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Advogada de IA vence caso inédito em tribunal inglês

A consultora de RH venceu uma ação em um tribunal inglês com apoio de um sistema de advocacia baseado em IA. O caso, envolvendo uma dívida de £ 7.000 (cerca de R$ 44.000), acabou chamando atenção não só pelo valor, mas pela forma como tecnologia e prática jurídica tradicional se misturaram.

Mais do que uma disputa financeira, o episódio mostra como ferramentas de IA começam a aparecer em cobranças mais simples — embora ainda dependam de atuação humana para chegar ao fim.

Mão humana e mão de robô quase se tocando com um holograma entre elas
Tecnologia jurídica entra em cena e ajuda a preparar ação antes da audiência no tribunal. – Imagem: DJSPIDA FOTO/Shutterstock

Quando a IA entrou na disputa

Segundo o The Guardian, a consultora de RH Tamires Camal Taquidir recorreu à Garfield AI para tentar recuperar uma dívida de £ 7.000 (cerca de R$ 44.000), pagando aproximadamente £ 400 (cerca de R$ 2.500) pelo serviço. A ferramenta ajudou desde o começo, organizando notificações, preparando documentos e até respondendo aos argumentos apresentados pela outra parte.

Na prática, o sistema assumiu boa parte da preparação do caso antes da audiência. Tamires explicou a decisão de usar a tecnologia de forma simples.

Eu tinha valores a receber por um trabalho realizado, mas sentia que o processo de recuperação poderia ser excessivamente estressante, caro e demorado. A Garfield tornou possível dar continuidade à cobrança.

Tamires Camal Taquidir, consultora de RH, ao The Guardian.

Um caso pequeno que virou referência

O cofundador da Garfield, Philip Young, descreveu o resultado como um avanço no acesso à justiça, principalmente para quem desiste de cobrar dívidas menores por causa do custo do processo. A empresa é autorizada pela Solicitors Regulation Authority e atua em casos de até £ 10.000 (cerca de R$ 63.000).

Como a Inteligência Artificial vai mudar sua rotina em 2026
Escritório com inteligência artificial atuou na cobrança de dívida e ajudou a estruturar o processo antes da audiência. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Onde a IA para e o humano assume

Mesmo com a automação de várias etapas, a presença humana ainda foi determinante. O advogado Dominic Li, que atuou na audiência, afirmou que a IA ajudou a estruturar o caso, mas não substitui o julgamento no tribunal.

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“A atuação em audiência continuou sendo essencial e um exercício fundamentalmente humano”, disse.

Em outras palavras, a tecnologia organiza e acelera, mas a decisão continua nas mãos de pessoas.

Um cenário que ainda está se formando

O caso surge em meio a discussões mais amplas sobre o uso de inteligência artificial no setor jurídico, especialmente após episódios recentes de erros envolvendo ferramentas automatizadas.

  • IA organizou documentos e estratégias do processo
  • dívida era de £ 7.000 (cerca de R$ 44.000)
  • serviço custou cerca de £ 400 (cerca de R$ 2.500)
  • resultado reforça uso combinado de IA e advogados humanos

No fim, o caso não muda sozinho o sistema jurídico britânico, mas deixa claro como esse tipo de tecnologia começa a ocupar espaço em disputas menores — aquelas que, muitas vezes, nem chegavam ao tribunal.

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Policial do Reino Unido é afastado por fabricar provas criminais com ajuda de IA

Um policial do condado de Derbyshire, no Reino Unido, passou a ser alvo de investigação criminal após suspeitas de ter recorrido a sistemas de inteligência artificial para produzir material utilizado como evidência em diferentes processos judiciais. O caso envolve a apuração de possível adulteração do curso da justiça e foi tornado público recentemente pelo The Guardian.

De acordo com autoridades locais, o agente em questão já foi retirado de funções operacionais enquanto o procedimento investigativo segue em fase inicial. A apuração ocorre em cooperação com o Crown Prosecution Service, órgão responsável pela persecução penal no país.

Segundo a polícia de Derbyshire, ainda não houve prisões relacionadas ao caso e detalhes sobre a identidade do servidor ou a natureza exata das supostas condutas não foram divulgados.

Entenda os desdobramentos da investigação

(Imagem: NorthSky Films / Shutterstock.com)

A corporação policial de Derbyshire confirmou que instaurou investigação criminal após a suspeita de que um de seus integrantes teria utilizado ferramentas de inteligência artificial na elaboração de material probatório em múltiplas ocorrências. O enquadramento inicial da apuração aponta para a hipótese de interferência indevida em procedimentos judiciais.

