Visualização de leitura

Veja a posição do Brasil no ranking de preços de banda larga

Ilustração sobre conexão ADSL
Estudo global avaliou os custos de mais de 2.600 planos (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A plataforma Broadband Genie analisou tarifas em 214 países e mais de 2.600 planos, com dados coletados do fim de janeiro ao início de fevereiro de 2026.
  • O Brasil ocupa a 47ª posição no ranking de preços de banda larga fixa com custo médio mensal de US$ 23,08 (cerca de R$ 114).
  • A banda larga mais barata é do Irã, com US$ 2,61 ao mês (R$ 13), enquanto a internet mais cara é em Wallis e Futuna: US$ 373,88/mês (mais de R$ 1.850).

O acesso à internet de alta velocidade facilita desde o trabalho remoto até serviços de saúde e educação. Para mapear o custo dessa conectividade ao redor do globo, a plataforma britânica de comparação de preços Broadband Genie fez uma classificação: o Brasil ocupa a 47ª posição da lista, próximo das regiões que cobram mais barato.

O levantamento analisou tarifas de banda larga fixa em 214 nações. Os dados, coletados entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2026, avaliaram mais de 2.600 planos de provedores locais para criar um cenário das tendências de precificação.

Provedores regionais baratearam os preços

O mercado brasileiro de telecomunicações passou por uma transformação nos últimos anos, impulsionada especialmente pelos provedores regionais de internet. O aumento da concorrência fora dos grandes centros e a substituição das antigas redes de cobre pela fibra óptica ajudaram a democratizar o acesso e a manter os preços em um patamar competitivo. O custo médio mensal, segundo o estudo, é de US$ 23,08 (cerca de R$ 114, na cotação atual).

Embora o usuário brasileiro ainda esbarre em questões de estabilidade e qualidade de atendimento, do ponto de vista financeiro, o valor médio cobrado por aqui é mais acessível do que em diversos mercados de primeiro mundo.

O Protocolo de Internet é responsável pelo envio de dados ao destino correto
Expansão dos provedores regionais barateou a internet fixa no país (imagem: Glenn Carstens-Peters/Unsplash)

Estados Unidos e Canadá cobram mais caro

Outra constatação do estudo é que riqueza nacional não é sinônimo de internet mais barata. A América do Norte é a segunda sub-região mais cara do planeta para se contratar banda larga, com um custo médio mensal de US$ 98,40 (quase R$ 490).

Os Estados Unidos, por exemplo, amargam a 167ª posição na tabela geral, cobrando em média US$ 80 por mês de seus assinantes. O Canadá aparece um pouco melhor, em 130º lugar, com a tarifa na casa dos US$ 55,26. Segundo o especialista da Broadband Genie Alex Tofts, mercados consolidados sofrem com um custo de vida geral elevado, o que encarece a mão de obra, as operações técnicas e o repasse ao bolso do consumidor.

O Leste Europeu, por outro lado, trilhou um caminho diferente. A sub-região apresenta um custo médio de apenas US$ 15,76 (menos de R$ 80). “As redes de cobre existentes eram tão inadequadas que os provedores optaram diretamente pela fibra ótica, em vez de desperdiçar dinheiro tentando atualizar linhas obsoletas”, explica Tofts.

Qual país cobra mais barato (e mais caro)?

Quando olhamos para o topo do ranking, a banda larga mais barata do mundo está no Irã, com um custo médio de apenas US$ 2,61 (R$ 13). O baixo valor, no entanto, se deve à forte depreciação do rial iraniano frente ao dólar. O portal The Register destaca a ironia desse primeiro lugar, lembrando que o governo local costuma restringir o acesso à internet dos cidadãos durante tensões geopolíticas.

Logo atrás, aparece a Ucrânia (US$ 5,35), que mantém redes de fibra eficientes mesmo em meio ao conflito no país, seguida por Etiópia (US$ 6,46), Bangladesh (US$ 7,38) e Mongólia (US$ 7,41).

Na outra ponta da tabela, a fatura pesa para quem vive isolado. O território de Wallis e Futuna, no Pacífico Sul, tem a internet mais cara do planeta: US$ 373,88 por mês (mais de R$ 1.850). O valor no arquipélago, com cerca de 11 mil habitantes, mostra na prática a dificuldade logística de instalar e manter redes em ilhas remotas.

Metodologia

Para garantir a precisão da comparação, a pesquisa avaliou contratos em diversas faixas de velocidade. Planos corporativos, pacotes combinados (como combos de TV a cabo e telefonia) e taxas de instalação foram excluídos para encontrar o custo real da conexão.

