Visualização de leitura

'Vibe coding': Lovable lança app de programação com IA para Android e iOS

A startup Lovable lançou nesta semana seu novo aplicativo para Android e iOS, que permite a criação de sites e aplicações web por meio de comandos de voz ou texto pelo celular.

O lançamento expande as capacidades da plataforma de programação assistida por inteligência artificial (IA) — conhecida também como “vibe coding” — para os smartphones, e garante a sincronização de arquivos e dados com a versão para computadores.

Desenvolvimento contínuo

O aplicativo (Android | iOS), que tem download gratuito, funciona como uma extensão da plataforma web. Os usuários descrevem suas ideias em linguagem natural para que a IA inicie a construção do código.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O agente autônomo continua operando em segundo plano mesmo se o aplicativo for fechado, e uma notificação alerta o usuário quando o projeto está pronto para revisão.

A sincronização do ecossistema permite iniciar o desenvolvimento no celular e continuar a edição ou visualizar o código no desktop sem quebrar o fluxo de trabalho.

A startup oferece também planos de assinatura que variam de US$ 9,99 a US$ 79,99 mensais.

coding
O "vibe coding" permite que pessoas sem conhecimento técnico em códigos de programação consigam desenvolver aplicações (Imagem: Reprodução/Lal Singh/Unsplash)

Regras da Apple

A chegada do aplicativo da Lovable ao ecossistema da Apple ocorre em meio a um cenário de restrições.

Recentemente, a fabricante do iPhone bloqueou atualizações de ferramentas semelhantes, como Replit e Vibecode, e removeu temporariamente o app Anything de sua loja por violações das diretrizes de desenvolvedores.

As regras da App Store proíbem que aplicativos baixem novos códigos ou alterem sua funcionalidade original após a aprovação, o que é classificado como risco de segurança aos usuários finais.

Para cumprir as diretrizes da Apple, a Lovable foca na criação de aplicações baseadas na web. No iOS, os projetos gerados pela IA não contam com hospedagem direta no aplicativo hospedeiro e exigem visualização através do navegador web.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Uber entra no mercado de hotéis e permite que você peça lanches durante a viagem

A Uber anunciou nesta quarta-feira (29) que usuários nos Estados Unidos podem reservar hotéis diretamente pelo aplicativo. O recurso foi apresentado durante o evento anual Go-Get, em Nova York, e integra uma série de novas funcionalidades que ampliam a atuação da empresa além do transporte urbano.

No lançamento, o app dá acesso a mais de 700 mil hotéis no mundo inteiro via parceria com o Expedia Group. O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, liderou o Expedia por 12 anos antes de assumir o cargo atual.

Imóveis de aluguel por temporada da Vrbo, startup do setor de hospedagem, também serão incorporados ao aplicativo ainda neste ano.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Descontos para assinantes do Uber One

Quem tem assinatura do Uber One ganha 20% de desconto em uma lista rotativa de 10 mil hotéis e 10% de volta em créditos da plataforma sobre todas as reservas. A funcionalidade aparece em uma nova seção de Hotéis na tela inicial do app, com filtros por destino, preço e categoria.

A partir de 1º de junho, os benefícios do Uber One passarão a valer também em viagens ao exterior. Antes, o acúmulo de créditos e os descontos em corridas e entregas ficavam restritos ao país de origem do assinante.

uber
Por enquanto, as novidades estão restritas apenas à usuários dos EUA (Imagem: Reprodução/Erik Mclean/Unsplash)

IA reduziu tempo de desenvolvimento pela metade

O diretor de tecnologia da Uber, Praveen Neppalli Naga, afirmou ao TechCrunch que a reserva de hotéis levaria pelo menos um ano para ser desenvolvida no modelo tradicional de engenharia. Com ferramentas de IA agêntica, como o Cursor, o prazo caiu à metade.

"O que vimos nos últimos meses é uma redefinição fundamental da forma de construir software", disse Naga. Para ele, o gargalo da empresa nunca foi falta de ideias, mas de tempo e capacidade de execução, e as ferramentas de IA agêntica estão mudando essa equação.

Outras novidades do Go-Get

O evento também trouxe novas funções para o uso cotidiano do app. Em corridas do Uber Black, passa a ser possível incluir no pedido uma bebida ou lanche que estará no veículo quando o motorista chegar. A funcionalidade, batizada de "Eats for the Way", começa em cidades como Atlanta, Los Angeles e San Francisco nas próximas semanas.

O "modo de viagem" (travel mode) apresenta ao usuário informações sobre a cidade que está visitando, como regras locais de transporte, pontos turísticos e recomendações de restaurantes. A integração com o OpenTable para reservas em restaurantes também está prevista. Por fim, a Uber lançou busca por voz com IA, acessível pelo ícone de microfone na barra de pesquisa do app.

uber e ifood
No Brasil, é possível pedir um lanche do iFood pela Uber, e pedir uma corrida de Uber pelo iFood (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

Disputa com Booking e Airbnb

A entrada no segmento de hospedagem coloca a Uber em concorrência direta com plataformas como Booking.com e Airbnb. O movimento ocorre semanas depois de o Airbnb lançar um piloto de reservas em hotéis boutique em Nova York, Los Angeles, Paris e Madri, expandindo sua atuação para além dos imóveis por temporada.

No discurso de abertura do Go-Get, Khosrowshahi resumiu a direção da empresa. "A Uber não é mais apenas um app de corridas, nem dois apps, nem uma família de apps para corridas e entregas", disse. "A Uber é agora um app para tudo”.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Google Cloud explica o que muda com a IA que executa tarefas de forma autônoma

A inteligência artificial que executa tarefas de forma autônoma, e não apenas responde perguntas, já está em operação em empresas reais. Essa é a avaliação da líder de Engenharia de Clientes para Inteligência Artificial no Google Cloud, Fernanda Jolo, e da especialista em Engenharia de Clientes da empresa, Mikaeri Ohana, em entrevista ao Podcast Canaltech desta quinta-feira (30), gravada durante o Google Cloud Next 2026, em Las Vegas.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

A chamada IA agêntica combina automação, que as empresas já usavam, com inteligência generativa. "Quando a gente junta esses dois, a gente tem a parte agêntica, que é realmente capaz de executar as tarefas baseadas no nosso comando", explicou Jolo. Os agentes podem operar de forma totalmente autônoma ou com aprovação humana a cada etapa, dependendo do nível de controle definido pela empresa.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Um dos principais anúncios do evento foi a evolução do Vertex AI para a Gemini Enterprise Agents Platform. A plataforma permite que qualquer funcionário crie e use agentes dentro da organização. "As pessoas não têm mais que depender de TI para poder utilizar IA, criar seus agentes", disse Ohana.

A novidade inclui o Agent Identity, recurso que atribui uma identidade criptografada a cada agente criado, respondendo a um problema central de governança em empresas com múltiplos agentes em operação simultânea.

Segurança como parte da infraestrutura

O avanço da IA também amplia os vetores de ataque. Jolo citou dados que indicam que grupos criminosos já usam agentes para acelerar invasões: um processo que levava 5 horas para avançar de uma etapa à outra agora ocorre em 20 segundos.

Para responder a esse cenário, o Google apresentou novos agentes de segurança, entre eles um voltado para monitoramento da dark web. O recurso rastreia credenciais e dados corporativos expostos em ambientes ocultos da internet e, segundo Jolo, elevou a precisão desse tipo de detecção em mais de 90%.

O evento também destacou os agentes da Wiz — plataforma de segurança em nuvem adquirida pelo Google por US$ 32 bilhões —, divididos em Red (exploração de vulnerabilidades), Blue (defesa) e Green (análise de resposta a incidentes).

Brasil no palco do Google Cloud Next

O evento colocou casos brasileiros em evidência. A Axa Energia foi mencionada pelo CEO do Google Cloud, Thomas Kurian, no keynote principal: a empresa reportou melhora de 15% na precisão de previsões energéticas após adotar soluções do Google. O Mercado Livre também foi citado entre os clientes em destaque globalmente.

Para Jolo, o acesso à IA está cada vez mais democrático. "Antes, a tecnologia chegava primeiro em alguns países e em algumas grandes empresas. Agora está democratizado esse acesso", afirmou. A perspectiva dela é de que a IA deixe de ser tema de discussão e passe a ser infraestrutura invisível: "Eu espero que daqui a alguns anos ninguém fale mais de IA, que simplesmente seja como a eletricidade, a internet”.

🎙️Confira a entrevista completa no Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

BYD abre 1,6 mil vagas de emprego em fábrica no Brasil; veja como se inscrever

A BYD abriu nesta segunda-feira (27) um processo seletivo com 1,6 mil vagas de emprego para contratação imediata na fábrica de Camaçari, na Bahia. As contratações têm como objetivo a implantação de um terceiro turno de produção no complexo industrial, que atualmente conta com cerca de 4,1 mil funcionários diretos.

Com a adição dos novos trabalhadores, prevista para o início do segundo semestre, a BYD será a terceira maior empregadora do estado, de acordo com o Guia Industrial 2025 da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

Desde dezembro de 2024, o quadro de funcionários cresceu cerca de 1.750%, segundo dados divulgados pela empresa. Além dos trabalhadores diretos, aproximadamente 3,7 mil terceirizados atuam nas obras de construção das fábricas de soldagem, estamparia e pintura.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O complexo industrial ocupa uma área de 4,65 milhões de metros quadrados e tem capacidade atual para produzir 150 mil veículos por ano, com meta de chegar a 600 mil quando as obras forem concluídas. O investimento total na unidade soma R$ 5,5 bilhões.

Cargos e perfis buscados

As vagas abertas incluem as funções de condutor interno, inspetor de qualidade, motorista carreteiro, operador logístico e de equipamentos, técnico em elétrica e mecânica, e operador de produção.

O processo seletivo prioriza candidatos de Camaçari, Salvador, Mata de São João e Dias D'Ávila.

Como se inscrever

As vagas estão disponíveis nos seguintes canais:

  • SineBahia;
  • Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador (CIAT) de Camaçari;
  • Plataforma Gupy (bydbrasil.gupy.io).

A BYD informa que não cobra nenhuma taxa para participação no processo seletivo e não envia cartas aos candidatos.

Quem não for aprovado imediatamente permanece cadastrado na base da empresa para oportunidades futuras. A recomendação é manter o currículo atualizado nos canais oficiais e acompanhar as comunicações pelos órgãos parceiros.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Por que a China bloqueou aquisição da Manus pela Meta

A China bloqueou formalmente a aquisição da startup de inteligência artificial Manus pela Meta nesta segunda-feira (27). A decisão foi publicada pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma o órgão de planejamento estatal chinês, que pediu às partes o cancelamento da transação, avaliada em cerca de US$ 2 bilhões (aproximadamente R$ 11,4 bilhões na cotação atual).

Em nota, a Meta afirmou que "a transação cumpriu integralmente a legislação aplicável" e que espera "uma resolução adequada para a investigação", sem detalhar como pretende solucionar a questão com Pequim.

Obstáculos desde o início

O negócio foi anunciado em dezembro de 2025. Na época, a Meta não divulgou valores oficiais, mas fontes próximas à negociação ouvidas pela Reuters estimaram a Manus entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões. O plano era integrar os agentes autônomos da startup aos produtos da empresa de Mark Zuckerberg, incluindo o assistente Meta AI.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Pouco depois, em janeiro deste ano, o Ministério do Comércio da China havia iniciado uma revisão para avaliar se a transação violava regras de segurança nacional ou de controle de exportação de tecnologia. Em particular, a transferência dos funcionários e da tecnologia da Manus para Singapura, e depois para uma empresa americana.

Em março, o Financial Times reportou que os dois cofundadores da Manus, Xiao Hong e Ji Yichao, foram impedidos pelas autoridades chinesas de deixar o país enquanto a investigação estava em andamento.

apps meta
A Meta tem buscado desenvolver a primeira "superinteligência" artificial (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

Por que Pequim não queria ver a Manus nas mãos da Meta

A raiz do problema está na origem da Manus. Embora a empresa tenha sede em Singapura, foi fundada na China, e parte de sua tecnologia foi desenvolvida por uma companhia "irmã" registrada em Pequim.

Pela legislação chinesa, isso enquadra a transferência tecnológica como uma exportação que, em tese, exige licença do governo, especialmente quando o comprador é uma Big Tech americana.

A aquisição chamou atenção por representar justamente o tipo de movimentação que Pequim tem tentado coibir: o chamado "Singapore-washing", modelo em que empresas com raízes chinesas transferem sua sede para a cidade-estado para escapar do escrutínio tanto de Pequim quanto de Washington.

A decisão de bloquear o negócio com a Manus funciona como um recado direto para outros fundadores que cogitam estratégia semelhante.

Do lado americano, o cenário também era delicado. Legisladores nos EUA têm restringido investimentos de americanos em empresas de IA com vínculos chineses, o que tornava a transação um alvo de atenção em dois fronts simultaneamente.

A decisão ocorre poucas semanas antes da cúpula aguardada entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, onde temas como tarifas e controles de tecnologia estão na pauta.

Desfazer a integração será complicado

Reverter a aquisição não é simples. Logo após o anúncio em dezembro, a Meta já havia integrado os sistemas da Manus à sua estrutura interna, e os executivos da startup passaram a atuar na empresa americana. Em nota à BBC em março, um porta-voz da Meta chegou a afirmar que "a excelente equipe da Manus já está profundamente integrada à Meta".

Para a empresa de Zuckerberg, perder a Manus significa abrir mão de uma plataforma com mais de US$ 100 milhões em receita recorrente anual, alcançados apenas oito meses após o lançamento do produto, em um momento em que a corrida por agentes de IA contra Google e OpenAI está se intensificando.

A Manus desenvolveu o que chama de agentes de propósito geral: sistemas capazes de executar tarefas complexas de ponta a ponta com autonomia, como pesquisa de mercado, análise de dados e programação, sem necessidade de intervenção humana constante.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Google Fotos lança ferramenta de retoque facial e ajuste automático com IA

O Google lançou, nas últimas semanas, duas novidades no editor de fotos do Google Fotos para Android: ferramentas de retoque facial e um botão de aprimoramento com inteligência artificial chamado Ajuste com IA (AI Enhance), agora disponível globalmente.

As ferramentas de retoque permitem selecionar um rosto na foto e aplicar ajustes específicos em até sete elementos: cicatrizes e imperfeições (heal), textura da pele (smooth), olheiras (under eyes), íris (irises), dentes (teeth), sobrancelhas (eyebrows) e lábios (lips). Em cada opção, é possível ajustar a intensidade do efeito.

O Canaltech testou em diferentes dispositivos Android, e a ferramenta ainda não estava disponível.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Já o Ajuste com IA funciona de forma diferente: é um botão único que analisa a foto de forma automática e tenta corrigir problemas de iluminação, recuperar realces e sombras e ajustar levemente as cores.

O resultado é sutil e não muda muito a imagem. É útil para corrigir fotos com má iluminação, mas sem diferenças drásticas em relação a soluções concorrentes.

O Google informa que o resultado pode variar conforme o dispositivo, o que indica que parte do processamento ocorre localmente. A ferramenta requer conexão com a internet para funcionar.

As duas atualizações estão disponíveis apenas para Android, em aparelhos com pelo menos 4 GB de RAM e Android 9.0 ou superior. O AI Enhance é gratuito no formato atual.

exemplo google fotos
Antes (direita) e depois (esquerda) da ferramenta Ajuste com IA (Imagem: Captura de tela/Marcelo Fischer/Canaltech)

Como usar o retoque facial e o Ajuste com IA

Para acessar as ferramentas de retoque — caso estejam disponíveis no seu app —, abra uma foto no Google Fotos, toque em Editar e selecione um rosto na imagem.

As opções de ajuste aparecerão na barra inferior. Escolha a função desejada e deslize o controle para definir a intensidade.

O Ajuste com IA fica na aba Auto do mesmo editor, ao lado dos botões Ajustar e Dinâmico. Basta tocar nele para que o aplicativo processe a imagem automaticamente, sem configurações adicionais.

Caso as ferramentas não apareçam, pode ser necessário atualizar o aplicativo pela Play Store.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Acer prepara lançamentos gamer e de IA para o Brasil ainda em 2026

O presidente da Acer para as Américas, Germano Couy, confirmou ao Podcast Canaltech deste sábado (25) que a empresa deve lançar novos modelos da linha Nitro em até 60 dias, possivelmente na virada do terceiro trimestre, e que os primeiros notebooks com os processadores Intel Wildcat Lake chegam ao país ainda no segundo semestre de 2026.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

A entrevista foi concedida durante a IEM Rio 2026, evento de esportes eletrônicos realizado no Rio de Janeiro do qual a Acer é patrocinadora global.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A linha Wildcat Lake, processadores que a Intel lançou oficialmente em 16 de abril de 2026 sob o nome Core Series 3, é voltada para o segmento de entrada e oferece até 40 TOPS de desempenho em inteligência artificial (IA). A fabricante tem mais de 70 designs de notebooks previstos com esses chips por parte de parceiros.

