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Após compra da Tivit, receita anual da italiana Almaviva cresce 25%, para R$ 11,1 bi

O Grupo Almaviva encerrou 2025 com receita de R$ 11,1 bilhões e Ebitda de R$ 2,2 bilhões, com margem de 19,6%, considerando a consolidação da Tivit ao longo de todo o ano.

O resultado do faturamento anual representa crescimento de 25% em relação ao ano anterior, de acordo com comunicado divulgado pelo grupo italiano do setor de tecnologia nesta terça-feira (12).

O desempenho marca o primeiro ciclo completo da empresa após a aquisição da Tivit, concluída em agosto de 2025. O acordo havia sido anunciado em junho do mesmo ano com os fundos assessorados pela Apax Partners, controladora da Tivit desde 2010.

Na América Latina, o grupo registrou R$ 4,5 bilhões em receita, somando as operações da Tivit, Almaviva Solutions, Almawave e Almaviva Experience. O grupo afirma ser o segundo maior provedor de soluções de tecnologia no Brasil.

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Mais de 50% da receita da Almaviva é gerada fora da Itália. Além da Tivit, o grupo realizou a aquisição da Iteris nos Estados Unidos em 2024, ampliando sua presença para 21 países.

Após a integração, a Almaviva diz ter equacionado a posição de endividamento da Tivit. Ao encerrar 2024, último exercício antes da aquisição, a dívida líquida consolidada da empresa brasileira era de R$ 533 milhões, com alavancagem de 1,7 vez o Ebitda.

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“Estamos testemunhando uma mudança estrutural no setor. A tecnologia deixou de ser apenas uma função de suporte — ela está se tornando um fator determinante para a competitividade dos nossos clientes. Nosso papel está evoluindo de acordo com essa transformação”, afirmou Marco Tripi, CEO global do Grupo Almaviva, em comunicado.

A estratégia do grupo inclui reduzir a dependência de modelos tradicionais de integração de sistemas e avançar no desenvolvimento de plataformas proprietárias com inteligência artificial e capacidades de dados. Entre as soluções citadas estão Moova e Velvet, desenvolvidas na Europa e que passam a ser ofertadas na América Latina.

A Tivit chegou à aquisição pela Almaviva após uma reestruturação que incluiu o desmembramento de suas divisões de data center, sob a marca Takoda, e de terceirização de processos de negócios, a Neobpo.

Em 2024, último exercício antes da aquisição, a empresa registrou receita bruta de R$ 2,1 bilhões, crescimento de 12,2% ante o ano anterior, Ebitda ajustado de R$ 336 milhões com margem de 17,1% e lucro líquido de R$ 24 milhões, ante R$ 6 milhões em 2023.

Já em 2025, primeiro ano sob o guarda-chuva da Almaviva, a Tivit registrou receita bruta de R$ 2,4 bilhões e receita líquida de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 12% ante o ano anterior. A unidade de cibersegurança avançou 52% e a de nuvem, 25%, de acordo com as demonstrações financeiras divulgadas separadamente pela companhia em abril.

No comando da Tivit Brasil está Valdinei Cornatione, nomeado CEO em outubro de 2025. Cornatione trabalha na empresa há 28 anos e atuava como Chief Commercial Officer desde 2023.

“A integração com o Grupo Almaviva eleva claramente o nosso posicionamento. Passamos a competir com maior diferenciação tecnológica, maior profundidade de conhecimento setorial e maior relevância nas decisões estratégicas dos nossos clientes”, disse o CEO, em comunicado.

-- Reportagem atualizada para incluir dados da demonstração financeira da Tivit de 2025.

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Escritório da Tivit em São Paulo: Mais de 50% da receita do Grupo Almaviva é gerada fora da Itália. (Foto: Divulgação)
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Riachuelo volta a lucrar no 1º tri após 6 anos. O CEO diz que avanço ‘não para por aí’

O grupo Riachuelo, antes conhecido como Guararapes, vem colhendo os frutos de uma mudança estrutural na companhia, que tem lhe permitido expandir as vendas com melhoria das margens.

A estratégia levou a resultados positivos no primeiro trimestre. A empresa registrou lucro líquido de R$ 5 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 45,9 milhões no mesmo período do ano passado, em um trimestre que é historicamente mais fraco para o varejo de moda.

O resultado ficou acima do consenso de analistas consultados pela Bloomberg, que esperavam prejuízo de R$ 4,7 milhões, e quebrou uma sequência de seis anos de prejuízo no período.

A empresa também encerrou o trimestre com um Ebitda ajustado consolidado de R$ 268 milhões, com alta de 14,1% e acima do consenso de R$ 256,8 milhões, com uma margem de 11,5%.

No vestuário, as vendas nas mesmas lojas (same store sales), que mede o crescimento orgânico da receita, registraram alta de 10,1% no trimestre – o 11º período consecutivo de expansão.

Para o CEO, André Farber, os ganhos tendem a continuar e a empresa segue vendo oportunidade de melhorias nas métricas. “A gente pretende, em todos os trimestres, dar lucro e continuar expandindo o lucro da companhia”, afirmou ele, em entrevista à Bloomberg Línea. “O crescimento de margem não deve parar por aí.”

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Farber atribui a visão otimista ao trabalho que tem sido feito pela gestão desde que ele assumiu o cargo em 2023. Nesse período, a Riachuelo (RIAA3) reforçou a integração com sua fábrica própria, o que tem permitido ter uma gestão da cadeia de produção e fornecimento mais alinhada e mais eficiente do ponto de vista de precificação, segundo ele.

Em paralelo, houve avanço no planejamento das coleções, com definição mais assertiva de sortimento, timing de demarcação (markdown) e controle de estoque, o que reduziu excessos e melhorou a margem bruta.

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A empresa também investiu em times seniores de moda e em criatividade via colaborações com estilistas. No campo das lojas físicas, a Riachuelo desenvolveu um novo conceito arquitetônico a partir de 2024, testado primeiro numa pop-up de 240 m² inaugurada em dezembro na Rua dos Pinheiros, em São Paulo.

A melhora operacional dessa integração foi apontada como o principal fator de expansão de margem. “A gente é a única empresa que tem fábrica própria – somos o maior empregador da moda no Brasil. Terminamos o ano passado com cerca de 33 mil colaboradores. Então, operar muito bem a integração com a nossa fábrica faz muita diferença na nossa margem. Estamos operando melhor essa integração, e isso tem trazido resultados positivos para o nosso negócio”, afirmou o CEO.

Novo conceito de loja

A empresa agora tem investido para aplicar o novo conceito de loja, desenvolvido para pop-store em São Paulo, em outras unidades Brasil afora. No último mês, a empresa inaugurou uma loja expandida no ParkShopping Barigüi, em Curitiba, já no novo modelo, e o plano é fazer entre quatro e cinco reformas até o final de 2026 e escalar o formato ao longo dos anos seguintes, com meta de converter toda a rede.

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“O grande objetivo é melhorar a experiência na loja, onde o produto possa brilhar, para que o consumidor se sinta muito bem e consiga enxergar e navegar muito bem nos nossos produtos”, disse Farber.

'A gente pretende, em todos os trimestres, dar lucro e continuar expandindo o lucro da companhia'

A empresa também mantém o plano de inauguração de novas lojas, depois de fazer um estudo que mapeou a oportunidade de abertura de cerca de 150 novas unidades. A expectativa é de abrir em torno de 15 a 17 lojas neste ano, seguindo o plano de fazer entre 15 e 20 inaugurações por ano.

“O planejamento vai sendo feito conforme dinâmicas muito específicas: às vezes uma loja tem uma necessidade de reforma, às vezes há uma oportunidade de crescimento de área, às vezes uma mudança de importância da loja. É uma conjunção de fatores que nos leva a planejar as mudanças”, afirmou Farber.

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No campo financeiro, por meio de sua financeira Midway, a empresa expandiu seu portfólio com novas modalidades de crédito, com destaque para o consignado, mantendo postura conservadora na concessão, segundo o CEO.

A carteira cresceu de forma gradual e os resultados têm sido consistentes, com a financeira contribuindo positivamente para o resultado consolidado mesmo num ambiente de inadimplência elevada.

“A gente sonha grande, mas com os pés no chão. Começamos a crescer a carteira agora, com resultados dentro do esperado. Mas ainda é cedo para que seja algo relevante dentro do nosso negócio. O core ainda é feito pela base de cartões, de seguros e de empréstimos”, disse ele.

Cenário macro desafiador

Olhando para frente, Farber diz que se mantém confiante na trajetória da empresa mesmo diante de um cenário macroeconômico mais duro, com a inadimplência alta, o aumento da inflação e a pressão dos juros elevados.

O executivo disse que a empresa não tem sentido efeitos até o momento, mas que o trabalho feito para constantemente ajustar a operação ajuda a companhia a ganhar resiliência.

“A nossa grande fórmula de preparação é estar sempre melhorando o nosso negócio”, disse. “Eu costumo dizer aqui que se a gente parar de pedalar a bicicleta, ela cai. E se vier uma crise de qualquer lado, a gente vai sempre estar mais forte e mais preparado caso isso aconteça.”

Sobre a perspectiva para as vendas de inverno, o CEO diz que a companhia tem se preparado para se adaptar às variações do clima. No ano passado, ele disse que o inverno mais rigoroso ajudou as vendas da empresa no segundo trimestre, mas fizeram com que os produtos da estação se esgotassem mais rápido do que o previsto, o que afetou os estoques e os resultados nos trimestres seguintes.

“Estamos sendo menos beneficiados pelo inverno até agora, mas, por outro lado, estamos com o estoque de inverno bem regulado – para quando esfriar, teremos estoque onde o ano passado acabou antes”, afirmou.

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Loja da Riachuelo no ParkShopping Birigui, em Curitiba: novo conceito de loja deverá ser aplicado a novas unidades. (Foto: Riachuelo/Divulgação)
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Ambev dá ‘primeiro passo’ para um ano positivo com portfólio reforçado, diz CFO

Depois de um ano duro em 2025, impactado por um clima desfavorável que reduziu o consumo de cerveja no Brasil, a Ambev registrou no primeiro trimestre um resultado que surpreendeu analistas e levou a ação da fabricante de bebidas (ABEV3) a valorizar 15,30% na terça-feira (5).

