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Últimas notícias da guerra no Oriente Médio em 7 de abril

Acompanhe as últimas atualizações sobre a guerra no Oriente Médio nesta terça-feira, 7 de abril, com a apuração da TVT News e informações da AFP na região.

Últimos acontecimentos da guerra no Oriente Médio

  • Prazo para aceitar o acordo de cessar-fogo termina às 21h nesta terça e mundo teme ataque nuclear
  • Trump adverte que “uma civilização inteira morrerá” nesta terça-feira se o Irã não cumprir o ultimato.
  • 25ª Emenda da Constituição dos EUA: Trump tem saúde mental questionada
  • Irã está preparado para ‘todos os cenários’ diante das ameaças de Trump, diz vice-presidente
  • Exército israelense alerta iranianos para evitarem viagens de trem, até terça-feira à noite, por “segurança”
  • Irã ameaça privar os EUA e seus aliados de petróleo e gás “por anos”
  • EUA tentam conter rumores sobre eventual ataque nuclear ao Irã
  • Agência de Notícias Mehr do Irã relata ataques à Ilha de Khark, fundamental para a indústria petrolífera
  • Irã sofre novos ataques poucas horas antes do fim do ultimato de Trump
  • Irã adverte que sua resposta se estenderá além da região se os EUA “ultrapassarem as linhas vermelhas”
  • Com o prazo para aceitar o acordo de cessar-fogo termina nesta terça, embaixador iraniano no Kwait diz aos países da região que é preciso evitar uma tragédia
  • Ataques atingem planta petroquímica na Arábia Saudita

Preço do Petróleo Brent hoje

Qual o preço do petróleo hoje


Últimas notícias sobre a guerra no Oriente Médio

Confira as principais atualizações sobre a guerra entre EUA e Israel contra o Irã

Mercado do petróleo aguarda com atenção ultimato de Trump ao Irã

Os preços do petróleo fecharam com resultados mistos nesta terça-feira (7), horas antes de expirar o ultimato do presidente americano, Donald Trump, ao Irã.

25ª Emenda da Constituição dos EUA: Trump tem saúde mental questionada

Trump tem saúde mental questionada por suas ameaças apocalípticas ao Irã. Donald Trump não é exatamente alheio a uma linguagem provocadora. No entanto, sua ameaça de aniquilar a civilização iraniana, juntamente com outros comentários intimidatórios recentes, levaram seus críticos a questionar a saúde mental do presidente e evocar a 25ª Emenda da Constituição dos EUA

Trump adverte que “uma civilização inteira morrerá” nesta terça-feira se o Irã não cumprir o ultimato

O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu que “uma civilização inteira morrerá” no Irã nesta terça-feira se o regime não aceitar os termos do ultimato.

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Reprodução do post de Donad Trump ameaça acabar com uma civilização se Irã não acatar ultimato

Irã está preparado para ‘todos os cenários’ diante das ameaças de Trump, diz vice-presidente

Da AFP em Teerã, Irã

O Irã está preparado para todas as possibilidades no contexto da guerra com os Estados Unidos e Israel, afirmou o primeiro vice-presidente, Mohammad Reza Aref, após as ameaças do presidente americano, Donald Trump, de aniquilar uma “civilização inteira”.

“A segurança nacional e a sustentabilidade das infraestruturas são objeto de cálculos precisos. O governo finalizou em detalhe as medidas necessárias para todos os cenários. Nenhuma ameaça escapa à nossa preparação e aos nossos serviços de inteligência”, declarou Aref em uma mensagem no X.

Papa qualifica como ‘inaceitável’ ameaça de Trump contra todo o povo iraniano

O papa Leão XIV qualificou como “inaceitável”, nesta terça-feira (7), a ameaça do presidente americano, Donald Trump, de eliminar toda a civilização iraniana se Teerã não respeitar seu ultimato, esta noite, para reabrir o Estreito de Ormuz.

“Hoje (…) foi feita esta ameaça contra todo o povo do Irã, e isto é realmente inaceitável. Certamente, há questões de direito internacional, mas muito mais que isso, trata-se de uma questão moral”, disse o papa aos jornalistas, ao deixar sua residência de Castel Gandolfo, perto de Roma, rumo ao Vaticano.

Trump diz que iranianos são “animais” e por isso um ataque a usinas de eletricidade e pontes não pode ser chamado de crime de guerra

Nesta segunda (6), Trump demonstrou não estar preocupado em estar cometendo ou não crimes de guerra e, ao ser questionado sobre violar a Convenção de Genebra, o presidente dos Estados Unidos chamou os iranianos de animais.

Para Trump, o Irã deve ser tomado em único dia a partir de hoje.

Irã critica ameaça de Trump como “irresponsável” na ONU

O embaixador do Irã nas Nações Unidas criticou na terça-feira as ameaças extremas de Donald Trump contra seu país, após o presidente ter alertado que, se Teerã não aceitar…

Preços do petróleo disparam

Os preços do petróleo subiram na terça-feira após o novo ultimato do presidente dos EUA, Donald Trump, para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz.