No entanto, há uma ressalva importante: todos os preços foram simplesmente convertidos de moedas locais para dólares americanos. Isso significa que o levantamento não cruza o valor da fatura de internet com a renda média da população.

Portanto, embora a banda larga de US$ 15 no Leste Europeu seja, por exemplo, numericamente mais em conta que a de US$ 55 no Canadá, o impacto real dessa conta mensal no orçamento doméstico do trabalhador local pode contar uma história diferente.

Veja a posição do Brasil no ranking de preços de banda larga

Saiba como funciona a tecnologia ADSL para internet banda larga por meio de linhas telefônicas (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O Protocolo de Internet é responsável pelo envio de dados ao destino correto (Imagem: Glenn Carstens-Peters/Unsplash)
  •  

O que é Stargate, data center de IA que o Irã ameaça destruir

Imagem aérea de um data center nos Estados Unidos
Projeto pretende construir centros de dados da OpenAI pelo mundo (imagem: reprodução/OpenAI)
Resumo
  • A Guarda Revolucionária do Irã ameaçou destruir o centro de dados Stargate em Abu Dhabi, em meio à escalada do conflito na região.
  • Stargate é um projeto de infraestrutura da OpenAI, que custa US$ 30 bilhões e prevê mais capacidade computacional para modelos de IA.
  • O data center nos Emirados Árabes Unidos foi a primeira instalação do programa “OpenAI para Países”; na América do Sul, haverá um na Argentina.

A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) ameaçou destruir o data center do projeto Stargate localizado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (EAU). Em um vídeo, o grupo classifica a instalação de US$ 30 bilhões (cerca de R$ 154 bilhões) da OpenAI como um alvo caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura de energia iraniana.

O alerta foi emitido pelo porta-voz da IRGC, o brigadeiro-general Ebrahim Zolfaghari. De acordo com o portal Tom’s Hardware, o grupo utiliza imagens de satélite para mostrar a localização do complexo no deserto, afirmando que a instalação, supostamente oculta pelo Google Maps, não escapa à visão militar do Irã.

O que é o Stargate?

O Stargate é uma iniciativa de infraestrutura da OpenAI voltada a construir centros de dados e expandir a capacidade computacional de ponta para o desenvolvimento avançado de inteligência artificial. Anunciado originalmente com foco nos Estados Unidos, o projeto prevê investimento total de US$ 500 bilhões ao longo de quatro anos, com cerca de US$ 100 bilhões destinados à distribuição imediata.

O SoftBank é o principal parceiro financeiro, enquanto a OpenAI detém a responsabilidade operacional. O projeto conta ainda com patrocínio da Oracle e da MGX, além de parcerias tecnológicas com Nvidia, Microsoft e Arm.

O primeiro campus de supercomputadores foi instalado no Texas, servindo como modelo para as expansões globais. Entre os objetivos declarados estão garantir a liderança americana no setor de IA e sustentar o desenvolvimento da chamada inteligência artificial geral (AGI).

Emirados Árabes deram início ao “OpenAI para Países”

captura de tela de trecho de um vídeo em que uma construção é identificada como o Stargate da OpenAI nos Emirados Árabes Unidos
IRGC apresentou imagens do que pode ser o local do Stargate em Abu Dhabi (imagem: reprodução/IRGC)

A instalação em Abu Dhabi marcou a estreia do programa OpenAI para Países, iniciativa dentro do Stargate voltada a ajudar governos a construírem capacidades soberanas de IA. O acordo para o Stargate UAE envolve um consórcio com empresas como G42, Oracle, Nvidia, Cisco e SoftBank. O plano envolve:

  • Capacidade de energia: prevê um cluster de 1 gigawatt de potência em Abu Dhabi, com a primeira fase de 200 megawatts prevista para entrar em operação em 2026
  • Alcance geográfico: a infraestrutura tem potencial para fornecer capacidade computacional em um raio de cerca de 3,2 mil quilômetros.
  • Uso nacional: o acordo torna os Emirados Árabes Unidos o primeiro país a habilitar o ChatGPT em todo o território nacional, integrando a ferramenta em setores como saúde, educação e energia.

Além dos Emirados Árabes Unidos, a iniciativa internacional também deve chegar a regiões como Noruega e Reino Unido. Na América do Sul, a empresa escolheu a Argentina para um projeto com capacidade de 500 megawatts na região da Patagônia. A parceria com a Sur Energy contará com um investimento estimado entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões (entre R$ 103 bilhões e R$ 128 bilhões).

