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Do topo ao fundo: estratégia corporativa de apostar em cripto desmorona após pico histórico

6 de Dezembro de 2025, 13:33

O que começou o ano como uma das melhores operações do mercado acionário se transformou, em poucos meses, em uma das piores. Várias empresas acreditaram ter achado uma fórmula mágica: usar o caixa para comprar bitcoin e outros ativos digitais e ver suas ações subirem ainda mais rápido que as próprias criptos. Só que a tendência do mercado virou, e agora essas empresas estão sofrendo com suas escolhas.

Essa estratégia foi criada por Michael Saylor, que transformou sua empresa, Strategy, em um veículo de capital aberto com caixa em bitcoin. E, durante a primeira metade de 2025, ela funcionou para mais de uma centena de outras companhias que seguiram seus passos.

As chamadas “digital asset treasuries”, ou DATs – empresas que passaram a usar seu caixa para manter grandes quantidades de ativos digitais – viraram uma das maiores febres do mercado, com ações disparando e atraindo investidores de peso, como a própria família de Donald Trump.

Um dos casos mais emblemáticos foi o da SharpLink Gaming, que subiu mais de 2.600% em poucos dias ao anunciar que abandonaria o antigo negócio de games e passaria a vender ações para comprar grandes quantidades de ethereum. A empresa chegou a ter até um cofundador do ethereum como presidente do conselho.

Mas sempre foi difícil justificar por que os tokens deveriam valer mais apenas por estarem nas mãos de uma empresa listada. Daí para frente, a engrenagem começou a falhar, primeiro devagar, depois muito rapidamente.

No caso da SharpLink, as ações já caíram 86% desde o pico, fazendo com que a empresa inteira passasse a valer menos do que os ativos digitais que possui. Hoje, o papel negocia a cerca de 0,9 vez o valor de suas reservas de ether, ou seja, o valor de mercado da empresa é menor do que o valor das criptomoedas que ela tem. E ainda foi um destino melhor do que a Greenlane Holdings, que despencou mais de 99% no ano mesmo detendo cerca de US$ 48 milhões em tokens BERA.

“Os investidores perceberam que esses ativos não geram praticamente nenhum retorno e foi por isso que os preços das ações encolheram”, afirmou Fedor Shabalin, analista do banco de investimento B. Riley Securities.

Entre as empresas listadas nos EUA e Canadá que se tornaram DATs, o preço mediano das ações caiu 43% no ano, segundo dados compilados pela Bloomberg. O bitcoin, em comparação, recua cerca de 6% desde janeiro.

Retornos das empresas ficam atrás do mercado

Algumas poucas DATs ainda valem mais do que suas reservas de criptos, mas a maioria trouxe perdas a quem comprou perto dos picos, e 70% devem terminar o ano abaixo do nível de início, segundo cálculos da Bloomberg. As maiores quedas ocorreram entre empresas que evitaram o bitcoin e apostaram em ativos digiais menores e mais voláteis.

Dois filhos de Donald Trump apoiaram a Alt5 Sigma Corp, empresa que pretendia comprar mais de US$ 1 bilhão do token WLFI, emitido por outra companhia cofundada pela própria família Trump. As ações da Alt5 Sigma já caíram 86% desde o pico de junho.

A volatilidade também foi alimentada pelo grande volume de dinheiro tomado emprestado para financiar essas aquisições corporativas de cripto.

A Strategy financiou suas compras de bitcoin por meio de uma combinação agressiva de títulos conversíveis e ações preferenciais, com suas reservas chegando a valer mais de US$ 70 bilhões. Como grupo, as DATs levantaram mais de US$ 45 bilhões neste ano para comprar tokens.

Agora, porém, Strategy e outras empresas precisam pagar os juros e dividendos dessas dívidas, o que é um grande problema, já que suas reservas de cripto não geram fluxo de caixa.

“Se você compra ações da Strategy, assume o risco do bitcoin e o risco corporativo da empresa”, disse Michael Lebowitz, gestor da RIA Advisors.

A Strategy tentou recentemente levantar mais capital para manter a engrenagem funcionando, recorrendo à Europa em novembro para vender ações preferenciais perpétuas com desconto, depois que a oferta nos EUA frustrou expectativas. Mas essas ações, em euro, já caíram abaixo do preço inicial.

Enquanto isso, para DATs menores e com menos visibilidade, levantar capital está ainda mais difícil, especialmente com a queda das criptos e o desânimo dos investidores. Pressionadas, algumas DATs podem ser forçadas a vender suas criptos, possibilidade que assustou o mercado.

