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Meio milhão de famílias a mais: as mudanças no Minha Casa, Minha Vida que animam as construtoras na bolsa

As mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida anunciadas na terça-feira (24) ampliam em até 24% a capacidade de compra dos participantes do sistema de financiamento de habitação popular com juros subsidiados. Isso significa uma inclusão potencial de até 500 mil de famílias na plataforma.

Esse avanço da base representa um impulso direto na geração de novos negócios para as construtoras — movimento que ainda não estava totalmente precificado nas ações. O mercado já especulava sobre a ampliação de limites, mas os ajustes feitos pelo Conselho Curador do FGTS vieram acima do esperado.

O mercado começou a incorporar esse novo cenário nesta quarta-feira (25), movimento refletido na alta dos papéis das incorporadoras.

Com a perspectiva de aumento dos negócios imobiliários em 2026, as ações de empresas com atuação nesses segmentos sobem até 8% nesta quarta-feira.

Por volta de 16h30, as ações ordinárias (ON) de MRV subiam 8%, enquanto os papéis da Tenda avançavam 2,46%. Já Cury e Direcional ganhavam, respectivamente, 3,26% e 1,14%.

Aqui é preciso fazer uma ressalva. A alta mais forte da MRV ocorre em parte por conta de um ajuste após a queda acentuada ocorrida no último mês. As ações ordinárias da companhia chegaram a cair 14% após a divulgação do balanço do quarto trimestre. O recuo ocorreu devido às preocupações com o alto endividamento e com os prejuízos da operação nos EUA, que estavam impactando a geração de caixa e os resultados gerais da empresa.

Mudanças no Minha Casa, Minha Vida

Mas o que mudou no Minha Casa, Minha Vida? O Conselho Curador do FGTS elevou tanto as faixas salariais elegíveis aos subsídios quanto os valores dos imóveis que podem ser adquiridos dentro do progama.

No caso das Faixas 3 e 4, as mais rentáveis e voltadas às famílias de classe média, os tetos de renda subiram R$ 1 mil em cada segmento para R$ 9,6 mil e R$ 13 mil.

Os valores de residências que podem ser financiadas aumentaram para até R$ 400 mil na Faixa 3 e até R$ 600 mil, no caso da 4.

Nos cálculos do Itaú BBA, os compradores agora elegíveis à Faixa 1 poderiam adquirir imóveis até 8% mais caros; na Faixa 2 teriam capacidade para pagar por unidades com preços 13% maiores; na Faixa 3, o avanço seria de 24%; e, na Faixa 4, de 17%.

Já o BTG Pactual calcula um aumento médio de 21% do ganho de poder de compra em cada faixa.

No caso da Faixa 4, os novos limites significam a inclusão de até 400 mil novas famílias elegíveis aos financiamentos só nesse segmento. O cálculo leva em conta os dados da PNAD contínua do IBGE. A pesquisa considera a classe média ou classe B um contingente de 11 milhões de famílias com rendas entre R$ 8 mil e R$ 24 mil mensais.



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Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), MRV (MRVE3): qual ação de construtora vale a pena após o 4T25? Confira recomendação da Empiricus 

A temporada de resultados do 4º trimestre de 2025 segue acontecendo no mercado brasileiro. Nessa semana, entre os dias 9 e 10 de março, foi a vez de três das principais construtoras brasileiras divulgarem seus resultados: Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e MRV (MRVE3).

Sabendo que os números são de grande relevância para os acionistas dessas empresas, Caio Araujo, analista da Empiricus Research, comentou os resultados em sua participação no programa Giro do Mercado, do Money Times, na última quarta-feira (11).

Afinal de contas, como interpretar os resultados, e quais ações valem a pena comprar após a divulgação? A seguir, vemos os destaques da semana à luz do analista.

Cenário do 4T25 é positivo para construtoras expostas ao Minha Casa, Minha Vida, segundo analista

Dando um panorama geral do setor de construtoras, o analista aponta que o cenário é positivo, especialmente para empresas mais expostas ao programa Minha Casa, Minha Vida:

“A gente teve revisões de faixa e de preço ao longo dos últimos anos. É um cenário favorável para a operação. Ao longo do tempo, temos visto as construtoras aumentando o ritmo de lançamentos, capturando margens melhores, especialmente as que têm uma capacidade orçamentária um pouco mais sofisticada. Entendo que para o setor, como um todo, os resultados foram bem saudáveis”.

Cury (CURY3): bons resultados podem se traduzir em dividendos

Após o fechamento de mercado da terça-feira (10), a Cury (CURY3) trouxe seus números do 4T52, com destaque para:

  • Lucro líquido de R$ 270 milhões no 4T25, alta de 63% na visão anual;
  • Receita líquida de R$ 1,4 bilhão, alta de 37,2% na visão trimestral.

Para o analista, os resultados foram realmente positivos: “Vemos Cury há alguns anos operando entre as melhores do setor. […] Temos um carrego das operações traduzido nas receitas, a margem bruta dos projetos aumentando, e a geração de caixa, que foi o principal destaque”.

