As ações do Nubank (NU) subiram nas negociações após o fechamento do mercado, depois que o banco digital divulgou resultados trimestrais melhores do que o esperado, impulsionados por uma maior rentabilidade e pelo crescimento de seu negócio de crédito.
O relatório mostrou que o grupo continua transformando sua expansão comercial em maiores lucros, ao mesmo tempo em que aprofunda seu relacionamento com os clientes atuais. A empresa também destacou avanços no México, onde lançou oficialmente seu banco neste mês e atingiu 16 milhões de clientes em julho.
As ações subiam 8,40% nas negociações após o fechamento do mercado.
Os resultados são divulgados em um momento em que os investidores acompanham de perto a capacidade do Nubank de ampliar sua carteira sem prejudicar significativamente a qualidade do crédito.
A evolução da inadimplência apresentou sinais contraditórios, embora a rentabilidade tenha atingido novas máximas.
O lucro líquido foi de US$ 1,061 bilhão no segundo trimestre, um valor superado pela primeira vez pelo Nubank em um período de três meses, após um aumento de 67% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Além disso, o resultado superou os US$ 949,6 milhões esperados pelos analistas. Em comparação com o primeiro trimestre, o lucro cresceu 17%.
A receita contábil atingiu US$ 5,513 bilhões, superando os US$ 5,375 bilhões previstos pelo consenso da Bloomberg. O valor registrou um aumento de cerca de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Atualmente, estamos gerando mais de US$ 1 bilhão em lucro líquido trimestral”, afirmou David Vélez, fundador e CEO global do Nubank, no comunicado de resultados.
Vélez também destacou a expansão internacional da empresa. “No início deste mês, lançamos nosso banco no México, tornando-nos o maior banco digital do país, com 16 milhões de clientes”, afirmou.
A rentabilidade também melhorou. O retorno sobre o patrimônio líquido, ou ROE, fechou o trimestre em 33%, contra 29% no primeiro trimestre e 28% registrados um ano antes.
Base de clientes
O crescimento foi acompanhado por um aumento na atividade dos clientes. O Nubank conquistou cerca de quatro milhões de usuários durante o trimestre e encerrou junho com cerca de 139 milhões em todo o mundo, um aumento de 13% em relação ao ano anterior.
O Brasil continua sendo o principal mercado da empresa, com quase 118 milhões de clientes. No entanto, o Nubank acelerou sua expansão internacional, especialmente no México, onde atingiu 15,8 milhões de usuários no final do trimestre e chegou a 16 milhões em julho.
“No início deste mês, lançamos nosso banco no México, tornando-nos o maior banco digital do país, com 16 milhões de clientes”, afirmou Vélez.
A empresa acredita que se tornar um banco de grande porte no México lhe permitirá ampliar sua oferta para além do crédito. O Nubank já atinge 16,5% da população adulta mexicana e destacou que seus clientes no país estão gerando receita mais rapidamente do que os brasileiros em uma fase comparável de expansão.
Na Colômbia, o Nubank ultrapassou os 5 milhões de clientes e encerrou o trimestre com US$ 3,3 bilhões em depósitos. O mercado mantém um ritmo constante de captação de usuários, segundo a empresa.
A carteira total de cartões e empréstimos aumentou 37% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 39 bilhões. Os depósitos, outro elemento importante para financiar essa expansão, cresceram 18% e atingiram US$ 45,3 bilhões.
Qualidade do crédito
A qualidade do crédito apresentou sinais contraditórios. A inadimplência entre 15 e 90 dias caiu para 4,8%, ante 5% no trimestre anterior, enquanto os empréstimos com atrasos superiores a 90 dias aumentaram para 6,9%, ante 6,5%.
O Nubank atribuiu grande parte desse aumento a fatores sazonais. Ao mesmo tempo, o custo do crédito diminuiu 9% em relação ao primeiro trimestre, apesar de a empresa continuar se expandindo deliberadamente para segmentos de crédito de maior risco e potencial de retorno.
A inteligência artificial também ocupa um espaço cada vez maior na estratégia do banco. O Nubank informou que seu modelo NuFormer já participa de decisões relacionadas a crédito, atendimento ao cliente e crescimento, utilizando mais de uma década de dados transacionais.
Segundo a empresa, agentes de inteligência artificial já gerenciam mais de 60% das conversas de atendimento ao cliente no Brasil, com um desempenho que o Nubank considera igual ou superior ao de um ser humano.
A reação positiva das ações refletiu o foco dos investidores no crescimento dos lucros, na melhoria da rentabilidade e no avanço do negócio de crédito, enquanto o Nubank tenta transferir para o México parte do modelo que impulsionou sua expansão no Brasil.
Investidores acompanham a capacidade do Nubank de ampliar sua carteira sem prejudicar significativamente a qualidade do crédito. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)
O Nubank (NU) divulgará seus resultados do segundo trimestre nesta quinta-feira (13), após o fechamento da Wall Street, com o mercado atento ao crescimento do crédito, às margens e à qualidade dos ativos. O consenso compilado pela Bloomberg aponta para mais um trimestre de expansão.
Os analistas esperam uma receita de US$ 5,38 bilhões, um aumento de 65,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, e um lucro líquido ajustado de US$ 990,9 milhões, um aumento de 63,4%. O lucro por ação ajustado ficaria em US$ 0,199, com um crescimento de 60,8%.
O cenário inicial continua favorável. O Nubank superou as expectativas do consenso em relação ao lucro por ação ajustado nos últimos oito trimestres, de acordo com dados da Bloomberg. Em relação à receita, superou as previsões em seis dos últimos oito períodos, enquanto no lucro líquido ajustado, superou-as em sete.
Gabriel Gusan, analista sênior da Bloomberg Intelligence, considera que “o Nubank provavelmente manteve um crescimento sólido no segundo trimestre, com o consenso apontando para um lucro ajustado superior em relação ao trimestre anterior”.
O analista espera uma recuperação da margem de juros líquida ajustada pelo risco e a continuidade da expansão do crédito. As recuperações relacionadas ao programa Desenrola no Brasil poderiam dar um impulso, embora o México e a evolução dos empréstimos figuram entre os pontos que requerem atenção.
Fatores-chave para os resultados do Nubank
O Bradesco BBI projeta um lucro líquido de US$ 975 milhões, um aumento de 11,9% em relação ao trimestre anterior e de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior. Analistas do banco esperam ainda que a carteira de empréstimos cresça 8% em relação ao trimestre anterior e 48% em relação ao mesmo período do ano anterior, embora o ritmo de crescimento deva desacelerar em relação aos 54% registrados no primeiro trimestre.
Marcelo Mizrahi, analista do Bradesco BBI, prevê que a margem de juros líquida ajustada pelo risco alcance 10,5%, com uma expansão de 100 pontos-base em relação ao trimestre anterior. As despesas operacionais, no entanto, exerceriam pressão sobre o índice de eficiência.
O Bradesco BBI estima uma deterioração trimestral de 130 pontos-base nesse indicador, principalmente devido a uma maior remuneração baseada em ações.
Também prevê uma alíquota efetiva de imposto mais elevada, após os benefícios fiscais da Lei do Bem, que concederam incentivos fiscais às empresas brasileiras que realizam investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica e que tiveram impacto no primeiro trimestre.
O UBS apresenta uma análise positiva para o período. Thiago Batista, Beatriz Shinye e Kaio Prato afirmam que “o segundo trimestre pode ser um momento especialmente favorável para a Nu”, apoiado por uma normalização do custo de risco e por uma evolução sólida da receita líquida de juros.
Os dados do Brasil analisados pelo UBS mostraram que a inadimplência precoce no setor de cartões de crédito permaneceu estável, em 3,2%, enquanto nos empréstimos pessoais aumentou 10 pontos-base, chegando a 5,5%. No primeiro trimestre, os aumentos haviam sido de 60 e 20 pontos-base, respectivamente.
A inadimplência de prazo mais longo oferece uma outra perspectiva. Os empréstimos pessoais e os cartões de crédito registraram aumentos trimestrais de 80 e 40 pontos-base , atingindo 10,5% e 9,5%, respectivamente. O UBS atribui parte dessa variação à sazonalidade habitual do segundo trimestre.
O Desenrola, um programa do governo para renegociar dívidas de consumidores inadimplentes, pode mudar esse quadro. O JPMorgan (JPM) observou, em junho, uma queda mensal de 240 a 290 pontos-base na inadimplência de cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia de salário no segmento S2, que agrupa instituições financeiras de grande porte, embora tenha alertado que os dados possam estar incompletos.
Para o banco, os investidores prestarão mais atenção a possíveis sinais de desaceleração do crédito e às orientações da administração sobre a qualidade dos ativos, sem o efeito do Desenrola. O banco mantém sua recomendação overweight e estabelece para o Nubank um preço-alvo de US$ 20.
México avança, mas a qualidade do crédito preocupa
O México será outro ponto de destaque nos resultados, embora seu peso nos lucros consolidados ainda seja reduzido. O Nubank México encerrou o segundo trimestre com um lucro líquido de MXN$ 126 milhões (cerca de US$ 7 milhões), seu segundo trimestre consecutivo com lucros.
O Bradesco BBI destacou que os empréstimos aumentaram 8% em relação ao trimestre anterior e a receita líquida de juros, 7%. As provisões, por outro lado, cresceram 18%, o que provocou uma contração de 20% na receita líquida de juros ajustada pelo risco.
A taxa de inadimplência no México aumentou 90 pontos-base, chegando a 6,6%. Ao mesmo tempo, o índice de eficiência melhorou para 26,8%, ante 28,9% no trimestre anterior, ficando bem abaixo dos 64% registrados no quarto trimestre de 2025.
O JPMorgan também identifica essa dualidade. O banco considera que os investidores pessimistas podem se concentrar nas maiores provisões, na fraqueza das comissões e na menor margem ajustada pelo risco, enquanto uma visão de longo prazo pode se concentrar na continuidade dos lucros e na licença bancária.
Os dados divulgados após o encerramento do trimestre mantêm essa atenção voltada para o crédito. O Citi (C) informou que a carteira mexicana atingiu cerca de MXN$ 36,5 bilhões (cerca de US$ 2,1 bilhões) em julho, um aumento de 2,3% em relação ao mês anterior e de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto os empréstimos S3, uma categoria de créditos vencidos ou inadimplentes, atingiram 7%.
Mesmo assim, Gustavo Schroden, do Citi, considera que “a notícia pode ser positiva, principalmente porque vemos o México como um elemento central do crescimento dos lucros do Nubank”. A empresa também destacou que o segundo trimestre foi o segundo consecutivo com resultado positivo antes dos impostos.
As perspectivas não se limitam ao trimestre. O UBS mantém sua recomendação de compra e um preço-alvo de US$ 16,90. A empresa avalia o Nubank em 13,7 vezes os lucros estimados para 2027, o que representa um desconto em relação a outras fintechs globais, apesar das expectativas semelhantes de crescimento dos lucros.
O Bradesco BBI também mantém uma visão positiva e define seu preço-alvo em US$ 17. O Citi, por sua vez, tem uma meta de US$ 14,50, ao mesmo tempo em que acompanha a construção de uma plataforma global, a expansão internacional e a aplicação de inteligência artificial em crédito e processos bancários.
No Brasil, o JPMorgan identifica os clientes de renda média como uma das principais fontes de crescimento marginal. O Nubank lançou o Croma para esse segmento, com benefícios maiores do que o Nubank+, embora o banco ainda não tenha incorporado o impacto sobre o lucro por ação em suas estimativas.
A Colômbia contribui com mais um elemento para a expansão regional. O Citi indicou que o Nubank continua ganhando participação no mercado de empréstimos e depósitos, com uma participação de 6% nos depósitos de pessoas físicas e certificados de depósitos a prazo, enquanto o México ganha relevância e a oportunidade nos Estados Unidos permanece em um estágio menos definido.
O consenso compilado pela Bloomberg refleteuma posição amplamente favorável: 18 dos 22 analistas, ou seja, 81,8%, recomendam comprar ações do Nubank; dois aconselham manter e outros dois, vender. O preço-alvo médio para os próximos 12 meses é de US$ 17,59. Considerando o preço atual de US$ 13,50, esse preço-alvo representa um potencial de valorização de 30,3%.
