Comissão da Mulher da Câmara tem homem acusado de ameaçar deputadas



A nova pesquisa Atlas deve ser lida com a serenidade que o momento político exige — e, sobretudo, com atenção aos seus recortes internos. O dado mais chamativo, a desaprovação de 54% ao presidente, ganha contornos mais claros quando se observa a composição desse número.
Entre os eleitores de Bolsonaro, a rejeição a Lula é praticamente unânime (98,5%), o que pouco acrescenta em termos analíticos: trata-se de um eleitorado já consolidado na oposição. O mesmo padrão, ainda que menos intenso, aparece entre os que votaram em branco (76,5%) e entre os que não votaram (81,8%). Ou seja, a desaprovação cresce justamente nos segmentos menos engajados ou mais voláteis — um sinal mais relevante do que a simples rejeição entre adversários históricos.
Na avaliação do governo, o desenho se repete com pequenas variações. Entre os bolsonaristas, 94,5% classificam a gestão como péssima — novamente, um dado esperado. Já entre brancos (69,6%) e abstencionistas (68%), a crítica permanece alta, indicando que o governo enfrenta dificuldades para conquistar ou reter apoio fora de sua base tradicional.
Quando se passa à intenção de voto para o primeiro turno, o padrão de polarização se mantém. Flávio Bolsonaro herda de forma expressiva o eleitorado do pai (80,7%), mas mostra fragilidade fora desse núcleo: tem desempenho baixo entre votos brancos (13,9%) e recuperação apenas parcial entre os que não votaram (30,2%). É, portanto, um candidato competitivo dentro da bolha bolsonarista, mas ainda limitado na expansão.
O cenário que se desenha, por ora, é de repetição de 2022. Lula, como incumbente, carrega a vantagem estrutural da máquina e da visibilidade, mas enfrenta o desgaste acumulado de um ciclo longo do PT no poder — uma espécie de “fadiga de material”. Já o herdeiro político de Bolsonaro tem no sobrenome tanto um ativo quanto um passivo: mobiliza sua base, mas encontra resistência fora dela.
Nesse contexto, a eleição de 2026 tende a ser decidida menos pela conversão de adversários e mais pela capacidade de mobilização. Em teoria, o fator decisivo continua sendo o mesmo desde 2002: ativar o contingente de eleitores que se abstêm, votam em branco ou anulam. Quem conseguir engajar esse grupo pode abrir uma vantagem relevante.

No último sábado (14), Flávio Bolsonaro foi flagrado durante um evento político em Ji-Paraná, Rondônia, pulando e sorrindo em júbilo, atitude reveladora de seu caráter, considerando a gravidade do estado de saúde de seu pai, Jair Bolsonaro, internado na UTI do hospital DF Star, em Brasília.
Enquanto o ex-presidente passa por uma broncopneumonia bacteriana bilateral, com um quadro exigindo cuidados intensivos e acompanhamento médico rigoroso, o comportamento do filho se mostra, no mínimo, indigno.
Durante o evento, promovido pelo PL, Flávio Bolsonaro demonstrava entusiasmo incontido, sorrindo enlouquecidamente. O comportamento do senador e presidenciável repete a falta de empatia e decência que o próprio Jair exibiu no momento em que milhares de brasileiros morriam durante a pandemia de Covid-19.
Em sua defesa, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais, justificando sua presença no evento como um compromisso político. E daí?
Ele afirmou que, após o evento, foi diretamente ao hospital em Brasília para visitar o velho e dar-lhe boas notícias sobre o lançamento da chapa de pré-candidatos em Rondônia.
Jair Bolsonaro apresentou melhora em sua função renal, mas teve piora nos indicadores inflamatórios e precisou ampliar a cobertura de antibióticos.
Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, se manifestou em defesa do irmão, alegando que o comportamento de Flávio é uma forma de honrar os pedidos de seu pai e manter o ânimo durante um momento difícil.
Como sempre digo, para o clã Bolsonaro vale tudo pelo poder. Basta observar a alegria do filho 01 durante um ato político, mesmo com o pai na UTI e, segundo ele próprio, em estado muito grave de saúde. pic.twitter.com/9MWvf872sM
— Carlos Zarattini (@CarlosZarattini) March 15, 2026
Na verdade, eles se odeiam e disputam o legado do morto-vivo. De um lado os três irmãos, do outro Michelle com Nikolas Ferreira, parte do Centrão o que restou de Tarcísio de Freitas.
