Visualização de leitura

Bezos e Musk enfrentam dificuldades na corrida espacial bilionária

Jeff Bezos e Elon Musk enfrentaram desafios significativos na semana passada em sua renovada rivalidade pelo espaço, destacando quão desafiadores serão seus sonhos de ficção científica para se tornarem realidade.

Contratempos da Blue Origin de Bezos

Para Bezos, simplesmente sair deste planeta continua sendo um de seus maiores desafios — evidenciado pela explosão espetacular do foguete da Blue Origin na plataforma de lançamento na quinta-feira (28). O foguete New Glenn, que explodiu perto de Cabo Canaveral, Flórida (EUA), era parte do plano de Bezos para diminuir a diferença entre a Blue Origin e a SpaceX.

Pouco após o incidente, Bezos postou nas redes sociais sua intenção de reconstruir, sugerindo que, mesmo no revés, o trabalho carrega significado especial, escrevendo: “Vale a pena“. Essa frase, segundo fontes, tornou-se um grito de guerra dentro da Blue Origin conforme a empresa avança.

Ao fundo, imagem da Terra vista do espaço; à frente, logo da Blue Origin em um smartphone
Blue Origin briga com a SpaceX por contratos com a NASA – Imagem: Victor Sanchez G/Shutterstock

Desafios da SpaceX de Musk

Para Musk, a tensão foi mais sutil. O bilionário manifestou-se nas redes sociais quando divulgou informações confusas sobre o negócio de data centers da SpaceX. Isso complicou as águas para o cada vez mais próximo IPO da empresa, que visa arrecadar dezenas de bilhões de dólares para financiar seus objetivos multiplanetários.

Musk complicou as coisas com uma postagem na semana passada nas redes sociais que parecia sugerir que a duração do acordo com a Anthropic não era de longo prazo, contrariando o que estava implícito no arquivo da SpaceX.

Leia mais:

A Corrida pela “Loja de Tudo da Galáxia”

Embora suas listas de problemas sejam diferentes, ambos estão perseguindo algo similar: construir a Loja de Tudo da Galáxia. Tanto Musk quanto Bezos veem o espaço como o lar perfeito para servidores remotos, em parte devido à vasta energia que pode ser aproveitada do sol.

Os dois campos estão montando um ecossistema de capacidades:

  • Foguetes para alcançar o espaço;
  • Data centers entre as estrelas;
  • Satélites para transmitir dados entre o céu e a terra.

Detalhes no prospecto do IPO da SpaceX divulgado no final de maio revelaram os primeiros passos da empresa para alugar poder computacional para clientes. O arquivo revelou termos de um acordo com a Anthropic, um dos principais laboratórios de IA, que destacam quão lucrativo tal negócio pode ser para a fabricante de foguetes de Musk.

A Anthropic concordou em pagar US$ 1,2 bilhão (R$ 6,3 bilhões) por mês até maio de 2029 pelo uso dos data centers Colossus e Colossus II da SpaceX na área de Memphis, Tennessee (EUA). Coletivamente, as duas instalações fornecem cerca de um gigawatt de poder computacional.

Fachada da SpaceX
Empresa se prepara para IPO gigantesco – Imagem: Walter Cicchetti/Shutterstock

Concorrência com a Amazon

Isso seria um ataque direto ao coração do grande gerador de dinheiro da Amazon, o negócio de computação em nuvem Amazon Web Services (AWS). A Amazon está correndo para construir sua infraestrutura de IA para melhor posicionar seu negócio de nuvem para desempenhar um papel fundamental no novo boom tecnológico.

O CEO da Amazon, Andy Jassy, anunciou planos de investir US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) apenas este ano. Parte desse dinheiro é para produzir mais chips feitos sob medida para treinamento e inferência de IA.

O post Bezos e Musk enfrentam dificuldades na corrida espacial bilionária apareceu primeiro em Olhar Digital.

  •  

Jeff Bezos quer lançar nada menos que 5.408 satélites ao espaço

Imagem de Jeff Bezos em frente de uma das capsulas da Blue Origin
Projeto de Bezos desafia domínio da SpaceX, de Elon Musk (imagem: reprodução/Bloomberg/Getty Images)
Resumo
  • Blue Origin planeja lançar 5.408 satélites em órbita baixa com o projeto TeraWave.
  • A megaconstelação de satélites é focada em data centers de IA, governos e grandes empresas, e deve competir com a Starlink.
  • O TeraWave oferecerá velocidades de até 6 Tb/s e não deve ser confundido com o Amazon Leo, que visa consumidores finais.

A Blue Origin, empresa aeroespacial fundada por Jeff Bezos, anunciou nessa quarta-feira (21/01) um plano para implantar uma constelação de 5.408 satélites em órbita terrestre baixa. Denominado TeraWave, o projeto visa estabelecer uma rede de comunicações de alta capacidade desenhada especificamente para atender data centers, agências governamentais e grandes corporações.

A iniciativa marca a entrada definitiva da companhia na disputa pela infraestrutura espacial, um setor atualmente liderado pela SpaceX. O início dos lançamentos está previsto para o último trimestre de 2027.

Não é o mesmo que o Amazon Leo (antigo Kuiper)

Diferente das iniciativas voltadas para o consumidor final, a arquitetura do TeraWave foi projetada para suportar tráfego pesado de dados. Segundo o comunicado oficial, a rede oferecerá velocidades de transferência de até 6 Tb/s em qualquer ponto da Terra. A Blue Origin estima que o serviço atenderá um grupo seleto de, no máximo, 100 mil clientes corporativos.

