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Bolsas da Europa fecham em alta com alívio do petróleo e decisões de juros no radar

As bolsas da Europa fecharam em alta nesta quinta-feira (30), à medida que os investidores ponderam as decisões de manutenção dos juros pelo Banco da Inglaterra (BoE) e pelo Banco Central Europeu (BCE) em meio ao ambiente de incertezas decorrente do conflito no Oriente Médio e dos preços elevados de energia.

Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 1,62%, a 10.378,82 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 1,33%, a 24.272,32 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,53%, a 8.114,84 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 0,94%, a 48.246,12 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,62%, a 17.752,00 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve alta de 1,47%, a 9.344,96 pontos. As cotações são preliminares.

O presidente do BoE, Andrew Bailey, indicou que a resposta de política monetária ao choque de energia pode vir mais pela manutenção de juros elevados do que por novas altas imediatas, mas alertou que a política não evita o impacto do choque de energia.

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Já a presidente do BCE, Christine Lagarde, se recusou a cravar a trajetória dos juros pela instituição, mas ressaltou que a guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irã – que mantém os custos de energia em alta – tornam os riscos para perspectiva de inflação inclinados para cima, enquanto os de crescimento ficam para baixo. “Não vou indicar se estamos mais próximos de algum cenário específico”, disse.

Além da macroeconomia, a alta nos preços de energia tem sido foco no setor corporativo. Em balanço, a Air France-KLM projetou um avanço nos gastos com energia e reduziu as previsões de capacidade para este ano. A ação fechou em alta de 3,6%.

Também em repercussão aos desempenhos trimestrais, a Stellantis tombou 6,33% a Magnum Ice Cream Company disparou 11% e os bancos BNP Paribas e Société Générale fecharam em alta de cerca de 1% e 3%, respectivamente. Hoje, investidores foram às compras nas praças europeias com o alívio dos preços do petróleo, que oscilam entre altas e baixas.

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Fluxo estrangeiro na Bolsa desacelera com guerra, mas não vai parar: ‘Mudança que veio para ficar’, diz UBS BB

O conflito entre Estados Unidos e Israel e o Irã pode causar uma aversão a risco entre investidores estrangeiros, que poderia parar o forte fluxo na Bolsa brasileira. Embora ainda não seja isso o que está acontecendo, já é possível observar uma desaceleração: enquanto em janeiro houve a entrada de R$ 26 bilhões, em fevereiro foram R$ 16 bilhões e, em março até agora, R$ 4,6 bilhões.

Para Marcelo Okura, codiretor de mercados globais para a América Latina do UBS BB, o Brasil está muito bem posicionado para continuar a receber aportes de investidores estrangeiros por causa de características como ativos baratos, liquidez, governança e expectativa de juros mais baixos, que tende a valorizar a Bolsa de Valores. “O País é menos afetado em questões geopolíticas. Sigo cautelosamente otimista com o fluxo estrangeiro“, afirma.

No acumulado de 2026, o fluxo de capital externo está positivo em R$ 46,3 bilhões, algo que surpreendeu todo o mercado, diz Okura. Em 2025 inteiro foi registrada entrada de R$ 25 bilhões no mercado financeiro brasileiro. A expectativa de Okura para o final de 2026 é que o volume represente mais do que o dobro do ano passado.

Veja abaixo a entrevista completa do executivo para o E-Investidor.

E-Investidor – A guerra pode interromper o fluxo de capital estrangeiro para o país?

Marcelo Okura – Chegamos a março com fluxo meio de lado por conta da incerteza dos efeitos da guerra no Oriente Médio em toda a economia global, inclusive a brasileira. Os investidores analisam como o choque do petróleo tem impacto sobre tudo. Os juros caíram menos no Brasil por conta dessa falta de visibilidade e há uma desaceleração do movimento, mas não acredito que ele será interrompido a não ser que a guerra se prolongue por muito tempo.

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É um cenário que obviamente deixa os investidores globais mais cautelosos, mas é mais um slowdown do que uma reversão de pensamento. Por agora ele para de comprar até ter cenário mais claro em relação à guerra.

Temos de lembrar que somos um país exportador de petróleo, o que impacta a Petrobras (PETR3; PETR4) de forma positiva: ela poderá vender seu produto mais caro e distribuir mais dividendos. A inflação, que pode trazer problemas para a economia, está controlada no momento.