A ex-primeira-dama joga pesado também. Divulgou um vídeo em que uma influenciadora bolsonarista acusa jornalistas de “desejarem” a morte do marido. Os repórteres estavam do lado de fora do hospital para acompanhar as atualizações sobre o estado de saúde do ex-mandatário.
O vídeo, que não mostra os supostos comentários feitos pelos jornalistas, é acompanhado de uma legenda que afirma: “jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”. No registro, a influenciadora grita com os repórteres e filma o crachá de uma assessora do hospital, acusando os profissionais de imprensa de “falta de vergonha”.
Dois jornalistas registraram boletins de ocorrência por intimidação. Um deles, que teve seu filho ameaçado, decidiu fechar suas redes sociais. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) se manifestou publicamente, repudiando “veementemente as ameaças, a difamação e a exposição violenta de jornalistas e seus familiares” após a divulgação do vídeo, classificando-o como “irresponsável”.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou em seu perfil no Instagram um vídeo de uma influenciadora bolsonarista que acusava jornalistas de “desejarem” a morte do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A postagem foi feita enquanto os jornalistas acompanhavam do lado de fora do hospital DF Star as atualizações sobre o estado de saúde do ex-presidente. A gravação, tirada de contexto, foi compartilhada sem comentários, mas gerou uma série de ameaças contra os profissionais de imprensa.
O vídeo foi feito pela influenciadora no primeiro dia da internação de Bolsonaro e, sem provas, insinua que os jornalistas estavam comemorando os problemas de saúde enfrentados por Bolsonaro. “Jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”, dizia o texto da gravação.
Michelle, que conta com mais de 8,1 milhões de seguidores, amplificou a mensagem ao compartilhar o conteúdo sem qualquer verificação prévia, gerando indignação entre os jornalistas. Após a divulgação do vídeo, ao menos dois jornalistas se tornaram alvo de ameaças de morte. Um deles registrou boletim de ocorrência devido aos ataques.
REVOLTANTE — Jornalistas se reuniram em frente ao hospital onde Jair Bolsonaro está internado, em Brasília, e foram flagrados fazendo piadas e até desejando sua morte, celebrando a sexta-feira 13. Esse é o “jornalismo” que vive pregando empatia e respeito? pic.twitter.com/p7xhMLKOEL
— MSP – Brazil Sem Picanha (@mspbra) March 13, 2026
As ameaças começaram a surgir nas redes sociais e também em encontros presenciais. Em um dos casos, foi publicado um vídeo gerado por inteligência artificial simulando que uma jornalista seria esfaqueada. Outro jornalista recebeu ameaças direcionadas a seu filho e decidiu fechar suas redes sociais após o episódio.
Nas redes sociais, um dos ataques dizia: “Você é a vagabunda que ficou desejando a morte do Bolsonaro, né?”
Outro comentário agressivo dizia: “Agora somos nós que desejamos a sua morte!”, direcionado a uma repórter exposta no vídeo. A situação gerou uma onda de violência verbal contra jornalistas e seus familiares, levando à condenação imediata de parlamentares e ativistas pela liberdade de expressão.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) se manifestou publicamente contra os ataques, reforçando a importância da liberdade de imprensa. “Nada justifica tamanha violência contra profissionais da imprensa em pleno exercício da atividade jornalística”, disse a organização, que também pediu uma apuração rigorosa do caso e punição para os agressores.
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) também emitiu uma nota de repúdio, destacando o impacto negativo dessa campanha de desinformação contra os jornalistas.
“O vídeo, produzido por uma influenciadora bolsonarista, foi amplificado por parlamentares da extrema direita e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o compartilharam sem qualquer verificação, disseminando mentiras e expondo profissionais de imprensa que estavam simplesmente exercendo seu trabalho.”, afirmou a Abraji.
A Polícia Militar, por sua vez, procurou os jornalistas envolvidos e os orientou a buscar apoio da equipe de segurança que estava de guarda em frente ao hospital, caso novos episódios de violência ocorressem. Depois disso, não foram registrados novos ataques.