Assim como nos EAU, a entrega da primeira fase deve entregar 100 MW de capacidade, que deve escalar progressivamente até o valor total.

Por que o Irã está ameaçando o projeto?

A IRGC descreve as ameaças contra o complexo em Abu Dhabi como uma medida preventiva. O brigadeiro-general Zolfaghari declarou que qualquer dano infligido à infraestrutura de energia do Irã será respondido com ataques contra instalações dos EUA e de Israel, além de empresas na região que possuam acionistas americanos.

Segundo o Tom’s Hardware, relatos indicam que ataques recentes de foguetes iranianos já teriam atingido e interrompido operações em centros de dados da Amazon AWS na região.

O que é Stargate, data center de IA que o Irã ameaça destruir

(imagem: reprodução/OpenAI)
  •  

Google denuncia tentativa de clonagem do Gemini

Marca do Gemini em cores claras, num fundo azul. Na parte superior direita, o logotipo do "tecnoblog"é visível.
Criminosos também estão usando a IA do Google para criar malwares indetectáveis (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Google relatou tentativas de clonagem do Gemini usando “destilação”, técnica que copia a lógica da IA para criar malwares. China, Coreia do Norte e Irã estão envolvidos.
  • Hackers usaram o Gemini para testar evasão de defesas e refinar ataques de phishing. Malware HONESTCUE utiliza o Gemini para ofuscar código, dificultando a detecção por antivírus.
  • O Google ajustou os algoritmos de segurança do Gemini para bloquear usos maliciosos e destaca a importância da proteção contra destilação.

O Google ligou o sinal de alerta para uma nova ameaça contra sua infraestrutura de inteligência artificial. Em um relatório publicado nesta quinta-feira (12), a gigante das buscas revelou que o Gemini virou alvo de tentativas massivas de clonagem. Segundo o Grupo de Inteligência de Ameaças do Google (GTIG), agentes maliciosos estão utilizando uma técnica de extração de dados para mapear e replicar o funcionamento do seu modelo de linguagem.

Um caso impressionante ocorreu num escritório da empresa em Dublin, na Irlanda. Segundo informações obtidas pela NBC News, uma única campanha de “destilação” disparou mais de 100 mil prompts contra o Gemini antes que os sistemas de segurança identificassem o padrão e bloqueassem a atividade. O objetivo era tentar extrair os padrões lógicos da inteligência proprietária que o Google levou anos e bilhões de dólares para desenvolver.

O que é “destilação” e por que é uma ameaça?

No mercado de IA, o termo “destilação” indica uma técnica em que um modelo menor é treinado utilizando as respostas geradas por um modelo mais robusto, como o Gemini ou o GPT-4. Ao enviar milhares de perguntas cuidadosamente elaboradas, os invasores conseguem mapear os padrões, a lógica e os algoritmos de raciocínio da ferramenta “mestre”.

John Hultquist, analista-chefe do GTIG, explicou à NBC News que esses ataques logo se tornarão comuns contra ferramentas de IA de empresas menores. “Vamos servir de alerta para muitos outros incidentes”, afirmou. Ele ressalta que o perigo vai além do código: se uma empresa treina uma IA com segredos comerciais, um invasor poderia, teoricamente, “destilar” esse conhecimento apenas interagindo com o chatbot.

Essa disputa não é isolada. No ano passado, o mercado acompanhou um embate similar quando a OpenAI acusou a startup chinesa DeepSeek de utilizar ataques de destilação para aprimorar seus modelos.

Como hackers estão explorando a ferramenta?

Grupo do ransomware LockBit promete extorsão tripla (imagem ilustrativa: Kevin Horvat/Unsplash)
Grupos de espionagem estão usando o Gemini para automatizar a busca por vulnerabilidades (imagem: Kevin Horvat/Unsplash)

Além da espionagem industrial, o relatório do Google, também repercutido pelo portal The Record, revela que hackers patrocinados pela China, Irã e Coreia do Norte transformaram o Gemini em um multiplicador de força para suas operações.

Hackers chineses foram identificados utilizando o Gemini para testar técnicas de evasão contra defesas nos Estados Unidos. Já o grupo iraniano APT42 (também conhecido como Charming Kitten ou Mint Sandstorm) utilizou o assistente para refinar ataques de phishing.

Os agentes norte-coreanos focaram na síntese de informações para traçar o perfil de empresas de defesa e cibersegurança. Segundo o Google, o grupo mapeou funções técnicas e até informações salariais para identificar funcionários que pudessem servir como porta de entrada para invasões.