No portfólio da Acer para o Brasil, a linha incluirá modelos que vão do Core i3 ao Core Ultra 7.

"Você vai ter desde Core i3 até Core Ultra 5 e Core Ultra 7. Haverá uma linha completa dessa família Wildcat, com poder computacional e também com um preço mais competitivo do que os flagships", afirmou Couy.

Gaming como base e expansão para o intermediário

Antes dos lançamentos Wildcat Lake, a Acer deve reforçar presença no segmento intermediário com novos modelos da linha Nitro. A marca acumula mais de 50% de participação no mercado de notebooks gamers no Brasil, posição sustentada por dados de mercado independentes que apontam para cerca de 58% de market share nessa categoria ao longo dos últimos cinco anos, segundo o Brazil Economy.

A chegada dos Nitro representa, segundo Couy, uma estratégia para levar esse nível de configuração gráfica e de CPU para uma faixa de preço mais acessível.

No campo da IA, Couy reconhece que a entrega prática ainda depende dos aplicativos que o usuário escolhe, e cita como exemplos concretos a melhora de qualidade em videochamadas, o cancelamento de ruído e o aprimoramento de imagens em tempo real, recursos já integrados aos notebooks atuais da marca.

A pressão sobre os preços é um ponto de atenção no mercado. Couy atribui parte dessa alta ao aumento da demanda global por componentes como memória, CPUs e GPUs impulsionado pelos data centers de IA, demanda que, segundo ele, a cadeia de produção ainda não conseguiu absorver completamente.

Como resposta, a empresa aposta em parcelamento estendido em canais online e no varejo físico, além de combinar acessórios e softwares nos pacotes de venda como forma de agregar valor sem elevar o preço do hardware.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Google entra em briga inédita com o jornalismo no Brasil

O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quinta-feira (23), por unanimidade, a abertura de um processo administrativo contra o Google.

A investigação terá como foco o uso de conteúdos jornalísticos pelas plataformas da empresa, sem remuneração aos veículos de comunicação. Especialmente por meio do AI Overviews, seu recurso de resumos por inteligência artificial. É a primeira vez que uma Big Tech enfrenta uma investigação desse tipo no país.

A votação foi 5 a 0. O caso está relacionado a um possível "abuso exploratório de posição dominante", expressão usada no processo para descrever como o Google extrairia valor econômico do jornalismo sem oferecer contrapartida proporcional.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O caminho até aqui

O inquérito original foi aberto em 2019 para apurar práticas de coleta automatizada de títulos, trechos de textos e imagens de sites noticiosos sem remuneração aos autores. Em 2024, o processo foi arquivado por ausência de indícios suficientes. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), junto à Abert, Aner, Ajor e Repórteres Sem Fronteiras, pressionou pela reabertura, que ocorreu em 2025.

O retorno do caso à pauta ganhou novo contorno com a expansão do AI Overviews, lançado pelo Google em maio de 2024. O recurso gera resumos diretamente nos resultados de busca, sintetizando informações de sites sem que o usuário precise acessá-los.

google
O Google passa por processos semelhantes ao do Cade em outros países (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

O que o Cade vai investigar

O presidente interino do tribunal, Diogo Thomson de Andrade, argumentou que o modelo de negócios do Google evoluiu significativamente desde o início do inquérito. Na tese vencedora, ele destacou que a IA generativa permite à plataforma reter o usuário na própria interface de busca, reduzindo o tráfego para os sites de origem, e, com ele, a receita dos veículos.

A conselheira Camila Cabral Pires-Alves, que apresentou voto-vista, foi além. Em seu voto, ela argumentou que o problema central não é apenas a perda de audiência, mas a apropriação de valor informativo pelo Google sem reconhecimento proporcional aos produtores do conteúdo.

Segundo ela, quando um resumo de IA responde completamente a uma consulta do usuário, a plataforma retém a atenção, internaliza a utilidade da informação e reduz a possibilidade de o veículo original capturar esse valor.

Pires-Alves também sugeriu que a nova fase da investigação colete dados detalhados sobre buscas "zero-click" — quando o usuário lê o resumo e não clica em nenhum link. Além disso, o Cade deverá comparar o valor retido pelo Google com publicidade digital em relação aos custos editoriais dos veículos para produzir as notícias que alimentam esses resumos.

Reações ao resultado

A ANJ classificou a decisão como um marco histórico

Já o Google, em nota, contestou a decisão. A empresa afirmou que o entendimento do Cade reflete uma compreensão equivocada sobre o funcionamento de seus produtos e disse que a IA foi projetada para exibir links de uma ampla variedade de fontes. O Google acrescentou que seguirá dialogando com o órgão.

O processo retorna agora à Superintendência Geral do Cade para aprofundamento das investigações.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Fim da busca infinita: novo recurso do Spotify usa IA para indicar podcasts

O Spotify anunciou nesta terça-feira (7) a expansão da ferramenta "Prompted Playlists" (Playlists Guiadas) para incluir a recomendação de podcasts. A funcionalidade utiliza inteligência artificial para gerar listas de episódios a partir de comandos de texto escritos pelo usuário.

O recurso chegou à plataforma de streaming de áudio em dezembro de 2025, com foco exclusivo na criação de playlists musicais, e foi expandido para mais regiões em janeiro deste ano.

A integração dos programas em áudio busca solucionar um problema de descoberta de novos conteúdos dentro do aplicativo, com uma alternativa direta à navegação manual pelas categorias do catálogo.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Para utilizar a nova função, o assinante do Premium precisa acessar o aplicativo e tocar no botão "Criar", localizado no canto inferior direito da tela, ou no ícone com o sinal de adição, caso a interface esteja configurada de forma diferente.

Em seguida, é necessário digitar um texto descrevendo o tema específico ou o assunto que deseja escutar. O sistema processa o comando e entrega uma seleção de episódios curada pela inteligência artificial, que abrange desde debates noticiosos curtos até formatos mais extensos de conversas.

A plataforma permite ajustes contínuos nas sugestões geradas. O usuário consegue editar as descrições textuais para refinar a busca ou iniciar um comando totalmente do zero.

Outro recurso disponível é a programação de atualizações automáticas para a playlist, com opções de renovação diária ou semanal.

spotify app
O Spotify tem adicionado diversas ferramentas com IA nos últimos meses (Imagem: Viviane França/Canaltech)

Disponibilidade da nova ferramenta

A ferramenta está sendo liberada gradativamente como parte de um lançamento beta em andamento para assinantes do plano Premium.

Atualmente, o recurso está presente para usuários nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia e Suécia.

O Canaltech entrou em contato com o Spotify para saber se há previsão de chegada da ferramenta ao Brasil, e aguarda resposta para atualização do texto.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

'Caso ela diga não': PF intima TikTok para identificar autores de trend violenta

A Polícia Federal (PF) intimou a rede social TikTok para prestar informações e auxiliar na identificação dos usuários que publicaram vídeos da trend "Caso ela diga não", de acordo com a CNN Brasil. A plataforma já enviou dados técnicos aos investigadores, como os endereços de IP dos computadores e os logs de acesso.

A apuração foca em publicações que fazem apologia e incitam a violência contra a mulher. Nos vídeos que circularam na rede social, homens simulam agressões físicas, como socos, chutes, facadas e até tiros, como uma resposta hipotética a uma rejeição amorosa ou negativa em um flerte.

Com as informações técnicas fornecidas pela plataforma, a PF começou a traçar a linha de identificação dos usuários. O objetivo principal da corporação é descobrir as pessoas reais que estão por trás dos perfis responsáveis por compartilhar as imagens de ódio.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Até o momento, os investigadores já levantaram 15 perfis originários que publicaram os vídeos que viralizaram.

tiktok
O TikTok tem colaborado com a PF para o envio de dados sobre os perfis que publicaram os vídeos machistas (Imagem: Viviane França/Canaltech)

Investigação e moderação de conteúdo

O inquérito atual é conduzido pela Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos. Segundo a apuração da unidade, os perfis identificados são de 2024 e 2025.

A maioria do conteúdo que viralizou nas últimas semanas havia sido publicada no ano passado, e as imagens já foram excluídas pelo TikTok.

A atuação da PF neste caso ocorre por meio de uma coordenação de combate a crimes cibernéticos de ódio. Esta unidade específica foi criada em dezembro do ano passado e é a responsável por acompanhar esse e outros casos considerados graves.

O caso ganhou tração inicial em março de 2026, mês do Dia Internacional da Mulher, quando a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Polícia Federal após localizar a origem do material em quatro perfis.

Na mesma época, o Ministério da Justiça notificou o TikTok, dando um prazo de cinco dias para a empresa explicar as medidas adotadas para detectar conteúdos misóginos. A pasta também questionou possíveis falhas sistêmicas na moderação e exigiu informações sobre a atuação dos algoritmos de recomendação na amplificação desse tipo de vídeo.

Em respostas anteriores sobre o caso, o TikTok afirmou que grande parte do material já havia sido retirada antes mesmo das notificações oficiais da Polícia Federal.

A empresa reiterou seu compromisso com a segurança da comunidade e declarou que mantém colaboração contínua com as autoridades. Os criadores dos vídeos originais podem responder por incitação a crimes como ameaça, violência psicológica e feminicídio.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Hackers norte-coreanos atacam biblioteca JavaScript com milhões de downloads

Um grupo de hackers vinculado à Coreia do Norte comprometeu o Axios, uma das bibliotecas JavaScript mais usadas do mundo, inserindo um código malicioso capaz de roubar dados em computadores com Windows, macOS e Linux.

O ataque durou cerca de três horas, entre 00h21 e 03h20 UTC do dia 31 de março de 2026, antes que as versões contaminadas fossem removidas. O Google atribuiu a ação ao grupo UNC1069, ativo desde pelo menos 2018 e responsável por bilhões em roubos de criptomoedas.

O pacote npm do Axios registra mais de dezenas de milhões de downloads semanais e está presente em aproximadamente 80% dos ambientes de nuvem e desenvolvimento, segundo estimativa da empresa de segurança Wiz. A empresa também identificou as versões maliciosas em cerca de 3% dos ambientes que varreu desde o incidente.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Os invasores tomaram o controle da conta do mantenedor do pacote npm e publicaram duas versões adulteradas. Cada uma delas incluía uma dependência maliciosa chamada "plain-crypto-js", que atuava como um dropper (um programa que baixa e executa outras ameaças).

hacker
O UNC1069 roubou cerca de US$ 2 bilhões em criptomoedas em 2025 (Imagem: Sora Shimazaki/Pexels)

Semanas de preparação e engenharia social

O ataque não foi improvisado. Em um relato publicado nesta segunda-feira (6), o mantenedor do projeto Axios, Jason Saayman, descreveu que os hackers iniciaram a abordagem cerca de duas semanas antes de obter acesso à sua máquina.

O grupo criou um workspace falso no Slack, perfis de funcionários fictícios e se passou por uma empresa real para ganhar a confiança de Saayman.

Em seguida, o convidaram para uma reunião virtual que exigiu a instalação de um programa apresentado como atualização necessária para acessar a chamada, na prática, um malware que deu acesso remoto ao computador do mantenedor.

Esse tipo de ataque de engenharia social, segundo o Google, é recorrente entre grupos norte-coreanos e já foi usado anteriormente para roubar criptomoedas.

Quem é o UNC1069

O Google Threat Intelligence Group (GTIG) atribuiu o ataque ao UNC1069 com base em dois elementos: o uso de uma versão atualizada do backdoor WAVESHAPER, já associado ao grupo, e sobreposições na infraestrutura de comando e controle com operações anteriores.

O UNC1069 é descrito pelo Google como um ator de ameaça com motivação financeira, historicamente focado em criptomoedas e finanças descentralizadas. A motivação específica por trás do ataque ao Axios ainda não está clara, pois não houve, até o momento, evidências de roubo direto de criptomoedas ou implantação de ransomware decorrentes do comprometimento.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

No sigilo: Google lança app de transcrição de áudio com IA que funciona offline

O Google lançou nesta segunda-feira (6), sem anúncios, um aplicativo de ditado com inteligência artificial chamado Google AI Edge Eloquent. O app, gratuito para iOS, transcreve fala em tempo real e usa modelos de IA baseados na arquitetura Gemma, rodando diretamente no dispositivo, sem enviar áudio para servidores externos.

O processamento acontece offline por padrão. Ao pausar a gravação, o app filtra automaticamente vícios de linguagem como "ãh" e "é", elimina autocorreções no meio de frases e entrega um texto revisado.

Segundo a descrição do app na App Store, o objetivo é converter fala espontânea em texto pronto para uso, sem necessidade de edição manual.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O que o app faz

Além da transcrição básica, o Google AI Edge Eloquent permite formatar o texto em quatro modos: pontos principais, formal, curto e longo.

O usuário pode alternar entre o processamento local e um modo em nuvem, e, neste caso, o texto passa pelos servidores do Google para refinamento com o modelo Gemini.

O app também oferece integração com o Gmail para importar termos técnicos, nomes e jargões usados frequentemente pelo usuário, construindo um dicionário personalizado.

É possível, ainda, adicionar palavras manualmente. O histórico de sessões fica salvo e pesquisável, e o app exibe estatísticas como palavras por minuto e total de palavras ditadas.

A descrição na App Store confirma que o processamento de áudio nunca sai do dispositivo no modo offline, e que o app não exige hardware de ponta para funcionar, já que o texto menciona explicitamente compatibilidade com modelos mais antigos.

gemini app
Apps como o Gemini ou o Pinpoint, do Google, já fazem a transcrição de áudios, mas não em tempo real (Imagem: Viviane França/Canaltech)

Disponibilidade

Por enquanto, o Google AI Edge Eloquent está disponível apenas para iOS. Porém, nos testes do Canaltech, não encontramos o app na App Store brasileira.

A descrição original do app na loja da Apple chegou a mencionar integração com Android, incluindo a opção de definir o app como teclado padrão do sistema, mas esse trecho foi removido posteriormente.

De acordo com o Android Authority, uma versão para Android ainda deve ser lançada, possivelmente com um botão flutuante para acesso rápido à transcrição em qualquer campo de texto, recurso semelhante ao que o Wispr Flow já oferece na plataforma.

O Google não se pronunciou publicamente sobre o lançamento.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

'Open source', mas pago: Anthropic passa a cobrar pelo uso do Claude no OpenClaw

A Anthropic passou a cobrar separadamente pelo uso do Claude em ferramentas de terceiros, como o OpenClaw. A mudança entrou em vigor no último sábado e afeta assinantes dos planos pagos, que até então podiam usar o modelo para esse tipo de automação dentro dos limites da assinatura.

Com a nova política, o acesso ao Claude via “harnesses” externos — termo que a empresa usa para se referir a essas ferramentas — exige pagamento por uso, faturado à parte da assinatura mensal.

As opções disponíveis são consumo via API, pacotes pré-pagos ou cobrança conforme o uso, segundo e-mail enviado pela empresa aos clientes e divulgado no Hacker News.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A Anthropic confirmou que a mudança começa com o OpenClaw, mas se aplica a todas as ferramentas de terceiros que operam dessa forma. "Essa política se aplica a todos os harnesses de terceiros e será expandida em breve", afirmou a empresa na mensagem.

Por que a Anthropic tomou essa decisão

A justificativa da empresa é de infraestrutura. Agentes de IA autônomos, como o OpenClaw, executam tarefas contínuas em apps como Gmail, Slack e iMessage, consomem tokens em volumes muito maiores do que uma conversa humana comum e mantêm sessões por horas. Esse padrão de uso pressiona os sistemas da Anthropic de forma desproporcional.

"Temos trabalhado para gerenciar a demanda de forma geral, mas essas ferramentas geram uma sobrecarga fora do comum nos nossos sistemas", escreveu a empresa no e-mail aos clientes.

O responsável pelo Claude Code na Anthropic, Boris Cherny, reforçou no X que as assinaturas "não foram construídas para os padrões de uso dessas ferramentas de terceiros" e que a empresa tenta "ser intencional no gerenciamento do crescimento para continuar atendendo os clientes de forma sustentável".

claude
O Claude teve um boom de usuários nos últimos meses, após negar um contrato com o Pentágono (Imagem: Viviane França/Canaltech)

Reação do criador do OpenClaw

Já o fundador do OpenClaw, Peter Steinberger, criticou a decisão publicamente. Ele disse que tentou convencer a Anthropic a recuar, mas conseguiu apenas atrasar a implementação por uma semana.

Steinberger também apontou uma contradição no “timing". Pouco antes do anúncio, a Anthropic incorporou ao Claude funcionalidades similares às que tornaram o OpenClaw popular, como o controle autônomo do computador. "Primeiro copiam funcionalidades populares para dentro do próprio sistema, depois bloqueiam o open source", escreveu no X.

