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Minerva prevê margens mais apertadas em 2026 após ano recorde

19 de Março de 2026, 11:52

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, entrou em 2026 com resultados recordes, mas já alertou o mercado que a rentabilidade será mais pressionada neste ano.

A companhia da família Vilela de Queiroz reportou lucro líquido de R$ 848 milhões em 2025, revertendo o prejuízo do ano anterior, e um resultado operacional (Ebitda) recorde de R$ 4,8 bilhões – alta de 54,1% na comparação anual. 

Para 2026, a expectativa da diretoria é de margens mais apertadas, diante da pressão de custos com frete, energia e, principalmente, a alta no preço do gado. “Isso tudo deve fazer com que a nossa margem em 2026 seja pior do que a margem de 2025”, afirmou o CFO Edison Ticle, durante teleconferência com analistas.

Segundo o executivo, o ciclo pecuário no Brasil entrou em uma fase de oferta mais restrita, com retenção de fêmeas e menor disponibilidade de animais para abate, o que deve manter o preço da arroba em patamares elevados e acima da inflação. 

O movimento ocorre em um contexto global de menor oferta de carne bovina, especialmente nos Estados Unidos, com estimativas de queda de produção em grandes mercados, o que pode retirar até 1 milhão de toneladas do mercado internacional.

A avaliação de um ano de margens mais apertadas pressionou os papéis da Minerva na B3: a ação da empresa fechou esta quinta-feira (19) com queda 10,7%, para R$ 3,84, liderando as baixas do Ibovespa.

Crescimento na receita

Ainda assim, a Minerva projeta crescimento de receita de até 10% em 2026, impulsionado principalmente pelo repasse de preços no mercado externo. O Ebitda de 2025 deve servir como “piso” para os resultados deste ano, indicou a companhia.

Para chegar nesses números, a aposta passa pela diversificação geográfica, que permite redirecionar fluxos comerciais diante de mudanças regulatórias – como as cotas de importação da China – e restrições em mercados específicos. 

Hoje, cerca de metade da operação da Minerva está fora do Brasil, o que amplia a capacidade de arbitragem entre países e destinos, disse o CEO Fernando Galletti de Queiroz. Ao mesmo tempo, o mercado local segue mais desafiador, avalia a empresa, com o consumo pressionado e migração para proteínas mais baratas, como frango e suíno.

Em paralelo, após concluir a integração dos ativos adquiridos da Marfrig – processo que contribuiu para o salto de receita e rentabilidade em 2025 –, a companhia agora volta seu foco para a redução do endividamento. A meta para 2026 é de levar a dívida líquida para cerca de 2 vezes o Ebitda, abaixo dos 2,6 vezes registrados ao fim do ano passado.

MBRF, Minerva e o outro custo da guerra no Oriente Médio: a logística

8 de Março de 2026, 17:28

A escalada das tensões no Oriente Médio adicionaram um novo ponto de atenção ao setor de proteína animal: a logística. Duas companhias brasileiras – MBRF e Minerva – são aquelas com exposição mais evidente a mercados e fluxos comerciais ligados à região.

O ponto de partida dessa preocupação está no peso da região para as exportações brasileiras. O Oriente Médio responde por cerca de 25% das exportações de frango do Brasil, o que coloca a MBRF, dona de marcas relevantes nesse segmento, entre as empresas mais sensíveis a eventuais mudanças nas rotas de embarque.

No caso da Minerva, a exposição aparece na carne bovina: cerca de 7% das exportações brasileiras do produto tiveram como destino o Oriente Médio em 2025, segundo dados computados pelo Itaú BBA.

Até aqui, não é possível afirmar que o impacto esteja “contratado” para as empresas ou que há interrupção dos embarques, mas a instabilidade geopolítica joga luz sobre um um novo risco operacional que se desenha no horizonte.

As tensões geopolíticas são o grande ponto de atenção porque podem gerar gargalos logísticos na entrega de embarques das companhias para a região, que devem contar com alternativas para tentar driblar as dificuldades.

Segundo o Itaú BBA, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) já havia alertado para possíveis interrupções decorrentes da mudança de fluxo de tráfego pelo Estreito de Ormuz, que já está fechado e já vem, por isso, afetando a cadeia de produção de outras commodities, caso do petróleo. E isso se soma a uma capacidade operacional menor no Canal de Suez, outra fonte de escoamento.

Como estratégia de segurançca alimentar, os produtores da região estão priorizando, atualmente, produção local em vez de importações. Além disso, a MBRF tem operações locais de frango halal, voltado ao consumo de acordo com as regras islâmicas.

Esses dois fatores permitem que a companhia consiga uma menor pressão sobre as vendas no curto prazo, mas isso só valerá se o conflito não se prolongar de forma significativa.

No caso das exportações brasileiras de carne bovina, a exposição é menor do que no segmento de aves, mas é possível ver efeitos potenciais sobre os produtores que já vinham trabalhando para redirecionar embarques para outras regiões após a imposição de cotas de produtos pela China.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) indicou que 30% a 40% das exportações brasileiras de carne bovina dependem de rotas que passavam pelo Estreito de Ormuz, trazendo novos riscos para a cadeia de suprimentos do setor.

Os volumes destinados ao Oriente Médio pela Minerva representaram 9% das exportações totais nos últimos 12 meses até o terceiro trimestre de 2025 e, mesmo não entregando produtos diretamente para o Irã, a companhia ainda tem pela frente desafios logísticos para atender a região se a guerra continuar no processo de escalada.

Nos cálculos do Itaú BBA, os spreads da carne bovina no Brasil – a diferença entre o preço de venda da carne e o custo da matéria-prima – recuaram 5,6% na comparação trimestral até agora no primeiro trimestre deste ano. O movimento é resultado da alta de 4,4% nos custos do gado, combinada com uma queda de 1,5% nos preços de exportação da carne bovina.

Desde o começo de março, as ações da MBRF (MBRF3) acumulam perdas de 12,6%. Já os papéis da Minerva (BEEF3) têm baixa de 13,8% no mesmo período.

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