Para o CFO, Guilherme Fleury, o desempenho nos primeiros três meses do ano é um “primeiro passo relevante” para entregar um resultado positivo em 2026, em um ano favorecido pela Copa do Mundo, por um calendário de feriados mais denso e por projeções de um clima menos adverso para o setor.

“Começamos bem e sabemos o que temos que fazer para entregar. Nosso portfólio está muito bem encaixado, e vamos continuar trabalhando duro para isso”, disse Fleury em entrevista à Bloomberg Línea, após a divulgação dos resultados.

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Na visão do executivo, a Ambev colheu os frutos de um trabalho que tem sido realizado ao longo do último ano, que inclui um esforço para fortalecer o portfólio de bebidas e revisar a alocação de recursos.

Isso, de acordo com o executivo, permitiu manter o crescimento do Ebitda e das margens em 2025 e preparar o terreno para os resultados positivos deste começo de ano. “A gente entra em 2026 mais forte – com marcas mais fortes, com essa disciplina financeira mais sólida, com esse exercício de alocação de recursos mais maduro”, afirmou.

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Na visão do CFO, o que freou os resultados em 2025 foi o clima, que reduziu as ocasiões de consumo — e não uma mudança no comportamento do consumidor. “O que impactou o ano de 2025 não foi que o brasileiro deixou de gostar de cerveja. O brasileiro ama cerveja”, afirmou.

Isso muda em 2026. Depois de um carnaval que foi “forte”, segundo ele, a expectativa é positiva para a Copa do Mundo, com horários favoráveis dos jogos do Brasil na primeira fase.

“A gente tem mais do que 11 marcas jogando muito bem, muito bem posicionadas, cada uma fazendo o seu papel — e ainda tem algumas no banco que vão entrar em jogo", disse o executivo, fazendo uma brincadeira com o futebol.

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Segundo o executivo, o crescimento de 1,2% do volume de cerveja vendido no Brasil – que superou o consenso – é explicado por um ganho de participação de mercado e da recomposição de estoques no início do ano, que ficaram baixos após um dezembro excepcionalmente forte.

O executivo negou que a expansão tenha refletido uma acumulação de estoques no canal de distribuição, já em preparação para a Copa do Mundo, algo apontado por alguns analistas.

“A gente não fez estoque no trimestre”, afirmou o CFO. “O segundo trimestre será, obviamente, relevante nessa construção de estoque quando olharmos para a Copa do Mundo – que pega um pedaço do segundo e um pedaço do terceiro trimestre –, mas nada disso impactou o Q1.”

A questão foi levantada entre analistas em relatórios após a divulgação dos resultados. O Bank of America e o BTG Pactual apontaram a possibilidade de que o volume reportado tivesse sido inflado pelo reabastecimento do canal, que inclui vendas a distribuidores, atacadistas e pontos de venda – e não por crescimento real do consumo.

Inovação no ‘core’

A expansão do volume foi puxada principalmente pelo crescimento das marcas de alto valor – como Stella Artois, Spaten, Corona e Original –, que cresceram acima de 20% no trimestre, segundo a empresa.

No entanto, as marcas do segmento principal (chamado de “core”), voltadas ao consumidor de menor renda e ao consumo em bares e estabelecimentos, registraram queda de um dígito baixo.

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O CFO reconheceu a divisão, mas disse que a Ambev tem se empenhado para fortalecer o segmento, com a visão de que “a categoria de cerveja precisa ter um core forte”.

Na visão dele, a força no core proporciona uma base para inovar e crescer em verticais relevantes, como em produtos zero álcool, cervejas saborizadas e drinks prontos, que são novas apostas da fabricante.

Ele cita como exemplo a Skol Zero Zero, uma cerveja sem álcool, sem açúcar, sem glúten e com 12 quilocalorias por lata. Segundo ele, a receptividade do consumidor nos mercados do Sul e Sudeste, onde o produto foi lançado, tem sido positiva.

“O core é importante do ponto de vista de acessibilidade da categoria, ao mesmo tempo que precisamos trazer produtos novos que conectam o consumidor em outros segmentos”, disse o CFO. “O que temos feito dentro do core é trabalhar para dar a ele o peso que merece.”

A visão é de que a categoria de cerveja hoje é versátil e oferecer oportunidades de crescimento em várias frentes. “Quando você olha outros mercados, como o México, você vê mixtures e drinks feitos a partir de uma base alcoólica de cerveja. No Brasil isso ainda é muito incipiente – tem muito espaço para crescer", disse Fleury.

No portfólio de bebidas sem álcool, de baixa calorias e sem glúten, a empresa registrou crescimento de 70% no primeiro trimestre, com destaque para o avanço de 160% da Stella Pure Gold, de 180% da Michelob Ultra e de 70% da Corona Cero.

Custos e preços

Enquanto avança no portfólio premium, a Ambev também busca estratégias para lidar com a pressão do aumento dos custos.

Sobre a possibilidade de acelerar o repasse de preços ao consumidor para compensar esse aumento, Fleury foi cauteloso. O CFO evitou dar indicação sobre a trajetória de preços para os próximos trimestres, mas descreveu a lógica que orienta as decisões da empresa.

Segundo o executivo, a Ambev busca um equilíbrio entre proteger o crescimento da categoria e proteger a rentabilidade – e enxerga ganhos de produtividade industrial como um caminho para reduzir a dependência do repasse de preços.

“Se consigo trazer produtividade industrial, consigo proteger a categoria tendo menos necessidade de colocar preço nessa equação”, afirmou.

-- Reportagem atualizada para corrigir a informação de que a Stella Pure Gold cresceu 160%, e não 170%.

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Fábrica da Ambev:Depois de um carnaval “forte”, a expectativa é positiva para a Copa do Mundo. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)
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Corretora de Dubai obtém autorização do BC e se prepara para operar no Brasil

O CFI Financial Group, corretora com sede em Dubai, recebeu autorização do Banco Central para operar como corretora de títulos e valores mobiliários no Brasil, segundo comunicado da empresa.

A licença permite que a companhia atue como corretora regulada localmente, com acesso a ações e títulos de renda fixa, de acordo com a regulação brasileira. A empresa está montando a operação no Brasil e estruturando sua liderança local para iniciar as atividades.

Nos planos divulgados pela companhia, estão a formação de uma equipe local, a produção de análises em português e a realização de parcerias com fintechs e plataformas de conteúdo nacionais. A empresa também mencionou foco em educação financeira voltada ao público local.

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“O Brasil representa um pilar fundamental em nossa expansão global”, disse Ziad Melhem, CEO do CFI Financial Group, em comunicado.

Leia também: Bolsa de derivativos A5X traz ex-COO da B3 como sócio e advisor

A entrada no Brasil se dá em um momento de expansão da base de investidores na B3. A bolsa registrou quase 5,5 milhões de investidores em renda variável ao fim de 2025, com crescimento de 4% no ano, segundo dados divulgados pela própria B3 em janeiro. O valor em custódia nessa categoria chegou a R$ 635 bilhões, alta de 20% em relação ao ano anterior.

A lista de corretoras participantes da B3 inclui atualmente 16 instituições, entre elas XP Investimentos, Santander Corretora, Nu Investimentos e UBS BB, além da sul-coreana Mirae Asset.

A entrada no Brasil faz parte de uma estratégia de expansão na América Latina. No primeiro trimestre de 2026, a empresa também ampliou suas operações na Colômbia.

O grupo registrou volume de negociações de US$ 2,3 trilhões no período, alta de 81% em relação ao mesmo trimestre de 2025.

Fundada em 1998, a CFI opera sob 15 licenças regulatórias em jurisdições como Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Chipre, Jordânia, Bahrein e Azerbaijão, e mantém mais de 30 escritórios globais. No Brasil, a operação será conduzida pela entidade licenciada no país.

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Região da Av. Faria Lima, em São Paulo: licença permite que o CFI Financial Group atue como corretora regulada no Brasil. (Foto: Bloomberg)
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Bolsa de derivativos A5X traz ex-COO da B3 como sócio e advisor

A bolsa brasileira de derivativos A5X atraiu Cícero Vieira, ex-COO da B3, como sócio e advisor estratégico da empresa, que busca se posicionar como uma alternativa no segmento no país.

Vieira atuará na supervisão da agenda operacional e de risco da companhia, além de apoiar a execução do roadmap regulatório, segundo comunicado da empresa divulgado nesta segunda-feira (4).

Vieira trabalhou na B3 por mais de 15 anos, entre 2006 e 2021, onde atuou como COO e Vice Presidente de Operações, Clearing e Depositária, de acordo com o seu perfil no Linkedin.

Segundo a A5X, ao longo de sua trajetória, o executivo teve papel central na construção da infraestrutura resultante da fusão entre BM&FBOVESPA e CETIP, que deu origem à B3, incluindo a integração das clearings dos mercados de derivativos e equities.

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“A chegada do Cícero representa um marco extremamente relevante para a A5X. Estamos falando de um dos profissionais que mais conhece a mecânica, os desafios e as melhores práticas de construção e operação de uma bolsa no Brasil”, afirmou Carlos Ferreira, cofundador e CEO da A5X, em comunicado.

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A A5X tem como objetivo ter todos os seus sistemas prontos, testados e integrados aos participantes do mercado até meados de 2026, com início das operações previsto para o quarto trimestre do ano.

Segundo a A5X, executivo teve papel central na construção da infraestrutura resultante da fusão entre BM&FBOVESPA e CETIP, que deu origem à B3. (Foto: Leonardo Rodrigues)

Fundada em 2023, a A5X tem entre seus acionistas ABN AMRO Clearing, Ideal CTVM — controlada pelo Itaú —, IMC, Jump Trading Group, Optiver e XTX Markets.

Ela é controlada por quatro sócios fundadores: Carlos Ferreira (CEO), Karel Luketic (diretor financeiro), Julian Chediak e Nilson Monteiro, fundador da Ideal.

A companhia captou R$ 385 milhões em três rodadas de financiamento, sendo a mais recente uma série C de R$ 200 milhões em 2026. Em setembro de 2025, a empresa atingiu valuation de R$ 1,35 bilhão, segundo relatório do BTG Pactual divulgado na época.

