Visualização de leitura

Cultive flores na horta

A melhor maneira de proteger a nossa horta é criar um espaço rico em biodiversidade, com plantas que podem ajudar a proteger os cultivos que queremos fazer. Existem plantas que atraem insetos polinizadores e outras que repelem naturalmente pragas, mantendo afastada toda a bicharada indesejada. São muitos os benefícios desta mistura e podem ainda ser melhorados quando fazemos algumas associações de cultivo favoráveis, que devem ser planejadas ainda antes de plantar.

Em qualquer horta há uma ordem natural na qual as pragas e os predadores estão em equilíbrio entre si. Por exemplo, as joaninhas e as moscas das flores comem piolhos e pulgões. As minhocas arejam o solo, melhorando a drenagem e levando a matéria orgânica da superfície para o subsolo. Os pássaros comem lesmas e caracóis. Quando tudo funciona bem, a população de pragas é controlada eficazmente e os danos que causam são limitados.

Flores para cultivar na Horta – Mais cor e mais colheitas!
1- Amor-perfeito
O seu pequeno porte torna-o versátil para plantar em qualquer lugar. É muito conhecido pelos jardineiros, mas como planta meramente ornamental. Muitos não sabem que as suas bonitas flores são comestíveis e que pode ajudar no controlo de pragas. Aprecia solos permanentemente húmidos, ricos em matéria orgânica e moderadamente ácidos.

Uma curiosidade: a flor do amor-perfeito significa romantismo e amor duradouro, está associada à reflexão, ao pensamento e recordações amorosas. Em francês ele é chamado de “pensée”, em português significa pensamentos.

Floração: abundante na Primavera e Outono e cessa no calor do Verão.

O que atrai: vários insetos polinizadores.

Como incluir no desenho da horta: intercalar entre as culturas ou colocar ao redor do canteiro.

2. Tagetes ou cravo-de-defunto
É uma planta herbácea muito fácil de manter na horta, jardim ou mesmo em vasos. A associação de tagetes a outras culturas, permite trazer cor para a horta e obter resultados muitos positivos.

Uma Curiosidade: o nome tagete surgiu como uma homenagem a Tages o Deus da sabedoria, que atribuiu ao povo de Etrúria o dom de bem cultivar a terra. É uma planta originária do México, onde era denominado como cravo de defunto e utilizado na decoração de altares.

Floração: a floração acontece no Verão e Outono e pode ser amarela, cor de laranja, vermelha, castanha ou matizada de diversas cores.

O que atrai: as suas flores amarelas e laranjas ajudam a atrair abelhas, borboletas e libélulas.

O que repele: pulgões, mosca branca, ácaros e algumas lagartas. Beneficia diversas culturas, tais como feijão, tomate e pimenta. Atua como um inseticida natural, uma vez que toda a planta têm características que lhe permitem afastar vários tipos de pragas e parasitas do solo, como por exemplo nematoides.

Como incluir na horta: na bordadura de culturas ou para separar canteiros com cultivos diferentes.

3. Capuchinha ou Chagas
A capuchinha tem um comportamento invasivo, o que faz com que ela se espalhe facilmente no espaço onde é plantada, quer a nível do solo, ou como trepadeira. Evita o aparecimento de ervas daninhas e protege o solo da luz solar direta. Sendo pouco exigente em nutrientes é uma boa combinação com culturas altas que deixam muito solo descoberto, como por exemplo tomates ou pepinos.

Uma Curiosidade: a capuchinha possui um óleo nas folhas que faz com que estas não molhem. Toda a planta com exceção da raiz é comestível. Em apenas 100 gramas de folhas conseguimos quase 100 por cento de sua necessidade diária de zinco, mineral que fortalece o nosso sistema imunológico.

Floração: floração ocorre na Primavera, Verão e Outono. Com flores das mais diferentes cores, ricas em carotenoides e vitamina C (bem versáteis e famosas na cozinha, combinando com saladas e queijos). Vejam aqui, mais flores comestíveis para plantar.

O que atrai: embora possa ter problemas com pulgões, podemos dizer que é uma “cultura armadilha”, pois mantém essa praga bem longe das plantações com as quais está associada.

O que repele: é um repelente natural de pragas como pulgões e fungos.

Como incluir na horta: ao longo de todo o terreno. Pode funcionar bem para cobrir solo quando plantada com algumas plantas mais altas ou como bordadura de canteiros.

4. Calêndula
A calêndula é originária do sul da Europa e bacia do Mediterrâneo. É cultivada por imensos benefícios, funcionando como planta ornamental, comestível (as flores) e medicinais. As suas flores comestíveis são ricas em flavonoides e são antioxidantes.