Cherny respondeu que a equipe do Claude Code é "fã de open source" e que a restrição tem origem em limitações técnicas, não numa decisão estratégica contra o projeto.

A Anthropic também ofereceu reembolso integral para assinantes que queiram cancelar por conta da mudança e disponibilizou um crédito único equivalente ao valor da assinatura mensal, válido até 17 de abril, além de pacotes com desconto de até 30%.

O OpenClaw, que era open source e foi desenvolvido por Steinberger antes de ele ingressar na OpenAI no início deste ano, segue ativo com suporte da rival.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

IA na cibersegurança: como golpes que levavam dois anos agora levam 5 dias

Uma vulnerabilidade que levava dois anos para ser explorada por criminosos digitais passou a ser atacada em média em 44 dias em 2024, e em 2025, esse prazo caiu para 5 dias. O dado, levantado pela ViperX em análise de relatórios do setor, resume a velocidade com que o cenário de cibersegurança mudou nos últimos anos.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

O COO da empresa, Rodolfo Almeida, esteve no RSA Conference 2025, em San Francisco, um dos principais eventos globais de segurança digital, e trouxe ao Podcast Canaltech desta terça-feira (7) um panorama do que discutiu com líderes do setor.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Para ele, a edição deste ano marcou uma virada de postura: "o mercado saiu do encantamento com a inteligência artificial e começou a se perguntar como colocar isso para rodar, sem perder o controle”.

Ataque e defesa no mesmo tabuleiro

A IA está presente dos dois lados da equação. Nas mãos de criminosos, ela tornou fraudes mais personalizadas, mais rápidas e mais difíceis de detectar.

Almeida cita um caso registrado fora do Brasil em que um funcionário transferiu US$ 25 milhões após uma videochamada com quem acreditava ser o CFO da empresa, mas era um deepfake.

"Até pouco tempo atrás, ver e ouvir alguém numa videochamada parecia suficiente. Hoje não é mais", afirma.

Segundo ele, os ataques perderam a aparência amadora que antes ajudava as vítimas a identificá-los. Mensagens falsas estão bem escritas, clones de voz se tornaram acessíveis e agentes de IA podem ser manipulados para executar fraudes de forma autônoma.

Do lado da defesa, a tecnologia já atua em triagem de incidentes e análise de malware sem intervenção humana. Mas Almeida é direto sobre os limites: "não é uma autonomia total de ponta a ponta. Por isso, a supervisão e a governança são extremamente essenciais”.

O dado encontra respaldo em relatórios recentes. Segundo levantamento da Vantico, 87% dos profissionais de segurança identificaram aumento dos riscos associados à IA em 2025, e 63% das empresas ainda não têm políticas de governança para o tema.

Maior perigo: a corrida sem controle

Para Almeida, o principal problema hoje é o descompasso entre a velocidade de adoção da IA e a maturidade de segurança para sua supervisão. "Toda área está adotando: RH, contabilidade, marketing. O maior perigo é esse descompasso entre velocidade de uso e controle”.

O erro mais comum que ele observa nas empresas é tratar segurança como uma compra pontual, não como uma operação contínua. "Não é só instalar tecnologia. Tem que construir uma jornada de defesa, com acompanhamento estratégico e evolução contínua”.

🎙️Confira o episódio completo no Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Como criminosos usam o gov.br para infectar seu PC

Criminosos estão usando a credibilidade do gov.br para distribuir malware capaz de capturar senhas, dados bancários e até registrar as digitações do usuário em tempo real.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

O alerta vem de Rodolfo Almeida, cofundador e COO da ViperX, empresa especializada em inteligência de ameaças e cibersegurança, entrevistado no episódio desta quarta-feira (25) do Podcast Canaltech.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O diferencial desse tipo de ataque em relação aos golpes convencionais é o vetor de infecção. O objetivo é induzir a vítima a executar um arquivo na própria máquina, em vez de coletar dados por formulários falsos.

"O golpe acaba passando daquele golpe tradicional de 'me dá sua senha', para 'instale alguma coisa na sua máquina sem perceber'", explica Almeida.

Como funciona a cadeia de infecção

O fluxo começa com um link recebido pela vítima, via SMS, WhatsApp ou e-mail, que leva a uma página visualmente idêntica ao gov.br. Nela, o usuário é orientado a baixar um arquivo como se fosse parte de um procedimento comum.

Executado o arquivo, tem início o que especialistas chamam de cadeia de infecção.

O programa malicioso se camufla dentro de aplicativos legítimos do Windows e passa a operar em segundo plano, registrando digitações, capturando telas e coletando cookies de sessão, o que permite ao fraudador manter acesso a contas mesmo depois que a senha é trocada.

O tipo de vírus utilizado tem nome técnico: “infostealer”. Dados bancários são o principal alvo, mas o programa pode interagir com qualquer arquivo armazenado no computador da vítima.

A eficácia do golpe está diretamente ligada à confiança institucional. "Ele deixa de construir uma credibilidade do zero. Já sai na metade do caminho, sequestrando a credibilidade que já temos no governo", diz Almeida.

Esse mecanismo eleva a taxa de conversão do ataque, ou seja, a proporção de vítimas que efetivamente caem no golpe.

Para o especialista, o cibercrime passou de ataques oportunistas para operações coordenadas em grupos, tendência observada nos últimos três anos e acelerada pelo uso de inteligência artificial.

As principais recomendações de Almeida para se proteger: verificar o endereço completo do link antes de clicar, desconfiar de qualquer portal que peça download de arquivo, ativar autenticação em dois fatores e manter antivírus e sistema operacional atualizados.

E, quem suspeitar que executou algo malicioso deve encerrar todas as sessões abertas e avisar o banco imediatamente.

🎙️Confira o episódio completo no Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Entenda por que Meta e YouTube foram condenadas por vício em redes sociais

Um júri em Los Angeles decidiu, na quarta-feira (25), que a Meta e o YouTube foram negligentes no design de suas plataformas e falharam em alertar usuários sobre os riscos de uso. A decisão é considerada um marco legal, por ser a primeira vez que gigantes do setor chegam a julgamento por casos de vício em redes sociais.

O tribunal determinou que as duas empresas devem pagar US$ 3 milhões (cerca de R$ 15,7 milhões) em danos compensatórios à autora da ação, identificada apenas como K.G.M (ou Kaley). 

A Meta ficou com 70% da responsabilidade e o YouTube com os 30% restantes. O júri ainda aprovou US$ 3 milhões adicionais em danos punitivos, com US$ 2,1 milhões atribuídos à Meta e US$ 900 mil ao YouTube, totalizando US$ 6 milhões. O valor final ainda precisa ser confirmado pelo juiz.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Abaixo, estão as principais questões sobre o caso. Neste texto você confere:

  • Por que Meta e YouTube foram condenadas?
  • Quem mais estava envolvido no processo?
  • O que as empresas disseram sobre a decisão?
  • Por que essa decisão é tão importante?

Por que Meta e YouTube foram condenadas?

O júri concluiu que as plataformas tinham funções de design, como algoritmos de recomendação, notificações constantes e reprodução automática de vídeos, que contribuíram de forma substancial para os danos sofridos por Kaley.

O ponto central da acusação não foi o conteúdo publicado nas plataformas, mas as escolhas de produto das empresas e a ausência de avisos adequados sobre os riscos de uso intensivo.

Kaley começou a usar o YouTube aos 6 anos e o Instagram aos 9. Segundo o depoimento dela ao tribunal, o uso quase ininterrupto das plataformas causou ou agravou depressão, ansiedade, body dysmorphia (condição clínica diagnosticada) e pensamentos suicidas. Ela relatou ter comprado "curtidas" para parecer popular, e usado filtros do Instagram em quase todas as fotos.

A defesa das empresas argumentou que os problemas de Kaley foram causados por traumas anteriores ao uso das redes e que as plataformas não são intencionalmente prejudiciais.

Um advogado do YouTube afirmou que não havia menção a vício à plataforma nos registros médicos da autora. A Meta apontou para um histórico de abuso emocional e físico na infância como fator preponderante.

Dez dos doze jurados votaram a favor da autora em todas as questões apresentadas.

youtube
O YouTube pertence ao Google desde outubro de 2006 (Imagem: Reprodução/Unsplash)

Quem mais estava envolvido no processo?

O caso é o primeiro de um grupo consolidado de ações movidas por mais de 1,6 mil autores, incluindo mais de 350 famílias e 250 distritos escolares nos Estados Unidos. TikTok e Snapchat também eram réus no processo de Kaley, mas fizeram acordos extrajudiciais antes do julgamento.

Ao longo do julgamento de cinco semanas no LA Superior Court, o júri ouviu depoimentos de executivos como o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, o chefe do Instagram, Adam Mosseri, e o vice-presidente de engenharia do YouTube, Cristos Goodrow. As deliberações levaram 44 horas ao longo de nove dias.

O que as empresas disseram sobre a decisão?

A Meta afirmou, em nota, que discorda do veredito e vai recorrer. "A saúde mental dos adolescentes é profundamente complexa e não pode ser atribuída a um único aplicativo", disse um porta-voz da empresa.

O Google também anunciou intenção de recorrer e contestou a categorização do YouTube como rede social: "Este caso deturpa o YouTube, que é uma plataforma de streaming desenvolvida de forma responsável”.

zuckerberg
Zuckerberg já teve de testemunhar à um júri duas vezes desde que criou o Facebook (Imagem: Reprodução/Anthony Quintano/Wikimedia Commons/CC-2.0)

Por que essa decisão é tão importante?

O resultado serve como um "caso-teste" para definir como júris tendem a decidir em processos similares ao longo do país.

O advogado fundador do Social Media Victims Law Center, Matt Bergman, avaliou à NBC News que a decisão "estabelece uma estrutura para como casos semelhantes serão avaliados e demonstra que júris estão dispostos a responsabilizar empresas de tecnologia”.

O próximo julgamento do grupo está previsto para julho, ainda em Los Angeles. Uma ação federal separada, envolvendo redes sociais e saúde mental de jovens, está prevista para começar no verão norte-americano no Distrito Norte da Califórnia.

Um dia antes do veredicto de LA, um júri no Novo México também condenou a Meta, determinando que a empresa violou de forma intencional as leis estaduais de defesa do consumidor. Naquele caso, o valor fixado foi de US$ 375 milhões (aproximadamente US$ 1,9 bilhão). A Meta disse que também recorrerá dessa decisão.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Cashback e restituição mais rápida: veja as 7 principais mudanças no IRPF 2026

A declaração do Imposto de Renda ganhou algumas novidades significativas em 2026, como cashback de até R$ 1 mil, aumento no limite de renda e mais facilidade na pré-preenchida. O prazo para entrega da declaração está aberto desde 23 de março e vai até 29 de maio.

O Canaltech separou as 7 principais mudanças apresentadas pela Receita Federal.

7 mudanças no IRPF 2026

Confira o que mudou e como funcionam as novidades no Imposto de Renda 2026.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

  1. Cashback de até R$ 1 mil
  2. Restituição mais rápida
  3. Declaração pré-preenchida ganha alertas de erro
  4. Fim dos recibos médicos em papel
  5. Ganhos com apostas esportivas (bets) entram na declaração
  6. Aumento do limite de renda
  7. Investidores em renda variável podem usar a pré-preenchida

1. Cashback de até R$ 1 mil

Quem recebeu até dois salários-mínimos e teve o imposto de renda retido em algum mês de 2025, mas que na média anual estaria isento, receberá uma restituição automática. Cerca de 4 milhões de trabalhadores se enquadram nessa categoria.

O benefício é automático, e quem for elegível não precisa fazer nada, desde que tenha CPF regular e chave PIX associada ao CPF cadastrada.

O pagamento será feito via PIX em 15 de julho, em lote exclusivo para o cashback. No total, serão devolvidos R$ 500 milhões, com valor máximo de R$ 1 mil e média de R$ 125 por contribuinte.

2. Restituição mais rápida

O número de lotes de restituição caiu de cinco para quatro. Os pagamentos ocorrerão em 29 de maio, 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto

A mudança mais importante está na concentração dos repasses: a Receita projeta que 80% dos contribuintes com direito à restituição receberão nos dois primeiros lotes. Em 2025, esse percentual foi de 57%.

A ordem de prioridade não mudou, contribuintes com 80 anos ou mais são os primeiros a receber.

receita federal
Quem usa a declaração pré-preenchida tem prioridade no recebimento da restituição (Imagem: Reprodução/Agência Brasil)

3. Declaração pré-preenchida ganha alertas de erro

A Receita passará a emitir alertas automáticos em situações como despesa médica com valor muito acima do esperado (provável erro de digitação) ou ausência de chave PIX vinculada ao CPF.

Outras adições incluem a importação automática de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARFs) pagos, dados do eSocial para contribuintes com empregado doméstico e informações sobre dependentes do núcleo familiar. Para usar o serviço, é necessário conta gov.br nos níveis ouro ou prata.

A meta da Receita é superar 60% de adesão à pré-preenchida. Em 2025, o índice ficou em 50,3%.

4. Fim dos recibos médicos em papel

Em 2025, o sistema Receita Saúde digitalizou todos os comprovantes de serviços de saúde, eliminando os recibos físicos. Esta é a primeira declaração do ciclo completo com esse mecanismo, o que significa que praticamente todas as despesas médicas de 2025 já devem constar automaticamente na declaração pré-preenchida.

As despesas médicas eram uma das principais causas de erros e autuações. A Receita Federal projeta redução de 25% nos parâmetros que geram problemas por esse motivo.

5. Ganhos com apostas esportivas (bets) entram na declaração

Contribuintes que obtiveram lucros em plataformas de bets em 2025 precisarão informar esses valores.

A Receita criou um campo específico para esse tipo de rendimento, que inclui tanto os ganhos quanto os saldos registrados nas plataformas até 31 de dezembro de 2025.

Quem não declarar corre risco de inconsistência com as informações já repassadas pelas próprias plataformas ao Fisco, o que pode levar à malha fina.

leão
O leão é o símbolo do Imposto de Renda desde 1980 (Imagem: Adam King/Unsplash)

6. Aumento do limite de renda

Quem recebeu até R$ 35.584 (R$ 2.965,33 por mês) em 2025 não é obrigado a declarar. O limite anterior era de R$ 33.888.

Outros critérios de obrigatoriedade permanecem: rendimentos isentos acima de R$ 200 mil, vendas acima de R$ 40 mil em bolsa de valores, posse de bens acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro e renda rural acima de R$ 177.920 ainda obrigam a declaração.

Um ponto importante: a isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês não se aplica a esta declaração. A mudança vale para rendimentos de 2026 e aparecerá apenas na declaração do IR de 2027.

7. Investidores em renda variável podem usar a pré-preenchida

Até o ano passado, quem operava no mercado de renda variável estava impedido de usar a declaração pré-preenchida. A partir de 2026, esse grupo passou a ser incluído, com os dados do IRRF de renda variável, como operações comuns e day-trade, importados automaticamente.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Especialista explica por que empresas podem perder dados mesmo fazendo backups

Ter uma rotina de backups constantes não garante que os dados possam ser recuperados quando necessário. 

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

O alerta vem do gerente de tecnologia da Kingston Brasil, Iuri Santos, que participou do episódio desta terça-feira (24) do Podcast Canaltech e apontou a falta de testes de restauração como o principal problema das estratégias de proteção de dados hoje.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

"A raiz do problema é a falta de teste. Você tem uma rotina de backup pré-estabelecida, mas não tem uma programação para fazer a recuperação desse backup", explicou Santos. 

Segundo ele, é comum que empresas descubram que um backup foi corrompido exatamente no momento de maior pressão: quando precisam restaurar os dados de verdade.

O cenário tem consequências financeiras mensuráveis. De acordo com o relatório IBM Cost of a Data Breach 2025, o custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,19 milhões, alta de 6,5% sobre o ano anterior.

Por que os backups falham, e o que fazer

As causas de falha são variadas: instabilidade de rede durante a cópia, danos físicos em mídias de armazenamento, timeout que gera uma confirmação de sucesso mesmo quando o processo não foi concluído. Ataques cibernéticos também podem comprometer o backup junto com o sistema principal.

"Às vezes o sistema retorna que a cópia foi feita com sucesso, mas ela foi corrompida. Se você não extrai e testa o backup antes de precisar dele, só descobre isso na hora errada", disse Santos.

Na prática, quando o backup falha, as empresas recorrem a arquivos ainda mais antigos, armazenados em mídias de acesso lento, guardadas em outro local. O processo de restauração que deveria levar minutos pode se estender por dias, com o negócio parado ou operando de forma degradada.