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O Estreito de Ormuz está localizado entre o sul do Irã e o norte dos Emirados Árabes Unidos e Omã e é a principal rota de exportação de petróleo dos países do Golfo. Imagem: Wikimedia Commons

Irã ameaça privar EUA e aliados de petróleo e gás “por anos”

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o exército do Irã, ameaçou, nesta terça-feira, com ações contra infraestruturas que “privarão os Estados Unidos e seus aliados de petróleo e gás da região por anos”.

“Até agora, demonstramos grande contenção em um espírito de boa vizinhança, mas essas reservas agora estão suspensas”, alertou a IRGC em um comunicado transmitido pela televisão estatal. “Se o exército terrorista dos EUA cruzar as linhas vermelhas, nossa resposta se estenderá além da região”, acrescentaram.

Agência de Notícias Mehr do Irã relata ataques à Ilha de Khark, fundamental para a indústria petrolífera

Agência de Notícias Mehr do Irã relata ataques à Ilha de Khark, fundamental para a indústria petrolífera

Exército israelense lamenta danos causados ​​a sinagoga no Irã por bombardeio

O exército israelense afirmou na terça-feira que lamenta os danos causados ​​a uma sinagoga em Teerã por um bombardeio que, segundo alegou, tinha objetivos militares.

Novos ataques contra o Irã poucas horas antes do fim do ultimato de Trump

O Irã sofreu novos ataques nesta terça-feira (7), que deixaram 18 mortos, poucas horas antes do fim do ultimato anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaça destruir instalações civis do país se um acordo não for alcançado para a reabertura do Estreito de Ormuz.

Irã adverte que sua resposta se estenderá além da região se os EUA “ultrapassarem as linhas vermelhas”

O Irã alerta que sua resposta se estenderá além da região se os EUA “ultrapassarem as linhas vermelhas”.

A empresa italiana ENI descobre um importante campo de gás natural na costa do Egito

O Egito e a gigante italiana de energia ENI anunciaram na terça-feira uma descoberta “significativa” de gás natural na costa do país norte-africano.

Exército israelense alerta iranianos para evitarem viagens de trem até terça-feira à noite por “segurança”

O exército israelense alertou os iranianos na manhã de terça-feira para que evitassem viagens de trem até as 17h30 GMT, em uma mensagem publicada na rede social X que prenuncia futuros ataques à rede ferroviária da República Islâmica.

“Prezados cidadãos, para sua segurança, pedimos que se abstenham de usar trens ou viajar de trem em todo o país a partir de agora até as 21h, horário do Irã”, escreveu o exército israelense em sua conta em língua persa. “Sua presença em trens e perto dos trilhos coloca suas vidas em risco”, acrescentou a mensagem.

Embaixador iraniano no Kuwait insta os países do Golfo a evitarem “tragédia” após ultimato de Trump

O embaixador do Irã no Kuwait, na terça-feira, instou os países do Golfo a encontrarem uma maneira de evitar uma “tragédia”, visto que o prazo estabelecido por Donald Trump para que Teerã aceite o acordo de cessa-fogo acaba hoje.

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Esta imagem de satélite, divulgada pela 2026 Planet Labs PBC em 1º de março de 2026, mostra uma coluna de fumaça subindo em Dubai após um ataque com projéteis. (Foto: AFP) / USO RESTRITO A FINS EDITORIAIS

Ataques atingem planta petroquímica na Arábia Saudita

Ataques noturnos contra a Arábia Saudita atingiram um complexo petroquímico localizado em uma extensa zona industrial na cidade de Jubail, no leste do país, informou uma fonte no local à AFP nesta terça-feira, horas depois de instalações semelhantes terem sido bombardeadas no Irã.

“Um ataque causou um incêndio nas instalações da SABIC em Jubail. O som das explosões foi muito alto”, disse a fonte, referindo-se à Corporação Saudita de Indústrias Básicas (SABIC).

Jubail, no leste da Arábia Saudita, abriga um dos maiores centros industriais do mundo, produzindo aço, gasolina, produtos petroquímicos, óleos lubrificantes e fertilizantes químicos.

Ataques aéreos destroem sinagoga na capital do Irã, segundo a mídia local

Uma sinagoga em Teerã foi “completamente destruída” por ataques aéreos israelenses e americanos na madrugada de terça-feira, informou a agência de notícias Mehr.

Ataques no consulado israelense em Istambul

Um dos atacantes foi morto e dois ficaram feridos em um tiroteio ocorrido na terça-feira em frente ao consulado israelense em Istambul. Dois policiais também sofreram ferimentos leves.

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Israel diz que matou comandante da marinha do Irã que fechou Estreito de Ormuz

O governo de Israel afirmou nesta quinta-feira (26) ter matado o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri, considerado peça-chave na estratégia militar iraniana no Golfo Pérsico e apontado por Tel Aviv como o responsável direto pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Leia em TVT News.

Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, Tangsiri foi morto em um ataque aéreo na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do Irã. A operação teria ocorrido durante uma reunião com outros oficiais de alto escalão da Guarda Revolucionária. De acordo com Israel, o comandante era o principal responsável por coordenar ações navais que incluíram a minagem e o bloqueio da rota marítima estratégica.