Os resultados terão como principais variáveis a normalização do custo de risco, a margem ajustada pelo risco e o ritmo de expansão do crédito. A atenção também estará voltada para a qualidade dos ativos no Brasil e no México, especialmente após os sinais de aumento da inadimplência no mercado mexicano e o efeito do programa Desenrola sobre os indicadores brasileiros.
O preço-alvo médio das ações do Nubank é de US$ 17,59, indicando um potencial de valorização de 30,3% ante o preço atual de US$ 13,50. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)
A trajetória do dólar voltará a depender de dois dados da inflação nos Estados Unidos antes da reunião de setembro do Federal Reserve. Para o ING, essas divulgações definirão se as moedas da América Latina manterão o ímpeto recente ou enfrentarão uma mudança de tendência.
O banco, que atualizou nesta quinta-feira (6) suas projeções para o dólar, afirmou que o cenário “depende em grande medida de dois dados moderados do IPC dos Estados Unidos antes da reunião do FOMC”. Caso esses números não sejam alcançados, alertou que isso provavelmente indicaria um aumento das taxas pelo Fed e um dólar mais forte.
O próximo dado de inflação dos Estados Unidos, referente a julho, será divulgado em 12 de agosto, e o número de agosto será publicado em 11 de setembro. Na última leitura disponível, referente a junho, a inflação anual ficou em 3,5%, abaixo dos 3,8% esperados pelo mercado.
Essa expectativa se soma a outro ponto que o mercado cambial acompanha de perto: a evolução das tensões no Golfo Pérsico e o impacto que elas podem ter sobre a inflação norte-americana.
Por isso, Chris Turner, analista do ING, afirmou que os mercados cambiais estão “presos entre os acontecimentos no Golfo e a reunião decisiva do Federal Reserve em 16 de setembro”, enquanto o mercado aguarda os dois novos dados de inflação antes da decisão do banco central.
Para o ING, existe “um caminho muito estreito, que defendemos, de preços mais baixos da energia e uma política inalterada do Fed que leve a um enfraquecimento benigno do dólar”.
Nesse cenário base, o banco mantém sua expectativa de que o euro se valorize em relação ao dólar até o final do ano e considera que um Fed inalterado também favoreceria novos ganhos para as moedas desenvolvidas de maior rendimento e para as moedas emergentes.
Destaque para três moedas em LatAm
Na América Latina, o ING focou sua análise no real (USDBRL), no peso mexicano (USDMXN) e no peso chileno (USDCLP). O banco afirmou que as moedas da região “têm se mantido relativamente estáveis e continuam superando suas acentuadas curvas forward”.
Turner indicou que “o elevado carry do Brasil continua atraente”, embora tenha pedido que se mantenha a atenção nas notícias políticas antes das eleições presidenciais de outubro.
O ING acrescentou que, caso se confirme seu cenário de um Fed sem aumentos nas taxas, “o real deve continuar em alta”. As projeções apontam para uma taxa de câmbio de R$5,15 em um e três meses, R$5 em seis meses e R$4,75 em um horizonte de doze meses, um cenário que reflete uma valorização gradual do real em relação ao dólar.
Além disso, Turner afirmou que “tanto o peso mexicano quanto o peso chileno parecem bastante estáveis”. Se o Fed mantiver as taxas, o ING espera que a taxa de câmbio mexicana volte a testar a parte inferior da faixa recente, embora tenha lembrado que “o Banxico não gosta de um câmbio abaixo de MXN$17”.
A instituição também identifica uma eventual renegociação do T-MEC e um aumento das taxas pelo Fed entre os riscos para o peso. Para a moeda, a instituição projeta uma taxa de câmbio de MXN$17,25 em um, três, seis e doze meses, uma previsão que aponta para um comportamento estável da taxa de câmbio.
Em relação ao Chile, o ING considera que o peso poderia se fortalecer se o cobre mantiver sua alta. Turner escreveu que “o peso chileno poderia tentar avançar em direção a CLP$ 900 se o cobre conseguir ultrapassar os US$ 14.000 por tonelada”.
O banco acrescentou que a atenção também estará voltada para as decisões de Washington sobre as tarifas sobre o cobre, já que o efeito sobre a moeda chilena dependerá de as exportações do país serem isentas ou não.
Assim, os próximos dados sobre a inflação nos Estados Unidos definirão o tom para o dólar e, ao mesmo tempo, colocarão à prova se o cenário previsto pelo ING para o real, o peso mexicano e o peso chileno conseguirá se manter nos próximos meses.
A Ecopetrol informou que concluiu com sucesso o leilão da Oferta Pública de Aquisição Voluntária (OPAV) para adquirir 25% das ações ordinárias da brasileira Brava Energia (BRAV3), em um passo fundamental para concretizar a aquisição de uma participação controladora de 51% da empresa.
A operação foi realizada por meio de sua subsidiária Ecopetrol Investimentos do Brasil LTDA na B3, onde adquiriu 116,1 milhões de ações da Brava ao preço de R$ 23 por ação, após cumprir os requisitos regulatórios e as condições estabelecidas.
A empresa informou que a liquidação e o pagamento da OPAV estão previstos para 17 de agosto. Nesse mesmo dia, ela espera formalizar o contrato de compra e venda de ações assinado em 23 de abril com um grupo de acionistas relevantes que detém cerca de 26% da Brava, avançando assim na aquisição de 51% do capital com direito a voto.
A operação ocorre em um momento de forte valorização da Ecopetrol nos mercados. O ADR da petrolífera acumula um ganho de 60,37% no que vai de 2026 até o momento, impulsionado principalmente pela alta nos preços internacionais do petróleo, enquanto a ação listada na Bolsa de Valores da Colômbia registra alta de 38,77% no mesmo período.
A Brava Energia também apresenta um desempenho positivo na bolsa. Suas ações estão sendo negociadas em torno de R$ 19,45 e acumulam uma alta de 16,68% no ano. O preço oferecido pela Ecopetrol na OPAV, de R$ 23 por ação, representa um prêmio em relação à cotação atual do mercado.
“A realização bem-sucedida do leilão constitui um marco fundamental na transação anunciada por este meio no último dia 23 de abril, relacionada à aquisição de uma participação controladora de 51% do capital social com direito a voto na Brava”, afirmou a petrolífera colombiana em um comunicado.
Como será feito o financiamento?
A Ecopetrol informou que a compra será financiada inicialmente por meio de um crédito de curto prazo contratado pela Ecopetrol Capital AG nos termos da legislação de Nova York, recursos esses que serão repassados à Ecopetrol Investimentos do Brasil LTDA por meio de um empréstimo entre empresas.
Posteriormente, esse financiamento será refinanciado por meio de uma combinação de dívida de longo prazo e recursos próprios, com o objetivo de preservar uma estrutura de capital compatível com suas metas de alavancagem e classificação de crédito.
O Citi mantém uma visão positiva em relação à Brava. O banco estabeleceu um preço-alvo de R$ 25 por ação para a petrolífera brasileira, acima dos R$ 23 por ação oferecidos pela Ecopetrol na OPAV
No entanto, ele alertou que os principais riscos para essa estimativa são o desempenho da produção de petróleo e gás, as discussões entre a administração e os acionistas e a estratégia de alocação de capital.
No caso da Ecopetrol, o Citi mantém um preço-alvo de US$ 18 por ADR, calculado com base em diferentes cenários relativos ao resultado das eleições na Colômbia.
A instituição destacou que sua classificação de alto risco “reflete a incerteza política, uma vez que um novo governo na Colômbia poderia demonstrar menor apoio ao setor de petróleo e gás”, uma situação que, segundo o banco, poderia afetar seu cenário básico de investimento diante de eventuais mudanças no marco regulatório.
O fortalecimento do El Niño a níveis que o Bank of America (BAC) considera potencialmente históricos poderia transformar a América Latina em uma das regiões mais expostas a um aumento da inflação, alterações na produção agrícola e maiores riscos para a política monetária.
O banco identificou a Colômbia, o Peru e o Brasil como as economias latino-americanas mais vulneráveis, ao passo que a Argentina enfrenta riscos significativos para sua safra de trigo e o Chile e o México apresentam uma exposição comparativamente menor.
Os modelos utilizados pela instituição indicam que o fenômeno atingirá sua intensidade máxima entre outubro e dezembro de 2026, coincidindo com momentos críticos para a agricultura mundial.
Daryna Kovalska, estrategista de commodities do BofA, afirma que “todos concordam que o El Niño está surgindo e provavelmente será muito forte”, uma situação que coincide com o plantio na América do Sul e com a colheita nos Estados Unidos e na Austrália.
Seu colega Antonio Gabriel, economista global do banco, afirma que, na América Latina, “a Colômbia e o Peru são os países mais afetados, seguidos pelo Brasil”, enquanto o impacto sobre outras economias da região é consideravelmente menor, de acordo com as estimativas do banco.
O BofA avaliou o efeito do El Niño por meio de um modelo de vetores autorregressivos (VAR) que incorpora crescimento econômico, inflação, taxas de juros, câmbio real e preços do petróleo, utilizando dados trimestrais entre 2004 e 2023.
A partir dessa análise, conclui-se que o principal canal de transmissão será o aumento dos preços dos alimentos e seus efeitos de segunda ordem sobre a inflação.
O estudo estima que um aumento de um desvio-padrão na intensidade do El Niño poderia elevar a inflação em até 0,9 ponto percentual na Colômbia e em cerca de 0,4 ponto no Peru, enquanto o Brasil também apresentaria uma resposta positiva, embora com menor significância estatística.
Em um episódio severo, equivalente a aproximadamente dois desvios-padrão, o banco calcula que o efeito poderia atingir até 1,8 ponto percentual adicional de inflação na Colômbia e cerca de 0,8 ponto no Peru.
Gabriel alerta que “o El Niño pode afetar a inflação por meio dos preços dos alimentos e de efeitos de segunda ordem”, um risco que, segundo o relatório, ganha maior relevância por coincidir com preços de fertilizantes ainda elevados.
Quando a análise se concentra exclusivamente nos alimentos, a sensibilidade aumenta. O BofA estima que um choque equivalente a um desvio padrão poderia elevar a inflação dos alimentos em cerca de 1,4% na Colômbia e 1,2% no Peru, enquanto o Brasil também registraria um aumento significativo próximo a 1,3%, embora sem evidência estatística conclusiva.
O relatório também identifica uma particularidade para a Colômbia no mercado de energia. Embora o impacto do El Niño sobre os preços da energia seja heterogêneo entre os países, o banco estima que a Colômbia poderia sofrer um aumento próximo a 1,3%, um comportamento que não é observado com a mesma clareza no restante da América Latina.
O banco considera que essas diferenças “podem ser decorrentes do impacto divergente das flutuações de temperatura e das precipitações em diferentes latitudes”, uma vez que ambas “podem afetar a geração de energia ou o comportamento da demanda por energia em alguns países”.
O Chile e o México também aparecem na análise econométrica, mas os resultados não mostram um impacto estatisticamente significativo sobre a inflação geral. Em ambos os casos, a resposta estimada é consideravelmente inferior à observada para a Colômbia e o Peru.
Agricultura sob pressão
Além da inflação, o BofA considera que o maior impacto econômico poderia se concentrar na agricultura, uma vez que o calendário previsto para o El Niño coincide com fases especialmente sensíveis das culturas.
O banco explica que o Brasil enfrentará a fase mais intensa do fenômeno durante o plantio da soja e do milho. As chuvas irregulares costumam atrasar o plantio da soja, reduzem o período de desenvolvimento do milho da segunda safra (safrinha) e aumentam a exposição a condições climáticas adversas.
Como consequência, o BofA projeta que a safra brasileira de milho poderá diminuir cerca de 10% em relação ao ano anterior durante a campanha 2026/27. O relatório lembra ainda que, em episódios intensos anteriores, a produção caiu 21% em 2015/16 e 12% em 2023/24.
O açúcar também está entre os produtos vulneráveis. A analista Daryna Kovalska destaca que “a produção de açúcar do Brasil também está em risco e pode cair cerca de 5% em relação ao ano anterior em 2026/27”, devido ao excesso de chuvas no centro-sul do país, o que reduz os dias efetivos de moagem e diminui o teor de sacarose da cana.
