155 dias venderam cerca de US$ 2,4 bilhões nos primeiros dias de junho.

Esse movimento desencadeou aproximadamente US$ 1,5 bilhão em liquidações de posições compradas alavancadas, e ampliou para 13 dias consecutivos a sequência de saídas líquidas dos ETFs spot de Bitcoin.

Segundo analistas da Presto Research, a queda está relacionada à concorrência de ativos como ouro e ações ligadas à inteligência artificial, enquanto investidores revisam suas expectativas sobre possíveis cortes de juros pelo Federal Reserve nos EUA.

Ademais, a volatilidade implícita de 30 dias atingiu o maior nível desde abril, e o padrão predominante do mercado tem sido a venda durante as altas de preço (distribuição), em vez da compra durante as quedas (acumulação).

Debandada dos ETFs de BTC

– Os ETFs spot de Bitcoin registraram saídas líquidas de US$ 3,4 bilhões em apenas uma semana, encerrando um período de 13 dias consecutivos de resgates, que somaram US$ 4,37 bilhões. Trata-se da maior sequência de retiradas desde o lançamento desses produtos, no início de 2025.

O movimento reflete um sentimento mais cauteloso por parte dos investidores institucionais em relação aos ativos de risco, incluindo criptomoedas. A magnitude dos resgates também levantou dúvidas sobre o grau de comprometimento dos investidores de ETFs com estratégias de longo prazo, contrariando expectativas anteriores de que esses produtos serviriam principalmente como veículos de acumulação sustentada de Bitcoin.

Conhece a Zodia Custody?

– A Zodia Custody obteve uma licença de instituição de pagamentos concedida pela CSSF de Luxemburgo, ampliando sua atuação além da custódia de criptoativos para oferecer serviços completos relacionados a stablecoins em toda a União Europeia.

A autorização complementa a estrutura regulatória já existente sob o MiCA, e permite que a empresa atue na camada de pagamentos, realizando o recebimento, armazenamento e transferência de valores em stablecoins.

Além disso, a licença garante direitos de “passaporte europeu”, possibilitando que a Zodia opere em todos os países-membros da UE sem precisar solicitar aprovações regulatórias separadas em cada jurisdição, fortalecendo sua posição na expansão da infraestrutura de pagamentos digitais no bloco.


A inteligência artificial está quebrando as criptomoedas?

No último episódio do Crypto Never Sleeps, recebemos Rafael Castaneda (Casta Crypto), co-fundador e COO da Oxus Finance, para destrinchar o que realmente está acontecendo com o mercado de criptomoedas.

Assista ao episódio aqui:

Aviso obrigatório
Este conteúdo é apenas informativo e tem como objetivo compartilhar insights e análises sobre o mercado. Não constitui recomendação de investimento, e qualquer decisão financeira deve ser feita com base em sua própria análise e, preferencialmente, com o apoio de profissionais qualificados.

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Ibovespa hoje (10): nova escalada militar no Oriente Médio, inflação norte-americana, pesquisa eleitoral e mais destaques

A nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os mercados globais após forças americanas realizarem ataques contra alvos iranianos em resposta à derrubada de um helicóptero Apache nas proximidades do Estreito de Ormuz.

Teerã prometeu retaliar e respondeu com ataques contra algumas posições americanas na região, enquanto países do Golfo elevaram seus níveis de alerta diante do risco de ampliação do conflito. Apesar do aumento das tensões, a reação dos mercados permaneceu relativamente contida.

O petróleo chegou a avançar de forma mais expressiva, mas devolveu parte dos ganhos após a confirmação de que a operação americana havia sido concluída, reduzindo os temores de uma interrupção imediata do fluxo de petróleo pela principal rota energética do mundo.

Paralelamente, a atenção dos investidores migrou rapidamente para a inflação americana. Após um payroll mais forte do que o esperado e uma significativa reprecificação dos juros globais, o CPI de maio passou a ocupar o centro das atenções como principal determinante da direção dos mercados no curto prazo.

Ao mesmo tempo, sinais de inflação mais elevada na China e no Japão reforçam a percepção de que o cenário global segue marcado pela combinação de riscos geopolíticos e pressões inflacionárias persistentes.

· 00:57 — A conta vai chegar

O mercado brasileiro apresentou uma performance relativamente resiliente na terça-feira, com o Ibovespa avançando 0,68% após três sessões consecutivas de queda, enquanto o dólar encerrou o dia praticamente estável, a R$ 5,18.

O movimento ocorreu na contramão das principais bolsas internacionais, pressionadas pela realização de lucros em ações de tecnologia e pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Entre os destaques do dia, o governo passou a discutir medidas para mitigar os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação, incluindo a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina e iniciativas voltadas à redução da carga tributária sobre combustíveis.

É possível que novas medidas sejam anunciadas nessa direção, embora parte delas possa aumentar as preocupações em torno da trajetória fiscal, especialmente em um ambiente já marcado por elevado grau de incerteza sobre as contas públicas.

No campo político, a agenda doméstica segue intensa. O Senado deve analisar a PEC que amplia a autonomia orçamentária do Banco Central, em um momento em que a credibilidade da política monetária continua sendo um ativo relevante para a economia brasileira.

Uma maior proteção institucional tende a reduzir percepções de interferência política na condução da autoridade monetária, fortalecendo a previsibilidade e a eficácia das decisões de juros, especialmente em um contexto de inflação persistente e condições financeiras mais apertadas.

Paralelamente, a crescente disputa global por minerais críticos levou Estados Unidos e União Europeia a intensificarem esforços para garantir acesso às reservas brasileiras de terras raras, reforçando a relevância estratégica do país na nova geopolítica dos recursos naturais.

Por fim, no cenário eleitoral, pesquisa Genial/Quaest mostrou o presidente Lula liderando as intenções de voto para 2026, tanto no primeiro turno quanto no segundo turno contra Flávio Bolsonaro. O levantamento também apontou desgaste para o senador após os recentes episódios envolvendo seu nome, tema que passou a influenciar a percepção de uma parcela relevante do eleitorado, inclusive entre grupos tradicionalmente mais alinhados ao bolsonarismo.

Em disputas polarizadas, a capacidade de preservar apoio entre eleitores independentes e de centro costuma desempenhar papel decisivo, o que torna esse movimento um elemento importante para o acompanhamento do cenário político nos próximos meses.

· 01:45 — Uma inflação contaminada

A recuperação das ações de semicondutores mostrou-se passageira, com o setor voltando a liderar as perdas em Wall Street diante de uma combinação de realização de lucros, preocupações com possíveis excessos de valuation associados à inteligência artificial e da migração de recursos para o aguardado IPO da SpaceX.

Apesar da fraqueza observada nas empresas de tecnologia, a maior parte dos setores do S&P 500 encerrou o pregão em alta, enquanto a volatilidade também foi influenciada por novos desdobramentos geopolíticos envolvendo Estados Unidos e Irã. O movimento reforça a percepção de que os mercados atravessam um período marcado por oscilações mais frequentes, elevada sensibilidade ao fluxo de notícias e um retorno gradual da atenção dos investidores aos fundamentos econômicos.

Nesse contexto, as atenções se voltam para a divulgação do CPI de maio nos Estados Unidos, considerado o principal evento macroeconômico da semana. Como era esperado, houve uma aceleração da inflação anual de 3,8% para 4,2%, impulsionada principalmente pelo avanço dos preços de energia, enquanto o núcleo do índice, que exclui itens mais voláteis, subiu de 2,8% para 2,9%, sugerindo que parte das pressões inflacionárias começa a se disseminar por outros segmentos da economia.

Após um payroll mais forte do que o esperado e a recente reprecificação dos juros globais, o dado ganha relevância adicional por seu potencial de influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Tal dinâmica de inflação pode reacender as discussões sobre novas elevações de juros (o que ainda acho improvável).

