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Como as stablecoins de real ajudam a financiar – mesmo que um tiquinho – a dívida do governo

15 de Outubro de 2025, 15:18

Em um evento recente sobre criptomoedas em São Paulo, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto brincou que o Tesouro dos Estados Unidos deve estar feliz da vida. O motivo: as stablecoins de dólar – criptomoedas atreladas à moeda americana – têm impulsionado a compra de Treasuries, os títulos públicos americanos. Pelas regras do país, esses ativos digitais precisam manter lastro em papéis seguros, na mesma proporção dos tokens emitidos. Só a Tether, emissora da stablecoin USDT, tem US$ 127 bilhões aplicados nesses papéis – o que a coloca entre as 20 maiores detentoras do mundo.

Esse movimento começa a aparecer também no Brasil – em escala muito menor, é verdade, mas sinalizando uma tendência parecida.

O país já tem seis stablecoins atreladas ao real: BRZ, BRLA, cREAL, BBRL, BRL1 e a BRLV, lançada nesta semana. Uma stablecoin brasileira, quando é emitida, também precisa ter a mesma quantidade em caixa. Ou seja, se uma empresa coloca R$ 1 no mercado, mantem esse mesmo valor guardado. Com exceção da cREAL, que é uma stablecoin algorítmica – modelo mais arriscado que, em vez de manter reservas em dinheiro, usa códigos de computador para controlar a oferta e a demanda -, as outras cinco têm parte do caixa em títulos públicos, algumas 100%.

Somadas, as stablecoins de real têm quase R$ 270 milhões aplicados em papéis do Tesouro, segundo dados levantados pelo InvestNews juntos aos emissores.

É um tiquinho ainda, claro: o valor representa 0,00331% da dívida pública federal, que chegou a R$ 8,145 trilhões em agosto, de acordo com o Tesouro Nacional. Também está longe da fatia das instituições financeiras, que detêm 31,80% (R$ 2,59 trilhões), da Previdência (23,49%, ou R$ 1,91 trilhão), dos fundos de investimento (21,28%, ou R$ 1,73 trilhão) e dos não residentes (9,83%, ou R$ 802 bilhões). Mas é algo compreensível. As stablecoins de real são recentes – a primeira delas surgiu em 2019 – e a moeda brasileira não tem o mesmo apelo internacional do dólar, por causa da instabilidade política e econômica do país.

Por dentro das stablecoins brazucas

A BRLV, apesar de ser a mais recente, chegou com a bola toda, com R$ 200 milhões de tokens emitidos, todos 100% lastreados em títulos do Tesouro. Segundo a empresa, esses papéis já foram subscritos – ou seja, o comprometimento financeiro já foi realizado. A empresa cripto foi impulsionada por uma rodada seed (nome dado a primeira captação formal de uma startup) de US$ 8,1 milhões liderada por investidores como Framework Ventures, Valor Capital Group e Coinbase Ventures.

Logo atrás vem a BBRL, emitida pelo Grupo Braza, com R$ 56 milhões em circulação, também todos lastreados em títulos públicos de curtíssimo prazo – as as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs). “A escolha privilegia liquidez e segurança, garantindo conversibilidade imediata sem risco de marcação a mercado”, disse Caio Cansian, head de projetos da empresa.

A BRL1, criada pela exchange MB | Mercado Bitcoin, tem R$ 6,89 milhões em tokens emitidos, com 99,94% das reservas em Tesouro Selic, conforme informou a companhia. Além desses papéis, a cripto também tem lastro em operações compromissadas – transações de curtíssimo prazo que funcionam como empréstimos garantidos por títulos – e saldo em conta corrente, explicou Fabrício Tota, diretor de novos negócios do MB.

A stablecoin de real pioneira no Brasil, a BRZ, soma R$ 14 milhões em tokens emitidos. Para o lastro, a empresa mantém R$ 3,08 milhões em títulos públicos, cerca de 20% do total. O restante está dividido entre CDBs (20%), reais disponíveis em contas bancárias (40%) e USDT (20%), “utilizado como hedge cambial e instrumento de liquidez internacional”, disse João Almada, controller da Transfero, emissora do token.