A Argentina surge como outro foco de preocupação para o mercado agrícola. Segundo o BofA, cerca de 10 milhões de toneladas da produção de trigo, equivalentes a aproximadamente 35% da safra prevista, ficariam expostas aos efeitos do fenômeno.
O banco lembra que episódios intensos do El Niño têm provocado, historicamente, reduções na área plantada e rendimentos menores devido a chuvas excessivas e inundações.
Um fenômeno que traz novos riscos
O BofA considera que a conjuntura de 2026 apresenta um elemento diferenciador em relação a outros episódios do El Niño: o alto preço dos fertilizantes.
Kovalska afirma que “desta vez, os riscos de um El Niño severo poderiam se somar aos preços elevados dos fertilizantes”, após a alta registrada na sequência da guerra entre o Irã e Israel e da elevada dependência do comércio mundial de fertilizantes que atravessa o Estreito de Ormuz.
O banco acrescenta que essa combinação pode aumentar a pressão sobre os custos agrícolas justamente quando os produtores sul-americanos se preparam para o plantio, aumentando a vulnerabilidade da oferta de alimentos e reforçando as pressões inflacionárias.
Embora a análise não encontre evidências de um impacto agregado relevante sobre o crescimento econômico, ela alerta que alguns setores podem sofrer alterações significativas.
Gabriel destaca que não foi encontrado “um impacto significativo do El Niño sobre o crescimento do PIB, pelo menos em termos agregados”, embora o próprio relatório precise que a agricultura constitui uma das atividades mais expostas.
As próximas atualizações sobre a intensidade do fenômeno, a evolução das chuvas durante a safra agrícola sul-americana e o comportamento dos preços internacionais dos alimentos serão alguns dos fatores que determinarão se os riscos identificados pelo BofA acabarão se refletindo na inflação e na produção agrícola da América Latina.
O BofA considera que o El Niño se fortalecerá de forma histórica, com máxima intensidade esperada entre outubro e dezembro de 2026. (Foto: Dado Galdieri)
O retorno do preço do petróleo acima dos US$ 100 por barril voltou a colocar sob pressão a inflação e o crescimento mundial. A esse risco, somam-se agora um comércio internacional fragmentado e um episódio do El Niño que pode se tornar um dos mais intensos das últimas décadas.
A combinação desses três elementos não significa que o cenário mais adverso venha a se concretizar, mas aumenta a probabilidade de novos choques de oferta capazes de se refletir nos preços da energia, dos alimentos e do transporte.
A preocupação não se deve apenas ao efeito individual de cada um deles, mas à possibilidade de que eles coincidam em um momento em que a inflação ainda permanece acima das metas de vários bancos centrais.
Henry Allen, analista do Deutsche Bank, alertou que “um episódio muito intenso do El Niño representaria mais um choque negativo na oferta, em um momento em que a economia mundial tem margem limitada para absorver tal impacto”.
O relatório acrescenta que essa ameaça ganha maior relevância, pois coincide com as tensões no setor energético decorrentes do conflito no Oriente Médio e com as pressões que as cadeias globais de abastecimento ainda enfrentam.
Os analistas concordam que o petróleo representa hoje o risco mais imediato, enquanto as tarifas parecem ter perdido a capacidade de alterar o cenário, apesar dos anúncios da semana passada, e o El Niño surge como um fator capaz de ampliar as pressões sobre os alimentos, a energia e a inflação nos próximos meses.
Petróleo volta a ser risco
O Brent voltou a ultrapassar os US$ 100 por barril na última quinta-feira, depois que os ataques dos houthis contra petroleiros sauditas no Mar Vermelho aumentaram o temor de novas interrupções no abastecimento. Essa escalada abriu uma nova frente para o mercado, que já lidava com as restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz e com uma oferta cada vez mais escassa.
Embora a maioria das projeções não preveja que o preço do petróleo se mantenha em US$ 120 por barril, vários bancos de investimento consideram que uma prolongação do conflito, acompanhada de danos à infraestrutura energética, poderia levar o mercado de volta a esse nível.
Para Ziad Daoud, analista da Bloomberg Economics, “uma nova espiral poderia afetar uma parte ainda maior da infraestrutura energética e das rotas de exportação da região”. Segundo seus cálculos, “em um cenário extremo, uma interrupção generalizada dos fluxos de petróleo do Oriente Médio poderia elevar o preço do petróleo bruto para US$ 120 por barril”.
A Bloomberg Economics estima que entre 8 e 10 milhões de barris por dia ainda possam chegar ao mercado por rotas diferentes do Estreito de Ormuz, mas alerta que o maior risco agora se concentra em infraestruturas como o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e em corredores alternativos como Bab el-Mandeb.
A empresa estima que uma interrupção simultânea de várias dessas rotas elevaria o preço em cerca de US$ 29 por barril em relação aos níveis atuais.
As consequências iriam muito além do mercado de energia. Um petróleo mais caro elevaria os custos do transporte, dos combustíveis, dos fertilizantes e de parte das cadeias de abastecimento, ao mesmo tempo em que dificultaria o processo de desinflação que várias economias desenvolvidas começavam a consolidar.
Warren Patterson, responsável pela estratégia de commodities do ING, afirmou que “se essas interrupções no abastecimento continuarem durante o mês de agosto, acredito que seja apenas uma questão de tempo até atingirmos US$ 120 por barril”.
Essa avaliação se baseia em um mercado com estoques comerciais mais baixos, uma Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos mais reduzida e uma capacidade limitada de compensar interrupções prolongadas.
Enquanto o petróleo voltou a ocupar o centro das preocupações, o risco associado às tarifas parece ter perdido intensidade do ponto de vista macroeconômico, embora continue redefinindo o panorama comercial.
A nova estrutura anunciada pelo governo dos Estados Unidos na semana passada estabelece tarifas entre 10% e 12,5% para a maioria de seus principais parceiros comerciais.
Na América Latina, Argentina, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México e Trinidad e Tobago ficaram com uma tarifa de 10%, ao passo que Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guiana, Nicarágua, Peru, Uruguai, Venezuela, Bahamas e República Dominicana enfrentarão uma tarifa de 12,5%.
Apesar dessas mudanças, o UBS considera que o efeito agregado será reduzido, pois a maior parte do impacto inflacionário associado às tarifas já foi repassada aos preços dos bens. A instituição espera que a recente desaceleração da inflação dos bens continue durante o restante do ano e contribua para um processo adicional de desinflação subjacente.
O Goldman Sachs chegou a uma conclusão semelhante. O banco calculou que a nova estrutura tarifária deixará a alíquota efetiva das tarifas dos Estados Unidos praticamente inalterada e mantém sua expectativa de que esse indicador permaneça estável até o final de 2026. Alguns países registrarão ajustes individuais, mas a modificação agregada é limitada.
Isso não significa que o comércio internacional tenha deixado as tensões para trás. As novas tarifas consolidam um ambiente de maior fragmentação comercial e obrigam as empresas e as cadeias produtivas a continuar se adaptando a um esquema de custos diferente, mesmo que o impacto adicional sobre a inflação seja menor do que o observado após os primeiros anúncios comerciais.
Enquanto os mercados acompanham de perto a evolução do conflito no Oriente Médio, vários analistas identificam um risco adicional que poderia ganhar força durante o segundo semestre: um episódio do El Niño que, segundo as previsões, está entre os mais intensos desde meados do século passado.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima uma probabilidade de 81% de que, entre outubro e dezembro, ocorra um evento muito intenso, e uma probabilidade de 97% de que essas condições se mantenham até o início de 2027.
Allen destacou que “um episódio muito intenso do El Niño significa que é mais provável que ele altere simultaneamente os padrões de chuva e temperatura em várias regiões”.
O analista acrescentou que “um choque alimentar moderado pode ser absorvido por meio de estoques, importações ou substituição, mas um choque de grande magnitude que se espalhe por vários países não pode ser absorvido com a mesma facilidade”.
O ING considera que parte da preocupação em torno do El Niño foi exagerada quando se analisa a produção agrícola mundial. Patterson e Thijs Geijer afirmam que “o impacto do El Niño sobre a produção agrícola mundial é bastante limitado”, embora alertem que a região da Ásia-Pacífico enfrenta uma exposição consideravelmente maior.
O relatório identifica riscos para o trigo australiano, o óleo de palma da Indonésia e da Malásia, o açúcar da Índia e da Tailândia, o arroz e a aquicultura asiática. Além disso, o relatório lembra que as restrições à pesca da anchoveta no Peru já provocaram um aumento superior a 75% nos preços da farinha de peixe, um dos principais insumos para a alimentação de peixes e camarões.
Para o Deutsche Bank, o alcance do fenômeno vai além dos alimentos. O relatório identifica possíveis impactos sobre a geração hidrelétrica, o transporte marítimo, as cadeias de suprimentos e a estabilidade macroeconômica de vários mercados emergentes.
O período de 2023 e 2024 fez com que o Canal do Panamá registrasse seu terceiro ano mais seco já registrado, o que obrigou a restrição do tráfego de navios por uma via que movimenta cerca de 5% do comércio marítimo mundial, lembra o Deutsche Bank.
O que esses riscos significam para a América Latina?
A combinação de preços mais altos do petróleo, um comércio internacional fragmentado e um episódio intenso do El Niño representa um desafio específico para a América Latina, pois seus efeitos não serão uniformes entre os países.
A Cepal considera que a região se encontra em uma posição relativamente mais favorável do que a Europa ou a Ásia, devido à presença de exportadores de hidrocarbonetos, a uma exposição comercial limitada ao Golfo Pérsico e a um mix energético com elevada participação de energias renováveis. No entanto, essa visão regional oculta diferenças importantes.
Em um cenário em que o preço do Brent se aproxima de US$ 115 por barril, o órgão estima que exportadores como Guiana, Trinidad e Tobago, Equador, Colômbia e Brasil melhorariam sua balança comercial. Em contrapartida, os países caribenhos importadores de energia enfrentariam uma deterioração equivalente a 1,3 ponto do PIB, enquanto a América Central, o Haiti e a República Dominicana registrariam um impacto negativo próximo a 2,4 pontos do PIB.
O Deutsche Bank alerta que o impacto é maior nas economias emergentes, onde os alimentos podem representar até um terço dos gastos das famílias, em comparação com os 8% do IPC dos Estados Unidos.
O relatório lembra que uma parte significativa do consumo nesses países é destinada a alimentos; por isso, qualquer aumento nos preços tem um efeito mais imediato sobre a inflação e o poder de compra.
O ING acrescenta que, embora o impacto global sobre a produção agrícola provavelmente seja limitado, as alterações regionais podem provocar restrições comerciais, mudanças nas cadeias de abastecimento e novas pressões sobre determinados produtos agrícolas.
Essa possibilidade ganha maior relevância quando o mercado de energia continua sob pressão e o comércio mundial opera em um contexto de maiores barreiras.
A evolução do conflito no Oriente Médio, a evolução dos preços do petróleo e a intensidade final do El Niño determinarão se esses três fatores permanecerão como riscos independentes ou acabarão se reforçando mutuamente. Essa interação marcará boa parte da trajetória da inflação, das matérias-primas e das perspectivas econômicas para a América Latina nos próximos meses.
Neymar vai disputar mais jogos na Copa do Mundo? Quantos gols serão marcados durante o torneio? Cristiano Ronaldo vai chorar antes de se despedir? Em plataformas como a Polymarket, essas perguntas se transformaram em contratos que movimentam dinheiro de verdade e atraem milhões de usuários dispostos a apostar no resultado de praticamente qualquer evento futuro, desde eleições presidenciais até decisões de bancos centrais.
Por trás desses mercados, está se formando um setor que, segundo projeções da Bloomberg Intelligence, deve atingir um volume de negócios de cerca de US$ 300 bilhões em 2026, contra os cerca de US$ 51 bilhões estimados para 2025.
Em seu cenário base, a atividade poderia chegar a US$ 1 trilhão por volta de 2030, impulsionada pela expansão de plataformas como a Polymarket e a Kalshi, que já captaram bilhões de dólares e atraíram a atenção de investidores e operadores financeiros.
