Visualização normal

Received before yesterdayInvestNews

CSN fecha novo empréstimo de até US$ 1,4 bilhão e avança em plano para alongar dívidas

21 de Março de 2026, 08:02

A CSN avançou na tentativa de reorganizar seu passivo. A siderúrgica informou nesta sexta-feira, 20, que assinou uma carta-compromisso vinculante com um grupo de bancos para estruturar um novo empréstimo sindicalizado de US$ 1,2 bilhão, com possibilidade de aumento para até US$ 1,4 bilhão.

A companhia busca levantar recursos para trocar dívidas mais curtas por uma obrigação com prazo mais longo, num movimento de reperfilamento do endividamento. Ao fim de 2025, o grupo de Benjamin Steinbruch tinha dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,47 vezes o resultado operacional (Ebitda).

visualization

Desses mais de R$ 40 bilhões, R$ 9,4 bilhões vencem o ao longo deste ano, incluindo um bond de cerca de R$ 1 bilhão que vence já no final de abril. Segundo o fato relevante, o novo financiamento terá vencimento em cinco anos e juros iniciais de SOFR mais 6% ao ano.

O contrato está sendo estruturado com grandes bancos internacionais e locais, entre eles Morgan Stanley, Citi, Credit Agricole, HSBC, XP, BNP Paribas, Banco do Brasil e Bradesco. A tomadora do empréstimo será a CSN Inova Ventures, com garantias da própria CSN e da CSN Cimentos.

O empréstimo faz parte de uma estratégia mais ampla anunciada pela empresa em janeiro, quando o grupo anunciou um plano para levantar até R$ 18 bilhões com a venda de participações em ativos e, assim, domar — “de uma vez por todas” — a relação pouco equilibrada entre dívida líquida e Ebitda de seu principal negócio.

“Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse”, afirmou Steinbruch em teleconferência com analistas ao explicar o plano de desalavancagem.

Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN
Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN (Ilustração: João Brito)

Agora, a empresa tenta antecipar parte do dinheiro que espera levantar com esses desinvestimentos. Segundo a CSN, o novo crédito deve ajudar a aliviar vencimentos de curto e médio prazo e poderá ser garantido, em parte, por ativos que já estão no radar para venda.

A meta da empresa é chegar ao fim de 2026 com uma alavancagem entre 2 vezes e 1,8 vez, considerando também ganhos operacionais. Em um horizonte mais longo, de oito anos, o objetivo da CSN é atingir a relação de 1 vez dívida líquida/Ebitda.

Para isso, a CSN planeja vender o controle da CSN Cimentos e quer negociar uma participação minoritária, mas relevante, na unidade de Infraestrutura. A expectativa de assinatura de acordos vinculantes entre o terceiro e o quarto trimestres para esses ativos.

Nesta sexta-feira, a Bloomberg apontou que a J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, negocia a compra do controle do negócio de cimentos e estaria também interessada numa fatia da CSN Mineração. No fim de 2024, o conglomerado de Steinbruch vendeu 9,26% da CSN Mineração para o grupo japonês Itochu, que pagou cerca de R$ 4,4 bilhões pela fatia.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Joesley Batista negocia compra da unidade da CSN Cimentos

20 de Março de 2026, 12:47

O empresário brasileiro Joesley Batista está negociando a aquisição da unidade de cimento do conglomerado CSN, de Benjamin Steinbruch, que enfrenta dificuldades, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Batista está negociando diretamente com Steinbruch, acionista controlador e CEO da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), como a empresa é formalmente conhecida. Steinbruch tem enfrentado crescente pressão de credores para vender ativos. As ações da CSN reduziram perdas após a reportagem da Bloomberg.

Batista, por meio da J&F S.A., veículo de investimentos de sua família, também manifestou interesse na unidade de mineração da CSN, uma das mais sólidas do grupo, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as negociações são privadas. No ano passado, a unidade produziu 45,5 milhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade.

A J&F não comentou. A CSN não respondeu a pedidos de comentário. As ações da CSN caíam 1,2%, a R$ 6,02, às 12h12 em São Paulo, após terem recuado até 4,1% anteriormente.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Votorantim e Huaxin estão interessadas na unidade de cimento da CSN

16 de Março de 2026, 09:12

A Votorantim e a Huaxin Cement estão entre as empresas em negociações para adquirir a unidade de cimento da CSN, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

O preço de compra pode chegar a US$ 3 bilhões, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas por estarem discutindo informações confidenciais. A CSN está trabalhando com o Morgan Stanley na venda, informou a empresa na quinta-feira.

O negócio está em estágios iniciais e pode acabar não acontecendo, disseram as pessoas. 

A Votorantim e sua unidade de cimento não quiseram comentar. A CSN e a Huaxin não responderam a pedidos de comentários.  

A Cia. Siderúrgica Nacional, como a empresa é formalmente conhecida, está sob pressão financeira, já que sua dívida líquida aumentou 11%, para R$ 41,2 bilhões durante o quarto trimestre, elevando o índice de alavancagem líquida da empresa para 3,47 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA). 