Já a BRLA, da Avenia, tem R$ 40 milhões em stablecoins lastreadas no real, de acordo com Hector Fardin, CFO da empresa. São R$ 3 milhões em títulos públicos; o restante está em caixa, equivalentes de caixa e operações compromissadas de curtíssimo prazo.

Curva de juros e paridade

Um dos desafios das stablecoins, seja em real ou dólar, é manter a paridade com a moeda usada como lastro. No Brasil, esse equilíbrio pode ser mais difícil por causa da volatilidade da curva de juros – bem mais instável que em países como Estados Unidos ou membros da União Europeia. Mesmo assim, as stablecoins brasileiras ainda não registraram nenhum episódio de perda de paridade com o real.

Segundo Fabrício Tota, do MB, o motivo é que parte relevante dos títulos usados como lastro é de curto prazo e pós-fixada.

“No caso da BRL1, quase 100% das reservas são aplicadas em Tesouro Selic. Isso significa que, independentemente das oscilações na curva de juros futura, o valor e a liquidez das reservas não sofrem impacto relevante. A marcação a mercado desses papéis é praticamente estável, já que o prazo médio é muito curto e a remuneração acompanha exatamente o juro básico. Por isso, a paridade 1:1 com o real é mantida sem risco material de variação em função da curva.”

A marcação a mercado é a regra que obriga os investimentos – principalmente títulos e fundos – a terem seu valor atualizado diariamente de acordo com o preço que seriam vendidos hoje no mercado.

Brasileiro gosta de stablecoin – mas do lastreado em dólar

O brasileiro tem uma quedinha por stablecoins faz tempo – e esse interesse aumentou depois de o governo federal elevar, com ajudinha do ministro do STF, Alexandre de Moraes, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que encareceu a compra de moeda estrangeira. Mas, até agora, a preferência nacional é clara: o dólar digital.

Dados da Receita Federal mostram que, entre janeiro e junho deste ano, os brasileiros movimentaram R$ 210 bilhões em criptomoedas. Desse total, R$ 152,2 bilhões foram em USDT, a maior stablecoin em dólar do mercado – volume superior ao do próprio bitcoin (BTC), que registrou R$ 24,7 bilhões no período. Em terceiro lugar aparece o USDC, outro dólar digital, com R$ 9,1 bilhões movimentados.

Após apreensão bilionária de cripto, EUA podem ampliar reserva nacional de bitcoin

15 de Outubro de 2025, 07:47

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ, na sigla em inglês) anunciou na terça-feira (14) a apreensão de 127.271 bitcoins (BTC) em uma operação que desmantelou um esquema internacional de golpes com ativos digitais. A quantia equivale a cerca de US$ 15 bilhões (R$ 82 bilhões).

Os bitcoins estavam em carteiras controladas por Chen Zhi, acusado de liderar o Prince Group, um complexo de trabalho forçado baseado no Camboja que promovia fraudes financeiras envolvendo criptomoedas. Segundo o DoJ, o grupo vitimou milhares de pessoas, incluindo 250 norte-americanos.

De acordo com as investigações, o esquema começou em 2015. Os golpistas abordavam vítimas por redes sociais e aplicativos de mensagens, prometendo lucros altos em investimentos com criptoativos. As vítimas transferiam recursos para carteiras indicadas pelo grupo, que sumia em seguida.

Bitcoin na reserva dos EUA

O governo norte-americano pretende confiscar oficialmente os bitcoins após a condenação de Zhi no Tribunal Distrital do Leste de Nova York, onde ele responde pelas acusações. Se confirmada, a decisão reforçará a reserva estratégica de bitcoin dos Estados Unidos, criada neste ano.

A reserva nacional de criptoativos foi instituída por meio de uma ordem executiva do presidente Donald Trump publicado no início deste ano, que determinou que os ativos digitais apreendidos em operações civis e criminais passem a integrar o tesouro federal.

A iniciativa coloca os EUA em uma posição distinta de países como El Salvador, que formou sua reserva de bitcoin por meio de compras diretas no mercado.

O país soma hoje 197.354 bitcoins, o equivalente a US$ 22 bilhões – o maior estoque de criptoativos entre todas as nações. Com a entrada das novas criptomoedas, porém, a pilha de criptos pularia para 324.625, ou cerca de US$ 36,5 bilhões.