Tangsiri comandava a força naval da Guarda Revolucionária desde 2018 e era um dos nomes mais influentes da estrutura militar iraniana. Para autoridades israelenses, ele tinha papel central no controle do estreito e na imposição de restrições à navegação internacional, afetando diretamente o fluxo global de petróleo.

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A ofensiva ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que já dura semanas e envolve ataques diretos entre os dois países, além da participação indireta de outras potências. Israel sustenta que a eliminação do comandante faz parte de uma estratégia para enfraquecer a capacidade militar iraniana e pressionar pela reabertura da rota marítima.

Irã não confirma

Apesar das declarações de Tel Aviv, o governo iraniano ainda não confirmou oficialmente a morte de Tangsiri. Até o momento, autoridades de Teerã mantêm silêncio ou tratam as informações como parte da “guerra de narrativas”. A ausência de confirmação segue um padrão já observado em episódios anteriores, nos quais o Irã evita reconhecer perdas imediatas em sua cadeia de comando.

Por outro lado, fontes internacionais indicam que os Estados Unidos confirmaram a morte do comandante, reforçando a versão israelense e apontando o episódio como um golpe relevante contra a estrutura naval iraniana.

A possível morte de Tangsiri ocorre em um momento crítico para o Estreito de Ormuz. A passagem segue fechada ou severamente restrita à navegação internacional desde o início da atual crise, após o Irã impor bloqueios como resposta a ataques militares conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos.

Na prática, o estreito permanece sob controle iraniano, com forte presença militar e ameaças a embarcações consideradas hostis. O tráfego marítimo foi drasticamente reduzido — estimativas apontam queda significativa no fluxo de petroleiros, com dezenas de navios retidos ou desviando rotas para evitar a região.

A importância estratégica do Estreito de Ormuz explica a dimensão da crise. Cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente passa pelo local, o que torna qualquer interrupção um fator de instabilidade imediata nos mercados internacionais de energia.

Diante desse cenário, forças navais dos Estados Unidos e de aliados monitoram a região e discutem alternativas para garantir a circulação de navios. Até agora, porém, não houve anúncio de uma operação definitiva capaz de restabelecer o tráfego de forma plena.

Analistas avaliam que, caso confirmada, a morte de Alireza Tangsiri representa um golpe simbólico e operacional relevante para o Irã, mas insuficiente, por si só, para reverter o bloqueio do estreito. A tendência, segundo especialistas, é de continuidade da escalada, com risco de novas retaliações e ampliação do conflito regional.

Assim, o cenário permanece marcado por incerteza: Israel afirma ter eliminado um dos principais arquitetos do bloqueio marítimo, os Estados Unidos corroboram a informação, o Irã evita confirmação oficial e o Estreito de Ormuz segue como epicentro de uma crise que ameaça a segurança energética global.

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Resistência do Irã pressiona Estados Unidos a encerrarem guerra

A capacidade de resistência da República Islâmica do Irã e as retaliações contra aliados dos Estados Unidos (EUA) no Golfo Pérsico, assim como os impactos sobre o comércio do petróleo, estão pressionando a Casa Branca a encerrar o conflito sem alcançar o objetivo de “mudança de regime” em Teerã. Essa é avaliação de especialistas consultados pela Agência Brasil. Leia em TVT News.

O cientista político e especialista em geopolítica Ali Ramos destacou que o Irã conseguiu afetar o sistema de radares dos EUA no Oriente Médio e impôs perdas importantes à cadeia do petróleo global. 

“Os EUA não têm como derrubar o governo iraniano sem invasão terrestre, o que traria baixas gigantescas. A topografia do Irã inviabiliza qualquer ação rápida. Os EUA simplesmente entraram num atoleiro e Trump não sabe como sair”, avalia o especialista em defesa e estudos sobre a Ásia.

Os radares dos EUA no Oriente Médio afetados por Teerã eram responsáveis pela interceptação dos mísseis iranianos. Há relatos de radares atingidos no Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos, segundo análise de imagens de satélites e vídeos do jornal New York Times.

“Toda essa cobertura satelital e de radar faz com que os EUA tenham olhos no terreno. Com isso degradado, as baixas aumentam, o tempo do alerta [contra mísseis do Irã] em Israel diminui. Por isso, agora tem vídeo de mísseis entrando toda hora em Israel, que os interceptadores não conseguem mais barrar”, completou.

Aliados de Washington no Golfo passaram a pedir o fim do conflito, como o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari.

“Chegar rapidamente à mesa de negociações e suspender os ataques serviria aos interesses dos povos da região, bem como à paz e segurança internacionais, além de fortalecer a estabilidade econômica global”, disse al-Ansari, de acordo com Al Jazzera.

Sem troca de regime

O professor de relações internacionais do Ibmec São Paulo (SP) Alexandre Pires ponderou à Agência Brasil que os EUA esperavam conseguir uma troca de regime rápida por meio do assassinato do líder Supremo Ali Khamenei.

“O Irã tem apresentado uma resiliência muito mais forte do que se esperava. Inclusive, escolhendo uma liderança suprema sem nenhum tipo de negociação, e que dá um sinal de que o regime vai continuar na mesma linha que já seguia com o Khamenei”, comentou. 