Por fim, estamos afastados do conflito geopolítico, inclusive geograficamente. Outros emergentes acabam tendo muito mais problemas com a guerra, como a China (o Irã era um exportador de petróleo para o país). Se houver um cessar fogo, a tendência é o mercado e o fluxo subirem rapidamente.

O fluxo estrangeiro ainda está mais forte neste ano do que em 2025. Esse movimento é tático ou estrutural, na visão do UBS BB?

O que motiva este fluxo? Há um movimento de rotação em curso: os principais fundos estrangeiros e investidores estão diminuindo sua posição nos Estados Unidos para realocar em emergentes. E o Brasil foi beneficiado por essa reorganização dos investimentos dos gringos.

O primeiro motivo para isso são as políticas malucas e intervenções sucessivas que criam muita instabilidade na economia norte-americana e enfraquecem o dólar. Neste cenário, o Brasil fica mais atrativo, pois os preços de seus ativos são considerados baratos em relação a bolsas de outras geografias.

O segundo motivo é que o Brasil é um país muito líquido dentro da América Latina. Se um investidor deseja se posicionar no continente, ele prefere o Brasil porque o mercado financeiro de outros lugares é muito pequeno. Na Argentina, por exemplo, o mercado é minúsculo.

Já do ponto de vista de governança o Brasil também é visto como um país funcional. Tivemos dois ex-presidentes que foram presos e isso ajuda a mostrar que as instituições funcionam até mesmo com ex-mandatários. É bem verdade que tivemos casos como o do Banco Master, mas mostramos que não há uma ruptura das instituições. Não existe o risco de impedir que o dinheiro estrangeiro saia do País, controle que pode ocorrer em outros países.

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Por fim, o último fator diz respeito à expectativa de juros decrescentes, que torna os ativos mais atrativos.

Por todas essas razões, mesmo com a eclosão do conflito, não acreditamos que esse dinheiro seja oportunista. É um fluxo que só deve se reverter se os EUA voltarem a ser encarados como um porto seguro, o que não parece que irá acontecer enquanto Donald Trump continuar na presidência dos EUA.

O estrangeiro já responde por mais de 60% do fluxo para a Bolsa no Brasil. Em 2021, era pouco mais de 40%. O gringo não pensa que irá comprar agora e daqui dois meses, se situação piorar, venderá tudo. Há realmente uma mudança na percepção de investimento que veio para ficar. Mas depende que não haja ruptura em nossas instituições. Sob condições normais, esse dinheiro fica.

Quem são esses investidores?

A grande maioria, cerca de 80%, são fundos passivos, o que os torna muito ligados ao momento macroeconômico. Se a alta do petróleo interromper a queda de juros, esse tipo de fundo pode reduzir sua posição. Mas o que irá mantê-lo por aqui será a rotação de investimentos para fora dos EUA. Também fazem parte do movimento alguns fundos long only (comprados) e até quantitativos, mas mais no final do ano passado do que em 2026. Ou seja, não são o principal motivo para o movimento neste ano.

Como os fundos gringos são muito grandes, qualquer movimento mínimo que faz tem um grande impacto na nossa Bolsa.

Quais setores da Bolsa brasileira hoje concentram a maior parte do interesse estrangeiro?

O maior volume vai para ações da Petrobras e da Vale (VALE3), seguida por Prio (PRIO3), Itaú (ITUB3; ITUB4) e Axia (AXIA3).

A eleição presidencial pode impactar o movimento de alguma forma?

O mercado vê essa eleição de uma forma binária: um candidato fará o ajuste fiscal e outro não. Mas os estrangeiros são mais pragmáticos, eles acreditam que se o governo se reeleger saberá como está e como será. É um olhar mais suave, que considera que será o quarto mandato de um governo que já sabem como funciona. Não é uma surpresa.

Porém, se for eleito um governo com compromisso fiscal mais responsável, pode ser que os preços dos ativos mudem de patamar. Se acha que estão baratos, vão lá e compram. Ou seja, se houver algum movimento, é do nível atual para cima.

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Passagens aéreas vão ficar mais caras em 2026 com a guerra no Irã? Veja se vale antecipar a compra

O conflito no Oriente Médio, que já completa três semanas, abala os preços das passagens aéreas, diante da alta do custo do combustível de aviação. No centro das atenções, está o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

A commodity tem disparado desde o início da guerra. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio chegou ao patamar de US$ 94,74 por barril na sexta-feira (20), atingindo uma valorização de 46,74% apenas em março. Já o Brent para o mesmo mês subiu alcançou o nível de US$ 112,19 por barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), com alta de 53,67% em março.