Malware “inteligente”

Ilustração que representa a detecção de ameaças digitais. O centro da imagem é dominado por uma janela de terminal de computador estilizada e uma lupa com cabo amarelo, que está focando em um inseto (bug) vermelho no centro da tela. O fundo é escuro, com códigos binários em roxo e diversas ilustrações de vírus biológicos flutuando, sugerindo o conceito de "vírus" e "malware". No canto inferior direito, o texto secundário em branco diz "tecnoblog".
Ameaça usa a API do Gemini para gerar código malicioso em tempo real (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Outro ponto alarmante envolve a descoberta do malware HONESTCUE. Diferentemente de um vírus tradicional, ele funciona como um “conta-gotas” que não carrega todo o código malicioso de uma vez. Em vez disso, ele faz uma chamada via API ao próprio Gemini e recebe código-fonte em C# como resposta. O código é então executado para baixar a carga final do ataque.

Essa técnica cria uma “ofuscação em múltiplas camadas”. Como o comportamento malicioso é gerado dinamicamente, antivírus tradicionais têm muito mais dificuldade em detectar a ameaça.

O Google afirma que já ajustou os algoritmos de segurança do Gemini para identificar esses padrões de uso malicioso e bloqueou as contas associadas aos grupos identificados. A empresa reforça que, à medida que mais empresas treinam modelos com dados sensíveis, a proteção contra a destilação se tornará tão importante quanto a defesa contra invasões de rede tradicionais.

Google denuncia tentativa de clonagem do Gemini

Gemini substituiu Google Assistente em smartphones (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Grupo do ransomware LockBit promete extorsão tripla (imagem ilustrativa: Kevin Horvat/Unsplash)

Entenda o conceito de malware e as diferentes formas de ameaças (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
  •  

Irã já consegue bloquear até a rede da Starlink

Bandeira do Irã (verde, branca e vermelha, com um emblema islâmico ao centro) hasteada em um dia nublado
Irã já consegue bloquear até a rede da Starlink (foto: Sina Drakhshani/Unsplash)
Resumo
  • Governo do Irã está bloqueando acesso local à internet, incluindo a rede da Starlink;
  • Desde 8 de janeiro, bloqueio progressivo afeta cerca de 80% do tráfego da Starlink por meio de uma tecnologia sofisticada;
  • Bloqueio não é uniforme, com algumas áreas ainda conseguindo acesso à internet, mas é amplo o suficiente para ser considerado um “apagão digital”.

O Irã vem enfrentando uma série de manifestações populares devido à grande crise econômica que o país enfrenta. Em reação, o governo local vem promovendo um “apagão digital” na região neste começo de ano. O que ninguém esperava é que essa medida conseguisse afetar até os serviços da Starlink.

Pelo menos desde quinta-feira da semana passada (08/01), empresas de monitoramento têm notado uma queda expressiva no tráfego de dados das redes iranianas. Na sexta-feira (09/01), o governo do Irã reconheceu estar por trás das medidas que têm dificultado o acesso à internet pela população local.

Nessas circunstâncias, serviços como os que são oferecidos pela Starlink costumam ser a “salvação”, pois é mais difícil bloquear os acessos à internet oriundos de redes de satélites.

Mais difícil, mas não impossível: de acordo com Amir Rashidi, especialista em segurança digital do Miaan Group, organização focada em direitos humanos, bloqueadores de sinais avançados têm conseguido barrar o tráfego de dados oriundos da rede da Starlink.

O bloqueio segue um padrão progressivo. Na manhã da sexta-feira, cerca de 30% do tráfego de uplink e downlink da Starlink estava interrompido; à noite do mesmo dia, por volta das 22:00 no horário local, o bloqueio já atingia mais de 80% da rede. Nesta segunda-feira (12/01), os serviços de acesso à internet da Starlink continuavam comprometidos no Irã.

Ao TechRadar, Rashidi declarou: “tenho monitorado e pesquisado o acesso à internet nos últimos 20 anos e nunca vi nada parecido em toda a minha vida”.

Ainda de acordo com Rashidi, o bloqueio aos serviços de internet por satélite envolve uma tecnologia sofisticada, de nível militar que, se não tiver sido desenvolvida internamente, foi fornecida pela Rússia ou pela China ao governo do Irã.

Algumas áreas do país ainda conseguem ter acesso à internet por meio da rede da Starlink, pois os bloqueadores estão espalhados pelo território iraniano de modo irregular, aparentemente. Nesse sentido, algumas áreas podem ter mais bloqueadores do que outras ou, dependendo da região, esses equipamentos podem apresentar níveis de eficácia diferentes.