Conforme comunicado pela força policial, o servidor foi afastado de atividades de linha de frente enquanto as diligências prosseguem. A instituição também informou que mantém articulação com o Crown Prosecution Service para avaliar eventuais impactos em casos já em andamento.

Martelo de tribunal
Kuzma/iStock

O episódio ocorre em meio a alertas emitidos por órgãos de coordenação policial no Reino Unido sobre o uso de inteligência artificial em atividades judiciais. O responsável pelo centro de IA do National Police Chiefs’ Council afirmou que algumas forças foram orientadas a interromper o uso de sistemas automatizados na redação de declarações e documentos utilizados em tribunais, sob dúvida quanto à confiabilidade dessas ferramentas.

Em paralelo, a polícia metropolitana de Londres também conduz apurações internas envolvendo o emprego de tecnologia baseada em dados para monitoramento de servidores. Segundo informações oficiais, o sistema teria sido utilizado para identificar possíveis irregularidades funcionais e condutas criminosas, o que resultou em detenções de agentes sob suspeitas graves, incluindo abuso de autoridade e fraude.

A reportagem do The Guardian não especificou em quais crimes o policial teria falsificado evidências ou mesmo o sistema de inteligência artificial utilizado.

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A disputa de R$ 72 milhões entre Dell, Broadcom e mais empresas

Dell - prédio
Dell usa fim do contrato de distribuição como principal defesa (imagem: reprodução/Dell)
Resumo

A Dell Technologies formalizou um processo contra a VMware no Reino Unido, exigindo o pagamento de pelo menos 10 milhões de libras (cerca de R$ 72 milhões na cotação atual). A ação é o mais recente desdobramento de uma complexa batalha jurídica iniciada pela Tesco, a maior rede de supermercados britânica, contra a Broadcom – dona da VMware – e a revendedora Computacenter.

O caso expõe tensões decorrentes da mudança no modelo de negócios imposta pela Broadcom após adquirir a gigante de virtualização. O que começou como uma reclamação de contrato virou um “efeito dominó” jurídico envolvendo algumas das principais empresas de software.

Como a Dell foi parar no tribunal?

Para entender o papel da Dell no caso, é preciso olhar para a origem do conflito: o fim das licenças perpétuas. A Tesco alega que adquiriu licenças de software da VMware em 2021 com garantia de renovação de suporte. No entanto, após assumir o controle da empresa, a Broadcom eliminou essa modalidade, forçando a migração para assinaturas recorrentes (e mais caras). Sentindo-se lesada, a rede de supermercados processou a revendedora Computacenter e a Broadcom, pedindo mais de 100 milhões de libras em indenizações.

Nessa hora a Dell foi arrastada para a confusão. A Computacenter alega que não pode entregar o que as fabricantes se recusam a vender e processou seus fornecedores para se resguardar. A revendedora argumenta que, em 2021, a Dell – então distribuidora da VMware – enviou uma proposta que garantia preços e condições de suporte por longo prazo. Para a Computacenter, é a Dell que deve honrar essa oferta.

Logo da Dell
Antiga dona da VMware, Dell agora enfrenta a ex-subsidiária no tribunal (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Na ação recém-aberta, a gigante dos PCs sustenta que sua obrigação contratual se limitava a “comunicar à VMware qualquer solicitação de renovação”, e que essa responsabilidade dependia da companhia continuar sendo uma distribuidora autorizada. Como a Dell encerrou a parceria de distribuição com a VMware em janeiro de 2024, a empresa alega incapacidade técnica e legal de fornecer os softwares sem a cooperação da Broadcom.

Basicamente, a Dell – que agora exige indenização para cobrir eventuais perdas se o veredito for desfavorável – diz ao tribunal que se a Computacenter vencer a ação, a VMware deve pagar a conta.

Fim das licenças perpétuas e risco de desabastecimento

Tesco alerta que falta de suporte da VMware pode afetar abastecimento (imagem: reprodução)

A base da disputa é a decisão da Broadcom de encerrar o suporte a licenças antigas. Nos autos do processo, a Tesco afirma que o software da VMware é “essencial para as operações e a resiliência dos negócios”, gerenciando cerca de 40 mil cargas de trabalho em servidores. Isso inclui desde os caixas das lojas até a logística de fornecimento de alimentos em todo o Reino Unido e Irlanda.