· 02:39 — Mercado não acredita na escalada

Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra alvos iranianos em resposta à derrubada de um helicóptero Apache nas proximidades de Omã, episódio que voltou a elevar as tensões no Oriente Médio.

Embora Donald Trump continue afirmando que um acordo com o Irã poderia ser alcançado em poucos dias, os acontecimentos recentes apontam para uma escalada do conflito. O governo iraniano prometeu retaliar as ações americanas, Israel ampliou suas operações contra o Hezbollah no Líbano e autoridades de Teerã passaram a alertar sobre os riscos enfrentados por forças estrangeiras posicionadas próximas ao território iraniano. Até o momento, cerca de 14 militares americanos morreram no conflito, enquanto o número de vítimas no Irã e no Líbano já ultrapassa 7 mil pessoas.

Apesar da deterioração do ambiente geopolítico, a reação dos mercados permaneceu relativamente contida. O petróleo voltou a subir, o dólar ganhou força e as bolsas asiáticas recuaram, mas os investidores parecem interpretar os ataques americanos como limitados e ainda compatíveis com a continuidade das negociações diplomáticas. Em meio a sinais contraditórios sobre o futuro do conflito e das conversas envolvendo o programa nuclear iraniano, a atenção dos mercados segue concentrada nos dados de inflação dos Estados Unidos.

· 03:24 — Um novo passo no mercado de inteligência artificial

A Anthropic anunciou o Claude Fable 5, uma versão mais segura e restrita de seu avançado modelo Mythos, que até recentemente era considerado poderoso demais para ser disponibilizado amplamente ao público.

O novo sistema incorpora mecanismos de segurança capazes de bloquear consultas potencialmente sensíveis, redirecionando temas como armas biológicas e segurança cibernética para modelos menos sofisticados. Paralelamente, a companhia segue ampliando o acesso ao Claude Mythos 5 apenas para parceiros selecionados, com o objetivo de identificar vulnerabilidades e aperfeiçoar seus protocolos de segurança. O lançamento ocorre em um momento particularmente relevante para a empresa, que recentemente abriu capital e alcançou uma avaliação próxima de US$ 965 bilhões.

Ao mesmo tempo, o superciclo de semicondutores impulsionado pela inteligência artificial continua ganhando força. Diferentemente dos ciclos anteriores, normalmente associados à reposição de estoques ou a oscilações de curto prazo na demanda por eletrônicos, o movimento atual parece refletir uma expansão estrutural da infraestrutura global de IA.

A forte demanda por chips de memória avançados, servidores especializados e componentes voltados para data centers vem impulsionando receitas, preços e ações do setor, especialmente em polos estratégicos como Coreia do Sul e Taiwan. Nesse contexto, Taiwan avalia endurecer as restrições à exportação de chips de inteligência artificial para a China, em alinhamento com os Estados Unidos, reforçando o caráter cada vez mais geopolítico da disputa tecnológica global.

· 04:12 — Megagasoduto

Após décadas tratados como projetos excessivamente caros e de execução complexa, dois megagasodutos africanos voltaram ao centro das atenções em meio à busca global por novas fontes de energia.

De um lado, Argélia, Níger e Nigéria avançam com o Gasoduto Transaariano; de outro, o Marrocos defende uma rota alternativa pela costa atlântica, conectando a Nigéria ao norte da África. Impulsionados pelas mudanças geopolíticas provocadas pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, os projetos refletem não apenas a necessidade europeia de diversificar o abastecimento de gás, mas também a histórica disputa por influência entre Marrocos e Argélia.

Apesar dos custos elevados, dos desafios de financiamento e dos riscos de segurança ao longo do Saara, a crescente demanda por segurança energética torna essas iniciativas mais plausíveis do que em qualquer outro momento das últimas décadas. A grande questão, agora, não é mais a relevância estratégica desses projetos, mas a capacidade de transformá-los em realidade.

· 05:06 — Qualidade operacional em um setor mais seletivo

A conversa do nosso time com a gestão da Multiplan reforçou nossa percepção de que a companhia continua operando em um patamar diferenciado dentro do setor de shoppings. A empresa segue apoiada em um portfólio de ativos dominantes, localizados em regiões estratégicas e cada vez mais adaptados às novas dinâmicas de consumo.

O fluxo de visitantes passou a depender menos das tradicionais lojas âncora e mais de experiências, gastronomia, entretenimento e serviços, um movimento que tem permitido à companhia aprimorar continuamente seu mix de lojistas e sustentar um desempenho operacional superior à média do mercado.

Do ponto de vista operacional, a expectativa continua sendo de crescimento de vendas acima do setor, impulsionado tanto pela qualidade dos ativos quanto pela captura de valor das recentes expansões em empreendimentos como Morumbi Shopping, BH Shopping e BarraShopping.

Embora a reforma tributária e fatores sazonais, como a Copa do Mundo, possam gerar ruídos no curto prazo, a administração entende que a qualidade dos ativos e a capacidade de reciclagem do portfólio tendem a mitigar boa parte desses impactos. Em alguns casos, esse processo pode inclusive abrir espaço para a entrada de novas marcas e operadores mais alinhados ao posicionamento premium dos empreendimentos.

Na frente financeira, a companhia segue demonstrando elevada disciplina de capital. A venda de participações minoritárias em alguns ativos contribuiu para a redução da alavancagem, enquanto a sólida geração de caixa preserva a flexibilidade financeira e pode abrir espaço para uma remuneração mais robusta aos acionistas.

Com FFO yield projetado ao redor de 9%, potencial de dividend yield próximo de 6% e ações negociando a cerca de 11 vezes o FFO esperado para 2027, entendemos que a Multiplan (MULT3) continua reunindo uma combinação atrativa de ativos de alta qualidade, balanço sólido e valuation descontado, permanecendo bem posicionada para capturar uma eventual melhora do ambiente macroeconômico e do varejo nos próximos anos.

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Ibovespa hoje (8): da euforia à cautela, mercados iniciam semana com inflação, guerra e inteligência artificial (IA) no radar

O início da semana foi marcado por uma mudança relevante de humor nos mercados globais. A combinação entre a intensificação das tensões no Oriente Médio, a correção das ações ligadas à inteligência artificial (IA) e a revisão das expectativas para a trajetória dos juros nos Estados Unidos levou investidores a adotar uma postura mais cautelosa.

Os confrontos entre Israel e Irã voltaram a ganhar intensidade, elevando os riscos para a estabilidade da região e impulsionando o petróleo para próximo de US$ 100 por barril. Ao mesmo tempo, o forte relatório de emprego dos EUA reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter uma postura mais restritiva por mais tempo, pressionando os rendimentos dos títulos públicos americanos e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital. 

O impacto foi particularmente visível no setor de tecnologia e inteligência artificial, principal motor dos mercados ao longo dos últimos meses. Após a queda superior a 4% do Nasdaq na sexta-feira (5), bolsas asiáticas com forte exposição à cadeia global de semicondutores registraram correções expressivas, com destaque para o Kospi sul-coreano, que recuou mais de 8%.

A combinação entre dados econômicos robustos, juros mais elevados, avaliações exigentes e uma realização natural de lucros após um rali expressivo ajudou a desencadear o movimento. Ainda assim, a recuperação parcial dos futuros americanos e as declarações construtivas de executivos como Jensen Huang, da Nvidia, sugerem que o mercado continua enxergando a inteligência artificial como uma tendência estrutural de longo prazo, embora agora inserida em um ambiente potencialmente mais seletivo e volátil. 

A agenda desta semana adiciona novos elementos a esse cenário. As atenções estarão voltadas para os dados de inflação, além da decisão de política monetária do Banco Central Europeu e dos desdobramentos no mercado de energia.  