Para a Strategy, o próximo passo óbvio seria vender parte de suas reservas para pagar as contas. E o CEO da empresa, Phong Le, admitiu essa possibilidade. “Podemos vender bitcoin e venderíamos, se precisássemos financiar nossos dividendos”, disse ele em um podcast.

Le afirmou que considerará essa opção se o mNAV da empresa cair abaixo de 1, um cálculo que indica quando o valor de mercado da empresa fica menor que o valor das criptos que ela possui.

Essas declarações estremeceram o setor porque Saylor sempre afirmou que nunca venderia seus bitcoins e que compraria mais quando os preços caíssem. “Venda um rim, se for preciso, mas não venda seu bitcoin”, brincou ele em fevereiro, na rede social X.

As ações da Strategy já caíram 60% desde o pico de julho. A empresa mantém um fundo de reserva de US$ 1,4 bilhão para cobrir dividendos no curto prazo e ainda acumula ganho superior a 1.200% desde agosto de 2020, quando começou a comprar bitcoin. Mas deve fechar o ano com queda de 38%.

O colapso das DATs pode contaminar outros mercados. O risco agora é que as DATs sejam obrigadas a vender suas criptos, empurrando os preços dos tokens para baixo e desencadeando um ciclo maior de queda.

“Se aparecer uma manchete dizendo que a Strategy vendeu, mesmo que sejam só três bitcoins, depois de tudo que o Saylor disse sobre nunca vender, muita gente vai começar a duvidar da tese do bitcoin”, disse Lebowitz.

O tombo das DATs também pode se espalhar para outros mercados se investidores endividados forem forçados a vender ativos às pressas. Por ora, o estrago se limitou ao fim da onda de novas empresas aderindo ao modelo e ao congelamento da atividade de mercado que ele havia criado.

Mas há sinais de que pode surgir uma nova fase, com DATs maiores comprando DATs menores que hoje valem menos do que suas reservas. A Strive, por exemplo, fechou um acordo para adquirir a Semler Scientific, em uma operação totalmente em ações de duas empresas com tesouraria em bitcoin. A Semler, uma das primeiras DATs, já caiu 65% este ano.

Ross Carmel, sócio do escritório Sichenzia Ross Ference Carmel, acredita que fusões e aquisições vão aumentar entre DATs no início de 2026, com foco em empresas sob forte pressão. Segundo ele, o setor deve ver mais operações com títulos estruturados “que possam oferecer aos investidores mais proteção contra perdas nesses acordos”.

Tombo de US$ 80 bilhões do ethereum testa os nervos dos entusiastas cripto

14 de Outubro de 2025, 15:51

Há dois meses, o entusiasmo em torno do ethereum — a blockchain que sustenta um dos pilares da economia cripto — transbordava para o mainstream. Seu token nativo, o ether, havia disparado ao maior nível em quatro anos, enquanto investidores o tratavam ao mesmo tempo como moeda e como uma aposta no papel crescente da rede em pagamentos e finanças.

Mesas de Wall Street estruturavam fundos atrelados ao ativo, e um projeto-piloto da plataforma global de transferência de recursos swift com uma solução cripto vinculada ao ethereum parecia selar sua chegada como infraestrutura do mundo real.

Esse enredo agora dá sinais de rachadura. O ether caiu cerca de 20% desde o pico, apagando algo como US$ 80 bilhões em valor dos criptoativos e reacendendo dúvidas sobre a capacidade do ethereum de atravessar mais um ciclo de baixa. O que começou como um momento de virada para a blockchain mais utilizada virou lembrete de que, em cripto, crença e preço ainda andam juntos.

“A punição se deve em grande parte ao desempenho recente de ETH e ao fato de ele ser mais volátil do que o BTC”, disse Noelle Acheson, autora da newsletter Crypto is Macro Now. “Se os investidores precisam reduzir a exposição em um movimento de aversão a risco, é mais provável que vendam ETH do que BTC.”

O ether chegou a cair 9,3%, a US$ 3.893, na terça-feira (14), antes de reduzir as perdas para 2,37%, subindo para US$ 4.123,81. O bitcoin recuava cerca de 1,57%, a US$ 113.230.

Tokens menores e mais voláteis também cederam, levando a capitalização total do mercado de criptomoedas a encolher mais de US$ 150 bilhões em 24 horas, segundo a CoinGecko.

O movimento atingiu também os ETFs. Investidores sacaram cerca de US$ 428 milhões de fundos atrelados ao ether na sessão mais recente disponível — um dos maiores resgates diários já registrados — de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O fundo de ether da BlackRock — o maior do grupo — registrou aproximadamente US$ 310 milhões em saídas, seu segundo maior resgate de um único dia desde o lançamento, em julho de 2024.