No total, 13 países têm reserva de criptos. A China, com 190 mil BTC (US$ 21 bilhões), é a segunda maior, seguida do Reino Unido, com 61.245 BTC (US$ 6,8 bilhões), em terceiro lugar.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  +1,99%, US$ 112.491,82

Ethereum (ETH): – 8,49%, US$ 4.126,10

XRP (XRP): +3,35%, US$ 2,50

BNB (BNB): + 0,70%, US$ 1.184,50

Solana (SOL): +6,95%, US$ 205,08

Outros destaques do mercado cripto

Nova stablecoin brazuca. O real brasileiro ganhou mais uma stablecoin: a BRLV. A nova cripto, pareada à moeda nacional na proporção de 1 para 1, foi criada pela fintech Crown, que levantou US$ 8,1 milhões com investidores – entre eles, a Coinbase Ventures – para lançar o projeto no Brasil. Segundo a empresa, a BRLV é 100% lastreada em títulos públicos e voltada a investidores institucionais. Com ela, o real já soma seis stablecoins atreladas à sua paridade.

ETFs cripto com gás novamente. Após saídas massivas de capital institucional nos ETFs de bitcoin e ethereum dos EUA, provocadas pela guerra tarifária entre China e país, esses produtos financeiros voltaram a atrair recursos. Dados da plataforma SoSoValue mostram que os fundos registraram entradas líquidas de US$ 340 milhões na terça-feira, recuperando-se da saída combinada de US$ 755 milhões registrada na segunda-feira (13).

Stablecoin para viagem: como funciona o ‘dólar digital’ e como usá-lo no exterior

15 de Outubro de 2025, 06:00

Comprar dólar para viajar ao exterior e usar cartão de crédito na gringa ficaram mais caros após o aumento da alíquota do imposto sobre operações financeiras (IOF) neste ano. Mas uma alternativa vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil: as stablecoins.

As stablecoins são criptomoedas atreladas a outros ativos, como dólar, euro, ouro, real. As maiores do mercado são ligadas à moeda americana – daí o apelido carinhoso de “dólar digital”. Juntas, essas moedas somam um valor de mercado de US$ 222 bilhões – o equivalente a três vezes o valor da Petrobras.

No Brasil, as stablecoins ainda não são enquadradas oficialmente como instrumentos de câmbio. Por causa disso, as operações com essas moedas ficam de fora da cobrança do IOF, o que tem barateado o uso em viagens internacionais.

Há três principais formas de usar stablecoin no exterior:

  • Stablecoin no cartão cripto

A forma mais simples de usar dólar digital é por meio dos cartões cripto, que funcionam como cartões pré-pagos com bandeiras Visa ou Mastercard. Corretoras como OKX, Bitget e Crypto.com oferecem versões próprias, assim como aplicativos como Kast Finance e RedotPay.

O processo é simples: o usuário compra stablecoins (como USDC ou USDT) em uma exchange ou banco digital, usando reais, e depois transfere os ativos para o cartão previamente adquirido. A partir daí, pode usar o saldo em qualquer estabelecimento que aceite a bandeira.

Esses cartões não têm IOF. Alguns também não cobram taxas nem spread cambial — aquela margem que as instituições financeiras adicionam sobre a cotação do dólar. Já nos cartões tradicionais (crédito, débito ou pré-pago internacional), há IOF de 3,38% mais um spread que costuma variar entre 4% e 7%.

Quem testou esse modelo foi Ricardo Natali, educador financeiro associado à ABEFIN (Associação Brasileira de Educadores Financeiros). Ele conta que, em uma viagem recente à Europa, usou um cartão cripto carregado com stablecoins para pagar cafés, passagens de metrô e compras do dia a dia.

Segundo Natali, a própria cotação do dólar é mais barata em stablecoins, justamente pela ausência de impostos. “Se fosse no cartão de crédito, eu teria gastado 15% a mais na compra da moeda norte-americana. Na prática, se gastasse R$ 1.000, pagaria R$ 150 a mais”, explicou. Com o cartão cripto, a compra do dólar comercial fica apenas entre 2% e 4% superior, dependendo da conversão e do provedor, disse.