O aumento foi um “evento pontual”, disse o presidente Benjamin Steinbruch a investidores e analistas durante uma teleconferência na quinta-feira. 

A empresa, controlada pela família bilionária Steinbruch, contratou assessores para vender uma participação significativa em seu braço de infraestrutura e logística, bem como o controle de seu negócio de cimento. O objetivo é fechar os negócios no terceiro trimestre, visando arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, quase metade do endividamento líquido atual.

A CSN pretende usar ações de sua unidade de cimento como garantia para um empréstimo, disse o diretor financeiro Marco Rabello em uma teleconferência com investidores. Embora ele não tenha especificado o valor do empréstimo, ele mencionou reportagens que algo na faixa de US$ 1,3 bilhão a US$ 1,5 bilhão.

Para obter a aprovação do Cade, a Votorantim precisaria formar um consórcio com outras empresas, no qual a Votorantim manteria alguns ativos onde tem menor presença de mercado, enquanto parceiros deteriam participações em negócios onde a Votorantim tem presença significativa, disse uma das pessoas. A Huaxin provavelmente não seria parte desse consórcio, disse a pessoa. 

A gigante chinesa Huaxin Cement entrou no mercado brasileiro no final de 2024 ao adquirir a Embu S.A. Engenharia e Comércio por US$ 186 milhões. A operação incluiu quatro pedreiras no estado de São Paulo, focadas na produção de agregados para construção civil.

💾

Enjoy the videos and music you love, upload original content, and share it all with friends, family, and the world on YouTube.

Com R$ 9,4 bilhões em dívidas vencendo em 2026, CSN corre para reforçar caixa

12 de Março de 2026, 13:44

Com R$ 9,4 bilhões em dívidas vencendo ao longo deste ano, incluindo um bond de cerca de R$ 1 bilhão que vence já no final de abril, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) enfrenta um teste de liquidez em meio a uma crescente desconfiança do mercado em relação a empresas altamente alavancadas.

O grupo de Benjamin Steinbruch encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,47 vezes o resultado operacional (Ebitda), o primeiro aumento do indicador após três trimestres consecutivos de queda. O número também ficou acima da expectativa sinalizada pela própria CSN, de que a meta era encerrar o ano com alavancagem próxima de 3 vezes ou menos.

visualization

A solução mais avançada até agora para mitigar a preocupação do mercado com a capacidade de liquidez da empresa é um empréstimo-ponte de até US$ 1,5 bilhão, tendo como garantia ativos da CSN Cimentos. O CFO Marco Rabello disse na teleconferência com analistas nesta quinta-feira (12) que a operação estava “extremamente madura” e que a assinatura seria “questão de dias”.

As negociações haviam travado semanas atrás em meio à turbulência no mercado de crédito corporativo brasileiro, com as recuperações extrajudiciais de GPA e Raízen, mas foram retomadas. Morgan Stanley, Citi, Deutsche Bank, BNP Paribas e HSBC estão entre os bancos envolvidos, segundo a Bloomberg. Os juros discutidos estariam girando entre 14% e 15% ao ano em dólar.

O cronograma de vencimentos pressiona porque não está concentrado em um único instrumento. A dívida que vence em 2026 está distribuída entre bonds, linhas bancárias, adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC), pré-pagamentos de exportação de minério e financiamentos de longo prazo com BNDES e Finep. 

Problema em 2028

A maior concentração de vencimentos, porém, aparece mais adiante. Em 2028 vencem R$ 11,7 bilhões, parcela dominada por dívida em dólar — o que executivos chamaram na teleconferência de a principal “torre” de amortizações da companhia.

visualization

O aumento da dívida líquida no quarto trimestre de 2025 teve causas específicas que a empresa classifica como pontuais. A principal foi a não renovação de contratos de pré-pagamento de exportação de minério de ferro, operações que normalmente ocorrem duas vezes ao ano em volumes entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. A companhia não fechou nenhuma operação desse tipo no primeiro trimestre.

Somaram-se a isso o efeito da desvalorização cambial sobre a dívida externa, parcialmente revertido com a valorização do real no início de 2026, e uma reavaliação de estoques considerados de segunda linha, que gerou impacto contábil relevante no período.

Estoques altos

Os estoques, aliás, viraram um ponto de atenção. Na teleconferência, o CEO Benjamin Steinbruch afirmou que o grupo carrega cerca de R$ 12 bilhões em estoques e que há espaço para monetizar parte desse volume ao longo do ano, o que poderia liberar caixa sem depender de venda de ativos ou novos financiamentos.

O plano estrutural de desalavancagem anunciado em janeiro prevê levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões por meio de três movimentos: a venda do controle da CSN Cimentos, a alienação de participação minoritária na plataforma de infraestrutura e logística e a busca de um sócio estratégico para investir na siderurgia.

Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN
Benjamin Steinbruch, controlador e CEO da CSN (Ilustração: João Brito)

O Morgan Stanley lidera o processo de venda da divisão de cimento, enquanto Citi e Bradesco conduzem o mandato de infraestrutura. Rabello disse que a meta é ter os dois primeiros acordos assinados até o terceiro trimestre de 2026, acrescentando que já há compradores potenciais da Ásia, Europa e Brasil mapeados.