“Quando o petróleo sobe, o preço do combustível de aviação avança quase que instantaneamente. Além disso, por causa dos conflitos, muitos aviões precisam mudar suas rotas para não passar por regiões perigosas. Isso faz com que a viagem fique mais longa, gastando ainda mais combustível”, explica Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos.

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No território nacional, dados do buscador de voos Viajala registraram aumento de 15%, em média, no preço das passagens aéreas nos últimos 10 dias. A plataforma analisou cerca de 400 mil buscas de voos com origem nos principais aeroportos brasileiros entre 18 de fevereiro e 15 de março, com o objetivo de comparar as variações no preço médio antes e depois do início do conflito.

Entre 5 e 15 de março, as viagens de ida e volta para São Paulo passaram a apresentar preço médio de R$ 1.338, um aumento de 36% em relação ao intervalo de 18 de 28 de fevereiro (antes do conflito). Já as viagens de ida e volta para Recife estavam custando, em média, R$ 1.497, 22% a mais do que antes da guerra.

Os demais destinos mais buscados tiveram comportamento semelhante.

  • Rio de Janeiro (RJ): preço médio de R$ 1.232 na viagem de ida e volta, 11% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra;
  • Fortaleza (CE): preço médio de R$ 1.710 na viagem de ida e volta, 14% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra;
  • Salvador (BA): preço médio de R$ 1.338 na viagem de ida e volta, 14% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra.

Segundo Felipe Alarcón, diretor comercial do Viajala, o recente encarecimento das passagens demonstra um impacto claro do conflito. “Se você tem uma viagem planejada para os próximos meses, a recomendação é de pesquisar e comprar o quanto antes”, alerta.

Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar, dá a mesma orientação, especialmente porque ainda não há um cenário claro de quando o conflito pode terminar. “Existe uma outra questão: quanto mais se aproxima a data do voo, maior é a demanda e, consequentemente, o preço. Então, trabalhar com antecedência é a chave para gastar menos com passagem aérea.”

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No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro já havia mostrado um crescimento de 11,4% no preço das passagens em relação a janeiro. Nos últimos 12 meses, o item acumula valorização de 24,61%.

Na próxima semana, com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março na quinta-feira (26), será possível mapear melhor os efeitos do conflito sobre os preços das passagens aéreas.

Como comprar passagens mais baratas?

Patzlaff, planejador financeiro, avalia que, mesmo um cenário de guerra, há estratégias para comprar passagens mais baratas. Um caminho é buscar horários alternativos, como voos de madrugada, que costumam ser mais baratos. Em alguns casos, voar para um aeroporto próximo e terminar o trajeto de ônibus ou de carro alugado também pode compensar financeiramente.

Na hora de comparar preços, ferramentas de monitoramento de voos ajudam, como Skyscanner e Kayak. O próprio Google oferece uma função desse tipo – o Google Flights –, que conta com opção de rastreamento de valores e envio de alertas por e-mail. Na plataforma, o usuário também consegue agora realizar buscas com ajuda de uma inteligência artificial (IA).

Patzlaff recomenda cuidado com taxas extras, cobradas para escolher um assento no avião ou para levar malas maiores, por exemplo. “Sempre calcule o preço final com tudo o que você vai precisar”, orienta.

Milhas podem ser aliadas

Wanderley Gonçalves, planejador financeiro CFP e MBA em Finanças pela B7 Business School, explica que emitir passagens usando milhas representa uma estratégia para economizar em viagens, especialmente em destinos internacionais e em períodos de alta demanda. “Hoje existem diversos cartões de crédito que oferecem boa pontuação, benefícios extras e pontos que não expiram. Concentrar gastos na função crédito ajuda a acumular pontos mais rapidamente”, destaca.

Além disso, ele lembra que as companhias aéreas realizam campanhas de transferência bonificada, em que os clientes enviam os pontos do cartão para o programa da companhia e recebem bônus que podem variar entre 20% e 150%. Há ainda promoções de compra de milhas, que permitem completar o saldo necessário para emitir a passagem desejada.

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Na hora de comprar as passagens aéreas, também vale monitorar os preços ofertados por empresas de viagens. A Decolar, por exemplo, está com uma oferta até o dia 22 de março para pacotes, hotéis e passagens com parcelamento em até 12 vezes sem juros. Na promoção, os consumidores encontram opções nacionais e internacionais com descontos de até 50%, por meio dos canais de venda da empresa.

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