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Programador faz Doom rodar até em fones de ouvido

Doom roda até em fones de ouvido sem tela
Doom roda até em fones de ouvido sem tela (Imagem: Reprodução/DoomBuds)
Resumo
  • O programador Arin Sarkisan adaptou Doom para rodar em fones de ouvido PineBuds Pro, usando firmware open source e um kit de desenvolvimento comunitário.
  • A adaptação utiliza uma interface em JavaScript e contatos UART para transmitir dados, enviando vídeo comprimido MJPEG a cerca de 2,4 MB/s para um servidor web.
  • O experimento demonstra a flexibilidade do software livre e a capacidade de rodar Doom em dispositivos improváveis, apesar das limitações de processamento dos fones.

Desde os anos 1990, Doom virou mais do que um jogo: tornou-se um teste informal de criatividade técnica. Ao longo das décadas, hackers e entusiastas conseguiram rodar o clássico shooter em calculadoras, geladeiras, testes de gravidez, tratores e até em PDF. Agora, o jogo roda em mais um dispositivo improvável: fones de ouvido sem qualquer tipo de tela.

O experimento mais recente foi desenvolvido pelo programador Arin Sarkisan, que decidiu levar o desafio para um território pouco óbvio. Em vez de um dispositivo com display, ele adaptou Doom para rodar em fones de ouvido sem fio, projetados apenas para áudio, sem capacidade gráfica nativa.

Por que Doom roda até em fones de ouvido?

O projeto, batizado de forma informal como Doombuds, não funciona em qualquer par de earbuds disponível no mercado. A experiência foi feita exclusivamente com os PineBuds Pro, um modelo que se destaca por adotar firmware totalmente open source e contar com um kit de desenvolvimento mantido pela própria comunidade.

Essa abertura técnica permitiu que Sarkisan explorasse caminhos que não seriam possíveis em fones convencionais. Em vez de tentar exibir gráficos diretamente no dispositivo — algo inexistente —, ele criou uma solução indireta. O jogo roda no hardware dos fones e envia os dados visuais para outro ambiente, contornando a ausência de tela.

Pôster de Doom (imagem: divulgação)
Jogo de 1993 ganha um novo port para rodar em dispositivo que não foi feito para jogos (Imagem: Divulgação)

Como funciona a adaptação técnica?

Para viabilizar o experimento, o programador Arin Sarkisan desenvolveu uma interface em JavaScript que se comunica com os PineBuds Pro por meio dos contatos UART presentes no hardware. Esses contatos permitem a transmissão de dados em nível baixo, normalmente usada para depuração e desenvolvimento.

A partir daí, o sistema envia um fluxo de vídeo altamente comprimido no formato MJPEG para um servidor web, usando uma ponte serial. Mesmo com limitações claras, a taxa de transferência chega a cerca de 2,4 MB por segundo, suficiente para gerar algo entre 22 e 27 quadros por segundo no vídeo transmitido.

Fones de ouvido usados para executar Doom (imagem: reprodução/Piine64)

Na prática, isso supera a própria capacidade do processador dos fones, que consegue rodar Doom a, no máximo, cerca de 18 quadros por segundo. Ou seja, o gargalo não está na transmissão, mas no poder computacional do dispositivo.

O resultado não é exatamente jogável no sentido tradicional, mas cumpre o objetivo central do projeto: provar que Doom pode rodar em praticamente qualquer coisa, desde que exista algum nível de acesso ao hardware.

O experimento reforça a cultura hacker em torno de Doom e do software livre. Além disso, mostra como projetos com código aberto permitem usos inesperados, expandindo os limites do que um dispositivo foi originalmente projetado para fazer.

Programador faz Doom rodar até em fones de ouvido

Pôster de Doom (imagem: divulgação)

Fones de ouvido usados para executar Doom (imagem: reprodução/Piine64)
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Conseguiram rodar o icônico Doom numa impressora térmica

Captura de tela de um vídeo do YouTube com uma impressora da Epson imprimindo frames do jogo Doom. Na parte superior esquerda, um quadrado mostra imagens do jogo em tempo real.
Jogatina tinha atraso de cerca de quatro segundos (imagem: reprodução/Bringus Studios)
Resumo
  • O youtuber Jon Bringus adaptou uma impressora térmica Epson TM-T88V-DT para rodar Doom, usando papel como monitor.
  • A jogabilidade é prejudicada por um lag de quatro segundos e impressões embaralhadas, consumindo rapidamente bobinas térmicas.
  • Bringus desenvolveu software personalizado para ajustar brilho e contraste, superando limitações de drivers e aquecimento da cabeça de impressão.

Seguindo a missão de rodar Doom em qualquer dispositivo eletrônico, o youtuber Jon Bringus, do canal Bringus Studios, configurou o jogo numa impressora térmica Epson TM-T88V-DT. Não é que deu certo? O shooter de 1993 foi executado sem problemas.

O hardware da impressora conta com um processador Intel Atom N2800 de 1,86 GHz e 4 GB de memória RAM, rodando originalmente Windows 7. Apesar de, por dentro, ser um computador “normal”, o desafio esteve em fazer uma gameplay por meio dos papéis de impressão no lugar de uma tela.

Como foi a experiência?

A jogabilidade, no entanto, é difícil. A velocidade da impressora para liberar o papel criou um lag de aproximadamente quatro segundos entre o jogador apertar um botão e ação sair no papel. Ou seja, quando um inimigo, por exemplo, finalmente aparecia na impressão, já era tarde para tomar alguma ação.

O youtuber notou ainda que as impressões embaralhavam alguns frames. O processo consome rolos de bobina térmica em questão de minutos, transformando uma partida rápida em metros de lixo.

A versão impressa entra para uma lista extensa de dispositivos improváveis de rodar Doom, como caixas eletrônicos e até mesmo um teste de gravidez digital.

Youtuber adaptou impressora

Para fazer o jogo funcionar, Bringus precisou superar limitações de drivers de vídeo antigos e, principalmente, a física da impressão térmica.

Por causa da arquitetura do processador e a falta de suporte para drivers gráficos (a GPU integrada é baseada na antiga PowerVR), ele precisou garimpar drivers de vídeo da época do Windows Vista no Internet Archive.

Antes de testar Doom nos papéis impressos, ele também conseguiu rodar jogos como Half-Life e Portal 2 conectando um monitor externo à porta VGA da impressora.

Outro desafio era a temperatura. Como o jogo original possui muitas áreas escuras, tentar “imprimir” os frames superaqueceria a cabeça de impressão do aparelho, ativando um sistema de segurança que bloqueia o funcionamento.

Como solução, o youtuber desenvolveu um software personalizado. O programa captura a imagem do jogo e aplica um efeito de dithering, convertendo tons de cinza em padrões de pontos pretos e brancos, além de ajustar o brilho e contraste em tempo real.

Conseguiram rodar o icônico Doom numa impressora térmica

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Jon Bringus adaptou máquina da Epson com drivers de vídeo para jogar Doom através de frames impressos.

(imagem: reprodução/Bringus Studios)
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