A A5X firmou parceria tecnológica com a LSEG (London Stock Exchange Group) para sistemas de negociação, pós-negociação, gestão de risco, dados de mercado e clearing com contraparte central. A empresa também tem acordo de licenciamento de dados com a B3 para precificação de garantias, gestão de risco e criação de novos índices.

A chegada de Cícero Vieira é a segunda grande adição ao time da empresa em pouco menos de seis meses. Em dezembro, a Bloomberg News reportou que Pedro Luvizari Fernandes, ex-sócio da XP responsável pela área de vendas a clientes institucionais, havia ingressado na A5X como diretor comercial.

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A5X: empresa busca se posicionar como uma alternativa no segmento no país. (Foto: Leonardo Rodrigues)
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Diogo Guillen, ex-diretor do Banco Central, será novo economista-chefe do Itaú

O ex-diretor do Banco Central Diogo Guillen assumirá a posição de economista-chefe do Itaú Unibanco a partir de 1º de julho de 2026, após cumprir período de quarentena, informou o banco brasileiro em comunicado nesta terça-feira (28).

Guillen sucederá Mário Mesquita, que ocupa o cargo desde julho de 2016 e deixará a função no final de abril.

O ex-diretor do BC é doutor em Economia pela Universidade de Princeton, onde defendeu dissertação sobre macroeconomia e economia internacional, e tem graduação e mestrado pela PUC-Rio.

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Antes de ingressar no Banco Central, trabalhou na área de gestão de ativos do próprio Itaú entre 2015 e 2021, tendo ocupado as posições de head de Pesquisa Econômica Internacional, head de Pesquisa Econômica de Brasil e, por fim, economista-chefe da Itaú Asset Management. Antes disso, atuou como economista sênior na Gávea Investimentos, entre 2013 e 2015.

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Em 2022, o nome de Guillen foi sugerido ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para a Diretoria de Política Econômica, cargo que ocupou até 2025, após aprovação pelo Senado Federal. Na diretoria, substituiu Fabio Kanczuk.

O Itaú destacou o papel de Mário Mesquita no fortalecimento da reputação do banco em análises econômicas, citando a consolidação do time de macro e a reestruturação da área de Research ao longo de quase dez anos.

Mesquita seguirá colaborando com o banco como consultor durante o período de transição, segundo o comunicado.

A Bloomberg News havia informado em janeiro que Mesquita deixaria a função em razão da regra de aposentadoria obrigatória do banco para posições de gestão aos 60 anos.

Segundo a reportagem publicada na época, o Itaú estava em conversas com o ex-diretor do Banco Central para o posto, com a entrada prevista após os seis meses de quarentena — praxe para diretores que deixam a autarquia.

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Diogo Guillen: ex-diretor do Banco Central sucederá Mário Mesquita. (Foto: Ton Molina/Bloomberg)
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Gastos de brasileiros com viagens internacionais crescem quase 28% em março, aponta BC

Os brasileiros gastaram quase 28% mais com viagens internacionais em março de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. As despesas subiram de US$ 1,6 bilhão para US$ 2,0 bilhões, enquanto as receitas de turismo estrangeiro no Brasil ficaram estáveis, em US$ 0,9 bilhão.

O resultado, divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Banco Central, elevou as despesas líquidas com viagens a US$ 1,1 bilhão — alta de 68,3% em relação a março de 2025.

O dado vem acompanhado de uma mudança relevante na forma como o próprio Banco Central calcula essas estatísticas. A autoridade monetária anunciou uma revisão metodológica extraordinária nas receitas de viagens internacionais, incorporando novas fontes de dados e uma nova metodologia de compilação.

O efeito foi uma melhora no déficit em conta corrente acumulado nos 12 meses encerrados em fevereiro: o número foi revisado de 2,71% do PIB para 2,61% do PIB.

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A revisão cobre o período de outubro de 2023 a fevereiro de 2026 e consistiu, principalmente, na reclassificação de transações que estavam registradas na Conta Financeira — na rubrica de outros investimentos, moedas e depósitos — para receitas de viagens internacionais.

Com isso, as receitas brutas de viagens foram revisadas para cima em US$ 0,1 bilhão em 2023, US$ 1,1 bilhão em 2024, US$ 2,6 bilhões em 2025 e US$ 0,9 bilhão nos dois primeiros meses de 2026. A revisão das despesas brutas foi residual, acumulando US$ 0,6 bilhão no período.

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A origem da distorção está em uma mudança na legislação cambial, segundo o Banco Central. A Lei nº 14.286, de dezembro de 2021, alterou a prestação de informações de transações realizadas por meio de contas de titulares não residentes denominadas em reais.

Com a nova regra, parte dos fluxos financeiros relativos à utilização de cartões de crédito por viajantes estrangeiros no Brasil passou a ser registrada como constituição de depósitos — e não como receita de viagens. O Banco Central identificou o problema ao cruzar informações adicionais dos contratos de câmbio com dados fornecidos diretamente por participantes do mercado de cartões.

Para a XP, o aumento das despesas líquidas na conta de viagens foi o principal determinante do resultado da conta de serviços em março, “provavelmente ainda refletindo a apreciação cambial”, segundo escreveram analistas do banco em relatório. No primeiro trimestre de 2026, essa conta se ampliou em US$ 0,7 bilhão, alta de 36% na comparação anual.

Conta corrente abaixo do esperado

O déficit em transações correntes ficou em US$ 6,0 bilhões em março de 2026, abaixo da mediana de US$ 6,3 bilhões projetada por 17 economistas consultados pela Bloomberg.

O resultado, porém, representa uma deterioração expressiva em relação ao déficit de US$ 2,9 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.

No acumulado de 12 meses encerrados em março, o déficit somou US$ 64,3 bilhões, equivalente a 2,71% do PIB, ante US$ 61,2 bilhões (2,61% do PIB) no mês anterior.

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A piora em relação a março de 2025 decorreu, principalmente, de três fatores, segundo o BC: redução de US$ 1,6 bilhão no superávit comercial de bens, aumento de US$ 1,1 bilhão no déficit de renda primária e alta de US$ 0,6 bilhão no déficit de serviços. O superávit em renda secundária cresceu US$ 0,2 bilhão e parcialmente compensou o movimento.

O superávit comercial de bens atingiu US$ 5,6 bilhões em março, abaixo dos US$ 7,2 bilhões de março de 2025. As exportações totalizaram US$ 31,7 bilhões, crescimento de 9,5% na comparação anual, com expansão concentrada em commodities — especialmente petróleo bruto. As importações avançaram 19,9%, para US$ 26,1 bilhões, com aumento disseminado entre as principais categorias econômicas.

O déficit na conta de serviços somou US$ 4,8 bilhões em março, ante US$ 4,2 bilhões no mesmo período de 2025. Além das viagens, contribuíram para o resultado as maiores despesas líquidas em telecomunicação, computação e informações (+27,4%, para US$ 0,9 bilhão), serviços de propriedade intelectual (+9,2%, para US$ 1,2 bilhão) e transportes (+7,5%, para US$ 1,2 bilhão). No acumulado em 12 meses, o déficit de serviços atingiu US$ 50,3 bilhões.

O déficit em renda primária somou US$ 7,4 bilhões em março, aumento de 17,8% frente aos US$ 6,3 bilhões de março de 2025. As despesas líquidas com lucros e dividendos totalizaram US$ 4,8 bilhões (+10,7%), e os pagamentos líquidos de juros chegaram a US$ 2,6 bilhões, alta de 33,5%, com preponderância das maiores despesas brutas em operações intercompanhia. No acumulado em 12 meses, o déficit de renda primária alcançou US$ 84,0 bilhões.

Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$ 6,0 bilhões em março, abaixo da mediana de US$ 7,0 bilhões projetada pelos 17 economistas consultados pela Bloomberg. O resultado também ficou abaixo dos US$ 6,3 bilhões captados em março de 2025.

Os ingressos foram compostos por US$ 4,3 bilhões em participação no capital — sendo US$ 1,2 bilhão em capital próprio e US$ 3,2 bilhões em reinvestimento de lucros — e US$ 1,7 bilhão em operações intercompanhia. No acumulado de 12 meses, o IDP somou US$ 75,7 bilhões, equivalente a 3,18% do PIB.

O que dizem os analistas

Para o Itaú BBA, o déficit em conta corrente “voltou a piorar na margem”, refletindo a desaceleração do saldo comercial — “em que ainda não se observaram plenamente os efeitos positivos do aumento do preço de exportação de petróleo, mas que já estão presentes nos dados de abril”.

O banco também destacou a piora no financiamento externo, com desaceleração tanto do IDP quanto dos fluxos de portfólio, “possivelmente associada ao movimento global de aversão ao risco após o início do conflito no Oriente Médio”. Para o ano, o Itaú projeta déficit em conta corrente de US$ 66 bilhões (2,6% do PIB).

A XP avaliou que a conta corrente ficou “ligeiramente abaixo das expectativas”, com o resultado de renda primária sendo o principal fator de divergência em relação à projeção da instituição.

As remessas de lucros e dividendos, que costumam apresentar sazonalidade em março, “foram menos intensas do que o esperado”. A XP projeta déficit em conta corrente de US$ 58,0 bilhões (2,2% do PIB) em 2026, assumindo preço médio do Brent de US$ 90 por barril, e IDP de US$ 75,0 bilhões.

O Goldman Sachs classificou o resultado como um “déficit moderado em conta corrente”, com IDP “abaixo do esperado, mas fluxos de portfólio positivos”. O banco destacou que, em 12 meses, o déficit em conta corrente segue em patamar “moderado” de 2,7% do PIB, com o IDP em 3,2% do PIB.

A instituição americana acrescentou que “um ajuste fiscal profundo para reduzir a poupança negativa do setor público” segue sendo, em sua avaliação, condição essencial para viabilizar um ajuste estrutural permanente na conta corrente.

A consultoria 4intelligence ressaltou a melhora do balanço de pagamentos no primeiro trimestre como um todo: o déficit em conta corrente recuou de US$ 22,7 bilhões para US$ 20,3 bilhões entre o 1T25 e o 1T26, queda de 11%. A consultoria projeta déficit em conta corrente de US$ 54,2 bilhões para 2026, “com viés de baixa a depender das exportações de petróleo”, e IDP de US$ 70,0 bilhões.