O alerta da varejista é grave: sem as atualizações e o suporte contratado, pode haver interrupções no abastecimento de produtos alimentícios para milhões de consumidores.

A Broadcom, por sua vez, não parece disposta a recuar. A gigante dos chips sustenta que os produtos solicitados pela Tesco foram descontinuados e não são mais comercializados. A empresa argumenta ainda que não pode ser obrigada a dar suporte a softwares obsoletos e que tentou negociar um novo acordo de assinatura com a rede de supermercados, que teria ignorado as propostas.

O impasse criou uma situação inusitada, onde Tesco, Broadcom, Computacenter e Dell tentam empurrar a responsabilidade financeira uns para os outros.

A disputa de R$ 72 milhões entre Dell, Broadcom e mais empresas

Dell (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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Reddit processa a Austrália por banir menores em redes sociais

Ícone do Reddit no celular (Imagem: Brett Jordan/Unsplash)
Reddit afirma que não se enquadra na definição legal de “rede social” (imagem: Brett Jordan/Unsplash)
Resumo
  • Reddit abriu um processo na Suprema Corte da Austrália para invalidar a lei que proíbe menores de 16 anos de acessar redes sociais.
  • A plataforma alega violação da liberdade de expressão política e diz que não se enquadra na categoria de “redes sociais”.
  • O governo australiano comparou a ação do Reddit a estratégias da indústria do tabaco e afirmou que a medida visa proteger os jovens.

O Reddit protocolou, nesta sexta-feira (12/12), uma ação judicial na Suprema Corte da Austrália para invalidar a legislação que proíbe o acesso de menores de 16 anos às redes sociais no país. O processo foi aberto apenas dois dias após a medida, considerada inédita no mundo, entrar em vigor. Na petição, a plataforma sustenta que a proibição fere o debate democrático.

Segundo a argumentação jurídica da empresa, embora os menores de 16 anos não votem, suas opiniões influenciam as escolhas eleitorais de pais e outros cidadãos — uma forma de comunicação política protegida, ainda que implicitamente, pela Constituição australiana.

O que diz o governo australiano?

A reação foi imediata. O ministro da Saúde, Mark Butler, comparou a estratégia jurídica do Reddit às ações movidas historicamente pela indústria do tabaco contra regulações de saúde pública. “Lutaremos contra essa ação em todas as instâncias”, afirmou, sugerindo que a empresa prioriza lucros em detrimento da segurança dos jovens.

Um porta-voz da ministra das Comunicações, Anika Wells, reforçou o posicionamento, declarando que o governo está “do lado dos pais e filhos australianos, não das plataformas”.

Reddit alerta para “efeito reverso”

imagem do aplicativo Reddit no iphone
Plataforma diz que banimento expõe adolescentes a riscos maiores (imagem: AppsHunter IO/Unsplash)

Além da questão constitucional, o Reddit alega que há um paradoxo técnico: a lei pode diminuir a segurança online. A defesa explica que, ao bloquear contas de menores, a legislação força esses jovens a navegarem no modo “somente leitura” (sem login).

O problema, segundo a plataforma, é que usuários logados podem ativar filtros de segurança que bloqueiam conteúdos inadequados. Sem uma conta, os jovens ficariam expostos ao conteúdo bruto dos fóruns, perdendo as camadas de proteção que o cadastro oferece.

Outro ponto central da defesa é a própria definição do serviço. O Reddit alega não atender aos critérios da lei, pois seu propósito principal não seria a “interação social online”, mas sim a discussão de tópicos, muitas vezes anônima. A empresa busca isenção argumentando que a natureza de seus fóruns difere consideravelmente de redes focadas em exposição pessoal e conectividade direta.

Como é a nova lei australiana?

A nova legislação entrou em vigor na quarta-feira (10/12) e impõe que a responsabilidade pelo bloqueio das contas de menores seja inteiramente das plataformas. A regra prevê multas que podem chegar a 49,5 milhões de dólares australianos (quase R$ 180 milhões) para as empresas que descumprirem a decisão.

O texto da lei foca em serviços cujo propósito principal é permitir a interação social e a postagem de material. No entanto, o governo estabeleceu exceções para serviços essenciais ou de baixo risco:

  • Mensageiros: aplicativos de comunicação como WhatsApp e Facebook Messenger (sem feed social) continuam liberados;
  • Jogos e educação: plataformas como Roblox, Discord, Google Classroom e YouTube Kids estão isentas;
  • Mídia passiva: o consumo de conteúdo, como assistir a vídeos no YouTube sem estar logado, segue permitido.

