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Bessent se torna o secretário do Tesouro dos EUA mais intervencionista em décadas

20 de Agosto de 2026, 10:18

Com uma série de movimentos inesperados neste ano, Scott Bessent emergiu como o secretário do Tesouro mais intervencionista nos mercados financeiros em décadas — colocando sua credibilidade em jogo em um esforço para conter uma alta potencialmente prejudicial nos custos de financiamento dos Estados Unidos.

A quarta-feira trouxe a mais recente surpresa. Apenas duas semanas depois de divulgar seu cronograma para recomprar títulos do Tesouro mais antigos, o Departamento do Tesouro anunciou que iria “pelo menos dobrar” as compras planejadas de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos.

A medida veio depois de o Tesouro, no início deste mês, abrir a possibilidade de reduzir a emissão de dívida de prazo mais longo. Em 31 de julho, Bessent supervisionou a primeira compra de ienes por autoridades americanas em três décadas, uma ação vista como uma forma de reduzir a necessidade de o Japão vender parte de seu estoque de Treasuries para financiar suas próprias compras de ienes.

E, no início deste ano, Bessent utilizou as chamadas rate checks — ligações de autoridades a bancos para pedir cotações sobre o iene — surpreendendo até mesmo um ex-funcionário japonês.

“Ele é intervencionista, sem dúvida”, disse Mark Sobel, ex-funcionário do Tesouro dos EUA e atualmente integrante do grupo de pesquisa OMFIF. “Isso remete à sua experiência em fundos de hedge.”

Quanto à motivação, “para mim, está claro que ele e o governo estão preocupados com a alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo”, disse Sobel.

O Tesouro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as medidas de Bessent no mercado.

Como responsáveis pela política econômica do país e por seus mercados financeiros, os secretários do Tesouro frequentemente são obrigados a intervir em momentos de crise.

Esse não é o caso agora, já que a liquidação de títulos tem ocorrido de forma ordenada e vem se desenrolando há meses. Mas a reação de Bessent depois que os rendimentos dos Treasuries de 10 anos — seu indicador financeiro de referência declarado — subiram acima do nível em que estavam antes do retorno de Trump à Casa Branca mostra que as preocupações em Washington estão aumentando.

A alta dos rendimentos, impulsionada por uma combinação de preocupações com a inflação, decisões do Federal Reserve e déficits fiscais elevados, manteve as taxas de hipotecas em níveis altos e representa um obstáculo ao crescimento econômico meses antes das eleições legislativas de novembro.

O que dizem os estrategistas

“Somada à disposição do governo de intervir em outras áreas, a mensagem do movimento de quarta-feira está ficando difícil de ignorar. Washington está cada vez mais desconfortável com o sinal vindo da ponta longa da curva. Agora os mercados sabem que esse desconforto existe, e pontos de tensão costumam voltar a ser testados.” — Brendan Fagan, estrategista do MLIV

Quando se trata da emissão de dívida, o Tesouro há muito segue o princípio de ser “regular e previsível”, evitando surpreender os investidores. É um conceito que o próprio Bessent endossou em um discurso principal em uma conferência sobre o mercado de Treasuries em novembro.

Mas, naquele mesmo discurso, ele também afirmou: “Meu trabalho é ser o principal vendedor de títulos do país. E os rendimentos dos Treasuries são um forte indicador para medir o sucesso nessa tarefa.” Ele também destacou a importância econômica de taxas mais baixas dos Treasuries.

“Isso vai contra o princípio de ‘regular e previsível’ — mas esse é o mundo em que vivemos”, disse Gregory Faranello, chefe de negociação e estratégia de juros dos EUA da AmeriVet Securities, sobre o anúncio de quarta-feira. “A mensagem é clara: parem a alta dos rendimentos.”

