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NASA continua pesquisa científica da missão Artemis 2 na Terra

Desde que a missão Artemis 2 retornou à Terra após completar sua histórica viagem ao redor da Lua, os cientistas da NASA iniciaram uma nova fase de pesquisas e análises baseadas nos dados coletados durante o voo. 

O pouso seguro no Oceano Pacífico, em 10 de abril, marcou o encerramento bem-sucedido da missão, mas não significou o fim do trabalho científico. As pesquisas continuaram em laboratórios e centros de pesquisa da agência.

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Pouso da missão Artemis 2, após o primeiro voo tripulado à Lua em mais de meio século – Crédito: NASA

NASA analisa dados de saúde e desempenho da tripulação após o voo

As informações obtidas durante a missão estão sendo usadas para compreender como o corpo humano reage a viagens espaciais de longa duração. O objetivo é aprimorar o preparo de futuras missões à Lua e a Marte, além de apoiar planos de presença humana contínua na superfície lunar, com maior segurança e eficiência em ambientes extremos.

Logo após o retorno, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen passaram por uma série de avaliações médicas e físicas. Os exames foram realizados rapidamente para registrar os efeitos imediatos da transição entre a microgravidade e a gravidade terrestre, fase considerada essencial para entender a adaptação do organismo.

Esses dados ajudam os pesquisadores a estimar o tempo necessário para que astronautas recuperem plenamente suas funções físicas após o retorno de uma missão. Esse conhecimento será fundamental para futuras operações na Lua ou em Marte, onde não haverá equipes de apoio disponíveis para assistência imediata.

Um dos primeiros conjuntos de testes integrou o programa Medidas Padrão de Voo Espacial da Artemis 2. Nele, os astronautas realizaram exames de pressão arterial, frequência cardíaca, visão e coordenação motora. O objetivo é criar uma base de referência para comparações em futuras missões tripuladas.

Além dos exames clínicos, os tripulantes participaram de um circuito físico com atividades que simulam situações operacionais. Entre elas estavam levantar e deitar, subir escadas e manipular uma escada de corda, exercícios que ajudam a avaliar a recuperação funcional do corpo após o voo espacial.

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Astronautas da missão Artemis 2 em entrevista após retornarem à Terra – Crédito: NASA

Astronautas seguiram para exames quando pousaram na Terra

Após o retorno ao Centro Espacial Johnson, em Houston, os astronautas seguiram com avaliações mais detalhadas. Os testes incluíram análise de equilíbrio, reflexos e controle motor, fundamentais para compreender como o sistema neuromotor reage ao retorno à gravidade terrestre.

Nos dias seguintes, a equipe realizou experimentos com trajes espaciais adaptados para simular a gravidade lunar, que corresponde a cerca de um sexto da gravidade da Terra. Esses testes permitem observar como o corpo humano se comporta em condições semelhantes às futuras missões de exploração.

Outra frente importante de pesquisa envolve o sistema imunológico. Amostras de sangue e saliva coletadas antes, durante e depois da missão estão sendo comparadas para identificar alterações biológicas provocadas pela exposição ao ambiente espacial.

Entre os principais pontos estudados está a possível reativação de vírus latentes no organismo humano. Pesquisas anteriores sugerem que o espaço pode influenciar o sistema imunológico, e a Artemis 2 fornece dados mais completos para aprofundar essa análise.

Parte da tripulação também realizou testes cognitivos após o retorno, avaliando memória, atenção e capacidade de decisão. Em paralelo, os astronautas participaram de uma simulação de acoplamento manual de espaçonave, usada para medir precisão e controle motor sob condições controladas.

Esses experimentos fazem parte do estudo “Riscos da Radiação para Astronautas e da Saúde e Desempenho da Tripulação” (ARCHeR), que investiga como os riscos do ambiente espacial afetam o desempenho humano. Os dados coletados são combinados com informações registradas por dispositivos utilizados pelos astronautas durante toda a missão.

A coleta inicial de dados foi concluída cerca de 45 dias após o pouso da cápsula Orion. Mesmo assim, o acompanhamento médico continuará por muitos anos, permitindo que os pesquisadores construam um histórico detalhado dos efeitos de longo prazo das viagens espaciais.

Depois de processadas e anonimizadas, as informações serão disponibilizadas à comunidade científica por meio do Arquivo de Dados de Ciências da Vida da NASA. Isso permitirá que pesquisadores do mundo todo utilizem os dados em novos estudos e desenvolvam tecnologias para futuras missões.