Santos ressaltou que um backup externo e testado é a principal defesa para não negociar com criminosos. "Se você tem esse backup protegido e já praticou o tempo de recuperação, você simplesmente restaura o sistema e elimina a necessidade de pagar o resgate", afirmou.

A recomendação mínima, segundo o especialista, é manter pelo menos duas cópias em locais diferentes, além da nuvem, tratando o backup em nuvem como uma das cópias, não como a única. Senhas comprometidas ou invasões à conta podem tornar o armazenamento em nuvem tão vulnerável quanto qualquer outro.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Fim de Highguard: por que os jogos live service estão morrendo tão rápido?

O encerramento do Highguard, no último dia 12, menos de 45 dias após o lançamento, reacendeu o debate sobre a saúde do modelo “live service” na indústria de games.

O título da Wildlight Entertainment, desenvolvido por veteranos de franquias como Apex Legends e Titanfall, chegou a reunir 2 milhões de jogadores únicos e um pico de quase 100 mil usuários simultâneos no Steam, mas não sustentou a base ativa necessária para continuar operando.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O episódio se repete com variações desde pelo menos o caso do Concord, da Sony: lançado em agosto de 2024 depois de oito anos de desenvolvimento e investimento estimado em US$ 200 milhões, o hero shooter foi encerrado em menos de duas semanas.

Para o jornalista e criador de conteúdo especializado em games Pedro Henrique, conhecido como PH, a raiz do problema está menos nos desenvolvedores e mais na estrutura financeira que envolve esses projetos. "A conta não é tão simples assim", afirmou PH no Podcast Canaltech desta segunda-feira (23).

Segundo ele, tanto desenvolvedores quanto executivos de estúdio frequentemente "ficam de mãos atadas" diante das exigências de investidores que "só colocam dinheiro em coisas que têm potencial de crescer exponencialmente em um piscar de olhos".

O resultado visível dessa lógica é uma concentração de apostas no modelo live service com premissa de viralização imediata. Mas há um problema estrutural embutido: os jogos demoram de cinco a sete anos para ser desenvolvidos, e as tendências que os inspiram costumam ser mais antigas ainda.

"Se você está seguindo uma tendência, você sempre vai chegar atrasado", disse PH. Overwatch é de 2016, Valorant é de 2020, e são esses jogos que ainda servem de referência para títulos que chegam ao mercado agora.

A retenção como barreira

O CEO da Go Gamers, Carlos Silva, trouxe outro ângulo do mesmo problema: o custo de entrada em um mercado dominado por jogadores já fidelizados.

"Imagina você que tem 200, 500, 1 mil horas em um jogo live service. Para você sair e ir para outro, ele tem que ser muito atrativo", explicou Silva no Podcast Canaltech.

Para Silva, a questão não é que o modelo live service esteja saturado, mas que a forma de entrar nesse território precisa ser repensada.

Ele citou o Fortnite como exemplo: o jogo ficou em beta por longo período, mesmo após se consolidar como produto, o que permitiu ajustes contínuos antes de a Epic Games assumir riscos financeiros maiores. "Vamos entregar primeiro no modelo beta, trabalhar outro modelo de negócios, para que aí sim, a gente lance o produto final", propôs o executivo.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Declaração do Imposto de Renda 2026 começa hoje (23); veja quem precisa declarar

A Receita Federal abre às 8h nesta segunda-feira (23) o prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física 2026 (IRPF). O envio pode ser feito até as 23h59 do dia 29 de maio.

A isenção aprovada pelo governo para quem recebe até R$ 5 mil por mês não se aplica a este ciclo, já que a declaração deste ano é referente aos rendimentos obtidos ao longo do último ano.  A medida, sancionada em novembro de 2025, passa a valer sobre rendimentos de 2026 e só terá efeito prático na declaração de 2027.

O Canaltech separou as principais informações sobre o IRPF. Neste texto você confere:

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

  • Quem precisa declarar o Imposto de Renda?
  • Onde declarar o Imposto de Renda?
  • Quando é a restituição do Imposto de Renda?
  • Calendário do Imposto de Renda 2026

Quem precisa declarar o Imposto de Renda?

O limite de rendimentos tributáveis para obrigatoriedade subiu em relação ao ano passado. Em 2026, estão obrigados a declarar quem recebeu mais de R$ 35.584 ao longo de 2025. 

Para atividade rural, o teto passou de R$ 169.440 para R$ 177.920 anuais. Os demais critérios foram mantidos:

  • Rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil;
  • Ganho de capital com a venda de bens ou direitos sujeito ao imposto;
  • Operações em bolsa de valores que somem mais de R$ 40 mil ou com lucro tributável;
  • Posse de bens e direitos superiores a R$ 800 mil em 31 de dezembro de 2025.

Também devem declarar quem passou a residir no Brasil em 2025, quem tem investimentos ou estruturas no exterior (incluindo participações em empresas estrangeiras e trusts) e quem usou a isenção sobre ganho de capital na venda de imóvel residencial para adquirir outro em até 180 dias.

Quem operou no mercado de apostas esportivas (bets) precisa informar os ganhos obtidos em 2025. Pela Lei 14.790, incide alíquota de 15% sobre os prêmios líquidos que superarem R$ 28.467,20, valor correspondente à primeira faixa da tabela progressiva anual do IR. Os saldos registrados nessas plataformas em 31 de dezembro também devem ser declarados em campo específico.

O atraso na entrega gera multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, com valor mínimo de R$ 165,74 e teto de 20% do total.

imposto de renda leão
O leão é símbolo do Imposto de Renda desde uma campanha publicitária de 1979, escolhido por ser um animal leal, forte e justo (Imagem: Reprodução/Joédson Alves/Agência Brasil)

Onde declarar o Imposto de Renda?

A declaração pode ser feita por três caminhos. 

O primeiro é o Programa Gerador da Declaração (PGD IRPF 2026), disponível para download no site da Receita Federal (gov.br/receitafederal).

O segundo é o sistema Meu Imposto de Renda (MIR), acessível pelo celular e disponível também no site da Receita Federal, pelo e-CAC ou pelo aplicativo da Receita Federal (Android | iOS). O acesso exige conta Gov.br nos níveis ouro ou prata.

Em ambos os casos, a Receita recomenda o uso da declaração pré-preenchida, que já incorpora dados como rendimentos, despesas médicas e informações de dependentes, e inclui, pela primeira vez, dados de quem atuou no mercado de renda variável. 

Quando é a restituição do Imposto de Renda?

As restituições serão pagas em quatro lotes: 29 de maio, 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto.

A expectativa é de que 80% dos contribuintes com direito ao valor recebam até o segundo lote. Quem usar a declaração pré-preenchida e optar pelo Pix tem prioridade na fila, logo após os grupos com preferência legal (idosos acima de 80 anos, pessoas com deficiência ou doença grave, e professores cuja principal fonte de renda seja o magistério).

Além disso, cerca de 4 milhões de contribuintes que não eram obrigados a declarar, mas tiveram imposto retido na fonte em 2024, devem receber uma restituição automática de até R$ 1 mil via Pix CPF a partir de 15 de julho, sem precisar entregar nenhuma declaração.

app irpf
Fique atento, o período de declaração do IRPF é repleto de tentativas de golpe online (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

Calendário do Imposto de Renda 2026

Confira abaixo como fica o calendário do IRPF 2026:

  • 23 de março: abertura do prazo para declaração;
  • 29 de maio: data final para declaração, até às 23h59; 1º lote da restituição;
  • 30 de junho: 2º lote da restituição;
  • 31 de julho: 3º lote da restituição;
  • 28 de agosto: 4º lote da restituição.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Galaxy S26 Ultra será usado nas filmagens da transmissão oficial do Lollapalooza

A Samsung fechou uma parceria comercial com a Globo para que imagens do Lollapalooza Brasil 2026 sejam captadas pelo Galaxy S26 Ultra e exibidas na cobertura oficial do festival, tanto na TV aberta quanto no Multishow e nos perfis das redes sociais da emissora.

A iniciativa se chama POV Galaxy e coloca três criadores de conteúdo amadores para trabalhar em dupla com talentos da Globo durante o festival.

O material gravado vai mostrar bastidores, momentos de interação do público e ativações da Samsung no evento, incluindo o espaço Galaxy instalado em frente ao Palco Samsung Galaxy.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O que o Galaxy S26 Ultra tem de diferente na câmera

Dois recursos do aparelho são o foco da ação.

O primeiro é o Nightography Vídeo Aprimorado, que combina a abertura maior da lente, a F1.4 na câmera principal de 200 MP, com processamento do Galaxy AI para capturar mais luz, reduzir ruídos e preservar detalhes em ambientes de baixa luminosidade ou iluminação variável, cenário comum em festivais de música.

Em comparação com o Galaxy S25 Ultra, a Samsung afirma que a abertura representa 47% mais brilho na câmera Wide.

O segundo é a Superestabilização com Bloqueio Horizontal. O recurso integra estabilização óptica e digital com alinhamento automático do horizonte, mantendo o enquadramento estável mesmo durante movimentos bruscos. Na prática, o vídeo permanece nivelado mesmo que o aparelho seja girado.

O S26 Ultra também é o primeiro celular da linha Galaxy a suportar o APV, um codec de vídeo de nível profissional voltado a fluxos de trabalho de produção de alta qualidade. Segundo a Samsung, o formato entrega qualidade visualmente sem perdas mesmo após edições sucessivas.

No teste de câmeras publicado pelo Canaltech nesta quarta (19), o aparelho demonstrou evolução em detalhamento de texturas e pós-processamento mais natural em retratos. Para vídeo, filma em 4K a 60 fps nas câmeras frontal e traseira, além de oferecer 8K a 30 fps na câmera principal.

s26 ultra
A linha Galaxy S26 foi lançada neste mês de março (Imagem: Gabriel Furlan Batista/Canaltech)

Celulares substituindo câmeras profissionais

Essa não é a primeira vez que celulares substituem câmeras profissionais. 

Em 2023, o diretor de Hollywood Ridley Scott filmou um curta-metragem usando apenas o Galaxy S23 Ultra. A empresa sul-coreana também já firmou parcerias com diversos grupos de k-pop, como o BTS, para gravações com seus celulares.

Já a Apple aposta na gravação de clipes musicais para divulgação de seus novos modelos. Em 2023, a superestrela Olivia Rodrigo gravou o clipe de “get him back!” usando o recém-lançado iPhone 15 Pro. Lady Gaga fez o mesmo com o vídeo de “Stupid Love”, com o iPhone 11 Pro

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

7 pontos para entender o ECA Digital, que entra em vigor nesta terça (17)

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025), apelidado de ECA Digital, entra em vigor no Brasil neste dia 17 de março de 2026. A lei obriga plataformas digitais a verificar a idade dos usuários por métodos confiáveis, implementar ferramentas de supervisão parental, restringir publicidade direcionada a menores e moderar conteúdos prejudiciais.

As plataformas que descumprirem as novas regras podem ser multadas em até R$ 50 milhões por infração.

Sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro de 2025, a legislação é a primeira lei brasileira a estabelecer regras específicas e punições aplicáveis às plataformas digitais na proteção de menores.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Em fevereiro de 2026, uma segunda lei (nº 15.352/2026) transformou a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em agência reguladora, o órgão responsável pela fiscalização do ECA Digital.

O Canaltech conversou com o sócio da área de Direito Digital do escritório Serur e presidente do Conselho Consultivo da Anatel, Fabricio da Mota Alves, para entender o que muda na prática.

7 pontos para entender o ECA Digital 

Confira abaixo as principais questões que envolvem o novo ECA Digital.

  1. O que é o ECA Digital e por que ele foi criado?
  2. O vídeo do Felca acelerou a aprovação da lei?
  3. Como vai funcionar a verificação de idade
  4. O que muda nas plataformas?
  5. O que muda para os usuários?
  6. Como evitar que jovens burlem as regras
  7. Como será a fiscalização

1. O que é o ECA Digital e por que ele foi criado?

O ECA Digital é a primeira lei brasileira a impor regras e punições diretamente às plataformas digitais para proteger crianças e adolescentes, e surgiu para corrigir uma falha estrutural do ambiente online no Brasil.

As regras que as plataformas seguiam no Brasil até hoje, para lidar com crianças e adolescentes, eram genéricas. O principal mecanismo de proteção era a autodeclaração de idade, aquele botão "declaro ter mais de 18 anos" que qualquer pessoa pode clicar sem nenhuma verificação real.

"Obviamente que a autodeclaração não é suficiente, assim como nunca foi", afirma Fabricio da Mota Alves. Segundo o advogado, esse mecanismo era um elemento civil mínimo que satisfazia exigências contratuais básicas, mas não oferecia nenhum filtro real de acesso.

O ECA Digital preenche essa lacuna ao redistribuir a responsabilidade de proteção. Até então, o ônus recaía exclusivamente sobre as famílias.

Com a nova lei, as empresas de tecnologia passam a ter obrigação jurídica e técnica de garantir ambientes digitais mais seguros para menores, independentemente de onde estejam sediadas, desde que ofereçam serviços no Brasil.

2. O vídeo do Felca acelerou a aprovação da lei?

O debate sobre proteção de crianças no ambiente digital não começou em 2025. Alves lembra que propostas sobre o tema tramitavam no Congresso desde 2022, sem encontrar força política suficiente para avançar.

O que mudou foi o vídeo "Adultização", publicado em agosto de 2025 pelo youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca. Em poucas horas, o conteúdo acumulou dezenas de milhões de visualizações ao expor, de forma direta, os riscos reais aos quais crianças estão expostas nas redes.

"O Felca foi o choque de realidade que a sociedade e os parlamentares precisavam para entender que não dava mais para adiar essa discussão", avalia Fabricio.

Para o advogado, o vídeo não criou a necessidade da lei, mas quebrou a inércia do Congresso ao unir espectros políticos opostos em torno de uma mesma causa, fenômeno que ele classifica como relativamente raro no cenário político recente.

criança com tablet
Na Austrália, redes sociais foram banidas para menores de 16 anos, e outros países como Espanha e Reino Unido tendem a bloquear também (Imagem: Reprodução/Unsplash)

3. Como vai funcionar a verificação de idade

A mudança mais imediata é a proibição da autodeclaração como forma de confirmar a idade. A partir desta terça, as plataformas deverão adotar mecanismos confiáveis, auditáveis e tecnicamente seguros para aferir se um usuário é menor de 18 anos.

A lei não exige identificação biométrica completa em todos os casos. Existem alternativas que cumprem a exigência sem expor dados sensíveis: estimativa de idade por inteligência artificial, credenciais verificáveis via Gov.br e tokens de idade criptografados com método duplo cego são alguns dos exemplos disponíveis no mercado.

O nível de rigor varia conforme o tipo de serviço. Sites de conteúdo pornográfico, plataformas de apostas e marketplaces que vendem bebidas alcoólicas ou produtos eróticos têm as exigências mais rígidas.

Para serviços com menor risco potencial, a verificação pode ser mais simples, mas a autodeclaração deixa de ser aceita como mecanismo de verificação em serviços restritos a menores.

4. O que muda nas plataformas?

As obrigações variam conforme o tipo de serviço, mas são abrangentes. De acordo com o texto da lei publicado no site do Planalto, redes sociais precisam criar versões sem publicidade direcionada e vincular contas de menores de 16 anos às de seus responsáveis legais.

Serviços de streaming devem oferecer perfis infantis e ferramentas de supervisão parental. Jogos eletrônicos com loot boxes, as "caixas-surpresa" pagas, ficam proibidos para essa faixa etária ou precisam oferecer versões sem essa funcionalidade. Já as plataformas de apostas devem impedir o cadastro de crianças e adolescentes.

A lei também proíbe o uso de dados ou perfis emocionais de menores para fins publicitários, o rastreamento excessivo e a monetização ou impulsionamento de conteúdos que retratem crianças de forma erotizada.

Empresas com mais de 1 milhão de usuários menores de idade cadastrados no Brasil precisarão publicar relatórios semestrais de transparência.

O conceito que orienta todas essas exigências é o que a área jurídica chama de "privacy by design": a proteção precisa estar embutida desde a concepção dos serviços, não adicionada depois como correção.

5. O que muda para os usuários?

Para os usuários, a mudança mais visível será o aumento nas solicitações de verificação de idade.

Ao acessar determinados serviços ou conteúdos, os usuários podem ser solicitados a confirmar sua faixa etária por métodos diferentes do convencional, como o preenchimento de um formulário.

Para menores de 16 anos, o impacto é mais direto: a lei exige que suas contas em redes sociais estejam vinculadas à conta de um responsável legal.

As plataformas precisarão oferecer ferramentas que permitam aos pais monitorar o tempo de uso, contatos e conteúdos acessados. Essas ferramentas devem, por padrão, operar no nível mais alto de proteção disponível.

