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Com o fim da Guerra do Irã, como ficam os investimentos? O que esperar da renda fixa e de ações

15 de Junho de 2026, 12:27

A reação positiva dos mercados no Brasil neste começo de semana diante do fim da Guerra do Irã, com queda do dólar e alta da bolsa, acompanha um movimento global. No curto prazo, a redução dos preços do petróleo vai ajudar o câmbio, reduzir a pressão inflacionária e melhorar as perspectivas para setores mais sensíveis aos juros. Mas, no médio prazo, o cenário não vai ser o mesmo de antes do conflito.

A tendência é que a bolsa retome o rumo das altas com ajuda de setores que se beneficiam desse cenário mais otimista, como varejo, construção civil, shopping centers e ações de companhias de menor porte, as small caps – ainda que o Ibovespa fique pressionado pela correção das ações da Petrobras, que respondem por 12% do índice e, com o fim da guerra, perde 4% nesta segunda-feira (15).

Juros futuros

Os juros futuros também caem, dado que passam a embutir menos prêmio de risco diante da perspectiva de alívio sobre os preços globais de energia. Isso significa que quem aproveitou os momentos mais críticos para aplicar em títulos com taxas elevadas, como IPCA + 8% ao ano ou um prefixado acima de 14% anuais, verá seu saldo em reais na carteira aumentar.

Mas a janela dos juros em patamares historicamente elevados ainda está aberta. O Tesouro IPCA+ 2032, por exemplo, ainda está com taxa acima de 8% ao ano, enquanto os papéis prefixados se mantêm acima de 14% ao ano.

Isso significa que, mesmo com o fim da guerra, a volatilidade dos títulos atrelados à inflação e dos prefixados deve se manter ao longo dos próximos meses. As incertezas continuam elevadas no lado doméstico, com ameaças de novas tarifas dos EUA e diante da aproximação das eleições.

Portanto, o investidor que busca travar os rendimentos deve estar preparado para o sobe-e-desce de taxas e preços de títulos. Por outro lado, quem pode manter os recursos aplicados no longo prazo, no mínimo até 2027, vai se beneficiar do juros nos maiores níveis em vários anos.

Na plataforma Tesouro Direto, os efeitos do acordo entre Estados Unidos e Irã sobre a guerra têm se traduzido em queda expressivas de taxas. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, saiu de 14,97% no pico da semana passada, visto da quarta-feira (10), para 14,32% nesta segunda-feira (15). Esse recuo de taxas representa um ganho de 1,57% no valor do papel em uma semana.

O Tesouro IPCA+ 2032 também apresentou ganhos no seu valor com o recuo de taxas. O título saiu de um pico de inflação mais 8,36% no momento mais tenso da semana anterior para os atuais IPCA + 8,04%, com tendência de queda. A variação representou uma alta de 2,1% no saldo em reais.

No IPCA+2040, mais longo e, portanto, mais sensível a mudanças de taxa, a alta no saldo é de 6%.

Bolsa na berinda

A questão é o que vem depois desse alívio imediato. Mesmo que a guerra tenha durado pouco menos de quatro meses, o mundo já não é mais o mesmo de antes de fevereiro deste ano, quando eclodiu.

O movimento de diversificação internacional voltou a perder força entre abril e maio. Os investidores globais registraram só em maio vendas líquidas de R$ 13 bilhões na bolsa brasileira.

Ainda que o saldo no ano ainda seja positivo em R$ 43 bilhões, em maio e início de junho mais de R$ 22 bilhões deixaram o mercado acionário local.

E o que isso significa para os investidores? No caso da bolsa, o novo mundo pós-guerra pode manter ventos contrários ao movimento de entrada de recursos que sustentou várias quebra de recordes do Ibovespa no primeiro trimestre.

O momento, portanto, é ajustar estratégias. Uma forma de se precaver de oscilações mais intensas da bolsa daqui para a frente é se tornar mais seletivo na escolha dos papéis.

O setor de “utilities”, por exemplo, eleva o lado defensivo da carteira de renda variável. O nome em inglês se refere às empresas de utilidade pública, como saneamento e energia elétrica. Esse setor inclui nomes como Sabesp, Axia, Copel e Eneva.