“Já vimos isso acontecer com o ethereum, especialmente várias vezes no último ano”, disse Roxanna Islam, chefe de pesquisa setorial da VettaFi, ao comentar a queda acentuada do ativo. O ethereum “é mais uma aposta de tecnologia; por isso, a volatilidade costuma ser um pouco maior”.

Desmontes tão bruscos costumam trazer volatilidade elevada na fase de recuperação, à medida que traders refazem posições e consertam balanços após perdas inesperadas, afirma Stéphane Ouellette, CEO e cofundador da FRNT Financial Inc. Segundo ele, os mercados de perpetual swaps (contratos derivativos de futuros) passaram por forte desalavancagem, com o open interest (número de contratos de derivativos em aberto) de bitcoin e ether na exchange Binance despencando cerca de 40% em meio a liquidações generalizadas.

Tom Lee não ficou parado. Além de comandar a Fundstrat Global Advisors, ele preside o conselho da BitMine Immersion Technology Inc. A chamada empresa de “tesouraria digital” disse na segunda-feira que adquiriu mais de 200 mil tokens de ether, avaliados em mais de US$ 79 milhões “nos últimos dias”, e agora detém mais de US$ 3 bilhões em criptomoedas.

As ações da BitMine também sentiram o baque na cotação do ether. O papel caía 5%, para cerca de US$ 54, na terça-feira, longe da máxima histórica de US$ 135 registrada em julho. No acumulado do ano, porém, a alta ainda supera 500%.

“Após quedas tão violentas, é comum ver alguma volatilidade na recuperação, à medida que o posicionamento é refeito — um enorme número de traders sofreu liquidações inesperadas e precisa dar suporte e recompor os livros”, disse Ouellette.

De todo modo, embora o mercado tenha recuperado parte das perdas, o tombo levanta questionamentos sobre o futuro do ecossistema de altcoins – termo usado para identificar qualquer cripto diferente do BTC -, num momento em que participantes veem apoios estruturais a esses tokens sendo testados.

Após tombo, bitcoin busca fôlego em meio à guerra tarifária entre EUA e China

13 de Outubro de 2025, 07:34

O bitcoin (BTC) está relativamente bem nesta segunda-feira (13) após tomar um tombo histórico no final da semana passada, em meio à retomada da guerra tarifária entre as potências Estados Unidos e China.

Por volta das 7h30, a maior criptomoeda do mercado era negociada a US$ 115 mil, em alta de 3,00% nas últimas 24 horas. Na sexta-feira (10), o ativo digital chegou a encostar nos US$ 105 mil – pior preço desde maio.

Naquele dia, o presidente Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 100% sobre as exportações chinesas, após o país asiático endurecer as regras para a venda de terras raras – um conjunto de elementos químicos usados em smartphones e outros aparelhos eletrônicos.

Segundo dados da plataforma Coinglass, mais de 1,6 milhão de negociações de criptomoedas foram liquidadas apenas na sexta, com o início da disputa, gerando perdas totais de US$ 19,13 bilhões no setor.

“O anúncio de tarifas de 100% sobre produtos chineses aumentou a incerteza econômica global e provocou uma forte aversão ao risco nos mercados. Diante desse cenário, investidores buscaram ativos considerados seguros, e se desfizeram de ativos mais voláteis, como criptomoedas e ações”, falou Sarah Uska, analista de criptoativos do Bitybank.

Apesar da turbulência, os traders seguem otimistas com o restante do mês, conhecido como “uptober” – junção de ‘’up’’ (para cima) e “october” (outubro). Nos últimos 12 anos, o BTC subiu em 10 deles, caindo apenas duas vezes em outubro.

No radar, os investidores passam a aguardar, entre os principais fatores que vnao impactar o mercado, a divulgação do relatório de emprego dos EUA – que atrasou por causa do shutdown – e a decisão de política monetária do país, ambos previstos para o fim do mês. Segundo a ferramenta FedWatch, que mede as expectativas com juros, 97% do mercado aposta em queda de 0,25 ponto percentual na taxa, o que tende a favorecer ativos de risco, como as criptos.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h30:

Bitcoin (BTC):  + 3,00%, US$ 115.144,15

Ethereum (ETH): + 8,49%, US$ 4.157,39

XRP (XRP): +9,73%, US$ 2,61

BNB (BNB): + 9,70%, US$ 1.333,77

Solana (SOL): + 8,00%, US$ 196,18

Outros destaques do mercado cripto

Comprando a queda. Enquanto investidores se desesperavam com o tombo do bitcoin na semana passada, vendendo adoidado, a mineradora de cripto MARA Holdings aproveitou para ir às compras. A companhia de capital aberto adquiriu 400 unidades de BTC, o equivalente a US$ 46,29 milhões, segundo dados da plataforma Onchain Lens. Com isso, a firma passou a deter 53.250 bitcoins, mantendo sua posição como a segunda maior bitcoin treasury company do mercado.

