Olimpíada Nacional em História do Brasil elege como tema as mulheres na ciência
Uma competição feita de documentos, imagens, mapas, debates e perguntas sobre o país e seu passado mobiliza um número recorde de 64.187 equipes espalhadas por escolas de todos os estados brasileiros. A 18ª Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB), promovida pela Unicamp, iniciou sua nova edição nesta segunda-feira (5) com o tema “Mulheres cientistas, mulheres na ciência”, escolhido a partir da proposta do Ministério da Ciência e Tecnologia para 2026, que vai atravessar as diferentes fases da competição.
“Todo ano escolhemos um eixo de reflexão”, afirma a coordenadora da ONHB, a historiadora Cristina Meneguello, professora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). “Neste ano vamos discutir, em diferentes momentos da prova, o lugar das mulheres na ciência. Abraçamos a proposta por considerar a temática fundamental. Mais do que recuperar trajetórias do passado, o tema convida os participantes a refletir sobre a dimensão histórica das mulheres na ciência e, ao mesmo tempo, a lançar o olhar para o presente, para as cientistas em formação, as que já atuam na área, ou aquelas que sonham em um dia tornarem-se cientistas.”

O professor Luiz Estevam de Oliveira Fernandes, também do IFCH e da coordenação do projeto, ressalta que a escolha do tema é mais do que oportuna: “É um debate muito importante para nossa sociedade, na qual as cientistas ainda estão subvalorizadas no acesso às posições mais altas da carreira ou no peso da dupla jornada enfrentada, para cuidar da casa e da família”, afirma.
Criada em 2009 por docentes do Departamento de História do IFCH, a ONHB transformou-se em um projeto nacional. Do total de equipes inscritas em 2026, 22.455 pertencem ao ensino fundamental e 41.732 ao ensino médio. O número representa um salto significativo em relação à edição anterior, que contou com 57.100 equipes, um crescimento que impressiona a coordenação. “A cada edição a gente se surpreende”, afirma a historiadora. “No ano passado foram cerca de 225 mil participantes e, desta vez, chegamos a 250 mil. Nosso projeto é hoje o maior projeto de divulgação científica em ciências humanas do país e, sem dúvida, a maior ação de extensão da Unicamp em alcance na educação básica.”
Debate coletivo
A primeira fase da ONHB segue aberta até sábado (9), às 23h59. Depois dela, os participantes enfrentarão outras quatro etapas online até a grande final presencial, marcada para 29 e 30 de agosto, na Unicamp.
As provas combinam questões de múltipla escolha e tarefas investigativas construídas a partir da análise de documentos históricos, fotografias, obras de arte, mapas, notícias, relatos e diferentes tipos de fontes. História do Brasil, literatura, geografia, patrimônio cultural, arqueologia e atualidades se cruzam em uma proposta interdisciplinar que privilegia interpretação e construção de argumentos.
“O formato aproxima os estudantes da prática da pesquisa acadêmica”, diz Meneguello. “As questões trabalham interpretação, contextualização histórica e colaboração. A gente percebe que a Olimpíada desperta talentos.”
Entre as novidades da edição de 2026 está a entrada oficial dos estudantes do 7º ano. Antes, a participação era restrita aos alunos do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental e de todo o Ensino Médio. A mudança responde a uma demanda antiga das escolas e dos próprios estudantes. “Na prática, os alunos do sétimo ano já acompanhavam as provas informalmente. Agora, eles passam a receber certificado e entram mais cedo em contato com a Olimpíada.”
Outra mudança importante é a criação de uma etapa estadual online, que premiará estudantes com medalhas de ouro e prata em cada estado. A ideia amplia o reconhecimento dos participantes e cria novas formas de valorização regional. “Nosso sonho era criar uma fase estadual presencial, mas seria impossível corrigir esse volume de provas”, conta a coordenadora. “Mesmo online, ela é importante porque amplia o reconhecimento dos estudantes e valoriza o desempenho regional.”


Após as etapas online, cerca de 1.200 estudantes participarão da grande final. E é durante a cerimônia de encerramento que eles descobrem, diante dos colegas e professores, quem receberá as medalhas nacionais. “Tem choro, comemoração, abraços. Depois de 18 anos, eu ainda me emociono”, ressalta a coordenadora.
Desde 2024, estudantes de escolas públicas participam gratuitamente da edição escolar da olimpíada. Em paralelo, a ONHB mantém a modalidade “ONHB Aberta para Todos”, criada em 2021 e destinada ao público com mais de 12 anos. A competição é realizada com apoio do Departamento de História da Unicamp, do Serviço de Apoio ao Estudante (SAE) e da Associação Nacional de História (Anpuh). A organização reúne docentes universitários, estudantes de graduação, mestrandos e doutorandos.
A ONHB também integra o programa Vagas Olímpicas da Unicamp. Dependendo do desempenho na competição, estudantes podem disputar vagas em cursos de graduação sem necessidade de vestibular. Hoje, as medalhas da ONHB são aceitas em 53 cursos de graduação em São Paulo.
Estratégia de financiamento
Neste ano, a Olimpíada enfrentou um cenário de incerteza financeira. Pela primeira vez, desde sua criação, não houve abertura do edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) destinado às olimpíadas científicas. “O edital sempre foi fundamental para nós”, afirma Meneguello. “Não foi apenas a nossa olimpíada que ficou sem recursos. Isso afetou todas as olimpíadas científicas do país.”
Segundo ela, a equipe precisou recorrer a emendas parlamentares e ampliar estratégias de financiamento para garantir a continuidade do projeto. “Quando você mantém um projeto há 18 anos, não pode deixá-lo morrer por falta de verba”, resume. “É um projeto bonito demais. No curso de História da Unicamp, por exemplo, quando pergunto no primeiro dia de aula quem participou da olimpíada, quase todo mundo levanta a mão.”
Calendário da ONHB 2026
Primeira fase: de 4 a 9 de maio
Segunda fase: de 11 a 16 de maio
Terceira fase: de 18 a 23 de maio
Quarta fase: de 25 a 30 de maio
Quinta fase (final estadual e semifinal nacional): de 8 a 13 de junho
Divulgação das equipes classificadas para a final nacional presencial: 19 de junho
Divulgação das equipes medalhistas estaduais: 26 de junho
Envio dos certificados de premiação estadual: a partir de 15 de outubro
Grande final presencial na Unicamp
Prova: 29 de agosto
Cerimônia de premiação: 30 de agosto
Foto de capa:

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