A antecessora de Bessent, Janet Yellen, também agiu para conter uma alta dos rendimentos em 2023. Bessent estava entre vários republicanos que criticaram a medida — implementada por meio do comunicado trimestral regular sobre emissão de dívida — sob o argumento de que tinha motivação política e buscava estimular a economia antes das eleições. Stephen Miran, ex-chefe dos economistas do presidente Donald Trump e ex-integrante do conselho do Fed, havia sido coautor, em julho de 2024, de um artigo que criticava a chamada “emissão ativista do Tesouro”, ou ATI (activist Treasury issuance).

“Temporada eleitoral”

“Quando um partido político começa a usar a ATI para estimular a economia durante a temporada eleitoral, ela pode ser usada repetidamente por todos os governos futuros”, escreveram Miran e o coautor Nouriel Roubini.

A movimentação do Tesouro ocorre poucas semanas depois de o presidente do Fed, Kevin Warsh, ter comemorado a possibilidade de os mercados financeiros ficarem livres da orientação futura (forward guidance). “Os participantes do mercado estão aprendendo a jogar a bola, e não o árbitro, e os preços de mercado continuarão a reagir na direção e na intensidade que considerarem adequadas.”

Bessent já havia compartilhado esse sentimento de Warsh. Em um artigo publicado no ano passado, escreveu que as compras de títulos pelo Fed haviam criado “distorções” nos mercados e “prejudicado uma fonte essencial de feedback”.

Como se vê, “este não é um governo que estabelece regras estáveis e depois deixa o mercado seguir seu curso”, disse Brad Setser, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations.

No caso da recente iniciativa envolvendo o iene, Bessent recomendou que o Fed ampliasse uma de suas linhas de financiamento, em uma medida vista como destinada a conter vendas diretas de Treasuries pelo Japão.

Manobra dos velhos tempos

Bessent, de 63 anos, ficou conhecido por seu papel em operações de alto risco e grande retorno envolvendo a libra esterlina e o iene japonês durante seu trabalho para George Soros. E alguns participantes do mercado viram a ação de quarta-feira como uma extensão daquela experiência profissional.

“É como o truque de ‘comprar tudo o que está na tela’ dos velhos tempos”, disse Brad Golding, gestor de portfólio da Christofferson Robb & Co. A referência é a uma técnica de fundos de hedge que consiste em lançar simultaneamente grandes ordens contra os principais operadores do mercado para provocar uma forte movimentação nos preços.

Por serem os principais integrantes do governo responsáveis pela administração da maior economia do mundo, os secretários do Tesouro têm uma longa tradição de grandes intervenções em momentos de crise. O departamento desempenhou um papel importante durante a Covid, administrou o principal programa de socorro da crise financeira global e liderou diversos resgates de mercados emergentes na década de 1990.

Segundo alguns observadores, as movimentações de Bessent são diferentes porque não foram provocadas por uma crise ou por condições particularmente desordenadas nos mercados.

Comparação histórica

“Bessent está deixando claro para todos que sua abordagem é mais ativamente intervencionista, mesmo sem a presença do tipo de catalisador que poderia ter sido necessário nas últimas décadas”, disse Douglas Rediker, sócio-gerente da consultoria política International Capital Strategies, em Washington.

Sobel, que trabalhou no Tesouro do fim dos anos 1970 até 2015, disse que Bessent é, pelo menos, o secretário mais intervencionista desde o início dos anos 2000. Comparações históricas, como com James Baker — que ajudou a articular os Acordos do Plaza e do Louvre, na década de 1980, que tiveram forte influência sobre as taxas de câmbio na época — são difíceis devido às diferenças entre os contextos históricos, afirmou.

Muitos participantes do mercado e economistas destacaram que os fundamentos por trás dos rendimentos mais altos atualmente representam um desafio para o conjunto de ferramentas operacionais do Tesouro. Faltando dois meses para o fim do ano fiscal, o déficit acumulado em 2026 é de US$ 1,8 trilhão, 5% maior que no ano anterior. Os gastos são impulsionados pela Previdência Social, Medicare, Medicaid e pelos juros da dívida. Os gastos com defesa também devem aumentar, enquanto os republicanos estudam novos cortes de impostos.