Pires acrescentou que a pressão sobre os mercados do petróleo, que levou o presidente estadunidense Donald Trump a relaxar as sanções contra a Rússia para aliviar os preços no mercado global, tem preocupado os aliados de Trump no mundo e internamente, com o preço do combustível aumentando nos EUA.

“Ainda que tenha sido dito no início que duraria quatro, cinco semanas, obviamente que esse não era o tempo que os EUA queriam. Isso vai fazendo com que os EUA mudem talvez o foco atual de uma guerra completa, de ter que ficar o tempo necessário até você ter uma troca das lideranças”, completou.

Donald Trump disse nesta terca-feira, em entrevista à Fox News, que não ficou feliz com a escolha do novo líder Supremo so Irã, mas que “é possível” que venha a negociar com Teerã.

Israel

Para o especialista do Ibmec SP Alexandre Pires, Israel deve resistir a encerrar o conflito uma vez que quer aproveitar o máximo para enfraquecer o Irã.

“Há um certo sinal de divisão nos dois aliados. Isso não foi tornado público, mas há um sinal de falas contraditórias de um lado e de outro”, disse.  

Para Pires, o Irã conseguiu afetar a cadeia do petróleo ao bloquear o canal comercial do Golfo Pérsico, Estreito de Ormuz e Golfo de Oman.  

“Isso faz com que tentem forçar um recuo ou uma negociação americana-israelense em razão da pressão feita pela comunidade internacional sobre Israel e EUA com relação à cadeia energética mundial”, completou.

Em entrevista nesta terça-feira (10), o ministro das relações exteriores de Israel, Gideon Saar, disse que o país não quer uma guerra sem fim.

“Consultaremos nossos amigos americanos quando acharmos que é o momento certo para isso. Não estamos buscando uma guerra sem fim”, disse Saar a repórteres em Jerusalém, segundo noticiou o jornal israelense The Times of Israel.

Repercussões regionais

Uma das dificuldades para encerrar a guerra, na avaliação do cientista político Ali Ramos, é porque a manutenção do regime no Irã representaria uma derrota para Casa Branca.  

“O Irã vai ser o primeiro país da história que atacou tantas bases dos EUA ao mesmo tempo e sobreviveu. É por isso o desespero do Trump. Os países da região não vão mais confiar nos EUA no médio e longo prazo enquanto garantidor da sua segurança”, disse.

Ramos argumenta que a guerra contra o Irã deve modificar a arquitetura de poder e segurança do Oriente Médio ao mostrar que as bases dos EUA na região não poderiam defender os países aliados da Casa Branca.  

“Isso já estava acontecendo, os Emirados Árabes Unidos já firmaram um pacto de defesa com a Índia, a Arábia Saudita com o Paquistão”, completou.

Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

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6° dia de guerra: últimos acontecimentos no conflito do Oriente Médio

Confira os últimos acontecimentos da guerra no Oriente Médio com a TVT News.

Últimos acontecimentos do 6° dia de guerra no Oriente Médio

  • Guarda Revolucionária afirma que lançou mísseis contra o aeroporto internacional de Israel (Aeroporto de Ben Gurion)
  • Drones do Irã atacam Azerbaijão
  • Relatos de explosões no Catar, Bahrein e Arábia Saudita
  • Navio de guerra do Irã segue para o Sri Lanka
  • China suspende exportação de gasolina
  • Beirute segue sob ataque de Israel
  • Número de mortos no Irã desde o início dos ataques subiu para 1.230, de acordo com uma agência de notícias oficial.

Últimos acontecimentos da guerra no Oriente Médio


Acompanhe os acontecimentos mais recentes da guerra no Oriente Médio

Israel volta a atacar Beirute e suas tropas avançam no sul do Líbano

Israel lançou novos ataques aéreos contra o Líbano pelo quarto dia consecutivo nesta quinta-feira (5), enquanto seu Exército avançava em várias cidades fronteiriças no sul do país.

Reforços europeus ao Chipre

Espanha e Itália anunciaram nesta quinta-feira que enviarão recursos navais ao Chipre, quatro dias após um ataque de drones iranianos contra a base britânica de Akrotiri, na ilha do Mediterrâneo.

Os reforços navais serão adicionados aos navios de guerra enviados pela França e pela Grécia, e aos que o Reino Unido ainda deve enviar. O ministro da Defesa britânico, John Healey, visita a ilha nesta quinta-feira.

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Estreito de Ormuz segue fechado, petróleo segue em alta

As Bolsas de Seul e Tóquio registraram altas expressivas nesta quinta-feira (5), após quedas acentuadas nos dias anteriores devido ao impacto da guerra no Oriente Médio, enquanto o petróleo seguia em alta, à espera de uma solução para a guerra.

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O Estreito de Ormuz está localizado entre o sul do Irã e o norte dos Emirados Árabes Unidos e Omã e é a principal rota de exportação de petróleo dos países do Golfo. Imagem: Wikimedia Commons

Irã reivindica ataque ao aeroporto Ben Gurion

A Guarda Revolucionária afirmou que lançou mísseis contra o aeroporto internacional Ben Gurion, perto de Tel Aviv, e contra uma base aérea israelense situada no mesmo local.