· 00:58 — Semanas difíceis 

O mercado brasileiro encerrou mais uma semana sob pressão, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos que continuam desafiando os ativos locais. O Ibovespa recuou 2,74% no período, registrando sua oitava semana consecutiva de queda, a sequência mais longa desde 1994, enquanto o dólar avançou para R$ 5,16, atingindo seu maior patamar no ano.

O principal catalisador do movimento veio dos Estados Unidos, onde o relatório de emprego (payroll) surpreendeu positivamente ao apontar a criação de 172 mil vagas em maio, mais que o dobro das expectativas do mercado. O resultado reforçou a percepção de que a economia americana segue resiliente, reduzindo as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve e impulsionando os rendimentos dos títulos públicos americanos. Como consequência, o dólar ganhou força globalmente, o fluxo de recursos para mercados emergentes enfraqueceu e os ativos brasileiros voltaram a sofrer pressão. 

No cenário doméstico, o ambiente permanece igualmente desafiador. A combinação entre inflação ainda resistente, atividade econômica mais forte do que o esperado e incertezas em relação ao quadro fiscal levou os investidores a revisarem suas expectativas para a política monetária. Com isso, a possibilidade de manutenção da Selic ganhou espaço, enquanto as apostas em novos cortes de juros se tornaram mais limitadas.

Esse movimento se refletiu diretamente na curva de juros, pressionando especialmente os ativos mais sensíveis ao custo de capital, como ações voltadas ao mercado interno e setores mais dependentes das condições financeiras. Nos próximos dias, as atenções estarão concentradas na divulgação do IPCA de maio, nos dados do setor de serviços e nas atualizações do Boletim Focus, indicadores que serão fundamentais para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central e a trajetória dos mercados brasileiros ao longo do restante do mês. 

· 01:41 — Semana de dados de inflação 

O foco dos mercados nesta semana estará concentrado nos dados de inflação dos Estados Unidos, especialmente no CPI de maio, que será divulgado na quarta-feira (10). A atenção é justificada porque o mercado de trabalho voltou a surpreender positivamente. O payroll mostrou criação de 172 mil vagas, praticamente o dobro do esperado, enquanto as revisões dos meses anteriores também vieram para cima, reforçando a percepção de uma economia que continua crescendo em ritmo saudável.

Embora a taxa de desemprego tenha permanecido em 4,3% e existam alguns sinais de moderação em segmentos específicos do mercado de trabalho, o conjunto dos dados sugere que a atividade econômica segue resiliente. Nesse contexto, os números de inflação ganham importância ainda maior, pois ajudarão a determinar se essa força da economia está ou não se traduzindo em novas pressões sobre os preços. 

As implicações para a política monetária são relevantes. Um CPI mais forte pode reforçar a visão de que o Federal Reserve precisará manter os juros elevados por mais tempo, ou até considerar novas altas em 2026, cenário que vem ganhando espaço entre algumas instituições financeiras. Isso tende a pressionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, elevando as taxas dos juros de mercado e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital.

Foi justamente essa dinâmica que ajudou a provocar a recente realização de lucros em ações de tecnologia, após meses de forte valorização impulsionada pela inteligência artificial. Em outras palavras, os mercados entram na semana tentando responder a uma pergunta central: a economia americana continua forte o suficiente para sustentar os lucros corporativos sem reacender a inflação? A resposta terá impacto direto sobre a curva de juros, o dólar e o comportamento das bolsas globais. 

· 02:39 — Sinais de escalada 

A guerra entre Israel e Irã continua sendo um dos principais focos de atenção dos mercados globais. Apesar das tentativas de cessar-fogo e das negociações conduzidas pelos Estados Unidos, os confrontos seguem ocorrendo por meio de ataques diretos, ações de grupos aliados ao Irã e novas tensões em pontos estratégicos da região, como o Líbano e o Mar Vermelho.

Até aqui, o mercado de petróleo mostrou uma resiliência maior do que a esperada, com o Brent estabilizado próximo de US$ 100 por barril, bem abaixo dos cenários mais pessimistas que chegaram a projetar preços entre US$ 150 e US$ 200. Isso ocorreu graças à utilização de estoques estratégicos, ao aumento das exportações americanas, à manutenção de fluxos relevantes pelo Estreito de Ormuz e à desaceleração da demanda em países como a China. Ainda assim, os próximos meses podem ser mais desafiadores, especialmente se houver novas interrupções logísticas ou uma escalada do conflito. 

Ao mesmo tempo, o equilíbrio do mercado de energia permanece delicado. Estima-se que cada mês adicional de restrições no fluxo de petróleo pode pressionar ainda mais os preços, enquanto a OPEP+ continua elevando gradualmente sua produção para compensar parte dos riscos de oferta.

Nos Estados Unidos, Donald Trump mantém uma postura firme em relação ao Irã, condicionando qualquer flexibilização de sanções a avanços concretos nas negociações de paz. O resultado é um cenário em que os mercados seguem monitorando simultaneamente geopolítica, oferta de petróleo e decisões dos grandes produtores.

Embora o choque inicial tenha sido absorvido melhor do que muitos esperavam, a combinação entre conflito prolongado, riscos para rotas estratégicas de transporte e estoques globais mais apertados sugere que a energia continuará sendo uma das variáveis mais importantes para inflação, crescimento econômico e comportamento dos mercados nos próximos trimestres. 

· 03:23 — Debate aprofundado 

O debate sobre inteligência artificial ganhou novos contornos. A Anthropic, desenvolvedora do modelo Claude e uma das principais concorrentes da OpenAI, defendeu a possibilidade de uma desaceleração temporária no desenvolvimento dos sistemas mais avançados de IA. A empresa argumenta que o ritmo atual de evolução da tecnologia pode superar a capacidade de adaptação das instituições, da regulação e das pesquisas de segurança, sugerindo que uma eventual pausa só faria sentido se fosse adotada globalmente e acompanhada de mecanismos de verificação.

Ao mesmo tempo, o governo Donald Trump publicou uma nova ordem executiva sobre inteligência artificial, optando por uma abordagem mais leve do que a inicialmente cogitada. A proposta prevê que o governo tenha um prazo de 30 dias para analisar novos modelos de inteligência artificial antes de seu lançamento ao público. A proposta preserva algum grau de supervisão sobre novos modelos, mas evita medidas mais rígidas que poderiam reduzir a competitividade das empresas americanas frente à China. 

Enquanto isso, os efeitos da inteligência artificial já começam a aparecer de forma concreta no mercado de trabalho. As empresas de tecnologia dos EUA anunciaram mais de 38 mil demissões apenas em maio, o maior volume em quase dois anos, e os cortes acumulados em 2026 já superam 123 mil vagas. Em muitos casos, a própria IA passou a ser citada como motivo para a reestruturação das equipes. Ainda assim, o quadro não é inteiramente negativo. O setor também lidera as intenções de contratação para os próximos anos, refletindo uma transformação da demanda por trabalho, mais do que uma simples destruição de empregos.

Em outras palavras, a inteligência artificial continua avançando como uma das principais forças de mudança da economia global, gerando ganhos de produtividade e novas oportunidades, mas também exigindo adaptação de empresas, trabalhadores e governos a um mercado cada vez mais moldado pela tecnologia, que promete revolucionar a economia global. 

· 04:14 — Limite populacional? 

A Suíça se aproxima de um referendo com potencial para gerar impactos econômicos relevantes. A proposta, conhecida como “Não aos 10 milhões”, busca limitar a população do país a 10 milhões de habitantes, exigindo uma redução significativa do ritmo de imigração nas próximas décadas.

Os defensores argumentam que o país enfrenta pressões crescentes sobre infraestrutura, habitação, transporte e serviços públicos, enquanto os críticos alertam que a medida pode restringir a oferta de mão de obra em uma economia altamente dependente de profissionais qualificados vindos do exterior. Grandes empresas, especialmente dos setores de tecnologia e farmacêutico, demonstraram preocupação com possíveis dificuldades para atrair talentos internacionais, considerados essenciais para a competitividade do país. 

