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Banco do Brasil (BBAS3) vê melhora no agro com MP, mas provisões podem ficar no teto e lucro no piso do guidance

13 de Agosto de 2026, 18:10

O Banco do Brasil (BBAS3) trabalha com um cenário de melhora nas provisões da carteira de crédito do agronegócio nos próximos meses, apoiada principalmente pelo programa de reestruturação de dívidas do setor rural lançado pelo governo federal no mês passado, mas dúvidas sobre o cumprimento das previsões do banco para o ano pressionaram as ações para mínimas em um ano.

“Nós esperamos uma melhora relevante na PDD do agro em virtude da MP 1.376”, afirmou o vice-presidente de controles internos e gestão de riscos da instituição financeira, Felipe Prince, em teleconferência com analistas para comentar o resultado do banco no segundo trimestre, divulgado na véspera.

“Temos à disposição dos nossos clientes um instrumento para promover essa renegociação. Nós trabalharemos muito fortemente na melhoria das condições do cliente como um todo e isso traz impacto também no relacionamento pessoa física com os produtores rurais”, afirmou.

No segundo trimestre, a inadimplência acima de 90 dias do agro avançou para 6,27%, de 3,16% um ano antes e 6,22% nos três meses imediatamente anteriores. Na pessoa física, atingiu 8,41%, de 5,59% um ano antes e 6,82% nos primeiros três meses de 2026.

A presidente-executiva do BB, Tarciana Medeiros, afirmou na teleconferência que o portfólio de crédito potencial do banco para enquadramento na MP 1.376 é de até R$100 bilhões.

De acordo com o vice-presidente de agronegócios e agricultura familiar do BB, Gilson Bittencourt, o foco inicial será principalmente o produtor inadimplente. Dados do Banco do Brasil divulgados na apresentação mostravam R$36,7 bilhões em operações inadimplentes.

“Esse vai ser o foco central da nossa atuação, seguido por aqueles que estão com operações prorrogadas com taxas livres, que se enquadram dentro do percentual de perdas e dos limites de crédito. Então esse é o público central que a gente vai buscar… trabalharmos com algo de até em torno de R$30 bilhões”, afirmou, ressaltando que tal montante já tem um efeito bastante significativo em relação às operações inadimplentes do banco.

Bittencourt também citou uma expectativa de redução da inadimplência da carteira agro em razão das mudanças nas regras de concessão de empréstimo, que ficaram mais rigorosas. Ele apontou que ainda há um percentual grande de créditos contratados no formato anterior, mas que está aumentando a quantidade de financiamentos que estão vencendo que já foram contratados com a nova matriz de resiliência.

“Em agosto já estamos 35% e esse número vai chegar a 57% até dezembro”, afirmou. “A expectativa é que com a nova matriz a gente já tenha uma redução da inadimplência.”

O Banco do Brasil também afirmou que está preocupado e acompanhando de perto o efeito El Niño, trabalhando para minimizar o máximo possível os impactos nos financiamentos do banco.

Bittencourt, contudo, citou que, no geral, na produção de grãos em anos anteriores, o efeito de El Niño não é tão significativo quando se olha o país como um todo. “Mas quando se olha algumas culturas e algumas regiões, o problema existe e tende a ser grave, o que exige de nós uma ação muito cuidadosa na concessão do crédito, no acompanhamento e na discussão técnica com esses produtores”, pontuou em coletiva de imprensa também nesta quinta-feira.

Guidance

O BB reiterou o guidance para o ano divulgado mais cedo no ano, que inclui um lucro líquido ajustado de R$18 bilhões a R$22 bilhões, bem como custo de crédito de R$65 bilhões a R$70 bilhões, entre outras métricas, o que fez alguns analistas questionarem se tal resultado, principalmente a linha do custo do crédito, será alcançado, uma vez que no primeiro semestre já registrou R$37,3 bilhões.

De acordo com os executivos, o tema foi debatido e prevaleceu a crença na capacidade do banco de entregar os números. Mais uma vez, a MP 1.376 foi citada como “importantíssima” para o BB poder reestruturar as dívidas dos agricultores que estão com seus fluxos de caixa apertados.