São, em geral, negócios mais estáveis e com receitas previsíveis por serem reguladas. Grande parte das companhias também costuma aparecer com frequência nas listas de maiores pagadoras de dividendos.

Setor de tecnologia volta a decolar

Um dos principais ventos contras para a renda variável vem da retomada da “força gravitacional” das ações de tecnologia, em especial aquelas ligadas à cadeia de inteligência artificial. O repique recente ocorre em meio às notícias sobre novas ofertas iniciais de ações trilionárias.

O IPO da SpaceX, do bilionário Elon Musk, movimentou US$ 75 bilhões e levou a fabricante de foguetes e operadora do sistema de internet via satélite Starlink a um valor de mercado de US$ 1,75 trilhão.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, deve ser a próxima. A companhia pode captar US$ 60 bilhões em uma abertura de capital no segundo semestre. Esse volume de recursos colocaria a companhia no seleto clube do trilhão, com um “valuation” de US$ 1 trilhão.

Outro mega IPO no horizonte é o da Anthropic, rival da OpenAI e dona da plataforma Claude.

As narrativas de inovação disruptiva — IA, computação avançada, infraestrutura espacial, defesa tecnológica — têm levado boa parte do dinheiro internacional de volta à órbita do mercado americano.

Juros das Treasuries

Outra mudança trazida pela guerra diz respeito ao nível dos juros de longo prazo americanos. Antes do conflito, a Treasury de 10 anos, principal referência nesse mercado, negociava a taxas levemente abaixo de 4% ao ano. No cenário atual, o retorno tem variado entre 4,4% e 4,5% anuais. Na manhã desta segunda feira, com o acordo de cessar-fogo digerido pelo mercado, a taxa operava em leve queda, a 4,45%.

O título mais longo do Tesouro americano, a Treasury de 30 anos, chegou a tocar o maior nível em 19 anos no fim de maio, aos 5,196%. Nesta segunda-feira (15), a taxa permanece perto de 5% ao ano, aos 4,994%. O rendimento atual se mantém no maior nível desde julho de 2007.

Na renda fixa, quando as taxas sobem significa que os preços dos títulos caíram. Com as altas atuais, a remuneração das Treasuries volta a patamares historicamente elevados. O avanço dos retornos passa a atrair mais capital ao mercado dos EUA e fortalece o dólar globalmente.

A alta das taxas vem a reboque das preocupações com a escalada da inflação global. A percepção é que a alta de preços criada pelo conflito não vai desaparecer automaticamente.

Há uma aceleração inflacionária “contratada” e espalhada pelas cadeias globais: fretes marítimos mais caros, seguros elevados, custos energéticos ainda represados e uma normalização da oferta de óleo e gás que ainda deve levar alguns meses. Mesmo com o petróleo em queda, parte desse choque vai contaminar os índices ao longo dos próximos trimestres e tirar a visibilidade futura da inflação.

E isso muda tudo nos mercados. Se antes da guerra os bancos centrais globais ainda administravam ciclos de cortes de juros, agora o caminho se inverteu: o Banco Central Europeu (BCE) subiu a taxa em 0,25 ponto percentual e outros BCs, como o Bando da Inglaterra (BoE) e o Banco do Japão (BoJ), já começam a sinalizar a possibilidade de subir as taxas nas próximas reuniões.

Volatilidade em alta na renda fixa brasileira

No médio prazo, portanto, a renda fixa brasileira pode ver a volatilidade voltar ao mercado de juros prefixados e atrelados à inflação. Se nesta segunda-feira predomina o alívio, daqui a alguns meses, no entanto, tudo pode mudar.

A perspectiva de freio no ciclo de queda de juros aqui e uma guinada lá fora vai afetar as taxas locais. Isso porque, diante das incertezas sobre as decisões dos BCs, os preços vão oscilar ao sabor do noticiário e das preocupações de investidores.

Para o investidor brasileiro, o importante é ter sangue frio. Quem aproveitou para travar taxas historicamente elevadas em títulos IPCA+, por exemplo, tende a ganhar com o chamado “carrego”, ou seja, pelo fato de manter o papel em carteira por um tempo mais prolongado ou até o vencimento.