Esse crescimento, no entanto, está encontrando resistência. Enquanto os mercados de previsão ganham escala e buscam se consolidar como uma nova categoria financeira, vários países da América Latina começaram a questionar se essas plataformas constituem instrumentos de mercado ou se, na prática, funcionam como apostas sujeitas às mesmas regras que os jogos online tradicionais.
A discussão já provocou bloqueios, ações judiciais e apelos por reformas regulatórias na região. Da Colômbia, onde foram adotadas medidas contra a Polymarket, até o Brasil e a Argentina, a preocupação gira em torno de uma mesma questão: quem deve supervisionar uma atividade que permite obter lucros econômicos com base em eventos futuros e incertos?
“A tendência que observamos internacionalmente não é proibir a inovação, mas buscar coerência regulatória”, disse André Gelfi, diretor, consultor e cofundador do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). “Esse provavelmente será um dos principais debates regulatórios no setor de apostas e jogos online na América Latina nos próximos anos.”
ABloomberg Intelligence considera que o setor está entrando em uma fase de expansão que poderia transformar os mercados de previsão em uma nova classe de ativos. O crescimento projetado equivale a um aumento de cerca de 1.900% em cinco anos e seria impulsionado por uma base de usuários que já não se limita ao ecossistema de criptomoedas.
Os mercados de previsão funcionam por meio da compra e venda de contratos vinculados a eventos futuros, conhecidos como “event contracts”. Cada contrato representa uma probabilidade de um resultado específico e gera um pagamento caso o evento ocorra.
A empresa afirma que a adoção está começando a se expandir para corretoras, plataformas financeiras e até mesmo potenciais participantes institucionais.
Além das apostas esportivas, a tese de crescimento aponta para contratos relacionados a eleições, políticas públicas, regulamentação, inflação, emprego, decisões dos bancos centrais e criptomoedas.
Nesse cenário, a Bloomberg Intelligence identifica a Polymarket e a Kalshi como as duas líderes do setor. A Kalshi foi avaliada em aproximadamente US$ 22 bilhões em uma rodada de financiamento realizada em maio de 2026, contra cerca de US$ 5 bilhões um ano antes. A Polymarket, por sua vez, atingiu uma avaliação próxima a US$ 15 bilhões.
A Kalshi opera sob a supervisão da Commodity Futures Trading Commission dos Estados Unidos (CFTC) e foi desenvolvida dentro do sistema financeiro regulamentado do país.
A Polymarket, por outro lado, surgiu no ecossistema das criptomoedas, utiliza infraestrutura de blockchain e conta com uma base global de usuários.
As eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2024 marcaram um ponto de inflexão para o setor.
A Polymarket registrou cerca de US$ 3,7 bilhões em volume negociado em contratos relacionados a essas eleições, enquanto a Kalshi recebeu mais de 500 milhões de visitas durante o processo eleitoral.
A Bloomberg Intelligence considera que a categoria com maior potencial estrutural é a dos contratos vinculados à política e à regulamentação. De acordo com o relatório, esses mercados poderiam representar 27% do volume total em 2030, o que equivale a cerca de US$ 266 bilhões.
A tese é relevante porque explica por que a indústria continua crescendo, mesmo quando enfrenta questionamentos sobre contratos, como os esportivos. A Bloomberg Intelligence estima que cerca de 90% da atividade atual da Kalshi provém do esporte, mas sustenta que o crescimento de longo prazo dependerá de categorias que não têm equivalentes diretos nos mercados financeiros tradicionais.
O avanço dessas plataformas coincide com uma reação cada vez mais visível por parte dos órgãos reguladores e das associações do setor de jogos de azar na América Latina.
No Brasil, Gelfi, do IBJR, afirma que o problema não reside na inovação tecnológica, mas na diferença entre as exigências regulatórias aplicadas aos operadores autorizados e às plataformas que oferecem produtos semelhantes sem licença.
Para Gelfi, “se dois produtos são semelhantes do ponto de vista econômico e da experiência do consumidor, devem seguir regras semelhantes”. Essa posição reflete uma preocupação compartilhada pelos operadores regulamentados, que estão sujeitos a requisitos de identificação de clientes, prevenção à lavagem de dinheiro, jogo responsável e tributação.
No Brasil, o governo decidiu intervir contra os mercados de previsão em abril de 2026, ao considerar que plataformas como Polymarket e Kalshi estavam oferecendo produtos que, na prática, funcionavam como apostas em resultados esportivos, políticos, eleitorais e outros eventos do mundo real.
As autoridades bloquearam o acesso a pelo menos 27 plataformas e aprovaram novas regras que limitam os contratos de derivativos exclusivamente a variáveis econômicas e financeiras, como taxas de juros, inflação ou taxas de câmbio.
A Argentina chegou a conclusões semelhantes. A Loteria da Cidade de Buenos Aires (LOTBA) promoveu uma investigação em conjunto com o Ministério Público Especializado em Jogos de Azar para analisar as atividades da Polymarket dentro de sua jurisdição.
A entidade explica que “a classificação de uma plataforma não depende de sua denominação comercial, mas sim de seu funcionamento real”.
A análise concentrou-se em determinar se os usuários assumiam risco econômico em relação a eventos futuros e incertos, com possibilidade de ganho ou perda — uma característica que, segundo a LOTBA, apresenta semelhanças com modalidades de apostas já regulamentadas.
A resposta da Argentina incluiu ordens de bloqueio contra a plataforma e uma estratégia mais ampla voltada para meios de pagamento, monitoramento digital e fiscalização de operadores não autorizados.
“A Polymarket não possui licença local para operar como plataforma de jogos ou apostas na Cidade de Buenos Aires, não está sujeita aos controles regulatórios argentinos e não comprova o cumprimento dos requisitos exigidos aos operadores autorizados da jurisdição”, afirmaram representantes da entidade.
A Colômbia adotou uma postura igualmente crítica. Marco Emilio Hincapié, presidente da Coljuegos, considera que “os mercados de previsão são, sem dúvida, apostas disfarçadas de análise”.
A associação que reúne as plataformas de jogos de azar argumenta que há risco patrimonial, expectativa de prêmio e dependência de um resultado incerto — elementos que fazem parte da definição legal de jogos de sorte e azar no país. Além disso, questiona o uso de criptomoedas e a possibilidade de que esses mercados influenciem processos eleitorais ou a percepção pública.
Embora a Colômbia tenha promovido bloqueios contra esse tipo de plataforma, e hoje o acesso ao Polymarket esteja oficialmente bloqueado, Hincapié reconhece que as restrições técnicas têm suas limitações e que o debate acabará se voltando para uma eventual regulamentação específica.
O México mantém uma visão menos conflituosa, embora compartilhe várias das preocupações observadas em outros mercados da região.
Miguel Ángel Ochoa Sánchez, presidente executivo da Associação de Concessionários, Operadores e Fornecedores da Indústria do Entretenimento e dos Jogos de Azar do México (AIEJA), considera que uma plataforma desse tipo precisaria de autorização para operar legalmente no país caso envolvesse apostas com dinheiro real.
Ao mesmo tempo, ele alerta para os riscos relacionados à lavagem de dinheiro, ao uso de informações privilegiadas e à integridade dos mercados, embora reconheça que “os mercados preditivos vieram para ficar”.
A discussão na América Latina reflete uma controvérsia mais ampla que também está ocorrendo nos Estados Unidos.
A Bloomberg Intelligence identifica a regulamentação como o principal risco para o setor e considera que a questão central é determinar se os contratos sobre eventos devem ser tratados como instrumentos financeiros ou como apostas sujeitas à supervisão estatal.
A empresa estima que há cerca de 60% de probabilidade de que, nos Estados Unidos, a jurisdição federal, apoiada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), venha finalmente a prevalecer, embora alerte que o conflito possa exigir uma decisão judicial de maior alcance.
A Polymarket rejeita a comparação direta com as casas de apostas.
Um porta-voz da empresa disse à Bloomberg Línea que “a Polymarket opera mercados de contratos entre pares para eventos, diferentes das casas de apostas esportivas ou dos cassinos”.
Além disso, argumenta que “os preços são definidos pelos participantes do mercado”, enquanto a plataforma não estabelece cotas nem assume risco em relação aos resultados.
Diante das medidas adotadas por diversos países da América Latina, a empresa garante que “a Polymarket se compromete a colaborar de forma construtiva com as autoridades competentes em cada jurisdição” e afirma que busca promover a inovação responsável, a transparência e a proteção do usuário.
A empresa também rejeita as críticas relacionadas à manipulação ou ao uso indevido de informações. Além disso, o porta-voz afirmou que “o processo interno já resultou em quase 100 denúncias de carteiras às autoridades até o momento”, no âmbito de um esquema de supervisão voltado para preservar a integridade do mercado.
A Kalshi também foi contatada para esta matéria com o objetivo de conhecer sua posição em relação ao crescente escrutínio regulatório na América Latina. A empresa não respondeu às perguntas enviadas.
As preocupações regulatórias, no entanto, vão além da conformidade normativa.A Bloomberg Intelligence alerta que alguns contratos podem estar vulneráveis a tentativas de manipulação e destaca que muitos investidores institucionais continuam a encarar esses mercados como uma forma de aposta, um fator que ainda limita a entrada de capital institucional.
Os sinais que vêm da América Latina apontam mais para uma discussão sobre supervisão do que para uma proibição definitiva. No Brasil, Gelfi, do IBJR, afirma que alguns mercados de previsão apresentam características muito semelhantes às apostas de cota fixa e, por isso, “devem seguir regras semelhantes”.
As autoridades de Buenos Aires defendem uma estratégia dupla baseada na intervenção contra operadores sem licença e na adaptação dos marcos regulatórios às novas tecnologias. A LOTBA alerta que “a inovação não pode servir como meio para contornar controles públicos básicos quando há assunção de risco econômico em relação a eventos incertos”.
A questão para um setor que, segundo projeções da Bloomberg Intelligence, deve atingir cerca de um trilhão de dólares até 2030, já não parece se limitar a saber se esses mercados poderão se expandir, mas sim sob quais condições regulatórias isso ocorrerá em uma região onde o debate mal está começando.
Por isso, a evolução do setor dependerá, em grande medida, de como essa tensão for resolvida. Enquanto a Bloomberg Intelligence projeta que a Polymarket poderia atingir um volume negociado próximo a US$ 296 bilhões em 2030 e a Kalshi, cerca de US$ 345 bilhões, os órgãos reguladores latino-americanos avançam em direção a um marco em que a inovação tecnológica não implique isenções em relação às exigências de supervisão, rastreabilidade e proteção ao consumidor.
Aplicativo da Polymarket: A Bloomberg Intelligence estima que o volume de negócios do mercado de previsões atinja cerca de US$ 300 bilhões em 2026. (Foto: Gabby Jones/Bloomberg)
Brasil, México e Colômbia estão entre as economias que enfrentam maiores desafios para estabilizar seus níveis de dívida pública, de acordo com um relatório da Oxford Economics que conclui que um número crescente de países caiu em “buracos fiscais” dos quais será difícil sair sem ajustes prolongados e politicamente onerosos.
A empresa analisou 46 economias desenvolvidas e emergentes por meio do indicador de saldo primário estabilizador da dívida (DSPB, na sigla em inglês), uma métrica que calcula o saldo fiscal primário necessário para evitar que a relação dívida/PIB continue aumentando no médio prazo.
O indicador incorpora variáveis como crescimento econômico, taxas de juros reais, nível de endividamento, composição da dívida e flutuações cambiais.
O estudo conclui que mais de 25% das economias analisadas precisam manter superávits primários por tempo indeterminado para estabilizar sua dívida, enquanto cerca de 10% exigem superávits superiores a 1% do PIB de forma permanente.
Gabriel Sterne, responsável pela pesquisa global de mercados emergentes da Oxford Economics, e Felipe Camargo, economista-chefe global da empresa, afirmam que “o Brasil é a maior preocupação”, pois “seu superávit primário necessário está próximo do limiar de 3%, acima do qual a história sugere que o apoio político às medidas corretivas se torna extremamente frágil”.