A lei também exige que os mecanismos de supervisão parental sejam acessíveis e estejam disponíveis em português. Funcionalidades como reprodução automática, notificações para aumentar o tempo de tela e sistemas de recomendação personalizada devem poder ser limitadas ou desativadas pelos responsáveis.

criança com celular
A responsabilização, com o novo ECA Digital, não recai mais apenas nos pais, mas também nas plataformas (Imagem: Reprodução/Andrey K/Unsplash)

6. Como evitar que jovens burlem as regras

Um dos maiores desafios práticos do ECA Digital é garantir que as medidas de verificação funcionem de fato. 

Em outros países que restringiram o acesso de menores às redes sociais — como a Austrália, que baniu plataformas para menores de 16 anos —, jovens encontraram formas de contornar as regras usando VPNs ou contas de terceiros.

Fabricio da Mota Alves considera que a proibição total pode gerar o efeito contrário ao desejado. Segundo o advogado, o Brasil optou por um caminho mais sofisticado: em vez de proibir, a lei define obrigações técnicas que as plataformas devem cumprir para que o próprio mercado de tecnologia de identidade evolua e garanta a implementação.

Mas, Alves reconhece, que essa é hoje "a grande fronteira técnica" do tema. Diferentemente da LGPD, que pôde se apoiar em 30 anos de experiência europeia em regulação de dados, a regulação digital voltada especificamente para crianças é um campo novo no mundo inteiro. Fechar as brechas, segundo ele, exige combinar múltiplos métodos de verificação e garantir que as soluções sejam auditáveis, não apenas juridicamente corretas no papel.

7. Como será a fiscalização

A ANPD é o órgão responsável pela fiscalização administrativa do ECA Digital. Para reforçar essa atuação, o governo contratou 213 servidores temporários e criou uma carreira de especialista em regulação, com 200 vagas previstas por concurso público.

Plataformas que descumprirem as regras podem receber advertências, multas de até 10% do faturamento do grupo econômico no Brasil, limitadas a R$ 50 milhões por infração, ou, em casos mais graves, suspensão ou proibição de operação no país, essa última dependendo de decisão judicial.

Empresas estrangeiras responderão por meio de suas filiais ou representantes no Brasil.

A aplicação, porém, será gradual. A ANPD sinalizou postura "responsiva" neste primeiro momento, focada em promover a adaptação, especialmente das empresas menores.

O governo ainda aguarda a publicação de um decreto regulamentador que detalhe aspectos práticos da implementação. "O que se espera é transparência sempre, mas fiscalização apenas neste momento dos excessos", resume Fabricio da Mota Alves.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

ECA Digital: o que muda para redes sociais a partir de agora

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, popularizado como ECA Digital, entra em vigor a partir desta terça-feira (17). A principal mudança prática: plataformas digitais deixam de poder aceitar a autodeclaração de idade como mecanismo válido de controle de acesso. A obrigação de verificar a faixa etária dos usuários passa a ser, por lei, responsabilidade técnica e jurídica das empresas de tecnologia.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

O advogado especialista em direito digital e proteção de dados, Fabrício da Mota Alves, explica o que muda na prática em entrevista ao Podcast Canaltech. "A autodeclaração era um elemento de ordem civil que satisfazia interesses contratuais mínimos. Só que isso se mostrou não mais suficiente", afirma. 

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Aquele botão clássico de "declaro ter mais de 18 anos", que qualquer menor poderia clicar sem nenhum impedimento real, está fora do escopo legal a partir de agora.

Redes sociais, lojas de aplicativos e sistemas operacionais passam a ter obrigação de adotar mecanismos de verificação confiáveis e auditáveis. Contas de menores devem ter, por padrão, configurações máximas de privacidade, além de restrição ao uso de dados para publicidade comportamental.

A implementação, no entanto, é o ponto mais delicado. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), escolhida como reguladora, já sinalizou que a autodeclaração não será aceita sob nenhuma hipótese. 

O papel do vídeo do Felca na aprovação da lei

O projeto tramitava no Congresso desde 2022, mas a aceleração do processo legislativo tem como marco o vídeo do youtuber Felca sobre adultização infantil, publicado em agosto do ano passado. 

Atualmente com 52 milhões de visualizações, o conteúdo expôs riscos aos quais crianças estão expostas nas redes, da erotização precoce à presença de predadores. "Ele foi o choque de realidade que a sociedade e os parlamentares precisavam para entender que não dava mais para adiar essa regulamentação", avalia Fabrício.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Declaração do Imposto de Renda 2026: prazos, regras e o que mudou este ano

A Receita Federal confirmou nesta segunda-feira (16) que o prazo para entrega do Imposto de Renda 2026 começa em 23 de março e vai até 29 de maio

Confira abaixo as principais mudanças e pontos de atenção para o IRPF 2026. Neste conteúdo você encontra:

  • Isenção só ano que vem
  • Quem é obrigado a declarar em 2026
  • Atenção à pré-preenchida e ao calendário de restituições

Isenção só ano que vem

Um ponto que pode gerar confusão entre os contribuintes: a isenção aprovada pelo governo para quem recebe até R$ 5 mil por mês não entra em vigor nesta declaração.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A lei sancionada pelo presidente Lula em novembro de 2025 amplia a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais (R$ 60 mil anuais) e reduz o imposto para rendas de até R$ 7.350 por mês. 

As novas regras passam a valer em janeiro de 2026, mas afetam apenas os rendimentos obtidos a partir de agora, ou seja, terão efeito prático somente na declaração de 2027, que cobre o ano-base 2026. A declaração deste ano se refere ao que o contribuinte recebeu em 2025, quando as regras antigas ainda vigoravam.

Quem é obrigado a declarar em 2026

Os critérios mudaram em relação ao ano passado. Em 2025, a obrigatoriedade começava para quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 33.888 ao longo de 2024. Para 2026, esse limite subiu para R$ 35.584, referente aos rendimentos de 2025.

Os demais critérios seguem praticamente os mesmos: 

  • Rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil;
  • Ganho de capital com a venda de bens ou direitos; operações em bolsa de valores acima de R$ 40 mil ou com lucro tributável; 
  • Receita bruta de atividade rural acima de R$ 177.920 (ante R$ 169.440 em 2025); 
  • Posse de bens e direitos superiores a R$ 800 mil em 31 de dezembro de 2025, valor que se manteve igual ao do ano anterior.

Também estão obrigados a declarar quem passou a residir no Brasil em 2025, quem tem investimentos ou estruturas financeiras no exterior (incluindo participações em empresas estrangeiras e trusts), e quem utilizou a isenção sobre ganho de capital na venda de imóvel residencial para compra de outro dentro de 180 dias.

leao irpf
Os contribuintes podem enviar a declaração do IRPF 2026 a partir do dia 23 de março (Imagem: Reprodução/Joédson Alves/Agência Brasil)

Atenção à pré-preenchida e ao calendário de restituições

A Receita espera que mais de 60% dos contribuintes usem a declaração pré-preenchida em 2026. Mas o órgão emitiu um alerta: com o fim da Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte), as informações que alimentam esse modelo passam a vir de outras bases, como o eSocial e a EFD-Reinf.

O supervisor nacional do IRPF, José Carlos Fonseca, admitiu que "algumas informações foram passadas e não estavam 100%", o que exige conferência manual dos dados antes do envio.

O calendário de restituições também muda. Em 2026, serão quatro lotes, com pagamentos em 29 de maio, 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto.

Quem usar a declaração pré-preenchida e optar pelo Pix como forma de recebimento tem prioridade na fila, logo após os grupos com preferência por lei (idosos acima de 80 anos, pessoas com deficiência ou doença grave, e professores cuja principal renda seja o magistério).

O atraso na entrega gera multa de 1% ao mês sobre o imposto devido, com valor mínimo de R$ 165,74 e teto de 20% do total devido.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Startup brasileira usa modelo de IA para evitar 'bloqueio de fala' com o inglês

Uma plataforma brasileira de aprendizado de inglês por inteligência artificial chegou a 4 milhões de usuários e quase 200 mil assinantes pagantes em mais de 100 países. 

No episódio desta segunda-feira (16) do Podcast Canaltech, CEO e cofundador da BeConfident, Robson Amorim, explica como a tecnologia funciona, por que adultos travam na hora de falar inglês e qual é o próximo passo da empresa.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A BeConfiDent foi fundada por quatro amigos com histórico em robótica — o grupo foi a primeira equipe brasileira campeã mundial da modalidade, em 2015. 

A escolha de se integrar ao WhatsApp foi estratégica: na América Latina, mais de 99% dos usuários de smartphone usam o aplicativo e o abrem em média 30 vezes por dia. "A gente precisava criar uma solução que estava integrada na rotina", afirma Amorim.

O contexto que motivou a criação da empresa é a dissonância que temos no Brasil: o país tem o maior número de escolas de inglês do mundo, mas, segundo Amorim, menos de 1% da população brasileira é realmente fluente no idioma.

Por que adultos travam na hora de falar inglês

Amorim aponta o chamado "bloqueio de fala" como um dos principais obstáculos para quem estuda o idioma. 

Adultos desenvolvem, ao longo da vida, um receio do julgamento que crianças ainda não têm, e isso bloqueia a prática oral. A IA entra justamente nesse ponto. "Você tira essa camada do julgamento", afirma. "As pessoas têm esse entendimento que podem cometer o erro”.

Por trás das conversas, a plataforma roda mais de dez modelos de IA em paralelo, cada um com uma função específica: análise de gramática, pronúncia, contexto e memória do usuário. 

O sistema personaliza os tópicos conforme o perfil de cada assinante. Mais de 7% da base são médicos e mais de 8% são advogados, o que exige vocabulário técnico por área.

Em fevereiro de 2026, a BeConfiDent captou R$ 85 milhões em uma rodada Série A liderada pela Prosus Ventures, controladora do iFood, para financiar expansão global.

🎙️Confira o episódio completo:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

O que é workslop? Veja como a IA pode mais atrapalhar do que ajudar no trabalho

O uso de inteligência artificial no trabalho tem, de fato, se mostrado produtivo? Com a adoção em massa da tecnologia, um efeito colateral começa a chamar atenção de pesquisadores e gestores: o workslop

O fenômeno descreve conteúdos produzidos com apoio de IA que têm aparência profissional, mas carecem de profundidade, contexto ou valor real para a tomada de decisão.

A consequência prática é o retrabalho. Segundo pesquisa do Stanford Social Media Lab em parceria com a BetterUp, entre 40% e 41% dos profissionais afirmaram ter recebido algum tipo de workslop ao longo de um único mês. 

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Cada ocorrência gera, em média, quase duas horas de trabalho extra para quem recebe o conteúdo. Em termos financeiros, isso equivale a uma perda estimada de cerca de US$ 186 (cerca de R$ 983) por mês por funcionário.

Qual a origem do termo workslop?

O conceito foi popularizado por um artigo publicado pela Harvard Business Review em setembro de 2025, escrito por pesquisadores da BetterUp e da Universidade de Stanford. 

O texto, intitulado "AI-Generated Workslop Is Destroying Productivity", combina as palavras "work" (trabalho) e "slop" (lixo, borra) para definir esse tipo de entrega: visualmente aceitável, mas sem profundidade.

O artigo aponta que o número de empresas com processos totalmente conduzidos por IA praticamente dobrou no ano passado, assim como o uso corporativo da tecnologia desde 2023. 

O problema é que, segundo um relatório do MIT Media Lab citado pelo HBR, 95% das organizações ainda não veem retorno mensurável sobre o investimento feito nessas ferramentas.

ia
No mundo corporativo, as empresas que empregaram de forma rentável a IA são excessão (Imagem: Gerada por IA)

Por que o workslop acontece?

Uma das causas centrais é a adoção indiscriminada. Lideranças em empresas passaram a exigir o uso de IA para qualquer tipo de tarefa, sem distinguir atividades estratégicas de demandas operacionais simples. O resultado é o incentivo ao "copiar e colar" automático, sem adaptação ao contexto.

"A IA entrega uma resposta apropriada ao que foi solicitado, e não a resposta certa. Sem curadoria e sem lógica na formulação das solicitações, passamos a ter casos de aumento de produtividade individual e perda de produtividade organizacional, com erros que se propagam pela cadeia produtiva", explica o diretor de Artificial Intelligence Solutions & Strategy da Quality Digital, Cassio Pantaleoni.

O especialista e pesquisador da TGT ISG, Marcio Tabach, vai além. "Com frequência, chats baseados em LLMs extraem informações corretas, mas que nem sempre estão bem encadeadas do ponto de vista lógico. Esse é o ponto central: a lógica. Quem usa um LLM precisa ser capaz de ler o resultado e questionar se aquilo faz sentido ou não”. 

Tempo economizado é gasto em checagem

Outro dado que ajuda a dimensionar o problema vem de uma pesquisa da empresa Foxit, divulgada pelo TechRadar nesta sexta-feira (13). O estudo afirma que os trabalhadores ganham, em média, 14 minutos por semana com o uso de IA, enquanto executivos ganham 16 minutos

O motivo do número abaixo do esperado é que o tempo economizado na geração de conteúdo é absorvido pela necessidade de validar as saídas.

Os próprios dados da pesquisa mostram que executivos gastam, em média, 4 horas e 20 minutos por semana verificando resultados gerados por IA. Entre os trabalhadores, esse número chega a 3 horas e 50 minutos. 

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

O que é Qira? Conheça a nova assistente de IA da Lenovo e Motorola

A Lenovo apresentou na CES 2026, feira de tecnologia realizada em Las Vegas, nos Estados Unidos, seu novo assistente de inteligência artificial (IA): o Qira.

A ferramenta foi desenvolvida para funcionar de forma integrada em diferentes dispositivos da empresa, como notebooks, tablets e celulares da Motorola.

Abaixo, você confere:

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

  • O que é o Qira?
  • Como o Qira funciona?
  • O que o Qira consegue fazer?
  • Como o Qira lida com privacidade?
  • Quando o Qira vai chegar?

O que é o Qira?

O Qira é um assistente de IA desenvolvido pela Lenovo com foco em integração entre dispositivos. Ele opera diretamente no nível do sistema operacional, o que permite que o assistente mantenha o contexto de uma tarefa mesmo quando o usuário alterna entre aparelhos diferentes. Nos dispositivos Motorola, a ferramenta recebe o nome de Motorola Qira.

Segundo o VP de Ecossistema de IA no Grupo de Dispositivos Inteligentes da Lenovo, Dan Dery, o objetivo é que o Qira atue como uma inteligência contínua, e não como uma ferramenta isolada.

Como o Qira funciona?

O assistente pode ser ativado pelo comando de voz "Oi, Qira", por uma tecla dedicada ou pelo ícone persistente na interface do sistema. A Lenovo estrutura o funcionamento da ferramenta em três pilares: presença, ações e percepções.

"Presença" diz respeito à disponibilidade do Qira em diferentes pontos de entrada ao longo da interface. 

"Ações" se refere à capacidade de executar tarefas coordenando aplicativos e dispositivos, inclusive sem conexão com a internet. 

Já "percepções" envolve a construção de um histórico de contexto com base em interações selecionadas pelo usuário, como documentos, memórias e hábitos, para personalizar a experiência ao longo do tempo.

lenovo
Assistente promete integrar experiência em aparelhos da Lenovo (Imagem: Léo Müller/Canaltech)

O que o Qira consegue fazer?

Entre as funções disponíveis, o recurso "Próximo Passo" oferece sugestões contextuais com base no que o usuário está fazendo no momento. O "Escreva para Mim" auxilia na redação de e-mails, documentos, mensagens e anotações sem precisar trocar de aplicativo.

Outras funcionalidades incluem resumos do que aconteceu durante a ausência do usuário em reuniões, transcrição e tradução em tempo real de chamadas, interação multimodal por compartilhamento de tela ou câmera, e criação ou edição de imagens por IA generativa.

Como o Qira lida com privacidade?

A arquitetura do Qira prioriza o processamento local. Ou seja, os dados ficam no próprio dispositivo sempre que possível. 

O processamento em nuvem é utilizado apenas quando necessário para tarefas mais complexas, segundo a Lenovo. Parte das funções, como a geração de imagens pelo Creator Zone, funciona de forma totalmente local e offline.

Quando o Qira vai chegar?

A Lenovo prevê o lançamento em dispositivos selecionados a partir do primeiro trimestre de 2026. A chegada aos celulares Motorola está prevista para depois, sem data específica definida. A empresa também não informou quais modelos Motorola receberão a atualização.

Usuários com o Lenovo AI Now instalado receberão o Qira por atualização automática.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Jovi explica como alcança 7.200 mAh sem depender de silício-carbono

A Jovi, conhecida na China como Vivo, apresentou três novos smartphones da família Y: o Y31, o Y21 e o Y21 5G. O destaque é a capacidade de bateria, principalmente do Y31, que chega com 7.200 mAh e espessura de 8,5 mm. 