As implicações podem ir além do mercado de trabalho. Um limite rígido à imigração entraria em conflito com o princípio da livre circulação de pessoas, um dos pilares da relação entre a Suíça e a União Europeia. Isso abre espaço para tensões diplomáticas e comerciais com o principal parceiro econômico do país, responsável por grande parte de suas exportações e investimentos.

Em última instância, o debate reflete uma questão que vem ganhando força em diversas economias desenvolvidas: como equilibrar crescimento econômico, demanda por trabalhadores qualificados e pressões sociais associadas ao aumento da imigração em mercados desenvolvidos. 

· 05:06 — Um evento que chama a atenção 

A Apple (Nasdaq: AAPL) inicia hoje sua tradicional Worldwide Developers Conference (WWDC), principal evento anual da companhia voltado a desenvolvedores, software e inovação. Embora historicamente a conferência seja utilizada para apresentar atualizações dos sistemas operacionais da empresa, a edição deste ano carrega uma relevância especial para investidores.

Após as críticas recebidas pela primeira geração do Apple Intelligence e os atrasos na implementação de recursos mais avançados de inteligência artificial, o mercado espera que a companhia apresente uma resposta mais robusta para a crescente competição com OpenAI, Google, Microsoft e outras líderes da corrida pela IA. Não por acaso, a WWDC é vista como uma oportunidade para a Apple demonstrar que possui uma estratégia para a grande onda tecnológica. 

O principal destaque esperado é uma profunda reformulação da Siri. Segundo as indicações, a assistente virtual deverá incorporar recursos de inteligência artificial generativa, utilizando modelos Gemini, do Google, além de ganhar maior capacidade de compreender contexto pessoal, interpretar informações exibidas na tela e executar tarefas mais complexas em diferentes aplicativos do ecossistema Apple.

Também existe expectativa para o lançamento de uma versão independente da Siri, em formato semelhante aos atuais chatbots de IA, potencialmente abrindo espaço para novas formas de monetização. Além disso, investidores acompanham possíveis atualizações dos sistemas operacionais da companhia, adaptações para novos formatos de hardware e avanços na integração entre dispositivos, elementos que podem reforçar a competitividade do ecossistema Apple nos próximos anos. 

Embora o mercado costume reagir de forma cautelosa aos anúncios da WWDC no curto prazo, o evento possui relevância para a tese de investimento. Mais do que apresentar novos produtos, a Apple precisa convencer investidores de que está preparada para ocupar um papel relevante na era da IA.

Em nossa visão, a empresa continua reunindo atributos difíceis de replicar, como uma base extremamente fiel de usuários, forte capacidade de geração de caixa, integração única entre hardware e software e uma das marcas mais valiosas do mundo. Caso a WWDC consiga demonstrar avanços concretos na estratégia de IA, o evento poderá representar um passo importante para reforçar a confiança dos investidores na capacidade da companhia de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas ao longo da próxima década, incluindo os investidores brasileiros expostos às BDRs AAPL34. 

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IA que vai buscar lucros de até R$ 1.960 semanais tem acesso liberado hoje (8); veja como reservar já o seu

A Empiricus Research vai liberar acessos para os interessados em conhecer o Delta IA a partir das 19h desta segunda-feira (8). Os investidores que registrarem seu interesse com antecedência no software poderão receber os acessos em breve. 

Para quem ainda não conhece, esta automação busca lucros no mercado de criptomoedas de forma 100% automatizada. Se você chegou neste texto antes do lançamento da ferramenta, aproveite a chance de deixar seu nome na lista prévia e já ficar por dentro dos próximos passos:

INSCREVA-SE PARA CONHECAR O DELTA IA

Saiba mais sobre as operações do Delta IA que podem chegar até R$ 1.960 por semana

O Delta IA foi lançado este ano como a primeira inteligência artificial automatizada do Brasil voltada para operações de long & short em criptomoedas.

Na prática, isso significa que a tecnologia atua em compra e venda de ativos digitais, buscando oportunidades de retorno em diferentes cenários do mercado. A proposta da ferramenta é permitir que o investidor possa buscar ganhos explorando justamente a diferença entre essas posições.

De acordo com resultados de backtests da estratégia:

  • Em períodos de queda do mercado, a projeção foi de lucros de até R$ 1.960 por semana;
  • Já em cenários de alta, a projeção alcançou retornos potenciais de até R$ 1.420 por sexta-feira.

Os resultados têm como base testes realizados nos últimos seis anos, com os desempenhos em destaque relativos a junho de 2020 (+50,6%) e outubro de 2021 (+35,3%), respectivamente.

Conforme explica Valter Rebelo, “o diferencial desta ferramenta está na execução automatizada das operações”. Ele é especialista em ativos digitais da Empiricus Research e responsável pelo desenvolvimento da estratégia do Delta IA.

“Enquanto outras inteligências artificiais apenas fornecem análises ou sugestões, o Delta IA opera o mercado de forma ativa. O investidor pode simplesmente acompanhar e copiar as operações realizadas pela estratégia”, afirma Rebelo.

O analista relembra que o mercado de criptomoedas tem riscos, por isso, os investidores devem alocar com parcimônia. “Sem arriscar todo o seu patrimônio, acredito que você ainda se expõe a esse potencial”.

Por isso, é sempre bom lembrar que rentabilidade passada não representa garantia de ganhos futuros e todo investimento envolve riscos e pode gerar perdas.

Para apresentar o funcionamento da tecnologia, esclarecer dúvidas e detalhar a metodologia utilizada, Rebelo e a equipe de especialistas em criptomoedas da Empiricus irão promover um evento online gratuito nesta segunda-feira (8).

VEJA COMO PARTICIPAR DO LANÇAMENTO DO DELTA IA

Outro ponto que chama atenção na estratégia é a dinâmica semanal das operações –especialmente às sextas-feiras.

É nesse dia que o robô realiza o rebalanceamento automatizado da carteira, selecionando:

  • 10 ativos com maior potencial de valorização para operações compradas;
  • 10 ativos com mais chance de queda para operações vendidas.

Com etapas simples, a ferramenta desenvolvida por experts no mercado permite que até mesmo usuários com pouca experiência possam ir em busca da conquista de uma renda extra. A boa notícia é que a oportunidade para conhecer o Delta IA de perto está próxima. Veja como, a seguir.

Está chegando a hora: garanta sua vaga na lista de pré-interessados no relançamento do Delta IA

Como falamos anteriormente, se você estiver lendo este texto antes da noite de segunda-feira (8), ainda pode registrar seu nome na lista de pré-reserva para acessar o Delta IA.

Para isso, é só clicar no botão ao final da matéria. Após a inscrição, você receberá mais detalhes sobre a ferramenta e como acessá-la.

O registro inicial é gratuito:

PARTICIPE DO EVENTO E CONHEÇA O DELTA IA

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Petróleo em alta, tarifas no radar e juros elevados: especialista aponta oportunidade em meio ao cenário conturbado

Os mercados globais iniciaram junho sob a influência de velhas preocupações e de novos fatores de risco que voltaram a ganhar destaque nos últimos dias. Em um ambiente marcado por incertezas, que vão da escalada das tensões no Oriente Médio às ameaças tarifárias, investidores buscam estratégias para proteger seus portfólios e identificar oportunidades em meio à volatilidade.

Este foi um dos assuntos abordado no Morning Call, do BTG Pactual, com participação do estrategista da Empiricus Research, Matheus Spiess, e do responsável pelo segmento de fundos indexados passivos e ETFs e sócio do BTG Pactual, Eduardo Miquelotti.

O que está na mira dos mercados em junho?