Uma Curiosidade: amplamente utilizada na homeopatia e indústria farmacêutica. O nome calêndula deriva de uma palavra latina: calendae, que significa o primeiro dia de cada mês. A sua flor está ligada ao sol. As suas pétalas abrem quando o sol nasce e fecham no por do sol.

Floração: são plantas que necessitam de pelo menos 6 horas de luz por dia para florir. Bastante floração na Primavera, Verão e Outono.

O que atrai: insetos benéficos como joaninha e vários sirfideos (moscas-das-flores). Todos eles são predadores de insetos que se alimentam de pragas de insetos, como pulgões.

O que repele: produz um inseticida natural que repele nematoides, pulgões e besouros. É uma boa companhia para os morangos, framboesa, tomate e alho francês. Atua como um repelente da mosca branca, várias pragas da couve e nematoide do solo.

Como incluir na horta: a intercalação entre culturas ajuda a repelir as pragas. Existem muitas formas de encorajar um conjunto de aliados naturais que incluem plantas, animais e insetos. Deste modo ajudamos a manter as pragas e predadores afastados de modo a prevenir um desequilíbrio no ecossistema e contribuir assim para uma horta mais biodiversa, saudável e por conseguinte mais produtiva.

5. Girassol
Planta anual com grandes flores com uma cor amarelo marcante que contrasta perfeitamente com o azul do céu.

Uma curiosidade: é uma planta originária da América do Norte que pode atingir até 4m de altura. Se orienta de acordo com a posição do sol nascente, um movimento conhecido como heliotropismo. Esse movimento é favorável ao crescimento e a fotossíntese da planta.

Floração: ocorre cerca de dois meses após a germinação da planta. A flor dura em média de 30 a 45 dias.

O que atrai: o néctar do girassol tem elevado teor proteico e de alta qualidade que é muito apreciado pelas abelhas.

O que repele: a cor amarela do gisassol atrai vários inimigos naturais, tais como vespas parasitoides, predadores (joaninhas e percevejos) e insetos polinizadores (abelhas mamangavas e vespas). Por isso, é muito utilizado como planta armadilha em culturas como a do tomate. As folhas e as flores podem ser usadas para repelir insetos como trips e mosca branca quando fervidas e aplicadas sobre outras folhas.

Como incluir na horta: plantado geralmente na bordadura do canteiro para formar uma barreira física para os insetos.

  •  

Plantando frutíferas em vasos

As frutíferas podem ser plantadas em vasos e produzir belos e deliciosos frutos da mesma forma que acontece no plantio no solo. A única diferença é que no plantio em vasos o solo deverá ser mais estruturado nutricionalmente do que no cultivo tradicional. E a reposição nutricional deverá acontecer durante várias vezes no ciclo de cultivo da planta.

1. Escolha do vaso
A importância de selecionar o vaso certo para plantar a sua frutífera é muitas vezes subestimado. O vaso (bem como as adições: seixos, casca de pinus, biobric) são elementos importantes na composição, e devem ser escolhidos cuidadosamente para manter a umidade do solo e ornamentar o vaso. As árvores que apresentam tamanhos grandes na natureza devem ser colocadas em recipientes maiores, proporcionando às raízes espaço suficiente para que se desenvolvam ajudando a árvore a lidar com a limitação do vaso.

2. Tratos Culturais
2.1. Drenagem do vaso
A drenagem do fundo do vaso é uma das partes mais importantes do plantio. Vasos com drenagem ruim propiciam acúmulo de água, consequentemente, apodrecimento radicular. Em contrapartida, vasos sem elementos drenantes propiciam o crescimento de minhocas que entram pelos furos dos vasos. As minhocas em áreas fechadas, como os vasos, formam torrões que compactam o solo, prejudicando a aeração e o crescimento radicular. Como forma de drenagem, sugerimos: Seixos, Argila expandida, manta Bidin, brita, cacos de telhas, etc.