Azerbaijão atingido

Duas pessoas ficaram feridas nesta quinta-feira no exclave azerbaijano de Nakhichevan, após o impacto de dois drones disparados do Irã contra um aeroporto e as imediações de uma escola, segundo as autoridades.

Irã envia outro navio ao Sri Lanka

Um segundo navio de guerra iraniano segue para o Sri Lanka, no Oceano Índico, um dia após um submarino americano torpedear uma fragata iraniana, informou o ministro cingalês da Comunicação, Nalinda Jayatissa.

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, acusou o governo dos Estados Unidos de cometer uma “atrocidade” ao afundar o navio de guerra e advertiu que o país “lamentará amargamente” o precedente criado.

O Sri Lanka afirmou que recuperou os corpos de 84 marinheiros do navio. Quase 30 tripulantes foram resgatados com ferimentos graves e dezenas continuam desaparecidos.

Explosões no Catar, Bahrein e Arábia Saudita

O Catar é alvo de um “ataque com mísseis” que seus sistemas de defesa “tentam interceptar”, anunciou o Ministério da Defesa pouco após fortes explosões na capital, Doha. Jornalistas da AFP também ouviram explosões na capital do Bahrein, Manama.

Na Arábia Saudita, três mísseis e vários drones foram interceptados, indicou o Ministério da Defesa no X.

Em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, seis trabalhadores estrangeiros ficaram feridos em uma área industrial devido à queda dos destroços de um drone interceptado, informaram as autoridades locais.

EUA pedem a Israel para seguir “até o fim”

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que seu homólogo americano, Pete Hegseth, o instou a prosseguir com a operação “até o fim”.

“O secretário de Defesa disse: ‘Sigam em frente até o fim, estamos com vocês'”, afirmou Katz, segundo um comunicado do gabinete do ministro israelense.

Irã acusa EUA e Israel de ataques “deliberados” contra civis

O Irã acusou Estados Unidos e Israel de ataques “deliberados” contra áreas civis.

“Nosso povo está sendo brutalmente massacrado enquanto os agressores miram deliberadamente áreas civis e qualquer lugar que acreditam que provocará o máximo sofrimento e perdas humanas”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, no X.

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Nesta foto aérea divulgada pelo Centro de Imprensa Iraniano, pessoas em luto cavam sepulturas durante o funeral de crianças mortas em um ataque a uma escola primária na província de Hormozgan, em Minab, Irã, em 3 de março de 2026. A mídia iraniana noticiou centenas de vítimas iranianas, inclusive em uma escola feminina. A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã se espalhou pelo Oriente Médio, ameaçando mergulhar a economia global no caos, com o Líbano e os exportadores de energia do Golfo arrastados para o conflito. (Foto: Centro de Imprensa Iraniano / AFP) / XGTY / USO RESTRITO A FINS EDITORIAIS

Ataques em Teerã

O Exército israelense lançou outra série de ataques “em larga escala” contra Teerã. Os alvos eram “as infraestruturas do regime” iraniano, segundo um comunicado militar.

A agência de notícias iraniana Tasnim relatou várias explosões na capital.

Internet cortada

O corte de internet no Irã já dura cinco dias. “A conectividade permanece em torno de 1% do nível habitual”, informou o site especializado em cibersegurança NetBlocks.

Suposta morte de líder do Hamas

A agência estatal de notícias libanesa ANI afirmou que um ataque israelense matou um chefe do movimento islamista Hamas em um campo de refugiados palestinos no norte do Líbano.

Wasim Atallah al Ali e sua esposa morreram quando “um drone inimigo atacou sua residência” no campo de Beddawi, perto de Trípoli, durante a noite, informou a ANI, que o descreveu como um alto comandante do Hamas.

Guerra no Oriente Médoi é teste para a economia mundial, diz FMI

O conflito no Oriente Médio está colocando “mais uma vez à prova” a resiliência econômica mundial, afirmou a diretora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva

“Se o conflito se prolongar, é evidente que poderia afetar os preços mundiais da energia, a confiança dos mercados, o crescimento e a inflação, além de representar novas exigências aos líderes políticos em todo o mundo”, declarou.

China determina suspensão das exportações de gasolina

A China pediu às suas principais refinarias que suspendam as exportações de diesel e gasolina porque a guerra representa um risco de escassez de abastecimento, informou a agência Bloomberg.

Explosão de petroleiro no Kuwait –

Um petroleiro foi atingido por uma “grande explosão” perto do Kuwait, o que provocou um vazamento de combustível, informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

Beirute, atingida mais uma vez

O leste e o sul de Beirute, redutos do movimento pró-iraniano Hezbollah, foram alvos de novos ataques aéreos na madrugada de quinta-feira.

A agência de notícias libanesa ANI afirmou que seis membros de duas famílias morreram em ataques aéreos no sul do país: um prefeito e sua esposa na região de Nabatiye e um casal e seus dois filhos em uma localidade vizinha.