No campo geopolítico, o conflito no Oriente Médio ganhou desdobramentos com a nova rodada de ataques entre EUA e Irã, que elevou o preço do barril de petróleo do tipo brent ao patamar de US$ 98.

As preocupações tarifárias também voltaram à cena na última terça-feira (2), com a recente ofensiva norte-americana contra cerca de 60 parceiros comerciais.

A medida do governo Donald Trump prevê uma alíquota mínima de 10% para produtos originários de economias como Canadá, México, União Europeia, Reino Unido e Taiwan, enquanto países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Suíça e Brasil poderão ser submetidos a tarifas de 12,5%.

No caso brasileiro, o tema é ainda mais relevante por surgir logo após a recomendação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros no âmbito de outra investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), relacionada à Seção 301, na segunda-feira (1).

Em um ambiente de pressão inflacionária e incertezas, Spiess vê o Banco Central brasileiro “forçado a pausar o ciclo de corte de juros”. O BTG Pactual, inclusive, revisou as projeções para a Selic terminal para 14,5%, o que representaria um corte de 50 pontos-base na próxima reunião, seguido de uma pausa.

“Existem muitas pressões que impedem aquela projeção de orçamento de corte de juros que existia no começo do ano. Não significa que não possamos retomar essa pauta em um segundo momento, mas, no curto prazo, na falta de uma âncora fiscal, precisamos de uma âncora monetária que segure as pontas”, disse Spiess.

Em um cenário como este, é natural que os ativos de risco sofram. No Brasil, o Ibovespa, que chegou a atingir os 198 mil pontos em abril, devolveu parte dos ganhos de 2026 e tenta sustentar os 170 mil pontos.

Por outro lado, o setor de tecnologia dos EUA, principalmente voltado à inteligência artificial continua a mostrar resiliência, destaca o analista Matheus Spiess.

Não por acaso, os principais índices norte-americanos, como Nasdaq e S&P 500, têm renovado as máximas históricas com frequência em meio ao ambiente conturbado.

Especialista aponta oportunidade em meio à nova onda de turbulência global?

Eduardo Miquelotti, do BTG Pactual, destaca que em um cenário como este, os ETFs podem ser uma boa maneira de se expor à diferentes teses sem sair da Bolsa brasileira.

No caso do investimento em empresas voltadas à inteligência artificial, Miquelotti cita o GENB11, um produto desenvolvido pelo BTG Pactual composto por BDRs das companhias americanas do setor de tecnologia.

“Estamos falando de [empresas de] semicondutores, como Nvidia, de pagamentos, como Mastercard e Visa, da parte de defesa e também empresas techs conhecidas, como Alphabet, Amazon, Google, Netflix, Apple e mais”, destacou.

Dessa maneira, continua o sócio do BTG Pactual, o investidor brasileiro consegue “investir em dezenas de companhias americanas, mantendo a exposição cambial e tendo uma parcela do investimento nesse perfil de ativos”.

Um outro ETF citado por Miquelotti é o CMDB11, que, até o fechamento de maio, registrou alta de 17% em 2026 – mais que o dobro do Ibovespa no período. Trata-se de um produto que investe em companhias brasileiras vinculadas ao ecossistema de commodities, como Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4) e mais.

“Em um ambiente de pressão inflacionária e preço do petróleo brent mais alto, o investidor consegue se beneficiar desse movimento investindo de forma super acessível”, afirmou Miquelotti.

Entre os benefícios dos ETFs para os investidores, Miquelotti destaca o que chamou de “cinco pilares dos ETFs”:

  • Vantagem tributária;
  • Alta liquidez;
  • Eficiência de custos;
  • Transparência; e
  • Flexibilidade.

“Os investidores brasileiros cada vez mais começaram a entender a funcionalidade dos ETFs, que basicamente são uma ferramenta para dar acesso à construção de um portfólio para qualquer perfil de ativo que ele queira acessar”, aponta.

Para assistir ao Morning Call completo, com todas as análises de Matheus Spiess e Eduardo Miquelotti, basta clicar no player abaixo:

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EUA vs. Pix? Entenda o que está por trás da polêmica e como isso pode mexer com seus investimentos

A discussão em torno do Pix voltou a ganhar relevância esta semana, após o sistema de pagamentos instantâneos ser citado em uma investigação comercial dos Estados Unidos.

Na visão do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), em pesquisa a pedido do presidente Donald Trump, o Pix pode representar uma vantagem “injusta” com capacidade de restringir o comércio americano.

O debate aparenta se concentrar na infraestrutura da transferência. Sem intermediários e sem muitas etapas, um pagamento por Pix é feito de forma instantânea, pelo celular, 24 horas por dia e sem cobrança de taxas.

Segundo dados do Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas (cerca de 80% da população brasileira) usufruem da plataforma.

Desde o lançamento no final de 2020 até o final de 2025, estima-se que o Pix já movimentou R$ 85 trilhões em transações, mais de 7 vezes o PIB do Brasil em 2024, aponta a fintech Ebanx.

Pix pode ser o primeiro capítulo de uma disrupção financeira, segundo analista

Na visão do analista de macroeconomia da Empiricus Research, Matheus Spiess, “o sistema brasileiro demonstrou que pagamentos instantâneos podem substituir parte da intermediação tradicional do sistema bancário”.

O mercado global de pagamentos movimenta trilhões de dólares por ano e historicamente foi dominado por redes privadas que atuam como intermediárias das transações financeiras.

O que mobiliza o mercado agora é a perspectiva de que o Pix pode ser o passo inicial para uma transformação mais ampla da infraestrutura financeira.

“Muitos enxergam nessa evolução uma prévia do papel que as stablecoins poderão desempenhar em escala global. Em 2025, essas moedas digitais movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em transações, superando o volume processado em conjunto por Visa e Mastercard (US$ 25 trilhões)”, compara o analista.

A tendência, segundo Spiess, aponta para um sistema financeiro cada vez mais rápido, eficiente, global e programável, em que o Pix pode ser apenas um dos primeiros capítulos.

Em cenários de transformação acelerada como esse, acompanhar os movimentos do mercado e entender seus possíveis desdobramentos torna-se um diferencial para quem busca tomar decisões de investimento mais bem fundamentadas.

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O post EUA vs. Pix? Entenda o que está por trás da polêmica e como isso pode mexer com seus investimentos apareceu primeiro em Empiricus.

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Mercados entre a resiliência dos ativos de risco e a intensificação das tensões no Oriente Médio; veja os destaques desta quarta (3)

Os mercados globais iniciam o dia divididos entre a resiliência dos ativos de risco e a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Com a recente escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, marcada por ataques a alvos estratégicos, tentativas de ofensivas com drones e novas ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, o petróleo voltou a avançar e se aproxima de US$ 98 por barril, refletindo os riscos para a oferta global de energia, enquanto investidores monitoram atentamente a possibilidade de novos desdobramentos militares capazes de influenciar inflação, crescimento econômico e política monetária em diversas regiões do mundo.

Nos Estados Unidos, a agenda econômica ganha relevância com a divulgação do relatório ADP de criação de empregos no setor privado, dos PMIs de serviços e composto, dos estoques semanais de petróleo e do Livro Bege do Federal Reserve.

Além dos indicadores, o mercado acompanha discursos de dirigentes do Fed em busca de sinais sobre a trajetória dos juros. Paralelamente, Donald Trump voltou a defender uma nova rodada de tarifas sobre importantes parceiros comerciais, reforçando uma agenda mais protecionista que pode gerar pressões inflacionárias adicionais justamente em um momento em que o banco central americano ainda busca consolidar o processo de convergência da inflação para a meta.

Mesmo diante desse ambiente mais complexo, a principal força de sustentação dos mercados continua sendo o setor de tecnologia e inteligência artificial. O Nasdaq acumula forte recuperação desde as mínimas registradas em março, enquanto o S&P 500 renovou sucessivos recordes nas últimas semanas.

