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Android: sideloading sem verificação continua, mas fica mais difícil

Ilustração com robôs do Android
Android permite instalação por fora da Play Store (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Android exigirá um intervalo de 24 horas para instalação de APKs de desenvolvedores não verificados, visando combater golpes e proteger usuários.
  • A mudança, válida a partir de setembro de 2026, impõe barreiras ao sideloading sem verificação de identidade dos desenvolvedores, em uma tentativa de evitar a distribuição anônima de apps maliciosos.
  • A exigência gerou polêmica entre lojas alternativas e desenvolvedores amadores, devido a complicações e custos adicionais.

A solução do Google para a instalação direta de aplicativos de desenvolvedores não verificados é fazer o usuário esperar — literalmente. Para liberar o sideloading, o Android vai impor um intervalo de 24 horas até a autorização.

O novo processo é mais um capítulo da controversa decisão da empresa de exigir que desenvolvedores passem por um processo de verificação para assinar arquivos APK, que são os pacotes de instalação de apps do Android. Além de restringir a liberdade dos usuários, a regra impõe um custo de US$ 25 (cerca de R$ 131, em conversão direta) de taxa de cadastro.

Como é o novo processo de sideloading?

Ícone do Android ao lado de celular com símbolo de proteção
Nova regra do Google para apps Android gerou críticas (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Caso o usuário queira instalar um APK não verificado, ele precisa seguir estes passos:

  1. Ativar o modo de desenvolvedor nas configurações do sistema.
  2. Confirmar que você não está fazendo isso por influência de outra pessoa.
  3. Reiniciar o telefone e refazer a autenticação.
  4. Aguardar 24 horas.
  5. Confirmar a identidade com biometria ou senha do dispositivo.
  6. Optar por uma autorização temporária de 7 dias ou uma autorização definitiva.
  7. Instalar o aplicativo.

Mesmo depois desse processo, o Android continuará alertando o usuário ao tentar instalar um app não verificado, mas será possível prosseguir com a tarefa.

Por que esperar 24 horas para instalar um app?

De acordo com Sameer Samat, presidente de ecossistema Android no Google, a obrigatoriedade do intervalo de 24 horas visa proteger o usuário.

“Achamos que fica muito mais difícil persistir em um ataque. Nesse tempo, você provavelmente ficará sabendo que seu ente querido não foi preso ou que sua conta bancária não está sendo invadida”, diz Samat ao Ars Technica.

O que vai mudar no Android?

As mudanças anunciadas em agosto de 2025 vão impedir a instalação direta (sideloading) de aplicativos sem verificação de identidade dos desenvolvedores. A medida começa a valer em setembro de 2026 nos dispositivos Android com Google Play Protect e apps do Google pré-instalados.

Segundo a empresa, a restrição visa combater a distribuição anônima de apps e, como consequência, impedir que agentes mal-intencionados usem essa tática para espalhar malware, cometer fraudes e roubar dados.

É importante notar que a verificação de identidade não é uma análise do app em si, mas sim um “cara, crachá” para cadastrar quem criou aquele app. A empresa afirma que, assim, pode descobrir quem é o responsável por um software malicioso, atualizar sua base de dados e impedir que outras pessoas instalem programas daquele mesmo autor.

Por que a mudança gerou polêmica?

Site do projeto F-Droid
Site do projeto F-Droid (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

A exigência gerou uma reação negativa da comunidade Android, com duas críticas principais.

A primeira veio de lojas alternativas, como a F-Droid, que hospeda e distribui aplicativos FOSS (livres e de código aberto). Desenvolvedores por trás do projeto afirmaram que não seria possível se adequar ao processo, ficando somente a alternativa de encerrar as atividades.

A segunda veio de estudantes e desenvolvedores amadores, que passaram a temer uma complicação extra em suas atividades. O Google deve anunciar, em breve, uma solução para esse caso, com contas gratuitas para distribuição de apps a até 20 dispositivos.

Com informações do Google e do Ars Technica

Android: sideloading sem verificação continua, mas fica mais difícil

Android (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Google Play Protect vai impedir instalação de apps potencialmente maliciosos baixados de fontes alternativas (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Site do projeto F-Droid (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
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Google volta atrás em decisão sobre sideloading no Android

Robô mascote do Android
Google volta atrás em decisão sobre sideloading no Android (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Após queixas de desenvolvedores, Google flexibilizará política que dificultaria instalação de apps via arquivos .APK (sideloading);

  • Instalação de apps não verificados será possível, mas seguirá um novo fluxo que inclui avisos de riscos;

  • Detalhes dos ajustes na nova política ainda serão apresentados.

Em agosto, o Google anunciou uma nova política de desenvolvimento para o Android que, entre outras mudanças, tornaria o sideloading (instalação de apps via arquivos .APK) quase impossível. As queixas de desenvolvedores independentes sobre isso foram tão numerosas que a companhia decidiu rever essa política.

O plano original do Google prevê que, a partir de 2026, o Android bloqueie a instalação de aplicativos de desenvolvedores não verificados. A verificação consiste em um procedimento que o desenvolvedor executa para validar a sua identidade junto ao Google, de modo que essa informação seja vinculada aos seus aplicativos.

De acordo com a companhia, trata-se de uma medida de segurança, que pode combater apps que têm malwares incorporados ou que tentam capturar dados sigilosos do usuário, a exemplo de falsos antivírus.

A polêmica reside no fato de a nova política também valer para aplicativos que são distribuídos por lojas alternativas em relação à Google Play Store ou que são obtidos pelo usuário via download de arquivos .APK.

É muito comum esses apps serem criados por empresas pequenas ou desenvolvedores independentes que não têm ou não gostariam de ter nenhum tipo de vínculo com o Google, o que inclui a verificação. Mas, sem isso, os aplicativos desses desenvolvedores seriam barrados pelo Android a partir de 2026.

Não por acaso, a F-Droid chegou a declarar que poderia fechar suas operações por causa das novas regras do Google. Essa é uma das lojas de aplicativos para Android mais conhecidas depois da Google Play Store.

Dois bonecos do mascote do Android
Mascotes do Android (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Google vai flexibilizar verificação de desenvolvedores

Mas as críticas à abordagem surtiram efeito. Embora não tenha desistido da ideia, o Google anunciou uma revisão na política de verificação. A companhia promete criar um “fluxo avançado” que permitirá ao usuário instalar softwares não verificados no Android desde que a pessoa conheça e aceite os riscos do procedimento.

Esse novo fluxo está sendo desenvolvido de modo a evitar que o usuário seja convencido por agentes maliciosos a burlar as verificações de segurança. Para tanto, a instalação de apps não verificados será precedida de “avisos claros” sobre os tais riscos.

“Isso permitirá que você distribua suas criações para um número limitado de dispositivos sem precisar passar por todos os requisitos de verificação”, enfatiza a companhia.

De modo complementar, o Google criará um fluxo de distribuição de aplicativos direcionados a estudantes ou entusiastas de desenvolvimento. “Isso permitirá que você distribua as suas criações para um número limitado de dispositivos sem precisar passar por todos os requisitos de verificação”, novamente explica a empresa.

Os ajustes na nova política ainda não têm data para serem apresentadas. Mas não deve demorar para isso ocorrer, até porque o Google também anunciou o acesso antecipado à verificação aos desenvolvedores interessados por meio do Android Developer Console, um sinal claro de que a nova política está prestes a ser implementada.

Google volta atrás em decisão sobre sideloading no Android

Android (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Mascotes do Android (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
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