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Vacina contra a pólio mudou? Saiba quem deve se imunizar

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) iniciou em 3 de agosto a Campanha de Multivacinação nos 645 municípios com o objetivo de ampliar a proteção de crianças e adolescentes menores de 15 anos e atualizar a caderneta de vacinação. Entre as novidades do calendário de rotina está a inclusão do segundo reforço contra a poliomielite aos 4 anos, que passa a ser realizado com a vacina inativada poliomielite (VIP).

O Brasil não registra casos de infecção pelo poliovírus há 37 anos e recebeu, em 1994, a certificação internacional de eliminação da circulação do poliovírus selvagem. A manutenção desse cenário depende da vacinação e da cobertura vacinal adequada.

Quem deve tomar a vacina contra a pólio?

De acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), com a atualização do calendário vacinal, a proteção contra a poliomielite (VIP) passa a ser feita em cinco etapas para crianças menores de 5 anos:

  • 2 meses: primeira dose;
  • 4 meses: segunda dose;
  • 6 meses: terceira dose;
  • 15 meses: primeiro reforço;
  • 4 anos: segundo reforço.

A mudança também contempla crianças que já iniciaram o esquema de vacinação. Nesses casos, os profissionais de saúde devem avaliar a caderneta e orientar sobre as doses necessárias para completar a proteção.

Crianças que já receberam as três doses da VIP e o primeiro reforço devem receber o segundo reforço aos 4 anos, respeitando o intervalo mínimo de seis meses entre as doses de reforço.

Quem recebeu anteriormente o primeiro reforço com a vacina oral poliomielite bivalente (VOPb) também deverá receber o segundo reforço com a VIP aos 4 anos, respeitando o intervalo.

A vacinação é a principal forma de prevenção contra a poliomielite. Manter a caderneta atualizada e as coberturas vacinais elevadas é fundamental para evitar a reintrodução do vírus no país.

Vacinas disponíveis

Durante a Campanha de Multivacinação, os postos disponibilizam as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação para crianças e adolescentes, de acordo com a idade, a indicação e o histórico vacinal.

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Entre os imunizantes disponíveis estão: BCG; hepatite B; pentavalente; poliomielite inativada; rotavírus; pneumocócica (conjugada); meningocócica C (conjugada); meningocócica ACWY (conjugada); influenza; Covid-19; febre amarela; tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola); varicela; DTP; hepatite A; e HPV.

Vacina 100 Dúvidas

O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), mantém o portal Vacina100Dúvidas, que reúne respostas para as perguntas mais frequentes sobre vacinação. A plataforma traz informações sobre segurança, eficácia, possíveis eventos adversos, doenças imunopreveníveis e os riscos da não vacinação.

O conteúdo está disponível em vacina100duvidas.sp.gov.br

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Veja como a vacinação de adultos protege bebês e freia o avanço de doenças consideradas erradicadas

Veja como a vacinação de adultos protege bebês e freia o avanço de doenças consideradas erradicadas

A não imunização de adultos ou pais de bebês recém-nascidos pode estar contribuindo para o cenário preocupante na América Latina, especialmente no Brasil. Somente no ano de 2024, foram registrados quase 7,8 mil casos confirmados de coqueluche, de acordo com os dados do Ministério da Saúde, um salto de mais de 7,5 mil em comparação com o ano de 2023, quando houve um surto da doença. Um dos principais fatores para esse aumento é a não vacinação de pais ou adultos que convivem com bebês de até 6 meses de idade. 

A pediatra Jorgete Maria e Silva, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, explica que a doença se propaga com mais facilidade em crianças devido à fragilidade do sistema imunológico. “Quanto menor a criança, mais dificuldades ela tem para reagir positivamente à doença, seja pela falta de imunidade prévia, mas principalmente pelas condições anatômicas e fisiológicas do trato respiratório”, diz.

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Ela enfatiza que, para sobressair nessa situação, é necessário imunizar adultos ou pessoas próximas do círculo de convivência dos bebês recém-nascidos. “A estratégia de cocoon ou casulo propõe a vacinação de todos que convivem próximos de bebês de até 6 meses de idade. Essa proposta surgiu pautada principalmente na preocupação da transmissão da coqueluche”, explica.

Jorgete ainda ressalta que a estratégia deve ser aplicada não só para a coqueluche. “Na verdade, seria importante não só a vacinação para coqueluche, mas também para outras vacinas disponibilizadas pelo SUS, como influenza, sarampo e difteria”, diz.  

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Desafios a serem superados

Entre as mais diversas dificuldades enfrentadas pelo sistema público de saúde, a baixa adesão à cobertura vacinal ainda persiste, sendo um dos maiores obstáculos. “Nos últimos dois anos, houve um recrudescimento da coqueluche, e essa alta está relacionada à baixa cobertura vacinal desde a pandemia do Covid-19”, menciona 

Para lidar com essa realidade, Jorgete salienta a urgência de mais vacinação. “O cuidado preventivo, como a imunização das pessoas que convivem muito próximas aos bebês, ainda é um dos maiores alicerces para lidar com esse problema de baixa cobertura vacinal que a saúde vem enfrentando. Por exemplo, a coqueluche tem uma incidência sazonal, com surtos a cada 3 e 5 anos. Se houvesse uma boa adesão à vacina entre 2021 e 2022, não teríamos um surto no final de 2023”, lembra.

Medidas preventivas

Para o epidemiologista Fernando Rodrigues Bellissimo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, o aleitamento materno é uma medida eficiente que ajuda na proteção imunológica da criança. “Além das vacinas, outro fator que contribui para a proteção do recém-nascido nesses primeiros 6 meses de vida é o aleitamento materno, uma vez que o leite transfere anticorpos diretamente para a criança, especialmente para aquelas doenças contra as quais a mãe foi imunizada”, alega.

Contudo, Bellissimo destaca que a vacinação dos pais e bebês continua sendo uma ferramenta de extrema importância. “Vale salientar que essa estratégia do aleitamento materno é muito importante, mas não dispensa a imunização dos adultos e crianças.”

Cuidado preventivo como alternativa

A enfermeira Karina Bordonal Gomiero Biagiotti, funcionária da clínica Itatiaia Vacinas, diz que em sua rotina diária na saúde, em uma clínica privada de vacinação, muitos pais não se vacinam, pensando exclusivamente só na saúde do bebê. “Quando os pais vão no consultório, eu pergunto: ‘Como está a vacina?’ E eles respondem assim: ‘A minha vacina está em dia’. Nunca se preocupam com eles mesmos, apenas com o bebê”, relata.

Karina ressalta que muitos adultos e pais não se vacinam devido ao custo da imunização. “As vacinas custam geralmente R$ 200, mas muitos pais acham caro e optam por não se imunizar. Não pensando a longo prazo na sua própria saúde e na do bebê.” Ela faz um alerta importante: “A vacina pode custar caro, mas é algo que a pessoa pode tomar outra dose daqui 10 anos. Vale a pena pagar um pouco mais caro e proteger a saúde do seu bebê e também a sua”, finaliza.

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