Criptos fisgam gigantes bancários. As stablecoins – criptomoedas lastreadas em outros ativos, como dólar, ouro, entre outros – chamaram atenção de grandes bancos globais. Dez instituições, entre elas Goldman Sachs, Bank of America e Deutsche Bank, anunciaram que estudam lançar uma stablecoin atrelada a moedas dos países do G7. Em nota conjunta divulgada na semana passada, eles disseram que o objetivo é “explorar se uma nova oferta em todo o setor poderia trazer os benefícios dos ativos digitais e aumentar a concorrência em todo o mercado”.

Uma nova atualização do ethereum vem aí. O que esperar da ‘Fusaka’?

10 de Outubro de 2025, 10:50

O ethereum (ETH) costuma passar por atualizações em sua blockchain – o sistema em que as criptomoedas “rodam”. Não é para ficar na modinha, mas sim para incluir novidades, ajustar processos aqui e acolá ou tirar algum atrito que atrapalhava sua estrutura. Entre o fim de novembro e o começo de dezembro, se os testes correrem bem, o sistema deve receber mais uma atualização: a Fusaka.

Em resumo, essa atualização reúne 12 propostas de melhorias no código do projeto cripto, que vale hoje US$ 524 bilhões – equivalente ao PIB de 2024 do Chile, Equador e Uruguai somados. O objetivo das mudanças é tornar a rede mais escalável – capaz de crescer sem travar -, mais eficiente e “dramaticamente” mais barata, segundo o roadmap (plano de desenvolvimento) publicado pela Ethereum.org.

Entre as alterações previstas, uma das mais significativas impactará os rollups, nome dado às soluções tecnológicas que rodam em cima do ethereum e ajudam a dar vazão ao sistema – sim, é um termo estranho e quase um palavrão, mas vamos te explicar.

Para entender bem, lembre-se que o ethereum, diferente do bitcoin (BTC), não é só uma criptomoeda. Ele funciona também como uma espécie de grande programa de computador global, em que desenvolvedores de todo o mundo criam seus próprios projetos – desde novos tokens (as famosas memecoins que o digam) até plataformas de empréstimos sem bancos no meio do caminho.

Por ter um monte de gente usando, esse ecossitema gigante acaba ficando super congestionado, quase como uma Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, às 18h. Os tais rollups seriam, portanto, como estradas menores que se conectam à via principal, desafogando o tráfego e dando mais fluidez. Algumas das principais são a arbitrum (ARB), a optimism (OP) e a base (BASE).

O grande problema é que, para se conectar à rodovia principal, essas soluções precisam conferir todos os carros (verificar trodos os dados) que passam por ela – uma exigência de segurança da blockchain, que acaba tornando o processo mais caro e lento. Com a Fusaka, no entanto, será possível participar dessa brincadeira dando uma olhada apenas em trechos da avenida, sem precisar analisar o trânsito inteiro.

“As implicações do Fusaka são significativas”, disse a gestora VanEck em relatório sobre o projeto. “A atualização deve reduzir os custos para as rollups da Camada 2 (esse termo, bastante usado no mercado cripto, se refere a blockchains secundárias que rodam em outra blockchain principal), o que se traduz em transações mais baratas para os usuários finais. Mantendo-se tudo o mais constante, isso deve trazer mais atividade econômica onchain (dentro da blockchain) para a órbita do ethereum”.

Dankrad Feist, co-líder da equipe de arquitetura de protocolo da Fundação Ethereum, disse na semana passada, em entrevista ao Yahoo, que a Fusaka é tão importante quanto a Merge, aquela grande atualização feita em 2022, que alterou a forma como a criptomoeda é minerada (emitida), dando um ar mais “eco friendly” para o projeto.

Qual o impacto para o usuário de ethereum?

Para quem usa ethereum no dia a dia – seja comprando e vendendo criptomoedas, negociando tokens não fungíveis (NFTs) ou acessando plataformas de finanças descentralizadas (DeFi), aquelas que permitem tomar empréstimos, por exemplo, sem passar por bancos -, a principal mudança esperada é a redução das taxas de transação, chamadas de gas fees.

Essas taxas funcionam como um pedágio digital: cada vez que alguém envia ETH ou interage com um contrato inteligente (programa autoexecutável que permite criar tokens e montar outros projetos dentro de blockchains), precisa pagar um valor para que a operação seja processada na rede. O custo depende da complexidade da transação.