Apesar do peso da dívida, a operação industrial apresentou avanços em 2025. O Ebitda ajustado cresceu 15%, para R$ 11,8 bilhões, impulsionado por volumes recordes na mineração, que superou 45 milhões de toneladas vendidas pela primeira vez na história.

Na siderurgia, o custo de produção de aço caiu para o menor nível desde 2021, segundo a companhia. Para 2026, a CSN projeta aumento de preços entre 4,5% e 6% já no primeiro trimestre, com perspectiva de margens de dois dígitos a partir do segundo trimestre, após medidas antidumping contra importações chinesas.

R$ 6,5 bilhões em juros

O problema é que essa melhora operacional ainda não se traduz em lucro. A CSN encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão, e o quarto trimestre sozinho gerou perda de R$ 721 milhões.

O principal fator é o custo da dívida. O resultado financeiro foi negativo em R$ 6,5 bilhões no ano, pressionado pela combinação de juros elevados e variação cambial sobre a dívida externa. Somente em encargos financeiros pagos ao longo de 2025, a companhia desembolsou cerca de R$ 3 bilhões.

Steinbruch encerrou a teleconferência reafirmando o compromisso com a desalavancagem e sinalizando que a empresa tem outras alternativas financeiras além do empréstimo-ponte e da venda de ativos já anunciada.

Endividamento alto de Raízen e CSN reacende temor no mercado de bonds

10 de Fevereiro de 2026, 18:13

A crise financeira da Raízen e as dúvidas sobre a capacidade da CSN de reduzir seu endividamento reacenderam o nervosismo no mercado de crédito corporativo brasileiro, provocando fuga de investidores e reabrindo o debate sobre o risco de um estresse mais amplo entre empresas altamente endividadas em um ambiente de juros no maior nível em duas décadas.

O gatilho foi a Raízen. Na segunda-feira (9), a empresa perdeu o grau de investimento após uma sequência de rebaixamentos de rating, em meio à relutância de seus controladores — Shell e Cosan — em aportar novos recursos. O mercado passou a precificar a possibilidade de uma reestruturação da dívida que atingiria diretamente os detentores de títulos.

A reação foi imediata. Investidores venderam papéis em massa, derrubando o preço de alguns bonds para cerca de 46 centavos por dólar — queda próxima de 50% em uma semana. O rendimento disparou para 18% ao ano, patamar normalmente associado a empresas em dificuldades financeiras.

O nervosismo se espalhou para a CSN. Mesmo prometendo reduzir a alavancagem por meio da venda de ativos, a siderúrgica viu seus títulos perderem cerca de 30 centavos por dólar nos últimos dias, à medida que investidores desmontaram posições antes de qualquer melhora concreta no balanço.

Para gestores globais, o choque foi a velocidade. A S&P cortou a classificação da Raízen em sete níveis de uma só vez; a Fitch, em oito.

“Nenhum outro país tem emissores cujos ratings caem tanto em um único dia”, disse Omotunde Lawal, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Barings. “Isso indica que o prêmio de risco corporativo brasileiro estava mal precificado.”

O pano de fundo é o custo da dívida. Com a taxa básica em 15%, o maior nível desde 2006, empresas muito alavancadas sentem pressão crescente. Ainda assim, o estresse permanece concentrado no crédito: a bolsa brasileira segue em alta e o real se fortaleceu com a entrada de capital estrangeiro.

O mercado já havia passado por episódio semelhante no ano passado, com os casos de Ambipar e Braskem. Na época, o choque foi tratado como pontual. Agora, investidores voltam a se perguntar se os casos recentes são isolados — ou sinal de um problema mais amplo.

“O mercado de dívida corporativa está relativamente nervoso e pouco líquido”, disse Sergey Dergachev, chefe de dívida corporativa de mercados emergentes da Union Investment. “Os investidores ainda tentam entender a dimensão real do risco.”

A situação da Raízen amplia a apreensão. Desde o IPO de 2021, a empresa enfrenta custos elevados de dívida, safras mais fracas do que o esperado e investimentos que ainda não deram retorno. A ausência de apoio explícito de Shell e Cosan é vista como um sinal negativo pelo mercado.

Na segunda-feira, a S&P afirmou que a companhia pode caminhar para uma reestruturação equivalente a default. Horas depois, a Fitch realizou novo corte após a contratação de assessores financeiros — movimento que costuma anteceder renegociações.

“A Raízen destruiu valor para acionistas desde o IPO; agora os credores dividem a dor”, disse Juan Manuel Patiño, analista da Sun Capital. A velocidade da queda surpreendeu até analistas otimistas. JPMorgan e Balanz haviam elevado a recomendação dos títulos neste mês, vendo a liquidação inicial como oportunidade.

“Subestimamos a probabilidade de um cenário extremo”, disse Nicolas Giannone, da Balanz. “E definitivamente não esperávamos a velocidade do selloff.”

❌