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Times Square, em Nova York: despesas líquidas com viagens tiveram alta de 68,3% em relação a março de 2025 (Foto: Amir Hamja/Bloomberg)
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BRB fecha acordo com a gestora Quadra para vender R$ 15 bi em ativos do Banco Master

O Banco de Brasília (BRB) assinou um memorando de entendimento (MoU) com a gestora Quadra Capital para a venda de R$ 15 bilhões em ativos oriundos de suas operações com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.

A operação prevê a criação de um fundo de investimento para abrigar e monetizar os ativos, com pagamento à vista de no mínimo R$ 3 bilhões e até R$ 4 bilhões, segundo comunicado ao mercado divulgado pelo BRB na noite de segunda-feira (20).

O restante — entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões — será recebido pelo BRB em cotas subordinadas do fundo, ou seja, instrumentos cujo retorno dependerá do desempenho futuro dos próprios ativos transferidos.

A efetivação do acordo ainda está sujeita ao cumprimento de condições precedentes previstas no memorando, que não foram detalhadas.

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O banco afirmou que a transação visa “fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez”, além de “aprimorar a gestão de seu portfólio” e promover a “racionalização patrimonial”.

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Sob pressão

O acordo surge em um momento de pressão sobre as finanças do BRB. O banco acumulou cerca de R$ 22 bilhões em ativos do Master — incluindo imóveis, cemitérios e restaurantes, além de carteiras de crédito —, dos quais aproximadamente R$ 13 bilhões foram classificados pelas autoridades como créditos fraudulentos. O BRB afirmou ter substituído mais de R$ 10 bilhões desses ativos.

O diretor de supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, estimou em depoimento à Polícia Federal, em dezembro, que o ajuste necessário no balanço do BRB seria “de mais de R$ 5 bilhões”, citando a “qualidade dos ativos” recebidos do Master.

Em fevereiro, BRB convocou uma assembleia geral de acionistas para votar um aumento de capital de até R$ 8,9 bilhões — reunião que foi cancelada e remarcada para esta quarta-feira (22).

O índice de capital principal (CET1) do BRB estava em 8,1% em junho do ano passado, próximo ao mínimo regulatório de 7% — ante 13,1% do Itaú e 12% do BTG Pactual.

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De acordo com uma reportagem da Bloomberg News, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vinha se recusando a conceder um empréstimo de pelo menos R$ 4 bilhões solicitado pelo BRB, à espera de uma clareza maior sobre o tamanho total das perdas, segundo pessoa familiarizada com as negociações.

O acordo com a Quadra representa a alternativa de mercado mais concreta anunciada até agora pelo BRB para enfrentar o rombo.

A proposta de R$ 15 bilhões havia sido sinalizada pelo governo do Distrito Federal recentemente, quando informou que um fundo de investimento — cujo nome não foi divulgado à época — havia feito uma oferta pelos ativos.

O anúncio ocorre dias após a Polícia Federal prender Paulo Henrique Costa, ex-CEO do BRB, no âmbito da Operação Compliance Zero.

Costa é acusado de ter recebido aproximadamente R$ 75 milhões em imóveis de luxo — metade de um valor negociado de R$ 150 milhões — pagos por Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master, por meio de uma estrutura que combinava empresas de fachada e fundos geridos pela gestora Reag, segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As autoridades afirmam que Costa autorizou o BRB a acelerar a aquisição de carteiras de crédito do Master que, posteriormente, foram classificadas como fraudulentas.

Vorcaro, por sua vez, está preso pela segunda vez desde novembro. Além das acusações originais de fraude, o ex-banqueiro enfrenta alegações de ameaça a um jornalista, acesso indevido a sistemas do FBI e da Interpol, e interferência nas investigações em curso.

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Sede do BRB, em Brasília: banco afirmou que a transação visa 'fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez'. (Foto: Gustavo Minas/Bloomberg)
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GPA obtém tutela cautelar para bloquear venda de ações pelo Casino

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) obteve uma tutela cautelar que impede o acionista Casino Guichard-Perrachon de vender suas ações na companhia.

A decisão foi proferida pelo Juízo Titular da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, conforme fato relevante divulgado pela empresa nesta segunda-feira (20).

A medida abrange tanto as ações que já foram vendidas pelo Casino — com a interrupção de sua compensação financeira em bolsa antes que as operações sejam concretizadas — quanto aquelas ainda não vendidas ou vendidas mas não liquidadas, ficando proibida sua venda ou liquidação.

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A decisão foi proferida no contexto de um pedido de reconhecimento de processo estrangeiro iniciado pelo próprio Casino contra o GPA, por meio do qual o grupo francês buscava homologar no Brasil a autorização para alienar sua participação na companhia.

Segundo a companhia, o juiz reconheceu a probabilidade do direito do GPA e o risco de esvaziamento do patrimônio do acionista por meio da alienação das ações.

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Segundo o fato relevante assinado por Pedro Albuquerque, vice-presidente de Finanças e diretor de Relações com Investidores do GPA, a tutela cautelar “representa um passo importante na preservação dos direitos e garantias da companhia”, objeto de um processo de arbitragem iniciado em 6 de maio de 2025.

Em nota divulgada posteriormente à Bloomberg Línea, o Grupo Casino afirmou que o pedido do GPA à Justiça brasileira “ocorre após a rejeição, pelo Tribunal Arbitral, de uma solicitação de medidas provisórias com o mesmo objeto apresentada pela GPA no processo de arbitragem iniciado em 6 de maio de 2025 contra a Casino perante a Corte Internacional de Arbitragem da ICC”.

“O Casino tomará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses”, disse o grupo na nota.

Momento crítico

A decisão judicial ocorre em um dos momentos mais delicados da história recente do GPA (PCAR3). Em fevereiro, a varejista dona das redes Pão de Açúcar e Extra admitiu em suas notas explicativas do resultado do quarto trimestre que o prejuízo registrado no período e o déficit de capital de giro levantavam dúvidas relevantes sobre sua continuidade operacional.

A dívida líquida da companhia subiu para R$ 2,08 bilhões ao fim de 2025, ante R$ 1,39 bilhão no ano anterior, enquanto o índice de alavancagem — medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda — saltou de 1,6 vez para 2,4 vezes no mesmo período.

Em março, o GPA anunciou um acordo com credores para iniciar um plano de recuperação extrajudicial abrangendo cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas sem garantia e de natureza não operacional.

Credores representando 46% dos créditos afetados — ou R$ 2,1 bilhões — já haviam concordado com a reestruturação, segundo comunicado da empresa.

As obrigações de pagamento junto aos credores abrangidos foram suspensas por 90 dias para que um plano mais amplo fosse negociado.

-- Reportagem atualizada para incluir o posicionamento do Grupo Casino.

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Loja do Pão de Açúcar, marca do GPA: medida abrange tanto as ações que já foram vendidas pelo Casino. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)
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Citi nomeia José Alberto Benamor como novo líder de commercial banking para o Brasil

O Citi fará mudanças na liderança de seu negócio de commercial banking na América Latina. José Alberto Benamor assume como novo head da área no Brasil, enquanto Gaurang Hattangdi passa a liderar o segmento para toda a região.

As mudanças já têm efeito imediato, de acordo com comunicado divulgado nesta sexta-feira (17).

Com mais de 35 anos de experiência no setor bancário, Benamor está no Citi desde 2011, quando ingressou como head de Cobertura de Pequenas e Médias Empresas no Brasil.

Ao longo de sua trajetória na instituição, Benamor passou pela liderança de mid-corporates, foi promovido a diretor em 2016 e a managing director em 2022, de acordo com o banco.

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Desde 2021, Benamor vinha conduzindo diferentes áreas de cobertura e iniciativas estratégicas de commercial banking no país. Ele também acumula a função de executivo-sênior de Crédito Corporativo.

Com a nova nomeação, Benamor passa a integrar o comitê executivo do Citi Brasil — instância que reúne a alta liderança da operação no país — e se reportará diretamente a Hattangdi, e responderá indiretamente a André Cury, atual presidente do Citi no Brasil.

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Tasnim Ghiawadwala, head global de Commercial Banking do Citi, destacou em comunicado que a experiência de Benamor o posiciona para para executar e fortalecer o segmento no mercado brasileiro.

Em entrevista à Bloomberg Línea em 2025, Ghiawadwala afirmou que o Brasil é um mercado chave para o negócio de banco comercial do Citi. A área registrou crescimento de 80% das receitas no país entre 2021 e 2024, segundo executivos do banco na ocasião.

A nomeação ocorre em um momento de reconfiguração da liderança do Citi no Brasil. Em março, André Cury assumiu a presidência da operação brasileira no lugar de Marcelo Marangon, que deixará o país para se tornar co-head global de corporate banking, em Nova York.

Antes de ser alçado à presidência, Cury era justamente o head do commercial banking para o Brasil e a América Latina.

No plano regional, o Citi aposta em um nome de longa data da casa. Gaurang Hattangdi, que já havia comandado o segmento de commercial banking para a América Latina entre 2015 e 2023, retorna ao posto acumulando a função de head global de Cobertura e Empréstimos.

Com 37 anos de experiência no Citi, Hattangdi reportará a Ghiawadwala e indiretamente a Julio Figueroa, head do Citi para a América Latina. Os heads de commercial banking para Argentina, Brasil e México se reportarão diretamente a ele.

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Escritório do Citi, em São Paulo: nomeação ocorre em um momento de reconfiguração da liderança do Citi no Brasil. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
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Com investimento de R$ 314 milhões, Iguatemi prepara sua maior expansão em Brasília

O Iguatemi (IGTI11) elegeu a expansão de sua unidade de Brasília como um dos principais projetos de alocação de capital do grupo de shopping centers para 2026, em um investimento de R$ 314,4 milhões.

A ampliação acrescentará 15.500 m² de área locável ao shopping de alto padrão, o equivalente a quase metade do tamanho atual de 35.000 m², e é a maior já realizada no empreendimento inaugurado em 2010.

Segundo Charles Krell, vice-presidente de Operações do Grupo Iguatemi, cerca de 70% das novas lojas previstas já estão contratadas, o que permitirá ao grupo expandir a oferta de marcas e serviços para o mercado consumidor da capital.