Para Caio Araujo, os números reportados nesse trimestre podem ser uma boa notícia para investidores em busca de dividendos. “A Cury já é uma pagadora de dividendos há alguns anos, e tende a continuar nessa dinâmica, dada essa forte geração de caixa que, para mim, foi o destaque dos resultados.”

Segundo o analista, o consenso do mercado é de um dividend yield esperado em torno de 7% para 2026. “Entendo que seja interessante, dado o contexto da companhia”, conclui.

As ações reagiram aos resultados com alta de 4% no pregão da quarta-feira (11), uma das maiores altas do Ibovespa durante o dia.

MRV (MRVE3): apesar do bom carrego no MCMV, operações nos EUA pressionam resultados

A MRV (MRVE3) divulgou seus números após o fechamento da segunda-feira (9), com destaque para:

  • Lucro líquido ajustado de R$ 116 milhões, reversão do prejuízo registrado no trimestre anterior;
  • Receita líquida de R$ 3 bilhões no 4T25, acima das expectativas do mercado;

Boa parte dos resultados foi impulsionada pela MRV Incorporação, principal divisão de negócios da empresa. “Essa parte tem conseguido gerar caixa e se manter minimamente estável na relação entre dívida líquida e patrimônio líquido”, afirma o analista.

Porém, isso não apaga que o cenário da empresa continua desafiador, especialmente por conta das operações nos Estados Unidos, que não têm gerado os retornos esperados nos últimos anos, de acordo com o analista.  

A Resia, subsidiária norte-americana das operações, atualmente carrega uma dívida líquida na ordem de cerca de US$ 700 milhões.

 “É algo bem significativo, tem prejudicado o financeiro como um todo da companhia. Para a MRV, ainda é um cenário de recuperação”, afirma o analista. “Nas outras empresas, vemos um cenário mais positivo, de surfar o Minha Casa, Minha Vida”.

As ações encerraram em alta de 2% na B3 na terça-feira (10), mas os ganhos foram devolvidos nos dias seguintes. Somente no pregão da sexta-feira (13), até o fechamento deste texto, a queda ultrapassava os 4,5% no dia.

Direcional (DIRR3): investidores reagem aos resultados com ceticismo

No mesmo dia (11) que a MRV, a Direcional (DIRR3) também reportou seus números do 4T25, com destaque para:

  • Lucro líquido de R$ 211 milhões, alta de 27% na visão anual;
  • Receita líquida de R$ 1,2 bilhões, alta de 33% na visão anual.

Caio Araujo comenta que o resultado veio em linha com o consenso do mercado. Porém, a reação imediata do mercado foi de queda nas ações. Até a tarde da sexta-feira (13), as ações negociavam em queda de 1,86% no dia.

“Entendo que seja mais uma ótica de exigência do mercado em relação aos números da companhia, porque os números foram bons no geral”, afirma o analista.

A construtora, que se destacou em 2025 e se tornou uma “queridinha” dos investidores brasileiros, agora é alvo de altas expectativas, o que pode pressionar suas ações ao menor sinal de qualquer discrepância.

“Dado que houve pagamentos extraordinários de dividendos no final do ano passado, hoje a empresa tem uma alavancagem um pouco maior do que nos últimos anos, na ordem de 23% quando vemos dívida líquida sobre patrimônio líquido. Então os investidores estão um pouco mais céticos em relação a esse ponto”, conclui.

Nem Cury (CURY3), nem Direcional (DIRR3) ou MRV (MRVE3): outra ação de construtora é recomendação da Empiricus para o mês

“Gostamos do setor, é uma posição interessante. Só que não gostamos de todas as ações”, afirma Caio Araujo.

O analista comenta que, historicamente, Direcional (DIRR3) costuma figurar entre as recomendações da Empiricus.

Porém, com alta acumulada de cerca de 43% nos últimos 12 meses, ainda reflexo do bom ano de 2025, a casa entende que este é pode ser um bom momento de realização de lucros nos papéis.

Em contrapartida, uma outra construtora, que não é Direcional (DIRR3), Cury (CURY) e nem mesmo a MRV (MRVE3), é a principal ação do setor indicada pela Empiricus no momento, desde o início do mês.

Segundo a Empiricus, essa é uma construtora que traz características que fazem dela uma das ações mais positivamente expostas ao ciclo de cortes da Selic, amplamente esperado a partir da reunião do Copom da próxima quarta-feira (18).

Além disso, está preparada não apenas para surfar juros mais baixos, mas também para resistir a cenários mais adversos, e distribuir bons dividendos aos seus acionistas.

Por isso, ela está presente em duas das principais séries da casa: Double Income e Vacas Leiteiras, com foco em distribuição de proventos e geração de renda extra.

Um dia após a decisão de juros, no fechamento de mercado da quinta-feira (19), a construtora recomendada divulgará seus resultados do 4T25.

E se você quiser conhecer a tese completa por trás da recomendação desta outra construtora, temos uma boa notícia.

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