Visualização normal

Received before yesterday

“Fomos enganados”: diretor da Fifa acusa Infantino e expõe crise interna

31 de Julho de 2026, 14:42
O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour. Foto: Divulgação

O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, acusou o presidente da entidade, Gianni Infantino, de enganar funcionários ao conduzir sem transparência um plano de investimento privado ligado à Copa do Mundo. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (31), Lamour afirmou que os trabalhadores “merecem algo melhor do que desprezo e intimidação”.

Lamour classificou a proposta como um “projeto de uma pessoa” e defendeu que ela não avance. “Este projeto não só não deve prosseguir… como chegou a hora de os líderes políticos do futebol se questionarem corretamente e tomarem as decisões certas”, declarou.

O diretor disse que não pretende pedir demissão, embora admita o risco de perder o emprego por se manifestar. “Se isso significar perder meu emprego, que assim seja. Pelo menos vou dormir bem esta noite”, afirmou.

Na crítica a Infantino, Lamour disse que vice-presidentes, integrantes do Conselho da FIFA, confederações, federações, jogadores, ligas, clubes, torcedores e a própria administração foram ignorados. Para ele, a condução do tema revela “falta de confiança, falta de transparência, falta de discernimento, falta de boa governança. E uma grave falta de respeito”.

O presidente da FIFA Gianni Infantino. Foto: Divulgação

Também nesta sexta-feira (31), Carlos Cordeiro deixou o posto de conselheiro sênior de Infantino em protesto contra o projeto. Ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e ex-vice-presidente do Goldman Sachs, ele ocupava a função desde 2021 e integra a força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo de 2026.

Cordeiro criticou a ideia de vender 20% de uma nova subsidiária responsável por comercializar direitos da Copa do Mundo. O empreendimento teria avaliação de US$ 20 bilhões, e a operação buscaria levantar US$ 4,2 bilhões com investidores privados. “É um mau negócio para as Associações Membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro do esporte a longo prazo”, disse.

O ex-assessor questionou por que a FIFA pretende captar recursos apesar de possuir bilhões de dólares em reservas e não ter dívidas. Ele citou os US$ 15 bilhões em receitas entre 2022 e 2026 mencionados por Infantino e afirmou que vender uma participação permanente no principal ativo comercial da entidade significaria “hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente”.

A Confederação Asiática de Futebol, a Concacaf e a UEFA se posicionaram contra o plano, reunindo 143 das 211 associações filiadas à FIFA — mais do que as 106 necessárias para aprová-lo em votação.

A entidade respondeu que não está “vendendo futebol”, atribuiu parte da reação a “reportagens incorretas da mídia” e afirmou que seguirá com o processo de consulta; a Confederação Africana avaliará a proposta na próxima semana, enquanto a Oceania discutirá o tema no próximo mês.

Espanha e Portugal ameaçam desistir da Copa de 2030 por plano da Fifa; entenda

31 de Julho de 2026, 14:34
A seleção da espanha campeã da Copa do Mundo. Foto: Divulgação

Espanha e Portugal planejam retirar a candidatura para sediar a Copa do Mundo de 2030 caso o presidente da Fifa, Gianni Infantino, leve adiante a proposta de vender parte dos direitos comerciais do torneio, informou o jornal espanhol ‘El Español’ nesta sexta-feira (31). Os dois países dividem a organização prevista com Marrocos.

A eventual saída integraria a reação da UEFA contra o projeto e significaria também abrir mão de receber partidas do Mundial. A edição de 2030 prevê jogos nos três países anfitriões e partidas inaugurais no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, em referência ao centenário da primeira Copa.

O plano contestado prevê a venda de 20% de uma nova subsidiária encarregada de comercializar os direitos da Copa do Mundo para investidores privados. O empreendimento teria avaliação de US$ 20 bilhões, e a operação poderia render US$ 4,2 bilhões à Fifa.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) se juntou à UEFA e à Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) na oposição ao projeto. Para a AFC, a Fifa “não consegue, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar”.

A entidade asiática reúne 47 associações, a Concacaf reúne 41 e a UEFA tem 55. Juntas, as três confederações somam 143 dos 211 membros da Fifa, acima dos 106 votos necessários para aprovar a proposta.

Taça da Copa do Mundo e as bandeiras das sedes de 2030. Foto: Divulgação

A Concacaf rejeitou a iniciativa após reunião emergencial realizada na quinta-feira (30). As associações apontaram “profunda preocupação” com a ausência de revisão pelos órgãos de governança da Fifa, com o prazo curto para análise e com a falta de devido processo na discussão.

A AFC também cobrou uma revisão urgente da estrutura de governança e de tomada de decisões da entidade. A confederação africana deve discutir o tema na próxima semana, enquanto a Oceania programou uma reunião para o mês seguinte; a Conmebol ainda não divulgou posição pública.

O diretor de operações da Fifa, Kevin Lamour, criticou a condução de Infantino e classificou a proposta como “projeto de uma pessoa”. Ele afirmou que funcionários da entidade foram “enganados” pela falta de transparência e declarou que não pretende renunciar, mesmo que sua manifestação lhe custe o emprego.

No mesmo dia, Carlos Cordeiro, assessor sênior de Infantino e ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, pediu demissão em protesto. “É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente”, disse Cordeiro ao argumentar que a Fifa tem bilhões de dólares em reservas, não possui dívidas e registrou US$ 15 bilhões em receitas entre 2022 e 2026.

Irã impõe condição para participar da Copa do Mundo nos EUA

27 de Abril de 2026, 21:59
Ahmad Donyamali, ministro do Esporte e da Juventude do Irã, falando em microfone, sério, no canto direito de foto
Ahmad Donyamali, ministro do Esporte e da Juventude do Irã – Reprodução

A participação do Irã na Copa do Mundo de 2026 ainda não está confirmada pelo governo do país. O ministro do Esporte e da Juventude, Ahmad Donyamali, afirmou que a seleção pode ficar fora do torneio caso não receba garantias de segurança para atuar nos Estados Unidos.

“Devemos estar preparados, mas é possível que não participemos da Copa do Mundo. A decisão final será tomada pelo governo e pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional”, disse Donyamali à agência iraniana Tasnim. Em março, ele já havia afirmado que o Irã não disputaria a competição.

A incerteza ocorre em meio aos conflitos envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. Como os jogos da seleção iraniana estão marcados para território norte-americano, o governo do país passou a cobrar garantias para a viagem da delegação.

O Irã chegou a pedir à Fifa que suas partidas fossem transferidas para o México, uma das sedes do Mundial. A entidade, porém, manteve os compromissos nas cidades previstas inicialmente.

Seleção do Irã em amistoso contra Senegal - Robbie Jay Barratt/Getty Images
Seleção do Irã em amistoso contra Senegal – Robbie Jay Barratt/Getty Images

“A seleção realizará um período de treinamento em um país vizinho [Turquia] nas próximas três semanas. Se a segurança dos membros da seleção nos Estados Unidos for garantida, viajaremos para lá para participar da Copa do Mundo de 2026”, afirmou Donyamali.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse que o Irã estará na Copa. Pelo regulamento da entidade, uma seleção que abandona a competição pode receber multa mínima de 250 mil francos suíços, cerca de R$ 1,6 milhão.

Caso a desistência seja confirmada, a Fifa poderá manter o grupo com apenas três seleções ou convidar outro país para ocupar a vaga.

O Irã está no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. A estreia está marcada para 15 de junho, às 22h, contra a seleção neozelandesa, no SoFi Stadium, em Inglewood, na Califórnia.

❌