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Shein admite que fabricação no Brasil não deu certo

Produtores brasileiros estariam enfrentando dificuldades com preços baixos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Shein enfrentou dificuldades na fabricação no Brasil devido a custos altos e infraestrutura inadequada.
  • Parceiros comerciais desistiram por não conseguirem atender às exigências de preços baixos e prazos curtos.
  • A Shein adotará uma abordagem mais seletiva, mantendo o Brasil como seu segundo maior mercado fora dos EUA.

O projeto da Shein de transformar o Brasil em um de seus principais polos de produção na América Latina vem enfrentando dificuldades com as confecções nacionais. A empresa chinesa, famosa pelas roupas de baixo custo, esbarra na desistência de parceiros comerciais, que alegam ser impossível acompanhar os custos baixos e os prazos que são exigidos.

Diante do cenário, a própria Shein reconheceu que a estratégia de nacionalização “não saiu como o planejado”. Em comunicado à Reuters, a companhia afirmou que a produção no país “exigiu tempo para amadurecer” e que, devido às diferenças na infraestrutura industrial brasileira em comparação à chinesa, o progresso tem sido “mais lento” do que o previsto.

Preços muito baixos

Segundo apuração da agência, que entrevistou donos de confecções e líderes sindicais, o modelo de negócios da varejista — baseado em fast-fashion — não se fez viável com a estrutura de custos do Brasil. Para os industriais brasileiros, a conta não fecha.

Um empresário do Rio Grande do Norte, ouvido pela Reuters, conta que a Shein exigiu reduções drásticas nos valores de atacado após os primeiros pedidos. A plataforma teria solicitado que o preço de uma saia e de uma jaqueta, por exemplo, caísse, respectivamente, de R$ 50 para R$ 38 e de R$ 65 para R$ 45.

“O plano era crescer. Mas, para nós, aqui no Nordeste, não era viável”, afirmou o empresário, que encerrou a parceria. Outros dois executivos não identificados confirmaram que a produção local não atingiu as metas inicialmente estabelecidas pela Shein.

Falta de integração entre fábricas e fornecedores

Shein (Imagem: Divulgação)
Fábricas e fornecedores de materiais não repetem integração do modelo chinês (imagem: divulgação/Shein)

Além da pressão nos preços, a logística é incomparável com a rede integrada de 7 mil fábricas chinesas próximas a fornecedores de materiais, como botões e zíperes. Por aqui, a dispersão geográfica e as leis trabalhistas mais rígidas dificultam a réplica do modelo chinês.

“Trabalhar no Brasil é diferente da China”, disse o diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. “Lamento que não tenha dado certo”, completou.

Quando a Shein começou a operar no Brasil?

A Shein havia prometido, em 2023, investir no país cerca de US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 787 milhões) para gerar 100 mil empregos até 2026, uma movimentação estratégica que ganhou força em 2024 após a implementação da taxa de 20% sobre importações de até US$ 50, a popular “taxa das blusinhas”. O objetivo era nacionalizar 85% das vendas locais.

Ao final do primeiro ano de operação, a empresa havia anunciado parcerias com 336 fábricas locais. Agora, com o revés na produção em massa, a empresa informou que adotará uma abordagem mais “seletiva”, focando em parcerias com as fábricas mais capacitadas.

Apesar das dificuldades fabris, o Brasil segue como o segundo maior mercado da companhia fora dos EUA, e o marketplace continua operando com “mais de 45 mil vendedores locais”, segundo a Shein.

Shein admite que fabricação no Brasil não deu certo

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Amazon passa a fazer entregas no mesmo dia com horário agendado

Amazon faz promoções durante Semana do Consumidor (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Amazon fez investimento bilionário em logística no Brasil (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A Amazon oferece entrega no mesmo dia com horário agendado em São Paulo e Rio de Janeiro, com janelas de três a seis horas.
  • Assinantes Prime têm frete grátis em compras acima de R$ 19, exceto para supermercado e livros, em que o mínimo é R$ 79; não assinantes pagam R$ 10,90.
  • A Amazon investiu R$ 13,6 bilhões no Brasil em 2024 para expandir sua rede logística com 250 centros, permitindo entregas precisas.

A Amazon anunciou, nesta segunda-feira (15/12), que produtos de mais de 30 categorias terão a opção de entrega no mesmo dia, com indicação do horário de chegada. Essa nova modalidade de entrega está disponível nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro.

Para assinantes Prime, o frete é grátis em compras a partir de R$ 19, exceto para itens de supermercado e livros — nesse caso, o mínimo necessário para não pagar a entrega é R$ 79. Abaixo desse valor, a taxa é de R$ 8,90. Para quem não é assinante Prime, o frete é sempre cobrado e custa R$ 10,90.