  • Stablecoin na carteira

Outra forma é comprar stablecoins em uma exchange local e transferi-las para uma carteira cripto – um aplicativo em que é possível fazer a autocustódia dos ativos digitais e em que a responsabilidade pela segurança é totalmente do usuário. Algumas das carteiras mais conhecidas são MetaMask, Trust Wallet e Coinbase Wallet.

Muitos estabelecimentos no exterior já aceitam pagamentos em criptomoedas. Portanto, daria para pagar com stablecoins simplesmente abrindo o app e encostando na máquina do estabelecimento. Também seria possível sacar stablecoins convertidas em dólares em caixas eletrônicos específicos. Hoje, há 12.988 desses caixas nos EUA que permitem saques de USDT e USDC, segundo a plataforma CoinAtmRadar.

“Em caso de necessidade de dinheiro vivo, o saque em dólares pode ser feito em caixas eletrônicos internacionais (ATMs), com taxas simbólicas – muitas vezes gratuitas nas primeiras operações e, posteriormente, fixas em torno de US$ 1,50 por saque”, disse Felipe Martorano, analista da Levante Inside Corp.

  • Remessas internacionais

As stablecoins também vêm sendo usadas para envio de dinheiro ao exterior – e fica mais em conta também. Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank, fez uma simulação comparando o envio tradicional, via sistema SWIFT, com o envio em stablecoin. O valor considerado foi R$ 5 mil.

Via SwiftStablecoin
IOF3,5%0%
TaxasMédia de US$ 20 por operação, mais spread de 1% a 2%Spread entre 0,1% e 1% e custo fixo de 0 a US$ 10
Prazo5 a 15 minutos2 a 5 dias úteis
Valor finalR$ 4.638R$ 4.969

Na simulação, a transação com stablecoins é cerca de 6,65% mais barata.

“Com o aumento do IOF, remessas tradicionais, como envios de dinheiro para familiares ou contas pessoais no exterior, o uso de stablecoins tende a crescer bastante. Isso porque transferências em USDT, por exemplo, ainda não sofrem esse imposto diretamente, além de evitar os custos elevados de spread cambial”, disse Sarah.

Crescimento no Brasil

O uso dessas moedas digitais disparou no país. Segundo a empresa de análise em blockchain Chainalysis, o Brasil movimentou US$ 318,8 bilhões em criptoativos entre julho de 2024 e junho de 2025 – e 90% desse volume corresponde a stablecoins.

O governo também acompanha o movimento de perto – e já estuda tirar uma casquinha. No fim do ano passado, o Banco Central abriu uma consulta pública para discutir a equiparação das stablecoins ao câmbio, e novas discussões foram abertas neste ano. Por ora, porém, as criptomoedas estáveis (outro nome aportugueizado para essas criptos) seguem fora de uma legislação específica.

Riscos

Apesar dos benefícios, as stablecoins também têm riscos. Um deles é o regulatório. Como se trata de um mercado ainda recente, as regras estão em construção em vários países – e eventuais mudanças podem afetar diretamente essas criptomoedas.

Outros dois pontos são o lastro e a confiança na empresa emissora. Em tese, cada stablecoin precisa ser totalmente coberta por ativos de valor equivalente. Ou seja, para cada token emitido em dólar, deve haver a mesma quantia em caixa, títulos públicos ou outros instrumentos financeiros seguros.

No passado, porém, a Tether – emissora do maior “dólar digital” do mercado, o USDT – enfrentou questionamentos sobre a solidez de suas reservas e chegou, em alguns momentos, a perder em um episódio em 2023 a paridade com o dólar americano.

Além das stablecoins lastreadas em ativos, existem as stablecoins algorítmicas, que mantêm a paridade por meio de mecanismos automáticos de oferta e demanda, sem reservas em dinheiro. O modelo, no entanto, é mais arriscado. Em 2022, por exemplo, uma delas – a TerraUSD (UST) – entrou em colapso, desencadeando uma das piores crises do mercado cripto.

Uma nova atualização do ethereum vem aí. O que esperar da ‘Fusaka’?