© Agence France-Presse

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Irã sinaliza levar guerra “ao limite” após míssil chegar à Turquia

O míssil procedente do Irã abatido pela Turquia, nesta quarta-feira (4), sinaliza que Teerã pode levar a guerra “ao limite” para mostrar aos adversários que o conflito poderia sair do controle, impondo perda a toda a região, aos Estados Unidos (EUA) e a Israel. Leia em TVT News.

Essa é a avaliação do professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas, Danny Zahreddine. Por ser um país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o envolvimento da Turquia poderia arrastar mais países para a guerra.

Para Zahreddine, que também é oficial de artilharia da reserva do Exército brasileiro, o Irã adotou a estratégia de “brinkmanship”, que é levar uma situação à “beira do abismo”.

“É a estratégia de ‘bailar à beira de um abismo pedregoso’. É mostrar aos inimigos que, em um determinado ponto, a guerra pode sair do controle. E, ao sair do controle, todos vão perder muito, inclusive quem ataca” avalia Danny, professor brasileiro de origem libanesa que se especializou em conflitos no Oriente Médio.

Ele argumenta que, ao atacar bases dos EUA em 12 países do Golfo, e lançar um míssil sobre a Turquia, que vinha apoiando os esforços de Teerã para barrar a guerra, o governo iraniano sinaliza que está disposto a “cair no abismo”.

“Isso mostra o tamanho do custo que o Irã está disposto a assumir. E quando você convence o seu oponente que está disposto a morrer junto com você, isso aumenta muito o custo da ação”, completou.

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Turquia: país da Otan

Em nota oficial, o Ministério da Defesa da Turquia informou que um míssil procedente do Irã foi abatido após cruzar os espaços aéreos do Iraque e da Síria, tendo sido interceptado por baterias antiaéreas da Otan, sem vítimas ou feridos.

“Lembramos que nos reservamos o direito de responder a qualquer atitude hostil contra o nosso país. Instamos todas as partes a se absterem de ações que possam agravar ainda mais o conflito na região, diz comunicado de Ancara.

Nesse contexto, acrescenta o documento, “continuaremos a consultar a Otan e nossos demais aliados”. 

O Irã ainda não comentou oficialmente o caso. A Turquia, vizinha a oeste do Irã, é um dos países que condenou a agressão militar de Israel e EUA contra Teerã.

O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse se tratar de uma violação do direito internacional e “uma clara violação da soberania do Irã, mas também visa a paz e o bem-estar do povo amigo e irmão do Irã”. 

Curdos do Irã incomodam Turquia

A imprensa dos EUA tem publicado, com base em fontes anônimas, que a CIA [Agência Central de Inteligência] estaria tentando armar grupos separatistas curdos no Irã para lutarem contra o governo de Teerã.  

Espalhado por países como Turquia, Irã, Iraque e Síria, o povo curdo forma uma etnia própria que, em alguns casos, luta pela formação de um estado nacional, que seria o Curdiquistão.

O governo de Ancara é um dos adversários da autodeterminação nacional dos curdos, uma vez que o futuro Estado tomaria parte do território atual da Turquia. No Irã, há grupos curdos considerados separatistas e terroristas pelo governo local.

O analista militar e de geopolítica Robinson Farinazzo, oficial da reserva da Marinha do Brasil, alerta que a suposta estratégia de armar os curdos do Irã pode irritar Erdogan, aliado dos EUA na Otan.  

“O Curdiquistão independente não é uma coisa que os turcos querem. Com isso, temos uma incógnita bastante grande. Se começarem a apoiar os curdos contra o Irã, será que a Turquia vai gostar disso? A grande incógnita é como a Turquia vai agir nessa situação porque agora os interesses dela estão em risco”, disse à Agência Brasil.

Plano B dos EUA e Israel

O professor da PUC de Minas Danny Zahreddine argumenta que o “plano B” de Washington e Tel Aviv para derrubar o regime de Teerã é justamente o apoio aos grupos separatistas curdos. Porém, ele ressalta que não há unidade entre a comunidade curda iraniana.

“Há uma parte disposta a tentar se colocar contra o governo e outra que não está disposta. Esse é um projeto muito perigoso para os curdos. A história já revelou que toda vez que os curdos são armados para se colocar contra um governo em favor dos EUA, em determinado momento eles são abandonados”, disse.

O especialista em Oriente Médio lembrou que o Irã atacou, nos últimos dias, posições de grupos curdos no norte do Iraque e dentro do próprio Irã, “para tentar demovê-los de qualquer ideia de entrar nesse tipo de ação”.

Para Zahreddine, não há, neste momento, outros grupos opositores com capacidade ou condições de enfrentar Teerã, como gostariam Israel e EUA, devido aos custos que esses grupos enfrentariam em meio a uma guerra de agressão estrangeira contra o Irã.

“Mesmo que tivesse uma posição doméstica contra o governo, eles estão vivendo 40 dias de luto pela morte do Khamenei e existe um aparato de segurança que é completamente fiel ainda ao regime”, completou.

O tempo a favor do Irã

Apesar dos números de poderio militar serem favoráveis aos EUA e a Israel, que contam com mais recursos que os iranianos, o tempo estaria a favor de Teerã, na avaliação do oficial da reserva da Marinha brasileira, Robinson Farinazzo.  