Brasil no topo da lista de vulnerabilidade fiscal
Os cálculos da Oxford Economics mostram que o Brasil registra atualmente um DSPB próximo a 3% do PIB, o nível mais elevado entre as principais economias incluídas na amostra.
A empresa considera que esse patamar se aproxima de uma zona crítica, já que, historicamente, os governos enfrentam dificuldades políticas crescentes para sustentar, por longos períodos, os ajustes necessários.
Atrás do Brasil, surge um grupo de economias que também precisa manter superávits primários persistentes para estabilizar a dívida. Entre elas estão Itália, Japão, África do Sul, México e Colômbia.
Sterne e Camargo destacam que “Itália, Japão, África do Sul, México e Colômbia estão na categoria de desgaste fiscal prolongado, com DSPB superiores a 1%”. O relatório acrescenta que “Turquia, Espanha, Reino Unido, Bélgica, França, Peru e Canadá também precisam manter superávits primários por tempo indeterminado”.
A evolução desde 2020 reflete, além disso, uma deterioração significativa. O gráfico elaborado pela Oxford Economics mostra que o Brasil, a Colômbia e o México apresentam necessidades de ajuste fiscal maiores do que as observadas antes da pandemia, embora a piora tenha sido especialmente acentuada em várias economias desenvolvidas.
O relatório destaca que a mediana das posições fiscais ainda não é alarmante em escala global. No entanto, por trás dessa aparente estabilidade esconde-se um grupo crescente de países cuja dinâmica da dívida exige correções permanentes para evitar que o endividamento continue aumentando.
Disciplina insuficiente
Uma das principais conclusões do estudo é que os altos custos de financiamento não conseguiram forçar os ajustes fiscais necessários em várias economias emergentes.
Brasil, Colômbia, México e África do Sul vêm acumulando vulnerabilidades fiscais há anos. Durante esse período, os mercados impuseram altas taxas de juros que encareceram o financiamento soberano, mas a pressão não resultou em políticas capazes de trazer a dívida de volta a uma trajetória estável.
Os economistas afirmam que “os altos rendimentos contiveram os excessos fiscais, mas a disciplina do mercado ainda não impôs sofrimento suficiente para forçar políticas compatíveis com a estabilidade da dívida”.
Para a Oxford Economics, essa situação ajuda a explicar por que vários mercados emergentes permaneceram, durante boa parte da última década, nesses déficits fiscais e, em alguns casos, viram sua situação se agravar nos últimos anos.
O contraste com as economias desenvolvidas se deve a uma trajetória diferente. Durante anos, muitos governos de países avançados conseguiram financiar déficits elevados graças a taxas reais excepcionalmente baixas. Após a pandemia, o aumento das taxas de rendimento globais elevou os custos do serviço da dívida e deteriorou rapidamente os indicadores de sustentabilidade fiscal.
A empresa considera que a deterioração pós-covid-19 foi mais severa nas economias desenvolvidas do que nos mercados emergentes, tanto em média quanto entre os países mais vulneráveis de cada grupo.
Ajuste prolongado e com poucos precedentes
A pesquisa também analisa experiências históricas de consolidação fiscal sustentada e conclui que os casos de sucesso são escassos.
De acordo com o banco de dados elaborado pela Oxford Economics e pelo FMI, apenas um número reduzido de governos conseguiu manter, ao longo dos anos, superávits primários elevados. A Irlanda manteve, durante duas décadas, um superávit médio equivalente a 3,7% do PIB; a Bélgica, durante 19 anos, com uma média de 4,1%; enquanto o México manteve, durante 19 anos, um superávit médio de 4%.
O Brasil figura entre os casos identificados pela empresa, com um superávit primário médio de 3,5% do PIB entre 2004 e 2008. No entanto, a experiência histórica mostra que manter esse tipo de esforço fiscal geralmente requer longos períodos de disciplina orçamentária.
A Oxford Economics também rejeita a ideia de que os governos possam resolver facilmente seus problemas de dívida por meio da inflação. Entre 2020 e 2023, a inflação reduziu a dívida em um valor equivalente a 3,7% do PIB nos mercados emergentes e a 7,3% do PIB nas economias avançadas, mas o processo foi acompanhado por altos custos econômicos, entre eles menor crescimento, maiores encargos financeiros e perdas patrimoniais associadas à queda dos preços dos títulos.
A conclusão do relatório aponta que as alternativas rápidas são limitadas. Após analisar quinze anos de dados e episódios históricos desde a década de 1980, a empresa sustenta que, uma vez que o saldo primário entre em território positivo, melhorias fiscais sustentáveis geralmente exigem crises severas ou circunstâncias especialmente favoráveis.
A evolução futura do Brasil, do México e da Colômbia dependerá de sua capacidade de gerar superávits primários consistentes em um contexto de custos de financiamento ainda elevados e exigências crescentes sobre as contas públicas.
Superávit primário necessário para estabilizar a dívida está próximo do limiar de 3% do PIB, o nível mais elevado entre as principais economias incluídas na amostra. (Foto: Maira Erlich/Bloomberg)
O segmento de capital privado e capital empreendedor manteve atividade relevante na América Latina em 2025, em um contexto global marcado por uma recuperação gradual do fundraising, abundante capital disponível para investir e um ambiente mais seletivo para desinvestimentos.
A região captou US$ 8,57 bilhões, registrou investimentos de US$ 25,6 bilhões e consolidou Brasil, México e Colômbia como os principais destinos do capital alternativo.
Em nível global, a indústria de ativos alternativos atingiu US$ 16,4 trilhões em ativos sob gestão, enquanto o capital disponível para investir chegou a US$ 3,9 trilhões — volume que continua sustentando a atividade de gestores e investidores, apesar de um ambiente influenciado por fatores geopolíticos, mudanças regulatórias e novas dinâmicas tecnológicas.
O balanço regional mostra uma indústria que mantém capacidade de atrair recursos e executar investimentos, ainda que distante dos picos observados no período pós-pandemia.
“A capacidade de transferir, interpretar e conectar dados estratégicos e transacionais torna-se fundamental para antecipar necessidades, tomar decisões mais embasadas e construir relações mais sólidas e sustentáveis ao longo do tempo”, afirmou Francisco O’Bonaga, sócio-diretor da Região Andina na Deloitte Spanish Latin America.
Na América Latina, o fundraising totalizou US$ 8,57 bilhões em 2025 — cifra inferior aos picos registrados em 2022 e 2023, mas que reflete a continuidade do interesse de investidores institucionais pelos mercados latino-americanos.
América Latina mantém o fluxo de investimento
A evolução da indústria regional ocorre em um contexto em que o capital privado continua oferecendo retornos competitivos frente a outras classes de ativos.
Entre 2018 e 2024, a taxa interna de retorno (TIR) média do capital privado em nível global chegou a 14,34%, enquanto o capital empreendedor registrou 13% e infraestrutura, 9,19%.
Esse desempenho ajuda a explicar por que a região segue captando recursos, mesmo diante de exigências crescentes dos investidores em termos de rentabilidade, liquidez e qualidade dos ativos.
A disponibilidade global de US$ 3,9 trilhões em dry powder — capital já comprometido pelos fundos junto a seus investidores, mas ainda não investido — também é um fator relevante para entender a atividade regional.
A existência desses recursos comprometidos, mas ainda não alocados, permite que os gestores mantenham capacidade para executar novos investimentos e acompanhar empresas em diferentes estágios de crescimento.
Ainda que o fundraising latino-americano tenha se moderado em relação a anos anteriores, a indústria seguiu mostrando estabilidade relativa. O relatório destaca que a captação de recursos permaneceu em níveis relevantes e refletiu a consolidação de gestores e estratégias de investimento na região.
Além da captação, o dado que melhor reflete a profundidade do mercado é o volume de investimentos executados. Em 2025, a América Latina registrou US$ 25,6 bilhões distribuídos em 947 transações — sinal de que os gestores continuaram encontrando oportunidades em diferentes setores e geografias da região.
A manutenção desse fluxo é especialmente relevante porque mostra que a atividade não depende apenas de novas captações. Ela também reflete a utilização de recursos previamente comprometidos e a continuidade de estratégias de longo prazo em setores como infraestrutura, crescimento empresarial, mercado imobiliário, impacto e capital empreendedor.
Em paralelo, o ecossistema global segue incorporando novas prioridades ligadas a inteligência artificial, cibersegurança, sustentabilidade e governança corporativa — fatores que estão modificando os critérios de avaliação de investimentos e a gestão de portfólios.
Brasil, México e Colômbia concentram a atenção
A distribuição dos investimentos regionais mostra uma concentração expressiva nos principais mercados latino-americanos.
O Brasil continua sendo o mercado de maior escala, sustentado pelo tamanho de sua economia, pela profundidade de seu mercado financeiro e pela diversidade de oportunidades de investimento. O México mantém posição de destaque graças à integração com os Estados Unidos e à dinâmica de setores ligados a manufatura, logística e serviços.
A Colômbia aparece entre os mercados mais relevantes para a indústria regional, apoiada pela presença de gestores especializados, pelo desenvolvimento institucional do ecossistema e por mais de uma década de consolidação de veículos de investimento.
A relevância desses países não se explica apenas pelo tamanho de suas economias. Ela também reflete a existência de marcos regulatórios, redes de investidores institucionais e gestores capazes de estruturar operações de médio e longo prazo.
“Hoje vemos uma indústria muito mais sofisticada, com maior diversificação de verticais, novas capacidades de estruturação e uma presença territorial ampla”, afirmou Paola García Barreneche, diretora executiva da ColCapital.
Nesse contexto, a atividade regional segue mostrando diversificação crescente entre estratégias de aquisição e crescimento, infraestrutura, mercado imobiliário, impacto e capital empreendedor, reduzindo a dependência de um único setor ou tipo de ativo.
A evolução do investimento estrangeiro direto na região também oferece sinais sobre a atratividade relativa dos diferentes mercados.
Na América Latina, os fluxos de IED totalizaram US$ 171,4 bilhões em 2025, alta de 3,4% em relação ao ano anterior. Na Colômbia, o IED somou US$ 11,47 bilhões, com participação de destaque de serviços financeiros, petróleo e manufatura.
Colômbia amplia seu ecossistema
O caso colombiano ocupa lugar de destaque no relatório pelo crescimento acumulado da indústria e pelo peso que alcançou dentro do mercado regional.
Segundo a ColCapital, o ecossistema supera US$ 31,8 bilhões em capital comprometido, acumula mais de US$ 23,6 bilhões investidos historicamente e apoiou mais de 2.100 ativos e projetos no país.
Esses números revelam uma transformação relevante da indústria em relação às suas primeiras fases de desenvolvimento.
O capital privado ampliou sua presença em segmentos como infraestrutura, mercado imobiliário, aquisição e crescimento, impacto e capital empreendedor, contribuindo para financiar projetos e empresas em diferentes fases de expansão.
Em 2025, a Colômbia registrou investimentos de US$ 2,75 bilhões em 86 transações, consolidando-se como um dos mercados mais ativos da região. A dimensão alcançada pelo ecossistema também se reflete no número de participantes: a ColCapital identificou 167 gestores com interesse ativo na Colômbia e 410 veículos de investimento vinculados ao mercado colombiano.
“Esses números refletem a capacidade do capital privado de mobilizar investimento de longo prazo, fortalecer empresas e gerar impacto econômico e social na Colômbia”, disse García.
O desenvolvimento institucional da indústria permitiu ampliar as fontes de financiamento disponíveis para empresas e projetos, ao mesmo tempo que fortaleceu a participação de investidores nacionais e internacionais.
No front macroeconômico, o relatório aponta que a economia colombiana cresceu 2,6% em 2025 e projeta expansão de 2,8% para 2026. Embora o crescimento permaneça em níveis moderados, setores como entretenimento, comércio, agroindústria e manufatura mostram sinais de dinamismo que podem continuar gerando oportunidades para gestores e investidores.
A combinação entre um ecossistema mais amplo, uma base crescente de gestores especializados e a disponibilidade de capital global é um dos fatores que explicam a consolidação da Colômbia dentro da indústria latino-americana.