Há, por exemplo, perspectiva de ganhos se a inflação subir mais do que o esperado. Mas também com uma queda de taxas em um cenário mais favorável. Quem tem mais tolerância ao risco pode, inclusive, aproveitar os momentos de estresse para travar novas taxas.

Volatilidade no Tesouro Direto: título prefixado supera 14% ao ano e IPCA+ flerta com 8%

13 de Março de 2026, 12:02

O Tesouro Direto tem três “marcas psicológicas” que, quando atingidas, deixam mais evidentes a percepção de que o mercado passa por momento de maior estresse, diante do aumento das incertezas. Isso sob a ótica de investidores.

No caso dos títulos Tesouro Prefixado 2032, trata-se do patamar de 14% ao ano.

Para o Tesouro IPCA+ 2032, o papel mais curto desse tipo oferecido na plataforma, é o nível de retorno de 8% ao ano acima da inflação.

E, para o produto mais longo atrelado à inflação, o Tesouro IPCA+ 2050, um retorno de 7% ao ano.

Desses três títulos, dois já superaram esses patamares nesta sexta-feira e um está bem perto disso.

O Tesouro Prefixado 2032 terminou a sexta-feira (13) em 14,25% ao ano, após o Tesouro Direto acionar o “circuit breaker”, um mecanismo que paralisa as negociações quando a volatilidade fica muito elevada.

Esse nível foi alcançado pela última vez em abril de 2025.

Já o Tesouro IPCA+ 2050 alcançou a taxa de 7% ao ano e igualou a máxima do ano. A versão 2032 alcançou 7,93%, a um passo dos 8%, e no maior nível desde sua estréia na plataforma em fevereiro deste ano.

A alta das taxas de juros ocorre em momento de aumento das preocupações no mercado com a inflação. Se até fevereiro a avaliação era a de que a economia estava em processo de desaceleração da alta de preços, a partir deste mês de março a percepção deu uma guinada.

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No mês passado, as taxas atingiram as mínimas do ano. O Tesouro IPCA+ 2050, por exemplo, chegou a 6,73%, muito perto do menor patamar em pelo menos dois anos.

Já o Tesouro Prefixado 2032 alcançou 13,23% ao ano, também bem perto da mínima em dois anos. No caso desse título, a última vez em que a taxa passou de 14% foi em julho de 2025.

E, não por acaso, as taxas se movem por motivos semelhantes ao de agora, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã pela primeira vez, antecedendo o quadro atual de guerra. As cotações mais altas do petróleo representam uma ameaça relevante para a inflação no Brasil e no mundo.

No Tesouro Direto, taxas mais altas significam que o valor dos papéis cai. O investidor que tem esses títulos na carteira percebe esse efeito, porque o saldo em reais passa a diminuir.

A volatilidade dos títulos mais longos, ou seja, de prazos de vencimentos que podem ser de anos ou até décadas, costuma aumentar em momentos de estresse nos mercados. Esses papéis são muito sensíveis a mudanças macroeconômicas e eventos geopolíticos que afetem as perspectivas de inflação e juros.

De qualquer modo, é importante o detentor dos títulos lembrar que vender em momentos de estresse pode significar realizar o prejuízo que, por enquanto, está só na tela do computador ou celular.

Se o cenário melhorar, as taxas podem voltar a recuar – e os preços dos títulos subirem novamente.

Taxas mais altas – e as atuais estão em um nível historicamente elevado – podem também ser uma oportunidade de “travar” retornos considerados atrativos por muitos anos, se o investidor levar os títulos até o vencimento. Isso porque, nesse caso, sempre valem as condições contratadas ao adquirir o papel.

A forte oscilação vista neste momento, que remetem até à renda variável, deve-se ao efeito da chamada marcação a mercado, ou seja, da variação diária dos preços dos papéis.

A marcação a mercado reflete o quanto os investidores estão dispostos a pagar pelo ativo naquele momento. E essa avaliação é afetada por vários fatores, como as perspectivas para inflação, juros, câmbio ou questões geopolíticas.

Em momento de alta volatilidade, que atinge de maneira mais acentuada os títulos com prazos mais longos, o melhor a fazer é evitar entrar em ondas de vendas.