No episódio deste sábado (14) do Podcast Canaltech, o diretor de produto da Jovi, André Vargas, explicou a estratégia por trás dessa aposta e os próximos passos da marca no país.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O Y31 tem carregamento rápido de 44W e é voltado principalmente ao público de micro e pequenos empreendedores. Já o Y21 traz bateria de 6.500 mAh, disponível nas versões 4G e 5G, e chega como sucessor do Y29, um dos modelos de maior saída da marca em 2025.

Por que baterias maiores viraram estratégia

A decisão de apostar em autonomia veio de pesquisas com consumidores brasileiros conduzidas antes do lançamento da marca no país, em maio de 2025. 

Segundo Vargas, o mercado local ficou estagnado em torno de 5.000 mAh e carregadores de 15W por muito tempo. "O consumidor no Brasil, há dois anos, não conseguia ter produtos com baterias maiores ou com carregadores mais rápidos", afirmou ao Podcast. "Por que não explorar atributos que ninguém está explorando?".

A tecnologia batizada de Blue Volt, não se resume ao silício-carbono, material adotado por outras fabricantes para aumentar a densidade energética. Vargas explicou que a linha Y combina diferentes soluções: gestão do espaço interno do aparelho, camadas de lítio com densidades distintas e aproveitamento máximo do volume da célula. 

No campo das garantias, os compradores do Y31 até 31 de maio têm dois anos de cobertura contra defeitos de fabricação — o dobro do praticado pelo mercado — e quatro anos de garantia específica para a bateria, com manutenção mínima de 80% da capacidade original. "Se ele não aguentar 80%, o consumidor que comprar até o dia 31 de maio vai na assistência e a gente troca essa bateria", disse Vargas.

A Jovi produz seus aparelhos em Manaus desde janeiro de 2025 e já tem escritórios em nove estados. A Vivo Mobile, marca global por trás da Jovi, é o quarto maior fabricante de smartphones do mundo, com cerca de 8% de participação de mercado global, de acordo com o executivo. Para 2026, a empresa planeja ampliar portfólio e distribuição.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Google Maps com Gemini e navegação 3D: quando chega no Brasil?

O Google Maps recebeu, na quinta-feira (12), as duas maiores atualizações da sua história recente: uma função de busca conversacional com inteligência artificial (IA) e uma reformulação visual completa da navegação. 

Até o momento, os recursos estão restritos aos Estados Unidos e à Índia, sem data definida para chegada ao Brasil.

Confira abaixo como funcionam os novos recursos e o que podemos esperar deles por aqui.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Ask Maps

O primeiro recurso é o Ask Maps, interface conversacional integrada ao Gemini, o modelo de IA do Google. 

O usuário pode fazer perguntas em linguagem natural, como por exemplo: “encontrar uma quadra de tênis pública com iluminação” ou “um lugar para carregar o celular sem fila”.

Para montar as respostas, o sistema cruza dados de mais de 300 milhões de locais cadastrados e leva em conta o histórico de buscas e preferências do usuário. O app então exibe um mapa personalizado com as opções e permite reservar mesas, salvar endereços ou iniciar a navegação direto pela conversa.

O recurso também funciona para planejar roteiros com múltiplas paradas: ao perguntar sobre pontos de interesse ao longo de uma viagem, o Maps retorna horários previstos de chegada, sugestões de percurso e dicas extraídas de avaliações da comunidade, que soma mais de 500 milhões de contribuidores.

O Ask Maps já está disponível para Android e iOS nos EUA e na Índia. Uma versão para desktop deve ser lançada em breve, segundo o Google.

Navegação imersiva 3D

A segunda atualização é a chamada Navegação Imersiva, descrita pelo Google como a maior reformulação da experiência de direção em mais de uma década. 

O visual 2D clássico dá lugar a uma visualização em 3D gerada com base em imagens do Street View e fotos aéreas processadas pelos modelos Gemini.

O mapa passa a mostrar edifícios, viadutos, faixas de trânsito, semáforos e faixas de pedestres em tempo real, com zoom inteligente que antecipa conversões complexas e trocas de faixa. 

As instruções de voz também foram reformuladas para um tom mais natural.

exemplo maps
Exemplo da nova navegação 3D do Google Maps (Imagem: Reprodução/Google)

Outro ajuste é a apresentação explícita das vantagens e desvantagens entre rotas alternativas: o app informa se o caminho diferente é mais rápido, mais lento ou inclui pedágio. 

Além disso, a plataforma incorpora mais de 5 milhões de atualizações de trânsito por segundo e recebe mais de 10 milhões de alertas diários de motoristas — incluindo dados do Waze — para notificar obras, acidentes e outros incidentes.

Ao se aproximar do destino, o usuário recebe informações sobre a entrada do local, vagas de estacionamento próximas e o lado correto da rua para parar.

E o Brasil?

A Navegação Imersiva começou a ser distribuída nos EUA para iOS, Android, CarPlay, Android Auto e carros com Google integrado. A expansão global deve ocorrer de forma gradual, conforme os dispositivos compatíveis receberem a atualização.

Nas atualizações anteriores do Maps, o intervalo entre o lançamento global e a chegada ao Brasil variou de semanas a meses. A empresa não divulgou um cronograma regional para nenhum dos dois novos recursos.

O Canaltech entrou em contato com o Google sobre a chegada dos recursos no Brasil, e, segundo a empresa, não há previsão de lançamento por aqui.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

O que é Physical AI? Conheça a tecnologia que controla robôs e fábricas

A inteligência artificial (IA) já opera fora das telas. Muito além dos chatbots e geradores de conteúdo, a Physical AI ganha forma em robôs, fábricas e sistemas industriais. 

No episódio desta sexta-feira (13), o Podcast Canaltech conversou com Daniel Lázaro, líder de dados e analytics da Accenture para a América Latina, e Guilherme Goehringer, diretor de Industrial AI da empresa no Brasil e na América Latina, para entender onde essa tecnologia já está funcionando e quais são seus desafios.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O mercado de Physical AI movimentou cerca de US$ 5,2 bilhões (cerca de R$ 27 bilhões) em 2025 e deve atingir quase US$ 50 bilhões até 2033, segundo projeções da SNS Insider. Na CES deste ano, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, já havia classificado o fenômeno como "o ChatGPT da robótica".

Para Goehringer, a definição da tecnologia passa por três pilares: "IA física é a integração de inteligência artificial com temas de robótica, simulação e gêmeos digitais para permitir que máquinas percebam, raciocinem e interajam autonomamente no mundo físico. Se falta algum pedaço disso, não é necessariamente IA física”.

Gêmeos digitais como base da operação

Os gêmeos digitais — réplicas virtuais de ambientes físicos alimentados por dados de sensores — são o elemento central dessa estrutura. 

Eles permitem simular decisões antes de executá-las no mundo real: desde o redesenho do layout de uma fábrica até a previsão de falhas em equipamentos.

Historicamente, treinar robôs exigia reconstruí-los a cada erro, o que gerava um processo caro e lento. A IA generativa mudou esse cálculo ao permitir a criação de ambientes virtuais de treinamento. 

"O advento da IA generativa permite que você gere muitos cenários para treinar os robôs para operar no mundo físico", afirma Lázaro. 

Ele cita o exemplo do carro autônomo, que, em vez de construir uma frota que dirige por anos em todas as condições climáticas possíveis, hoje é possível gerar esses cenários virtualmente.

Goehringer menciona casos concretos de empresas industriais, como Kion e Schaffner, que usam a tecnologia para otimizar armazéns, melhorar o planejamento de fábricas e inspecionar a qualidade de produtos. 

Em operações de varejo com grandes centros de distribuição, a mesma lógica permite reconfigurar automaticamente a localização de produtos conforme a demanda muda por estação ou datas festivas.

Quanto ao mercado de trabalho, Goehringer defende que a adoção do Physical AI exige reestruturação, não apenas automação. 

A Accenture, segundo ele, está treinando 700 mil funcionários globalmente em tecnologias agênticas. Novas funções devem surgir, como especialistas em integração digital-físico, profissionais de anotação de dados para robôs e engenheiros de confiabilidade física estão entre os perfis apontados.

🎙️Confira a entrevista completa no Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

TV 3.0: o que muda na televisão aberta e quando chega ao Brasil

A televisão aberta brasileira está prestes a ganhar 4K, interatividade e integração com a internet, tudo isso de graça, sem assinatura. A TV 3.0 combina transmissão pelo ar com conexão à internet e deve ter sinal no ar no Rio de Janeiro e em São Paulo antes da Copa do Mundo, em junho deste ano. 

No Podcast Canaltech desta quinta-feira (12), o presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), Paulo Henrique Castro, explicou o que está por trás dessa mudança.

🎧Ouça o Podcast Canaltech no Spotify
🎧Ouça o Podcast Canaltech na Deezer
🎧Ouça o Podcast Canaltech no Apple Podcasts

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A ideia central é unir o que a televisão aberta sempre fez bem — alcançar milhões de pessoas com qualidade e sem travar — com os recursos do mundo digital. "O volume grande de dados vem pelo ar. É o melhor dos dois mundos juntos", resumiu Castro.

Na prática, isso significa poder escolher diferentes câmeras durante uma partida de futebol, selecionar o narrador que você prefere ou acessar conteúdo sob demanda dentro do próprio canal, sem pagar streaming.

Não precisa trocar a TV

Quem tem televisão em casa não precisa se preocupar com a troca imediata. A solução são conversores conectados à antena e ao Wi-Fi doméstico, no mesmo modelo do que aconteceu na virada do sinal analógico para o digital.

"O investimento que fica do consumidor é mais ou menos o equivalente de quando você troca o seu celular para usar o 5G", disse Castro. "Você não é obrigado. Mas se quiser aquela funcionalidade nova, você compra”.

Os primeiros conversores ainda são protótipos. Há cerca de 3,2 mil unidades no Brasil, usadas para testes. As emissoras estão bancando a infraestrutura: São Paulo já tem duas torres experimentais (uma no SBT, outra na Record), e a Globo instalou estações no Rio de Janeiro por conta própria, com foco na transmissão da Copa do Mundo.

Castro também lembrou que o preço alto no início é padrão em qualquer transição tecnológica. "Você vai ter produtos caros no início. Mas muito em breve essa escala vai ser acessível e todo mundo vai ter acesso à mesma qualidade”.

🎙️Confira o episódio com a entrevista do Paulo Castro:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Nova plataforma usa gamificação para ensinar programação e IA a crianças

A SoulCode, edtech brasileira focada em educação digital, lançou o SoulCode Kids, uma plataforma voltada a estudantes entre 7 e 14 anos que combina lógica de programação, matemática e introdução à inteligência artificial (IA) com uma abordagem gamificada.

Antes do lançamento oficial, a solução atendeu mais de 285 crianças e adolescentes por meio de parcerias com a Fundação Crescer Criança, o Instituto Verdescola (SP) e a Associação Casa da Criança Maria Antônia (MG).

O projeto parte de um dado preocupante do ensino básico no país: apenas 5% dos alunos brasileiros têm aprendizado adequado em matemática, segundo levantamento da ONG Todos Pela Educação em parceria com o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede).

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Como funciona a plataforma

O SoulCode Kids funciona como reforço escolar em disciplinas que exigem raciocínio lógico e introduz conceitos de programação e desenvolvimento web de forma progressiva.

A plataforma conta com um tutor de inteligência artificial para auxiliar o educador durante as aulas e utiliza a gamificação para estruturar desafios, acompanhar o desempenho e estimular a evolução dos alunos.

Todas as atividades ocorrem em um ambiente digital fechado, com proteção de dados e regras claras de uso.

Um dos aspectos práticos do modelo é que os professores não precisam ter formação técnica em tecnologia. Antes do início das aulas, eles recebem treinamento, planos de aula e vídeos explicativos para aplicar o conteúdo com autonomia.

"Com o SoulCode Kids, as crianças demonstraram muita facilidade em aprender programação, porque a plataforma proporciona uma interação constante e divertida", afirma o professor de tecnologia da Fundação Crescer Criança, Robson Alves.

Contexto por trás do lançamento

O diretor-geral e cofundador da SoulCode, Fabricio Cardoso, aponta que a iniciativa vai além do aspecto pedagógico. "Investir em educação digital é ampliar os horizontes educacionais das crianças, despertando talentos, promovendo o pensamento crítico e fortalecendo o exercício da cidadania desde cedo", diz o executivo.

Já o consultor e também cofundador da empresa, Silvio Genesini, destaca o alcance social da proposta. Segundo ele, inserir a formação digital nos primeiros anos escolares cria condições para que crianças de diferentes realidades tenham acesso ao conhecimento tecnológico — o que, na visão da empresa, contribui para reduzir desigualdades no longo prazo.

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Meta falha ao moderar deepfakes e é cobrada por comitê

O Comitê de Supervisão da Meta avaliou que as ferramentas da empresa para identificar deepfakes são insuficientes para conter a rápida disseminação de desinformação em períodos de conflitos armados, como a guerra no Irã. A informação é de uma reportagem do portal The Verge desta terça-feira (10).

O órgão independente solicitou uma reformulação completa na maneira como o conteúdo gerado por inteligência artificial (IA) é descoberto e rotulado no Facebook, no Instagram e no Threads.

A cobrança do comitê ocorreu após a análise de um vídeo falso, criado por IA, que exibia supostos danos a edifícios em Israel. O material circulou nas plataformas da companhia no ano passado e acumulou visualizações antes de ser interceptado.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A investigação destacou que as lacunas de segurança se agravam quando o conteúdo viraliza em momentos de crise, afetando narrativas globais. O relatório apontou que o arquivo original surgiu no TikTok antes de atingir as redes da Meta e o X.

Atualmente, a Meta adota abordagens baseadas em padrões da indústria, como a Coalition for Content Provenance and Authenticity (C2PA). Este modelo depende de os próprios criadores inserirem metadados que identifiquem a origem sintética das imagens ou vídeos. O conselho concluiu que a ampla maioria das publicações com IA circula sem esses marcadores.

Além disso, a estratégia da empresa, que aguarda denúncias de usuários ou detecção tardia, falha em acompanhar a velocidade de viralização de vídeos falsos, moldando a percepção pública antes da ação de checadores de fatos. Essa lacuna técnica ganha peso com documentos internos recentes que indicaram uma redução nos recursos de moderação da companhia.

Exigência de detecção proativa e novos padrões

Para corrigir as vulnerabilidades, o Comitê de Supervisão recomendou o desenvolvimento de sistemas proativos de detecção que operem em tempo real. As orientações incluem a aplicação de rótulos mais proeminentes e a construção de sistemas capazes de identificar manipulações mesmo na ausência de metadados voluntários.

O grupo determinou também a melhoria das regras de desinformação vigentes para abranger deepfakes enganosos e a criação de um padrão da comunidade voltado exclusivamente para mídias geradas por IA.

A companhia possui um prazo padrão de 60 dias para responder formalmente às diretrizes do conselho. Embora as decisões do painel de supervisão não possuam caráter tecnicamente obrigatório, ignorar as orientações pode configurar um risco de relações públicas e atrair intenso escrutínio regulatório.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Meta compra Moltbook após sucesso da "rede social de robôs"

A Meta comprou a rede social para agentes de inteligência artificial (IA) Moltbook, segundo apuração da Axios desta terça-feira (10). Com a aquisição, os criadores da plataforma, Matt Schlicht e Ben Parr, integrarão a equipe do Meta Superintelligence Labs (MSL), divisão liderada por Alexandr Wang. 

Os valores da negociação não foram divulgados pelas empresas. A conclusão do negócio está prevista para meados de março, com os executivos iniciando suas funções no dia 16.

Um representante da Meta afirmou que a integração do time do Moltbook no MSL abre novos caminhos para que os agentes de IA trabalhem para pessoas e empresas. 

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A plataforma Moltbook, lançada no final de janeiro como um espaço experimental para IAs, foi desenvolvida com a ajuda do assistente pessoal de IA de Schlicht. O sistema funciona em conjunto com o OpenClaw, um projeto para modelos de linguagem cujo criador, Peter Steinberger, foi contratado pela OpenAI no mês passado. 

Segundo Vishal Shah, executivo da Meta, os atuais usuários do Moltbook poderão continuar a usar a plataforma temporariamente. Shah explica que a plataforma criou um registo que verifica a identidade dos agentes e os vincula aos seus proprietários humanos.

Especialistas riscos de segurança

A operação do Moltbook depende de ação humana para funcionar. Especialistas ouvidos pelo MIT Technology Review detalham a mecânica dos bots na plataforma. 

Cobus Greyling, da empresa Kore.ai, especifica que os utilizadores executam a criação das contas, a validação dos perfis e o fornecimento dos comandos iniciais. As ações dos agentes necessitam de direção explícita para acontecer na rede.