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Chips biológicos simularam tecidos humanos no espaço com a Artemis 2

Além dos estudos com astronautas, a missão também envolveu o projeto “Avaliação Avançada de Tecidos e Respostas em Ambientes de Gravidade” (AVATAR), que utiliza chips biológicos capazes de simular tecidos humanos em escala reduzida. Esses dispositivos continham células da medula óssea de cada integrante da tripulação.

Os chips viajaram ao redor da Lua dentro da cápsula Orion, expostos às mesmas condições de microgravidade e radiação do espaço profundo. Agora, estão sendo analisados em laboratório para identificar alterações celulares e moleculares provocadas pelo ambiente espacial.

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Um cientista manuseia chips de órgãos do programa AVATAR após sua jornada ao redor da Lua a bordo da nave Orion, com a missão Artemis 2. Os chips contêm células de cada astronauta e estão sendo preparados para uma análise detalhada. – Crédito: NASA

Os pesquisadores comparam os chips que estiveram no espaço com amostras de controle mantidas na Terra. Para isso, utilizam técnicas avançadas de genética, como o sequenciamento de RNA de célula única, que permite analisar o comportamento individual das células.

O objetivo é entender como diferentes organismos respondem de forma única às condições extremas do espaço. No futuro, isso poderá permitir o desenvolvimento de modelos biológicos personalizados para cada astronauta.

Esses modelos poderão apoiar a criação de tratamentos médicos sob medida, aumentando a segurança de tripulações em missões de longa duração. A tecnologia também pode ser aplicada no planejamento de futuras expedições à Lua e a Marte.

NASA vai revelar imagens inéditas da Lua

Enquanto isso, outra parte da missão analisa os dados coletados durante a passagem da Orion pela Lua. Em 6 de abril, os astronautas passaram quase sete horas observando a superfície lunar durante a maior aproximação da nave.

As observações seguiram um plano detalhado e incluíram registros em imagem, vídeo e áudio de crateras, falhas geológicas e variações de iluminação na superfície lunar. Também foram documentados possíveis impactos luminosos observados durante o período.

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Uma das mais de 12 mil imagens da missão Artemis 2 já disponibilizadas pela NASA em acervo público: registro feito por uma câmera externa da cápsula Orion mostra parte da espaçonave e a Lua. – Imagem: NASA

Esses dados estão sendo analisados para a produção de relatórios científicos que serão divulgados ainda este ano. Os documentos também explicarão como as observações foram planejadas e executadas.

Em comunicado, a NASA revelou que pretende divulgar mais de 100 gravações de áudio e cerca de 11.500 imagens e vídeos inéditos da Terra e da Lua. Todo o material será integrado ao Sistema de Dados Planetários da agência.

Antes da publicação, os arquivos estão sendo padronizados para garantir acesso amplo e duradouro. A medida permitirá que pesquisadores, estudantes e o público utilizem essas informações em estudos e consultas futuras.

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SpaceX acelera cronograma para infraestrutura de IA espacial

A SpaceX está planejando lançar demonstrações iniciais de infraestrutura de computação de inteligência artificial (IA) baseada no espaço até o final de 2027, antecipando o cronograma de “início de 2028” divulgado no seu prospecto de IPO, de acordo com duas pessoas que participaram em apresentações para investidores ouvidas pela Reuters.

Projeto central para crescimento futuro

  • O esforço de computação orbital é fundamental para a estratégia de crescimento de longo prazo da SpaceX perante os investidores;
  • A empresa afirma nos seus documentos de IPO ser “a única empresa com um caminho comercialmente viável para construir computação de IA orbital em larga escala“;
  • A SpaceX solicitou autorização aos reguladores para lançar até um milhão de satélites de centros de dados espaciais;
  • Durante duas apresentações para investidores antes do IPO, ambas com a presença da Presidente Gwynne Shotwell e do Diretor Financeiro Bret Johnsen, os executivos da SpaceX delinearam um roteiro para começar a demonstrar capacidades de computação orbital em 2027.

Shotwell e Johnsen, que têm estado em reuniões com grandes bancos de investimento para promover uma captação de fundos de US$ 75 bilhões (R$ 389,4 bilhões) no IPO da empresa, com uma avaliação-alvo de US$ 1,7 trilhão (R$ 9 trilhões), descreveram as implementações iniciais como sistemas demonstrativos destinados a validar a tecnologia antes de qualquer implementação comercial mais ampla.