Eles observaram que no segundo trimestre houve um efeito de “risco moral”, com o agricultor em compasso de espera, aguardando as discussões que estavam acontecendo envolvendo um projeto de lei de reestruturação.

“Essas discussões se estenderam e o governo achou por bem então emitir essa medida provisória. Estão só aguardando finalizações específicas, então acreditamos que teremos basicamente um pedaço de agosto e setembro para acelerar”, afirmou o vice-presidente de gestão financeira, Geovanne Tobias.

O entendimento no BB foi de que se a instituição financeira executar tão bem quanto executou as operações ligadas à MP 1.314, que estabeleceu regras especiais para produtores rurais liquidarem e amortizarem operações de custeio, investimento e CPR, não seria necessário fazer um ajuste na previsão sobre o custo de crédito agora.

Tobias, contudo, reconheceu que o desempenho está apontando muito mais para a ponta de baixa do guidance para o lucro, com provisão encostando nos R$70 bilhões.

“Vamos trabalhar para não ter que fazer esse ajuste de guidance. Esperem provisão ali na ponta alta e para o lucro na ponta baixa”, afirmou. Tanto Tobias quanto Medeiros reconheceram a chance de um “pequeno desvio” na estimativa do custo do crédito.

BBAS3: Reações no mercado

Em relatório a clientes, o analista Gustavo Schroden, do Citi, afirmou que, embora a administração do BB tenha reiterado confiança no cumprimento de seu guidance, continua acreditando que o guidance mantido apresenta risco de não ser atingido.

“Nós já estamos em meados do terceiro trimestre e as renegociações relacionadas à MP 1.376 ainda não foram iniciadas, o que sugere que quaisquer potenciais efeitos positivos deverão se materializar apenas no quarto trimestre. Dessa forma, mantemos nossa estimativa de lucro líquido recorrente de R$17,5 bilhões para 2026”, afirmou em relatório a clientes após a teleconferência.

Na bolsa paulista, as ações do BB renovaram as mínimas no começo da tarde, sendo negociadas com declínio de 3,89%, a R$18,26, por volta de 14h10, enquanto o Ibovespa cedia 0,23%. No pior momento, os papéis foram cotados a R$18,21, renovando mínima intradia desde o início de agosto do ano passado.

Pessoa física

Executivos do BB também buscaram amenizar preocupações com a piora na inadimplência na pessoa física, que no segundo trimestre foi pressionada principalmente pela linha de cartão de crédito.

Além de um efeito de contaminação da carteira agro, os executivos citaram como componente negativo a adoção de nova sistemática de parcelamento automático da fatura do cartão de crédito. Ao longo do primeiro trimestre, o banco percebeu que os clientes começaram a fazer esse parcelamento automático, o que foi percebido como um risco, um alerta principalmente nas classes D e E.

“Imediatamente, travamos essa linha”, afirmou Tobias, explicando que, agora, para fazer o parcelamento, o cliente precisa pagar a entrada. “Foi um efeito pontual.”

De acordo com os executivos do banco, na pessoa física, o foco tem sido principalmente nos consignados, público e privado.

“Uma vez que já começou a flexibilização monetária, uma redução de taxa de juros, isso pode trazer um benefício marginal para a redução do risco como um todo para a pessoa física. A gente vai estar atento para poder crescer, mas cuidando para que esse crescimento também não traga mais risco, como aconteceu, por exemplo, no segmento D e E de cartão de crédito”, disse Tobias

ROE

De acordo com o executivo, a perspectiva de que a provisão encoste no topo do guidance pressupõe um lucro de R$18 bilhões, o que daria um retorno sobre patrimônio (ROE) “perto dos 10%”. No primeiro semestre do ano, essa métrica ficou em 7,3%.

“O ROE é baixo ainda, mas acreditamos que vamos passar por essa tormenta, por esse meteoro que está caindo aqui no agro, e vamos sim retomar essa lucratividade do banco”, afirmou Tobias.