Hoje, segundo dados do YCharts, a taxa média em dólares para uma transação do Ethereum processada por um minerador e confirmada está na casa dos US$ 0,45. Durante picos de congestionamento, como no auge dos NFTs, esse valor já passou de US$ 3,20. A expectativa é que a Fusaka ajude a manter esses custos bem mais baixos de forma consistente.

E qual o impacto no preço?

O ethereum é negociado a US$ 4.341 na manha desta sexta-feira (10), com queda de 1% do dia. Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset Management, disse ao InvestNews que a Fusaka é vista como uma mudança positiva para o ethereum, mas é difícil afirmar que ela trará um impacto direto e imediato no preço.

“O efeito tende a ser mais estrutural, reforçando a tese de longo prazo do ativo do que provocando um movimento específico agora”, falou. “Dados macroeconômicos dos EUA, os riscos do shutdown atual e até a política das chamadas tarifas Trump têm pesado mais nas decisões dos investidores do que qualquer atualização isolada”.

BNB virou a 3ª maior criptomoeda do mundo à frente do XRP e até da stablecoin USDT

8 de Outubro de 2025, 15:35

O BNB, token nativo da blockchain da Binance – a maior exchange do mundo – alcançou o posto de terceira maior criptomoeda em valor de mercado na terça-feira (7), desbancando o XRP (XRP) e ficando à frente até do USDT, a maior stablecoin global.

O BNB agora soma US$ 182 bilhões em capitalização, ante US$ 174 bilhões do XRP e US$ 177 bilhões do USDT. Para efeito de comparação, o bitcoin (BTC) segue na liderança com US$ 2,4 trilhões, enquanto o Ethereum (ETH) ocupa a segunda posição, com US$ 546 bilhões.

A valorização da cripto reflete em boa medida o crescimento das finanças descentralizadas (DeFi), como os empréstimos descentralizados e outras operações baseadas em contratos inteligentes. O avanço atual é atribuído a uma combinação de fatores – a começar pelo aumento do valor total bloqueado em sua rede (TVL, na sigla em inglês), um indicador de quanto dinheiro está alocado em projetos DeFi, em sua blockchain, a BNB Chain. Hoje, está na casa dos US$ 9,22 bilhões, segundo dados do site DefiLlama.

A BNB Chain também recuperou sua posição como a mais utilizada em número de endereços ativos diários, superando solana e ethereum, segundo dados da própria corretora levantados em plataformas de dados.

O movimento também coincide com o crescimento das operações de trading e empréstimos em protocolos baseados na rede da Binance, como o Aster Protocol, além da entrada de novos usuários atraídos por campanhas promocionais.

Na tarde desta quarta-feira (8), o BNB é negociado a US$ 1.308, com alta de 1,50% no dia e valorização de 30% na semana. Ontem, a cripto registrou sua máxima histórica, de US$ 1.331, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O BNB foi lançado em meados de 2017, por meio de uma Initial Coin Offering (ICO) – uma oferta inicial de criptomoedas semelhante a um IPO. Na época, chamava-se Binance Coin, e sua função era permitir que os usuários pagassem taxas e recebessem descontos nas operações dentro da exchange.

Com o tempo, o token evoluiu e passou a integrar a BNB Chain. Hoje, é utilizado para processar transações, executar aplicativos descentralizados – aqueles apps que ficam em blockchains – e dar suporte a projetos de finanças descentralizadas (DeFi), termo que se refere aos produtos financeiros que rodam no sistema das criptomoedas.

Bitcoin segura os US$ 123 mil; BNB rouba a cena e vira 3º maior cripto do mercado

8 de Outubro de 2025, 08:07

O bitcoin (BTC) recuou levemente após atingir a máxima de US$ 126 mil, mas segue estável na faixa dos US$ 123 mil na manhã desta quarta-feira (8). O destaque do dia é o BNB (BNB), que disparou e renovou seu recorde histórico.

O token, nativo da blockchain da exchange Binance, é negociado a US$ 1.320 nesta manhã, com alta de 5% nas últimas 24 horas e 30% no acumulado da semana – acima da valorização de 7% do BTC no mesmo período.

Com essa disparada, o BNB ultrapassou o XRP e se tornou a terceira maior criptomoeda do mundo, com valor de mercado de US$ 183,9 bilhões, contra US$ 178 bilhões da rival, segundo dados da plataforma CoinMarketCap.

O movimento coincide com o aumento de operações de trading e empréstimos em protocolos baseados na rede da Binance, como a Aster Protocol, além da entrada de novos usuários atraídos por ações promocionais.