Desafios com o foguetão Starship

O Starship, o foguetão totalmente reutilizável que sustenta os planos da empresa para computação orbital, continua anos atrasado em relação aos objetivos originais do CEO, Elon Musk, e ainda não demonstrou a reutilização rápida necessária para tornar a implementação em larga escala economicamente viável.

Michael Monaghan, sócio e gestor de carteira da Founder ETFs, comentou à Reuters que “os centros de dados orbitais, embora sejam um problema difícil, têm alguns limites, o que me dá maior confiança de que os cronogramas estabelecidos serão cumpridos”.

Página da SpaceX no Twitter aberta em celular rodeado de notas de dólar numa mesa
SpaceX promete maior IPO da história – Imagem: FellowNeko/Shutterstock

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Tecnologia e especificações

Num vídeo divulgado na segunda-feira (8), Musk afirmou que construir centros de dados de IA orbitais não é um desafio de engenharia difícil, pois grande parte da tecnologia necessária já existe na atual rede de satélites Starlink.

A primeira versão do satélite de IA provavelmente usará chips da Nvidia, e a potência informática da nave espacial seria equivalente à de um rack Nvidia GB300, disse o CEO.

Detalhes do IPO da SpaceX

As ações da SpaceX estão programadas para começar a ser negociadas na Nasdaq na sexta-feira (12) com o símbolo SPCX, com o preço do IPO definido em US$ 135 (R$ 700,96) por ação. Esta será a maior oferta pública inicial do mundo, destronando a petrolífera Saudi Aramco.

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James Webb descobre galáxia quimicamente primitiva no Universo antigo

Uma das maiores conquistas do Telescópio Espacial James Webb (JWST) tem sido permitir que os cientistas expandam as fronteiras da astronomia ao observar galáxias que existiram durante os estágios iniciais do Universo, menos de um bilhão de anos após o Big Bang. Este período, conhecido pelos cientistas como a Época de Reionização, coincide com o intervalo que os astrônomos apelidaram de “Idade das Trevas Cósmica“.

Ocorrendo entre 380 mil e 1 bilhão de anos após o Big Bang, essa era caracterizava-se por um Universo preenchido por hidrogênio neutro. Consequentemente, qualquer fonte de luz visível hoje sofreu um desvio para o vermelho (redshift) que a posiciona além dos limites de detecção dos telescópios convencionais.

No entanto, graças aos avançados instrumentos infravermelhos e espectrômetros do James Webb, os cientistas conseguem agora olhar por trás desse véu espesso e decifrar como as galáxias evoluíram desde as épocas cosmológicas mais primitivas.

Em uma descoberta recente, uma equipe internacional de astrônomos utilizou o Webb e a técnica de lenteamento gravitacional para capturar um vislumbre raro da LAP1-B, uma galáxia extremamente fraca que existiu meros 800 milhões de anos após o Big Bang.

Por meio dos espectrômetros do Webb, o grupo conseguiu caracterizar a galáxia de forma definitiva, revelando que ela se trata da galáxia mais pobre em metais já observada até hoje no Universo primitivo.

A pesquisa foi liderada pelo professor associado Kimihiko Nakajima, da Universidade de Kanazawa (Japão). O estudo detalhado que descreve o achado foi publicado em 13 de maio na prestigiada revista científica Nature.

Arqueologia cósmica em tempo real

  • No período imediatamente posterior ao Big Bang, o Universo continha apenas elementos leves, como hidrogênio e hélio;
  • Os elementos químicos necessários para a vida, tais como o carbono e o oxigênio, estavam completamente ausentes;
  • Esses elementos mais pesados foram forjados no interior da primeiríssima geração de estrelas — conhecidas na astrofísica como estrelas de População III;
  • Posteriormente, tais elementos foram dispersos pelo espaço quando essas estrelas explodiram em supernovas, expelindo suas camadas externas.

Por décadas, astrofísicos nutriram a esperança de encontrar essas estrelas para testemunhar o exato momento em que começaram a semear o Universo com elementos mais pesados.

A tarefa, contudo, mostrava-se espinhosa, uma vez que as galáxias mais antigas que abrigaram as estrelas de População III são extremamente pequenas e tênues. Como resultado, determinar a composição química desses objetos por meio de espectroscopia era considerado algo praticamente impossível — até agora.