O conteúdo gerado pelas IAs consiste em simulações de interações comuns em redes sociais. O diretor-executivo da Kovant, Ali Sarrafi, classificou as publicações do Moltbook como alucinações por design, uma vez que os agentes foram programados para imitar conversas humanas. A comunicação na rede representa a repetição de padrões aprendidos.

A arquitetura do OpenClaw também origina alertas de segurança cibernética. O vice-presidente da Checkmarx, Ori Bendet, aponta os riscos do sistema de memória oferecido aos agentes virtuais. 

Essa característica permite a inserção de comandos maliciosos programados para execução futura, o que dificulta o rastreamento do problema. 

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

IA para uso militar: por que a Anthropic processou o Pentágono?

A Anthropic entrou com duas ações judiciais contra o governo dos Estados Unidos na segunda-feira (9) para reverter a decisão que classificou a empresa de inteligência artificial (IA) como um "risco à cadeia de suprimentos". O processo ocorreu após o fracasso nas negociações sobre as restrições de uso do Claude em operações militares.

A companhia abriu processos em um tribunal federal da Califórnia e no tribunal de apelações em Washington. Nos documentos, a desenvolvedora afirma que as ações da administração de Donald Trump são "sem precedentes e ilegais" e configuram retaliação por exercer a liberdade de expressão.


A medida inédita do Pentágono impacta diretamente contratos privados. A Anthropic alega que parceiros já migraram para modelos rivais, resultando na perda de um fluxo de receita superior a US$ 100 milhões (cerca de R$ 516,3 milhões).

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

As exigências do Pentágono

O conflito entre a Anthropic e o governo dos EUA se intensificou durante a renovação de contratos de defesa. O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, exigiu a remoção de todas as restrições de uso da IA para que o exército pudesse utilizá-la para "todos os propósitos legais". 

A Anthropic recusou a alteração, mantendo suas políticas que proíbem o emprego da tecnologia para vigilância em massa de cidadãos e operação de armas autônomas letais.

O subsecretário de Defesa, Emil Michael, declarou que as limitações éticas da empresa são um obstáculo para programas como o Golden Dome, sistema de defesa antimísseis que planeja utilizar a autonomia em contra-ataques no espaço. 

Com o impasse, o governo ordenou que agências federais e empreiteiras interrompam o uso de ferramentas da Anthropic.

OpenAI avança e sofre críticas

Horas após a ordem do governo contra a Anthropic, a OpenAI fechou um acordo para fornecer sua tecnologia ao Departamento de Defesa. 

O movimento rápido gerou reações no setor. Cerca de 40 pesquisadores enviaram um documento ao tribunal em apoio à Anthropic, e funcionários do Google e OpenAI criticaram publicamente a postura do governo, alertando sobre os riscos de implantar sistemas de IA em armamentos sem supervisão humana. A supervisora da área de hardware de robótica da OpenAI, Caitlin Kalinowski, pediu demissão da empresa devido ao novo contrato militar.

O mercado consumidor também respondeu à postura das empresas. O aplicativo do Claude ultrapassou o ChatGPT na App Store após a recusa do acordo com o Pentágono, registrando mais de um milhão de novos cadastros diários. Em paralelo, usuários demonstraram insatisfação com a concorrente, e as desinstalações do ChatGPT registraram alta de 295% nas lojas de aplicativos.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

OpenAI adquire startup para aumentar segurança de seus agentes de IA

A OpenAI anunciou nesta segunda-feira (9) a aquisição da Promptfoo, uma startup de segurança em inteligência artificial (IA) fundada em 2024. O valor da transação não foi divulgado pela companhia.

A startup levantou US$ 23 milhões desde a sua fundação e foi avaliada em US$ 86 milhões após sua última rodada de investimentos, em julho de 2025.

A tecnologia da Promptfoo será integrada diretamente ao OpenAI Frontier, plataforma da empresa voltada para a construção e operação de agentes de IA corporativos.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A ferramenta tem como objetivo ajudar empresas a identificar e corrigir vulnerabilidades em modelos de linguagem de grande escala (LLMs) durante o processo de desenvolvimento.

Proteção para agentes autônomos

A popularização de agentes autônomos gerou entusiasmo em relação a ganhos de produtividade. Mas, o avanço também entregou a cibercriminosos novas oportunidades para acessar dados sensíveis e manipular sistemas automatizados.

Este negócio mostra o esforço de laboratórios de ponta para provar que a tecnologia pode ser usada com segurança em operações críticas.

A plataforma da OpenAI incorporará testes de segurança automatizados e recursos de simulação de invasão (red-teaming). O sistema vai identificar riscos diretos, como injeções de prompt, jailbreaks, vazamentos de dados e uso indevido de ferramentas por parte da IA.

As ferramentas de segurança e avaliação também farão parte dos fluxos de trabalho dos desenvolvedores, permitindo recursos de rastreabilidade para adequação a regras de conformidade e governança.

O CTO de Aplicações B2B da OpenAI, Srinivas Narayanan, pontuou que a startup traz uma profunda expertise em engenharia para testar sistemas em escala empresarial. A Promptfoo foi criada por Ian Webster e Michael D'Angelo. O serviço já é adotado por mais de 25% das empresas presentes na lista Fortune 500.

O cofundador Ian Webster relatou que a união com a OpenAI permitirá acelerar o trabalho de segurança e governança para as equipes que criam as ferramentas no mundo real.

A OpenAI confirmou que continuará o desenvolvimento do projeto de código aberto da empresa.

Estratégia de expansão

A compra da Promptfoo é parte de uma movimentação ampla da criadora do ChatGPT para reforçar o ecossistema de agentes de IA e atrair grandes nomes do setor.

Em fevereiro de 2026, a empresa contratou Peter Steinberger, desenvolvedor responsável pela criação do OpenClaw. O assistente de código aberto viralizou no mercado por executar tarefas complexas localmente nos computadores dos usuários.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Guerra na nuvem: por que data centers privados viraram alvos militares?

A Guarda Revolucionária do Irã confirmou na última quarta-feira (4) que alvejou data centers da Amazon no Oriente Médio. Essa foi a primeira vez que infraestrutura de uma gigante da tecnologia americana se torna alvo durante um conflito internacional, e, segundo especialistas, pode marcar o início de uma nova era de estratégias militares de guerra.

Os ataques ocorreram após ofensivas conjuntas de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em resposta, drones iranianos danificaram três instalações da Amazon Web Services (AWS) na região — uma no Bahrein e duas nos Emirados Árabes Unidos, estas últimas atingidas diretamente.

A justificativa da Guarda Revolucionária foi o envolvimento da empresa em "atividades militares e de inteligência do inimigo". Israel e os EUA também teriam atingido ao menos dois data centers em Teerã, um deles ligado à própria Guarda Revolucionária.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A Amazon não comentou os bombardeios, mas orientou clientes a ativar planos de recuperação de desastres, realizar backups em outras regiões e redirecionar o tráfego para longe das instalações afetadas.

A infraestrutura que sustenta o mundo digital sempre foi invisível para a maioria das pessoas. O conflito no Golfo Pérsico pode ter mudado isso permanentemente.

Quando a comunicação se torna um alvo

Atacar infraestrutura de comunicação não é uma novidade na história dos conflitos armados. Rádios estatais, emissoras de TV e centrais telefônicas sempre figuraram nas listas de alvos prioritários. A diferença é que agora parte crucial dessa infraestrutura está dentro de galpões refrigerados repletos de servidores.

Para o coordenador da Pós-Tech de DevOps e Cloud da FIAP, Douglas Martins, a lógica é: atacar um data center é atacar o sistema nervoso de um país.

"A informação é o cérebro do mundo hoje. Quando ocorre um ataque a um data center, ele interrompe não só o acesso a esses dados, mas a economia, a capacidade de se comunicar com o mundo externo e o controle geral do governo", explica.

O pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas, Leonardo Paz, aponta a inteligência artificial como a principal razão para os data centers terem entrado no radar militar agora.

O uso de IA no campo de batalha para identificar alvos, processar imagens de drones, analisar dados de satélite em tempo real depende diretamente de capacidade de processamento. E esse processamento, hoje, vive na nuvem.

"Na medida em que você começa a minar a capacidade de processamento de dados, a acurácia da seleção de alvos passa a ser cada vez menos sofisticada", diz Paz. "A IA tem se tornado um componente bastante importante, especialmente na identificação de alvos e na composição do exército oponente”.

Já o diretor de Arquitetura Cloud para Engajamentos Estratégicos da Oracle, Weligton Pinto, reforça que o uso militar da nuvem já é realidade consolidada.

Governos contratam provedores como AWS, Azure, Google Cloud e Oracle Cloud para hospedar dados classificados, simulações e ferramentas de IA. O Departamento de Defesa dos EUA, por exemplo, mantém contratos multibilionários como o JWCC (Joint Warfighting Cloud Capability), dividido entre esses provedores para fornecer capacidades que vão de dados não classificados ao nível top-secret.

aws
A AWS passou por instabilidade no Oriente Médio após o ataque (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

Por que não vimos ataques assim antes?

Em conflitos como os do Iraque, do Afeganistão e da Líbia, os adversários dos Estados Unidos não tinham capacidade técnica ou alcance geográfico para atingir a infraestrutura digital americana.

Nos últimos anos, no entanto, o Golfo Pérsico se tornou um dos principais polos de expansão dos grandes provedores de nuvem do mundo, atraídos pela energia barata, pelo espaço físico e pelos contratos com governos locais.

"O Irã não tem condição de atingir data centers nos Estados Unidos. No Oriente Médio, nesse momento, ele consegue", resume Leonardo Paz. "A nuvem cria uma certa distância entre o alvo e a capacidade de processar dados. Mas isso gera outros problemas."

Júlio Chaves, pesquisador da FGV EMAp, lembra que esse tipo de ataque já ocorreu, em menor escala, quando a Rússia atacou data centers ucranianos em 2022, sobretudo os conectados ao governo.

"No caso do Oriente Médio, os alvos eram data centers comerciais da AWS, que não necessariamente estavam sendo usados pelos militares — mas, estando em território aliado ao inimigo do Irã, certamente causaram grandes danos."

A diferença relevante entre os dois casos, segundo Chaves, é exatamente essa: antes, alvos eram data centers governamentais. Desta vez, a infraestrutura comercial de uma empresa privada americana foi atingida, e isso muda o precedente.

Nossos dados correram risco?

Para a maioria dos usuários comuns, que guardam fotos no Google Drive, documentos no OneDrive ou usa aplicativos que rodam na nuvem, as interrupções foram regionais e temporárias. A perda permanente de dados é rara, porque os grandes provedores replicam informações em múltiplos data centers ao redor do mundo. Se um cai, os outros assumem.

"Imagine que um data center específico tenha sido atacado. Todos aqueles dados são replicados entre diferentes data centers, então a informação nunca é perdida. O que muda é a rota", explica Martins.

O risco é maior para governos e organizações que operam com apenas um provedor de nuvem, sem redundância. "Se atacar todos os data centers da AWS que atendem ao governo, teremos um problema sério. Cai tudo, começa o caos", alerta Rodrigues.

Atacar um data center é crime de guerra?

O direito internacional humanitário estabelece que ataques militares só são legítimos quando direcionados a alvos estritamente militares. Atacar infraestrutura civil, como escolas, hospitais, embaixadas, configura crime de guerra.

Para o doutor em Geografia Política pela USP e professor no curso de pós-graduação em Geopolítica do Mundo Contemporâneo da PUC Minas, Jorge Mortean, a linha é clara na teoria:

"Um data center só poderia ser considerado um alvo legítimo se estivesse dentro de uma instalação militar e fosse utilizado para fins militares. Fora dessa exceção, nenhum país tem o direito de atacar um data center localizado em área civil”, afirmou.

Mas na prática, a situação é mais nebulosa. A Amazon mantém contratos com governos e forças armadas de países aliados aos EUA e Israel na região, o que o Irã usou como justificativa para o ataque.

Para Mortean, isso não muda o enquadramento jurídico. "Ataques militares contra alvos civis são considerados crimes de guerra. Isso vale para um data center, uma embaixada, uma escola ou um hospital", disse.

O professor reconhece, porém, a realidade do campo de batalha: "na dinâmica de um conflito que escapa de qualquer legalidade, existe um arcabouço jurídico, mas os conflitos frequentemente ultrapassam esses limites. É um revide? É. É correto fazer isso? Não”.

Devemos esperar mais ataques do tipo?

Os especialistas são unânimes: não será um caso isolado. A tendência é que data centers passem a integrar as listas nacionais de infraestrutura crítica, ao lado de usinas nucleares, oleodutos e redes elétricas, com proteção militar dedicada.

"Da mesma maneira que instalações de infraestrutura crítica são protegidas por baterias antiaéreas, possivelmente no futuro próximo data centers também vão começar a entrar nessa lista de proteção", projeta Paz . "As empresas de tecnologia vão começar a pleitear também entrar nessa lista”.

Mortean aponta ainda uma possível reorganização estrutural do setor: diante desse cenário, pode surgir uma tendência de separar melhor os sistemas de armazenamento — data centers militares em áreas militares, estruturas civis destinadas exclusivamente a dados civis. Uma espécie de segregação digital com consequências físicas.

Veja também:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Banco do Brasil libera uso do Pix na Argentina e mira expansão em novos países

O Banco do Brasil anunciou nesta sexta-feira (6) a liberação do sistema de pagamentos Pix para brasileiros na Argentina. A nova funcionalidade permite que qualquer usuário realize compras em estabelecimentos físicos credenciados no país vizinho.

Qualquer cidadão brasileiro pode usar o Pix em terras argentinas, mesmo não possuindo conta corrente no Banco do Brasil.

A operação internacional é viabilizada por meio de uma parceria com o Banco Patagonia, instituição argentina controlada pela própria instituição financeira estatal, e conta com a infraestrutura tecnológica da empresa Coelsa. 

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O movimento faz parte de uma estratégia global da empresa, que estuda expandir o recurso de pagamentos instantâneos para outros países das Américas, da Europa e da Ásia, focando em regiões com grande presença de comunidades brasileiras.

De acordo com o vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Risco do BB, Felipe Prince, o lançamento reforça a atuação internacional da marca e o compromisso com a inovação em meios de pagamento. A iniciativa também representa um avanço na integração regional, segundo o presidente-executivo do Banco Patagonia, Oswaldo Parre.

Em 2025, o Mercado Pago já havia anunciado a possibilidade de turistas argentinos usarem o Pix no Brasil, enquanto fintechs, como a PagBrasil, também adotaram medidas semelhantes de integração.

Como funciona o Pix na Argentina

A experiência de pagamento para o usuário final segue o mesmo padrão utilizado no Brasil

O cliente precisa escanear um QR Code apresentado pelo lojista argentino, que pode estar em uma maquininha de cartão ou em outro dispositivo. A leitura é feita diretamente pelo aplicativo da instituição financeira de preferência do brasileiro, sem a necessidade de realizar cadastros adicionais ou solicitar liberações prévias.

Nos bastidores, o Banco do Brasil atua como o processador da transação internacional. A instituição realiza a operação de câmbio para a moeda local, enquanto o valor correspondente é debitado da conta do usuário em reais. O lojista argentino, por sua vez, recebe o pagamento na sua respectiva moeda.

Devido à natureza internacional da operação, a transação está sujeita à cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), conforme a legislação aplicável. O valor final da compra, incluindo a conversão e os tributos, é exibido na tela de confirmação do aplicativo antes da conclusão do pagamento. No extrato bancário do cliente, a movimentação aparece registrada como um Pix comum.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Medida inédita: EUA classificam Anthropic como 'risco à cadeia de suprimentos'

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos classificou oficialmente a desenvolvedora de inteligência artificial (IA) Anthropic como um "risco à cadeia de suprimentos" na última quinta-feira (5). 

A medida — inédita para uma empresa americana —  ocorre após a companhia se recusar a liberar o uso de seu modelo, Claude, para vigilância em massa e desenvolvimento de armas autônomas. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, declarou que a ação carece de base legal e será contestada judicialmente.

A classificação de risco à cadeia de suprimentos é um rótulo historicamente aplicado a firmas estrangeiras ligadas a governos adversários. 

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A determinação proíbe fornecedores militares de utilizarem o Claude como parte direta de contratos com o Departamento de Defesa. O Pentágono justificou a ação afirmando que as Forças Armadas precisam usar a tecnologia para todos os propósitos legais. O órgão argumentou que não permitirá a imposição de restrições em capacidades críticas por parte de fornecedores.

O alcance da medida governamental possui limitações no setor privado. A lei de risco à cadeia de suprimentos exige o uso dos meios restritivos mínimos necessários. 

Empresas contratadas pelo governo mantêm a permissão para uso do Claude e relações comerciais com a Anthropic em projetos não relacionados à defesa. A Microsoft, por exemplo, confirmou a continuidade da oferta dos produtos da Anthropic para seus clientes corporativos fora do escopo militar.