“Embora o anúncio do Tesouro ofereça alívio no curto prazo aos mercados de títulos, os fatores estruturais” que pressionam as taxas para cima continuam presentes, escreveram estrategistas de juros do ABN Amro em uma nota divulgada na quinta-feira. “É difícil imaginar o Tesouro mantendo recompras cada vez maiores de forma sustentada, especialmente diante das necessidades de financiamento que continuam — e estão aumentando”, escreveram Larissa Fritz e seu colega Jaap Teerhuis.

Sinais para o mercado

Bessent, no entanto, já indicou acreditar no poder do governo de influenciar os mercados. No mês passado, ao falar sobre participações do governo Trump em várias empresas de tecnologia e recursos naturais, afirmou: “O que estamos tentando fazer é criar sinais para o mercado.” Em entrevista à Fox Business, disse: “Em essência, estamos tentando dizer aos investidores: ‘Ok, é aqui que a bola vai estar. Patinem rapidamente até lá’.”

Alguns investidores seguiram esse sinal na quarta-feira. Os rendimentos dos títulos de 10 anos fecharam em queda de cerca de 6 pontos-base, enquanto as taxas dos títulos de 30 anos recuaram 9 pontos-base. Na quinta-feira, os Treasuries devolviam parte desses movimentos.

“Isso só funciona por algum tempo”, disse Guy Miller, estrategista-chefe da Zurich Insurance. “Pode ser uma intervenção bastante poderosa quando o Tesouro diz que está realmente comprometido com isso. Mas, no fim das contas, a menos que você enfrente uma política fiscal excessivamente expansionista, isso não é sustentável indefinidamente.”

Quanto à operação de Bessent envolvendo o iene, a moeda japonesa devolveu neste mês parte da valorização provocada pela intervenção. A queda dos rendimentos dos Treasuries na quarta-feira também deu impulso ao iene. A redução das taxas chegou a levar o Bloomberg Dollar Spot Index ao menor nível em três meses.

“Ele está comprando briga com dois mercados gigantescos — Treasuries e câmbio”, disse Peter Boockvar, diretor de investimentos da Onepoint Bfg. “E essa é uma batalha muito difícil.”

Governo exclui R$ 10 bilhões da meta fiscal para salvar os Correios

4 de Dezembro de 2025, 18:53

A equipe econômica do Brasil excluiu R$ 10 bilhões da meta fiscal do próximo ano como parte de um plano para ajudar os Correios, que enfrentam uma grave crise financeira.

O aporte, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será efetuado somente depois de aprovado um plano de reestruturação para a estatal, disse ele nesta quinta-feira (4).

“Pode haver. O Tesouro está estudando. Vamos considerar todas as variáveis para tomar a decisão”, disse Haddad a jornalistas sobre a possibilidade. “Não tem nada a ver com arcabouço fiscal, se houver um aporte é dentro das regras atuais.”

A exclusão de R$ 10 bilhões da meta fiscal das estatais incluída no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, aprovado no Congresso nesta quinta-feira (4), foi uma ação preventiva, para permitir que o governo eventualmente faça o aporte nos Correios caso essa seja a decisão, complementou o ministro.

A proposta não menciona os Correios, entretanto.

O peso da exceção

A demanda aumentou a preocupação dos investidores com a crescente dívida pública do Brasil. Após a divulgação do plano da pasta, o real apagou os ganhos e teve desempenho inferior ao da maioria das moedas latino-americanas, em meio a renovadas preocupações fiscais. 

O país tem enfrentado dificuldades para atingir sua meta de balanço fiscal primário equilibrado, excluindo pagamentos de juros, neste ano. O governo já está tendo que congelar recursos para cumprir o limite inferior da meta, que inclui uma margem de tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para 2026, a meta é um superávit primário de 0,25%, mas a proposta orçamentária já prevê exceções para reduzir gastos desse objetivo. Além dos R$ 10 bilhões destinados aos Correios, a equipe econômica poderá também reduzir a meta em R$ 5 bilhões por meio de investimentos. O orçamento permite ainda que as empresas públicas apresentem um déficit de R$ 6,7 bilhões no próximo ano. 