“A operação do shopping nos indicava há cerca de um ano e meio que o calçado estava ficando pequeno. Shoppings desse porte levam de 10 a 20 anos para atingir plena maturação. Estamos nesse momento e olhamos para os próximos 15 a 20 anos”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.

“São quase 20 anos de existência do equipamento atual, e esse é o momento de dar continuidade da expansão, com disciplina.”

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Com a ampliação, o grupo poderá adicionar uma área locável em um momento de alta demanda no setor de shoppings. O Iguatemi Brasília, por exemplo, encerrou 2025 com 97,5% de ocupação, uma receita de aluguel de R$ 74,6 milhões e um volume de vendas de R$ 1,18 bilhão.

O shopping da capital é o nono entre os 22 empreendimentos do grupo em receita de aluguel, e o quarto que mais cresceu no ano passado nessa frente, com 7,9% de aumento. Em volume de vendas, a operação é também a nona maior.

O projeto de expansão agora prevê 70 novos estabelecimentos comerciais no shopping, incluindo duas lojas âncoras, cinco restaurantes, quatro cafés, um cinema com três salas VIP, além de uma micro gym em um espaço que o grupo chama de “alameda wellness”.

O mix planejado para a expansão reflete uma mudança de paradigma que já se consolidou no varejo de alto padrão mundial, que busca aumentar não apenas as transações, mas a frequência das visitas e a recorrência das compras.

As obras terão início em abril, com a previsão de durarem cerca de um ano e meio, segundo o executivo.

Sem revelar os nomes, o VP de Operações diz que a expectativa é a atrair marcas nacionais ou internacionais que já estão no portfólio do grupo em outras unidades e também outras, que farão sua estreia agora em Brasília.

“Tem marcas que já operam conosco em outros empreendimentos, e tem marcas que estarão estreando no mercado, sejam elas nacionais ou internacionais”, disse o executivo. A expectativa é divulgar os primeiros nomes em dois a quatro meses.

No total, hoje o Iguatemi Brasília tem 149 marcas, das quais 28 são internacionais, incluindo nomes do segmento de luxo, como Burberry, Christian Louboutin, Dolce & Gabbana, Gucci, Louis Vuitton, Tiffany, entre outras.

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Os contratos, diz o executivo com 26 anos de companhia, foram assinados com a antecedência necessária para uma operação desse tipo. Marcas internacionais precisam de até um ano e meio para realizar obras, contratações e formação de estoque antes da abertura.

“Setenta por cento de lojas contratadas já me parece um bom número e estamos caminhando com a maior velocidade possível para que eles, lojistas, possam se preparar para a gente nascer conjuntamente na expansão”, afirmou Krell.

Sobre a decisão de fazer um investimento relevante em um momento de juros elevados, com a Selic a 15% ao ano, o executivo diz que, para uma companhia com quase seis década, o juro alto é variável conhecida, não argumento de pausa.

“O Iguatemi sempre traçou seus objetivos e foi executando, ora no momento de bonança brasileira, ora no momento menos bom. Ora no momento difícil de um juro mais alto ou menos alto”, afirmou. “Quem sabe daqui a um ano, um ano e meio, a gente pode estar em um juro mais baixo.”

O grupo chegou até aqui por um caminho que poucos no setor de shoppings brasileiros conseguiram replicar: crescimento consistente sem perder o controle do balanço.

O Iguatemi saiu de R$ 76 milhões de Ebitda em 2008, com sete shoppings, para aproximadamente R$ 1,5 bilhão em 2025, mantendo alavancagem abaixo de duas vezes dívida/Ebitda ao longo de todo o ciclo.

A visão agora é de que o crescimento demográfico e a atividade econômica em Brasília deve continuar sustentando a maior demanda nas próximas décadas. “A gente continua enxergando força suficiente para sustentar uma expansão”, afirmou Krell.

Confira trechos da entrevista com o VP de Operações do Iguatemi, editada para fins de clareza e concisão.

Por que expandir agora com Selic a 15% e com o shopping completando 16 anos?

A operação do shopping nos indicava há cerca de um ano e meio que o calçado estava ficando pequeno. Shoppings desse porte levam de 10 a 20 anos para atingir plena maturação. Estamos nesse momento e olhamos para os próximos 15 a 20 anos. Quanto ao juro, a companhia tem quase seis décadas e já atravessou muitos ciclos. Não é argumento de pausa.

Qual o perfil do mix da expansão?

Serão duas âncoras, 70 novas lojas, cinco restaurantes, quatro cafeterias, salas VIP no Cinemark, que ainda não existe nessa unidade, e uma área de wellness com microgym, diferente da academia convencional que já operamos com a BodyTech. Haverá também um novo salão de beleza e um espaço dedicado a eventos sociais e corporativos. Tudo dentro de uma concepção de open mall, com paisagismo ampliado e integração entre áreas cobertas e ao ar livre.

Quantas lojas já estão contratadas?

Chegamos a aproximadamente 70% de contratos assinados. É um número importante nesse estágio porque as marcas, especialmente as internacionais, precisam de até um ano e meio de dianteira para obras, contratações e formação de estoque. Temos marcas que já operam conosco em outros empreendimentos e estreantes no portfólio, nacionais e internacionais. Os nomes serão abertos nos próximos dois a quatro meses.

O que atrai marcas internacionais para Brasília?

Brasília é o centro político do país, tem força diplomática, de serviços, uma classe emergente relevante. Já temos hoje 28 marcas internacionais entre as 149 operações do shopping. Uma marca internacional vai onde ela acredita que vai frutificar, é um negócio como qualquer outro.

A expansão simultânea com a Multiplan em Brasília não fragmenta o mercado?

Brasília cresceu. É uma cidade muito diferente de 15 ou 30 anos atrás, quando esses shoppings foram inaugurados. Há força demográfica e econômica para sustentar mais de um empreendimento premium. Dito isso, cada shopping precisa ter personalidade e mix alinhados ao público que deseja atingir. Respeitamos muito a Multiplan. A competição saudável exige que cada um faça muito bem o seu trabalho.

Como se gerencia uma obra com o shopping em funcionamento?

Já fizemos isso em pelo menos seis empreendimentos com histórico de zero interferência relevante para o cliente. A chave é segregar as áreas de construção e proteger a experiência de quem está no shopping. O cliente não quer saber de poeira ou ruído, e tem todo o direito. Temos torres erguidas em Campinas, Porto Alegre e São José do Rio Preto com os shoppings em plena operação.

Qual é o cronograma da obra?

As obras iniciam em abril. Estimamos um ano e meio de construção, podendo ser um pouco menos ou um pouco mais, só teremos precisão após percorrer cerca de um terço do processo construtivo, quando as fundações já estiverem concluídas.

O shopping de varejo clássico ainda tem espaço nesse modelo?

O varejo clássico ainda tem seu lugar, mas não é mais o motor. Eu não preciso necessariamente ir ao shopping para comprar uma meia ou uma geladeira. As pessoas vão para curtir o paisagismo, fazer uma academia, realizar um exame, passear. É muito mais do que o varejo de outrora e o mix da expansão reflete exatamente isso.

Como o Iguatemi cresceu sem perder o controle do balanço?

Com disciplina. Saímos de sete shoppings e R$ 76 milhões de Ebitda em 2008 para aproximadamente R$ 1,5 bilhão em 2025, mantendo alavancagem abaixo de duas vezes dívida/Ebitda ao longo de todo o ciclo. Enquanto vimos gigantes do varejo brasileiro enfrentarem sérias dificuldades, a companhia seguiu seu plano. Essa palavra disciplina resume bem a trajetória.

O Iguatemi tem preferência por algum perfil de marca para a expansão: massa ou luxo?

Cada marca tem que escolher seu solo fértil. Não coloco uma Cartier em qualquer lugar, ela precisa estar onde há bolso e onde fará sentido comercial. O mesmo vale para o outro lado: não faz sentido levar uma marca de altíssimo padrão para um shopping cujo perfil demográfico não sustenta aquele nível de preço. Em Brasília, o perfil já está dado: são 28 marcas internacionais operando hoje. A expansão aprofunda esse posicionamento.

A geração de empregos entra no cálculo do investimento?

Sempre entrou. Estimamos entre 500 e 600 postos de trabalho na construção e mais de 1.500 gerados pelas obras dos próprios lojistas. São mais de 2.000 empregos ao longo de dois anos, fora o efeito multiplicador permanente: segurança, limpeza, fornecedores, serviços. Para nós, geração de emprego e de tributos para a cidade onde atuamos nunca foi retórica. Faz parte do que justifica estar onde estamos.

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Interior do Iguatemi Brasília, que abriga hoje 28 marcas internacionais, entre elas Gucci, Louis Vuitton e Tiffany, em 149 operações. O grupo anunciou expansão de 15,5 mil m² de área locável com investimento de R$ 314 milhões (Foto: Divulgação)
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A Memed queimou caixa por 14 anos. Agora tem lucro e mira R$ 100 milhões em receita

Quando Rodolfo Chung assumiu a Memed há dois anos e meio, a empresa queimava milhões de reais por mês. Em junho do ano passado, o negócio chegou ao breakeven e opera com lucro desde então.

Os números acompanham uma transição no modelo de negócio da startup, que passou a utilizar a sua plataforma gratuita de prescrição de medicamentos para se tornar um canal de publicidade para a indústria farmacêutica.

A Memed, que completou 14 anos em 2024, domina entre 60% e 70% do mercado de prescrições digitais no Brasil. Mas esse mercado representa apenas 15% de todas as prescrições feitas no país — o grande volume ainda vem em papel, Word ou PDF anexado em email.

“Estimamos 1 bilhão de prescrições por ano no Brasil. Quando isso virar 100% digital, o mercado da Memed pode crescer mais de seis vezes”, diz Chung. Atualmente, a plataforma processa 100 milhões de prescrições digitais.

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A empresa foi fundada pelos irmãos Ricardo e Rafael Moraes e por Marcel Ribeiro, que deixaram a operação em 2021, quando a Memed foi adquirida por R$ 300 milhões pela DNA Capital, gestora brasileira especializada em negócios de saúde.

A transação deu saída também para fundos investidores Redpoint eVentures, Monashees e Qualcomm Ventures, que tinham colocado algo em torno de R$ 33 milhões.