A evolução do fundraising regional, a capacidade de executar desinvestimentos em um ambiente mais exigente, a mobilização do dry powder disponível globalmente e o impacto que tecnologias como a inteligência artificial terão sobre os modelos de negócio estão entre as variáveis que marcarão a próxima etapa de desenvolvimento do capital privado e empreendedor na América Latina.
Cidade do México: país está entre os principais destinos de investimentos alternativos na região, junto de Brasil e Colômbia. (Foto: Cesar Rodriguez/Bloomberg)
A bolsa da Coreia do Sul é a grande estrela de 2026. O índice Kospi acumulou valorização de cerca de 100% em dólares no acumulado do ano, tornando-o o mais rentável entre os principais índices do mundo. Mesmo com o avanço expressivo até aqui, o Goldman Sachs (GS) considera que a trajetória de alta ainda não chegou ao fim.
A instituição elevou sua meta para o Kospi para 12.000 pontos no horizonte de doze meses, uma previsão que implica um potencial adicional superior a 35% em relação aos níveis atuais.
O Goldman mantém sua confiança nas ações sul-coreanas graças ao forte crescimento dos lucros corporativos impulsionado pelo boom de inteligência artificial e pela demanda por semicondutores avançados.
A aposta do Goldman na Coreia do Sul não vem sozinha. O banco também revisou para cima sua perspectiva em relação a Taiwan e elevou sua recomendação para esse mercado, diante da solidez dos lucros das empresas.
Os estrategistas liderados por Timothy Moe explicam que “nos inclinamos pelo norte da Ásia, onde o crescimento dos lucros é mais forte”.
A instituição estima ainda que a Coreia do Sul liderará o mercado na Ásia nesse aspecto, enquanto Taiwan continuará apresentando um desempenho sólido graças ao peso das empresas de tecnologia.
As 10 bolsas de valores mais lucrativas do mundo
De acordo com dados da Bloomberg sobre rentabilidade em dólares em 2026, os mercados com melhor desempenho são:
Kospi (Coreia do Sul): 98,27%
Índice NGX All Share (Nigéria): 65,06%
Taiex (Taiwan): 60,34%
GSE Composite (Gana): 46,37%
Tunindex (Tunísia): 35,05%
Nikkei 225 (Japão): 32,78%
DAX (Alemanha): 32,69%
Índice MSCI 30: 30,75%
TA-35 (Israel): 30,22%
Índice da Bolsa de Valores da Indonésia: 29,75%
Por trás do otimismo do banco está a revolução da inteligência artificial. Tanto a Coreia do Sul quanto Taiwan abrigam alguns dos maiores fabricantes de chips do mundo.
Empresas como a Samsung, a SK Hynix e a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) têm sido as principais impulsionadoras das altas no mercado de ações, graças a resultados que se beneficiaram da crescente demanda por infraestrutura para inteligência artificial.
O Goldman acredita que essa tendência pode se manter nos próximos anos e afirma que “o investimento em IA permitirá que o setor de hardware tecnológico registre um forte crescimento nos lucros até 2028 e além”.
Apesar do cenário favorável, a instituição também alerta para os riscos. Os fortes ganhos registrados em ambos os mercados concentraram a atenção em um pequeno grupo de empresas de grande capitalização, o que aumenta a vulnerabilidade a possíveis correções e realizações de lucros.
O Goldman reconhece que o excelente desempenho da Coreia do Sul e de Taiwan aumenta o risco de quedas bruscas no curto prazo.
Mesmo assim, a empresa mantém uma visão positiva para ambos os mercados e considera que o ciclo de lucros associado à inteligência artificial continua oferecendo espaço para novas altas.
As ações brasileiras atravessam uma fase de impulso, apoiada por fatores simultâneos que, segundo o Bradesco BBI, configuram um ambiente atípico em relação a episódios anteriores de volatilidade.
O banco posiciona o país como sua principal aposta na América Latina, em um contexto de rotação global de capitais, ajustes macroeconômicos e catalisadores locais em desenvolvimento.
“As ações brasileiras têm ‘nove vidas’ e se beneficiam de forma quase única de uma confluência de fatores geopolíticos, macroeconômicos globais, locais e de mercados emergentes que acreditamos ainda terem potencial”, afirmaram os analistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler.
A interpretação, que brinca com a noção das sete vidas atribuídas a um gato no imaginário popular, justifica o bom desempenho da bolsa em 2026.
Essa abordagem contrasta com os ciclos recentes marcados por correções — desde deteriorações fiscais até choques externos — nos quais o Brasil não conseguiu tirar proveito do cenário.
Agora, o banco sustenta que a dinâmica atual responde a um conjunto de fatores simultâneos que estão impulsionando os fluxos internacionais e reconfigurando as avaliações do mercado.
Rotação global e avaliação: as três primeiras vertentes
O primeiro bloco identificado pelo Bradesco BBI foca no posicionamento global dos mercados emergentes, nos quais o Brasil figura como um dos principais beneficiários da realocação de capital.
Os analistas apontam que “o Brasil parece ser o maior vencedor global com um perfil de valor, cíclico e não tecnológico, juntamente com um elevado carry trade”, em linha com a rotação de ativos norte-americanos para os mercados internacionais.
A segunda vertente gira em torno da subponderação estrutural dos mercados emergentes nas carteiras globais. Segundo o relatório, “a subponderação global dos investidores em ações de mercados emergentes acumulou-se ao longo de quinze anos de baixo desempenho relativo”, uma lacuna que abre espaço para uma realocação progressiva para economias com maior liquidez e diversificação setorial, como o Brasil.
O terceiro eixo diz respeito ao valuation. Apesar das recentes altas, o mercado brasileiro mantém múltiplos moderados e, segundo os analistas, “o Brasil continua sendo um dos mercados de ações mais baratos do mundo, com um PER futuro de 10,2 vezes”.
Há também um rendimento por dividendo estimado em 5,3%, ao passo que as expectativas de lucros começam a ser revisadas para cima.
O segundo bloco agrupa fatores ligados ao ambiente geopolítico e às commodities, onde o Brasil se posiciona como beneficiário líquido. A quarta vertente se apoia no mercado energético.
O relatório destaca que “o Brasil é um duplo beneficiário macroeconômico e bolsista dos preços mais altos do petróleo”, após se consolidar como exportador líquido e aumentar sua produção em cerca de 60% na última década.
Além desse impulso, há também uma menor exposição a tensões internacionais, sendo que o quinto pilar está ligado ao posicionamento geopolítico relativo do país. Os analistas destacam que “o Brasil está longe das principais tensões geopolíticas atuais, com uma baixa proporção de exportações em relação ao PIB”, o que reduz sua vulnerabilidade diante de conflitos em outras regiões e reforça seu perfil defensivo dentro dos mercados emergentes.
Essa posição coincidiu com revisões para cima nas expectativas de lucros, impulsionadas em parte pelo setor energético, em um contexto em que o país combina exposição às commodities com uma estrutura econômica relativamente protegida contra choques externos.
O terceiro bloco reúne os impulsionadores macroeconômicos e locais. Neles, o sexto pilar gira em torno da moeda, onde o banco destaca que “o real tem sido uma das grandes modas vencedoras globais de um dólar mais fraco”, apoiado por diferenciais de taxas de juros elevados que reforçam o apelo do carry trade.
A sétima vertente está ligada à frente fiscal. Nesse plano, o relatório indica que “os déficits fiscais globais se ampliaram, tornando a comparação do Brasil menos desfavorável”, em um contexto em que a nova regra fiscal contribui para conter preocupações históricas.
A oitava vertente está ligada ao ciclo monetário. “O Brasil começou a reduzir as taxas a partir de 15% no mês passado, em um ciclo único, abrangente e com duplo impacto”, afirmam os analistas, com efeitos tanto nas valorizações quanto nos fluxos de investimento domésticos.
O nono elemento situa-se no plano político. De cara às eleições presidenciais de outubro, o relatório aponta para uma margem ainda não totalmente refletida nos preços.
Grimaldi e Laidler afirmam que veem “opcionalidade nas eleições de outubro, desde o peso desproporcional das empresas estatais até aos elevados rendimentos reais dos títulos”.
Com esse conjunto de fatores, o Bradesco BBI mantém o Brasil como sua principal aposta na América Latina, com foco em setores sensíveis às taxas, mercados de capitais, empresas estatais e crescimento estrutural.
Entre os riscos, o banco identifica uma eventual reversão estrutural do dólar ou o retorno dos temores de dominância fiscal, variáveis que condicionarão a sustentabilidade do atual ciclo de mercado.
O dólar encerrou março com seu melhor desempenho mensal desde julho de 2025, consolidando uma recuperação impulsionada pela crescente aversão ao risco nos mercados globais.
A intensificação do conflito no Oriente Médio alterou a dinâmica energética e deteriorou as expectativas de crescimento, fatores que levaram os investidores a buscar refúgio na principal moeda de reserva mundial.
O Bloomberg Dollar Spot Index avançou cerca de 2,36% no mês, refletindo uma demanda sustentada por liquidez e segurança, enquanto ganhou cerca de 1% no trimestre, seu maior avanço para esse período desde o final de 2024.
A mudança no posicionamento do mercado foi significativa em relação às previsões do início do ano, quando predominavam apostas na desvalorização do dólar.
A interrupção no abastecimento energético, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, expôs a vulnerabilidade de economias como a Europa e o Japão, altamente dependentes de importações de petróleo e gás. Em contrapartida, a condição dos Estados Unidos como grande produtor de energia reforçou o atrativo relativo de sua moeda.
Apesar desse cenário de volatilidade, as moedas da América Latina apresentaram um desempenho misto, influenciado tanto pela evolução das commodities quanto por fatores específicos de cada economia.
O colón da Costa Rica, o peso argentino e o real brasileiro se destacaram como as moedas mais resilientes da região, apoiadas por dinâmicas internas e um posicionamento favorável em relação aos fluxos externos.
“As moedas emergentes e da América Latina continuam expostas a eventos externos e à baixa tolerância geral ao risco, à medida que o conflito com o Irã persiste sem um fim claro à vista”, apontaram os analistas do BBVA. “O panorama geopolítico continua sendo crucial. Os mercados continuam descontando um prêmio de risco persistente no petróleo, ligado ao conflito em evolução entre os EUA e o Irã”.
As moedas que mais valorizam em 2026
O colón costarriquenho (USDCRC) consolidou-se como a moeda mais forte da América Latina, apoiado por fundamentos sólidos no cenário internacional. A moeda valorizou-se cerca de 7% no ano, atingindo níveis próximos a 465 por dólar, seu ponto mais alto em duas décadas, em um contexto de entrada abundante de divisas.
Por trás desse desempenho, destaca-se o dinamismo do setor de exportação, que em 2025 atingiu um recorde de US$ 23 bilhões.
A valorização da moeda, segundo o analista Daniel Suchar Gómez, responde a uma combinação de fatores externos fundamentais, impulsionados pelo dinamismo das vendas externas, pela recuperação do turismo e pelo crescimento sustentado do investimento estrangeiro direto, que “não parou de crescer na Costa Rica”, gerando uma entrada constante de dólares no mercado local.
Além desse impulso estrutural, há também um fator financeiro que ampliou a valorização da moeda. A atratividade das taxas de juros em colones incentivou a entrada de capitais, gerando pressões adicionais no mercado cambial e obrigando até mesmo o banco central a intervir para conter o avanço.
“Na Costa Rica, as taxas de juros têm estado muito altas e atraentes, então há muitos fluxos de dinheiro registrados no Banco Central”, diz Suchar.
Em seguida, vem o real (USDBRL), que encontrou suporte na política monetária, em um contexto em que o Banco Central do Brasil iniciou um ciclo de cortes nas taxas com cautela. A autoridade reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 14,75%, mas manteve um tom conservador, condicionado pela incerteza global e pelo impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação.
Essa combinação de taxas ainda elevadas e cautela na flexibilização contribuiu para manter o atrativo relativo dos ativos em reais. A moeda valorizou 5,68% no trimestre.
“O real pode ficar um pouco mais protegido em um eventual novo cenário de aversão ao risco”, afirmou Brendan McKenna, economista do Wells Fargo, ao destacar que o Banco Central evitou cortes mais agressivos nas taxas.