10 de Outubro de 2025, 10:50

O ethereum (ETH) costuma passar por atualizações em sua blockchain – o sistema em que as criptomoedas “rodam”. Não é para ficar na modinha, mas sim para incluir novidades, ajustar processos aqui e acolá ou tirar algum atrito que atrapalhava sua estrutura. Entre o fim de novembro e o começo de dezembro, se os testes correrem bem, o sistema deve receber mais uma atualização: a Fusaka.

Em resumo, essa atualização reúne 12 propostas de melhorias no código do projeto cripto, que vale hoje US$ 524 bilhões – equivalente ao PIB de 2024 do Chile, Equador e Uruguai somados. O objetivo das mudanças é tornar a rede mais escalável – capaz de crescer sem travar -, mais eficiente e “dramaticamente” mais barata, segundo o roadmap (plano de desenvolvimento) publicado pela Ethereum.org.

Entre as alterações previstas, uma das mais significativas impactará os rollups, nome dado às soluções tecnológicas que rodam em cima do ethereum e ajudam a dar vazão ao sistema – sim, é um termo estranho e quase um palavrão, mas vamos te explicar.

Para entender bem, lembre-se que o ethereum, diferente do bitcoin (BTC), não é só uma criptomoeda. Ele funciona também como uma espécie de grande programa de computador global, em que desenvolvedores de todo o mundo criam seus próprios projetos – desde novos tokens (as famosas memecoins que o digam) até plataformas de empréstimos sem bancos no meio do caminho.

Por ter um monte de gente usando, esse ecossitema gigante acaba ficando super congestionado, quase como uma Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, às 18h. Os tais rollups seriam, portanto, como estradas menores que se conectam à via principal, desafogando o tráfego e dando mais fluidez. Algumas das principais são a arbitrum (ARB), a optimism (OP) e a base (BASE).

O grande problema é que, para se conectar à rodovia principal, essas soluções precisam conferir todos os carros (verificar trodos os dados) que passam por ela – uma exigência de segurança da blockchain, que acaba tornando o processo mais caro e lento. Com a Fusaka, no entanto, será possível participar dessa brincadeira dando uma olhada apenas em trechos da avenida, sem precisar analisar o trânsito inteiro.

“As implicações do Fusaka são significativas”, disse a gestora VanEck em relatório sobre o projeto. “A atualização deve reduzir os custos para as rollups da Camada 2 (esse termo, bastante usado no mercado cripto, se refere a blockchains secundárias que rodam em outra blockchain principal), o que se traduz em transações mais baratas para os usuários finais. Mantendo-se tudo o mais constante, isso deve trazer mais atividade econômica onchain (dentro da blockchain) para a órbita do ethereum”.

Dankrad Feist, co-líder da equipe de arquitetura de protocolo da Fundação Ethereum, disse na semana passada, em entrevista ao Yahoo, que a Fusaka é tão importante quanto a Merge, aquela grande atualização feita em 2022, que alterou a forma como a criptomoeda é minerada (emitida), dando um ar mais “eco friendly” para o projeto.

Qual o impacto para o usuário de ethereum?

Para quem usa ethereum no dia a dia – seja comprando e vendendo criptomoedas, negociando tokens não fungíveis (NFTs) ou acessando plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), aquelas que permitem tomar empréstimos, por exemplo, sem passar por bancos -, a principal mudança esperada é a redução das taxas de transação, chamadas de gas fees.

Essas taxas funcionam como um pedágio digital: cada vez que alguém envia ETH ou interage com um contrato inteligente (programa autoexecutável que permite criar tokens e montar outros projetos dentro de blockchains), precisa pagar um valor para que a operação seja processada na rede. O custo depende da complexidade da transação.

Hoje, segundo dados do YCharts, a taxa média em dólares para uma transação do Ethereum processada por um minerador e confirmada está na casa dos US$ 0,45. Durante picos de congestionamento, como no auge dos NFTs, esse valor já passou de US$ 3,20. A expectativa é que a Fusaka ajude a manter esses custos bem mais baixos de forma consistente.

E qual o impacto no preço?

O ethereum é negociado a US$ 4.341 na manha desta sexta-feira (10), com queda de 1% do dia. Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset Management, disse ao InvestNews que a Fusaka é vista como uma mudança positiva para o ethereum, mas é difícil afirmar que ela trará um impacto direto e imediato no preço.