Substituindo o ‘pastinha’

Na passagem de bastão, a Memed encontrou na indústria farmacêutica a fonte para gerar receita para o negócio, que por mais de uma década apenas queimou caixa.

A empresa oferece acesso a uma base ativa de mais de 150.000 médicos, que são impactados por anúncios e informações de novos medicamentos e os seus benefícios quando o profissional está usando a plataforma de prescrição.

Rodolfo Chung, da Memed, diz que o Brasil está apenas no começo do uso da publicidade médica digital, o que oferece um alto potencial de crescimento para a empresa

A meta é de crescer esse número para 200.000 médicos até o fim do ano. Segundo projeção do estudo Demografia Médica 2025, esperava-se que o Brasil terminasse o ano com mais de 635.000 médicos.

A indústria farmacêutica brasileira gasta cerca de R$ 12 bilhões por ano em propaganda médica, segundo estimativas de mercado. A estratégia, basicamente, usa propagandistas que visitam consultórios, num modelo tradicional que persiste por décadas.

Assim como procura contribuir para a migração das receitas para o digital, a Memed pretende fazer o mesmo com o marketing direcionado aos médicos.

“Nos Estados Unidos, 20% da verba de propaganda médica já é digital. No Brasil, estimamos 1%”, diz Chung, que fez carreira na Ambev, no LTS Investments, fundo de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, e foi ex-CEO do Zé Delivery.

“É nessa hora de grandeza o potencial que temos para crescer. Nós estamos só no começo aqui.”

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Segundo o executivo, mais de 100 farmacêuticas já usam a plataforma como canal de comunicação com os médicos. O próximo passo está no ganho de escala do serviço.

“Nós estamos falando que 10% das prescrições digitais do Brasil são feitas na Memed e nós estamos neste momento de acelerar esse crescimento. Ao provar que o retorno de investimento é muito positivo, eu ganho espaço dentro da verba dele até o dia que a própria verba vai aumentar”, afirma Chung.

Os números internos, segundo o CEO, indicam retornos médios dos investimentos publicitários, o conhecido ROI, entre três e quatro vezes o capital aportado.

A consolidação do modelo de negócio nos últimos anos tem feito a plataforma dobrar de tamanho ano a ano. Para 2026, a estimativa é de manter o ritmo e fechar o ano com R$ 100 milhões em receita. A empresa não abre os valores totais.

Novas contratações

A expansão será acompanhada pela contratação de novos profissionais, saindo dos 130 atuais para 180 em dezembro. “Como estou no começo da tese e ainda tem muita coisa pra fazer, vou sempre reinvestir com tudo que eu gerar de excedente. Do breakeven para cá, saímos de 90 para 130 e eu estou com 50 vagas em aberto”, afirma Chung.

As contratações são focadas em profissionais de tecnologia e produtos para um novo passo na estratégia. A Memed pretende ir além das prescrições médicas e funcionar como um meio para os médicos possam acompanhar a jornada de tratamento. de aumentar os investimentos em R$ 30 milhões no desenvolvimento de soluções para o médico em 2026

Hoje, muitas vezes os pacientes deixam de tomar as medicações logo após a melhora dos sintomas. Ou começa a tomar GLP-1, as famosas canelas emagrecedoras, mas abandona após dois meses porque é caro e sofre com os efeitos colaterais.

“Hoje, o médico prescreve e depois não sabe se o paciente seguiu o tratamento”, conta. “O Brasil tem uma das menores taxas de adesão ao tratamento do mundo. Estimamos que 54% dos tratamentos não são seguidos.”

A ideia é que a plataforma desenvolva ferramentas que contribuam para monitorar a adesão a tratamento, ofereçam suporte e engajem os pacientes. E, com isso, a Memed saia de um canal de lista de medicamentos para um hub de acompanhamento.

Ao longo do ano, a empresa prevê aumentar os investimentos para o desenvolvimento de soluções para o médico em R$ 30 milhões na comparação com o ano de 2025. A Memed não abriu o valor investido no ano passado.

As primeiras peças desse futuro devem começar a ser encaixadas na plataforma ainda este ano.

“Isso é a visão de longo prazo, para onde estamos preparando a empresa. Estamos nos preparando financeira e estrategicamente para evoluir o negócio”, diz o CEO.

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Exame oftalmológico em clínica de Hong Kong: Atualmente, a plataforma da Memed processa 100 milhões de prescrições digitais. (Foto: Anthony Kwan/Bloomberg)
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Maior escala e diversificação: como o BV enfrenta o cenário de juros elevados

Em um momento de condições de crédito apertadas no Brasil, o banco BV tem se apoiado em uma estratégia que combina a expansão dos serviços bancários para pessoa física, o crescimento de novas linhas, como o empréstimo com garantia do veículo, além de maior presença em pontos de venda para manter o seu negócio principal de financiamento a compra de veículos leves usados.

De acordo com o CEO, Gustavo Sousa, essa estratégia tem permitido ao banco aumentar sua carteira de crédito mantendo níveis relativamente saudáveis de inadimplência, o que tem elevado seus patamares de rentabilidade.

O BV encerrou 2025 com um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) recorrente de 15,3%, um aumento de 2,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior. O resultado também representa um ganho em relação ao patamar de 9% que o BV chegou a ter em 2023.

Sousa diz que o BV agora classifica o ROE de 15% como um “piso” e ressalta que esse patamar não é um “destino final” na trajetória de melhoria do resultado do banco.

“A gente tem uma ambição que é aproximar esse ROE a mais de 20%”, disse ele, em entrevista à Bloomberg Línea. “Não é algo para o curto prazo, mas seguramente é o nosso norte.”

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O BV encerrou o ano passado com um lucro recorrente de R$ 1,865 bilhão, seu maior resultado já registrado, o que representa um aumento de 8,3% sobre 2024.

A carteira de crédito ampliada subiu 7,9%, para R$ 97,7 bilhões, impulsionada pelo avanço na categoria de veículos leves usados e em outras frentes, como cartões de crédito, empréstimos com garantia de veículos e financiamentos a outros tipos de automóveis leves e pesados.

Fundado no fim dos anos 1980 pelo grupo Votorantim, da família Ermírio de Moraes, o BV – antes chamado de Banco Votorantim – é controlado desde 2009 em uma sociedade entre a Votorantim Finanças, braço financeiro do grupo, e o Banco do Brasil (BBAS3). Cada um tem 50% do controle acionário.

Segundo Sousa, o banco tem buscado fortalecer o que o seu negócio de “rodas” — o financiamento de veículos —, mas com uma leitura de que crescer nesse mercado depende menos de abrir o apetite de risco e mais de ampliar a presença comercial junto aos lojistas.

O time dedicado a essa cobertura chegou a 1.000 profissionais – 100 a mais do que no ano retrasado – e hoje alcança 26.000 pontos de venda.

“O aumento de produção vem por um trabalho de bater em mais portas, por colocar o time comercial na rua com mais intensidade, e não porque a gente abriu a modelagem”, disse Sousa.

Essa lógica se estende ao segmento de pesados usados, no qual o banco afirma ter chegado à liderança de market share ao final de 2025, com a carteira crescendo 46,8% no ano para R$ 3,3 bilhões.

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Paralelamente, o banco tenta transformar o cliente de financiamento em um usuário mais amplo de seus produtos financeiros e bancários. A ideia é que quem financia um carro pelo BV passe a usar também o seu banco digital para pagamentos, depósitos e cartão de crédito.

As safras mais recentes de financiamento, segundo Sousa, já mostram um consumo maior de produtos por clientes. Os depósitos de pessoas físicas cresceram 74% no ano, e a originação de crédito por canais digitais avançou 45%, para R$ 3,9 bilhões.

Essa estratégia tem permitido ao banco avançar mesmo em um ambiente de juros que exige cautela, apesar das perspectivas de cortes da Selic pelo Banco Central em 2026.

De acordo com o CEO, o banco tem visto uma melhoria da métrica de inadimplência, mas ainda “não a ponto” de abrir a modelagem de concessão de crédito. O BV encerrou o quarto trimestre 2025 com uma taxa de inadimplência de 4,7%, uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre.

“A gente entende que esse alívio na taxa de juros pode gerar uma melhora nessas métricas de endividamento. Mas, neste momento, o que a gente está vendo é um apetite conservador”, disse Sousa.

'Neste momento, o que a gente está vendo é um apetite conservador' no crédito. (Foto: Divulgação)

É nesse contexto que o banco tem apostado no empréstimo com garantia de veículo (EGV) como um dos produtos centrais para o momento.

Segundo o CEO, para clientes que carregam dívidas em crédito pessoal ou cartão de crédito com taxas em torno de 8% ao mês, o produto oferece uma alternativa com taxas entre 2% e 2,5% ao mês, usando o veículo quitado como garantia. “Isso é um alívio muito grande de custo financeiro para esse cliente”, afirmou Sousa.

A carteira de EGV cresceu 30,5% em 2025 e, junto com o cartão de crédito, compõe o que o banco chama de “varejo relacional” — a fatia do portfólio voltada a aprofundar o relacionamento com o cliente além do financiamento.

A plataforma de anúncios de veículos NaPista é outra peça dessa estratégia, uma vez que concorre com as líderes Webmotors, que tem o Santander Brasil como sócio, e iCarros, do Itaú.

O banco a vê como um canal para qualificar leads e aproximar compradores e lojistas, oferecendo crédito pré-aprovado ainda dentro da plataforma. “Você já chega lá para comprar o seu carro sabendo que o BV te aprovou, é só fazer o test drive”, resumiu o executivo.

O banco tem buscado investir tanto na expansão da base de lojistas quanto em mídia para atrair compradores, com o objetivo de consolidar o NaPista entre as principais plataformas do segmento.

Olhando para 2026, o plano é continuar avançando nessas frentes, mas mantendo uma expansão do crédito cuidadosa. “Na nossa cabeça, 2026 continua sendo um ano para a gente entrar com cautela nas condições de crédito”, afirmou o CEO.

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Sede do BV, em São Paulo: banco encerrou o ano passado com um lucro recorrente de R$ 1,865 bilhão, seu maior resultado já registrado. (Foto: Divulgação)
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‘Don’t be fooled’: o alerta do Citi sobre a atividade econômica e o emprego no Brasil

Os números do mercado de trabalho brasileiro parecem contar uma história de solidez. A taxa de desemprego atingiu sua mínima histórica em dezembro de 2025, aos 5,3%, enquanto a massa salarial real seguia em expansão robusta de 6,4% ao ano.