Antena Starlink Mini vista lateralmente (imagem: Felipe Freitas/Tecnoblog)
Antena Starlink Mini (imagem: Felipe Freitas/Tecnoblog)

Por que o Irã está bloqueando a internet no país?

Tudo indica que essa é uma tentativa do governo iraniano de dificultar a organização digital dos grupos que têm promovido protestos massivos no país desde o fim de 2025.

Além disso, a restrição do acesso à internet dificulta o trabalho de cidadãos, jornalistas e ONGs de registrar ou noticiar eventuais abusos por parte das autoridades na contenção dos protestos.

No início, os bloqueios afetavam somente serviços fixos e móveis de telefonia, mas rapidamente escalaram para redes de satélites e sinais de GPS.

Com informações de IranWire

Irã já consegue bloquear até a rede da Starlink

Governo iraniano já derrubou internet em outros protestos e conflitos (foto: Sina Drakhshani/Unsplash)
  •  

Irã bloqueia internet em meio a protestos contra o governo

Bandeira do Irã (verde, branca e vermelha, com um emblema islâmico ao centro) hasteada em um dia nublado
Governo iraniano já derrubou internet em outros protestos e conflitos (foto: Sina Drakhshani/Unsplash)
Resumo
  • O Irã bloqueou a internet desde 08/01, afetando tráfego e serviços como caixas eletrônicos e cartões de débito.
  • O governo confirmou a suspensão como medida de segurança para reprimir protestos contra a crise econômica.
  • Monitoramento por empresas como NetBlocks, Kentik e Cloudflare mostrou queda drástica no tráfego; a rede Starlink não foi afetada.

O Irã está quase totalmente desconectado da internet desde quinta-feira (08/01), de acordo com empresas que monitoram o tráfego da rede. Nesta sexta (09/01), o governo confirmou ser o responsável pelo corte, apontando que a medida foi tomada por autoridades de segurança, afirma a BBC.

O apagão acontece em um momento de turbulência do país: desde dezembro, há protestos contra o governo em diversas cidades. O Irã enfrenta uma grave crise econômica, com desvalorização acentuada da moeda nacional (o rial) e alta nos preços. ONGs internacionais falam em cerca de 50 manifestantes mortos.

O que aconteceu com a internet no Irã?

Desde quinta-feira (08/01), diversas empresas de monitoramento notaram a queda abrupta do tráfego nas redes iranianas. Entre elas, estão a NetBlocks, a Kentik e a Cloudflare.

O painel da Cloudflare, disponível publicamente, mostra que, desde a tarde de quinta, a quantidade de bytes transmitidos caiu a menos de 0,1% do máximo.

A Kentik compartilhou com o TechCrunch um gráfico com informações semelhantes, mostrando uma breve disrupção por volta das 12h30 (horário de Brasília), seguida de uma queda total uma hora depois.

Gráfico de áreas empilhadas da plataforma Kentik mostra o tráfego de internet para o Irã em 8 de janeiro de 2026. O volume de dados, representado por diversas faixas coloridas, sofre uma queda brusca e momentânea por volta das 15:15 (marcada como "Brief disruption"). Após uma breve recuperação, ocorre um declínio drástico e contínuo a partir das 16:30, indicado por uma seta vermelha com o texto "Near-total disconnection" (desconexão quase total).
Internet caiu na tarde de quinta-feira (imagem: reprodução/Kentik)

A NetBlocks afirmou, em sua conta no X, que o apagão aconteceu depois de “medidas de censura digital que têm os protestos como alvo”.

O bloqueio não afeta a rede da Starlink, de acordo com a BBC local, permitindo que alguns usuários consigam acessar a rede. Segundo relatos locais, o governo estaria usando GPS jamming para atrapalhar o sinal da rede de satélite. A Associated Press aponta que serviços de telefonia móvel e fixa também foram bloqueados.

Apagão afeta outros serviços

Não é a primeira vez que o governo bloqueia parcial ou totalmente a internet do país durante protestos ou conflitos. Além de cortar o acesso, o país já tomou medidas como banir o WhatsApp e a Google Play.

A medida é tomada para reprimir os protestos, mas acaba afetando diversos aspectos da vida do país. Segundo a BBC, pessoas com familiares no Irã não conseguem entrar em contato por WhatsApp. Além disso, caixas eletrônicos pararam de funcionar, assim como cartões de débito.

Com informações do TechCrunch, da Deutsche Welle e da BBC

Irã bloqueia internet em meio a protestos contra o governo

Internet caiu na tarde de quinta-feira (imagem: reprodução/Kentik)
  •