O trabalho de Nakajima e seus colaboradores baseia-se em detecções iniciais da galáxia LAP1-B, adicionando espectros detalhados obtidos pelo James Webb à análise. Os dados revelaram uma abundância recorde de oxigênio extremamente baixa: apenas 1/240 da quantidade encontrada no Sol.

Quando combinada com uma proporção elevada de carbono em relação ao oxigênio e a presença dominante de um halo de matéria escura, a descoberta sugere que a LAP1-B é uma progenitora direta das galáxias fósseis encontradas atualmente nas proximidades da nossa própria galáxia, a Via Láctea.

A busca por essas galáxias “ancestrais” vinha mobilizando astrônomos há tempos, tornando a LAP1-B uma janela histórica sem precedentes para os estágios mais primitivos de formação galáctica.

“Normalmente, agimos como ‘arqueólogos cósmicos‘, tentando adivinhar o passado olhando para estrelas antigas em nossa própria vizinhança. Mas agora, podemos analisar o gás diretamente da cena original há 13 bilhões de anos”, disse Nakajima em comunicado.

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O poder da lente gravitacional

A observação minuciosa de um objeto tão distante só foi possível graças a uma feliz coincidência cósmica: a presença de um massivo aglomerado de galáxias interveniente (o aglomerado MACS J0416), localizado entre a Terra e a LAP1-B. Esse aglomerado atuou como uma lente gravitacional natural, dobrando o espaço-tempo e ampliando a luz fraca da LAP1-B por um fator de 100 vezes.

Após acumularem 30 horas de observações profundas e espectroscopia altamente detalhada, os pesquisadores finalmente conseguiram caracterizar a abundância química da jovem galáxia. Além de ser quimicamente primitiva, a razão entre carbono e oxigênio na LAP1-B alinha-se de maneira muito próxima às previsões teóricas do material dispersado especificamente pelas explosões de estrelas de População III.

“Fiquei instantaneamente entusiasmado com a extrema falta de oxigênio revelada nos dados. Encontrar uma galáxia em um estado tão primitivo é surpreendente. É uma assinatura química que indica claramente uma galáxia primordial capturada nos momentos logo após a sua formação”, afirmou Nakajima.

Uma linha do tempo da evolução do universo após o Big Bang
Linha do tempo da evolução do universo após o Big Bang – Imagem: Reprodução

Elo de matéria escura e fósseis do Universo

As análises da equipe revelaram outra característica crucial: a LAP1-B é incrivelmente leve, registrando menos de 3,3 mil massas solares. Uma massa tão diminuta implica que a maior parte da estrutura da galáxia é, na verdade, composta por matéria escura na forma de um halo protetor.

Essa massa reduzida, somada à assinatura química singular do objeto, faz com que a LAP1-B seja uma correspondência quase perfeita para as chamadas “Galáxias Anãs Ultra-Fracas” (UFDs, na sigla em inglês), que orbitam as vizinhanças da Via Láctea nos dias atuais.

O professor Masami Ouchi, pesquisador do Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ) e da Universidade de Tóquio (Japão), além de coautor do estudo, detalhou a importância dessa correlação.

“As UFDs não são apenas as galáxias mais fracas; elas são compostas por estrelas antigas com mais de 12 bilhões de anos e são frequentemente descritas como ‘fósseis do Universo‘. Os astrônomos suspeitavam que elas pudessem ser os restos das primeiras galáxias do Universo porque não têm elementos pesados, mas nunca tivemos uma ligação direta — até encontrarmos a LAP1-B. É uma surpresa profunda descobrir que a LAP1-B se parece exatamente com o ‘ancestral’ que só havíamos imaginado nas teorias. Isso nos ajuda a resolver o mistério de por que esses fósseis cósmicos sobreviveram em sua forma atual até os dias de hoje”, pontuou Ouchi.

As descobertas dessa equipe internacional fornecem aos astrônomos uma nova metodologia para mapear o surgimento de elementos mais pesados no cosmos e o desenvolvimento de suas estruturas mais antigas.

O próximo passo da equipe consistirá no uso contínuo de dados do James Webb para buscar objetos ainda mais primitivos quimicamente, incluindo as primeiríssimas estruturas que já se formaram no Universo. Conforme indicou Nakajima, a expectativa é de que esta histórica descoberta represente apenas o ponto de partida para desvendar as origens químicas do nosso Universo.