Também houve maior demanda institucional pelo token, com fundos regionais – incluindo no Cazaquistão e no Sudeste Asiático – adicionando BNB a seus portfólios de ativos digitais.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h45:

Bitcoin (BTC):  – 1,15%, US$ 123.059,10

Ethereum (ETH): – 4,10%, US$ 4.483,92

XRP (XRP): – 3,33%, US$ 2,87

BNB (BNB): + 5,00%, US$ 1.320,00

Solana (SOL): – 0,76%, US$ 231,10

Destaques do mercado cripto

Caixa entra no mundo cripto. A Caixa Asset, gestora de recursos da empresa pública, lançou um fundo de criptomoedas em parceria com a gestora global de criptoativos Hashdex. O novo produto busca replicar a performance do Nasdaq Crypto Index (NCI™️), um índice que investe em bitcoin, ethereum, XRP, solana, entre outras altcoins. O movimento marca a entrada do banco no universo cripto.

Tesouraria de memecoin de Trump. A empresa cripto Fight Fight Fight, por trás da memecoin de Donald Trump, quer levantar pelo menos US$ 200 milhões para criar uma tesouraria que acumularia a cripto ligada ao presidente dos EUA, segundo a Bloomberg. Desde o seu lançamento, no começo deste ano, o ativo digital teve um desempenho volátil: disparou para cerca de US$ 44 em janeiro, mas desde então desabou para US$ 7,5, valor negociado na manhã desta quarta. 

A maior empresa de tesouraria de bitcoin estreia na B3. Saiba como foi o primeiro pregão da OranjeBTC

7 de Outubro de 2025, 14:24

As ações da OranjeBTC (OBTC3), empresa brasileira focada em tesouraria de bitcoin (BTC) e educação, começaram a ser negociadas na bolsa de valores brasileira na manhã desta terça-feira (7).

O papel abriu a R$ 26, chegou a alcançar R$ 29 e, por volta das 13h30, era negociado a R$ 24,90, com volume de R$ 6,26 milhões até o início da tarde, segundo dados da bolsa de valores.

No total, serão negociadas 155,2 milhões de ações ordinárias, sem contar as que já estão em tesouraria. Além disso, a empresa emitiu uma dívida no valor de R$ 128,1 milhões, que poderá ser convertida em quase 7 milhões de novas ações.

A companhia, que nasceu por meio de um IPO reverso, aproveitou a estreia para anunciar a compra de mais 25 bitcoins, elevando sua posição para 3.675 unidades, o equivalente a cerca de R$ 2,3 bilhões na cotação do dia. O BTC é negociado a US$ 121 mil nesta terça-feira.

Com esse movimento, a OranjeBTC passou a ocupar a 26ª posição entre as maiores tesourarias de bitcoin do mundo, ranking que reúne companhias que mantêm a criptomoeda como parte de suas reservas de caixa. No total, 201 empresas listadas em bolsa fazem parte desse grupo, segundo o site Bitcoin Treasuries.

Fundada por Guilherme Gomes – que já trabalhou na gestora americana Bridgewater Associates e na Swan Bitcoin, nos EUA -, a companhia conta em seu conselho com nomes de peso do mercado cripto e financeiro, como Eric Weiss (ex-Morgan Stanley), Julio Capua (ex-sócio da XP), Josh Levine (vice-presidente da BlackRock) e Fernando Ulrich, economista referência no cenário cripto e autor do livro Bitcoin: a moeda na era digital.

Bitcoin registra recorde com paralisação parcial do governo nos EUA e impulso de ETFs

7 de Outubro de 2025, 08:11

O bitcoin (BTC) atingiu uma nova máxima histórica, alcançando os US$ 126 mil na tarde de segunda-feira (6), impulsionado pelas preocupações com o shutdown nos Estados Unidos e por fortes aportes nos ETFs (fundos de índice) de criptomoedas. Na manhã desta terça-feira (7), a moeda registrava leve recuo, negociada na faixa dos US$ 124 mil.

O shutdown – paralisação parcial de serviços públicos nos EUA por falta de acordo entre republicanos e democratas sobre o orçamento federal – entrou na segunda semana. Na noite de ontem, o Senado voltou a rejeitar a proposta orçamentária que encerraria a medida por causa de um impasse sobre os benefícios à saúde.

Diante desse cenário, os principais índices americanos operam em queda no pré-market nesta manhã: o Dow Jones recuava 0,16%, o S&P 500 caía 0,05%, enquanto o Nasdaq permanecia estável. Na contramão, o bitcoin sobe, com parte do fluxo vindo dos ETFs de criptomoedas.

Somente ontem, os fundos de índice de bitcoin dos EUA registraram entrada líquida de US$ 1,2 bilhão, segundo dados da plataforma Farside Investors. Foi a sétima vez que isso aconteceu desde janeiro de 2024, quando esses produtos foram lançados no país. Movimentos desse tipo costumam anteceder topos de curto prazo – como o registrado na segunda.