O pódio do primeiro trimestre é fechado pelo peso argentino (USDARS), com alta de 5,04%. De acordo com Milo Farro, analista da Rava Bursátil, o desempenho respondeu a três elementos principais, entre eles uma menor demanda por cobertura após um cenário eleitoral mais favorável ao governo do que o previsto, o que reduziu a pressão de compra de moedas nos meses seguintes.
Paralelamente, o mercado recebeu um fluxo relevante de oferta de dólares, impulsionado por emissões de dívida corporativa e subnacional que ultrapassaram US$ 8 bilhões entre outubro de 2025 e março de 2026, operações que “geram fluxo de venda no Mercado Livre de Câmbio e contribuem para aliviar a pressão sobre a cotação do dólar”.
Além disso, a atratividade das taxas em moeda local manteve o interesse por ativos em pesos durante boa parte do início do ano.
Entre as moedas que registraram ganhos, destacam-se o peso dominicano (USDDOP) e o peso colombiano (USDCOP). O primeiro subiu 4,64%, apoiado por um forte influxo de divisas, impulsionado pelo turismo, remessas e exportações, juntamente com altos níveis de reservas internacionais e estabilidade macroeconômica, o que gerou um excesso de dólares no mercado local.
O segundo, que encerrou o trimestre com um ganho de 2,83%, foi beneficiado pelos melhores preços do petróleo e apoiado pelas altas taxas de juros, após um aumento de 200 pontos-base nas duas últimas reuniões do banco central, atingindo níveis de 11,25%.
Nesse grupo também se destacam o lempira hondurenho (USDHNL) e o peso mexicano (USDMXN). Este último obteve ganhos modestos, mas foi afetado pela redução das taxas de juros para 6,75%, implementada pelo seu banco central, o que reduziu a atratividade relativa de seus ativos em moeda local.
Julio Ruiz, economista-chefe do Citi México, acrescentou que também “está se refletindo uma desvalorização devido ao conflito geopolítico”, explicada em parte pela vulnerabilidade energética do país, já que “o México tem uma balança comercial energética deficitária. Importa petróleo, mas também importa derivados como gás e gasolina”, o que implica que “um choque no preço do petróleo deterioraria a balança comercial e pressionaria a taxa de câmbio”.
Além disso, há o fortalecimento global do dólar como ativo de refúgio, uma vez que “o clima de incerteza, que se reflete no fortalecimento do dólar americano por ser considerado um ativo de baixo risco, também exerce pressão sobre a taxa de câmbio peso/dólar americano”.
“Observamos que a taxa de câmbio poderia ficar em torno de 18,1 pesos por dólar no 2º trimestre de 2026 devido ao conflito geopolítico, mas que poderia se valorizar para 17,8 pesos por dólar no final do ano, caso haja uma resolução do conflito (...) Embora o Banco Central tenha reduzido recentemente sua taxa de política monetária em 25 pontos-base, para 6,75%, sua orientação de política monetária indica que avaliará o ambiente financeiro e macroeconômico para determinar se é pertinente um novo corte na taxa de política monetária. Em outras palavras, avaliará a persistência do conflito e seus efeitos sobre a inflação antes de decidir por outro corte”
Julio Ruiz, economista-chefe do Citi México
Moedas em queda e impacto da guerra
Nem todas as moedas da região conseguiram avançar. O fortalecimento do dólar e o impacto que a guerra no Oriente Médio teve sobre as matérias-primas afetaram o desempenho de algumas moedas da América Latina.
A moeda que mais se desvalorizou no fechamento do primeiro trimestre foi o peso uruguaio (USDUYU), com uma queda de 3,95%.
Segundo Patrizio Drago, analista da Adcap Securities Uruguai, o ponto de inflexão foi o início do conflito no Oriente Médio no final de fevereiro, que impulsionou o fortalecimento global do dólar e a alta do petróleo.
Esse choque afeta particularmente o Uruguai por ser um importador líquido de energia, ao contrário de economias como a Colômbia ou o Brasil, ampliando a pressão cambial. Internamente, o panorama também não ajuda.
“A economia uruguaia vem mostrando sinais de estagnação há vários meses. No último trimestre de 2025, o crescimento foi de apenas 0,1% em relação ao trimestre anterior, e os indicadores antecipados sugerem que o início de 2026 não teria sido muito diferente”, acrescentou Drago. A isso se soma uma deterioração na confiança do mercado após mensagens ambíguas das autoridades, incluindo possíveis intervenções cambiais.
“Primeiro foi o ministro da Economia, que afirmou que o dólar estava ‘barato’ e mencionou a possibilidade de tomar algumas medidas, como emitir mais dívida em moeda nacional ou sugerir às empresas públicas que comprassem dólares a prazo. Em seguida, o presidente do Banco Central deixou entrever a possibilidade de intervir no mercado cambial para corrigir algumas supostas ‘anomalias’. Além das medidas concretas, esse tipo de mensagem geralmente não é bem recebido pelo mercado, pois gera incerteza”
Patrizio Drago, analista da Adcap Securities Uruguai
Após o caso do peso uruguaio, seguem-se o sol peruano (USDPEN), com uma queda de -3,31%, e o peso chileno (USDCLP), com uma queda de -2,78%. O sol peruano havia apresentado um comportamento inicialmente estável em janeiro, mas com uma clara desvalorização desde o final de fevereiro, em linha com a deterioração do cenário global. Segundo Fernando Ruiz, CEO da Kambista, o gatilho foi o conflito no Oriente Médio, que reconfigurou as expectativas do mercado.
O Peru, como importador de energia e altamente dependente de combustíveis para seu setor de mineração — principal gerador de divisas — sofreu uma dupla pressão: o encarecimento das importações e a saída de capitais para ativos de refúgio diante da incerteza global.
Em nível local, a moeda enfrenta ventos contrários adicionais: desaceleração econômica refletida nas expectativas do Banco Central de Reserva do Peru, impacto do fenômeno do Niño Costero e problemas de abastecimento de gás.
“Além disso, por ser ano eleitoral, há sempre um certo grau de incerteza gerado pela campanha eleitoral, enquanto os investidores aguardam mais clareza sobre como serão os próximos anos no cenário político local”, disse Ruiz.
O peso chileno também é afetado por sua dependência dos combustíveis fósseis e pela fraqueza do cobre em um cenário de menor crescimento industrial global.
“Se a crise se agravar, o dólar poderá retomar rapidamente seu impulso de alta e buscar a faixa dos CLP$ 940. Em contrapartida, uma quebra clara dos CLP$920 abriria espaço para uma correção mais profunda, com os CLP$905 surgindo como meta de curto prazo”, disse Juan Ortiz, analista da XTB.
Nesse contexto, o desempenho das moedas no restante de 2026 continuará condicionado por uma variável dominante: a evolução do conflito geopolítico e seu impacto sobre o dólar e as commodities.
Com um mercado que reconfigurou rapidamente suas expectativas, desde cortes nas taxas até cenários de maior restrição monetária, as moedas emergentes permanecem sensíveis a mudanças abruptas no apetite pelo risco.
Uma das investidoras mais reconhecidas de Wall Street por suas apostas em tecnologias disruptivas acredita que a América Latina apresenta grandes oportunidades em um contexto global de incertezas.
Para Cathie Wood, fundadora da ARK Investment Management, empresas da região carregam uma vantagem estrutural por estarem mais acostumadas a operar em ambientes de volatilidade econômica e política — experiência que, segundo ela, se traduz em maior capacidade de adaptação e execução.
Segundo ela, empresários latino-americanos “tiveram que lidar com mais volatilidade do que os líderes ou equipes de gestão norte-americanos”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.
Isso faz com que eles saibam administrar bem os ciclos de instabilidade graças à experiência acumulada em contextos macroeconômicos desafiadores.
Cathie Wood visitou recentemente a Colômbia, o Peru e o Chile, três mercados que avançam na integração de suas bolsas e onde ela lançou sua oferta de fundos de investimento, e expôs sua visão sobre as oportunidades que vê na América Latina.
A chegada de seus ETFs marca o início de uma estratégia que busca oferecer instrumentos que reúnem empresas ligadas à inteligência artificial (IA), robótica, genômica e tecnologia financeira, dentro de um esquema para ampliar o acesso a ativos internacionais a partir de plataformas locais.
“Temos uma noção do interesse que os investidores latino-americanos têm pela inovação”, disse a investidora. “Sempre que vou a Miami e faço uma apresentação em uma conferência, muitas das pessoas que se aproximam de mim depois são da América Latina. Então, percebemos que há um grande interesse.”
Pontos fortes
A tese sobre a região parte da composição dos ativos oferecidos aos investidores, onde predominam os setores tradicionais.
Wood afirmou que “os mercados na América Latina têm grande peso nos setores bancário e de serviços públicos”, o que abre espaço para a introdução de ativos com baixa correlação com esses segmentos.
Essa abordagem está alinhada com a chegada de seus ETFs à região, em parceria com a Capital Strategies, que possibilita a negociação desses instrumentos no Mercado Global Colombiano e seu equivalente no Peru, com planos de avançar nas próximas semanas no Chile. As três bolsas estão em processo de integração em um único mercado sob a liderança da nuam.
A gestora afirmou que sua proposta difere de uma exposição direta aos índices tecnológicos dos Estados Unidos e garante que suas “carteiras são muito diferentes do Nasdaq”, o que reforça a ideia de diversificação para os investidores locais.
Essa expansão ocorre em um momento em que sua empresa apresenta sinais mistos de desempenho, com o fundo de fintech que alcançou uma rentabilidade próxima a 30% em 2025, impulsionado por apostas em inteligência artificial, apesar de seu principal veículo acumular uma queda superior a 50% em cinco anos, em comparação com o avanço do Nasdaq 100.
Para Cathie Wood, o interesse dos investidores latino-americanos foi um fator determinante na decisão de expandir, juntamente com o papel cada vez mais relevante desempenhado pelas empresas de tecnologia surgidas na América Latina.
“Temos tanto Mercado Livre quanto Nubank em nosso fundo de fintechs. Portanto, conhecemos bem essas empresas e, como sabem, as equipes de gestão na América Latina sempre nos impressionaram. Acredito que uma das razões de seu sucesso reside na volatilidade macroeconômica e geopolítica”, afirmou a executiva.
As duas empresas representam cerca de 5% de seu ETF ARK Blockchain & Fintech Innovation, que valorizou 49,49% nos últimos três anos.
Ela disse considerar expandir seus produtos para mais países da América Latina. “Quando nos comprometemos com uma região como a América Latina, gostaríamos de ter uma presença significativa em toda a região.”
Com essa projeção, ele acredita no surgimento de novas empresas latino-americanas em áreas ligadas à inovação, impulsionadas pela queda nos custos tecnológicos. Nesse ponto, ele introduz uma variável-chave ao destacar que “os custos de treinamento de inteligência artificial estão caindo 75% ao ano”, o que reduz as barreiras de entrada para esse tipo de empresa.
Bolha?
Além da América Latina, a discussão sobre uma possível bolha na inteligência artificial se instalou nos mercados paralelamente ao crescimento das avaliações das empresas de tecnologia, mas Wood estabelece uma diferença em relação a episódios anteriores.
Sua experiência durante o ciclo do final dos anos 90, durante a bolha das pontocom, serve como ponto de comparação. “Não compartilhamos essa preocupação de forma alguma”, afirmou.
Analistas do Goldman Sachs reconheceram que o mercado mostra sinais que “se assemelham a bolhas anteriores”, como o aumento das avaliações, a concentração e os fortes gastos de capital. Paralelamente, figuras como Ray Dalio alertaram que o boom das ações ligadas à IA está “em uma fase inicial de bolha”.
As big techs projetam um gasto de cerca de US$ 650 bilhões em inteligência artificial, enquanto o S&P 500 está sendo negociado a cerca de 22 vezes os lucros futuros, um sinal de que o mercado está caro em relação à sua média histórica.
Mas Wood vê um contraste entre o boom da IA e a bolha da internet. “Fui gestora de carteiras no final dos anos 90, então vivi a bolha, assim como muitas das pessoas mais experientes atualmente em nosso setor”, disse a empresária.