“A capacidade do banco é de retornar, sim, com maior lucratividade, como entregamos no início da nossa gestão. Mas vai demorar um tempo, porque temos que digerir todo esse processo de aumento de risco da carteira rural, principalmente.”

De acordo com o executivo, o banco está trabalhando para reduzir o risco da carteira de crédito, que está na faixa de 5,9%, bem distante dos outros pares, que têm essa métrica perto de 3%, 3,5%.

Três riscos que podem definir seus investimentos em 2026 no Brasil

5 de Julho de 2026, 08:00

As eleições presidenciais de 2026 começam a ganhar espaço nas projeções do mercado financeiro. A pesquisa divulgada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg na quarta-feira (1º) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando os cenários de disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), com vantagem superior a 10 pontos percentuais no 1º turno.

Paralelamente ao cenário político, investidores observam de perto a trajetória da taxa Selic, que segue em patamar elevado.

“O Caged de maio apontou uma desaceleração gradual de empregos. O dado soma-se ao IPCA-15 mais benigno, à PNAD Contínua e à comunicação mais clara de Gabriel Galípolo após o Relatório de Política Monetária, fortalecendo as apostas em um novo corte de 0,25 p.p. da Selic em agosto”, comenta Matheus Spiess, analista de macroeconomia da Empiricus Research.

Além disso, investidores também acompanham a possibilidade de um novo episódio de El Niño de forte intensidade. O fenômeno climático, que atinge regiões de todo o país, coloca em risco a produção global de alimentos e os preços das commodities agrícolas.

Veja como investir diante dos 3 eventos de risco

Na hora de investir com sabedoria e sem colocar o seu patrimônio em riscos desnecessários, é preciso olhar para o cenário como um todo.

O El Niño se trata de um fenômeno climático, restando como medidas tentar antecipar os danos e preveni-los, tanto fisicamente quanto financeiramente.

Já no aspecto das expectativas para a taxa Selic, Spiess aponta que a desaceleração forte dos dados de atividade pode dar mais espaço para o BC cortar juros, ainda que o tamanho dessa margem dependa do fiscal – isto é, das despesas do governo.

Ambos os fatores (El Niño e cortes da Selic) estão sendo levados em conta ao longo de todo o ano de 2026 na hora dos analistas da Empiricus escolherem os melhores ativos recomendados para seus investidores.

Agora, com a chegada do segundo semestre do ano, a tendência é que o terceiro fator passe a concentrar mais a atenção do mercado.

As votações das eleições de 2026 estão marcadas para os dias 4 e 25 de outubro e ainda não está definido quais serão os políticos a concorrer. Por enquanto, a lista de pré-candidaturas conta com nomes como:

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Flávio Bolsonaro (PL)
  • Romeu Zema (Novo)
  • Ronaldo Caiado (PSD)

Nas próximas semanas, a oficialização das candidaturas e o início do período de campanhas até a contagem final de votos, deve trazer muita volatilidade aos preços do mercado.

Historicamente, são em momentos como este que quem está posicionado da maneira correta tem a chance de capturar as maiores oportunidades de lucro.

Isso porque em momentos de volatilidade podem ocorrer grandes perdas, mas também aparecem grandes oportunidades para quem está preparado.

Em períodos semelhantes a este, os analistas da Empiricus já conseguiram entregar lucros de 300%, 1.000% e 1.700%, em meio à alta variação de preços acompanhando as urnas.

Claro que os retornos passados são garantia de lucros futuros. Mas o que se desenha neste cenário é um ambiente econômico com algumas similaridades ao que possibilitou os lucros anteriores.

Por isso, os analistas da Empiricus estão muito confiantes de que é possível surfar nessas oportunidades – e acreditam que os investidores podem começar a preparar seu portfólio o mais cedo possível para o que vem por aí.

Na visão da casa, nem mesmo importa se um dos nomes acima ou outro vai vencer as eleições em outubro. É possível buscar ganhos em qualquer cenário, com a estratégia ideal para os seus objetivos financeiros.

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