Serviço postal 

Os Correios possuem mais de R$ 8,7 bilhões em passivos não cobertos e estão trabalhando em um plano de reestruturação que precisa ser aprovado pelo Tesouro. 

Suas finanças se deterioraram no último ano, à medida que o Brasil impôs tarifas sobre a importação de bens de baixo valor, o que reduziu as compras de brasileiros em plataformas globais de comércio eletrônico. A maior parte desses pedidos era processada pela empresa pública, e a redução no volume agravou o consumo de caixa da empresa.

No início desta semana, o Tesouro rejeitou uma proposta de um consórcio bancário para um empréstimo aos Correios, alegando que a taxa de juros oferecida era muito alta para uma operação com garantia governamental.

Agora, o Tesouro está analisando outras soluções. A possível injeção de capital por parte do governo agravaria ainda mais as contas públicas. 

“Precisamos aprovar o plano de recuperação primeiro. Não faremos nenhum investimento sem um plano de recuperação aprovado, nem empréstimos, nem investimentos, nem garantias”, disse Haddad. “Tudo depende do plano de reestruturação da empresa.”

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Até quando o Tesouro Direto vai continuar a oferecer as maiores taxas em 10 anos?

30 de Setembro de 2025, 15:07

A bolsa subiu, o dólar caiu, mas o Tesouro Direto…continua o mesmo. A valorização que se viu em muitos ativos brasileiros não foi suficiente para abalar a posição super atrativa da renda fixa. Entretanto, esse período de juros nas máximas em uma década, que já dura quase um ano, pode estar com os dias, ou melhor, com os meses contados.

Quando o BC começar a sinalizar que o ciclo de cortes da Selic finalmente já está visível no seu horizonte, os juros longos tendem a recuar. Isso pode acontecer porque diante da perspectiva de queda de juros no curto prazo, mais recursos passam a migrar para a renda fixa longa e, com isso, o juro real passa a cair.

Por enquanto, quem quer aproveitar os maiores retornos desde 2016 ainda pode travar taxas muito atrativas. De fato, o tom mais duro na ata da última reunião de política monetária divulgada em 23 de setembro ampliou a incerteza sobre o início da queda da Selic e até levou a uma subida dos rendimentos no Tesouro Direto nos últimos dias. O movimento refletiu uma certa frustração de parte dos investidores que esperavam um corte já em 2025.

No caso dos títulos atrelados à inflação, os famosos IPCA+, as taxas seguem acima de 7% ao ano. Esse juro real – aquele que supera a variação da inflação – é um dos maiores dos últimos anos. O título Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, foi negociado nesta terça-feira (30) na plataforma Tesouro Direto, com uma remuneração de inflação mais 7,84%. O mesmo papel tinha preço de compra de IPCA mais 7,77% na sexta-feira (26).

Já o Tesouro IPCA+ 2040 rendia a variação da inflação acrescida de um juro real de 7,13% na terça-feira. Trata-se de uma pequena elevação ante os 7,06% vistos na sexta-feira.

Entre os títulos com retornos já predefinidos na largada, o Tesouro Prefixado 2028 tinha taxa nominal de 13,31% ao ano também nesta terça-feira. Na sessão anterior, o papel tinha rendimento de 13,23%. O Tesouro Prefixado 2032, por sua vez, apresenta no início desta semana um ganho de 13,66% ante 13,51% no fechamento anterior.

O efeito dos juros compostos no longo prazo nos níveis que podem ser travados atualmente faz o capital triplicar e até quintuplicar. Veja a simulação abaixo referente a uma aplicação de R$ 10 mil em títulos IPCA+. O valor no vencimento é o valor equivalente ao “dinheiro de hoje”, sem considerar a inflação. É claro que o valor nominal, aquele que vai aparecer no seu saldo no fim do prazo, será bem maior, porque vai carregar vários anos de IPCA. 

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Com a inflação atualmente em queda, os prefixados também se mostram bem vantajosos. O Tesouro Prefixado 2028, por exemplo, equivaleria a um rendimento de IPCA+ 8,5% neste ano. Isso se for considerada a projeção para o IPCA no fim de 2025 de 4,81%, segundo o boletim Focus.