Com essa experiência, ela estabelece uma diferença entre o ciclo atual de investimento em inteligência artificial e o episódio das pontocom, quando a implantação de infraestrutura superou a capacidade de uso. Ela lembrou que, naquela época, a capacidade instalada excedia a demanda e os produtos ainda não estavam prontos para escalar, o que limitou a monetização desse investimento.
Agora, ela descreve um ambiente em que a infraestrutura tecnológica é utilizada de forma intensiva desde o início. “Não acredito que haja nenhuma GPU no mundo sem uso; há escassez de GPUs. Essa é uma grande diferença, e vemos uma geração de receita surpreendente”, afirmou.
Esse dinamismo se reflete em métricas como o crescimento acelerado da receita em empresas do setor, como a OpenAI ou a Anthropic, em um cenário onde, segundo sua abordagem, o investimento já se traduz em fluxos reais.
“A receita recorrente anual da OpenAI passou, em pouco mais de dois meses, de US$ 20 bilhões para US$ 25 bilhões. Portanto, está sendo gerada receita real graças a todo o investimento atual”, afirmou.
Paralelamente, Wood analisa as preocupações com o crédito privado, afetado pelo aumento das taxas de juros que elevou o custo da dívida e deteriorou a capacidade de pagamento de algumas empresas, enquanto a menor liquidez do mercado dificulta a saída dos investimentos. Nessa frente, ele reconhece riscos específicos, embora descarte implicações sistêmicas.
A avaliação parte do tamanho do mercado, estimado em US$ 1,8 trilhão, e concentra-se na exposição do sistema financeiro tradicional, onde se destaca que “os bancos não estão muito expostos a ele”, em virtude da regulamentação adotada após a crise de 2008.
Essa limitação da exposição reduz a probabilidade de um evento comparável a episódios anteriores, embora identifique vulnerabilidades em fundos com exposição a software empresarial e alerte que “os fundos caros estão em apuros, especialmente aqueles que investiram em SaaS, pois acreditamos que a IA está revolucionando esse setor”.
Essas empresas enfrentaram uma mudança de narrativa provocada pela inteligência artificial sobre o valor do software tradicional.
Entre os investidores, existe o temor de que ferramentas de IA, especialmente os agentes capazes de executar tarefas completas como programação, análise ou gestão operacional, reduzam a necessidade de múltiplas aplicações de SaaS e corroam seu modelo de negócios baseado em assinaturas.
O cenário geopolítico, marcado pelo conflito no Irã, introduz um fator adicional de volatilidade nos mercados, particularmente por meio do impacto nos preços do petróleo e nas expectativas de inflação.
O petróleo bruto ficou 40% mais caro no ano e bancos centrais como o da Austrália já tomaram a decisão de aumentar as taxas de juros diante do impacto nos preços. No entanto, Wood interpreta esse contexto como parte de um acúmulo de riscos que não impediram os mercados de se manterem em níveis elevados.
“Acreditamos que isso seja como mais algumas peças de um quebra-cabeça de preocupação. É surpreendente que, durante o último ano, apesar das tarifas nos Estados Unidos, da paralisação do governo americano e da guerra no Irã, o mercado ainda esteja próximo de sua máxima histórica”, disse a investidora.
No entanto, sua opinião sobre o conflito inclui uma avaliação de uma resolução rápida. “Nossa interpretação do que está acontecendo, conhecendo o presidente Trump, é que ele não quer uma guerra prolongada. Ele quer resolver a questão rapidamente e eliminar os riscos geopolíticos do sistema”, afirmou.
Nessa análise, ela também introduz o fator nuclear como elemento central no equilíbrio geopolítico e considera relevante a ausência de capacidades nesse frente por parte do Irã. Essa avaliação se estende a possíveis cenários no estreito de Ormuz, onde ela considera que uma interrupção total do tráfego implicaria uma resposta mais intensa por parte dos EUA e de Israel.
Ao mesmo tempo, ela observa uma redução na intensidade dos ataques recentes e sugere que “eles estão ficando sem tempo e sem munição”, em uma análise sobre a capacidade operacional do Irã no conflito.
Dentro de sua estratégia de investimento, Wood identifica áreas em que a inteligência artificial se integra a setores físicos, em uma evolução que ela denomina “inteligência artificial incorporada”.
Nesse contexto, ela aponta a mobilidade autônoma como o principal vetor de crescimento, referindo-se a invenções como táxis-robô, drones e transporte autônomo.
“Acreditamos que é nesse setor que a receita crescerá mais rapidamente, chegando a bilhões de dólares nos próximos 5 a 10 anos, partindo praticamente do zero atual. E embora essa possa ser a maior aplicação da IA no mundo físico, a aplicação mais profunda está na área da saúde”, afirmou.
No âmbito da saúde, ela apresenta uma convergência entre tecnologias de sequenciamento e análise de dados que, segundo sua abordagem, permitirá avanços no diagnóstico precoce de doenças, com aplicações em diferentes tipos de câncer. “Seremos capazes de diagnosticar câncer no estágio um, inclusive câncer de pâncreas, ou talvez antes mesmo do estágio um”, disse ela.
Essa abordagem é complementada pela edição genética, na qual se destacam avanços em tratamentos que já geram receita com o tratamento de doenças específicas, o que reflete uma transição da pesquisa para a aplicação comercial. Para Wood, “não é uma questão de se ou quando isso vai acontecer, mas o porte dessa transição”.
No caso do bitcoin, ela mantém uma visão estrutural sobre seu papel dentro do sistema financeiro. A empresária, tradicionalmente, tem defendido uma das opiniões mais otimistas sobre o ativo digital em Wall Street, ao considerar que ele está em uma fase inicial de adoção institucional e pode se consolidar como uma nova classe de ativo global
Ela reafirmou essa visão durante a conversa, apesar de ter perdido quase 30% do seu valor ao longo de 2026. “Não mudamos nossa posição de que será o maior ativo dentro do ecossistema de ativos digitais, o maior criptoativo puro. E acredito que a queda tenha preocupado muita gente, mas essa queda, acreditem ou não, é muito mais branda do que a de outros mercados em baixa”, afirmou.
Wood interpreta esse ajuste como uma fase dentro da adoção institucional e descreve um processo de entrada gradual de investidores que buscam se posicionar em um ativo que ela define como uma nova categoria dentro do sistema financeiro global. Por isso, ela mantém seu cenário de avaliação ao lembrar que o “preço-alvo em nosso cenário otimista é de US$ 1,5 milhão”, em uma projeção que permanece inalterada dentro de sua estratégia.
Com esse conjunto de apostas, Wood traça um roteiro que combina a expansão geográfica com uma leitura estrutural das mudanças tecnológicas em curso. Sua passagem pela América Latina insere-se em uma estratégia que busca capturar uma maior demanda por ativos de inovação, em um ambiente onde a inteligência artificial, o software e os criptoativos redefinem a alocação de capital.
A presença do fundosoberano da Noruega na América Latina se reflete em investimentos que espelham a estrutura de seu portfólio global e seu foco em empresas listadas em bolsa e dívida pública.
O maior fundo soberano do mundo, com ativos que superam US$ 2,03 trilhões, distribui seu capital em dezenas de países e setores. A América Latina representa uma fração menor do portfólio total, mas permite observar como o fundo busca exposição a bancos, energia, infraestrutura e consumo em mercados emergentes.
Em 2025, o fundo registrou um retorno de 15%. As ações contribuíram com 19,3%, enquanto a renda fixa registrou 5,4%. Os investimentos imobiliários não listados atingiram 4,4% e a infraestrutura de energia renovável obteve 18,1%.
Nicolai Tangen, diretor-executivo do Norges Bank Investment Management, afirmou em comunicado que “o fundo entregou resultados muito sólidos em 2025. As ações de tecnologia, finanças e materiais básicos se destacaram e deram uma contribuição significativa ao retorno total”.
O portfólio manteve uma alocação de 71,3% em ações e 26,5% em renda fixa, enquanto os ativos imobiliários representaram 1,7% e a infraestrutura renovável, 0,4%.
Nesse contexto, as posições na América Latina se concentram em um conjunto limitado de países e empresas que refletem a estrutura dos mercados de capitais regionais.
Empresas da América Latina no portfólio
Os investimentos do fundo na América Latina somam US$ 15,877 bilhões distribuídos em seis países. Brasil e México concentram a maior parte da exposição, seguidos por Chile, Colômbia, Peru e Panamá. O fundo mantém 181 posições em ações na região e 33 investimentos em títulos.
Entre as maiores posições em renda variável, aparece o Itaú Unibanco (ITUB4) com um investimento de US$ 669 milhões, enquanto a Petrobras (PETR3; PETR4) concentra US$ 595 milhões.
No México, destaca-se o Grupo México (GMEXICOB) com US$ 430 milhões. O portfólio também inclui Cemex (CEMEXCPO) com US$ 287 milhões, Promotora y Operadora de Infraestructura (PINFRA) com US$ 278 milhões e Fomento Económico Mexicano (FEMSAUBD) com US$ 277 milhões.
No setor financeiro mexicano, figura o Grupo Financiero Banorte (GFNORTEO) com US$ 230 milhões.
Essas posições refletem a preferência do fundo por empresas de grande capitalização em mercados líquidos da região. Brasil e México concentram a maior parte da exposição devido à profundidade de suas bolsas e à presença de empresas com operações regionais.
Na Colômbia, o fundo mantém investimentos em oito companhias que somam US$ 203 milhões. A maior posição corresponde ao Grupo Cibest (CIB) com US$ 174 milhões. O portfólio inclui ainda a Interconexión Eléctrica (ISA) com US$ 12,5 milhões, o Almacenes Éxito (EXITO) com US$ 6,7 milhões e a Cementos Argos (CEMARGOS) com US$ 4,8 milhões.
A presença de várias empresas vinculadas ao Grupo Empresarial Antioqueño (GEA) reflete a estrutura do mercado colombiano, onde conglomerados financeiros e de infraestrutura concentram parte relevante da capitalização de mercado.
O fundo mantém ainda posições em setores de consumo e serviços públicos com o objetivo de diversificar sua exposição.
Em renda fixa, o maior investimento corresponde a títulos do governo do México com US$ 1,544 bilhão. O portfólio inclui também dívida soberana da Colômbia por US$ 1,047 bilhão e títulos do governo do Peru por US$ 1,003 bilhão.
O Brasil aparece com US$ 562 milhões em títulos indexados à inflação, e o Chile com US$ 202 milhões em dívida pública. O portfólio inclui ainda títulos da Codelco por US$ 149 milhões e dívida corporativa da América Móvil (AMXL) por US$ 90 milhões.
Resultados globais
O desempenho global do fundo em 2025 foi impulsionado pelo comportamento dos mercados de capitais. O relatório anual aponta que as ações geraram retornos próximos a 19% e representaram o principal motor do portfólio.
O setor de tecnologia produziu a maior contribuição ao retorno total. Em termos nominais, o segmento gerou US$ 82,3 bilhões. As empresas financeiras contribuíram com US$ 64,3 bilhões e o setor industrial com US$ 29,7 bilhões.
O relatório identifica ainda os setores com melhor desempenho dentro do índice global. Os materiais básicos registraram retornos superiores a 40%, impulsionados pela alta dos preços de metais industriais e preciosos. As ações financeiras registraram retornos próximos a 32% e as telecomunicações atingiram cerca de 31%.
As empresas que mais contribuíram para o resultado do fundo incluíram Alphabet (GOOGL), Nvidia (NVDA), Taiwan Semiconductor (TSM), Broadcom (AVGO), Microsoft (MSFT), Samsung, Alibaba (BABA), Eli Lilly (LLY), ASML (ASML) e Tencent. Essas empresas refletem o peso da tecnologia e da indústria de semicondutores dentro do portfólio global.
O relatório também destaca a concentração crescente do mercado de capitais. As dez maiores posições do portfólio de ações representam cerca de 20% da carteira. Esse fenômeno reflete o peso crescente das grandes empresas de tecnologia dentro dos índices globais.
O desempenho do mercado de renda fixa foi mais moderado. Os títulos geraram retornos próximos a 5%, pois o ambiente macroeconômico foi marcado por cortes de juros em algumas economias avançadas e por expectativas de maior gasto fiscal.