· 00:56 — Atividade aquecida

Apesar do aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o mercado brasileiro voltou a apresentar alguma recuperação, com o Ibovespa avançando após a forte correção observada nos últimos pregões.

Ainda assim, para hoje, o principal foco deve continuar sendo a ofensiva tarifária do governo americano. Além da proposta de tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros no âmbito da Seção 301, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a investigações envolvendo o comércio de bens produzidos com trabalho forçado, ampliando o grau de incerteza para exportadores e investidores.

Ainda assim, o impacto macroeconômico tende a ser relativamente limitado, uma vez que as exportações brasileiras para os Estados Unidos representam cerca de 2% do PIB, enquanto as medidas ainda estão passíveis de consultas públicas, negociações diplomáticas e eventuais contestações judiciais.

Paralelamente, o debate em torno do Pix ganhou relevância por representar uma transformação mais ampla da infraestrutura financeira.

Desde seu lançamento, o sistema brasileiro demonstrou que pagamentos instantâneos, disponíveis 24 horas por dia e a custos reduzidos, podem substituir parte da intermediação tradicional do sistema bancário.

Muitos enxergam nessa evolução uma prévia do papel que as stablecoins poderão desempenhar em escala global. Em 2025, essas moedas digitais movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em transações, superando o volume processado em conjunto por Visa e Mastercard.

A tendência aponta para um sistema financeiro cada vez mais rápido, eficiente, global e programável, no qual o Pix pode ser visto como um dos primeiros capítulos de uma transformação que tende a alcançar também os mercados de capitais e os ativos tokenizados.

Na agenda doméstica, os dados de produção industrial vieram acima das expectativas, reforçando a percepção de que a atividade econômica continua mais resiliente do que o esperado.

Para a política monetária, essa dinâmica se soma a um ambiente de inflação pressionada e expectativas em deterioração, reduzindo o espaço para novos cortes da Selic. Os fundamentos que sustentavam um ciclo mais prolongado de flexibilização perderam força diante da combinação entre inflação surpreendendo para cima, mercado de trabalho aquecido e crescimento econômico consistente.

Embora ainda seja possível observar mais um ajuste residual — ou, no máximo, dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual — a percepção predominante é de que o Banco Central se aproxima do fim do ciclo de redução dos juros, com elevada probabilidade de manutenção da taxa em patamar estável até o final do ano.

· 01:47 — E o rali continua apesar dos ruídos globais

Os Estados Unidos seguem no centro das atenções dos mercados globais, combinando uma economia ainda resiliente com um ambiente geopolítico e comercial cada vez mais complexo.

Apesar das tensões no Oriente Médio e da alta recente do petróleo, Wall Street permanece nas máximas históricas, sustentada principalmente pelo bom desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial.

Empresas como Nvidia, Alphabet, Anthropic e diversas companhias ligadas à infraestrutura tecnológica seguem anunciando investimentos bilionários, novas parcerias e captações de recursos para expandir data centers, redes e capacidade computacional.

Esse movimento reforça a percepção de que a inteligência artificial permanece como a principal narrativa estrutural dos mercados americanos, ajudando a sustentar lucros, atrair fluxo de capital e impulsionar o desempenho das bolsas, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

Isso depois de um relatório de rotatividade de mão de obra mais forte do que o esperado e de novas medidas tarifárias, que pode gerar novas pressões inflacionárias em um momento em que o Fed ainda busca consolidar a convergência da inflação para a meta.

Dessa forma, os mercados americanos seguem equilibrando três forças: a resiliência da economia, o impulso proporcionado pela inteligência artificial e os riscos crescentes associados à geopolítica e ao comércio.

· 02:34 — A sanha tarifária está de volta

As tensões comerciais voltaram ao centro das atenções após o governo Donald Trump propor novas tarifas de importação para cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. A medida prevê uma alíquota mínima de 10% para produtos originários de economias como Canadá, México, União Europeia, Reino Unido e Taiwan, enquanto países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Brasil e Suíça poderão ser submetidos a tarifas de 12,5%.

Embora a justificativa formal esteja relacionada a uma investigação sobre falhas no combate ao comércio de bens produzidos com trabalho forçado, a iniciativa também se insere em uma estratégia mais ampla de reconstrução da política tarifária da atual administração americana, após parte das medidas anteriores ter sido contestada judicialmente. O movimento reforça a percepção de que o protecionismo continuará ocupando papel relevante na agenda comercial dos Estados Unidos.

Para o Brasil, o tema ganha importância adicional porque surge logo após a recomendação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros no âmbito de outra investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), relacionada à Seção 301.

Embora ainda existam incertezas sobre uma eventual cumulatividade entre as diferentes medidas, o anúncio amplia o grau de incerteza para exportadores e investidores. Além disso, a discussão ocorre em um contexto internacional já marcado pela alta dos preços de energia e commodities em decorrência das tensões no Oriente Médio. Nesse ambiente, a nova ofensiva tarifária tem potencial para aumentar os custos de produção, pressionar a inflação global e elevar a volatilidade dos mercados financeiros ao longo dos próximos meses.

· 03:22 — Estão preparados para o Super El Niño?

O possível retorno do El Niño voltou a ganhar atenção após a Organização Meteorológica Mundial elevar para 80% a probabilidade de desenvolvimento do fenômeno até o fim de agosto.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e pelo enfraquecimento dos ventos alísios, o El Niño pode provocar mudanças relevantes nos padrões climáticos globais, ampliando o risco de secas, enchentes, incêndios florestais, furacões e outros eventos extremos em diferentes regiões.

Além disso, cresce a preocupação com a possibilidade de um “Super El Niño”, episódio mais intenso que poderia contribuir para temperaturas globais recordes em 2027. Historicamente, fenômenos dessa magnitude já produziram impactos econômicos importantes, afetando cadeias produtivas, pressionando preços de commodities e reduzindo o crescimento global.

Para os mercados, o tema vai além. Alterações nos regimes de chuva e temperatura podem afetar a produção agrícola, a oferta de alimentos, os custos de energia e a logística global, gerando pressões inflacionárias e influenciando decisões de política monetária.

No Brasil, os riscos são particularmente relevantes para o agronegócio e para a geração hidrelétrica: enquanto o Sul costuma enfrentar excesso de chuvas e maior risco de enchentes, Norte e Nordeste tendem a sofrer com temperaturas mais elevadas e períodos de seca.

Em um ambiente já marcado por preocupações com inflação e juros, o comportamento do Pacífico passa a ser uma variável econômica importante, reforçando que fatores climáticos também podem exercer influência significativa sobre crescimento, mercados e preços de ativos nos próximos trimestres.

· 04:15 — Nova expansão fiscal

O Japão anunciou um orçamento suplementar de cerca de US$ 19,4 bilhões, para mitigar os impactos da inflação e da alta dos preços das commodities associadas à instabilidade no Oriente Médio. O pacote inclui uma reserva de US$ 16 bilhões, destinada principalmente a subsídios para combustíveis, além de recursos para recompor reservas orçamentárias e apoiar governos regionais.

A medida, porém, exigirá nova emissão de dívida em um momento em que os investidores acompanham com atenção a trajetória fiscal do país e a recente alta dos rendimentos dos títulos públicos japoneses, movimento que reflete preocupações com inflação, aumento dos gastos públicos e o processo gradual de normalização monetária conduzido pelo Banco do Japão.

Ao mesmo tempo, o governo japonês voltou a demonstrar preocupação com a desvalorização do iene. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, reiterou que as autoridades estão preparadas para intervir no mercado cambial sempre que necessário, enquanto a moeda voltou a se aproximar de 160 ienes por dólar, patamar semelhante ao que motivou intervenções recentes.