Já os ETFs de ethereum (ETH) atraíram US$ 181,7 milhões em aportes. Dados da plataforma StrategicETHReserve mostram que esses produtos detêm cerca de 6,81 milhões de unidades de ETH, o que representa 5,63% do total em circulação.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50:

Bitcoin (BTC):  + 0,20%, US$ 124.349,75

Ethereum (ETH): + 0,31%, US$ 4.691,52

XRP (XRP):– 0,63%, US$ 2,97

BNB (BNB): + 5,23%, US$ 1.283,72

Solana (SOL): – 0,76%, US$ 231,10

Principais notícias do setor cripto

Até 4% em cripto, segundo gigante financeiro. O Morgan Stanley divulgou novas recomendações de alocação em criptoativos: até 4% para carteiras de “crescimento oportunista”, entre 2% e 3% para “crescimento equilibrado” e 0% para perfis conservadores. Para comparação, BlackRock e Fidelity – gestoras que oferecem ETFs de criptomoedas – sugerem alocação em torno de 2%.

Criptomoeda russa sob ameaça de sanção. A União Europeia (UE) propôs proibir qualquer envolvimento com a stablecoin russa A7A5, lastreada em rublo. O token foi desenvolvido pelo banqueiro fugitivo moldavo Ilan Shor e pelo banco estatal russo Promsvyazbank (PSB), instituição sancionada por Reino Unido e Estados Unidos em 2022, após a invasão da Rússia à Ucrânia.

OranjeBTC estreia na bolsa brasileira com R$ 2,4 bilhões em bitcoin no caixa

7 de Outubro de 2025, 06:00

A bolsa de valores ganha nesta terça-feira (7) uma empresa com 100% do negócio associado ao bitcoin (BTC): a OranjeBTC. Com o ticker OBTC3, a companhia estreia já com 3.650 unidades da criptomoeda em tesouraria – o equivalente a US$ 457 milhões (R$ 2,4 bilhões) na cotação atual.

A OranjeBTC chegou à B3 por meio de um caminho não tão usual: um “IPO reverso”. Na prática, isso significa que uma empresa fechada compra o controle de uma companhia já listada para ingressar na bolsa, em vez de abrir capital próprio. A firma adquiriu a Intergraus, um cursinho pré-vestibular tradicional de São Paulo, que pertencia ao grupo de educação Bioma, por R$ 15 milhões.

A nova companhia foi fundada por Guilherme Gomes, que já passou por Bridgewater Associates e pela Swan Bitcoin, nos EUA. Ele é tão aficionado por cripto que, além de levar uma empresa de ativos digitais para a B3, tem 100% do portfólio pessoal em bitcoin – uma estratégia considerada de alto risco, não recomendada para investidores em geral.

Além dele, a companhia tem um Conselho de Administração composto por Eric Weiss, ex-Morgan Stanley; Fernando Ulrich, economista referência no cenário cripto e autor do livro Bitcoin: a moeda na era digital; Julio Capua, ex-sócio da XP; Josh Levine, vice-presidente da BlackRock; entre outros nomes.

Tesouraria e educação

A empresa pretende atuar em duas frentes. De um lado, busca acumular a maior posição em bitcoin da América Latina, seguindo o exemplo da “famosinha” Strategy (antiga MicroStrategy), cofundada por Michael Saylor, que detém 640.031 unidades de BTC – cerca de US$ 80 bilhões (R$ 425 bilhões) em cripto, superior ao valor de mercado da Petrobras (​PETR4).

De outro, vai apostar em educação, oferecendo cursos, publicando pesquisas e organizando eventos no Brasil sobre o mercado de criptomoedas.

Riscos incluem regulação

Concentrar a estratégia em único ativo, conhecido por sua volatilidade, é uma aposta de alto risco. Os próprios ciclos de alta e queda do mercado de criptomoedas podem impactar o valor da tesouraria e, consequentemente, da companhia como um todo.

Para Gomes, porém, a volatilidade é parte essencial do negócio. Seguindo o exemplo da Strategy, disse ele, é possível “empacotá-la” de diversas formas para vender dívidas conversíveis, warrants (títulos de opção negociados em bolsa) ou outros papéis, além de recapitalizar o caixa e comprar mais bitcoin.

“Então acho que a volatilidade não só é parte da história, mas é essencial para a operação da companhia. Porém, é preciso ter perspectiva de longo prazo”.

Do ponto de vista do investidor, o especialista da Valor Investimentos, Virgílio Lage, apontou outros riscos a serem considerados, como o regulatório (devido a possíveis mudanças legislativas, proibições ou novas exigências para criptomoedas), o risco de crédito (causado pela dependência de terceiros, como corretoras ou custodiantes) e o risco de liquidez do papel.

