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Qualcomm lança chips de IA para rivalizar com a Nvidia

Prédio da Qualcomm
Qualcomm aposta em nova geração de chips para data centers de IA (imagem: divulgação/Qualcomm)
Resumo
  • A Qualcomm lançou os chips AI200 e AI250 para inferência em data centers, visando competir com a Nvidia.
  • Os chips utilizam a tecnologia Hexagon NPU e podem operar até 72 unidades em um rack, simulando um supercomputador.
  • O AI200 será lançado em 2026 com 768 GB de memória LPDDR, enquanto o AI250 chegará em 2027 com arquitetura de memória aprimorada e refrigeração líquida.

A Qualcomm revelou nesta segunda-feira (27/10) dois novos chips voltados para inteligência artificial, em uma tentativa de conquistar espaço em um setor amplamente controlado pela Nvidia. Os modelos AI200 e AI250 são projetados para execução de modelos já treinados — um tipo de processamento conhecido como inferência — e não para o treinamento de redes neurais.

O lançamento representa uma guinada estratégica para a companhia, historicamente associada à fabricação de processadores móveis e componentes de telecomunicações. Agora, a Qualcomm quer consolidar sua presença também nos data centers e no mercado de infraestrutura de IA, ampliando a concorrência com gigantes como Nvidia e AMD.

O que os novos chips da Qualcomm oferecem?

Segundo a CNBC, os novos processadores são baseados na tecnologia Hexagon NPU, utilizada em dispositivos móveis e notebooks da marca, e agora adaptada para aplicações em larga escala. Além disso, até 72 chips podem operar em conjunto dentro de um mesmo rack, simulando o funcionamento de um supercomputador — estrutura semelhante à empregada pelas GPUs da Nvidia.

O AI200, previsto para chegar ao mercado em 2026, contará com 768 GB de memória LPDDR por placa e desempenho otimizado para inferência de modelos generativos e multimodais. Já o AI250, que deve estrear em 2027, trará uma nova arquitetura de memória com eficiência aprimorada e menor consumo de energia. Ele será capaz de entregar até dez vezes mais largura de banda efetiva de memória, além de oferecer refrigeração líquida direta, suporte a PCIe e Ethernet para escalabilidade, e potência total de até 160 kW por rack.

AI200 e AI250 marcam nova aposta da Qualcomm no mercado de inteligência artificial.
AI200 e AI250 marcam nova aposta da Qualcomm no mercado de inteligência artificial (imagem: divulgação/Qualcomm)

Qualcomm pode realmente competir com a Nvidia?

Com a Nvidia dominando o mercado de chips para IA — especialmente em soluções de treinamento —, a aposta da Qualcomm recai sobre o segmento de inferência, etapa cada vez mais relevante à medida que modelos generativos passam a ser amplamente utilizados em empresas e serviços.

“Com o AI200 e o AI250, estamos redefinindo o que é possível para a inferência de IA em escala de rack”, afirmou Durga Malladi, vice-presidente sênior e gerente geral de Soluções de Borda e Data Center da Qualcomm Technologies. “Essas novas e inovadoras soluções de infraestrutura de IA permitem que os clientes implantem IA generativa com um custo total de propriedade sem precedentes, mantendo a flexibilidade e a segurança exigidas pelos data centers modernos.”

Os novos processadores fazem parte do plano da Qualcomm de lançar gerações anuais de soluções de IA para data centers, reforçando sua estratégia de oferecer alternativas mais eficientes e econômicas às opções dominadas pela Nvidia. O foco da empresa está em garantir alto desempenho de inferência com baixo consumo de energia e excelente custo-benefício.

Qualcomm lança chips de IA para rivalizar com a Nvidia

Qualcomm pode buscar espaço em servidores com chip Arm de 80 núcleos (imagem: divulgação/Qualcomm)

AI200 e AI250 marcam nova aposta da Qualcomm no mercado de inteligência artificial (imagem: divulgação/Qualcomm)
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AMD e OpenAI firmam parceria que desafia domínio da Nvidia em IA

AMD
Parceria garante à OpenAI o poder computacional para seus futuros modelos de IA (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • AMD e a OpenAI firmaram parceria para fornecer 6 gigawatts em GPUs, desafiando a Nvidia no setor de IA.
  • Com o acordo, a OpenAI poderá adquirir até 160 milhões de ações da AMD, condicionada a marcos técnicos e comerciais.
  • A parceria pode gerar dezenas de bilhões de dólares em receita para a AMD e diversificar fornecedores para a OpenAI.

A AMD anunciou nesta segunda-feira (06/10) uma parceria estratégica com a OpenAI, posicionando a empresa como grande fornecedora de unidades de processamento gráfico (GPUs) para a dona do ChatGPT e intensificando a concorrência com a Nvidia, atual líder do setor.

O acordo, que se estenderá por vários anos e gerações de produtos, estabelece a entrega de 6 gigawatts em GPUs, começando pela implantação de 1 gigawatt de chips da série AMD Instinct MI450. A meta é fornecer a capacidade computacional necessária para o desenvolvimento e operação de modelos de IA cada vez mais complexos, que também alimentam outras aplicações de IA generativa.

AMD será mais que um fornecedor

A AMD também concedeu à OpenAI o direito de adquirir até 160 milhões de ações ordinárias, volume que representa cerca de 10% de participação na empresa. A aquisição, no entanto, está condicionada ao cumprimento de alguns requisitos. Entre eles, a gigante da IA deve atingir os marcos técnicos e comerciais necessários para implantar os chips da AMD em larga escala.

Segundo Jean Hu, vice-presidente executiva e diretora financeira da AMD, “este acordo cria um alinhamento estratégico significativo e valor para os acionistas de ambas as empresas”. Lisa Su, presidente e CEO da AMD, destacou a natureza colaborativa do acordo.

Lisa Su, CEO da AMD, com um chip Ryzen 7000 (imagem: divulgação/AMD)
Lisa Su, CEO da AMD, com um chip Ryzen 7000 (imagem: divulgação/AMD)

“Esta parceria reúne o melhor da AMD e da OpenAI para criar uma situação vantajosa para todos, possibilitando o avanço de todo o ecossistema de IA”, afirmou a executiva. A colaboração técnica entre as empresas também será aprofundada para otimizar hardware e software de futuras gerações de produtos.

Em comunicado, a AMD projetou que a parceria deve gerar “dezenas de bilhões de dólares em receita”, notícia que foi bem recebida pelo mercado financeiro, com as ações da companhia registrando alta de 24% nas negociações pré-mercado.

Parceria pode movimentar o mercado

Logo da OpenAI
Com o acordo, a OpenAI diversifica suas apostas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O anúncio ocorre em um momento em que a demanda por poder computacional tem superado a oferta no setor de IA. A parceria com a AMD oferece à OpenAI uma estratégia de diversificação de fornecedores, reduzindo sua dependência da Nvidia, que domina o fornecimento de hardware para data centers de IA.

Curiosamente, a companhia controlada por Sam Altman também anunciou no mês passado uma “parceria estratégica” com a Nvidia para a implantação de pelo menos 10 gigawatts em GPUs. No entanto, o acordo ainda não foi finalizado. Essa diversificação só foi possibilitada por um ajuste no acordo de exclusividade que a OpenAI mantinha com a Microsoft, modificado para permitir que a empresa de IA também buscasse acordos com outros fornecedores.

Com informações da AMD e The Verge

AMD e OpenAI firmam parceria que desafia domínio da Nvidia em IA

AMD (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

OpenAI (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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