Entre o fim de abril e maio, o governo gastou um valor recorde de aproximadamente US$ 73,5 bilhões para sustentar a moeda. O movimento evidencia o desafio enfrentado pelo Japão: equilibrar estímulos fiscais, inflação mais elevada, normalização gradual dos juros e a necessidade de evitar uma depreciação excessiva do iene, fatores que devem continuar influenciando os mercados japoneses nos próximos meses.

· 05:01 — Ainda dá para comprar?

Como comentei ontem, a Marvell Technology voltou ao centro das atenções do mercado após disparar 32% em um único pregão, impulsionada por declarações de Jensen Huang, CEO da Nvidia, que afirmou enxergar a companhia como a próxima potencial integrante do seleto grupo de empresas avaliadas em US$ 1 trilhão.

A fala ganhou peso adicional por vir de uma empresa que já investiu cerca de US$ 2 bilhões na Marvell e mantém uma parceria estratégica voltada à infraestrutura de inteligência artificial. A tese está diretamente ligada ao crescimento exponencial dos data centers de IA, que exigem soluções cada vez mais sofisticadas de conectividade, redes e componentes ópticos, áreas nas quais a Marvell ocupa posição relevante. Não por acaso, outras empresas ligadas ao segmento de óptica também registraram altas.

Mesmo após a expressiva alta recente, a empresa ainda está distante da marca simbólica de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Após o rali, a Marvell passou a valer aproximadamente US$ 254 bilhões, o que significa que ainda precisaria avançar cerca de 300% para atingir o patamar mencionado por Huang.

Naturalmente, trata-se de uma projeção ambiciosa e sujeita a riscos de execução, concorrência e ciclos do setor de tecnologia. Ainda assim, a companhia permanece bem posicionada em uma das áreas mais estratégicas da revolução da inteligência artificial: a infraestrutura necessária para conectar e alimentar os gigantescos data centers que sustentam esse crescimento.

Para investidores brasileiros, as BDRs M2RV34 (lá fora o ticker é MRVL na Nasdaq) seguem oferecendo uma forma acessível de capturar essa tendência estrutural por meio da B3, mantendo exposição a uma empresa que pode continuar se beneficiando da expansão global dos investimentos em IA nos próximos anos.

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Corpus Christi: Veja como vão funcionar os bancos e a bolsa de valores nesta quinta-feira (4)

O dia de Corpus Christi acontece este ano na quinta-feira (4 de junho). Porém, o que muitos esquecem é que a data é considerada um ponto facultativo nacional.

Por isso, cada estado e município podem adotar a data religiosa, desde que haja regulamentação local — o que pode permitir a emenda e prolongar o descanso.

Atualmente, 19 das 27 capitais brasileiras consideram a data como feriado. São elas: Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Macapá (AP), Manaus (AM), Natal (RN), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), São Paulo (SP), Teresina (PI) e Vitória (ES).

Haverá alterações no funcionamento de alguns serviços, incluindo a Bolsa de Valores e os bancos.

Abaixo, apresentamos um resumo sobre o funcionamento de alguns dos principais serviços, junto com os canais de atendimento da Empiricus:

Bolsa de Valores – B3

Neste próximo dia 4 de junho, não haverá negociação nos mercados de renda variável, incluindo ações, fundos imobiliários, ETFs, BDRs, derivativos e outros ativos.

Para o Tesouro Direto, não haverá negociação e confirmação de investimentos.

As operações da B3 retornarão na sexta-feira (5), em horário regular, das 10h às 17h. Assim, negociações no mercado, registros, contratações ou qualquer atividade serão suspensas no feriado.

Bancos

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) considera a data como feriado, estabelecendo que não haverá atendimento ao público no dia 4.

As compensações bancárias, como TEDs, não serão realizadas durante o feriado, mas o PIX funcionará normalmente 24 horas por dia.

Boletos de cobrança e contas de consumo (água, energia, telefonia, entre outras) com vencimento nesta quinta-feira (4) poderão ser pagos no dia útil seguinte.

Tributos e impostos com data de vencimento nos dias em que não haverá compensação bancária devem ter o pagamento antecipado, para evitar a incidência de juros e multa. Boletos bancários de clientes cadastrados como sacados eletrônicos podem ser pagos via DDA (Débito Direto Autorizado).

O atendimento das agências bancárias deve retomar normalmente na sexta-feira (5) nas cidades e municípios em que não houver outros feriados ou ponto facultativo.

Canais de atendimento da Empiricus Research

Os canais da Empiricus também terão o funcionamento alterado durante o feriado de Corpus Christi.

Não haverá expediente no dia 04 de junho.

Para falar com a Central de Relacionamento da Empiricus, você pode optar entre o contato via WhatsApp ou e-mail, informados a seguir:

  • E-mail: relacionamento@empiricus.com.br
  • WhatsApp: +55 11 94294-9778 (atendimento exclusivo por mensagem de texto)

Caso precise falar com a equipe, estaremos disponíveis na sexta-feira (05 de junho), das 8h às 17h30.

Reforçando: o atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30, exceto em feriados.

Enquanto isso, conheça o Empiricus+: “streaming” de carteiras que já valorizaram até 514%

Ao longo dos seus 16 anos, a Empiricus inovou a maneira como investidores, do iniciante ao profissional, acessam conteúdos de investimentos. Através de análises independentes e carteiras recomendadas com relatórios de qualidade e de fácil leitura, nos tornamos a maior casa de análise do Brasil.

Nos últimos anos, os investidores que acompanharam as carteiras da casa tiveram a oportunidade de seguir ideias de investimento que multiplicaram por até 5 vezes o valor aplicado. Veja só alguns exemplos:

  • Empiricus Palavra do Estrategista, com retorno acumulado de 459,83% desde 2015;
  • Empiricus Small Caps, com valorização de 514,06% desde 2014;
  • Empiricus Dividendos, com ganho de 465,27% desde o lançamento.

É claro que retornos passados não garantem lucros futuros. Mas uma das características intrínsecas da casa é o “skin in the game”. Isso significa que os nossos analistas só fazem recomendações que eles mesmos colocariam o próprio dinheiro.

Este ano, pela primeira vez, a Empiricus está lançando um modelo que, com um único acesso, permite aos assinantes explorarem as principais recomendações de investimento dos analistas.

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Ibovespa hoje: novo ‘tarifaço’, petróleo voltando a subir e IPO trilionário no ‘radar’; confira o que mexe com os mercados hoje

As tensões no Oriente Médio continuam no centro das atenções dos mercados após novos sinais de deterioração nas negociações entre Estados Unidos e Irã. A ampliação da ofensiva israelense no Líbano levou Teerã a suspender temporariamente as conversas com Washington, reacendendo os temores de uma escalada regional mais ampla e pressionando os preços do petróleo.

Embora Donald Trump tenha buscado transmitir uma mensagem de maior controle ao afirmar que manteve conversas produtivas com Benjamin Netanyahu e representantes ligados ao Hezbollah, as divergências entre as partes e a continuidade das operações militares reforçam a percepção de que uma solução definitiva para o conflito ainda permanece distante.

Apesar do ambiente geopolítico mais desafiador, alguns mercados seguem demonstrando resiliência. Wall Street, por exemplo, voltou a renovar máximas históricas, impulsionada pelo forte desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial, apesar do leve ajuste verificado nesta manhã.

Na agenda, as atenções dos investidores permanecem voltadas para os Estados Unidos, especialmente para os dados do mercado de trabalho, como o relatório Jolts hoje, antes do payroll de sexta-feira, que poderão oferecer sinais importantes sobre a trajetória da economia americana e os próximos passos da política monetária do Federal Reserve.

00:54 — Pressões externas elevam a cautela com o Brasil

No Brasil, o mercado segue pressionado por uma combinação de riscos externos, ruídos comerciais e revisão das expectativas para a política monetária. Para digerirmos hoje, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) dos Estados Unidos concluiu a investigação comercial contra o Brasil no âmbito da Seção 301.