O que explica esse juro ainda tão alto dos títulos públicos é que a última ata do Copom mostrou que o BC vai ser muito cauteloso para começar a reduzir os juros. E mesmo quando fizer isso, vai demorar muito tempo para que a Selic volte para um nível de um dígito – condição considerada fundamental para que a renda fixa de fato deixe de ser competitiva em relação à bolsa.

Retornos de dois dígitos a perder de vista

Para quem olha o médio e o longo prazos e consegue manter os recursos nos papéis até o vencimento, há uma oportunidade para travar taxas historicamente elevadas. Garantir uma taxa de juro real acima de 7% por 5 ou 10 anos, por exemplo, significa manter um retorno médio de dois dígitos durante todo esse tempo.

Essa conta leva em consideração que, mesmo se o BC conseguir alcançar a meta de 3% de inflação anual, o título rende, ao menos, 10% ao ano (IPCA de 3% + juro de 7%, numa conta simples). Se o IPCA médio no período estiver mais perto de 4%, o retorno nominal subiria para 11% ao ano. Se for um prefixado, o ganho será ainda maior, acima de 13% ao ano, de acordo com os retornos atuais.

Mas existem riscos. Se você precisar tirar o dinheiro da aplicação antes do tempo, vai ter de vender o papel nas condições de mercado. Isso significa que pode perder dinheiro se o momento estiver desfavorável.

Por exemplo, se você contratar um título público prefixado ou indexado à inflação de prazos mais longos, por exemplo, 10 anos, vai receber exatamente o que comprou quando a aplicação acabar. Mas até lá não pode vender. A questão é que esses papéis, embora sejam um produto de renda fixa, exibem um comportamento variável no dia a dia.

Funciona da seguinte maneira: pelos próximos 10 anos, dia após dia, os preços do título vão subir e descer de acordo com as expectativas sobre a Selic, a inflação, a situação fiscal do país e um outro tanto de variáveis. Essa atualização diária se chama marcação a mercado.

Se, hipoteticamente, ocorrer um cenário no qual as taxas reais subam ainda mais ,quem vender vai amargar um prejuízo. Na situação oposta, se os juros caírem, o título vai valorizar.

No curto prazo, Tesouro Selic segue imbatível

Quem não tem certeza de que consegue segurar os recursos até o vencimento, a melhor opção está no Tesouro Selic. Esse título traz um retorno atrelado à taxa básica de juros.

Em 2025, com a Selic em 15% ao ano e a inflação projetada para o fim do ano de 4,81%, o retorno desse papel equivale a IPCA+ 10,19%. “A melhor opção para este ano e, provavelmente, ao longo do próximo ainda é o Tesouro Selic”, afirma o fundador e estrategista-chefe da Casa do Investidor, Michael Viriato.

Segundo o Focus, o mercado estima que a Selic vai terminar 2026 na casa de 12%, ou seja, com um corte de 3 pontos percentuais, enquanto o IPCA ficará em 4,28%. Isso significa que, potencialmente, o Tesouro Selic pode terminar 2026 com uma taxa ainda muito atrativa, equivalente a IPCA+ 7,71%.

Para o curto prazo, o título pós-fixado, o chamado Tesouro Selic, continua sendo uma excelente opção. É que seu retorno acompanha o nível do juro básico definido pelo BC – que deve permanecer em 15% até o fim do ano, segundo estimativas do mercado. Ao longo de uma década, por exemplo, espera-se que a taxa recue, em algum momento, para patamares mais civilizados, em geral de um dígito.

No longo prazo, se a Selic cair para a casa de 9% ao ano e a inflação estiver em torno de 3%, que é a meta do BC, o retorno vai equivaler a IPCA+ 6%. A vantagem do Tesouro Selic é que você pode vender o papel com riscos muito menores, porque o papel vai trazer o retorno do juro pós-fixado acumulado até o dia do resgate.

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