“O efeito tende a ser mais estrutural, reforçando a tese de longo prazo do ativo do que provocando um movimento específico agora”, falou. “Dados macroeconômicos dos EUA, os riscos do shutdown atual e até a política das chamadas tarifas Trump têm pesado mais nas decisões dos investidores do que qualquer atualização isolada”.

Bitcoin caminha para terminar a semana no zero a zero

10 de Outubro de 2025, 08:06

Após ultrapassar sua máxima histórica, o bitcoin (BTC) deu uma acalmada. Com investidores realizando lucro e poucas novidades no radar no curto prazo, a criptomoeda caminha para encerrar a semana na faixa dos US$ 121 mil, praticamente o mesmo valor de sete dias atrás.

A perspectiva de curto prazo é neutra a levemente negativa, disse Andre Franco, CEO da Boost Research, na manhã desta sexta-feira (10). “A força do dólar limita o potencial de alta do ativo, enquanto a moderação nas commodities e o ajuste de posições nas bolsas reduzem o fluxo especulativo.”

Apesar da estabilidade – algo comum e esperado após a superação da marca dos US$ 126 mil nesta semana-, a perspectiva para o restante do mês continua positiva. Historicamente, o BTC costuma subir em outubro, mês que ficou conhecido como “Uptober”, junção de up (para cima, em inglês) e October (outubro).

De acordo com dados da plataforma CoinGlass, nos últimos 12 anos o bitcoin subiu em 10 meses de outubro e caiu em apenas dois. O movimento pode ter relação com o retorno das férias de verão no hemisfério norte (em setembro), que tende a aumentar a liquidez do mercado.

As altcoins – nome dado a qualquer cripto diferente do bitcoin — caminham para fechar a semana de forma mista. Enquanto o ethereum (ETH) recuou quase 4% nos últimos sete dias, o BNB (BNB) avançou 13%.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50:

Bitcoin (BTC):  – 0,68%, US$ 121.333,79

Ethereum (ETH): – 4,10%, US$ 4.344,10

XRP (XRP)+ 0,18%, US$ 2,87

BNB (BNB): – 2,26%, US$ 1.250,00

Solana (SOL): – 1,03%, US$ 220,10

Destaques do mercado cripto

Fim do prazo. Termina nesta sexta-feira (10) o período para a Comissão de Valores dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) decidir sobre quase 16 pedidos de ETFs (fundos negociados em bolsa) à vista de criptomoedas – entre eles, um ligado à solana (SOL). A expectativa do mercado é de aprovação, embora o órgão costume surpreender. O JPMorgan, porém, acredita que esses produtos devem atrair pouco capital no primeiro ano – algo em torno de US$ 1,5 bilhão, cerca de um sétimo do que os ETFs de ethereum movimentaram no mesmo período. O motivo seria a queda na atividade na blockchain da cripto

Quase uma Petrobras em cripto. Os “bandidos cripto” não brincam em serviço. Segundo um relatório divulgado ontem pela empresa de análise de blockchain Chainalysis, cerca de US$ 75 bilhões em criptoativos estão guardados em carteiras ou plataformas associadas a atividades ilícitas – praticamente o valor de mercado da Petrobras, a maior companhia brasileira. Apesar do dado negativo, ele representa uma oportunidade para governos, como os EUA, que veem nos ativos digitais apreendidos uma forma de montar reservas estratégicas.

Sem nova taxação: criptomoedas seguem isentas de IR no limite de até R$ 35 mil por mês

9 de Outubro de 2025, 07:45

A Câmara dos Deputados derrubou, na quarta-feira (8), a Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que previa unificar em 18% a tributação sobre aplicações financeiras – inclusive as criptomoedas. Foram 251 votos a favor da retirada e 193 contra.

Como a MP perdeu validade à meia-noite, ela caducou, e as regras anteriores continuam em vigor. Com isso, investidores de criptomoedas que movimentam até R$ 35 mil por mês seguem isentos do Imposto de Renda (IR). Já para valores acima desse limite, vale a alíquota progressiva que varia de 15% a 22,5%.

A derrota foi um revés para o governo federal, que contava com a medida para elevar a arrecadação em 2025 e 2026. Agora, a equipe econômica projeta déficit de R$ 42,3 bilhões nas contas públicas – o que deve levar o governo a bloquear parte das despesas.