2.2. Preparo do Solo de Plantio
Para ter sucesso no crescimento das plantas é importante utilizar produtos que sejam capazes de reter umidade, que tenham nutrientes em sua composição e que sejam produtos orgânicos, neste caso, o produto ideal é o condicionador de solo “Classe A” (orgânico). Quando for adquirir um produto para o plantio da frutífera, deve-se procurar na embalagem a Classificação do Produto pelo Ministério da Agricultura, como Condicionador de Solo “Classe A”, essa classificação indica se ele é ou não orgânico. Verifique no Site, o nosso artigo sobre as Classes de Produtos e os riscos que os produtos não orgânicos trazem à saúde. Substratos são produtos utilizados apenas para substituir a terra por um curto período de tempo, pois não conseguem reter umidade, dessa forma as plantas poderão definhar por desidratação rapidamente. É importante ter nutrientes no solo de plantio da muda, para que a mesma absorva-os durante o seu ciclo. Serão estes nutrientes que irão garantir a produção dos frutos e saúde das plantas. Misture ao condicionador de solo “Classe A” os seguintes produtos: cinzas de churrasqueira peneirada, casca de ovo moída no liquidificador, húmus de minhoca, Formulação NPK 04-14-08, borra de café, calcário, etc.

2.3. Plantio da muda
A planta ideal deve possuir tamanho médio, estar ereta, possuir galhos e boa quanidade de folhas, caule com grossura de 1 dedo, sistema radicular desenvolvido, pode ou não ter frutos e deve estar saudável (ausência de doenças – manchas foliares). No plantio deve-se retirar o saco plástico e manter o torrão intacto. O vaso escolhido deve ser no mínimo 3 vezes maior que o torrão da muda para propiciar o enraizamento e crescimento saudável da planta. Após a montagem do vaso (drenagem e camada de solo no fundo do vaso), coloca-se o torrão da muda e completa as laterais com o solo, apertando ao redor do torrão, para que a planta fique bem firme. Deve-se cobrir o torrão até a altura de 2 cm acima do torrão inicial. Após o plantio da muda deve-se fazer a irrigação do vaso. É importante tomar cuidado para não lesionar o caule da planta, caso isso aconteça, pincele um pouco de canela em pó umidecida em água para que aconteça a assépcia do lugar machucado.

2.4. Irrigação do vaso
Após o plantio o vaso deve ser irrigado até que a água escorra pelo fundo. A irrigação deverá ocorrer sempre que o solo do vaso estiver seco. E, sempre da mesma forma, com a água escorrendo no fundo do vaso.

2.5. Nutrição Vegetal
O ideal para o desenvolvimento da planta é utilizar adubos foliares que, após a aplicação nas folhas, escorram para o solo e possam ser absorvidos pelas raízes. A adubação deve ser com produtos completos na sua formulação, não apenas o NPK, mas macronutrientes secundários (magnésio e enxofre) e micronutrientes (boro, cobre, cobalto, ferro, manganês, molibdênio e zinco), para garantir o maior desenvolvimento das plantas. Com o uso do Condicionador de Solo “Classe A” no solo e outros produtos na mistura, o fornecimento de nutrientes para as raízes já é suficiente. É importante que a adubação foliar seja feita durante os processos de crescimento da planta (época de crescimento: primavera e verão, florescimento e frutificação) com um produto que possua maior teor de Nitrogênio na sua formulação. Na época de produção, a formulação ideal deve ter mais nitrogênio, potássio e boro em sua composição. A ausência de nutrientes propicia amarelecimento foliar e abortamento de flores e frutos.

2.6. Controle de pragas e doenças
As plantas em geral, estão susceptíveis ao ataque de pragas e doenças. Estes danos podem ocorrer toda vez que a planta estiver em condições de stress, seja hídrico (falta ou excesso de água), luz (sombra ou excesso de sol) ou metabólico (falta ou excesso de nutrientes). Estes fatores podem ser facilmente contornados se buscarmos no mercado produtos orgânicos e de fácil aplicação. Para pragas, em nosso site, temos disponíveis produtos para insetos, lesmas, caracóis e armadilhas amarelas que garantem o controle do inseto. Para doenças, a simples poda de manutenção, esterilização da tesoura e aplicação de canela em pó (condimento – cicatrizante natural) no galho cortado e sulfato de cobre (fertilizante) nas folhas, são suficientes para o controle.

3. Colheita dos frutos
Os frutos devem ser colhidos com o auxílio de uma tesoura de poda, cortando-se o pecíolo. Deve-se tomar o cuidado para não necrosar o caule. Cada ferida na planta é um risco para a entrada de doenças que irão definhar o seu crescimento saudável.

4. Adubação de manutenção
Após a colheita dos frutos é importante fornecer à frutifera todos os nutrientes gastos na produção dos frutos. Este fornecimento deve ser via adubação radicular com o uso da formulação NPK 10-10-10 (formulação de manutenção) e via adubação foliar com uma formulação o mais completa possível.

Publicado originalmente em https://terral.agr.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=50

  •