Reddit processa a Austrália por banir menores em redes sociais

Ícone do Reddit no celular (Imagem: Brett Jordan/Unsplash)
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Ex-funcionário roubou 18 mil documentos secretos da Intel e desapareceu

Arte com o logotipo da Intel ao centro, em fonte de cor branca, e o fundo em cor azul.
Jinfeng Luo é acusado de violar leis de segredos comerciais (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Intel processou o ex-engenheiro Jinfeng Luo pelo roubo de 18 mil documentos secretos e busca indenização de US$ 250 mil.
  • Luo teria burlado a segurança da Intel usando um NAS para copiar arquivos ultrassecretos após ser notificado de sua demissão.
  • A empresa iniciou uma investigação interna e tenta contatar Luo há mais de três meses, sem sucesso.

A Intel moveu um processo judicial contra o ex-engenheiro de software Jinfeng Luo. A empresa acusa Luo de se apropriar indevidamente de cerca de 18 mil arquivos, incluindo informações classificadas como “ultrassecretas”, dias antes de ser demitido.

A gigante dos semicondutores busca uma indenização de pelo menos US$ 250 mil (cerca de R$ 1,3 milhão) e alega que o ex-funcionário não responde às tentativas de contato há mais de três meses.

Luo trabalhava na Intel desde 2014 e foi notificado oficialmente de sua demissão em 7 de julho de 2024, com o vínculo empregatício programado para terminar em 31 de julho. O processo, no entanto, não especifica o motivo da demissão.

O que o processo alega?

A ação movida pela Intel detalha duas supostas tentativas de Luo para extrair dados da companhia após ser notificado de seu desligamento. A primeira teria ocorrido oito dias antes do término de seu contrato (aproximadamente em 23 de julho).

Luo teria conectado um disco rígido externo ao seu laptop corporativo. Ao tentar baixar um arquivo, os mecanismos de proteção e controles internos da Intel teriam bloqueado a transferência.

Cinco dias depois, três dias antes de seu último dia na empresa, Luo teria tentado novamente. Desta vez, ele teria utilizado uma tecnologia diferente: um dispositivo de armazenamento conectado à rede (NAS), que se assemelha a um pequeno servidor.

O processo alega que, nos três dias seguintes, Luo conseguiu baixar quase 18 mil arquivos. A Intel afirma que, entre esses dados, estavam arquivos confidenciais da empresa. A natureza exata das informações não foi detalhada publicamente.

Imagem mostra um homem com capuz, no escuro, mexendo em um laptop
Funcionário baixou arquivos confidencias da Intel e desapareceu (imagem: reprodução/B_A/Pixabay)

Investigação interna

A Intel alega no processo que detectou as transferências de dados de Luo e iniciou imediatamente uma investigação interna. Após a descoberta, a empresa afirma ter tentado contatar Luo por quase três meses, ou mais, utilizando múltiplos canais. As tentativas incluíram inúmeras ligações telefônicas, e-mails e cartas enviadas pelo correio.

Segundo a ação judicial, Luo “se recusou até mesmo a dialogar com a Intel” e devolver os arquivos supostamente apropriados. Diante da falta de resposta, a Intel recorreu ao sistema judicial. A empresa o acusa de violar leis federais e estaduais sobre segredos comerciais.

Além da indenização monetária, a Intel busca uma ordem judicial que obrigue Luo a entregar seus dispositivos eletrônicos pessoais para inspeção forense. A companhia também exige a devolução de todas as informações confidenciais que teriam sido copiadas.

Não é a primeira vez que um caso assim acontece com a Intel. Em agosto deste ano, outro ex-engenheiro foi condenado a dois anos de liberdade condicional e pagamento de uma multa de US$ 34 mil (R$ 180 mil).

Ele foi processado após copiar ilegalmente informações da fabricante de CPUs — dados que ele teria usado posteriormente para conseguir um emprego na Microsoft.

Vale lembrar que a Intel vive um momento de reestruturação, com várias demissões acontecendo. Em menos de dois anos, a Intel realizou 35 mil cortes de empregos em meio à crise financeira que já se tornou pública.

Com informações de The Mercury News

Ex-funcionário roubou 18 mil documentos secretos da Intel e desapareceu

Intel (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Hacker (Imagem: B_A/Pixabay)
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