Os players do setor cripto, por outro lado, viram a queda da MP como uma boa notícia.

“A decisão favorece a continuidade do desenvolvimento do setor no Brasil, que já reúne 25 milhões de investidores e possui amplo potencial de expansão, em um ambiente regulatório equilibrado e pautado pela isonomia”, disse o MB | Mercado Bitcoin.

Guilherme Sacamone, CEO da OKX, disse que se a medida fosse aprovada, seria um retrocesso, porque penalizaria a inovação, desestimularia investidores e ameaçaria diretamente a competitividade do mercado nacional.

“Milhares de pessoas e empresas encontraram nesse segmento caminhos legítimos para empreender, diversificar suas fontes de renda e participar de um movimento global de transformação tecnológica e econômica”, falou.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  – 0,63%, US$ 121.814,10

Ethereum (ETH): – 3,33%, US$ 4.338,78

XRP (XRP)– 2,00%, US$ 2,81

BNB (BNB): – 3,16%, US$ 1.275,84

Solana (SOL): + 0,21%, US$ 221,83

Destaques do mercado cripto

Bitcoin para mais de metro: O IBIT, ETF (fundo negociado em bolsa) à vista de bitcoin da gestora BlackRock, atingiu a marca de 800 mil unidades de BTC na quarta-feira – o equivalente a US$ 97 bilhões. O montante representa 3,8% da oferta total da criptomoeda (21 milhões de unidades), superando a posição da Strategy (antiga MicroStrategy), a bitcoin treasury company “famosinha” cofundada por Michael Saylor, que detém 640.031 BTC.

Gigante financeira investe em empresa cripto: A Citi Ventures, braço de capital de risco corporativo do Citigroup (Citi), anunciou investimento na BVNK, plataforma global de infraestrutura para stablecoins – criptomoedas estáveis atreladas a ativos como o dólar e o euro. Segundo a empresa, o uso de stablecoins tem crescido rapidamente e vem sendo adotado para liquidação de transações on-chain (na blockchain, a tecnologia por trás das criptos) e de outros criptoativos.

BNB virou a 3ª maior criptomoeda do mundo à frente do XRP e até da stablecoin USDT

8 de Outubro de 2025, 15:35

O BNB, token nativo da blockchain da Binance – a maior exchange do mundo – alcançou o posto de terceira maior criptomoeda em valor de mercado na terça-feira (7), desbancando o XRP (XRP) e ficando à frente até do USDT, a maior stablecoin global.

O BNB agora soma US$ 182 bilhões em capitalização, ante US$ 174 bilhões do XRP e US$ 177 bilhões do USDT. Para efeito de comparação, o bitcoin (BTC) segue na liderança com US$ 2,4 trilhões, enquanto o Ethereum (ETH) ocupa a segunda posição, com US$ 546 bilhões.

A valorização da cripto reflete em boa medida o crescimento das finanças descentralizadas (DeFi), como os empréstimos descentralizados e outras operações baseadas em contratos inteligentes. O avanço atual é atribuído a uma combinação de fatores – a começar pelo aumento do valor total bloqueado em sua rede (TVL, na sigla em inglês), um indicador de quanto dinheiro está alocado em projetos DeFi, em sua blockchain, a BNB Chain. Hoje, está na casa dos US$ 9,22 bilhões, segundo dados do site DefiLlama.

A BNB Chain também recuperou sua posição como a mais utilizada em número de endereços ativos diários, superando solana e ethereum, segundo dados da própria corretora levantados em plataformas de dados.

O movimento também coincide com o crescimento das operações de trading e empréstimos em protocolos baseados na rede da Binance, como o Aster Protocol, além da entrada de novos usuários atraídos por campanhas promocionais.

Na tarde desta quarta-feira (8), o BNB é negociado a US$ 1.308, com alta de 1,50% no dia e valorização de 30% na semana. Ontem, a cripto registrou sua máxima histórica, de US$ 1.331, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O BNB foi lançado em meados de 2017, por meio de uma Initial Coin Offering (ICO) – uma oferta inicial de criptomoedas semelhante a um IPO. Na época, chamava-se Binance Coin, e sua função era permitir que os usuários pagassem taxas e recebessem descontos nas operações dentro da exchange.