Desde o início do conflito, o Tesouro Prefixado 2032 já perdeu 3,30% em termos de preços. Mas ainda acumula uma alta de 20% no ano.

O Tesouro IPCA+ 2032 recua 2% nas duas semanas do conflito no Oriente Médio. Mas, mesmo com essa queda, no ano, o papel está no “zero a zero”.

Já o Tesouro IPCA+ 2050 apresenta uma perda de 4,8% desde quando eclodiu a guerra no Irã até o momento. Mas em 2026, ainda acumula uma alta de 2,2%.

Tesouro Direto: taxas dos títulos IPCA+ recuam e voltam para perto das mínimas do semestre

12 de Dezembro de 2025, 11:57

O Banco Central evitou sinalizar qualquer chance de um corte da Selic já em janeiro de 2026. Mas, mesmo assim, as taxas do Tesouro Direto passaram a cair depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve a taxa básica em 15% ao ano na quarta-feira (10).

Nesta sexta-feira (12), os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+, voltaram a cair. Agora estão em patamares mais próximos das mínimas vistas antes dos ruídos políticos contaminarem os mercados e fazerem os retornos desses papéis retomarem ao nível de 8% ao ano.

O Tesouro IPCA+ 2029, por exemplo, saiu de 7,98% de juro acima da inflação vista na super quarta-feira (10) da política monetária para 7,79% nesta sexta-feira (12). O Tesouro IPCA+ 2040, que chegou a 7,01% no dia do Copom, voltou para 6,87% ao ano. E o papel mais longo da plataforma Tesouro Direto, o IPCA+ 2050, está com rendimento de inflação mais 6,88% contra 7,02% visto pouco antes da decisão de juros.

As mínimas anteriores ao episódio do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro foram alcançadas entre fim de novembro e início do mês. O Tesouro IPCA+ 2029 chegou a 7,64% ao ano em 4 de dezembro. O Tesouro IPCA+ 2040 no mesmo dia chegou a 6,82%. E o Tesouro IPCA+ 2050 foi negociado a 6,78% no mesmo dia.

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Menos política e mais visão sobre juros

Mas o que mudou de lá para cá? Em primeiro lugar, o ruído politico arrefeceu. Ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenha reafirmado sua pré-candidatura como o escolhido do próprio pai, os investidores passaram a considerar o evento mais como uma jogada para tentar aprovar uma anistia ao ex-presidente no Congresso. Ou seja, os nomes na futura corrida presidencial ainda não estão definidos.

Mas o fator mais importante veio mesmo do cenário para juros. Ainda que o Copom tenha evitado alimentar expectativas para um corte de taxas no início do próximo ano, o mercado entendeu que o ciclo de reduções está mais perto do que nunca. Mesmo se o BC não baixar em janeiro, a visão é a de que a primeira diminuição da Selic não passa de março.

E tem mais: diante de um juro real no maior patamar em 10 anos, combinado a uma inflação que mostra estar controlada, à convergência de expectativas para o cenário vislumbrado pelo Copom no horizonte relevante – que vai até o segundo trimestre de 2027 – e sinais claros de desaceleração da atividade, os investidores veem crescentes possibilidade de a autoridade ter de acelerar o passo nos cortes.

Mercado vê cortes mais amplos

O último boletim Focus do BC, que reúne projeções para indicadores como Selic, IPCA, PIB e câmbio, mostra a mediana de estimativas do mercado para a taxa de juros no fim de 2026 em 12,25% ao ano. Isso representa uma queda de 2,75% no ano que vem. Se o Copom optar por iniciar o ciclo com um corte de 0,25 ponto percentual teria de realizar reduções de 0,50 ponto em, ao menos, metade das oito reuniões no ano.

Esse, por exemplo, é o cenário base do Citi. O economista-chefe do banco no Brasil, Leonardo Porto, enxerga o Copom cortando  0,25 ponto já a partir de janeiro e acelerando posteriormente para ajustes de 0,50 pp. Isso até que a Selic alcance 12% no fim do próximo ano.

Já existem casas, como o Itaú, que começam a ver espaço para o juro cair a 11% ao ano no fim de 2026. Nesse caso, o banco central teria de realizar cortes de 0,5 ponto percentual em todas as reuniões do ano que vem, começando já em janeiro.

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