O projeto não deve ser confundido com o Amazon Leo (anteriormente Projeto Kuiper). Embora ambos tenham Bezos como figura central, as operações e os objetivos são diferentes.

O Amazon Leo é uma iniciativa da Amazon focada em internet banda larga para consumidores finais e pequenas empresas, competindo diretamente com os planos residenciais da Starlink.

Imagem de um foguete decolando
Lançamento de foguete com satélite do antigo projeto Kuiper (foto: divulgação)

Já o TeraWave é um projeto da Blue Origin, braço de exploração espacial de Bezos, focado puramente em infraestrutura de backbone (espinha dorsal da internet). A rede não será acessível a consumidores individuais; a empresa enfatiza que seus terminais e gateways são estritamente de “nível empresarial”.

Para colocar os 5.408 satélites em órbita, a Blue Origin dependerá do sucesso do seu foguete reutilizável, o New Glenn. O veículo de lançamento pesado já realizou dois voos, mas a empresa ainda enfrenta o desafio de escalar a cadência de lançamentos para cumprir o cronograma agressivo de 2027.

Hegemonia da SpaceX e data centers no espaço

O anúncio chega em um momento em que a indústria aeroespacial busca soluções para a demanda computacional da inteligência artificial. O processamento de modelos de IA em larga escala exige energia massiva em terra, levando o setor a considerar a construção de data centers no espaço como uma alternativa viável a médio prazo.

A apresentação do TeraWave intensifica a competição pelo controle dessa infraestrutura fora da atmosfera. Atualmente, a SpaceX, de Elon Musk, mantém a hegemonia com a rede Starlink, que soma cerca de 10.000 satélites e mais de 6 milhões de clientes em 140 países — atendendo desde usuários domésticos até, via Starshield, agências de segurança nacional dos EUA.

Jeff Bezos quer lançar nada menos que 5.408 satélites ao espaço

Lançamento de foguete com satélite do Projeto Kuiper (foto: divulgação)
  •  

Jeff Bezos deve dividir comando de nova startup de IA com ex-Google

Imagem mostra Jeff Bezos, de terno cinza e camisa preta, em um fundo de cor preta
Bezos deve dividir comando da empresa com ex-Google (imagem: Daniel Oberhaus/Flickr)
Resumo
  • Jeff Bezos deve assumir cargo operacional como co-CEO da nova startup Projeto Prometheus, segundo o New York Times.

  • Empresa prevê aplicações de IA em engenharia, manufatura e tarefas físicas e científicas.

  • De acordo com o jornal, Vik Bajaj, ex-Google X e Verily, dividirá o comando com Bezos na iniciativa.

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, deve assumir seu primeiro cargo operacional formal desde que deixou o comando da gigante do varejo em 2021. A informação é do jornal The New York Times, que afirma que o bilionário será co-CEO de uma nova startup de inteligência artificial chamada Projeto Prometheus.

De acordo com o jornal, a empresa já teria levantado US$ 6,2 bilhões em investimentos, quase R$ 33 bilhões em conversão direta. Esse montante teria vindo, em parte, do próprio Bezos. O foco da nova empresa seria o desenvolvimento de uma IA aplicada à engenharia e manufatura nos setores de computação, automotivo e aeroespacial.

O que é o Projeto Prometheus?

Enquanto muitos avanços recentes em IA são dominados por grandes modelos de linguagem (LLMs), o Projeto Prometheus estaria focado em um campo diferente: explorar a aplicação da tecnologia a tarefas físicas e científicas.

O plano seria construir modelos de IA que aprendem de maneiras mais complexas. Em vez de analisar apenas texto, esses sistemas poderiam aprender com o mundo físico. Apesar do perfil discreto mantido até agora, a startup já teria contratado quase 100 funcionários. Entre eles, estariam pesquisadores e engenheiros recrutados de laboratórios de ponta no setor de IA, como OpenAI, Google DeepMind e Meta.

Ao lado de Bezos, o co-fundador e co-CEO seria Vik Bajaj, um físico e químico com experiência em pesquisa e desenvolvimento. Bajaj trabalhou anteriormente no Google X, a divisão de pesquisa da Alphabet conhecida como “fábrica de projetos ambiciosos”, e dirigiu a Verily, empresa de tecnologia de saúde derivada dessa divisão.

Em 2018, Bajaj cofundou e dirigiu a Foresite Labs, uma incubadora para startups de IA e ciência de dados, cargo que teria deixado recentemente para focar no Projeto Prometheus.

Ilustração com o texto "AI" ao centro. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog"é visível.
Nova empresa entra na disputa da IA para competir em setores estratégicos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Mercado competitivo

A nova empresa de Bezos entra em um cenário de IA já intensamente disputado. A corrida pela supremacia tecnológica inclui os gigantes Google, Meta e Microsoft, além das já estabelecidas OpenAI e Anthropic.

O foco em IA para ciências físicas também não é exclusivo do Project Prometheus. Grandes laboratórios já atuam nesse campo: o Google DeepMind, por exemplo, teve dois pesquisadores premiados com o Nobel de Química pelo AlphaFold, sistema que prevê estruturas de proteínas e acelera a descoberta de novos medicamentos.

Além disso, uma onda de empresas menores vem tentando conquistar nichos específicos. O próprio Bezos investiu no ano passado na Physical Intelligence, outra startup que aplica IA à robótica. A nova iniciativa, contudo, representa um envolvimento direto e operacional do bilionário.

A data de fundação e a localização da sede do Projeto Prometheus ainda não foram divulgadas.

Jeff Bezos deve dividir comando de nova startup de IA com ex-Google

Jeff Bezos (Imagem: Daniel Oberhaus / Flickr)

Inteligência artificial (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
  •