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Bezos e Musk enfrentam dificuldades na corrida espacial bilionária

Jeff Bezos e Elon Musk enfrentaram desafios significativos na semana passada em sua renovada rivalidade pelo espaço, destacando quão desafiadores serão seus sonhos de ficção científica para se tornarem realidade.

Contratempos da Blue Origin de Bezos

Para Bezos, simplesmente sair deste planeta continua sendo um de seus maiores desafios — evidenciado pela explosão espetacular do foguete da Blue Origin na plataforma de lançamento na quinta-feira (28). O foguete New Glenn, que explodiu perto de Cabo Canaveral, Flórida (EUA), era parte do plano de Bezos para diminuir a diferença entre a Blue Origin e a SpaceX.

Pouco após o incidente, Bezos postou nas redes sociais sua intenção de reconstruir, sugerindo que, mesmo no revés, o trabalho carrega significado especial, escrevendo: “Vale a pena“. Essa frase, segundo fontes, tornou-se um grito de guerra dentro da Blue Origin conforme a empresa avança.

Ao fundo, imagem da Terra vista do espaço; à frente, logo da Blue Origin em um smartphone
Blue Origin briga com a SpaceX por contratos com a NASA – Imagem: Victor Sanchez G/Shutterstock

Desafios da SpaceX de Musk

Para Musk, a tensão foi mais sutil. O bilionário manifestou-se nas redes sociais quando divulgou informações confusas sobre o negócio de data centers da SpaceX. Isso complicou as águas para o cada vez mais próximo IPO da empresa, que visa arrecadar dezenas de bilhões de dólares para financiar seus objetivos multiplanetários.

Musk complicou as coisas com uma postagem na semana passada nas redes sociais que parecia sugerir que a duração do acordo com a Anthropic não era de longo prazo, contrariando o que estava implícito no arquivo da SpaceX.

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A Corrida pela “Loja de Tudo da Galáxia”

Embora suas listas de problemas sejam diferentes, ambos estão perseguindo algo similar: construir a Loja de Tudo da Galáxia. Tanto Musk quanto Bezos veem o espaço como o lar perfeito para servidores remotos, em parte devido à vasta energia que pode ser aproveitada do sol.

Os dois campos estão montando um ecossistema de capacidades:

  • Foguetes para alcançar o espaço;
  • Data centers entre as estrelas;
  • Satélites para transmitir dados entre o céu e a terra.

Detalhes no prospecto do IPO da SpaceX divulgado no final de maio revelaram os primeiros passos da empresa para alugar poder computacional para clientes. O arquivo revelou termos de um acordo com a Anthropic, um dos principais laboratórios de IA, que destacam quão lucrativo tal negócio pode ser para a fabricante de foguetes de Musk.

A Anthropic concordou em pagar US$ 1,2 bilhão (R$ 6,3 bilhões) por mês até maio de 2029 pelo uso dos data centers Colossus e Colossus II da SpaceX na área de Memphis, Tennessee (EUA). Coletivamente, as duas instalações fornecem cerca de um gigawatt de poder computacional.

Fachada da SpaceX
Empresa se prepara para IPO gigantesco – Imagem: Walter Cicchetti/Shutterstock

Concorrência com a Amazon

Isso seria um ataque direto ao coração do grande gerador de dinheiro da Amazon, o negócio de computação em nuvem Amazon Web Services (AWS). A Amazon está correndo para construir sua infraestrutura de IA para melhor posicionar seu negócio de nuvem para desempenhar um papel fundamental no novo boom tecnológico.

O CEO da Amazon, Andy Jassy, anunciou planos de investir US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) apenas este ano. Parte desse dinheiro é para produzir mais chips feitos sob medida para treinamento e inferência de IA.

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EUA: meteoro explode sobre Massachusetts e causa estrondos ensurdecedores

Um meteoro explodiu sobre o nordeste dos Estados Unidos no sábado (30), informou a NASA, gerando estrondos que ecoaram pela região com uma força equivalente a 300 toneladas de TNT.

A bola de fogo se desintegrou sobre o nordeste de Massachusetts e sudeste de New Hampshire pouco depois das 15h (horário de Brasília), segundo Jennifer Dooren, vice-chefe de notícias da agência espacial estadunidense. O meteoro viajava a mais de 120 mil km/h a uma altitude de 64,3 km quando se partiu.