A USTR propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para itens como carnes, café, terras raras, petróleo, fertilizantes, produtos farmacêuticos e aeronaves. A decisão final ficará nas mãos de Donald Trump até 15 de julho, após o período de consulta pública e novas rodadas de negociação com o governo brasileiro. Com uma agenda econômica esvaziada, as atenções dos investidores tendem a se concentrar nos desdobramentos geopolíticos e no noticiário político de Brasília.

01:45 — Se descolando do humor geopolítico

Os mercados americanos iniciaram junho renovando máximas históricas, sustentados pela combinação entre resultados corporativos sólidos, indicadores econômicos resilientes e o entusiasmo contínuo em torno da inteligência artificial. Mesmo diante da alta do petróleo provocada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã, investidores mantiveram o foco na força da economia americana, refletida pelo avanço do setor de serviços, pela expansão da atividade manufatureira e por uma temporada de resultados que segue surpreendendo positivamente.

A percepção predominante continua sendo a de crescimento moderado, inflação relativamente controlada e forte demanda por investimentos ligados à transformação digital. Na agenda, as atenções se voltam para os indicadores do mercado de trabalho, com destaque hoje para o relatório Jolts de vagas abertas, antes do payroll de sexta-feira, que será fundamental para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

No campo corporativo, os resultados da Hewlett Packard reforçaram a tese de expansão da infraestrutura de inteligência artificial, com forte crescimento das receitas ligadas a servidores, redes e soluções para data centers. Além disso, contamos nesta terça-feira com balanços de empresas como Dollar General, Palo Alto Networks e Ulta Beauty ajudarão a oferecer uma leitura mais ampla sobre o comportamento do consumo e dos investimentos nos Estados Unidos.

02:39 — Vai e vem insuportável

As tensões no Oriente Médio voltaram a ocupar o centro das atenções dos mercados após sinais de enfraquecimento das negociações entre Estados Unidos e Irã, em meio à ampliação da ofensiva israelense no Líbano. Relatos sobre a suspensão das conversas, divulgados por fontes iranianas, elevaram os temores de uma escalada regional mais ampla, pressionando os ativos globais, impulsionando os preços do petróleo e reforçando preocupações relacionadas aos impactos sobre inflação, juros e crescimento econômico. Em resposta, Donald Trump intensificou os esforços diplomáticos para evitar o colapso das negociações e conter uma deterioração mais acentuada do conflito.

Apesar das iniciativas de mediação conduzidas pela Casa Branca, o cenário permanece marcado por elevada incerteza. A expansão das operações militares israelenses, as ameaças iranianas envolvendo o Estreito de Ormuz e as divergências persistentes entre Washington, Teerã e seus respectivos aliados evidenciam a fragilidade de qualquer eventual acordo de cessar-fogo.

Nesse contexto, o petróleo voltou a registrar forte valorização, refletindo o risco de interrupções mais prolongadas na oferta global de energia. Ao mesmo tempo, investidores seguem acompanhando atentamente os possíveis desdobramentos da crise sobre a inflação mundial, as decisões de política monetária dos principais bancos centrais e o comportamento dos mercados financeiros nos próximos meses.

03:26 — Um IPO para chamar de seu e a próxima trilionária

A Anthropic, desenvolvedora do modelo Claude, protocolou de maneira confidencial seu pedido de abertura de capital nos Estados Unidos poucos dias após concluir uma rodada de financiamento que a avaliou em cerca de US$ 965 bilhões, superando temporariamente a OpenAI em valor de mercado.

O movimento ocorre em um momento de forte aquecimento das ofertas públicas, com empresas ligadas à inteligência artificial, computação quântica, robótica e infraestrutura tecnológica buscando captar recursos para financiar uma nova etapa de expansão. A expectativa é que a própria OpenAI e outras companhias de destaque também avancem com seus planos de IPO nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, a expansão do ecossistema de inteligência artificial continua criando oportunidades para empresas que atuam além dos modelos de linguagem. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, destacou recentemente o papel estratégico da Marvell Technology na infraestrutura necessária para conectar e operar grandes data centers de IA, chegando a afirmar que a companhia tem potencial para se tornar uma empresa trilionária no futuro.

Mais do que eventos isolados, esses movimentos reforçam a percepção de que a revolução da inteligência artificial está ampliando seu alcance para toda a cadeia tecnológica, abrangendo semicondutores, redes, computação em nuvem, infraestrutura física e mercados de capitais. Em outras palavras, a disputa pela liderança em IA segue exigindo volumes crescentes de investimento e continua abrindo novas frentes de crescimento para empresas posicionadas ao longo desse ecossistema.

04:13 — Como levantar capital

A corrida pela inteligência artificial continua elevando a necessidade de capital das grandes empresas de tecnologia a patamares inéditos. O exemplo mais recente vem da Alphabet, controladora do Google, que anunciou um plano para levantar cerca de US$ 80 bilhões por meio de emissões de ações, além dos US$ 85 bilhões já captados em dívida ao longo do último ano.

O objetivo é financiar investimentos cada vez maiores em infraestrutura de IA, incluindo capacidade computacional, data centers e outras frentes estratégicas necessárias para sustentar a liderança tecnológica em um mercado cada vez mais competitivo e intensivo em capital.

O anúncio também chamou atenção pela participação da Berkshire Hathaway, que investirá US$ 10 bilhões na operação, ampliando ainda mais sua exposição à Alphabet. Mais do que um evento corporativo isolado, a transação mostra como a inteligência artificial está redefinindo as prioridades financeiras das gigantes de tecnologia.

Empresas que até recentemente destinavam volumes expressivos de caixa à recompra de ações agora passam a captar recursos em larga escala para financiar seus planos de expansão. O movimento reforça a percepção de que a disputa pela liderança em IA ainda está em seus estágios iniciais e exigirá investimentos cada vez mais robustos nos próximos anos.

05:08 — Nvidia amplia fronteiras da IA e mira o mercado de PCs

A Nvidia voltou ao centro das atenções dos mercados após anunciar uma expansão relevante de sua atuação no segmento de computadores pessoais por meio do lançamento do RTX Spark, um novo processador desenvolvido para levar recursos avançados de inteligência artificial diretamente aos laptops.

A recepção dos investidores foi bastante positiva, impulsionando as ações da companhia. A proposta da Nvidiaé permitir que modelos de IA e assistentes inteligentes sejam executados localmente nos dispositivos, reduzindo a dependência da computação em nuvem e ampliando significativamente o potencial de utilização da inteligência artificial tanto por consumidores quanto por empresas. A iniciativa conta ainda com o apoio de fabricantes como Microsoft, Dell, HP e Lenovo, que já anunciaram equipamentos baseados na nova arquitetura.

Mais do que um simples lançamento de produto, o anúncio reforça uma das principais teses estruturais do setor de tecnologia: a inteligência artificial está deixando de ser uma tendência concentrada em data centers para se disseminar por praticamente toda a cadeia tecnológica, alcançando computadores pessoais, dispositivos conectados e aplicações de consumo em larga escala.

Nesse contexto, a Nvidia segue consolidando sua posição como uma das maiores beneficiárias desse processo de transformação digital, expandindo sua presença para além da infraestrutura tradicional de IA. Embora a companhia já acumule uma valorização expressiva nos últimos anos e continue sujeita aos desafios inerentes a empresas de crescimento acelerado, sua capacidade de inovação e execução permanece como um diferencial relevante.

Para o investidor brasileiro, as BDRs NVDC34 continuam representando uma forma eficiente de acessar uma das empresas mais bem posicionadas para capturar o avanço da inteligência artificial e da nova infraestrutura tecnológica que vem sendo construída em escala global.

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