O conflito entre a Anthropic e o governo dos EUA

A tensão entre a startup de IA e o Pentágono escalou no final de fevereiro de 2026. 

O Secretário de Defesa, Pete Hegseth, estabeleceu um prazo para a Anthropic remover suas restrições de segurança. Diante da recusa de Amodei, o presidente Donald Trump ordenou o fim do uso da tecnologia da empresa por todas as agências federais. 

A saída da Anthropic resultou em movimentações da concorrência. A OpenAI assinou um acordo com o Departamento de Defesa focado na implementação de seus modelos em redes classificadas. 

O CEO da OpenAI, Sam Altman, defendeu que a arquitetura via nuvem de seus sistemas impede a integração direta da IA em armamentos. Altman contatou o Pentágono para expressar discordância com a classificação da Anthropic como risco à segurança.

O posicionamento da Anthropic gerou uma resposta rápida dos consumidores norte-americanos. O aplicativo Claude atingiu a primeira posição na App Store nos Estados Unidos. 

A desenvolvedora registrou um aumento de 60% no número de usuários gratuitos no país, acompanhado de um recorde de acessos diários na plataforma. 

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Google reduz taxas na Play Store, mas usuários criticam restrições no Android

O Google anunciou nesta quarta-feira (4) mudanças estruturais nas taxas da Play Store e nas regras de distribuição de aplicativos no Android. A atualização reduz custos para desenvolvedores e encerra a disputa judicial com a Epic Games, mas gerou críticas da comunidade sobre o risco de o sistema se tornar um ecossistema fechado.

O pacote de novidades inclui o programa "Registered App Stores", que promete facilitar o sideloading (instalação de apps fora da loja oficial). A iniciativa oferece um fluxo de instalação simplificado para lojas de aplicativos de terceiros que cumprirem requisitos de segurança do Google.

Novas taxas e cronograma

Na vertente financeira, o Google separou a taxa de serviço da taxa do sistema de faturamento. A cobrança padrão para compras no aplicativo (IAP) cai para 20% em novas instalações. 

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Desenvolvedores que optarem pelo faturamento do próprio Google pagarão uma taxa adicional de 5% em mercados específicos, mas estão livres para usar sistemas de cobrança próprios.

A empresa também introduziu programas de incentivo de qualidade (Apps Experience e Level Up) que reduzem a taxa de serviço para 15% para novas instalações de apps. Assinaturas recorrentes terão a taxa fixada em 10%.

O novo modelo comercial e de distribuição entra em vigor de forma escalonada. Estados Unidos, Reino Unido e o Espaço Econômico Europeu recebem as alterações até 30 de junho. A implementação para o resto do mundo, que inclui o mercado brasileiro, está prevista apenas para 30 de setembro de 2027.

O histórico de fechamento

A exigência de verificação para desenvolvedores e lojas terceiras motivou reações negativas imediatas nas redes sociais. Em resposta ao anúncio do presidente do Ecossistema Android, Sameer Samat, no X (antigo Twitter), usuários acusaram a empresa de restringir a flexibilidade histórica do sistema.

Usuários argumentaram que a principal vantagem do Android é ser uma plataforma aberta e que a verificação de desenvolvedores cria um "jardim murado". 

Durante a discussão, movimentos organizados também ganharam tração, com o compartilhamento de portais como o "keepandroidopen.org" cobrando a manutenção do Android aberto.

O debate sobre o controle do ecossistema acompanha a evolução do Android. A base do sistema operacional, o Android Open Source Project (AOSP), é de código aberto. 

No entanto, o Google transferiu gradualmente recursos essenciais para o funcionamento dos apps, como APIs de localização e notificações, para o pacote proprietário Google Mobile Services (GMS). A nova exigência de registro para lojas terceirizadas formaliza uma barreira para a distribuição independente, consolidando o Google como principal filtro de segurança e acesso aos dispositivos.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Dona do Speedtest e Downdetector é comprada pela Accenture por US$ 1,2 bilhão

A Accenture anunciou nesta terça-feira (3) a compra da divisão de conectividade da Ziff Davis por US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,26 bilhões). O acordo inclui a aquisição da Ookla, empresa de tecnologia responsável pelo desenvolvimento e operação de plataformas populares como o Speedtest e o Downdetector. A transação envolve também a transferência das marcas corporativas RootMetrics e Ekahau para a consultoria de TI.

A aquisição está sujeita a aprovações regulatórias e deve ser concluída nos próximos meses. 

A divisão de conectividade gerou uma receita de US$ 231 milhões para a Ziff Davis em 2025. O montante representou 16% do faturamento total da companhia no ano passado. O CEO da Ziff Davis, Vivek Shah, afirmou que a empresa utilizará os recursos da venda para atividades corporativas e gestão de dívidas.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A Ziff Davis comprou a Ookla em 2014 por US$ 15 milhões, segundo dados divulgados pela agência Reuters. A Ookla foi fundada em 2006 e conta atualmente com uma equipe de cerca de 430 especialistas nas áreas de engenharia de software, engenharia de radiofrequência e ciência de dados.

O Speedtest é uma ferramenta online utilizada mundialmente para medir a velocidade de download, upload e latência da conexão de internet dos usuários. Já o Downdetector funciona como um monitor de estabilidade que registra e informa quedas de serviços digitais, aplicativos, bancos e sites em tempo real, baseando-se em relatos do público. 

As ferramentas RootMetrics e Ekahau são voltadas para a medição de redes móveis e otimização de sistemas Wi-Fi empresariais, respectivamente.

O que muda com a venda?

O funcionamento do Speedtest e do Downdetector para o consumidor final permanece inalterado após a aquisição. Um porta-voz da Accenture confirmou ao portal Ars Technica que a Ookla continuará operando suas plataformas nos moldes atuais.

A Accenture integrará o grande volume de dados capturados pelas ferramentas da Ookla às suas próprias soluções corporativas de inteligência de rede. O objetivo da consultoria é comercializar serviços de otimização de infraestrutura e relatórios de desempenho para operadoras de telecomunicações e provedores de nuvem.

A CEO da Accenture, Julie Sweet, declarou em comunicado oficial que a aquisição da Ookla ajudará clientes empresariais e governamentais a escalar projetos de inteligência artificial com segurança. A empresa utilizará as informações coletadas para treinar modelos de inteligência artificial focados na melhoria de redes 5G e sistemas Wi-Fi críticos. 

A Accenture também planeja aplicar esses dados na criação de sistemas de prevenção de fraudes para o setor bancário, na implementação de análises para casas inteligentes e no monitoramento de tráfego digital para o varejo.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Funcionários de Google e OpenAI criticam parceria de IA com governo dos EUA

Funcionários do Google e da OpenAI publicaram uma carta aberta nesta segunda-feira (2) para criticar a pressão do governo dos Estados Unidos pelo uso de inteligência artificial (IA) para fins militares. 

O documento, intitulado "We Will Not Be Divided" ("Não Seremos Divididos", em inglês), reúne assinaturas de trabalhadores que pedem às lideranças das empresas que recusem as demandas do Departamento de Guerra americano.

A carta conta com 867 signatários ligados ao Google, sendo 866 funcionários atuais, e 100 assinaturas de colaboradores da OpenAI. O texto afirma que o Pentágono negocia com as duas companhias para que elas aceitem termos contratuais que a concorrente Anthropic recusou recentemente.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A principal exigência dos trabalhadores é a manutenção das "linhas vermelhas" no desenvolvimento da tecnologia. O grupo pede que os modelos de IA não sejam liberados para uso em vigilância em massa doméstica e em “sistemas de matança” autônoma sem supervisão humana.

A organização da carta permite que funcionários atuais e antigos assinem anonimamente, mas exige a verificação de todas as assinaturas antes da publicação. 

O processo de validação é feito por meio de envio de link para o e-mail corporativo ou formas alternativas de comprovação de vínculo empregatício, como o envio de uma foto do crachá de trabalho.

De acordo com o documento divulgado no site notdivided.org, o governo tenta dividir as empresas ao criar o medo de que a concorrente cederá às pressões governamentais. Os funcionários defendem que a carta serve para criar um entendimento compartilhado e solidariedade entre as equipes na indústria de IA.

Anthropic e o governo dos EUA

A mobilização dos funcionários ocorre após o governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, tomar medidas punitivas contra a Anthropic. 

O Departamento de Defesa ameaçou invocar a Lei de Produção de Defesa para forçar a empresa a fornecer seus modelos de IA para as Forças Armadas e adaptá-los às necessidades militares.

Além disso, o governo ameaçou rotular a companhia como um "risco à cadeia de suprimentos". A ação ocorreu em retaliação à recusa da Anthropic em violar suas políticas internas para o uso da tecnologia. A designação oficial de risco aconteceu na última sexta-feira (27), horas antes do início de operações de combate e ataques dos EUA ao Irã.

O cenário gerou tensão no setor de tecnologia e impulsionou a adesão de mais trabalhadores às petições. A pressão interna no Google também aumentou após relatos de que a empresa negocia a implantação do modelo Gemini em um sistema classificado do Pentágono.

Outros grupos da indústria ampliaram as críticas de forma paralela. A coalizão "No Tech For Apartheid" publicou uma declaração exigindo que empresas de infraestrutura em nuvem, como Amazon, Google e Microsoft, recusem termos do Pentágono que viabilizem a vigilância em massa ou usos abusivos de IA.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Amazon e NVIDIA fecham escritórios em Dubai em meio ao conflito no Oriente Médio

Gigantes de tecnologia como NVIDIA, Amazon e Alphabet (controladora do Google) adotaram medidas emergenciais para proteger seus funcionários no Oriente Médio após a escalada do conflito militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. 

A Nvidia e a Amazon fecharam temporariamente seus escritórios corporativos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Já o Google enfrenta dificuldades para retirar colaboradores do país devido a cancelamentos em massa de voos comerciais.

O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, enviou um comunicado interno informando o fechamento da sede em Dubai e a transição imediata para o trabalho remoto. A equipe de gestão de crise da empresa atua no suporte aos funcionários da região, o que abrange cerca de 6 mil profissionais em Israel. 

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O país abriga o principal centro de pesquisa e desenvolvimento da companhia fora dos Estados Unidos. A empresa confirmou aos seus colaboradores que todos os funcionários afetados e seus familiares estão em segurança.

A Amazon também alterou sua rotina operacional e determinou que todos os funcionários corporativos no Oriente Médio trabalhem de casa. A decisão de fechamento ocorre após a infraestrutura da Amazon Web Services (AWS) nos Emirados Árabes e no Bahrein sofrer danos estruturais e interrupções de energia causadas por ataques de drones. A instabilidade física prejudicou o funcionamento de serviços essenciais de computação em nuvem na região.

Funcionários do Google retidos

O impacto no setor de aviação prejudicou a logística das empresas. Dados da consultoria Cirium indicam que mais de 11 mil voos foram cancelados no Oriente Médio desde o início dos ataques. A paralisação deixou dezenas de funcionários do Google presos em Dubai.

A equipe da Alphabet participava do evento anual de vendas Accelerate, organizado pela divisão de nuvem na semana passada. A companhia coordena opções de evacuação junto ao Departamento de Estado dos EUA. A interrupção expõe a vulnerabilidade de data centers e escritórios localizados no Oriente Médio.

O Canaltech entrou em contato com as empresas envolvidas para buscar posicionamentos sobre as operações na região. Tanto a NVIDIA quando a Amazon oficializaram que não possuem nenhuma declaração oficial sobre o tema. O Google não retornou até o fechamento deste texto.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

Dona do ChatGPT quer lançar o seu próprio GitHub, antecipa portal

A OpenAI está desenvolvendo uma plataforma de hospedagem de código projetada para rivalizar com o GitHub. A iniciativa foi revelada em uma reportagem do portal The Information desta terça-feira (3), que ouviu uma fonte com conhecimento direto sobre os planos internos da empresa.

O desenvolvimento da nova ferramenta foi motivado por gargalos operacionais. Engenheiros da criadora do ChatGPT registraram um aumento nas interrupções de serviço do GitHub nos últimos meses. 

A indisponibilidade do sistema de versionamento gerenciado pela Microsoft prejudicou processos internos e levou a companhia a iniciar a construção de uma solução proprietária.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

A plataforma da OpenAI ainda está em estágios iniciais de arquitetura de software. A previsão atual indica que o desenvolvimento levará alguns meses até a conclusão de uma versão estável. 

Apesar do projeto ainda estar no início, a equipe responsável avalia disponibilizar o repositório de código comercialmente para a base de clientes da companhia.

Concorrência com a principal investidora

A eventual venda do serviço de hospedagem de código altera a dinâmica de mercado entre a OpenAI e a Microsoft. A dona do GitHub e do Windows detém uma participação financeira significativa na startup de IA e atua como sua parceira prioritária. 

O lançamento do novo produto estabelece uma competição direta entre as duas empresas no segmento corporativo para desenvolvedores.

A OpenAI dispõe de capitalização para sustentar o desenvolvimento de novos produtos além de seus modelos de linguagem. A mais recente rodada de financiamento da companhia a avaliou em US$ 840 bilhões. O aporte financeiro bilionário contou com investimentos de gigantes do setor de tecnologia e da SoftBank.

Até o momento da publicação original do vazamento, a existência do projeto não foi confirmada publicamente. OpenAI, GitHub e Microsoft não se pronunciaram sobre o assunto.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •  

WhatsApp: Justiça mantém liminar do Cade sobre uso de IA de terceiros

A Justiça Federal do Distrito Federal restabeleceu a liminar do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que impede a aplicação dos novos termos de serviço do WhatsApp referentes ao uso de inteligência artificial (IA). A decisão revoga a medida judicial anterior, de janeiro, que suspendeu a intervenção do órgão antitruste e favoreceu a Meta.

O caso tramita em sigilo, mas a decisão da juíza federal Adverci Rates Mendes de Abreu, da 20ª Vara Federal do DF, foi acessada pelo jornal Valor Econômico e noticiada na terça-feira (3). 

A magistrada justificou a manutenção da medida preventiva do Cade devido à identificação de fundados indícios de infração à ordem econômica no mercado de mensageria digital. 

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

Segundo a juíza, a proibição de chatbots concorrentes poderia criar um monopólio artificial da ferramenta proprietária Meta AI no aplicativo, prejudicando o sistema concorrencial e os direitos básicos do consumidor.

Ao Canaltech, um porta-voz do WhatsApp afirmou: “onde formos legalmente obrigados a disponibilizar chatbots de IA por meio da API do WhatsApp, estamos atualizando nossos termos e nosso modelo de preços para que possamos continuar a oferecer suporte a esses serviços".

Vaivém na Justiça e a investigação do Cade

A disputa teve início quando o Cade instaurou um inquérito administrativo contra a Meta para apurar denúncias de abuso de posição dominante e fechamento de mercado. 

A investigação foi motivada por representações de empresas como LuzIA e Zapia, que operavam assistentes virtuais no mensageiro. Com a abertura do processo, a autarquia aplicou uma medida preventiva suspendendo a nova política no Brasil.

A Meta chegou a atualizar seus termos de serviço para incluir uma exceção aos usuários com números de telefone brasileiros, desistindo temporariamente de bloquear os chatbots no país. 

Mas, após a Justiça Federal do DF suspender a liminar do Cade no final de janeiro de 2026, o Brasil foi retirado da lista de exceções e as regras restritivas voltaram a vigorar. Com a nova decisão judicial, o bloqueio exigido pelo Cade é reativado até a conclusão das investigações.

Quais são as mudanças nos termos do WhatsApp?

As alterações na política da API do WhatsApp Business foram anunciadas em outubro de 2025 e entraram em vigor globalmente em 15 de janeiro de 2026. 

A política proíbe provedores de IA de utilizarem a plataforma corporativa para oferecerem tecnologias de inteligência artificial generativa quando essa for a funcionalidade principal do serviço. A mudança resultou na remoção dos perfis de ferramentas como ChatGPT e Copilot do aplicativo.

A Meta justifica a restrição alegando que a infraestrutura da API do WhatsApp Business não foi projetada para o volume de interação gerado pelos chatbots de IA. A empresa afirma que essas plataformas sobrecarregam os sistemas e que o canal adequado para oferecer essas soluções de IA são as lojas de aplicativos ou sites próprios, descartando o uso do mensageiro para este fim.

Até a publicação desta matéria, o documento oficial de termos da solução corporativa do WhatsApp ainda não foi atualizado pela Meta para refletir a nova decisão da Justiça brasileira. 

O texto atual, com data de última modificação em 15 de janeiro de 2026, cita apenas uma exceção para tecnologias disponibilizadas a usuários com números de telefone registrados com o código de país da Itália, onde a empresa também é alvo de investigações antitruste.

Veja também:

Ouça o Podcast Canaltech:

Leia a matéria no Canaltech.

  •