Imagem de satélite com a composição do meteoro
Um meteoro em rota de colisão com a Terra explodiu sobre o nordeste dos Estados Unidos – Imagem composta: Serviço de Satélites e Informações da NOAA

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Fenômeno natural foi caso isolado

  • “Esta bola de fogo não estava associada a nenhuma chuva de meteoros atualmente ativa, mas era um objeto natural e não uma reentrada de lixo espacial ou satélite”, explicou Dooren em comunicado à AFP;
  • “A energia liberada na ruptura é estimada como equivalente a cerca de 300 toneladas de TNT, o que explica os estrondos altos”, acrescentou a porta-voz da NASA;
  • Moradores da área ficaram alarmados com os estrondos inesperados e intensos. Usuários das redes sociais relataram que os sons foram tão poderosos que fizeram as casas tremerem.

NASA convoca público para identificar meteoros atingindo a Lua

NASA está solicitando ajuda de cientistas cidadãos para observar e registrar impactos de meteoros na Lua, como parte dos preparativos para estabelecer uma presença humana duradoura no satélite. O projeto Impact Flash busca voluntários dispostos a apontar telescópios para a Lua e capturar os clarões momentâneos causados por meteoroides que atingem sua superfície.

Cerca de 100 meteoroides do tamanho de bolas de pingue-pongue atingem a superfície lunar diariamente, cada impacto liberando energia equivalente a sete quilos de dinamite. Aproximadamente a cada quatro anos, um meteoro com pelo menos 2,4 metros de diâmetro colide com a Lua com força equivalente a um quiloton de TNT.

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Starship: relembre os 11 voos de teste do megafoguete da SpaceX

Nesta quinta-feira (21), se tudo sair conforme o planejado pela SpaceX, acontece o primeiro lançamento da nova versão do megafoguete Starship. Originalmente prevista para terça-feira (19) e adiada duas vezes, a missão marca o 12º teste de voo do sistema desenvolvido pela empresa de Elon Musk. Mais adiante, segue um resumo dos outros 11 lançamentos feitos até agora.

O foguete está programado para decolar às 19h30, no horário de Brasília, com transmissão ao vivo pelo Olhar Digital – no site, YouTube e nas redes sociais – a partir das 19h. A live será apresentada por Bruno Capozzi, editor-executivo do portal, Lucas Soares, editor de Ciência e Espaço, e pelo astrônomo Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) e diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon).

Histórico de voos

Até o momento, a SpaceX realizou 11 voos de teste integrados da Starship, utilizando as versões V1 e V2 do foguete. Veja a seguir um resumo com os marcos desses lançamentos:

Voo 1 – Abril de 2023

A Starship explodiu ainda acoplada ao Super Heavy. Falhas nos motores levaram à ativação do sistema de destruição do veículo.

Voo 2 – Novembro de 2023

A Starship conseguiu se separar do Super Heavy pela primeira vez. O propulsor explodiu logo depois, enquanto a nave perdeu sinal após cerca de oito minutos e acabou sendo destruída antes de completar o voo.

Voo 3 – Março de 2024

Em um grande avanço, o terceiro teste durou cerca de 50 minutos. A Starship foi perdida, mas nunca havia chegado tão longe. Apesar do sucesso da decolagem, a equipe perdeu contato com a nave pouco antes do horário previsto para o pouso.

Starship re-entering Earth’s atmosphere. Views through the plasma pic.twitter.com/HEQX4eEHWH

— SpaceX (@SpaceX) March 14, 2024

Voo 4 – Junho de 2024

Pela primeira vez, a Starship realizou um pouso controlado no Oceano Índico, enquanto o Super Heavy pousou no Golfo do México, como planejado.

Voo 5 – Outubro de 2024

O quinto teste marcou um passo importante rumo à reutilização rápida do sistema. Pela primeira vez, a SpaceX conseguiu retornar e capturar o propulsor Super Heavy na torre de lançamento. A Starship também completou uma reentrada controlada e amerissou no Oceano Índico com sucesso.

Propulsor Super Heavy retornando para a base de lançamento em pouso histórico que finalizou o quinto voo de teste do Starship. – Crédito: SpaceX.

Voo 6 – Novembro de 2024

Mais um voo bem-sucedido. O propulsor foi direcionado para um pouso controlado no Golfo do México. Já a Starship conseguiu reacender um de seus motores no espaço, um avanço importante para futuras missões orbitais.