“Se o Irã resistir e essa guerra se prolongar mesmo, prolongar indefinidamente, isso vai ser o maior problema da história deles, desde a guerra do Vietnã. Aí vira um vietnã mesmo. você vai ter muito questionamento na sociedade americana”, comentou.

Zahreddine avalia que é “surpreendente” como o Irã tem conseguido resistir, o que mostraria um bom preparo após a guerra de 12 dias, em junho de 2025.

“Hoje eles produzem por volta de 150 drones por dia. Imagina os milhares de drones que são produzidos nesses nove meses para cá. Tem a produção também dos mísseis balísticos. Eles têm um arsenal para uma guerra longa. Agora, a questão é o quanto eles resistem aos intensos ataques dos EUA e Israel”, avaliou.

Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

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Ataque à Assembleia no Irã tenta impedir sucessão de Khamenei, diz Sheik

O prédio da Assembleia de Peritos do Irã, órgão responsável por escolher o sucessor do líder supremo foi atacado por Israel nesta terça-feira (3). A informação foi confirmada em entrevista exclusiva ao Jornal TVT News Primeira Edição por Ruhollah Shamshiri, conhecido como Sheik Salman, diretamente da cidade de Qom.

Segundo o religioso, o ataque ocorreu enquanto os integrantes do colegiado religioso estavam reunidos. “Agora mesmo, enquanto estava falando com vocês, naquele mesmo lugar em que todo esse grupo religioso que vai ter que escolher o sucessor de Khamenei, ele foi atacado. Meus amigos me avisaram agora mesmo, foi atacado. Eles querem impedir que ocorra esse processo”, afirmou.

A Assembleia de Peritos é composta por 88 aiatolás e, de acordo com a Constituição iraniana, é a única instância com autoridade para nomear o novo líder supremo após a morte de Ali Khamenei, que teria sido assassinado em ataques israelenses e estadunidenses no último domingo (1º). Até o momento, não houve confirmação oficial do governo iraniano sobre o bombardeio ao prédio da assembleia.

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Sucessão de Khamenei

Para Sheik Salman, a ofensiva tem objetivo político claro. “A lei iraniana mostra que esse grupo é o único que tem direito de escolher o sucessor de Khamenei”, destacou, sugerindo que o ataque buscaria desorganizar o processo sucessório e aprofundar a instabilidade institucional no país.

A escalada militar também atingiu a cidade de Qom, um dos principais centros religiosos do Irã. De acordo com o religioso, mísseis americanos atingiram a região. “Infelizmente, também nossa cidade, Qom, foi atingida por mísseis americanos. Mas o Irã se rendeu ou vai continuar? Isso mostra que o Irã vai continuar esta guerra e pode vencer esta guerra”, declarou.

Em tom de resistência, ele citou o último discurso do aiatolá Ali Khomeini, que, segundo ele, reafirmou a disposição do país de não aceitar negociações sob pressão. “O Irã não vai se render, o Irã não vai aceitar essa humilhação. O Irã tem uma cultura valiosa e não vai aceitar se sentar ao lado de um presidente como Trump”, afirmou, em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Sheik Salman também acusou os Estados Unidos de atacarem alvos civis. “O senhor mencionou os ataques a hospitais. Isso é bem claro, eles sempre atacaram lugares que não são militares”, disse, ao comentar denúncias de bombardeios a estruturas como hospitais e residências.

Recado do Sheik

Apesar do cenário de destruição, o religioso afirma que a população não está intimidada. “A situação do povo iraniano, se o Irã sente medo ou terror? Eles querem isso, mas o Irã não tem medo”, declarou. Segundo ele, mesmo após os bombardeios, milhões de pessoas saíram às ruas durante a madrugada para demonstrar apoio à Revolução Islâmica. “Sim, o Irã está com hospitais destruídos, com casas destruídas. Nós sofremos. Mas ainda continuamos.”

A entrevista ocorre em meio ao agravamento do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, com ataques cruzados e aumento das tensões diplomáticas. Para o Sheik Salman, porém, a mensagem oficial é de continuidade da resistência e de manutenção do processo institucional de escolha do novo líder supremo, apesar das ofensivas militares.

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Assassinato de líder do Irã não vai provocar colapso do regime, diz historiadora

O assassinato do líder supremo do Irã, Aiatolá Khamenei, em meio a negociações diplomáticas representa uma escalada grave, imprevisível e de consequências incertas para o Oriente Médio. A avaliação é da historiadora Samira Adel Osman, professora de História da Ásia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisadora do Irã, em entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição. Leia em TVT News.

Para ela, o ataque promovido pelos Estados Unidos — anunciado sob justificativas que classificou como “invenções” e “fanfarronices” — surpreendeu não apenas pela violência, mas pelo timing. “Isso aconteceu justamente no momento em que as negociações estavam em curso. Talvez o ataque surpresa tenha chocado ainda mais”, afirmou.