Com o tempo, o token evoluiu e passou a integrar a BNB Chain. Hoje, é utilizado para processar transações, executar aplicativos descentralizados – aqueles apps que ficam em blockchains – e dar suporte a projetos de finanças descentralizadas (DeFi), termo que se refere aos produtos financeiros que rodam no sistema das criptomoedas.

Bitcoin Treasury Company, bitcoin e fundo cripto: quais as diferenças entre os investimentos?

8 de Outubro de 2025, 14:27

A estreia da bitcoin treasury company OranjeBTC (OBTC3) na bolsa de valores nesta semana chamou atenção – e foi destaque em vários veículos, inclusive aqui no InvestNews. Mas, afinal, como esse tipo de empresa funciona? E qual a diferença entre investir nela, comprar bitcoin (BTC) diretamente ou aplicar em um fundo de criptomoedas?

Vamos por partes.

O objetivo de uma bitcoin treasury company é acumular bitcoin e, ao mesmo tempo, fazer com que o valor de suas ações cresça mais do que o próprio BTC, de modo a atrair mais investidores. Ela tenta dar mais valor aos seus papéis por meio de alavancagem financeira – ou seja, captando recursos por meio de dívidas ou novas emissões de ações para comprar ainda mais cripto.

Para fins didáticos, vamos supor que a ação da empresa seja equivalente a um bitcoin (o que não é o caso na realidade, ok?). Se a estratégia da companhia der certo, essa ação poderia passar a representar o equivalente a 1,2 BTC, por exemplo, no período de um ano. Já em uma situação em que o investidor compra 1 BTC, ele vai ter 1 BTC no mesmo período.

Tá, então dá pra dizer que uma bitcoin treasury company é concorrente do Bitcoin? Sim e não.

Sim, porque ela compete pelo seu dinheiro: quem quer se expor ao BTC precisa escolher se compra a criptomoeda ou as ações da empresa. E não, porque o desempenho da companhia depende totalmente do Bitcoin. Se o BTC cair, o valor da empresa também cai. O modelo de negócios da OranjeBTC, portanto, é uma aposta alavancada no sucesso futuro do Bitcoin.

Leia mais:

Quais os riscos?

A acumulação de BTC não gera caixa naturalmente para uma bitcoin treasury company. A única maneira de empresas de tesouraria comprarem mais cripto é por meio de recursos captados no mercado de capitais – como ações, dívidas ou outros instrumentos financeiros.

“Isso só será positivo para os acionistas se as condições de mercado forem favoráveis. Portanto, o maior risco para o negócio é a falta de acesso a capital ou condições de mercado que impeçam a acumulação de moedas/ações”, disse o Itaú BBA, em relatório publicado nesta semana.

Qual a diferença para investir direto em bitcoin

O investimento em uma bitcoin treasury company é diferente de investir diretamente na criptomoeda, via exchange ou banco digital, por exemplo. Nesse caso, o investidor está exposto diretamente ao desempenho do preço do bitcoin – sem amplificadores.

Os riscos são aqueles inerentes ao ativo, como a alta volatilidade. No caso de manter as criptos em uma plataforma, há sempre a preocupação com segurança. Já se o investidor decide guardar suas criptos em carteira própria, é preciso cuidar bem de suas chaves privadas, porque, se as perder, não há como recuperar os ativos.

E os fundos, como os ETFs?

Já os fundos de investimento em cripto reúnem recursos de vários investidores e compram diretamente criptomoedas. No caso dos ETFs – fundos negociados em bolsa e que estão em alta – cada cota representa uma fração dos ativos que o fundo tem (como bitcoin, ethereum ou um mix de criptos, dependendo do produto). Ou seja, o fundo efetivamente compra os criptoativos.

Entre os principais riscos está o de liquidez: ele ocorre quando há pouca ou nenhuma procura pelas cotas do fundo ou pelos criptoativos que compõem o índice de referência.

Uma eventual vantagem dos ETFs e fundos é que o investidor pode ficar despreocupado em relação à custódia do ativo, ou seja, a guarda da criptomoeda. A gestora se torna responsável por contratar um serviço e assumir os riscos.

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