Voo 7 – Janeiro de 2025

O sétimo voo terminou com a perda da Starship após uma explosão durante o teste. Ainda assim, a SpaceX afirmou ter identificado rapidamente a causa do problema.

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Separação dos estágios pouco antes da explosão da nave Starship durante o 7º voo de teste do veículo – Crédito: SpaceX

Voo 8 – Março de 2025

O oitavo voo também não saiu como planejado. Cerca de oito minutos após o lançamento, o estágio superior começou a girar descontroladamente, perdeu altitude e acabou explodindo.

Voo 9 – Maio de 2025

Pouco mais de 80 dias após o voo anterior, a Starship voltou a decolar. Foi a primeira reutilização de um Super Heavy, usando o mesmo propulsor do sétimo teste. Falhas impediram parte dos experimentos planejados para o booster, enquanto o estágio superior alcançou a trajetória suborbital prevista, mas acabou perdendo controle durante o voo.

Voo 10 – Agosto de 2025

Primeiro grande sucesso completo do ano. A missão cumpriu seus principais objetivos, incluindo a implantação de simuladores de satélites Starlink, reacendimento de motor no espaço e reentrada controlada da Starship.

Voo 11 – Outubro de 2025

O décimo primeiro voo marcou o encerramento da fase “V2” da Starship. A missão foi considerada um grande sucesso: o Super Heavy realizou um pouso controlado no Golfo do México, enquanto a nave completou testes de reentrada, reacendimento de motor no espaço e implantação de simuladores de satélites Starlink antes de pousar no Oceano Índico. Apesar do resultado positivo, um dos motores do propulsor apresentou falha momentânea durante a manobra de retorno, sem comprometer a missão. 

Starship no céu em seu 11º voo
Versão 2 do Starship voando pela última vez, durante o 11º lançamento do megafoguete. – Crédito: SpaceX

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Como será o 12º voo de teste do megafoguete Starship

Na nova versão do foguete há atualizações importantes tanto na nave Starship quanto no propulsor Super Heavy. Entre as mudanças estão a nova geração dos motores Raptor e modificações estruturais projetadas para aumentar a eficiência e ampliar a capacidade de reutilização do sistema.

Segundo a SpaceX, o objetivo principal da missão é avaliar como essas alterações se comportam em condições reais de voo. A empresa pretende verificar o desempenho de componentes inéditos e analisar se as melhorias podem acelerar o processo de reutilização rápida do foguete, algo considerado essencial para reduzir custos em futuras missões espaciais.

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O primeiro veículo Starship V3 da SpaceX durante um ensaio geral molhado realizado em 11 de maio – Crédito: SpaceX

Durante o teste, o Super Heavy deverá realizar etapas consideradas fundamentais para futuras operações comerciais. Entre elas estão a decolagem, a separação entre os estágios, a queima de retorno e a tentativa de pouso controlado no mar, em uma área do Golfo do México.

Desta vez, o booster não tentará voltar para a base de lançamento. Como se trata de um veículo significativamente redesenhado, a SpaceX decidiu priorizar a coleta de dados e a segurança do experimento antes de novas tentativas de recuperação em terra.

Já o estágio superior da Starship terá várias tarefas no espaço. Uma delas será lançar 20 simuladores de satélites Starlink, projetados para reproduzir o tamanho dos futuros modelos Starlink V3. Além disso, dois satélites modificados também serão enviados para testar equipamentos que poderão ser usados nas próximas gerações da rede de internet espacial.

Esses satélites especiais terão ainda outra função importante: registrar imagens do escudo térmico da Starship durante o voo. O objetivo é ajudar engenheiros a avaliar as condições da estrutura após enfrentar temperaturas extremas durante a reentrada na atmosfera.

Para ampliar os testes, algumas placas do escudo térmico foram pintadas de branco, enquanto uma delas foi retirada propositalmente. A ideia é analisar como o calor e a pressão do ar afetam as áreas vizinhas quando há falhas na proteção da nave.

A missão também prevê o reacendimento de um motor Raptor ainda no espaço, além de manobras experimentais para testar os limites estruturais da Starship. Essas simulações devem ajudar a SpaceX a preparar futuras viagens mais complexas, incluindo missões tripuladas para a Lua e, no longo prazo, para Marte.

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