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Samira foi enfática ao classificar o episódio como assassinato. “Não há outro nome”, disse, ressaltando o peso simbólico da liderança suprema não apenas para o Estado iraniano, mas para os xiitas em diferentes países. Segundo a historiadora, trata-se de uma autoridade religiosa com estatura comparável à de um papa para os católicos, guardadas as diferenças institucionais entre islamismo e cristianismo.

Apesar da gravidade do episódio, ela rechaça a ideia de que a morte do líder provoque colapso institucional. “O Irã tem uma estrutura de poder bem estabelecida, que não se limita ao líder supremo e não acaba com a Presidência”, explicou. Há, segundo ela, múltiplas camadas de poder — incluindo assembleias, conselhos religiosos e estruturas militares — capazes de reorganizar rapidamente o comando do país.

Guarda Revolucionária como pilar

No centro dessa engrenagem está a Guarda Revolucionária Iraniana. Para Samira, trata-se do principal pilar político, militar, ideológico e moral do regime instaurado após a Revolução de 1979.

“A ideia de que se mata o líder e tudo desmorona, como um castelo de cartas, revela desconhecimento da estrutura iraniana”, afirmou. A Guarda, segundo ela, não atua apenas na proteção militar ou nos programas estratégicos, mas como guardiã dos princípios fundadores da República Islâmica.

A historiadora destacou que essa força não se restringe às grandes cidades. Sua capilaridade territorial permite presença em áreas periféricas e rurais, consolidando vínculos sociais e políticos que dificultam qualquer mudança abrupta de regime. “Seria necessário algo muito mais profundo do que a morte de um líder para desmontar essa estrutura”, avaliou.

Ela também considera improvável qualquer “virada de lado” da Guarda, como chegou a sugerir o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Ideologicamente, é a parte mais estruturada do poder. Não é algo que se desfaça por intervenção externa ou promessa de recomposição política”, afirmou.

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Uma pessoa segura uma foto do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que foi morto em ataques conjuntos dos EUA e de Israel, enquanto pessoas lamentam sua morte em uma praça em Teerã, em 1º de março de 2026. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã desde 1989 e inimigo declarado do Ocidente, foi morto no primeiro ataque de uma ofensiva massiva dos EUA e de Israel que se estendeu por um segundo dia, em 1º de março, enquanto as duas potências buscam derrubar a república islâmica. (Foto de ATTA KENARE / AFP)

Preconceito e “orientalismo”

Samira criticou duramente a cobertura da mídia ocidental e brasileira sobre o conflito. Para ela, há uma leitura marcada por preconceitos históricos contra o mundo islâmico, que desumanizam sociedades inteiras e naturalizam ações violentas.

Ao comentar editoriais que relativizam o assassinato, a professora comparou a situação à hipótese de execução de um papa. “Imagine se o papa fosse assassinado e a reação fosse de ligeireza”, disse.

A análise dialoga com o conceito de “orientalismo” formulado por Edward Said. Segundo Samira, a construção histórica do Islã como ameaça permanente — associada a fanatismo, terrorismo e radicalismo — alimenta uma narrativa que legitima intervenções e guerras.

Ela lembrou que, ao longo das últimas décadas, aliados e inimigos dos Estados Unidos variaram conforme interesses estratégicos, citando como exemplos o Iraque de Saddam Hussein e o Talibã no Afeganistão. “Depende da conjuntura e dos interesses imperialistas”, afirmou.

No contexto pós-Guerra Fria, acrescentou, a dissolução da União Soviética eliminou o antigo antagonista ideológico. “Era preciso um novo inimigo. A ameaça vermelha foi substituída pela ameaça verde”, disse, em referência à cor associada ao Islã.

Emirados e alianças frágeis

Questionada sobre a posição dos países do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos, Samira avaliou que se trata de construções políticas e econômicas frágeis, sustentadas por interesses estratégicos e financeiros.

Ela apontou que a recente corrida de milionários por jatinhos privados para deixar Dubai após bombardeios ilustra o caráter artificial dessas formações estatais. “Se o país não existe como pátria para seu cidadão, a relação é instrumental”, observou.

Ainda assim, ponderou que a dinâmica regional é complexa e que qualquer desagregação dependerá de mudanças conjunturais profundas.

Cenário imprevisível no Irã

A historiadora evitou fazer prognósticos categóricos sobre os próximos passos do conflito. “Não consigo fazer futurologia. Estamos todos impactados”, afirmou, relatando inclusive conversas recentes com colegas iranianos pouco antes da notícia do assassinato.

Para ela, o risco maior é a escalada sem controle. “Neste caso, não se pode ter nenhuma previsão sobre qual será o próximo passo dos Estados Unidos”, disse.

Ao final, reiterou que o Irã não pode ser simplificado como uma ditadura homogênea. “Há eleições, há disputas internas, há complexidade institucional”, afirmou, defendendo que análises apressadas apenas reforçam estigmas e impedem a compreensão efetiva do cenário geopolítico.

Diante da centralidade da Guarda Revolucionária e da estrutura multicamadas do poder iraniano, Samira conclui que a aposta em desestabilização rápida tende ao fracasso. “Não me surpreenderia se, daqui a alguns dias, se anunciasse que acabou. Porque não é simples desmontar essa engrenagem”, afirmou.

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