Como funciona a entrega com horário agendado da Amazon?

A empresa explica que esses horários são sempre indicados no formato de janelas de três a seis horas. “Ao acessar a loja, o consumidor visualiza as próximas janelas disponíveis e seleciona aquela que melhor se encaixa na sua rotina”, afirmou um porta-voz da empresa ao Tecnoblog.

Isso significa que o cliente sabe que o produto deve chegar no fim da manhã ou à tarde, por exemplo. Em alguns itens no site da varejista, já é possível visualizar o horário para entrega. Ao pedir um pacote de papel sulfite no fim da tarde, por exemplo, aparece a opção de entrega no dia seguinte, entre 10h e 13h.

“Captura de tela da página de compra da Amazon. No topo, banner azul com o texto ‘Oferta do Amazon Prime’, oferecendo ‘3 meses por apenas R$ 9,95/mês’ e informando que depois o valor será ‘R$ 19,90/mês’. Lista benefícios como Prime Video, Amazon Music Prime e ofertas exclusivas. Abaixo, produto ‘Chamex – Papel Sulfite, A4, 75g, 500 folhas’, preço ‘R$ 32,90’, quantidade ‘10’. À direita, opções de entrega: ‘Amanhã das 10:00 às 13:00 – R$ 10,90 Entrega Mais Rápida’ selecionada.”
Para quem não assina o Prime, o frete da entrega com hora marcada é R$ 10,90 (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Vale notar que essa modalidade não cobre toda a cidade. Eu moro na Zona Norte de São Paulo e a entrega com horário agendado não aparece quando seleciono minha casa como destino, mas fica disponível quando altero o endereço para a Avenida Paulista.

Amazon confia em logística para cumprir promessa

A Amazon diz que essa precisão só foi possível por meio de investimentos significativos na malha logística, que conta com 250 centros logísticos no Brasil, sendo mais de 100 deles abertos ao longo de 2025. Segundo a companhia, mais de R$ 13,6 bilhões foram investidos no país somente em 2024.

“Trabalhamos com altos padrões operacionais para garantir que cada entrega seja cumprida dentro do prazo prometido”, afirma a companhia. “Você sabe quando vai receber, pode planejar seu dia em torno disso, e pode contar que vamos cumprir nossa promessa.”

A varejista já contava com entrega no mesmo dia sem horário marcado no Rio e em São Paulo. Esse modelo também está presente em Fortaleza, Recife e Belo Horizonte; ele deve ser expandido para mais cidades em 2026.

Amazon passa a fazer entregas no mesmo dia com horário agendado

Amazon faz promoções durante Semana do Consumidor (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Para quem não assina o Prime, o frete da entrega com hora marcada é R$ 10,90 (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)
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Mercado Livre fecha parceria com Casas Bahia para vendas online

Marca do Mercado Livre cercada por moedas douradas
Mercado Livre celebra chegada de “marca histórica” à plataforma (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Mercado Livre e a Casas Bahia firmaram parceria para vender produtos da varejista no marketplace a partir de novembro.
  • O Mercado Livre será o principal marketplace para os produtos da Casas Bahia.
  • A varejista manterá a gestão logística de itens grandes, como TVs e geladeiras.

O Mercado Livre e a Casas Bahia anunciaram nesta quinta-feira (23/10) uma parceria para integrar parte do catálogo da varejista à plataforma de e-commerce. A partir de novembro, produtos como eletrodomésticos, eletrônicos e móveis da Casas Bahia poderão ser comprados diretamente no site e no app do Mercado Livre.

Segundo os termos do acordo, o Mercado Livre se tornará o principal marketplace para a comercialização dos produtos do Grupo Casas Bahia. A varejista, porém, continuará responsável pela gestão da maior parte da logística de itens de grande porte, como TVs e geladeiras.

Movimento de expansão

Mercado Livre
Casas Bahia cuidará da logística de produtos volumosos, como geladeiras e TVs (imagem: divulgação)

A parceria comercial de longo prazo busca expandir os canais de venda da tradicional varejista, e une operações com modelos de negócios diferentes. O Mercado Livre atua principalmente como uma plataforma de marketplace para vendedores terceirizados, embora possua uma operação de venda direta. O Grupo Casas Bahia, por outro lado, é majoritariamente um varejista direto, vendendo seus próprios estoques.

Para o Grupo Casas Bahia, a aliança representa um movimento de expansão de canais de venda em um momento de ajustes internos. A varejista, com mais de 70 anos de atuação e mais de 1.000 lojas físicas no Brasil, iniciou em 2023 um processo de reestruturação operacional e de dívida.