Para quem olha esses indicadores de forma isolada, o Brasil parece atravessar um momento de vigor na economia. Entretanto, economistas do Citi, liderados por Leonardo Porto, apontam contradições nos números de atividade no país e alertam que os dados aparentemente positivos escondem uma realidade mais sombria.

Segundo eles, uma desaceleração já está em curso, tanto na atividade econômica quanto no mercado de trabalho, e tende a se aprofundar nos próximos meses.

“A economia doméstica permanece praticamente estagnada desde o segundo semestre de 2025 e deve enfraquecer ainda mais o mercado de trabalho daqui para frente, provavelmente interrompendo a tendência de queda da taxa de desemprego”, escrevem os economistas em um relatório intitulado “Don’t Be Fooled, a Slowdown is Underway in Activity and Labor Market” (Não se engane, uma desaceleração está em andamento na atividade e no mercado de trabalho), divulgado nesta quinta-feira (19) a clientes.

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Um dos sinais vêm do Produto Interno Bruto (PIB). Depois de um crescimento vigoroso no primeiro trimestre de 2025, com alta de 1,5% na margem, a economia brasileira perdeu fôlego de forma consistente, na visão dos economistas.

O crescimento caiu para 0,3% no segundo trimestre e recuou ainda mais para 0,1% no terceiro. Os indicadores mensais de atividade – produção industrial, insumos da construção civil, vendas no varejo e setor de serviços –, segundo o Citi, apontam para algo próximo de uma estagnação no quarto trimestre. O resultado aponta para um crescimento anual de 2,2% em 2025, na projeção do Citi, a ser confirmado pelo IBGE em março.

Dados do IBC-Br divulgados nesta quinta parecem confirmar a desaceleração, embora tenham ficado acima das projeções de economistas. Em dezembro, o índice de atividade econômica do Banco Central registrou recuo de 0,2% no mês em relação a novembro, ante uma expectativa de queda de 0,4% entre economistas consultados pela Bloomberg.

PIB x mercado de trabalho

O paradoxo, ressalta o Citi, é que, enquanto a atividade desacelerou, o desemprego seguiu caindo. A taxa de desocupação recuou de 5,9% em junho para 5,3% em dezembro, atingindo o menor nível da série histórica. À primeira vista, isso sugere um mercado de trabalho aquecido, mas os economistas do banco avaliam que essa leitura é enganosa.

A explicação está na taxa de participação da força de trabalho, que caiu de 62,4% em junho de 2025 para 61,9% em dezembro. Isso significa que menos brasileiros estavam ativamente buscando emprego no fim do ano.

Para o Citi, é essa saída de trabalhadores do mercado, e não a geração de postos de trabalho, que explica a queda do desemprego.

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Se a taxa de participação tivesse se mantido estável no patamar de junho, o desemprego estaria em 5,9% em dezembro, não nos 5,3% registrados, de acordo com o Citi.

Quando o banco aplica a chamada Lei de Okun – modelo econométrico que relaciona desemprego e crescimento do PIB – substituindo o desemprego pelo nível de emprego, o resultado é que o emprego efetivo está abaixo do nível estimado pelo modelo desde o segundo trimestre de 2025.

Nessas condições, “o desempenho superior do mercado de trabalho em relação à atividade econômica desaparece”, dizem os economistas.

Consumo x massa salarial

O segundo paradoxo apontado pelo Citi envolve o consumo das famílias e a massa salarial real.

O consumo privado, que representa cerca de 64% do PIB brasileiro, desacelerou ao longo de 2025, passando de uma expansão de 2,2% ao ano no primeiro trimestre para apenas 0,9% no terceiro.

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Ao mesmo tempo, a massa salarial real – calculada pela multiplicação do salário real pelo nível de emprego – crescia 6,4% ao ano em dezembro, uma expansão robusta que deveria, em tese, sustentar um aumento do consumo mais acelerado.

Na avaliação dos economistas, o crescimento da massa salarial real estava sendo puxado, de forma crescente, pelos salários – que avançaram 5,0% ao ano – e não pelo emprego, que cresceu apenas 1,1% ao ano.

Para o banco, isso indica que o consumo das famílias tem reagido mais ao crescimento mais fraco do emprego do que ao aumento dos salários de quem já trabalha.

O Citi aponta ainda que, em um mercado de trabalho próximo do pleno emprego, como o Brasil parece estar agora, os aumentos de salário tendem a gerar um impacto menor no consumo das famílias, uma vez que o espaço para a criação de empregos está mais limitado.

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Escritório do Citi, em São Paulo: dados do mercado de trabalho, aparentemente aquecido, escondem uma realidade mais sombria sobre a economia brasileira. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
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Family offices querem priorizar IA, mas peso no portfólio é limitado, diz J.P. Morgan

Apesar do entusiasmo em torno do tema de inteligência artificial (IA) entre investidores, a maior parte dos family offices globais ainda não direcionou um percentual significativo de seu capital para os segmentos que tendem a capturar os maiores ganhos desse avanço tecnológico.

É o que mostra a pesquisa “2026 Global Family Office Report”, do J.P. Morgan Private Bank, divulgado nesta segunda-feira (2), com base em uma pesquisa com 333 family offices em 30 países, responsáveis por cerca de US$ 518 bilhões em patrimônio combinado.

Segundo o levantamento, ao qual a Bloomberg Línea teve acesso antecipado, 65% dos family offices afirmam que pretendem priorizar investimentos ligados à inteligência artificial.

Por outro lado, mais da metade (57%) não tem nenhuma alocação em growth equity ou venture capital – o tipo de investimento normalmente direcionado a startups com potencial de desenvolver as tecnologias e os negócios mais transformadores.

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O descompasso é maior em áreas de infraestrutura: 79% dos family offices globais têm alocação zero nesse segmento, apesar de ele ser considerado a espinha dorsal da IA, envolvendo desde energia e data centers até redes.

O contraste chama atenção porque a IA é citada por 65% dos family offices como uma das áreas prioritárias de investimento para o futuro, à frente de inovação em saúde (50%), infraestrutura (41%) e cibersegurança (34%), entre outros.

A fotografia atual dos portfólios reforça que, na prática, os family offices concentram recursos em classes de ativos mais tradicionais.

Em média, 38,4% do patrimônio está alocado em ações listadas, e outros 30,8%, em investimentos privados – o que inclui desde participações em empresas de capital fechado a imóveis e fundos multimercados.

Juntas, essas duas categorias representam mais de dois terços dos ativos sob supervisão.

A renda fixa responde por 14,8% do patrimônio, e recursos em caixa, por 7,8%, em um contexto em que muitos family offices ainda mantêm uma liquidez elevada diante do ciclo recente de juros altos.

Cenário na América Latina

No caso da América Latina, os family offices continuam a priorizar estabilidade e preservação de capital, o que se reflete na liderança da região na alocação em renda fixa, segundo Natacha Minniti, co-head global da prática de family office no JP Morgan Private Bank.

Do total de family offices participantes da pesquisa, 197 estão nos Estados Unidos, e 136 em outras regiões, incluindo 54 da América Latina.

“Diante da volatilidade macroeconômica e do cenário regulatório em evolução, as famílias [latino-americanas] buscam estratégias resilientes que possam enfrentar a incerteza, ao mesmo tempo em que capturam oportunidades seletivas de crescimento”, disse Minniti em comentário à Bloomberg Línea por escrito.

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Em média, cada family office da pesquisa administra cerca de US$ 1,16 bilhão, e o patrimônio médio das famílias participantes é de US$ 1,6 bilhão.

Dentro de investimentos privados, o private equity lidera, com uma alocação média de 9,8%, seguido por real estate (7,4%) e investimentos de controle em empresas de capital fechado (6,1%).

Fundos multimercados aparecem com peso relativamente modesto, em torno de 4,7%, mesmo sendo vistos pelo JP Morgan como instrumentos importantes de diversificação em ambientes de maior volatilidade.

Ativos que têm sido destaque no noticiário financeiro recebem pouco espaço nos portfólios das famílias de alto patrimônio: sete em cada dez (72%) family offices globais não têm nenhuma exposição a ouro, e 89% não investem em criptoativos.

Entre os que investem, as alocações são residuais: em média, o ouro representa apenas 0,9% do portfólio global, e criptoativos, 0,4%.

O dado é especialmente relevante em um momento de elevada incerteza geopolítica e reforça que, ao menos para esse público, ouro e cripto não se consolidaram como proteções.

No plano geográfico, os investimentos seguem concentrados nos Estados Unidos. As ações de large caps americanas dominam a maior parcela de renda variável, tanto para family offices sediados no país quanto para os internacionais.

E isso mostra o desafio de redução da exposição de portfólios a ativos nos EUA em momento de aumento das incertezas que envolvem o país.

Fora dos EUA, os mercados desenvolvidos da Europa e do Reino Unido aparecem como o principal destino. Cerca de um terço dos family offices globais planejam aumentar exposição a esses mercados nos próximos 12 a 18 meses, impulsionados por temas como defesa, energia e infraestrutura.

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Já os mercados emergentes têm participação bem mais limitada. Mais da metade dos family offices não investe em ações de emergentes, incluindo a China, e a presença da América Latina é reduzida.

Entre os family offices pesquisados, 80% dizem que não investem na América Latina, e 17% dizem investir apenas entre 1% e 9% do seu portfólio na região.

O quadro é semelhante para outros mercados emergentes, que recebem um percentual limitado dos investimentos dos family offices.

Risco geopolítico

Quando questionados sobre os principais riscos para seus portfólios, a geopolítica aparece como o fator mais citado globalmente, à frente de juros, inflação, crescimento econômico e política comercial.

Aproximadamente 60% apontam a inflação como um dos principais riscos. Ainda assim, a resposta a esses riscos passa menos por ativos defensivos clássicos, como o ouro, e mais por uma ampliação da exposição a investimentos alternativos.

Entre os family offices que veem a inflação como o principal risco, a alocação média em ativos alternativos chega a quase 60%, cerca de 20 pontos percentuais acima da média global, segundo o JP Morgan.