Outras empresas com bitcoin em caixa

A OranjeBTC não é a única empresa brasileira com bitcoin na tesouraria. A Méliuz (CASH3), companhia de tecnologia e cashback fundada em 2011, passou a comprar bitcoin no início deste ano, com o objetivo de buscar “retorno de longo prazo no ativo”, segundo comunicado divulgado em março. A empresa possui 605 unidades de BTC, o equivalente a cerca de US$ 70 milhões (R$ 372 milhões)

Analistas e empresas do setor veem o Brasil como um mercado promissor para esse tipo de iniciativa.

“Assim como a Méliuz, a entrada da OranjeBTC no mercado brasileiro marca um marco importante em 2025, ano em que o bitcoin reafirmou sua força no mercado corporativo da América Latina e sua relevância como ativo de tesouraria no planejamento financeiro de longo prazo das empresas”, disse a Bitfinex tem relatório publicado nesta segunda-feira (6).

Para Yoandris Rives Rodriguez, gerente regional para a América Latina na B2BINPAY, o “Brasil continua se destacando como um mercado relativamente estável, em que plataformas como a OranjeBTC estão ganhando tração real”.

Itaú BBA vê espaço para recuperação do bitcoin após ajuste no mercado, mas alerta para riscos da economia americana

3 de Outubro de 2025, 08:37

O mês de setembro foi de queda para o mercado de criptomoedas, contrariando a expectativa de alta. No novo relatório “Cenário Cripto” do Itaú BBA, os analistas Lucas Piza e Fabio Perina apontam que o setor passou por desvalorizações significativas, com o bitcoin e outras moedas se distanciando das suas máximas históricas. O documento indica que não há um movimento claro de recuperação no curto prazo, e a tendência de médio prazo do mercado segue indefinida.

Para o mês de outubro, porém, o mercado de criptoativos começa o mês em alta, impulsionado por um otimismo sazonal conhecido como “Uptober”. O bitcoin chegou a ser negociado perto dos US$ 120 mil nesta sexta-feira (3), o maior valor em sete semanas, após um período marcado por liquidações que apagaram bilhões de dólares em posições alavancadas no final de setembro.

Esse movimento de recuperação é reforçado por entradas constantes em fundos de índice (ETFs) de bitcoin nos Estados Unidos e por expectativas de um impulso de liquidez em meio à ameaça de paralisação do governo americano. Segundo analistas, a paralisação poderia atrasar a divulgação de dados econômicos importantes e redirecionar capital para ativos alternativos, como as criptomoedas.

Apesar do otimismo, o cenário ainda exige cautela. O relatório do Itaú BBA destaca que, para entrar em uma tendência de alta consistente, o bitcoin ainda precisa superar a barreira do preço de US$ 120 mil.

Desempenho das principais criptomoedas

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h45:

Bitcoin (BTC):  + 1,33%, US$ 120.314,01

Ethereum (ETH): + 2,14%, US$ 4.478,10

XRP (XRP): +1,51%, US$ 3,03

BNB (BNB): + 5,61%, US$ 1.104,29

Solana (SOL): + 2,14%, US$ 230,17

Outros destaques do dia:TRON (TRX): + 0,64%, US$ 0,3432

Principais notícias do setor cripto

Belo Horizonte se autodeclara “capital do bitcoin”. O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (UB), sancionou nesta quinta-feira (2) a lei que concede ao município o título de “capital do bitcoin”. A proposta, de autoria do vereador Vile Santos (PL), busca consolidar a cidade como polo tecnológico de criptoativos, promovendo eventos, capacitação e iniciativas voltadas à inovação no setor. A legislação prevê estímulos para atrair investimentos, fortalecer a educação financeira e apoiar empreendedores e estudantes, com a meta de posicionar a capital mineira como referência nacional em adoção e desenvolvimento de soluções ligadas ao Bitcoin e demais criptoativos.

JPMorgan projeta bitcoin a US$ 165 mil. Segundo uma análise do JPMorgan, o bitcoin pode atingir o valor de US$ 165 mil até o final de 2025. Os analistas do banco consideram que o bitcoin está significativamente desvalorizado em relação ao ouro, ao ajustar a comparação pela volatilidade. A projeção de alta é impulsionada principalmente por investidores de varejo que, desde o final de 2024, têm direcionado seu capital para ETFs de bitcoin e ouro. Essa tendência é chamada de “debasement trade”, um movimento de busca por ativos que funcionem como reserva de valor em meio a preocupações com a economia global, como inflação, endividamento de governos e instabilidade geopolítica.

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