“Essa aliança marca um novo capítulo no e-commerce brasileiro. Mais do que uma expansão de canal, é uma evolução no modelo de negócio do Grupo Casas Bahia”, afirmou o CEO do Grupo Casas Bahia, Renato Franklin, em comunicado.

Mercado Livre busca reforço em eletrodomésticos

Para o Mercado Livre, a parceria pode resolver uma lacuna estratégica em seu portfólio. Embora seja a empresa de maior valor de mercado da América Latina, sua plataforma tem encontrado dificuldades para replicar o domínio nos segmentos de eletrônicos e, principalmente, eletrodomésticos de grande porte.

“A chegada de uma marca histórica e com forte conexão com o consumidor brasileiro reafirma o nosso propósito de seguir desenvolvendo e fortalecendo o e-commerce no país”, destacou o vice-presidente sênior e líder do Mercado Livre no Brasil, Fernando Yunes.

Mercado Livre
Aliança visa fortalecer portfólio do Mercado Livre (Imagem: divulgação)

À Reuters, Yunes informou que a participação de mercado do Mercado Livre no Brasil em grandes eletrodomésticos, como fornos e geladeiras, é atualmente cerca de 1/4 da participação média que a plataforma detém em outras categorias.

“Vejo uma sinergia enorme nessa mudança”, afirmou o representante do Mercado Livre. “A Casas Bahia tem uma liderança e escala enormes em eletrodomésticos, eletrônicos e móveis.” As empresas não divulgaram os termos financeiros do acordo nem forneceram projeções de volume de vendas ou receita decorrentes da nova operação.

Vale lembrar que esse não é o primeiro acordo do tipo no mercado brasileiro. No ano passado, a Magazine Luiza fechou uma parceria com a plataforma chinesa AliExpress para a venda de produtos.

Mercado Livre fecha parceria com Casas Bahia para vendas online

Mercado Livre reduz preço do Meli+ (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Por que o futuro das compras de uísque pode estar na IA

Para os entusiastas, beber uísque é um hobby, uma paixão, um estilo de vida. Os admiradores compram lançamentos diretamente de suas destilarias favoritas e viajam para diferentes países em busca do melhor da bebida. Uma dificuldade ainda para os produtores é atrair a atenção da população mais jovem, uma vez que o uísque é visto como uma bebida de sucesso apenas entre os mais velhos. Quando diante dos enormes displays de supermercados e restaurantes, os novatos acham difícil entender a infinita variedade e apreciá-las. E aquilo que escolhem não é, muitas vezes, adequado ao seu paladar. O SmartAisle procura mudar essa experiência - para melhor. LEIA MAIS: HBO e Diageo lançam uísques de Game of Thrones A agência mundial de marketing The Mars Agency se juntou à varejista norte-americana BevMo! para testar a iniciativa, cujo cerne é um assistente digital de compras de uísque. Com inteligência artificial, tecnologia ativada por voz e luzes de LED nas prateleiras, o SmartAisle ajuda os clientes a selecionar a garrafa perfeita para o seu perfil. Depois de perguntar quais são as preferências do consumidor, o assistente detalha as informações. Três garrafas são recomendadas e as prateleiras se iluminam para o cliente se aproximar e observá-las. Se ele já tiver algo em mente, o assistente pode recomendar outras marcas ou garrafas com sabores semelhantes. O processo dura menos de dois minutos e, com as informações - e até piadas -, o robô torna a experiência agradável e informativa. Mais de 50 uísques farão parte estratégia - um número que pode crescer se o teste for bem-sucedido. “Estamos empolgados com a parceria com a The Mars para testar a plataforma SmartAisle em nossas lojas”, diz Tamara Pattison, diretora de marketing e informações da BevMo!. “Isso aumenta nosso compromisso em usar tecnologia para oferecer melhores experiências aos clientes. Este tipo de solução inovadora está totalmente alinhada com a nossa estratégia." Em fevereiro de 2018, a The Mars Agency testou o SmartAisle em parceria com um varejista em Manhattan. Após dois meses, o assistente ajudou a aumentar em 20% as vendas na comparação anual das garrafas em destaque e trouxe um feedback extremamente positivo dos compradores que utilizaram o serviço. VEJA TAMBÉM: As 25 marcas de uísque mais vendidas do mundo Ken Barnett, CEO global da The Mars Agency, compartilhou planos para expandir o programa. “Acreditamos que o SmartAisle tenha o potencial de transformar o modo que as pessoas compram produtos em uma ampla gama de categorias. Estamos conversando com diversas marcas e varejistas para transformar esta visão uma realidade.” Embora ainda seja muito cedo para dizer, o assistente pode ser o futuro do uísque, do vinho e de várias outras bebidas. Os supermercados ao redor do mundo podem utilizar a tecnologia para guiar novos clientes em suas jornadas de compras.
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