O movimento reforça a visão de que, para essas famílias, o private equity, o crédito privado e o real estate são vistos como instrumentos mais eficazes de preservação de valor no longo prazo do que ouro ou criptoativos.

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Estudo do J.P. Morgan Private Bank ouviu 333 family offices globais, responsáveis por cerca de US$ 518 bilhões em patrimônio combinado (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
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‘Sonhamos grande sempre, mas executamos passo a passo’, diz CEO do PicPay após IPO

Depois de encerrar um jejum de mais de quatro anos sem IPOs de empresas brasileiras, o PicPay planeja avançar nos segmentos de pessoa física e jurídica, fazendo frente ao negócio de bancos tradicionais no país, em áreas disputadas também por players como Nubank, Mercado Pago, Inter e C6.

“Nos vemos como um banco grande, de PF e PJ, que atende múltiplos segmentos”, disse o CEO, Eduardo Chedid, em entrevista à Bloomberg Línea, no escritório da Nasdaq, em Nova York, após a abertura de capital na quinta-feira (29).

As ações do PicPay encerraram o seu primeiro pregão estáveis, a US$ 19 – o preço do topo da faixa da oferta –, depois de subirem até cerca de 3% durante o dia.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Eduardo Chedid fala sobre as iniciativas prioritárias do banco para crescer no mercado brasileiro após levantar US$ 434 milhões

O executivo, que anteriormente foi CEO da bandeira Elo (parceria de Banco do Brasil, Bradesco e Caixa) e trabalhou na Cielo e na Visa, tem liderado nos últimos cinco anos um trabalho para posicionar o PicPay como um banco digital com uma oferta variada de serviços, para além da carteira digital que deu origem à empresa.

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Em 2022, o PicPay obteve uma licença de banco múltiplo a partir de uma reorganização societária e assumiu a operação de varejo do Banco Original, que, assim como o PicPay, é controlado pela J&F, da família Batista.

A empresa passou a apostar no segmento de crédito – nas áreas de cartões, empréstimos pessoais, consignado e antecipação de FGTS – e também em seguros, em um esforço de diversificação dos negócios.

Eduardo Chedid, CEO do PicPay (centro), ao lado de Anderson Chamon (à esq.), cofundador e VP de Novos Negócios, e José Antonio Batista, chairman, no IPO da empresa na Nasdaq (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)

Mais recentemente, o banco digital tem expandido a oferta de serviços não financeiros para a sua base de 66 milhões de clientes.

Entre eles estão a criação uma plataforma de compra de pacotes de viagens e voos, por meio de uma parceria com a CVC, e também uma integração com a Rappi, para fazer pedidos de delivery de comida ou mercado diretamente no aplicativo do banco digital.

É uma estratégia que o CEO descreve como uma forma de ampliar o “ecossistema e a audiência”, de forma a fidelizar e aumentar a rentabilidade da base de clientes.

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Segundo Chedid, a maior parte dos US$ 434 milhões que o PicPay levantou em sua estreia na Nasdaq será destinada ”para aumentar o crescimento da empresa”, com uma fração separada para possíveis M&As (fusões e aquisições).

‘Sonhamos grande sempre’

O executivo afirmou que as áreas prioritárias que vão receber investimentos não mudam, em linha com uma estratégia que já tinha sido desenhada.

“É um pouco do que já estamos fazendo, com o crescimento que temos tido em produtos de crédito”, disse. “Também temos investido na área de PJ, pequenas e médias empresas, e na área de audiência e ecossistemas.”

Sobre a estratégia de M&A, Chedid disse que o perfil das possíveis empresas a serem adquiridas não muda, e que o PicPay continuará a buscar negócios que podem ajudar a acelerar o lançamento e trazer novos produtos para o portfólio da empresa.

“Sonhamos grande sempre, mas executamos no passo a passo”, disse.

Fintech controlada pela família Batista levantou US$ 434 milhões em abertura de capital (Foto: Filipe Serrano/Bloomberg)

“São sempre empresas que podem agregar em time to market ou em algum produto que a empresa não tenha. E que acabam se beneficiando do acesso a uma base enorme de clientes. Porque, hoje em dia, conquistar clientes é cada vez mais difícil. Portanto, nós também somos um bom parceiro.”

No plano de expansão de crédito, Chedid disse que pretende aumentar a penetração dos produtos na base dos clientes, buscando manter um equilíbrio entre aqueles com garantias - de menor risco - e sem.

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O executivo disse que o banco digital buscará manter uma taxa de absorção de perdas (loss absorption ratio) em torno de 50%. “Isso significa que eu poderia ter o dobro da minha perda esperada e, mesmo assim, ficar no breakeven. É uma métrica importante para a empresa no crédito. É um colchão para a volatilidade.”

O PicPay protagonizou a primeira abertura de capital de uma empresa brasileira desde que o Nubank concluiu o seu IPO em dezembro de 2021 na NYSE (Bolsa de Nova York), em um momento favorável para ativos de países emergentes.

Segundo André Cazotto, diretor de relações com investidores, a listagem nos Estados Unidos dá a possibilidade de acessar investidores internacionais que já estão acostumados com o modelo de negócio de banco digital.

“Apesar de termos um foco 100% no Brasil, a tese do PicPay é global. É uma tese de banco digital que você vê em vários outros mercados. E é uma tese que é palatável para esse investidor”, disse.

O resultado da oferta, que foi precificada no topo da faixa de preço e contou com uma demanda 12 vezes maior do que o número de papéis colocados à venda, segundo a Bloomberg News, foi considerado animador pelo executivo.

“Sempre fica aquele receio de como, de fato, vai ser. Mas quando olhamos para o que o que houve de oversubscription da oferta, com mais de 200 investidores, com essa diversificação, é um saldo muito positivo”, afirmou.

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PicPay em destaque em painéis eletrônicos na Times Square, em Nova York, na manhã do IPO da empresa na Nasdaq nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026 (Foto: Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
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PicPay aposta em crédito e vê espaço para ganhar fatia de grandes bancos após IPO

O PicPay pretende ampliar a rentabilidade da sua base de mais de 66 milhões de clientes, tendo o crédito como principal motor de crescimento, depois de concluir sua oferta pública inicial de ações (IPO) na Nasdaq nesta quinta-feira (29).

Segundo o CEO, Eduardo Chedid, a fintech planeja continuar a executar a estratégia de expandir produtos como cartão, empréstimo consignado público e privado, antecipação de FGTS e outras áreas de crédito para ampliar sua carteira.

“Temos 6% de share of wallet desses clientes. Há 94% para tentar conquistar. O que significa que, sim, tem espaço [para crescer]”, disse o CEO em entrevista a jornalistas em Nova York, após a cerimônia de abertura de capital na bolsa americana que reúne empresas de tecnologia.

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A fintech, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista por meio da J&F Investimentos - e presentes no simbólico ato de toque do sino para abrir o pregão no prédio da Nasdaq na Times Square -, levantou cerca de US$ 434 milhões em seu IPO, precificando as ações (PICS) no topo da faixa indicativa, a US$ 19.

Os papéis abriram as negociações em alta de mais de 3% por volta das 12h15 no horário em Nova York. As ações subiam 1,39%, a US$ 19,27, por volta das 15h10 no horário local.

Eduardo Chedid, CEO, do PicPay: 'ainda tem muito espaço para os bancos digitais'  (Foto: Filipe Serrano/Bloomberg Línea)

A cerimônia de abertura contou com a presença de Wesley e Joesley Batista, além de membros da família, incluindo o sobrinho José Antônio Batista, presidente do conselho do PicPay.

Reunidos na Nasdaq, os irmãos Batista e seus familiares participaram do toque do sino da Nasdaq, às 9h30 no horário local.

Chedid, líder executivo do PicPay, reconheceu que as condições financeiras ainda apertadas no Brasil representam um desafio na estratégia de crédito, mas afirmou que a expansão ocorre sempre “de maneira progressiva”.

“O cliente entra conforme ele vai demonstrando o comportamento transacional. Daí adicionamos um ‘pouquinho’ de crédito. Conforme ele demonstra o comportamento em crédito, nós aumentamos o limite [de crédito] progressivamente.”

Outro segmento prioritário em que a empresa planeja avançar é como banco para pessoa jurídica. Chedid afirmou que o PicPay tem feito lançamentos de novos produtos para PJ para atrair essa base de clientes.

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Em outra frente, a empresa listou em seu prospecto o plano de montar uma frente de apostas esportivas. O CEO afirmou que a empresa pediu a licença para atuar como “bet” e que aguarda o resultado da solicitação.

“Pedimos a licença e ainda não sabemos quando [vamos começar], porque depende disso. Mas a nossa ideia é focar em apostas esportivas, que está muito mais dentro do dia-a-dia do brasileiro. Tem Copa do Mundo vindo aí”, disse.

Painel eletrônico na Times Square, em Nova York, na manhã do IPO do PicPay na Nasdaq em 29 de janeiro de 2026 (Foto: Filipe Serrano/Bloomberg Línea)

Sobre a possibilidade de fusões e aquisições (M&A) para acelerar o crescimento inorgânico, o executivo disse que o PicPay tem seguido ao longo de sua trajetória uma “filosofia” de buscar empresas que poderiam diminuir o time to market de novas apostas de produtos e que tivessem “capital intelectual muito bom”.

Foi o caso, segundo ele, de empresas adquiridas como o GuiaBolso (app de finanças pessoais), o BxBlue (crédito consignado) e a Kovr (seguros).

No momento em que outros bancos, como Nubank, BTG Pactual e Inter, buscam avançar no mercado dos Estados Unidos com uma licença bancária, o PicPay reiterou que não tem planos no momento de crescer internacionalmente e que pretende continuar a expansão no Brasil.

“Pelos próximos dois, três anos, vamos estar exclusivamente focados no Brasil”, disse Chedid.

“Se você olhar o profit pool do mercado, aproximadamente 70% continuam concentrado em cinco bancos. Isso vem caindo? Vem. Mas nós acreditamos que ainda tem muito espaço para os bancos digitais.”

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A partir da esq., Joesley Batista, Anderson Chamon (cofundador e VP), Eduardo Chedid (CEO), Jose Antonio Batista (chairman) e Wesley Batista na cerimônia de estreia do PicPay na Nasdaq nesta quinta-feira (29 de janeiro) (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
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